Candidatos já começam a definir conselheiros e estrategistas para a briga pelo voto em São Luís

 

Candidatos a prefeito de São Luís já começam a definir  conselheiros, orientadores e marqueteiros

Faltando menos de quatro meses para o embate nas urnas, a corrida à Prefeitura de São Luís já tem o elenco de candidatos praticamente definido. São 13: Eduardo Braide (Podemos), Duarte Júnior (Republicanos), Neto Evangelista (DEM), Rubens Júnior (PCdoB), Bira do Pindaré (PSB), Wellington do Curso (PSDB), Adriano Sarney (PV), Yglésio Moises (PROS), Jeisael Marx (Rede), Carlos Madeira (SD), Detinha (PL), Saulo Arcangeli (PSTU), Franklin Douglas (PSOL). Todos estão com seus projetos definidos, garantem que irão mesmo para a luta, descartam a existência de “consórcio” de candidatos governistas e, pelo menos até agora, não há sinal de que algum deles esteja pensando voltar atrás e abandonar o projeto de candidatura. Todos políticos com maior ou menor nível de traquejo em relação à guerra pelo voto, os candidatos terão o suporte e as orientações de aliados tarimbados, que cuidarão das estratégias, deixando-os livres para conquistar o eleitorado.

Eduardo Braide faz carreira-solo, como líder e orientador de si mesmo, mesmo tendo nascido em berço político. Político inteligente, elaborou, sem conselheiros ou marqueteiros, todos os passos que deu até aqui, caracterizando-se como dono do seu próprio destino político. Só confia no seu próprio taco.

Duarte Júnior é também dono do seu próprio nariz, montando solitariamente as suas próprias estratégias. Seu grande filão são as redes sociais, que ele domina como poucos, com o apoio de assessores, mas sem qualquer interferência. Nessa disputa, conta com o suporte e a experiência do vice-governador Carlos Brandão, que quer vê-lo eleito para ser um esteio forte na sua corrida ao Governo do Estado em 2022.

Nascido e crescido em berço político, Neto Evangelista tem se revelado um político hábil, que sabe os passos que deve dar. Ciente de que entrar sozinho nessa guerra pode ser um passo para o fracasso nas urnas, contará com o deputado federal e presidente estadual do DEM, Juscelino Filho, como coordenador da sua campanha, podendo contar também com o suporte e a estrutura do senador Weverton Rocha se a aliança com o PDT for confirmada, como está se desenhando.

Com um lastro de experiência de várias campanhas, inclusive uma para o Senado (2006), com resultado excelente em São Luís, Bira do Pindaré sabe tudo sobre caça ao voto em São Luís. Atua sem conselheiro influente, contando apenas com a fiel militância do PSB e simpatizantes petistas.

Rubens Júnior vai para guerra pelo voto com o amplo e forte suporte. Sua campanha será coordenada pelo presidente do PCdoB, deputado federal Márcio Jerry, e terá a formulação técnica de marqueteiro. Tem personalidade, vontade própria, sabe o tamanho da sua responsabilidade como candidato do partido do governador Flávio Dino e costuma ouvir as orientações do pai, Rubens Pereira, tido no meio político como raposa tarimbada.

Wellington do Curso é ave solitária. Faz política de maneira instintiva, sem ouvir orientações de conselheiros nem ponderações de assessores ou amigos. Terá o suporte do senador Roberto Rocha, chefe maior do seu partido, mas a julgar pelos seus movimentos, fará sua campanha como as outras, tomando decisões sozinho.

Adriano Sarney em princípio fará uma campanha convencional, provavelmente com a orientação de marqueteiro, à medida que não contará com o suporte do Grupo Sarney. O guru e orientador da sua campanha será o ex-deputado federal e atual secretário de Meio Ambiente do Distrito Federal Sarney Filho, o seu principal mentor político e, dizem, pai da candidatura.

Uma das revelações da nova geração de políticos no Maranhão, Yglésio Moises é o seu próprio conselheiro, marqueteiro e orientador. Ele define as suas próprias estratégias, escolhe adversários para enfrentar e, até onde se sabe, já tem um plano de Governo pronto, que defenderá ao longo da campanha.

Jeisael Marx faz uma pré-campanha embalado por suas próprias ideias, sem o auxílio de assessores, marqueteiro ou conselheiros. Deve contar com seu próprio cacife, pretendendo fazer uma campanha apostando nas ideias que apresentará como plano pode governo.

Cristão novo na seara política, sem nunca ter participado de uma disputa, o ex-juiz federal Carlos Madeira vive a pré-campanha como um aprendizado. Na sua caminhada em direção às urnas, terá o suporte do presidente do Solidariedade, Simplício Araújo, que é suplente de deputado federal e conhece o caminho das pedras.

Detinha não é candidata de si mesma, ganhou essa condição por decisão do marido, o deputado federal Josimar de Maranhãozinho, chefe absoluto do PL no Maranhão. Todas as decisões da campanha serão tomadas por Josimar de Maranhãozinho, cujo projeto é fincar estacas políticas em São Luís visando embalar o seu projeto de ser governador.

Saulo Arcangeli é candidato de um “projeto coletivo” do PSTU, no qual segue a orientação do partido. Já participou de várias campanhas majoritárias, sempre seguindo a cartilha do partido.

Franklin Douglas foi ungido candidato do PSOL também com base num projeto coletivo. Ele tem discurso próprio, mas seguirá a linha e as orientações ao partido.

Em breve o eleitorado vai saber, pelo movimento e pelos discursos dos candidatos o resultado dos suportes, dos conselhos e das estratégias. É aguardar.

 

PONTO & CONTRAPONTO

 

Othelino Neto e Lourival Serejo avaliam cenário institucional e reforçam convivência harmônica

Othelino Neto (centro) troca impressões com Lourival Serejo, oboservado por

O uso de máscara e o distanciamento físico, ambos necessários como cuidados básicos em meio à pandemia do novo coronavírus não foram obstáculos uma demonstração de que os Poderes Legislativo e Judiciário maranhenses convivem dentro dos princípios básicos da democracia em vigor no País. Aconteceu durante uma visita de cortesia que o presidente da Assembleia Legislativa, deputado Othelino Neto (PCdoB) fez ao presidente do Tribunal de Justiça, desembargador Lourival Serejo. O encontro entre os dois chefes de Poder se deu dentro dos padrões formais, mas foi marcado também pelo posicionamento de ambos em defasa das instituições e do estado democrático de direito, especialmente no momento de instabilidade política e de crise institucional por que passa o Brasil

Baseado na concepção de que os Poderes do Estado não podem ser instituições distantes, ainda que tenham funções e naturezas diferentes, o presidente Othelino Neto tomo a iniciativa de visitar o presidente Lourival Serejo. Para ele, Legislativo, Judiciário e Executivo se completam. Daí a necessidade de convivência harmônica entre os seus dirigentes, que assim podem estabelecer diálogo produtivo sobre o cumprimento da Constituição do Estado.

– Vim reafirmar ao desembargador Lourival que a Assembleia está de portas abertas para discutirmos os temas em comum aos Poderes e de interesse da sociedade maranhense, assim como para receber e apreciar projetos de lei que visem à melhoria, cada vez mais, do funcionamento do Judiciário – declarou Othelino Neto justificando a visita, que fez acompanhado do procurador-geral do Poder Legislativo, Tarcísio Araújo.

Na avaliação do desembargador Lourival Serejo, o encontro com o chefe do parlamento estadual reforça um elemento comum de atuação entre o Legislativo e o Judiciário, que é trabalhar pelo bem da população, um na seara política e o outro no campo judicial.

– Essa disposição do presidente Othelino em fazer essa visita é uma demonstração pública da harmonia em que os nossos poderes estão atuando. É muito importante mostrar à população que estamos unidos. No momento de instabilidade política em que vivemos, é seguro para a população saber que os seus direitos serão garantidos pela Justiça, bem como os seus interesses políticos estão sendo permanentemente atendidos pelo Legislativo do Maranhão – destacou o presidente do TJ.

A visita e o tom da conversa mostraram que o deputado Othelino Neto e o desembargador Lourival Serejo têm plena consciência das tensões que movem as instituições federais neste momento.

