Todos os posts de Ribarmar Correa

Campanha começa hoje: condicionada ao limite de gastos vai exigir muita ação e habilidade dos candidatos

campanha 8
Edivaldo Jr., Eliziane Gama, Wellington do Curso, Rose Sales, Fábio Câmara, Eduardo Braide, Cláudia Durans e Valdeny Barros abrem hoje a campanha  em São Luís

 

Esta terça-feira, 16 de Agosto, exatos 47 dias antes das eleições, marca a largada da campanha eleitoral cujo desfecho, a 2 de Outubro, será a eleição dos 217 prefeitos e seus respectivos vices e mais de três mil vereadores no Maranhão. A partir das 8 horas de hoje os mais de 600 candidatos a gestor e alguns milhares de aspirantes a cadeiras nas Câmaras Municipais poderão se valer da Lei nº 9.504/1997 para divulgar jingles e mensagens por meio de carros de som, sistemas de autofalante ou amplificadores nas sedes dos partidos e comitês até às 22 horas. Poderão realizar comícios, caminhadas, passeatas e carreatas, estando autorizados também a fazer divulgação e propaganda pela internet – desde que não seja paga. Enfim, os candidatos poderão sair às ruas das 8 às 22 horas usando os mais diversos recursos para seduzir eleitores. Tecnicamente é a primeira etapa da campanha eleitoral, que se estenderá até o dia 26 de Agosto, quando será iniciada a segunda etapa, com o horário eleitoral gratuito no rádio e na TV.

Serão 45 dias de campanha, ao longo da qual os candidatos a prefeito e a vereador poderão dizer o que pensam sobre a realidade, como pretendem transformá-la e quais objetivos pretendem alcançar. Tentarão neste período se comunicar com a massa eleitoral por meio de slogans, músicas temáticas, mensagens diretas, propaganda e, principalmente, discursos, que ainda é a maneira mais original de relacionamento dos políticos com a sociedade. No período da campanha serão realizados também debates, que nas últimas eleições têm sido decisivos para o posicionamento do eleitorado.

As limitações impostas pela lei devem tornar a campanha eleitoral um processo mais direto, mais objetivo e menos caro. Na opinião geral dos políticos, a partir de hoje as campanhas eleitorais serão mais pobres, com menos barulho e muito mais baratas, já que as novas regras limitaram fortemente as doações para campanha. E limitação mais dura foi a  proibição de doação feita por empresa, sob o forte e irretocável argumento segundo o qual essa relação é a raiz da corrupção na esfera pública, principalmente na forma de o chamado “caixa 2”, esquema que tornava  milionárias as campanhas.

As novas regras, instituídas pela reforma eleitoral de 2015, estabeleceram que agora o cálculo para a definição do custo médio de uma campanha para prefeito será definido com base no tamanho do eleitorado de cada município. Em São Luís, por exemplo, que tem 659 mil eleitores, o teto de gastos para uma campanha de candidato a prefeito será R$ 3 milhões, e em caso de segundo turno, o limite de gasto de cada candidato será de 942 mil. Por sua vez, o candidato a vereador só poderá gastar até R$ 442 mil. Quem ultrapassar esses imites, corre o risco de perder o mandato em caso de eleição.

Nos bastidores da corrida eleitoral o que se ouve é que a campanha do prefeito Edivaldo Jr. (PDT), que concorre á reeleição, servirá de parâmetro para os demais candidatos – Eliziane Gama (PPS), Wellington do Curso (PP), Rose Sales (PMB), Eduardo Braide (PMN), Fábio Câmara (PMDB), Cláudia Durans e Waldeny Barros (PSTU). Todos tentarão explorar ao máximo o potencial das redes sociais, usando todos os recursos que a internet oferecer dentro da regra de não divulgar anúncio pago. Até aqui, o candidato que melhor tem se valido das redes sociais é Wellington do Curso, principalmente para atacar o prefeito Edivaldo Jr..

A expectativa é que, por conta das limitações de recursos, que só poderão sair do Fundo Partidário e da doação de pessoas físicas, a campanha eleitoral em São Luís seja mais mano-a-mano, com os candidatos se relacionando mais diretamente com o eleitorado por meio de panfletagens, passeatas e carreatas. E o prefeito Edivaldo Jr. parece estar sintonizado com essa realidade, já que vai inaugurar sua campanha hoje à tarde com uma passeata pela Rua Grande, iniciando no Largo do Carmo e terminando na Praça Deodoro.  A Rua Grande é o “corredor polonês” dos políticos em campanha, pois quem a percorre e sai incólume tem chance na disputa.

 

PONTO & CONTRAPONTO

Eliziane e Wellington podem entrar em confronto pelo 2º turno

Tão logo as candidaturas a prefeito de São Luís foram definidas, correu nos bastidores que de alguma maneira a candidata do PPS, Eliziane Gama, firmaria um pacto de não agressão com o candidato do PP, Wellington do Curso. Os defensores do tal pacto apostavam que atacando o prefeito Edivaldo Jr., os dois conseguiriam minar a força política e eleitoral dele, podendo até tirá-lo de um eventual segundo turno. Hoje, essa estratégia já não conta como muitos adeptos. A avaliação atual é a de que com o crescimento firme do prefeito e a perda de gás dos dois, segundo mostram as últimas pesquisas, a leitura feita por partidários influentes de Eliziane Gama e de Wellington do Curso já estariam avaliando que o que está se aproximando é a possibilidade de um duro embate entre os dois. O desempenho do prefeito já teria feito os dois avaliarem que Edivaldo Jr. é o candidato a ser enfrentado no segundo turno, restando saber por quem. Daí é que, ao invés de pacto, a tendência é Eliziane Gama e Wellington do Curso partirem para um confronto “de vida ou morte” durante a campanha.

Em defesa da mulher I
carmem 1
A ministra Carmem Lúcia (centro) com presidente do TJ, desembargador Cleones Cunha, o governador Flávio Dino e autoridades no Palácio dos Leões

O Poder Judiciário abriu ontem a V Semana da Justiça pela Paz em Casa, campanha que objetiva dar prioridade a processo judiciais que tenham mulheres como vitimas ou partes interessadas, para, assim contar o crescimento da onda de violência contra mulheres registrado no País. O ato, que contou com a presença da presidente eleita do Supremo Tribunal Federal (STF), ministra Carmen Lúcia, foi comandado pelo presidente da Corte, desembargador Cleones Cunha, auxiliado pela presidente da Coordenadoria da Mulher do TJMA, desembargadora Ângela Salazar.

Realizada em todos os Tribunais de Justiça do País, a campanha se estenderá até o dia 19, cumprida a programação que incluirá a realização de mutirões em diversas comarcas para julgamento de processos que envolvem violência doméstica e familiar contra a mulher. Em São Luís e Imperatriz, os esforços concentrados se darão nas varas especializadas e nas demais comarcas que possuem competência para julgar os casos.

Atualmente, existem 7.705 processos em andamento na Vara da Mulher de São Luís, de um total de quase 47 mil casos nos últimos dez anos, na Justiça maranhense. Na ocasião, foi feita a assinatura do Termo de Cooperação Técnica, que vai permitir a utilização do sistema Malote Digital para a tramitação eletrônica dos requerimentos de medidas protetivas de urgência para mulheres vítimas de violência doméstica e familiar. Assinaram o documento o presidente do TJMA, Cleones Cunha, a corregedora-geral da Justiça do Maranhão, Aníldes Cruz, o defensor-público-geral do Estado, Werther Lima, o procurador-geral de Justiça do Maranhão, Luiz Gonzaga Coelho, e o secretário de Segurança Pública do Estado, Jefferson Portela.

Em defesa da mulher II

Idealizadora da Campanha Justiça pela Paz em Casa, a ministra Carmen Lúcia, ressaltou que a priorização dos casos envolvendo mulheres deve ser uma ação permanente dos juízes. Ela explicou que a ênfase na violência contra a mulher existe porque estas são vítimas, simplesmente pelo fato de serem mulheres, por viverem uma vulnerabilidade maior a agressões e direitos fundamentais em relação aos homens, sendo tratadas de forma invisível dentro da sociedade, o que por muito tempo recaiu sobre a violência.

A ministra ressaltou que o Judiciário precisa dar a resposta que o cidadão espera, em tempo razoável, garantindo a sensação de Justiça – esperada pela sociedade, especialmente familiares de vítimas de violência -, pois este é um problema que afeta a todos e a cada um. “Em qualquer lugar do mundo, em que eu souber que uma mulher foi assassinada, uma parte de mim também estará morta: aquela que não deu conta de fazer com que isso não acontecesse, enquanto juíza que sou”, declarou.

A presidente da Cemulher, desembargadora Angela Salazar, destacou que – além da priorização na resolução dos processos que envolvem mulheres – o objetivo da campanha é a pacificação familiar, uma vez que a violência contra a mulher é um fenômeno que lhes nega direitos fundamentais, principalmente no plano das relações domésticas e familiares, negando-lhes também a dignidade humana. “A sociedade precisa compreender que os direitos das mulheres são direitos humanos”, alertou.

O desembargador Cleones Cunha citou dados da Secretaria Nacional de Política para as Mulheres, dando conta de que 40% das mulheres vítimas sofrem violência diariamente, e 34% semanalmente, sem contar os casos em que sofrem caladas em razão de dependências variadas, além da tolerância social e do machismo que imperam na sociedade. Ele ressaltou a importância da participação do Poder Judiciário na pacificação, pois negar o acesso dessas mulheres à Justiça ou oferecer-lhes um serviço precário seria condená-las a um cativeiro dentro de seus próprios lares. “Nesta briga, o Judiciário deve sim meter sua colher, impondo medidas de proteção às vítimas e de punição ao agressor, como também implementando políticas para que deixem de ser agressores”, avaliou.

 

Sem força para viabilizar projetos próprios, Grupo Sarney se divide na corrida para as prefeituras da Ilha

 

joaoroselobo
João Alberto, Roseana Sarney e Lobão Filho: caminhos diferentes na corrida eleitoral nas municípios da Ilha

As eleições para prefeito e vereador nos quatro municípios da Ilha de Upaon Açu vão se dar embaladas por vários fenômenos políticos, sendo que o mais curioso deles é a maneira com que as correntes partidárias que formaram o Grupo Sarney se posicionaram nas alianças que se firmaram em São Luís, São José de Ribamar, Paço do Lumiar e Raposa. Estraçalhado nas urnas nas eleições gerais de 2014, o Grupo liderado pela ex-governadora Roseana Sarney (PMDB), sob a influência maior do ex-presidente José Sarney (PMDB), não encontrou ambiente nem estímulos para se recompor, e sucumbiu por falta de um projeto que amarrasse os interesses de cada um dos seus segmentos. Tendo com o base PMDB, DEM, PV, PTB, PSC, PSD e outras legendas menos expressivas, como PTdoB, PSDC e PRTB, por exemplo, o grupão se pulverizou, tendo algumas legendas se movimentado sob a orientação dos líderes maiores do grupo e outras por conta própria, em busca de sobrevivência num contexto hoje fortemente influenciado pelas correntes  grupo comandadas pelo governador Flávio Dino.

