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Especial: “A Greve de 51” se mantém como o registro maior da explosiva crise política que abalou Maranhão

 

Imagens do período: capa da segunda edição; os candidatos Eugênio Barros e Renato Archer e Saturno Bello e Antenor Abreu; mobilização no Largo do Carmo; passeata de apoio a Nelson Jansen (de óculos escuros); Rui Almeida, César Aboud , Edgardino Pinta e Eugênio Barros no Palácio dos Leões; Victorino Freire, Trayahu Moreira e Neiva Moreira; grevistas oram no Largo do Carmo; “Paralelo 38”, em frente ao Hotel Central; TRE incendiado; local onde um operário foi morto; famílias em desespero por causa dos incêndios; e jornais noticiando a situação em São Luís.

Há 70 anos, exatamente no início da segunda metade do século XX, quando mundo começava a curar as feridas da Segunda Grande Guerra e o Brasil dava o passo decisivo para voltar de vez à normalidade democrática, o resultado da eleição para o Governo do Estado, realizada no bojo das eleições gerais de Outubro de 1950, com a vitória do empresário caxiense Eugênio Barros (PST), candidato escolhido e apoiado pelo então todo-poderoso senador Victorino Freire, sobre o empresário ludovicense Saturnino Bello (PSP), candidato das Oposições Coligadas (PSP/UDN/PSD/PR/PL/PTB), conflagrou o Maranhão de maneira dramática, mergulhando os maranhenses, principalmente os da Ilha de Upaon Açu, num caldeirão de tensões políticas e sociais. Os números apresentados pela Justiça Eleitoral foram contestados com denúncias de fraude, feitas pelas Oposições Coligadas, e o embate das duas correntes desencadeou uma crise política e institucional de proporções gigantescas que, durante nove meses, transformou São Luís numa praça de guerra. Nesse período, o Maranhão teve um governador eleito, dois governadores interinos, um interino que não chegou a assumir, e por pouco não caiu nas mãos de um interventor federal, que seria um general. Em meio à crise política, a Capital foi sacudida por agitações de massa, tiroteios, assassinatos, incêndios criminosos em bairros pobres, e o interior participou com um levante “guerrilheiro” em São João dos Patos. Alimentada por jornais partidários locais, a crise maranhense, que parou a vida social e econômica da Ilha, se tornou item prioritário na agenda política do presidente Getúlio Vargas – que voltara ao poder pelo voto direto –, foi acompanhada pelos grandes jornais e revistas nacionais, e ganhou repercussão internacional. Ocorrida quando o Brasil consolidava a redemocratização, a longa sequência de episódios entrou para a História como A Greve de 51, também batizada de “Revolução do Maranhão”.

O mais amplo registro factual daquele momento ímpar da História do Maranhão está cravado nas páginas de “A Greve de 51”, do jornalista e pesquisador Benedito Buzar, tendo a primeira edição lançada nos anos 70, e a segunda, em 2001, sob o título “Os 50 Anos da Greve de 51”, essa amplamente enriquecida com acréscimos informativos – especialmente as entrevistas de Neiva Moreira, líder oposicionista, e de Evandro Barros, filho e assessor de Eugênio Barros – e ampliação inestimável da memória fotográfica daqueles dias de guerra na Capital do Maranhão. Com sólida formação política – foi eleito deputado estadual com pouco mais de 20 anos e cassado em 68 –, e dono de um talento excepcional para garimpar fatos políticos do Maranhão no século XX, além de conversar com protagonistas, Benedito Buzar montou um rico roteiro dos acontecimentos de 51, registro único, que serve de base para o pesquisador que desejar ir além no resgate daqueles dias históricos.

Garimpado cuidadosamente nos jornais da época – principalmente “Jornal do Povo”, “Diário Popular” e “O Combate” ostensivamente posicionados na guerra política -, o documento produzido por Benedito Buzar reúne uma sequência impressionante dos acontecimentos, da movimentação dos seus atores e dos desdobramentos dos embates. E informa que a origem dos fatos explosivos estava exatamente nos dois cânceres da política, o caciquismo despótico e a fraude eleitoral, que naquele momento eram as marcas mais fortes da sempre agitada vida política maranhense, com poder de manipular as instituições.

Com grande riqueza factual e linguagem jornalística direta e precisa, e longe do academicismo pretencioso, “A Greve de 51” relata que após domínio absoluto no Maranhão no Governo Eurico Dutra, o vitorinismo pressentiu derrota nas eleições de 1950, quando as Oposições Coligadas, que tinham nos seus quadros figuras destacadas como Neiva Moreira, Clodomir Milet, Clodomir Cardoso, Nunes Freire, Lino Machado, Djalma Marques, Fernando Viana e Henrique La Rocque, entre muitos outros, que apoiavam a candidatura de Getúlio Vargas, lançaram Saturnino Bello candidato à sucessão do vitorinista Sebastião Archer. Ladino e manipulador como poucos, Victorino Freire – que contava com Renato Archer, César Aboud, Alexandre Costa, Ivar Saldanha e Cid Carvalho, entre muitos outros – encontrou em Eugênio Barros, então prefeito de Caxias e conhecido pela sua seriedade e altivez, o nome certo para enfrentar o oposicionista. As urnas deram vitória a Eugênio Barros, e, como era esperado, o resultado foi contestado com gravíssimas denúncias de fraude. Em janeiro de 51, em meio à confusão, Saturnino Bello morreu. A Justiça Eleitoral empossou Eugênio Barros. Aguerridas, as lideranças das Oposições Coligadas contestaram a posse e organizaram e fomentaram um gigantesco movimento popular, que fincou estacas no Largo do Carmo, onde milhares, entre trabalhadores e operários fabris convocados por sindicatos controlados por líderes políticos, se reuniram em protesto pelos meses seguintes. A residência da ativa vereadora Maria de Lourdes Machado, no Largo do Carmo, se tornou o QG onde os chefes oposicionistas se reuniam e tomavam decisões e as comunicavam no ato à massa mobilizada no coração na cidade.

As páginas de “A Greve de 51” mostram a reação popular, que logo se transformou num movimento grevista que parou a cidade por meses, criou seguidas situações de impasse, desencadeando a esdrúxula sucessão de três governadores interinos: dias depois de empossado, mas com a eleição contestada, Eugênio Barros foi convencido a se afastar até que a Justiça Eleitoral desse a palavra final. Como a Assembleia Legislativa ainda não tinha sido instalada, e não tinha presidente, o segundo na linha sucessória, ele passou o cargo interinamente ao presidente do Tribunal de Justiça, desembargador Trayahú Moreira, que logo em seguida seria “deposto” com a eleição do presidente da Assembleia Legislativa, deputado César Aboud, que, assumiu o Governo – isso depois da sufocação de uma tentativa do desembargador Nelson Jansen de assumir o Governo do Estado em substituição a Trayahú Moreira. Em meio a essa guerra pelo poder, o Maranhão quase caiu nas mãos do general Edgardino Pinta, comandante da 10ª Região Militar, que desembarcou em São Luís como observador a mando do Palácio do Catete, onde o presidente Getúlio Vargas resistiu a pressões das Oposições Coligadas para decretar intervenção no Estado, medida que certamente prejudicaria a sua nova condição de democrata. Essa guerra política durou de Janeiro a Setembro, quando finalmente a Justiça Eleitoral confirmou a eleição de Eugênio Barros, tendo como vice o jovem tenente da Marinha Renato Archer.

O precioso livro de Benedito Buzar relata em detalhes que, preocupado, o presidente Getúlio Vargas mandou a São Luís o ministro Negrão de Lima que, com habilidade e muita diplomacia, ouviu lideranças dos dois lados e retornou ao Rio de Janeiro levando ao chefe da Nação a recomendação de não decretar intervenção, como queriam as Oposições Coligadas na esperança de anular o pleito.

Com a mesma precisão com que resgatou a crise política, sua evolução e seu desfecho, Benedito Buzar enriqueceu “A Greve de 51” com o registro do simultâneo movimento popular fomentado pela banda oposicionista. Trabalhadores, pequenos comerciantes, estudantes e desempregados formaram uma massa densa e ativa, que se manteve por meses. Ao mesmo tempo, Polícia Militar e tropas federais faziam o controle dos movimentos, estabelecendo o famoso Paralelo 38, em frente ao Hotel Central, para evitar a invasão do Palácio dos Leões. Houve momentos críticos, com alguns confrontos armados, provocados por capangas de Victorino Freire e militantes oposicionistas, com as forças policiais ao meio. Dois casos se destacaram. Num deles, um ônibus ironicamente lotado de vitorinistas vindo de Rosário, avançou na área, ultrapassando a linha fronteiriça do “Paralelo 38” e foi cravejado de balas pela Polícia, resultando na morte do monsenhor Joaquim Dourado e no ferimento do jovem político Ivar Saldanha, que viria a ser prefeito de São Luís e governador do Maranhão. Em outro, os criminosos incêndios de casas de palha em bairros populares, que durante semanas causaram revolta, desespero e danos a milhares de famílias. Os vitorinistas acusavam a oposição de estar por trás do crime, apontando diretamente o jornalista Neiva Moreira, apelidado de “Caramuru”, de ser o mentor da armação incendiária, com o objetivo de incriminar os governistas – Neiva Moreira sempre negou. O livro revela que a médica comunista Maria Aragão também foi taxada de incendiária.

Em meio às marchas e contramarchas da crise política e seus ecos traumáticos na vida de São Luís, “A Greve de 51” faz um registro espetacular: um levante em São João dos Patos, liderado por um tal “general” Raimundo Bastos, um caudilho do sertão que resolvera mudar o curso da História do Maranhão liderando uma malta de capangas. Foi enquadrado sem guerra por um destacamento da PM comandado pelo tenente Eurípedes Bezerra. O resgate de Benedito Buzar documenta que naquele período traumático, entre o fomento explosivo das forças oposicionistas e a pressão do poder governista, São Luís mergulhou numa greve prolongada, sofreu as durezas do desabastecimento e as muitas consequências econômicas e sociais geradas pelas manifestações.