 

Edivaldo Júnior: longe da disputa até o período das convenções

Edivaldo Holanda Júnior. acompanhado da primeira-dama Camila Holanda: prioridade agora é tocar obras de pavimentação e infraestrutura em São Luís

Engana-se quem pensa que o prefeito Edivaldo Holanda Júnior (PDT) vai antecipar seu envolvimento declarado na corrida para sua sucessão. Ele só pretende se manifestar sobre o assunto no período das convenções que definirão os candidatos. Dois sinais, no entanto, já são visíveis. O primeiro é que ele não demonstra um naco de simpatia pela aliança do PDT com o DEM em torno de Neto Evangelista. E o segundo é que ele parece inclinado a trilhar o caminho que for traçado pelo governador Flávio Dino, podendo até mesmo não tomar partido no primeiro turno. O fato é que por mais algum tempo não se saberá quem será o dono do apoio do prefeito Edivaldo Holanda Júnior.

São Luís, 24 de Julho de 2020.

Márcio Jerry e Weverton Rocha entre os 100 mais ativos e influentes do Congresso nas redes sociais

 

Márcio Jerry e Weverton Rocha: intensa atividade e forte influência nas redes sociais, segundo pesquisa da FSB

O deputado federal Márcio Jerry (PCdoB) e o senador Weverton Rocha (PDT) foram os únicos das bancadas maranhenses na Câmara Federal e no Senado da República a integrar a lista dos 100 mais ativos e influentes nas redes sociais entre os 589 congressistas brasileiros no primeiro semestre deste ano, segundo o relatório do “Top 100 #FSBinfluênciaCongresso”, com base em pesquisa feita pelo braço brasileiro da FSB, a maior agência de comunicação da América Latina. O deputado Márcio Jerry, vice-líder do PCdoB, ocupou a 68ª posição no ranking, enquanto o senador Weverton Rocha, líder do PDT, deteve a 88ª. A pesquisa monitorou as publicações dos deputados e senadores de Janeiro a Junho no Facebook, no Instagran e no Twitter, avaliando o grau de engajamento de tudo o que foi publicado, a qualidade das informações, as posições dos congressistas, calculando também o alcance dos posts, o número de seguidores e o engajamento (curtidas, comentários e compartilhamentos) em cada rede social. Ficar entre os 100 nesse ranking é uma conquista reveladora de que Márcio Jerry e Weverton Rocha estão sintonizados com as vias modernas da comunicação.

No que diz respeito às informações divulgadas pelos dois congressistas maranhenses, vale anotar que, pelo menos até aqui, eles têm primado pela veracidade e pela qualidade dos fatos que tornam públicos nas redes sociais. Seus posicionamentos têm sido politicamente corretos, às vezes duros, em tom agressivo, mas com folga dentro dos limites aceitáveis do embate político. Ambos oposicionistas ao Governo Bolsonaro e posicionados na seara das esquerdas, o deputado federal Márcio Jerry e o senador Weverton Rocha vêm se destacando pelas posições que defendem no campo partidário e ideológico, bem como mostrado bom desempenho com articuladores e também como legisladores. Márcio Jerry e Weverton Rocha são hoje integrantes respeitados das duas Casas do Congresso Nacional.

No exercício do primeiro mandato eletivo, Márcio Jerry é hoje, de longe, a voz mais intensa e dura do PCdoB em relação ao Governo Bolsonaro. Nas manifestações em plenário, nos discursos da tribuna, nas reuniões de Comissões Técnica e de Comissões Especiais e nos órgãos de controle da Câmara Federal, o deputado Márcio Jerry têm tido desempenho de ponta, travando debates de nível elevado com os principais porta-vozes governistas. Dono de uma base cultural sólida e de uma formação política rica, construída desde a militância no Movimento Estudantil nos anos 80 do século passado, associada à profissão de jornalista, Márcio Jerry é um dos pioneiros da sua geração na percepção de que o futuro das comunicações, a começar pelo Jornalismo, estava nos meios eletrônicos. Sua intimidade com redes sociais e outros canais de informação virtual vem dessa aposta bem-sucedida, que lhe dá o status de expert na área e lhe permite fazer uso inteligente e politicamente produtivo desses meios de informação.

O senador Weverton Rocha trilha o mesmo caminho. Não é o que se pode chamar de expert o domínio da tecnologia da informação, mas é um militante político perfeitamente sintonizado com o mundo das redes sociais. Com um histórico rico de militância política, Weverton Rocha alcançou os andares mais altos da vida público por meio de uma militância iniciada na adolescência no Movimento Estudantil, de onde saiu para comandar a Juventude do PDT como um dos “eleitos” de Jackson Lago, líder maior do brizolismo no Maranhão. Herdeiro do legado partidário construído por Jackson Lago e Neiva Moreira, Weverton Rocha é protagonista de uma trajetória surpreendente, marcada pela coerência ideológica e pela ousadia nos passos que tem dado até aqui. E tem usado os meios eletrônicos e as redes sociais como instrumentos essenciais da propagação dos seus movimentos, entre eles o que visa o Palácio dos Leões em 2022.

A inclusão dos dois congressistas maranhenses no ranking é uma notícia importante no contexto de um Congresso Nacional fortemente atingido pela pandemia do novo coronavírus, situação na qual o uso inteligente das redes sociais tem sido um grande diferencial.

 

PONTO & CONTRAPONTO

 

Pesquisa DataIlha causa polêmica, mas mostra cenário realista da corrida à Prefeitura de São Luís

Retrato do momento: Eduardo Braide, Duarte Júnior, Wellington do Curso, neto Evangelista, Bira do Pindaré, Adriano Sarney, Rubens Júnior, Jeisael Marx e Carlos Madeira na sequência das preferências do eleitorado à Prefeitura de São Luís 

Mesmo criticada por não haver incluído a deputada estadual Detinha, candidata do PL, Saulo Arcangeli (PSTU) e Franklin Douglas (PSOL) entre as opções para a pergunta estimulada sobre em quem o entrevistado votaria para prefeito de São Luís se a eleição fosse agora, a pesquisa DataIlha, trouxe à tona um cenário bem próximo da realidade.

Eduardo Braide (Podemos) com 40,1%, Duarte Júnior (Republicanos) com 9,5%, Wellington do Curso (PSDB) com 7,8%, Neto Evangelista (DEM) com 6,7%, Bira do Pindaré com 4,7%, Adriano Sarney (PV) com 3,9%, Rubens Júnior (PCdoB) com 3,5%, Yglésio Moises (PROS) com 2,3%, Jeisael Marx (Rede) com 2,0% e Carlos Madeira (SD) com 1,1% é um cenário realista para o momento, indicando que aos poucos o eleitorado vai de posicionando. O fato de 10,7% ter respondido que não votaria em nenhum desses candidatos ou poderia anular o voto, e que 7,7% não souberam ou não quiseram responder, indica uma boa margem de manobra nas preferências ao longo dos próximos meses.

O dado mais significativo é que, mesmo sem Detinha, Saulo Arcangeli e Franklin Douglas, a soma dos candidatos citados ultrapassa a vantagem do líder Eduardo Braide, sugerindo a possibilidade de a eleição ser decidida em segundo turno. Isso também sem levar em conta de fatores decisivos na disputa, como o posicionamento do governador Flávio Dino, que tem a aprovação de 65% dos ludovicenses, e do prefeito Edivaldo Holanda Júnior (PDT), que a cada dia reforça seu cacife como gestor, com poder de fogo para influenciar decisivamente na eleição do seu sucessor.

Está escrito nas estrelas, portanto, que até o dia 15 de Novembro os números viverão intensas ondas de altos e baixos.

 

Daniella Tema anuncia retomada das ações da Frente contra o feminicídio

Daniella Tema preside Frente de luta para a erradicação do feminicídio no Maranhão

Instalada na Assembleia Legislativa em março e desacelerada por causa da pandemia do novo coronavírus, que inviabilizou o cumprimento de uma agenda que chegou a ser elaborada, a Frente Parlamentar de Combate e Erradicação do Feminicídio no Maranhão retomará suas atividades hoje, às 15 horas, numa reunião remota dos seus integrantes. O anúncio foi feito pela sua presidente, deputada Daniella Tema (DEM), em pronunciamento durante a sessão plenária de ontem. De acordo com a parlamentar democrata, na pauta da reunião que marcará a retomada das atividades da Frente está prevista a abordagem de diversos temas relacionados à violência contra a mulher.

– Em decorrência da pandemia, a Frente desacelerou um pouco o seu trabalho, mas quero convidar todos os colegas para participarem dessa reunião, na qual estarão em pauta muitas ações voltadas ao combate da violência contra a mulher, uma situação que continua crescendo muito. Somente este ano, algo em torno de 30 mulheres já foram vítimas de feminicídio no Maranhão. Isso é extremamente preocupante – declarou a deputada Daniella Tema, que vem demonstrando preocupação com o problema desde as suas primeiras manifestações na Casa.

