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Na cadeia ou livre para ser candidato a presidente, Lula terá peso importante na corrida pelo poder no Maranhão

 

Preso ou livre, Lula da Silva será influente na corrida eleitoral no Maranhão
Preso ou livre,o ex-presidente  Lula da Silva terá influência expressiva na corrida eleitoral deste ano no Maranhão

O Brasil saberá hoje se o ex-líder operário, fundador do PT e ex-presidente Luis Inácio Lula da Silva seguirá sua trajetória de mais importante personalidade política produzida pelo conturbado ambiente político brasileiro das últimas décadas, que apesar do purgatório em que foi colocado, segue como líder absoluto das intenções de voto para presidente da República, ou será empurrado para o inferno de uma prisão no Paraná, na esteira trepidante de um processo polêmico em que é acusado de corrupção, que armazena indícios, mas nenhuma prova. A decisão está nas mãos do Supremo Tribunal Federal, cujos 11 ministros integrantes estão divididos, devendo a votação resultar num 6 a 5, a favor ou contra o ex-presidente, o que tornará seu caso ainda mais controverso.

Não há qualquer sombra de dúvida de que o desfecho do Caso Lula terá influência decisiva na corrida ao Palácio do Planalto e, por via de desdobramento e de consequência, influenciará também o embate pelo poder nos estados. Candidato a presidente com liberdade total ou relativa ou na condição condenado atrás das grades, o maior mito da esquerda brasileira será presença forte na campanha eleitoral do Maranhão. Se for candidato a presidente, poderá receber até 80% dos votos dos mais de quatro milhões de eleitores maranhenses. E se durante a campanha estiver preso, sua voz a favor de um candidato poderá ter peso decisivo no desfecho da corrida às urnas.

Os movimentos de Lula no cenário político maranhense indicam com clareza que, se for candidato, seu palanque será o do governador Flávio Dino (PCdoB), que apesar de todos os reveses que sofreu em relação ao PT nas eleições em que disputou o Governo do Estado, se transformou no  mais ativo e credenciado defensor do ex-presidente no seu calvário policial e judicial. Salvo Odívio Neto, candidato do PSOL, nenhum dos outros candidatos ao Palácio dos Leões reúne hoje condições pessoais e políticas para estabelecer uma aliança com o ex-presidente, e isso inclui a ex-governadora Roseana Sarney (MDB), de quem Lula foi aliado entre 2002 e 2014.

O governador Flávio Dino manteve absoluta coerência política e partidária, passou uma borracha na sua conturbada relação com o PT até 2014, remendou os desgastes e reatou uma convivência que vem se transformando numa aliança sólida, que, por incrível que pareça, só enfrenta problemas por causa de uma turma que comanda o braço maranhense do PT. A posição do governador Flávio Dino, que envolve identidade política, afinidade ideológica e, claro, uma dose de pragmatismo, se encaixa perfeitamente no complicado e imprevisível cenário em que o líder petista se movimenta. O líder maranhense surpreendeu o Brasil pela maneira contundente com que defendeu a presidente Dilma Rousseff (PT) no processo de impeachment, e depois como se posicionou ao lado do ex-presidente Lula desde que as denúncias contra ele começaram a ganhar um rumo, mais ou menos quando Lula começou a ser abandonado pelo Grupo Sarney. A expectativa, portanto, é que Lula e Flávio Dino permaneçam aliados até as eleições.

E não há outro caminho. Roseana Sarney deverá armar palanque para o candidato do MDB, seja ele o presidente Michel Temer, algo que se torna cada dia mais improvável, seja o banqueiro aposentado e agora ex-ministro da Fazenda Henrique Meirelles, que se filiou ontem ao MDB com o objetivo de ser o candidato do partido a presidente. O senador Roberto Rocha será o braço avançado no Maranhão do candidato tucanos Geraldo Alckmin, hoje o mais ranheta adversário do fundador do PT. Se for candidato a governador, o deputado estadual Eduardo Braide (PMN) seguirá uma linha de centro-direita, muito distante, portanto, do ex-presidente. E a ex-prefeita Maura Jorge (Podemos), que briga pelo poste de represente de do deputado Jair Bolsonaro (PSD) no Maranhão, se treme só de ouvir falar em Lula.

A algumas horas do desfecho do Caso Lula e a exatos 186 dias das eleições, é esse o quadro político em que o ex-presidente se insere no Maranhão.

 

PONTO & CONTRAPONTOS

 

Sarney Filho consolida sua candidatura ao Senado definindo os dois candidatos a suplentes

Sarney Filho terá como candidatos a suplentes João Manoel Souza e Clóvis Fecury
Aspirante ao Senado, Sarney Filho terá como candidatos a suplentes João Manoel Souza e Clóvis Fecury

O deputado federal Sarney Filho (PV), que deve deixar o Ministério do Meio Ambiente nesta até sexta-feira, parece decidido a continuar sendo o primeiro no seu grupo a tomar decisões relativas à sua candidatura ao Senado. Foi o primeiro a anunciar que seria candidato “irreversível”. Agora, fechou uma articulação que consolida de vez sua candidatura: definiu os dois candidatos a suplentes: João Manoel Souza e Clóvis Fecury, ambos do MDB.

João Manoel Souza tem 45 anos, é advogado, professor de matemática e escritor, já tendo publicado várias obras. João Manoel é também um conceituado pastor evangélico e estudioso da política, que está no seu DNA por influência do seu pai, o ex-governador e atual senador João Alberto, um dos políticos mais bem sucedidos dos últimos tempos no Maranhão, que resolveu se afastar das disputas eleitorais.

Clóvis Fecury é engenheiro civil e empresário da área de educação – é um dos proprietários do Uniceuma -, filho do ex-prefeito de São Luís, ex-deputado federal e ex-senador Mauro Fecury, já foi deputado federal, presidiu o DEM no Maranhão e atualmente é o 1º suplente do senador João Alberto.

A escolha de João Manoel Souza e Clóvis Fecury como candidatos a suplentes é fruto de uma ampla articulação feita dentro do Grupo Sarney . Os dois nomes serão anunciados oficialmente por Sarney Filho tão logo ele deixe o Ministério do Meio Ambiente e reassumir seu mandato na Câmara Federal.

 

Zé Inácio expõe o racha dentro do PT ao defender a filiação de Waldir Maranhão ao partido

Zé Inácio defendeu a entrada de Waldir Maranhão no PT
Zé Inácio quer  Waldir Maranhão no PT e a candidatura dele ao Senado

O contundente discurso do deputado Zé Inácio (PT) em defesa do ingresso do deputado federal Waldir Maranhão (Avante) no partido fez duas revelações que expõem o surpreendente grau de divergências que estremecem o braço da agremiação no Maranhão. A primeira é que o parlamentar decidiu enfrentar publicamente o presidente regional, Augusto Lobato, e o dirigente do partido em São Luís, vereador Honorato Fernandes, que já disseram publicamente que não aceitam de jeito nenhum Waldir Maranhão como filiado em PT e muito menos como candidato do partido ao Senado na chapa a ser liderada pelo governador Flávio Dino. A outra revelação feita por Zé Inácio em seu discurso é que uma banda do partido acha que tem uma dívida a saldar com Waldir Maranhão: “O deputado Waldir decide filiar-se ao PT no momento em que o País enfrenta uma grave crise econômica, política e social, em que a democracia é ameaçada constantemente e direitos conquistados a duras penas pelo povo são aniquilados por um Governo ilegítimo, por um governo golpista. O deputado, inclusive, tentou evitar o golpe quando se posicionou contra o impeachment e a favor da presidenta Dilma quando exercia a presidência da Câmara”.

Zé Inácio também esclareceu com precisão a posição da ala petista que representa em relação à montagem da chapa majoritária pelo governador Flávio Dino; “O governador tem e terá o meu apoio para concorrer à reeleição, mas não podemos abrir mão desse debate político e dizer que o PT tem força suficiente para contribuir fortemente para sua reeleição, tendo um nome que possa vir a ser o deputado Waldir Maranhão na chapa majoritária. Com o apoio do governador e de Lula, ele passa a ser um dos candidatos mais competitivos ao Senado, por isso que, talvez, alguns temam a ida dele para o PT”.

