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Assembleia Legislativa: bom desempenho político e forte articulação devem dar novo mandato de presidente a Othelino Neto

“Nós defendemos a permanência de Othelino Neto na presidência da Assembleia”. Pronunciada com todas as letras e em alto e bom som pelo deputado reeleito Zé Inácio (PT), a declaração colocou a eleição da Mesa Diretora da nova Assembleia Legislativa na cabeça da pauta das frenéticas conversas que desde a noite de Domingo (7) estão sacudindo os bastidores do Poder Legislativo devido à movimentação dos eleitos e reeleitos. A iniciativa de Zé Inácio, que usou o pronome “Nós”, é um indicador claro de que essa posição é compartilhada pela maioria da bancada governista, que deixará o grande embate pelo comando da Casa para fevereiro de 2021, de olho na corrida sucessória de 2022, quando o governador Flávio Dino deve deixar o cargo para concorrer ao Senado. Quando então, ele deverá passar o comando do Estado ao vice-governador Carlos Brandão, o que turbinará o cargo de presidente do Poder Legislativo, já que ele terá também a prerrogativa de ser vice-governador. Nesse contexto, o deputado Othelino Neto, o quinto mais votação, vem exercendo o comando da Casa com habilidade política e eficiência gerencial, motivando assim manifestações como a do deputado reeleito Zé Inácio.
A tendência evidente no sentido de que o deputado Othelino Neto seja eleito para comandar a Casa no primeiro biênio da próxima legislatura é perfeitamente explicada pelo cenário produzido pelas urnas. Ele saiu da corrida eleitoral como um dos grandes vencedores, com papel relevante na formação da bancada governista, que será composta por mais de 30 dos 42 deputados. O presidente substituiu a um líder forte, o deputado Humberto Coutinho (PDT), gerando a expectativa de que seria abafado por comparações. Só que em pouco tempo o substituto se impôs de tal maneira que ganhou personalidade e ocupou plenamente o espaço presidencial, atuando como um político maduro, com os pés no chão, equilibrado e sem se deixar seduzir pela tentação dos excessos.
O “exército” governista que movimentará a Assembleia Legislativa tem nomes credenciados para presidir a Casa, como o ex-presidente Marcelo Tavares (PSB), que está de volta; o deputado Marco Aurélio (PCdoB), com forte liderança no Sul; o oposicionista Arnaldo Melo (MDB), ex-presidente que retorna à Casa, bem como Cleide Coutinho (PDT), líder entre os mais votados. Nenhum deles reúne as condições do presidente Othelino Neto, cujo cacife começa pelo aval já sinalizado pelo governador Flávio Dino.
Todos os sinais emitidos pelo Palácio dos Leões indicam que a bancada governista receberá orientação para garantir novo mandato ao presidente. Antes disso, com habilidade no jogo dos bastidores, onde já revelou boa capacidade de articulação, o presidente conversa com apoiadores e se movimenta para atrair apoio, inclusive no grupo que deverá ser definido como a bancada da Oposição. Difícil, portanto, mudar a tendência que o tem como referência.
PONTO & CONTRAPONTO
Edison Lobão reconhece o resultado das urnas e agradece ao povo pela trajetória

O senador Edison Lobão (MDB) divulgou ontem nota endereçada ao povo maranhense para agradecer-lhe pelos 40 anos de vida pública durante os quais atuou como detentor de mandato popular – dois de deputado federal, quatro de senador e um de governador, em meio aos quais comandou o Ministério de Minas e Energia e presidiu o Senado. Eis a nota do senador:
Povo querido do Maranhão,
Encerrada a campanha eleitoral, venho agradecer a cada maranhense, aos brasileiros do Maranhão, os votos de confiança e esperança que recebi de cada um de vocês.
Como tenho feito repetidas vezes ao longo de minha vida pública, visitei todos os municípios e neles recebi o carinho do povo, vi de perto suas necessidades e compartilhei suas esperanças. E tínhamos plena confiança na vitória.
Lamentavelmente, não logramos a vitória esperada.
No entanto, respeito o resultado das urnas e desejo êxito aos que se elegeram.
Sairei do mandato parlamentar sem qualquer ressentimento e com a segurança de que servi ao povo do Maranhão que sempre foi a minha causa.
Agradeço por cada voto recebido, e quero dizer que continuarei na luta, como uma sentinela incansável em defesa do Maranhão e do povo maranhense.
Serei sempre fiel e grato à confiança dos que, ao longo de minha vida pública, me fizeram duas vezes deputado, governador, quatro vezes senador da República e Ministro de Estado.
Que Deus nos abençoe.
Muito obrigado.
A nota faz justiça ao povo maranhense, com quem manteve uma parceria produtiva ao longo dessas quatro décadas. Nesse período, Edison Lobão notabilizou-se pelo talento político, que usou para refinar sua habilidade e sua postura, marcada pela afabilidade, pela gentileza e pela civilidade e, principalmente, pela eficiência das suas ações políticas. Lobão sai da vida pública como entrou, sem trombetear vitórias nem choramingar derrota, respeitando o pronunciamento das urnas como faz um democrata, posicionado à direita liberal, mas fiel respeitador das instituições. Fez a sua parte, à sua maneira.
Efeito Bolsonaro: Chico Carvalho tenta brecar Maura Jorge, mas pode ser brecado por Pará Figueiredo

A ex-prefeita Maura Jorge se movimenta no segundo turno da eleição presidencial como quem está cumprindo uma delegação do candidato do PSL, Jair Bolsonaro, que caminha para ser o próximo presidente da República, segundo apontam as pesquisas. Mas seus movimentos estão sendo desautorizados pelo comando do PSL no Maranhão, que não está disposto a permitir que ela capitalize os 245.876 votos que recebeu nas urnas. À frente do partido está o vereador Chico Carvalho, um político que sabe jogar o xadrez do poder e não está nem um pouco inclinado a dividir o comando da legenda bolsonarista com a ex-prefeita de Lago da Pedra, caso o candidato do seu partido seja vitorioso no dia 27. Se consegue inibir os gestos de Maura Jorge, Chico Carvalho dificilmente terá força suficiente para brecar os movimentos do deputado estadual eleito Pará Figueiredo (PSL), um jovem que certamente ocupará espaço de peso no cenário de um eventual Governo de Jair Bolsonaro.
São Luís, 10 de Outubro de 2018.
Vitória nas urnas “escala” Weverton Rocha, Josimar Maranhãozinho, Rubens Jr., Edivaldo Jr. e Eduardo Braide na corrida aos Leões em 2022

