Mílson Coutinho: partiu um gigante do jornalismo, da pesquisa histórica, da advocacia, da magistratura e da fidalguia

 

Mílson Coutinho falando no Tribunal de Justiça: discursos fortes e ricos em História

Mílson Coutinho partiu ontem, aos 81 anos, vítima de um ataque cardíaco. Sua partida consternou os muitos que o admiravam e respeitavam e abriu uma lacuna gigantesca no jornalismo, na historiografia, na advocacia e na magistratura maranhenses, atividades que cultivou e nas quais se destacou. Mais do que isso, a parada do seu enorme coração levou um ser humano de tamanho imensurável, afável, gentil, atencioso, correto, humilde, solidário, que sabia como poucos cultivar fidalguia e amizade e afinar relações, tudo com a grandeza que o tornou um dos maranhenses mais destacados da sua geração. Levou também o cidadão consciente, politicamente ativo, inteiramente identificado com a causa do estado democrático de direito, além, claro, do bom chefe de família.

O jornalista Mílson Coutinho fez história nos jornais por onde passou, principalmente como cronista político certeiro, corajoso, às vezes carregando nas tintas e incomodando poderosos com afirmações e revelações fortes, as quais comentava com rigor e, em muitos casos, muito vigor. No seu trabalho como jornalista começou a dar vida ao pesquisador, que buscava fatos para explicar a realidade presente. E foi esse caminho que percorreu durante décadas, para se tornar um dos expoentes da pesquisa histórica no Maranhão, com uma produção volumosa de escritos que tiraram do anonimato ou do esquecimento personagens decisivas na construção da História do Maranhão, dando-lhes   grandeza histórica, jogando assim luzes fortes e decisivas para a compreensão dos grandes momentos da vida política e institucional do estado.

Um dos seus levantamentos mais importantes foi o resgate que fez de um dos gigantes da História maranhense: Manuel Beckman, o Bequimão, comerciante que liderou a Revolta do Estanco em 1684 contra a opressão comercial da Coroa Portuguesa, e que foi enforcado, mas acabou transformado num mito das lutas que nos séculos seguintes seriam travadas pela independência do Brasil e dos povos latino-americanos. Instigado pela força e pela importância do personagem, Mílson Coutinho mergulhou fundo na pesquisa documental da época, reunindo informações preciosas sobre aquele momento histórico, tornando o seu “A Revolta de Bequimão” um clássico da historiografia no Maranhão. Numa espécie de contrapeso, resgatou a trajetória política de José Sarney em “Sarney, apontamentos para vida e obra do chefe liberal” (1988), que além de ser um dos primeiros roteiros da caminhada do político e intelectual maranhense que chegou à Presidência da República e à Academia Brasileira de Letras, se tornou, de fato, uma fonte indispensável para pesquisadores e biógrafos do líder maranhense.

No campo historiográfico, Mílson Coutinho deixou uma obra vasta, bem documentada, que inclui o resgate de personagens de Portugal e da França, bem como emigrantes e nativos que tiveram participação decisiva na evolução da vida maranhense, como os clássicos “Subsídios para a história do Maranhão” (1978) e “Fidalgos e Barões, uma história da nobiliarquia luso-maranhense” (1999), para citar apenas dois títulos entre outros que se tornaram indispensáveis para pesquisadores do tema. Sua vasta obra, à qual se soma uma alentada pesquisa sobre a História do Poder Judiciário do Maranhão, o levou ao Instituto Histórico e Geográfico do Maranhão e à Academia Maranhense de Letras, imortalidade com que honrou também a Academia Caxiense de Letras, uma vez que se declarava caxiense por afinidade.

Mílson Coutinho foi também destacado profissional do Direito, advogando principalmente na área eleitoral. Além da militância na advocacia, por conta dos seus conhecimentos de Direito Constitucional, Mílson Coutinho foi o principal conselheiro da Assembleia Legislativa na elaboração da Constituição do Maranhão de 1989, auxiliando o então deputado-presidente Raimundo Leal, assim como dando assistência ao relator José Bento Neves, tendo participação decisiva no ordenamento do projeto definitivo do que se tornou a nova Carta Magna do estado. Na mesma batida, auxiliou, de maneira decisiva, a Câmara Municipal na elaboração da Lei Orgânica de São Luís, e de vários municípios.  Advogado renomado, ganhou cadeira de desembargador do Tribunal de Justiça em 1994 pela vaga destinada a advogados indicados pela OAB, tornando-se nome destacado na Corte maior do Judiciário maranhense. Como magistrado, presidiu a Justiça Eleitoral (1998/1999) e o Tribunal de Justiça (2005/2006), onde protagonizou momentos que mudaram os rumos da Corte, como a ameaça de renunciar à presidência em 2006.

Quando se aposentou da magistratura e da advocacia há alguns anos, Mílson Coutinho se refugiou no seu doce exílio: a sua biblioteca, onde mergulhou em leituras e em pesquisas, trabalhando intensamente, dedicando todas as suas forças – estas fragilizadas pelo fumante inveterado que era -, fazendo o que mais gostava: garimpando informações sobre a História do Maranhão. Uma das suas descobertas mais entusiasmadas foi a imagem, em pintura a óleo de quatro séculos atrás, do rei francês Luís XIII, até então desconhecida e com a qual ilustrou um dos seus últimos livros sobre a nossa História.

Poucos maranhenses tiveram trajetória tão diversa, tão intensa e tão rica quanto o jornalista, historiador, professor, advogado e desembargador Mílson Coutinho, um maranhense nascido em Coelho Neto, de família humilde, que usou a inteligência privilegiada e uma espantosa disposição para o trabalho árduo para se tornar o gigante intelectual e profissional que foi.

 

Letras perdem também o romancista Valdomiro Viana

Valdomiro Viana: romancista

As letras maranhenses perderam ontem também o escritor Waldomiro Viana, membro da Academia Maranhense de Letras (AML). Romancista, Valdomiro Viana tem como obra mais conhecida o romance “A Tara e a Toga” (2010), ficção inspirada na história da tragédia que envolveu o desembargador José Cândido Pontes de Visgueiro e Mariquinha, sua amante por ele brutalmente assassinada por ciúmes, crime que abalou a São Luís do século 19 e que repercutiu fortemente até na Corte.

Um dos membros mais ativos da AML, Waldomiro Viana publicou também “A Questionável Amoralidade de Apolônio Proeza” (1991), “Graúna em Roça de Arroz” (1995), “O Mau Samaritano” (1999), “Passarela do Centenário, Outros Perfis” (2008), “O Pulha Fictício” (2012), “A Vez da Caça” (2015) e “Maria Celeste”.

 

PONTO & CONTRAPONTO

 

Assembleia aprova regras para a Lei de Diretrizes Orçamentárias de 2021

Deputados,usando máscaras, decidiram aprovar as regras para a Lei Orçamentária

A Assembleia Legislativa do Maranhão aprovou ontem, por unanimidade, o Projeto de Lei 147/2020 que dispõe sobre as diretrizes para a elaboração e execução da Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) de 2021. Aprovado por unanimidade, o projeto seguiu à sanção do governador Flávio Dino (PCdoB). O projeto de LDO contém sete capítulos e 67 artigos, definindo as diretrizes que nortearão a elaboração da Lei Orçamentária Anual de 2021, conforme reza a Constituição do Maranhão e dentro dos limites impostos pela Lei de responsabilidade Fiscal. De acordo com o projeto aprovado, a elaboração da Lei Orçamentária Anual, bem como a sua execução, deverá atender aos seguintes princípios:

1) Gestão com foco em resultados: atingir resultados e indicadores de governo que representem compromissos com a população e que estejam alinhados com os resultados das agendas estratégicas, buscando padrões de eficiência, eficácia e efetividade dos programas e projetos.

2) Enfoque regional: descentralização das ações do governo para melhorar a oferta e gestão dos serviços públicos e estimular o desenvolvimento territorial, buscando a interiorização e a distribuição equitativa da renda e riqueza entre as pessoas e regiões;

3) Participação social: permanente em todo o ciclo de gestão do PPA e dos orçamentos anuais como instrumento de interação entre o Estado e o cidadão para o aperfeiçoamento das políticas públicas.

4) Transparência: ampla divulgação dos gastos dos órgãos públicos da Administração direta e indireta, com a exibição dos contratos e aditivos, e informações atualizadas, de forma simplificada quanto às partes contratantes, objeto, valor, vigência, e avaliação dos resultados obtidos, situados no Portal da Transparência, favorecendo o controle social.