Não é bem o que pensam os aliados mais próximos do governador Flávio Dino, que não se mostram resistentes ao deputado, mas também não estão dispostos a brigar pela sua candidatura na chapa, preferindo apostar na da deputada federal Eliziane Gama (PPS).

 

São Luís, 04 de Abril de 2018.

Flávio Dino empossa novos secretários e avisa: “O Governo é o mesmo, e o foco principal permanece o mesmo”

 

Flávio Dino posa com os novos secretários; e em pronunciamento avisa que nada muda na orientação do governo
Flávio Dino posa com os novos secretários; e em pronunciamento avisa que nada muda na orientação do Governo, afirmando que “o governo é o mesmo”

“Nós estamos fazendo a troca de pessoas, mas o foco principal permanece o mesmo. O governo é o mesmo, o caminho administrativo é o mesmo”. Com essas palavras, que funcionaram ao mesmo tempo com informação e orientação, o governador Flávio Dino (PCdoB) deu posse, em ato solene, a sete novos secretários de Estado, dois presidentes de agências governamentais, o diretor do Viva/Procon e presidente da Comissão Central de Licitação. As mudanças se deram porque os titulares desses postos decidiram se desincompatibilizar para enfrentar as urnas nas eleições de Outubro. O ato de posse consumou o mais tranquilo processo de mudança coletiva na estrutura de Governo nos últimos tempos, a começar pelo fato de que o governador recorreu a soluções “caseiras” para preencher as vagas abertas no secretariado e agências, promovendo adjuntos, não dando margem a pressões político-partidárias por cargos. Além disso, assegurou que todos os programas de Governo em andamento não sofrerão alterações, o que, segundo a previsão do governador, garante a continuidade das ações.

A troca de comando em 11 dos mais importantes órgãos da estrutura administrativa do Governo, a começar pela Casa Civil, evidencia com clareza que o governador Flávio Dino realiza, de fato, a mais ampla e arrojada mudança política no Maranhão nos últimos tempos. E a maior evidência é que o Governo vem atuando de maneira uniforme,  relacionando-se com políticos e empresários dentro de padrões civilizados, mas que não têm permitido a negociação de concessões não republicanas. Nos 51 meses de existência do atual Governo, houve, aqui e ali, reclamações pelo “uso político” da máquina pelos secretários-candidatos, mas nenhum registro de escorregões de conduta nem denúncia de desvio de dinheiro público. Não houve também anotações consistentes apontando sinais exteriores de riqueza exibidos por este ou aquele secretário de Estado, o que sugere uniformidade também na conduta da equipe de Governo.

Os auxiliares que deixaram seus cargos para encarar as urnas são políticos militantes, a maioria deles nascida nos embates do movimento estudantil e que teve intensa participação no movimento que os levou ao poder sob a liderança do governador Flávio Dino. Estão, portanto, plenamente  legitimados. O exemplo mais expressivo dessa legitimação política é o ex-secretário de Comunicação e Articulação Política, Márcio Jerry, um político forjado no movimento estudantil e que deu segmento ao seu projeto como militante ativo e destacado na seara partidária de esquerda, o que lhe valeu alcançar a presidência regional do PCdoB, posto do qual atuou como um dos principais articuladores da inovadora campanha de 2014, o que lhe valeu a condição de mais destacado e influente auxiliar do governador Flávio Dino. Com essas credenciais, deixou o secretariado legitimado para encarar o grande desafio das urnas e nele carimbar passaporte para a Câmara Federal.

Os demais desincompatibilizados cumpriram a contendo suas tarefas no Governo. Colocaram em prática os programas anunciados na campanha pelo candidato Flávio Dino, enfrentaram os desdobramentos da crise nacional nas suas áreas de atuação e, segundo os dados estatísticos apresentados pelo Governo e ratificados por outras fontes, não obraram milagres, mas produziram, em maior ou menor grau, resultados previstos pelo Governo. Não será surpresa, portanto, se saírem das urnas reconhecidos pelo eleitorado. Um desfecho natural de um processo reafirmado pelo governador Flávio Dino: “Mantemos a orientação política e administrativa do Governo, no sentido do desenvolvimento com justiça social, muita eficiência e muita seriedade na aplicação do dinheiro público. E por isso mesmo adotamos o critério de continuidade das ações”.

Em Tempo: Foram empossados ontem os titulares das Secretarias de Estado de Comunicação Social e Articulação Política (Secap), Ednaldo Neves; de Agricultura Familiar (SAF), Júlio César Mendonça Corrêa ; de Estado de Desenvolvimento Social (Sedes), Francisco de Oliveira Jr.; de Indústria e Comércio (Seinc), Expedito Jr.; do Trabalho e Renda Solidária (Setres), Silvio Conceição Pinheiros; de Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Sagrima), José Edjahilson Bezerra de Souza; da Casa Civil, Rodrigo Lago; da Agência Metropolitana do Estado do Maranhão (Agem) Lívio Jonas Mendonça Corra; da Agência Estadual de Pesquisa Agropecuária e de Extensão Rural do Maranhão (Agerp), Loroana Santana; do VIVA/Procon, Beatriz Taveira Barros; e da Comissão Central de Licitação (CCL), Luis Carlos Oliveira Filho. Na semana passada, o Comando da Polícia Militar foi assumido pelo coronel Jorge Luongo.

 

PONTO & CONTRAPONTO

 

Tucanos reagem mal à nota de José Reinaldo e podem rever convite para que ele ingresse no PSDB

José Reinaldo: declarações incomodaram Roberto Rocha e Sebastião Madeira
José Reinaldo: declarações incomodaram Roberto Rocha e Sebastião Madeira

Se à primeira vista foi interpretada por muitos como a solução para o futuro político do ex-governador e deputado federal José Reinaldo Tavares, a nota que ele divulgou anunciando sua decisão de ingressar PSDB causou mais mal-estar do que animação no ninho dos tucanos. O presidente do partido, senador Roberto Rocha, não comentou o teor da nota, mas o secretário geral, Sebastião Madeira, ex-prefeito de Imperatriz, reagiu de maneira dura e contundente. Eles têm razões de fato para estar incomodados. Na sua nota, José Reinaldo deixa a impressão de que foi ungido pelo governador paulista Geraldo Alckmin, quando na verdade foi uma operação avalizada por Roberto Rocha e Sebastião Madeira. O ponto mais nervoso foi a declaração do ex-governador de que vai trabalhar pelo candidato presidencial Geraldo Alckmin nos palanques de Roberto Rocha e de Eduardo Braide (PMN), que, segundo acredita, será também candidato ao Governo do Estado. O senador Roberto Rocha não gostou nem um pouco do teor da nota, mas por enquanto preferiu se manter em silêncio. Já o ex-prefeito de Imperatriz reagiu indignado e foi claro: José Reinaldo Tavares entrará no PSDB a convite dele, Sebastião Madeira, e de Roberto Rocha, com o aval de Geraldo Alckmin. E a única condição, não formalizada, mas evidente, foi a de que se engaje na campanha de Roberto Rocha para o Governo do Estado, como Rocha e Madeira se engajarão na dele para o Senado. E mais: esse projeto está diretamente associado à candidatura de Geraldo Alckmin à presidência da República, que terá no Maranhão o palanque do PSDB. Se outro candidato a governador, no caso Eduardo Braide, quiser apoiá-lo, que o faça integrando o movimento liderado pelos tucanos, e não pela via contrária. José Reinaldo deve se manifestar a qualquer momento a respeito da reação dos chefes tucanos. Se contemporizar e declarar apoio incondicional a Roberto rocha, terá como resposta a declaração de apoio incondicional de Rocha e de Madeira. Mas se insistir da tese dos “dois palanques”, poderá ser desconvidado a ingressar no PSDB e, assim, perder a melhor situação para ser candidato ao Senado.

