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Othelino Neto diz que pandemia é problema de todos, que Dino está acertando e Bolsonaro atrapalhando

 

Othelino Neto: posições maduras e equilibradas diante da crise do coronavírus

“Não adianta só governos tomarem atitudes, a sociedade tem de comprar essa briga”. A mensagem já foi passada de diferentes maneiras por autoridades sanitárias e por líderes políticos, mas na versão do presidente da Assembleia Legislativa, deputado Othelino Neto (PCdoB) – dada como resposta em entrevista ao jornalista Ronaldo Rocha e publicada na edição de ontem de O Estado, mais que um apelo feito por um presidente de Poder, ganhou tom de desafio. O chefe do Poder Legislativo mostra maturidade e senso de equilíbrio, principalmente ao tratar de temas sensíveis e complexos, como a pandemia em si, que afeta o planeta, a postura da Assembleia Legislativa e do Poder Executivo diante dela, as decisões acertadas do governador Flávio Dino (PCdoB), assim como a maior controvérsia que movimenta a Nação neste momento: a atitude do presidente da República, Jair Bolsonaro (sem partido).

Partindo do pressuposto de que a pandemia do coronavírus não é culpa de pessoas ou de governos, mas um incidente sanitário que gerou um inimigo voraz, avassalador e difícil de ser combatido, dada a velocidade da sua propagação, o presidente Othelino Neto reforça a ordem geral de que o contra-ataque exige um esforço conjunto, com Governos fazendo a sua parte e a sociedade, a dela, ambos em completa sintonia. A parte do Governo é criar as condições possíveis para controlar e frear a propagação do vírus, enquanto a do Poder Legislativo é legitimar os instrumentos jurídicos – decretos e medidas provisórias, por exemplo – que permitem ao Poder Executivo atuar sem travas nas ações de combate à pandemia. E reforçando a compreensão de que a maior arma contra a propagação do vírus é o isolamento social.

Ao mesmo tempo, o chefe do Poder Legislativo mostra preocupação com as consequências econômicas da pandemia, reconhece a situação grave dos empresários e empregados, defende as medidas de apoio a empresas em dificuldades, mas enfatiza que a primeira preocupação deve ser com a vida. Ele considera legítimas as pressões do empresariado para o afrouxamento do isolamento, mas pondera, sem radicalismo: “Considero legítima a preocupação do empresariado maranhense com relação à volta das atividades. Mas, claro que precisa de muita prudência, porque também não adiante liberar de forma açodada e aumentar o índice de contaminação”. Nesse sentido, avalia como acertadas as providências e medidas adotadas pelo governador Flávio Dino (PCdoB).

– Acho que o Poder Executivo, através das medidas adotadas pelo governador Flávio Dino, tem acertado, principalmente no que diz respeito às medidas restritivas e de estímulo ao isolamento social. As medidas têm se pautado naquilo que a Organização Mundial da Saúde e o Ministério da Saúde   recomendam. Então, avalio que o Governo do Maranhão vai no ponto de equilíbrio correto – sentencia.

Já em relação ao Poder Executivo Federal, o presidente da Assembleia Legislativa é duro na avaliação: “Infelizmente, o presidente da República demonstra não ter a capacidade para liderar o País neste momento. Nós precisávamos nesse momento, no Brasil, de muita união, e precisávamos de um líder nacional que pudesse agir de forma articulada com os governadores, que, aliás, têm feito um excelente trabalho, chamando para si o enfrentamento da pandemia. Mas infelizmente, o presidente, nesta crise do novo coronavírus, mais atrapalha do que ajuda”.

O deputado Othelino Neto avalia que nesse contexto de crise a Assembleia Legislativa passa por um processo radical de aprendizado, quando substitui as sessões presenciais pelas remotas, por videoconferência. Reforça a importância institucional delas, por serem deliberativas, mas reconhece a falta que faz os pronunciamentos, os debates e o confronto de opiniões entre situacionistas oposicionistas, que dão vida e legitimação a uma casa politicamente plural como o Poder Legislativo. Para ele, as etapas das sessões presenciais, que permitem o uso da tribuna, produzem momentos que, na sua visão, “estimulam a discussão política, às vezes o bom embate”.

Suas repostas às indagações e questionamentos feitos por O Estado mostram que o presidente da Assembleia Legislativa tem visão institucional larga e estatura política consistente para comandar o Poder que comanda.

 

PONTO & CONTRAPONTO

 

São Luís em emergência, com risco de ter situação agravada

São Luís: caminho mais sensato é manter a quarentena até nova avaliação,na próxima semana

São Luís entrou na faixa de gravidade da lista das capitais brasileiras atacadas pelo coronavírus, tornando-se uma cidade em estado de emergência. Com mais de três centenas de infectados e 95% das mortes registradas no estado, a Capital e seu entorno ganham de vez a preocupante posição de alvo de todas as atenções, tanto no que diz respeito às ações do Governo no sentido de se preparar para enfrentar o pior, quanto no endurecimento das medidas de isolamento social. O espetáculo grotesco em frente a agências da Caixa, por conta de CPFs com problemas ou mesmo inexistentes, causado pela falta de planejamento do Governo Federal na liberação da ajuda de R$ 600,00 para os sem-renda, é uma demonstração cabal de que a “ficha ainda não caiu” para milhares de pessoas. Em cada área de acesso, um ou dois bancários atarantados, que nunca foram orientados para tratar com multidões tensas, tentam fazer o impossível, desmobilizar pessoas que têm certeza de que a solução dos seus problemas está dentro de cada agência, quando isso não é verdade. Parece que os esforços do Governo do Estado e da Prefeitura no sentido de alertar sobre os riscos da covid-19 não lhes dizem respeito. São Luís tem mais de 1 milhão de habitantes e pouco mais de 60% estão respeitando corretamente o isolamento social. Se o Governo afrouxar, a situação poderá sair do controle, e aí, sim, a Capital viverá dias difíceis.

 

Vai ou não vai ter eleições?

Ganha amplitude o debate sobre as eleições municipais programadas para outubro. Serão ou não realizadas? A grande maioria dos políticos não quer ainda falar do assunto, deixando para depois que passar a maré alta do coronavírus. Mas há os que, por receio de serem derrotados, fazem o jogo dos oportunistas e pregam contra a ida às urnas, aproveitando também para propor que os recursos do fundo partidário e do fundo eleitoral seja desviado para o combate ao coronavírus. O correto é não falar no assunto agora e aguardar a passagem da onda da pandemia, para então, sem as tensões do momento, avaliar-se a possibilidade de manter-se ou não o calendário eleitoral deste ano. Qualquer coisa fora disso é oportunismo barato.

São Luís, 15 de Abril de 2020.

César Teixeira mantém a tradição e divulga Testamento de Judas para Bolsonaro e companhia

 

Judas “premiou” Jair Bolsonaro, Sérgio Moro, Luiz Mandetta e Augusto Heleno no seu “Testamento”, segundo a versão implacável do compositor César Teixeira (abaixo)

O compositor César Teixeira manteve a tradição: preparou mais um Testamento de Judas em 119 versos, tornando-o público no Sábado de Aleluia, como faz todos os anos. E como não poderia ser, o tema central do “documento” deste ano é a chegada do coronavírus no Brasil, e nesse contexto, os personagens centrais do cenário – o presidente Jair Bolsonaro, os ministros Luiz Henrique Mandetta (Saúde), Paulo Guedes (Economia), Sérgio Moro (Justiça e Segurança Pública) e general Augusto Heleno (Segurança Institucional) – são tratados com escárnio e deboche por “Judas”, que lhes deixa “bens” adequados. Logo na primeira parte, “Judas” diz que foi traído um dia por “um tal de Jair Messias”. Lembrando que essa pandemia “fez cordeiro virar lobo e lobo virar cordeiro”, e deixa para Sérgio Moro “a máscara da vergonha”. E arranha fortemente a imagem de Luiz Mandetta, lembrando que ele é contra o aborto e mandou o Mais Médicos para a sarjeta.

Artista militante, que faz das composições verdadeiros manifestos contra a desigualdade social, as artimanhas da política, o comodismo cultural e outras contradições que tornam o Brasil um País injusto, o poeta César Teixeira alimenta uma saudável tradição de elaborar anualmente o Testamento de Judas, chicoteando, com fina ironia, os poderosos do momento, vestindo a pele do traidor de Cristo, que não suportando o peso na consciência por haver trocado o Messias por “algumas” moedas, revelando seu paradeiro aos romanos, enforcou-se.  No testamento deste ano, “Judas” revela que pegou coronavírus antes de ser enforcado. E o que deixou para os seus mais chegados foi o seguinte:

 

TESTAMENTO DE JUDAS

César Teixeira

 

Com mão trêmula escrevo

meu Testamento apressado,

peguei o Coronavírus

antes de ser enforcado.

Também fui traído um dia,

o tal de Jair Messias

me apontou como culpado.

 

Deixo para o Bolsonaro

um caminhão Lava-Jato

pra lavar tanta sujeira

do cabelo até o sapato.

Incendeia feito Nero,

se o Brasil perde de zero

lava as mãos feito Pilatos.

 

É assim que a Pandemia

no rendez-vous brasileiro

fez cordeiro virar lobo

e lobo virar cordeiro.

O povo vai pra janela

bater na sua panela,

sendo do Pinico herdeiro.

 

Esse Lobo disfarçado

com um lenço no focinho

logo será devorado

pela Vó do Chapeuzinho,

e vai entrar pelo cano

com os seus milicianos

arrastando os três porquinhos.

 

Deixarei pro Paulo Guedes

o Fundo de Investimentos

para esconder no bolso

do seu próprio empreendimento.

Esse banqueiro sagaz

aposentou Ferrabrás

pra mode enganar jumento.

