PT cai na real e busca a unidade para se engajar de vez na aliança liderada por Flávio Dino

 

Flávio Dino entre Augusto Lobato, Zé Carlos e Zé Inácio selam aliança
Flávio Dino entre Zé Inácio, Zé Carlos e Augusto Lobato: peça aliança

 

O PT vai mobilizar todas as suas correntes para, unificado, participar da aliança partidária a ser liderada pelo governador Flávio Dino (PCdoB) nas eleições de outubro. Essa posição foi decidida na tarde de sexta-feira (13), numa conversa franca e direta do governador com os líderes do partido no Maranhão: o presidente Augusto Lobato, o deputado federal Zé Carlo do PT e do deputado estadual Zé Inácio. Pelo entendimento que resultou do encontro, o PT poderá indicar até dois dos quatro candidatos a suplente de senador na chapa situacionista e, claro, participar do Governo no próximo mandato, caso o governador Flávio Dino seja reeleito. Com a definição, o braço do PT no Maranhão selará a paz internamento, garantindo assim que o partido estanque o processo de autofagia que o vem ameaçando desde as eleições de 2006, quando o partido rompeu com o campo da esquerda no estado ao se afastar do PDT e se aliou ao PMDB, que no caso é a mais forte expressão partidária do Grupo Sarney. Agora, a meta é juntar todas as correntes e jogar pesado para, pelo menos, manter sua representação na Câmara Federal e na Assembleia Legislativa, podendo ainda ganhar suplências no Senado.

Foi a primeira vez nos últimos tempos que o PT maranhense passou a impressão de que vai mesmo superar – ou pelo menos suspender, por meio de uma trégua temporária – as suas divergências internas e caminhar para um processo eleitoral falando o mesmo idioma. Nas duas últimas décadas, o partido simplesmente viveu mergulhado numa autofágica crise interna, com duas correntes e várias subcorrentes se digladiando de maneira intensa e perigosa. A corrente majoritária, que segue a orientação do grupo lulista, sempre deu as cartas, impondo, por exemplo, a orientação de se aliar ao Grupo Sarney, enquanto que a facção mais independente se manteve no campo esquerdista e permaneceu aliado ao PCdoB, inclusive ocupando espaço importante no Governo, como a estratégica Secretaria de Combate à Pobreza e Mobilização Popular, comandada com eficiência pelo jornalista e professor universitário Chico Gonçalves, um dos nomes mais preparados e respeitados quadros da agremiação.

A mobilização pela unidade se sustenta em duas bases. A primeira é a prisão do ex-presidente Lula da Silva, desfecho dramático de um longo e inclemente processo de desgaste pelo qual o partido vem passando desde que eclodiu o caso do Mensalão, em meados do segundo mandato do presidente Lula (2007-2011), que tirou o PT da zona de conforto e o colocou na dura estrada da sobrevivência. A outra é a posição do governador Flávio Dino, que apesar da maneira com que o PT lhe virou as costas em 2019 e 2014, segurou a onda e se se transformou na principal voz não petista na defesa da ex-presidente Dilma Rousseff, que acabou perdendo o cargo num controvertido processo de impeachment, e do ex-presidente Lula, que foi condenado por corrupção não devidamente comprovada e hoje cumpre pesa de 12 anos de cadeia numa sala da sede da Polícia Federal no Paraná. Para mostrar coerência, o PT não poderia fazer diferente do que está fazendo agora: cuidar da unidade interna e aliar-se, de maneira clara e engajada, ao movimento liderado pelo governador Flávio Dino.

A reunião de ontem no Palácio dos Leões – que aconteceu depois de resolvido o imbróglio causado pelo deputado federal Waldir Maranhão, que se filou ao PSDB – foi, pode-se dizer, um marco na história recente do PT, que finalmente começa de fato a sair da zona de turbulência para entrar na vida real, que é a de convencer o eleitorado de que está voltando às suas origens.

 

PONTO & CONTRAPONTO

 

Tucanos fazem conta e concluem que o PSDB ganhou mais do que perdeu no troca-troca partidário.

Roberto Rocha, José Reinaldo e Sledrandre Almeida formam chapa tucana
Roberto Rocha, José Reinaldo e Alexandre Almeida formam chapa tucana para as eleições de outubro

Os tucanos fizeram muitas contas e chegaram à conclusão de que a desidratação do PSDB foi menor que muitos calcularam depois da saída do vice-governador Carlos Brandão. Para começar, afirmam categoricamente que o partido agora comandado pelo senador Roberto Rocha, manteve mais de 20 dos 29 prefeitos que elegeu em 2016, quando a previsão inicial pera a de que pelo menos 15 seguiriam o vice-governador para o PRB e outros partidos. E no jogo das perdas e ganhos da janela partidária que se fechou no dia 7 de Abril, o partido teria ganhado mais do que perdido. Os tucanos exibem a entrada dos deputados federai José Reinaldo Tavares e Waldir Maranhão e dos deputados estaduais Alexandre Almeida, Wellington do Curso e Graça Paz. Na avaliação dos chefes do partido, o PSDB saiu fortalecido, a começar pelo fato de que terá uma chapa majoritária bem definida, e, segundo a avaliação deles, competitiva, com o senador Roberto Rocha como candidato a governador e o deputado federal José Reinaldo e o deputado estadual Alexandre Almeida para o Senado, mantendo em aberto a vaga de candidato a vice-governador para negociações definitivas para a formalização da chapa. Acreditam os tucanos que a chapa poderá representar bem a candidatura presidencial de Geraldo Alckmin – que, aliás, voltou a ganhar força com a minimização da denúncia de que sua campanha em 2014 teria recebido R$ 10 milhões da Odebrecht na forma de caixa 2.

 

Eliziane Gama constrói suporte partidário para consolidar candidatura ao Senado

Eliziane Gama e Jopsimar de Maranhãozinhio: ampliado suporte partidário
Eliziane Gama e Josimar de Maranhãozinhio: ampliado suporte partidário

Quem acompanha a movimentação da deputada federal Eliziane Gama (PPS) na condição de candidata ao Senado na chapa do governador Flávio Dino nem de longe enxerga a candidata a prefeita de São Luís em 2016. Aparentando indecisão, insegurança política e conflito partidário em todos os momentos da corrida ao Palácio de la Ravardière, ela conseguiu passar uma imagem politicamente pouco consistente. A Eliziane Gama de agora, candidata ao Senado, é exatamente o oposto: firme, decidida e incansável na busca de suporte partidário para consolidar a sua candidatura dentro da aliança dinista. Uma demonstração dessa desenvoltura foi registrada ontem, quando ela visitou a sede estadual do PR e conversou com o presidente estadual do partido, deputado Josemar de Maranhãozinho. Os dois conversaram sobre o cenário da disputa e a deputada pediu o apoio do PR ao seu projeto de chegar ao Senado. Josimar de Maranhãozinho, e tudo indica que um acordo será selado. O presidente do PR é candidato a deputado federal e mira pelo menos uma fatia dos quase 140 mil eleitores que nela votaram em 2014, enquanto ela espera que os simpatizantes do PR embarquem no seu projeto senatorial. Uma aliança limpa, tranquila, na qual os dois podem ganhar. O PR é o 11º partido procurado por Eliziane Gama, que já se programa para conversar com o PT na semana que vem o mesmo objetivo. Ela segue assim, rigorosamente, o roteiro traçado pelo governador Flávio Dino para a viabilização de aspirantes ao Senado: ter potencial eleitoral, que ela já demonstrou, e suporte partidário, que ela está construindo.

São Luís, 14 de Abril de 2018.

 

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