 

Declarações de Augusto Lobato praticamente fecharam as portas do PT para Waldir Maranhão

Waldir Maranhão tem situação complicada para entrar no PT
Waldir Maranhão tem situação complicada para entrar no PT

As declarações do presidente regional do partido, Augusto Lobato, dadas após uma reunião em Brasília com a presidente nacional, senadora Gleise Hoffman, parecem haver mandado para o espaço a possibilidade de o deputado federal Waldir Maranhão ingressar no PT e ser indicado pelo partido para a a segunda vaga de candidato a senador na chapa do governador Flávio Dino. Augusto Lobato ratificou o posicionamento do presidente do partido em São Luís, vereador Honorato Fernandes, que descartou, com palavras duras, a presença de Waldir Maranhão nos quadros do partido. Os que admitem o ingresso de Waldir Maranhão no partido. Com a reação contrária em cadeia, a pressão feita por caciques nacionais do partido a favor do deputado foram amenizadas. Eles foram alertados de que ficará muito ruim para o braço maranhense do PT se o comando nacional repetir o uso da força, como fez em 2010, obrigando o partido a se enfileirar na coligação comandada pelo Grupo Sarney, atropelando decisão tomada em congresso estadual em favor de aliança em torno do então deputado federal Flávio Dino, candidato ao Governo do Estado. Nesse contexto, Waldir Maranhão mergulha numa situação crítica, à medida que suas possibilidades partidárias serão reduzidas quase a zero. No comando nacional há algumas vozes que pretendem convencer os dirigentes locais de aceitá-lo no partido e permitir que ele seja candidato à reeleição. A equação contraria muita gente, mas poderá ser uma sápida honrosa, inclusive tirando a sombra do parlamentar do projeto eleitoral liderado pelo governador Flávio Dino. Waldir tem até a noite de sábado (7) para resolver o seu futuro político.

São Luís, 03 de Abril de 2018.

José Reinaldo entra no PSDB, fará dobradinha com Rocha e avisa que embalará Alckmin também no palanque de Braide

Esta  edição deveria ter sido publicada ao meio-dia de Domingo, 1º de Março, mas por um problema no sistema de agendamento do computador, o texto não entrou em rede.

José Reinaldo anuncia que apoiará Geraldo Alckmin nos palanques de Roberto Rocha e Eduardo Braide
José Reinaldo anuncia que apoiará Geraldo Alckmin nos palanques de Roberto Rocha e Eduardo Braide, numa equação no mínimo  estranha

O ex-governador e atual deputado federal José Reinaldo Tavares finalmente definiu o caminho partidário pelo qual tentará chegar ao Senado, ao anunciar sua decisão de se filiar ao PSDB, convertendo-se, portanto, ao liberalismo tucano. Em nota publicada na manhã de sábado (31/03), ele anuncia o desfecho da sua via crucis partidária, relata que a escolha foi fruto de negociações com o governador de São Paulo e candidato tucano a presidente da República Geraldo Alckmin, conta que superou suas quase insuperáveis diferenças com o senador Roberto Rocha – presidente e candidato do PSDB ao Governo do Estado -, e informa que vai trabalhar para que o presidenciável tucano tenha dois palanques no Maranhão: o de Roberto Rocha e o do provável candidato do PMN, deputado estadual Eduardo Braide. “O governador Alckmin terá, como em São Paulo, dois palanques no Maranhão, um, do seu partido, o PSDB, que terá como candidato a governador Roberto Rocha e o palanque de Eduardo Braide, futuro candidato ao Governo do Maranhão”, informa na sua nota, a título de esclarecimento. E também relaciona uma série de “compromissos” assumidos por Geraldo Alckmin, caos os dois venham a ser eleitos.

O desembarque de José Reinaldo no PSDB é o desfecho de um longo processo que o levou romper com o governador Flávio Dino. Ele tinha essa solução – que fora desdenhada em conversas com o governador paulista desde o ano passado -, mas estava decidido a só usá-la depois de esgotar todas as demais alternativas. O ex-governador, porém, pretendia ter um partido expressivo sob seu controle, mirou no DEM, mas perdeu o “timing”, já que o deputado federal Juscelino Filho chegou primeiro e levou o partido para a aliança liderada pelo governador. Ao mesmo tempo, entrou firme no ainda impreciso e improvável projeto por meio qual o deputado estadual Eduardo Braide pretende chegar ao Palácio dos Leões. Mas sem suporte partidário, teve de recuar.

No arraial dos tucanos, o ex-governador sabe que não terá o controle do partido, que está sendo firmemente comandado pelo senador Roberto Rocha, “filho pródigo” que voltou à casa paterna depois de um longo período de insatisfação reprimida no PSB, e do ex-prefeito de Imperatriz, Sebastião Madeira, tucano de proa e principal avalista dessa equação. Isso significa dizer que, por mais independência que venha a ter como candidato a senador, o comando estadual do PSDB espera que ele se engaje efetivamente na campanha de Roberto Rocha ao Governo do Estado, como anuncia que se empenhará na tarefa de propagar no eleitorado maranhense a candidatura de Geraldo Alckmin a presidente da República.

O ponto aparentemente contraditório do acerto que está levando José Reinaldo para o PSDB é o anúncio de que ele vai defender a candidatura presidencial de Geraldo Alckmin também no palanque de Eduardo Braide, que apresenta como “futuro candidato” a governador, “também com o apoio de Alckmin”. Justifica a presença nos dois palanques com o fato de que em São Paulo Geraldo Alckmin terá o apoio do candidato tucano ao Governo do Estado, João Dória, e do atual vice-governador, Márcio França (PSB), que assumirá o Governo de São Paulo nesta semana e será candidato à reeleição. Os dois cenários são completamente diferentes e as relações são mais complexas. É politicamente compreensível que dois candidatos a governador num mesmo estado apoiem um mesmo candidato a presidente da República. Mas é difícil entender que um candidato a senador é um candidato a senador de um partido que tem candidato a governador venha a frequentar o palanque do candidato a governador de outro partido a pretexto de reforçar a campanha do candidato a presidente. Se essa equação prosperar sem traumas, o Maranhão será palco de uma situação política sem precedentes.

Por fim, a definição partidária do ex-governador fecha o quadro de candidatos viáveis às duas vagas no Senado. Agora sem mais considerar o “fator” José Reinaldo, o governador Flávio Dino (PCdoB) deverá emplacar a deputada federal Eliziane Gama (PPS) na segunda vaga de candidatos ao Senado na sua chapa, ao lado do deputado federal Weverton Rocha (PDT), enquanto o Grupo Sarney dá todos os indicativos de que a chapa que terá a ex-governadora Roseana Sarney (MDB) na cabeça disputará as vagas senatoriais com o deputado federal Sarney Filho (PV) e o senador Edison Lobão (MDB), e o PSOL deve confirmar Luis Noleto. Outros candidatos ainda podem emergir, como um segundo nome do PSDB, podendo também o PT tentar bancar a candidatura do deputado federal Waldir Maranhão por uma via transversa.