 

Na estrofe que eu deixo

pro ministro Luís Mandetta

quase escapa outra rima

desta minha azul caneta.

Ele foi contra o aborto,

levou a Dilma pro Horto

e os Mais Médicos pra sarjeta.

 

A máscara da vergonha

deixo para Sérgio Moro

cobrir o seu frio rosto

nesta falta de decoro.

E para a cegueira branca

da Justiça, que empanca,

deixo a luz do desaforo.

 

Para o general Heleno

deixarei as ataduras

que foram do Bozovírus

na facada que não fura.

É o sarcófago letal

que promove o general

a múmia da ditadura.

 

Na Zona do Meretrício

vou deixar meu violão.

Já botei Rodó no bolso

e a chita do fofão.

Para matar esse vírus

da família dos vampiros

já estou de pau na mão.

 

A sunga de Patativa,

neste torneio profano,

dá pra fazer uma máscara

pro amigo Corinthiano.

Mas, se fosse da Faustina,

dava pro time da China

e ainda sobrava pano.

 

Pros amigos cachaceiros

deixo essa “gripezinha”,

mas proponho isolamento

com a sogra e a cachorrinha.

Sem boteco, a gente inventa:

meu barril de álcool 70

já virou caipirinha.

 

Vejo índios e posseiros

sendo mortos na floresta,

e, enquanto os fazendeiros

fazem do vírus a festa,

restam aos filhos da terra

as balas e motosserras

de uma fúnebre orquestra.

 

Na televisão, nas redes

sumiram numa semana

os casos de Marielle,

Brumadinho e Mariana,

enquanto um navio afunda

no Maranhão feito bunda,

pensando que a merda é plana.

 

Lá no relógio quebrado

da Praça João Lisboa

batem mudas as seis horas

da morte que em mim ressoa.

Todos sabem que o caixão

do Diabo vai de avião

e o do Judas de canoa.

 

Sei que Ribamar Moraes

não precisa de Álcool em Gel,

ele foi pro Paraíso

tirar foto de Noel.

Dar-lhe-ei este meu terno

quando eu for lá pro Inferno,

que fica depois do Céu.

 

Esse breve Testamento

só me deu consumição,

é difícil fazer versos

sem dizer um palavrão.

Pra sair na internet

fui no Dicionário Aulete

antes da execução.

 

Deixo, enfim, a Cloroquina

pra quem é anjo e tem asa,

o Trump e o Bolsonaro

vão num foguete da NASA.

Mas, recomendo aos amigos

pra não correrem perigo:

é melhor ficar em casa.

Fim

 

PONTO & CONTRAPONTO

 

Mobilizadas, empresas maranhenses se juntam e doam respiradores, máscaras e álcool

Flávio Dino agradeceu o apoio de empresas articulado por Simplício Araújo

Em meio a tantas informações desanimadoras sobre a presença do novo coronavírus ao Maranhão, uma boa notícia se sobressaiu, ontem: o anúncio, feito pelo governador Flávio Dino (PCdoB), da chegada de 107 respiradores ao estado nos próximos dias. Os aparelhos foram comprados na China por meio de doações de empresas maranhenses, que se uniram ao Governo do Estado, por meio de articulações feitas pelo secretário de Indústria, Comércio e Energia (Seinc), Simplício Araújo. Os equipamentos, que já se encontram em São Paulo, e serão destinados a pacientes com o vírus, instalados em hospitais públicos do Estado. De acordo com Simplício Araújo, além destes equipamentos de respiração, o Maranhão deve receber mais 80 até o dia 20 de abril, junto com mais de 200 mil máscaras N95. Além disso, empresas estão doando ao Estado termômetros, álcool em gel, testes rápidos, entre outros materiais necessários. Nos cálculos do secretário, com essas ações, as empresas já desembolsaram mais de R$ 10 milhões.

Desse esforço estão participando as seguintes empresas: Ômega Energia, Alumar, Eneva, Grupo Mateus, EDP Linhas de Transmissão, Suzano, Gera Maranhão Energia, Universidade Ceuma, Heineken, Lavronorte, Fribal, Grupo Maratá, Comercial Rofe, Centro Elétrico, Potiguar, Roque Aço Cimento, Revest Com. e Serviços, COC, Dínamo Engenharia, Faculdade ISL Wyden, Vale, Canopus, Sinduscon, Silveira Engenharia, Dimensão Engenharia, Construtora Escudo, Lua Nova Engenharia, Alfa Engenharia, RJ distribuição, RBC Construções e Constans.

Outro grupo de empresas, formado por Agro Serra, Ambev, Grupo Maratá, FC Oliveira, Guaraná Psiu e Solar Coca-Cola, está doando 600 mil litros de álcool para unidades de saúde do Estado.

– Todo o Estado agradece o ato de solidariedade dessas empresas – assinalou o governador Flávio Dino. (Com informações da Secap).

 

Brasil perde Morais Moreira, um dos escultores do atual perfil da MPB

Morais Moreira: obra vasta e rica para a MPB

A Coluna lamenta profundamente a partida abrupta de Morais Moreira, um dos escultores do perfil atual da MPB. Primeiro com no Novos Baianos, com o disco “Acabou chorare”, considerado um dos 10 mais importantes álbuns da MPB, e depois em vibrante carreira-solo, que nos deixou inúmeros sucessos populares, como “Pombo correio”, por exemplo. No noticiário da sua morte foi revelado que ele deixou 20 músicas prontas para serem gravadas por mulheres. Que esse projeto seja realizado logo, porque certamente essas peças inéditas são pérolas que não devem ser condenadas ao esquecimento. Será uma bela e justa homenagem.

São Luís, 14 de Abril de 2020.

Com base em avaliações científicas, Dino reforça quarentena na Ilha e flexibiliza no interior

 

Epicentro da crise do coronavírus no Maranhão, São Luís vai continuar sob quarentena até nova avaliação, que deverá ser realizada na próxima semana

Respaldado no reconhecimento de ser um dos chefes de Estado mais ativos na guerra ao novo coronavírus, tendo sido um dos primeiros a tomar a decisão política de reunir as condições possíveis e adotar as medidas necessárias enfrentar a covid-19, e também pela transparência das informações sobre os dados da pandemia no Maranhão, o governador Flávio Dino (PCdoB) editou ontem novo decreto (nº 35.731, de 11/04) para ajustar as medidas de isolamento social baixadas nos decretos nº 35.677, de 21/03, que determinou o isolamento e suspendeu as atividades econômicas não essenciais, e nº 35.714, de 03/04, que ampliou o período e endureceu as regras da quarentena. Nas considerações do novo decreto, o governador explica que esse ajuste na política de combate ao novo coronavírus está embasado nas recomendações do Ministério da Saúde e da Organização Mundial de Saúde (OMS).

No novo decreto, Flávio Dino mantém a Ilha de Upaon Açu – São Luís, São José de Ribamar, Paço do Lumiar e Raposa -, onde ocorreram mais de 90% dos casos de covid-19 ocorridos até agora no Maranhão, em rigoroso regime de quarentena até o dia 20/04, quando será feita nova avaliação, e flexibilizou o isolamento nos demais 213 municípios, autorizando a circulação de pessoas dentro de regras bem claras, e o funcionamento de 22 tipos de atividades econômicas, deixando a critério dos prefeitos a decisão de suspender a quarentena, mantê-la ou torná-la mais rígida, de acordo com a situação dos seus municípios. Longe do “liberou geral”, o decreto proíbe qualquer tipo de aglomeração, especialmente shows, plenárias, torneios, jogos, apresentações teatrais, sessões de cinema, festas em casas noturnas e similares, com pena de advertência, multa e até interdição do local em casos de desrespeito às regras. E mantém fechadas as repartições do Estado, bem como a rede escolar estadual, que só voltarão a funcionar depois da avaliação do próximo dia 20.

Os números mais recentes mostram que, dos 398 casos confirmados no Maranhão até sexta-feira à noite, mais de 90% ocorreram na Ilha de São Luís, sendo a quase totalidade na Capital. De acordo com as regras para medir a situação de risco da pandemia, São Luís tem, de longe, a situação mais grave, com 333 casos confirmados e 22 mortes, sendo as outras duas ocorridas em Paço do Lumiar. Além de São Luís e Paço do Lumiar, mais 15 municípios registraram casos confirmados, ou seja, até a noite de sábado não houve registro de caso de covid-19 em 200 municípios maranhenses. Esse cenário e as consultas que fez ao Comitê Científico levaram o governador a flexibilizar as regras da quarentena em todo o Maranhão continental, reforçando o isolamento social e a suspensão das atividades econômicas, salvo as essenciais., apenas nos quatro municípios da Ilha, ainda que não tenham ocorridos óbitos em São José de Ribamar e Raposa. Ao mesmo tempo, o Maranhão registra a recuperação de 65 infectados.

Ao contrário do que alguns possam estar interpretando, o governador Flávio Dino não fez o ajuste motivado por impulso nem por influência de terceiros. Sua decisão foi racional e baseada em avaliação técnica absolutamente coerente. Todas as informações médicas e estatísticas mostram, com clareza solar, que o grande foco da atenção no Maranhão é São Luís e, claro, os municípios mais próximos da região metropolitana. E vale anotar também que o decreto é claro no sentido de que, se a situação mudar e houver indícios de que o novo coronavírus venha a se espalhar no interior, regras duras de quarentena serão adotadas, com base no Estado de Calamidade pública já em vigor, reconhecido pela Assembleia Legislativo com o respaldo do mesmo regime implantado no País pelo presidente Jair Bolsonaro (sem partido), com o aval unânime do Congresso Nacional.

Com o novo decreto, o governador Flávio Dino exibe a confiança de que, mesmo não estando no pico da crise, que na previsão de especialistas só vai acontecer no final de abril, o Governo do Maranhão tem a situação sob controle, alimentando no estado um clima, se não de tranquilidade, pelo menos de confiança de que o pior não será trágico.