“A Greve de 51” mostra que o desfecho da crise começou em Setembro, quando o TSE confirmou a eleição da chapa vitorinista Eugênio Barros/Renato Archer. O governador eleito, que tomara posse em Janeiro e fora afastado dias depois, encontrava-se no Rio de Janeiro e decidiu retornar ao Maranhão, apesar do clima de tensão. Mostrou-se decidido a encarar de frente a situação, sem demonstrar preocupação com os riscos, dizendo-se disposto a pegar em armas se atacado. De volta, Eugênio Barros sitiou-se no Palácio dos Leões por três semanas, período em que confirmou sua fibra sertaneja e, ao mesmo tempo, sua competência política. Com firmeza e habilidade, conseguiu desarmar o clima de tensões, passou confiança e credibilidade a líderes oposicionistas. Assumindo as rédeas na situação, deixou o Palácio e foi às ruas, encarou a multidão, ganhou respeito, minou as forças adversárias e consolidou a vitória do vitorinismo e a derrota das Oposições Coligadas.

Sem pretensões analíticas e rigorosamente factual, como uma grande reportagem histórica, “A Greve de 51”, em especial sua segunda versão rebatizada de “Os 50 Anos da Greve de 51” são chaves para a compreensão do que aconteceu no Maranhão da redemocratização de 1945 para cá. Entre outros motivos, porque informa a origem de personalidades que pontificaram no cenário político estadual e nacional, como o gigante político e jornalístico Neiva Moreira, que teria o mandato de deputado federal cassado pela ditadura e que nos anos 80 fundaria o PDT ao lado de Leonel Brizola, e Renato Archer, que disputaria o Governo do Estado em 1982 com Luís Rocha, mas que, ao lado de Tancredo Neves seria personagem importante no desmonte da ditadura militar, participando da instalação da Nova República como ministro de Ciência e Tecnologia do Governo José Sarney, para citar apenas dois exemplos.

Ao escrever “A Greve de 51”, Benedito Buzar presenteou a memória brasileira com um marco definitivo da História recente dos maranhenses, o que o torna leitura obrigatória e indispensável para quem aspira compreender o Maranhão político de agora.

São Luís, 14 de Março de 2021.

Dino traça roteiro para definir candidato a governador e a senador dentro da aliança que lidera

 

Flávio Dino vai tentar evitar o confronto direto entre Weverton Rocha e Carlos Brandão na corrida eleitoral

A largada das tratativas para a definição de candidatos a governador, vice e senador no campo governista está prevista para Julho, e a batida de martelo sobre quem será o quê na disputa poderá acontecer em Dezembro. Esse rascunho de roteiro foi revelado ontem pelo governador Flávio Dino (PCdoB), em entrevista ao programa Bom Dia Mirante, da TV Mirante. Na entrevista, Flávio Dino confirmou que a definição deve se dar entre o senador Weverton Rocha (PDT) e o vice-governador Carlos Brandão (Republicanos), que teriam se comprometido com ele no sentido de trabalhar pela unidade do grupo e por um discurso comum. Com essa programação, o governador dá tempo para que os interessados se articulem, de modo que estejam devidamente preparados para as intensas e cuidadosas conversas que ocorrerão ao longo do segundo semestre e que desaguarão na escolha do nome que liderará a aliança ou no lançamento de dois candidatos no mesmo campo, caso o compromisso de unidade não vingue. Os próximos quatro meses serão dedicados à guerra ao coronavírus.

O governador Flávio Dino sabe que tem pela frente uma equação política complicada para resolver. O campo que lidera está dividido em duas frentes com objetivo franco e aberto de chegar ao comando do Estado, uma liderada pelo senador Weverton Rocha, candidato a candidato inarredável a governador, e outra liderada pelo vice-governador Carlos Brandão, que também se movimenta claramente na mesma direção. O grau de determinação de ambos foi exposto nas eleições municipais e na eleição para o comando da Famem. Além disso, os dois, por meio de apoiadores engajados, travam uma guerra sem trégua nas redes sociais, na blogosfera e em programas de rádio. Flávio Dino tem evitado ao máximo interferir nessa relação conflituosa dentro da aliança partidária que mantém, sabe que o acirramento da disputa interna pode abrir brechas no seu campo que podem ser exploradas por adversários, mas não abre mão de que a definição seja o resultado de um processo negociado.

O governador mantém o domínio pleno da situação dentro da aliança governista e, por isso, tem noção clara de que dificilmente reunirá o senador e o vice-governador – que será governador a partir de abril do ano que vem – em um só projeto. Os dois desenhos de candidatura ganham linhas mais fortes e se consolidam a cada dia, evidenciando todos os indícios de que são irreversíveis. Mais do que isso, sem qualquer sinal de que o senador ou o futuro governador recue do propósito de disputar o comando do Estado do Maranhão.

O roteiro rascunhado pelo governador inclui a definição do seu próprio futuro. Ele trabalha com duas possibilidades, sendo a primeira a mais segura e mais provável, que é ser candidato a senador, e a segunda, possível, mas bem mais complexa, é a de entrar na disputa federal. A candidatura ao Senado tem também leves pontos a considerar. Se Weverton Rocha e Carlos Brandão não chegarem a um acordo e forem para o confronto, o PCdoB terá de compor com um deles, e no caso, como candidato a senador, Flávio Dino terá de apoiar o candidato ao qual o PCdoB se aliar. E como as duas candidaturas estarão no seu campo, terá de fazer uma complicada engenharia para não ter um aliado como concorrente. Há, porém, um consenso dentro da aliança governista: se Flávio Dino for candidato, ninguém se lançará ao Senado.

Se o ex-presidente Lula da Silva (PT) vier a ser candidato ao Palácio do Planalto, o governador é nome a ser considerado para ser candidato a vice, representando o PCdoB na chapa. Há ainda duas possibilidades, que já foram admitidas pelo próprio Flávio Dino: disputar uma cadeira na Câmara dos Deputados para ajudar o PCdoB a eleger deputados federais e escapar da guilhotina da legislação partidária, e permanecer no Governo até o fim do mandato e depois voltar a dar aulas no Curso de Direito da UFMA. Ninguém duvida de que as duas últimas hipóteses estão definitivamente descartadas.

Como se vê no front político doméstico, o governador Flávio Dino tem muito o que ajustar até Dezembro, quando lhe restarão apenas três meses de Governo.

 

PONTO & CONTRAPONTO

 

Brandão surpreende, deixa o Republicanos e traz o PSDB de volta ao poder no Maranhão

Carlos Brandão entre o líder Rodrigo Castro  e o presidente tucano Bruno Araújo

O vice-governador Carlos Brandão protagonizou ontem, em Brasília, uma das mais surpreendentes reviravoltas ocorridas no cenário político maranhense nos últimos tempos. Quatro anos depois de ter sido obrigado a entregar o PSDB do Maranhão ao senador Roberto Rocha, ele deu a volta por cima e retornou ao ninho dos tucanos maranhenses, cujo comando reassumirá tão logo Roberto Rocha deixe a agremiação, para se filiar ao partido que vier a abrir as portas para o presidente Jair Bolsonaro (sem partido). A refiliação do vice-governador ao PSDB aconteceu na sede do partido, tendo sua ficha sido abonada pelo presidente nacional do partido, deputado federal Bruno Araújo e pelo líder tucano na Câmara dos Deputados, Rodrigo de Castro.

A volta de Carlos Brandão ao comando do ninho no Estado confirma duas situações já previstas. A primeira é a surpreendente e inexplicável debacle partidária do senador Roberto Rocha, que deixará o partido pela segunda vez. E outra é o fato de que o PSDB volta à base de apoio do governador Flávio Dino, e pelo qual Carlos Brandão se elegeu vice-governador em 2014.

Carlos Brandão receberá um partido que quase desapareceu no Maranhão sob o comando do senador Roberto Rocha. Para se ter uma ideia clara disso, basta lembrar que, sob o comando de Carlos Brandão, o PSDB elegeu 28 prefeitos em 2016, ao passo que agora, sob o comando do senador Roberto Rocha, esse número foi drasticamente reduzido para quatro prefeitos.

Com a reviravolta, o PSDB dá a volta por cima e vai se preparar para assumir o Governo em abril do ano que vem, e seguir para as urnas tendo o Carlos Brandão, que será governador, como candidato à sucessão do governador Flávio Dino. Uma guinada e tanto para um partido que tenta sair do limbo no estado.

 

Hildo Rocha quer assumir o comando do MDB, mas sabe que é tarefa muito difícil

Hildo Rocha quer assumir o comando do MDB na Maranhão e ser o candidato do partido ao Governo

O deputado federal Hildo Rocha declarou recentemente que vai brigar para suceder ao ex-senador João Alberto no comando do MDB do Maranhão. Disse mais: se a ex-governadora Roseana Sarney não for candidata, ele ocupará a vaga de candidato do MDB ao Governo do Estado. E que não admite que o partido não faça oposição cerrada ao Governo Flávio Dino.

A Coluna sondou vozes do partido e todas disseram que, mesmo que octogenário, João Alberto não pretende deixar a presidência do partido, agora. Mas, se houver interessados no comando da legenda, é bom que saibam que o ex-senador se encontra em plena forma, e não parece disposto a deixar o posto – pelo menos até aqui – dando todas as pistas de que só pensará no assunto depois das eleições do ano que vem.

Mais do que isso, a tendência natural do ex-governador é clara no sentido de passar o bastão emedebista ao vice-presidente do MDB, deputado estadual Roberto Costa, que hoje, sob a liderança de João Alberto, comanda a máquina partidária.

Logo, tudo indica que o deputado federal Hildo Rocha vai enfrentar duras dificuldades se tornar líder do MDB do Maranhão. E se pretende mesmo comandar o partido, que inicie um amplo processo de conversas dentro do partido. Sabe que, caso parta para o confronto interno, corre enorme risco de perder até mesmo o que já conquistou em nome do partido.

São Luís, 12 de Março de 2021.

Flávio Dino atua forte em três frentes e se consolida como gestor, articulador e político

 

Flávio Dino em três situações: o gestos inaugurando obra, o articulador reunido com governadores e o político durante visita ao ex-presidente Fernando Henrique Cardoso

É majoritária na imprensa a avaliação segundo a qual o novo coronavírus só não fez mais estragos no Brasil porque a brutal combinação de obscurantismo e incompetência do Governo do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) foi contida graças às ações de uma safra razoável de governadores. Entre os dirigentes estaduais, independentemente de posições políticas e concepções ideológicas, estão o que há de melhor na nova geração de políticos brasileiros – Flávio Dino (PCdoB), Camilo Santana (PT-CE), Paulo Câmara (PSB-PE), Rui Costa (PT-BA), Eduardo Leite (PSDB-RS) e João Doria (PSDB-SP), por exemplo -, alguns já tarimbados e com desempenho aceitável – caso de Wellington Dias (PT-PI), Ronaldo Caiado (DEM-GO) e Waldez Goés (PDT-AP), entre outros -, e como não poderia deixar de ser, fiascos revoltantes, como o fanfarrão Wilson Witzel (PSC-RJ) e o incrivelmente despreparado Wilson Miranda (PSC-AM). Nesse contexto, o governador do Maranhão tem se sobressaído como gestor de excelência, articulador de ponta e político que sabe onde põe os pés e onde quer chegar. Isso porque, está muito claro, que nele o gestor, o articulador e o político se equivalem, à medida que um não sufoca os outros.