 

PONTO & CONTRAPONTO

 

Se Sarney tentar “puxar” o DEM e o PP para Roseana, vai enfrentar dura resistência de Juscelino Filho e André Fufuca

De olho no DEM e no PP, José Sarney pode ter de enfrentar Juscelino Filho e André Fufuca a nata da novíssima geração de políticos do Maranhão
De olho no DEM e no PP, José Sarney pode ter de enfrentar Juscelino Filho e André Fufuca a nata da novíssima geração de políticos do Maranhão

Não será surpresa se articulações promovidas pelo ex-presidente José Sarney (MDB) vieram a criar embaraços para o DEM e para o PP no Maranhão. Os dois partidos se fortaleceram e decidiram integrar a aliança partidária liderada pelo governador Flávio Dino. É notório que no plano nacional o DEM tem ligações muito fortes com o Grupo Sarney, e não está de todo descartada a possibilidade de o ex-presidente usar sua influência junto ao presidente da legenda, ACM Neto, prefeito de Salvador, e ao deputado federal fluminense Rodrigo Mais, presidente da Câmara Federal e candidato do DEM ao Palácio do Planalto. Se realmente, estimulador por José Sarney, o comando nacional do DEM vier a pressionar o braço maranhense do partido para se afastar do governador Flávio Dino e embarcar no projeto eleitoral da ex-governadora Roseana Sarney (MDB), encontrará uma fortíssima resistência, já que o partido foi turbinado com a filiação de nomes destacados da base dinistas, como os deputados estaduais Rogério Cafeteira, Neto Evangelista, Cabo Campos e Stênio Rezende, mantendo ainda o deputado Antônio Pereira, único sarneysista do grupo, mas que mantém boa relação com o Palácio dos Leões. Em relação ao PP, mesmo levando em conta o fato de que o presidente nacional do PP, o senador piauiense Ciro Nogueira, mantém relações próximas com o Grupo Sarney, o comandante do partido no Maranhão, deputado federal André Fufuca, que é o 1º vice-presidente da Câmara Federal descarta a influência de José Sarney e garante que o partido está firme na aliança liderada por Flávio Dino. A verdade é que, se os rumores tiverem fundo de verdade e o ex-presidente José Sarney realmente pretende mudar a posição do DEM e do PP no Maranhão, enfrentará resistência dura e tenaz dos deputados Juscelino Rezende e André Fufuca, dois dos mais hábeis e bem sucedidos quadros da novíssima geração de políticos maranhenses.

 

Programada para fechar no sábado, janela partidária poderá ser usada por alguns insatisfeitos

Carlos Brandão, Rogério Cafeteira, Neto Evangelista e Sérgio Frota mudaram de partido pela janela
Carlos Brandão, Rogério Cafeteira, Neto Evangelista e Sérgio Frota mudaram de partido pela janela

A semana será decisiva para quem pretende disputar votos em outubro, está insatisfeito com seu partido e precisa resolver essa pendência. Uma das maiores jogadas de conveniência política dos últimos tempos e aberta no dia 7 de Março, a janela que permite a mudança de partido será fechada à meia-noite do dia 7 de Abril, próximo sábado. A rigor, os políticos de peso que tinham essa pendência, a sanaram dentro do prazo. Além do ex-governador José Reinaldo Tavares, que acertou seu ingresso no PSDB, alguns exemplos: a ex-deputada Cleide Coutinho deixou o PSB e se filiou ao PDT, o vice-governador Carlos Brandão deixou o PSDB contra a vontade e se filiou ao PRB, o ex-deputado Ricardo Murad deixou o PMDB e ingressou no PTN; deputados estaduais também “pularam“ a janela partidária: Rogério Cafeteira deixou o PSB e ingressou no DEM, Neto Evangelista trocou o PSDB pelo DEM e Sérgio Frota saiu do PSDB e entrou no PR. Outras migrações poderão acontecer até o fechamento da janela, no próximo sábado.

São Luís, 01 de Abril de 2018.

Corrida à Câmara Federal tem “pesos pesados” em formação e fortes candidatos à reeleição

 

Márcio Jerry, Sebastião madeira, Hildo Rocha, Rubens Jr., André Fufuca, Juscelino Filho, João Marcelo e Cléber Verde são considerados nomes certos na próxima Câmara Federal
Márcio Jerry, Sebastião madeira, Hildo Rocha, Rubens Jr., André Fufuca, Juscelino Filho, João Marcelo e Cléber Verde: considerados certos na próxima Câmara Federal

Enquanto a disputa pelo Governo do Estado permanece morna, com claros indicativos de que o governador Flávio Dino (PCdoB) caminha com segurança para a reeleição, a briga pelas duas cadeiras do Senado ganha a cada dia movimentos imprecisos, a corrida aos 18 assentos da Câmara Federal começa a ser desenhada com traços mais nítidos, sendo possível identificar candidatos que já ocupam posições destacadas e são vistos por observadores experientes como os “caras” dessa esfera da guerra pelo voto. Nelas estão aspirantes a primeiro mandato e parlamentares que estão na estrada em busca da renovação dos seus mandatos. A caça ao voto fica mais intensa com a saída dessa esfera dos deputados federais “peso pesados” como Eliziane Gama (PPS), Sarney Filho (PV), Weverton Rocha (PDT) e José Reinaldo Tavares (sem partido), que decidiram brigar pelas duas cadeiras do Senado, liberando assim quase 400 mil votos, parte dos quais será disputada por iniciantes “pesos pesados” como o ex-secretário Márcio Jerry (PCdoB), e por “pesos pesados” que buscam a reeleição, como Rubens Jr. (PCdoB), Hildo Rocha (PMDB), João Marcelo (MDB) e André Fufuca (PP).

O confuso cenário político brasileiro sugere que o Congresso Nacional tende a ganhar cada vez mais força, e que nesse contexto a Câmara Federal, que representa efetivamente o cidadão – ao contrário do Senado, que é a representação dos Estados -, caminha para ampliar o seu poder de fogo político e institucional. Isso está claro no esforço que os partidos estão concentrando para investir na eleição de deputados federais. Os caciques da polpitica brasileira sabem que agora, mais do que nunca, quem tiver maior número de deputados federais falará mais alto e dará as cartas. Assim, o time de frente dos mais de três centenas candidatos à Câmara Federal pedirá votos sabendo que, se eleito, terá peso no Planalto Central.

Não há qualquer dúvida que o candidato mais falado dessa esfera da disputa eleitoral é o jornalista Márcio Jerry, presidente estadual do PCdoB,  ex-secretário de Articulação Política e Comunicação e o mais influente membro do staf político e administrativo do governador Flávio Dino. Sua ação política intensa diuturna o tornou conhecido em todo o Maranhão, havendo que preveja que ele terá votos em tidas as regiões. Outro nome de peso, que já exerceu quatro mandatos na Câmara Federal e que tenta retornar agora é o ex-, prefeito de Imperatriz, Sebastião Madeira (PSDB).  Nesse time aparece também o deputado estadual Eduardo Braide (PMN), que seriam candidatos a ocupar os espaços deixados por Eliziane Gama, Sarney Filho e Weverton Rocha. Nos bastidores da corrida eleitoral, o deputado estadual Bira do Pindaré (PSB), o vereador Pedro Lucas Fernandes (PTB) deve substituir ao pai, Pedro Fernandes. A briga nesse patamar se intensifica com o balsense Márcio Honaiser (PDT). E o caldo poderá entornar se nomes como Andrea Murad (MDB) e Edilázio Jr. confirmarem entrada na briga por mandatos federais.

Os “pesos pesados” com reeleição prevista são Rubens Jr. (PCdoB), que vem exercendo seu primeiro mandato federal com eficiência política, sendo considerado o destaque do seu partido. Hildo Rocha (MDB) tem marcado seu mandato propositivo e com forte atuação política, o mesmo acontecendo com o jovem o emedebista João Marcelo, apontado como um dos que devem renovar o mandato. Entre os novos, dois nomes se destacam: Juscelino Filho (DEM) e André Fufuca (PP), que tem surpreendido o meio político pela habilidade com que ocuparam amplos espaços na Câmara Federal, da qual o segundo é o atua 1º vice-presidente. E nesse contexto destaca-se ainda Cléber Verde (PRB), agora reforçado com o reforço do PRB no Maranhão, assim como Aluízio Mendes (Podemos), considerado atuante. Esse time comporta também os deputados Julião Amin (PDT e licenciado) e Deoclídes Macedo (PDT).

Nas avaliações informais e nas previsões de políticos tarimbados, os deputados federais Victor Mendes (PSD), Luana Costa (PSB), Alberto Filho (MDB), Júnior Marreca (PEN) e Zé Carlos (PT). Todos têm chance de reeleição, mas sabem que, além dos “pesos pesados”, enfrentarão candidatos que costumam surpreender, como ex-deputado tocantino Davi Alves Filho (PR).

Esse, porém, é o cenário inicial, que poderá sofrer fortes e amplas alterações durante a campanha eleitoral.

