Todos os posts de Ribarmar Correa

Sobrevida de Temer faz Roseana se movimentar; condenação de Lula estimula Dino a agilizar Governo e ações políticas

 

Roseana Sarney depende de Michel Temer, Flávio Dino quer Lula lá
Roseana Sarney depende da sobrevivência de Michel Temer, Flávio Dino quer Lula lá

A guerra está longe de chegar ao fim, as batalhas a serem ainda travadas estão a caminho e o desfecho da opereta protagonizada pelo presidente Michel Temer (PMDB) é, portanto, rigorosamente imprevisível. A vitória – forjada, armada, comprada, seja lá o adjetivo que quiserem usar – do presidente da República na Comissão de Constituição e Justiça e os sintomas de que aquele resultado será repetido no plenário da Câmara Federal foram visivelmente comemorados pelos aliados do presidente, principalmente no Maranhão, que do clima de desânimo registrado na semana anterior passaram a enxergar uma luz no fim do túnel e a fazer planos para as eleições do ano que vem. Até pouco tem cautelosamente recolhida, só se manifestando e mandando recados por intermédio de aliados de proa e em situações excepcionais, a ex-governadora Roseana Sarney começa a sair da condição de produtora de suspense político para começar a desenhar política e abertamente o seu projeto político-eleitoral cujo objetivo é voltar ao Palácio dos Leões em 2018. Por outro lado, esse cenário em evolução acendeu um sinal de alerta para os opositores do presidente Michel Temer, que no Maranhão são liderados pelo governador Flávio Dino (PCdoB), que já tem montado o seu projeto de reeleição.

Com movimentos ainda tímidos, a ex-governadora do Maranhão tem dado prosseguimento a uma ampla consulta à classe política, recebendo, às terças e quintas-feiras, nas instalações do Sistema Mirante, líderes de partidos e de grupos para conversar. Roseana Sarney não deu até agora certeza de que será candidata ao Governo no ano que vem, mas é cada vez maior o número de aliados dela que manifestam essa convicção. Antenada e muito envolvida com o que acontece em Brasília, ela trabalha com a possibilidade de Michel Temer ser livrado do risco de ser mandado para casa, pois sabe que sem o aval do Palácio do Planalto e da cúpula do PMDB uma eventual candidatura poderá até decolar, mas terá voo breve. Trabalha também com a hipótese de que a presidência da República caia nas mãos do presidente da Câmara Federal, deputado Rodrigo Maia (DEM-RJ), de quem é amiga e interlocutora política.

Política tarimbada, que já viveu as mais diferentes situações partidárias e eleitorais, Roseana Sarney sabe que, para ser candidata com alguma chance de se dar bem precisa, além do suporte planaltino e pemedebista, afastar alguns obstáculos já mostrados, que vale a pena serem lembrados por seu poder de influência na definição do projeto: a expressiva rejeição, os vários fantasmas judiciais que rondam os Governos que comandou, principalmente o último. Além disso, precisa recompor o grande grupo, pulverizado nas urnas em 2014. Não é sem razão, portanto, que a ex-governadora mergulha em consultas, pois sabe que as informações que está recolhendo são preciosas e a ajudarão a tomar um rumo. Até lá, estará na linha de frente da tropa de choque do presidente Michel Temer, tentando estancar a sangria presidencial para viabilizar a sua candidatura, que é tida como certa por alguns, como o senador João Alberto (PMDB), por exemplo, mas que também é apontada como inexistente pela ex-prefeita de Lago da Pedra e pré-candidata “irreversível” ao Palácio dos Leões, Maura Jorge (Podemos).

No contrapeso, o governador Flávio Dino se movimenta rumo à reeleição usando todos os recursos ao seu alcance, inclusive os políticos. Ao contrário de sua eventual adversária, ele só precisa manter e trabalhar para ampliar o seu horizonte eleitoral num contexto em que terá de enfrentar o poder de fogo do Palácio do Planalto, situação que já viveu em 2014, quando enfrentou o posicionamento da presidente Dilma Rousseff (PT) e do ex-presidente Lula da Silva (PT) que apoiaram abertamente a candidatura do seu adversário, Lobão Filho (PMDB). Agora, Flávio Dino é um político muitas vezes mais robusto e sólido tem o apoio declarado e determinado dos dois, mesmo sem saber como eles participarão das eleições do ano que vem.

Afirmando que ainda não está “fazendo política” visando às urnas, o governador vem atropelando a crise e acelerando os principais programas do seu Governo, que controla com mão firme para manter em elevado nível de eficiência e em respeitável padrão ético. Aposta alto no resultado dessas ações para consolidar o seu projeto de poder, que passa pela sua reeleição, pela eleição de uma base parlamentar sólida e de uma bancada federal forte, e pela volta da esquerda ao poder central, de preferência com a eleição do ex-presidente Lula da Silva.

É fato, portanto, que o desfecho dos problemas que tiram o sono do presidente Michel Temer e dos que atormentam o ex-presidente Lula da Silva terão reflexos importantes nos movimentos de Roseana Sarney e Flávio Dino na construção para a corrida eleitoral de 2018,

PONTO & CONTRAPONTO

 

Sarney Filho tergiversa e deixa vácuos na entrevista que concedeu ao jornal O Estado do Maranhão

Sarney Filho: candidatura decidida
Sarney Filho: entrevista sem muito sentido

Curiosa a entrevista do ministro Sarney Filho (PV) publicada na edição de fim de semana de O Estado do Maranhão. Um dos mais antigos e ativos membros do Congresso Nacional e integrando a equipe ministerial do presidente Michel Temer por força de relações políticas – ganhou o Ministério do Meio Ambiente na cota do PV e com uma forcinha do ex-presidente José Sarney (PMDB) -, Sarney Filho respondeu a 14 perguntas, sendo 12 dedicadas às suas atividades ministeriais e apenas duas com enfoque político furta-cor. Foi evasivo e dispersivo quando falou da sua candidatura ao Senado, justificando-a apenas como uma “necessidade de alavancar o desenvolvimento do Maranhão”. E quando falou da sua condição de ministro em tempo de crise aguda no País, ele correu para a tangente, fez malabarismo verbal e não referiu uma só vez à situação política do Governo nem citou o presidente Michel Temer. Uma entrevista de página inteira muito estranha, se levado em conta o contexto em que ela foi concedida e publicada. Com o País politicamente incendiado, com o Governo a que pertence equilibrando-se numa verdadeira corda bamba, vivendo um dia sem saber o que acontecerá no dia seguinte, o ministro ignorou tergiversou sobre temas importantes, é verdade, mas muito distantes da realidade que deveria ser abordada. A explicação para sua candidatura ao Senado, que todos reconhecem importante para cenário político do Maranhão, foi simplória, quando deveria ser densa e convincente. E a sua posição em relação no contexto do País foi pura perfumaria. Com a trajetória política que construiu em uma dezena de mandatos de debutado federal e as posições que assumiu nesse período – a começar pela defesa das Diretas Já, contrariando a orientação do pai – ministro Sarney Filho bem que poderia ter aproveitado o espaço no jornal da sua família para mostrar aos leitores e á sociedade como um todo posições que desse a medida do seu tamanho político.

 

João Alberto pode ter cometido erro primário ao aceitar Representação contra senadoras que protestaram no Senado

João Alberto reeleito pela sexta vez presidente do Conselho de Ética
João Alberto: erro político ao aceitar denúncia contra senadoras

Conhecido pelo seu senso de equilíbrio como presidente do Conselho de É tica do Senado, o senador João Alberto (PMDB) pode ter cometido um erro primário ao aceitar a Representação assinada por 14 senadores pedindo punição para as seis senadoras – Gleise Hoffman (PT-PR), Fátima Bezerra (PT-RN), Ângela Portela (PT-PI), Vanessa Grazziotin (PCdoB-AM), Lídice da Mata (PSB) e Regina Sousa (PDT-RR) – por quebra de decoro parlamentar no protesto que fizeram no plenário da Casa contra a Reforma Trabalhista. Elas ocuparam a Mesa do Senado por mais de sete horas, impedindo que o presidente Eunício Oliveira (PMDB-CE) abrisse a sessão na qual seria votado o projeto que modifica profundamente as relações entre o capital e o trabalho no Brasil. Qualquer avaliação cuidadosa certamente concluirá que o protesto das senadoras foi um ato ligth, decente e realizado de maneira digna e civilizada, não causando danos materiais, e realizado sem palavras, gestos ou atitudes que ofendessem a dignidade dos senadores e da instituição que representam. As cinco senadoras podem até ter causado alguma inconveniência regimental, mas nada que se compare à truculência da presidência de desligar o som e em seguida a energia elétrica. O maior problema é que aquelas cinco senadoras, que representam milhões e milhões de eleitores, detêm um nível de competência política e parlamentar que facilmente abafa o dos 14 senadores que assinaram a Representação, entre eles a “sumidade” parlamentar e legislativa Romário. Membro da elite do Senado, o presidente do Conselho de Ética chutou bola fora ao aceitar a reclamação dos “ofendidos”. Tanto que nada menos que 21 senadores protocolaram no Conselho de Ética um documento pedindo o puro e simples arquivamento da Representação dos “ofendidos”, por total falta de sentido.