A situação mais emblemática é a que foi desenhada no cenário da corrida para a Prefeitura de São Luís, onde estão cerca mais de 600 mil eleitores, o que corresponde a 15% do eleitorado do Maranhão, decidirão o futuro político e administrativo da Capital. Numa situação surpreendente, o Grupo Sarney se espalhou inteiramente, com uma banda maior se articulado em torno de um candidato e os demais espalhados nas outras coligações, incluindo a governista liderada pelo prefeito Edivaldo Jr. (PDT). Em razão de divergências dos diversos segmentos, entre eles o controlado pelo ex-deputado Ricardo Murad, o PMDB, que é comandado firmemente pelo senador João Alberto, acabou lançando o vereador Fábio Câmara, com chapa pura, mas com um lastro político até agora inexpressivo.

Tendo à frente o deputado estadual Adriano Sarney, o PV fez uma série de “ensaios”, entre eles a filiação efêmera da vereadora Rose Sales, que deveria ser a candidata do partido, entrou em conflito com a cúpula e acabou pulando fora. Além disso, o PV flertou com o candidato do PP, Wellington do Curso, mas acabou embarcando na aliança comandada pela candidata do PPS, Eliziane Gama. O PTB, que tem o comando do deputado federal Pedro Fernandes, com o aval do ex-deputado Manoel Ribeiro, por sua vez, sem alternativa mais viável, se manteve na poderosa aliança que move a candidatura do prefeito Edivaldo Jr., caminho seguido pelo PSC, controlado pelo ex-deputado federal Costa Ferreira, e pelo PSD, que tem como chefe estadual o ex-secretário de Fazenda Cláudio Trinchão. Outras siglas que sempre caminharam com o Grupo Sarney se espalharam pelas coligações em busca de eleger vereadores.

Os principais líderes do Grupo Sarney estão atuando fortemente nos bastidores da corrida eleitoral na Capital. Enquanto o senador João Alberto se desdobra para injetar gás na candidatura pemedebista de Fábio Câmara, o suplente de senador Lobão Filho (PMDB), discretamente apoiado pelo senador Edison Lobão, opera para fortalecer a candidatura de Eliziane Gama, mesmo depois do fracasso da operação por meio da qual ele tentou costurar um acordo PMDB/PPS. Sem se manifestar publicamente, a ex-governadora Roseana Sarney tentou minar a candidatura de Fábio Câmara, tendo mais recentemente defendido uma aliança do PMDB com Wellington do Curso, mas o projeto não foi à frente e ele acabou construindo uma aliança com o PSB lidera pelo senador Roberto Rocha.

Sem força para bancar candidaturas fortes carimbadas com a sua identidade, o Grupo Sarney se dividiu também nos demais municípios da Ilha. Em São José de Ribamar, o “racha” é ostensivo: de um lado está o PMDB comandado por João Alberto, tem como candidato o ex-prefeito Julinho Matos; do outro, Roseana Sarney e outros caciques sarneysistas apoiam discreta, mas intensamente, a candidatura do ex-prefeito Luis Fernando Silva, do PSDB. Em Paço do Lumiar, a maior parte do comando sarneysista investe pesado na candidatura do ex-prefeito Gilberto Aroso (PMDB), reafirmando uma aliança de décadas com a família Aroso; outras facções se aliaram ao prefeito Josemar Sobreiro (PSDB) – todos empenhados em derrotar o candidato do PCdoB e antisarneysista visceral, o emblemático Domingos Dutra. E em Raposa, o grupo se dividiu entre o vereador Eudes Barros (PR), aliado do prefeito Clodomir de Oliveira (PMDB) e apoiado pelo senador João Alberto, enquanto Roseana Sarney estaria apoiando candidatura de Ociléia Paraíba (PRB) contra a candidata do PCdoB, Talita Laci, que tem apoio total as forças lideradas pelo governador Flávio Dino.

Na avaliação de políticos experientes, o Grupo Sarney não tem muito futuro na Ilha sob o comando de Roseana Sarney, que parece não ter mais poder nem ânimo para encarar guerras eleitorais como as que vêm por aí tendo como adversários o governador Flávio Dino, o senador Roberto Rocha e outras lideranças em ascensão. O porto seguro do Grupo é o PMDB sob o comando firme do senador João Alberto, que se desdobra para manter o controle e as suas áreas de influência em torno da Capital.

 

PONTO & CONTRAPONTO

Grupo terá participação forte em grandes municípios
alexassisfilu
Alexandre Almeida, Assis Ramos e Filuca Mendes: diferentes faces do sarneysismo nos municípios

No interior, o Grupo Sarney se movimenta em várias frentes, ora por meio do PMDB, ora por influência de partidos menores, e em alguns casos navegando até mesmo em água oposicionistas. Em Imperatriz, o Grupo aposta na candidatura do delegado Assis Ramos pelo PMDB, mas também a vozes mais discretas se manifestando em favor do ex-prefeito Ildon Marques (PSB), que foi um dos aliados mais importantes de Roseana Sarney, mas que hoje aliado firme do senador Roberto Rocha. Em Timon, o Grupo Sarney está em ação por meio da candidatura do deputado Alexandre Almeida (PSD), que enfrenta o poder de fogo do prefeito Luciano Leitoa (PSB), que tem o apoio determinado do Palácio dos Leões. Em Caxias, o sarneysismo é representado pelo ex-prefeito Paulo Marinho (PMDB), que se aliou com o vereador Fábio Gentil (PRB) contra o prefeito Leo Coutinho (PSB), que representa as forças lideradas pelo deputado Humberto Coutinho, presidente da Assembleia Legislativa. Em Pinheiro, o sarneysismo briga para se manter no poder por meio da candidatura do prefeito Filuca Mendes (PMDB) à reeleição, que enfrentará dois candidatos da esfera governista: Luciano Genésio (PP) e Leonardo Sá (PCdoB).

 

Roberto Costa representa a mais nova geração do Grupo
roberto 3
Roberto Costa: liderança forte

Na corrida eleitoral nos grandes municípios, o nome de maior expressão da nova geração de políticos nascida nos vários segmentos do Grupo Sarney é o deputado Roberto Costa, candidato do PMDB à prefeitura de Bacabal. Atuante, bem articulado e com habilidade para dialogar com as mais diferentes correntes politicas do estado, Roberto Costa vai disputar a Prefeitura de Bacabal pelo PMDB, enfrentando um grupo de políticos que se formou em torno do ex-prefeito Zé Vieira (PP), que é a expressão maior de uma geração que já está se aposentando. Nascido e crescido no grupo liderado senador João Alberto, o deputado Roberto Costa é hoje um dos esteios do PMDB maranhense, o que tem lhe assegurado espaços importantes no PMDB nacional, tanto que acesso direto com o presidente Michel Temer, por exemplo. Roberto Costa vem abrindo caminho para que novas lideranças se formem e se firmem no PMDB, como é o caso do delegado Assis Ramos, que é forte candidato á Prefeitura de Imperatriz.

São Luís, 14 de Agosto de 2016.

Pesquisa aponta vantagem de Edivaldo Jr., mas posições são instáveis e até aqui o desfecho da corrida é imprevisível

 

edivaldojr lidera
Edivaldo Jr. lidera seguido de Eliziane Gama e Wellington do Curso

Se estiver traduzindo rigorosamente as preferências do eleitorado, a pesquisa Exata/TV Guará sobre a corrida para a Prefeitura de São Luís revela um quadro de inércia momentânea, com os candidatos mais fortes praticamente estacionados nos patamares das pesquisas mais recentes. Ao mesmo tempo, emite mais elementos indicadores de que tendência de crescimento do prefeito Edivaldo Jr. (PDT), que alcançou 25%, é lenta, mas consistente, enquanto a posição de Eliziane Gama (PPS), com 21%, tende a se estabilizar nesse patamar, o mesmo acontecendo com a de Wellington do Curso (PP), que apareceu com 18% nas três últimas pesquisas. No segundo pelotão, a situação é diferente, com o registro de uma movimentação intensa entre os candidatos, que neste levantamento estão assim posicionados: Rose Sales (PMB) isolada com 7%, e Eduardo Braide (PMN) com 3%, Fábio Câmara (PMDB) com 2% e Zeluís Lago (PPL), Claudia Durans (PSTU) e Valdeny Barros (PSOL) patinando no lodaçal de 1%. A pesquisa tem uma margem de erro de quatro pontos percentuais para mais ou para menos, expressivamente elevada, não tendo sido divulgado o seu intervalo de confiança.

A liderança do prefeito Edivaldo Jr., que representa exatamente o percentual da margem de erro em relação à Eliziane Gama, tem uma explicação clara. No exercício do mandato e pleiteando a reeleição, Edivaldo Jr. vinha avançando na trilha da discrição, cercando-se de todos os cuidados para não dar aos adversários argumentos para acusá-lo de abusar do poder. Três anos e meio no cargo, período em que viveu altos e baixos, lhe deram o lastro administrativo e os instrumentos políticos para encarar essa disputa. Tanto que em pesquisa recente, sua rejeição, que já alcançara mais de 50%, caiu para menos de 35%. Candidato do PDT e no comando de uma coligação com 12 partidos, entre eles o PCdoB, do governador Flávio Dino, e o PTB, Edivaldo Jr. vem dando sinais de que está a cada dia mais seguro da viabilidade do seu projeto.

A pesquisa Exata/TV Guará acendeu mais uma vez o alerta amarelo no comando de campanha de Eliziane Gama, que apareceu com 21% das intenções de voto. Se não revelou uma reação favorável causada pela movimentação que a candidata vem fazendo desde que seu projeto eleitoral foi formalizado em convenção, o percentual obtido apontou que ela estabilizou sua posição na preferência do eleitorado, pois pela primeira vez não registrou queda nas intenções de voto. A pergunta que se faz agora é se ela conseguirá reverter a grande perda voltando a crescer na preferência do eleitorado. Eliziane Gama não tem o lastro político, a estrutura partidária nem os argumentos – ações de governo – que embalam a candidatura do prefeito Edivaldo Jr.. Todo o seu potencial eleitoral está concentrado nela mesma, já que nem todos os seus aliados dificilmente encararão a guerra eleitoral dela como se fosse deles. Isso quer dizer que toda a sua força política concentra-se nela própria, e por isso o futuro da sua candidatura está na sua capacidade de convencer o eleitor de ela, e não o grupo que a apoia – o PSDB e parte do grupo Sarney -, é que vai comandar as mudanças na eventualidade da sua eleição. Se a candidata não voltar a crescer, é porque o eleitorado não acreditou na aliança que ela lidera.

