Brandão prevê nova conversa com Lula e sinaliza que chapa governista pode sair em janeiro

Carlos Brandão e Lula da Silva: acerto sobre a
corrida sucessória sem comprometer
a excelente relação institucional

A lógica começa a se impor no tabuleiro político maranhense. A revelação do governador Carlos Brandão (sem partido) de que na conversa que teve em novembro com o presidente Lula da Silva (PT), para alinhavar candidaturas ao Governo do Estado e ao Senado, terminou com o compromisso de os dois tentarem encontrar caminhos que levem à recomposição da base governista no Maranhão. Muitos minimizaram o encontro, alguns chegando mesmo a dizer que a conversa de nada valeu. Os fatos, porém, começam a mostrar exatamente o contrário, e isso se dá pelo simples fato de que o presidente Lula da Silva tem interesse de manter o governador Carlos Brandão como aliado e comandando o seu palanque no Maranhão, enquanto o governador Carlos Brandão nem sonha com a possibilidade de romper a sua aliança política e institucional com o presidente.

A afirmação do governador dizendo que só vai falar de política no ano que vem e que pretende dar forma à chapa majoritária – governador e senador – em janeiro, está dentro do script. O diferencial de agora é que Carlos Brandão concebeu um projeto arrojado, lançando um candidato da sua mais absoluta confiança, o seu sobrinho Orleans Brandão (MDB), organizou um partido com aliados fortes – o MDB e o que restou do Grupo Sarney -, vem trabalhando para fortalecer as candidaturas de aliados ao Senado – Weverton Rocha (PDT) e André Fufuca (PP) – e está determinado a permanecer no cargo até o final do mandato para, ele próprio, com a ampla e densa experiência acumulada em sucessivos processos eleitorais, comandar a campanha.

De longe o mais tarimbado político em ação no País, o presidente Lula da Silva já avaliou que depois do período liderado por Flávio Dino o cenário político maranhense sofreu mudanças radicais. E a principal deles foi que, à sua maneira, e legitimado por uma reeleição de um só turno, o governador Carlos Brandão ocupou todos os espaços possíveis trazendo os prefeitos de volta à linha de frente, tem agora o controle da situação. Isso dá ao governador cacife para conversar com o presidente sem se sentir pressionado, possibilitando que os dois tentam montar a equação que atenda aos dois, e não uma situação imposta. Daí porque todas as possibilidades podem ser levadas em conta.

Carlos Brandão senta à mesa com a candidatura de Orleans Brandão em processo de consolidação, com o suporte declarado de pelo menos 160 dos 217 prefeitos, entre eles os mais que comandam os maiores municípios – com exceção de São Luís e São José de Ribamar -, conta com a ampla maioria dos deputados estaduais e está à frente de um Governo bem avaliado, que tem aproveitado todas as brechas para chegar mais próximo do eleitor. O presidente Lula da Silva entra na conversa como o chefe da Nação que deu todo o apoio possível ao Governo do Maranhão nos últimos anos, numa relação institucional produtiva sem precedentes nos últimos tempos, além de ser o favorito na corrida presidencial, o que lhe dá autoridade para também colocar as suas cartas na mesa.

A julgar pelas suas manifestações, o presidente Lula da Silva está mais interessado em eleger dois senadores aliados no Maranhão do que no próprio Governo do Estado. Pelo que se sabe, na primeira conversa ele tentou convencer o governador Carlos Brandão a montar uma chapa com um candidato de consenso, desde que ele, Brandão, fosse candidato ao Senado. Não deu, porque o governador sabe que sem ele no comando da campanha, a candidatura de Orleans Brandão corre risco, exatamente por ser um projeto de grupo. Carlos Brandão agora revela que voltará a conversar com o presidente levando uma contraproposta, que só ele sabe qual é, e que poderá ser acatada ou não.

E pelo que sinalizou o governador, com a segurança de quem tem o controle da sua base e das alianças que montou, janeiro será um mês decisivo para a definição da chapa governista, incluindo o candidato a governador, a vice-governador e ao Senado. Provavelmente com o aval de Lula da Silva.

PONTO & CONTRAPONTO

Assembleia aprova MPs que reforçam as políticas sociais do Governo do Estado

A presidente Iracema Vale (PSB) comanda a sessão entre os deputados
Antônio Pereira (PSB), Neto Evangelista (União), Glaubert Cutrim (PDT),
Rodrigo Lago (PCdoB) e Fernando Braide (PSD), e com o deputado
Leandro Bello (Podemos) na tribuna

A Assembleia Legislativa caminha para fechar o ano legislativo com uma produção intensa no plenário. Ontem, por exemplo, na antepenúltima sessão antes do recesso parlamentar, os deputados aprovaram, sem restrições, quatro Medias Provisórias editada pelo Palácio dos Leões e que passa a ter validade plena como leis ordinárias. São elas:

Medida Provisória 518/2025, que reinstitui o programa ‘Maranhão Juros Zero’, cujo objetivo é incentivar o empreendedorismo e a economia solidária e alavancar o investimento produtivo, além de promover a geração de emprego e renda no estado.

Medida Provisória 524/2025, que aprova o Plano Estadual de Política de Promoção da Igualdade Racial para o período de 2025 a 2035. A norma constitui um instrumento decenal de planejamento, coordenação e execução das políticas públicas contra o racismo estrutural e institucional e promove a igualdade racial e a valorização dos povos e comunidades tradicionais do Maranhão.

Medida Provisória 525/2025, que institui o projeto Agente Jovem do Desenvolvimento Social no âmbito do programa Trabalho Jovem, criado em 2020. A MP tem como objetivo fortalecer as políticas públicas de inclusão produtiva da juventude maranhense, com foco no combate à pobreza e na redução das desigualdades sociais.

Medida Provisória 519/2025, e altera a Lei 12.656/25, que instituiu o programa estadual ‘Educação de Verdade’ na rede pública de ensino. A principal mudança trazida pela MP é a inclusão da possibilidade de transferência financeira e/ou concessão de crédito diretamente aos alunos, por meio de solução tecnológica com bilhetagem eletrônica.

Com a aprovação, as MPs passam a ter força de lei no âmbito estadual.

Braide desmente notícia de que teria conversado com o presidente nacional do PT sobre sucessão estadual

Eduardo Braide desmente notícia
sobre conversa com presidente
nacional do PT

“Eita, Mirante. Bastava ter olhado minhas redes sociais. Passei o final de semana vistoriando obras e sendo padrinho de casamento de 347 casais. Não cansam de inventar histórias, hein? Apaga que dá tempo”.

Foi essa a reação do prefeito Eduardo Braide (PSD) ao tomar conhecimento de que a emissora havia divulgado que ele teria conversado com o presidente nacional do PT, Edinho Silva, na busca de uma aliança com o partido em torno da sua provável candidatura ao Governo do Estado.

Por esse projeto, Eduardo Braide seria o candidato a governador tendo um petista como vice, que poderia ser o vice-governador Felipe Camarão ou o deputado federal Rubens Júnior, e a senadora Eliziane Gama (PSD) candidata à reeleição.

A reação do prefeito Eduardo Braide indica claramente que a informação foi uma barrigada. E ponto. Valendo a lembrança de que a maior parte do braço maranhense do PT está reforçando a candidatura do emedebista Orleans Brandão.

E no contraponto, o que se tem percebido é uma inclinação do grupo dinista, que hoje controla o PSB, sinalizando uma possível aliança com o prefeito de São Luís, caso ele decida ser candidato a governador, o que ainda é uma incógnita.

São Luís, 17 de Dezembro de 2025.

Conversa de Roseana com Lula revelou que o MDB consolidou de vez a candidatura de Orleans Brandão

Lula da Silva e Rosângela Silva afagam Roseana Sarney em
visita que acabou se transformando num fato político
que favoreceu Orleans Brandão e Eduardo Braide

A conversa da deputada federal Roseana Sarney (MDB) com o presidente Lula da Silva (PT), nesta segunda-feira (15), no Hospital Sírio-Libanês, em São Paulo, sobre a corrida sucessória no Maranhão consolidou, fortemente, o secretário de Assuntos Municipalistas Orleans Brandão como candidato do MDB e da família Sarney ao Governo do Estado. Roseana Sarney disse a Lula da Silva que apoia o projeto com o aval do ex-presidente José Sarney e das lideranças do MDB estadual e da cúpula nacional do partido. O presidente teria manifestado interesse pela provável candidatura do prefeito de São Luís, Eduardo Braide (PSD), e até onde foi vazada, a conversa não tratou da pré-candidatura do vice-governador Felipe Camarão (PT). Feita por conta da relação de amizade e num gesto de solidariedade do chefe da Nação e da primeira-dama Rosângela Silva por conta do problema de saúde que a ex-governadora enfrenta, a visita ganhou peso importante no tabuleiro político maranhense.

Presidido por Orleans Brandão, que recebeu o comando do pai, Marcus Brandão, o braço maranhense do MDB assimilou de vez o projeto de candidatura na gigantesca convenção estadual que o elegeu, há duas semanas. Antes da definição partidária, já estava clara a posição das lideranças do partido, faltando apenas um ato para que o partido como um todo se posicionasse oficialmente em relação ao projeto de candidatura do seu atual presidente ao Palácio dos Leões. Já era corrente o apoio de Roseana Sarney e ao ex-presidente José Sarney ao secretário de Assuntos Municipalistas, mas essa posição não havia chegado ao público de maneira contundente. Essa cristalização ocorreu em São Paulo, nesta segunda-feira, mostrando não só o apoio, mas o engajamento da ex-governadora no projeto de Orleans Brandão.

O posicionamento forte de Roseana Sarney pró-Orleans Brandão na conversa com o presidente Lula da Silva se revelou não apenas pessoal, mas partidário, tendo o líder petista ouvido sem fazer restrições. O interesse do presidente Lula da Silva pelo projeto de candidatura do prefeito Eduardo Braide está associado à interlocução que ele mantém com a senadora Eliziane Gama (PSD), e surpreendeu principalmente porque a pré-candidatura do vice-governador Felipe Camarão não foi incluída na conversa. Se verdadeiro, esse dado reforça expressivamente a banda maior do PT maranhense que vem se movimentando no sentido de manter a aliança com o governador Carlos Brandão e apoiar a candidatura de Orleans Brandão, sugerindo que Felipe Camarão dispute outro cargo, como uma cadeira no Senado, por exemplo.