São Luís, 16 de Julho de 2017.

3 a 1: deputados maranhenses da CCJ votaram a favor e contra Temer seguindo orientações partidárias

 

Hildo Rocha, Cléber verde e Juscelino Filho a favor; Rubens Jr. contra
Hildo Rocha, Cléber verde e Juscelino Filho votaram a favor do presidente Michel Temer, Rubens Jr., contra

Não se discute que o Palácio do Planalto usou o poder em escala elevada para garantir maioria folgada e derrotar o parecer do deputado-relator Sérgio Zveiter (PMDB-RJ) que recomendava enfaticamente à Comissão de Constituição de Constituição e Justiça (CCJ) e, por via de desdobramento, ao plenário da Câmara Federal, a aprovação do pedido de autorização, feito pelo Supremo Tribunal Federal (STF) para processar o presidente Michel Temer (PMDB). O comando governista usou sem pruridos os meios legais que dispõe – como a liberação de emendas parlamentares, por exemplo -, não dando a mínima para a interpretação de que a liberação “é legal, mas é imoral”. Em meio ao clima definido como “toma lá, dá cá” que permeou os quatro dias de funcionamento da CCJ desde que o relator Sérgio Zveiter leu o seu controvertido parecer recomendando autorização para processar o presidente da República, os quatro  deputados maranhenses que integram a CCJ – Rubens Jr. (PCdoB), Hildo Rocha (PMDB), Cléber Verde (PRB) e Juscelino Filho (DEM) – atuaram e votaram cumprindo a orientação dos seus partidos. Foram três votos contra o parecer do relator e um a favor.

O deputado federal Rubens Jr. votou contra o presidente seguindo rigorosamente a orientação do seu partido, o PCdoB, que faz oposição cerrada ao Governo Michel Temer e desde o primeiro momento manifestou apoio claro à denúncia formulada pelo procurador geral da República, Rodrigo Janot, contra o presidente da República. E diante da decisão do ministro-relator Edson Fachin de antecipar o pedido de autorização à Câmara, o deputado Rubens Jr., que é vice-líder da bancada do seu partido, manifestou-se a favor da autorização, por entender que a denúncia, que é baseada na gravação da conversa do delator Joesley Batista (JBF) tem consistência e deve ser apurada. Para Rubens Jr., o plenário da Câmara Federal deve aprovar o pedido e o presidente deve ser afastado por até 180 dias, tempo em que a denúncia por corrupção passiva e formação de quadrilha seja devidamente apurada. O deputado Rubens Jr. mostra coerência à medida que na terça-feira (11), como coordenador da bancada maranhense, esteve no Palácio do Planalto em audiência com o presidente da República para pedir a suspensão do desconto de R$ 244 milhões que deveria ser feito por conta de antecipação do Fundeb, no que foi atendido, mas não mudou seu voto contra o chefe da Nação.

Um dos mais ativos integrantes da bancada maranhense, o deputado federal Hildo Rocha tem se notabilizado por estar sempre na linha de frente das grandes batalhas travadas pelo PMDB, como expoente da ala sarneysista do partido. Foi assim quando o PMDB defendeu inicialmente o então presidente da Câmara Federal, deputado Eduardo Cunha (RJ), de quem se tornou aliado próximo, mas de quem se afastou quando o PMDB orientou nesse sentido. Foi também inicialmente defensor da presidente Dilma Rousseff (PT) contra o projeto de impeachment, mas também dele se afastou seguindo orientação partidária. No caso do pedido de autorização para processar Michel Temer, tomou posição firme a favor do presidente, assumindo, de maneira aguerrida e determinada, o risco político de denunciar a suspeita de que a mão da Rede Globo estaria por trás do parecer do relator Sérgio Zveiter. Vai repetir o voto em plenário.

Um dos mais experientes e bem articulados membros da bancada  maranhense, o deputado Cléber Verde (PRB) votou contra o parecer de Sérgio Zveiter e a favor do relatório do deputado Paulo Abi Ackel (PSDB), que recomenda a não autorização ao Supremo para processar o presidente da República. Conhecedor como poucos do caminho das pedras, participando sempre das decisões maiores da Câmara Federal. Ligado ao Grupo Sarney, mas com atuação política nitidamente independente, Cléber Verde desde o início de posicionou ao lado do presidente da República. A Coluna apurou que ele foi um dos articuladores pró-Temer dentro da bancada do partido e deverá também ajudar na articulação da votação no plenário, marcada para o dia 2 de agosto.

Cristão novo na vida parlamentar, o deputado Juscelino Filho votou a favor do presidente Michel Temer cumprindo determinação partidária. O DEM, seu partido, formou com o PMDB e o PSDB o núcleo básico de apoio ao presidente da República. O Democratas ocupa ministérios, entre eles a poderosa paste da Educação, sendo o ministro Mendonça Filho um dos membros mais influentes da equipe de Governo. Juscelino Filho se ligou ao ministro e foi essa ligação que garantiu que ele e o seu tio, deputado estatual Stênio Rezende, assumissem o controle de DEM no estado. Vai repetir o voto no plenário e será um dos coordenadores da bancada na votação decisiva.

Independentemente do que possa ter acontecido nos bastidores, os deputados maranhenses que integram a CCJ rigorosamente de acordo com as suas orientações partidárias.

 

PONTO & CONTRAPONTO

 

Os presidentes Sarney, Collor e FHC usaram fartamente os instrumentos de Governo para se manter no poder

José Sarney, Fernando Collor e Fernando Henrique Cardoso: uso de instrumentos de poder
José Sarney, Fernando Collor e Fernando Henrique Cardoso: uso de instrumentos de poder

Na luta pela sobrevivência como chefe da Nação, Michel Temer jogou o jogo que jogaram os presidentes José Sarney (PMDB), Fernando Collor (PRN) e Fernando Henrique Cardoso (PSDB) para se manter no poder. Os registros jornalísticos dos três momentos de tensão e agitação política envolvendo os ex-presidentes mostram que eles não mediram esforços nem o uso dos recursos ao seu alcance para alcançar seus objetivos, tendo sido os três acusados duramente de terem usado meios legais, porém imorais, para dobrar o Congresso Nacional.

José Sarney travou uma luta dura para se manter no poder. Ele foi eleito para governar seis anos, mas seus adversários na Assembleia Constituinte tentaram tirar-lhe dois anos. O presidente bateu pé e avisou que só abriria mão de um ano do seu mandato, fixando em cinco anos a duração do seu Governo. A tropa de choque do deputado Ulisses Guimarães (PMDB), comandada pelo senador-relator Mário Covas (PMDB), tentou derrubar Sarney, mas ele, forjado no jogo duro da política, usou os recursos ao seu alcance, entre eles a distribuição de concessões de emissoras de rádio AM, que viraram uma espécie de símbolo daquela guerra. José Sarney venceu, mas a grande mídia conseguiu fixar a impressão de que ele “ganhou mais um ano” usando tais recursos, uma leitura incorreta dos fatos.

O presidente Fernando Collor de Mello (PRN) usou todos os recursos que o Governo dispunha para evitar o impeachment. Seus aliados e agentes   chegaram a distribuir dinheiro vivo a deputados federais para reverter a situação. Dizem que alguns membros da bancada maranhense teriam embolsado pacotes de cédulas novinhas em folha e votaram exatamente contrário ao acerto.

O presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB), que vive posando de vestal e dando lições de ética a Michel Temer, quase faliu o Governo para garantir a aprovação da emenda da reeleição. Milhões e milhões em emendas parlamentares foram liberados, convênios milionários foram firmados e liberados no ato com governadores e prefeitos influentes foram a parte visível do grande esquema montado por FHC para conseguir a aprovação da emenda da reeleição. Um escândalo que mais cedo ou mais tarde a História vai contar em detalhes, inclusive os mais sórdidos.

 

Wellington do Curso quer levar à frente CPIs para investigar Saúde e Futebol

Wellington do Curso: independência política para propor CPI  da Saúde
Wellington do Curso: independência política para propor CPI s

O deputado Wellington do Curso (PP) fechou sua participação no semestre legislativo defendendo duas CPIs que ainda n.ao nasceram, dificilmente nascerão e se chegarem a nascer virão ao mundo natimortas. A primeira é a CPI da Saúde, de autoria do próprio deputado e por meio da qual ele pretende por a limpo tudo o que há de duvidoso e suspeito no Sistema Estadual de Saúde desde o Governo Roseana Sarney até aqui. Nos cálculos que fez, houve desvios de pelo “1 bilhão de reais”. Sabe que se a investigação andar ele comprará briga feia com a bancada de Oposição, especialmente o grupo parlamentar liderado pelo ex-deputado Ricardo Murad (PMDB). A outra é a CPI do Futebol, proposta pelo deputado Rigo Teles (PV) e na qual viu um filão eleitoreiro se investigações vierem a ser realizadas para valer, principalmente na Federação Maranhense de Futebol. Wellington do Curso, o futebol maranhense está contaminado por malfeitos que precisam ser investigados.

São Luís, 14 de Julho de 2017.

Dino critica sentença que condenou Lula e acha que condenação só agrava a crise política que afeta o País

 

Flávio Dino defende Lula avaliando que sentença que o condenou é inconsistente
Flávio Dino defende Lula avaliando que sentença do juiz Sérgio Moro que condenou o ex-presidente é frágil e inconsistente

O governador Flávio Dino (PCdoB) ficou duplamente preocupado com a condenação do ex-presidente Lula da Silva (PT). Primeiro porque, na avaliação dele, a sentença do juiz Sérgio Moro é inconsistente, e, segundo, porque a decisão “bota mais gasolina nesse incêndio político que o País atravesse e para o qual não se consegue apresentar uma alternativa”. E nesse cenário político, tanto no âmbito doméstico quanto na sua amplitude nacional, o governador permanece firme alimentando a posição de pré-candidato a postular nas urnas permanência por mais quatro anos como inquilino do Palácio dos Leões, descartando, em princípio, participação em projeto nacional. As posições do governador Flávio Dino foram informadas à Coluna pelo seu mais próximo e influente auxiliar, o secretário de Articulação Política e Comunicação, Márcio Jerry, que também comanda o agora poderoso braço do PCdoB no Maranhão.

No campo jurídico, com a autoridade de ex-magistrado federal conceituado pelo seu conhecimento das leis e pela sua correção na sua aplicação, o governador Flávio Dino sempre criticou aspectos técnicos da Operação Lava Jato, como ficou largamente demonstrado na enfática defesa que fez da presidente da presidente Dilma Rousseff (PT) no processo de impeachment. No controvertido Caso do Triplex do Guarujá, o governador apontou, a exemplo de vários especialistas, como inconsistentes as acusações ao ex-presidente Lula, contra quem não foram apresentadas provas incontestáveis. “Então, isso é preocupante, pois temos instabilidade política e inconsistência jurídica em torno de um estadista. Qualquer pessoa, de qualquer lado político haverá de reconhecer a liderança e o papel do líder popular Lula no Brasil e no mundo”, avaliou Márcio Jerry traduzindo o governador maranhense. Para acrescentar: Isso instabiliza ainda mais a cena política brasileira, joga a repercussão da eleição presidencial do ano que vem, que é o momento importante para se fazer um novo pactuamento democrático para o País”.

Na interpretação do governador Flávio Dino, segundo secretário Márcio Jerry, o cenário agora envolvendo o ex-presidente Lula da Silva agrava perigosamente a crise política para cuja solução não existe clima para a construção de uma solução. Segundo Márcio Jerry, o governador Flávio Dino avalia que “isso é preocupante, pois a gente tem instabilidade política e inconsistência jurídica em torno de um estadista do mundo. Qualquer pessoa, de qualquer lado político, haverá de reconhecer a liderança e o papel do líder popular Lula no Brasil e no mundo”. Nesse contexto, o governador acha que isso instabiliza ainda mais a cena política brasileira, pois joga para o alto a repercussão da eleição presidencial do ano que vem, que é o momento importante para se fazer um novo pactuamento democrático para o País.

No campo político imediato, focado nas eleições gerais de 2018, num contexto em que ocupa espaço cada vez mais expressivo no leque de lideranças da esquerda democrática, o governador Flávio Dino avalia cuidadosamente cada cenário. E pelo menos até aqui não parece disposto a deixar a seara estadual e embarcar numa aventura eleitoral nacional, como querem alguns segmentos do seu campo político. Sobre o futuro político do governador, o secretário Márcio Jerry foi taxativo na conversa com a Coluna:

– O governador Flávio Dino é, desde sempre, pré-candidato à reeleição como caminho natural. E ele faz por merecer realizando um grande trabalho. O Brasil vive uma crise aguda e o governador Flávio Dino se saindo bem com o gestor, colocando o Maranhão nos trilhos e fazendo realmente um grande trabalho, que os maranhenses reconhecem e o Brasil aplaude. Agora, na cena nacional, nós temos um debate, e o governador Flávio Dino participa desse debate. É um debate que está em curso, com elevado grau de indefinição, precisando de um mínimo de estabilidade política, para que possamos prospectar o melhor cenário para 2018. Agora, qualquer que seja o cenário, nós temos certeza absoluta é que o melhor para o Maranhão é a reeleição do governador Flávio Dino.

Em resumo: o governador Flávio Dino se mantém fiel às suas interpretações iniciais da Operação Lava Jato, que considera necessária e importante, mas que não pode ser transformada em instrumento para abuso de poder de quem quer que seja. Politicamente, o projeto inicial do governador é a reeleição, embora nas entrelinhas mostre que não radicaliza contra uma eventual candidatura nacional.

 

PONTO & CONTRAPONTO

 

Especial

 

Assembleia homenageia Felipe Camarão, e com ele a nova geração de homens públicos do Maranhão

Felipe camarão entre Antonio, Marco Aurélio e Humberto Cloutinho, e com Márcio Jerry e o plenário durante a sessão
Felipe camarão entre Antonio Nunes, Marco Aurélio e Humberto Coutinho, e com Márcio Jerry e o plenário lotado durante a sessão solene de entrega da comenda

Depois de meses de duros embates entre Oposição e Situação em torno de matérias importantes, algumas causadoras de tensões elevadas, a Assembleia Legislativa encerrou ontem o semestre legislativo com uma sessão politicamente correta na qual entregou da Medalha do Mérito Manoel Beckman a Felipe Camarão, secretário de Estado de Educação, iniciativa do deputado Professor Marco Aurélio (PCdoB). O ato legislativo foi politicamente correto porque homenageou o advogado Felipe Camarão, representante destacado do que há de melhor na mais nova geração de homens públicos do Maranhão. Tanto que ganhou importância política ao ser conduzida pelo presidente do Poder Legislativo, deputado Humberto Coutinho (PDT), que justificou seu gesto: “Você é querido e merecedor dessa homenagem. Você que é uma das pessoas que fazem a diferença no governo Flávio Dino – tem colocado aquela Secretaria nos eixos”.