Dos três que formam o pelotão da frente da corrida para a Prefeitura de São Luís, o que tem posição mais imprevisível é Wellington do Curso, que aparece com 18% das intenções de voto nas ultimas pesquisas. O candidato do PP vinha numa jornada solitária em busca de aliança que lhe desse sustentação política e impulso eleitoral. Depois de muitas idas e vindas nos bastidores, firmou pacto forte com o senador Roberto Rocha, garantindo assim coligação com o PSB tendo como vice o vereador Roberto Rocha Jr.. Tanto quanto Eliziane Gama, o candidato do PP é um franco atirador com uma biografia rica e uma ousadia sem limites, fatores que, juntos, o tornam um candidato com grande potencial para seduzir eleitores, principalmente os mais novos. A pesquisa Exata/TV Guará confirma a inércia do candidato no patamar dos 18%, não indicando se ele será ou não capaz de ultrapassar essa barreira e se tornar uma ameaça concreta a Edivaldo Jr. e a Eliziane Gama. Se não lidera nas intenções de voto, Wellington do Curso tem um dado que lhe é extremamente favorável: sua rejeição é uma das menores, o que lhe gás para brigar pela liderança, o que poderá fazer durante a campanha nos mais de três minutos que terá na TV ao longo de 45 dias.

Como as demais, a pesquisa Exata/TV Guará indicou que, excetuando a vereadora Rose Sales, que alcançou 7%, os integrantes do segundo pelotão dificilmente terão condições de reagir e reverter o quadro atual da disputa. Mas com 10% de indecisos e 12% de eleitores que não querem votar em nenhum deles, a corrida continua aberta e com desfecho rigorosamente imprevisível, mesmo considerando que o prefeito Edivaldo Jr. já apareça com uma vantagem modesta, mas firme.

Em tempo : O Exata ouviu 806 entrevistados, entre os dias 6 e 8 de agosto. Foi registrado no dia 06 de agosto sob o protocolo MA-07443/2016.  A margem de erro é de 4% para mais ou menos e o intervalo de confiança é de 95%.

PONTO & CONTRAPONTO

 

Situação em Paço do Lumiar ainda não está resolvida
paço do lumiar
Dutra lidera,  ameaçado por Aroso, e Josemar está vivo

Não é confortável a posição do líder da corrida pela Prefeitura de Paço do Lumiar, Domingos Dutra (PCdoB). As pesquisas o apontam na liderança, mas indicam também que o ex-prefeito Gilberto Aroso estaria caminhando para consolidar a candidatura e representar uma forte ameaça, assim como o prefeito Josemar Sobreiro (PSDB), que foi tido como politicamente morto, realizou uma convenção festiva e deixou claro que está mais vivo do que nunca, com gás ainda suficiente para comprometer o favoritismo de Dutra. Esse quadro fica complicado porque o Palácio dos Leões aposta todas as suas fichas na eleição de Domingos Dutra, tanto que o governador Flávio Dino está pessoalmente empenhado esforço para consolidar a liderança do candidato do PCdoB, determinado que está em ter seu candidato eleito em Paço do Lumiar. O Palácio dos Leões aposta alto da eleição de Dutra, tanto que o governador Flávio Dino fez questão de participar da convenção do candidato do PCdoB e não tem perdido oportunidade para fortalecer a candidatura de Domingos Dutra. Quem conhece o perfil do eleitor Paço do Lumiar afirma que ainda é muito cedo para algum dos candidatos cantar vitória, prevendo que muita água ainda rolará.

Stênio Rezende denuncia violência e corrupção em Vitorino Freire
stenio 1
Stênio Rezende denuncia violência e corrupção em Vitorino Freire

A dura disputa política e eleitoral começa a ficar acirrada em alguns municípios. Um deles é Vitorino Freire, onde, segundo denunciou o deputado Stênio Rezende (DEM), está em curso uma onda de violência e corrupção. Em sua fala, Stênio Rezende lamentou profundamente a ocorrência de um ato praticado “por 20 maus elementos que, fortemente armados, não mediram esforços e saíram atirando na Casa de Repouso dos Policiais Militares, invadiram a agência do Banco do Brasil e resolveram levar o cofre”. O parlamentar informou que já externou suas preocupações ao secretário de Estado de Segurança, Jefferson Portela, pedindo mais policiais e viaturas para ajudar no combate a violência em Vitorino Freire e no Estado do Maranhão como um todo, “que estranhamente aumenta ainda mais no período que antecede as eleições”. Stênio Rezende disse que a insegurança toma conta de Vitorino Freire porque falta ação pública municipal, pois o município tem um dos piores prefeitos do Maranhão, que ao assumir a Prefeitura montou logo de saída 15 empresas para ganhar todas as licitações consideradas fraudulentas pelas autoridades.  – A corrupção em Vitorino Freire é grave, verídica e o Ministério Público precisa tomar conhecimento e agir imediatamente contra esse absurdo -, declarou, acrescentando que o prefeito é dono do Jacaré Home Center, a segunda maior loja de material de construção de São Luís e a terceira do Estado do Maranhão. Stênio denunciou que os comerciantes de Vitorino não vendem sequer um tijolo para a Prefeitura. “Saiu um caminhão para São Luís buscar três sacos de cimento na Jacaré. O prefeito é irresponsável mas isso está acabando. A  eleição está próxima e o povo saberá escolher o melhor gestor do município”, concluiu.

 

São Luís, 11 de Agosto de 2016.

Decisão do Supremo devolve mandato a Deoclídes Macedo, mina “prerrogativas” do TCE e turbina poder de vereadores

 

deoclçidesalberto
Deoclídes Macedo assumirá o mandato na vaga ocupada até agora por Alberto Filho, que volta à condição de suplente 

A decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) segundo a qual somente as Câmaras Municipais podem rejeitar contas de prefeitos e, com isso, torná-los inelegíveis, certamente causará uma enorme reviravolta em muitas situações políticas em todo o País. Ex-prefeitos que eram estigmatizados pela pecha de “ficha-suja” estão saindo do inferno e regressando ao paraíso, enquanto outros, coroados como “ficha-limpa”, fazem agora o caminho inverso, saindo do paraíso para mergulhar no inferno político. Esse revés se deve ao recurso por meio do qual o ex-prefeito de Porto Franco, Deoclídes Macedo (PDT), eleito suplente de deputado federal em 2014 com mais de 60 mil votos, mas perdeu o mandato numa disputa judicial com o deputado Alberto Filho (PMDB). A decisão do Supremo, apertada (6 a 5) exatamente pelo grau de controvérsia que envolve o tema, deve causar efeito em cadeia em todo País, corrigindo pendências do mesmo teor. E mais, dispara uma poderosa ducha de água fria contra o poder de fogo dos Tribunais de Contas e aumenta, em escala imensurável, o poder dos vereadores.

A guerra judicial começou depois das eleições de 2014, quando o PMDB, alegando ser ele inelegível por ter tido prestação de contas reprovadas pelo TCE, mesmo depois de elas terem sido aprovadas pela Câmara Municipal de Porto Franco, conseguiu tomar o mandato do ex-prefeito de Porto Franco, Deoclídes Macedo (PDT), eleito com mais de 60 mil sufrágios e que assumira no lugar de Julião Amin, o segundo mais votado do PDT, mas que aceitou ser secretário no Governo Flávio Dino. A Justiça Eleitoral deu ganho de causa ao PMDB numa decisão que produziu efeitos em cadeia: anulou os mais de 60 mil votos de Deoclídes Macedo – que era o primeiro suplente da sua coligação –, murchou o balaio de votos da coligação, tirou o mandato do deputado Julião Amim, varreu a primeira suplência de Deoclídes Macedo e abriu caminho para que Alberto Filho, que ficara na suplência da coligação governista, assumisse a cadeira de deputado federal.

Para o PDT, que perdera um deputado com a anulação dos votos de Deoclídes Macedo, só restou recorrer à Justiça, aspirando uma reviravolta mais que improvável. Como se tratava de um tema polêmico, com jurisprudência de ambos os lados, seria uma guerra longa, travada com competência jurídica e paciência política. Em meados do primeiro semestre de 2015, Deoclídes Macedo disse à Coluna ter consciência de que o tema era complexo, mas que confiava no parecer de um jurista respeitado, segundo o qual, ao considerar inelegíveis ex-prefeitos com contas rejeitadas por Tribunal de Contas, a Justiça Eleitoral estava cometendo um erro, já que a prerrogativa de rejeitar contas e, por isso, banir responsáveis da vida pública por oito anos, era das Câmaras Municipais e não dos TCEs. Admitia também que a tese oposta tinha muita força, mas confiava que, cedo ou tarde, os ventos soprariam a seu favor.

Depois de mais de dois anos de peleja, o paciente e centrado ex-prefeito de Porto Franco explodiu em contentamento ao tomar conhecimento de que o Supremo, numa votação apertada, reveladora da controvérsia e na qual até o presidente votou, abraçara sua tese, assegurando-lhe o retorno à Câmara Federal na vaga até então ocupada pelo pemedebista Alberto Filho, que agora volta à condição de suplente. Mais do que isso, resolvendo de vez insegurança da regra.

Além de resolver pendengas decorrentes da insegurança da regra pelo Brasil a fora, a decisão da mais alta Corte de Justiça do País pode ter fraturado a espinha dorsal dos Tribunais de Contas – aí incluídos, os dos Estados e o da União – que perderam a maior fonte do seu poder, que era exatamente declarar inelegíveis gestores com contas embaraçadas. Com isso, os rumores nada abonadores que sempre rondaram o TCE – que passou uma corte mista, pois examina tecnicamente prestações de contas do Estado e das prefeituras, depois de ter absorvido as prerrogativas do Tribunal de Contas dos Municípios, extinto em 1992, por força da Constituição de 1989, tendo todos os seus conselheiros sido aposentados com vencimentos iguais aos de desembargador.

Se os conselheiros do TCE perderam força política, os vereadores ganham musculatura. A decisão do Supremo lhe dá o poder de rejeitar prestação de contas e, com isso, cravar na biografia do mau gestor o carimbo de “ficha-suja”. O problema é que julgamento em Casa legislativa é sempre político, ainda que tenha um fundamento jurídico, e isso pode transformar as Câmaras em espaço de barganha. Uma situação de altíssimo risco, que exige providências urgentes para proteger prefeitos honestos da ação de edis achacadores.

