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Incertezas continuam agitando os partidos na escolha dos candidatos às duas vagas no Senado

 

Weveerton Rocha, Edison Lobão, Sarney Filho parecem consol,idados, enquanto Eliziane Gama e José Reinaldo tentam definição
Weverton Rocha, Edison Lobão, Sarney Filho parecem consolidados, enquanto Eliziane Gama e José Reinaldo tentam definição na guerra pelas vagas no Senado

Ainda no final do ano passado, a Coluna previu que a eleição para duas das três cadeiras do Maranhão no Senado seria mais tensa e disputada do que até mesmo a do governador. O desenrolar dos fatos confirma a previsão, à medida que até aqui as correntes que se preparam para as eleições majoritárias ainda não definiram, de maneira consolidada, seus candidatos a senador, embora já tenham nomes que já se dizem escolhidos, e ponto final. A aliança liderada pelo governador Flávio Dino (PCdoB) já tem acertada a candidatura do deputado federal Weverton Rocha (PDT), e está em busca do segundo nome, que deve ser a deputada federal Eliziane Gama (PPS). O Grupo Sarney já tem em campanha aberta para as vagas o senador Edison Lobão (MDB) e o deputado federal Sarney Filho (PV ou PSD), embora aqui e ali o cenário desse campo seja encoberto por dúvidas em relação a um ou outro. Numa terceira frente, o ex-governador e atual deputado federal José Reinaldo Tavares está em busca de um partido para viabilizar sua candidatura, podendo fazê-lo pelo DEM ou pelo PSDB. As incertezas em relação à corrida senatorial alcançam até mesmo partidos como o PSOL, que ainda não definiu quem cumprir a tarefa.

No campo situacionista, o governador Flávio Dino vem se desdobrando para ter dois companheiros de chapa competitivos e viáveis e que representem a geração que chegou com ele ao poder. Nesse sentido, tem evitado usar o seu poder para ungir nomes da sua preferência, optando por apoiado quem se viabiliza politica e eleitoralmente. Essa linha de comando abriu caminho para o deputado federal Weverton Rocha (PDT), que por uma mistura eficiente de ousadia e competência, construiu e consolidou sua pré-candidatura, tornando seu projeto indiscutível, viável e avalizado pelo líder da aliança. A segunda vaga poderia ter sido ocupada pelo ex-governador e deputado federal José Reinaldo Tavares, mas uma série de erros táticos, atropelos e desgastes inviabilizou a caminhada. E como o processo pré-eleitoral é dinâmico e implacável, a deputada federal Eliziane Gama ocupou o espaço com competência e movida por um potencial eleitoral surpreendente, de modo a tornar-se o nome adequado para a segunda vaga, devendo ganhar o aval do governador Flávio Dino, que deve fechar sua chapa sem maiores problemas.

No Grupo Sarney se move ainda muito marcado por dúvidas, que atingem até mesmo o projeto da ex-governadora Roseana Sarney (MDB) de voltar ao poder. Em princípio, o deputado federal Sarney Filho (PV, podendo mudar para o PSD), ocupou e fincou estaca da primeira vaga, não deixando que sua candidatura fosse sequer discutida na cúpula do Grupo, onde há quem duvide do sucesso eleitoral de uma chapa majoritária com dois Sarney. A outra vaga foi igualmente ocupada pelo senador Edison Lobão (MDB), que decidiu concorrer à reeleição sem dar qualquer chance para que seu projeto fosse discutido. Assim, o Grupo começa a se movimentar com dois candidatos que se impuseram por conta própria, sem permitir para que seus projetos fossem sequer avaliados. Há notícia de um questionamento aqui, um mal-estar ali, mas episódios sem  repercussão ou impacto na montagem da chapa.

O projeto senatorial mais e rumoroso até aqui é mesmo o do ex-governador José Renaldo Tavares. Para lembrar: ele pretendia ser o segundo nome na chapa do governador Flávio Dino, mas a sua pretensão se perdeu no descaminho das suas posições e atitudes, que o levou ao rompimento político com o governador Flávio Dino. No momento, o ex-governador tem dois caminhos: filiar-se ao DEM e obter o aval para se candidatar a senador, ou virar tucano e concorrer ao Senado em dobradinha com o senador Roberto Rocha, candidato a governador. Se optar pelo DEM, terá de aguardar o rumo que o partido tomará no Maranhão depois que lançou o presidente da Câmara Federal, Rodrigo Maia (DEM) como pré-candidato a presidente da República. Se optar pelo PSDB, será candidato sem problemas. Tem, portanto, um longo caminho pela frente.

Entre os pequenos partidos, o PSOL é até agora o único que abriu discussão  em relação às duas vagas de candidato na chapa que será liderada pelo professor Odivio Neto, que disputará o Palácio dos Leões. Os pré-candidatos ao Senado são o líder sindical Raimundo Noleto e a professora universitária Fernanda Sueli. O partido vai discutir a composição da chapa no final de março, podendo confirmar ou não os dois pré-candidatos.

 

PONTO & CONTRAPONTO

Cleomar Tema será linha de frente na campanha de Flávio Dino e Weverton Rocha, mas também apoiará José Reinaldo

Cleomar Tema se posiciona em relação à disputa para o Senado
Cleomar Tema se posiciona em relação à disputa para o Senado

Uma das vozes políticas mais influentes no Maranhão atual, Cleomar Tema (PSB), prefeito de Tuntum e presidente da Federação dos Municípios (Famem), que vem liderando um amplo movimento para respaldar politicamente a candidatura do ex-governador José Reinaldo Tavares ao Senado, tomou posição definitiva: continuará na linha de frente do movimento pela reeleição do governador Flávio Dino, apoiará s candidatura do deputado federal Weverton Rocha como primeiro candidato da aliança ao Senado, mas apoiará também a candidatura do ex-governador, independentemente do partido pelo qual se candidatar. Conhecido no meio político pela maneira correta como cumpre os compromissos políticos que assume, Cleomar Tema é aliado incondicional do governador Flávio Dino, devendo se dedicar integralmente à sua campanha pela reeleição, assim como à campanha de Weverton Rocha para o Senado. Da mesma maneira atuará em apoio à candidatura de José Reinaldo ao Senado, sob o argumento de que se trata de uma posição pessoal de reconhecimento da atuação do ex-governador em relação aos municípios. “Meu palanque é o palanque do governador Flávio Dino e do deputado Weverton Rocha, mas não posso também deixar de apoiar o ex-governador José Reinaldo”, diz o presidente da Famem, lamentando o afastamento do ex-governador do atual governador. Adepto intransigente da regra política segundo a qual o que vale em política é a palavra empenhada, o prefeito de Tuntum conversou com o governador Flávio Dino, com Weverton Rocha e com seus principais aliados, para comunicar-lhes sua decisão.

 

Rede de Marina Silva não achou rumo e está se desfazendo no Maranhão

Marina Silva parece não ter interesse de manter a Rede no Maranhão
Marina Silva parece não ter interesse de manter a Rede no Maranhão

Por falta de lideranças capazes de consolidá-lo e incluí-lo no quadro político do estado como uma alternativa partidária saudável e viável, o braço maranhense da Rede Sustentabilidade, partido criado pela ex-senadora Marina Silva para ser a base do seu projeto de se tornar presidente da República, está se desfazendo no Maranhão. Esse auto desmonte veio à tona na forma de uma Carta Aberta por meio da qual 141 filiados ao partido anunciam que estão abandonando-o.

Na sua Carta Aberta, os filiados justificam a desfiliação com vários argumentos, sendo o principal deles a inconsistência ideológica da sua fundadora, que de expoente destacada da esquerda brasileira, vem sofrendo transformações, dando algumas guinadas à direita. Ficou contra a presidente Dilma Rousseff (PT), tendo apoiado a sua cassação, e já manifestou identificação com algumas medidas do o presidente Michel Temer (MDB), não tendo também tomado posição sobre o quadro político no Maranhão. E para complicar mais ainda, alegam que o comando da rede não respeita mais o confronto das ideias, que pareceu ser a motivação maior da criação do partido.

A Rede viveu alguns momentos no Maranhão. Um deles foi a possibilidade de ter em seus quadros a deputada federal Eliziane Gama, que se dispôs a deixar o PPS e se filiar ao partido, desde que o comando estadual lhe fosse entregue, o que não aconteceu. Depois, o braço maranhense do partido esteve praticamente nas mãos do então juiz Marlon Reis, que chegou a cogitar lançar-se candidato a uma das vagas do Senado. O projeto não evoluiu e ele transferiu seu domicílio eleitoral para o Tocantins, onde assumiu o comando do partido e se lançou candidato a governador.

Com o movimento de desfiliação, o futuro da Rede no Maranhão é, no momento, rigorosamente incerto.

São Luís, 09 de Março de 2018.