Na sua avaliação, o combate ao feminicídio é uma ação que não pode ficar restrita apenas do Parlamento. “É necessário que todas as correntes da sociedade se unam pela erradicação do feminicídio. É uma coisa perniciosa e muito grave, que precisa de uma junção de esforços para ser combatida”, enfatizou.

Sem dúvida.

São Luís, 23 de Julho de 2020.

Roseana Sarney apoiará escolhas do MDB, vê “bons” nomes em São Luís e admite candidatura em 2022

 

Roseana Sarney avisou, em live com Roberto Costa, que está de volta à política e vai apoiar escolhas do MDB

O MDB não vai lançar candidato próprio à Prefeitura de São Luís, mas vai escolher com cuidado o candidato que terá o seu apoio numa aliança partidária. A decisão foi tomada depois que a ex-governadora Roseana Sarney declinou do convite do partido para ser candidata. Ontem, numa live comandada pelo deputado estadual Roberto Costa – vice-presidente do MDB e escalado para coordenar as articulações para a participação do partido na briga por prefeituras em todo o estado -, Roseana Sarney confirmou que não concorrerá à Prefeitura, mas deixou claro que está de volta à política e participará intensamente da campanha, não só em São Luís, mas em todo o Maranhão. A ex-governadora disse que se emocionou com o convite do MDB para que ela disputasse a Prefeitura da Capital, mas avaliou que já tem uma obra consolidada na cidade, não vendo sentido em participar da disputa. E revelou que tem observado os candidatos: “São candidatos jovens, bem preparados e muito bons. Fica até difícil escolher um”. Em meio a esclarecimentos e considerações, a ex-governadora sinalizou fortemente que está de volta à ciranda da política e que poderá a encarar as urnas em 2022.

As declarações de Roseana Sarney, inteiramente corroboradas pelo deputado Roberto Costa – que segundo ela seria o candidato a prefeito de São Luís se não tivesse mudado seu domicílio eleitoral para Bacabal -, definiram com clareza a posição do MDB nas eleições municipais, a começar pela Capital. Sem ela como candidata, o caminho do partido será negociar sua participação numa aliança. E nessa linha de ação, o comando partidário decidiu investir todo o seu peso político na chapa de candidatos a vereador, que reunirá nomes com potencial eleitoral. No plano majoritário, Roseana Sarney e Roberto Costa informaram que a estratégia do MDB será avaliar o cenário e escolher um candidato para apoiar, podendo eventualmente indicar o seu companheiro de chapa, ou não.

O importante, para eles, é que o MDB participe intensamente do processo eleitoral na Capital. De preferência com a ex-governadora atuando efetivamente na campanha, embalada pelo discurso de que nos 13 anos em que governou o Estado atuou como “prefeita de São Luís”, relacionando um expressivo elenco de obras estruturantes. Roberto Costa acredita que Roseana Sarney mantém elevado prestígio entre os ludovicenses, podendo, com isso, turbinar a candidatura que for apoiada pelo partido.

No plano estadual, Roseana Sarney anunciou que está à disposição do MDB para participar das campanhas dos seus candidatos no interior. Traquejada na briga por voto, com um lastro de sete campanhas, com cinco vitórias – Câmara Federal (1990), Governo do Estado (1994, 1998 e 2010) e Senado (2002) – e duas derrotas (Governo do Estado em 2006 e 2018), a ex-governadora se mostrou disposta percorrer os municípios levando apoio a candidatos emedebistas ou a aliados. Acha que poderá contribuir com seu prestígio e sua experiência para embalar campanhas Maranhão a dentro. Mas deixou claro que sua participação será de acordo com os interesses do MDB, por entender que sua ação política tem de ter motivação partidária, não podendo ser uma movimentação pessoal, solitária.

A live em que o deputado Roberto Costa abriu caminho para Roseana Sarney sair do confinamento produziu alguns recados bem claros. O primeiro é que a ex-governadora está de volta à ciranda da política, programando participação na campanha do MDB para as eleições municipais em São Luís e no interior. E o segundo é que com essa participação ela pretende pavimentar caminho para a grande disputa de 2022, podendo encarar as urnas para o Governo do Estado ou para o Senado. “Eu não sei. Vou devagar. Tenho tempo para pensar”, disse, deixando no ar um aviso de alerta aos que têm esses cargos na mira, como o vice-governador Carlos Brandão (Republicanos), o senador Weverton Rocha (PDT) e o senador Roberto Rocha (PSDB).

 

PONTO & CONTRAPONTO

 

Com aval de Othelino Neto, Weverton Rocha equipa Conselhos Tutelares em 15 municípios

Márcio Jerry, Éric Costa Weverton Rocha e Othelino Neto na entrega dos kits aos Conselhos Tutelares

Os Conselhos Tutelares de São Vicente Ferrer, Magalhães de Almeida, Boa Vista do Gurupi, Itaipava do Grajaú, Lago do Junco, Cidelândia, Tuntum, Sucupira do Riachão, Lagoa do Mato, Governador Edson Lobão, Carutapera, Cachoeira Grande, Poção de Pedras, São Mateus e Jenipapo dos Vieiras ganharam forte impulso para melhor suas atuações ao receberem kits com os seguintes equipamentos: automóvel, cinco computadores, uma impressora, um refrigerador, um bebedouro, um ar condicionado, uma TV Smart e uma cadeirinha auto para transportar crianças.

Adquiridos ao custo de R$ 1,8 milhão, dinheiro oriundo de emenda de autoria do senador Weverton Rocha (PDT), os kits foram entregues ontem em ato na sede da federação dos Municípios (Famem), na presença do presidente da Assembleia Legislativa, deputado Othelino Neto (PCdoB), do deputado federal Márcio Jerry (PCdoB) e do presidente em exercício da entidade municipalista e prefeito de Barra do Corda Éric Costa (PCdoB). Os kits foram entregues aos responsáveis pelos Conselhos Tutelares desses municípios, na presença dos respectivos prefeitos ou representantes.

Othelino Neto parabenizou o senador Weverton Rocha pela iniciativa de disponibilizar, através de suas emendas, os kits de equipamentos aos Conselhos Tutelares, somando, agora, 45 municípios já beneficiados. “Em particular, agradeço a entrega para o município de Jenipapo dos Vieiras, onde o prefeito Moisés Ventura veio a São Luís, acompanhado da sua comitiva, para receber esses equipamentos que, certamente, serão de grande valia”, destacou o presidente da Assembleia Legislativa.

O senador Weverton Rocha agradeceu a parceria com a Assembleia Legislativa, a bancada federal e a Famem, reforçando que, juntos, têm um único objetivo, que é ajudar os municípios maranhenses. E declarou: “O presidente Othelino, junto com o presidente licenciado da Famem, Erlânio Xavier, e o presidente atual em exercício, o prefeito Eric Costa, estão unidos para ajudar os conselheiros. Colaborar com Conselhos Tutelares é ajudar crianças vulneráveis, geralmente pobres, que estão em situações e locais de difícil acesso”.

 

Isolado no Grupo Sarney, Adriano Sarney articula com Josimar de Maranhãozinho

Adriano Sarney conversou com Josimar de Maranhãozinho sobre as eleições

O deputado estadual Adriano Sarney (PV) e o deputado federal Josimar de Maranhãozinho (PL) conversaram ontem. Trocaram figurinhas sobre a disputa para a Prefeitura de São Luís e abriram conversa sobre 2022. O encontro levantou a suspeita de ser uma estratégia do Grupo Sarney, mas não se trata disso. Foi iniciativa pessoal do parlamentar do PV, que causou estranheza pelo fato de ele haver procurado um chefe partidário que tem a própria mulher, a deputada Detinha, como candidata à sucessão do prefeito Edivaldo Holanda Júnior (PDT). O que reforça tratar-se de um passo isolado de Adriano Sarney é que na live de ontem com o deputado Roberto Costa, a ex-governadora Roseana Sarney não demonstrou qualquer interesse pela candidatura do sobrinho, o que significa dizer que, pelo menos até aqui, não há sinal de que o MDB venha a apoiar o candidato do PV. No meio político, a informação que corre é que a candidatura de Adriano Sarney seria um projeto do ex-deputado federal Sarney Filho, hoje radicado em Brasília, onde poderá disputar mandato em 2022. Mas como ainda faltam 40 dias para o início do período das convenções para a confirmação de candidato, e também que em política até boi voa, não será surpresa se o candidato do PV vier a receber o apoio do MDB.

São Luís, 22 de Julho de 2020.