É verdade que, pelo que foi vazado, mesmo com a manifestação de apoio firme da ex-governadora Roseana Sarney, o presidente Lula da Silva não emitiu qualquer sinal de apoio ao pré-candidato do MDB, mas é fato também que não fez qualquer gesto de restrição. Ouviu em silêncio, com atenção. Lastreado por uma experiência política de quem chegou três vezes a presidente, Lula da Silva sabe que na corrida à reeleição ele provavelmente terá maioria ampla de votos no Maranhão, mas sabe também que precisa de um palanque no estado. E nesse momento, o único palanque estruturado é o do governador Carlos Brandão (sem partido), que reúne o senador Weverton Rocha (PDT), o ministro do Esporte André Fufuca (PP), a presidente da Assembleia Legislativa Iracema Vale (PSB) e prefeitos dos maiores municípios maranhenses.

Não há dúvida, portanto, de que a visita do presidente Lula da Silva à deputada federal Roseana Sarney ganhou peso de fato político importante no tabuleiro sucessório maranhense. A começar pelo fato de que o MDB fechou de vez com Orleans Brandão, formando uma base que incluiu a família Sarney, o prefeito de Bacabal e presidente da Famem, Roberto Costa (MDB), com o aval dos ex-senadores João Alberto e Edison Lobão. Mais do que isso: esse movimento conta com o apoio integral do presidente nacional do MDB, deputado federal Baleia Rossi (SP), com quem o governador Carlos Brandão mantém canal aberto de comunicação.      

PONTO & CONTRAPONTO

Registro

Assembleia ampliou canais e melhorou a produção e a qualidade da sua comunicação com a sociedade

Juraci Filho apresenta balanço positivo da área
de comunicação da Assembleia Legislativa

Ao mesmo tempo que mais uma vez fez a sua parte como a base política do tripé institucional formado pelo Poderes no Maranhão, a Assembleia Legislativa avançou expressivamente numa área essencial para a sua sustentação, a comunicação. O passo adiante nessa seara foi mostrado ontem pelo seu diretor, o jornalista Juracy Filho, ao fazer um balanço das atividades do Complexo de Comunicação do Poder Legislativo, que reúne quatro braços em plena ação, dando não apenas o suporte necessário às atividades do parlamento, mas também produzindo registros de importância indiscutível à memória institucional, política e cultural do Maranhão.

O braço de comunicação é formado pela TV Assembleia (Canal aberto 9.2 – MAXX 17 – SKY 309.2), Rádio Assembleia (96,9 FM) e pelas redes sociais, cujas atividades jornalísticas e culturais vão muito além da ampla cobertura e divulgação das atividades dos 42 deputados estaduais. A divulgação da produção jornalística é feita perla Agência de Notícia da Alema, que alimenta não só os veículos do Complexo, mas toda a rede de comunicação pública e privada do Maranhão.

Os números apresentados pelo diretor Juracy Filho são surpreendentes e reveladores de que a Assembleia Legislativa do Maranhão dispõe de uma máquina de comunicação à altura da sua estatura como Poder. E com uma vantagem a mais: conta com o aval da Mesa Diretora e o apoio decisivo e entusiasmado da presidente Iracema vale (PSB).

A TV Assembleia, por exemplo, produziu e exibiu 1.830 reportagens entre janeiro de novembro – média de 165 a cada mês – nos seus 18 programas, que além da exibição de matérias jornalísticas, dão espaço para entrevistas, debates e outras manifestações de interesse público. Não é pouca coisa, principalmente se esse resultado é comparado às emissoras da rede privada. E principalmente se levado em conta o fato de que a grade de programação da emissora foi mantida em total regularidade.

 A TV Assembleia registrou 1.982 gravações entre janeiro e novembro de 2025, um volume considerado elevado para uma emissora legislativa, demonstrando alta produtividade, cobertura ampla e regularidade na produção de conteúdo. Foi uma média de 165 gravações por mês, representando uma produção alta e constante especialmente considerando a característica de uma TV institucional. Não foi sem razão, portanto, que sob o comando do jornalista Ronaldo Segundo, coordenador de Jornalismo, a TV Assembleia, recebeu cinco prêmios ao longo do ano, entre eles o “Prêmio Porto Itaqui 2025” e o do “Prêmio ADPEMA de Jornalismo Roberto Fernandes”.

No mesmo embalo, a Rádio Assembleia (96.9 FM) também se superou nos 11 meses avaliados pelo diretor Juraci Filho. Foram 3.598 produções de áudio, a maioria manifestações de deputados sobre temas diversos, divulgadas pela emissora, jornalisticamente corretas e marcadas pela credibilidade. E a resposta veio com o alcance de dois milhões de ouvintes, um bom resultado para o trabalho coordenado pelo jornalista Gregório Dantas, subdiretor de YV e Rádio Parlamentar.

Outro braço do Complexo de Comunicação da Alema que cresceu expressivamente no mesmo período foi o que alimenta as redes sociais.  No Instagram, por exemplo, o perfil da Alema alcançou mais de 60 mil seguidores, com acréscimo de 6.472 novos perfis no período. O conteúdo publicado atingiu mais de 1,8 milhão de pessoas e ultrapassou 3 milhões de impressões, fruto do trabalho coordenado pela jornalista Annyere Pereira. O perfil da Alema no Facebook atingiu mais de 15 mil seguidores, alcançando mais de 1,27 milhão de pessoas ao longo do ano. Já no YouTube, a TV Assembleia alcançou a marca de 150 mil inscritos, acumulando mais de 1,7 milhão de visualizações, com destaque para as transmissões ao vivo das sessões plenárias.

A Agência de Notícias contribuiu decisivamente para dar visibilidade às atividades do parlamento estadual em 2025. Sob a coordenação da jornalista Ellen Serra, foram 1.936 reportagens, 1.605 episódios de TV e 4.401 episódios de rádio veiculados no site da Alema, repercutindo as atividades desenvolvidas pela TV e pela Rádio da Alema.
Nas suas falas de apresentação, o diretor Juraci Filho e a diretora-adjunta Glaucione Pedrozo sinalizaram que o sistema de comunicação da Alema será ainda mais ativo no ano que vem.

São Luís, 16 de Dezembro de 2025.

Candidatos ao Senado intensificam movimentos na corrida para ampliar e consolidar posições

Weverton Rocha, Eliziane Gama e André Fufuca estão na disputa;
Hilton Gonçalo, Roberto Rocha, Pedro Lucas Fernandes e
Mical Damasceno tentam entrar nela; e Caros Brandão continua
sendo a chave-mestra para definir de vez o cenário

Em meio aos movimentos da corrida ao Governo do Estado, com o avanço do secretário estadual de Assuntos Municipalistas Orleans Brandão (MDB), da estabilidade do ex-prefeito de São Pedro dos Crentes Lahesio Bonfim (Novo), da complicada situação partidária do vice-governador Felipe Camarão (PT) e da mais absoluta indefinição do prefeito Eduardo Braide (PSD) sobre entrar ou não na briga, uma intensa movimentação vem marcando a corrida ao Senado. Os senadores Weverton Rocha (PDT) e Eliziane Gama (PSD), aspirantes à reeleição, o ministro do Esporte André Fufuca (PP), o ex-senador Roberto Rocha (sem partido), o ex-prefeito de Santa Rita Hilton Gonçalo (Mobiliza), o deputado federal Pedro Lucas Fernandes (União) e a deputada estadual Mical Damasceno (PSD) têm intensificado os seus movimentos de maneira clara, nitidamente focados nas duas cadeiras maranhenses na Câmara Alta.

O senador Weverton Rocha tem se desdobrado para dar conta das suas atividades legislativa como relator de matérias tecnicamente complexas e politicamente explosivas, como a indicação do advogado geral da União, Jorge Messias, e o projeto que altera as regras para o impeachment de ministro do Supremo Tribunal Federal, administrar questões partidárias, participar de eventos – inaugurações e atos públicos – no interior do estado, e o surgimento, aqui e ali, de algumas incômodas controvérsias. Alinhado inteiramente à pré-candidatura de Orleans Brandão, sua desenvoltura política vem garantindo a posição de melhor situado na corrida pré-eleitoral segundo todas as pesquisas publicadas até aqui, indicando que, se não houver uma reviravolta inesperada, serão amplas as suas chances de renovar o mandato.

Depois de tentar, sem sucesso, construir um suporte adequado na base governista, para ser, pelo menos, a segunda opção do Palácio dos Leões, a senadora Eliziane Gama parece decidida a seguir o seu rumo partidário e ocupar o espaço a ela destinado pelo PSD no contexto da provável candidatura do prefeito de São Luís, Eduardo Braide (PSD), ao Governo do Estado. Estimulada pela direção nacional do partido, Eliziane tem feito movimentos simbólicos de aproximação com setores mais conservadores, como mostrou a imagem e a troca de elogios entre elas e a senadora bolsonarista Damares Alves (PL/DF), que causou rebuliço tanto na direita quanto na esquerda. Caminha para declarar apoio à candidatura de Eduardo Braide aos Leões e manter apoio à do presidente Lula da Silva (PT) à reeleição.

O ministro André Fufuca tem trabalhado em duas frentes, uma para fazer da sua candidatura ao Senado um projeto independente, e outra para inseri-lo na base governista, apoiando Orleans Brandão, ainda que corra o risco de vir a ser cobrado por ser ministro do Governo Lula e não apoiar o candidato do PT no estado. Mas o fato é que André Fufuca tem sabido administrar as peças cesse cenário e avançar como a opção da base governista para a segunda vaga, como mostram as pesquisas. E o principal suporte à sua candidatura está na aliança com prefeitos de grandes municípios, como Rildo Amaral (PP), de Imperatriz, por exemplo. Essas parcerias políticas associadas ao trabalho que vem bancando como ministro do Esporte formam o lastro político e eleitoral do seu projeto, que parece consolidado.

Entre as demais pré-candidatura, a mais sólida é a de Hilton Gonçalo, que é fruto de um intenso trabalho político que ele vem realizando junto a prefeitos, ex-prefeitos e lideranças no interior, desde que deixou a Prefeitura de Santa Rita, o que o pré-candidato mais acreditado. Ao mesmo tempo, o ex-senador Roberto Rocha, ainda sem partido, faz uma pré-campanha inconsistente nas redes sociais, onde reclama de que seu nome não é incluído nas pesquisas, nas quais aparece em quarto, às vezes em quinto, lugar. Por sua vez, a deputada Mical Damasceno se diz em pré-campanha, reclamando também da não inclusão do seu nome nas pesquisas, num contexto em que quase ninguém dá crédito a esse projeto. Já o deputado federal Pedro Lucas Fernandes tem sido incluído nas pesquisas, mas em nenhum momento afirmou ser pré-candidato a senador, gerando a expectativa de que vai mesmo é tentar renovar o seu mandado na Câmara Federal, onde tem força partidária e prestígio pessoal.

