Vereador: 31 partidos lançaram 976 candidatos numa guerra que pode mudar Câmara de São Luís

 

Grande parte da atual composição da Câmara Municipal de São Luís poderá ser mudada na urna eletrônica em Novembro

Em paralelo à dura, complicada e imprevisível disputa para a Prefeitura de São Luís, que está sendo travada por 12 candidatos, uma guerra menos estridente, mas igualmente intensa, está movimentando um exército de 976 candidatos de 31 partidos para as 31 cadeiras da Câmara Municipal de São Luís, o que significa um confronto de nada menos que 31,9 aspirantes por vaga. Esse elevado número de postulantes à vereança ludovicense decorre do fato de que, ao contrário da eleição majoritária, a eleição proporcional não permite coligações, obrigando os partidos a lançarem suas próprias chapas à vereador, para travarem uma disputa à parte, na base do cada um por si, independentemente das alianças em torno dos candidatos a prefeito. Esse novo formato produziu um desenho diferente, que põe em xeque o poder de fogo dos grandes partidos, ao mesmo tempo em que abre caminho para uma ampla renovação na composição do Poder Legislativo da Capital.

O fim das coligações proporcionais não eliminou a possibilidade de candidatos de alianças contarem com o apoio de um número bem maior de candidatos a vereador, o que pode significar uma vantagem expressiva, se levado em conta o fato de que eles funcionam como cabos eleitorais importantes, com poder de ramificar as candidaturas majoritárias.

De acordo com as chapas registradas, os partidos que apoiam o candidato Eduardo Braide (Podemos, PSDB, PSC, PSD e PMN) registraram 167 candidatos a vereador; já os partidos aliados a Duarte Júnior (Republicanos, Patriotas, PL e Avante) lançaram 161 candidatos; os apoiadores de Rubens Júnior (PCdoB, PT, Cidadania, PMB e DC) registraram 156 candidatos; e DEM, PDT, PSL e MDB, que apoiam Neto Evangelista, entraram na briga com 135 candidatos a vereador. Ou seja, os quatro candidatos que disputam a Prefeitura com força partidária contam com o apoio de 619 candidatos à Câmara Municipal, sobrando somente 357 candidatos para os outros oito candidatos ao Palácio de la Ravardière, contando cada um com um partido.

Não será uma guerra fácil. Pela regra em vigor, com São Luís abrigando 699.954 eleitores, para a eleição de um vereador o partido precisará, em tese, que todos os seus candidatos totalizem 22.579 votos, garantindo a vaga ao mais votado. Na prática, esses números caem, expressivamente ou não, dependendo do número de abstenções. Na eleição de 2016, por exemplo, os 31 vereadores eleitos totalizaram pouco mais de 120 mil votos, sendo que o mais votado, Osmar Filho (PDT), recebeu 9.809 votos, e o da rabeira, César Bombeiro (PSD), entrou com pífios 2.248 votos, o que resultou numa média de 3.875 votos para cada vereador eleito.

As mudanças nas regras, o aumento do eleitorado e o desempenho pouco expressivo da atual Câmara Municipal de São Luís indicam que a eleição de um vereador será bem mais complicada e difícil do que nas disputas anteriores. Mas ainda permanecem fortes os sinais de que há no parlamento municipal uma espécie de elite cujos membros continuarão renovando seus mandatos: Osmar Filho (PDT), Astro de Ogum (PCdoB), Ivaldo Rodrigues (PDT), Raimundo Penha (PDT), Afonso Manoel (Solidariedade), Aldir Júnior (PL), Chico Carvalho (PSL), Dr. Gutemberg (PSD), Isaías Pereirinha (PSL), entre outros. Na avaliação de alguns observadores, a entrada de nova geração na disputa pelo comando político e administrativo da Capital, motivou muitos ludovicenses dos mais diversos campos de atuação a entrar na guerra por mandato parlamentar, devendo proporcionar uma renovação que pode chegar a 60% das 31 cadeiras da Câmara Municipal de São Luís.