A presença informal do deputado federal e senador eleito Weverton Rocha (PDT) e do deputado estadual e deputado federal eleito Josimar Maranhãozinho (PR) no plenário da Assembleia Legislativa, logo após o encerramento da sessão de ontem pelo presidente e deputado reeleito Othelino Neto (PCdoB), motivou rodas de conversa a especularem sobre a corrida ao Palácio dos Leões em 2022. Além dos dois, no campo liderado pelo governador Flávio Dino (PCdoB) são apontados como nomes certos na briga pelo Governo do Estado o deputado estadual e deputado federal eleito Eduardo Braide (PMN), o deputado federal reeleito Rubens Jr. (PCdoB), e o prefeito Edivaldo Holanda Jr. (PDT), que vem dando bons passos no comando da Prefeitura de São Luís.
O senador eleito Weverton Rocha é discreto quanto ao seu projeto de suceder o governador Flávio Dino, evitando falar no assunto sob a alegação de que não é momento, mas nos bastidores da aliança governista, pelo menos oito entre dez figuras influentes o apontam como um nome forte para a sucessão estadual. Jovem e arrojado, Weverton Rocha vem dando seguidas demonstrações de habilidade, poder de articulação, determinação e faro político apurado, além de ter sido forjado nos embates do movimento estudantil. Um exemplo: manteve o PDT vivo no Maranhão após a morte do governador Jackson Lago, destacou-se na Câmara Federal, exercendo a liderança da bancada do PDT e, mais recentemente, a bancada da Minoria, posicionando-se sempre em sintonia com o governador Flávio Dino. Observadores atentos acreditam que, caso ele resolva mesmo entrar na disputa, será páreo duro na escolha do candidato e, se escolhido, na corrida eleitoral.
Nas conversas de ontem, o deputado Josimar Maranhãozinho, embalado pelo recorde de votos que o tornou campeão na corrida pelas cadeiras da Câmara Federal, repetindo o campeonato na eleição para a Assembleia Legislativa em 2014, não escondeu que projeta candidatar-se ao Governo do Estado no próximo pleito. Dono de um controvertido estilo de fazer política, que tem na ponta da língua o argumento de que montou estrutura de campanha em mais de 100 municípios e foi votado em 216 – uma média de 920 votos por município -, elegendo a mulher, Detinha (PR), deputada estadual com a maior votação – mais de 90 mil votos -, Josimar Maranhãozinho é uma figura ímpar no tabuleiro político maranhense. E se mantiver a “fórmula” que lhe dá campeonatos de votação, deve ser levada em conta em qualquer articulação visando o Palácio dos Leões.
Todas as especulações sobre a sucessão estadual apontam também o deputado federal reeleito Rubens Jr. como uma das cartas fortes no baralho do governador Flávio Dino, de quem é aliado de primeira hora. É jovem, dinâmico, competente como parlamentar, foi autor de projetos de lei importantes e voz respeitada na bancada do PCdoB e ouvida com atenção por todos os segmentos da Câmara Federal. Hoje peça importante na cúpula do movimento dinista, Rubens Jr. trabalha duro no projeto de tornar possível a sua candidatura. Sabe que a concorrência é forte e que qualquer derrapada poderá ser politicamente fatal. Daí sua postura ainda discreta em relação ao tema.
Ainda no campo governista, o prefeito eleito e reeleito de São Luís, Edivaldo Holanda Jr. é carta importante nos planos do governador Flávio Dino. Político hábil, determinado e com boa formação – é advogado – o prefeito Edivaldo Jr. tem cacife para pleitear a vaga de candidato ao Governo do Estado. Leal aos compromissos que firmou com o governador, o prefeito sabe que não é carta fora do baralho; ao contrário, é um dos aspirantes cujo projeto de chegar ao comando do Governo estadual deve ser levado a sério pelos demais candidatos a candidato.
No campo oposicionista, o deputado federal eleito Eduardo Braide é, até aqui, a única voz em movimento na direção do Palácio dos Leões. É verdade que ele próprio admite que o seu próximo passo será disputar a Prefeitura de São Luís na sucessão do prefeito Edivaldo Jr., mas todas as especulações o apontam também como potencial candidato a governador, sob o argumento de que ele é o único do campo contrário ao campo dinista. Dono de uma trajetória que não tem cacique por trás, o deputado Eduardo Braide vem dando seguidas demonstrações de que é, de fato, um dos mais destacados membros da geração que está chegando ao poder, como demonstraram os pleitos mais recentes, como a disputa para Prefeitura de São Luís, cujo desempenho o arremeteu para lista de possibilidades para o para o Governo do Estado, no caso de o projeto municipal não sair do papel. Outro nome do campo oposicionista cotado para disputar o Palácio dos Leões é o deputado estadual e deputado federal eleito Edilázio Jr. (PSD), um político jovem e ousado, que é hoje o nome mais destacado do Grupo Sarney, que quase foi dizimado nas eleições de Domingo.
É esse o rascunho do momento da corrida ao Palácio dos Leões em 2022.
PONTO & CONTRAPONTO
João Alberto saiu ileso e com ganhos políticos reais da guerra eleitoral em que o sarneysismo foi fulminado

De todos os líderes do Grupo Sarney, o senador João Alberto (MDB) foi o único que sobreviveu ao tsumani que praticamente dizimou o Grupo Sarney nas eleições de Domingo. O ex-presidente José Sarney (MDB) viu os dois filhos, Roseana Sarney (MDB) e Sarney Filho (PV), implacavelmente derrotados nas urnas, e o senador Edison Lobão (MDB) não conseguiu renovar o mandato nem viu aliados próximos – como Márcio Coutinho, candidato a deputado federal – conseguirem mandatos proporcionais. O senador João Alberto, ao contrário, sobreviveu à catástrofe eleitoral intacto e com alguns ganhos, pois terá sua aposentadoria política carimbada no dia 31 de Dezembro sem o trauma violento de uma derrota acachapante, já que não disputou votos e seu mandato expirará exatamente naquela data, garantindo que ele vá para casa com a sensação de que sairá da vida pública sem ser despachado. Além disso, João Alberto caminha para a sua aposentadoria com sabor de vitória, com seu filho e herdeiro político, deputado federal João Marcelo (MDB), reeleito, e seu aliado de primeira hora, deputado estadual Roberto Costa (MDB), também. E pelo andar da carruagem, poderá, ainda, comemorar a reeleição do prefeito Edivan Brandão para a Prefeitura de Bacabal, cujo pleito suplementar será realizado no dia 27, juntamente com o segundo turno da eleição presidencial. Um desfecho justo para um político vitorioso, que em cinquenta anos de vida pública foi deputado estadual, deputado federal, prefeito (Bacabal), vice-governador, governador e senador, e que em mais de uma dezena de eleições, só não foi vitorioso duas vezes, uma para deputado federal nos anos 70, e uma para prefeito de São Luís em 1992. Portanto, se dedicará nos próximos dois meses a limpar as gavetas, certamente embalado por uma sensação de dever cumprido, já que não há mancha nem rasura ética na sua biografia.
Weverton Rocha e Othelino Neto vão à Famem agradecer apoio de prefeitos e reafirmar compromissos