Existe ainda um “porém” nesse cenário, que perde consistência dia após dia, mas ainda não está de todo resolvido: o futuro político do governador Carlos Brandão (sem partido): ele tem dito que ficará no cargo os quatro anos ou concorrerá a uma cadeira no Senado. Tem até o dia 3 de Abril para mudar de ideia e disputar uma cadeira no Senado, com a vantagem de que em todas as pesquisas que incluíram seu nome ele apareceu disparado na liderança.

PONTO & CONTRAPONTO

Acordo com Brandão leva Chiquinho da FC e Francisco Nagib à base governista

Chiquinho da FC sela aliança política com Carlos Brandão

Acordo fechado: o prefeito de Codó, Chiquinho da FC, que se elegeu pelo PT e continua filiado ao partido, e o seu filho, deputado Francisco Nagib, que permanece no PSB, mas está de malas prontas para migrar no momento em que for possível, fecharam acordo com o governador Carlos Brandão e já são parte da base governistas e alinhados à pré-candidatura do secretário de Assuntos Municipalistas Orleans Brandão (MDB) ao Palácio dos Leões.

Petista que não tem qualquer identidade política ou ideológica com o PT, Chiquinho da FC se filiou ao partido em 2024 no bojo de uma estratégia para enfrentar o então prefeito Dr. Zé Francisco (PSDB), que tinha o apoio do Palácio dos Leões. Filiado ao partido de Lula da Silva, Choquinho da FC se deu bem na jogada, tendo obtido ali o apoio de grupos conservadores e também dos setores de esquerda, que ficaram sem opção.

A condição de petista levaria o prefeito de Codó a apoiar o projeto de candidatura do vice-governador Felipe Camarão, mas a sua identificação política com o grupo do governador Carlos Brandão o fez aliar-se às forças do PT que estão no Governo do Estado e caminham para apoiar Orleans Brandão. O deputado Francisco Nagib seguiu o caminho do pai, rompeu com a oposição dinista e se declarou membro da base governista.

Segmentos ligados ao vice-governador Felipe Camarão tentaram, reverter a guinada dos chefes políticos de Codó, mas prefeito e o deputado codoenses preferiram ao alinhamento com o Palácio dos Leões.

Com elegibilidade plena, Madeira consolida projeto de chegar à Alema

Sebastião Madeira: livre do
fantasma da inelegibilidade

Vários nomes de peso político de peso regional estão se preparando para brigar por cadeiras na Assembleia Legislativa. Nesse universo pré-eleitoral um nome ganha corpo por conta do intenso trabalho político que vem realizando: o ex-deputado federal, ex-prefeito de Imperatriz por dois mandatos e atual chefe da Casa Civil do Governo do Estado Sebastião Madeira, que lidera o braço maranhense do PSDB.

Pré-candidato assumido a uma cadeira no parlamento estadual, Sebastião Madeira consolidou o seu projeto na semana que passou.

Ele conseguiu, por meio de intensa batalha judicial, reverter uma condenação pelo Tribunal de Contas da União (TCU), que lhe foi aplicada à revelia por conta da não apresentação, dentro dos prazos, da documentação que comprovava os gastos dos recursos de um convênio da Prefeitura de Imperatriz com as União durante o seu primeiro mandato. A condenação o tornou inelegível.

Inconformado, o ex-prefeito foi à luta e demonstrou ao TCU, por meio de recursos, com toda a documentação comprovando a correção do convênio, que a condenação foi injusta. O pleno do TCU, após exames e reexames do caso, reconheceu os argumentos do ex-prefeito e revogou a condenação, devolvendo-lhe a elegibilidade.

Ao longo dos últimos meses Sebastião Madeira realizou um intenso trabalho político preparando as bases da sua candidatura à Assembleia Legislativa e de Orleans Brandão ao Governo do Estado. Nesse período, concorrentes tentaram minar sua caminhada, espalhando a versão da inelegibilidade, munição que foi esgotada na semana passada.

Com ânimo renovado, o ex-prefeito de Imperatriz volta a pavimentar seu caminho rumo ao parlamento maranhense, agora sem o fantasma da inelegibilidade. E com o cacife que o mostram na liderança em pesquisas sobre a corrida à Alema na Região Tocantina.

São Luís, 14 de Dezembro de 2025.

TJ dá razão a Braide, suspende efeitos da lei salarial e passa a decisão final ao Supremo

Eduardo Braide: posição reforçada
com decisão do TJ sobre lei salarial

O prefeito de São Luís, Eduardo Braide (PSD), contabilizou ontem mais um ganho na sua posição contrária à vigência da Lei 7.729/25, que aumentou o seu salário de R$ 25 mil para R$ 38 mil, um reajuste de 52%, portanto, e fixou o teto remuneratório do município. Atendendo a um pedido dele, por meio da Procuradoria do Município, o Tribunal de Justiça suspendeu os efeitos da Lei aprovada pela Câmara Municipal e cuja rejeição pelo prefeito deu origem a um pedido de cassação, que foi arquivado na última terça-feira (09) pelo presidente do parlamento municipal, vereador Paulo Victor (PSB). A suspensão dos efeitos da lei foi tomada pelo decano do Tribunal de Justiça, desembargador Bayma Araújo, designado relator por conta da ausência do presidente da Corte, desembargador Froz Sobrinho, e pela atitude do vice-presidente, Raimundo Bogéa, que se julgou impedido por ser casado com a arquiteta Kátia Bogéa, que integra o primeiro escalão administrativo da Capital.

Com a decisão do desembargador relator Bayma Araújo de suspender os efeitos da lei, o processo seguirá para a Suprema Corte, onde o braço jurídico da Prefeitura de São Luís já protocolou um Recurso Extraordinário contestando a legalidade da Lei 7.729/25. Caberá, portanto, à mais alta Corte de Justiça do país dar a palavra final sobre a questão.

O ato jurídico do desembargador Bayma Araújo de suspender os efeitos da lei reforça a posição do prefeito Eduardo Braide, que desde o primeiro momento se manifestou contrário à norma aprovada pela Câmara Municipal, contestando principalmente o aumento do seu salário de R$ 25 mil para R$ 38 mil. O seu primeiro e mais forte argumento contrário é o fato de que, se o aumento tivesse sido confirmado, o prefeito de São Luís se tornaria o segundo prefeito de capital mais bem pago do Brasil, só perdendo para o prefeito de São Paulo, à frente, portanto, dos seus colegas do Rio de Janeiro e de Belo Horizonte, para citar apenas dois exemplos da distorção. O salário base do prefeito de São Luís seria maior do que o do governador do Maranhão.

Essa confusão jurídico-administrativa estremeceu fortemente as já tensas relações do prefeito Eduardo Braide com a Câmara Municipal. A tensão elevada se agravou quando o prefeito rejeitou a Lei 7.729/25, que envolveu a questão auditores do município, que seriam beneficiados com um expressivo reforço salarial. E foi exatamente um auditor aposentado que protocolou na Câmara Municipal um pedido de cassação do prefeito Eduardo Braide, acusando-o de cometer crime de responsabilidade. O pedido foi arquivado pelo presidente da Câmara sob o argumento de que não poderia dar prosseguimento ao pedido porque a questão ainda está tramitando na Justiça.

A movimentação por conta da possibilidade de o prefeito de São Luís viver o risco de ser cassado levou Eduardo Braide a assumir posições políticas que causaram preocupações entre os vereadores. E resultaram na revelação, por meio de pesquisa, de que ele tem aprovação de 90% dos ludovicenses, e que se a eleição para governador ocorresse agora, com ele entre os candidatos, Eduardo Braide sairia das urnas com nada menos que 80% dos votos da Capital, um cacife invejável numa disputa estadual. Quando muitos imaginaram que prefeito, mesmo não sendo cassado, sairia do episódio politicamente enfraquecido, ele mostrou uma musculatura política surpreendente em São Luís.

O destino da controversa Lei 7.729/25 está agora nas mãos do Supremo Tribunal Federal. Se a Suprema Corte decidir que ela é válida, caberá ao prefeito Eduardo Braide apenas cumpri-la. Se, por outro lado, se reconhecer nela ilegalidades, o prefeito de São Luís, acrescentará de vez mais um troféu na sua série de embates com a Câmara Municipal.

PONTO & CONTRAPONTO

Diante da possibilidade de assumir, vice de São Luís está mais próxima da máquina municipal

Esmênia Miranda: mais
próxima da máquina

O prefeito Eduardo Braide (PSD) ainda não disse se será ou não candidato a governador, mas nos bastidores da Prefeitura de São Luís corre o rumor de que a vice-prefeita Esmênia Miranda (PSD) estaria cada vez mais próxima dos centros de decisão, acompanhando atentamente os movimentos do titular.

A movimentação de Esmênia Miranda – que é oficiala da PM e professora – estaria sendo estimulada pelo próprio prefeito, de modo a prepara-la para assumir oi comando da maior e mais importante Prefeitura do Maranhão a partir de abril, com o desafio de comanda-la por mais dois anos.

Inexperiente em administração pública em 2020, quando o prefeito Eduardo Braide a prestigiou com o comando da Secretaria Municipal da Educação, a vice-prefeita enfrentou problemas e preferiu abrir mão do cargo em pleno acordo com o prefeito.

Durante o primeiro mandato, Esmênia Miranda cumpriu fielmente as atividades como vice, representando o prefeito em atos e solenidades em que ele não podia estar presente. Durante a campanha de 2024, a vice-prefeita foi muito ativa, participando de praticamente todos os eventos de campanha, desfazendo rumores de que seria substituída na vaga de vice, o que não aconteceu.

Agora, os olhares começam a se voltar para ela, à medida que se aproxima o moimento em que o prefeito Eduardo Braide baterá martelo sobre se será ou não candidato a governador.

Golpistas e criminosos de lesa-pátria contra o Brasil veem sua armação nos EUA desmoronar

Diplomacia eficiente de Lula da Silva com Donald
Trump desmontou o esquema armado nos EUA para
salvar Jair Bolsonaro da cadeia

A decisão do norte-americano Donald Trump de determinar a suspensão das sanções sobre o ministro do Supremo Tribunal Federal, Alexandre de Moraes e familiares, impostas por meio da Lei Magnitsky, confirmou várias situações bem claras no Brasil.