À sua maneira franca e direta, o presidente da Assembleia Legislativa definiu com clareza o homenageado: um jovem advogado, filho de maranhenses, nascido “acidentalmente” há 37 no Rio de Janeiro e que aos 23, em 2005, surpreendeu meio mundo pela desenvoltura e competência com que comandou o Procon/MA. A partir daí, deu saltos impressionantes no comando de órgãos conhecidos como grandes desafios do Poder Público no Maranhão. Procurador federal concursado e professor de Direito com Mestrado, Felipe Camarão vem construindo uma carreira baseada na fórmula conhecimento + competência = eficiência, demonstrando cada vez mais o domínio que ele tem do que são, para que servem e como funcionam as peças que compõem as engrenagens da  máquina pública.

Nos dois anos e meio do Governo Flávio Dino, já comandou o Procon/MA, as Secretarias de Estado de Administração e Previdência e Cultura e Turismo, colocando-as nos trilhos, e atualmente está à frente da gigantesca e desafiadora Secretaria de Estado de Educação, onde, além de um audacioso processo de modernização do sistema educacional do estado, comanda o decente, inovador e contagiante programa Escola Digna, visto por muitos como uma verdadeira revolução no ensino básico do Maranhão. Tanto que no seu discurso de agradecimento, ao falar do programa, Felipe Camarão lembrou que até aqui todos lembram da revolução feita no início dos anos 60 do século passado pelo governador Leonel Brizola no Rio Grande do Sul. Segundo ele, num rasgo de entusiasmo, a partir de agora o governador Flávio Dino será conhecido e lembrado pelo que está fazendo na Educação do Maranhão. “E eu estou feliz por participar dessa revolução”, declarou.

No discurso com que justificou a iniciativa de prestar-lhe a homenagem legislativa, o deputado Marco Aurélio, um politico sério e socialmente comprometido, que é professor e conhece profundamente os problemas e as deficiências dos vários níveis do ensino público no Maranhão, assinalou, visivelmente emocionado: “Dá orgulho andar pela região Tocantina e ver escolas sendo construídas, reformadas e inauguradas. Receba esta homenagem que não é só da Assembleia Legislativa, mas do povo do Maranhão. Homenagem mais do que justa. Hoje é dia de se fazer justiça a um grande cidadão do Maranhão, que muito tem feito pela educação do nosso Estado”.

Ao agradecer, Felipe Camarão discursou por cerca de 20 minutos, tempo agradeceu a homenagem ao seu proponente, deputado Marco Aurélio, e à presença do presidente Humberto Coutinho. Falou um pouco da sua curta, mas rica caminhada, fez um balanço das suas atividades à frente do sistema educacional e, finalmente, destacou a ação do governador Flávio Dino, a quem apontou com o principal responsável pelos resultados do seu trabalho. “O que está sendo feito é uma transformação de vidas. O governador deixará esse legado; nenhum outro governo fez o que Flávio Dino tem feito pela educação do Maranhão. A Escola Digna, é um exemplo. Se hoje eu estou aqui, eu devo ao governador pela oportunidade que me deu para contribuir com o desenvolvimento do Estado”, declaro.

E concluiu, revelando sutilmente o viés político da sua trajetória: “Com esta medalha, além de ficar muito feliz, me sinto na responsabilidade de fazer cada vez mais pelo Maranhão. Vou procurar honrar essa medalha quando fizermos as andanças pelo interior do Maranhão, levando benefícios para o povo maranhense”.

Terminou densamente por um plenário lotado e no qual se encontravam 13 deputados – Roberto Costa (PMDB), Sérgio Frota (PSDB), Francisca Primo (PCdoB), César Pires (PEN), Ricardo Rios (SD), Valéria Macêdo (DPT), Bira do Pindaré (PSB),  Zé Inácio (PT), Sérgio Vieira (PEN), Vinícius Louro (PR), Levi Pontes (PCdoB) e Marco Aurélio – número raríssimo em sessões solenes. Presentes também seus familiares, amigos, colaboradores, e muitos colegas de secretariado, entre eles Márcio Jerry (Articulação e Política e Comunicação) e Antônio Nunes (Governo), que representou o governador Flávio Dino.

O que se viu ontem no plenário da Assembleia Legislativa sinalizou com clareza que, se continuar a enfrentar os desafios nesse ritmo e com a qualidade técnica e o padrão ético que tem pautado suas ações, irá longe, muito longe.

São Luís, 13 de Julho de 2017.

Condenação de Lula e provável “absolvição” de Temer terão influência decisiva nas montagens no Maranhão

 

Flávio Dino e Roseana Sarney deverão se enfrentar nas eleições do ano que vem
Flávio Dino e Roseana Sarney deverão se enfrentar nas eleições do ano que vem

A condenação do ex-presidente Lula da Silva (PT) e os sinais claros de que o presidente Michel Temer (PMDB) caminha para se safar – pelo menos em princípio – das acusações que lhe pesam sobre os ombros rascunham um cenário em que o desfecho das duas mega encrencas terá influência decisiva na corrida sucessória do Maranhão. De um lado, a situação futura do ex-presidente Lula poderá nortear a caminhada do governador Flávio Dino (PCdoB), e com ele o momento que lidera e que reúne as condições de permanecer no poder. Do outro, o desfecho da berlinda em que se encontra o atual presidente será decisivo para o futuro político e eleitoral da ex-governadora Roseana Sarney (PMDB), cujo grupo poderá se recompor e voltar ao poder ou ser varrido de vez da política maranhense. O fato é que nenhum dos dois sairá incólume, para o bem ou para o mal, dessa crise. O Maranhão terá, mais uma vez, uma participação diferenciada em mais um momento crucial do tenso e imprevisível processo político e eleitoral que vem afetando o Brasil desde a deflagração da Operação Lava Jato, com a prisão do doleiro Alberto Yousseff, em São Luís, na noite de 17 de março de 2014.

A partir de agora, o governador Flávio Dino terá de trabalhar com dois cenários. O doméstico, no qual o roteiro é cuidar de sua reeleição, alimentando, assim, o projeto de permanência no poder do movimento que lidera, podendo também vir a ser candidato a senador, de modo a fortalecer a participação formal da esquerda no processo político via parlamento. E o nacional, para o qual poderá ser levado, seja como candidato a vice-presidente numa chapa liderada por Lula, caso o ex-presidente sobreviva à guilhotina política que poderá resultar da condenação, ou até como candidato a presidente se Lula for politicamente guilhotinado.

No plano doméstico, o governador vai aos poucos criando e consolidando as condições de partir para a reeleição sem maiores problemas. Lidera um Governo até aqui sem mácula no plano ético e administrativamente produtivo e inovado, e que conta com uma base, se não inteiramente sólida, suficiente para fazer a caminhada às urnas à frente de uma coligação ampla. Reúne, portanto, as condições para uma campanha bem sucedida. No plano nacional, Flávio Dino poderá ter de assumir o papel de líder, ocupando um espaço criado pelo vácuo de lideranças nessa seara, caso o ex-presidente Lula desmorone de vez. O prestígio e a influência que conquistou ao longo do tempo e que se consolidou quando assumiu a defesa da presidente Dilma Rousseff (PT) contra o impeachment, e em seguida com o apoio que vem dando ao ex-presidente Lula. Dentro e fora da seara governista ninguém hoje duvida que, cedo ou tarde, Flávio Dino liderará a chamada “esquerda democrática” – PT, PCdoB, PDT, entre outros -, podendo ser até candidato a presidente. E é nesse contexto que entra uma improvável, mas possível, candidatura ao Senado, o que o levaria ao plano nacional pela via formal. O fato é que, queira ou não, o governador do Maranhão está no epicentro da crise é visto como solução, o que ficou demonstrado com a notícia de que líderes petistas o sondaram  para ser o vice de Lula.

À medida que os fatos nacionais vão se desenrolando, a ex-governadora Roseana Sarney vai acrescentando possibilidade de se fortalecer e pavimentar politicamente sua volta ao Palácio dos Leões. Se o presidente Michel Temer sobreviver, como indicam os sinais, Roseana Sarney terá o suporte pemedebista que precisa para se candidatar. E mesmo a defenestração de Michel Temer e a consequente ascensão do presidente da Câmara Federal, o fluminense Rodrigo Maia (DEM), a ex-governadora poderá ter o suporte que precisa, já que Maia e o pai dele, o ex-prefeito do Rio de Janeiro César Maia (DEM), são muito ligados aos Sarney. É claro que essa montagem passa pelo deputado Juscelino Filho, que preside o DEM no estado, e o deitado estadual Stênio Rezende, mas isso não será  obstáculo.