5) Estabelecimento de parcerias: formação de alianças para financiamento e gestão dos investimentos e compartilhamento de responsabilidades.

6) Integração de políticas e programas: visa otimizar os resultados da aplicação dos recursos, focalização do público-alvo e de temáticas específicas;

7) Acompanhamento, monitoramento e avaliação das ações e projetos e gerenciamento dos programas, projetos e ações.

 

Incomodado, Josimar de Maranhãozinho quer virar o jogo para favorecer Detinha em São Luís.

Josimar de Maranhãozinho e Detinha: sem lastro em SL

O deputado Josimar de Maranhãozinho pode ter cometido um erro político ao lançar a deputada Detinha, sua mulher, candidata do PL à Prefeitura de São Luís. Sua pretensão é mostrar que tem força política e eleitoral também na Capital, para usar esse cacife como plataforma para o voo que planeja em direção ao palácio dos Leões em 2022. Tentou mostrá-la como uma líder mandando-a para a Assembleia Legislativa com a mais votada entre os atuais deputados estaduais, mas seu desempenho parlamentar não ajudou. Agora, usa recursos do Fundo Partidário para mostrar em lives sem graça um talento político e uma competência técnica que ela até agora não conseguiu mostrar. Na pesquisa mais recente sobre a disputa na Capital, a deputada Detinha foi ignorada pelos entrevistados, que não um voto sequer. Diante do vexame, Josimar de Maranhãozinho teria anunciado contratar o Ibope para tirar a prova dos nove sobre intenção de voto, como se o instituto possa produzir milagre. Nos bastidores corre a informação de que o chefe do PL estaria determinado a virar esse jogo, o que, mesmo considerando a imprevisibilidade de qualquer eleição, parece uma tarefa extremamente difícil, se não impossível.

São Luís, 05 de Agosto de 2020.

PT faz jogo com o PCdoB, adia declaração de apoio a Rubens Júnior, mas sabe que não tem outro caminho

 

Cúpula local do PT na reunião que decidiu adiar declaração de apoio a Rubens Jr.

Com um movimento político pouco prático, que não produzirá qualquer resultado fora do que está previsto, o braço maranhense do PT adiou a batida de martelo para confirmar sua aliança com o PCdoB em torno da candidatura do deputado federal Rubens Júnior à Prefeitura de São Luís. O adiamento foi anunciado sábado em reunião da cúpula petista, sob o argumento de que, antes do posicionamento na Capital do Maranhão, ficará para depois que PT e PCdoB ajustarem os ponteiros em outras capitais, como Rio de Janeiro e Fortaleza, por exemplo. Com a atitude, o PT atrasa o cronograma de definições do PCdoB, não se dando conta de que com esse procedimento está criando encrenca para o seu próprio arraial. Isso porque qualquer outro rumo que o partido vier a tomar fora da aliança com o PCdoB será um passo fora da curva, o que significará o risco de um desfecho desastroso.

Ainda dono de um cacife nada desprezível no plano nacional, tendo o ex-presidente Lula da Silva como referência maior e o Bolsa Família como a maior base de apoio, o que faz dele o aliado preferencial da seara da chamada esquerda democrática, o PT tem sido um fracasso político e eleitoral retumbante em São Luís e no Maranhão como um todo. Nas eleições municipais de 2016, saiu das urnas com apenas sete prefeitos e uma penca pouco expressiva de vereadores – apenas um em São Luís (Honorato Fernandes) numa Câmara com 31 cadeiras. E nas eleições gerais de 2018 saiu das urnas com apenas um deputado federal (Zé Carlos, com 76 mil votos) e um deputado estadual (Zé Inácio, com 31 mil votos). Seu melhor resultado na Capital foi a eleição de Domingos Dutra como vice de Jackson Lago em 1988, uma aliança que terminou em crise aguda.

No período da aliança com o Grupo Sarney, o PT conseguiu eleger o vice-governador (Washington Oliveira), que foi fragorosamente derrotado na tentativa de se eleger prefeito de São Luís em 2013, quando era vice-governador e teve sua candidatura embalada pela força do Governo Dilma Rousseff,  e do ex-presidente Lula da Silva que estava no auge do poder, e da governadora Roseana Sarney. O pífio desempenho nas urnas, somado às crises intestinas que tiraram do partido líderes autênticos como Domingos Dutra e Bira do Pindaré transformaram o PT maranhense num partido retalhado em três grupos, que se digladiam com frequência. Agora mesmo, diante de uma situação política óbvia, que tem a aliança com o PCdoB como o melhor caminho, as forças petistas estão divididas entre o apoio à candidatura consolidada de Rubens Júnior (PCdoB), o ensaio nada consistente de uma candidatura de Zé Inácio (PT) e uma aliança em torno de Bira do Pindaré (PSB).

O que chama a atenção no jogo do PT em São Luís é a aparente indiferença dos seus líderes em relação à posição do governador Flávio Dino, do PCdoB e do deputado federal Rubens Júnior. No caso do governador, nenhum político no campo esquerdista se expôs mais do que ele na luta contra o impeachment da presidente Dilma Rousseff e poucos foram tão incisivos na defesa do ex-presidente Lula da Silva no caso dos processos da Lava Jato, além de todo o apoio dado ao candidato presidencial Fernando Haddad, que saiu das urnas maranhenses com 75% dos votos. Em relação ao PCdoB e a Rubens Júnior, basta lembrar da luta que, em nome do partido, ele liderou na Câmara Federal contra a derrubada da presidente petista. Feitas as contas, o PT maranhense tem um déficit gigantesco em relação a Flávio Dino, ao PCdoB e a Rubens Júnior.

A leitura mais correta desse movimento é a de que, montado no tempo precioso que detém para rádio e TV e no prestígio do ex-presidente Lula, o PT está fazendo o jogo que costuma fazer para entrar na aliança com um candidato a vice, mesmo sabendo que tem poucas opções a oferecer à candidatura de Rubens Júnior nesse particular.

 

PONTO & CONTRAPONTO

 

Visita de Rubens Júnior e conversa com Carlos Brandão confirmam cacife do novo MDB

Roberto Costa e Rubens Júnior na visita em que o comunista foi sondar o apoio do MDB à sua candidatura

A visita política que o candidato ao PCdoB, Rubens Júnior, fez ontem ao vice-presidente e articulador do MDB, Roberto Costa, confirmou integralmente a avaliação da Coluna segundo a qual a agremiação emedebista, hoje revigorada por uma nova orientação, fruto da reconstrução da unidade do partido, é uma “noiva” cobiçada pelo que reúne em estrutura partidária, em lastro político, em potencial eleitoral e em tempo no rádio e na TV. Hoje seguindo uma orientação política traçada pela ala jovem liderada por Roberto Costa, o MDB em nada lembra o partido até pouco tempo controlado pela velha guarda do Grupo Sarney. O MDB de agora é um partido ajustado, muito bem organizado e aberto a conversar com todos os pré-candidatos, dando-se o luxo de receber e avaliar propostas de aliança. Ontem, Roberto Costa recebeu a visita de Rubens Júnior, que manifestou interesse em ter a legenda emedebista na aliança partidária que vai liderar na corrida à Prefeitura de São Luís. A conversa terminou sem definição, mas deixando porta aberta para novas conversações. Roberto Costa também conversou com o vice-governador Carlos Brandão, que demonstrou todo interesse no apoio do MDB ao pré-candidato do seu partido, o Republicanos, deputado Duarte Júnior, segundo colocado nas pesquisas. Essas conversas servirão de base para a posição que o comando emedebista deverá tomar até o dia 15 deste mês, podendo lançar candidato próprio, ingressar numa aliança indicando o candidato a vice, participar da aliança sem exigir a vice ou esnobar aliança e investir seu cacife, que inclui um precioso tempo de propaganda no rádio e na TV. O candidato que conseguir o apoio do MDB estará jogando uma boa cartada.