 

Imprensa especula sobre fusão PCdoB/PSB e Dino reforça seu espaço no cenário político nacional

 

Flávio Dino : ampliando espaço no cenário político nacional

Uma série de conversas entre líderes da chamada esquerda democrática sobre possíveis acertos para as eleições municipais e, no bojo deles, prévias sobre a possibilidade de uma grande frente multipartidária para enfrentar a direita radical conservadora comandada pelo presidente Jair Bolsonaro (sem partido) em 2022, vem sendo divulgada pelo jornal O Globo, que aponta o governador do Maranhão, Flávio Dino (PCdoB) como o mais ativo dos articuladores. Em reportagem publicada na edição de Domingo (19), o jornal carioca especula sobre uma suposta proposta de Flávio Dino para fundir o PCdoB com o PSB, visando lastrear seu projeto de disputar a presidência da República. Colocada como um projeto em andamento, a suposta fusão PCdoB/PSB gerou uma pequena onda de comentários, manifestações de surpresa até mesmo desmentidos. E como toda especulação sobre o futuro da esquerda encontra no PT um gargalo difícil de ultrapassar, as conversas dos líderes têm levado em conta as posições do partido do ex-presidente Lula da Silva, sendo a principal delas a de que a legenda petista não abre mão de comandar as articulações nem de ter um dos seus da cabeça da chapa na corrida presidencial.

O que O Globo vem publicando como uma revelação não é nenhuma novidade. Flávio Dino vem há muito defendendo a formação de uma frente ampla, que reúna os partidos de esquerda e inclua também partidos de centro e até mesmo de direita moderada. E tem fundamentado sua tese com a experiência que ele próprio comanda no Maranhão, onde governa com o apoio de 16 partidos, abarcando um leque ideológico que vai do comunismo pregado pelo PCdoB ao liberalismo extremado defendido por partidos como o DEM e o PP, por exemplo. Nas disputas eleitorais, como as eleições municipais deste ano, cada partido segue seu rumo e tenta ocupar seus espaços, aliando-se nos municípios de acordo com as suas conveniências, sem que isso cause tensões ou fissuras na aliança que dá sustentação política ao Governo do Estado.

Desde que começou a discutir a situação política do País – iniciativa que tomou logo que ficou clara a falta de rumo do Governo do Bolsonaro e as inclinações autoritárias do presidente e sua turma -, o governador Flávio Dino tem batido, com força e intensidade, na tecla de que é necessária a mobilização dos segmentos democráticos, independentemente dos posicionamentos ideológicos, na formação de uma ampla frente. O movimento por ele proposto tem, primeiro, o objetivo garantir a estabilidade política e sufocar arroubos autoritários, e, segundo, criar as bases de uma grande aliança para as eleições presidenciais de 2022. Essa pregação tem sido em reuniões, eventos políticos, lives e em dezenas de entrevistas a emissoras de rádio, de TV e de jornais do Brasil e do exterior. O seu discurso tem sido turbinado por duras críticas ao Governo Bolsonaro.

Essa movimentação política, lastrada por um Governo forte, de resultados muito acima da média, principalmente no campo social, reconhecido pela inexistência de desvios éticos e por uma política de transparência nos gastos públicos, deu ao governador autoridade para dar ao seu discurso o tom de um líder para aspirar voos mais altos. Com o seu Governo e o seu discurso, Flávio Dino ganhou credenciais para discutir o Brasil atual, expor seus pontos de vista sobre o que fazer para mudar o curso do País em 2022. Ganhou mais visibilidade, passou a ser ouvido, afinou o discurso e, naturalmente, foi alçado à condição de candidato a candidato a presidente da República. Atualmente, é uma das vozes políticas mais consideradas nacionalmente, não apenas como governante, mas também como político em pleno movimento de ascensão.

No campo das relações partidárias, a paquera com o PSB não é de agora. Convites para migrar do comunismo para o socialismo foram feitos ainda no primeiro mandato, feitos pelo então líder máximo do PSB, o pernambucano Eduardo Campos, herdeiro de Miguel Arraes, que assumiu o controle do partido ao voltar do exílio. Há duas semanas, o presidente nacional Carlos Siqueira voltou a abrir as portas do PSB para Flávio Dino, que num comentário solto sobre o assunto, levantou algumas possibilidades, entre elas a de uma fusão com o PCdoB. Não foi exatamente uma proposta, mas apenas uma ideia, que também não é nova. Flávio Dino já foi inúmeras vezes convidado para voltar para o PT, e já ouviu propostas diversas para se converter ao brizolismo pedetista.

O político Flávio Dino sabe que sua permanência no PCdoB dificulta o projeto presidencial, mas sabe também que não pode dar um passo errado nesse campo. Qualquer movimento migratório no campo partidário terá de ser muito bem pesado e medido, para não redundar num erro politicamente fatal.

 

PONTO & CONTRAPONTO

 

PSOL realiza prévia e confirma candidatura de Franklin Douglas a prefeito de São Luís

Franklin Douglas confirmado candidato do PSOL

O advogado, jornalista e professor universitário Franklin Douglas foi confirmado como candidato do PSOL à Prefeitura de São Luís. A escolha foi feita por eleição prévia com os filiados do partido, realizada nos dias 18 (sábado) e 19 (domingo) em São Luís e em São Paulo, onde o partido escolheu o sindicalista Guilherme Boulos, que fora o candidato do partido a presidente da República em 2018. Escolhido por 60% dos votos Franklin Douglas tem um discurso forte, se mantém como Oposição, disparando duro no plano federal, com artilharia pesada contra o presidente Jair Bolsonaro (sem partido). No plano estadual, o agora candidato do PSOL, tem funcionado como uma metralhadora giratória contra os demais candidatos, dentro da linha do partido. A eleição prévia definiu a posição do PSOL na briga pela Prefeitura de São Luís. O braço do partido na Capital discutiu a possibilidade de uma aliança com o PSB em torno da candidatura do deputado federal Bira do Pindaré, mas logo recuou, preferindo participar da disputa com candidato próprio, definido agora Franklin Douglas como cabeça da chapa, tendo como vice o líder comunitário José Ribamar Arouche. Falta apenas formalizar a escolha em convenção, como manda a legislação eleitoral. O próximo passo do PSOL será definir sua chapa de candidatos a vereador.

 

Maranhãozinho aposta na eleição de Detinha para a Prefeitura de São Luís

Josimar de Maranhãozinho e Detinha: projeto ousado para São Luís

O deputado federal Josimar de Maranhãozinho (PL) não anda bem-humorado em relação ao tratamento que meios de comunicação estão dando à candidatura da deputada estadual Detinha (PL) à Prefeitura de São Luís. Numa entrevista a uma emissora de rádio, ontem ele reclamou que a candidata está sendo tratada com indiferença e insinuou que institutos de pesquisa não a estão incluindo no leque de candidatos mostrado aos entrevistados. Ao mesmo tempo, esforçando-se para virar o jogo, Josimar de Maranhãozinho disse que Detinha “está sendo mito bem recebida” em comunidades da periferia, e que ela vai mostrar aos eleitores o quanto está preparada para se prefeita de São Luís. Ele acredita piamente que, sua candidata vencerá a disputa, a exemplo fez quando se candidatou à Prefeitura de Centro do Guilherme, onde ele dá todas as cartas. Josimar de Maranhãozinho acredita piamente que com Detinha na Prefeitura transformará São Luís na base da sua campanha ao Governo do Estado, contando para isso com “a ajuda de Deus”.

São Luís, 21 de Julho de 2020.

Há meio século, Sarney lançava “Norte das Águas”, revelando o “Maranhão profundo” e o domínio dos coronéis

 

José Sarney, aos 90 anos, meio século depois do lançamento de “Norte das Águas”, que já ganhou várias edições no Brasil e está traduzido em vários idiomas, como inglês, francês e chinês

Há meio século, mais exatamente na noite de 03 de Março de 1970, o auditório da Academia Maranhense de Letras, no centro de São Luís, foi palco de um evento marcante para a tradição literária do Maranhão. Ali, na presença de escritores, poetas, jornalistas e políticos, o então governador José Sarney comemorava seus 40 anos dando um passo audacioso, surpreendente e definitivo para a consolidação do escritor José Sarney ao lançar “Norte das Águas”, livro de contos que revelou o chamado “Maranhão profundo”. Escrito numa linguagem original, elaborada a partir da realidade do mundo revelado nos textos nele reunidos, o livro não só aumentou expressivamente a riqueza literária maranhense, mas também ampliou a literatura regionalista nacional, enriquecendo-a com as imagens e estórias de um Brasil distante, desconhecido, marcado por disputas, ódio, intrigas, violência, sexo, mas também por ternura, amor e poesia, tudo   mostrado com traços leves, mas evidentes, de realismo fantástico, em ascensão naquele momento. Naquele mesmo momento, iniciava a caminhada federal que em 10 anos o levaria à Academia Brasileira de Letras e em 15 à Presidência da República.