 

PONTO & CONTRAPONTO

 

Madeira aposta alto que José Reinaldo será candidato ao Senado pelo PSDB

José Reinaldo pode mesmo desembarcar no PSDB
José Reinaldo pode mesmo desembarcar no PSDB

É forte a expectativa dentro do PSDB em relação ao ex-governador e deputado federal José Reinaldo Tavares, que poderá ingressar no partido e ser lançado candidato ao Senado. Um dos que apostam nessa possibilidade é o ex-prefeito de Imperatriz, Sebastião Madeira, para quem esse é o caminho que deve ser seguido pelo ex-governador. “Não existe um ambiente partidário melhor para o José Reinaldo do que o PSDB”, avalia Madeira, que acredita piamente que o ex-governador será o candidato dos tucanos, “até porque não tem nada melhor para ele”. O ponto crítico a ser superado é a relação azeda com o senador Roberto Rocha, presidente do partido e candidato a governador. José Reinaldo tem dito a interlocutores que está examinando “outras opções”, mas aliados seus observam que depois que ele rompeu com o governador Flávio Dino o seu leque de opções partidárias foi reduzido drasticamente, só lhe restando o PSDB como um caminho sem maiores problemas. “Eu espero sinceramente que o José Reinaldo venha com a gente. Será bom para ele e para nós também, pois afinal ele é uma grande liderança na política do Maranhão e tem condições de ganhar uma das cadeiras de senador”, avalia Madeira, que espera o desfecho para o início da próxima semana.

 

João Alberto acha que a corrida eleitoral só avançará depois de resolvida a situação de Lula

João Alberto: definição só depois de resolvida a situação de Lula
João Alberto: definição só depois de resolvida a situação de Lula

A corrida ao Palácio dos Leões só será deflagrada para valer quando a dramática e imprevisível do ex-presidente Lula da Silva for resolvida e o PT definir seu rumo na disputa pelo Palácio do Planalto. Antes disso, a situação permanecerá confusa e indefinida. Essa é a avaliação do senador João Alberto (MDB), uma das raposas mais experientes da política estadual e profundo conhecedor dos humores da política nacional, João Alberto acha que, mesmo tendo seus candidatos definidos, as correntes políticas estaduais vão aguardar os candidatos a presidente da República sejam efetivamente definidos. Antes disso, as candidaturas a Governos estaduais se moverão em “marcha-lenta”. No caso do Maranhão, ele vê definidas as candidaturas do governador Flávio Dino, da ex-governadora Roseana Sarney (PMDB) e do senador Roberto Rocha. Perguntado se a candidatura de Roseana Sarney é mesmo para valer, o senador responde, enfático: “Roseana é candidatíssima!”

São Luís, 29 de Março de 2018.

José Reinaldo está a um passo de se filiar ao PSDB e disputar o Senado em dobradinha com Roberto Rocha

 

José Reinaldo pode virar tucano e fazer cobradinha com Roberto Rocha
José Reinaldo e Roberto Rocha: dobradinha muito provável

A menos que aconteça um fato absolutamente fora das previsões, o ex-governador e deputado federal José Reinaldo Tavares, atualmente sem partido, deverá disputar uma cadeira no Senado pelo PSDB, numa dobradinha com o senador Roberto Rocha, candidato ao Governo do Estado. Depois de todos os movimentos que fez no surpreendente roteiro que o afastou do governador Flávio Dino (PCdoB), o ex-governador caminha para o desfecho mais improvável para muitos, mas que foi previsto por outros. Não há ainda martelo batido para a conversão do ex-governador aos ideais do tucanato nacional, mas o seu ingresso no PSDB é mais que provável e configura o desfecho mais lógico dessa dramática e imprevista caminhada em busca de um partido que lhe dê a vaga de candidato a senador, que para ele virou uma questão de honra e de sobrevivência política.

Para começo de conversa, a abertura de janela no arraial dos tucanos não é recente. No início do ano passado, quando ainda parecia consolidado no PSB, o ex-governador do Maranhão foi a São Paulo e ali tomou o café da manhã com seu o governador Geraldo Alckmin. A imagem do encontro causou certo mal-estar no Palácio dos Leões, que foi apanhado de surpresa pelo movimento imprevisto do mais importante dos seus aliados. A visita ao presidenciável do PSDB foi a deixa para que o governador Flávio Dino deflagrasse o que já havia desenhado: um processo no qual os interessados nas vagas de candidato ao Senado na sua chapa se viabilizassem politicamente, ou seja, fosse indicado pelo seu partido com o apoio de outras agremiações da aliança governista.

Atento e disciplinado, o deputado federal Weverton Rocha mobilizou o seu partido, o PDT em torno do seu nome e obteve o aval de praticamente todas as agremiações governistas, e o apoio de prefeitos, deputados e vereadores de todas as regiões do estado. José Reinado avaliou que a mobilização de prefeitos feita pelo prefeito de Tuntum e presidente da Famem, Cleomar Cunha, seria suficiente para ganhar a vaga. Não foi, a começar pelo fato de que ele não resolveu o mais importante item de uma candidatura: não obteve o aval do seu próprio partido, o PSB. A partir daí começou sua via crucis partidária, que tinha no PSDB a última e remota possibilidade. O caminho, porém, parecia traçado desde o suculento café da manhã que tomou com governador Geraldo Alckmin, hoje candidato do PSDB a presidente da República, no Palácio dos Bandeirantes.

A julgar pelo que dizem os chefes tucanos, o caminho está aberto para o ex-governador José Reinaldo Tavares. Suas diferenças com o presidente candidato do PSDB a governador, senador Roberto Rocha, que chegaram a ser apontadas como inimizade irreconciliável, parecem claramente superáveis. A maioria do partido – como o grupo do ex-governador João Castelo, hoje comandado pela ex-prefeita Gardênia Castelo – parece perfeitamente de acordo com o desembarque do ex-governador na agremiação tucana. E se, como pretende, conseguir também convencer o deputado Alexandre Almeida a virar tucano com a garantia de que será o outro candidato a senador na chapa do partido, o ex-governador finalmente terá as condições técnicas e políticas de entrar efetivamente na briga por uma cadeira no Senado: um partido sólido, com bom  tempo de campanha, um candidato a governador, um presidenciável com amplas chances de chegar ao Palácio do Planalto.

Corre nos bastidores o rumor de que José Reinaldo poderá também ingressar no PSD, já numa aliança informal com o Grupo Sarney, para disputar o senado numa chapa liderada pelo deputado estadual Eduardo Braide (PMN) como candidato a governador. Pode ser, seus próprios aliados dizem que o projeto não tem futuro. O fechamento da janela partidária, no dia 7 de Abril, dirá o caminho escolhido pelo ex-governador.

Em Tempo: Na edição do dia 8 de Março, a Coluna levantou a possibilidade de o ex-governador José Reinaldo Tavares vir a filiar-se ao PSDB e se lançar candidato ao senado em dobradinha com o senador Roberto Rocha. Muitos duvidaram, considerando impossível. Os fatos indicam que a conversão do ex-governador ao tucanato não só é possível, como muito provável.