 

Rompido com Flávio Dino, José Reinaldo pode entrar no PSDB e disputar o Senado em dobradinha com Roberto Rocha

 

José Reinaldo pode virar tucano e fazer cobradinha com Roberto Rocha
Sem partido, José Reinaldo: pode virar tucano, entrar na disputa para o Senado e fazer dobradinha com Roberto Rocha

É cada vez mais provável que a movimentação pré-eleitoral produza a mais improvável das composições político-partidárias para a corrida ao voto deste ano no Maranhão: uma aliança entre o senador Roberto Rocha (PSDB), candidato ao Palácio dos Leões, e o ex-governador e deputado federal José Reinaldo Tavares como candidato ao Senado. Impensável há até pouco tempo, devido às profundas diferenças políticas e pessoais que separam os dois, exatamente por conta de composições eleitorais, essa aliança saiu do arquivo morto e voltou à mesa das negociações em regime de urgência depois que o ex-governador, também num processo improvável, acionou – tudo indica que em definitivo – a alavanca de rompimento com o governador Flávio Dino (PCdoB). Esse roteiro poderá ganhar forma definitiva e mais robusta se José Reinaldo quebrar o seu pote de mágoas (foi atropelado por Roberto Rocha em 2010 e 2014) e assinar ficha no PSDB, num desfecho que não só encerrará sua via crucis em busca de um partido, como também dará algum impulso à candidatura de Roberto Rocha ao Governo do Maranhão, já que, tudo indica, sua filiação ao DEM parece inviabilizada.

Essa equação, que pode dar mais intensidade à corrida pelo voto majoritário, vem sendo montada por José Reinaldo como uma espécie de “plano b” num processo paralelo. Enquanto Roberto Rocha era empurrado para fora do PSB e trabalhava seu retornou ao PSDB como chefe do partido no Maranhão, apoiado decisivamente pelo ex-prefeito de Imperatriz Sebastião Madeira, José Reinaldo manteve conversas com o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, com dois objetivos: manter o PSDB sob o comando do seu vice-governador Carlos Brandão, seu afilhado político, e, num outro viés, ele próprio se converter ao tucanato e sair senador pelo partido, caso Roberto Rocha viesse a assumir o comando do partido. Essas portas foram abertas em meados do ano passado e não foram fechadas depois que o senador se tornou o manda-chuva do ninho maranhense.

Nesse meio tempo, José Reinaldo fez todos os movimentos possíveis para manter-se no PSB e ocupar a segunda vaga de candidato a senador na chapa a ser liderada pelo governador Flávio Dino. Esperava ser alçado, mas errou na avaliação. Para se viabilizar à primeira vaga, o deputado Weverton Rocha consolidou sua liderança no PDT, comprou todas as brigas institucionais e políticas do governador Flávio Dino e conseguiu o aval dos partidos que formam a aliança partidária governista. Criou, assim, as condições políticas para se tornar candidato, independente do ainda  tímido cacife eleitoral que as pesquisas têm lhe dado. José Reinaldo Tavares fez exatamente o caminho inverso: largou na corrida pela vaga de candidato a senador sem o aval de um partido – o PSB em nenhum momento se posicionou a seu favor -, e entrou em rota de confronto com o governador Flávio Dino nas guerras políticas travadas no País nos últimos três anos – votou pelo impeachment da presidente Dilma Rousseff (PT), apoiou a Reforma Trabalhista, votou contra o pedido para investigar o presidente Michel Temer (MDB) e apoia a Reforma da Previdência. Assim, mesmo detentor do cacife de ter sido o “grande avalista” do primeiro mandato de Flávio Dino. Nesta semana, disparou declarações duras contra o Governo Flávio Dino, como que avisando que o rompimento é irreversível.

Por mais dramático que seja, o rompimento de José Reinaldo com Flávio Dino acaba sendo bom para os dois. Mesmo fragilizado politicamente, o ex-governador está livre encontrar o seu rumo e construir sua candidatura sem passar a impressão de que não tem cacife próprio e depende dos fluídos do Governo e do amparo do governador para disputar uma eleição. Para o governador, mesmo com custo emocional e político, o rompimento lhe tira da mesa um problema, deixando igualmente livre para montar uma chapa senatorial mais identificada com a sua linha de ação política.

E se o seu novo pouso partidário for o ninho dos tucanos, ganha ele, que correrá para as urnas num partido sólido, com candidato a governador e a presidente; ganha o PSDB, que assim repõe em parte as perdas que vem sofrendo com a saída do vice-governador Carlos Brandão e uma penca de prefeitos; e ganha o eleitorado, com mais uma opção de peso numa disputa que além do próprio José Reinaldo, participam o senador Edison Lobão (MDB), Weverton Rocha (PDT), Sarney Filho (PV ou PSD) e, muito provavelmente, a deputada federal Eliziane Gama (PPS ou DEM).

 

PONTO & CONTRAPONTO

Destaque

Eliziane Gama,  Luana Alves, Valéria Macedo, Andrea Murad, Graça Paz, Ana do Gás, Nina Melo e Francisca Primo dão vida e prestígio à Mulher no Parlamento

Eliziane Gama, Andrea Murad, Valéria Macedo, Ana do Gás, Nina Melo, Graça Paz, Francisca Primo e Luana Alves: ação intensa em defesa da Mulher
Eliziane Gama, Andrea Murad, Valéria Macedo, Ana do Gás, Nina Melo, Graça Paz, Francisca Primo e Luana Alves: ação intensa em defesa da Mulher

As urnas de 2014 mandaram sete mulheres para a guerra parlamentar: Eliziane Gama (PPS) chegou à Câmara Federal com quase 140 mil votos e como a única voz feminina da bancada maranhense; e as deputadas estaduais Ana do Gás (PCdoB), que liderou a votação com quase 79 mil sufrágios; Andrea Murad (MDB), Valéria Macedo (PDT), reeleita por causa do seu trabalho parlamentar; Francisca Primo (PCdoB), deputada reeleita; Nina Melo (MDB), deputada de primeiro mandato; e Graça Paz (PSL), política veterana de quatro mandatos.

Formada em Comunicação, com especialidade em Radialismo, a deputada federal Eliziane Gama (PPS) pode ser considerada um das principais porta-vozes da Mulher na Câmara Federal, onde já apresentou requerimentos, moções e projetos de lei sobre o tema, além dos muitos e sempre contundentes discursos que fez na tribuna e nas Comissões tratando de casos e fatos em que o gênero feminino sofre agressões.  Nesse contexto, registra-se também a atuação da deputada federal Luana Alves (PSB), que assumiu o mandato com a morte do ex-governador e deputado federal João Castelo (PSDB), que também é militante da causa da Mulher.

Todas, sem exceção, são mulheres que vivem plenamente as vantagens e as dificuldades do gênero que representam e do seu papel na sociedade como líderes das suas famílias. Tanto que têm posições muito parecidas em relação ao papel social e político da Mulher, da saúde feminina, da segurança e da defesa do chamado “sexo frágil”. De um modo geral, as deputadas estaduais do Maranhão são militantes da causa da Mulher, sempre tomando posições firmes e contundentes quando são confrontadas com problemas relacionados com o gênero. São, ao mesmo tempo, políticas hábeis, que não abrem a guarda facilmente e defendem suas posições e interesses políticos com determinação e habilidade. Representam grupos e tendências muito diferentes, mas são capazes de formar uma “bancada” quando algum direito da Mulher está em jogo.

A deputada Andrea Murad, formada em relações Públicas, por exemplo, vem marcando seu mandato com a voz mais contundente da Oposição ao Governo Flávio Dino, fazendo, quase que diariamente, duras críticas e a apresentando denúncias controversas contra o Governo, principalmente no campo da Saúde, o que lhe garante a tensão da imprensa. Em segundo mandato, a deputada Valéria Macedo, que é Enfermeira, tem reafirmado com ênfase sua linha de ação política volta para apara a Saúde e para os direitos sociais da Mulher, cobrando ações, criticando deficiências e, claro, elogiando situações que valorizam a Mulher, o que lhe valeu o privilégio de entrar para a História da Assembleia Legislativa como a primeira titular da Procuradoria da Mulher do Poder Legislativo – nessa condição levantou a voz pedindo punição para o deputado Cabo Campos (DEM), acusado de agredir a esposa. Eleita pelo PT e agora no PCdoB, a deputada Francisca Primo, eu é Professora, está no segundo mandato usando a defesa da Mulher em todos os aspectos – Saúde, proteção, educação e direitos sociais -, fazendo com frequência discursos contundentes em defesa da causa feminina, com foco em Saúde e Educação.

Veterana de quatro mandatos, a deputada Graça Paz (PFL), que é Administradora, sempre teve a Mulher e seus problemas como pauta nos seus mandatos, que tem exercido com posições bem claras e discursos bem articulados, o que tem lhe valido respeito por parte dos seus pares. A deputada Ana do Gás, que é Empresária, que nasceu de família humilde de São Luís, estudou no Liceu e trabalhou no comércio, conhece os problemas da Mulher, principalmente na região de Santo Antonio dos Lopes, sua base de atuação, o que tem movido sua ação política. A deputada Nina Melo (MDB), que é Médica, tem ficado seu mandato na questão da Saúde, dedicando suas ações aos cuidados com a Mulher, tendo sempre se manifestado sobre o assunto nas vezes em que ocupou a tribuna, e por isso é respeitada entre os colegas.

Essas mulheres comemoram hoje o seu dia com a certeza de que estão afinadas com a sua causa.

