Flávio Dino diz que só o povo e as consciências deles podem dizer se Weverton Rocha e Roberto Rocha são traidores

 

Flávio Dino já sabia que, após eleitos com o seu apoio, Roberto Rocha (2018) e Weverton Rocha (2022) não o apoiariam na disputa para a vaga de senador

O ex-governador Flávio Dino (PSB), pré-candidato ao Senado, confirmou o que muitos observadores atentos já suspeitavam: ele sabia que, assim como o senador Roberto Rocha (PTB), que se elegeu em 2014 com seu apoio, o senador Weverton Rocha (PDT), também beneficiário da sua força política para se eleger em 2018, não o apoiaria nessa caminhada.  “Realmente, não acreditava que nesse momento fossem me apoiar, pela trajetória e conduta que vinham adotando e pelas suas atuais posições políticas”, revelou. Indagado sobre se vê traição na postura dos dois senadores – que se odiavam, mas resolveram se juntar contra o seu maior apoiador -, Flávio Dino respondeu: “Não considero que nesse momento eu me sinta traído. E, se são traidores ou não, as suas próprias consciências e a população é quem devem julgar”. E completou, como que jogando uma pá de cal sobre o assunto: “Sinto muito, claro, o caminho que adotaram, mas faremos a campanha e, com a graça de Deus, venceremos”.

Feitas ao meio-dia de sábado (21), em entrevista na estreia do programa Sem Ponto, da Rádio 92.3 FM, comandado pelos jornalistas Daniela Bandeira e Thiago Soares, e com a participação dos influenciadores digitais Garoto Mídia e Poliana Dominici, as declarações do ex-governador Flávio Dino repercutiram no meio político e colocaram ordem no tabuleiro da corrida eleitoral. Elas soaram como fechamento da questão em relação ao senador Weverton Rocha, que disputa o Governo do Estado contra o governador Carlos Brandão (PSB), e ao senador Roberto Rocha, que tentará a reeleição tendo o ex-governador seu adversário na corrida à única vaga em disputa. Mais do que isso, embora não tenha sido explícito, Flávio Dino deixou no ar a impressão de que não vê possibilidade de reatamento, à medida que o rompimento foi iniciativa dos dois.

A posição de Flávio Dino em relação a Roberto Rocha é o resultado de um roteiro bem armado e protagonizado às claras, passo a passo, pelo senador petebista. Depois de eleito em 2014, derrotando o então deputado federal Gastão Vieira (MDB), com o apoio firme e intenso de Flávio Dino (PCdoB), então candidato a governador, sem o qual dificilmente teria saído vencedor, o senador colocou em marcha sua estratégia para se afastar do benfeitor. Começou criticando a “atuação ideológica” do núcleo central do Governo, sem conseguir esconder que se tratava de um jogo de pressão para obter do governador o compromisso de apoiar sua candidatura ao Governo em 2018, o que na prática significaria Flávio Dino abrir mão da sua candidatura à reeleição. O que se seguiu foi uma sucessão de provocações, bate-boca com governistas e, por fim, a desastrada candidatura do senador ao Governo em 2018, quando saiu das urnas com pouco mais de 2% dos votos. E depois disso, Roberto Rocha entrou para as fileiras do bolsonarismo cujas cores defende na disputa direta com Flávio Dino nesse pleito.

O roteiro que levou o senador Weverton Rocha a romper com Flávio Dino é parecido. Como seu colega Roberto Rocha, não satisfeito com o mandato senatorial, que conseguiu em 2018 em grande medida devido ao apoio do então governador Flávio Dino, Weverton Rocha decidiu ser candidato a governador. Pressionou o governador a apoiá-lo, quando até as pedras de cantaria da Praia Grande já sabiam que, por razões óbvias, o candidato do grupo seria o vice-governador Carlos Brandão, que viabilizou politicamente o seu projeto de.  reeleição. Houve várias tentativas de fazê-lo sair do páreo, apoiar Carlos Brandão e criar as condições para disputar o Governo em 2026, mas ele não quis conversa e resolveu partir para o confronto político e eleitoral, já tendo declarado que seu ele e seu grupo apoiar não votarão em Flávio Dino. A julgar pelo que aconteceu em São Luís em 2020, a estratégia de Weverton Rocha guarda o risco de levá-lo a outro tombo monumental. Daí a posição do ex-governador de fechar questão e encerrar a conversa com o senador pedetista e seguir em frente.

Por mais que os dois senadores tentem justificar o rompimento deles com Flávio Dino, o fato é que a única justificativa é a sede de poder de cada um deles falou mais alto. Não foi sem razão que na sua entrevista à 92.3 FM, o ex-governador disse o que pensa a respeito e encerrou o assunto, de maneira polida, sem uma palavra agressiva dirigida aos dois ex-aliados.

 

PONTO & CONTRAPONTO

 

Ex-governador rebate o que chama de fake news sobre pobreza no Maranhão

Weverton Rocha e Roberto Rocha teriam divulgado fake news 

Nos seus discursos de pré-candidatos ao Governo do Estado e à reeleição, os senadores Weverton Rocha e Roberto Rocha têm usado o argumento de que a pobreza no Maranhão aumentou “nos últimos anos”, ou seja, no Governo Flávio Dino. Na entrevista à 92.3 FM, externou sem rodeios o que pensa a respeito: “Inventaram que eu tinha dito que ia acabar com a pobreza no Maranhão. Acabou em algum lugar do Brasil? A pobreza no Brasil aumentou e os bolsonaristas é quem têm que responder por isso no país inteiro. Na posse, eu falava do Plano Mais IDH e disse que lutaríamos para que na próxima mensuração deste índice, não houvesse município maranhense na lista dos 30 piores com menor Índice de Desenvolvimento Humano”.

E classificou de mentirosa a informação, divulgada pelos senadores Weverton Rocha e Roberto Rocha de que a pobreza no Maranhão aumentou no seu Governo, que será desmentido com os números que serão levantados no próximo censo do IBGE: “Aí sim, podemos comparar. Inventaram uma fake news que dos 10 piores IDHs do Brasil, oito são de cidades do Maranhão. É mentira. Uma estimativa com base no último censo aponta dois municípios do Maranhão nessa lista. Tenho muita tranquilidade em debater números, pois os nossos são verdadeiros, diferente destes que são inventados pela caravana da insensatez”.

Acrescentou que, caso chegue ao Senado irá “ajudar para a captação de recursos reais e não dinheiro mental, a fim de auxiliar na execução das políticas sociais” e enumerou projetos como a rede IEMA, construção de creches em tempo integral, Restaurante Popular, Escola Digna e outros. “Se essa for a vontade do povo, espero poder ser seu representante no Senado Federal”, concluiu.

Um grupo e duas maiorias sobre quem apoiar para o Governo

No final da semana passada, o deputado Josimar de Maranhãozinho (PL) se reuniu com prefeitos aliados dele para consultá-los sobre quem deve apoiar para o Governo do Estado. Fontes da base governista divulgaram que a maioria dos prefeitos se manifestou a favor de apoiar o projeto de reeleição do governador Carlos Brandão, enquanto aliados do senador Weverton Rocha fizeram o mesmo, só que garantindo que a maioria de prefeitos defendeu uma aliança com o pré-candidato do PDT.

São Luís, 23 de Maio de 2022.

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