Brandão confirma que fica mesmo no Governo até o fim e que candidatura de Orleans é irreversível

Carlos Brandão cumprirá mandato integral
e apoiará candidatura de Orleans Brandão

“Sim. Vou ficar no Governo até o fim!” Foi essa a resposta dada ontem pelo governador Carlos Brandão (sem partido) à Coluna em meio a uma onda quase frenética de especulações sobre o seu futuro político.

O governador justificou a decisão de abrir mão de uma vaga quase certa no Senado: “Orleans (Brandão) está bem na pesquisa e recebeu o apoio de 12 partidos. Ele se viabilizou politicamente! Tem apoio popular e dos partidos políticos!”

Com a manifestação, o governador Carlos Brandão bate o martelo e coloca ponto final em meses de expectativa sobre como seria o desfecho da crise que rachou a base governista, com o rompimento definitivo com a ala dinista da aliança nascida em 2014. O tom enfático da sua resposta à indagação da Coluna é o mesmo da sua fala de sábado em São João do Paraíso, onde ele anunciou que vai para o “sacrifício” em nome do grupo que lidera, e afirmou, com toda ênfase, que o secretário de Assuntos Municipalista, Orleans Brandão (MDB)), é mesmo o candidato do seu grupo à sua sucessão. “Eu preparei o Orleans”, revelou.

Chama a atenção o fato de o governador Carlos Brandão confirmar a sua permanência no Governo e a candidatura de Orleans Brandão ao retornar de Brasília, onde muito provavelmente conversou com a cúpula do PT sobre o palanque da campanha do presidente Lula da Silva no Maranhão. Trata-se de um nó cego, difícil de ser desatado se o vice-governador Felipe Camarão conseguir atrair o braço maranhense do PT e tornar sua candidatura de fato irreversível, como vem afirmando a cada discurso.

Pelo que está posto agora, com toda clareza, o governador Carlos Brandão se mostra pronto para bancar a sua aposta, mesmo pagando um preço pessoal muito alto, indo para o sacrifício, que será ficar sem mandato, elegendo ou não o seu sucessor. Ele parece convencido de que tem o controle da situação e reúne para levar seu candidato e o seu grupo à vitória nas urnas. E que esse cenário tem cores definidas, mesmo levando em conta o elevado grau de imprevisibilidade da política. O seu “Vou ficar no Governo até o fim!” não é mais um jogo de palavras com o objetivo de ajustar as peças. A manifestação agora é prego batido com ponta virada.

Ao tornar irreversível a sua permanência no Governo e a candidatura de Orleans Brandão à sua sucessão, o governador Carlos Brandão dá o tom da disputa, levando o governador Felipe Camarão, que deve manter o seu projeto de candidatura, e principalmente o prefeito Eduardo Braide (PSD), que até agora não disse uma palavra sobre ser ou não ser candidato, em que pese o fato de que vozes a ele ligadas, como a do vereador Joel Nunes (PSD), seu líder na Câmara Municipal, sinalizar que ele será candidato. O posicionamento de Carlos Brandão serve de baliza também para Lahesio Bonfim (Novo), que tem agora um candidato definido para encarar.

O dado que importa para Felipe Camarão, Lahesio Bonfim e Eduardo Braide é que, ao decidir permanecer no cargo e tornar a candidatura de Orleans Brandão fatos consumados, não sujeitos a revisão, o governador Carlos Brandão se mostra muito seguro do poder de fogo do seu candidato. Causa a impressão de que está apoiado por denso suporte político e grande potencial eleitoral, o que lhe dá uma grande margem de confiança sobre o desfecho da corrida às urnas. Sabe também que o seu projeto, por mais sólido que seja, tem lá sua margem de risco.

Não há, portanto, mais lugar para dúvidas em relação ao futuro do governador Carlos Brandão nem sobre a candidatura de Orleans brandão, que, aliás, adotou um discurso enfático afirmando a irreversibilidade do seu projeto de poder. É esse o cenário a 53 dias do prazo para desincompatibilização.