 

Cabo Campo nega agressão e diz que foi “crucificado e condenado à revelia”

Cabo Campos corre até o risco de ser cassado
Cabo Campos diz que foi crucificado, mas pede perdão

A Assembleia Legislativa viveu ontem uma situação inusitada e que refletiu bem um aspecto importante da realidade política que ganha forma no País: o deputado Cabo Campos ocupou a tribuna para, durante 23 minutos, se defender da acusação de haver espancado a esposa, o que, se confirmado, pode custar-lhe o mandato. O episódio, que terá desdobramentos desfavoráveis ou não ao parlamentar, só ganhou importância e repercussão porque a bancada feminina se levantou e, por meio da Procuradoria da Mulher, presidida pela deputada Valéria Macedo, se insurgiu e pediu o enquadramento dele nas das leis em vigor, começando por seu afastamento por 60 dias, tempo razoável para que as investigações sejam concluídas.

Visivelmente fragilizado pela pancadaria a que foi submetido nas redes sociais e no próprio plenário da Assembleia Legislativa, Cabo Campos ocupou a tribuna visivelmente fragilizado, comportando-se mais como suposta vítima do que como um acusado de haver agredido uma Mulher. “Fui crucificado. Fui condenado à revelia”, disse o deputado em um trecho do seu pronunciamento, afirmando que o problema decorreu de uma crise doméstica por conta de posições diferentes que ele e a esposa tomaram por causa de problemas de relacionamento com a filha. Cabo Campos jurou amar sua mulher, deu explicações sobre o que poderia ter acontecido com ela se ele tivesse mesmo espancado, e terminou reafirmando o pedido de desculpas perdão aos seus pares, esperando que tudo fique esclarecido e que a sua situação volte ao normal, a começar por sua relação com a família.

Ato contínuo, a deputada Valéria Macedo ocupou a tribuna para reafirmar que a Procuradoria da Mulher manterá todas as decisões e medias que tomo quando foi informada do caso. Ela deixou claro que nada existe de pessoal contra o parlamentar, mas que a Procuradoria da Mulher não abre mão de ter essa situação totalmente esclarecida, assinalando que se houve agressões, que o deputado seja punido na forma da lei, mas se não houve que o deputado seja inocentado da acusação. Agora, é aguardar o desfecho.

São Luís, 08 de Março de 2018.

Janela para troca partidária definirá o quadro de candidaturas para as eleições de outubro

 

José Reinaldo, Sarney Filho e Eliziane Gama decidirão suas candidaturas usando a janela partidária
José Reinaldo, Sarney Filho e Eliziane Gama decidirão suas candidaturas usando a janela para mudar de partido

Começa hoje, e durará 30 dias, um dos períodos mais movimentados e tensos da pré-campanha para as eleições de outubro: a janela para que detentores de mandato possam mudar de partido sem perder o direito de se candidatar, fora, portanto, da regra que exige filiação partidária de um ano para quem pretende ser deputado estadual, deputado federal, senador, governador e presidente da República. Tramada na reforma política, a janela foi a fórmula encontrada por deputados federais e senadores para garantir ajustes de última hora na vida partidária de parlamentares que se enrolaram nesse item essencial da corrida eleitoral, como é o caso do ex-governador José Reinaldo Tavares, que não teve condições de permanecer no PSB e procura uma legenda que lhe assegure uma vaga de candidato a senador. Vários deputados estaduais e federais estão mudando suas rotas partidárias, como fez recentemente o vice-governador Carlos Brandão, que migrou do PSDB para o PRB, levando junto uma penca expressiva de prefeitos.

A migração partidária é um evento comum na vida política brasileira, mas demonstra a extrema fragilidade das agremiações partidárias nacionais. A maioria dos partidos não tem ideologia definida, não professa uma doutrina nem apresenta um programa mínimo a ser usado como mote de campanha. São grêmios que acomodam troianos e espartanos, não exigindo deles qualquer compromisso com a Grécia. É verdade que já se começa a falar em esquerda, centro e direita da vida política brasileira. Mas é mais verdade também que a democracia brasileira está longe de ser sustentada numa estrutura partidária construída por ideias, e não por grupos de interesses que dão as cartas no Congresso Nacional, como faz o “Centrão” todas as vezes que Câmara Federal e Senado são desafiados a dar demonstração de modernidade política.

Na prática, é muito estranho, inexplicável mesmo, que um político do tamanho de José Reinaldo Tavares – ex-secretário de Estado, ex-ministro, deputado federal, ex-governador e figura central de um movimento que mudou o cenário político do Maranhão em 2006, com a vitória de Jackson Lago (PDT) sobre Roseana Sarney (PMDB) – não esteja enraizado num partido cujas ideias defenda como fazem os líderes, e se encontre na angustiante condição de um “sem partido” tentando encontrar uma agremiação partidário que lhe assegure o direito de se candidatar ao Senado. Mais grave ainda: sendo “cozinhado” pelo DEM. Ao mesmo tempo, é surpreendente, espantoso mesmo, que um partido como o PRB, que não diz claramente por que existe, se transforme, como num passe de mágica, numa “potência” partidária ao receber nos seus quadros o vice-governador Carlos Brandão, mais de uma dezena de prefeitos, várias dezenas de vereadores, porque o PSDB decidiu emagrecer no Maranhão, perdendo quadros do quilate do prefeito de São José de Ribamar, Luis Fernando Silva, que migrou para o DEM.

A janela vai permitir a movimentação partidária de uma série de políticos de porte respeitável, mas que, a exemplo do ex-governador José Reinaldo, estão sendo impulsionados pela conveniência. Deputado federal no décimo mandato, a maioria deles engajada na causa ambiental, Sarney Filho, atual ministro do Meio Ambiente, pode deixar o PV, que ajudou a fundar e consolidar, para migrar para o PSD, visando melhorar sua condição de candidato a senador, abandonando.  Na mesma trilha, a deputada federal Eliziane Gama, representante do PPS que saiu das urnas de 2014 como campeã de votos, está prestes a migrar para o DEM, dando uma impressionante guinada ideológica da esquerda para a direita. Vale ainda registrar um exemplo absolutamente surpreendente: o ex-deputado Murad, nasceu no PDS e transitou por PFL, PMDB, PDT, PSB e agora sentou praça no PTN, pelo qual afirma que será candidato a governador do Estado no pleito que se avizinha.

É difícil prevê como ficará o quadro partidário do Maranhão depois que a janela for fechada, no dia 7 de Abril. Mas é possível afirmar que as mudanças previstas serão suficientes para alterar expressivamente o cenário do momento.

 

PONTO & CONTRAPONTO

 

Othelino Neto acompanha Flávio Dino em reunião de governadores para discutir segurança

Othelino Neto durante o Encontro de Governadores (Flávio Dino ao fundo) em Teresina
Othelino Neto no Encontro de Governadores (Flávio Dino ao fundo) em Teresina

O presidente da Assembleia Legislativa, Othelino Neto (PCdoB), estreou ontem no universo das decisões políticas de alto nível envolvendo Estados da região. Como chefe de Poder, ele acompanhou o governador Flávio Dino (PCdoB) no Encontro de Governadores do Nordeste, realizado em Teresina (PI) e que teve como tema central a busca de uma ação conjunta dos estados da região para resolver os problemas que enfrentam na Segurança Pública. Os governadores discutiram as linhas de financiamento do Governo Federal para a área. Além do governador Flávio Dino participam os governadores do Piauí Wellington Dias (PT), do Ceará, Camilo Santana (PT); do Rio Grande do Norte, Robinson Faria (PMDB); da Paraíba, Ricardo Coutinho (PSB); de Pernambuco, Paulo Câmara (PSB); de Alagoas, Renan Filho (MDB), de Sergipe, Jackson Barreto (PDT); e da Bahia, Rui Costa (PT).

O presidente Othelino Neto, juntamente com outros chefes de Poder Legislativo, acompanhou a discussão dos governadores em relação aos problemas que enfrentam na área da Segurança Pública – estruturas precárias, recursos limitados, indicadores sociais baixos e uma política federal confusa até a intervenção federal no Rio de Janeiro, que deve mudar radicalmente o relacionamento de Brasília com os Governos estaduais. Com a autoridade de quem vem obtendo bons resultados no combate ao crime a partir de expressivos investimentos feitos n Sistema Estadual de Segurança, o governador Flávio Dino foi uma das referências do Encontro. Ao término da reunião, os governadores redigiram a Carta de Teresina, na qual apresentam propostas a serem encaminhadas ao Governo Federal. A expectativa é de que os recursos sejam investidos nas áreas de estrutura, pessoal e inteligência. Os estados do Nordeste são os primeiros a se reunirem para discutir a questão da Segurança e definir uma estratégia de ações integradas.