 

PONTO & CONTRAPONTO

 

Flávio Dino X Sérgio Moro: debate saudável e alerta contra ditadura disfarçada

Flávio Dinoi e Sérgio Moro: visões diferentes de uma mesma geração de magistrados
Flávio Dino e Sérgio Moro: visões diferentes de uma mesma geração 

Não surpreendeu a reação do governador Flávio Dino a declarações feitas pelo juiz e titular da Lava Jato Sérgio Moro, na entrevista que concedeu ao programa Canal Livre, da TV Cultura, e principalmente à maneira direta com que ele tentou influenciar a ministra Rosa Weber, do Supremo Tribunal Federal, no voto que dará, semana que vem, para resolver de vez a controvérsia em relação à prisão ou não a condenados em segunda instância. O voto da ministra definirá o futuro do ex-presidente Lula da Salva (PT), condenado por Moro e defendido por Dino. Gostem ou não seus adversários, assim como Sérgio Moro a prerrogativa judiciária de julgar, o governador Flávio Dino tem o sagrado direito constitucional de manifestar livremente o seu pensamento. E sua condição de ex-juiz federal e de ex-deputado federal, relator do projeto da Lei da Ficha Limpa lhe dá autoridade para formular juízo sobre o que diz e decide um magistrado quanto acerca temas tão controversos quanto a prisão de condenados por tribunal colegiado de segundo grau. Flávio Dino declarou-se estarrecido com algumas declarações de Sérgio Moro, causando aí um debate conceitual. O governador nunca atacou o titular da Lava Jato com palavras agressivas nem se dirigiu ao cidadão. Manifestou-se com civilidade dirigindo-se ao magistrado, que é um servidor público, sujeito, portanto, a críticas – tanto que suas sentenças podem ser, e via de regra são, contestadas. Flávio Dino e Sérgio Moro entraram juntos na magistratura num concurso em que o primeiro encabeçou a lista dos aprovados. São ideologicamente contrários e discordam frontalmente no plano doutrinário. E as diferenças se evidenciaram quando Sérgio Moro começou a atropelas certas regras processuais – vazar deliberadamente a gravação do telefonema da presidente Dilma ao ex-presidente Lula da Silva -, entre outras decisões que estarreceram metade da magistratura, advogados, juristas e até ministros do Supremo. Flávio Dino foi um dos primeiros a criticá-lo. Enfim, são expressões de uma geração que nasceu e se formou no pós-ditadura, mas, no caso de Flávio Dino, trazendo valores humanistas aprimorados na resistência aos tempos de chumbo. Certo ou equivocado no plano jurídico, o governador do Maranhão participa legitimamente de um debate extremamente saudável, que contribui para a consolidação da democracia e alerta os leigos e desavisados para movimentos e decisões sutis, como alguns de Sérgio Moro, que, na avaliação de muitos,podem resultar numa ditadura disfarçada.

 

Roberto Costa e Felipe Camarão mostram que oposição e situação podem agir pelo bem comum

Roberto Costa e Felipe Camarão: oposição e situação em favor do bem comum
Roberto Costa e Felipe Camarão: oposição e situação pelo bem comum

Não há cenário político dinâmico e produtivo sem o embate entre situação e oposição. E quando se dá sem agressões nem xingamentos, esse confronto de princípios e ideias, que via de regra ganha forma de denúncias e acusações, ganha legitimidade quando os contrários se juntam pelo bem comum. Um exemplo dessa boa ação política foi iniciada nas primeiras semanas do ano e teve desfecho ontem, na tribuna da Assembleia Legislativa, onde o deputado Roberto Costa (MDB), fez um discurso elogiando uma ação do Governo do Estado por meio do secretário de Educação, Felipe Camarão. Outro exemplo se deu em Bacabal, também por intermédio de Roberto Costa.

Aconteceu o seguinte: a Escola Giorceli Costa, na Madre Deus, seria desativada porque a Fiema, dona do prédio que abriga cerca de 500 crianças, cobrou a devolução. Nesse caso, os seus alunos seriam deslocados para o Colégio Sousândrade. O deputado Roberto Costa foi ao secretário Felipe Camarão, relatou-lhe o drama e propôs que eles fossem juntos reunir-se com a comunidade para discutir o problema e encontrar  soluções. O secretário atendeu prontamente a solicitação do deputado oposicionista.

Na reunião, realizada na semana passada, ficou claro que o problema era bem mais grave. E depois de longa discussão, o secretário Felipe Camarão anunciou sua decisão: não desativaria o Colégio Giorceli Costa para devolver o prédio à Fiema. Ao contrário, reformaria a unidade escolar sem desativá-la.  Foi mais longe ao decidir que o Colégio Sousândrade, que atende às comunidades Madre Deus, Lira, Codozinho e Goiabal, e está funcionando em situação precária, passará por uma ampla reforma pedido da comunidade da Madre Deus. E mais: a reforma do Colégio Giorceli Costa já foi concluída e a do Colégio Sousândrade já foi licitada e as obras serão iniciadas no máximo em um mês. Assim, a reunião que tinha por objetivo resolver o problema de uma escola, resultou na solução maior de restauração de duas unidades escolares de importância fundamental para a região da Madre Deus.

Roberto Costa também destacou o atendimento do secretário Felipe Camarão ao seu pedido para reativar um Caic em Bacabal, localizado na avenida Frei Solano, numa área onde não há escola de ensino médio daquela cidade. De acordo com o que foi decidido, a Secretaria de Educação não apenas vai reformar o Caic de Bacabal, como também vai transformá-la numa escola de tempo integral.

– Quero registrar aqui a maneira correta e eficiente como fomos atendidos pelo secretário Felipe Camarão. Eu como filho da Madre deus, fico muito feliz pela iniciativa do secretário Felipe Camarão, que em nenhum momento se escondeu da comunidade, se escondeu do Conselho Escolar. Em todos os momentos que procurei o Felipe Camarão, tanto para resolver o problema do CAIC de Bacabal, como do Colégio Giorceli Costa e do Sousândrade, ele foi extremamente solícito e sempre se colocou à disposição para solucionar todos esses problemas. Inclusive reconhecendo a necessidade de reforma dessas escolas. Então, eu não poderia, de forma nenhuma, principalmente neste momento em que houve algumas críticas em relação ao Colégio Sousândrade, não poderia fugir também da minha responsabilidade e dizer que todas as decisões tomadas em relação a essas escolas foram discutidas com a comunidade, com a minha participação, e com o secretário Felipe Camarão, que em todos os momentos tomou a posição da comunidade – discursou o oposicionista  Roberto Costa.

São Luís, 28 de Março de 2018.

 

Porta-vozes da extrema-direita, Maura Jorge e Coronel Monteiro medem força para representar Bolsonaro no Maranhão

 

Maura Jorge mostrou empolgação no encontro com Jair Bolsonaro, que também almoçou com um entusiasmado Coronel Monteiro
Maura Jorge mostrou empolgação no encontro com Jair Bolsonaro, que também almoçou com Coronel Monteiro

Poucas vezes a crônica política registrou um movimento tão surpreendente como o da ex-prefeita de Lago da Pedra, Maura Jorge, pré-candidata do Podemos ao Governo do Estado, na semana passada. Às vésperas do lançamento do senador paranaense Álvaro Dias como candidato do Podemos a presidente da República, ela se reuniu em Brasília com ninguém menos que o deputado federal fluminense Jair Bolsonaro (PSC), também pré-candidato a presidente. Na sexta-feira, quando a candidatura de Álvaro Dias foi lançada, Maura Jorge não compareceu, preferindo participar de um evento da União da Direita Maranhense, lançado recentemente com o apoio do coronel reformado José Ribamar Monteiro, que há tempos vem se apresentando com o chefe do braço bolsonarista no Maranhão. Independente de onde seus porta-vozes podem chegar, o fato é que a extrema direita começa a mostrar sua cara no cenário político do Maranhão, sendo parte dela, no caso a ex-prefeita de Lago da Pedra, identificada com o Grupo Sarney.

A julgar pelo que corre nos bastidores, a ex-prefeita – que foi também deputada estadual e integrante de proa de governos de Roseana Sarney (MDB) -, está avaliando na verdade três caminhos. O primeiro é migrar para o PSC, se enquadrar como braço de Jair Bolsonaro no Maranhão e, nessa condição, disputar o Governo do Estado defendendo as controversas bandeiras do coronel, que representa a extrema direita. O segundo é permanecer no Podemos e se candidatar mesmo ao Governo, abrindo assim espaço para a candidatura do senador Álvaro Dias no Maranhão. E o terceiro é se lançar à Câmara Federal pelo Podemos.