Roseana Sarney sabe que se vier a ser candidata enfrentará dificuldades gigantescas, a começar pelos processos a que responde por cinta de supostos e cabeludos malfeitos praticados no seu Governo e que poderão impor-lhe a pecha de ficha-suja. Além disso, terá de encarar o PT, e  eventualmente o próprio Lula como adversário no Maranhão. Além do mais, terá se safar de uma elevada rejeição, de modo a mostrar sua força ao candidato presidencial que vier a representar no Maranhão. Mas como em política tudo é possível, não surpreenderá se Roseana Sarney resolva permanecer “aposentada”.

Como se vê, tanto Flávio Dino quanto Roseana Sarney está com os seus futuros políticos atrelados ao de-presidente Lula e ao presidente Michel Temer ao ex-presidente Lula da Silva, o que torna difícil prevê o desfecho de tudo isso.

PONTO & CONTRAPONTO

Mais de dois terços da bancada maranhense votará contra a autorização para processar Temer

Sarney Filho e Rubens Jr. lideram grupos a favor e contra a autorização para processar Michel temer
Sarney Filho e Rubens Jr. lideram grupos a favor e contra a autorização para processar Michel temer

Não será surpresa se o presidente Michel Temer receber o apoio de larga maioria dos deputados federais maranhense na votação em que Câmara Federal decidirá se autoriza ou não a abertura de processo contra o presidente da República. Devem votar contra a autorização os deputados federais Hildo Rocha (PMDB), João Marcelo (PMDB), Sarney Filho (PV), José Reinaldo tavares (PSB), André Fufuca (PP), Waldir Maranhão (PP), Juscelino Filho (DEM), Cléber Verde (PRB), Júnior Marreca (PEN), Victor Mendes (PSD), Pedro Fernandes (PTB) e Aluísio Mendes (Podemos). Os votos a favor de que a Câmara autoriza o Supremo Tribunal Federal a processar o presidente da República serão dados pelos deputados Rubens Jr. (PCdoB), Weverton Rocha (PDT), Deoclídes Macedo (PDT), Zé Carlos (PT), Eliziane Gama (PPS) e Luana Alves (PSB).

 

Roberto Costa denuncia que Prefeitura de Bacabal está sendo saqueada por uma quadrilha

Roberto Costa: se informando sobre a situação dos municípios
Roberto Costa denuncia quadrilha na Prefeitura de Bacabal

O deputado Roberto Costa (PMDB) decidiu jogar pesado contra o que denuncia como crimes de corrupção e formação de quadrilha na administração do prefeito Zé Vieira (PR) no Município de Bacabal.  Segundo Roberto Costa, recursos estariam sendo desviados das áreas de Saúde e Educação e o esquema de corrupção estaria sendo comandado pela primeira-dama Patrícia Vieira. O deputado pemedebista foi quarta-feira à Polícia Federal e ali protocolou uma denúncia detalhada do que, segundo ele, é o esquema de corrupção em Bacabal. Em duro discurso na Assembleia legislativa, Roberto Costa relatou que o prefeito Zé Vieira não trabalha, permanece o tempo todo em casa, recolhido em um quarto, e entregou a administração da cidade à sua mulher. “Bacabal não tem prefeito. Tem uma primeira-dama que manda e desmanda na administração, dando ordens, contratando e demitindo, autorizando pagamentos e contratando obras sem licitação. É um absurdo o que acontece na cidade de Bacabal”, declarou Roberto Costa, que manifestou a certeza de que a Polícia Federal investigará os desvios e confirmará “a formação de uma quadrilha em Bacabal”.

São Luís, 13 de Julho de 2017.

De olho nos votos maranhenses, Temer recebe Tema e bancada, refaz acordo e livra municípios do caos financeiro

 

Três momentos da audiência da representação maranhense com o presidente Michel Temer
Três momentos da audiência da representação maranhense com o presidente Michel Temer, na qual foi resolvido o problema financeiro de Prefeituras

Poucas vezes desde a redemocratização do País a bancada maranhense em Brasília protagonizou uma ação política tão forte e produtiva quanto a que a colocou ontem diante do presidente Michel Temer (PMDB) para um acerto de contas que livrou os 217 municípios maranhenses e o Governo do Estado de terem sequestrados das suas contas R$ 168 milhões. Convocados pelo presidente da Federação dos Municípios do Maranhão (Famem) e prefeito de Tuntum Cleomar Tema Cunha, e sem levar em conta cores partidárias, 14 dos 18 deputados federais e os três senadores bateram às portas do Palácio do Planalto e foram recebidos por ninguém menos que o presidente da República, que estava acompanhado dos ministros da Fazenda, Henrique Meireles, e da Educação, Mendonça Filho. Na reunião, o presidente determinou a suspensão da cobrança dos R$ 244 milhões pagos a mais no ano passado e autorizou a antecipação de R$ 168 milhões do ajuste que será feito em dezembro, evitando assim a instalação do caos nas finanças municipais. Pelo acordo firmado no Palácio do Planalto, o desconto será de apenas R$ 76 milhões, e será feito de maneira escalonada. Pala alívio geral, os prefeitos conseguiram cobrir 78% do rombo que seria de R$ 244 milhões.

Tema Cunha comandou a operação que levou ele e a bancada a Michel Temer
Tema Cunha comandou a operação que levou ele e a bancada a Michel Temer

A reunião com o presidente Michel Temer foi o desfecho de uma semana de tensão que atingiu fortemente os municípios maranhenses e o Governo do Estado por causa pela notícia de que o Governo da União jogara no lixo um acordo pelo qual cobraria os R$ 244 milhões de maneira parcelada e decidira, à última hora, cobrar a bolada de uma só vez. Diante da bomba que tirou o sono dos prefeitos e incomodou o Palácio dos Leões, o presidente da Famem, que negociara o primeiro acordo com o aval da bancada, embarcou domingo para Brasília em busca de uma solução urgente.

Na manhã de segunda-feira, Tema Cunha, acompanhado dos deputados federais Juscelino Filho (DEM), André Fufuca (PP), Cléber Verde (PRB), Alberto Filho (PMDB) e Hildo Rocha (PMDB), foi ao Palácio do Planalto tentar marcar uma audiência com o presidente Michel Temer. Lá chegando, foram recebidos pelo ministro da Secretaria de Governo, Antônio Imbassay. Só que foram surpreendidos pelo próprio presidente Michel Temer, que os recebeu para uma conversa que durou 15 minutos. Num lance de habilidade política que se encaixou na situação, pediu que o assunto fosse tratado na audiência de terça-feira, de preferência com toda a bancada. Ficou claro que o presidente estava em busca de uma maneira de encantar a bancada e receber, se não todo, pelo menos a maneira de votos. E mesmo percebendo a jogada palaciana, Tema Cunha e os deputados viram no encontro marcado uma via de mão dupla oportuna, do tipo que deixou no ar a fórmula do “eu ajudo vocês e vocês me ajudam”.

A notícia de que o próprio presidente da República se espalhou como um rastilho de pólvora nos gabinetes maranhenses, de modo que ontem, por volta das 11 horas, presidente da Famem desembarcou no Palácio do Planalto acompanhado dos senadores João Alberto (PMDB), Edison Lobão (PMDB) e Roberto Rocha (PSB) e dos deputados federais Rubens Jr. (PCdoB) – que coordena a bancada -, Hildo Rocha (PMDB), Cleber Verde (PRB), Pedro Fernandes (PTB), Victor Mendes (PV), Alberto Filho (PMDB), José Reinaldo (PSB), Waldir Maranhão (PP), Juscelino Filho (DEM) Aluísio Mendes (Podemos), André Fufuca (PP), Júnior Marreca (PEN), Deoclídes Macedo (PDT) e Weverton Rocha (PDT). Por diversos motivos, não compareceram os deputados Zé Carlos (PT), Eliziane Gama (PPS), João Marcelo (PMDB) e Luana Alves (PSB).  Acompanharam Tema Cunha os prefeitos Karla Batista (PSDB), de Vila Nova dos Martírios), Miltinho Aragão (PSB), de São Mateus, Joice Marinho (PDT), de Amarante do Maranhão, Roberto do Posto (PCdoB, de Newton Bello) e Costinha (PCdoB), de Olinda Nova do Maranhão).