Ainda curtindo a “ressaca” das comemorações da sua eleição para uma das cadeiras maranhenses no Senado na chapa comandada pelo governador Flávio Dino, o deputado federal chefe maior do PDT no Maranhão, e o presidente da Assembleia Legislativa, deputado reeleito Othelino Neto (PCdoB), cumpriram ontem o primeiro compromisso de campanha ao visitar a Federação dos Municípios do Maranhão (Famem). Foram recebidos com entusiasmo pelo presidente em exercício, Djalma Melo, prefeito de Arari, e pelo prefeito de Tuntum, Cleomar Tema (PSB), presidente titular da entidade, que está licenciado. A visita aconteceu no final da manhã.
“Conforme havia prometido, de que viria a essa entidade, na terça-feira após a eleição, aqui estou, agradecendo o apoio da maioria dos prefeitos que me garantiram a vitória e dizer que serei um senador municipalista. Conheço o drama enfrentado pelos prefeitos, que ao longo do tempo lutam por um pacto federativo que nunca se concretiza”, declarou Weverton Rocha.
Weverton Rocha e o deputado-presidente Othelino Neto (PCdoB) estavam acompanhados dos deputados reeleitos Zé Inácio (PT), Glalbert Cutrim (PDT) e Carlinho Florêncio (PCdoB), e do vereador e atual secretário de Articulação Política da Prefeitura de São Luís, Ivaldo Rodrigues (PDT), que representou o prefeito Edivaldo Jr. (PDT).
Cleomar Tema e Djalma Melo, que apoiaram a candidatura do senador eleito, reafirmaram seus compromissos com Weverton Rocha, que retribuiu acrescentando que todos os prefeitos maranhenses continuarão tendo um gabinete em Brasília.
“Sempre estive na luta ao lado dos prefeitos. As Marchas a Brasília continuarão com meu total apoio. Vocês podem contar comigo”, afirmou Weverton Rocha, que destacou a vitória do governador Flávio Dino, a sua vitória, a de Eliziane Gama e dos que formarão a maioria na bancada federal e na Assembleia Legislativa. Para ele, a vitória representa uma expressiva e decisiva mudança no cenário político do Maranhão.
“O Maranhão agora terá dois senadores. Dois parlamentares que estarão lutando pelo estado e pelo seu povo. Agora se encerra aquele ciclo de se montar chapa com parentes e com financiadores de campanha. Eu e a Eliziane temos um compromisso, de, ao lado do governador Flávio Dino, estabelecermos uma pauta desenvolvimentista para o Maranhão”, destacou.
Os líderes da entidade municipalista demonstraram forte otimismo com a visita e com o que foi dito pelos líderes parlamentares.
São Luís, 08 de Setembro de 2018.
A Coluna será atualizada nesta Quarta-Feira, 10/10/2018.
Flávio Dino é reeleito, faz os dois senadores, despacha de vez o Grupo Sarney, fecha a transição e dá nova cara política ao Maranhão

O resultado das urnas desenhou ontem nova cara política para o Maranhão. A reeleição do governador Flávio Dino (PCdoB), com 1.867.396 votos (59,29%) em turno único e a eleição de Weverton Rocha (PDT) com 1.997.443 e Eliziane Gama (PPS) com 1.539.916 votos para o Senado da República consumaram, de maneira contundente e indiscutível, o processo de transição política com a derrocada completa do Grupo Sarney. A derrota arrasadora da ex-governadora Roseana Sarney (MDB) com 947.191 votos (30,07%) e o desempenho sofrível do deputado federal e ex-ministro Sarney Filho (PV) com 752.893 votos, assim como o insucesso do senador Edison Lobão (MDB) com 752.893 votos na corrida senatorial funcionaram como ponto final no longo domínio do Grupo Sarney no cenário político estadual.
Com a vitória maiúscula que alcançou, o governador Flávio Dino consolidou sua liderança, teve seu Governo aprovado pela esmagadora maioria dos maranhenses e ganhou aval para dar prosseguimento ao projeto de poder cujo rumo será em parte definido no segundo turno da eleição presidencial. O desfecho foi desenhado e concretizado também com a vitória da coligação dinista – “Todos pelo Maranhão” – no campo proporcional, formando a maioria da bancada na Câmara Federal e reafirmando o controle da Assembleia Legislativa.
O pronunciamento das urnas neste 7 de Outubro deu forma definitiva ao ponto culminante de um processo – vale ainda lembrar – iniciado em 2006 com a histórica eleição do governador Jackson Lago (PDT), interrompida em 2009 com a derrubada do seu Governo, e retomada em 2014 com a primeira eleição de Flávio Dino. Primeiro porque em cinco décadas um Governo surgido inteiramente na Oposição e por um líder da nova geração não cumpre seu mandato e se renova derrotando o Grupo Sarney com ações políticas íntegras e lícitas e em corridas eleitorais realizadas sem rasteiras nem truques. E mais do que isso, dando espaço de liderança para maranhenses sem chefes nem padrinhos, como próprio governador Flávio Dino e os senadores eleitos Weverton Rocha e Eliziane Gama, de origem modesta nascidos políticos nas forjas do movimento estudantil.
Já abalado desde a dura derrota sofrida em 2014, que o colocou na rota de uma crescente e visível perda de poder, o ex-presidente José Sarney (MDB) apostou todas as suas fichas numa cartada definitiva ao lançar a ex-governadora Roseana Sarney à luta pelo Governo e o deputado federal Sarney Filho a uma das vagas no Senado. José Sarney montou assim uma equação que poderia eleger os dois, o que significaria a sobrevivência plena do Grupo, mas calculando que a vitória dos dois ou de apenas um deles os manteria de pé. Ela no Governo cuidaria de restaurar os instrumentos de poder para seguir em frente; a eleição do ex-ministro do Meio Ambiente daria ao sarneysismo a possibilidade de se regenerar para tentar voltar ao comando em 2022. As urnas, no entanto, mostraram que o ex-presidente não pesou nem mediu a jogada com a precisão de antes, à medida que subestimou o poder de fogo do adversário.
Certo de que, se descuidasse, enfrentaria barra pesada na corrida às urnas, o governador Flávio Dino se movimentou como um líder que cultiva princípios e mergulhou no trabalho para cumprir praticamente todos os compromissos que assumira na campanha de 2014, levando a cabo uma arrojada obra de Governo de viés fortemente social. Ao mesmo tempo atuou forte no plano da política dentro e fora do estado, transformando-se numa das vozes mais acreditadas da esquerda brasileira, principalmente na batalha do impeachment da presidente Dilma Rousseff (PT) e no confronto aberto que assumiu para salvar o ex-presidente Lula da Silva (PT) da condenação e da cadeia. Mediu cada passo e cada palavra, dando a eles o comprimento e o tom certos, respeitando principalmente a coerência, agindo como um político que tem um lado, uma linha ideológica clara e uma base doutrinária forte. Mas atua pragmaticamente quando os interesses do Maranhão e sua gente estão em jogo.
Ontem, na entrevista que concedeu logo após a confirmação da sua vitória nas urnas, Flávio Dino deu mais uma eloquente demonstração de que tem os pés no chão. Provocado por jornalistas sobre eleição presidencial, ele anunciou, sem titubear, que a partir de hoje entrará em campanha aberta pela eleição de Fernando Haddad (PT), que recebeu 2.059.583, o equivalente a 61,24% dos votos maranhenses. E perguntado sobre uma eventual vitória de Jair Bolsonaro (PHS), que foi votado por 817.070, 24,30% da votação e que tem vociferado contra a esquerda, o governador respondeu tranquilo que não tem problema e que vai dialogar em defesa dos interesses do Maranhão.
Uma das mais tranquilas e imprevisíveis dos últimos tempos, as eleições de ontem mostraram, de maneira nítida e eloquente, que o Maranhão fechou um longo ciclo da sua vida política e administrativa. O governador Flávio Dino e a aliança que comanda foram chancelados pelas urnas, que com a mesma eloquência tirou de cena, pelo visto para sempre, o mais importante, poderoso e influente político que o Maranhão já produziu e, junto com ele, a mais implacável máquina de poder que o estado já conheceu.
PONTO & CONTRAPONTO
Disputa por cadeiras na Câmara Federal produziu dois campões de voto: Josimar Maranhãozinho e Eduardo Braide