 

PONTO & CONTRAPONTO

 

Governador vê trama sendo armada contra governos estaduais alinhados à OMS

Flávio Dino suspeita de trama contra governadores que seguem as orientações da  OMS

“Nos bastidores estão tramando retaliações contra os governos estaduais, em face das medidas sanitárias adotadas pelos Estados e também por conta de antipatias pessoais. São irresponsáveis”.

A declaração foi feita ontem pelo governador Flávio Dino, em rede social, em tom de denúncia. Para ele, está em curso, nos subterrâneos do Poder Central, uma trama contra os Governos estaduais que seguem as orientações da OMS e do Ministério da Saúde na guerra contra a pandemia do novo coronavírus. E nessa armação, o Governo do Maranhão pode ser alvo preferencial, à medida que, tanto o presidente Jair Bolsonaro quanto seus filhos têm dado demonstrações públicas e enfáticas de que não engolem a correção administrativa e a coerência política do governador do Estado.

Num segundo post, Flávio Dino chama a atenção para o fato de que a retaliação poderá estar embutida nas transferências de recursos da União para Estados e municípios. Diz ele: “Nenhum estado quer farra fiscal. Há um problema econômico objetivo. E os instrumentos de combate estão concentrados na esfera Federal: bancos, fundos, emissão de moeda e de títulos, condições de crédito para estados etc. Isso explica o que estamos defendendo na Câmara (Federal)”.

Além disso, vale esclarecer que a transferência de recursos da União para Estados e municípios em condições excepcionais não é um gesto de boa vontade do presidente da República, como querem fazer crer alguns porta-vozes. Trata-se de uma iniciativa dos governadores respaldada pelo Congresso Nacional e que o presidente da República, que era radicalmente contrário, teve de engolir a seco.

 

Yglésio Moises é nome certo na lista de pré-candidatos a prefeito de São Luís

Yglésio Moises

Na edição de ontem (11/04), a Coluna não incluiu o deputado estadual Yglésio Moises (PROS) numa lista de pré-candidatos à Prefeitura de São Luís registrada em comentário sobre a provável desorganização das finanças da Capital por causa da crise do coronavírus. Um dos mais preparados entre os atuais membros da Assembleia Legislativa, o deputado Yglésio Moises é também um dos mais ativos aspirantes ao gabinete hoje ocupado pelo prefeito Edivaldo Holanda Júnior (PDT). E a julgar pela desenvoltura com que atua e pela qualidade do seu mandato, é quase consenso entre os observadores que o parlamentar será um diferencial nos movimentos, a começar pelos debates. Em conversas com jornalistas, o parlamentar tem demonstrado uma bagagem acima da média, gerando a impressão de que está preparado para os desafios que aguardam o futuro prefeito.

São Luís, 12 de Abril de 2020.

Estrago que novo coronavírus vem fazendo pode transformar Prefeitura de São Luís num grande problema

 

Crise do coronavírus pode comprometer o ajuste financeiro feito por Edivaldo Holanda Júnior.

O futuro prefeito de São Luís encontrará uma realidade radicalmente diferente da que os pré-candidatos à sucessão de Edivaldo Holanda Júnior (PDT) estavam projetando há menos de um mês. De repente, como um tsunami ou coisa parecida, com imenso poder de ceifar vidas, o novo coronavírus, que atinge em cheio a humanidade com a covid-19, está causando um estrago imensurável nas estruturas públicas de todo o planeta. No Brasil, em menos de um mês impôs o estado de calamidade pública, obrigou União, Estados e municípios a mandarem o ambicionado equilíbrio fiscal e a disciplinada lei orçamentária para o espaço e adotar “orçamento de guerra” para poder gastar sem limites no enfrentamento da pandemia. E nessa cadeia de destruição, o Município de São Luís, que vinha com as suas contas em ordem depois de anos de duros ajustes feitos pela atual gestão, corre o sério risco de ser entregue ao próximo prefeito como uma terra arrasada, o que exigirá dele anos de dor de cabeça.

A própria experiência do prefeito Edivaldo Holanda Júnior serve de referência. Quando assumiu, em janeiro de 2013, recebeu uma Prefeitura quebrada, sem dinheiro em caixa e com o 13º salário dos servidores pendurado, além de uma infinidade de pendências, uma situação que exigia algumas dezenas de milhões de reais. Foi obrigado a encarar um problema gigantesco a cada dia, uma vez que faltava dinheiro para pagar servidores, para o custeio da máquina, para manter a cidade limpa, e para manter funcionando as gigantescas estruturas de saúde e de educação. Sem saída, fez drásticos cortes nos gastos, suspendeu obras, adiou promessas de campanha. Foi duramente cobrado durante meses, até que finalmente conseguiu colocar a casa em ordem, para então começar a trabalhar com alguma normalidade. Isso tudo aconteceu em situação normal, na qual teve boa relação com a União e contou com o apoio decisivo do governador Flávio Dino (PCdoB).

Agora a situação que está sendo desenhada pelo novo coronavírus é inversa e traumática. O futuro prefeito assumirá uma Prefeitura em extrema dificuldade, com o parceiro estadual também enfrentando sérios problemas financeiros, e um Governo Federal quebrado e politicamente hostil ao Maranhão, principalmente se o eleito for militante do campo político liderado pelo governador Flávio Dino. É verdade que está em curso um movimento de socorro a estados e municípios, mas o que está sendo gestado não é a liberação frouxa de dinheiro sem lastro, mas a concessão de créditos, que cedo ou tarde terão de ser pagos. Um exemplo é a proposta de adiamento do pagamento de dívidas de estados e municípios à União – se for aprovada, aliviará momentaneamente os caixas estaduais e municipais, mas a conta vai chegar, cedo ou tarde.

O cenário que está sendo montado pelo novo coronavírus deve ser acompanhado atentamente pelos aspirantes à cadeira principal do Palácio de la Ravardière. Primeiro para que eles examinem a situação em que estarão as finanças da Capital daqui a alguns meses, e depois para medirem bem o tamanho da encrenca e avaliar se o eleito terá condições de assumir o desafio com meios de tocar o barco e recolocar a casa em ordem. Não há dúvida de que em situação normal o prefeito Edivaldo Holanda Júnior entregaria uma máquina azeitada, muito melhor do que recebeu, com equilíbrio fiscal, obras em andamento e algum em caixa, dando ao sucessor as condições para iniciar o mandato trabalhando. Mas a inacreditável pancada que o País está levando torna rigorosamente imprevisível o que acontecerá daqui a oito meses.

Mesmo que, numa hipótese até aqui muito remota, as eleições municipais venham a ser adiadas, a situação não mudará, por mais eficiente, cuidadosa e severa que seja a administração dessa crise pelo correto prefeito Edivaldo Holanda Júnior. Daí ser prudente que Duarte Júnior (Republicanos), Rubens Júnior (PCdoB), Eduardo Braide (Podemos), Bira do Pindaré (PSB), Neto Evangelista (DEM), Wellington do Curso (PSDB), Adriano Sarney (PV), Franklin Douglas (PSOL), Saulo Arcangeli (PSTU) e Detinha (PL) reflitam bem sobre o tamanho e a complexidade do desafio que o ungido pelas urnas ludovicenses terá de enfrentar.

 

PONTO & CONTRAPONTO

 

Braço social da Assembleia Legislativa, Gedema atua na crise do coronavírus

Representante do Gedema entrega kits de higienização no Asilo de Mendicidade para combater coronavírus

Enquanto os deputados estaduais estão em isolamento social e trabalhando por videoconferência, impedidos de se reunir em plenário em sessões presenciais, e os demais setores que movem as engrenagens do Poder Legislativo funcionam em regime limitado por causa do coronavírus, o Grupo de Esposas de Deputados do Estado do Maranhão (Gedema), braço social da Assembleia Legislativa, se mantém em plena atividade, ainda que operando em movimentos limitados, em ações comandadas pela presidente Ana Paula Lobato.

Antes da chegada do vírus ao Brasil e ao Maranhão, o Gedema já estava atuando numa grande operação para distribuir alimentos, colchões e cobertores para desabrigados pelas cheias em diversos municípios. Agora, participa do esforço para conter a pandemia do novo coronavírus. Primeiro suspendendo as atividades da Escola-Creche Sementinha, mas aproveitando a estrutura de comunicação da Assembleia Legislativa para manter os alunos em regime de atividade escolar em casa por meio de vídeos-aula. Depois de avaliar a situação de dezenas de jovens do projeto “Sol Nascente”, que mantém na região do Maiobão, o comando do Gedema decidiu distribuir a alimentação que recebiam quando em atividade – oficinas de Esportes (futebol, handebol e vôlei) e de Artes (dança, canto coral, violino e instrumentos de sopro), entre outras ações. E foi além, no início da semana, por meio do programa “Gedema Solidário”, fazendo uma providencial doação de kits contendo álcool em gel, álcool 70%, máscaras e luvas para o Solar de Outuno e o Asilo de Mendicidade, duas entidades que abrigam centenas de idosos.

Defensora da ação social do Gedema, sem enxergar nela qualquer viés político, a presidente Ana Paula Lobato justifica o apoio a desabrigados: “É assim todos os anos e não podemos ficar de braços cruzados”. E justifica a ação do Gedema em favor dos asilos: “Os materiais que doamos são fundamentais para prevenção do contágio do coronavírus. Ficamos felizes em poder, mais uma vez, colaborar com esse público mais vulnerável, que precisa de auxílio e do nosso esforço conjunto neste momento de crise sanitária”.

