Candidatos vão às ruas e usam mensagens fortes na largada da corrida à Prefeitura de São Luís

 

Eduardo Braide, Duarte Júnior, Neto Evangelista, Rubens Júnior, Carlos Madeira e Yglésio Moises definiram motes de campanha na corrida à Prefeitura de São Luís

Intensa e animada, mesmo com as limitações impostas pelo novo coronavírus, a largada das campanhas dos agora 11 candidatos – Adriano Sarney (PV) desistiu – para a Prefeitura de São Luís. Os candidatos mais fortes – Eduard Braide (Podemos), Duarte Júnior (Republicanos), Neto Evangelista (DEM), Rubens Júnior (PCdoB) e Bira do Pindaré (PSB) – foram às ruas em coloridas e estridentes caminhadas, carreatas e bandeiraços. Os candidatos menos favorecidos pela preferência do eleitorado, segundo as pesquisas – Carlos Madeira (Solidariedade), Jeisael Marx (Rede), Yglésio Moises (PROS), Franklin Douglas (PSOL), Hertz Dias (PSTU) e Silvio Antônio (PRTB) –, e duramente limitados pela falta de suporte político e partidário, se movimentaram como puderam – com caminhadas, cafés da manhã com apoiadores, reuniões comunitárias e recados em redes sociais. Os primeiros momentos da corrida confirmaram o desenho, que agora ganha cores mais fortes com a chegada ao público dos motes de campanha, enfatizados nas peças que começam a chegar ao conhecimento do eleitor.

Líder na preferência do eleitorado, segundo as pesquisas feitas até aqui, Eduardo Braide, que tem como base partidária a aliança Podemos-PSD-PSC-PMN, aposta num discurso para sensibilizar o eleitorado de que, por não o ter elegido em 2016, deve fazê-lo agora. “Não deu na outra vez, mas vai dar agora”, diz o seu jingle, que o indica recorrendo ao verso mais comum em mensagens eleitorais em todo o País: “… é o prefeito que a gente espera pra gente ser feliz”. A primeira peça de campanha é simples, sem afetação e sem exagero, com música e refrão que tem tudo para pegar.

Seu adversário mais próximo – também segundo pesquisas -, Duarte, que disputa pela coligação Republicanos-PL-Patriotas-Avante, tirou o Júnior para consolidar uma identidade política sem ligação familiar. Sua música de campanha tem por base um mote diferenciado, a convocação “Bora resolver”. Duarte se apresenta como “filho do povo”, estocando seus adversários mais próximos ao declarar que não é filho de político, que trabalhou desde cedo para vencer na vida, e que tem experiência administrativa demonstrada nos resultados da sua badalada gestão à frente do Procon e do Viva Cidadão com a qual se destacou na equipe do governador Flávio Dino. Ele também recorre a um mote surrado: “Duarte prefeito, São Luís tem jeito”.

O candidato Neto Evangelista, embalado pela coligação DEM-PDT-MDB-PSL, surpreendeu ao recorrer ao mais antigo apelo utilizado por candidatos à Prefeitura de São Luís nas últimas décadas: registrar em cartório um documento contendo as suas principais promessas de campanha, que chamou de “Carta de Compromissos”. O ato é uma estratégia nacional do DEM. Ao mesmo tempo, Neto Evangelista toca num ponto sensível: lembra que agora é a vez da sua geração ter a oportunidade, mas dedicando “todo respeito aos que vieram antes”. E arremata afirmando que pretende fazer a cidade “como a gente sonha de verdade”.

Por seu turno, Rubens Júnior, que está na corrida liderando a aliança PCdoB-PT-Cidadania-PMB-DC, municia sua candidatura com três símbolos, dois políticos e vivos e um espiritual, sendo os dois primeiros suas fontes de apoio e de inspiração. A primeira referência é o governador Flávio Dino, que destaca como o líder que segue o no qual se inspira como político e como gestor. A segunda é o ex-presidente Lula, que o ensinou a governar para os mais pobres. E a referência espiritual é o Divino Espírito Santo. Nas suas manifestações, Rubens Júnior tem feito questão de deixar claro que nasceu e cresceu em São Luís, que apresenta como “a minha cidade”.