Como gestor, Flávio Dino quebrou a regra, fugiu do obrismo faraônico praticado por antecessores, e optou por priorizar o básico e essencial: educação, saúde, combate à pobreza, cidadania, investindo também em infraestrutura. Basta visitar uma das mais de mil unidades de Escola Digna e um dos vários IFMA para se ter uma ideia clara do que é evolução em educação. A rede hospitalar do Maranhão é hoje uma das melhores do Nordeste, com a conclusão e o funcionamento pleno de carcaças hospitalares que encontrou. A multiplicação dos Restaurantes Populares e os programas de economia solidária dão bem a medida da preocupação do seu Governo com as pessoas, foco também das áreas de cultura, esporte, segurança pública, entre outras.  Ao lado disso, seu Governo é ajustado fiscal e financeiramente, não gasta mais do que arrecada, e valoriza cada real que gasta. Os empréstimos têm sido aplicados com rigor e transparência. E até aqui sem um só traço de desvio.

O articulador se apresentou no primeiro mandato, na linha de frente para mobilizar governadores para ações conjuntas como meio de alcançar resultados em tratativas com o Governo da União. Foi um dos principais idealizadores do Consórcio do Nordeste e do Consórcio da Amazônia – do qual é o atual presidente. Essas organizações ganharam força e importância vital com a ascensão de Jair Bolsonaro ao Governo da República, caracterizado, desde o início, pela política ostensiva de torpedear líderes regionais, atacando diretamente os de esquerda, com Flávio Dino na cabeça da lista. A pandemia do novo coronavírus escancarou de vez a inutilidade da agressividade de Jair Bolsonaro e a eficiência da articulação de Flávio Dino. A compra de respiradores, a abertura de leitos, a montagem de hospitais de campanha, a contratação de médicos, o aumento do número de UTIs, e agora a guerra por vacina mostram o fracasso da ação federal e o acerto da ação nos estados. O resultado mais recente da articulação do governador do Maranhão foi o lançamento, ontem, da proposta de Pacto Nacional em Defesa da Vida e da Saúde, texto quase todo da sua lavra e que chegou à Nação assinado por ele e mais 20 governadores.

O político Flávio Dino ganha a mesma dimensão, atuando intensamente sem prejudicar o gestor nem o articulador. Ao mesmo tempo em que mantém a frente com 16 partidos que dá sustentação ao seu Governo, ele se consolidou também como uma das vozes mais atuantes e ouvidas no atual cenário político nacional como implacável, mas civilizado, opositor do presidente Jair Bolsonaro. E também como principal defensor de uma grande frente partidária, unindo centro-direita, centro, centro-esquerda e esquerda. Essa intensa e abrangente movimentação política o levou à lista dos presidenciáveis, considerado também como nome forte para vice numa composição. Seu projeto natural e mais importante, porém, é candidatar-se à vaga que se abrirá no Senado, um passo seguro e quase sem risco.

É lógico que numa conjuntura como a atual, com a tragédia pandêmica e o desastre gerencial do Governo da República, governadores atuem nesses três vieses. Mas nenhum deles o faz com tanta intensidade e amplitude como Flávio Dino, o que o torna um homem público diferenciado, pronto para qualquer desafio nesses três vieses e nos três planos da Federação. As referências feitas ontem ao governador do Maranhão pelo ex-presidente Lula da Silva (PT) dão bem a medida do seu tamanho como homem público.

 

PONTO & CONTRAPONTO

 

Eduardo Braide entre dois desafios: compra de vacina e ameaça de greve no transporte coletivo

Eduardo Braide exibe cópia do projeto que o autoriza a comprar vacinas em consórcio

O prefeito Eduardo Braide (Podemos) venceu um desafio e se prepara para enfrentar outro, mais complexo e politicamente sensível.

O primeiro foi a aprovação, pela Câmara dos Vereadores, do Projeto de Lei que autoriza a Prefeitura de São Luís a comprar vacinas contra o novo coronavírus diretamente do fabricante. A com esse aval legislativo, a Capital do Maranhão passa a integrar o consórcio que já mobiliza aproximadamente 1.700 municípios com essa finalidade. O prefeito de São Luís foi um dos primeiros a apoiar a iniciativa da Confederação Brasileira de Municípios (CBM), que, assim como o consórcio de Estados, pode ser parte decisiva da solução para o vácuo aberto nessa frente pela incompetência do Governo Federal. Em conversas com a imprensa, o prefeito Eduardo Braide informou que já tem recursos separados para comprar vacinas, estando dependendo apenas da efetivação e ação do consórcio.

No contrapeso, o prefeito Eduardo Braide vê se aproximar o momento em que terá de encarar a pressão pelo aumento do preço nas tarifas de coletivos de São Luís. Repetindo o mesmo enredo de anos após anos, motoristas de ônibus anunciam para segunda-feira (15) a paralisação do sistema municipal de transporte público. Dessa vez, a paralisação se dará em protesto contra “sucessivos descumprimentos da Convenção Coletiva de Trabalho vigente e pelo desinteresse do SET em negociar as cláusulas da nova Convenção”. No duro, a paralisação, se houver, será resultado de uma articulação de motoristas e empresários como meio de causar o aumento nas tarifas, caindo todo o ônus no bolso do usuário, que já está no sufoco. O desatar desse nó exigirá habilidade e firmeza do prefeito Eduardo Braide, que, tudo indica, está preparado para o embate.

O prefeito de São Luís tem equilíbrio, habilidade e prestígio para lidar com situações complexas.

 

Pacto contra a pandemia proposto por governadores é pragmático e aposta em resultados

Assinada por 21 governadores – ficaram de fora os do Amazonas, Rondônia, Roraima, Paraíba, Paraná e Santa Catarina -, a proposta do Pacto Nacional em Defesa da Vida e da Saúde surge como um caminho para que os três Poderes unam esforços no combate ao novo coronavírus. Ao contrário de outras manifestações, que usaram linguagem dura contra a desastrada atuação do Governo Federal na condição da crise sanitária, o pacto foi proposto em linguagem serena, sem ataques fortes ao Palácio do Planalto nem ao Ministério da Saúde. Segue, na íntegra, o Pacto proposto pelos governadores:

Pacto Nacional em defesa da Vida e da Saúde

Os governadores dos Entes Federados, signatários deste documento, apresentam ao Brasil a proposta de um Pacto Nacional pela Vida e pela Saúde.

Em reunião realizada no dia 12 de Fevereiro, os governadores debateram com os presidentes do Senado e da Câmara a proposta de uma ampla pactuação dos três Poderes e das três esferas da Federação, visando ao reforço da luta contra a pandemia do coronavírus.

Reafirmamos tal proposição, que se tornou ainda mais emergencial pelo agravamento da situação sanitária, com terríveis perdas de vidas, além de danos econômicos e sociais. O coronavírus é hoje o maior adversário da nossa Nação.

Precisamos evitar o total colapso dos sistemas hospitalares em todo o Brasil e melhorar o combate à pandemia. Só assim a nossa Pátria poderá encontrar um caminho de crescimento e de geração de empregos.

Assim sendo, os governadores signatários reiteram esse compromisso quanto a um Pacto que abranja itens como:

1) Expansão da vacinação, com pluralidade de fornecedores, mais compras e busca de solidariedade internacional, em face da gravidade da crise brasileira. Sublinhamos que todas as aquisições devem ser distribuídas segundo o marco legal do Plano Nacional de Imunização.

2) Apoio a medidas preventivas, essenciais para conter o vírus. Há limites objetivos à expansão de leitos hospitalares, tendo em vista escassez de insumos e de recursos humanos. Dessa forma, as medidas preventivas protegem as famílias, salvam vidas e asseguram viabilidade aos sistemas hospitalares. Medidas como o uso de máscaras e desestímulo a aglomerações têm sido usadas com sucesso na imensa maioria dos países, de todos os continentes.

3) Apoio aos estados para manutenção e ampliação de leitos, quando isso for possível. Ademais, que haja uma integração de todos os sistemas hospitalares, a fim de usar ao máximo as disponibilidades existentes, a partir de planejamento e análise diária de cenários em cada unidade federada.

Consideramos que esse Pacto deve ser dirigido por um Comitê Gestor, com a participação dos três Poderes e de todos os níveis da Federação, além da assessoria de uma comissão de especialistas.

 Esse é o nosso respeitoso convite à Nação, acreditando que as Casas do Congresso Nacional, como instâncias de representação de toda a sociedade, podem ser as condutoras desse importante Pacto. Estamos unidos pela vida e pela saúde.

Brasília, 10 de março de 2021.

Gladson Cameli (Acre), Renan Calheiros (Alagoas), Waldez Goés (Amapá), Rui Costa (Bahia), Camilo Santana (Ceará), Ibaneis Rocha (Distrito Federal), Renato Casagrande (Espírito Santos), Ronaldo Caiado (Goiás), Flávio Dino (Maranhão), Mauro Mendes (Mato Grosso), Reinaldo Azambuja (Mato Grosso do Sul), Romeu Zema (Minas Gerais), Helder Barbalho (Pará), João Azevêdo (Paraíba), Paulo Câmara (Pernambuco), Wellington Dias (Piauí), Fátima Bezerra (Rio Grande do Norte), Eduardo Leite (Rio Grande do Sul), João Doria (São Paulo), Belivaldo Chagas (Sergipe), Mauro Carlesse (Tocantins).

São Luís, 11 de Março de 2021.