Uma: o presidente Donald Trump estava mal informado sobre a realidade institucional do Brasil e sobre o processo que resultou na condenação do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) a 27 anos de cadeia por tentativa de golpe de Estado.

Outra: o presidente Lula da Silva (PT) agiu como um estadista consciente e experiente ao administrar, sem bravatas, mas pela via diplomática, a crise causada do ataque norte-americano à economia e à soberania do Brasil como estado independente e democrático.

Mais uma: a estratégia dos Bolsonaro de usar o conservadorismo do presidente Donald Trump para livrar a pele do ex-presidente colocando as instituições brasileiras de joelhos fracassou e vai entrar para a história como uma mancha que só crescerá com o passados tempos.

E para arrematar: os tolos que acreditaram que esse crime de lesa-pátria seria compensado com o perdão dos golpistas com o aval do governo conservador norte-americano tropeçaram na sua própria cegueira e estão fadados a pagar um preço político bem amargo.

São Luís, 13 de Dezembro de 2025.

Aval de Lula e da cúpula petista injeta ânimo em Camarão, mas PT estadual tende a se aliar a Brandão

Felipe Camarão tem o aval de Edinho Silva, presidente
nacional do PT; falta o apoio do braço maranhense

“Minha pré-candidatura segue firme e forte, pelo PT, com apoio nacional do partido e em dobradinha com o presidente Lula”. A declaração foi feita ontem pelo vice-governador Felipe Camarão (PT) num post em que reclama de uma “onda de desinformação” envolvendo o seu projeto de disputar o Palácio dos Leões, afirmando que “a fábrica de fake news da turma que acha que pode ganhar no WO está a todo vapor”.

O vice-governador faz essa manifestação em meio à repercussão de duas novas pesquisas sobre a corrida sucessória. Uma do Datailha sobre as tendências em São Luís, na qual Eduardo Braide lidera com 80% das intenções de voto, Orleans Brandão (MDB) com 8,7%, ele, Felipe Camarão, com 3,7%, e Lahesio Bonfim (Novo) com 2,7%; e outra, da Econométrica, que abrangeu todo o estado, com Orleans Brandão liderando com 34,7%, seguido de Eduardo Braide com 27,4%, de Lahesio Bonfim com 17,1% e de Felipe Camarão com 8,5%.

No início da semana, informação publicada em jornais do eixo Rio/São Paulo e amplamente repercutida na blogosfera maranhense, deu conta de que o comando nacional do PT teria batido martelo decidindo que o partido disputará Governo em nove estados, entre eles o Maranhão, o que reforça o discurso do vice-governador Felipe Camarão de que sua pré-candidatura tem o apoio do presidente Lula da Silva e da cúpula do PT. A mesma notícia afirma o PT disputará vagas de senador em 17 estados, sem que o Maranhão conste da lista. Colocada nesses termos, a informação injetou gás na movimentação do vice-governador que, reconheça-se, não tem se deixado intimidar pelo fraco desempenho nas pesquisas de opinião.

Felipe Camarão tem sido correto quando afirma que o seu projeto de candidatura conta com o apoio do presidente Lula da Silva e da cúpula nacional do PT. Afinal, tanto o presidente quanto a liderança petista já disseram ser ele o candidato do partido ao Governo do Maranhão. E não houve, até agora, nenhuma voz da cúpula nacional petista pelo menos insinuando uma manifestação contrária a isso. A conversa do presidente Lula da Silva com o governador Carlos Brandão, mantida como “segredo de estado”, se não embalou a caminhada do vice-governador também não produziu nenhuma situação no sentido de desestimula-la. Logo, Felipe Camarão segue realizando os seus “Diálogos pelo |Maranhão” movido pela certeza de que o seu projeto é também o projeto do presidente e da cúpula petista.

Por outro lado, entre Felipe Camarão e o presidente Lula da Silva e a cúpula nacional petista tem uma pedra: o braço maranhense do PT, que caminha para uma aliança com o governador Carlos Brandão em apoio à pré-candidatura de Orleans Brandão. Com exceção do grupo de Raimundo Monteiro, ex-presidente do partido, as principais líderes petistas no Maranhão –  Washington Oliveira, Francimar Melo, Augusto Lobato, Zé Inácio, Zé Carlos Araújo, entre outros, respeitam a movimentação de Felipe Camarão, mas não o querem como candidato a governador em confronto com Carlos Brandão. Vários deles ocupam cargos no Governo e são candidatos a deputado estadual e federal, torcem fortemente para que o vice-governador reveja sua decisão de disputar o Governo. E a julgar pela sua movimentação, o vice-governador não quer conversa nessa direção, só aceitando conversar se Carlos Brandão renunciar para disputar o Senado e ele assumir o Governo para se candidatar à reeleição. Isso parece fora de cogitação no Palácio dos Leões.

O fato é que a informação de que o comando nacional PT está mesmo decidido a disputar o Governo do Maranhão caiu como uma forte dose de ânimo no vice-governador e, se vier a ser confirmada com manifestações mais nítidas do presidente Lula da Silva ou da direção nacional do PT, certamente obrigará o braço maranhense do partido a se posicionar de vez, confirmando a tendência de aliança com o governador Carlos Brandão ou declarando apoio a Felipe Camarão.

PONTO & CONTRAPONTO

Eleição na Câmara só ocorrerá no final de 2026 e mudança pode alterar o cenário da disputa

Paulo Victor anuncia que eleição
na Câmara só no final de 2026

A Câmara Municipal de São Luís só realizará a eleição da Mesa Diretora para o biênio 2027/2028 a partir de outubro do ano que vem, e não mais em abril, como havia sido programado. O anúncio foi feito ontem pelo presidente do parlamento municipal, vereador Paulo Victor (PSB). A mudança na regra será feita na próxima segunda-feira (15), com uma alteração na Lei Orgânica de São Luís.

Com a decisão, os vereadores ludovicenses se ajustarão a uma decisão do Supremo Tribunal Federal, que considerou inconstitucional a antecipação excessiva de eleição de mesa diretora de Casas legislativas, como o Congresso Nacional e as Assembleia Legislativas. A decisão da Suprema Corte, tomada no bojo de uma ação sobre o tema, corrige uma anomalia que contaminou os parlamentos do País por anos, havendo casos em que Mesa Diretora foi eleita com um ano de antecedência.

Com a correta e oportuna decisão anunciada ontem pelo presidente Paulo Victor, a corrida pela presidência do parlamento municipal, envolvendo os vereadores Beto Castro (Avante), apoiado por Paulo Victor e que tem a declaração de voto de 20 vereadores, e Marquinho Silva (União), que lidera uma ala de uma dezena de vereadores independentes em relação à atual Mesa Diretora, será colocada em ritmo mais lento.

A mudança pode permitir alteração radical em relação à disputa. O vereador Beto Castro, que começou sua campanha com a manifestação de apoio de 26 dos 31 vereadores, vem perdendo substância, enquanto Marquinho Silva, que começou sozinho e hoje lidera um grupo de 10 parlamentares.

Há quem diga que a alteração na agenda da eleição pode modificar expressivamente o cenário da disputa.

Deputados derrapam ao se juntar à extrema direita na afronta da Câmara ao Supremo no Caso Zambelli

Allan Garcez, Júnior Lourenço e Pastor Gil
votaram desacatando decisão do Supremo

Os deputados federais Allan Garcez (PP), bolsonarista roxo, e Júnior Lourenço (PL) e Pastor Gil (PL), de direita moderada, derraparam feio ao votarem contra a cassação da deputada federal Carla Zambelli (PL), condenada a 10 anos de cadeia e à perda do mandato por haver comandado uma de invasão ao sistema e arquivos eletrônicos do Conselho Nacional de Justiça e por haver agredido um militante político com uma pistola na mão em São Paulo.

Os três deputados embarcaram na errática decisão do presidente da Câmara Federal, Hugo Motta (Republicanos/PB), de peitar o Supremo Tribunal Federal e se deram mal. Isso porque, em vez de cumprir a regra, que era apenas declarar vazia a cadeira de Carla Zambelli e convocar o seu suplente para assumir a vaga, o presidente da Câmara Federal, alinhado com a direita radical, achou de tentar desrespeitar a lei e julgar o resultado de um julgamento da Suprema Corte, colocando a decisão para deliberação do plenário.

Insuflado pela tropa de choque do bolsonarismo radical, que vem dando as cartas na Mesa da Câmara, o presidente Hugo Motta caiu na esparrela e comandou a votação que resultou na “derrubada” da condenação de Carla Zambelli pela Suprema Corte.

Ontem, o ministro Alexandre de Moraes, com fundamentos sólidos, anulou a votação da Câmara Federal, reafirmou a sentença e determinou que o presidente da Câmara Baixa cumpra imediatamente a decisão da Corte, declare a perda de mandato de Carla Zambelli e emposse o suplemente dela como titular.

Como diz o ditado popular, os deputados Allan Garcez, Júnior Lourenço e Pastor Gil “pegaram em fio pelado” quando decidiram embarcar na tentativa da bancada da extrema direita de desrespeitar, com clara atitude de desacato, uma decisão bem fundamentada da Corte Suprema.  

Vale lembrar que os deputados Aluísio Mendes (Republicanos), Amanda Gentil (PP), Cléber Verde (MDB), Hildo Rocha (MDB), Juscelino Filho (União), Márcio Jerry (PCdoB), Pedro Lucas (União), Rubens Júnior (PT) e Marreca Filho (PRD) votaram pela cassação. Já o deputado Fábio Macedo (Podemos) se absteve, e Duarte Jr. (PSB), Detinha (PL), Josimar de Maranhãozinho (PL), Josivaldo JP (PSD) e Márcio Honaiser (PDT), estavam ausentes.

São Luís, 12 de Dezembro de 2025.