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Destaque

Valéria Macedo faz discurso marcante em defesa da Mulher e pede punição para Cabo Campos

Valéria Macedo: defesa da Mulher e punição para Cabo Campos, que espancou a esposa
Valéria Macedo: defesa da Mulher e punição para Cabo Campos, que espancou a esposa e será investigado pela Comissão de Ética do Legislativo

No que talvez tenha sido o seu mais contundente e abrangente discurso entre os muitos que fez em defesa da Mulher ao longo dos seus dois mandatos, a deputada Valéria Macêdo (PDT), titular da Procuradoria da Mulher da Assembleia Legislativa, pediu a suspensão por 60 dias do deputado Cabo Campos (DEM), acusado de haver espancado sua mulher Maria José Brandão Marques Campos. Ela propôs o enquadramento do parlamentar na Lei Maria da Penha e avaliou que dois meses é tempo suficiente para que a Comissão de Ética da Casa investigue a denúncia e se posicione em relação ao caso. Motivado pela proximidade do Dia Internacional da Mulher (8 de Março), o  discurso da parlamentar pedetista começou com uma vibrante defesa da Mulher cidadã e mãe e da igualdade de gênero em todos os aspectos da vida em sociedade, e foi  demolidor em relação ao caso envolvendo o deputado Cabo Campos.

Para ela, a acusação “fere de morte a dignidade de um parlamentar”. Lembrou que as mulheres com assento na Assembleia Legislativa representam a maioria do eleitorado maranhense, que não pode ser desrespeitado por omissões.  No seu entendimento, “não há perdão” para uma violência dessa natureza contra uma mulher, esposa e mãe de família. E com o apoio declarado das deputadas Graça Paz (PSL), Ana do Gás (PCdoB), Francisca Primo (PCdoB), Andrea Murad (MDB) e Nina Melo (MDB), Valéria Macedo informou que a Procuradoria da Mulher protocolou na Mesa Diretora o pedido de afastamento cautelar do deputado Cabo Campos por 60 dias, para que ele seja investigado e, se for o caso, ter seu mandato cassado a pedido da Comissão de Ética.

Ela justificou a iniciativa da Procuradoria da Mulher:

“Acredito que os elementos que já temos justificam o afastamento do parlamentar no prazo de 60 dias. Eu acredito que esses elementos de prova e entendimento de mérito da ação penal, nós aqui da Assembleia teremos todas as condições de julgar no devido processo legal disciplinar, no qual será julgado se deve ou não perder o mandato o Deputado Cabo Campos. De modo que eu acho que esta Casa poderá, sim, afastar o Deputado por 60 dias, até que seja concluída a investigação criminal. Essa agressão do deputado, denunciada pela sua esposa, pelo Boletim de Ocorrência é falta de decoro parlamentar. A Comissão de Ética tem realmente que se manifestar a respeito. Nós devemos provocar e vamos provocar, sim. Porque qualquer autoridade, qualquer homem nesse estado do Maranhão, do mais simples ao que tem o maior, o mais alto cargo nesse estado que cometa qualquer tipo de violência contra a mulher, deputado, tem que ser punido com rigores da lei. E tem que ser realmente feita a justiça, porque nenhuma mulher merece ser espancada,  violentada, desrespeitada. Isso dói em nós, tem que doer em todas nós, porque nós representamos todas as mulheres maranhenses”.

O discurso da deputada Valéria Macêdo causou forte impacto no plenário da Assembleia Legislativa, tornando mais complicada ainda a situação do deputado o Cabo Campos, que, provavelmente alertado sobre o pronunciamento que seria feito pela procuradora da Mulher, não compareceu à sessão. Entre os deputados, cresce uma clara tendência no sentido de que o parlamentar seja unido com a cassação.

São Luís, 06 de Março de 2018.

Roberto Rocha disputará Governo e PSDB diz que José Reinaldo pode ter vaga de candidato a senador

 

Roberto Rocha: candidatura ao Governo do Estado e irreversível
Roberto Rocha: candidatura ao Governo do Estado é decisão partidária irreversível

O martelo foi batido no PSDB: o senador Roberto Rocha será candidato ao Governo do Estado, não havendo a mais remota possibilidade de ele vir a desistir desse projeto para apoiar a ainda eventual candidatura do deputado estadual Eduardo Braide (PMN) ao Palácio dos Leões. E a explicação para essa decisão irreversível é a seguinte: uma candidatura do PSDB na corrida ao comando do Estado é de importância estratégica para o projeto do partido de disputar a presidência da República, o que, tudo indica, ocorrerá tendo como candidato o atual governador de São Paulo, Geraldo Alckmin. Mais ainda: se o ex-governador e deputado federal José Reinaldo Tavares (ainda sem partido) quiser, será o candidato do PSDB ao Senado. E de acordo com o secretário geral do braço maranhense do PSDB, o ex-prefeito de Imperatriz Sebastião Madeira, o PSDB está aberto a coligações, mas dispõe de suporte e tempo de rádio e TV suficiente para tocar sua própria campanha, independentemente de qualquer aliança que possa vir a comprometer a sua autonomia.

O posicionamento do PSDB funciona como uma ducha de água gelada nas articulações feitas pelo próprio José Reinaldo objetivando construir uma aliança entre Roberto Rocha e Eduardo Braide e na qual viesse a sair como candidato a senador. A posição do comando nacional do PSDB de lançar um tucano ao Governo do Estado é fato consumado e irreversível e exige que o senador Roberto Rocha jogue sua candidatura na rua tão logo a cúpula do PSDB confirme a candidatura presidencial de Geraldo Alckmin. O projeto prevê a candidatura de Roberto Rocha como uma espécie de ponta de lança para propagar o nome de Alckmin nos mais diversos rincões do Maranhão. Não há como ser diferente. E vale lembrar que esse sempre foi o projeto do senador Roberto Rocha, que se elegeu pelo PSB.

O posicionamento do PSDB inviabiliza qualquer projeto de aliança que não tenha Roberto Rocha como candidato a governador. O mundo das especulações já “testou” várias equações, mas nenhuma delas reverte a linha central do plano nacional que movimentará o partido nesta corrida eleitoral. E o senador tucano se encaixa perfeitamente nesse projeto, decidido que está a ser candidato a governador e fazer a diferença no confronto direto com o governador Flávio Dino (PCdoB), a ex-governadora Roseana Sarney (MDB) e o próprio Eduardo Braide, se este vier a confirmar sua candidatura. Ninguém duvida que será um confronto duro e agressivo, mas que não inibirá alianças num eventual segundo turno. Um exemplo: se Geraldo Alckmin for para o segundo turno com o coronel Jair Bolsonaro (?) é quase certo que as forças de esquerda lideradas pelo governador Flávio Dino se aliarão ao candidato dos tucanos ao Palácio do Planalto, tendo como objetivo primeiro a derrota do candidato presidencial da extrema direita.

Na avaliação da cúpula do PSDB, o senador Roberto Rocha tem condições de enfrentar o governador Flávio Dino e a ex-governadora Roseana Sarney de igual para igual nos embates da campanha eleitoral. Rocha tem usado as redes sociais para mostrar que topa a briga, certo de que poderá ser o adversário do governador num eventual segundo turno. Sabe, por outro lado, que Flávio Dino é um dos políticos mais preparados e qualificados em do País, e que Roseana Sarney levará para sua campanha a experiência acumulada de quatro períodos de governos. Portanto, dois pesos pesados, com a diferença de que o governador é, de longe, o adversário mais difícil de ser enfrentado.

Na versão de tucanos de proa, a participação do senador Roberto Rocha na corrida ao Palácio dos Leões é fato decidido e que não está em discussão. E que poderá ser reforçada com a candidatura do ex-governador José Reinaldo Tavares ao Senado, se ele, depois de uma mal sucedida incursão pelo socialismo, resolver se converter à versão tucana de liberalismo.

PONTO & CONTRAPONTO

 

PSDB sofre mais um golpe: Luis Fernando Silva e Neto Evangelista migram para o DEM

Neto Evangelista e Luis Fernando Silva no ato de filiação no DEM
Neto Evangelista e Luis Fernando Silva se filiam ao DEM

Depois de perder o vice-governador do Estado e mais de uma dezena de prefeitos, que migraram de uma só vez para o PRB, comandado no Maranhão pelo deputado federal Cléber Verde, o PSDB sofreu ontem mais um duro processo de emagrecimento com a migração de Luiz Fernando Silva, o prefeito de São José de Ribamar, e do deputado estadual licenciado Neto Evangelista, atual secretário de Estado de Desenvolvimento Social, para o Democratas. A filiação dos dois (DEM) está sendo vista por observadores atentos como mais um lance bem sucedido do presidente estadual do partido, deputado federal Juscelino Filho, que trava uma queda de braço com o deputado federal José Reinaldo, pelo comando do partido (o ex-governador está com um pé na legenda, mas quer a garantia de ter o controle, que foi dado ao jovem deputado federal há alguns meses). A filiação de Luis Fernando Silva e Neto Evangelista no DEM consuma o processo traumático de esvaziamento do PSDB no Maranhão, faltando apenas a definição do deputado estadual Sérgio Frota, que está de malas prontas para desembarcar no PR, formando uma parceria política e eleitoral com o deputado Josimar de Maranhãozinho, pré-candidato a deputado federal. Trata-se de um golpe duro no prestígio do senador Roberto Rocha e do ex-prefeito de Imperatriz, Sebastião Madeira, que têm agora o desafio de devolver robustez ao PSDB no Maranhão

 