Em Tempo: O número de candidatos por partido é o seguinte: PSL (58), Patriotas (47), PRTB (44), PL (43), Avante (42), PTB (41), Podemos (41), PSC (41), PSB (40), PV (40), DC (40), PP (38), PMN (38), DEM (37), PTC (36), Solidariedade (34), PCdoB (33), PMB (31), PSDB (30), Republicanos (29), PT (27), Cidadania (25), PDT (23), PSD (23), Rede (18), MDB (17), PSOL (14), Novo (9), PSTU (6), PROS (4) e PCO (1).

 

PONTO & CONTRAPONTO

 

Chapas de candidatos à Câmara Municipal guardam estratégias e projetos diversos

Maranhãozinho: turma de candidatos sem votos para badalar seu nome

Na corrida à Câmara Municipal de São Luís alguns dados chamam a atenção. O primeiro deles é o número de candidatos lançados pelo PL, Patriotas e Avante, partidos diretamente controlados pelo deputado federal Josimar de Maranhãozinho: 132 candidatos, que representam nada menos que 14% do número total de candidatos lançados pelos 31 partidos. É óbvia a ousada e cara estratégia de usar esses candidatos, cuja esmagadora maioria não têm os votos da rua onde residem, como propagadores do parlamentar, que está aproveitando as eleições municipais para tentar emplacar sua pré-candidatura ao Governo do Estado em 2022. Nada desmente essa conclusão.

Outro dado interessante é a parcimônia dos partidos mais fortes no número de candidatos a vereador. O PDT, por exemplo, que tem uma chapa forte, lançou apenas 23 candidatos, menos da metade dos 62 a que tinha direito. O PT, por seu turno, registrou 27 candidatos, que vão brigar pela vaga aberta pelo vereador Honorato Fernandes, candidato a vice na chapa de Rubens Júnior. Outro gigante partidário, o MDB surpreendeu lançando uma chapa de 17 candidatos a vereador. Mas o número de candidatos mais surpreendente é do PROS, que lançou apenas quatro candidatos a vereador, menos que o PSTU (9). Neste quesito, o partido de Yglésio Moises só está à frente do inacreditável PCO (Partido da Causa Operária), que tentará pregar a ditadura do proletariado em São Luís com apenas um candidato a vereador.

 

Começa hoje a campanha de fato com a liberação da propaganda e a realização de atos públicos

Neto Evangelista anunciou que abre hoje campanha com caminhada no São Francisco

A corrida às urnas tem neste Domingo a sua largada decisiva. De acordo com o Calendário Eleitoral, nesta data, 27/09, começa, de fato, a campanha eleitoral com a abertura do período de propaganda eleitoral. O que será permitido a partir de agira é o seguinte:

Propaganda eleitoral, inclusive na internet, podendo os candidatos usar, até 14 de Novembro, das 08h às 22h, autofalantes ou amplificadores de som, com os limites previstos na legislação.

A partir de hoje, até 12 de Novembro, os candidatos poderão realizar comícios com a aparelhagem de som fixa, das 08h às 24h, podendo o horário ser prorrogado por mais duas horas no comício de encerramento de campanha.

A partir de hoje, os candidatos poderão distribuir material gráfico e realizar caminhada, passeata e carreata, acompanhados ou não por carro de som.

De hoje até 13 de Novembro, serão permitidas a divulgação paga, na imprensa escrita, e a reprodução na internet do jornal impresso, de até 10 (dez) anúncios de propaganda eleitoral, por veículo, em datas diversas, para cada candidato, no espaço máximo, por edição, de 1/8 (um oitavo) de página de jornal padrão e de 1/4 (um quarto) de página de revista ou tabloide.

De agora em diante não será permitida a realização de enquetes relacionadas ao processo eleitoral.

São Luís, 27 de Setembro de 2020.

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