Expressiva a renovação da bancada maranhense na Câmara Federal. Primeiro porque os dois mais votados, Josimar Maranhãozinho com 195.768 votos, e Eduardo Braide com 189.843, quebraram recordes de votação na história dessa representação até aqui, entrando para os registros das eleições como verdadeiros campeões de votos. Numa corrida muito bem disputada, desembarcará na Câmara Baixa o jornalista Márcio Jerry, principal articulador político do governador Flávio Dino, com 134.223. A relação de eleitos inclui também o bem articulado deputado André Fufuca e o ativo Pedro Lucas Fernandes. De peito estufado chegam ali também o deputado estadual Edilázio Jr., que passa a ser a principal voz do que restou do Grupo Sarney. Vale anotar também a não eleição de Gastão Vieira (PROS), Victor Mendes (MDB), Sebastião Madeira, entre outros. Com esse formato, a bancada maranhense na Câmara Federal terá pelo menos 11 deputados alinhados ao governador Flávio Dino. Segue a relação dos eleitos:
Josimar Maranhãozinho (PR – 195.768 votos), Eduardo Braide (PMN – 189.843), Márcio Jerry (PCdoB – 134.223), Júnior Lourenço (PR – 117.033), Rubens Junior (PCdoB – 111.584), Pedro Lucas Fernandes (PTB – 111.538), Edilázio Jr. (PSD – 106.576), Aluísio Mendes (Podemos – 105.778), André Fufuca (PP – 105.583), Cléber Verde (PRB – 101.806), Bira do Pindaré (PSB – 99.598), Juscelino Filho (DEM – 97.075), Júnior Marreca Filho (Patriotas – 79.674), Hildo Rocha (MDB – 77.661), Zé Carlos (PT – 76.893), Gil Cutrim (PDT – 72.038), João Marcelo (MDB – 67.352) e Pastor Gildenemyr (PMN – 47.758).
Assembleia Legislativa teve boa renovação e consolidou cacife de Othelino Neto para continuar na presidência

A lista de eleitos para a Assembleia Legislativa confirmou em parte as previsões da Coluna, a começar pela posição da candidata Detinha, que como o marido, Josimar Maranhãozinho, foi a mais votada, a surpreendente votação de Duarte Jr., a volta significativa de Arnaldo Melo e Marcelo Tavares, ambos ex-presidentes da Casa, além do exemplo de mobilização política de Caxias, que mandou três representantes Cleide Coutinho, Zé Gentil e Adelmo Soares. O deputado Wellington do Curso se reelegeu, mas com uma votação inexpressiva para quem obteve quase 100 mil votos na corrida para a Prefeitura de São Luís e percorreu o estado apresentando-se como líder da Oposição ao Governo Flávio Dino. Destaque também para a reeleição de Adriano Sarney, que será a única voz da Família Sarney na política formal. Destaque maior ainda para a sólida reeleição do deputado-presidente Othelino Neto, que assim está credenciado para ser confirmado para presidir o Poder Legislativo na próxima legislatura. Seguem os eleitos para a Assembleia Legislativa:
Detinha (PR – 88.402), Cleide Coutinho (PDT – 65.438), Duarte Júnior (PCdoB – 65.144), Zé Gentil (PRB – 62.364), Othelino Neto (PCdoB – 60.386), Márcio Honaiser (PDT – 56.322), Dra. Thaiza (PP – 51.895), Adriano Sarney (PV – 50.679), Carlinhos Florêncio (PCdoB – 50.359), Neto Evangelista (DEM – 49.480), Marcelo Tavares (PSB – 48.269), Marco Aurélio (PCdoB – 47.683), Fernando Pessoa (SD – 47.343), Andreia Rezende (DEM – 47.252), Edson Araújo (PSB – 45.819), Rafael Leitoa (PDT – 45.462), Ana do Gás (PCdoB – 44.321), Adelmo Soares, (PCdoB – 43.974), Rigo Teles (PV – 43.633), Glalbert Cutrim (PDT – 42.773), Paulo Neto (DEM – 41.765), Daniella Tema (DEM – 40.541), Vinícius Louro (PR – 39.873), Dr. Yglésio (PDT – 39.804), Hélio Soares (PR – 38.555), Antonio Pereira (DEM – 37.935), Ciro Neto (PP – 36.688), Arnaldo Melo (MDB – 35.958), Roberto Costa (MDB – 35.214), Fábio Macedo (PDT – 34.873), Rildo Amaral, (SD – 33.239), Ricardo Rios, (PDT – 33.202), Dr. Leonardo Sá (PRTB – 31.682), Zé Inácio (PT – 31.603), Pará Figueiredo (PSL – 31.555), Helena Duailibe (SD – 31.147), Mical Damasceno, (PTB – 30.693), César Pires (PV – 30.091), Pastor Cavalcante (PROS – 29.366), Wellington do Curso (PSDB – 24.950), Wendell Lages (PMN -22.989) e Felipe dos Pneus (PRTB – 21.714).
São Luís, 08 de Outubro de 2018.
Maranhenses irão às urnas para consolidar a transição reelegendo Flávio Dino ou estancá-la devolvendo o poder a Roseana Sarney