 

Othelino Neto, Marco Aurélio e Rildo Amaral levam asfalto a bairro de Imperatriz

Othelino Neto entre Marco Aurélio (d) e Clayton Noleto e Rildo Amaral (e) no Jardim Tropical, ontem, em Imperatriz

A seara política de Imperatriz se agitou ontem  com a presença do presidente da Assembleia Legislativa, deputado Othelino Neto (PCdoB), no município. Ali, ao lado do deputado Marco Aurélio (PCdoB), pré-candidato a prefeito, e do seu colega licenciado Rildo Amaral (Solidariedade), ele participou de um ato que marcou o início dos trabalhos de asfaltamento do bairro Jardim Tropical, uma obra há muito aspirada pelos seus moradores. A participação do presidente do Poder Legislativo estadual no ato se deveu ao fato de que os recursos para a realização da obra saíram de emenda parlamentar de sua autoria, juntamente com os depurados Marco Aurélio e Rildo Amaral. O início do asfaltamento das ruas do Jardim Tropical teve também a presença do secretário de Estado de Infraestrutura, Clayton Noleto.  O projeto é bem mais abrangente, à medida que serão aplicados 20 quilômetros de asfalto numa região formada por vários bairros. O deputado Professor Marco Aurélio agradeceu ao presidente Othelino Neto pelas emendas destinadas à cidade de Imperatriz.

“Recebemos esse importante reforço do presidente Othelino, que faz um grande gesto com nossa cidade, direcionando suas emendas parlamentares e reforçando minha destinação e do deputado Rildo Amaral, que serão revertidas em pavimentação asfáltica nos bairros de Imperatriz”, disse o parlamentar tocantino.

São Luís, 04 de Agosto de 2020.

 

Com nova orientação, bom tempo de rádio e TV e forte cacife político, MDB é “noiva” cobiçada em São Luís

 

Roberto Casta e Roseana Sarney em live recente: descontração e foco político sem restrições

O MDB fixou o dia 15 de Agosto como data limite para bater martelo a respeito de como vai participar da corrida à Prefeitura de São Luís. Poderá lançar candidato próprio, apoiar candidato de outro partido indicando o vice, ou participar de uma aliança sem fazer parte da composição de chapa majoritária, investindo suas forças na eleição de uma bancada na Câmara Municipal, reocupando pelo menos parte do espaço que já ocupou na Capital. O vice-presidente regional do partido, deputado estadual Roberto Costa, designado articulador da participação emedebista nas eleições em todo o Maranhão, revelou a data-limite no caso de São Luís durante entrevista recente ao programa “Ponto e Vírgula”, da Rádio Difusora, capitaneado pelo jornalista Leandro Miranda. A definição, portanto, ocorrerá em duas semanas, tempo suficiente para que o braço ludovicense do MDB se posicione em relação à briga pelo Palácio de la Ravardière, que envolve hoje nada menos que 13 pré-candidatos e uma penca de quase três dezenas de partidos.

Roberto Costa trabalha para situar o MDB no epicentro da disputa, isso porque o partido que ele comanda hoje pouco se parece com o MDB de algum tempo atrás, hegemônico no estado, dono do poder estatal e regido rigorosamente pela cartilha do sarneysismo. O partido agora não nega suas origens, não se movimenta para se desvencilhar do Grupo Sarney, mas está vivendo um amplo processo de redefinição, que o faz diferente, mais aberto e mais realista. Isso se deve à tomada de posição da ala jovem, que decidiu assumir os rumos da legenda, tendo enfrentado dificuldades internas no início do movimento, mas que conseguiu convencer a “velha guarda” de que chegara a hora de uma grande virada. Hoje, ao contrário de 2018, por exemplo, o MDB, é um partido muito mais leve e ágil.

O MDB que procura um rumo na corrida à sucessão do prefeito Edivaldo Holanda Júnior (PDT) tem capital político expressivo, potencial eleitoral respeitável e instrumentos valiosíssimos, cacife que lhe permite sentar à mesa para negociar aliança com qualquer partido. O capital político pode ser medido pelo tamanho e pela organização da legenda, com estrutura e mobilidade na cidade, e pelo saldo de realizações dos governos emedebistas, principalmente os comandados por Roseana Sarney. O potencial eleitoral é uma decorrência desse espaço político conquistado. E os instrumentos de campanha começam pelo tempo de rádio e TV, que representa 6,08% do tempo destinado ao horário eleitoral gratuito, equivalente aos de PSDB, PSD, PP, PSB e PL, maior que o do PDT e do DEM. Esse tempo turbinará qualquer candidatura de partido pequeno, como a do deputado federal Eduardo Braide pelo Podemos, por exemplo.

Não é sem razão que a maioria dos pré-candidatos já abriu canal de comunicação com Roberto Costa, tendo alguns deles já conversado informalmente com o presidente João Alberto e Roseana Sarney. Eles enxergam no MDB uma “noiva” vistosa e dona de um respeitável dote. Há, por outro lado, o temor de desgaste de uma aliança com o sarneysismo, mas não há como negar que o MDB de agora começa a construir uma nova identidade, na qual o rótulo não terá muita influência. Um exemplo é a postura da ex-governadora Roseana Sarney, que declinou do convite para ser candidata, avalia como “muito bom” o grupo de pré-candidatos – “Tá difícil de escolher”, disse -, colocando-se à disposição do partido para seguir os rumos que forem definidos pela articulação dos seus novos líderes na Capital e no interior.

Uma avaliação cuidadosa do cenário em evolução certamente concluirá que o MDB se encontra numa posição confortável, podendo escolher seu rumo na corrida sucessória na Capital. Pode lançar um nome-surpresa, pode se aliar a um candidato forte ou pode simplesmente esnobar a disputa pela Prefeitura e investir todo o seu cacife na briga por cadeiras na Câmara Municipal. Nessa linha de pragmatismo, já definiu posição em Imperatriz, onde apoiará o prefeito Assis Ramos (DEM), indicando o empresário Franciscano como vice. Nada impede que repita a aliança com o DEM em São Luís em torno do deputado estadual Neto Evangelista, ou com qualquer outro candidato.

 

PONTO & CONTRAPONTO

 

Flávio Dino confirma estatura política em entrevista à CNN

Flávio Dino: demonstração de preparo e equilíbrio durante entrevista à CNN

O governador Flávio Dino (PCdoB) deu mais uma demonstração de que é um dos mais preparados e articulados políticos da sua geração e da atualidade no Brasil. O que já é uma realidade foi de novo reafirmada ontem numa longa entrevista que o governador do maranhão concedeu ao programa “O Ponto”, da CNN, na qual falou de pandemia, os resultados e desdobramentos, economia no presente e no futuro, e política neste momento e no porvir. “Bombardeado” de perguntas inteligentes e bem formuladas, Flávio Dino foi hábil e preciso nas respostas, fazendo uma avaliação realista e honesta do cenário sanitário, econômico e político nacional.

Em relação à pandemia, mostrou, por A mais B, que os resultados alcançados até aqui são frutos dos esforços feitos pelos governadores, que não se deixaram dominar pelo negacionismo pregado pelo presidente Jair Bolsonaro (sem partido) e pela inércia da máquina federal.

No campo econômico, o governador avaliou a situação como dramática, mas apontou caminhos para a retomada das atividades e do crescimento. Defendeu a manutenção do auxílio emergencial de R$ 600 pelo menos até dezembro, mas alertou que, por se tratar de uma ação temporária, poderá haver desdobramentos graves quando for suspenso. Daí a necessidade de um pacto pelo emprego, liderado pelo presidente, que por sua vez demonstrou não estar interessado nesse tido de solução. O governador avalia que propor reforma tributária agora não ajuda e entende que as medidas do ministro da Economia, Paulo Guedes, tendem a dificultar a retomada.

No campo político, o governador Flávio Dino reafirmou integralmente a proposta de a esquerda democrática deve articular uma ampla frente, que inclua o centro e até mesmo parte da direita democrática para enfrentar a direita conservadora representada pelo presidente Jair Bolsonaro. Ele defendeu essa frente como o caminho político mais seguro e mais saudável para o grande embate eleitoral de 2022.

Em tempo: logo após a entrevista do governador Flávio Dino, o programa “O Ponto” entrevistou o governador do Paraná, Ratinho Jr. (PSD). Quem assistiu às duas pode observar a diferença espantosa de nível entre os dois mandatários.