PONTO & CONTRAPONTO

Flávio Dino corta penduricalho e chama o Poder Público para colocar a casa em ordem

Flávio Dino: abrindo caminho para que a situação
salarial do funcionalismo seja colocada em ordem

Não surpreendeu o volume alentado de manifestações de apoio à decisão do ministro Flávio Dino, do STF, de determinar a suspensão dos penduricalhos que turbinam os contracheques de uma pequena fatia do servidores públicos das três esferas, que muitas vezes elevam seus ganhos para acima do teto salarial (R$ 46 mil), enquanto cerca de 90% da massa de do funcionalismo ganha em média R$ 3,5 mil. Informação divulgada pelo Blog do John Cutrim mostra que investigação feita pela empresa Nexus aponta que o tema acumulou mais de 535 mil interações no X em menos de um dia, após a determinação do ministro. “Foram cerca de 50 mil publicações feitas por 25 mil usuários únicos, com alcance estimado de 9,3 milhões de impressões”, informa a matéria. Outros levantamentos foram feitos e apontam na mesma direção.

O apoio veio mais forte também pelo fato de que a tesourada do ministro nos penduricalhos foi dada dias depois que o Congresso Nacional, numa afronta aos milhões de brasileiros, aprovou um “pacote” de benesses para reforçar a conta-salário de uma cúpula de servidores, que certamente se espraiaria por outras esferas do funcionalismo, como tem acontecido com frequência. No Maranhão, o Tribunal de Justiça teria engatilhado um “pacote de bondades”, para ser emplacado pela atual presidência antes da posse do novo comando, em abril. Com a medida do ministro, o pacote teria sumido da agenda.

Muito mais do que cortar pela raiz esses privilégios ilegais concedidos para castas do serviço público, o ministro Flávio Dino colocou o dedo em mais uma ferida das várias que penalizam os cofres públicos: as distorções salariais nas três esferas da máquina pública. Essa distorção tem produzido diferenças abissais nos ganhos dos servidores dos três Poderes. Com a medida, o ministro chama Executivo, Legislativo e Judiciário à razão, abrindo caminho para a montagem de uma grade salarial as funções tenham remuneração compatível com a sua complexidade. E com a criação de mecanismos draconianos que controlem efetivamente os ganhos baseados na meritocracia.

É o caminho. O ministro acertou em cheio com o choque de realidade.

Rumores sobre vice de Lula geram expectativa em Orleans e em Braide

Lula da Silva pode mudar vice e essa mudança
interessa aos candidatos aos Leões

Rumores sobre possível mudança do vice na chapa com que o presidente Lula da Silva (PT) buscará a reeleição deixou em estado de alerta os comandos políticos que dão suporte ao secretário Orleans Brandão (MDB) e a Eduardo Braide (PSD).

De acordo com esses rumores, Lula da Silva está estudando a possibilidade de lançar o vice Geraldo Alckmin (PSB) ao Governo de São Paulo, abrindo caminho para um vice indicado pelo MDB ou pelo PSD.

Se o rumor da mudança se confirmar e o candidato a vice seja do MDB – como o emedebista mineiro José Alencar foi vice nos dois primeiros governo de Lula da Silva -, a escolha fortalecerá muito a pré-candidatura de Orleans Brandão, que preside o MDB no Maranhão e poderá se tornar peça-chave na campanha do presidente no Estado.

Mas se o acordo for amarrado com o PSD, que pode até indicar o ex-prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab, que comanda o partido no plano nacional, o grande beneficiário da aliança será o prefeito Eduardo Braide, que é o grande nome do partido no Maranhão. Por tabela, a senadora Eliziane Gama teria sua candidatura à reeleição turbinada.

Diante desses rumores, que sacudiram os bastidores da sucessão presidencial nos últimos dias, o comando nacional do PSB começou a se movimentar para preservar Geraldo Alckmin na chapa como vice de Lula da Silva, que parece ser o que quer o vice-presidente e ministro da Indústria, Comércio e Serviço, que já governou São Paulo quatro vezes.

São Luís, 10 de Fevereiro de 2026.

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