Vivamente interessado nos votos maranhenses para manter-se de pé, o presidente Michel Temer recebeu a representação maranhense em grande estilo, tendo de um lado o poderoso e considerado inacessível ministro da Fazenda, Henrique Meireles, do outro o interessado no assunto, ministro da fazenda, Mendonça Filho, e de quebra o ministro do Meio Ambiente, Sarney Filho, que integra a bancada como deputado federal. O problema foi colocado à mesa, suas consequências foram detalhadas e a solução surgiu rapidamente. Com a promessa de que depois do recesso parlamentar será examinada a possibilidade de resolver os R$ 76 milhões restantes. E como não poderia deixar de ser, o presidente da República fez um breve e entusiasmado balanço da retomada econômica, garantindo que ele continuará. E o ministro da Educação relatou, também entusiasmado, as conquistas do atual Governo nessa área.

Não se sabe se os afagos do presidente mudaram algum voto, mas a verdade é que, mesmo não tendo solucionado totalmente o problema, o presidente Michel Temer deixou satisfeitos parlamentares e prefeitos, a começar pelo presidente da Famem, Tema Cunha, que antes de embarcar para o Maranhão, declarou: “A decisão do presidente Temer pelo menos reduz o impacto negativo da folha da Educação, tanto do Estado como os municípios. É uma medida que a gente agradece, porque, dos males, o menor”.

O que aconteceu em Brasília entre a Famem, a bancada e o presidente da República foi um jogo de poder. E gostem ou não os puristas, Política de gente grande é feita assim desde que a sociedade se formou.

 

PONTO & CONTRAPONTO

 

Senadores do Maranhão votaram a favor da Reforma Trabalhista aprovada ontem pelo Senado

João Alberto, Edison Lobão e Roberto Rocha sintonizados com o Palácio do Planalto
João Alberto, Edison Lobão e Roberto Rocha votaram ontem em total sintonia com o Palácio do Planalto

Não houve surpresa quanto à posição dos senadores maranhenses na votação da Reforma Trabalhista. João Alberto, Edison Lobão e Roberto Rocha votaram alinhados ao Palácio do Planalto aprovando o texto básico e assim garantindo aval às propostas do presidente Michel Temer. Membros destacados do PMDB – que votou dividido -, João Alberto e Edison Lobão reafirmaram sua condição de aliados do presidente da República e membros da linha de frente da bancada governista no Senado. Mesmo fazendo restrições a um ou outro artigo da Reforma, João Alberto e Edison Lobão decidiram votar integralmente a favor, por entenderem que as mudanças são necessárias para modernizar e flexibilizar regras octogenárias da CLT, possibilitando a dinamização da economia através do emprego. O senador Roberto Rocha votou a favor num processo em que a bancada do seu partido, o PSB, se dividiu rigorosamente, com três senadores votando a favor e três contra, com um senador se abstendo. Nas vezes em que se manifestou sobre a proposta de Reforma Trabalhista, Roberto Rocha a definiu como ainda tímida, or considerar que a realidade exige mudanças mais amplas e mais sintonizadas com a evolução da relação capital x trabalho nas economias mais avançadas, mas com o cuidado de respeitar direitos básicos de quem trabalha. Para ele, o texto básico da reforma proposta pelo presidente Michel temer e aprovada ontem pelo Senado atente suas expectativas.

 

Assembleia Legislativa quatro cargos de Promotor de Justiça para Açailândia, Buriticupu, Timon e Imperatriz

O presidente Humberto Coutinho, observado pelo relator Eduardo braide, é cumprimentado pelo promotor ?????
O presidente Humberto Coutinho, observado pelo relator Eduardo Braide, é cumprimentado pelo promotor Márcio Tadeu, ao lado do deputado Stênio Rezende 

A Assembleia Legislativa aprovou ontem, numa deciico são unânime, o Projeto de Lei nº 4/2017, proposto pelo Ministério Público, que cria de quatro novos cargos de Promotor de Justiça de entrância intermediária para as comarcas de Açailândia, Buriticupu, Timon e Imperatriz. Foi aprovado também o Projeto de Lei nº 172/2017 criando quatro cargos de assessor de Promotor de Justiça.

Relatados pelo deputado Eduardo Braide (PMN), os projetos aprovados  criaram também as Promotorias de Justiça Regionais de Defesa da Ordem Tributária de Imperatriz e Timon, com vagas para seus respectivos titulares. Com a nova Promotoria, Buriticupu, atualmente com apenas um promotor, passa a contar com dois promotores de Justiça, atendendo assim à crescente demandada da comarca. A nova Promotoria criada para Açailândia atende à criação da 2ª Vara com jurisdição criminal no Município.

O procurador geral de Justiça, Luiz Gonzaga Coelho, a criação dos cargos representa um avanço institucional à medida que será ampliado o atendimento à população não apenas nas quatro comarcas, mas em suas respectivas regiões. “A atuação regionalizada no combate à sonegação fiscal e defesa do patrimônio público vai ampliar o trabalho já desenvolvido pelo Ministério Público. No mesmo sentido, Buriticupu e Açailândia são comarcas com grande demanda judicial que precisam desse reforço”, frisou o procurador geral de Justiça.

São Luís, 11 de Julho de 2017.

Hildo Rocha denuncia a mão da Rede Globo por trás do voto de Sérgio Zveiter contra Michel Temer

 

Hildo Rocha: denúncia forte contra a Rede Globo
Hildo Rocha: denúncia forte de ação da Rede Globo contra presidente Michel Temer

Em meio a uma enxurrada de pronunciamentos de ataque e defesa, ao jogo exibicionista, às agressões descabidas e à manipulação que movimentaram a sessão da CCJ da Câmara dos Deputados em que o relator Sérgio Zveiter apresentou seu relatório e parecer favorável a que a Câmara dos Deputados autorize a investigação contra o presidente Michel Temer (PMDB), coube ao deputado maranhense Hildo Rocha (PMDB) fazer uma revelação que pode ser encarada como a chave para as respostas de quem suspeita de que o presidente da República está sendo vítima de uma armação. Hildo Rocha surpreendeu meio mundo ao levantar a grave afirmação de que o relator estaria fazendo as vezes de pau mandado e que o seu manipulador seria a Rede Globo.

Sem meias palavras e com a ênfase de quem queria ser ouvido, o deputado Hildo Rocha disparou: “Porque o deputado Sérgio Zveiter fez esse relatório? É porque há quarenta anos ele e a família dele trabalham para a Rede Globo de Televisão. Todo mundo está vendo a Rede Globo de Televisão fazendo uma campanha insana contra o presidente da República. É porque teve interesses contrariados. Eu não me surpreendi, porque não foi surpresa para mim o relatório do Sérgio Zveiter. Ele é empregado, juntamente com a família dele, da Rede Globo”.

Hildo Rocha é um político muito experiente, bem articulado, e principalmente bem informado para ter inventado um factóide envolvendo o deputado-relator Sérgio Zveiter, sua família e a Rede Globo. A julgar pelas suas relações com os concessionários da Rede Globo no Maranhão, a começar pela sua líder, a ex-governadora Roseana Sarney (PMDB), a lógica recomendaria que Hildo Rocha fosse o último aliado de Michel Temer a pronunciar o discurso que pronunciou com transmissão ao vivo para todo o País. Portanto, é absolutamente lógico e lícito supor que quando levantou a suspeita de que o deputado-relator Sérgio Zveiter estaria a serviço da Rede Globo contra Michel Temer, Hildo Rocha sabia exatamente o que estava dizendo, e certamente dispondo de argumentos para sustentar o que disse. A começar pelo fato de que a campanha “insana” da Rede Globo contra o presidente Michel Temer é óbvia, escancarada e incontestável. E nesse contexto, é improvável que o pemedebista tenha levantado tal suspeita por um rasgo de irresponsabilidade parlamentar, apenas para fortalecer seu discurso contra o relatório e a favor do presidente da República. Outro deputado até poderia fazer esse jogo, mas Hildo Rocha não o fez. Suas declarações foram muito contundentes, pronunciadas com a ênfase de quem pretendia de fato dar-lhes eco.

