Se os discursos feitos pelo governador Carlos Brandão (sem partido), pelo secretário de Assuntos Municipalistas Orleans Brandão (MDB) e pelo vice-governador Felipe Camarão (PT) forem mantidos, a tempestade perfeita está armada e a corrida sucessória está definida na base governista. Ao falar em São João do Paraíso, o governador Carlos Brandão afirmou, categoricamente, que não será candidato ao Senado, preferindo “ir para o sacrifício” para eleger Orleans Brandão seu sucessor. Num estúdio do Sistema Mirante, Orleans Brandão, foi taxativo: sua candidatura “é irreversível”, sobrando para o PT e aliados vagas na chapa majoritária. E Felipe Camarão reafirmou que sua candidatura é fato consumado e previu que todo o PT maranhense se mobilizará em torno desse projeto.
Esse clima de definição foi formado com o tomo discurso do governador Carlos brandão em São João do Paraíso. Ele não aventou a possibilidade de ficar no Governo “se as coisas continuarem assim”. Ao contrário, ele foi taxativo: “Eu resolvi ficar até o fim do Governo”. E completou, sem titubear: “Vou ficar por uma causa: continuar esse trabalho que estou fazendo com Orleans Brandão”. E foi além ao justificar sua decisão: “Eu preparei o Orleans. Ele está sabendo de todos os programas e está pronto para dar continuidade a esse trabalho”. Em todas as suas manifestações sobre sucessão antes do discurso de São João do Paraíso, o mandatário havia admitido abrir mão do Senado e lançar Orleans Brandão, mas a fala desta semana não deixou dúvidas: está disposto a pagar para ver.
Numa entrevista à jornalista Carla Lima, numa das emissoras do Sistema Mirante, na semana que passou, Orleans Brandão usou o mesmo tom do governador, ao afirmar, sem rodeios nem reticências, que a sua candidatura “é irreversível”. Antes, ele se dizia pré-candidato, admitia a candidatura, mas sempre encontrava um jeito de jogar a bola para o governador, ressalvando que caberia a ele a última palavra. Na última entrevista, o tom foi outro: seu projeto de disputar o Governo não tem volta, venha junto quem vier.
Em reunião com lideranças do PT em São Luís, o vice-governador Felipe Camarão contribuiu fortemente para consolidar o cenário desenhado pelo governador Carlos Brandão e pelo secretário Orleans Brandão. Na sua fala, ele exibiu forte confiança de que tem o apoio do comando nacional do PT e a convicção de que sua pré-candidatura será confirmada pelo presidente Lula da Silva (PT). E foi além, ao prever, com a mesma autoconfiança, que o PT do Maranhão se unirá em torno da sua candidatura: “Noventa por cento do partido apoia nossa candidatura ao Governo do Estado. Os dez por cento estão lá só por que têm cargos, e isso eu respeito. Mas depois, quando o presidente Lula disser que aqui no Maranhão o PT e a Frente Democrática vão com Camarão, e que nós vamos caminhar todo mundo junto, eu vou receber a turma de braços abertos”.
As três manifestações mostram com clareza que, primeiro, o governador Carlos Brandão parece convencido da impossibilidade de um acordo e está decidido a retirar as suas cartas da mesa, colocar o seu projeto em marcha contando com o apoio dos prefeitos, os quais, acredita, estão alinhadas com o secretário de Assuntos Municipalista, e com o prestígio que ele e seu Governo estão auferindo. Segundo, Orleans Brandão sai do patamar da possibilidade para assumir a condição de candidato de fato, goste quem gostar. E Felipe Camarão reafirma o seu mantra de candidato em qualquer circunstâncias. Ou seja: ambos vão para o embate.
A pergunta que fica no ar é a seguinte: como fica o projeto de reeleição do presidente Lula da Silva no Maranhão. A resposta foi dada ontem à Coluna por uma voz influente do PT: “O PT dificilmente vai com o Orleans”. Ao mesmo tempo em que um brandonista de proa reforçou: “O Brandão não vai mesmo com o Camarão”.
Desenhado, portando, um cenário de guerra.
PONTO & CONTRAPONTO
Decisão de desembargadora impõe ordem na tumultuada relação de Braide com a Câmara
Decisão da desembargadora Maria da Graça Amorim colocou ontem no embate entre o prefeito Eduardo Braide (PSD) e a Câmara Municipal de São Luís, por conta da não aprovação do Orçamento da Prefeitura para 2026, que vem dificultando o gerenciamento da máquina municipal. A magistrada suspendeu em parte liminar concedida pelo juiz da Vara de Interesses Públicos e Coletivos de São Luís, Douglas Martins, que autorizava o prefeito Eduardo Braide a fazer despesas sem provisão orçamentária. Com a mediada, ela evitou o agravamento da crise.
Na sua decisão, a desembargadora autorizou o prefeito cumprir alguns compromissos financeiros, mas deu prazo de 48 horas para que o prefeito e o presidente da Câmara Municipal, vereador Paulo Victor (PSB), se reúnam e resolvam pendências relacionadas com a votação do Orçamento. E foi além, também dando prazo para que a Câmara Municipal vote a Lei Orçamentária Anual (LOA) o mais greve possível.
Ao colocar ordem na relação da Prefeitura de São Luís com a Câmara Municipal, a desembargadora garantiu que a máquina municipal não pare, e fez mais ainda: determinou que o prefeito e o chefe do parlamento municipal resolvam as pendências numa conversa institucional.
A bola agora está com os dois, pois o futuro das relações dependerá dessa conversa.
Corrida às urnas coloca grupos do PT em choque
Uma guerra está sendo travada dentro do PT, tendo de um lado o ex-conselheiro do TCE e atual secretário chefe da Representação do maranhão em Brasília Washington Oliveira, que defende a aliança do partido com o governador Carlos Brandão (sem partido) em torno da candidatura de Orleans brandão (MDB), e um grupo de líderes petistas que não rezam na sua cartilha, preferindo se posicionar pela pré-candidatura de Felipe Camarão.
Washington Oliveira, que tem como principal aliado o presidente afastado Francimar Melo e a diretora geral da rede IEMA, Cricielle Muniz, é candidato a deputado federal, mas enfrenta resistência de algumas correntes do partido, que não o aceitam com o líder. Francimar Melo e Cricielle Muniz são candidatos à Assembleia Legislativa. No mesmo grupo está o ex-deputado Zé Inácio.
O grupo que se opõe a Washington Oliveira o acusa de atropelar a linha de ação do partido e de colocar o projeto de reeleição do presidente Lula da Silva sob risco no Maranhão. Ele se defende acusando o grupo de fragilizar o partido ao alimentar o projeto de candidatura do vice-governador Felipe Camarão, que na sua opinião deveria compor com o governador Carlos Brandão.
Algumas vozes mais moderadas tentam colocar panos quentes nesse confronto, mas tudo indica que a tendência é o acirramento, pelo menos até o governador Carlos Brandão bater martelo, oficialmente, sobre o futuro da aliança governista.
São Luís, 09 de Fevereiro de 2026.