Decisão de Fachin confirma críticas jurídicas e políticas feitas por Dino em defesa de Lula

 

Flávio Dino e Lula da Silva: relação vai definir como irão para as eleições  de 2022

A tsunâmica reviravolta na situação do ex-presidente Lula da Silva (PT), que ontem passou de condenado por corrupção e degredado político a cidadão limpo e de novo dono do direito de disputar mandatos, terá desdobramentos diversos no Maranhão. Primeiro porque os fundamentos da decisão do ministro Edson Fachin, do Supremo Tribunal Federal, de anular as sentenças lavradas pelo então juiz Sérgio Moro contra Luiz Inácio Lula da Silva na 13ª Vara Federal de Curitiba, abrem caminho para o reordenamento político nacional, com repercussão forte no plano político do Maranhão, especialmente no projeto que o governador Flávio Dino (PCdoB) constrói para 2022. E segundo porque, com a autoridade de quem é ex-juiz federal e aliado de primeira hora do ex-presidente Lula, o governador Flávio Dino viu seus argumentos contrários às condenações serem confirmados, o que reforça seu cacife nos campos político e jurídico.

Desde que a pancadaria contra o ex-presidente foi iniciada na Operação Lava-Jato, Flávio Dino assumiu a posição de crítico severo do então juiz-titular da Lava-Jato em Curitiba, enxergando ilegalidades flagrantes nos seus procedimentos e nas suas decisões. Sempre fazendo questão de assinalar o seu apoio a operações contra a corrupção, como a Lava-Jato, desde que respaldadas numa base jurídica sólida e em provas irrefutáveis, Flávio Dino pregou contrariamente às condenações que Sérgio Moro impôs ao ex-presidente Lula. Ciente do cabedal jurídico do governador do Maranhão – os dois ingressaram na magistratura pelo mesmo concurso, no qual o maranhense foi primeiro colocado – Sérgio Moro fez cara de paisagem sempre que Flávio Dino reagiu criticando duramente uma decisão do chefe da Lava Jato. Tanto que, por estratégia ou por pura cautela, sempre fugiu ao debate aberto com o governador do Maranhão.

A decisão do ministro Edson Fachin, portanto, lastreia amplamente as críticas do governador maranhense ao agora ex-juiz e ex-ministro Sérgio Moro.

Politicamente, a volta do ex-presidente Lula da Silva ao patamar dos elegíveis mexe com o tabuleiro sucessório no Maranhão. Para começar, tudo indica que Flávio Dino cumprirá sua declaração, várias vezes repetida, a de que, com Lula candidato, ele estará fora da corrida presidencial. Resta saber o que fará o governador se o ex-presidente se candidatar e convidá-lo para vice, selando a aliança PT-PCdoB. Ou ainda tentar essa fórmula com outro nome do PT tendo Flávio Dino como vice. Defensor intransigente da articulação de uma grande aliança partidária, tendo como candidato a presidente o nome dessa frente que estiver melhor colocado nas preferências do eleitorado, Flávio Dino sabe que será difícil convencer o PT a abrir mão de indicar a cabeça da chapa.

Com Lula livre e elegível, Flávio Dino dificilmente entrará na briga pela sucessão do presidente Jair Bolsonaro (ainda sem partido). Seu caminho já está traçado em direção ao Senado da República, sendo, para muitos, candidato imbatível para a única vaga a ser aberta, podendo ter o atual ocupante, senador Roberto Rocha (PSDB), como adversário. Essa tendência, que parece irreversível, coloca muita clareza no desenho da corrida eleitoral no Maranhão no ano que vem. E a favor dela estão todos os aliados de bom senso do governador, que não veem razão para ele mergulhar na corrida presidencial, como cabeça-de-chapa ou como vice. É certo também que, mesmo candidato a senador, Flávio Dino se engajará intensamente na campanha para viabilizar qualquer movimento protagonizado ou apoiado pelo líder petista.

 

PONTO & CONTRAPONTO

 

Destaque

Mulheres ampliam seus espaços na Assembleia Legislativa

Helena Duailibe, Ana do Gás, Cleide Coutinho, Thaíza Hortegal, Socorro Waquim, Detinha, Daniela Tema, Andreia Rezende, Mical Damasceno e Betel Gomes: bem articuladas e ativas, as mulheres ganham espaço na Assembleia Legislativa

As mulheres estão dando as cartas na Assembleia Legislativa nesta legislatura. Hoje, elas são 10, representando quase 25% dos deputados estaduais do Maranhão. Mais do que isso: formam uma representação partidariamente diversificada, mas costumam se mobilizar em torno de questões ´para as quais as mulheres são mais sensíveis, como os direitos da mulher trabalhadora e a violência contra a mulher.

A deputada Helena Duailibe (Solidariedade) é um quadro político de excelência, lastreada por vasta experiência na vida profissional como médica, e na vida pública, como vereadora de São Luís ser deputada estadual, e como secretária de Saúde da Capital e do estado do Maranhão. É atualmente a procuradora da Mulher na Assembleia Legislativa. É tarimbada também na articulação em plenário.

Ana do Gás (PCdoB) é uma mulher de garra, forjada na luta e bem-sucedida como empresária na região de Santo Antônio dos Lopes. No exercício do segundo mandato, ela encerou recentemente um período longo como secretária de Estado da Mulher, cargo que exerceu com eficiência e do qual se afastou no momento em que entendeu ser a hora de retornar às atividades parlamentares.

Cleide Coutinho (PDT) é uma parlamentar experiente, que tem como suporta a longa militância na política de Caxias e região, onde foi o braço direito do marido, o deputado Humberto Coutinho, falecido em 2018, depois de mais de duas décadas de liderança inconteste na Princesa do Sertão. Médica por formação, Cleide Coutinho responde hoje pelo legado político e empresarial que construiu junto com o marido, que continua sendo a sua referência.

Detinha (PL) é assistente social e desembarcou na Assembleia Legislativa em janeiro de 2019 como a mais votada no pleito de 2018. Foi prefeita bem-sucedida de Centro do Guilherme. Atua politicamente como braço forte da arrojada ação política do marido, o deputado federal Josimar de Maranhãozinho (PL). Detinha comanda hoje a bancada do PL no Legislativo estadual, com expressivo peso político no plenário.

Daniela Tema (DEM) chegou à Assembleia Legislativa em 2019 como representante da região central do estado, tendo Tuntum como base principal. Nutricionista de formação, a deputada Daniela Tema tem feito um bom trabalho de apoio à sua região, bem como em questões gerais, como a defesa da mulher, que tem sido uma das bandeiras do seu mandato. Já com seguiu a aprovação de várias medidas nesse sentido.

Andreia Rezende (DEM) é representante da região polarizada por Balsas. Nascida numa família de políticos, tem formação superior em Odontologia, com carreira profissional bem-sucedida. Mas sempre foi fascinada pela política, que abraçou de vez quando decidiu substituir o marido, ex-deputado Stênio Rezende como candidata em 2018. Vítima de um acidente durante a campanha, perdeu os movimentos das pernas. Nada, porém, a impede de atuar intensamente no campo político.

Thaíza Hortegal (PP) poderia tranquilamente continuar atuando como médica pediatra na região da Baixada, dando suporte à ação política do marido, Luciano Genésio (PP), prefeito reeleito de Pinheiro, sua principal base política. Na Assembleia Legislativa, tem sido atuante defendendo os interesses da sociedade, cuidando de questões na área de saúde e apoiando ações destinadas aos municípios onde atua.

Socorro Waquim (MDB), professora de larga experiência e política de muita militância, tendo sido vereadora e prefeita de Timon, hoje o quarto maior município do Maranhão, e secretária de Estado no Governo Roseana Sarney. Política ativa, sempre ocupa a tribuna para se manifestar sobre temas importantes. É um quadro parlamentar de excelência.

Mical Damasceno (PTB) é professora e saída politicamente da militância evangélica na Assembleia de Deus. Na Assembleia Legislativa, é ativa na articulação de plenário, mas também na manutenção das suas convicções religiosas. Recentemente, deu o maior salto político até aqui: assumiu o comando estadual do PTB, em substituição ao deputado federal Pedro Lucas Fernandes. A guinada partidária abriu-lhe um grande espaço político.

Betel Gomes (PRTB), que antes de ser deputada é professora do ensino básico em Arame, assumiu o mandato de deputada com garra e determinação. Nas suas entrevistas, ela tem relatadas dificuldades da sua região. Sua atuação tem sido discreta até aqui, mas ninguém duvida de que a parlamentar está determinada a fazer um mandato tampão de resultados.

Roseana Sarney confirma que pode disputar cadeira na Câmara dos Deputados

Roseana Sarney: confirmação de que vai encarar as urnas no pleito de 2022

A ex-governadora Roseana Sarney (MDB) confirmou ontem, em entrevista à TV Mirante, informação divulgada pela Coluna no dia 29 de Janeiro: poderá disputar cadeira na Câmara dos Deputados. Não fez uma afirmação categórica, recorrendo ao charme politicamente saudável de deixar dúvidas no ar, mas pareceu ter esse projeto como o mais provável para a suspensão previsível da sua aposentadoria política.

Na entrevista, a ex-governadora admite enfaticamente a ideia de voltar por onde começou: na Câmara dos Deputados, na qual ingressou na eleição de 1990. E a explicação é lógica e faz todo sentido: como candidata a deputada federal, ela fazer uma campanha em nível estadual, podendo sair das urnas com votação superior a 200 mil votos, os quais somados aos dos atuais deputados João Marcelo e Hildo Rocha, poderão formar um bolo eleitoral com força para eleger os três e mais um ou até quatro deputados. Isso lhe daria a vantagem de chegar à Câmara Baixa liderando uma minibancada, fortalecendo sua posição dentro da representação do MDB.

Roseana Sarney também deixou no ar a hipótese de disputar o Governo do Estado ou o Senado. Se fizer opção pelo Palácio dos Leões, entrará na corrida com algo em torno de 25% das intensões de voto, para enfrentar, em princípio, o senador Weverton Rocha (PDT), que caminha mesmo para ser candidato, e o vice-governador Carlos Brandão (Republicanos), também determinado a ser o sucessor do governador Flávio Dino. Suas chances seriam remotas. Já com relação ao Senado, dificilmente Roseana Sarney sairá do conforto da sua aposentadoria política para entrar numa disputa na qual suas chances são mínimas.

Logo, feitas e refeitas as contas e tiradas as provas, a Câmara dos Deputados é o caminho mais tranquilo e mais promissor que a ex-governadora Roseana Sarney dispõe nesse momento.

São Luís, 09 de Março de 2021.