 

 Dias Toffoli foi desrespeitoso com Douglas Martins em julgamento no CNJ

Dias Toffoli foi desrespeitoso com Douglas Martins

Injustas e desnecessárias as declarações do presidente do Supremo Tribunal Federal, ministro Dias Toffoli, feitas na condição de presidente do Conselho Nacional de Justiça ao julgar a reprimenda ao juiz Douglas Martins, titular da Vara de Interesses Difusos e Coletivos de São Luís, por haver ele adotado uma postura midiática após a decretação do Lockdown na Ilha de Upaon Açu, ao conceder entrevistas e participar de lives com políticos sobre o assunto. O ministro Dias Toffoli foi no mínimo precipitado na maneira com que ele se referiu ao magistrado maranhense, tratando-o como um juiz menor, irresponsável e não digno de respeito. Como presidente do STF e do CNJ, o ministro Toffoli deveria ter sido mais formal e respeitoso, a começar pelo fato de que deveria se informar melhor em relação à trajetória e à postura do juiz Douglas Martins. O magistrado maranhense estava sendo julgado por uma postura controversa assumida por conta de uma decisão igualmente controversa, e não por desvio de conduta, corrupção ou incompetência jurídica. O ministro deveria saber que no comando da Vara de Interesses Difusos e Coletivos de São Luís, o juiz Douglas Martins tem realizado um trabalho de largo alcance social, sendo que muitos dos casos são resolvidos por acordos bem amarrados e produtivos, principalmente quando envolvem a Prefeitura de São Luís e a coletividade. Se, neste caso, Douglas Martins não seguiu estritamente as regras da magistratura no que diz respeito a postura de magistrado, falando para TVs, emissoras de rádio imprensa e jornais, além de participar de lives, sempre justificando sua decisão, cometendo, portanto, algum excesso, nada de anormal seria ser ele chamado às falas pela Corregedoria Geral de Justiça do Maranhão. E também pelo CNJ, à medida que está nos regimentos da magistratura que juiz não pode nem deve se manifestar além do conteúdo dos seus despachos e sentenças. Douglas Martins pode ter extrapolado quando, contagiado pelos holofotes e atendendo a pedido do Ministério Público, determinando ao Poder Executivo a decretação do Lockdown em São Luís e região, usurpando uma prerrogativa do Poder Executivo e do Poder Legislativo, e ao ter assumido um protagonismo impróprio como magistrado, ainda que sua decisão tinha contribuído para poupar milhares de vidas. Nada justifica, portanto, a maneira pouco respeitosa com que o presidente do STF e do CNJ se referiu ao juiz maranhense ao colocar o caso em julgamento, conforme vídeo viralizado nas redes sociais.

São Luís, 02 de Agosto de 2020.

Othelino Neto amplia espaço político e é visto como nome forte para as eleições majoritárias de 2022

 

Othelino Neto: atuação política forte e futuro promissor  na grande disputa de 2022

Quando assumiu o comando da Assembleia Legislativa, em Janeiro de 2018, substituindo o presidente Humberto Coutinho (PDT), o deputado Othelino Neto (PCdoB) era um parlamentar 43 anos e exercendo o segundo mandato, normalmente. Durante os meses seguintes, porém, surpreenderia os seus pares como um presidente firme e afinado com as regras, mas também, e principalmente, como um articulador hábil, ativo e bem posicionado. Foi assim que comandou a Casa sem sobressaltos naquele período, renovou o mandato parlamentar em 2018, obteve novo mandato de presidente e, numa articulação bem armada, se reelegeu chefe do Poder com quase dois anos de antecedência. Nesses 31 meses, Othelino Neto manteve o parlamento ativo e em evidência, conduziu debates sobre matérias complicadas, assegurou tramitação e votação de medidas importantes contra a pandemia do novo coronavírus, evitou crises e confrontos entre adversários e conquistou espaço entre os líderes políticos maranhenses mais destacados na atualidade.

A elevada posição política alcançada pelo presidente da Assembleia Legislativa vem se evidenciando dia após dia, com movimentos que faz no âmbito do Parlamento, onde mantém “a Casa em ordem” respeitando Situacionistas e Oposicionistas; nas relações institucionais, mantendo um relacionamento equilibrado com o governador Flávio Dino (PCdoB) e com o presidente do Poder Judiciário, desembargador Lourival Serejo; e por fim na seara político-partidária, onde tem atuado com eficiência como articulador. Nesse último campo, todas as avaliações feitas por observadores levam à previsão de que em 2022 ele será nome forte e cujo rumo dependerá do passo que vier a ser dado pelo governador Flávio Dino, de quem é aliado firme e leal.

Uma demonstração do prestígio político do deputado Othelino Neto foi dada terça-feira, no plenário da Assembleia Legislativa, quando os suplentes Fábio Braga (SD), Toca Serra (PCdoB) e Pastor Ribinha assumiram as vagas dos deputados Fernando Pessoa (SD), Rildo Amaral (SD) e Wendell Lajes (PMN). Em pronunciamentos na tribuna e em declarações à imprensa, os três destacaram a capacidade de articulação do presidente da Assembleia Legislativa, creditando a ele o fato de eles estarem assumindo mandato temporário de quatro meses.  Entusiasmado, Pastor Ribinha declarou: “Quero parabenizar o presidente deste Parlamento, deputado Othelino, detentor de uma rara qualidade, que é a de saber ouvir com atenção e de lidar com as pessoas de pensamentos divergentes. É uma habilidade que prova sua capacidade política e justifica o fato de ter sido eleito por duas vezes consecutivas para a presidência desta Casa, sempre por unanimidade”.

No campo das negociações políticas e partidárias para as eleições municipais de Novembro, Othelino Neto vem trabalhando intensamente na articulação de candidaturas que possam fortalecer a base da aliança comandada pelo governador Flávio Dino nas diferentes regiões do estado. Em São Luís, Othelino Neto é um dos principais articuladores da candidatura do deputado estadual Neto Evangelista (DEM), juntamente com o senador Weverton Rocha (PDT). Ao mesmo tempo, atua para fortalecer outras candidaturas, tendo tido, por exemplo, participação decisiva nas negociações que levaram o deputado Duarte Júnior a migrar do PCdoB para o Republicanos, abrindo caminho para a consolidação da candidatura do deputado federal Rubens Júnior pelo partido.

Othelino Neto sabe que os próximos dois anos e meio serão decisivos para o grande embate político que será travado pela atual geração nas eleições gerais de 2022. Depois de cinco anos como presidente da Assembleia Legislativa e com a projeção política que vem alcançando, dificilmente o seu caminho será renovar o mandato de deputado estadual. Daí as projeções que o veem como candidato a senador, caso o governador Flávio Dino se candidate a presidente da República; a vice-governador, dependendo de quem seja o candidato do grupo a governador; e até mesmo a governador, se, numa hipótese mais distante, o cenário político de 22 permitir.

Por enquanto, o deputado Othelino Neto usa o poder que acumulou e inteligência política para pavimentar uma estrada cheia riscos, mas também de possibilidades.

 

PONTO & CONTRAPONTO

 

Pesquisa: Flávio Dino tem 67% de aprovação e atuou melhor que Bolsonaro contra a pandemia

A esmagadora maioria dos maranhenses aprova o Governo Flávio Dino (PCdoB) e avalia que sua atuação contra a pandemia do novo coronavírus foi muito melhor do que a do presidente Jair Bolsonaro (sem partido). Foi o que encontrou pesquisa do instituto Exata contratada pela TV Difusora e divulgada ontem. De acordo com o levantamento, 67% dos 1.406 entrevistados em todas as regiões do Maranhão disseram aprovar o Governo Flávio Dino, contra 29%, que responderam não aprovar, sendo também que 4% não souberam ou não quiseram responder.

O Exata também quis saber sobre o desempenho do governador Flávio Dino e do presidente Jair Bolsonaro no combate à pandemia do novo coronavírus. Nada menos que 55% dos entrevistados aprovaram a atuação do governador, enquanto apenas 20% responderam que o presidente da República foi melhor nas tomadas de decisão contra a pandemia. Nesse quesito, 15% aprovaram as decisões tomadas por prefeitos, 6% disseram que nenhum deles atuou bem e apenas 4% não souberam ou não quiseram responder.

Em Tempo: O Exata fez o levantamento no período de 21 a 25 de Julho, dando aos resultados um intervalo de confiança de 95%, com 3,3%.

 

CNJ manda Douglas Martins ficar distante de lives com políticos e pré-candidatos

Douglas Martins: proibido de participar de debates virtuais com políticos e pré-candudatos

O juiz Douglas Martins, da Vara de Interesses Difusos e Coletivos de São Luís, está proibido de participar de debates virtuais de conotação político-partidária transmitidos ao vivo (lives) organizados por políticos detentores de mandato ou que sejam pré-candidatos às eleições de Novembro. A decisão foi tomada ontem pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ), que confirmou decisão liminar do corregedor nacional de Justiça, Humberto Martins. A decisão foi tomada em maio, após uma reclamação disciplinar contestar a postura do juiz. “Os referidos debates foram promovidos e contaram com a coparticipação de políticos maranhenses com mandatos em curso e/ou pessoas que publicamente pleiteiam se eleger ou se reeleger nas eleições de 2020”, diz trecho do processo analisado pelo Conselho.