 

PONTO & CONTRAPONTO

 

Quem perdeu e quem ganhou com a saída de Alberto Filho
weverton 5
Weverton reforça liderança com mais um deputado do PDT

A perda da cadeira pelo deputado federal Alberto Filho – que volta à condição de suplente -, reduz de três para dois assentos a participação do PMDB maranhense na bancada do partido, que agora tem um parlamentar a menos na Câmara Federal. E como no jogo da política a regra básica é sempre um perder e outro ganhar, por outro lado a posse de Deoclídes Macedo reforçará a bancada federal do PDT e, claro, aumentará ainda mais o poder de fogo do ativo e articulado líder da bancada pedetista, deputado federal Weverton Rocha, considerado hoje um dos membros mais influentes da Câmara Baixa. A saída de Alberto Filho será também um golpe duro no prefeito de Bacabal, José Alberto, que não fez boa gestão e decidiu não pleitear a reeleição, declarando apoio ao ex-prefeito Zé Vieira (PP), que vai enfrentar a juventude e a determinação política do deputado estadual Roberto Costa (PMDB), por muitos considerado um dos melhores quadros políticos do Maranhão. Alberto Filho volta para casa depois de ter ganhado, juntamente com o colega dele deputado federal André Fufuca (PP), os holofotes como um dos “homens de ouro” do ex-todo-poderoso presidente da Câmara, deputado Eduardo Cunha (PMDB), que deve perder o mandato daqui a dois meses. O jovem parlamentar bacabalense se ligou a Cunha quando o então presidente da Câmara agilizou sua posse por força da decisão judicial que tirou Deoclídes do exercício do mandato.

 

Lidiane desbancada de novo e Malrinete reassume em Bom Jardim
lidianemalrinete
Lidiane Leite novamente afastada e Malrinete retoma o comando em Bom Jardim

Menos de 24 horas depois de ter voltado ao cargo de prefeita de Bom Jardim, por forças de uma polêmica decisão do juiz federal Magno Linhares, que causou perplexidade nos maranhenses, Lidiane Leite (DEM), mundialmente conhecida como “prefeita ostentação”, foi novamente afastada do cargo, agora ordem da juíza titular da 2ª da Comarca de Zé Doca, Leoneide Matinho. A medida judicial se deu pelo acolhimento de mandado de segurança impetrado pela vice-prefeita Malrinete Gralhada (PMDB), que fora empossada em setembro do ano passado com a fuga de Lidiane Leite, que passou mais de um mês foragida. Lidiane, que foi se entregou à Polícia Federal, foi presa sob a acusação de ter fraudado licitações e desviado pelo menos R$ 15 milhões da merenda escolar. Na mesma decisão, a magistrada determinou o afastamento sumário do presidente da Câmara Municipal, vereador Arão Silva, apontado como integrante da quadrilha que, segundo o Ministério Público, saqueava as finanças de Bom Jardim sob o comando de Lidiane Leite e o seu marido, o ex-prefeito Humberto Santos, que na gestão dela exercia o cargo de secretário de Assuntos Políticos, que também foi preso e em seguida liberado para responder ao processo em liberdade, usando, como ela, tornozeleira eletrônica. O novo afastamento de Lidiane Leite foi festejado nas ruas por grande parte da população de Bom Jardim, que manifestou apoio à vice-prefeita Malrinete Gralhada, que reassumirá o comando municipal nesta sexta-feira.

Em tempo: Poucas decisões judiciais recentes causaram tanta perplexidade e foram tão criticadas e questionadas como a do juiz federal Magno Linhares em favor da notória prefeita afastada de Bom Jardim, Lidiane Leite. A Coluna ouviu informalmente advogados, políticos e dois magistrados. Nenhum apontou ilegalidade flagrante na decisão, mas todos assinalaram tratar-se, aparentemente, de uma medida adotada mais por boa vontade do que por uma necessidade imperativa de assegurar um direito líquido e certo de um cidadão atingido por uma injustiça praticada pela própria Justiça, o que parece não ser o caso. Mesmo que o juiz Magno Linhares esteja absolutamente seguro de que agiu corretamente e dentro da lei, sua medida sugere que ele centrou seu foco na conveniência da prefeita suspeita de cometer crimes, produzindo uma decisão que muitos, mas muitos mesmo, interpretaram como um deboche.

São Luís, 11 de Agosto de 2016.

Senadores maranhenses aprovam pronúncia que transformou Dilma Rousseff em ré e devem votar pelo impeachment

 

trio setatorial
João Alberto, Edison Lobão e Roberto Rocha votaram pelo prosseguimento do processo de impeachment

Os três senadores maranhenses votaram pela pronúncia que transformou a presidente da República afastada Dilma Rousseff (PT) em ré e autorizou o prosseguimento do processo de impeachment na Casa. João Alberto (PMDB), Edison Lobão (PMDB) e Roberto Rocha (PSB) seguiram as orientações dos seus partidos, formando assim, com argumentos diferentes, uma unanimidade que não formavam desde que o processo chegou ao Senado da República. Os três, no entanto, informaram que o voto pelo prosseguimento do processo de impeachment não significa que estejam votando a favor do impeachment, mas até as para que o processo avance, de modo que acusação e defesa se digladiem, mostrem seus argumentos, para que os senadores possam avaliar todos os aspectos da acusação e as contraditas da defesa e se posicionem em relação a eles, seja para aceitar o argumento de que a presidente cometeu crime de responsabilidade, seja para chegar a uma conclusão diferente, que não enxergue os crimes que os acusadores relacionam.

A posição que chamou mais atenção foi a do senador João Alberto, que desde o início se posicionou contra o impeachment, mas na votação desta madrugada, votou de acordo com a orientação do PMDB. Fiel ao acordo do PMDB com o PT, que garantiu sustentação política e parlamentar aos 13 anos de governos petistas – oito de Lula e cinco de Dilma Rousseff- João Alberto manteve posição contraria ao impeachment desde que, no final de 2015, o então presidente da Câmara Federal, Eduardo Cunha (PMDB/RJ), aceitou a denuncia, deflagrando o processo pelo impedimento que agora está na sua fase conclusiva no Senado da República. João Alberto contestou a acusação e criticou o processo, sem, porém, colocar dúvidas sobre a sua legalidade, já que todos os trâmites e decisões que o envolvem estão se sucedendo rigorosamente dentro da lei. Agora, no entanto, o senador explica que o impeachment é rigorosamente político e envolve diretamente o seu partido, que por essa via chegou ao Palácio do Planalto com a posse do presidente interino Michel Temer. “Fiz o que pude fazer para discutir melhor esse processo, mas agora eu não posso faltar com o meu partido”, diz o senador, para quem é quase impossível aos defensores da presidente reverter a tendência a favor do impedimento.

O senador pemedebista Edison Lobão – que foi ministro de Minas e Energia do final do Governo Lula e do primeiro mandato do Governo Dilma Rousseff – se manifestou favorável ao prosseguimento do processo desde que ele foi protocolado no Senado juntamente com a autorização da Câmara Federal. Nos seus votos, o senador e ex-ministro deixou claro que não estava se manifestando ainda sobre o mérito, limitando-se apenas ao andamento do processo, sob o argumento de que o votou pela admissão do processo e pela abertura do mesmo, sem manifestar, em qualquer momento, juízo de valor a respeito da acusação e aos argumentos da defesa. Ontem, Lobão manteve a linha de atuação, votando pelo prosseguimento do processo de impeachment, mas ressalvando que não estava relacionando o seu voto com o mérito da questão. Inicialmente muito cobrado por petistas e aliados de Dilma em geral, Lobão se manteve irredutível na sua posição favorável á continuidade do processo. E avisou que sua posição a favor ou contra o impeachment será conhecida no julgamento final.

Sem qualquer vinculação política com Governos do PT, o senador Roberto Rocha (PSB) repetiu a posição que adotou quando da abertura do processo no Senado. Em discurso conciso, objetivo e quase didático, ele votou pela da pronúncia que impôs à presidente afastada a condição de ré. E foi claro ao afirmar que não votou motivado pelos argumentos da acusação e da defesa, mas para que todas as possibilidades e oportunidades sejam dadas a ambas. “Meu voto, neste momento, portanto, cumpre o papel de que não podemos nos furtar de dar sequência ao processo que e precisa chegar a termo, para o bem do país”, disse. E concluiu: “Não vinculo a decisão de hoje ao voto que darei na sessão final de julgamento”. Atuando de acordo com o seu partido, Roberto Rocha tem, no entanto, manifestado posições de independência, como a de não antecipar o voto que dará no julgamento final. Em conversas reservadas, tem dito que já formou convicção sobre o processo de impeachment da presidente Dilma Rousseff.

Mesmo com os cuidados que vêm adotando para evitar posicionamentos precipitados – o que em política é um erro primário – os três senadores maranhenses sinalizam que suas manifestações finais serão pelo impedimento da presidente. Não tanto por conta das acusações, mas principalmente pelo de a presidente Dilma Rousseff ter perdido inteiramente as condições políticas para continuar governando o país.

 

PONTO & CONTRAPONTO

Edivaldo Jr. sai da defensiva e partirá para o ataque a adversários
edivaldo jr. 3
Edivaldo Jr. sinaliza que não apanhará calado

O prefeito Edivaldo Jr. sinalizou que se prepara para sair da posição defensiva e que vai partir para o ataque aos seus adversários. Ele voltou a pregar que recebeu a Prefeitura de São Luís mergulhada no caos, e que, para poder começar a trabalhar, teve de dedicar meses a fio aos esforços de reorganização da estrutura e das finanças da Capital. Suas declarações foram feitas em sabatina movida pelo jornal O Estado do Maranhão e funcionaram como artilharia pesada na direção da candidata do PPS, Eliziane Gama, que vem criticando duramente sua gestão. Com o ataque ao ex-prefeito João Castelo (PSDB), Edivaldo Jr. pretende alvejar a candidata do PPS, Eliziane Gama, que tem Castelo como aliado de proa. O comando de campanha do prefeito de São Luís pretende jogar pesado contra Castelo, acreditando que com isso fragilizará o mais importante aliado direto de Eliziane Gama. “Antes de assumir Prefeitura, sabíamos que existiam dificuldades. Mas somente depois que assumimos é que tivemos a real não do caos que Prefeitura vivia”, disse o prefeito, numa pancada direta no ex-prefeito João Castelo, aliado de Eliziane. Com essa atitude politicamente agressiva, Edivaldo Jr. sinaliza que a partir de agora não vai apanhar calado e que vai responder  com a dureza necessária a todos os ataques que vier a sofrer. E sabe que terá de usar sua metralhadora verbal muitas vezes, já que a Eliziane Gama, Wellington do Curso (PP) e Fábio Câmara (PMDB) vão disparar munição pesada na sua direção.