Depois de muitos “nunca disse que sou”, Weverton Rocha começa a assumir que é candidato a governador

 

Weverton Rocha admite candidatura ao Governo do Estado em live comandada por Carlos Lupi, presidente do PDT

“Se Deus um dia me permitir governar o meu estado, eu sei que o primeiro desafio é manter o que Flávio Dino começou”. Com essa declaração, feita neste sábado durante uma live comandada pelo presidente nacional do PDT, Carlos Lupi, o senador Weverton Rocha, que preside o PDT regional, assumiu, de maneira clara, que é candidato a candidato à sucessão do governador Flávio Dino (PCdoB), arquivando de vez a estratégia de, quando provocado sobre o assunto, responder com o pouco convincente “nunca disse que sou candidato”. Com essa declaração, o senador confirma ser o mais candidato dos candidatos a candidato, colocando-se, de vez, num tabuleiro que tem o vice-governador Carlos Brandão (Republicanos), que não esconde sua pré-candidatura, como principal adversário. O presidente Carlos Lupi avalizou entusiasticamente o projeto de poder do senador maranhense, destacando “sua enorme capacidade de articulação” e o seu desempenho no Senado. A live “Café com Lupi” de sábado passou a ideia de que, ainda tratada cuidadosamente como uma possibilidade, a candidatura do senador Weverton Rocha ao Governo do Maranhão já é projeto prioritário do PDT.

Weverton Rocha revelou sua candidatura e seu projeto de ação ao responder algumas indagações de Carlos Lupi sobre o que fará se chegar ao poder. Inicialmente, foi cauteloso, e desenhou o seguinte cenário: “No Maranhão, depois de um ciclo grande, teve um governo, do Flávio Dino, que construiu essa transição. Então, a partir de agora vem o ciclo de disputas propositivas: quem tiver oportunidade vai ter que trabalhar para mostrar que é merecedor de continuar na vida pública. A população está mais exigente, observando mais e cobrando mais”. E completou falando dos grandes avanços feitos pelo Governo Flávio Dino e do potencial agropecuário, turístico e industrial, da importância estratégica do Itaqui, destacando uma série de nichos que podem ser explorados e tornar o Maranhão economicamente mais forte.

O fato é que, depois de avaliar cuidadosamente o cenário de ganhos e perdas políticas que nasceu com as eleições municipais, do qual foi um dos mais ativos construtores, o líder do PDT do Maranhão se move como quem está iniciando uma nova etapa do que parece um projeto para chegar ao poder, desenhado com início, meio e desfecho nas urnas, em Outubro do ano que vem. Para viabilizá-lo, vem azeitando uma megaestrutura, que inclui emissoras de rádio e TV, o comando político da Federação dos Municípios do Maranhão (Famem), além de pedetistas no comando de 42 municípios, um cacife respeitável, ainda que considerando o desastre estratégico que levou o PDT a perder as poderosas prefeituras de São Luís e Codó. A isso se soma sua indiscutível eficiência, tanto política quanto legislativa, no exercício do mandato de senador da República, atuando na Oposição, mas com equilibrado senso de pragmatismo.

Não há dúvida de que o senador Weverton Rocha é um candidato muito forte ao Palácio dos Leões. Entra na disputa com um cacife invejável e com potencial para crescer durante a campanha. Enfrenta, porém, incógnita: como o governador Flávio Dino se posicionará nessa disputa?  O apoiará? Apoiará o vice-governador Carlos Brandão? Adotará a neutralidade no primeiro turno e apoiará o vencedor no segundo turno? Político já tarimbado, apesar de jovem, o senador sabe que o posicionamento do governador, seja qual for, terá influência decisiva na disputa. Daí sua preocupação de ajustar o discurso e demonstrar o seu alinhamento com Flávio Dino, que é, de longe, a mais forte e importante liderança política do Maranhão na atualidade, exatamente pela histórica transição que construiu, o que lhe dá o direito de pretender passar o bastão para um aliado confiável.

O senador Weverton Rocha sabe que Deus não dá governo de presente a ninguém, e que chegar ao Palácio dos Leões, como Flávio Dino chegou, mais do que fruto da vontade divina, é uma construção que, além de uma megaestrutura, exigirá, mais do que nunca, o uso da sua “enorme capacidade de articulação”, como assinalou o líder pedetista Carlos Lupi.

 

PONTO & CONTRAPONTO

Indefinição partidária de Bolsonaro atrapalha definições de políticos maranhenses

Indefinição de Jair Bolsonaro retarda definição de Roberto Rocha, Pedro Lucas e Gil Cutrim

Por incrível que possa parecer, o presidente Jair Bolsonaro está sendo responsável por uma série de indefinições partidárias no Maranhão, à medida que vários nomes destacados da política estadual estão aguardando sua escolha partidária para resolver suas pendências. O presidente estaria examinando várias opções, podendo ingressar no Patriotas ou no PTB, ou ainda, numa situação mais remota, retornar ao PSL.

O senador Roberto Rocha, por exemplo, aguarda a definição do presidente para decidir para qual sigla migrará, já que é dada como certa a sua saída do PSDB. Há várias possibilidades para a escolha do chefe da Nação. A tendência inicial do senador é juntar-se ao presidente, filiando-se ao mesmo partido. Mas há quem especule que Roberto Rocha caminha para assumir o PTB, partido já transformado a linha auxiliar do presidente. O certo é que o senador não escolherá um novo partido antes de o presidente fazê-lo.

O deputado federal Pedro Lucas Fernandes, que perdeu o comando do PTB do Maranhão, não depende exatamente da definição partidária do presidente da República para escolher um novo partido. Fala-se que ele está conversando com o PSL, que pode voltar ao controle dos Bolsonaro, e com o PSDB, mudança só possível quando, ou se, o senador Roberto Rocha deixar o partido. É mais ou menos a situação do deputado federal Gil Cutrim, que deixou o PDT e está em busca de um novo partido. Sua escolha só será feita quando houver outras definições, já que seu interesse, como os dos demais “sem partido”, é conseguir uma legenda que fique sob seu comando, o que não está fácil.

Nos bastidores da política nacional corre a especulação de que o presidente Jair Bolsonaro resolverá sua questão partidária até o final deste mês.

 

Destaque

Felipe Camarão: cinco anos de uma gestão de excelência na Educação do Maranhão

Felipe Camarão foi aposta acertada de Flávio Dino para a desafiadora pasta de Educação

Quando, há cinco anos, o governador Flávio Dino, mudou o comando da Secretaria de Estado da Educação, nomeando para o seu comando o jovem advogado Felipe Camarão, muitos ficaram houve surpresa geral. Afinal, mesmo já tendo como lastro passagens bem-sucedidas pelo Procon, Secretaria de Gestão e Previdência, Secretaria de Governo e Secretaria de Culturas, entregar-lhe a fundamental, sensível, complexa e desafiadora pasta da Educação pareceu, à primeira vista, uma aposta muito elevada numa guinada radical. Em poucos meses, a expectativa começou a ser preenchida por resultados surpreendentes, que se avolumaram de tal modo que, cinco anos depois, o Sistema de Educação do Maranhão é muito maior, mais diversificado, mais inclusivo e mais qualificado, resultado de um arrojado processo de desenvolvimento.

Difícil relacionar concisamente o que é o Sistema de Educação do Maranhão comandado por Felipe Camarão, mas basta citar dois dos vários programas em curso, a Escola de Tempo Integral e a Escola Digna, para se ter uma ideia do que esse segmento está vivendo. O primeiro já está implantado em vários em escolas estaduais de vários municípios, proporcionando um nível educacional bem mais elevado que as escolas tradicionais. O segundo, que consiste na substituição de escolas básicas por outras com estrutura, com salas de aula e todo o conforto de uma escola normal. Já são mais de mil espalhadas por povoados de todas as regiões do estado, visto por especialistas como uma verdadeira revolução no ensino público básico do Maranhão.

Mais recentemente, o secretário vem enfrentando com inteligência e muito trabalho o desafio de manter o Sistema de Educação funcionando dentro das limitações imposta pela pandemia do novo coronavírus. Seu último lance é a distribuição de mais de 200 mil kit de internet para que os alunos da Rede Estadual de Ensino se mantenham em atividade. Tudo indica que a coisa vai funcionar.

Advogado por formação e professor de Direito e aos 39 anos, Felipe Camarão é hoje conhecido nos foros educacionais de todo o País como um gestor de excelência, condição que fez dele o quadro que mais tempo permanece à frente da Secretaria de Educação do Maranhão. Tudo isso faz do titular de Seduc um dos nomes mais destacados da sua geração, em quem muitos preveem futuro largo na vida pública.

O governador Flávio Dino sabia o que estava fazendo quando fez sua aposta.

São Luís, 07 de Março de 2021.

Deputados federais vão decidir se reprovam ou aprovam mentira de Jair Bolsonaro contra Flávio Dino

 

Flávio Dino levou Jair Bolsonaro às barras da Justiça por atacá-lo com mentira sobre segurança durante visita

Quando, em setembro do ano passado, às vésperas de viajar para o Maranhão, o presidente Jair Bolsonaro (sem partido), numa entrevista à Jovem Pan – a mais agressiva cidadela bolsonarista do rádio brasileiro -, disse que não cumpriria a agenda prevista para Balsas porque o governador Flávio Dino (PCdoB) havia proibido a Polícia Militar de participar do esquema da sua visita ao município, não tinha ideia de que a falácia lhe daria forte dor de cabeça. Ao tomar conhecimento da declaração, o governador a classificou de “mentirosa” e decidiu entrar na Justiça contra o presidente por calúnia. O assunto foi notícia em todo o País, e logo foi constatado que, por motivo ainda não esclarecido, o presidente da República faltou com a verdade e, o que é pior, não se retratou diante da reação inicial do governador. E como havia anunciado, dias depois o mandatário maranhense protocolou uma notícia-crime no Supremo Tribunal Federal, na qual acusa o presidente Jair Bolsonaro de caluniá-lo, demonstrando que o que o chefe da Nação declarara à Jovem Pan era mentira. No meio político e fora dele, muitos achavam que o caso, como outros dessa cepa, estava condenado a desaparecer nos arquivos da Corte maior. Mas ontem, o decano do Supremo, ministro Marco Aurélio Mello, cumpriu a regra e encaminhou a notícia-crime à Câmara dos Deputados, para que a Casa autorize ou não a abertura de processo contra o presidente da República.

Se o novo presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira (PP-AL), fizer a parte que lhe cabe sem manipulação, a notícia-crime de Flávio Dino contra Jair Bolsonaro cumprirá os trâmites normais até chegar ao plenário da Casa, onde será submetida ao voto. Se 342, ou seja, 2/3 dos deputados federais concordarem, a denúncia será devolvida ao Supremo, que por sua vez abrirá processo. Nesse caso, vem o mais grave: Jair Bolsonaro terá de se afastar da presidência da República até que a ação seja julgada. Se isso ocorrer e ele for condenado, deve perder o cargo. Mas se, ao contrário, o pedido não alcançar os 2/3 de votos favoráveis, o processo será devolvido ao Supremo para ser devidamente arquivado.