Ao relaxar o lançamento da candidatura de Álvaro Dias – que no ano passado veio ao Maranhão e incensou o projeto eleitoral da ex-prefeita de Lago da Pedra -, Maura Jorge fez um movimento seletivo. Avaliou que entre Álvaro Dias e Jair Bolsonaro será mais cômodo e produtivo para ela aliar-se ao coronel, independente de ele representar o que há de mais perigoso para a estabilidade e consolidação do processo democrático no Brasil. Para ela, que agora se apresenta como a encarnação da direita do Maranhão, musa que é agora da União da Direita Maranhense (UDM), movimento que defende a candidatura do coronel da reserva José Ribamar Monteiro, que se apresenta como o chefe maior do bolsonarismo no Maranhão, se lançando candidato a governador com o seu aval.

Mas nem tudo são flores nesse ainda confuso e impreciso micromundo da extrema-direita no Maranhão. Tão logo tomou conhecimento de que Maura Jorge reuniu-se com Jair Bolsonaro – com direito a foto e tudo mais -, o Coronel Monteiro, como é conhecido, reagiu irritado, chamando a ex-prefeita de “oportunista”. Além disso, acusou o Grupo Sarney de estar usando Maura Jorge para funcionar como um canal de interlocução com Jair Bolsonaro, o que é negado por ela. Nesse clima, Coronel Monteiro vem mandando recados quase diários de que é ele o chefe do bolsonarismo no Maranhão e que, nessa condição, é o candidato ao Governo do Estado que falará em nome do presidenciável, não admitindo, em qualquer hipótese, pelo menos por enquanto, que outro pretendente tome seu lugar.

É verdade que o encontro de Maura Jorge com Jair Bolsonaro causou frisson na extrema-direita maranhense, e não há dúvida de que entre ela e o Coronel Monteiro, o presidenciável pareceu inclinado a tê-la como aliada no Maranhão.  Mas um acordo entre os dois só será viável se ela deixar o Podemos e ingressar no PSC, porque se permanecer no partido, será duramente instada a se alinhar à campanha de Álvaro Dias, um político de centro que joga duro contra seus adversários. A ex-prefeita de Lago da Pedra tem ate o dia 7 de abril para resolver essa parada, sabendo que se permanecer no Podemos terá de vender o peixe de Álvaro Dias Maranhão a fora. Se resolver bandear-se de vez para Jair Bolsonaro, terá de deixar o Podemos e se converter ao PSC.

 

PONTO & CONTRAPONTO

Destaque

Com a entrega do 10º Ecoponto, o prefeito Edivaldo Jr. avança na limpeza urbana e no tratamento dos resíduos sólidos

Observado por assessores e pela primeira-dama Camila Holanda (atrás do prefeito), Edivaldo Jr. inaugura o Ecoponto Anil
Observado por assessores e pela primeira-dama Camila Holanda (atrás do prefeito), Edivaldo Jr. inaugura o Ecoponto Anil, e avança na melhoria da limpeza urbana

Cinco anos depois de haver assumido o desafio de dar a São Luís um serviço eficiente de limpeza urbana, o prefeito Edivaldo Jr. (PDT) inaugurou o Ecoponto Anil, o 10º equipamento de coleta seletiva implantado pela Prefeitura de São Luís em sua gestão. E anunciou a construção de mais 10 unidades e dois galpões de triagem para as cooperativas de reciclagem, reafirmando São Luís como polo destacado nacional no cumprimento da Lei 12.305/2010, que instituiu a Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS).

Mas antes de explicar melhor o que está acontecendo, vale lembrar de onde a Capital está vindo nesta área. Em abril de 2002, o então prefeito Jackson Lago (PDT), já consagrado como um dos seus grandes prefeitos, decidiu disputar o Governo do Estado e entregou o comando de São Luís ao seu vice, Tadeu Palácio (PDT). Saiu, porém, deixando um enorme problema: a Capital estava tomada pelo lixo, uma calamidade pública causada por uma série de fatores, entre eles a falência completa da Coliseu, a estatal que limpava a cidade. Aconselhado pelo próprio antecessor, o prefeito Tadeu Palácio decretou estado de emergência, terceirizou a limpeza urbana, e contratou, sem licitação, a empresa paraibana Lipater, que já operava em Imperatriz. Independentemente da improvisação e das graves falhas legais na contratação, Tadeu Palácio operou uma mudança radical na coleta do lixo urbano. Quando, seis anos depois, passou Governo municipal ao prefeito João Castelo (PSDB), em Janeiro de 2009, a cidade permanecia sob o mesmo estado de emergência e com o sistema em crise, situação que continuou na nova gestão. Quando assumiu, em janeiro de 2013, o prefeito Edivaldo Jr. (PTC) encontrou o sistema à beira do colapso, com as empresas ameaçando romper contratos por falta de pagamento e com o Aterro da Ribeira a totalmente defasado. Nos dois primeiros anos, se desdobrou para manter o serviço funcionando, e nos dois últimos anos do primeiro mandato, começou a reverter o quadro dramático que encontrara. Foram meses difíceis, quase dramáticos, mas São Luís saiu deles com uma nova política de limpeza pública e armazenamento e tratamento das milhares de toneladas de resíduos sólidos que produz a cada ano.

Com a inauguração do Ecoponto Anil, a gestão Edivaldo Jr. amplia para mais de 90 o número de bairros atendidos pela política de implantação desses equipamentos de coleta seletiva. Os investimentos vão desde a eliminação dos pontos de descarte irregular de lixo até as políticas de educação ambiental da população.

Além da implantação dos Ecopontos, um dos marcos da gestão do pedetista foi a desativação do Aterro da Ribeira, ocorrida em 2015, que por mais de 20 anos operou recebendo todos os resíduos domésticos coletados na capital. Atualmente a destinação do lixo orgânico de São Luís é a Central de Tratamento de Titara, devidamente licenciada, localizada em Rosário. Com esses avanços, a Capital é hoje apontada como exemplo pela Associação Brasileira das Empresas de Limpeza Pública e Resíduos Especiais (Abrelpe).

– São Luís seguirá avançando a passos largos, tornando-se uma cidade mais bonita, limpa e consciente – garantiu o prefeito.

 

Waldir Maranhão pressionada por senatória, mas quer mesmo é se reeleger deputado federal

Waldir Maranhão pressiona por senatória de olho na reeleição
Waldir Maranhão pressiona por senatória de olho na reeleição para a Câmara

São fortes os rumores de que o deputado federal Waldir Maranhão (Avante), pode migrar para o PT e ser indicado pelo partido para a segunda vaga de senador na chapa a ser liderada pelo governador Flávio Dino (PCdoB). Seria uma espécie de “acerto de contas” pelas decisões, ao mesmo tempo bombásticas e inócuas, tomadas pelo então presidente interino da Câmara Federal em meio à guerra política travada no processo de impeachment da presidente Dilma Rousseff (PT). Se vier a patrocinar essa manobra, o PT pode atropelar a deputada federal Eliziane Gama (PPS), que desponta nas pesquisas como nome forte para o Senado e comprometendo o projeto senatorial do deputado federal Weverton Rocha (PDT). Interlocutores de Waldir Maranhão dizem que ele está como “um pote cheio de mágoas” e determinado a levar à frente seu projeto de disputar o Senado, se possível pelo PT. Há, porém, que interprete essa postura “magoada” do parlamentar como uma estratégia cuidadosamente urdida para tornar viável o difícil projeto de renovar o mandato na Câmara Federal, seja pelo PT, seja pelo Avante. O fim da janela partidária, no dia 7 de Abril, revelará as intenções do ex-presidente interino da Câmara Federal.

São Luís, 26 de Março de 2018.