“Norte das Águas” foi recebido com surpresa pela crítica, que o saudou como um acontecimento auspicioso no universo literário brasileiro. O livro trouxe à tona a outra face do José Sarney político intelectualizado, humanista por base filosófica e democrata por princípio e convicção, que derrubara a velha ordem nas urnas e estava revolucionando os costumes políticos no Maranhão. Revelou a dimensão do José Sarney – até então só conhecido no mundo literário como poeta, por “Canção Inicial”, e jornalista – como um prosador de talento, com densidade, digno de ser incluído na lista dos mestres da literatura regionalista brasileira, como José de Alencar (Iracema), José Cândido do Carvalho (O Coronel e o Lobisomem), Guimarães Rosa (Grandes Sertões, Veredas), Raquel de Queiroz (O Quinze) e Graciliano Ramos (Vidas Secas), entre outros. “Norte das Águas” é exatamente o que se disse dele até hoje: um bom livro, de leitura cativante, daquelas que prendem o leitor, principalmente aquele que enxerga nas estórias, na linguagem, nos tipos e nos cenários a sua ancestralidade.

Escrito nas horas de folga da sua intensa e agitada agenda como governador – geralmente no próprio gabinete no Palácio dos Leões, após o expediente, segundo a biógrafa Regina Echeverria – e lançado pela Livraria e Editora Martins, com ilustração do pintor e escultor Antônio Almeida, “Norte das Águas” surpreende já no primeiro texto, intitulado “Abertura do tanto-faz”, uma impagável conversa de canoeiros do Pericumã, que termina com a mais perfeita tradução do Maranhão de ontem, mas que também ainda tem um pouco a ver com o atual: “Eta Maranhão grande aberto sem porteira…”.

“Brejal dos Guajás”, que abre a série de contos, é uma obra definitiva, daquelas sem ter o que tirar nem o que por, e na qual José Sarney traduz, mesclando crueza e lirismo, a realidade numa cidade perdida no sertão maranhense, onde dois coronéis, Chico Javali e Né Guiné, primos carnais, mas adversários políticos figadais, dividem, com as suas próprias leis, mas amparados pelo poder emanado de São Luís, a população ao meio, cada um com seus aliados, sua banda de música, seus espertos conselheiros, seus espiões e seus capangas, com a mediação de um padre e, às vezes, de uma respeitada dona de barraca na feira. As maquinações, os fuxicos, a espionagem e lances como a chegada do primeiro Jipe e da primeira amplificadora agitam o Brejal. Com a proximidade das eleições, a disputa recrudesce, ganha tensões de guerra civil, ferve manipulações e traquinagens, que culminam com uma burra sem rabo e um cachorro de rua fuzilado. Abertas as urnas, um impasse com a divisão quase integral do eleitorado e um acordo entre os dois coronéis, negociado pelo padre, para anular o voto excedente e não dar vez para a oposição.

Na sequência, três contos de puro realismo, relatando situações do “Maranhão profundo” até pouco tempo atrás. O primeiro conta a vida de extrema violência dos primos “Boastardes”, Vitofurno, Mamelino e Olegantino, que movidos pela crueldade matavam pelo mais fútil dos motivos, e quando não matavam, castigavam cruelmente até mulher grávida, mas que, mergulhados na sua própria brutalidade, usada como modo de vida, acabam por se matar. Os “Bonsdias” relata a traumática existência dos primos Rosiclarindo, que desmaiava ao ver sangue; Brasavorto, que ao ver cabeça de peixe se transtornava, tentava arrancar os cabelos e soltava um grito que apavorava quem ouvia; e Florismélio, que ao sentir alguns cheiros, a começar pelo de unha, era atacado por uma crise de soluços que durava dias e noites. Os três viveram com uma mulher, Rita Nanica. E os “Boasnoites”, Amordemais, Dordavida e Flordasina, parentes carnais, “encantados do amor da terra, das aguadas e dos campos”, cantadores, contadores de estórias e hábeis na arte de seduzir donzelas e mulheres casadas e infelizes.

Em “Merícia do Riacho Bem-Querer”, José Sarney conta a paixão trágica de Merícia, a mais sonhadora das três filhas bem cuidadas e bem guardadas do coronel Cipriano Feitosa, e Pedroca, mulato que, ao contrário de muitos outros, trabalhava no comércio do coronel como homem de confiança. Merícia, que sonhava conhecer o mundo e os homens, e Pedroca, que não tinha ambições, se apaixonam, fogem, vivem uma noite de amor, mas são apanhados e assassinados pelo coronel e seus capangas. Já em “Joaquim, José, Margarido, filhos do velho Antão”, o contista vai fundo na questão da terra, no poder dos coronéis de se autoproclamarem donos de tudo e de todos, e da cruel relação de troca entre o trabalhador e o dono da terra. Nesse conto, no qual os Arrudas enfrentam, com valentia extraordinária, o poder violento do coronel José Raimundo, José Sarney registra, de passagem, a “invasão” do Maranhão por levas de famílias cearenses, que fugiam da trágica seca que se abateu sobre o Nordeste nos anos 50, em busca das fartas e boas terras e das águas maranhenses.

“Norte das Águas” reúne ainda os contos “Beatinho da Mãe de Deus” e “Dona Maria Bolota que emprestava de bom coração”. No primeiro, que conta a trajetória de João do Zeferino, que se transformou num beato poderoso, Sarney registra o peso e a influência das crendices populares no “Maranhão profundo” e a carga explosiva que ela produz quando se choca com a política. O último relata o pragmatismo de Maria Bolota, que herdou do marido, um carcamano rico, um comércio, dinheiro e muito apego ao que lhe pertencia. Mostra também as duas faces da Igreja Católica naquele tempo e naquela região, a mais humana, verdadeiramente cristã, na figura de um padre pobre, e a negação dela na pele de um bispo esperto e arrogante.

Como observaram alguns críticos, em “Norte das Águas” Sarney foge do sociologismo pretencioso, das interpretações “dialéticas” da História e transforma em preciosidades os movimentos e os dizeres numa sociedade quase feudal. Mas vai fundo nos costumes, no dia a dia daquele Maranhão da primeira metade do século passado, quando as elites controlavam a política por meio dos coronéis, numa realidade em que imperava o mando dos “senhores” da terra e os agentes do Estado por eles controlados, como o delegado, o coletor de impostos e o tabelião. Salvo em casos isolados como a valentia dos Arrudas, migrantes cearenses, nada podia contra a aliança do poder político com o poder da força. Quando escreveu esses contos, José Sarney tinha menos de 40 anos, comandava um governo mudancista em todos os aspectos, exatamente com o objetivo de transformar o Maranhão dos chefes políticos num estado sintonizado com a modernidade. Na sua luta política, enfrentou como adversário o maior e mais ativo e influente dos caciques políticos da época em todo o País, o senador Vitorino Freire, e os coronéis e seus agentes. Andara pelo Maranhão inteiro e sabia exatamente sobre o que estava escrevendo. Pode-se dizer, numa interpretação realista plena, que o que está contado em “Norte das Águas”, mesmo com seus personagens fictícios, não é exatamente ficção.

No discurso que fez na noite do lançamento na Academia Maranhense de Letras, o padre João Mohana, já naquele momento um dos intelectuais mais respeitados do Maranhão, saudou “Norte das Águas” dizendo:  “Nestas páginas está a gente com sua força, sua vida, seus valores, sua sabedoria, suas mazelas, suas esperanças, seus desalentos, seus mitos, suas lendas, seu folclore, seu lirismo, sua violência, suas dores, sua história”. Não foi sem razão que, ao ler livro, que encontrou por acaso na biblioteca de um navio em que viajava, Jorge Amado, que não conhecia Sarney, declarou: “Norte das Águas”, último livro que mais li e gostei, me parece a revelação de um grande contista, de um grande ficcionista brasileiro”. Como ele, o celebrado antropólogo francês Claude Lévi-Strauss, escreveu para José Sarney sobre “Norte das Águas”: “Com o seu texto, eu reencontrei o sabor, a linguagem carregada de imagens, sobretudo a qualidade profundamente humana da sua população. Eu amei e admirei o seu livro”.