Flávio Dino vai jogar pesado para eleger o prefeito de Pinheiro
leo de pinheiro
Othelino Neto, Flávio Dino e Leonardo Sá, o candidato governista  em Pinheiro

A luta pelo comando da Prefeitura de Pinheiro deve se tornar uma das mais renhidas de toda a região da Baixada Ocidental Maranhense. É como políticos e eleitores daquele município estão vendo o embate entre o prefeito Filuca Mendes (PMDB), que concorre às reeleição, e Luciano Genésio (PP) e Leonardo Sá (PCdoB). A disputa ali ganhou coro e dimensão desde que o braço político do Palácio dos Leões comandou uma articulação juntaria as forças do pepista Luciano Genésio, candidato a prefeito, e do comunista Leonardo Sá, candidato a vice, contra o prefeito p0emedebista Filuca Mendes. Anunciada festivamente depois que Genésio e Sá foram ao Palácio dos Leões, na semana passada, comunicar a aliança ao governador Flavio Dino, que a comemorou. A aliança foi desfeita porque, a pedido de aliados, o comando nacional do PP proibiu o partido se coligar com o PCdoB no Maranhão. E avisou a Luciano Genésio que, caso ele viesse a se coligar com o PCdoB, o partido em Pinheiro sofreria intervenção federal, com a nomeação de um interventor que cumpriria rigorosamente as decisões da cúpula partidária. O quadro mudou radicalmente em Pinheiro, porque a aliança PP/PCdoB foi desfeita. Diante da decisão do PP, o governador Flávio Dino bateu martelo decidindo que o PCdoB disputará a Prefeitura com Leonardo Sá. Assim, ao invés de duas candidaturas, que consistia numa ameaça real a Filuca Mendes, a corrida em Pinheiro terá três candidatos, dando ao prefeito a possibilidade concreta de renovar o mandato. Diante do imbróglio, o governador Flávio Dino avisou que vai pessoalmente fazer campanha para Leonardo Sá, porque para ele, ter o controle de Pinheiro é estrategicamente importante para o projeto político em curso.

 

São Luís, 10 de Agosto de 2016.

Por decisão da Câmara Municipal e boa vontade de juiz federal, Lidiane reassume em Bom Jardim e Malrinete reage

 

lidiane 11
Lidiane Leite ontem, ao reassumir o cargo, e no tempo em que, deslumbrada, ostentava poder, luxo e riqueza

Os maranhenses amargaram ontem um impacto de soco no estômago com a notícia – que correu rápido e causou perplexidade no Brasil inteiro – de que Lidiane Leite da Silva, que se tornou conhecida no mundo inteiro como “prefeita ostentação” – que fora presa, ganhou liberdade com tornozeleira eletrônica e responde a três processos por fraude em licitações e desvio milionário da merenda escolar – reassumiu o comando da Prefeitura do pobre e sofrido município Bom Jardim. Ela voltou ao cargo pela surpreendente conjugação de duas decisões: a decisão da Câmara Municipal de desfazer, mais de 300 dias depois, o ato que declarou vago o cargo que ela ocupava e empossou a vice-prefeita Malrinete Gralhada, decisão reforçada por autorização dada pelo juiz federal José Magno Linhares Moraes, para que ela tenha acesso às dependências da sede da administração municipal. Lidiane Leite reassumiu no plenário do Legislativo municipal, com um discurso em que jurou inocência e prometeu realizar uma “melhor administração”. A vice-prefeita Malrinete Gralhada, que estava no comando da Prefeitura, decidiu bater às portas da Justiça por meio de um Mandado de Segurança.

malrinete gralhada
Malrinete Gralhada vai à Justiça para se manter no cargo

A decisão da Câmara Municipal de Bom Jardim que devolveu o cargo de prefeito a Lidiane Leite foi duramente criticada por líderes políticos. Causou também perplexidade e comentários a decisão do juiz José Magno Linhares Moraes. A medida legislativa para desfazer uma declaração de vacância definitiva do cargo – ela passou 39 dias ausente e fugindo da Polícia – formalizada há dez meses, gerou muitas dúvidas acerca da sua legalidade. E a concessão feita segunda-feira pelo magistrado federal de autorizar o acesso da agora prefeita de novo às dependências da administração municipal para exercer as prerrogativas que lhe foram devolvidas pelos vereadores.

A volta de Lidiane Leite – agora com o seu jovem e belo rosto sem maquiagem e com a expressão dominada pela candura, sem qualquer traço da “nova rica” arrogante que exibia nas redes sociais quando postava selfies ostentando grifes caríssimas e afirmando que a grana estava “sobrando” – interrompeu a gestão da prefeita Malrinete Gralhada (PMDB), no cargo desde o dia 28 de setembro por decisão judicial, tomada com base na declaração de sua vacância definitiva feita pela Câmara Municipal. Empurrada de volta à condição de vice-prefeita, depois de nove meses se desdobrando para colocar ordem no caos que estava instalado em Bom jardim quando a prefeita fugiu, Malrinete Gralhada considerou a reviravolta uma situação abusiva e ontem mesmo deu início a uma guerra judicial para desmanchar o ato da Câmara Municipal e ter o cargo de volta.

Para quem não se lembra, Lidiane Leite da Silva, uma jovem linda e pobre de Bom Jardim, viveu um conto de fadas tupiniquim ao casar-se com o prefeito Humberto Dantas Santos, um homem poderoso e influente, que além da política ganhou fama como agiota. A união abriu-lhe as portas da boa vida, do dinheiro fácil e do acesso a tudo com que sempre sonhara: roupas caras, joias, carros, viagens, enfim, a uma vida de deslumbramento. E com um detalhe a mais: tudo mostrado em vídeos e imagens que correram o mundo pelas redes sociais. Só que por trás desse conto às avessas havia um plano político e criminoso, segundo o Ministério Público, para assaltar os cofres públicos. Não podendo mais ser candidato a prefeito, pois já havia exercido dois mandatos, Humberto Dantas candidatou a mulher Lidiane Leite em 2012. Ela venceu a eleição e o nomeou secretário de Assuntos Políticos, com carta branca para administrar, tomar decisões, contratar, pagar, para agir com todos os poderes, deixando-a livre para curtir a vida, circulando à bordo de um Land Rover, uma maravilha inglesa de mais de R$ 500 mil.

Alertado por denúncias de que a rede escolar de Bom Jardim vivia uma situação dramática – escolas depredadas, professores desmotivados e crianças mal cuidadas, principalmente por falta de merenda escolar -, o Ministério Público Federal investigou e não deu outra: rastros de desvio de mais de R$ 30 milhões na gestão de Lidiane Leite, dos quais cerca de R$ 15 milhões do setor de educação e, principalmente, da merenda escolar. As investigações deram origem à “Operação Éden”, feita pela Polícia Federal em Bom Jardim, e que resultou na prisão do marido e secretário Humberto Dantas Santos e do ex-secretário de Agricultura, Antonio Gomes da Silva, acusado de ser operador do esquema sob as ordens do marido da prefeita.

A “Operação Éden” não conseguiu alcançar a prefeita. Lidiane Leite evadiu-se no dia 20 de agosto e se manteve homiziada numa fazenda, longe do alcance da PF. Entregou-se 39 dias mais tarde, no dia 29 de setembro, depois de negociar, via advogado, os termos da “rendição”. Passou mais de dois meses encarcerada na PF, mas em julho ganhou o direito de responder os processos em liberdade vigiada por meio de tornozeleira eletrônica. Nessa condição, retornou a Bom Jardim e na semana passada participou de convenção partidária de um candidato a prefeito que tem o vereador-presidente Arão Sousa Silva como candidato a vice-prefeito.

O que chama atenção no caso é que as decisões tomadas pela Justiça e pela Câmara Municipal têm base legal. A prefeita e seus secretários acusados de desviar dinheiro público foram presos e, por meio de recursos, ganharam o direito de responder às acusações em liberdade. No caso dela, ganhou não só a liberdade como também teve de volta o cargo, que deverá exercer até o dia 31 de janeiro, se a vice Malrinete Gralhada não conseguir o cargo de volta.

PONTO & CONTRAPONTO

João Marcelo critica retorno em discurso na Câmara
joão marcelo 4
João Marcelo criticou o retorno de Lidiane ao cargo em Bom Jardim

“Uma armação política que envergonha a todos”, assim o deputado federal João Marcelo Souza (PMDB) definiu a volta de Lidiane Leite ao comando da Prefeitura de Bom Jardim, ocorrida ontem, por decisão da Câmara Municipal e o aval da Justiça Federal. A reação do parlamentar se deu na tribuna da Câmara, onde, em discurso forte, repudiou o que classificou de “manobra política de vereadores e do presidente da Casa, vereador Arão Sousa Silva, que desfizeram a vacância do cargo reconhecida há dez meses e reabilitaram a ex-prefeita, que foi presa por fraude em licitações e desvio de recursos da merenda escolar”. E defendeu a ida da população de Bom Jardim às ruas. João Marcelo assinalou que a volta da ex-prefeita ao cargo surpreendeu a todos, principalmente por ter sido uma decisão da Câmara Municipal, o que na sua interpretação é uma “armação” comandada pelo presidente com o apoio de alguns vereadores. “Esse episódio veio desonrar a todos os maranhenses e brasileiros, que não suportam mais a corrupção. Como essa prefeita, que foi denunciada por desviar 15 milhões do município, pode voltar a comandar Bom Jardim?”, indagou João Marcelo, para acrescentar: “Ela foi criticada pela imprensa nacional e internacional, e agora volta ao cargo graças a esses vereadores irresponsáveis e propineiros, que não respeitaram a prefeita em exercício, uma gestora séria, que é Malrinete Gralhada”. O parlamentar finalizou fazendo um apelo à população de Bom Jardim: “Peço a todos de Bom Jardim, que enquanto a Justiça não se faz – e acredito que ela será feita – que o povo dê a resposta a esse episódio nas urnas. As eleições municipais serão daqui há dois meses, e a melhor resposta a esses políticos que nos envergonham será nas urnas, com o voto consciente da população”.

ESPECIAL

AML faz 108 anos, homenageia intelectuais e relança obras importantes para se compreender o Maranhão
odylo 1
O fardão de Odylo Costa,filho será exibido hoje na comemoração dos 108 anos da  AML

A Academia Maranhense de Letras completa 108 anos neste 9 de Agosto de 2016. E comemorará a nova idade recebendo convidados para uma noite de celebrações. Tendo à frente o presidente Benedito Buzar, que tem feito grandes esforços para manter a instituição cultural em plena atividade, os imortais maranhenses cumprirão uma programação bem ao estilo da AML.