É difícil imaginar que o deputado Hildo Rocha estivesse objetivando comprar uma briga sem eira nem beira com a Rede Globo, correndo o risco de ser  transformado em alvo de retaliação e certamente triturado pela máquina global. E não será surpresa se o pemedebista tiver colocado em prática uma estratégia tramada na cúpula do PMDB.

Se não foi trombeteado como deveria por sua gravidade do seu conteúdo, o trecho do discurso em que Hildo Rocha denuncia a armação Sérgio Zveiter/Rede Globo contra o presidente Michel Temer certamente não foi ignorado. Mas chamou atenção o fato de que os telejornais da Rede Globo não registraram as declarações do deputado pemedebista, dando clara impressão de que preferem que elas passem para a História como um mero momento de destempero verbal de Hildo Rocha. Sim, porque com certeza não foi por considerá-las sem importância, mas muito provavelmente por preferir não ratificar o ditado popular segundo o qual “onde a fumaça, há fogo”.

O fato é que o deputado Hildo Rocha foi muito além dos demais parlamentares que criticaram o relatório e o parecer do relator Sérgio Zveiter. E se houvesse alguma seriedade e honestidade de propósito nesse processo, o comando da Comissão deveria dar ao deputado Hildo Rocha pelo menos a oportunidade para que ele pudesse esclarecer melhor essa história. Afinal, é difícil aceitar de cara que ele tenha inventado uma estória ou nada tivesse dito.

 

PONTO & CONTRAPONTO

 

Fundeb: deputados reagem contra sacrifício imposto pelo Governo da União às Prefeituras

Othelino Neto, Roberto Costa, Bira do Pindaré e Fábio Braga: protesto contra Governo da União
Othelino Neto, Roberto Costa, Bira do Pindaré e Fábio Braga: protesto contra União por corte no Fundeb

Os deputados Othelino Neto (PCdoB), Roberto Costa (PMDB), Bira do Pindaré (PSB) e Fábio Braga (PTdoB), protestaram ontem, com veemência e firmeza contra o duro golpe que aplicou contra as finanças das Prefeituras e do Governo Federal ao desrespeitar o acordo firmado com a Federação dos Municípios do Maranhão (Famem) cobrando o valor do reajuste de uma só vez e não parcelado, como havia sido acordado com a entidade municipalista, o Governo estadual e o Ministério da Educação. Com a medida, que tomou o governador Flávio Dino e os 217 prefeitos maranhenses de surpresa, o Governo da União provocará um verdadeiro caos nas finanças municipais, justificando inteiramente o protesto feito ontem pelos quatro parlamentares.

Para o deputado Roberto Costa, se esse corte no Fundeb, realmente, for concretizado, vai se criar uma situação jamais vista no Estado do Maranhão, na área da Educação. “Acho que todas as forças políticas precisam, neste momento, dar as mãos, porque é um assunto extremamente preocupante que vai atingir uma parcela da população. Acho que, neste momento, as questões políticas nós vamos ter que deixar de lado”, defendeu. Roberto Costa informou que os senadores João Alberto (PMDB) e Edson Lobão (PMDB) se reunirão hoje com o presidente Michel Temer para expor o problema e cobrar uma solução.

Othelino Neto, por sua vez, afirmou que é mais uma maldade do presidente Temer com o Brasil e que, mantida essa decisão, muitos prefeitos não vão ter condições de honrar a folha de pagamento. “A bancada do Maranhão no Congresso Nacional, me disseram os deputados Rubens Júnior (PC do B), que é o coordenador da bancada maranhense, e o deputado Weverton Rocha, líder do PDT na Câmara dos Deputados, que iriam se reunir ainda hoje em companhia do Presidente da Câmara, o deputado federal Rodrigo Maia (DEM), com o presidente da República, para tentar fazer com que seja cumprido o compromisso e reverta essa situação gravíssima que foi imposta aos prefeitos”, revelou. “Não imaginava que o Governo Federal fosse capaz de tamanha maldade quanto essa que está fazendo contra a educação, contra o povo brasileiro”, protestou o 1º vice-presidente da Alema, anunciando que protocolou uma Moção de Repúdio ao Governo da União a ser submetida ao plenário.

Bira do Pindaré avaliou que o impacto nas contas das Prefeituras e do Governo do Estado é gigantesco e cobrou uma reação da bancada do Maranhão no Congresso Nacional. “O que fazem os senadores do Maranhão que não reagem em razão de uma situação como essa? Por que não usam o poder que eles têm para barrar essa situação que está acontecendo agora contra o Estado do Maranhão. Eu tenho absoluta certeza que nós temos capacidade de reverter isso”, frisou. “Portanto, eu conclamo toda a classe política, todos aqueles que têm voz, sobretudo em Brasília, para que a gente possa reunir e reagir conjuntamente, garantir que essa situação seja revertida”, assinalou.

Fábio Braga destacou: “Autorizando o desconto de R$ 47 milhões nas costas do Governo do Estado e de R$ 177 milhões nas contas das Prefeituras Municipais, o Governo Federal descumpre o acordo. São, portanto, mais de R$ 224 milhões a menos nos cofres das Prefeitura e do Governo do Estado. É profundamente lamentável e mesquinha essa decisão. É unilateral, no momento em que o País enfrenta problemas seríssimos de toda ordem”. Para ele, já há um movimento forte feito pelo presidente da Famem,  Cleomar Tema, os prefeitos e o Governo do Estado também, no sentido de reverter a decisão e fazer com que o Governo Federal volte a cumprir o acordo firmado de parcelar o débito.

 

Imagem gera especulações sobre preferência de Flávio Dino para a disputa pelas duas vagas no Senado

Flávio Dino: afagos nos pré candidatos Weverton Rocha e Eliziane Gama
Flávio Dino: afagos nos pré candidatos ao Senado Weverton Rocha e Eliziane Gama

Causou reações diversas a imagem publicada pelas redes no final da semana mostrando o governador Flávio Dino emoldurado de um lado pelo deputado federal Weverton Rocha (PDT) e candidato assumido a uma das vagas no Senado, e de outro a deputada federal Eliziane Gama (PPS), ela também admitindo se lançar à guerra eleitoral com o mesmo objetivo. Para alguns, a imagem revela a chapa preferencial do governador para representar o movimento que lidera na corrida à Câmara Alta. Se a especulação tiver fundo de verdade, o governador não apoiará a candidatura do ex-governador e atual deputado federal José Reinaldo Tavares (PSB), confirmando rumores que há muito circulam nos bastidores partidários. O governador Flávio Dino, no entanto, não fez até agora nenhuma declaração explícita e incontestável de opção põe essa ou aqueles candidatura, deixando primeiro que os pré-candidatos avancem e consolidem seus projetos, para lá na frente definir essa chapa sem maiores problemas.

São Luís, 10 de Julho de 2017.

Sondagem para ser vice de Lula mostra que o político Flávio Dino está além das fronteiras do Maranhão

 

Flávio Dino: ação política ultrapassou as fronteiras do Maranhão
Flávio Dino: boa articulação fez ação política ultrapassar as fronteiras do Maranhão

Não surpreendeu a informação, publicada pela coluna “Radar”, da revista Veja dando conta de que a presidente do PT, senadora Gleise Hoffmann (PR), e o ex-governador da Bahia, Jaques Wagner, um dos mais destacados líderes do partido, teriam convidado o governador Flávio Dino (PCdoB), para ser o companheiro de chapa do ex-presidente Lula da Silva na corrida ao Palácio do Planalto no ano que vem. Esse projeto de composição não é novo, já vem sendo avaliado há algum tempo, revelando uma verdade já estabelecida pela via dos fatos que ordenaram a vida na Nação nos últimos dois anos: o governador do Maranhão ganhou tamanho e musculatura políticos que extrapolaram as fronteiras do Maranhão para torná-lo uma referência política no plano nacional. E com um diferencial que o credencia a entrar briga pelo comando do País, seja como candidato a vice numa chapa liderada pelo líder petista, ou até mesmo como cabeça de uma chapa á esquerda como candidato do PCdoB. Vencer a eleição presidencial é outra história, mas com a bagagem que acumulou e imagem de correção que construiu, que o diferenciam ostensivamente dos presidenciáveis postos até aqui, dará, no mínimo, uma contribuição excepcional aos debates de campanha, marcados, via de regra, por abordagens medíocres dos problemas nacionais.