Luciano Leitoa e Bira do Pindaré confirmados no comando do PSB maranhense

Luciano Leitoa e Bira do Pindaré confirmados no comando do PSB no Maranhão
Luciano Leitoa e Bira do Pindaré confirmados no comando do PSB 

A reeleição da cúpula nacional do PSB, no final da semana que passou, manteve no comando a corrente mais à esquerda do partido, confirmou o prefeito de Timon, Luciano Leitoa (eleito membro da Executiva Nacional), na presidência do partido no Maranhão, e o deputado estadual Bira do Pindaré (eleito membro do Diretório Nacional) como chefe maior da agremiação em São Luís. A eleição zerou a possibilidade de a legenda voltar à área de influência do senador Roberto Rocha, e inviabilizaria também qualquer movimento do ex-governador e deputado federal José Reinaldo Tavares de permanecer nos seus quadros. Se a corrente liderada pelo vice-governador de São Paulo, ???? França, tivesse vencido a queda de braço interna, o PSB maranhense seria provavelmente entregue a um aliado do senador Roberto Rocha. A reeleição do presidente Carlos Siqueira, no entanto, reafirmou o domínio da corrente de esquerda, que tinha no ex-governador pernambucano Eduardo Campos o seu maior líder – seu avô, o lendário líder de esquerda Miguel Arraes, refundou o partido depois da queda da ditadura. Roberto Rocha e José Reinaldo, que vinham assumindo cada vez mais posições à direita, contrariando frontalmente a orientação partidária, não teriam condições políticas de permanecer na agremiação, mesmo que a saída dos dois represente a perda de um senador da República e um deputado federal influente. O desfecho do Congresso Nacional do PSB foi comemorado pelo governador Flávio Dino, que só agora tem certeza de que o partido vai continuar firme e forte na aliança que lhe dá sustentação.

São Luís, 05 de Março de 2018.

Dino, Roseana, Braide e Rocha fazem movimentos iniciais para consolidar suas candidaturas

 

Flávio Dino, Roseana Sarney, Eduardo Braide e Roberto Rocha: movimentos em direção às urnas
Flávio Dino, Roseana Sarney, Eduardo Braide e Roberto Rocha: movimentos em direção às urnas de outubro

O Governador Flávio Dino (PCdoB) intensifica as ações do seu Governo e as articulações políticas; a ex-governadora Roseana Sarney (MDB) inicia em Porção de Pedras uma maratona de visitas políticas a três dezenas de municípios; o deputado Eduardo Braide (PMN) acelera os entendimentos para fechar uma aliança com o ex-governador e deputado federal José Reinaldo Tavares (em processo de migração do PSB para o DEM); e o senador Roberto Rocha (PSDB) tenta se situar no cenário sucessório. Os três movimentos compõem o quadro real em que se desenvolve a corrida para o Palácio dos Leões, que parece caminhar mesmo para uma disputa envolvendo o governador comunista, a ex-governadora emedebista e o deputado pemenista. Tudo indica que a candidatura do ex-deputado Ricardo Murad (PTN) não se sustentará, e mesmo que venha a vingar não irá a lugar algum. No mais, outros aspirantes ao Governo, como Maura Jorge (Podemos) e Odivio Neto (PSOL), viverão no máximo uma boa experiência em marcar posição num pleito que certamente entrará para a História como um mais animados, tensos e politicamente importantes nos últimos tempos, porque poderá, ou não, colocar ponto final num longo ciclo da vida política maranhense.

Com o indiscutível cacife de favorito na corrida sucessória, o governador Flávio Dino vem mostrando bom senso e equilíbrio suficientes para manter a serenidade em refrear a empolgação e a precipitação, reafirmando sempre aos seus liderados que eleição só está ganha depois de anunciado o resultado das urnas. Dino tem sólida plataforma partidária, formada por PCdoB, PDT, PT e PRB, podendo ou não contar ainda com DEM, PP, PTB, PR e outros menores. As pesquisas feitas até aqui informaram que mais de 60% aprovam seu Governo e que 55%, em média, se disseram dispostos a lhe um segundo mandato. No plano nacional, conta com o apoio e o aval dos ex-presidentes Dilma Rousseff e Lula da Silva, ambos do PT, e, claro, da pré-candidata do seu partido a presidente, a deputada gaúcha Manuela D`Ávila. Todos os sinais emitidos até agora dizem que seu cacife é sólido e que ele será um candidato muito difícil de ser batido.

A ex-governadora Roseana Sarney (MDB) é, de acordo com as pesquisas, o segundo nome mais forte na corrida ao Palácio dos Leões, mas até agora com percentuais bem inferiores aos do governador Flávio Dino, e a maior rejeição entre todos os nomes citados nos levantamentos. Ciente de que tem um grande desafio a vencer para ter chance nessa disputa, Roseana Sarney dá a largada na sua pré-campanha, realizando uma maratona de visitas políticas a 30 municípios, a partir de Porção de Pedras, na região central do Maranhão, sendo que a programação maior prevê sua passagem pelos 217 municípios até às vésperas das convenções por meio das quais os partidos definirão os seus candidatos. Ao final da maratona, uma o pesquisa avaliará o seu desempenho e dirá se ela deve ou não formalizar a sua candidatura. Em princípio, há uma nítida tendência no sentido de que Roseana Sarney entre na disputa, mas a palavra final ela só dará quando a cúpula nacional do MDB bater martelo em relação à corrida presidencial, lançando um candidato próprio – o presidente Michel Temer, por exemplo -, ou participando de uma aliança com o PSDB.

O deputado Eduardo Braide é ainda visto como uma incógnita na corrida ao Palácio dos Leões. Apontado no meio político como um nome com potencial para inverter o roteiro desenhado até aqui para as eleições de outubro, o deputado do PMN trabalha em busca de parceiros para uma aliança que lhe dê uma estrutura básica, algum tempo de televisão e aliados que o ajudem a capilarizar o seu nome em todas as regiões do Maranhão. No momento, o seu foco é fechar um acordo com o ex-governador e deputado federal José Reinaldo Tavares, que perdeu de vez o PSB e tenta viabilizar sua candidatura a senador. Braide sabe que seu projeto é de altíssimo risco: se entrar para valer e sair por cima, tudo bem, entrará para a História como um fenômeno; mas se perder, amargará sua segunda derrota majoritária em apenas dois anos, e ficará sem mandato. Mantém no forno a candidatura para a Câmara Federal.

O senador Roberto Rocha está desembarcando de vez no cenário da corrida ao Governo estadual. E com a vantagem de quem tem um partido forte, o PSDB, e o aval da cúpula nacional dos tucanos. Pode, portanto, se candidatar sem maiores problemas, mas pode também abrir mão dessa candidatura e usar seu peso político e partidário numa aliança em torno de outro candidato, que pode ser Eduardo Braide ou Roseana Sarney. Roberto Rocha tem bem claro que se a opção for se candidatar, enfrentará uma parada dura, e dependerá muito da força do candidato do PSDB a presidente, provavelmente Geraldo Alckmin. Sabe também que, se optar por apoiar um dos candidatos, em especial Eduardo Braide, dará, sem dúvida, uma sacudida forte no roteiro da disputa.

É esse o cenário do momento de uma corrida com desfecho previsível devido à força política do favorito, mas que, como toda eleição, trem lá sua dose de imprevisibilidade.

 

PONTO & CONTRAPONTO

 

Lobão manda recado: “Temos certeza de uma vitória completa”.

Edison Lobão avisa que seu grupo está vindo para vencer as eleiççoes
Edison Lobão avisa que seu grupo está vindo para vencer as eleições

“Vamos às eleições para vencer”. Com essa declaração – dada em entrevista publicada na edição de ontem de O Imparcial e que pareceu uma resposta à provocação feita recentemente pelo secretário de Articulação Política e Comunicação, Márcio Jerry, que preside o PCdoB -, o senador Edison Lobão (MDB) confirmou sua candidatura à reeleição e jogou lenha na fogueira sucessória com o aviso tonitruante de que o Grupo Sarney vai jogar todo o seu peso no pleito de outubro. Político de primeiro time, com uma longa e vitoriosa carreira – foi deputado federal, governador, ministro de Estado e senador no quarto mandato -, Edison Lobão caminha para o fechamento da sua carreira. Na entrevista, Lobão fez um breve apanhado da sua carreira e fez questão de dizer que o seu grupo vai para a eleição “para vencer”, avaliando que “o atual quadro político favorece o nosso grupo e temos certeza de uma vitória completa”. Perguntado pelo repórter Paulo de Tarso Jr. o porquê de disputar mais uma eleição, Lobão jogou a modéstia para o alto e mostrou o seu lado raposa: “Quem decide o destino do político é o povo. Ninguém é candidato de si mesmo. E o que eu percebo no contato com as lideranças políticas e na análise das pesquisas de opinião é que o povo deseja a minha permanência no Senado”. Mais adiante, o senador disse que tem certeza da “vitória completa”, afirmando que, no seu entendimento, “o quadro político favorece nosso grupo”. Com a tarimba que lhe é peculiar, Edison Lobão usou a sua habilidade para evitar confrontos desnecessários quando lhe foi perguntado sobre o Governo Flávio Dino: “Quem vai julgar o atual Governo é o povo, que se manifestará livremente nas eleições”. Fez uma observação superficial sobre violência e saúde, e concluiu: “O povo já se deu cinta de que a atual administração não é aquela com a qual sonhou”. A entrevista passou ao largo de questões espinhosas como as acusações que o senador e ex-ministro enfrenta no pacote do Petrolão e da Lava Jato – contestou todas e nada contra ele foi comprovado até agora. A entrevista do senador Edison Lobão foi um aviso claro, principalmente para quem está na corrida ao Senado, de que, ao contrário do que muitos apostaram, ele está de pé e pronto para a guerra eleitoral.