 

PDT já faz movimenta discreto para escolher um vice para Neto Evangelista

Escolha de Weverton Rocha terá de passar por Edivaldo Holanda Júnior

Em meio à crise sanitária que vem tornando furta-cor a movimentação política relacionada com as eleições municipais, um discreto movimento agita os bastidores do PDT, em meio aos setores que já dão como certa a aliança do partido com o DEM em torno da candidatura do deputado estadual Neto Evangelista. O motivo do agito é a escolha de um nome para candidato a vice-prefeito. O senador Weverton Rocha, que comanda o partido e coordena a escolha, já teria sondado alguns nomes, mas ainda não bateu martelo. Isso porque qualquer decisão nesse sentido terá de passar pelo crivo do prefeito Edivaldo Holanda Júnior, que na visão de muitos terá peso decisivo para eleição do seu sucessor.

São Luís, 11 de Abril de 2020.

Pesquisa mostra Dino entre os mais fortes nas mídias digitais, à frente de Doria, Witzel e Alcolumbre

 

Flávio Dino: posição nacional bem sucedida por tomada e defesa de decisões firmes
Quadro publicado pelo jornal Folha de São Paulo sobre o levantamento da Quaest

Quem duvidava que o governador Flávio Dino (PCdoB) ganhou status de personalidade política nacional, alcançando o patamar dos líderes mais influentes da atualidade, teve sua dúvida fortemente abalada com os números de um levantamento que resultou de minuciosa investigação estatística sobre a influência dos principais líderes políticos do País nas redes sociais no período de 26 de fevereiro a 4 de abril, correspondente à chegada e ao avanço do coronavírus no Brasil. Realizado pela consultoria Quaest, que elaborou um índice comparativo de 0 a 100 “a partir de variáveis como número de seguidores, volume de comentários, reações positivas e engajamento nas redes sociais”, o levantamento foi divulgado ontem pelo jornal Folha de S. Paulo, os números são os seguintes: Jair Bolsonaro (76,8%), Henrique Mandetta (50,3%), Luciano Huck (29,9%), Lula da Silva (23,5%), Rodrigo Maia (23,3%), Ciro Gomes (17,4%), Flávio Dino (17,1%), João Doria (13,2%), Wilson Witzel (12,3%), Davi Alcolumbre (11,1%).

Uma avaliação rápida dos números revela, de cara, que o governador do Maranhão ocupa uma posição surpreendente num cenário em que estão o atual presidente da República, o ministro da Saúde, um apresentador da TV aberta do País, um ex-presidente da República com estatura de mito, o ativo e influente presidente da Câmara Federal, um ex-ministro e ex-candidato a presidente, o governador de São Paulo, o governador do Rio de Janeiro, e o presidente do Senado e do Congresso Nacional. Todos estão em evidência constante no plano nacional, embalados por formidáveis estruturas de divulgação, ao contrário do governador maranhense, que vem se projetando pelas posições que assume, contando apenas com a sua estrutura de comunicação do Estado, que é limitadíssima se comparada às dos demais, e pelo uso inteligente das mídias digitais.

O presidente Jair Bolsonaro (sem partido), ocupa grande espaços nas redes sociais por conta de uma gigantesca falange digital controlada pelo seu filho, Carlos Bolsonaro, além do aparato da comunicação institucional da Presidência da República e da milícia que o propaga. O ministro Henrique Mandetta ganhou uma visibilidade sem paralelo com a chegada da pandemia do coronavírus no País, oportunidade que vem sabendo explorar com visível competência. Luciano Huck comanda um dos programas mais importantes da Rede Globo, o que lhe dá uma visibilidade positiva, credibilidade e a imagem de artista comprometido com um viés social que o fez ser lembrado para disputar a Presidência da República. O ex-presidente Lula da Silva é um mito político, que tem forte influência nas mídias digitais independentemente de operá-las, já que a militância do PT cuida disso, mantendo-o sempre em evidência.

O deputado federal Rodrigo Maia (DEM-RJ) comanda o braço mais visível e agitado do Legislativo e tem sua movimentação registrada pela imprensa nacional, sendo embalado diariamente por espaço de mídia excepcional e pela superestrutura de comunicação da Câmara Federal. Ciro Gomes (PDT) se mantém em campanha as 24 horas de cada dia, ocupando grande espaço nas mídias digitais, principalmente pelo seu discurso agressivo, que atrai muita atenção. Usuário eficiente das mídias digitais, governador João Doria (PSDB) tenta ser o contrapeso do presidente Jair Bolsonaro na crise do coronavírus, usando também uma espetacular estrutura de mídia, que vai de espaços generosos nas TVs abertas e nas TVs pagas à máquina de comunicação do Governo de São Paulo. Menos eficiente, o governador fluminense Wilson Witzel (PSC) também conta com uma poderosa estrutura de mídia digital e com o aparato de comunicação do Governo do Rio de Janeiro. O mesmo acontece com o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (DEM-AP), que tem atuação mais discreta, mas com forte movimentação nas redes sociais garantida pela máquina de comunicação da Casa.

O governador Flávio Dino é o menos favorecido por aparato de mídi. Governa um Estado importante, estratégico, mas ainda pobre, onde cada dia tem sua agonia. Sua projeção no cenário político nacional se dá pelo eco das suas declarações e pela repercussão das posições que toma e defende com argumentos muito difícil de serem contestados. E pelos bons resultados de um Governo que já dura cinco anos e funciona como plataforma para encarar o vem por aí.

 

PONTO & CONTRAPONTO

 

Weverton que aumentar carência para pagamento de empréstimo para bancar salários

Weverton Rocha quer aumentar carência para pagamento de empréstimo para folha salarial

Um ano de carência, e não seis meses, para que empresas de médio e pequeno porte possam pagar empréstimos que contraírem para pagar salários, e mais abertura de linha de crédito montante de R$ 34 bilhões para esse tipo de financiamento durante a duração da crise causada pelo novo coronavírus. É o que pretende o senador Weverton Rocha (PDT) com proposta de emenda à Medida Provisória 944/2020, que cria o Programa Emergencial de Suporte a Empregos. Para ele, a União deve abrir esse tipo de crédito para empresas que faturem de R$ 360 mil a R$ 10 milhões por ano. O pagamento das 36 parcelas desses empréstimos só começará a ser pago no segundo semestre do ano que vem.

Inteiramente envolvido com o viés trabalhista do seu mandato, orientado pelo seu partido, o senador pedetista argumenta: “Seis meses é pouco tempo. Essas pequenas e médias empresas não terão condições de arcar com pagamento de prestação enquanto durar a pandemia e por um tempo depois”. Weverton Rocha fez a proposta baseado na avaliação de que a fase de incertezas vivida no país pede a adoção de providências mais efetivas e por um tempo maior, de um ano. “Não adianta dizer que um microempresário terá condições de pagar um financiamento pelos próximos meses. Isso é irracional. Ainda não sabemos a dimensão real da propagação do vírus no Brasil, nem as consequências econômicas. Eles precisam de mais tempo de ajuda”, argumentou.

 

Hildo Rocha se aproxima cada vez mais do bolsonarismo

Hildo Rocha trocando efusivo cumprimento com Eduardo Bolsonaro, observado pelo líder emedebista Franco Montoro, que se vivo fosse certamente não aprovaria tal aproximação

O deputado Hildo Rocha (MDB) caminha a passos largos para assumir sua migração para o bolsonarismo, contrariando a orientação do seu partido para que seus representantes no Congresso Nacional mantenham posição de independência, mas sem fazer oposição cerrada ao Governo Bolsonaro. A movimentação do parlamentar maranhense, que pertenceu ao núcleo de ferro do Governo de Roseana Sarney, como influente e poderoso chefe da Casa Civil, é de cada vez mais proximidade com o presidente Jair Bolsonaro e seus filhos, especialmente Eduardo Bolsonaro (PSL-SP), a ponto de compartilharem a mesma crítica à decisão do governador Flávio Dino de fechar a Avenida Litorânea no último domingo, num grande esforço para conter o avanço do novo coronavírus no Maranhão. Não será surpresa se Hildo Rocha, que tem boa atuação parlamentar, mas é dono de pavio curto, vier a romper politicamente com o grupo da ex-governadora Roseana Sarney, do qual tem se afastado, e assumir a bandeira do bolsonarismo no Maranhão.

São Luís, 10 de Abril de 2020.

Chefes de Poderes e líderes de instituições se juntam em apoio às medidas do governador contra o coronavírus

 

Flávio Dino recebeu o apoio de Othelino Neto, Joaquim Figueiredo, Luiz Gonzaga, Alberto Bastos e Erlânio Xavier às medidas restritivas de combate ao coronavírus
A nota de apoio às medidas tomadas pelo governador

Oportuna e política e institucionalmente correta a nota conjunta que os presidentes da Assembleia Legislativa, deputado Othelino Neto (PCdoB), do Tribunal de Justiça, desembargador Joaquim Figueiredo, da OAB/MA, Thiago Diaz, do presidente da Federação dos Municípios do Estado do Maranhão (Famem), prefeito Erlânio Xavier (PDT), o procurador geral de Justiça, Luís Gonzaga Coelho e o defensor público geral do Maranhão, Alberto Bastos, divulgaram em apoio às medidas de isolamento social por causa do novo coronavírus, incluindo a mais recente: a proibição das viagens de São Luís para o interior durante a Semana Santa, adotadas pelo governador Flávio Dino (PCdoB). Divulgada ontem, a nota chama a atenção por dois aspectos básicos. O primeiro: a manifestação reúne dois Poderes do Estado (AL e TJ), duas instituições fundamentais na garantia do cumprimento das leis (MPE e Defensoria), uma instituição respeitada pelo seu papel de vigilância no respeito ao estado democrático de direito (OAB/MA) e uma entidade que é principal voz municipalista no Maranhão (Famem). O segundo: com a manifestação, essas instituições dão uma demonstração pública de que reconhecem necessária e lícitas as medidas colocadas em prática pelo Governo do Estado contra a disseminação do novo coronavírus no Maranhão.