Independentemente do que venha a acontecer de agora por diante, a iniciativa do governador Flávio Dino de denunciar o presidente Jair Bolsonaro por atacá-lo recorrendo a uma mentira já terá pelo menos servido para alertar a Câmara dos Deputados sobre o mau hábito do presidente da República. Nos fundamentos da notícia-crime, o governador questiona: “A mentira pode ser usada deliberadamente no debate político? O Presidente da República, com suas elevadas atribuições, pode costumeiramente mentir? ” Dois questionamentos diretos e muito claros que os deputados federais, incluindo os 18 da bancada maranhense, terão de responder. Se os 342 votos necessários autorizarem a abertura do processo pelo Supremo, esses deputados estarão dizendo à sociedade brasileira que não concordam que o presidente da República, seja ele quem for, use a mentira para atacar um governador de Estado, ou quem quer que seja, independentemente de ser ele adversário, aliado ou politicamente neutro. Mas se esses 2/3 da Câmara dos Deputados negarem a autorização, estarão dizendo para a sociedade brasileira, para seus eleitores, que aprovam que o presidente da República minta, declarando-se, portanto, coniventes com a mentira presidencial, abrindo com essa posição um precedente muito grave para a confiabilidade das instituições brasileiras, à medida que desrespeitam flagrantemente o artigo 85 da Constituição da República.

De qualquer maneira, a Câmara dos Deputados, tome a decisão que tomar, terá conhecimento de que o presidente da República está sendo denunciado por um governador de Estado como mentiroso, o que, além de constrangedor, coloca em xeque a honorabilidade necessária para quem exerce o cargo de presidente da República.

Ex-juiz federal e ex-deputado federal, o governador Flávio Dino agiu como qualquer autoridade e cidadão responsável teria de agir: bateu às portas da Suprema corte cobrando justa reparação diante da atitude nada responsável do presidente Jair Bolsonaro de acusá-lo, injusta e criminosamente, de proibir a Polícia Militar de garantir segurança ao chefe da Nação em visita ao Maranhão. Como se vê, uma acusação sem pé nem cabeça, provavelmente feita para justificar sua decisão de não atender ao pedido do senador Roberto Rocha (PSDB) de ir a Balsas, como havia prometido.

Com a palavra, agora, os deputados federais.

 

PONTO & CONTRAPONTO

 

Jaques Wagner enxerga bom senso político em Flávio Dino

Jaques Wagner  pensa como a de Flávio Dino sobre sucessão

A entrevista do senador Jaques Wagner (PT-BA) ao jornal Folha de S. Paulo avaliando a posição do seu partido para a corrida presidencial do ano que vem mostrou que, mesmo dentro do PT, o governador Flávio Dino é nome de peso na seara da chamada esquerda democráticas. Indagado sobre qual perfil mais lhe agrada entre os nomes postos hoje nesse segmento, Jaques Wagner citou o governador baiano Rui Costa (PT), o cearense Camilo (PT) e o piauiense Wellington Dias (PT) como nome a serem levados em conta, e que, fora do PT, Ciro Gomes é um bom nome, mas está fazendo uma política de isolamento em relação ao PT, e fechou assinalando que o maranhense Flávio Dino (PCdoB) é um nome que aparece com mais frequência nas conversas sobre a definição de um candidato para enfrentar o presidente Jair Bolsonaro.

A ênfase dada por Jaques Wagner ao citar Flávio Dino é reveladora de que o governador maranhense é visto com olhar diferenciado quando o assunto é sucessão presidencial. Um dos líderes petistas mais respeitados, exatamente pelo viés mais aberto da sua ação política, Jaques Wagner defende, como Flávio Dino, a ideia da grande aliança, que vozes petistas graúdas, a começar pelo próprio ex-presidente Lula da Silva, se esforçam para não concordar. Ele sabe que boa parte da cúpula petista fará de tudo para lançar um candidato do próprio partido, baseada na convicção de que a esquerda embarcará. Na avaliação de Flávio Dino, e que parece ser a de Jaques Wagner, esse projeto é “suicida”, e pode favorecer a Jair Bolsonaro.

Esse conflito de visões está levando Flávio Dino a amadurecer o projeto de disputar a senatoria, o que, já está muito claro, será muito mais saudável para ele e para a realidade política do Maranhão. Exatamente por não ser uma aventura.

 

Procurador Geral de Justiça quer rigor na fiscalização das medidas contra o novo coronavírus

Eduardo Nicolau entre a promotora Lítia Cavalcante (Consumidor) e o secretário de Segurança Jefferson Portela 

Se depender do procurador geral de Justiça, Eduardo Nicolau, todas as medidas previstas no Decreto Nº 36.531/21, editado pelo governador Flávio Dino para conter o avanço do novo coronavírus no Maranhão, serão cumpridas à risca, por meio de uma fiscalização rigorosa e eficiente. Esse posicionamento foi por ele exposto de maneira enfática durante reunião realizada quinta-feira, na sede do Ministério Público com a participação de várias promotorias e da Secretaria de Segurança Pública.

– Esse é o pior momento que já enfrentamos e precisamos agir com firmeza para garantir a vida do nosso povo – declarou o chefe do Ministério Público do Maranhão. Ele justificou a firmeza que os órgãos e os agentes fiscalizadores devem usar nas suas operações lembrando a gravidade da situação hospitalar do Estado, que depois de um período de queda nos números de óbitos e de infectados, uma reviravolta reativou a curva de crescimento, ameaçando a estrutura hospitalar dedicada a doentes de Covid-19, com a ocupação de leitos rondando os 100%.

Com larga experiência em ações fiscalizadoras e com amplos conhecimentos na área criminal quando promotor de Justiça, o procurador geral Eduardo Nicolau sabe o que diz quando defende ações fiscalizadoras rigorosas. E quem o conhece sabe que ele costuma jogar pesado quando encara desafios como o de agora.

São Luís, 06 de Março de 2021.

Mesmo em campos políticos opostos, Dino e Braide mantêm alinhamento na luta contra o coronavírus

 

Flávio Dino e Eduardo Braide: politicamente distantes, mas alinhados contra a pandemia do novo coronavírus

Não houve conversa formal, acertos administrativos nem sinalização, em ambos os lados, no sentido de uma aproximação política, mas os esforços contra o avanço do novo coronavírus abriram um amplo canal de comunicação entre o Palácio dos Leões e o Palácio de la Ravardière. Por intermédio dos secretários estadual e municipal de Saúde, Carlos Lula e Joel Nunes, respectivamente, Governo do Estado e Prefeitura de São Luís têm mantido uma relação afinada e sem atropelos, com o aval efetivo do governador Flávio Dino (PCdoB) e Eduardo Braide (Podemos). Entre vários pontos em que o governador do estado e o prefeito da Capital estão de acordo, um deles pode ser definido como fundamental e decisivo: o direito de Estados e Municípios comprarem suas próprias vacinas, seja na base do cada um por si, por via direta com farmacêutica, seja por meio de consórcios de governos estaduais e prefeituras.

No item compra de vacina, o governador Flávio Dino já deu todos os passos preparatórios, tendo inclusive anunciado a reserva de R$ 50 milhões para esse fim. Ainda no ano passado, quando pouco se falava na possibilidade de os governos estaduais comprarem imunizantes, o governador do Maranhão pediu e obteve autorização legislativa para agir nessa seara, e em seguida também bateu às portas do Supremo Tribunal Federal para solicitar um posicionamento da Corte maior. Na sua resposta, o Supremo atendeu ao pedido, mas condicionou a aquisição de imunizantes à confirmação, com informações indiscutíveis, da incapacidade do Governo Federal de comprar vacinas suficientes para atender à demanda dos Estados e das Prefeituras. Ontem, Flávio Dino avalizou a compra de vacinas pelo Consórcio Nordeste, organização que tem tido papel relevante nas ações administrativas e políticas dos governadores da região, do qual o mandatário maranhense é um dos líderes.

Por sua vez, o prefeito Eduardo Braide, que assumiu há apenas dois meses, vinha dizendo e repetindo que, dependendo das circunstâncias, a Prefeitura de São Luís também compraria vacinas. Ontem, diante das circunstâncias causadas pelo aumento do número de óbitos, decidiu, com essa finalidade, entrar no consórcio, criado pela Confederação dos Municípios Brasileiros (FNB). E anunciou que encaminhará na próxima semana à Câmara Municipal pedido de autorização para comprar vacinas, engrossando as fileiras do movimento comandado pela FNB. Assim como anunciou o governador Flávio Dino, o prefeito Eduardo Braide revelou que já tem recursos reservados para a compra de vacinas, sem, no entanto, informar o montante que dispõe.

O canal de comunicação entre o Governo do Estado e a Prefeitura de São Luís sobre o combate ao novo coronavírus revelou que, mesmo em campos políticos diferentes, e com diferenças doutrinárias e programáticas, Flávio Dino e Eduardo Braide vêm mantendo uma convivência civilizada. Eles demonstram que, quando o interesse da sociedade está em jogo, mandatários devem encontrar meios de agir em comum acordo. Isso ficou claro quando o prefeito de São Luís atendeu ao chamamento do governador para a reunião de segunda-feira, no Palácio dos Leões, na qual o assunto foi o pacote de medidas destinadas a conter o avanço da pandemia, sem que a união contra a Covid-19 tenha mudado suas posições políticas. Não há sinais de que os dirigentes estejam inclinados a uma aproximação política, mas também nada indica que essa aproximação seja impossível.

Flávio Dino e Eduardo Braide são políticos com lastros ideológicos diferentes, estão situados em campos adversários, mas são, ao mesmo tempo, inteligentes e pragmáticos, e conhecem muito bem um ao outro. Isso significa dizer que, mesmo que não venham a dar passos em direção à política, a aproximação dos dois fomentada pelo novo coronavírus abriu caminho para que mais tarde eles voltem a conversar.