Ao longo de meio século depois de lançado, “Norte das Águas” ganhou cinco edições no Brasil e está traduzido para o português de Portugal, para o francês, o espanhol (Espanha, México e Venezuela), o inglês, o alemão, o russo, o romeno, o búlgaro e para o chinês. Depois dele, Sarney lançou outras obras, como os celebrados romances “O Dono do Mar”, também traduzido para vários idiomas, e “Saraminda”, este último ambientado no Amapá. Mas, para muitos, “Norte das Águas” é a obra mais original de José Sarney, exatamente por traduzir o profundo, belo e feio, áspero e suave, em textos com momentos de crueza e de pura poesia. “Os contos de ´Norte das Águas` parecem escritos sob a regência de Guimarães Rosa. Há uma explosão semântica”, comentou o escritor Marcelo Rubens Paiva. É como escreveu Josué Montello: “A literatura de José Sarney nada tem de engajada ou comprometida. É literatura mesmo, no sentido alto e nobre da obra de arte”.

Meio século depois de lançado, “Norte das Águas” continua leitura essencial para quem quer compreender o Maranhão, sua gente e sua História.

São Luís, 18 de Julho de 2020.

Dino reforça que é preciso formar frente ampla para derrotar Bolsonaro e as forças que o apoiam

 

Flávio Dino diz que frente ampla é o caminho para derrotar Jair Bolsonaro nas urnas no pleito de 2022

“Precisamos derrotar o Bolsonaro e o bolsonarismo, derrotar a ideologia da morte, da destruição que embasa esse sistema de poder que aí está, mas que passará, porque nós venceremos”. Com essa declaração, que resume sua expectativa em relação ao futuro político do País a partir de agora, o governador Flávio Dino (PCdoB) fechou sua participação em live do “Janelas pela Democracia”, realizada na noite de terça-feira (14), e que reuniu líderes dos partidos da esquerda democrática:  deputada federal Gleisi Hoffmann (PT), deputado federal Alessandro Molon (PSB), senador Randolfe Rodrigues (Rede), senador Cristovam Buarque (Cidadania), Carlos Lupi (PDT) e José Luiz Penna (PV). No debate, que foi acompanhado por milhares de internautas de todas as regiões do País, o governador do Maranhão reafirmou com clareza as suas posições, a começar pela defesa da construção de uma ampla frente, que inclua partidos políticos do centro-direita à esquerda, sem tutela ideológica, para enfrentar o presidente Jair Bolsonaro e a direita radical.

– Não se trata de atacar Bolsonaro, mas de defender o Brasil e os brasileiros – argumentou o governador maranhense, para quem uma frente ampla e bem articulada é o melhor caminho para tirar do poder Jair Bolsonaro e os segmentos conservadores de extrema-direita que o apoiam. “Os movimentos a favor da democracia nos ajudam a ampliar a opinião, para que não seja uma coisa dos partidos e sim uma questão da sociedade, uma autodefesa”, explicou.
O governador do Maranhão sustentou a proposta de construção de uma frente popular. Para tanto, manifestou a convicção de que, se convocadas para a defesa de uma causa do Brasil e do futuro da sociedade brasileira, que vem sofrendo duros ataques do reacionarismo em todos os seus vieses, as pessoas sem partido, sem filiação partidária, sem opção ideológica, mas que defendem o Brasil e os brasileiros, se engajarão no movimento. “Me dirijo àqueles que praticam o patriotismo verdadeiro e não o farisaísmo de quem finge ser patriota, mas que na verdade defende os interesses de outros países, apenas os interesses dos mais ricos, daqueles que mais têm”, disse Flávio Dino, num forte disparo dirigido ao presidente da República. Para ele, defender o “patriotismo popular” é, sobretudo, “amar o povo”.

Com essas manifestações, o governador Flávio Dino deixou implícita sua convicção de que o caminho para derrotar Jair Bolsonaro e as forças da direita radical é travando o embate político direto, intenso, que mostre aos brasileiros os riscos que a democracia corre se essas forças se consolidarem no Poder. Para ele, exemplos como a postura absurda do presidente da República e dos seus seguidores em relação à pandemia do novo coronavírus, o desprezo deles pelo melo ambiente, a política armamentista e a descontinuidade administrativa – ministérios da Educação e Saúde sem ministros, por exemplo – são reveladores do total despreparo do presidente da República e do descompromisso com a sociedade brasileira, principalmente os seus estratos mais carentes.

O governador maranhense está convencido de que a frente ampla contra o atual Governo é o caminho para derrotá-lo nas urnas. O primeiro passo será as forças de Oposição vencerem as eleições municipais e, a partir dessa vitória, construir a base política e eleitoral para derrotar o bolsonarismo nas urnas em 2022, com uma candidatura que represente o espectro político da frente ampla. O seguinte será mobilizar os segmentos políticos de fato comprometidos com a democracia, a exemplo da aliança que construiu no Maranhão e que se mantém com 16 partidos que formam um amplo arco ideológico.

Nos seus pronunciamentos políticos, Flávio Dino tem insistido nessa proposta, explicando, às vezes de maneira quase didática, que a vitória nas urnas é o caminho mais saudável e legítimo consolidar definitivamente a democracia brasileira.

 

PONTO & CONTRAPONTO

 

Pré-candidatos à Prefeitura de São Luís intensificam articulações por alianças partidárias

Rubens Júnior, Eduardo Braide e Net Evangelista se mexem para ampliar bases de apoio

Os últimos dias têm agitado intensamente os bastidores da corrida para a Prefeitura de São Luís, com os pré-candidatos mais fortes procurando ampliar as suas bases de sustentação política e partidária, mais transformar esse cacife em poder de fogo eleitoral. Rubens Júnior praticamente selou a aliança do PCdoB com o PT, e vem ganhando reforços individuais, como o da deputada estadual e atual secretária da Mulher, Ana do Gás. Neto Evangelista (DEM) já tem o apoio da cúpula do PDT – sem o prefeito Edivaldo Holanda Júnior, vale registrar – e deve confirmar o apoio do PSL, segundo declarou o presidente do partido no Maranhão, vereador Chico Carvalho. E Eduardo Braide (Podemos) deve formalizar em pouco tempo a aliança com o PSC do deputado federal Aluísio Mendes e com o PSD do deputado federal Edilázio Júnior. Os demais pré-candidatos – Duarte Jr. (Republicanos), Bira do Pindaré (PSB), Carlos Madeira (SD), Yglésio Moises (PROS), Adriano Sarney (PV), Franklin Douglas (PSOL), Saulo Arcangeli (PSTU) e Detinha (PL) –  também se encontram em franco movimento em busca de alianças partidárias. É provável que até o final deste mês, bem antes das convenções, o quadro de candidaturas e suas alianças está definido.

 

Prefeito de Imperatriz reage à ação de promotora e compra briga feia com Ministério Público

Assis Ramos comprou briga feia com o MP ao acusar a promotora Mahyma Abas de perseguição 

Não bastassem seus problemas administrativo, a queda de popularidade e um time de adversários pesos pesados para enfrentar na corrida às urnas, o prefeito de Imperatriz, Assis Ramos (DEM) comprou briga feia com o Ministério Público estadual ao acusar a promotora de Justiça Nahyma Ribeiros Abas, titular da 1ª Promotoria Especializada de Imperatriz, de perseguição política, quando ela o acionou na Justiça por suspeita de praticar nepotismo na sua administração, com a intenção de prejudica-lo eleitoralmente. Indignado, Assis Ramos – que é delegado de Polícia, portanto conhecedor do alcance e dos limites do MP -, anunciou que vai denunciá-la ao Conselho Nacional do Ministério Público, reafirmando tratar-se de perseguição política. Ontem, o Ministério Público, por meio da sua Secretaria de Assuntos Institucionais, reagiu em nota às declarações e movimentos do prefeito Assis Ramos, declarando total apoio à promotora Nahyma Abas, apontando-a como uma profissional correta e conta com o “apoio irrestrito” do Ministério Público. Resta esperar pela tréplica do prefeito Assis Ramos.

São Luís, 16 de Julho de 2020.

Integrada ao “novo normal”, Assembleia Legislativa se mantém produtiva, apesar das tensões pré-eleitorais

 

Othelino Neto no comando da sessão da Assembleia Legislativa nesta terça-feira

Já quase inteiramente adaptados ao “novo normal”, com a ampliação dos espaços do plenário, o uso de máscara e o número reduzido de assessores lhes dando assistência, os deputados estaduais do Maranhão estabeleceram uma rotina de trabalho, transformando a Assembleia Legislativa num parlamento ativo e com expressiva produção legislativa, sem também abrir mão dos embates causados pelas críticas oposicionistas e as rebatidas governistas. Ontem, por exemplo, o Poder Legislativo realizou uma sessão com pauta extensa, que resultou na conversão em lei de duas Medidas Provisórias importantes, na aprovação de um Projeto de Lei proposto pelo Poder Executivo autorizando o Poder Executivo a conceder subvenção social ao Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef), na apresentação de Projeto de Lei criando o Dia das Vítimas da Covid-19, na repercussão de um Projeto de Lei que reforçou a proteção de mulher em situação de violência doméstica, entre outros temas.