Projeto que reduz pena para golpistas foi aprovado com o aval de apenas sete dos 18 deputados do Maranhão

Acima: Allan Garcez, Aluísio Mendes, Cleber Verde, Marreca Filho,
Júnior Lourenço, Josivaldo JP e Pedro Lucas Fernandes votaram
a favor; embaixo: Amanda Gentil, Detinha, Josimar de
Maranhãozinho, Pastor Gil, Hildo Rocha, Juscelino Filho e
Márcio Honaiser se abstiveram
Márcio Jerry, Duarte Júnior, Fábio Macedo
e Rubens Jr. votaram contra o projeto

A Câmara Federal aprovou, por 291 votos a favor e 148 contra, o projeto de lei que muda a dosimetria e a caracterização de crimes contra a democracia, como golpe de estado, por exemplo. Se as regras instituídas pela Câmara Federal foram aprovadas pelo Senado da República, todas as penas aplicadas aos envolvidos na tentativa de golpe ocorrida no final de 2022, e que culminou com o ataque às instituições no fatídico 8 de janeiro de 2023, serão revistas. E o grande beneficiário da mudança será ninguém menos que o líder maior do plano golpista, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), que foi condenado a 27 anos de cadeia, mas pelas novas regras, poderá ser solto em dois anos. Além disso, os deputados que votaram a favor deram ao país uma demonstração de que, ao contrário do que seus porta-vozes badalam todos os dias, se há uma ditadura se formando no Brasil, essa está sendo praticada pela Câmara Federal, que tenta desestabilizar a relação entre os Poderes da República.

Os 18 deputados que formam a bancada do Maranhão na Câmara Federal se posicionaram com clareza: 11 deputados maranhenses não avalizaram a trama legislativa para livrar o ex-presidente Jair Bolsonaro e sua turma; desses, quatro votaram contra – Duarte Jr. (PSB), que desde o início se posicionou contra,  Fábio Macedo (Podemos), que seguiu a orientação do partido, Márcio Jerry (PCdoB) e Rubens Júnior (PT), que atuaram fortemente contra o projeto – e sete decidiram não participar da votação (Josimar de Maranhãozinho (PL), Detinha (PL) e Pastor Gil (PL), que contrariaram frontal e corajosamente a cúpula bolsonarista e a orientação do partido; Hildo Rocha (MDB), da ala emedebista situada mais à direita, Amanda Gentil (PP), que se posicionou alinhada ao ministro do Esporte André Fufuca, Márcio Honaiser (PDT), que segue a orientação do partido e do senador Weverton Rocha (PDT), e Juscelino Filho (União), ex-ministro das Comunicações e que integra a ala do partido que não reza a cartilha do bolsonarismo.

Os sete deputados que votaram a favor do projeto armado pela cúpula bolsonarista com a presidência da Câmara Federal, cujo titular, deputado federal Hugo Motta (Republicanos/PB), envergonhou a instituição na terça-feira, foram os seguintes: Allan Garcez (PP), bolsonarista radical, Aluísio Mendes (Republicanos), defensor da anistia geral e irrestrita para golpistas, Cléber Verde (MDB), que atua na ala mais conservadora do partido, Marreca Filho (PRD), que simpatiza com o movimento para tirar Jair Bolsonaro da cadeia, Júnior Lourenço (PL), “dissidente” do grupo que forma o PL do Maranhão, Josivaldo JP (PSD), bolsonarista militante, mesmo tendo sido jogado para escanteio em Imperatriz, e Pedro Lucas Fernandes, integrante destacado da ala bolsonarista do União comandada por Antonio Rueda.

A votação do projeto da nova dosimetria para condenados por tentativa de golpe de estado funcionou como uma espécie de termômetro para avaliar o posicionamento da bancada em relação às questões mais sensíveis da República. Ficou claro que a direita radical, representada pelos sete que votaram a favor do projeto forma um bloco mesclado, que nem sempre repete a mesma performance. Além do mais, esses parlamentares estão fortemente influenciados pelas lideranças das bancadas partidárias, que turbinaram o seu discurso contra o Supremo Tribunal Federal depois que o ministro Gilmar Mendes, resolvendo omissão do próprio Congresso Nacional, decidiu atualizar a lei do impeachment de ministro do STF, que é de 1951. E também porque o ministro Flávio Dino decidiu colocar em debate a existência das emendas impositivas, por enxergar nelas usurpação de autoridade do presidente da República sobre uma fatia expressiva do Orçamento da União.

O projeto seguiu para o Senado, onde existe a possibilidade de ele ser brecado com pelo o menos dois votos maranhenses, os das senadoras Eliziane Gama (PSD) e Ana Paula Lobato (PSB). Mas se os senadores vierem a referenda-lo, o Brasil corre o risco de mergulhar numa crise institucional de desdobramento imprevisível.

PONTO & CONTRAPONTO

Fórum de Imperatriz é inaugurado mais de uma década depois e muitos milhões de reais consumidos sem explicação

O gigantesco e arrojado complexo do Fórum
de Imperatriz e o presidente do TJ, Froz
Sobrinho na sessão inaugural de ontem

Um movimentado ato institucional marcou ontem a inauguração do Fórum de Imperatriz, uma mega estrutura com mais de 40 mil metros quadrados, com duas torres de seis pavimentos completas, uma torre parcial com três pavimentos, sendo um para abrigar dois salões destinados à realização de júri, com 290 metros quadrados, cada, nove elevadores, além de estacionamento e outros espaços físicos. O complexo, que chama a atenção pelas suas linhas arquitetônicas arrojadas, foi batizado “Desembargador Raimundo Freire Cutrim”, um magistrado respeitado que presidiu o TJ no início deste século.

O ato de inauguração se deu com grande pompa institucional, sob o comando do presidente do Poder Judiciário, desembargador Froz Sobrinho, da maioria dos desembargadores, do governador Carlos Brandão (sem partido) e do deputado estadual Glaubert Cutrim (PDT), que representou a Assembleia Legislativa, além de juízes, promotores, advogados, parlamentares e prefeitos da região.

O Fórum de Imperatriz começa a funcionar mais de uma década depois de iniciada em 2013, a sua construção na gestão presidencial do desembargador Guerreiro Jr., e marcado por uma gestação traumática, recheada de erros, equívocos e muitas suspeitas de desvios. Inicialmente orçado em R$ 50 milhões, sua construção foi interrompida em 2916 quando era apenas um esqueleto de ferro que já havia consumido R$ 75 milhões. Em meio a denúncias e acusações feitas pelo Ministério Público, a construção do Fórum de Imperatriz se tornou numa tremenda dor de cabeça para o Poder Judiciário e para os presidentes que sucederam Guerreiro Jr.. Transformada num monstrengo perdulário e insaciável, a carcaça do Fórum de Imperatriz ganhou a estatura de escândalo nacional, objeto que foi de uma ampla e explosiva reportagem do programa Fantástico, da Rede Globo.

Depois de largo período suspensa por falta de recursos e por falta de perspectivas, a construção do Fórum de Imperatriz foi retomada na gestão do presidente Paulo Velten, que mergulhou em avaliação, foi buscar explicações para a gastança sem resultado, e finalmente conseguiu reorganizar o projeto e retomar a construção. O complexo ficou quase pronto quando o desembargador Paulo Velten passou a presidência para o novo presidente, Froz Sobrinho, que o concluiu e que, ao inaugura-lo ontem, pediu uma salva de palmas para o seu antecessor.

O Fórum de Imperatriz certamente dará mais condições de funcionamento do Judiciário do Maranhão, disso ninguém duvida. Mas a história da sua construção não termina com a inauguração, uma vez que existem processos sobre o assunto correndo na Justiça. O preço final do complexo não foi divulgado.

Em Tempo: A estrutura do Fórum de Imperatriz é tão grande que o governador Carlos Brandão negociou um espaço para instalar ali uma versão Tocantina do Palácio dos Leões, com dois felinos e dois canhões na entrada, reforçando o status da cidade como “segunda Capital do Maranhão”.

Braide estaria em processo de contatem repressiva para dizer se será ou não candidato a governador

Eduardo Braide em contagem
regressiva sobre candidatura

O episódio do pedido de cassação que movimentou a cena política de São Luís nos últimos dias teria feito o prefeito Eduardo Braide (PSD) começar a pensar seriamente sobre entrar ou não entrar na corrida para o Palácio dos Leões.

Os rumores que circularam nos bastidores políticos da Capital nas últimas horas sussurraram que Eduardo Braide estaria planejando para janeiro uma declaração informando sua pré-candidatura ou avisando de que não será candidato.

O prefeito de São Luís teria avaliado que o episódio foi importante, porque permitiu que ele tivesse informações segurar sobre o grau do relacionamento que vive com o eleitorado de São Luís, que lhe daria 80% dos votos se a eleição fosse agora, dando-lhe também 95% de aprovação.

O próprio prefeito não emitiu qualquer sinal nesse sentido, mas os seus movimentos diante do pedido de cassação sugeriram que ele se preocupou de fato com a possibilidade de ser tirado do cargo e ficar inelegível por oito anos, de modo que só poderia disputar votos nas eleições gerais de 2034.

Não será surpresa, portanto, se o prefeito de São Luís estiver num processo de contagem regressiva para se posicionar sobre a sucessão estadual depois das festas de final do ano e da chegada do ano novo.

São Luís, 11 de Dezembro de 2025.

Câmara arquiva pedido de cassação e Braide sai do episódio com força política redobrada em São Luís

Eduardo Braide se livra do pedido de cassação,
arquivado por Paulo Victor (abaixo), e lidera,
disparado, a corrida sucessória em São Luís, à frente de Orleans Brandão, Felipe Camarão e Lahesio Bonfim

Se a eleição para governador do Maranhão fosse realizada agora, o prefeito de São Luís, Eduardo Braide (PSD), teria nada menos 80,1% dos votos do eleitorado ludovicense, seguido do secretário de Assuntos Municipalistas Orleans Brandão (MDB), que teria 8,5%, do vice-governador Felipe Camarão (PT) com 3,7%, e do ex-prefeito de São Pedro dos Crentes Lahesio Bonfim (novo), com 2,7% – insatisfeitos e indecisos somariam 5,4%.

A pesquisa foi divulgada ontem pelo instituto Datailha em meio ao forte clima de agitação política causado pelo pedido de cassação do prefeito Eduardo Braide, providencialmente mandado para o arquivo pelo presidente da Câmara Municipal, vereador Paulo Victor (PSB), que se baseou num argumento técnica e politicamente irretocável: a questão que motivou o tal pedido ainda depende de decisão do Supremo Tribunal Federal, o que torna precipitada qualquer manifestação do Legislativo ludovicense sobre o tema, por ele definido como “complexo” e “sensível”. Vale lembrar que o pedido se baseia no fato de o prefeito haver questionado na Justiça a Lei 7.726/25, que aumentou o seu salário de R$ 25 mil para R$ 38 mil e definiu o teto remuneratório do município e na qual foi agregado um jaboti reajustando os salários de maios de 400 auditores da ativa e aposentados.