No campo político, o governador Flávio Dino conhece o caminho das pedras do cenário nacional. Vem da rica escola do movimento estudantil, atuou como magistrado no plano federal e, como tal, presidiu a Associação dos Juízes Federais, uma entidade cuja atuação vai muito além dos das lutas corporativas, tendo alcançado claro status de liderança classista. Surpreendeu meio mundo quando abandonou uma carreira que muito provavelmente o levaria ao topo do Judiciário para entrar na seara política, preenchendo as expectativas com um mandato de deputado federal que o tornou referência no Congresso Nacional. Foi presidente da Embratur e chamou atenção pela desenvoltura e eficácia com que comandou a empresa. Antes de eleger-se governador, amargou duas derrotas – uma para a Prefeitura de São Luís (2008) e outra para o Governo do Estado (2010). Chegou ao comando político e administrativo do Maranhão em 2014 numa campanha que analistas enxergam como entre o fim do ciclo sarneysista e o início de um novo momento por ele liderado na política maranhense.

No campo administrativo, Flávio Dino tem dado demonstrações seguidas de que sabe o que deve ser feito dentro das suas concepções do que deve ser a relação Governo-Sociedade. E comanda esse processo com equilíbrio, liderança inconteste, firmeza, e um elemento recente e essencial que é a transparência. Vem aos poucos mudando o conceito de gestão pública e, mais do que isso, do que deve ser a relação do poder público com a política. E o faz com a consciência de que mudanças dessa envergadura significam desmontar uma velha ordem, desfazer latifúndios, desmanchar condomínios, e que isso gera reações fortes em todos os níveis da vida estadual, a começar pelo plano político. Não é, portanto, por acaso que, que seu nome tem sido projetado nacionalmente, num processo que é atentamente acompanhado pelos antenadíssimos comandos políticos de Brasília. E não é exagero examinar a impressão de que politicamente o Maranhão ficou pequeno para o tamanho político que ele alcançou.

Além da afinidade política e ideológica que o liga ao PT, ao qual já foi filiado, o que torna Flávio Dino hoje uma das grandes referências do seu campo político é que é que a esquerda democrática perdeu seus principais líderes: Dilma Rousseff não tem futuro no plano majoritário, José Dirceu amarga condenação por corrupção, José Genoíno também, Eduardo Campos morreu jovem, p governador mineiro está politicamente morto, Ciro Gomes não tem equilíbrio, e algumas promessas se perderam ou tentam sobreviver com mandatos proporcionais. E numa avaliação bem pé no chão, além de Lula, que se debate ferozmente contra a ameaça de condenação e cadeia, o governador Flávio Dino é o nome mais bem situado nessa seara, enxergado com os mesmos olhos de Norte a Sul e de Leste a Oeste. A firme e corajosa posição que ele manteve contra a cassação da presidente  da presidente Dilma Rousseff foi elogiada até por adversários da presidente. Não é, portanto, surpreendente que o governador do Maranhão esteja cotado para ser companheiro de Lula.

Por caminho bem diferente, Flávio Dino chega à situação da então governadora Roseana Sarney (PMDB) em 2002, que chegou a liderar pesquisas de opinião como pré-candidata a presidente da República, mas o seu projeto foi pulverizado pela Operação Lunus. A diferença é que Flávio Dino tem lastro sólido e autoridade moral e política para trilhar o caminho que achar mais adequado, podendo tentar a reeleição, com amplas chances de vitória, ser candidato ao Senado – que muitos acham a opção mais viável para sua projeção nacional pensando num projeto maior em 2022, ou atender ao apelo do PT para ser vice de Lula, também com amplas chances de vir a ser inquilino do Palácio do Jaburu, para depois repetir, pela via direta, José Sarney (PMDB). Porque não?

 

PONTO & CONTRAPONTO

 

Maura Jorge se lança candidata e pode ser a “Terceira Via” na corrida ao Palácio dos Leões

Maura Jorge: lastro sólido e coragem política
Maura Jorge candidata: lastro sólido e coragem política

O lançamento da sua candidatura do Governo do Estado pelo comando nacional do Podemos (ex-PTN) deu à ex-deputada estadual e ex-prefeita Maura Jorge o argumento que lhe faltava para não permanecer no cenário apenas como um factóide. A vinda do Maranhão do senador paranaense Álvaro Dias – hoje o maior nome do Podemos e seu virtual candidato a presidente da república – e da presidente nacional da agremiação, Renata Abreu, para respaldar o projeto foi uma demonstração de que Maura Jorge pode construir o que o senador Roberto Rocha (PSB), por diversas razões, ainda não conseguiu, se viabilizar como a chamada “Terceira Via”.

A menos que esteja fazendo um jogo político arriscado, Maura Jorge tem história e cacife se lançar numa empreitada dessa natureza e envergadura. Nasceu em berço político sólido e aprendeu os primeiros movimentos com o pai, o respeitado  Waldir Jorge, que comandou Lago da Pedra por anos a fio, como prefeito e líder, fez do filho, Waldir Jorge Filho, prefeito e, nesse caminho, um dos jovens políticos mais promissores do Maranhão nos anos 80 – presidiu a Famem -, e infelizmente morto numa tragédia aérea em 1990. Coadjuvante familiar dessa história, ainda muito jovem Maura Jorge se elegeu deputada estadual com a imensa responsabilidade de manter de pé o legado político construído pelo pai e ampliado pelo irmão. Atuando de maneira coerente como integrante assumida, mas com autonomia, do Grupo Sarney.

Desdobrou-se na tarefa, viveu altos e baixos, mas deu a volta por cima quando se elegeu prefeita de Lago da Pedra em 2008 e se reelegeu em 2012, realizando ali uma gestão eficiente, o que consolidou e alargou o seu prestígio na região. Ciosa da sua liderança em Lago da Pedra e região, Maura Jorge, então prefeita de Lago da Pedra, protagonizou com o governador Flávio Dino, no seu município um episódio revelador da sua coragem pessoal e polpitica. Num ato de inauguração no centro de Lago da Pedra, à qual se fez presente apesar de ser oposição ao Governo do Estado, o governador Flávio Dino criticou duramente o Governo passado e, por tabele, a gestão municipal. Mauro Jorge, que estava ao seu lado, pediu a palavra, tendo a assessoria do governador cometido o erro primário de negar. A prefeita deixou o local, mandou providenciar um carro de som, posicionou-o em frente ao palanque e fez um duro discurso rebatendo o governador.

Atitudes assim desenham o perfil pessoal e político de Mauro Jorge. E não é exagero rascunhar que, a menos que haja um grande acordo envolvendo o Podemos, é muito provável que ela mantenha a sua candidatura ao Palácio dos Leões como a uma “Terceira Via” arrojada na corrida sucessória. Por isso, e independente do que o projeto resultar, a política do Maranhão só ganhará com a saudável ousadia da lagopedrense de belos olhos verdes.

 

Sarney Filho deixará ministério para brigar por Michel temer na Câmara Federal.

Sarney Filho: candidatura decidida
Sarney Filho: candidatura decidida

Sarney Filho (PV) vai deixar temporariamente o comando do Ministério do Meio Ambiente e reassumir seu mandato de deputado federal, mandando para casa o suplente Alberto Filho (PMDB). Ele será um dos coordenadores das articulações por meio das quais o presidente Michel temer (PMDB) espera mobilizar votos suficientes para arquivar o pedido de autorização do Supremo Tribunal Federal para processá-lo por corrupção e formação de quadrilham como quer o procurador geral de Justiça, Rodrigo Janot. Um dos membros mais antigos e experientes da Câmara Federal, Sarney Filho é uma espécie de “cardeal” com cadeira cativa no alto clero daquela Casa legislativa. Não lidera grupos nem bancadas, mas é ouvido e trem opinião influente em questões delicadas de grande impacto como é o caso.  Pode dar uma expressiva contribuição, principalmente se assessorado pelo pai, o ex-presidente José Sarney (PMDB). Retornará ao ministério depois da votação, tenha ela o desfecho que tiver.

São Luís, 09 de Julho de 2017.