Não é comum que instituições se unam com o objetivo de respaldar decisões do Poder Executivo, principalmente quando elas sejam adotadas para alterar direitos básicos do cidadão, como o de ir e vir, garantido em cláusula pétrea da Constituição da República. Mas considerando o avanço da pandemia do novo coronavírus, e com o alarmante número de infectados pela covid-19 no mundo e, particularmente, no Brasil, que está sob o estado de calamidade pública, as restrições ao deslocamento de pessoas em transportes coletivos se justifica plenamente. Daí instituições como o MPE, a Defensoria Pública e a OAB/MA, que por obrigação e princípio naturalmente se posicionam contrárias a qualquer indício de ilegalidade, se manifestarem favoravelmente às medidas governamentais. Seus dirigentes têm a clareza de que o planeta, e dentro dele o Maranhão, está sob o ataque de um vírus agressivo e letal, o que justifica todas as medidas no sentido de conter a sua disseminação, sendo a mais drástica delas o isolamento social.

A nota dos dirigentes de AL, JT, MPE, Defensoria Pública, OAB/MA e Famem é fundada na razão e no senso de responsabilidade pública. Ela reafirma a necessidade da manutenção das medidas de prevenção recomendadas pela Organização Mundial da Saúde (OMS) e pelo Ministério da Saúde e o cumprimento dos Decretos por meio dos quais governador Flávio Dino decretou “estado de calamidade pública” no Maranhão, regulamentou o isolamento social e prorrogou as ações restritivas de prevenção e enfrentamento ao novo coronavírus. No que respeita ao isolamento social, a nota reforça o apoio à medida e à não formação de quaisquer tipos de aglomeração.

A nota diz: “As recomendações devem ser cumpridas fielmente pelos cidadãos, como a melhor forma de conter os registros de mais de 12 mil infectados e 500 óbitos no Brasil, que continuam a crescer, inclusive já chegando ao registro de 11 mortes no Maranhão pelo novo coronavírus”. E vai além lembrando:  “As restrições listadas pelas autoridades de Saúde ensejam evitar, em nosso país, o que já acontece em países da Europa, Ásia e América do Norte. O mundo todo, de acordo com dados divulgados pela OMS, já conta com mais de 1 milhão e 400 mil pessoas infectadas e mais de 80 mil mortes”.

Atentos às reações e contradições políticas ocorridas em vários países, entre eles, infelizmente, o Brasil, com as atitudes inacreditáveis do presidente da República, a nota dos líderes das principais instituições do Maranhão toca num ponto fundamental, mas intenção conciliadora: “Neste momento delicado e de gravidade extrema, desejamos que todos mantenham a união, a fim de evitar o caos social no tocante aos radicalismos de natureza ideológica ou político-partidária. A pluralidade de pensamentos deve existir, de forma respeitosa e harmônica, sem que haja descumprimento das medidas de proteção da Saúde Pública e legislações vigentes”. E se comprometem afirmando: “Continuaremos trabalhando para garantir os direitos e a preservação da vida dos cidadãos do Maranhão. E recomendamos que todos os maranhenses fiquem em casa, para o melhor enfrentamento dessa pandemia e para que, tão logo, possamos retornar às nossas atividades, em segurança”.

Os chefes do Poder Legislativo e do Poder Judiciário, do Ministério Público e da Defensoria Pública e os líderes da OAB/MA e da Famem mostram, com a nota, que quando a sociedade está em risco, a solução é isolar diferenças e juntar forças. Essa manifestação dá ao governador Flávio Dino respaldo importante na luta que ele e seu Governo estão travando contra a pandemia.

 

PONTO & CONTRAPONTO

 

Flávio Dino segue recomendação da OMS e só toma decisões sobre pandemia com base científica

Carlos Lula, Karla Trindade e Marcos Pacheco comandam o Comitê Científico que dá suporte às decisões do governador Flávio Dino

Na linha da recomendação do diretor-geral da Organização Mundial da Saúde (OMS), Tedros Adhanom Ghebreyesus, e do ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, o governador Flávio Dino não toma qualquer decisão de impacto social sem estar total e seguramente embasado na opinião do Comitê Científico de Prevenção e Combate ao Coronavírus no Maranhão, cuja criação do uma das primeiras providências que tomou na fase inicial de combate ao novo coronavírus. Ontem à tarde, por exemplo, ele reuniu o Comitê, com o qual discutiu uma série de medidas relacionadas com a pandemia. Ouviu dos seus integrantes a necessidade de manter as medidas restritivas de circulação de pessoas durante a Semana Santa, reforçando seu apoio ao Decreto 35.722, de 7 de abril, por meio do qual suspendeu até o dia 13 de abril os serviços de transporte rodoviário intermunicipal da ilha de São Luís e reduziu a 1/3 as viagens de ferry boats no percurso Ponta da Espera – Cujupe.

E a explicação para a proibição de viagens em veículos de transporte coletivo é óbvia: São Luís detém 92% dos casos de covid-19, e o feriado da Semana Santa, por conta do grande fluxo de viagens, pode contribuir decisivamente para disseminar o coronavírus no interior do estado.

Certo de que é melhor tomar decisões avalizadas por quem sabe o que diz sobre o assunto, o governador Flávio Dino age como um chefe de Estado com os pés no chão, que não dá ouvidos ao “achismo” nem a sugestões de quem não tem base para formular opinião sobre o problema: “Temos um Comitê Científico que analisa e opina para que eu possa decidir baseado na ciência”. E ponto final.

O Comitê Científico de Prevenção e Combate ao Coronavírus no Maranhão é presidido pelo secretário de Estado da Saúde Carlos Lula e pela subsecretária Karla Trindade, coordenado pelo ex-secretário de Estado da Saúde Marcos Pacheco e integrado pelos médicos Rodrigo Lopes, Giselle Boumann, Conceição Pedroso, Edilson Medeiros e Marcos Pacheco.

 

Eliminação do PSDB e do MDB na Câmara Municipal repercute no meio político

Dr. Gutemberg, Josué Pinheiro e Afonso Manoel

Mais do que a turbinada dos partidos que aumentaram suas bancadas, como o PCdoB, o Podemos, o DEM e o PDT, a revoada migratória na Câmara Municipal de São Luís repercutiu pela eliminação sumária das bancadas do PSDB, que perdeu os dois vereadores que tinha – Dr. Gutemberg, hoje no PSC, e Josué Pinheiro, que migrou para o DEM -, e do MDB, que foi abandonado pelo seu único representante, Afonso Manoel Ferreira, que bateu asas para o Solidariedade. Muitos observadores debitam a constrangedora situação do PSDB na Capital ao presidente do partido no Maranhão, senador Roberto Rocha. Já em relação à eliminação do MDB da cena municipal ao desgaste natural do partido com o desmonte do Grupo Sarney, que começou em 2014 e foi consumado em 2018.

São Luís, 09 de Abril de 2020.

Troca-troca na Câmara de São Luís fortaleceu PCdoB, PDT, Podemos e DEM e eliminou PSDB e MDB

 

Boa parte dos membros da Câmara de São Luís mudou de partido para as eleições

Num jogo explícito de conveniência política em busca de sobrevivência nas urnas, nada menos que 15 dos 31 vereadores de São Luís trocaram de partido aproveitando a janela legal que lhes garantiu migrar sem risco de perder o mandato, e que se fechou na sexta-feira (04). Esta foi uma das maiores migrações partidárias já ocorridas na Câmara Municipal de São Luís em ano eleitoral, confirmando a inconsistência dos partidos políticos no Brasil, cuja maioria continua sendo formada por legendas de aluguel. A maioria dos vereadores-migrantes procurou abrigo em partidos com candidatos fortes à sucessão do prefeito Edivaldo Holanda Júnior (PDT), como o Podemos, que terá o deputado federal Eduardo Braide como candidato, o DEM, que disputará a Prefeitura de São Luís com o deputado estadual Neto Evangelista, e ainda o PCdoB, cujo candidato ao Palácio de la Ravardière será o deputado federal licenciado e atual secretário de Estado das Cidades Rubens Júnior. O PDT ganhou apenas dois novos, mas se tornou a maior força da Câmara Municipal. Outros partidos de menor peso na Capital ganharam apenas um migrante, cada, enquanto alguns, como o MDB, perderam o que tinham.

Turbinado pela pré-candidatura do deputado federal Eduardo Braide, até aqui liderando a preferência dos eleitores, segundo as pesquisas já divulgadas, o Podemos ganhou nada menos que três vereadores: Sá Marques (que deixou o PHS), Chaguinhas (que abandonou o Progressistas) e Marcial Lima (que se elegeu pelo PEN). Por sua vez, o DEM, focado a candidatura do deputado estadual Neto Evangelista, foi reforçado por quatro vereadores: Edison Gaguinho (que se elegeu pelo PHS), Josué Pinheiro (que abandona as hostes do PSDB), Ricardo Diniz (que deu uma guinada à direita ao deixar o PCdoB) e Estevão Aragão (que também migrou para a direita ao deixar o PPS, hoje Cidadania). O PCdoB ganhou dois vereadores de peso: o ex-presidente e atual vice-presidente da Câmara Municipal, Astro de Ogum (que deixou o PP), e Paulo Vitor (suplente no exercício do mandato), formando uma bancada poderosa, que inclui ainda os vereadores Ricardo Diniz, Fátima Araújo e Marcelo Poeta, o que representa um cacife forte para a pré-candidatura de Rubens Júnior.

