
estão decididos, mas cenário só será definido
com a manifestação de Eduardo Braide
A decisão do governador Carlos Brandão de permanecer no Governo até o final do mandato e de apoiar a pré-candidatura do secretário de Assuntos Municipalistas, Orleans Brandão (MDB), à sua sucessão, deve produzir uma série de movimentos no tabuleiro da disputa pelo Palácio dos Leões. Na opinião de observadores, um deles será o posicionamento do PT, que está dividido com uma banda apoiando a pré-candidatura do vice-governador Felipe Camarão (PT), e outra defendendo o alinhamento com o governador Carlos Brandão (sem partido) em torno de Orleans Brandão. No plano nacional, o comando do PT e o próprio presidente Lula da Silva (PT) têm sinalizado aval a Felipe Camarão, mas há quem acredite numa mudança de planos que leve o partido a apoiar a Orleans Brandão. Nesse cenário, porém, o fator Eduardo Braide (PSD) pode mudar o jogo.
Com o seu destino imediato definido e o seu candidato ao Governo também, o governador Carlos Brandão aposta que ele e o presidente Lula da Silva chegarão a um entendimento sobre a campanha do chefe da Nação à reeleição no Maranhão. Ele afirma, categoricamente que sua relação com o presidente “é muito boa” e que não vê “qualquer problema” que possa desestabilizá-la. O que não está claro é como o presidente da República vai se posicionar no estado, se ao lado do candidato do PT, Felipe Camarão, ou apoiando a candidatura de Orleans Brandão. A lógica sugere que o presidente apoiará a candidatura do petista, se ela se tornar irreversível. Mas ninguém descarta que um acordo envolvendo o vice-governador poderia levar Lula da Silva ao palanque de Orleans Brandão.
Na esteira da decisão do governador Carlos Brandão de permanecer no cargo, abrindo mão de concorrer ao Senado, correu ontem no meio político e na blogosfera o rumor de que o presidente Lula poderia adotar uma posição de neutralidade no Maranhão, usando os dois palanques ou nenhum deles. Não passou de um factoide, que não se sustentou por mais de algumas umas horas. Isso porque petistas e governistas se manifestaram afirmando que não há ambiente para neutralidade política nas eleições de outubro, principalmente por parte de um presidente da República em busca da reeleição.
Com a definição do grupo palaciano e a posição firme do vice-governador Felipe Camarão, as atenções se voltam agora para a grande interrogação que é o projeto do prefeito de São Luís, Eduardo Braide (PSD). Será candidato a governador? Se for, fará aliança ou seguirá sozinho? Se não for, declarará apoio a um dos três candidatos definidos até aqui? O fato é que qualquer que seja a sua posição, ela terá peso, maior ou menor, na corrida sucessória. Afinal, mesmo tendo mantido silêncio sepulcral quanto ao seu futuro, o prefeito de São Luís continua liderando as pesquisas sobre a corrida aos Leões, o que lhe assegura espaço expressivo nesse tabuleiro, sendo ou não candidato.
O fato é que existem três candidaturas ao Governo do Estado definidas, a do vice-governador Felipe Camarão, a do secretário Orleans Brandão e a do ex-prefeito de São Pedro dos Crentes Lahesio Bonfim (Novo). A se confirmar esse cenário, Orleans Brandão passa à condição de favorito, tendo Lahesio Bonfim como principal concorrente, podendo o vice-governador Felipe Camarão reagir, dependendo da posição do seu partido e a do presidente Lula da Silva. Se o prefeito Eduardo Braide entrar na briga, o desfecho do pleito se tornará absolutamente imprevisível. O que ninguém duvida é que será uma eleição com dois turnos.
Nesse contexto, um dado importante: a confiança que o governador Carlos Brandão exibe no projeto de candidatura de Orleans Brandão, quando afirma ele se viabilizou politicamente, e que “está muito bem nas pesquisas”.
PONTO & CONTRAPONTO
Deputados oposicionistas atacam governador e irmãos; governistas rebatem e reclamam do tom agressivo

duramente o governador; Antônio Pereira
e Arnaldo Melo rebaterem e reclamaram
O ano será tenso na Assembleia Legislativa, e a julgar pelo que aconteceu na sessão de ontem, o plenário da Casa será um espaço de duros embates entre Oposição e Situação.
Em tom beligerante, os deputados Rodrigo Lago (PCdoB), Othelino Neto (PSB) e Carlos Lula (PSB) atacaram duramente o governador Carlos Brandão (sem partido), que foi acusado de desmandos administrativos e de desvio de recursos, juntamente com seus irmãos.
O deputado Rodrigo Lago ocupou o grande expediente para denunciar suposto enriquecimento ilícito do governador e familiares por meio da compra suspeita de terras na região de Colinas. O parlamentar não economizou adjetivos ácidos para atingir o chefe do Executivo e seus irmãos e sobrinhos.
O deputado Othelino Neto atuou na mesma linha, reforçando a denúncia de supostos desvios de recursos públicos.
Na ausência da liderança do Governo, o vice-presidente da Alema, deputado Antônio Pereira (PSB), saiu em defesa do governador e seus familiares, reclamando principalmente dos termos usados pelos deputados oposicionistas.
Também o deputado Arnaldo Melo (PP), que é o decano da Casa, entrou em defesa do governador e seus irmãos. Sem entrar no mérito da denúncia feita por Rodrigo Lago, Arnaldo Melo deu um depoimento afirmando que o patrimônio agrário da família Brandão na região de Colinas “é o resultado de quase um século de trabalho”.
Ficou claro que o que aconteceu ontem foi só o começo de uma guerra verbal que avançará durante a campanha eleitoral.
Brandão anuncia aumento de 10% para professores e tira munição da oposição na Assembleia Legislativa
Os professores da rede pública estadual receberão seus contracheques de fevereiro com um reajuste de 10% retroativo a janeiro. O anuncio foi feito ontem pelo governador Carlos Brandão. De acordo com o governador, o reajuste de 10% representa um percentual acima da média nacional, sendo também maior do que o aplicado em 2025.
A concessão do reajuste salarial é parte de um conjunto de ações por meio da qual o Governo do Estado vem melhorando as condições de trabalho visando fortalecer a educação na rede estadual de ensino. O reajuste anunciado beneficia professores efetivos, aposentados, pensionistas e profissionais contratados.
– Temos investido muito na educação do Maranhão, fizemos o reajuste, reformamos mais de 700 escolas, demos cumprimento ao pagamento do Fundef, Prêmio Escola Digna e, agora, ao Programa Tô Conectado, que vai distribuir 30 mil chromebooks para fortalecer o trabalho dos professores e conectar todas as escolas – declarou o governador Carlos Brandão.
O curioso é que enquanto o governador Carlos Brandão anunciava a concessão do reajuste salarial, deputados de oposição o criticavam exatamente por não anunciar o reajuste. Um deles chegou a afirmar que o mandatário estaria desrespeitando o magistério. Só que naquele momento a categoria era informada pelo próprio chefe do Executivo que receberá o contracheque de fevereiro devidamente turbinado.
São Luís, 11 de Fevereiro de 2026.