Para lembrar: o juiz Douglas Martins, titular da Vara de Interesses Difusos e Coletivos de São Luís, atendendo a sugestão do Ministério Público, determinou a decretação, pelo governador do Estado, do bloqueio total (lockdown) na Região Metropolitana de São Luís, impondo isolamento social a quase 1,5 milhão de pessoas nos quatro municípios da Ilha de Upaon Açu.

No período, o magistrado assumiu uma espécie de protagonismo incomum na magistratura, concedendo entrevistas sobre a decisão, justificando e defendendo a medida, com recados duros à população, e também participando de “lives” promovidas por políticos, incluindo pré-candidatos à prefeitura de São Luís. Sua postura polêmica causou surpresa em muitos e foi alvo de duras críticas. Em seu voto, o corregedor do CNJ enfatizou que juízes são proibidos de participar de eventos virtuais vinculados à militância política ou à atividade político-partidária, violando o Código de Ética e a Lei da Magistratura. E foi além ao afirmar: “Não cabe ao Judiciário definir políticas públicas. Não é competência da magistratura. Isso é competência para as instituições e poderes eleitos democraticamente”.

Ao mesmo tempo que é visto como um magistrado atuante, Douglas Martins é também apontado como um juiz marcado pela controvérsia. Essa imagem começou a ser cultivada ainda nos anos 80, quando, ainda jovem, ele assumiu a comarca de, quase na divisa com o Piauí. Ali, ele se indignou com a precária e desumana situação da cadeia municipal e decidiu soltar os presos. Sua atitude causou forte embaraço para o Tribunal de Justiça, tendo a Corregedoria de Justiça instaurado processo para puni-lo. Depois de muitas discussões, o Pleno resolveu absolvê-lo.

Há quem o acuse de estrelismo, mas ninguém duvida de que Douglas Martins é um magistrado honesto, eficiente e engajado.

São Luís, 31 de Julho de 2020.

Neto Evangelista (DEM) ganha apoio do PDT e do PSL e turbina sua candidatura à Prefeitura de São Luís

 

Neto Evangelista e Weverton Rocha: aliança DEM/PDT firmada que inclui também o PSL, articulada por Juscelino Filho com Chico Carvalho e Antonio de Rueda, do comando nacional do partido

O deputado estadual Neto Evangelista (DEM) protagonizou ontem o primeiro grande movimento político-partidário para consolidar seu projeto de candidatura à Prefeitura de São Luís. Em eventos diferentes, um à tarde com a cúpula do PSL e outro à noite o comando do PDT, ele recebeu declarações de apoio dos dois partidos, o que lhe garantiu a montagem de uma forte base política e eleitoral, e ainda uma campanha com o que poderá ser o maior tempo no rádio e na TV para a propaganda eleitoral. Com os atos partidários – o do PSL capitaneado pelo vereador Chico Carvalho, e o do PDT comandado pelo senador Weverton Rocha -, Neto Evangelista – que apareceu na JPesquisa em terceiro lugar, com 9% das intenções de voto -, sai na frente na definição de alianças e na construção de um lastro que dará um grande impulso à sua candidatura.

O lastro partidário montado por Neto Evangelista pode lhe assegurar um desempenho eleitoral capaz de credenciá-lo para ser o adversário do candidato do Podemos, Eduardo Braide, se a eleição for decidida em dois turnos, como está sendo desenhado. Para começar, o DEM, o PDT e o PSL são agremiações com representação eleitoral expressiva em São Luís. Mobilizados em torno de um candidato, essa aliança partidária reúne poder de fogo eleitoral capaz de embalar fortemente o candidato. E esse embalo poderá ganhar intensidade se se confirmar a entrada do MDB na aliança, um movimento que está em curso.

Para começar, o PDT é, de longe, o partido com maior enraizamento em São Luís, um domínio construído por Jackson Lago, que nos 10 anos em que foi prefeito, montou uma militância que ainda hoje exibe musculatura em períodos eleitorais, tendo sido decisiva, por exemplo, nas duas eleições do hoje pedetista prefeito Edivaldo Holanda Júnior, em campanhas fortalecidas por vereadores como Ivaldo Rodrigues, Pavão Filho Raimundo Penha, por exemplo. O DEM, se não tem uma militância volumosa e agressiva como a do PDT, cultiva bolsões de prestígio, reunindo assim reforço político importante para a candidatura. E finalmente o PSL, que contribui com o maior tempo de rádio e TV, além do prestígio político e eleitoral dos vereadores Chico Carvalho, que preside a legenda, e Isaías Pereirinha, que conhecem o caminho das pedras eleitorais da Capital.

Neto Evangelista vem dando seguidas demonstrações de que aprendeu muito na escola do seu pai, o deputado João Evangelista, que dominou a cena na Câmara Municipal de São Luís nos anos 80 e 90 do século passado e também na Assembleia Legislativa na década passada. Com a experiência de quem vem sendo bem votado na Capital, e que já disputou eleição majoritária como candidato a vice do prefeito João Castelo em 2012, Neto Evangelista soube se posicionar nesse cenário, cultivando relações importantes, como a que o liga ao senador Weverton Rocha, que lhe deu o apoio do PDT, e ao presidente do Poder Legislativo, deputado Othelino Neto (PCdoB), um dos mais importantes incentivadores do seu projeto de candidatura. Mantém também espaço junto ao governador Flávio Dino, de quem foi secretário de desenvolvimento Social bem avaliado.

Neto Evangelista tem três desafios bem visíveis pela frente. O primeiro é suplantar o candidato do Republicanos, deputado Duarte Júnior – que até aqui apareceu em segundo lugar nas pesquisas -, com o que se credenciará para ser o adversário de Eduardo Braide num provável segundo turno. O outro será “segurar” o crescimento do deputado federal Rubens Júnior, cuja candidatura será turbinada pela aliança do seu partido, o PCdoB, com o PT. O terceiro será conquistar o apoio do prefeito Edivaldo Holanda Júnior,        que tem demonstrado não simpatizar com esse projeto. O candidato do DEM deve estar preparado para o embate direto, primeiro com os dois candidatos do seu campo dos quais precisa se afastar, e depois com o líder das preferências, Eduardo Braide, que saiu das urnas eleito deputado federal com mais de 140 mil votos em São Luís.

As condições político-partidárias que precisava para turbinar seu projeto de ganhar a prefeitura de São Luís lhe foram dadas ontem com a declaração de apoio do PDT e do PSL. Cabe a ele agora fazer a sua parte.

 

PONTO & CONTRAPONTO

 

Rubens Júnior deve receber o apoio formal do PT

Rubens Júnior pode ter candidatura embalada por aliança PCdoB/PT

Todos os indícios sugerem que o próximo evento partidário para a corrida à Prefeitura de São Luís será o anúncio formal da aliança entre o PCdoB e o PT em torno da candidatura do deputado federal Rubens Júnior. Duas fontes bem situadas na seara política governista sopraram à Coluna que o sinal verde do comando nacional do PT foi aceso para que o braço ludovicense do partido declare apoio e entre de cabeça na disputa em favor de Rubens Júnior. Além do aval do comando nacional, uma série de entraves terá de ser removida. Isso porque o PT maranhense tem três braços: o que segue de olhos fechados as orientações do comando nacional; o que tenta viabilizar um projeto de candidatura própria, liderado pelo deputado estadual Zé Inácio, e o atua com independência e está inclinado a apoiar a candidatura de Bira do Pindaré, do PSB. Se o acordo com o PCdoB for formalizado, Rubens Júnior ganhará tempo de rádio e TV suficiente para movimentar sua campanha. Nos últimos dias, circularam rumores de que a ordem de cima é fechar com o PCdoB, o que turbinará a candidatura de Rubens Júnior, porque junto com o apoio do partido e do tempo precioso virá o apoio pessoal do presidente Lula, que na avaliação de alguns, vale ouro nessa disputa.