Ao contrário de Podemos e DEM, que fizeram bancadas fortes, o PDT ganhou apenas um vereador nesse movimento migratório, Nato Júnior (que saiu dos quadros do PP), mas sua filiação foi suficiente para dar ao partido maior bancada no Legislativo da Capital, onde já conta com Osmar Filho, Ivaldo Rodrigues, Pavão Filho e Raimundo Penha. E no jogo de fortalecimento das pré-candidaturas, essa movimentação poderá beneficiar largamente a Neto Evangelista, a se confirmar a aliança DEM/PDT. Isso porque as duas bancadas vão se bater nas urnas na corrida pela reeleição, mas informalmente caminharão juntas em torno do nome de Neto Evangelista, já que a legislação não permite coligação na disputa para as vagas na Câmara Municipal.

Se alguns partidos se fortaleceram, outros perderam tudo o que tinham na Câmara Municipal de São Luís. O PSDB, que já foi forte na Capital, perdeu os dois vereadores que elegeu em 2016: Dr. Gutemberg, que foi homem de proa do grupo do ex-governador e ex-prefeito João Castelo, abandonou o ninho dos tucanos e migrou para o PSC, um dos braços do Grupo Sarney e que apoiará Eduardo Braide, e Josué Pinheiro, que mudou para o DEM, mirando a candidatura de Neto Evangelista. A migração também destruiu a base do nanico PRTB, que perdeu os vereadores Genival Alves, que pulou para o Republicanos, e Silvino Abreu, que se transferiu para o PMB.

No tufão migratório que redesenhou o plenário da Câmara Municipal de São Luís, a situação mais dura atingiu o MDB. O partido, que já foi muito forte na Capital, amargou derrota em 2016, elegendo apenas um vereador, Afonso Manoel Ferreira, que já tinha sido deputado estadual pelo partido sem nunca ter sido um militante emedebista. Para se eleger para a Assembleia Legislativa, a ex-vereadora Helena Duailibe, sua mulher, concorreu pelo Solidariedade, levando Afonso Manoel agora a deixar o MDB e migrar para o SD, apagando de vez a presença emedebista no Palácio Pedro Neiva de Santana.

Partidos como PSDB e MDB, triturados nos últimos tempos, terão de jogar tudo nas eleições de outubro para continuar existindo na Capital.

 

PONTO & CONTRAPONTO

 

Grupo Sarney quer avaliar poder de fogo da candidatura de Adriano Sarney

Adriano Sarney 

Em curso nas entranhas do Grupo Sarney uma articulação discreta e cuidadosa com o objetivo de convencer o deputado estadual Adriano Sarney (PV) a avaliar seu projeto de candidatura à Prefeitura de São Luís. A preocupação da cúpula do sarneysismo é que, ao invés de conquistar um bom espaço no tabuleiro político da Capital, a candidatura do parlamentar possa desgastar ainda mais o nome da família, podendo respingar na imagem política da ex-governadora Roseana Sarney, que não quer ser candidata a prefeita porque mira o Palácio dos Leões em 2022. Se a avaliação concluir que ele pode ter uma boa votação – ninguém acredita na sua eleição -, a família e seus aliados poderão abraçar o projeto e entrar na briga apoiando sua candidatura. Nesse caso, o ex-senador José Sarney e a ex-governadora Roseana Sarney juntarão suas forças para convencer a cúpula do MDB, principalmente o deputado estadual Roberto Costa, que lidera a ala jovem do partido, que prefere lançar uma candidatura própria do MDB. Não houve ainda conversas formais sobre o assunto, mas o deputado Adriano Sarney esteve no MDB para uma conversa com o ex-senador João Alberto, mas a tsunami do coronavírus interrompeu a aproximação, que poderá ser retomada quando a onda passar.

Se a avaliação for negativa, a família tentará convencer o parlamentar a desistir da empreitada e investir num sólido projeto de reeleição.

 

Wilson Witzel acompanha a luta de Aluísio Mendes contra o coronavírus

Aluísio Mendes (D) com Wilson Witzel, que veio a São Luís para prestigiar o ingresso dele no PSC 

A evolução do quadro de saúde do deputado federal Aluísio Mendes (PSC), que se encontra internado em hospital particular em Brasília enfrentando o coronavírus, está sendo acompanhado atentamente o Palácio Guanabara, sede do Governo do Rio de Janeiro. Explica-se: o governador fluminense Wilson Witzel tem o parlamentar maranhense como um forte aliado no seu projeto presidencial. Aluísio Mendes se tornou peça importante no xadrez do governador do Rio de Janeiro quando ele rompeu com o presidente Jair Bolsonaro (sem partido). Tanto que fez questão de vir a São Luís para participar do ato de filiação do deputado no PSC, depois que ele abriu mão do Podemos em favor do deputado Eduardo Braide. Assessores de Wilson Witzel se informam diariamente sobre o estado de saúde de Aluísio Mendes e repassam as informações ao governador.

São Luís, 07 de Abril de 2020.

Reação do filho de Bolsonaro à reunião de Mourão com Dino reforça posição política do governador

 

Flávio Dino tece elogios a Hamilton Mourão e causa ciúmes em Carlos Bolsonaro e Jair Bolsonaro

Há algumas semanas, a Coluna avaliou que o governador Flávio Dino (PCdoB) havia, finalmente, chegado ao centro do redemoinho político nacional, embalado por um bom governo, por sua postura oposicionista ao mesmo tempo enfática e equilibrada, e por seu movimento embrionário, mas intenso, na busca de um espaço no roteiro que desaguará na sucessão presidencial de 2022. A brecha foi aberta pelo próprio presidente Jair Bolsonaro (sem partido), quando o elegeu “o pior” dos seus adversários, no escandaloso cochicho com microfone aberto ao então chefe da Casa Covil, Onyx Lorenzoni, minutos antes de uma reunião ministerial. De lá para cá, Flávio Dino ganhou tutano político, que agora se tornou mais consistente com o post do vereador Carlos Bolsonaro, filho e porta-voz do presidente da República nas redes sociais, criticando o vice-presidente, general Hamilton Mourão, a partir de um comentário do governador maranhense sobre a postura correta e técnica do vice em reunião do Conselho da Amazônia, por ele presidido.

O comentário de Flávio Dino incomodou profundamente o filho do presidente, que viu na postura de Hamilton Mourão um ato conspiratório contra seu pai. No seu post, o governador Flávio Dino comentou: “Tivemos uma reunião com diálogo técnico, respeitoso, sensato. Claro que Mourão não é do meu campo ideológico. Mas, se Bolsonaro entregar o governo para ele, o Brasil chegará em 2022 em melhores condições”.

Carlos Bolsonaro – que é vereador no Rio de Janeiro, mas mudou-se para Brasília e sentou praça no Palácio do Planalto -, fez a seguinte indagação sobre o post de Flávio Dino: “O que leva o vice-presidente da República se reunir com o maior opositor SOCIALISTA do governo, que se mostra diariamente com atitudes totalmente na contramão de seu Presidente?”

Sob qualquer ângulo que possa ser analisada, a reação do filho do presidente Jair Bolsonaro foi um tiro pé. Primeiro porque parece desconhecer que o vice-presidente Hamilton Mourão preside o Conselho da Amazônia, e nessa condição tem de se reunir com frequência com governadores amazônicos, para tratar dos diversos programas que coordena para combater a ação predatória de quadrilhas de grileiros e outros problemas relacionados à região, tendo o comentário de Flávio Dino se referido a uma dessas reuniões. Depois, parece também desconhecer o governador já se reunira várias vezes com o vice-presidente, com quem abriu um canal de diálogo em junho do ano passado, quando foi recebido no Palácio do Jaburu. Depois, já neste ano, já como presidente do Conselho da Amazônia, Hamilton Mourão esteve em São Luís, tendo sido recebido de maneira republicana no Palácio dos Leões.

Os encontros mostraram que, apesar de habitarem polos políticos e ideológicos radicalmente diferentes, o governador e o vice-presidente têm convivido de maneira republicana, respeitosa e institucionalmente correta.

O comentário aberto e visivelmente incomodado do filho do presidente revela, primeiro, que o isolamento de Jair Bolsonaro é fato, tendo sido exposto, de maneira eloquente, após as extremadas e inacreditáveis posições do presidente da República contra o isolamento como remédio mais eficaz para combater a pandemia do coronavírus, na contramão das recomendações da OMS e do próprio Ministério da Saúde. E segundo, porque, cada vez mais sem foco e enxergando inimigos por todos os lados, o caçula do chefe da Nação comete o erro primário de comprar briga com o vice-presidente, um militar que tem opiniões próprias, que às vezes surpreende pela contundência, mas que até aqui tem sido um fiel aliado do presidente Jair Bolsonaro, apesar de discordar de muitas das suas posições.

O post intempestivo de Carlos Bolsonaro resultou em dois tiros no pé. O primeiro por ter atacado o vice-presidente as República, contribuindo para aumentar o distanciamento entre ele e o presidente. O segundo porque a reação turbinou o lastro político do governador do Maranhão, que começa a ser, de fato, o mais consistente nome da Oposição e da esquerda para disputar a presidência da República em 2022.

 

PONTO & CONTRAPONTO

 

Sarney prevê que depois do coronavírus o mundo será outro

José Sarney cobra eficiência

“O mundo será diferente depois da crise do coronavírus. O Homem terá que pensar em modificar esse tipo de sociedade consumista e de sublimação dos prazeres, para pensar num mundo mais humano e com maior justiça social. (…) A sociedade da comunicação, virtual e destruidora de valores morais, dará lugar a uma utopia realizada de caridade, justiça e igualdade”

As declarações são do ex-presidente José Sarney (MDB), na sua crônica domingueira em O Estado, na qual avalia que a Humanidade está em risco, lembrando que o momento não saiu de profecia, tem lógica.  Às vésperas de completar 90 anos – seu aniversário será no dia 24 -, Sarney enfrenta a quarentena na sua residência de Brasília, de onde não tem saído nem para ir à farmácia. Ele registra que pandemia do coronavírus é diferente de tudo o que viu e viveu nestes quase 33 mil dias de existência, pois nem Nostradamus, que cantou a pedra de muitas catástrofes e flagelos do século 15 para cá. Estudioso da face clara e cotidiana do homem, o ex-presidente informa que está isolado e se disse assustado com o fenômeno, o qual espera, passe logo.