Para começar, às 19 horas o presidente Benedito Buzar apresentará o Hino da AML, de autoria da professora Gracilene Pinto. Em seguida, às 19:15, será inaugurada a exposição do fardão que vestiu um dos seus pares, o jornalista e poeta genial Odylo Costa, filho, na posse dele na Academia Brasileira de Letras. O fardão foi doado à AML pela família do jornalista, que comandou a grande reforma do Jornal do Brasil, no final dos anos 60 do século 20 passado e venerada até hoje como o mais importante marco transformador da imprensa brasileira até aqui.

A programação prosseguirá às 19:30, com palestras dos acadêmicos  Benedito Buzar, Ceres Costa Fernandes e José Ewerton sobre os centenários de nascimento dos acadêmicos Franklin de Oliveira, José Pires Sabóia e José Erasmo Dias, respectivamente.

Um dos momentos mais expressivos do evento comemorativo dos 108 anos da AML acontecerá às 20 horas, quando a instituição homenageará intelectuais que não pertencem aos seus quadros: Arlete Machado, Alberico Carneiro, Álvaro Mello, Aldir Costa Ferreira, Bento Moreira Lima, Celso Borges, Elcior Coutinho, Félix Alberto, Helidaci Correia, Hebert de Jesus Santos, Padre José Resende, José Maria Nascimento, José Henrique Borralho, José Cláudio Pavão Santana, José Eulálio Figueiredo, José Jorge Leite Soares, José Rossini, Jesus Santos, Lenita Sá, Luiz Augusto Cassas, Maria Raimunda Araújo, Maria de Lourdes Lauande Lacroix, Manoel Aureliano Neto, Pergentino Holanda, Paulo Melo Souza, Padre Raimundo Meireles, Ricardo leão, Ribamar Corrêa, Regina Faria, Salgado Maranhão, Sanatiel de Jesus Pereira e Sebastião Jorge.

O evento prosseguirá com o pronunciamento do acadêmico Joaquim Itapary Filho, que falará em nome da Casa, e com o relançamento de cinco  obras fundamentais para a compreensão política e cultural do Maranhão: História do Maranhão e História de São Luís, de Mário Meireles; A Revolução de 30 no Maranhão, de Reis Perdigão; Os novos Atenienses, de Antônio Lobo; e Poesias Reunidas de Laura Rosa. E ainda o lançamento do livro A cidade na literatura, do acadêmico Ronaldo Costa Fernandes.

Vale registrar que a programação comemorativa dos 108 anos da Casa de Antônio Lobo começou bem antes, na semana passada, mais precisamente no dia 2. Naquele dia, acadêmicos e intelectuais das mais diversas vertentes, se reuniram no casarão da Rua da Paz para reverenciar a memória do poeta maior Nauro Machado, que naquela data completaria 85 anos. Apoiada pelo presidente Benedito Buzar, a homenagem ao autor de O Baldio Som de Deus foi marcada pelo lançamento de um livro inédito: Canções de Roda nos Pés da Noite, autografado por Arlete Machado, e pelo relançamento de Erasmo Dias e Noites, que reúne crônicas, artigos, crônicas, contos, novela e poemas de do genial Erasmo Dias, apresentados pelo denso e genial ensaio “Erasmo, o agônico dos Apicuns”, do poeta Nauro Machado. Uma noite digna de registro.

São Luís, 09 de Agosto de 2016.

 

Ildon Marques, Assis Ramos e Ribinha Cunha podem desestabilizar a candidatura de Rosângela Curado em Imperatriz

 

imperatriz
Rosângela Curado pode ter problemas com a força de Ildon marques, Assis Ramos e Ribinha Cunha

A confirmação da candidatura do ex-prefeito Ildon Marques (PSB) à Prefeitura de Imperatriz transformou o seria uma forte possibilidade de eleição da candidata do PDT Rosângela Curado num quadro de total indefinição e imprevisibilidade, que já vinha se desenhando com a candidatura do delegado Assis Ramos (PMDB) e que ganhou cores mais nítidas com a entrada do empresário Ribinha Cunha (PSC), que tem como patrono e maior incentivador o prefeito Sebastião Madeira (PSDB). Na avaliação de políticos experientes, a definição das candidaturas ao comando administrativo e político da metrópole tocantina parece ter induzido o eleitorado a reavaliar o cenário. Isso não significa que a posição da candidata pedetista tenha sido fortemente abalada, mas não há como não avaliar que Ildon Marques e Ribinha Cuinha podem desequilibrar a equação da disputa na qual Rosângela Curado se mantendo no mais alto patamar das preferências do eleitorado.

Com total apoio do seu partido, o PDT, e com o reforço poderoso do PCdoB – o que pode ser traduzido como bênção do Palácio dos Leões – e alguns partidos, Rosângela Curado é nome forte na disputa em Imperatriz, justificando a crença de alguns de que ela será eleita. Para isso, tem cacife próprio, poderia se eleger vereadora sem sair de casa, e certamente será o candidato com potencial para crescer e vencer a eleição. Não é sem razão que tem o apoio decidido do seu partido e o empenho pessoal do chefe pedetista, deputado federal Weverton Rocha, e o aval valioso do governador Flávio Dino e do presidente do PCdoB, secretário Márcio Jerry, contando também com o poderoso e influente secretario de Estado de Infraestrutura, Clayton Noleto, que parece ser o mais empolgado com o projeto eleitoral governista. Seria eleita sem qualquer sombra se nessa guerra não tivesse como adversários o ex-prefeito Ildon Marques, o delegado Assis Ramos e o empresário Ribinha Cunha.

Todas as pesquisas em que foi incluído, feitas antes das convenções, o ex-prefeito Ildon Marques apareceu na frente, mesmo que sua candidatura fosse apenas uma expectativa, já que para muitos, por causa de problemas judiciais ele não pudesse ser candidato. Mas desde que saiu do PSC e ingressou no PSB a convite do senador Roberto Rocha, Ildon Marques ganhou novo ânimo. O apoio declarado e incondicional do senador socialista o tirou da zona de incerteza e indefinição e o empurrou  para a planície da certeza, o ex-prefeito ganhou impulso, cercou-se das garantias possíveis e decidiu entrar na briga para valer. Nas palavras de um amigo e aliado: “O Ildon não está entrando nisso de graça. Ele sabe que pode ganhar a eleição e por isso entrou”. Faz todo sentido, porque a sua condição de capitão de um verdadeiro império empresarial, que tem como carro-chefe a cadeia de Lojas Liliane, dificilmente entraria numa guerra política se não estivesse lastreado por informações que lhe abrisse uma expectativa eleitoral positiva. E até agora nenhuma informação indicou que tenha perdido a liderança na preferência do eleitorado.

A poderosa aliança partidária que Rosângela Curado lidera nessa sorrida também sofre a ameaça do candidato do PMDB, Assis Ramos. Delegado de Polícia da nova geração, com uma extensa folha de bons serviços prestados ao Sistema Estadual de Segurança Pública, Assis Ramos tem aparecido nas pesquisas como o terceiro na preferência dos eleitores, bem próximo da candidata do PDT. E com um dado muito favorável que é uma rejeição pouco expressiva. A candidatura do pemedebista vem entusiasmando a cúpula estadual que, com o aval do cardinalato nacional, do partido, a vê como um dos caminhos para a revitalização do PMDB. Políticos experiente, que conhecem a fundo as facetas de uma guerra eleitoral, o senador João Alberto, que preside o PMDB no estado, acredita e joga todas as fichas do partido no movimento liderado por Assis Ramos em direção à Prefeitura de Imperatriz.

Não bastasse o poder de fogo que do neosocialista Ildon Marques e do pemedebista Assis Ramos, a pedetista Rosângela Curado tem ainda a candidatura de Ribinha Cunha (PSC). Figura importante no meio empresarial de Imperatriz, Ribinha Cunha é irmão do deputado estadual Leo Cunha (PSC), mas o seu principal incentivador é ninguém menos que o prefeito Sebastião Madeira cujo prestígio político é reconhecido até por seus mais duros adversários. Fora da grande aliança partidária incentivada pelo Palácio dos Leões e do projeto do PMDB, Sebastião Madeira resolveu jogar todas as suas fichas do candidato do PSC, e com a convicção de estar criando uma alternativa segura e viável para dar continuidade ao seu projeto administrativo, já aquele próprio sonha ser senador.

A avaliação mais isenta neste momento, que leve em conta as vantagens e desvantagens visíveis dos principais candidatos à Prefeitura de Imperatriz, certamente à conclusão de que a corrida eleitoral ali está rigorosamente indefinida e que o seu desfecho é imprevisível.

Em tempo: Na corrida eleitoral em Imperatriz estão inscritos também o ex-vereador Edmilson Sanches (PPL) e Sandro Ricardo (PCB). Sanches é um técnico com sólida formação bancária e uma invejável bagagem intelectual, que faz política pelo idealismo mais puro. E a julgar pelo partido, Sandro Ricardo com certeza é um daqueles para os quais a propriedade é um roubo e que o futuro está na emancipação do proletariado. São candidatos politicamente saudáveis para consolidar a democracia. Não ameaçam o projeto de Rosângela Curado.

 

PONTO & CONTRAPONTO

Flávio Dino vira alvo de ataques de adversários 
dino 19
Flávio Dino apontado como beneficiário de caixa 2 na campanha de 2010

As tensões da crise política nacional, com a aproximação do desfecho do processo de impeachment contra a presidente Dilma Rousseff (PT) e pela corrida eleitoral em curso transformaram o governador Flávio Dino (PCdoB) numa espécie de alvo de fortes ataques. Dois deles ecoaram dentro e fora no mundo político. O primeiro foi a declaração extemporânea e descontextualizada do ultradireitista deputado federal Jair Bolsonaro (/RJ), que num recado que mandou aos policiais maranhenses, sugeriu que mudem o governador. “Vocês erraram ao eleger esse governador comunista, Isso tem de mudar”, disse Bolsonaro (PP/RJ). A reação do Palácio dos Leões foi amena, parecendo que o governador não tinha interesse O segundo, e mais grave, foi a nota divulgada por Lauro Jardim, colunista de O Globo, segundo a qual na sua delação na Operação Lava Jato, executivos da Odebrecht disseram que a empresa bancou caixa 2 das campanhas de 21 candidatos a governador em 2010, entre eles o de Minas, Antonio Anastazia (PSDB), e o do Maranhão, Flávio Dino (PCdoB), que teria recebido R$  200 mil.  A revelação de Lauro Jardim, feita sem nenhum acréscimo ou juízo de valor, causou um verdadeiro rebuliço  nos bastidores do Governo e na seara dos partidos. O PCdoB reagiu com uma nota que nada diz quando afirma que o PCdoB não fez caixa 2 na campanha e que tudo o que recebeu em doação foi contabilizado e incluído na prestação de contas à Justiça Eleitoral. Ou seja, a nota deixa a critério do leitor chegar às suas próprias conclusões, já que não admite nem nega se recebeu a tal quantia da Odebrecht. A reação do Governo foi a de quem considerou o assunto de importância menor e decidiu encerrá-lo com a nota. Só que ele continua repercutindo, com o aconteceu ontem na Assembleia Legislativa, onde a deputada Andrea Murad (PMDB), que transformou os R$ 200 mil e milhões de caixa 2. O tom escandaloso da deputada oposicionista levou o líder do Governo, deputado Levi Pontes (PCdoB) a fazer a defesa do governador, só que com o mesmo discurso, o de que todas as doações recebidas para sua campanha de 2010 entraram na prestação de contas à Justiça Eleitoral. Ficou no ar a impressão de que o governador Flavio Dino enfrentará artilharia pesa nas próximas semanas.