Com a nova rotina, iniciada pela inovadora forma de sessão por via remota, implantada depois de quase três meses de quarentena, evolui agora em meio ao clima pré-eleitoral no qual mais de 20% dos 42 deputados são candidatos a prefeito e os demais encontram-se politicamente envolvidos na disputa. Nesse se contexto, o parlamento dá demonstrações fortes de que sabe exatamente qual é o seu papel institucional e de que tem noção ampla da sua importância como Casa política. A construção desse ambiente é o resultado de um trabalho eficiente realizado com sensibilidade política pelo presidente Othelino Neto (PCdoB), juntamente com os demais membros da Mesa Diretora e os integrantes do Colégio de Líderes.

Harmonizar o funcionamento da Assembleia Legislativa nesse momento, administrando as tensões e respeitando as diferenças, é um exercício de enxadrista movendo as peças de um tabuleiro complicado. Isso porque, ao mesmo tempo em que a agenda lhes impõe participar de comissões e se fazer presente nas sessões plenárias, a condição política exige deles envolvimento direto, como candidatos a prefeito ou como suporte político de candidatos a prefeito e a vereador em dezenas de municípios. As tensões produzidas nas bases políticas costumam desaguar no plenário do Legislativo, obrigando o presidente Othelino Neto a atuar como “voz moderadora”, uma vez que, mesmo antes de estourar no plenário, os confrontos entre parlamentares costumam fazer escala no gabinete presidencial. A atuação do presidente tem sido eficiente, assegurando que, apesar da tensão latente, o parlamento vem conseguindo boa produção legislativa.

A sessão de ontem foi exemplar nesse contexto. Sem maiores conflitos, os deputados aprovaram, por unanimidade, a MP 317/2020, que abre crédito extraordinário em favor do Fundo Estadual de Saúde, no valor de R$ 71.2 milhões. Também unanimemente foi aprovada MP 315/2020, que altera as idades de transferência para a reserva renumerada e de reforma dos militares, que agora passam a ser de 65, 70 e 72 anos. Na mesma linha de entendimento, os deputados aprovaram o Projeto de Lei 231/2020, que autoriza o Estado a conceder subvenção social no valor de R$ 500 mil ao Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef), visando à implantação do Programa de País (2017-2021) e destinada ao benefício da criança e do adolescente por meio de ações preventivas contra a violência. E a Mesa Diretora acolheu projeto de lei protocolado pela deputada Thaíza Hortegal (PP), que é médica e enfrentou dias difíceis num leito de UTI, propondo a instituição do Dia Estadual das Vítimas da Covid-19.

O presidente Othelino Neto vem dando seguidas demonstrações de que é possível manter o parlamento estadual em funcionamento, exercendo as suas prerrogativas de Poder Legislativo, atuando também como espaço nobre para debate político, confrontos entre governistas e oposicionistas e embates pré-eleitorais, tudo movido pelas boas práticas da cultura política republicana.

 

PONTO & CONTRAPONTO

 

Declarações de Dino à CNN podem ter feito Pazuello cancelar vinda ao Maranhão

Eduardo Pazuello e Flávio Dino durante a entrevista à CNN na tarde de terça-feira

Estava escrito nas estrelas que o ministro interino da Saúde, general Eduardo Pazuello, cancelaria sua visita ao Maranhão, agendada para ontem, depois de tomar conhecimento das declarações do governador Flávio Dino (PCdoB) sobre as críticas feitas pelo ministro Gilmar Mendes, do STF, ao excessivo envolvimento de militares no Governo de Jair Bolsonaro, destacando-se o exemplo do Ministério da Saúde. Gilmar Mendes comentou que as Formas Armadas correm o risco de serem associadas a um genocídio. Provocado pela CNN em entrevista na tarde de segunda-feira, o governador Flávio Dino avaliou que, com sua crítica – que não foi ofensiva nem dirigida a A ou B -, o ministro do STF na verdade aponto um grave problema em andamento na República, que é o grande número de militares ocupando funções civis.

No caso do Ministério da Saúde, a situação é especialmente grave, à medida que os militares comandados pelo general que comanda uma pasta extremamente técnica e com a qual os militares não têm afinidade. Para Flávio Dino, além de desnecessária, a ocupação de cargos civis por militares é de “constitucionalidade duvidosa”. Em outro momento, ao avaliar que não viu razão para a reação agressiva de generais às críticas do ministro Gilmar Mendes, foi uma reação “lamentavelmente corporativista”. “Infelizmente, as Forças Armadas, ao exercerem esse plexo de funções públicas de modo inusitado, acabam ficando expostas a esse tipo de crítica. Então, se eles (os militares), têm os bônus, é claro que devem ter os ônus derivados dessa inusitada, inédita, eu diria, assunção de funções públicas civis, que talvez nem na ditadura houvesse se verificado com tanta largueza”, disse o governador à CNN.

Em relação ao Ministério da Saúde, especificamente, o governador Flávio Dino disse o seguinte à CNN: “Não é possível que em meio a uma pandemia nós tenhamos esse nível de instabilidade gerencial. Isso de fato é inusitado, é realmente quase inacreditável. Então, não há dúvida de que já passou a hora de haver uma equipe estável no Ministério da Saúde. É um problema institucional que Jair Bolsonaro tem de corrigir o quanto antes”.

Não há qualquer dúvida de que as equilibradas, mas contundentes declarações do governador Flávio Dino foram o “problema com agenda” alegado pelo general e ministro interino da Saúde. Uma prova forte de que os militares não aceitam críticas.

 

Josimar de Maranhãozinho quer eleger prefeitos para apoiar seu projeto governamental

Josimar de Maranhãozinho: projeto ousado de eleger muitos prefeitos 

Conhecido por não dar ponto sem nó, o deputado federal Josimar de Maranhãozinho vai aos poucos investindo para montar nas urnas, a partir do PL, a base a partir da qual pretende alçar voos em direção ao Palácio dos Leões. Seu projeto mais audacioso é a candidatura da deputada Detinha, sua mulher, à Prefeitura de São Luís, que não decolou e parece fadada ao fracasso. Com controle férreo sobre Maranhãozinho e Centro do Guilherme, onde os respectivos prefeitos, Auricélio e Zé Didário caminham para a reeleição rezando inteiramente na sua cartilha, e em Zé Doca, onde manda na Prefeitura por meio da prefeita Josenilda Rodrigues, sua irmã, que lhe deve obediência absoluta, ele opera para investir pesado em Paço do Lumiar, por meio da candidatura de Fred Campos, que parece empolgado com o apoio, e em Chapadinha, sendo ali o braço forte da ex-prefeita Belezinha, que vai enfrentar o prefeito Magno Bacelar (MDB). O projeto de Josimar de Maranhãozinho é lançar pelo menos uma centena de candidatos a prefeito nas diversas regiões do Maranhão.

São Luís, 15 de Julho de 2020.

Alianças vão definir o poder de fogo político e eleitoral dos candidatos à Prefeitura de São Luís

 

Rubens Júnior, Eduardo Braide e Net Evangelista se movimentam para que, cada um ao seu modo, construa coligações para a disputa pela Prefeitura de São Luís

As coligações partidárias serão fundamentais no cenário que começa a ser de fato desenhado para a corrida à Prefeitura de São Luís. Sua importância envolve os mais diferentes aspectos que embasam as candidaturas, como, por exemplo, o tempo de propaganda eleitoral no rádio e na TV, além dos votos com que os partidos coligados poderão turbinar as chapas que apoiarão. E nesse campo, o deputado federal Rubens Júnior, pré-candidato do PCdoB, sai na frente, construindo uma aliança com cinco partidos, a começar pelo PT. Na mesma direção se movimenta o deputado Neto Evangelista, pré-candidato do DEM que já conta com o apoio do PDT e pode confirmar nos próximos dias o ingresso do PSL na base de apoio ao seu projeto eleitoral. Outras alianças estão sendo articuladas, entre elas a comandada pelo deputado federal Eduardo Braide, pré-candidato do Podemos, que deve confirmar os entendimentos com o PSC e com o PSD, entre outras siglas ainda indefinidas.

