Em segundo na corrida, Wellington do Curso vira alvo de denúncias e diz que já esperava, “mas não tanto”

 

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Wellington do Curso: o caixão de pancada da vez na corrida eleitoral

A corrida para a Prefeitura de São Luís saiu da fase inicial e mais branda para entrar na reta decisiva na qual os candidatos parecem estar deixando o embate civilizado para entrar no período cinzento do vale-tudo ao longo do qual a regra que se impõe é a “do pescoço para baixo tudo é canela”. Nesse contexto, o alvo sob ataque é o candidato do PP, Wellington do Curso, por estar na segunda colocação, credenciando-se para forçar um segundo turno e disputar a rodada final com o prefeito Edivaldo Jr. (PDT), que lidera a corrida até aqui em curva crescente, e com folga razoável que algumas avaliações técnicas sugerem ser possível liquidar a fatura no dia 2 de outubro, em um só turno. Wellington do Curso virou agora o candidato que todos os demais querem inviabilizar, por estar, como o prefeito Edivaldo Jr., surfando numa onda em crescimento constante, ao contrário dos demais, que estão tentando se equilibrar numa onda em queda ou em pranchas que não saem do lugar. O fato é que as acusações de “incompetência” e “despreparo” estão ficando para trás, cedendo lugar a denúncias que colocam em xeque o lastro moral e ético de candidatos atacados.

Desde que alcançou o segundo lugar no trio em que, juntamente com Edivaldo Jr. e Eliziane Gama, candidata do PPS, que caiu do primeiro para o terceiro lugar, Wellington do Curso virou o caixão de pancadas da vez. Primeiro veio circulou nas redes sociais uma montagem grosseira e moralmente ofensiva; em seguida a denúncia segundo a qual sua empresa, conhecida como Curso Wellington, estaria envolvida com sonegação de impostos, respondendo inclusive a processo movido pelo Fisco estadual. Agora, ganha volume e força a acusação de que o candidato do PP teria ocupado, cercado e posto à venda por R$ 6 milhões terreno pertencente ao Estado na área do Sítio Santa Eulália. A agressão não se sustentou. A pecha de sonegador ganhou status de verdade quando o próprio candidato reconheceu que o problema existe e está sendo negociado com a fazenda estadual, e refutou o carimbo de driblador do Fisco.

O suposto grilo no Sítio Santa Eulália também ganhou peso de verdade porque tramita na Justiça ação por meio da qual da Procuradoria Geral do Estado tenta devolver a área ao patrimônio público e não ao empresário Wellington do Curso. Sobre o caso, o candidato PP ainda não ofereceu explicação convincente, preferindo recorrer à ironia: “Não adianta, o povo quer…” Só que numa campanha eleitorado o eleitor sempre espera explicações, manifestando decepção quando o acusado tenta passar ao largo e deixar a pergunta sem resposta. Com o candidato Wellington do Curso não será diferente.

Ataques à parte, o fato é que Wellington do Curso vem surpreendendo, segundo demonstraram até aqui as pesquisas que têm medido as preferências do eleitorado. Ele saiu do patamar de um dígito para o de dois, alcançando e ultrapassando a candidata do PPS e avançando na direção do prefeito e candidato à reeleição. A diferença é que Eliziane Gama não conseguiu até agora sair da curva de queda, enquanto Edivaldo Jr. continua embalado pela curva de crescimento, o que lhe assegura manter distância do candidato do PP. Wellington do Curso faz uma campanha “do tostão contra o milhão”, do “Davi contra Golias”, na qual vende também a história do jovem pobre que venceu na vida pelo trabalho e que entrou na política sem padrinho. Por mais controvérsia que possa haver, são todos traços de uma caminhada marcada pela coragem e pela ousadia, e que tem dado certo, porque envolve uma palavra-chave no Brasil atual: superação.

Movimento de luta pelo poder, a campanha eleitoral é implacável e não poupa os fracos. Se um candidato “tem rabo escondido”, como se diz no sertão, cedo ou tarde isso vem à tona – com um detalhe fundamental: ninguém escapa. Com Wellington do Curso não será diferente. Resta saber se ele está mesmo preparado para sustentar o segundo lugar – que alcançou fazendo uma pré-campanha embalado pelo uso das redes sociais e por aliados na blogosfera – ou vai capitular na hora mais verdadeira da peleja entes da votação: os debates. Se se sair bem, consolidará o seu credenciamento para seguir em frente; se não der conta do recado poderá pagar um preço salgado.