Secretários preparam as gavetas para deixar cargos e correr por votos

Dentro de 20 dias – antes de terminar o mês de Março, portanto -, os integrantes da cúpula do Governo do Estado, a começar pelos secretários de Estado, interessados em disputar mandato eletivo nas eleições de Outubro devem deixar seus cargos. O aviso foi dado sexta-feira pelo próprio governador Flávio Dino, em ato político em Imperatriz que já avisou: não fará concessão a nenhum dos integrantes do primeiro escalão que já se movimente como pré-candidato.

Devem se desligar para brigar por votos os seguintes secretários: Márcio Jerry (Articulação Política e Comunicação), Marcelo Tavares (Casa Civil), Adelmo Soares (Agricultura Familiar), Simplício Araújo (Indústria e Comércio), Julião Amin (Trabalho e Emprego), Márcio Honaiser (Pesca e Agricultura), Marcelo Coelho (Meio Ambiente), Neto Evangelista (Desenvolvimento Social), Duarte Júnior (presidente Viva/Procon), Odair José (Presidente da Comissão de Licitação), Pedro Lucas Fernandes (Agência Metropolitana), entre outros ocupantes de cargos comissionados.

São Luís, 05 de Março de 2018.

Flávio Dino concede aumento salarial para professores e bombardeia discurso da Oposição

 

Flávio Dino deixa Oposição sem discurso ao conceder aumento opara professores
Flávio Dino deixa Oposição sem discurso ao conceder aumento opara professores

Ao anunciar aumento salarial de 6,8% para os professores da rede estadual de ensino, elevando o piso salarial da categoria para R$ 5.750,00, que vem a ser um dos três mais altos entre todos os estados, o governador Flávio Dino (PCdoB) disparou, no primeiro dia de março, o tiro que faltava para derrubar as bandeiras da Oposição segundo as quais o atual Governo não cuida da Educação e que estaria financeiramente quebrado. Ao mesmo tempo, a medida injeta ânimo numa categoria que é linha de frente nos países que alcançaram elevado grau de desenvolvimento econômico e social, mas que no Brasil tem sido historicamente colocada em segundo plano. A concessão salarial reforça, indiscutivelmente, o discurso de que sob o atual Governo o Maranhão experimenta um processo diferenciado de gestão na qual os recursos públicos são corretamente aplicados, centavo a centavo. O anúncio, além de minimizar o discurso oposicionista de má gestão financeira, turbina o projeto do governador Flávio Dino no campo político, fortalecendo ainda mais a sua condição de favorito na corrida sucessória, na qual busca a reeleição.

Essas e outras ações do Governo colocam o governador Flávio Dino numa posição, se não privilegiada e inalcançável, pelo menos confortável o suficiente para permitir que ele toque sua gestão pagando a folha de pessoal rigorosamente em dia e, mais do que isso, fazendo investimentos expressivos com os parcos recursos que lhe sobram. Assim, o gestor comunista vai contrariando a maré de dificuldade e má gestão que assola a maioria dos estados, de modo a que ele seja apontado como uma das principais referências do País. Isso não significa dizer que o Governo do PCdoB é um mar de tranquilidade. Como os demais, enfrenta problemas graves e muitas carências. A diferença é que no Maranhão parece haver mesmo um esforço determinado no sentido de que o dinheiro público seja usado como deve ser, na implantação de programas como o Escola Digna, nas escolas de tempo integral, nos Iema`s, no intercâmbio com outros países, enfim, ações concretas, programadas para produzir resultados concretos. A isso se somam conquistas palpáveis os campos da Saúde, com uma rede hospitalar impensável há até pouco tempo;  da Segurança, investimentos maciços na Polícia e no controle efetivo do sistema penitenciário;  da Infraestrutura, com o programa mais asfalto urbano; e do desenvolvimento social, com o Mais IDH e a ampliação da rede de restaurantes populares, por exemplo.

Não como discutir que nas ações de Governo está embutido o viés político e, nele, o foco eleitoral. Essa é a regra em qualquer sociedade democrática na qual o poder só é alcançável pelo voto. Isso significa dizer que líderes de Governo bem sucedido têm todo o direito de pleitear a renovação do mandato. Com o direito líquido e certo de se articular para a formação de alianças partidárias que julgar conveniente para impulsionar as forças reunidas na corrida eleitoral. Uma realidade em que o mesmo direito tem as forças oposicionistas de fiscalizar, cobras, denunciar, enfim, dar voz aos divergem. Nesse formato político, nada mais normal e lícito, por exemplo, do que o projeto da ex-governadora Roseana Sarney (MDB) de voltar ao poder, argumentando que os quatro Governos que comandou foram benéficos para o Maranhão, havendo quem concorde e quem discorde. Mas é fato que nos seus quase 14 anos de poder ela construiu uma plataforma que lhe dá discurso

É o jogo da política, no qual os envolvidos, especialmente os que tentam manter-se no poder ou a ele retornar, defendem suas plataformas e tentam convencer o eleitorado a lhes dar o seu voto de confiança  E no jogo atual do Maranhão, o governador Flávio Dino está com a bola. E a campanha e o desfecho dela dirão o que de fato os maranhenses pensam de tudo isso.

 

PONTO & CONTRAPONTO

 

Confronto verbal com Jefferson Portela desgasta Raimundo Cutrim  no Governo e no PCdoB

Raimundo Cutrim fica e posição delicada no PCdoB depois de se confrontar com Jefferson Portela
Raimundo Cutrim fica e posição delicada no PCdoB depois de se confrontar com Jefferson Portela sobre segurança

O pugilato verbal entre o secretário de Segurança Pública, Jefferson Portela, e o deputado Raimundo Cutrim (PCdoB) indicam que algo está em descompasso dentro do PCdoB. Embalado pela condição de delegado federal aposentado e ex-titular da pasta, Raimundo Cutrim foi à tribuna da Assembleia Legislativa fazer “críticas técnicas” à atuação da Polícia no caso da quadrilha de contrabandistas, formada com a participação de policiais, entre eles o delegado-chefe da Seic, Tiago Bardal, e acabou alvejando a polpitica de segurança do Governo. Pavio curto e conhecido por dizer verdades azedas, o secretário Jefferson Portela reagiu de pronto, afirmando, entre outras coisas, que o deputado e ex-secretário é acusado de participar de uma organização criminosa e, por isso, não tem moral para fazer críticas à Polícia. Ontem, Raimundo Cutrim voltou à tribuna para reclamar da reação do secretário, e disparar uma bimba na direção do Palácio dos Leões: “A segurança pública no Maranhão está acabada. Não existe segurança pública no Maranhão”. A explosão do deputado, que também chamou o secretário de “secreta riozinho” repercutiu fortemente nos bastidores do Governo, causando uma reação em cadeia contra o parlamentar. O os desdobramentos devem acontecer dentro do partido, que tem Raimundo Cutrim como um membro estranho, sem qualquer identificação ideológica com o partido, enquanto Jefferson Portela é um quadro de ponta da agremiação, com militância na esquerda desde os primeiros passos no movimento estudantil. A bomba caiu no colo do presidente do partido, Márcio Jerry, que é secretário de Comunicação e Articulação Política e Articulação, que entrou no circuito para apagar o fogo, mas sabendo que a repercussão poderá ser muito forte e desgastante para o partido e para o Governo. Há quem diga que depois do que declarou na tribuna, o deputado Raimundo Cutrim não tem  mais condições de permanecer no partido. Ele tem até o dia 7 de março para resolver esse imbróglio.

 

É delicada e constrangedora a situação do deputado Cabo Campos

Cabo Campos corre até o risco de ser cassado
Cabo Campos corre até o risco de perder seu mandato na AL

Delicada e constrangedora a situação do deputado Cabo Campos (DEM) na Assembleia Legislativa, na Polícia Militar e na comunidade evangélica. Ele é acusado de espancar violentamente a sua mulher, podendo ser enquadrado na Lei Maria da Penha por crime inafiançável. Desde que a noticia veio à tona, o deputado Cabo Campos não participa das sessões plenárias, quebrando uma reconhecida assiduidade. Entre os deputados, principalmente as mulheres, sua imagem está fortemente desgastada, devendo o caso ser registrado Procuradoria da Mulher, comandada pela deputada Valéria Macedo (PDT), devendo também ser acionado pela Comissão de Ética.  Entre seus colegas policiais ele tem sido alvo de críticas duras. E na com unidade evangélica, muitas vozes, entre elas a da deputada federal Eliziane Gama, querem vê-lo enquadrado nos rigores da Lei. O presidente da Assembleia Legislativa, deputado Othelino Neto (PCdoB), está conduzindo o caso de modo a que tudo seja devidamente apurado, para que o deputado Cabo Campos responda rigorosamente dentro das regras regimentais.