 

PONTO & CONTRAPONTO

 

Norte-Sul ganha novo trecho, ganha status de obra essencial e dá sabor de vingança a Sarney

Norte-Sul: Sarney curte a “doce vingança” e Bolsonaro festeja com obra alheia

Inaugurado ontem o trecho de 172 quilômetros da Ferrovia Norte-Sul, ligando o município de São Simão, em Goiás, ao de Estrela D`Oeste, em São Paulo, e criando condições para a conexões ferroviárias com os principais estados produtores do País, a começar pela chamada Malha Paulista, que será operada pela concessionária Rumo, que ali investiu R$ 711 milhões. O trecho foi inaugurado pelo presidente Jair Bolsonaro (sem partido)

Para quem não se lembra, a Ferrovia Norte-Sul foi projetada e iniciada no Governo do presidente José Sarney, em 1987, tendo José Reinaldo Tavares como ministro dos Transportes responsável direto pelo projeto. O projeto, que começa em Açailândia, tinha por objetivo de criar a espinha dorsal de uma malha ferroviária para o País, foi na época intensamente bombardeado na época, principalmente pelos lobbies poderosos de conglomerados multinacional produtores de caminhões e pneus, que financiaram a reação de dezenas de deputados contrários ao projeto. Mesmo sob forte e implacável pressão, o presidente Sarney suportou a pancadaria e deu prosseguimento ao projeto.

Recolhido em Brasília, o ex-presidente José Sarney deve ter saboreado ontem, mais uma vez, o doce sabor da vitória, que curte todas as vezes que um trecho da Norte-Sul é inaugurado. Motivo: duramente atacado por adversários do projeto, o presidente José Sarney decidiu suportar toda a pancadaria que sofreu e levar o projeto em frente. De 1990 para cá, todos os presidentes que o sucederam reconheceram a importância da Norte-Sul e investiram na construção de novos trechos, o mesmo acontecendo com lideranças políticas e da classe empresarial. O mesmo deve ser sentido pelo ex-ministro José Reinaldo Tavares, que na época foi duramente atacado.

 

Folha: PF afirma que Josimar de Maranhãozinho teria usado emendas em esquema com Pacovan

Josimar de Maranhãozinho e Pastor Gil: apontados pela Polícia Federal no esquema com emendas

Informações divulgadas ontem pelo jornal Folha de S. Paulo dizem que, ao contrário do que pregava, o deputado federal Josimar de Maranhãozinho (PL), que alimenta o projeto de disputar o Governo do Estado, está mesmo enrolado no rumoroso caso do desvio de emendas ao Orçamento da União destinadas à Saúde no Maranhão. De acordo com o matutino paulistano, as investigações feitas pela Polícia Federal, que começaram nos primeiros dias de Dezembro passado, conforme a Operação Ágio Final, encalacram o parlamentar e seu colega de partido, deputado federal Pastor Gil (PL).

De acordo com o jornal, que diz ter tido acesso a documentos da Polícias Federal, o deputado Josimar de Maranhãozinho (PL) teria liberado R$ 1,5 milhão em emendas e recebido R$ 365 mil em propina, tendo como intermediário o agiota Josival Cavalcante da Silva, o Pacovan, enquanto o deputado Pastor Gil liberou R$ 1,048 milhão, colhendo R$ 262 mil em propina, também paga a Pacova, que está preso. A Operação Ágio Final apurou que os dois parlamentares agiam afinados com Pacovan, que se apresentava junto a prefeitos como responsável por obter as emendas. Em troca, exigiria deles a devolução de uma parte do dinheiro como pagamento de propina.

O relatório das investigações diz ainda que “os valores discriminados na anotação são idênticos aos valores de emendas parlamentares constantes na notícia crime encaminhada pelo prefeito de São Jose de Ribamar”. Trata-se do então prefeito Eudes Sampaio (PTB), que reagiu a achaques de Pacovan, denunciando-o à Polícia Federal, por meio de notícia-crime, que deu origem, em dezembro passado, à Operação Descalabro, que encontrou mais de R$ 3 milhões, em dinheiro vivo, em escritório de Josimar de Maranhãozinho, em São Luís.

Procurados pelo jornal Folha de S. Paulo, Josimar de Maranhãozinho se recusou a fazer qualquer comentário sobre o assunto, enquanto o Pastor Gil confirmou a destinação de emendas a São José de Ribamar, afirmando, porém, que “nunca compactuei com qualquer esquema de desvio de dinheiro público”.

São Luís, 05 de Março de 2021.

Ações da PF investigando supostos desvios deixam prefeitos de Imperatriz e Pinheiro em posição delicada

 

Assis Ramos (Imperatriz) e Luciano Genésio (Pinheiro): gestões passadas colocadas à prova por operações da PF

A credibilidade das administrações dos prefeitos reeleitos de Imperatriz, Assis Ramos (DEM), e de Pinheiro, Luciano Genésio (PP), foi colocada à prova terça-feira e ontem pelas operações “Recôndito” e “Estoque Zero”, realizadas pela Polícia Federal (PF) ambas autorizadas pela Justiça Federal para apurar supostos desvios de recursos federais destinados ao combate à pandemia do novo coronavírus. Apoiada pelo Ministério Público do Maranhão (MPE) e pelo Ministério Público Federal (MPF), que encontraram indícios de irregularidade em processo de licitação, realizado em 2020, para a compra de refeições para doentes infectados pelo novo coronavírus, a operação de Imperatriz, mobilizou 25 policiais para o cumprimento de sete mandados de busca e apreensão. Na ação em Pinheiro, que teve o objetivo de “desarticular grupo criminoso estruturado para promover fraudes licitatórias e irregularidades contratuais envolvendo recursos públicos federais que seriam utilizados no combate à pandemia”, segundo a Controladoria Geral da União (CGU), a PF usou 30 policiais para cumprir cinco mandados de busca e apreensão, quatro mandados de constrição patrimonial e um mandado de suspensão do exercício de função pública. As operações foram amplamente divulgadas, causaram forte impacto nos dois municípios e colocaram os seus dirigentes em situação delicada.

O caso de Imperatriz ganha cores mais fortes à medida que o prefeito Assis Ramos é um delegado de Polícia com ficha até aqui sem mácula e que entrou na política tendo o combate à corrupção como um dos focos da sua ação administrativa. No primeiro mandato, não houve registro de casos de desvios, nem mesmo no período da campanha eleitoral, salvo acusações genéricas de má gestão e outras bordoadas de adversários e concorrentes. A operação “Recôndito”, porém, deflagrada agora, mas relacionada com supostos desvios praticados em 2020, coloca em dúvida a integridade do primeiro mandato e deixa o prefeito Assis Ramos numa situação desconfortável, mesmo não sendo ele diretamente envolvido. A acusação de que licitações foram fraudadas para turbinar preços e desviar recursos por meio de empresas “laranjas” foi, de fato, uma pancada.

Ontem, ao tomar conhecimento da ação dos policiais no cumprimento dos mandados, o prefeito de Imperatriz gravou um vídeo dentro de um veículo em movimento, para afirmar que duvida da veracidade da acusação e que todos os segmentos da sua administração estão à disposição da PF e da Justiça para serem investigados. E declarou, enfático, que ele, como prefeito, é o maior interessado no esclarecimento. Com vasta e sólida experiência em investigação policial, o prefeito Assis Ramos sabe que dificilmente a PF desembarcaria em Imperatriz com tal contingente sem o aval da Justiça baseado em indícios levantados pela CGU. Sabe também que o andamento da investigação dirá o que de fato aconteceu em Imperatriz.

O caso de Pinheiro parece mais complexo e coloca a primeira gestão do prefeito Luciano Genésio sob forte suspeição. Nascido em berço político – é filho do ex-prefeito e ex-deputado estadual José Genésio – e um dos políticos mais importantes da sua geração, o prefeito de Pinheiro fez um primeiro mandato produtivo, com expressivo e reconhecido saldo de realizações, tendo se reelegido por larga maioria de votos. A operação “Estoque Zero” pode rasurar a imagem da sua gestão, ainda que ele próprio não seja alcançado pela acusação: esquema de servidores municipais com uma empresa de Teresina (PI) para a compra de 6 mil testes rápidos por R$ 960 mil. De acordo com a CGU, a compra foi armada para beneficiar empresários piauienses. Os mandados foram expedidos pela 1ª Vara da Justiça Federal em São Luís.

O prefeito de Pinheiro não usou qualquer artifício ou instrumento para abafar o caso ou esconder a operação da PF. Demonstrando segurança e determinação, Luciano Genésio disse a jornalistas que é ele o maior interessado para que tudo seja colocado em pratos limpos. E fica difícil compreender que um quadro como ele, que tem futuro promissor, tenha algo a ver com alguma falcatrua ocorrida nas entranhas da Prefeitura de Pinheiro.

Os prefeitos Assis Ramos e Luciano Genésio precisam mostrar com clareza que as denúncias não têm lastro ou, se houve desvio, demitir, processar e ajudar a mandar os responsáveis para a cadeia.

Em Tempo: Vale lembrar que em junho de 2020, no auge da pandemia, nada menos que 60 policiais federais estiveram na Prefeitura de São Luís para cumprir três mandados de prisão temporária e 14 de busca e apreensão, na operação “Cobiça Fatal”, que investigou suspeita de superfaturamento na compra de 360 mil máscaras hospitalares, a um custo unitário de R$ 9,90, quando no preço de mercado a unidade custaria R$ 3,17. O caso repercutiu, o prefeito Edivaldo Holanda Jr. (PDT) demitiu o secretário municipal de Saúde, Lula Filho, e não deu mais uma palavra sobre o assunto, tendo deixado o cargo como se nada tivesse acontecido.

 

PONTO & CONTRAPONTO

 

Premiando a arte e ajudando o artista

Flávio Dino : mais Conexão Cultura para apoiar a classe artística atingida pela pandemia

Um dos segmentos mais prejudicados pela ação avassaladora do novo coronavírus em todos os planos da atividade econômica e cultural, a classe artística do Maranhão, como acontece em todo o País, foi mergulhada num período de paralisação e incertezas. Shows musicais, espetáculos teatrais, cinema, foram suspensos, causando estragos imensuráveis os meios de sobrevivência nos fazedores de cultura.

Ontem, o governador Flávio Dino (PCdoB), que tem sido incansável na busca de soluções para, pelo menos, minimizar tal situação, que alcança muitos militantes da arte, anunciou uma nova edição do Projeto Conexão Cultural, um meio de lhes assegurar algum suporte financeiro. A iniciativa vai distribuir R$ 1,5 milhão na premiação, no valor de R$ 1.500,00, de mil produções artísticas.