Entre os demais candidatos, destaca-se o mote de campanha de Carlos Madeira (Solidariedade), que pede aos seus simpatizantes que convençam “mais um” a segui-lo, certo de que esse somatório pode gerar uma onda a seu favor. Por sua vez, Yglésio Moises (PROS) divulgou um forte e comovente vídeo no qual pessoas do povo, sem maquiagem, se identificam, até que o candidato diz: “Eu sou Yglésio e quero ser você na Prefeitura de São Luís”.

Salvo as manifestações de pré-campanha, os demais candidatos não trouxeram – até ontem – peças de campanha. Mas ninguém duvida que elas estão a caminho e que trarão recados fortes para seduzir o escolado eleitorado de São Luís.

 

PONTO & CONTRAPONTO

 

Saída de Adriano Sarney pode beneficiar Eduardo Braide, mas base pode se pulverizar

Adriano Sarney: fora da disputa

Um fato assanhou todos os QGs de campanha na Capital: a retirada da candidatura de Adriano Sarney (PV), anunciada em carta divulgada no Domingo, numa reviravolta surpreendente que, em tese, pode mexer fortemente no quadro das preferências do eleitorado, e, também em tese, pode municiar o candidato do Podemos a vencer a eleição em um só turno.

Com bom preparo em economia e exercendo um mandato politicamente equilibrado, mas com apenas seis segundos de tempo de rádio e TV, nenhuma estrutura de campanha, sem o aval da família e rifado dos debates nas TVs locais, o deputado estadual Adriano Sarney, o neto do ex-presidente José Sarney (MDB) colocou os pés no chão e compreendeu que, se em situação normal suas chances já seriam remotas, nas condições que se apresentaram elas chegaram a zero. Ciente de que manter a candidatura seria um esforço inócuo, que poderia alimentar e até aumentar sua base de eleitores, mas com custos  muito elevados, portanto uma jogada de risco que poderia terminar com um monumental desastre, Adriano Sarney sai com os pés no chão.

O problema é que deixa no vácuo uma chapa com 40 candidatos a vereador (ver Coluna anterior), que agora sem um candidato majoritário para galvanizar suas campanhas, tendem a se articular em bloco em torno de outro candidato, ou se espalhar sem controle entre várias candidaturas.

A retirada sugere algumas indagações: Adriano Sarney vai declarar apoio a algum candidato? Se o fizer, levará junto os 4% de intenções de voto revelados pelo Ibope, equivalentes a 27 mil sufrágios, fatia suficiente para decidir uma eleição. O mais provável é que, por não formarem um bloco compacto, os apoiadores do ex-candidato do PV se dispersem ao longo da campanha, podendo parte deles, por afinidade política e ideológica, venham a fazer opção pela candidatura de Eduardo Braide.

 

Candidato do PSOL a prefeito de São Luís faz uma campanha diferenciada

Franklin Douglas – centro, camiseta branca – reunido com posseiros do Cajueiro  no início da campanha

O candidato do PSOL a prefeito de São Luís, Franklin Douglas, abriu sua campanha no Cajueiro, um pedaço de terra na Ilha marcado por um conflito entre posseiros e o projeto da construção do Porto São Luís, um empreendimento milionário de empresas chinesas apoiado pelo Governo do Estado. A julgar pelas imagens divulgadas por Franklin Douglas – que é advogado e professor universitário da área de Comunicação -, o evento reuniu pouco mais de duas dezenas de pessoas. Vale a pergunta: o que levou o candidato do PSOL iniciar sua campanha ali, quando o objetivo de qualquer candidato é mobilizar a grande massa eleitoral? E mais: o que motivou o candidato do PSOL se apresentar aos remanescentes da antiga comunidade do Cajueiro usando camisetas com a esfinge da vereadora carioca Marielle (PSOL), assassinada brutalmente há dois anos no Rio de Janeiro? Político aguerrido, que mantém o PSOL quase que na linha da extrema esquerda, Franklin Douglas deve saber o que está fazendo ao recorrer a essa linha de ação para chegar ao Palácio de la Ravardière.

São Luís, 29 de Setembro de 2020.

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