 

Grupo Sarney teme que candidatura de Michel Temer à reeleição seja “camisa de força” para Roseana e Sarney Filho

 

Roseana Sarney entre Michel temer, Rodrigo maia e Geraldo Alckmin na corrida presidencial
Roseana Sarney entre Michel temer, Rodrigo maia e Geraldo Alckmin na corrida presidencial deste ano

A declaração do presidente Michel Temer (MDB) avisando que poderá, sim, ser candidato à reeleição causou uma tensa agitação nos bastidores na cúpula do Grupo Sarney, especialmente na ex-governadora Roseana Sarney (MDB), que se movimenta para tentar voltar ao Palácio dos Leões, e no deputado federal Sarney Filho (PV), ministro do Meio Ambiente, candidato já definido a uma vaga no Senado. O aviso do presidente da República, que foi ontem trocar impressões sobre o assunto com o ex-presidente José Sarney (MDB), pode colocar a candidatura dos dois numa espécie de “camisa de força”, à medida que é visível que nem um nem outro querem o chefe da Nação disputando votos, preferindo mil vezes que ele permaneça no comando da máquina federal apenas como suporte político para os candidatos emedebistas, democratas e tucanos. Dentro do Grupo Sarney é clara a preferência pelo projeto do deputado federal fluminense Rodrigo Maia (DEM), presidente da Câmara Federal, de chegar ao Palácio do Planalto, tendo como segunda opção o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, numa aliança MDB-PSDB-DEM. E a julgar pelo pragmatismo político extremo do ex-presidente, não surpreenderá se o Grupo Sarney vier a dar uma flertada de esguelha com Jair Bolsonaro.

O problema de Roseana Sarney é que, além de deter hoje um poder de “vida ou morte” sobre qualquer candidatura estadual do MDB, como a dela própria, o presidente Michel Temer tem correspondido o apoio que vem recebendo do ex-presidente José Sarney (MDB) fazendo-lhe todas as concessões. Vem mantendo e ampliando os espaços que sarneysistas de confiança ocupam na máquina federal, a começar por estruturas-chave do setor elétrico, um domínio antigo, consolidado e só agora ameaçado pela decisão do chefe da Nação de vender a Eletrobrás, o mais importante dos espaços onde a influência do ex-mandatário é visível e indiscutível. Esse enorme pacote de conveniências políticas faz com que Roseana Sarney nem sinalize com a possibilidade de vir a apoiar outro candidato que não seja o presidente Michel Temer, se ele de fato vier a entrar na corrida, ou o candidato que ele vier a apoiar. Sabe que se resolver contrariar o Palácio do Planalto agora vai pagar um preço muito alto.

A situação do deputado federal Sarney Filho (PV), candidato ao Senado, é mais limitada ainda. Sua condição ministro do Meio Ambiente é o fator limitador da sua movimentação partidária. Foi um dos primeiros ministros  nomeados quando Michel Temer assumiu após liderar, com o apoio ativo do parlamentar e seus familiares, o movimento que derrubou a presidente Dilma Rousseff (PT). Qualquer que seja o cenário da corrida presidencial, Sarney Filho terá, por dever ético, de se posicionar sob a orientação do presidente, ainda que Michel Temer venha a lançar o banqueiro Henrique Meirelles, o poderoso ministro da Fazenda, como o seu candidato.

As eleições deste ano são tão importantes e decisivas para o Grupo Sarney que, mesmo imobilizados pelo compromisso com o presidente Michel Temer, todos os cenários são levados em conta na avaliação da cúpula. E o que mais seduz os chefes maiores do Grupo, a começar pela ex-governadora Roseana Sarney, é a candidatura ainda em gestação do deputado fluminense Rodrigo Maia. Para essa corrente, o presidente Michel Temer e o PMDB deveriam se convencer de que presidente da Câmara é a chance de passar ao Brasil a ideia de renovação e, no caso maranhense, o argumento que o Grupo Sarney teria para tentar adotar o discurso de que está sintonizado com os novos tempos. Mesmo tendo como candidata Roseana Sarney, que já governou por quase 14 anos e deve liderar uma chapa em que um candidato a senador tem 10 mandatos consecutivos de deputado federal e o outro vai tentar o quarto mandato senatorial aos 81 anos. Além do mais, o eventual apoio ao candidato do DEM será informal, já que o partido, hoje sob o comando do deputado federal Juscelino Filho, faz parte da aliança partidária liderada pelo governador Flávio Dino.

A aliança menos provável, mas ainda assim possível, do Grupo Sarney com um projeto presidencial será com o PSDB. Para começar, o candidato do partido a presidente é Geraldo Alckmin, que nunca demonstrou qualquer traço de simpatia pelos pelo ex-presidente José Sarney e seus comandados. O elo do ex-presidente José Sarney com o PSDB era o senador mineiro Aécio Neves, que está sob colapso político e moral e não tem a menor condição de fazer qualquer interlocução. Além do mais do mais, os tucanos têm um candidato a governador, o senador Roberto Rocha, que – dizem interlocutores seus –, mesmo tendo se tornado adversário do governador Flávio Dino, não está inclinado a fazer papel de escada para a ex-governadora Roseana Sarney, a quem enfrentará com o mesmo vigor.

No mais, sobra a possibilidade – remota, mas crível -, de, num cenário ainda não desenhado, o Grupo Sarney vier, por vias tortuosas que a politica admite, estabelecer uma relação com Jair Bolsonaro e a extrema-direita. A visita entusiasmada que a ex-prefeita Maura Jorge (Podemos) feita ao coronel-deputado na semana passada, em Brasília, dias antes de o candidato do seu partido, senador Álvaro Dias (Podemos), ser lançado oficialmente, é um sintoma que o Grupo Sarney está antenado e disposto a jogar o jogo possível para sobreviver.

 

PONTO & CONTRAPONTO

 

Rumor sugere que Felipe Camarão pode vir a ser o vice de Flávio Dino

Rumores sugerem que Felipe Camarão pode ser o vice no lugar de Carlos Brandão
Rumores dizem que Felipe Camarão pode ser o vice no lugar de Carlos Brandão

Na semana que passou, pelo menos três notícias diferenciadas deram conta de que o governador Flávio Dino estaria considerando a possibilidade de vir a convocar o  secretário de Estado de Educação, Felipe Camarão, recém filiado ao DEM, para ser o seu candidato a vice-governador. Pode ter sido um factóide armado por democratas entusiasmados, mas também pode ter sido o vazamento de conversas que eventualmente podem ter acontecido nesta direção. Entre assessores mais próximos do governador Flávio Dino, o vice-governador Carlos Brandão continua como certo para continuar despachando no Palácio Henrique de la Rocque e morando na confortável residência oficial do Turu. Mas em política, principalmente às vésperas da largada da corrida eleitoral, um rumor desse porte deve ser anotado. E se vier a ser confirmado, certamente será resultado de uma negociação correta do governador com seu atual substituto eventual.

Ana Paula Lobato tem atuado para tornar mais dinâmicas as ações do Gedema

Ana Paula Lobato tem atuado bem à frente do Gedema
Ana Paula Lobato tem atuado bem à frente do Gedema

Um nome começa a se destacar no agora agitado universo que forma a Assembleia Legislativa: Lobato, mulher do presidente da instituição, deputado Othelino Neto (PCdoB), e nessa condição, presidente do Grupo de Esposa de Deputados do Maranhão (Gedema), o braço social do Poder Legislativo. Jovem, bonita e de aparência segura, a presidente do Gedema começa a demonstrar que tem a exata dimensão do seu papel à frente da organização, sem demonstrar afetação nem avançar com gestos ou palavra nos limites das suas responsabilidades. Mais do que isso, há quem garanta que em menos de três meses de gestão, o Gedema começa a experimentar novos ares, que de alguma maneira refletem as concepções da sua nova presidente. A condução do Gedema reflete com clareza a visão do comando da Assembleia Legislativa. Apesar de o nome sugerir tratar-se de uma organização sem maiores finalidades, o Gedema é hoje um braço forte dos integrantes da Assembleia Legislativa, que reúne uma respeitada escola (Sol Nascente), uma creche diferente (Pimentinha), serviços assistenciais em saúde e bem-estar físico e programas de convivência e eventos sociais destinados servidores da Casa e seus familiares. Desde que assumiu o posto, Ana Paula Lobato vem imprimindo o seu estilo e suas concepções, numa movimentação que pode ser perfeitamente definida como renovação. E dentro de um conceito que valoriza boas ações das gestões recentes, mas com a determinação de deixar ali a sua própria marca.

São Luís, 25 de Março de 2018.