Independentemente das várias “teorias da conspiração” que circularam no meio político e fora dele como com sendo a grande motivação por trás da ação contra o prefeito, assinada por um auditor aposentado, o fato é que o episódio arremessou de vez o prefeito Eduardo Braide para o epicentro da corrida ao Palácio dos Leões, mesmo tendo ele mantido intacta um silêncio obstinado, mas estratégico, sobre o assunto. E o fato é que, tenha sido ou não uma armação incentivada por adversários, o tiro saiu pela culatra, porque Eduardo Braide, que andava meio retraído, foi catapultado, sem fazer um só esforço, para a seara sucessória. E, mais do que isso, mostrou uma força e estatura políticas sem precedentes desde o prefeito Jackson Lago, que saiu do Palácio de La Ravardière em abril de 2004 e assumiu o Palácio dos Leões em janeiro de 2005.

Na noite de sexta-feira (5), diante da notícia de que haviam protocolado um pedido de cassação contra ele por conta da sua resistência à lei que aumentou seu salário em 52%, o prefeito Eduardo Braide disparou nas redes sociais uma mensagem por meio da qual politizou o caso e emparedou a Câmara Municipal. Ele foi direto ao ponto: Estão querendo passar o meu mandato porque eu não aceitei que aumentassem o meu salário”. E prosseguiu: os vereadores de São Luís votar, na terça-feira, se querem cassar meu mandato ou me deixar trabalhar”. E foi fez o xeque mate: “Vocês devem acompanhar o voto do seu vereador, para saber se ele quer me cassar ou quer que eu continue trabalhando”. A mensagem produziu os elementos de uma tempestade perfeita

A reação de Eduardo Braide fulminou, primeiro, o projeto de algum vereador que gostaria de vê-lo cassado, e depois colocou o presidente da Casa, Paulo Victor, na seara da razão. Em vez de embrenhar-se pelo cipoal traiçoeiro da política, ele preferiu se calçar em argumentos técnicos, o que mostrou com um discurso equilibrado e lúcido na sessão de ontem: “Ainda não há pronunciamento definitivo do Judiciário sobre este tema. Diante deste cenário cabe à presidência fazer uma ponderação: dar início ao processo de cassação de prefeito pela não execução de uma lei que ainda está submetida a julgamento definitivo da Suprema Corte é, neste momento, muito temerário”. E arrematou: “Estamos diante de um tema sensível, complexo, que atingiu centenas de servidores. Esta Casa atuou para corrigir erros administrativos, mas não podemos transformar isso em instrumento de instabilidade institucional. A cassação é a medida mais extrema da democracia” e que não será usada sem “fatos inequívocos e comprovados”.

Antes do final da manhã, São Luís estava livre de uma grave crise institucional, com desdobramentos imprevisíveis; a Câmara Municipal respirava aliviada pela desativação de uma bomba, e o prefeito Eduardo Braide estava livre do pedido de cassação e instalado de novo na locomotiva sucessória ao ser informado que é aprovado por 95% o seus conterrâneos, que tinha o apoio de 90% deles contra o processo de cassação, e que, se a eleição para governador fosse agora, nada menos que 80% lhe dariam o voto.

Resta agora aguardar sua palavra sobre se será ou não candidato a governador.

Em Tempo: A pesquisa Datailha ouviu 705 pessoas em 06 de dezembro de 2025, tem margem de erro de 3,7 pontos percentuais, para mais ou para menos, e intervalo de confiança de 95%.

PONTO & CONTRAPONTO

Dino defende debate sobre emendas impositivas, que ferem a autoridade do presidente da República

Flávio Dino: agora com foco nas
emendas impositivas

Por iniciativa do ministro Flávio Dino, o Supremo Tribunal Federal poderá fechar sua agenda de 2025 com um dos mais importantes e necessários debates relacionado com o equilíbrio na relação entre os Poderes Executivo, Legislativo e o próprio Judiciário e que diz respeito diretamente à integridade do sistema presidencialista do País. Trata-se da constitucionalidade das chamadas emendas impositivas, aquelas que o é obrigado a bancar. Hoje, as emendas impositivas existem nas Assembleias Legislativas, obrigando o Poder Executivo estadual a bancá-las, e nas Câmaras Municipais, impondo a mesma obrigação aos prefeitos.

Incluídas na Constituição de 2015 por uma polêmica decisão do Congresso, tais emendas sempre foram vistas como uma anomalia que desequilibra a relação entre o Legislativo e o Executivo. Isso porque muitos enxergam intromissão do Legislativo no Executivo, ferindo gravemente o sistema presidencialista, à medida que a regra impõe ao presidente a obrigação de librar recursos para essas emendas.

A discussão foi parar no colo do ministro Flávio Dino, que tem nas mãos um processo de questionamento dessa prerrogativa do Legislativo em detrimento da autoridade e autonomia do presidente da República. Flávio Dino poderia muito bem se safar da bomba, desativando o seu pavio ou retardando a sua avaliação, mas na condição de “xerife” que decidiu investigar o destino dos recursos de emendas como as “pix”, que ninguém sabe onde vão parar, resolveu agora colocar as emendas impositivas em debates, para avaliar-se a constitucionalidade.

É uma outra frente de guerra com o Congresso Nacional, mas o ministro mostra que está determinado a seguir em frente, doa a quem doer, deixando senadores, deputados federais, deputados estaduais e vereadores irados, uns por medo, outros por acharem que o que está aí é o correto. Vale lembrar que anualmente as emendas impositivas “sequestram” uma gorda fatia do Orçamento da União.

Se vai mesmo disputar vaga no senado, Mical Damasceno deve procurar um novo partido

Mical Damasceno: candidatura

A deputada Mical Damasceno (PSD) continua reclamando do fato de o seu nome não haver sido incluído nas pesquisas que mediram recentemente a corrida ao Senado em 2026. Em discurso há dois meses, ela anunciou que estava abrindo mão de tentar a reeleição para a Assembleia Legislativa e concorrer a uma cadeira na Câmara Alta, concorrendo com os senadores Weverton Rocha (PDT) e Eliziane Gama (PSD), com o ministro do Esporte André Fufuca (PP), entre outros, e com a possibilidade, ainda que remota, de o governador Carlos Brandão (sem partido) vir a pleitear uma cadeira.

Nas suas falas até agora, a deputada Mical Damasceno não deixou muito claro o que a levou a entrar nessa seara, onde parece não ter qualquer chance. Ora joga a responsabilidade nas costa de Jesus Cristo em nome de quem diz fazer tudo na vida, e ora insinua que consultou as suas bases e elas lhe disseram que esse é o caminho a seguir. Há, porém, que diga que, antevendo dificuldades para se reeleger, apesar da sua base evangélica de linha radical e bolsonarista, a candidatura ao Senado seria uma jogada para promover o seu nome e melhorar suas chances de renovar o mandato de deputada estadual.

Se pretende ser mesmo candidata ao Senado, a deputada Mical Damasceno deve procurar outro partido, porque, segundo uma fonte segura ouvida pela Coluna, ela não tem a menor chance de conseguir a indicação do seu atual partido, o PSD, que tem o prefeito Eduardo Braide como manda chuva estadual e a senadora Eliziane Gama como virtual candidata da agremiação à reeleição.

Portanto, se pretende mesmo candidatar-se ao Senado, a primeira providência da deputada Mical Damasceno será procurar um novo partido.

São Luís, 09 de Dezembro de 2025.

Risco de cassação de Braide coloca o tabuleiro sucessório estadual em clima de forte expectativa

Eduardo Braide exibe cópia do recurso extraordinário
que protocolou ontem no Tribunal de Justiça

O embate jurídico/político que o prefeito Eduardo Braide (PSD) trava no momento com a Câmara Municipal por haver contestado judicialmente a Lei nº 7.729/25, que aumentou o salário do chefe do Executivo de R$ 25 mil para R$ 38 mil, um reajuste de 52%, fixando também o subteto remuneratório municipal, o que levou a um pedido de impeachment, que será admitido ou não pelos vereadores nesta terça-feira (9), se resultar na perda do mandato, produzirá também bombástica consequência política. Isso porque, se for cassado com base na Lei Complementar nº 64/90, conhecida como Lei da Ficha Limpa, Eduardo Braide, que lidera as intenções de voto mesmo sem se declarar candidato, será tornado inelegível por oito anos, ficando de fora, portanto, da corrida ao Palácio dos Leões até 2034.

As consequências políticas que essa crise institucional poderá produzir podem virar pelo avesso a disputa pelo Governo do Estado, alterando a posição dos candidatos já assumidos e abrindo caminho para novos cenários. Se na hipótese de o impeachment vingar e o elenco de postulantes à sucessão do governador Carlos Brandão continuar o mesmo, pelo menos em princípio a disputa se dará entre o secretário de Assuntos Municipalistas Orleans Brandão (MDB), que lidera o cenário sem Eduardo Braide, e o ex-prefeito de São Pedro dos Crentes Lahesio Bonfim (Novo), com possibilidade – no caso não tão remota -, de o vice-governador Felipe Camarão entrar na briga, seja como candidato do PT, seja como representante do PSB.

A chave para o equilíbrio dessa hipotética equação seria exatamente para onde migrariam as intenções de voto de Eduardo Braide. É claro que, nesse caso, dificilmente os seus 35% de intenções se bandeariam para um só candidato, mas numa disputa com três postulantes, a concentração de 10% a 20% num deles faria uma enorme diferença nesse jogo. Daí a lógica recomendar que se, numa hipótese remotíssima, o prefeito de São Luís ficar de fora da disputa pelo Palácio dos Leões, sua influência na corrida poderá ser decisiva.

Isso porque o seu afastamento, se vier a ocorrer, não se dará por desvio de conduta, corrupção ou coisa parecida, mas pelo simpático gesto de ele recusar um aumento de salário imposto, que ele acha injusto. Por mais que seja utilizado o argumento de ele se negar a acatar um aumento no subteto – que ele calcula custará R$ 28 milhões anuais aos cofres do município, o que vai pesar na avaliação do eleitor é a recusa do aumento do seu salário. Quando veio a público conclamar o eleitorado a se mobilizar para acompanhar o voto “do seu vereador” na sessão em que a Câmara, por maioria, admitirá ou não, o processo de impeachment, o prefeito Eduardo Braide sabia exatamente o que estava fazendo, usando argumento poderosíssimo: “Eles vão decidir se vão me tirar ou se vão me deixar continuar trabalhando”. Não foi sem razão que o tarimbado vereador Astro de Ogum (PCdoB) percebeu sintomas de confusão no ar e se apressou em gravar uma mensagem tentando colocar o trem nos trilhos.