São Luís, 02 de Março de 2018.

Articulação para unir Eduardo Braide, José Reinaldo e Roberto Rocha contra Flávio Dino é marcada diferenças e muita cautela

 

Eduardo braide, José Reinaldo e Roberto Rocha : articulação cautelosa contra Flávio Dino na corrida eleitoral
Eduardo braide, José Reinaldo e Roberto Rocha : articulação cautelosa contra Flávio Dino na corrida eleitoral

Nenhuma decisão foi ainda tomada e as conversas estão se dando no plano das sondagens e avaliações, com cada grupo medindo e pesando o que pode ganhar ou perder, num processo extremamente cauteloso para produzir informações que possam, enfim, levar à batida de martelo. Mas à primeira vista tudo parece caminhar para dar consistência a uma possibilidade: DEM e PSDB, e junto com eles outros partidos, poderão se juntar ao PMN numa aliança em torno da provável candidatura do deputado estadual Eduardo Braide ao Governo do Estado, tendo o ex-governador e deputado federal José Reinaldo Tavares como um dos candidatos ao Senado. É um projeto arrojado, que tem por objetivo nada menos que colocar de escanteio o plano da ex-governadora Roseana Sarney (MDB) de voltar ao Palácio dos Leões e encarar a poderosa e favorita candidatura do governador Flávio Dino (PCdoB) à reeleição. O passo inicial está sendo o ingresso de José Reinaldo e da deputada federal Luana Alves no DEM, e o seguinte, a desistência do senador Roberto Rocha de brigar agora para ser governador.

Para adversários do Governo, a candidatura do deputado Eduardo Braide nessas condições é o caminho possível para disputar o comando do Estado com o governador Flávio Dino, sob o argumento de, mesmo dona de um cacife político invejável e de uma liderança visível, a ex-governadora Roseana Sarney tem uma pesada rejeição a vencer e um potencial de crescimento tímido. O senador Roberto Rocha ainda não estaria ainda, em que pesem o seu preparo político e a sua rica experiência parlamentar, devidamente preparado para entrar nessa briga. O cenário é inteiramente propício para o deputado Eduardo Braide construir sua candidatura de Oposição: é um político da nova geração, tecnicamente preparado e politicamente ousado, que saiu recentemente de uma disputa pela Prefeitura de São Luís em franca ascensão, cacifado para medir forças por mandato proporcional e majoritário, tornando-se, no momento, a grande aposta dos que fazem oposição ao governador Flávio Dino.

O projeto de Eduardo Braide enfrenta, por outro lado, um elenco respeitável de desafios gigantescos. O primeiro deles é conciliar a conflituosa teia de interesses políticos que movem seus potenciais aliados – é possível superar as diferenças abissais que separam, por exemplo, José Reinaldo de Roberto Rocha? Para ter alguma possibilidade de viabilizar sua candidatura, Eduardo Braide terá de estabelecer uma relação de “parceria” com o Grupo Sarney cuja malha de aliados tem condições de levar o seu nome a todos os rincões do Maranhão. Além disso, o deputado terá o maior dos desafios: abrir um canal de negociação com a cúpula do Grupo Sarney para tirar a Roseana Sarney do páreo e apoiá-lo, de modo a que ele possa polarizar a disputa com o governador Flávio Dino. O outro: que todos disputem o primeiro turno, e na hipótese de ele ir para um segundo com o governador, o Grupo Sarney, a começar pela própria ex-governadora, o apoie resolutamente.

Esses e outros são os traços visíveis de um tabuleiro cujas pedras têm imensa dificuldade de compor umas com as outras, tamanho é o pacote acumulado de diferenças, ranços e mágoas. É verdade que nesse contexto movediço e perigoso o deputado Eduardo Braide é uma “ilha”, em condições de funcionar como um grande conciliador. Mas vale indagar, por exemplo: o Grupo Sarney abrirá mão das suas candidaturas majoritárias – Roseana Sarney para o Governo e Sarney Filho (PV) e Edison Lobão para o Senado – em favor de Eduardo Braide e José Reinaldo? À primeira vista, é muito difícil, quase impossível. Mas a política tem as suas nuanças e, principalmente, as suas conveniências, que podem fazer “boi voar, e com asa quebrada”, como diziam as raposas maranhenses mais tarimbadas em passado recente.

Finalmente, se conseguir formar e liderar uma frente reunindo segmentos de oposição, Eduardo Braide poderá encarar o maior dos seus desafios:  medir forças com o governador Flávio Dino, um político preparado e hábil,  líder de uma geração e de um movimento que, segundo afirma, está transformando a realidade social e econômica e os costumes políticos do Maranhão, e que desfruta de excelentes índices de aprovação e lidera com folga as preferências do eleitorado.

Os próximos lances dirão se o projeto tem mesmo consistência ouse é apenas um exercício em meio a um cenário ainda confuso, no qual o governador Flávio Fino se move sem contraponto.

 

PONTO & CONTRAPONTO

DESTAQUE

Assembleia Legislativa extingue auxílio-moradia em consenso articulado por Othelino Neto

Othelino Neto: articulação bem sucedida para o fim do auxílio-moradia
Othelino Neto: articulação bem sucedida para o fim do auxílio-moradia

A partir deste mês, os deputados estaduais do Maranhão não contarão mais nos seus contracheques com o “auxílio-moradia”, o penduricalho que vem sendo objeto de questionamento e críticas em todo o País. Cada um dos 42 integrantes da Assembleia Legislativa recebia mensalmente R$ 3.189,75, gerando uma despesa de R$ 133.843,50, e um custo anual de R$ 1.606.122,50 para bancar ad despesas com moradia, mas na sessão de ontem, os parlamentares presentes decidiram, por consenso, abrir mão da regalia e a extinguiram aprovando o Projeto de Decreto Legislativo nº 001/2018, de iniciativa da Mesa Diretora.

A boa iniciativa da Assembleia Legislativa foi um resultado de uma ampla e cuidadosa articulação do presidente Othelino Neto (PCdoB), que além dos integrantes da Mesa Diretora, conversou com todos os deputados e obtendo deles o aval para adotar a medida. Houve nos bastidores quem avaliasse que o presidente não conseguiria viabilizar a medida, mas o deputado Othelino Neto mostrou um traço que já vinha se acentuando: uma visível habilidade para negociar temas delicados. A obtenção do aval do Plenário, incluindo deputados da Situação e da Oposição, com uma prova cabal de que o atual presidente do Poder Legislativo é um político hábil.

– Este Decreto Legislativo é fruto do entendimento de todos os parlamentares desta Casa. Cabe frisar que este projeto foi concebido em face do momento de dificuldades financeiras que o nosso país está atravessando. Agora, com a extinção deste benefício, a Assembleia fica liberada para aplicar estes recursos em áreas prioritárias -, declarou, dando à medida uma paternidade coletiva, sem enfatizar que foi dele a iniciativa.

O auxílio-moradia foi criado na Assembleia Legislativa, e 1984, por meio da Resolução Legislativa nº 129/84. Em 2001, sua existência foi regulamentada pelo do Decreto Legislativo nº 241/2001. Em 2014, ocorreu nova regulamentação, esta detalhando a forma de prestação de contas e de concessão do benefício. Ontem, o auxílio-moradia foi extinto através da Resolução Legislativa nº 468/2018, que revogou o Decreto Legislativo nº 448/2014.

Ao encaminhar o projeto no Plenário, os deputados Rafael Leitoa (PDT), Zé Inácio (PT) e Bira do Pindaré (PSB) elogiaram a iniciativa da Mesa Diretora de propor a extinção do benefício. “A Assembleia Legislativa do Maranhão dá um bom exemplo, no momento em que o país enfrenta grave crise econômica”, afirmou Rafael Leitoa. Os deputados Zé Inácio e Bira do Pindaré também louvaram a proposta Mesa Diretora frisando que a extinção do auxílio-moradia é um marco na história recente do Parlamento maranhense, que deve servir de exemplo para outros Poderes e instituições.

Respaldado por todos os presentes na sessão de ontem (28), projeto de Decreto Legislativo que extinguiu o auxílio-moradia leva a assinatura do presidente Othelino Neto (PCdoB), e dos demais membros da Mesa Diretora: Fábio Macedo (PDT), 1º vice-presidente; Josimar de Maranhãozinho (PR), 2º vice-presidente; Adriano Sarney (PV), 3º vice-presidente; Levi Pontes (PCdoB), 4º vice-presidente, Stênio Rezende (DEM), 1º secretário em exercício; Zé Inácio (PT), 3º secretário, e Nina Melo (PMDB), 4ª secretária.