Os 4,7 milhões de eleitores maranhenses se preparam para decidir neste Domingo, 7 de Outubro, o futuro político imediato do Maranhão e do Brasil. Eles irão para as urnas para completar a transição política iniciada em 2014, reelegendo o governador Flávio Dino (PCdoB) e os candidatos ao Senado da coligação “Todos pelo Maranhão”, Weverton Rocha (PDT) e Eliziane Gama (PPS), ou interrompê-la devolvendo o poder ao Grupo Sarney com a eleição da ex-governadora Roseana Sarney (MDB) para um quinto mandato e os candidatos da coligação “O Maranhão quer mais”, Edison Lobão (MDB) e Sarney Filho (PV), para o Senado. Escolherão também os 18 deputados federais e os 42 deputados estaduais, e tomarão a decisão eleitoral suprema de um Estado democrático: a escolha do presidente da República. A pesquisa mais recente, da Econométrica, divulgada na Sexta-Feira (05), apurou, como as outras, que 60,2% dos maranhenses preferem completar a transição reelegendo o governador Flávio Dino contra 30,9% que disseram preferir a restauração do ancien regime dando um quinto mandato à ex-governadora Roseana Sarney. Com esse posicionamento identificado pelas pesquisas, a maioria dos maranhenses responderá negativamente à aventura bolsonarista de Maura Jorge (PSL), dando-lhe alguns pontos percentuais, e rejeitará fortemente o projeto de “terceira via” proposto pelo senador Roberto Rocha (PSDB), quase na mesma medida com que deverá dizer “não” à esquerda radical representada por Odívio Neto (PSOL) e Ramon Zapata (PSTU).
Ao longo da campanha eleitoral, a maioria dos eleitores do estado sinalizou com clareza solar sua preferência pela consolidação da transição, que na verdade começou em 2006, com a histórica eleição do governador Jackson Lago (PDT), foi interrompida em 2009 no tapetão judicial e nas eleições de 2010, com a reeleição de Roseana Sarney e retomada com a eleição de Flávio Dino em 2014. Nenhuma pesquisa apontou em outra direção, o que desde logo ficou cristalizado como uma tendência consistente e com todos os sinais da irreversibilidade. Houve uma prolongada indefinição em relação à corrida senatorial, causada principalmente pelo cacife político e eleitoral dos candidatos do Grupo Sarney, o bem sucedido senador Edison Lobão e o eficiente deputado federal Sarney Filho, ambos vitoriosos nas urnas desde suas primeiras eleições, em 1978. Mas têm como adversários dois bons frutos da nova geração, Weverton Rocha e Eliziane Gama, forjados nas trincheiras oposicionistas, de onde construíram até aqui carreiras recém-iniciadas, mas brilhantes. Com os resultados eleitorais previstos pelas pesquisas, a transição se completará integralmente, também pelo fato de serem fortes os sinais indicando que a coligação liderada pelo governador Flávio Dino deve sair das urnas com maioria ampla na bancada federal e na composição da Assembleia Legislativa.
Se o que está desenhado for confirmado – e é quase integral a possibilidade de confirmação , esse desfecho obedecerá à lógica que move os ciclos de poder ao longo da História, exemplificada no Maranhão recente pelo vitorinismo, liderado pelo cacique Victorino Freire a partir de 1945, que foi desbancado pelo sarneysismo em 1965, quando o então deputado federal José Sarney chegou ao poder pelas urnas, e que agora está sendo despachado pelo movimento forjado e galvanizado pelo governador Flávio Dino, já rotulado de dinismo. O recado mandado através das pesquisas e que está a caminho pela via das urnas é que o sarneysismo está cansado, defasado, exaurido, perdeu lastro e foco, estando agora lutando pela sobrevivência. Tem, claro, todo o direito de tentar reverter e evitar o tombo final da derrocada, à medida que tem um mérito indiscutível: manteve-se cinco décadas no poder pelo voto direto, independentemente do fato de que algumas dessas eleições foram ruidosamente questionadas.
Além das circunstâncias históricas, os quatro anos de Governo mostraram que o governador Flávio Dino vai muito além do uso do poder pelo poder, dando às suas ações um caráter clara e profundamente reformador, como a substituição de obras físicas e faraônicas pelo investimento direto nas pessoas, por exemplo, reforçado por uma saudável transparência e, tão ou mais importante: a condição de ficha limpa que ostenta juntamente com os que integram sua equipe e formam o seu círculo político mais próximo. Tanto que fez uma campanha mostrando suas realizações, seus critérios e sua postura. Baseada numa tentativa infrutífera de desqualificar Flávio Dino e seu Governo como um todo, a campanha de Roseana Sarney pregou um assistencialismo desregrado, algo distorcido, prometendo remédio, transporte, energia e leite de graça aos carentes, acrescentando ao pacote a promessa de pagar-lhe também o gás de cozinha.
Será uma escolha decisiva, que manterá o Maranhão na rota traçada pelo dinismo ou o devolverá ao rumo do sarneysismo.
Em Tempo: O levantamento da Econométrica está registrado no TRE/MA sob o protocolo MA-07175/2018 e tem nível de confiança de 95% e margem de erro de 2,6 pontos percentuais.
PONTO & CONTRAPONTO
Haddad terá maioria no Maranhão, mas Bolsonaro pode surpreender