Não há dúvida de que o pedido de impeachment do prefeito Eduardo Braide mexeu com o comando de cada uma das campanhas. O de Orleans Brandão se manteve quieto, aparentemente indiferente; o de Lahesio Bonfim também preferiu silenciar a dar pitado na crise; enquanto o de Felipe Camarão, ao contrário, a começar por ele próprio, saiu em defesa do prefeito de São Luís, vendo na ação o dedo de adversários – “Eles querem ganhar por W0”, disparou o petista, apontando o dedo para a seara governista. Só que nada nesse sentido veio à tona, pelo menos até o fechamento dessa edição.

Tarimbado no jogo das pressões, e conhecedor dos caminhos do Direito Público, o prefeito Eduardo Braide tem se mantido na trincheira e contra-atacando. Ontem mesmo protocolou no Tribunal de Justiça do Maranhão um recurso extraordinário em que pede ao presidente da Corte, desembargador Froz Sobrinho, que encaminhe o caso ao Supremo Tribunal Federal.

PONTO & CONTRAPONTO

Brandão fecha o ano com o cacife de estar entre os dez melhores do país

Carlos Brandão entre os governadores
melhor avaliados de todo o país

O governador Carlos Brandão (sem partido) fechou a semana em clima de alto astral. E o motivo principal foi um dado da pesquisa Real Time Big Data, só divulgado na quinta-feira da semana passada, na qual aparece na lista dos dez governadores melhor avaliados. De acordo com o levantamento, o mandatário maranhense aparece em nono lugar com 66% de aprovação.

O ranking encontrado pela Big Data é o seguinte: Ratinho Junior (Paraná – PSD) – 85%, Helder Barbalho (Pará – MDB) – 82%, Rafael Fonteles (Piauí – PT) – 81%, Renato Casagrande (Espírito Santo – PSB) – 81%, Eduardo Riedel (Mato Grosso do Sul – PP) – 78%, Fábio Mitidieri (Sergipe – PSD) – 72%, Mauro Mendes (Mato Grosso – União) – 70%, Paulo Dantas (Alagoas – MDB) – 68%, Carlos Brandão (Maranhão – sem partido) – 66% e João Azevêdo (Paraíba – PSB) – 64%.

O governador do Maranhão que, pelo menos até aqui, não será candidato ao Senado em 2026, é melhor avaliado do que três governadores que estão ensaiando candidatura à presidência da República e que não aparecem entre os dez melhor avaliados nas suas bases. O primeiro deles é o de São Paulo, Tarcísio de Freira (Republicanos), o segundo é o de Goiás, Ronaldo Caiado (União), e o terceiro é o de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo). E ainda de estrelas, como o gaúcho Eduardo Leite (PSD).

Carlos Brandão fecha o ano, portanto, numa posição confortável na visão do eleitorado, com cacife para, se quiser, ser senador sem maiores problemas.

Candidatura de Flávio Bolsonaro foi ignorada por quem de fato dá as cartas no PL no Maranhão

Josimar de Maranhãozinho ignorou o
lançamento Flávio Bolsonaro

Apoiada no Maranhão por membros da extrema direita com pouco peso político e eleitoral, como o deputado estadual Yglésio Moyses (PRTB), a vereadora de Flávia Berthier (PL) e o presidente na legenda na Capital, Felipe Arnon, a pré-candidatura do senador Flávio Bolsonaro não recebem bênção de quem de fato tem cacife para falar em nome do PL no Maranhão: o deputado federal Josimar de Maranhãozinho, que preside o partido no estado.

Quem conhece os altos e baixos que marcaram a relação de Josimar de Maranhãozinho com o ex-presidente Jair Bolsonaro suspeita que parlamentar maranhense tende a não mover uma palha pelo filho 01. Josimar de Maranhãozinho encarou uma disputa de vida ou morte partidária com Jair Bolsonaro, que exigiu do presidente nacional do partido, Waldemar Costa Neto, que o destituísse do comando estadual do partido e o entregasse a um aliado seu, que no caso seria o ex-senador Roberto Rocha. Não deu certo.

Numa nova investida, Jair Bolsonaro levou a melhor, conseguindo destituir a deputada Detinha, a mais votada do estado em 2022, do comando do PL Mulher no Maranhão, entregando o posto para a inexpressiva vereadora Flávia Berthier, alargando e aprofundando ainda mais o fosso que os separava.

Josimar de Maranhãozinho, Detinha, Pastor Gil e Júnior Lourenço ignoraram solenemente o anúncio da pré-candidatura de Flávio Bolsonaro, e a menos que haja uma reviravolta imprevista, vão continuar em silêncio, aguardando o desenrolar dos fatos.

São Luís, 07 de Dezembro de 2025.

Weverton ocupa espaço na cúpula do Senado e amplia suas chances de reeleição

Weverton Rocha: espaço generoso no Senado
reforça sua corrida à reeleição

Em meio à turbulência que estremece o tabuleiro político do Brasil com a proximidade das eleições de 2026, o senador maranhense Weverton Rocha (PDT), que está em fim de mandato e se movimenta para brigar pela reeleição, ganha protagonismo surpreendente no cenário político nacional. Em duas semanas, ele ocupa espaço especial em dois assuntos extremamente sensíveis, designado que foi pelo presidente do Senado e do Congresso Nacional, Davi Alcolumbre (União/AP), para relatar dois projetos politicamente explosivos: a indicação do advogado geral da União, Jorge Messias, para a vaga aberta no Supremo Tribunal Federal, e o projeto que atualiza a lei do impeachment de ministros do Supremo Tribunal Federal.

São duas matérias complicadas, que estão exigindo do senador maranhense todo o jogo de cintura possível para acomodar o que estão propondo as duas tendências dominantes no Senado da República: a base governista, que se manifesta favorável à indicação de Jorge Messias para a Suprema Corte e está dividida em relação à decisão do ministro Gilmar Mendes quanto as regras para impeachment de ministro do STF, e a oposição, que vem se mobilizando para votar contra a indicação do advogado geral da União, e tenta incendiar a Casa contra a decisão do ministro Gilmar Mendes sobre as regras para o impeachment de membros do STF.

Escolado nesse jogo e muito bem articulado com o presidente do Senado, de quem é parceiro há tempos, o senador Weverton Rocha sabe que no primeiro caso o seu papel é mais de articulador do que de relator, uma vez que nenhum senador se posicionará a favor ou contra Jorge Messias baseado no seu relatório, já que a votação é política. Qualquer mudança de voto será resultado de no jogo político e não porque o relator tenha dito isso ou aquilo a respeito do indicado no seu relatório. A votação que Jorge Messias vier a receber nada terá a ver com o relatório do senador Weverton Rocha, seja ele favorável ou contrário à indicação.

No caso da relatoria do projeto de lei que atualiza as regras para o impeachment de ministro da Suprema Corte há uma diferença acentuada, tendo o relator papel crucial e decisivo na construção do relatório. De acordo com o que foi divulgado ontem, o senador Weverton Rocha vem atuando como um verdadeiro equilibrista, à medida que a linha que adotou foi a de equilibrar o jogo aproveitando sugestões de todos os lados, inclusive aproveitando o básico da decisão do ministro Gilmar Mendes no que diz respeito ao quórum necessário de senadores para que uma proposta de impeachment seja admitida. Weverton Rocha está montando o relatório para garantir a aprovação do projeto.

Parlamentar ativo, tanto no campo político quanto na seara legislativa, com várias leis úteis aprovadas e algumas posições polêmicas – como a favorável à controversa e natimorta PEC da Blindagem, por exemplo -, o senador Weverton Rocha andou muito próximo do escândalo dos descontos criminosos nos contracheques de aposentados do INSS e de outras confusões, mas saiu ileso de todas. Conseguiu espaço amplo na cúpula do Senado, ora como líder do PDT, ora como porta-voz do governo em articulações complicadas.

A visibilidade que ganha agora como relator das duas matérias que estão mexendo com o Senado e o Palácio do Planalto lhe dá mais gás para intensificar a sua campanha pela reeleição. Ele entra na corrida eleitoral apontado com favorito em todas as pesquisas em que tem o ministro do Esporte, André Fufuca (PP) e senadora Eliziane Gama (PSD) como concorrentes, só caindo para segundo colocado nos levantamentos em que disputa com o governador Carlos Brandão (sem partido) e com a deputada federal Roseana Sarney (MDB). Na corrida sucessória, ele fala em recomposição da base governista, mas está firmemente associado à pré-candidatura de Orleans Brandão (MDB) ao Governo.

  Nas rodas de conversa política quase ninguém duvida da sua reeleição.

PONTO & CONTRAPONTO

Nota da Câmara esclarece pedido de cassação do prefeito Eduardo Braide

Eduardo Braide: pedido de cassação

A divulgação, ontem, pela Câmara Municipal, de nota oficial sobre o pedido de cassação do prefeito Eduardo Braide (PSD), protocolado por um auditor municipal aposentado, sob a acusação de supostos infração político-administrativa e crime de responsabilidade pelo não cumprimento da Lei 7.729/25, que regula o reajuste salarial do prefeito e estabelece o teto remuneratório no âmbito municipal, colocou um pouco de freio nas tensões causadas pelas declarações do chefe do Executivo Municipal.

E meio a um certo disse-não-disse com informações enviesadas sobre o assunto, a nota da Câmara Municipal esclareceu o que de fato está acontecendo, a partir da ação ali protocolada, e o que ficou claro foi o seguinte: a ação pede a cassação do prefeito pelo não cumprimento da Lei 7.729/25, que reajustaria seu salário (de R$ 25 mil para R$ 38 mil, mais de 50%) e o de cerca de 400 servidores do município, entre eles auditores da ativa e aposentados e pensionistas.

Informa também que “o caso terá tramitação ordinária, observando os prazos legais, os princípios do contraditório e da ampla defesa e a total transparência do processo”. Isso traduzido, significa dizer que o documento será tecnicamente examinado pela área jurídica da Câmara e depois será analisado pela Comissão de Constituição e Justiça, para só depois, se for o caso, ser submetida à votação pelo plenário.

Antes dessa análise, os vereadores admitirão ou não o pedido, que é o que deve acontecer na sessão de terça-feira (9). Se admitirem, processo começa a tramitar; se não, será mandado para o arquivo morto do Palácio Pedro Neiva de Santana.

No vídeo que postou quinta-feira nas redes sociais, o prefeito Eduardo Braide resumiu a questão à sua decisão de não aceitar o reajuste do seu salário, sem se referir ao fato de que a ação focou mais na reivindicação de auditores, que seriam beneficiados com reajuste salarial gordo se o prefeito tivesse acatado o aumento do seu próprio salário.