PMDB aposta em algumas candidaturas em grandes municípios
joão alterto 5
João Alberto aposta em candidaturas do PMDB em grandes municípios, como Imperatriz, Bacabal 

Realizadas as convenções, o presidente estadual do PMDB, senador João Alberto, faz as cintas e aposta no bom desempenho de alguns candidatos do partido em grandes colégios eleitorais do interior, como em Bacabal, onde o deputado Roberto Costa (PMDB) aparece como favorito na disputa com Zé Vieira (PP) Em Imperatriz avalia que Assis Ramos tem condições de crescer como uma espécie de “terceira via” entre Rosângela Curado (PDT) e Ildon Marques (PSB). João Alberto acredita também na reeleição do prefeito de Pinheiro, Filuca Mendes (PMDB), principalmente depois que a aliança PP/PCdoB, que lançaria Luciano Genésio (PP) e como vice (PCdoB), foi desfeita, com os dois agora candidatos a prefeito. Enxerga a reeleição da prefeita de Açailândia, Gleide Santos (PMDB), e a eleição de Mercial Arruda em Grajaú. Na cúpula pemedebista, a impressão geral é a de que a prefeita de Coroatá, Teresa Murad (PMDB) será reeleita. A mesma expectativa é mantida em relação à candidatura do ex-prefeito Albérico Filho em Barreirinhas, principalmente depois que uma guerra interna do PDT escancarou a fragilidade do prefeito.

São Luís, 08 de Julho de 2016.

Edivaldo, Eliziane e Wellington correrão pelo voto sob a influência dos partidos controlados por Dino, Rocha e Sarney

 

saoluis 4
Edivaldo Jr. candidato de Flávio Dino, Eliziane foi buscar apoio no Grupo Sarney, e Wellington tem Roberto Rocha co o aliado de proa para a corrida ao voto em São Luís.

A pesquisa Escutec que investigou as tendências do eleitorado de São Luís no calor das convenções para a montagem de chapas apontou que de terceiro colocado há cerca de quatro meses, o prefeito Edivaldo Jr. (PDT), com 25,2% das intenções de voto, parece estar se consolidando como líder na corrida ao Palácio de la Ravardière. A mesma pesquisa mostra que a candidata do PPS, deputada federal Eliziane Gama, está com 21,8% das preferências dos eleitores, entrando numa zona cinzenta, empurrada, assim um processo inclemente e perigoso de emagrecimento. Encarnando o que alguns já identificam como terceira via, o candidato do PP, Wellington do Curso, aparece estacionada permanece firme e inabalável na terceira posição. O pelotão intermediário – Rose Sales (6,6%), Eduardo Braide (4,9%) e Fábio Câmara (4,3%) – sinaliza de que as chances de reação existem, mas não são as melhores. E o bloco da rabeira, formado pelos candidatos do PSTU, Cláudia Durans (0,4%), e do PSOL, Valdeny Barros (0,1), só vai figurar e pronunciar algumas frases de efeito durante a campanha eletrônica. É esse o cenário, que levando em conta as peças que a política costuma pregar em tempos de briga por votos – são mais de 600 mil disponíveis.

Se a pesquisa estiver correta – é muito provável que esteja pelo menos próxima da realidade -, o prefeito Edivaldo Jr. pode estar caminhando para renovar o mandato. Os números do Escutec dizem que ele lidera a corrida com folga maior do que a margem de erro (3%), o que nas avaliações rigorosamente estatísticas, configura uma vantagem que já dá sinais de consolidação e é muito difícil de reverter pelos demais concorrentes. Para alcançá-lo, Eliziane Gama terá de crescer quatro pontos percentuais sem que o prefeito acrescente um só ponto no seu balaio de intenções de voto. E para um candidato que começou com 56% e até agora só perdeu poder de fogo, a deputada do PPS não parece ter fôlego para esboçar tamanha reação. Para fazê-lo, terá que buscar votos nos 11% de indecisos ou tirar dos candidatos do pelotão intermediário, já que não tomará eleitores do prefeito nem do candidato do PP. A situação de Wellington do Curso, que nas as três últimas pesquisas aparece no patamar dos 18%, dando a impressão de haver esgotado o seu poder de crescimento.

Fator político

Numa avaliação mais ampla, a montagem definitiva das chapas sugere que a partir de agora o eleitorado deverá se definir de maneira mais clara e direta, já que fará suas escolhas sem a incômoda sombra da incerteza, principalmente no que diz respeito ao quem-é-quem no grande embate político que começa neste momento.

O prefeito Edivaldo Jr. vai para a campanha pedir votos como o candidato do governador Flávio Dino, mas o fato de compor chapa com um representante do PCdoB – o professor Júlio Pinheiros, um militante sindical com expressivo poder de fogo –, obriga o governador a reconhecê-lo, tornando inútil o discurso segundo o qual não se posicionará em São Luís por ter Eliziane Gama (PPS) e Wellington do Curso (PP) como seus aliados. A própria candidata do PPS não fala em público, mas em conversas reservadas, suas relações com Flávio Dino não são as mesmas de alguns meses atrás. Tanto que na falta de apoio dentro do grupão liderado por Dino, ela foi buscar reforço político e eleitoral no PV, que hoje é o mais expressivo braço do Grupo Sarney, uma espécie de neosarneysismo. O mesmo acontece com Wellington do Curso, que depois de se desdobrar em busca de um suporte no campo governista, lavou as mãos e juntou suas forças com o PSB, controlado pelo senador Roberto Rocha, que até as paredes do Palácio dos Leões sabem que não reza na cartilha do grupo liderado pelo PCdoB.

Nesse contexto, a movimentação dos candidatos é reflexo da guerra pelo poder travada entre os lideres que dão as cartas hoje na política do Maranhão, que envolve o governador Flávio Dino, o senador Roberto Rocha e as correntes que mantêm de pé o Grupo Sarney, sendo a mais destacada a liderada pelo senador João Alberto, que controla o PMDB, a começar por São Luís. O governador perdeu o argumento que o impedia de assumir a condição de eleitor aberto do prefeito. E a mesma situação senador Roberto Rocha, que por conta da aliança formal do PSB com o PP, assumiu a condição de aliado e apoiador de Wellington do Curso, que tem o vereador Roberto Rocha Jr. como vice. Não que exista uma guerra declarada entre Flávio Dino e Roberto Rocha, mas já é pública e notória a distância política que os separa.

As eleições municipais, a começar por São Luís, serão um grande teste de força política em que o governador Flávio Dino tentará ampliar a força do grupo político que líder. O senador Roberto Rocha tentará faze3r o mesmo, preparando assim para se candidatar a governador em 2018 ou 2022. Na terceira frente estão as forças que sobraram do Grupo Sarney, que tentam se reativar, que tentam sobreviver lançando candidato próprio, como Fábio Câmara (PMDB).

Em tempo: a pesquisa Escutec fi contratada pelo jornal O Estado do Maranhão e registradas na Justiça Eleitoral sob o nº 09198/2016.

PONTO & CONTRAPONTO

Roberto Costa candidato a prefeito em Bacabal

roberto costa e júnior matias
Roberto Costa e seu vice, Almir Júnior, durante a convenção em Bacabal, no dia 5

Um dos mais importantes quadros da nova geração de políticos maranhenses, o deputado estadual Roberto Costa está confirmado candidato do PMDB à Prefeitura de Bacabal, um dos 10 municípios mais importantes Sua candidatura foi formalizada no início da noite de sexta-feira (5) em concorrida e animada convenção do partido realizada no Clube Vanguarda, naquela cidade. Terá como candidato a vice-prefeito Almir Júnior (PSDB). Roberto Costa vai liderar uma coligação da qual fazem parte PSDB, Rede, PT, DEM e PV pelo menos cinco partidos – entre eles o PT e o PSDB – tendo com o adversário o ex-prefeito Zé Vieira (PP), que representa a velha guarda da política bacabalense e tem o apoio de um grupo articulado pelo deputado estadual Carlinhos Florêncio e o prefeito José Alberto, que não fez uma boa gestão e não teve suporte para pleitear a reeleição. Antes da convenção do PMDB, Roberto Costa travou vários embates políticos com seus adversários. O mais importante e tenso deles o tucano Almir Júnior, escolhido para ser candidato a vice na chapa do pemedebista. Numa articulação com o envolvendo as lideranças do PSDB no Maranhão, o deputado Carlinhos Florêncio (PHS), que é o coordenador político da candidatura de Zé Vieira, manobrou com o presidente estadual do PSDB, vice-governador Carlos Brandão, para intervir no ninho de Bacabal para inviabilizar a aliança com o PMDB. Brandão interveio no PSDB bacabalense e proibiu a aliança. Numa reação bem articulada, com o apoio efetivo do senador João Alberto (PMDB), Roberto Costa levou ao comando nacional dos tucanos e dele conseguiu uma reviravolta no PSDB de Bacabal, sacramentando assim Almir Júnior como seu companheiro de chapa. As pesquisas mais recentes dão larga vantagem ao agora candidato pemedebista, levando seus apoiadores a apostar alto na sua eleição. Roberto Costa faz política em Bacabal desde a juventude, ao lado do senador João Alberto, e capilarizou suas ações tanto na sede quanto no interior do município, tendo como resposta a maior votação para deputado estadual naquele colégio eleitoral. Confirmado candidato, o deputado Roberto Costa se prepara agora para iniciar sua campanha, que será embalada pelo slogan “A esperança do povo”.