O candidato da aliança PT, Fernando Haddad pode sair das urnas maranhenses com pelo menos 50,7% dos votos válidos, deixando o candidato do PSL, Jair Bolsonaro bem atrás com 23,9% dos votos, seguido de Ciro Gomes (PDT) com 8,5, Geraldo Alckmin (PSDB) com 4,1% e Marina Silva (Rede) com 1,8%. Uma tendência nascida nas eleições em que o ex-presidente Lula da Silva (PT) encantou o eleitorado local arrebanhando centenas de milhares de seguidores fiéis e compensou suas votações transformando o Maranhão num dos polos do Bolsa Família e de outros programas. Mas, diferentemente dos outros pleitos presidenciais, o lulo-petismo dominante no Maranhão tem sido duramente afetado por fatos bombásticos como a condenação e prisão do ex-presidente e a ascensão de um ex-capitão do Exército e deputado federal de vários mandatos, Jair Bolsonaro, que encarna a direita dura e antipetista, que muitos identificam como facista e com tendência golpista. Será uma luta de vida ou morte para essas correntes. O resultado dessa corrida tensa, ao longo da qual alguns fantasmas que atormentam o Brasil e sua democracia, como a ditadura militar, saíram dos porões do esquecimento, assim como os da inflação e o desemprego infernizam hoje a vida de mais de 11 milhões de brasileiros. Fernando Haddad encontra-se na defensiva, apontado como representante dos responsáveis pelo terremoto econômico que sacode o País desde 2015. Jair Bolsonaro é a consequência disso, um produto da crise política, econômica e oral. Se for uma ameaça, o Brasil poderá ter de enfrentá-la, dando à nossa incipiente democracia a oportunidade de ser testada e dar a prova de que tem condições de sobreviver intacta às essas intempéries. Afinal, uma democracia só é plena e plural quando suporta os arroubos da esquerda, a cautela do centro e os riscos da direita. Elegendo Fernando Haddad, os maranhenses estarão dizendo que topam seguir em frente com o lulo-petismo. Optando por Jair Bolsonaro, o recado será o de que não temem o afloramento de um regime com tinturas facistas. E como não há uma terceira via confiável e sedutora, é aguardar.
Se as previsões se confirmarem hoje, Adriano Sarney será o único elo formal da família Sarney com a política

A se confirmar as previsões a respeito do que sairá das urnas, a família Sarney sobreviverá pela presença de apenas um membro no cenário político formal: o jovem deputado estadual Adriano Sarney (PV), que deverá se reeleger segundo todas as listas de prováveis futuros deputados estaduais que estão circulando. Primogênito do deputado federal Sarney Filho (PV) e neto predileto do ex-presidente José Sarney, Adriano Sarney vem encarnando integralmente o sarneysismo como oposição ao governador Flávio Dino, contra quem mantém artilharia intensa na tribuna da Assembleia Legislativa. Moderado e afável e sem a malícia política do avô, o jovem parlamentar revelou-se técnica e culturalmente preparado, com estudos na área de Economia em universidades norte-americanas e francesas. Há quem diga que a carga de ser o responsável pela sobrevivência do sarneysismo será muito pesada para ele, enquanto outros acham que com a orientação do chefe maior ele poderá garantir a sobrevida política da família. A conferir.
São Luís, 6 de Outubro de 2018.
A Coluna será atualizada ao Meio-Dia deste Sábado, 06/10/2018.
Assembleia Legislativa terá elevado índice de reeleição, volta de experientes e chegada de novos quadros com potencial

A previsão feita pela pesquisa do Ibope, divulgada ontem (Quinta-Feira) pela TV Mirante, de que o governador Flávio Dino (PCdoB) será reeleito no primeiro turno com 59% dos votos válidos, acelerou a mais intensa de todas as corridas às urnas: a eleição dos 42 membros da Assembleia Legislativa, que terão papel importante, e em alguns casos decisivo, na vida institucional e política do Maranhão nos próximos quatro anos. Trata-se, como se sabe, de uma eleição muito disputada, que em alguns casos têm caráter “distrital” e em outros alcança pulverização surpreendente, com duros confrontos localizados e alguns regionalizados, que tornam difícil uma previsão sobre quem será eleito ou reeleito.
Nesse cenário, estão candidatos cujos desempenhos nas urnas são previsíveis, como é o caso do presidente do Poder Legislativo, deputado Othelino Neto (PCdoB), que aumentou expressivamente a sua estatura política, e com isso o volume e a intensidade da sua campanha, sendo esperado como um dos mais votados. Há também parlamentares importantes, como Fábio Macedo (PDT), Roberto Costa (MDB), Rafael Leitoa (PDT), Ana do Gás (PCdoB), Adriano Sarney (PV) e Marco Aurélio (PCdoB), entre outros; assim como políticos consagrados que tentam voltar à Casa, como Arnaldo Melo (MDB), Marcelo Tavares (PSB) e Manoel Ribeiro (PRB), que já pontificaram no Legislativo como presidentes; políticos de prestígio nas suas regiões, como os ex-deputados Cleide Coutinho (PDT) e Zé Gentil (PRB), que medem força em Caxias; e quadros novos, com grande potencial e força regional, como a ex-prefeita Detinha (PR), Márcio Honaiser (PDT), Daniella Tema (DEM) e Duarte Jr. (PCdoB), entre outros. São nomes da Situação e da Oposição que, eleitos, poderão fazer a diferença no plenário do Palácio Manoel Beckman. (Em Tempo: os nomes citados na Coluna não formam uma lista de eleitos, mas de candidatos que, pela atuação em campanha, vêm demonstrando cacife para se elegerem.)
A maioria das previsões sobre a eleição para a Assembleia Legislativa coincide num ponto fundamental: a esmagadora maioria dos 26 deputados estaduais que concorrem à reeleição será reeleita, o que resultará, portanto, num modesto grau de renovação. Nesse contexto, há casos de desistência, como o da deputada Nina Melo (MDB), que abriu mão da candidatura para dar vaga ao pai, o ex-presidente Arnaldo Melo, e a deputada Graça Paz, que saiu para ser vice de Roberto Rocha (PSDB) e dar vez ao filho, Guilherme Paz (PSDB). Há um grande número que tentará vagas na Câmara Federal, como é o caso de Edilázio Jr. (PSD), Eduardo Braide (PMN) e Josimar Maranhãozinho (PR), e os que simplesmente desistiram por falta de condições de concorrer à reeleição.
Além dos já citados, que têm o presidente Othelino Neto como referência maior, têm grandes chances de reeleição os deputados Glaubert Cutrim (PDT), Wellington do Curso (PSDB), Neto Evangelista (DEM), Rafael Leitoa (PDT), Rogério Cafeteira (PSB), Edivaldo Holanda (PTC), Rigo Teles (PV), Leo Cunha (PSC), Vinícius Louro (PR), Andrea Murad (PRP), Jr. Verde (PRB), César Pires (PV), Edson Araújo (PSB), Levi Pontes (PCdoB), Carlinhos Florêncio (PCdoB), Raimundo Cutrim (PCdoB), Zé Inácio (PT) Antônio Pereira (DEM), Cabo Campos (PEN), Ricardo Rios (SD), Paulo Neto (DEM), Sérgio Frota (PR), Valéria Macedo (PDT) e Marcos Caldas (PTB). Difícil relacionar por ordem de poder de fogo, mas é honesto afirmar que todos eles, com maior ou menor grau de dificuldade, têm cacife para renovar seus mandatos.
Nessa grande movimentação em todos os recantos do Maranhão, estão na corrida lideranças novas, algumas com grande volume de campanha, que despontam como possíveis eleitos, enquanto outros estão na briga, podendo ou não conquistar mandato nas eleições de Domingo (7). É o caso, por exemplo, de Andrea Resende (DEM), que substitui o marido, Stênio Resende, que não pode ser candidato ao oitavo mandato por ter sido declarado ficha suja pela Justiça Eleitoral; Marcial Lima (PRTB), vereador de São Luís com forte base em Grajaú; Adelmo Soares (PCdoB), que foi secretário de Estado de Desenvolvimento Rural com base em Caxias; Helena Duailibe (SD), ex-vereadora de São Luís e ex-secretária de Estado de Saúde; Belezinha (PR), ex-prefeita de Chapadinha; Honorato Fernandes (PT) vereador de São Luís; Dra. Thaíza (PP), médica com atuação na Baixada; e Pará Figueiredo (PSL), com forte influência na Baixada Ocidental e suporte de família influente no Poder Judiciário.
Reiterando que não se trata de uma lista de eleitos, mas de nomes com potencial para alcançar a eleição, a Coluna está ciente de que há outros nomes que poderiam tranquilamente integrar essa relação informal, mas que infelizmente, por falta de comunicação, não foi possível avaliar. O resultado definitivo dessa tensa e animada corrida será conhecido na noite de Domingo.
PONTO & CONTRAPONTO
Ibope consolidou favoritismo de Flávio Dino e mostrou que os institutos maranhenses tinham razão.