Para participar, o artista terá de se inscrever conforme o edital, que será divulgado nos próximos dias pela Secretaria de Estado da Cultura, de modo que as inscrições sejam feitas até o dia 10 deste mês no endereço https://cultura.ma.gov.br/.

A iniciativa é oportuna e benvinda.

 

Bolsonaro está se desmanchando

Jair Bolsonaro perde força

Bolsonaristas maranhenses antes irredutíveis começam a analisar o cenário nacional com mais sobriedade e menos partidarismo e a perceber uma realidade está ganhando forma: o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) está perdendo rapidamente prestígio e força política e caminhando para o desastre eleitoral no ano que vem.

O ponto de reflexão mais forte é a posição do presidente em relação à pandemia – negacionismo, rejeição à máscara, afronta às normas sanitárias, ministro Pazuello, cloroquina, atraso na comora de vacinas, tentativas de inibir governadores e prefeitos, defesa da abertura total, entre outros itens.  Simpatizantes com bom grau de esclarecimento, que antes aplaudiam qualquer sandice do presidente, hoje já não se empolgam e, ao contrário, já ensaiam críticas às decisões e atitudes políticas do ex-mito.

A conclusão de alguns agora ex-partidários é que o governo Bolsonaro, que de fato nem começou, já está no fim, de maneira irreversível. Mesmo que venham por aí a nova edição do auxílio emergencial, R$ 10 reais a menos no preço do gás de cozinha e outros mimos sociais, a derrocada é quase certa. Isso porque está claro que tais concessões não são programas de um governo com visão social séria, como foi o Bolsa Escola no Governo FHC, que evoluiu para Bolsa Família no Governo Lula. São, na verdade, jogadas destinadas a seduzir o eleitorado pobre e obter dele uma reeleição cada vez mais improvável.

São claros os sinais de que Jair Bolsonaro está perdendo gás e sendo desmontado por ele próprio e pela turma que o cerca. O melhor exemplo disso é a mansão de R$ 6 milhões comprada em Brasília pelo seu filho, senador Flávio Bolsonaro (PSL-RJ). Um deboche injustificável diante de milhões e milhões de brasileiros que estão amargando os duros efeitos da crise.

São Luís, 04 de Março de 2021.

Gil Cutrim sai do PDT e abre temporada de mudanças partidárias importantes para 2022

 

Gil Cutrim, Roberto Rocha e Pedro Lucas: mudanças partidárias importantes para as eleições de 2022

O deputado federal Gil Cutrim formalizou sua saída das fileiras do PDT, confirmando o que já estava desenhado desde 2019, quando votou várias vezes contrariamente à posição do partido na Câmara Federal, atuando com clara tendência governista. Com a decisão, o PDT do Maranhão perde força na bancada federal, onde só conta agora com o senador e presidente do partido Weverton Rocha, já que com a saída de Gil Cutrim, o PDT fica sem deputado federal. A desfiliação de Gil Cutrim do PDT pode ser anotada como a primeira de uma série de migrações na seara partidária maranhense, envolvendo senadores, deputados federais e deputados estaduais, que precisam normalizar suas vidas partidárias para as eleições do ano que vem. Nessa linha de incertezas quanto ao futuro partidário estão dois casos emblemáticos, o senador Roberto Rocha, que está em total desalinho com o PSDB, e o deputado federal Pedro Lucas Fernandes, que rompeu com o comando partidário nacional.

O então ex-prefeito de São José de Ribamar, que havia rompido com o MDB, juntamente com o irmão, o deputado estadual Glaubert Cutrim, desembarcou no PDT causando surpresa. Primeiro pela escolha partidária de quem havia saído do Grupo Sarney, onde foi politicamente originado. Depois por nada ter com o PDT em matéria de identidade política e ideológica. O advogado Gil Cutrim não tem qualquer traço de esquerda nem de centro-esquerda na sua concepção política e ideológica. Ele é um político de direita, podendo até ser situado, com alguma boa vontade, num espectro de centro-direita, muito distante, portanto, do PDT de Jackson Lago, Neiva Moreira e de Weverton Rocha. Logo, sua desvinculação do que ainda resta do brizolismo no Maranhão não é nenhuma surpresa. Para onde vai? Para a direita, claro.

Em outro patamar, o senador Roberto Rocha segue o mesmo rumo. Saiu das entranhas do sarneysismo, virou manda-chuva do PSDB e rumou para a esquerda até desembarcar no PSB, onde passou uma temporada e por lá se elegeu senador, apoiado pelo PCdoB. No Senado, iniciou uma guinada em sentido contrário, retornando à direita, tendo feito a escala mais prolongada no PSDB, que retomou do vice-governador Carlos Brandão. O senador parece ter encontrado o seu ideal político no bolsonarismo, que representa a direita conservadora e radical. Não se sabe exatamente para onde Roberto Rocha migrará, mas, a julgar pelos movimentos que ele tem feito, se deixar mesmo o PSDB, como está desenhado em traços fortes, a maioria das apostas é no sentido de que ele se filiará à legenda na qual o presidente Jair Bolsonaro vier a se filiar, ou numa bem próxima, para ser candidato a governador, a senador ou a deputado federal.

Uma das lideranças mais ativas da nova geração, o deputado federal Pedro Lucas Fernandes foi atropelado pelo chefe maior do partido, ex-deputado federal e deflagrador do “Mensalão” Roberto Jefferson, por ter votado a favor da prisão do seu colega de Câmara Federal, o golpista Daniel Silveira (PSL-RJ). Foi-lhe tirado o comando do PTB no Maranhão, que estava há décadas sob controle da sua família, e entregue à deputada estadual Mical Damasceno, que concordou integralmente com Roberto Jefferson, sem ter movido uma palha pelo agora ex-presidente. Se não houver uma reviravolta com a destituição do mensaleiro-mor da presidência do PTB, Pedro Lucas Fernandes terá de deixar o partido. O problema é que será difícil para ele encontrar agora um partido para chamar de seu pois seria terrivelmente desgastante ingressar numa legenda como mais um, depois de ter sido chefe incontestável do PTB. Há quem diga que ele assumirá o PSDB, que já foi controlado por seu pai, o ex-deputado federal e atual prefeito de Arame, Pedro Fernandes.

Outras situações de ajustes e sem o tom dramático estão em processo cuidadoso de avaliação. É o caso, por exemplo, da senadora Eliziane Gama, bem acomodada no Cidadania, mas sabendo que logo terá de turbiná-lo ou migrar para uma legenda mais forte, com capilaridade no estado inteiro, sem o que será complicado dar novos passos no plano majoritário.

Essas mudanças devem acontecer até setembro.

 

PONTO & CONTRAPONTO

 

Brandão visita fábrica da vacina Sputnik V no Brasil; Dino pode comprar imunizante russo

Carlos Brandão (centro) com governadores e executivos nas instalações onde se produz a Sputnik V no Distrito Federal

Quanto maior for o número de vacinas, mais certeza se terá de que a população do Maranhão será imunizada o mais rapidamente possível. É o que pensam o governador Flávio Dino e o núcleo duro do Governo em relação ao novo coronavírus. E foi com essa motivação que, atendendo a recomendação do governador, o vice-governador Carlos Brandão (Republicanos) visitou ontem, em Brasília, as instalações da farmacêutica União Química, que está produzindo a vacina russa Sputnik V no Brasil, juntamente vários governadores. Ali, os mandatários constataram a eficácia da estrutura industrial e conversaram com os dirigentes da empresa sobre a possibilidade de os Estados e a União comprarem o imunizante, que já está sendo fabricado naquele complexo industrial.

Como já é sabido mundialmente, a Sputnik V foi a primeira vacina russa contra o novo coronavírus. Seus testes registraram eficácia de até 91,6%. Seus relatórios estão sendo analisados pela Anvisa, que poderá autorizar o seu uso emergencial nas próximas semanas. Informações da União Química preveem que dez milhões de doses sejam importadas prelo Brasil, podendo aumentar com a fabricação do imunizante no Distrito Federal.

O governador Flávio Dino já foi à Justiça em busca de autorização para que os Estados possam comprar imunizantes. Ele inclusive já separou R$ 50 milhões para serem usados na compra de vacinas tão logo os Governos estaduais e prefeituras sejam autorizados.

A missão do vice-governador Carlos Brandão será concluída com um relatório que fará ao governador Flávio Dino sobre o que viu e ouviu. Ele é sempre acionado pelo governador, numa demonstração de que as informações que lhe são consistentes e confiáveis.

 

Aliado de Eudes Sampaio, Pedro Lucas entregou veículo a Júlio Matos em Ribamar

Pedro Lucas, Júlio Matos e Gilvana Duailibe na entrega do veículo ao Conselho Tutelar da Região das Vilas

Situação curiosa viveu ontem o deputado federal Pedro Lucas Fernandes. Ele foi a São José de Ribamar entregar um veículo para o Conselho Tutelar da Região das Vilas, que conseguiu, via emenda ao Orçamento. E o fez em ato em frente à Prefeitura com a presença do prefeito Júlio Matos (PL). Um fato absolutamente normal não fossem os vínculos partidários que envolvem os presentes no ato.

O deputado Pedro Lucas foi um dos principais esteios da candidatura do então prefeito Eudes Sampaio (PTB) à reeleição. Júlio Matos venceu com folga nas urnas, mas seu mandato está sob risco, uma vez que sua candidatura foi impugnada sob o argumento de que ele não poderia se candidatar por ser ficha suja. O rolo tramita na Justiça Eleitoral, podendo ganhar um desfecho a qualquer momento.

Júlio Matos e seus advogados apostam alto que seu mandato está garantido, uma vez que a pendência não mais existe. Por outro lado, ex-prefeito Eudes Sampaio, apoiado pelo ex-prefeito Luís Fernando Silva também jogam cacifes elevados na certeza de que haverá ali uma reviravolta, com a queda do atual prefeito e a volta do petebista.

No ato de entrega do veículo, Pedro Lucas Fernandes parecia tranquilo ao lado do seu arqui-inimigo prefeito Júlio Matos. Provavelmente o parlamentar destinou a emenda certo de que entregaria o veículo ao seu aliado Eudes Sampaio, que pelos seus cálculos estaria hoje no comando da Prefeitura ribamarense. Ao mesmo tempo, entregar uma ambulância para Júlio Matos pode ter tido o sabor de vingança em relação ao que lhe fizeram no PTB. E até mesmo iniciando uma nova amizade política.

O prefeito Júlio matos estava à vontade, dono da situação.

São Luís, 03 de Março de 2021.