Rubens Júnior vem trabalhando duro para ampliar a coligação que vai liderar na corrida às urnas. A base dessa aliança será o PT, que fortalecerá o lastro da candidatura do PCdoB com um expressivo tempo de TV, uma militância aguerrida e, além disso, a indiscutível força do ex-presidente Lula da Silva, associada ao imenso poder de fogo do governador Flávio Dino na Capital. O problema é que o PT está dividido, com uma banda propondo candidatura própria e outra pregando aliança com o PCdoB. Pelos movimentos mais recentes, a aliança vem ganhando força e tudo indica que vai prevalecer. Um dos mais aguerridos defensores da presidente Dilma Rousseff no processo de impeachment, Rubens Júnior tem cacife para propor a aliança, que já tem o apoio do braço do PT em São Luís. Deve ganhar também parte do eleitorado evangélico que segue a senadora Eliziane Gama via Cidadania, além dos eleitores do PP, DC e PMB.

Eduardo Braide trabalha para formar uma coligação que lhe garanta algum tempo de rádio e TV, que serão instrumentos fundamentais na sua campanha. Até aqui, seu parceiro mais certo é o PSC, comandado no Maranhão pelo deputado federal Aluízio Mendes e que tenta ampliar sua presença nacional incentivado pelo remoto sonho presidencial do governador fluminense Wilson Witzel. É possível até que o PSC indique o vice, mas ainda é cedo para confirmação. Outra aliança já confirmada é do Podemos com o PSD, comandado no estado pelo deputado federal Edilázio Júnior, que já declarou expressamente o seu apoio a Eduardo Braide. Aluízio Mendes e Edilázio Júnior são apontados como parte do sarneysismo, mas sua movimentação política sinaliza que buscam independência.

Neto Evangelista está consolidado no DEM e se movimenta agora, intensamente, para oficializar a aliança com o PDT e com o PSL. Em relação ao arraial brizolista, mesmo afirmada e reafirmada pelo senador Weverton Rocha, chefe inconteste do PDT no Maranhão, a aliança do DEM com o PDT ainda está encoberta por uma densa sombra de dúvida, esta motivada pelo distanciamento do prefeito Edivaldo Holanda Júnior dessa movimentação do seu partido. Rumores cada vez mais fortes dão conta de que o prefeito não aprova a aliança PDT/DEM, o que cria, pelo menos, um forte embaraço. Ao mesmo tempo, Neto Evangelista caminha para ter o apoio do PSL, que reúne uma turma com peso eleitoral, como os vareadores Chico Carvalho e Isaías Pereirinha, além do ex-prefeito Tadeu Palácio, que parece disposto a renascer no cenário político de São Luís.

Outras alianças estão sendo desenhadas, com maior ou menor chance de sucesso. Pré-candidato do Republicanos, o deputado estadual Duarte Júnior trabalha para atrair o PSL, enquanto o pré-candidato do PV, deputado estadual Adriano Sarney estaria apostando numa aliança com o MDB, que por sua vez sinaliza com a possibilidade de coligar-se com Neto Evangelista ou com o pré-candidato do PROS, deputado estadual Yglésio Moises. O pré-candidato do PSB, deputado federal Bira do Pindaré, não desistiu de ter o apoio do PT, onde tem muitos apoiadores, e também uma aliança com o PSOL.

Há outros projetos de aliança em andamento, que serão definidos até as convenções marcadas para Setembro. Até lá, muita conversa vai rolar nos bastidores partidários, podendo até surgir alianças diferentes do que as desenhadas agora.

 

PONTO & CONTRAPONTO

 

Dino diz que, mais que uma crítica sobre militares, Gilmar Mendes apontou um problema grave

Flávio Dino comenta cenário político e institucional do País durante entrevista a CNN na tarde de ontem

Em vez de um ataque às Forças Armadas ao afirmar que elas estão participando excessivamente das atividades civis no Governo do presidente Jair Bolsonaro, o ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal, fez, na verdade, uma crítica e apontou um problema grave. E a reação irada e agressiva de generais que ocupam cargos-chave no Governo Federal foi mais uma demonstração de que o Brasil vive uma situação inédita, inacreditável aos olhos do mundo democrático. Flávio Dino também criticou duramente a situação do Ministério da Saúde e manifestou um fio de esperança com a escolha do novo ministro da Educação, Milton Ribeiro, “depois de 18 meses sem ministro”. Foi a interpretação do Governador Flávio Dino (PCdoB), dada em entrevista à CNN, ontem à tarde, ao ensaio de crise que sacudiu o meio político nacional por conta das declarações do ministro.

Militares X Gilmar Mendes

“Acho que o ministro Gilmar Mendes apontou um problema grave que nós temos hoje no Brasil, que é altíssima ocupação de cargos do serviço público civil por militares. Isto é de constitucionalidade duvidosa, uma vez que são missões e papéis diferentes. Isso se já em vários âmbitos, hoje, na máquina pública federal, inclusive nesta sensível área da Saúde. Creio, portanto, que há um convite à reflexão feito pelo ministro Gilmar Mendes, que longe de despertar reações corporativas, deveria despertar sim uma revisão disto. Do ponto de vista formal, não vejo nenhuma reação para essas reações, que são lamentavelmente corporativistas. In felizmente, as Forças Armadas, ao exercerem esse plexo de funções públicas, de modo inusitado, acabam expostas a esse tipo de crítica. Então, eles têm os bônus, é claro que devem ter os ônus derivados dessa inusitada, inédita, eu diria, assunção de funções públicas civis, que talvez nem na ditadura houvesse se verificado com essa largueza”.

Mudança de postura de Bolsonaro – 

“Nos últimos dias as condições institucionais do País melhoraram. Nós temos uma situação em que a ausência do presidente da República é bem-vinda, o que seria a negação quase conceitual da noção de presidencialismo. Quanto mais ausente ele está, melhor para o País. Isto obviamente é um grave problema. Agora, infelizmente, não acredito que isso seja algo que perenize. Eu conheço o Bolsonaro, e o estilo dele é muito singular, eu diria. Nós temos os problemas que o cercam, que cercam seus amigos, familiares e aparentados. Ele deseja estancar processos judiciais. Temos agora a decisão judicial sobre o Queiroz e sua esposa. Acho que a atitude pessoal dele depende muito desses processos. Como eu não acredito que haverá uma espécie de pizza, uma operação abafa, o Ministério Público e a Polícia têm de continuar a apurar os graves indícios que existem. Creio que muito em breve teremos uma tensão institucional derivada do fato de o presidente República não aceitar controles institucionais. Estamos vendo isso com os militares, que reagem mal a uma crítica, como se eles fossem intocáveis. Qual a instituição humana que é intocável? No momento em que querem exercer funções políticas, têm de se submeter ao debate político. Inclusive para serem criticados. Se não querem ser criticados, não assumam funções públicas. Então, como eles reagem mal a até uma crítica, fico realmente pouco esperançoso de que esse amainar do ambiente se estenda. Eu particularmente gostaria de que se estendesse. Só não faço neste instante é acreditar nisto, por conta destes fatores”.

Ministério da Saúde

“Não é possível que em meio a uma pandemia nós tenhamos esse nível de instabilidade gerencial. Isso é de fato inusitado, é realmente quase que inacreditável. Então não há dúvida de que já passou da hora de haver uma equipe estável no Ministério da Saúde. Esse é um problema institucional que o Jair Bolsonaro tem de corrigir o quanto antes”.

Ministério da Educação

Tenho a viva esperança de que finalmente tenhamos um ministro da Educação. Estamos há um ano e meio sem ministro da Educação. Este senhor que foi agora nomeado tem atividades na área, numa universidade privada (Mackenzie) reconhecida no País. É claro que o perfil (do novo ministro) não converge com aquilo que eu particularmente, mas o presidente tem legitimidade popular, uma vez que foi eleito, de escolher os seus auxiliares segundo a sua visão ideológica, que não é a minha. Espero que o ministro tenha a capacidade de renunciar a crenças pessoais – que ele tem o direito de ter – e colocar em primeiro lugar o interesse público, que tenha a capacidade de ouvir, de dialogar. A educação brasileira tem desafios dramáticos”.

 

Assembleia não terá recesso e manterá a agenda de duas sessões por semana

Othelino Neto: sessão duas vezes por semana

A Assembleia Legislativa realiza hoje mais uma sessão presencial e dentro das regras. Por causa do período em que o Palácio Manoel Beckman permaneceu fechado por causa da pandemia do novo coronavírus, o presidente Othelino Neto (PCdoB), após ouvir os membros da Mesa Diretora e o Colégio de Líderes, decidiu que não haverá recesso, e que nesse período só haverá sessões deliberativas às Terças e Quartas-Feiras. A estrutura do plenário foi alterada, os deputados trabalham usando máscara, com assessoria reduzida, rigorosamente de acordo com os protocolos universais. Esse “novo normal” será mantido até que o “velho e bom normal esteja plenamente de volta.

São Luís, 14 de Julho de 2020.