O resultado da pesquisa Ibope sobre a corrida para o Governo do Maranhão apontando que o governador Flávio Dino deve ser reeleito em primeiro turno com 59% dos votos válidos, contra 30% de Roseana Sarney (MDB), 5% de Maura Jorge (PSL), 2% de Roberto Rocha (PSDB), 1% Ramon Zapata (PSTU) e 1% de Odívio Neto (PSOL), confirma uma tendência que vem sendo desenhada há meses. Em nenhum momento a liderança do governador nas preferências do eleitorado foi sequer colocada em dúvida, uma vez que todos os levantamentos feitos ao longo da pré-campanha e da campanha sinalizaram sua provável vitória e, mais do que isso, no primeiro turno. A novidade nessa informação foi a rendição do Ibope a uma realidade já consolidada.
Além de colocar uma pá de cal na discussão, sempre levantada por aliados da ex-governadora Roseana Sarney, que criticaram duramente as pesquisas publicadas até aqui, o levantamento do Ibope atestou, sem qualquer dúvida, que os institutos maranhenses – Econométrica, Exata, DataIlha e DataM – acertaram em cheio em todos os seus levantamentos. Por isso, além do respeito que conquistaram, estão agora, mais do que nunca, credenciados para prestar serviços estatísticos confiáveis, sem dever nada a monstros sagrados como o próprio Ibope, o Datafolha e o Vox Populi, por exemplo.
Vale, portanto, aguardar a confirmação das urnas, na noite de Domingo.
Debate da Globo deixou no ar um sentimento de incerteza

Debate entre os presidenciáveis na Rede Globo terminou como começou, sem um destaque nem declarações ou gestos que possam mudar o panorama favorável ao único ausente, Jair Bolsonaro, que alegou recomendação médica para ficar em casa. Fernando Haddad (PT) se mostrou firme, com os pés no chão e focado na realidade, e com momentos de altivez como no que enquadrou Álvaro Dias (Podemos), o mais chato e incômodo de todos. Geraldo Alckmin fez o que tinha de fazer: reafirmar sua condição de político experiente, com uma receita para tudo e o apelo para que o eleitorado abandone a polarização direita-esquerda e se posicione no centro. Ciro Gomes mostrou todo o seu talento e experiência, mas faltou-lhe mais ousadia para tirar de vez a máscara de Jair Bolsonaro, como fez Marina Silva numa frase: “Ele amarelou. Não veio porque está fugindo do debate”. Muito bem foi o candidato do MDB, Henrique Meireles, que aproveitou todas as oportunidades para pedir votos e mostrar que é um dos mais preparados candidatos, mas sem Roseana Sarney (MDB) caiu de 32% para 30%. Maura Jorge (PSL) passou de 5% para 4%. Roberto Rocha (PSDB) se manteve com 2%. Ramon Zapata (PSTU) passou de 0% para 1%. Odívio Neto (PSOL) passou de 0% para 1%. Brancos/nulos foi de 7% para 4%. Não sabe foi de 5% para 2% charme para turbinar a candidatura. O debate deixou no ar a impressão de que essa fatura pode ser liquidada por Jair Bolsonaro no primeiro turno, colocando o Brasil na rota da mais absoluta incerteza.
São Luís, 05 de Outubro de 2018.
A Coluna será atualizada às 10 horas desta Sexta-Feira, 05/10/2018.
Com quadros ativos e experientes, Maranhão pode eleger uma bancada forte para a Câmara Federal num pleito decisivo para o Brasil