 

Duarte Júnior fortalece projeto eleitoral aliando-se ao PL

Duarte Júnior

Erra quem minimiza a declaração de apoio do PSL ao deputado estadual Duarte Júnior (Republicanos) na corrida para a prefeitura de São Luís. Para começo de conversa, o PSL maranhense está na contramão do presidente Jair Bolsonaro, que o deixou. E depois porque esse partido dará ao candidato um precioso instrumento de campanha: um bom tempo no rádio e na TV. Quando trocou o PCdoB pelo Republicanos, alguns enxergaram no movimento um passo em falso. Erraram. Duarte Júnior foi para o Republicanos já vislumbrando a perspectiva de contar com o apoio do partido e de aliados, como é o caso do deputado Fábio Macedo, que migrou do PDT para o Republicanos e emplacou sua mulher, Lorena Macedo, no comando do PSL de São Luís. Essa aliança reforça expressivamente a pré-candidatura de Duarte Júnior.

São Luís, 05 de Abril de 2020.

ESPECIAL: Marco da MPM, “Pedra de Cantaria” chega aos 40 anos atual e encantando com a beleza da sua poesia musicada

 

Os craques que deram vida ao eterno Pedra de Cantaria: Sérgio Habibe, Giordano Mochel, Omar Cutrim, Ubiratan Sousa, Zezé da Flauta, Beto Pereira, Valdelino Cécio, Marcelo Carvalho, Arlindo Carvalho, Chico Maranhão, Manoel Pacífico, Glória Corrêa, Zé Pereira Godão, Adler São Luís e Josias Sobrinho

Fevereiro de 1980. Há 40 anos, quando o Maranhão começava, de fato, a perceber que sua cultura popular era forte, rica e singular e guardava também as bases do que viria ser um cancioneiro de riqueza extraordinária, um grupo de compositores, instrumentistas e interpretes produziu Pedra de Cantaria, um disco que se tornou, ao longo dos anos, um marco e um dos principais traços da identidade do que viria a se consolidar como Música Popular Maranhense (MPM). Joias preciosas do atual cancioneiro popular de uma terra que respira poesia, as suas 11 faixas são obras-primas dos gênios musicais de Chico Maranhão, Ubiratan Sousa, Sérgio Habibe, Josias Sobrinho, Zé Pereira Godão, Giordano Mochel e Adler São Luís, ricamente embaladas pelos arranjos magistrais de Marcelo Carvalho, Ubiratan Sousa, Josias Sobrinho e Sérgio Habibe, e expressados pelos violões de Ubiratan Sousa e Hilton Filho, pelas flautas comoventes e contagiantes de Sérgio Habibe e Zezé da Flauta, pelo acordeão preciso e provocador de Marcelo Carvalho, pela viola forte de Omar Cutrim, pelo cavaquinho disciplinado de Beto Pereira e pela competente e motivadora percussão de Arlindo Carvalho e Manoel Pacífico. É como se todos estivessem fazendo também uma declaração de amor a São Luís, não a única, mas a grande musa da obra.

Pedra de Cantaria é muito mais que um belo disco, pois é a voz de uma geração de jovens talentosos e decididos a dar uma identidade musical ao Maranhão. Ele nasceu do idealismo do saudoso poeta e agitador cultural Valdelino Cécio e da militância musical do então já consagrado Chico Maranhão, que cientes do potencial da MPM gestada na era dos grandes festivais e que começava a seguir por outras trilhas, buscando identidade no bumba-meu-boi nos diversos sotaques, no tambor de crioula, nas toadas do Lelê e nas ladainhas do Divino Espírito Santo, no singrar das bianas e na majestade dos casarões coloniais de São Luís, conceberam o “Projeto Guriatã” e conseguiram viabilizá-lo pela Fundação Cultural do Maranhão em convênio com a Funarte. Aquela música precisava de registro. Sua qualidade ia muito além da média do que naquele tempo se fazia em matéria de música popular nas diversas regiões do País. Na visão de Valdelino Cécio, os produtores e as grandes gravadoras do País, então concentradas no eixo Rio de Janeiro-São Paulo, precisavam saber o que estava acontecendo no Maranhão, em especial em São Luís, em matéria de produção musical.

O esforço se justificava plenamente, porque Pedra de Cantaria nada fica a dever a qualquer disco que naquele momento representou o regionalismo musical. A beleza de “Verônica”, de Chico Maranhão e angelicalmente interpretada por Glória Corrêa, que abre o disco, é superior, tanto em poesia quanto em melodia. “Terra de Noel”, de Josias Sobrinho ajudou a desatar a linguagem do samba no Maranhão, assim como o protesto de “São Francisco”, de Zé Pereira Godão, e o comovente alerta para a destruição das nossas raízes, feito em “Olho D`Água”, de Sérgio Habibe, e ainda a beleza de “Baltazar”, de Giordano Mochel são frutos de um momento de transição – a ditadura perdia força e a democracia começava a ensaiar retorno -, mas que se encaixam perfeitamente na realidade atual.

O disco também registra o grito ecológico de Josias Sobrinho em “Porco Espinho”, o sedutor e sofisticado poema-canção de “Voo Nupcial”, de Ubiratan Sousa e Souza Neto, o desenho poético-sensual de “Situba”, de Giordano Mochel, a força do bumba-meu-boi no baião-toada de Adler São Luís e Valdelino Cécio, na força histórica e simbólica das ruínas de Alcântara em “Cavalo Cansado”, de Sérgio Habibe, e finalmente no comovente e apoteótico Bandeireiro do Divino, de Ubiratan Sousa e Souza Neto.

Pedra de Cantaria é um disco singular. Os arranjos que adornam as 11 faixas e a precisão da base instrumental – toda em cordas de violão, viola e cavaquinho, em acordeão e sopros de flauta, sem recursos eletrônicos nem metais – ganham dimensão quando se sabe que, sob a direção de Chico Maranhão, foi gravado em apenas cinco dias, em regime de mutirão, com os músicos se revezando em cada faixa num pequeno estúdio em Belém, no Pará. Se levados em conta o aperto orçamentário e as circunstâncias da gravação, o resultado é excelente, o que torna o disco, mais que um registro musical necessário e oportuno, uma conquista de um grupo de craques que juntaram força e talento para tornar realidade um projeto idealista. Tudo com o propósito cultural de mostrar ao País a MPM que ganhava forma naquele tempo. E também com a pretensão de “forrar as ruas, as praças e avenidas do coração de quantos porventura nos ouçam”, como escreveu o poeta Valdelino Cécio, dono de boa parte dos créditos da obra.

Pedra de Cantaria é, em resumo, um disco para o maranhense – e que mais interessar possa – ouvir pensando nele próprio, na sua história, nas suas raízes, nas suas emoções, nos seus amores, nas suas lembranças e nas suas lutas, certo de que encontrará um pouco de cada coisa nas músicas que abriga.

As faixas

1 – “Verônica” é uma prece musicada, uma oração cantada, de beleza extraordinária, que expressa o que há de melhor no gênio musical e poético de Chico Maranhão, e traduz um viés forte da MPM naquele momento em que a ditadura começava a ruir e os lampejos da democracia começavam a cintilar. Metáfora da Verônica das inesquecíveis procissões do Senhor Morto, que chorava a morte de Cristo em latim, a Verônica de Chico Maranhão viaja nas campinas dos perizes, “onde ronca o trovão”, e convoca os homens para o que diz ser o tempo de contar as histórias, não do reino dos céus, mas do reino sebastianista de umas areias que “ficavam no caminho da estrela de Belém”. Adornada por belos, comoventes e ajustados arranjos executados pelos violões precisamente dedilhados de Hilton Filho e do próprio Chico Maranhão, e pelas intervenções oportunas e bem dosadas do piano de Marcelo Carvalho – que responde pelos adornos -, a oração de Chico Maranhão ganha força e pureza plena na voz límpida, angelical e despretensiosa de Glória Corrêa, complementada pelo coro formado por Chico Maranhão, Hilton Filho, Marcelo Carvalho, Ubiratan Souza e Valdelino Cécio. A versão dá à Verônica maranhense uma dignidade singular, justificando perfeitamente a posição de abertura em Pedra de Cantaria.

2 – “Terra de Noel”. Nenhuma das muitas versões desse samba que colocou o genial Josias Sobrinho no patamar que hoje ocupa na MPM traduziu melhor o espírito e a beleza do que essa faixa de Pedra de Cantaria. Expressão afoita de manifesto dentro da realidade cultural, social e política de uma época em que as luzes democráticas começavam a vencer as trevas ditatoriais, o samba audacioso e provocador de Josias Sobrinho se encaixa perfeitamente no discurso da liberdade de pensar e de escolher, sem se apegar a rótulos, indo buscar suporte na memória superior de Noel Rosa. E fecha o discurso reivindicando o direito de ser consciente da situação, independente de qual seja o contexto. Na versão de Pedra de Cantaria, “Terra de Noel” ganhou a melhor de todas as embalagens em matéria de arranjo. Foi envolvido com um “duelo” harmonioso, vigoroso e competente do violão de sete cordas do mestre Ubiratan Souza e do violão básico do próprio Josias Sobrinho com o acordeão solto e debochado de Marcelo Carvalho e das evoluções inquietas da flauta de Zezé, tudo corretamente arbitrado pelo cavaquinho de Beto Pereira e cadenciado pela percussão disciplinada e envolvente de Arlindo Carvalho e Manoel Pacífico. Tudo isso com um detalhe absolutamente relevante: com sua voz única, inimitável, Josias Sobrinho – que também assina os arranjos – nunca cantou “Terra de Noel” com tanta emoção.