Em tempo: ontem, o candidato do PP foi entrevistado pelo jornalista e blogueiros Gilberto Leda e deu explicações para as acusações de sonegação fiscal e grilo em terra do Estado.

 

PONTO & CONTRAPONTO

 

Deputados comemoram a cassação de Eduardo Cunha
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Bira do Pindaré e Othelino Neto comemoraram a cassação de Eduardo Cunha como ato de justiça

A cassação do mandato do ex-presidente da Câmara Federal, deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ), pelo impressionante placar de 450 a favor e 10 contra não causou maior impacto na Assembleia Legislativa, salvo pela manifestação dos deputados Bira do Pindaré (PSB) e Othelino Neto (PCdoB), que abordaram o assunto em discursos de tom comemorativo.

O deputado socialista definiu a votação da Câmara Federal na noite de terça-feira como “um momento ímpar da História do Brasil”. Lembrou que o momento simboliza a luta do povo brasileiro contra a corrupção, mas que também é o desfecho de um período em que a democracia brasileira foi afrontada e experimentou momentos de retrocesso, como o do afastamento da presidente Dilma Rousseff (PT) num processo para muitos ilegal e injusto. “Considero esse um feito importante porque nós sabemos o quanto isso representa para o nosso país, que atravessa infelizmente um período de retrocesso na democracia, nos direitos sociais e de uma enorme crise econômica devido a um golpe parlamentar. Portanto, agora foi o ‘Fora Cunha!’, o próximo passo será ‘Fora Temer!’. E nós estaremos juntos!”, desabafou o parlamentar.

O deputado estadual Othelino Neto (PCdoB) também definiu como histórica a sessão de segunda (13) e a histórica votação que cassou o mandato do ex-presidente da Câmara Federal, Eduardo Cunha (PMDB). Segundo ele, apesar de marcante, a decisão foi tardia, pois se passaram 314 dias para que os parlamentares concluíssem o processo mais longo de cassação do país. “Nós ficávamos, todos os brasileiros, todos os cidadãos de bem, constrangidos com a Câmara, tanto tempo presidida por um sujeito desqualificado, como o agora ex-deputado Eduardo Cunha, que envergonhou o parlamento brasileiro, a classe política e fez com que piorasse o conceito geral dos políticos no país”, disse o deputado do PCdoB.

O deputado Othelino Neto, que é o 1º vice da Assembleia Legislativa, Eduardo Cunha se comportou tão mal como agente público que conseguiu contaminar não só a sua própria imagem, mas também estender a descrença à política de forma geral. Othelino disse que, além de envergonhar o país, Eduardo Cunha coordenou um complô na Câmara dos Deputados para afastar a presidente da República, Dilma Rousseff (PT), que, com seus problemas e uma série de dificuldades que o país enfrenta, foi eleita pelo povo, o único que poderia tirá-la do governo. “O Eduardo Cunha virou uma espécie de assombração e serviu ao esquema daqueles que queriam fazer chegar à Presidência da República quem não foi votado para tal função e, assim que cumpriu aquela missão, foi abandonado por praticamente todos aqueles que, até o cumprimento da missão de comandar a votação do impeachment, estavam lá do lado dele como se fossem diletos amigos”, assinalou o parlamentar. E acrescentou: “Bem feito para ele, que pensava que tinha uma série de amigos ao seu lado, que estariam com ele depois que cumpriu a missão de liderar a abertura do processo de impeachment contra a presidente da República”.

 

Candidatos devem beber em fonte saudável

Todos os candidatos a prefeito foram convidados formalmente pela Academia Maranhense de Letras para assistiram hoje, às 16 horas, a um documentário sobre São Luís sob a gestão do engenheiro Haroldo Tavares, considerado por muitos o melhor prefeito de São Luís até aqui. O filme, produzido pelo escritor e ex-deputado Joaquim Haickel, mostra a obra de Haroldo Tavares e oferece inestimáveis lições de planejamento urbano, assunto no qual foi um dos craques do País. O presidente da Academia, Benedito Buzar, organizador do evento, convidou a todos os candidatos a prefeito e espera que compareçam, por acreditar que “beber” um pouco numa fonte como Haroldo Tavares será extremamente saudável para eles e para a cidade.

 

São Luís, 13 de Setembro de 2016.

 

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