Em meio à quase definição na disputa para o Governo do Maranhão e de situação parecida na confrontação pelas duas cadeiras no Senado, uma disputa de grande peso nestas eleições está sendo travada em inúmeras frentes, por várias dezenas de candidatos com o objetivo de alcançar as 18 cadeiras na Câmara Federal. No cenário dos embates pelo voto estão pesos pesados que buscam a reeleição, como o deputado federal André Fufuca (PP), por exemplo, atual vice-presidente da instituição, e o deputado federal Rubens Jr. (PCdoB), destaque na bancada do seu partido; ex-integrantes desse time que tentam voltar, como o ex-prefeito de Imperatriz, Sebastião Madeira (PSDB) e o ex-ministro do Turismo, Gastão Vieira (PROS), e novas lideranças que tentam chegar ali pela primeira vez, como é o caso do jornalista Márcio Jerry (PCdoB), principal assessor político do governador Flávio Dino (PCdoB), e os deputados estaduais da Oposição Eduardo Braide e Edilázio Jr. (PSD). Esse conjunto politicamente heterogêneo de candidatos, que vai da esquerda radical, passa pela esquerda moderada e alcança a direita democrática, faz da disputa para a Câmara Federal um enfrentamento de ideias, projetos políticos de curto, médio e longo prazo e vontade de se destacar no espetacular e temível cenário da maior Casa do Congresso Nacional, que rivaliza em pauta e movimentação com o Senado da República, o que torna as eleições proporcionais um evento de importância decisiva para o futuro imediato do Brasil.
Entre os que lutam para renovar o mandato, André Fufuca, Rubens Jr., e João Marcelo (MDB) são partes do que há de mais representativo no atual quadro político maranhense. O primeiro, ainda muito jovem, revelou-se talentoso e hábil: mudou de partido, enfronhou-se no jogo político, tornou-se vice-presidente da Casa, assumiu a presidência algumas vezes e firmou-se como figura de destaque no chamado “alto clero” e voz de peso no “Centrão”. Rubens Jr. firmou-se como o mais destacado militante da linha de ação do seu partido, tendo sido vice-líder e líder da bancada do PCdoB e, como tal, protagonizado muitos atos de importância capital no terremoto político que sacudiu o Congresso e o País nos últimos quatro anos. João Marcelo encarnou uma linha de ação política de grupo, atualizando o estilo direto de uma bem articulada política de resultados praticada pelo senador João Alberto (MDB), sua principal referência.
Entre os que já estiveram na linha de frente em Brasília e que tentam voltar, dois casos se destacam. O primeiro é o ex-prefeito de Imperatriz, Sebastião Madeira, que lembra, com muita propriedade, que não vai aprender a ser deputado federal, pois já o foi quatro vezes, tendo acumulado uma experiência rica, já que quando exerceu, de maneira bem sucedida, os mandatos foi considerado ali um dos bons quadros do PSDB durante os Governos tucanos de FHC. Na mesma linha, Gastão Vieira movimenta-se para retormar à Câmara Baixa, onde atuou com competência e eficiência por cinco mandatos, firmando-se como um dos “especialistas” da Casa, principalmente na área de Educação, com preparo técnico que o levou ao Ministério do Turismo no primeiro Governo petista de Dilma Rousseff.
Em meio a esses movimentos da corrida pelo voto estão os líderes da nova geração que ocuparam espaço. O mais destacado é, de longe, o jornalista Márcio Jerry, que preside o PCdoB no estado e ganhou estatura como o cérebro da política de comunicação e o principal operador político do Governo, atuando também como porta-voz e anteparo do governador Flávio Dino. Político forjado no movimento estudantil ainda nos anos 80 do século passado como opositor do Grupo Sarney, Márcio Jerry acumulou experiência mantendo coerência, o que permitiu tornar-se um político acreditado e credenciado, sob todos os aspectos, ao exercício de mandato federal. No contraponto está o Eduardo Braide (PMN), que mostrou talento excepcional, quando saiu da base governista e migrou para a Oposição, construindo, como uma espécie de outsider, um espaço político que o levou ao segundo turno na disputa pela Prefeitura de São Luís contra o prefeito Edivaldo Jr. (PDT) em 2016. Nesse grupo entra o deputado estadual Edilázio Jr. (PSD), ousado e atuante, que vem se consolidando como a principal voz do sarneysismo na nova geração.
Entre os candidatos à Câmara Federal estão nomes de expressão como o deputado estadual Bira do Pindaré (PSB), integrante destacado da corrente dinista; o deputado federal Hildo Rocha (MDB), cujo mandato foi marcado pela eficiência; Zé Carlos (PT), um dos bons quadros do partido; o deputado estadual Josimar Maranhãozinho (PR), conhecido por sua forte e controvertida ação política; o deputado federal Cléber Verde (PRD), um dos mais bem sucedidos membros da bancada maranhense; Aluísio Mendes (Podemos), parlamentar ativo; Victor Mendes (PSD), um dos quadros mais preparados da nova geração; Paulo Marinho Jr. (MDB) e Simplício Araújo (SD), políticos esclarecidos e atuantes; Pedro Lucas Fernandes, uma boa revelaçãao que pode levar para a Câmara, se eleito, a experiência saudável do pai, Pedro Fernandes, e o ex-prefeito de Imperatriz e mega empresário Ildon Marques, conhecido pelo seu preparado e Luana Costa (PSB), que tenta conquistar o seu próprio mandato.
Como se vê, o eleitorado maranhense tem condições de mandar uma boa bancada para defender os seus interesses na mais agitada e decisiva Casa do Congresso Nacional.
PONTO & CONTRAPONTO
Comando da Situação está animado, mas recomenda evitar o “já ganhou”
Não é exatamente um clima de euforia, salto alto ou coisa parecida, mas é nítido o ambiente de alto astral que domina as fileiras da aliança liderada pelo governador Flávio Dino às vésperas da data decisiva do processo eleitoral em curso. Além das pesquisas, que a cada levantamento consolida o favoritismo do governador e dos seus candidatos ao Senado, Weverton Rocha (PDT) e Eliziane Gama (PPS), o otimismo ali foi reforçado pelo desempenho do governador no debate da TV Mirante, do qual saiu como entrou: inteiro e motivado para vencer a eleição em turno único. Nas contas de governistas centrados, que não se empolgam em demasia nem saem da realidade, o aliança liderada por Flávio Dino será vitoriosa nas eleições majoritárias – governador e Senado – e proporcionais – Câmara federal e Assembleia Legislativa. A dúvida que persiste é a eleição presidencial, com a candidatura de Fernando Haddad (PT) amarrada entre 20% e 25%, atrás de Jair Bolsonaro (PSL), que lidera com folga, mas tende a perder a disputa num segundo turno. O problema é que já há quem aposte alto que Jair Bolsonaro seja eleito presidente já no dia 7. Mas, independente do desfecho da eleição presidencial, o Palácio dos Leões não estimula o “já ganhou” nem desmotiva o alto astral dos seus militantes e apoiadores.
Tudo pronto para uma eleição sem problemas nem traumas no Maranhão

Tudo pronto, sem qualquer atropelo, para a votação de Domingo. O Tribunal Regional Eleitoral, comandado pelo desembargador Ricardo Duailibe, vem seguindo à risca as orientações do Tribunal Superior Eleitoral, implantando a estrutura de acordo com as regras. São milhares de seções eleitorais, milhares de urnas eletrônicas e milhares de pessoas – voluntários e servidores – envolvidas no processo. O clima de tensão em alguns, municípios, que exigiu a presença de força federal para garantir a ordem, arrefeceu, reduzindo a pressão e indicando que a votação de Domingo será tranquila em todo o Maranhão. Que assim seja.
São Luís, 04 de Outubro de 2018.