3 – “Baltazar”. Uma das joias do rico repertório autoral de Giordano Mochel, um dos grandes nomes da MPM nos anos de resistência, sempre voltado para o que há de essencial da cultura maranhense, a canção desenha imagens que mostram a relação de São Luís com o mar que a cerca e a tornou ímpar. O poema musicado de Giordano Mochel fala das chegadas e partidas de bianas na Baía de São Marcos, registradas pelas varandas dos casarões da Beira-Mar, como que uma pintura de aquarela. Bem interpretada pelo próprio Giordano Mochel, que faz as duas vozes e também responde pelo violão base, “Baltazar” foi arranjada pelo mestre Ubiratan Souza, que executa com igual maestria os adornos de viola e de bandolim em harmonia perfeita com a flauta genialmente emocionada de Sérgio Habibe. É música para ouvir de olhos fechados e sonhar viajando na proa de uma biana sentindo a brisa de São Marco.

4 – “São Francisco”. Trata-se de um baião monumental de autoria do craque Zé Pereira Godão, que, quase como uma crônica, narra a realidade dos desvalidos, chamados “heróis brasileiros” que chegam à Ilha movidos pela esperança de dias melhores, deslumbrados com o sol das praias, mas logo enquadrados numa realidade cruel de sobrevivência difícil, de desmantelos e no dilema do guerreiro que “paga a desgraça com forte sorriso de amor”, mas que “se corre pega desarma, se fica paga-a com a dor”. Um discurso político bem encaixado naquele momento, quando a arte reforçava seu enfrentamento com a ditadura. Bem interpretada na voz do próprio Zé Pereira Godão, o baião ludovicense é embalado pelas cordas do vilão de mestre Ubiratan Souza, do contundente solo de viola de Omar Cutrim e da base forte do cavaquinho de Beto Pereira, também pelos acordes do acordeão forte e nordestino de Marcelo Carvalho e corretamente ritmado pela percussão bem armada de Arlindo Carvalho e Manoel Pacífico. O discurso de Zé Pereira Godão continua traduzindo fielmente a realidade social.

5 – “Olho D`Água”. Composta no final dos anos 70, quando o ideário preservacionista era ainda embrionário, a canção de Sérgio Habibe e Hilton Filho é um grito agudo contra a destruição da natureza e das culturas indígenas ancestrais. Uma poesia forte, lembrando que por aqui olhos d`água “choravam”, o olho de boi “segredava na areia” e “cada palmeira era um índio”. Interpretada no tom certo de lamento por Hilton Filho, com intervenções eventuais de Sérgio Habibe é um manifesto. Além da letra, cuja mensagem surpreende pela atualidade após quatro décadas e uma virada de século entre elas, “Olho D`Água” emociona por um arranjo feliz, que se encaixa precisa e totalmente à letra, com as flautas de Sérgio Habibe e Zezé dominando em duas vozes e dando força ao tom dramático do lamento, sustentadas por uma base de violão dedilhado por Hilton Filho. Tudo ordenado por uma percussão simples e primorosa de Arlindo Carvalho e Manoel Pacífico. Música para ouvir e refletir numa época em que ainda se assassina líderes indígenas.

6 – “Cavalo Cansado” é um dos grandes momentos da genial, vasta e bem construída obra musical de Sérgio Habibe, que marca com ela o fim da era dos grandes festivais, nos quais pontificou como um dos grandes nomes, para ingressar integral e definitivamente na MPM. É uma declaração de amor às avessas a Alcântara, cansado de esperar vigiando suas portas e ruínas que lembram um rei que nunca chegou. Daí a pergunta angustiada sobre quem colonizou no peito este sonho, que não tem fim. O poema de Sérgio Habibe é envolvente e revelador de uma relação apaixonada, que se manteve firme e o trouxe de volta depois de navegar por outras terras. Interpretada pelo próprio Sérgio Habibe no ritmo de uma balada forte e intensa, e por ele próprio arranjada, a música ganha fluidez numa densa e perfeita base de dois violões em completa harmonia, um do próprio autor e outro de Hilton Filho. O adorno melódico é fortemente enriquecido pelas belas evoluções da flauta de Zezé e pela cadência precisa e adequada da percussão de Arlindo Carvalho e Manoel Pacífico. É uma peça que comove a cada audição.

7 – “Porco Espinho” – Joia brilhante do acervo produtivo de Josias Sobrinho, a faixa é baião arrochado, que abriga uma metáfora típica dos tempos de chumbo político. Um belo poema, que começa indagando “Que que tem passarinho encantado no meu coração?” E evolui sugerindo que “tem gente querendo virar bicho, macaco, mambira e coisa e tal”, e dá sequência provocadora referindo-se ao que pode ter numa mata, que pode estar abrigando de cachorro a cobra grande. E avisa: pode desenterrar a gaiola. Em “Porco Espinho”, Josias Sobrinho reafirma sua veia de letrista que junta com perfeição a realidade com o surreal num jogo de palavras sempre audacioso e às vezes   desconcertante. Arranjado pelo próprio Josias Sobrinho, esse baião dos bichos é embalado pela competente percussão de Manoel Pacífico, e adornado pelo forte acordeão de Marcelo Carvalho e pelos   acordes de viola do talentoso Omar Cutrim, animado ainda pela flauta de Zezé. É tão atual quanto no tempo em que foi gestado.

8 – “Voo Nupcial” – A canção é um poema de Souza Netto genialmente musicado pelo mestre Ubiratan Souza. Construído numa linguagem culta, o português casto, o poema se refere a uma noite de amor que usa expressões como um beija-flor, que num gesto de amor “voluteia grácil pelo ar”, para dizer que a vê bailar “num gesto natural de amar”. E prossegue afirmando que, depois de inebriar todos os sentidos, a define como o “cinzel do artífice-maior”, “o estrato mais sutil do amor-perfeito”, para arrematar afirmando que “o simples desejo é fogo-fátuo singular”, e por aí vai. Bem interpretado pelo mestre Ubiratan Souza, o poema-canção ganhou um arranjo adequado pela base de cordas nos violões do próprio Ubiratan Sousa e de Hilton Filho e pelo belo e bem afinado dueto feito pela flauta intensa de Sérgio Habibe e pelo acordeão competente de Marcelo Carvalho. Para ouvir de olhos fechados e viajando.

9 – “Alegria da Ilha” – A letra é da lavra de Valdelino Cécio, poeta de mão-cheia e arraigado às raízes da cultura popular maranhense, especialmente o bumba-meu-boi. Musicada por Adler São Luís, que também lhe dá voz, a faixa começa como um baião e termina como uma toada no sotaque de matraca. Nela, Waldelino Cécio externa sua paixão incontida pelo mais importante e exuberante folguedo maranhense, logo de cara avisando que se trata de um boi valente, que “esturra até o sol raiar”, e que “traz matraca e maracá”. Destaca o caboclo de pena de Axixá, para desaguar no refrão “É boi, bumba/meu/boi. Meu boi bumbá”. E no final, uma virada surpreendente: mergulha no sotaque de matraca perguntando à negra Catirina onde o povo alegre se escondeu. Arranjado por Adler São Luís, esse baião-toada é adornado pelo violão base do próprio arranjador, pelo violão sete cordas do mestre Ubiratan Sousa e pela viola de Omar Cutrim, aos quais se junta o acordeão de Marcelo Carvalho, tudo ritmado pela percussão de Arlindo Carvalho e pela participação de um coral formado por Valdelino Cécio, Adler São Luís, Zé Pereira Godão, Ubiratan Sousa e Manoel Pacífico.

10 – “Situba” – Uma bela canção de Giordano Mochel. O poema desenha uma morena a partir da ideia de um brejo, onde predominam as palmeiras de buriti em meio a pés de canarana e aves como aguim. E também rios, peixes como mandi e bianas partindo para o mar. Fala também da mata, do pio do japi e do jeito do saci. E recorre à magia da varinha de condão para abrir o coração da linda morena, para entrar na sala do seu peito.  Interpretada pelo próprio Giordano Mochel, que faz o violão base, “Situba” tem arranjos do mestre Ubiratan Sousa, que também cuida do violão solo e das intervenções de viola, e o reforço discreto e bem ajustado do sempre eficiente acordeão de Marcelo Carvalho. O diferencial da embalagem é a percussão intensa e bem armada de Arlindo Carvalho e Manoel Pacífico.

11 – “Bandeireiro do Divino” – Uma das mais belas homenagens a São Luís e à festa do Divino Espírito Santo que se cultiva na Ilha, o poema de Souza Neto musicado e interpretado pelo mestre Ubiratan Sousa em ritmo de caixas é um marco na MPM. Como um roteiro da festa, atende a um convite para cantar no salão de São Luís, o Divino de Souza Neto protagoniza o bandeireiro, que lidera o grupo – imperador, imperatriz, mordomos régios e damas – carregando a bandeira vermelha com uma pomba branca ao centro, e as caixeiras, figuras centrais que dão a força simbólica e rítmica à ópera popular que é o Divino Espírito Santo. Além de uma interpretação forte, fazendo várias vozes, Ubiratan Sousa brindou o poema com um arranjo perfeito, unindo o seu próprio violão às caixas rufadas com força e elegância por Arlindo Carvalho e Manoel Pacífico, ao que se somam adornos melódicos da flauta de Sérgio Habibe e do acordeão de Marcelo Carvalho. Música para ouvir e não esquecer.

São Luís, 04 de Abril de 2020.