 

Roberto Costa denuncia desmonte do Basa em Bacabal, Santa Inês e Pinheiro

Roberto Costa denuncia desmonte do Basa

O Banco da Amazônia está sendo esvaziado no Maranhão, que poderá perder as agências de Bacabal, Pinheiro e Santa Inês, e na sequência, outras agências do Basa no Maranhão serão fechadas, cumprindo a está maranhense de desmantelamento dessa importante instituição financeira regional. A denúncia foi feita ontem pelo deputado Roberto Costa (MDB), na tribuna da Assembleia Legislativa. Na sua fala, o parlamentar chamou a atenção para o fato de que o esvaziamento do Basa naqueles municípios não é de agora. Tempos atrás, os gerentes das três agências comunicaram aos clientes o encerramento das atividades e solicitaram a devolução dos cartões para a movimentação de conta. Um movimento bateu às portas da Justiça contra a ação, tendo obtido a decisão de que as agências não seriam fechadas. O comando do banco não se manifestou, fazendo prevalecer o pedido de devolução dos cartões, o que significa dizer que o fechamento das agências está em andamento. Não é de agora o intento de tirar o Basa do Maranhão. O banco tem papel importante na economia das regiões ponde atua, e o fechamento de agências fragiliza a movimentação financeira de cidades-polo como Bacabal, Santa Inês e Pinheiro. A denúncia enfática do deputado Roberto Costa, feira em tom de protesto, é uma reação correta e oportuna para que o Maranhão ou parte dele perca um instrumento de fomento às atividades econômicas como o Banco da Amazônia, que nasceu exatamente para essa finalidade, a exemplo do banco do Nordeste.

São Luís, 30 de Julho de 2020.

Dino propõe a Bolsonaro pacto por emprego; presidente ironiza proposta e governador critica postura

 

Em ofício (abaixo), Flávio Dino propõe a Jair Bolsonaro pacto pelo emprego, recebido com ironia pelo presidente

Um ofício-proposta, uma reação irônica e um rebate crítico mostraram, num período inferior a 24 horas, o tamanho da diferença de responsabilidade institucional e da distância política que separam, nestes tempos sombrios, o Palácio dos Leões do Palácio do Planalto em todos os níveis.

Na segunda-feira, diante das previsões pessimistas feitas por autoridades da área econômica federal em relação ao aumento do desemprego por conta da pandemia do novo coronavírus, o governador do Maranhão, Flávio Dino (PCdoB), em seu próprio nome e expressando uma preocupação dos governadores do Nordeste, encaminhou ao presidente da República, Jair Bolsonaro (sem partido), o Ofício nº 140/2020, no qual propôs um “Pacto Nacional pelo Emprego”. Na proposta, o governador sugere que o presidente convoque governadores, presidentes de confederações empresariais e sindicais, e promova o debate sobre como combater o desemprego, que aumentou para 12,9% desde o início da pandemia, e com a previsão, feita pelo Banco Central, de que o PIB brasileiro encolherá 5,95% neste ano, no maior tombo da História do País. No documento, o governador sugere o planejamento urgente de medidas, num processo liderado pelo presidente, para salvar principalmente as pequenas empresas, e com elas os milhões de empregos que geram e mantêm.

O presidente da República não respondeu formalmente ao governador maranhense, mas comentou a proposta em tom irônico, ontem, numa conversa com apoiadores em frente ao Palácio da Alvorada:  “Tem governador agora que quer que eu faça um pacto pelo emprego. Mas ele continua com o estado dele fechado”. Não citou nome.

Na sequência, o governador reagiu: “Considero que o desemprego não é assunto a ser tratado com ironias. Espero que o presidente da República leve a sério a urgência de ações efetivas. É impossível tratar do tema no ‘cercadinho’ do Alvorada. Por isso, insisto na ideia do Pacto Nacional pelo Emprego”.

A proposta do governador Flávio Dino e a reação do presidente Jair Bolsonaro revelaram, agora de maneira muito clara, a diferença de mentalidade política que separa os dois governantes. Flávio Dino demonstrou mais uma vez consistência política e visão institucional ao formular uma proposta de pacto em favor do Brasil, e com a consciência institucional de que a construção de um pacto nacional dessa envergadura só poderá ser liderada pelo presidente da República. Primeiro porque o chefe da Nação tem legitimidade para conduzir processos que digam respeito ao País como um todo, caso do Pacto Nacional pelo Emprego sugerido pelo governador do Maranhão. E depois porque a União é detentora de prerrogativas e instrumentos que, bem usados, podem fazer frente à crise e até mesmo contê-la e recolocar o País na rota do crescimento.

O presidente da República, por sua vez, não tem a mesma perspectiva, sua consciência institucional é superficial e distorcida e sua cultura política é a do confronto regado a ódio, que enxerga adversário político como inimigo. Na célebre conversa de “pé de ouvido” que teve com o seu então ministro-chefe da Casa Civil, Onix Lorenzzoni, minutos antes de uma coletiva de imprensa, na qual apontou o governador do Maranhão o seu pior adversário entre os governadores “de Paraíba”, e determinando ao ministro “tem que dar nada para esse cara”, o presidente exibiu a sua essência política primária, que o distancia enormemente dos presidentes da redemocratização para cá. Sua lógica é a de “destruir o inimigo” a qualquer custo, e não vencer o adversário nas urnas com superioridade política.

Se fosse um político inteligente e pragmático, e não um produto político primário e raivoso, o presidente Jair Bolsonaro não pensaria duas vezes em avaliar com cuidado a proposta do governador Flávio Dino, que é fundada num  contexto de aguda crise e respaldada na lógica que move a política, e dela tirar proveito político saudável. Pragmaticamente, reuniria os governadores, ouviria as suas sugestões e construiria um pacto pelo emprego dividindo responsabilidades. Sua reação na conversa de portaria com apoiadores é, infelizmente, reveladora de que Jair Bolsonaro preside uma República sem nada ter de republicano.

 

PONTO & CONTRAPONTO

 

MDB pode entrar na aliança com PDT em torno de Neto Evangelista em São Luís

Neto Evangelista participa de evento realizado por Roberto Costa no final do ano passado no Lira

Não será surpresa se, além do PDT, o deputado estadual Neto Evangelista (DEM) tiver sua candidatura à Prefeitura de São Luís apoiada pelo MDB. Indício de que essa aliança poderá ganhar forma foi emitido ontem pelo deputado estadual Roberto Costa, vice-presidente e coordenador das ações do MDB para as eleições municipais em todo o estado. Em entrevista a uma emissora de rádio, Roberto Costa disse vários candidatos à sucessão do prefeito Edivaldo Holanda Júnior (PDT) já conversaram com a cúpula emedebista e com a ex-governadora Roseana Sarney, a maior liderança do partido e que tem cacife gordo na Capital, onde tem grande volume de obras estruturantes. Ele não afirmou que Neto Evangelista terá o apoio do MDB, mas deixou clara sua simpatia pelo candidato do DEM, embora tenha sido categórico que qualquer decisão será tomada em conjunto pelas lideranças do partido, hoje formada pela ex-governadora Roseana Sarney, o ex-senador João Alberto – que preside o partido -, os deputados federais Hildo Rocha e João Marcelo e o deputado estadual Arnaldo Melo, além dele próprio.

 

Corrida eleitoral provoca três mudanças temporárias na Assembleia Legislativa

Os suplentes Fábio braga, Toca Serra e Pastor Ribinha assumiram ondem na AL

A ciranda eleitoral movimentou ontem três cadeiras na Assembleia Legislativa. Os deputados Fernando Pessoa e Rildo Amaral, ambos do Solidariedade, e Wendell Lages, do PMN, se licenciaram por 121 dias, abrindo vaga para os suplentes Fábio Braga (Solidariedade), Toca serra (PCdoB) e Pastor Ribinha (PMN). Os três foram empossados pelo presidente do Poder Legislativo, Othelino neto (PCdoB), que lhes deu boas vindas.

O advogado e empresário Fábio Braga foi deputado na legislatura passada, integrando a base de apoio do Governo Flávio Dino, mas sem renegar sua origem sarneysista, e atuando como porta-voz do empresariado maranhense. Toca Serra tem por base o pequeno município de Pedro do Rosário, mas faz uma política abrangente na região por meio da sua família. E Pastor Ribinha, que lidera a Igreja Batista em Pinheiro.