Ildon Marques, Assis Ramos e Ribinha Cunha podem mudar tendência em Imperatriz
imperatriz
Projeto de Rosângela Curado ameaçada pelo crescimento de Ildon Marques, Assis Ramos e Ribinha Cunha

Três atos de grande expressão política e eleitoral formaram uma densa nuvem de incerteza e imprevisibilidade sobre a corrida para a prefeitura de Imperatriz, principalmente na área em que avança a candidatura de Rosângela Curado, embalada pela força do PDT, ao qual estão associados ao projeto PCdoB e PT. O primeiro foi a convenção do PSB que lançou a candidatura do ex-prefeito Ildon Marques, com o aval entusiasmado do senador Roberto Rocha. O segundo foi a convenção do PMDB que sacramentou a candidatura do delegado Assis ??? ao cargo de prefeito. E, finalmente, a confirmação da candidatura de Ribinha Cunha pelo PSC, como apoio decidido do prefeito Sebastião Madeira (PSDB). Muitos nçao acreditavam – entre estes os alguns apoiadores de Rosângela Curado – e tratavam de espalhar que Ildon Marques não seria candidato, por ter problemas com a Justiça e de ser, em tese, um ficha suja. Ele, porém, incentivado por Roberto Rocha e um grande número de apoiadores, bateu às portas da Justiça, fez consultas formais, e depois de uma série de iniciativas nessa área, chegou à conclusão de que pode, sim, ser candidato a prefeito, como foi candidato a deputado federal em 2014. Marques entra na disputa para de cara desbancar a candidata do PDT, estimulado por pesquisas que o apontam como líder nas preferências do eleitorado. Projeto concebido e incentivado pelo prefeito Sebastião Madeira, a candidatura de Ribinha Cunha funciona como um recado seu de que não está decadente no campo político e que tem muito gás para consumir. Madeira acredita que Ribinha Cunha poderá vir a ser um candidato competitivo.

São Luís, 06 de Agosto de 2016.

 

 

Convenções e escolha de vices preparam chapas que vão jogar tudo pela Prefeitura de São Luís

 

chapas prontas
Edivaldo Jr. e Júlio Negreiros, Eliziane Gama e José Joaquim, Fábio Câmara e Flávio de Jesus, Welington do Curso e Roberto Rocha Jr. e Zeluis Lago e Simone Klaid

 

Três definições agitaram ontem o cenário da corrida eleitoral em São Luís e terão influência decisiva no desfecho da peleja pelo Palácio de la Ravardière. A primeira foi a escolha do professor Júlio Pinheiros (PCdoB) para vice do prefeito Edivaldo Jr. (PDT). A segunda foi o acordo firmado por Wellington do Curso (PP) e o senador Roberto Rocha (PSB) com a indicação do vereador Roberto Rocha Jr. (PSB) para a vaga de vice. A terceira a convenção na qual o PMDB lançou chapa puro sangue: o vereador Fábio Câmara para prefeito e o coronel aposentado Flávio de Jesus como seu companheiro de chapa. O quadro se completará hoje com mais três definições: a convenção do PPS que confirmará a candidatura da deputada federal Eliziane Gama, tendo o vereador José Joaquim Ramos (PSDB) como vice; a definição do colega de chapa do candidato do PMN, deputado Eduardo Braide, e a montagem da chapa da vereadora Rose Sales (PMN). Com essas amarrações mais a chapa do PPL Zeluis Lago/Simone Klaid, o cenário da luta pelos mais de 600 mil eleitores da Capital estará definitivamente desenhado.

A primeira amarração foi a escolha do presidente do Sinproessema – o poderoso influente sindicato dos professores do Estado – Júlio Pinheiros (PCdoB), como companheiro de chapa do prefeito Edivaldo Jr., em ato realizado na sede do PDT. A decisão foi tomada na tarde de quarta-feira, depois que o PDT esnobou a indicação do advogado Mário Macieira pelo PT e firmou também posição contra a indicação do vereador Roberto Rocha Jr., feita pelo senador Roberto Rocha (PSB). E como nenhum outro partido arriscou propor um nome, o PCdoB, que havia aberto mão da vaga de vice para não criar uma encrenca com o PSB, tirou Pinheiro do bolso do colete e selou a aliança como estava originalmente previsto. Para alguns observadores, o presidente do PCdoB, Márcio Jerry, fez uma jogada de raposa tarimbada ao colocar um nome do seu partido na chapa encabeçada pelo prefeito, quando poucos acreditavam que isso ainda seria possível, mesmo com a saída de Mário Macieira e Roberto Rocha Jr. do páreo.

No meio da tarde, os bastidores da disputa foram sacudidos pela informação de que o candidato do PP, deputado estadual Wellington do Curso, havia fechado acordo com o PSB do senador Roberto Rocha, pelo qual terá como candidato a vice o vereador Roberto Rocha Jr.. Com a articulação – que desbancou o PV -, o senador se manteve no epicentro da disputa. Rocha contrariou avaliações segundo as quais, ao não liberar o PSB para a candidatura do deputado Bira do Pindaré, não ter emplacado Roberto Rocha Jr. como vice de Edivaldo Jr. nem dado um chega-pra-lá no PSDB e ocupado a vaga de vice de Eliziane Gama, o PSB e os seus líderes seriam relegados a plano inferior. Barrado em dois campos, o senador Roberto Rocha esperou o momento certo e apostou na terceira via. E o fez com o pleno aval do novo cacique do PP no Maranhão, deputado federal André Fufuca, que jogará todo o peso do seu partido para turbinar o projeto eleitoral de Wellington do Curso.

Com uma convenção festiva, que animou o auditório Fernando Falcão, da Assembleia Legislativa, com muita gente do lado de fora, o vereador Fábio Câmara rompeu todas as amarras por meio das quais tentaram detê-lo e se firmou como o candidato do PMDB à Prefeitura de São Luís. Com o aval do presidente do partido, senador João Alberto, e do deputado estadual Roberto Costa, Câmara escolheu um coronel da PM, Flávio de Jesus, militante pemedebista, para vice, e só dividiu a festa com dois emissários do PMDB nacional – um deles, Assis Filho, que preside a Juventude do PMDB, representou o presidente Michel Temer – e com o deputado federal Hildo Rocha, a única personalidade do partido presente à convenção – o senador João Alberto estava participando de convenções do Vale do Munin. Muito festejado por seus seguidores, Câmara superou as expectativas ao fazer um discurso denso, emocionado, com declarações dramáticas, buscando suas raízes e se apresentando como “um lutador” que está preparado para o cargo. Foi extremamente duro com prefeito Edivaldo Jr., a quem acusou de malversar dinheiro público e de ter tentado desviar recursos municipais, além de taxá-lo de “incompetente” e “despreparado”, que “acabou com São Luís ajudado por outro incompetente, esse governador comunista”.  Garantiu que será eleito.

Eliziane Gama realizará hoje uma convenção sem impacto, de vez que definiu o seu vice na tarde de quarta-feira, o vereador José Joaquim, indicado pelo PSDB. A candidata do PPS deu muitas voltas até chegar ao seu companheiro de chapa. Isso porque, além das frentes de conversas que abriram caminho, entre elas uma com o PMDB, Eliziane foi pressionada por uma banda dos tucanos que queriam emplacar o ex-deputado federal e atual suplente de senador Pinto Itamaraty para ser seu vice. Sem força eleitoral – o reggae já não representa votos em São Luís -, Itamaraty não teve como sustentar sua aspiração, o que foi recebido como alívio no QG da candidata. O dado mais importante é que com José Joaquim como vice, Eliziane Gama terá o empenho do deputado federal e ex-prefeito João Castelo na sua campanha.

As chapas que concorrerão ao comando municipal estão definidas. Daqui para a frente é medição de força para encantar o eleitorado.

 

PONTO & CONTRAPONTO

PT faz candidatura modesta e aposta que reunirá suas correntes
fernandomagalhães
Serenidade do presidente Fernando Magalhães conduz o PT de São Luís

O PT realizou ontem sua convenção para definir sua chapa de candidatos à Câmara Municipal e formalizar a sua participação na aliança que embala a candidatura do prefeito Edivaldo Jr. à reeleição. Foi uma reunião partidária modesta, realizada no auditório do Centro de Comunicação da Assembleia Legislativa. Mas foi, ao mesmo tempo, uma convenção feita com dignidade política, comandada pelo presidente do partido na Capital, Fernando Magalhães, um líder equilibrado, sem afetação, que acredita em alianças e que se opõe aos que fazem política partidária movidos a ódio. Depois de avaliar que não reunia as condições para entrar na corrida ao Palácio de la Ravardière com candidato próprio, o PT vislumbrou, com o estímulo do Palácio dos Leões, emplacar o vice de Edivaldo Jr.. escolheu para tal missão o advogado Mário Macieira. O projeto, no entanto, encontrou fortes resistências entre os partidos da aliança liderada pelo PDT, obrigando o comando petista a retirar a proposta, e, depois de algumas horas de tensão, aceitar participar da coligação sem levar nada em troca. Fortemente afetado por tudo que tem acontecido de ruim nos planos nacional e local, o PT do Maranhão aposta agora todas as suas fichas na superação das tensões internas e na reunificação do partido, trazendo para um só patamar todas as correntes que se desgarraram por não aceitarem a aliança com o Grupo Sarney, a exemplo de Domingos Dutra, que trocou o PT pelo PCdoB, e Bira do Pindaré, que se mudou para o PSB, além de figuras importantes, que permaneceram petistas, mas se aliaram ao governador Flávio Dino, como Francisco Gonçalves e Márcio Jardim. O presidente Fernando Magalhães acredita que as eleições municipais servirão de caminho para que o PT saia das urnas com o um partido reunificado e sem ranços, pronto para os muitos desafios que vêm por aí.

Roberto Costa terá candidatura confirmada hoje em Bacabal
roberto 3
Roberto Costa: encara o desafio de vencer em Bacabal

O deputado Roberto Costa dará hoje o mais ousado passo da sua bem sucedida carreira política, iniciada no movimento estudantil ainda na adolescência: confirmar sua candidatura à Prefeitura de Bacabal pelo PMDB. Lançado pelo grupo do senador João Alberto depois de anos e anos de trabalho político naquele município, que conhece na palma da mão, tanto na área urbana quanto na zona rural, o deputado pemedebista topou o desfio e desde então vem dedicando todo o seu trabalho político e parlamentar aos problemas de Bacabal. Ele tem feito muitos e duros discursos denunciando as mazelas de Bacabal, principalmente nas áreas de saúde, educação, segurança, entre outras, alertando, enfaticamente, que a situação do município e crítica e que reúne as condições para melhorá-la. Roberto Costa vai enfrentar o ex-deputado e ex-prefeito Zé Vieira (PP). Ele recebeu mensagem do presidente Michel Temer, que lhe garante que se vier eleito prefeito, terá todo o seu apoio.

São Luís, 04 de Agosto de 2016.