O prefeito também convocou a população a se posicionar, o que causou reações preocupadas na Câmara Municipal, como a do experiente vereador Astro de Ogum (PCdoB). Ele contestou em parte a fala de Eduardo Braide, dizendo também uma meia verdade ao afirmar que a ação não está relacionada ao aumento do salário do prefeito, mas à reivindicação dos auditores. O fato é que as duas coisas estão umbilicalmente associadas.

Não será surpresa se uma solução vier a ser encontrada no final de semana prolongado, com as bênçãos de Nossa Senhora da Conceição, de quem o prefeito Eduardo Braide é devoto.   

Bolsonaro escolhe filho senador sem preparo para ser candidato a presidente em seu nome

Flávio Bolsonaro: desempenho pífio no Senado

Inelegível, o ex-presidente Jair Bolsonaro escolheu seu filho nº 01, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), para ser o candidato do PL à presidência da República em 2026, preferindo assim uma “solução familiar” para manter o nome no jogo político nacional, ainda que o projeto venha a naufragar nas urnas, segundo a avaliação de alguns analistas da cena política nacional.

Salvo seus esforços para ser simpático e uma certa flexibilidade como articulador no campo político, o senador Flávio Bolsonaro é um completo fracasso como congressista, estando entre os senadores que menos produziram como legisladores.

O seu jeito meio afável esconde um sujeito de preparado duvidoso. Nas suas conhecidas intervenções em debates e sabatinas no Senado e fora dele, ele tem apanhado feio, principalmente quando se manifesta em relação às regras institucionais. É um advogado que parece nunca haver estudado Direito, embora exiba um diploma de bacharel.

A prova maior das suas limitações para ser senador está nas diversas vezes que tentou enfrentar o então senador Flávio Dino em sabatinas no Senado, como ministro da Justiça e como indicado para o Supremo Tribunal Federal. Ele foi simplesmente destruído em todas as tentativas que fez de colocar o senador maranhense em situação complicada. Quem assistiu ao vivo sentiu um misto de pena e indignação com a falta de substância e da sofrível inteligência política do senador que representa o Rio de Janeiro. As provas estão nos inúmeros registros em vídeo que circulam na internet.

Os mesmos analistas que avaliaram ontem a sua indicação para candidato presidencial do bolsonarismo foram unânimes em uma conclusão: com o seu nível de preparo – ou grau de despreparo -, Flávio Bolsonaro será triturado nos debates entre candidatos a presidente da República.

Tudo isso sem contar o Caso das Rachadinhas, a famosa e intrigante loja de chocolates num shopping carioca e o fato de morar numa mansão em Brasília cuja prestação mensal quase equivale ao seu salário de senador, entre outros problemas.

Outra impressão de muitos observadores é a de que a sua candidatura é um balão de ensaio.

São Luís, 06 de Dezembro de 2025.

Braide reage a pedido de cassação sugerindo ao eleitorado que se posicione em relação aos vereadores

Eduardo Braide busca apoio popular
contra o pedido de cassação

O pedido de cassação do prefeito de São Luís, Eduardo Braide (PSD), feito por um auditor aposentado, que o acusa de haver praticado infração político-administrativa e crime de responsabilidade por haver contestado judicialmente a Lei Municipal Lei nº 7.729/25, que aumentou o seu salário de R$ 25 mil para R$ 38 mil, aprovado pela Câmara Municipal, poderia ser mais uma das inúmeras refregas que travou com o parlamento municipal nesses cinco anos de mandato. Mas a ação ganhou a dimensão de uma crise político-institucional a ser enfrentada pelo chefe do Executivo ludovicense. O próprio prefeito lhe deu essa estatura e aumentou sua gravidade ao sair ontem da sua habitual cautela para dar conhecimento da ação à população da Capital, em tom que pareceu uma convocação para uma mobilização em sua defesa.

– Agora é hora de saber como o seu vereador vai votar nesse processo: se vai querer me cassar porque eu não aceitei aumentar o meu salário, ou se vai respeitar o voto de mais de quatrocentos mil ludovicenses e me deixar trabalhar -, concitou Eduardo Braide numa fala postada nas suas redes sociais para abordar o assunto, dando-lhe um caráter político, mas sem conotação partidária. Com o cuidado que lhe é peculiar, ele evitou embarcar no discurso de simpatizantes e aliados potenciais, que enxergaram no pedido de cassação um movimento de adversários para afastá-lo da corrida ao Palácio dos Leões, em relação à qual ele nunca pronunciou uma só frase sobre se será ou não candidato.

Recém saído ileso de mais um embate com os poderosos empresários do transporte coletivo de São Luís, Eduardo Braide enfrenta agora a Câmara Municipal, ou a maioria dela. E certo de que não infringiu as regras nem cometeu crime de responsabilidade, decidiu envolver o eleitorado da Capital, convocando os mais de 400 mil eleitores de que o reelegeram em 2024, em turno único, para se posicionarem em relação aos vereadores que votarão pela sua cassação e os que o deixarão “continuar trabalhando”.

Com a marca do político que mede milimetricamente cada passo que dá, principalmente na movediça seara da política, o prefeito Eduardo Braide parece ter feito uma aposta ousada e de alto risco ao colocar os vereadores da Capital numa espécie de berlinda diante da população. Não há dúvida de que o seu gesto de recusar aumento de salário quando a regra geral é pleiteá-lo é simpático. Mas também não há como ignorar que o reajuste – que equipararia o valor mensal do seu contracheque ao do seu colega de São Paulo -, não foi uma decisão gratuita dos vereadores, mas o cumprimento de uma regra prevista na Constituição Federal relacionada ao presidente da República, à Carta estadual em relação ao governador do Estado e à Lei Orgânica do Município beneficiando o prefeito. Pelo visto, a ação protocolada algum fundamento.

Quando divide sua posição com o eleitorado da Capital, Eduardo Braide sabe que sua causa é válida e vai de encontro ao sentimento popular. Sabe também que não será política e institucionalmente fácil para os vereadores decidir pela cassação de um prefeito que se relegou em turno único com mais de 70% dos votos, que está entre os mais bem avaliados do País e que, de quebra, lidera a corrida para o Governo do Estado mesmo sem se dizer candidato. E mesmo nesse contexto, que politicamente o favorece, correram ontem rumores que Eduardo Braide teria acionados seus canais de conversa com a Câmara Municipal para buscar uma solução negociada para o caso.

Do alto da sua posição politicamente confortável, o prefeito de São Luís não precisou se movimentar para que o pedido de cassação fosse mostrado como uma ação política destinada a afastá-lo da corrida ao Palácio dos Leões. A grita maior veio do grupo dinista, com o vice-governador Felipe Camarão (PT) dizendo tratar-se de uma ação de adversários, que segundo ele “quarem ganhar de WO”, enquanto o deputado federal Márcio Jerry, líder do PCdoB no estado, classificou o pedido de “absurdo e bizarro”, e o deputado federal petista Rubens Júnior disse não haver sentido no pedido de cassação do prefeito. E todos apontaram a sucessão estadual como a causa do ataque ao prefeito.

O fato é que a apreciação do pedido de cassação do o prefeito Eduardo Braide, pautada para a sessão de terça-feira (09/12), se dará sob forte pressão política se até lá não houver um acordo que evite o embate.

PONTO & CONTRAPONTO

Em campos diferentes, Pedro Lucas e Juscelino Filho mantêm boa convivência no União

Pedro Lucas e Juscelino Filho: no mesmo
partido, mas em campos diferentes

Uma situação partidária começa a chamar a atenção do mundo político: a posição do braço maranhense do União em relação à corrida ao Governo do Estado, tendo de um lado o atual presidente estadual da legenda, deputado federal Pedro Lucas Fernandes, e de outro o deputado federal e ex-ministro das Comunicações Juscelino Filho.

Pedro Lucas Fernandes, que lidera a bancada do União na Câmara Federal, é vinculado ao presidente nacional do partido, Antônio Rueda, e apoia a pré-candidatura do secretário Orleans Brandão (MDB), mantendo sólida aliança com o governador Carlos Brandão (sem partido).

Já Juscelino Filho, faz parte da banda do União que segue a orientação do ex-prefeito de Salvador, ACM Neto, que lidera a banda do União oriunda do DEM. Ex-ministro das Comunicações, Juscelino mantém forte vínculo com o presidente Lula da Silva, mas vive em rota de colisão com o governador Carlos Brandão por conta da guerra política em Vitorino Freire, onde combate duramente o grupo liderado pelo seu tio, Stênio Rezende. Na corrida sucessória estadual sua inclinação será poiar o vice-governador Felipe Camarão (PT).

Ao que parece, Pedro Lucas |Fernandes e Juscelino Rezende trilham caminhos diferentes, mas trabalham para manter uma convivência sem problemas no braço maranhense do União

Lahesio perde o apoio do prefeito de São Pedro dos Crentes, sua base política

Lahesio Bonfim perde o apoio de Rômulo
Arruda, que vai apoiar Orleans Brandão

O ex-prefeito de São Padro dos Crentes e pré-candidato do Novo ao Governo do Estado, Lahesio Bonfim sofreu um duro golpe, que pode não ter maiores consequências eleitorais, mas produziu um forte simbolismo político: o atual prefeito do município, Rômulo Arruda (Republicanos), rompeu a aliança que tinha com o pré-candidato do Novo e declarou apoio à pré-candidatura do secretário de Assuntos Municipalistas Orleans Brandão (MDB).

O movimento do prefeito de São Padro dos Crentes foi uma pancada no projeto de candidatura de Lahesio Bonfim, que tem naquele município a sua principal base política, onde demonstra força por conta do seu desempenho com o prefeito.

Lahesio corre o risco de não ter a maioria dos seis mil votos de São Pedro dos Crentes, já que o prefeito Rômulo Arruda – que foi reeleito em 2024 com 65% votos válidos – decidiu entrar de cabeça na corrida sucessória estadual pedindo votos para Orleans Brandão.

A perda do apoio do prefeito Rômulo Arruda coloca Lahesio Bonfim numa espécie de “saia justa”, à medida que a consequência é que o seu isolamento no seu próprio município poderá ser usada como argumento para minar a sua força eleitoral, que é considerável – na última pesquisa ele apareceu com 19% das intenções de voto.

Ninguém sabe como Lahesio Bonfim reagirá à declaração de apoio de Rômulo Arruda ao emedebista Orleans Brandão.

São Luís, 05 de Dezembro de 2025.