No seu discurso de estreia, Pastor Ribinha destacou a atuação política e parlamentar do presidente Othelino Neto: “Quero parabenizar o presidente deste Parlamento, deputado Othelino, detentor de uma rara qualidade, que é a de saber ouvir com atenção e de lidar com as pessoas de pensamentos divergentes. É uma habilidade que considero fundamental, o que prova a sua capacidade política e justifica o fato de ter sido eleito por duas vezes consecutivas para a Presidência desta Casa, sempre por unanimidade”.

Toca Serra também foi à tribuna e informou, enfático, que continuará realizando seu trabalho “em favor dos menos favorecidos”. E declarou: “Estamos com o pensamento focado em discutir as políticas públicas estaduais que visem ao fortalecimento de toda a nossa região”.

São Luís, 29 de Julho de 2020.

Pesquisa do JP aponta dois turnos e dá recado duro a Detinha e aos candidatos de PSOL e PSTU

 

Os candidatos Detinha, Saulo Arcangeli e Franklin Douglas receberam duro recado na Pesquisa do JP

Os números da JPesquisa, publicados na edição de Domingo (26) do Jornal Pequeno mostraram o retrato do momento da guerra pela Prefeitura de São Luís. A exemplo do último levantamento do mesmo instituto, o deputado federal Eduardo Braide (Podemos) aparece na liderança com 40% das intenções de voto, seguido deputado estadual Duarte Júnior (Republicanos) com 15%, do deputado estadual Neto Evangelista (DEM) com 9%, e do deputado estadual Wellington do Curso (PSDB) com 7%. No segundo pelotão, Bira do Pindaré (PSB), Rubens Júnior (PCdoB) e Adriano Sarney (PV) estão rigorosamente empatados com 4%, enquanto o deputado estadual Yglésio Moises (PROS) e o juiz federal aposentado Carlos Madeira (Solidariedade) estão ombreados com 3%, ficando o radialista Jeisael Marx (Rede) com 2%. O terceiro, formado pelos candidatos ignorados pelos entrevistados: a deputada estadual Detinha (PL), o jornalista Franklin Douglas (PSOL) e o sindicalista Saulo Arcangeli (PSTU), simplesmente não receberam nenhuma intenção de voto. Entre os entrevistados, 6% responderam que não votariam em nenhum deles, e 3% disseram não saber ou simplesmente não responderam.

Esse retrato delineia, com bastante clareza, que, se a eleição fosse agora, o resultado remeteria a definição para um segundo turno entre Eduardo Braide e Duarte Júnior, uma parada dura e de desfecho absolutamente imprevisível. Outra informação da pesquisa o potencial de Neto Evangelista, que aparece na terceira colocação, dois pontos percentuais à frente de Wellington do Curso. E ainda o descolamento de Rubens Júnior, que saiu do pelotão de trás para se situar agora no terceiro pelotão, exibindo fôlego para apostar numa escalada que possa levá-lo ao pelotão da frente, ao contrário de Bira do Pindaré, que amarga uma tendência de queda na JPesquisa. Os números de agora sugerem que o candidato do Podemos entre em compasso de alerta, a começar pelo fato de que a soma dos percentuais dos demais candidatos é de 54 pontos percentuais, 14 a mais dos 40% que recebeu.

Outra informação trazida à tona pela JPesquisa a atenção foi Detinha, Franklin Douglas e Saulo Arcangeli serem duramente ignorados pelos entrevistados. A não pontuação da candidata do PL na pesquisa estimulada representa um duro golpe na ousada pretensão do deputado federal Josimar de Maranhãozinho de transformar a Prefeitura de São Luís na base principal do seu plano de chegar ao Governo do Estado. Há poucos dias, Josimar de Maranhãozinho fez declarações entusiasmadas a respeito do potencial de crescimento da candidatura de Detinha,   acrescentando acreditar que, “se Deus quiser”, ela será prefeita de São Luís, como foi de Centro do Guilherme. Na semana passada, a candidata do PL reclamou – com razão, diga-se -, da não inclusão do seu nome em outra pesquisa. O levantamento da JPesquisa leva à conclusão de que a inclusão do seu nome na outra pesquisa não faria muita diferença.

A pesquisa publicada pelo Jornal Pequeno trouxe um recado grave aos candidatos da esquerda radical, Saulo Arcangeli (PSTU) e Franklin Douglas (PSOL): eles não receberam nenhuma manifestação de intenção. A pancada mais forte foi no candidato do PSTU, um veterano de eleições, que já disputou a Prefeitura de São Luís, o Senado e o Governo do Estado, e pelo andar da carruagem, mostra que ele e seu partido nada aprenderam em matéria de luta pelo poder tendo as urnas como campo de batalha. O mesmo recado foi dado a Franklin Douglas e ao PSOL, com a diferença de que essa é a primeira vez que ele assume a tarefa de liderar o partido numa disputa majoritária.

Os números do JPesquisa indicam que a ciranda da disputa para a Prefeitura de São Luís está apenas iniciando os seus movimentos, que ficarão mais intensos a partir das convenções partidárias, que poderão ser realizadas no período de 31 de Agosto e 16 de Setembro.

Em Tempo: a pesquisa ouviu mil eleitores no período de 21 a 24 de Julho, tem margem de erro de 3%, para mais ou para menos, e está registrada na Justiça Eleitoral sob o protocolo MA-02519/2020.

 

PONTO & CONTRAPONTO

 

MDB “perdoa” traição e vai apoiar Assis Ramos em Imperatriz indicando Franciscano como vice

Assis Ramos 

O MDB decidiu adotar de vez o pragmatismo como base das suas articulações para as eleições municipais. O exemplo mais forte dessa postura está na posição que adotou em Imperatriz, onde decidiu relevar a traição ao partido, e indicará o empresário Franciscano como vice do prefeito Assis Ramos (DEM), candidato à reeleição. Até pouco tempo, a possibilidade de o partido compor com o prefeito era remota, principalmente incluindo a indicação do candidato a vice. E a explicação é simples: Assis Ramos elegeu-se prefeito em 2016 como candidato do MDB, com o apoio da ex-governadora Roseana Sarney e dos então senadores João Alberto e Edson Lobão. Pouco mais de um ano depois, o prefeito renegou sua origem política e rompeu com o MDB, deixou o partido e se filiou ao DEM. O rompimento tirou o MDB da sua base de apoio, ficando claro em pouco tempo que Assis Ramos cometeu um primário ao desmontar sua base e abrir mão do apoio do partido. Agora, quando se prepara para tentar a reeleição, Assis Ramos se dá conta de que sua situação não é boa e resolveu sinalizar uma trégua com o MDB. No comando das articulações do partido, o deputado Roberto Costa levou o MDB a fazer as pazes com o prefeito de Imperatriz e, de quebra, a indicar o vice, que será formalizado na convenção partidária de Setembro. Com o apoio do MDB, o prefeito ganha fôlego numa guerra em que está sendo bombardeado pelos ex-prefeito Ildon Marques (PP) e Sebastião Madeira (PSDB), ambos candidatos, e pelo deputado Marco Aurélio (PCdoB), que até aqui lidera as pesquisas de intenção de voto.

 

São José de Ribamar: reeleição de Eudes Sampaio pode enfrentar dificuldades

Eudes Sampaio  Julinho Matos e Jota Pinto

O comando do PTB foi alertado de que a corrida eleitoral em São José de Ribamar, que vinha sendo liderada com folga pelo prefeito Eudes Sampaio, corre o risco de sofrer alterações com a candidatura do ex-prefeito Júlio Matos, que tem o apoio dos Cutrim, e com o incremento do PDT à candidatura do ex-deputado Jota Pinto, apoiado pelo senador Weverton Rocha,  Eudes Sampaio continua liderando com folga, tem feito uma gestão de resultados, mas observadores atentos da cena pré-eleitoral da Cidade do Padroeiro disseram à Coluna que, mesmo com concorrendo no cargo e com o apoio integral do ex-prefeito Luís Fernando Silva, o prefeito caminha para ser reeleito com um pouco mais de dificuldade.

São Luís, 28 de Julho de 2020.