 

Eliziane Gama acompanha crise de olho na segunda vaga de senador na chapa de Flávio Dino

Eliziane Gama pode ocupar a vaga de candidato a senador que seria de José Reinaldo
Eliziane Gama pode ocupar a vaga de candidato a senador que seria de José Reinaldo na chapa de Flávio Dino

A deputada Eliziane Gama (PPS) acompanha com interesse extremo a articulação para ligar o ex-governador José Reinaldo ao deputado Eduardo Braide e ao senador Roberto Rocha. E a razão é simples: a consumação do rompimento de José Reinaldo com o governador Flávio Dino a deixa praticamente sozinha como nome de peso para ocupar a segunda vaga de candidato ao Senado na chapa a ser liderada pelo chefe do Poder Executivo. A parlamentar tem todos os motivos para torcer para que o racha seja mesmo irreversível, a começar pelo fato de que todas as pesquisas feitas até aqui para medir as preferências do eleitorado em relação das candidaturas majoritárias a apontam como nome forte na corrida senatorial. Tanto que o outro candidato, deputado federal Weverton Rocha (PDT) vem trabalhando pela que ela seja viabilizada, o que resultará numa chapa com o forte apelo de que o Maranhão pode mandar uma nova geração para o Senado, encerrando o ciclo dos políticos tradicionais.

São Luís 01 de Março de 2018.

Roberto Costa avisa que vai para a reeleição, mas sem abandonar a luta pelo comando de Bacabal

 

Roberto Costa: corrida pela reeleição sem abandonar a luta por Bacabal
Roberto Costa: corrida pela reeleição sem abandonar a luta por Bacabal, onde o processo eleitoral está aberto

“Vou para a reeleição, porque a Assembleia Legislativa é o meu foco político. Mas não abro mão de lutar para mudar as coisas em Bacabal, porque a Prefeitura de lá está sendo loteada por um grupo que só pensa em sugar as finanças do Município”. Os dois eixos, e mais São Luís, onde tem forte atuação, são a base que mantém a ação política do deputado Roberto Costa (PMDB), o mais ativo e independente quadro da corrente liderada pelo senador João Alberto (PMDB) dentro do Grupo Sarney. Depois de mais de um ano na guerra judicial que mantém aberto o processo eleitoral em Bacabal, como candidato a prefeito, Roberto Costa decidiu priorizar o seu mandato parlamentar, convicto de que a situação será revertida, com o afastamento definitivo do prefeito José Vieira (PR) e a posse do presidente da Câmara, vereador Edvan Brandão, seu aliado, “que será o prefeito por um bom tempo, até que a situação se resolva em definitivo”.

Nesse contexto, o deputado se programou para intensificar sua ação no parlamento, manter a ação independente da bancada pemedebista, dar suporte parlamentar ao presidente Othelino Neto (PCdoB), e acelerar a corrida pela renovação do mandato. Ao mesmo tempo, contribuir para que o partido defina suas prioridades e o quadro de alianças em torno da provável candidatura da ex-governadora Roseana Sarney ao Governo.

Aos 43 anos e reconhecido como um dos quadros mais destacados da geração forjada no movimento estudantil dos anos 80/90 e que está chegando ao poder, o deputado Roberto Costa tem como mentor político o senador João Alberto, cm quem discute e planeja seus passos e traça o futuro do PMDB. Na Assembleia Legislativa, atua com independência e com um pragmatismo inteligente, operando como um dos principais articuladores da Casa. Atuou forte na gestão do presidente Humberto Coutinho (PDT), com quem mantinha um sólido elo de amizade e identificação política, mesmo estando em campos opostos. Em meio à comoção pela morte de Humberto Coutinho, foi o autor do projeto de lei que, aprovado, garantiu que o então 1º vice-presidente Othelino Neto ascendesse automaticamente à presidência, sem necessidade de nova eleição, que poderia quebrar o equilíbrio no parlamento. Como operador político, construiu um amplo leque de relações dentro e fora da Casa e mantém com o Governo uma convivência pragmática e produtiva, às vezes ajudando na solução de pendências complicadas, às vezes se posicionando contra medidas propostas pelo Palácio dos Leões, mas usar o radicalismo como método de ação. Mesmo distante e sem contato direto, alinhavou uma convivência respeitosa com o governador Flávio Dino (PCdoB).

– É uma relação de respeito mútuo entre adversários – explica, lembrando que essa convivência vem de um “pacto” de geração forjada no movimento estudantil, de onde saíram políticos ele é vários nomes que estão assumindo o poder no Maranhão.

O deputado Roberto Costa defende que agora o PMDB deve começar a definir suas ações para as eleições, a começar pelas candidaturas para o Governo do Estado e para o Senado, cuidando também das chapas para a Câmara Federal e Assembleia Legislativa. “O partido é forte, tem muitos quadros bons. Podemos fazer um arco de aliança forte e entrar para disputar a eleição para valer em todos os níveis”, avalia, enfatizando que a ex-governadora Roseana Sarney pode liderar o partido e o grupo para uma campanha de bons resultados. Avalia que o governador Flávio Dino é forte, se o deputado Eduardo Braide (PMN) se lançar candidato, a disputa irá para um segundo turno. “O resultado será imprevisível”, avalia.

Roberto Costa assinala também que a arrancada do PMDB para as eleições depende de uma definição de como irá para o pleito  presidencial. “Quem será o candidato do partido? O presidente Michel Temer? O presidente (da Câmara Federal) Rodrigo Maia (DEM)? Revela que tem discutido esse cenário com o senador João Alberto, que acredita que esse cenário será definido até abril. “Quanto antes melhor”, diz.

 

PONTO & CONTRAPONTO

 

José Reinaldo pode mesmo ingressar no DEM e fazer dobradinha com Roberto Rocha

José Reinado e Luana Alves estão a caminho da filiação no DEM
José Reinado e Luana Alves estão a caminho da filiação no DEM

Todos movimentos feitos até agora pelo ex-governador e deputado federal José Reinaldo Tavares indicam que ele se filiará ao DEM e assumirá o controle do partido no Maranhão, assegurando assim legenda forte para levar à frente o seu projeto de disputar uma cadeira no Senado da República. As tratativas que vem mantendo em Brasília mostram quer o ex-governador é nome de prestígio na cúpula do partido, que na verdade é o seu ninho partidário de origem. Sua movimentação ganhou peso depois que ele agregou o apoio da deputada Luana Alves, que também está saindo do PSB e deverá ingressar no DEM junto com o ex-governador. Se essa articulação for consumada, não será surpresa se José Reinaldo levar o DEM para aliança com o PSDB em torno da candidatura do senador Roberto Rocha ao Governo do Estado, dando-lhe o impulso que faltava para colocar sua pré-campanha nas ruas.

Nesse cenário, a situação se complica para o deputado Juscelino Filho, que perdeu força para permanecer no controle do DEM depois que seu tio, o deputado Stênio Rezende foi condenado em segunda instância e, segundo advogados experientes, entrou para a lista dos ficha suja e nessa condição  não poderá se candidatar ao sexto mandato na Assembleia Legislativa.

 

Confronto de Adriano Sarney com Rogério Cafeteira reflete a tensão pré-eleitoral

Adriano Sarney e Rogério Cafeteira expressaram a tensão pré-eleitoral
Adriano Sarney e Rogério Cafeteira expressaram a tensão pré-eleitoral

Não surpreendeu o grau de agressividade que marcou o confronto verbal entre os deputados Adriano Sarney (PV) e Rogério Cafeteira (PSB), no plenário da Assembleia Legislativa, no final da tarde de segunda-feira. O que deveria ser um bate-rebate entre Oposição e Situação em torno da acusação, feita por Adriano Sarney, segundo a qual a gestão do governador Flávio Dino (PCdoB) produziu um déficit de R$ 1,1 bilhão, o que é enfaticamente contestado pelos porta-vozes, degringolou para troca de acusações pessoais e, sem controle, evoluiu para agressões a familiares, quase chegando ao embate físico. A relação dos deputados oposicionistas com a bancada situacionista sempre foi de ataque e defesa, às vezes num grau elevado de acidez e aspereza. Mas o episódio de segunda-feira surpreendeu pelo tom e conteúdo das acusações e das reações. Conhecido pela sua posição implacável, mas civilizado, dos seus ataques ao Governo, o deputado Adriano Sarney discursou para contraditar a defesa governista, avançando o limite e batendo forte no governador e no líder Rogério Cafeteira, que rebateu acreditando que o bateu-levou terminaria ali. Não terminou. Adriano Sarney avançou e acusou Rogério cafeteira de haver desviado dinheiro no Governo do tio dele, o ex-governador Epitácio Cafeteira. A partir daí, os dois abandonaram a linha de tolerância e, aos gritos e xingamentos, quase foram às vias de fato. Ontem, depois da forte repercussão e de muitas críticas aos dois parlamentares, principalmente por serem eles referências nas suas bancadas, Eles foram à tribuna pedir desculpas um ao outro, aos seus pares e “ao povo do Maranhão”. Analisado por qualquer ângulo, o episódio confirma inteiramente previsão feita pela Coluna, há duas semanas, de que a proximidade da corrida às urnas fatalmente elevaria a temperatura dos debates, com sérios riscos de baixar o nível das acusações nos confrontos em plenário. O mais grave é que esse clima tende a se manter e, pior, se agravar, produzindo situações que exigirão firmeza e habilidade por parte do presidente Othelino Neto (PCdoB), que tem o enorme desafio de assegurar, por meio de ações conciliatórias, o espaço e as prerrogativas dos deputados.

São Luís, 28 de Fevereiro de 2018.