Advogados que migraram para a política dominam o leque de candidatos à Prefeitura de São Luís

 

De cima para baixo: os oito primeiros são advogados; os demais têm profissões diversas mirando o la Ravardière

Se prevalecer a tendência que está sendo indicada pelas pesquisas de intenção de voto, a Prefeitura de São Luís será comandada por um advogado. Isso porque dos 13 candidatos a despachar no gabinete principal do Palácio de la Ravardière, nada menos que sete saíram da Universidade com diploma de bacharel em Direito e um que é médico, mas está na iminência de se formar na área, enquanto os outros cinco formam um grupo representado por um administrador, uma assistente social, um pedagogo, um jornalista e um servidor público federal. Os bacharéis em Direito tendem a continuar no comando da Capital, à medida que um deles poderá substituir o prefeito Edivaldo Holanda Júnior (PDT), ele próprio um advogado que migrou para a política inspirado no pai, deputado Edivaldo Holanda (PTC), também advogado que se tornou político. Dos seis prefeitos eleitos a partir da redemocratização, só dois, Conceição Andrade (1992-1996) e Edivaldo Holanda Júnior (2013-2020) são advogados por formação. Gardênia Castelo é professora, Jackson Lago era médico, Tadeu Palácio é médico e João Castelo foi técnico em Administração.

O deputado federal Eduardo Braide, candidato do Podemos e até aqui líder nas preferências do eleitorado, é formado em Direito, tendo militado na advocacia antes de entrar para a política elegendo-se deputado estadual em 2010; foi usando seus conhecimentos de Direito que se tornou um produtivo legislador nos dois mandatos de deputado estadual e no de deputado federal em curso. O candidato Republicanos, Duarte Júnior, entrou na política depois de se revelar um advogado competente no comando do Procon-Ma, bem como professor no Curso de Direito da Universidade Ceuma; com base nos seus conhecimentos na área, tem atuado como ativo legislador no primeiro mandato de deputado estadual.

O deputado federal Rubens Júnior (PCdoB) tem sólida formação em Direito, tendo revelado sua densidade em dois mandatos de deputado estadual e dois mandatos – um em curso – de deputado federal, principalmente nas suas iniciativas como legislador; sua formação lhe deu cacife para um dos mais ativos e produtivos deputados federais na legislatura passada, como vice-líder do seu partido na Câmara Federal. Hoje deputado federal, depois de dois mandatos de deputado estadual, Bira do Pindaré sempre demonstrou seu lado de advogado militante, principalmente nas causas trabalhistas – foi presidente do influente Sindicato dos Bancários de São Luís – e nas questões de natureza social, como a defesa dos quilombolas, por exemplo.

Candidato do DEM, o deputado estadual Neto Evangelista é bacharel em Direito, tendo logo cedo a migração para a política, seguindo os passos do pai; suas produtivas atividades como parlamentar têm sido também resultado da sua formação advocatícia, que embasa as iniciativas como legislador. O candidato do PSL, Franklin Douglas, divide suas atividades profissionais como advogado, jornalista e professor universitário; mas atualmente tem na advocacia o principal campo de atuação profissional.

De todos os profissionais do Direito que disputam a Prefeitura de São Luís, o de atuação mais destacada é Carlos Madeira, candidato do Solidariedade, que entra na política após encerrar, por meio de aposentadoria voluntária, uma bem-sucedida carreira de juiz federal, condução na qual deu rumo a questões políticas bem complexas no Maranhão.

O bloco dos não-advogados começa com o deputado Yglésio Moises, candidato do PROS, que é médico renomado, com um sólido histórico de atuação na Medicina, mas que decidiu estudar Direito quando resolveu migrar para a política; o futuro advogado já mostra o resultado da sua formação em curso como um dos mais ativos legisladores da atual Assembleia Legislativa. O candidato do Rede, Jeisael Marx, é jornalista por formação, com dedicação integral à carreira como radialista, comandando programas de TV e de rádio, atuando também no jornalismo virtual como titular de um blog de notícias que leva seu nome.

Deputado estadual em segundo mandato, Adriano Sarney é formado em Administração, com viés para temas econômicos, conforme tem demonstrado na sua atuação na Assembleia Legislativa, com projetos e debates sobre o assunto. Já o deputado Wellington do Curso, candidato do PSDB, exibe no currículo aprovação em concurso público para Sargento do Exército, e formação em Pedagogia e Teologia, informando também que atua como professor no Curso Wellington, empresa especializada em preparação para concurso público por ele fundada.

Candidata do PL, a deputada estadual e ex-prefeita de Centro do Guilherme Maria Deusdete Lima Cunha Rodrigues, que adotou o nome político de Detinha, é a única mulher na corrida à Prefeitura de São Luís e tem formação em Serviço Social, de acordo com o que está registrado nos seus resumos biográficos. E o candidato do PSTU, Saulo Arcangeli, veterano de várias eleições sem sucesso, tem formação superior em Ciência da Computação, com atuação no serviço público federal como analista de sistema.

Mesmo levando em conta que corrida eleitoral é um movimento político com elevado teor de imprevisibilidade, as tendências do eleitorado mostradas pelas pesquisas realizadas até aqui sugerem que há, matematicamente, grande possibilidade de São Luís continuar sob o comando de um advogado, sem menosprezar o cacife dos demais. O que chama a atenção é que não há engenheiro, arquiteto nem urbanista na disputa.

 

PONTO & CONTRAPONTO

 

Trocas partidárias garantiram espaço de Aluísio Mendes no projeto de Eduardo Braide

Aluísio Mendes em reunião com Eduardo Braide: acerto partidário firmado ainda no ano passado

Não há nada de surpreendente no espaço que o deputado federal Aluísio Mendes (PSC) vai ocupando no âmbito da candidatura do deputado federal Eduardo Braide (Podemos) à Prefeitura de São Luís. A explicação está na solução partidária que Eduardo Braide encontrou para encaixar o seu projeto de candidatura. Ele comandava o PMN no Maranhão e era o único representante do partido na Câmara Federal. O partido foi pulverizado nas eleições de 2018, perdendo até o direito ao Fundo Partidário e ao Fundo Eleitoral, o que tornava inviável o projeto de candidatura. Eduardo Braide foi fortemente assediado por Josimar de Maranhãozinho para ser o candidato do PL em São Luís. Avaliou cuidadosamente o cenário e se deu conta de que, se por um lado poderia ter uma campanha sem problemas financeiros, por outro mergulharia no submundo da política como um preposto de Josimar de Maranhãozinho, que certamente tentaria dar as cartas na Prefeitura de São Luís, em caso de vitória nas urnas. Naquele momento, Aluísio Mendes tinha o comando do Podemos, partido no qual pretendia permanecer, mas tinha a opção de assumir o PSC, a convite do comando nacional do partido. Mas decidiu ceder o Podemos a Eduardo Braide, migrando para o PSC, estimulado pelo governador do Rio de Janeiro, Wilson Witzel, que veio a São Luís exclusivamente para referendar seu ingresso no partido. Assim, Eduardo Braide assumiu o controle do Podemos e passou as rédeas do PMN para seu irmão,  Braide, enquanto Aluísio Mendes se tornou o chefe maior do PSC no Maranhão, sucedendo ao ex-deputado Costa Ferreira, que controlou a legenda por muito anos. Na conversa em que acertaram as mudanças, Aluísio Mendes e Eduardo Braide fizeram uma série de pequenos acordos, entre eles o de que o PSC poderá indicar o candidato a vice-prefeito. A reunião de ontem, em que Aluísio Mendes apresentou candidatos do PSC a vereador, é indicativa de que essa aliança é bem mais ampla e solida do que alguns imaginam. E com um detalhe: Aluísio Mendes não renega sua origem sarneysista, mas tem dado seguidas demonstrações de que atua para construir o seu próprio caminho.

 

Pesquisa indica que Edivaldo Júnior terá peso na escolha do sucessor

Edivaldo Holanda Júnior: prestígio popular poderá ser decisivo na sua sucessão

Um dado da última pesquisa DataIlha chamou atenção. Na manifestação espontânea dos entrevistados a respeito de quem ele votaria para prefeito, o prefeito Edivaldo Holanda Júnior aparece em segundo lugar, só perdendo para Eduardo Braide, que ele derrotara em 2016. O fato de Edivaldo Holanda Júnior nã9 ser candidato à reeleição por já ser prefeito reeleito é uma informação de domínio público, não justificando que dezenas de entrevistados o tenham escolhido. O dado é indicador de que o prefeito de São Luís está surfando na popularidade, fruto do reconhecimento de um bom trabalho que realiza, apesar dos problemas causados pela pandemia do novo coronavírus, principalmente na receita municipal. O segundo lugar que lhe foi dado graciosamente por eleitores que gostariam de vê-lo (re)reeleito é um forte indicador de que Edivaldo Holanda Júnior terá muito peso na escolha do seu sucessor.

São Luís, 26 de Julho de 2020.