
o Poder Judiciário juntamente com Gervásio Santos (vice),
Ângela Salazar (Corregedoria Extrajudicial) e José Gionçalo
de Souza (Corregedor Geral de Justiça)
O Tribunal de Justiça elegeu ontem o seu novo comando, num pleito realizado em meio à larga repercussão da decisão do atual presidente, desembargador Froz Sobrinho de aplicar R$ 2,8 bilhões de Depósitos Judiciais no combalido Banco Regional de Brasília (BRB), que enfrenta grave crise por causa da sua relação fraudulenta com o já liquidado Banco Master. Numa disputa forte, a ala mais conservadora do Judiciário maranhense elegeu o desembargador Ricardo Duailibe, que recebeu 19 dos 33 votos válidos, ficando o seu oponente, o independente desembargador José Luiz Almeida, atual corregedor geral da Justiça, em segundo, com 14 votos. Foram eleitos ainda o desembargador Gervásio Santos para a vice-presidência, o desembargador José Gonçalo de Souza para a Corregedoria Geral da Justiça, e a desembargadora Ângela Salazar para comandar a Corregedoria do Foro Extrajudicial.
Mais uma vez o colégio de desembargadores mandou para o espaço a tradição de escolher dirigentes por meio de grandes acordos, de modo que a votação se desse apenas para cumprir as formalidades. Como o clima foi de disputa, assessores do Poder Judiciário identificados com a atual direção da Corte cuidaram de espalhar que a eleição do desembargador Ricardo Duailibe foi “uma vitória” do presidente Froz Sobrinho, alegando que ele “fez campanha” para o vice-presidente. Nos bastidores do Palácio da Justiça, porém correram intensos rumores, entre eles a avaliação de que, mesmo tendo sido uma vitória segura do desembargador Ricardo Duailibe, com cinco votos de vantagem, os 14 desembargadores que votaram no candidato José Luiz Almeida mandaram um recado forte ao ainda presidente e ao seu sucessor, o de que, em que pesem prêmios que recebeu até aqui, o Poder Judiciário maranhense tem problemas graves a resolver, e que a Corte está dividida.
O presidente eleito Ricardo Duailibe pertence a uma ala mais conservadora do TJ, mas é reconhecido como competente e tem perfil conciliador. Ele chegou à Corte há 13 anos pelo Quinto Constitucional da OAB, na esteira de uma carreira bem sucedida em dois campos, o da advocacia na área trabalhista e o de empresário consolidado no ramo imobiliário. Foi um vice-presidente discreto e deve colocar a sua experiência para intensificar a modernização da Justiça maranhense em todos os seus níveis. Ontem, ao se manifestar sobre a eleição, ele elogiou a gestão do presidente Froz Sobrinho, dizendo que vai atuar na mesma linha.
Além do comando do Tribunal Pleno e do Poder Judiciário como um todo, o futuro presidente Ricardo Duailibe vai herdar alguns problemas, para os quais terá de buscar soluções eficazes e urgentes. O mais visível é o contrato firmado pela atual gestão com o Banco Regional de Brasília (BRB), para a estão de R$ 2,8 bilhões em Depósitos Judiciais. Fortemente atingido pela escandalosa quebra do Banco Master, que pôs a estabilidade do banco candango sob elevado grau de risco. Tal situação colocou o TJ em estado de alerta e sob visível clima de tensão. Mesmo assim, não há dúvida de que o desembargador Ricardo Duailibe encontrará um caminho para desanuviar o clima no colégio de desembargadores e fora dele.
O clima ficou mais tenso com a notícia de que o Conselho Nacional de Justiça (CNJ) decidiu investigar o contrato do Tribunal de Justiça com o BRB. E a informação mais intrigante desse imbróglio é a de que o presidente Froz Sobrinho firmou contrato do TJ o BRB sem consultar a Corte.
O presidente eleito venceu um candidato forte, independente e que vem realizando um trabalho denso e eficiente como titular da Corregedoria Geral da Justiça. Nos bastidores, ontem, o comentário geral sobre o resultado da eleição foi que se José Luiz Almeida tivesse sido eleito, o Judiciário passaria por mudança abrangentes. Magistrado culto, de carreira sólida, que cumpriu toda a trajetória, ele chegou ao topo da carreira como um magistrado íntegro e respeitado, tem credenciais de sobra para o cargo. Sem esconder a sua decepção de saber que se aposentará sem presidir a Corte, vendo frustrado um sonho de carreira, José Luiz Almeida reconheceu a derrota e saudou o novo presidente.
PONTO & CONTRAPONTO
Iracema deve se filiar ao PT, mas pode ficar no MDB, dependendo das circunstâncias eleitorais
A decisão da presidente da Assembleia Legislativa, Iracema Vale, de se filiar ao MDB, na esteira de um movimento do PSB de desfiliar seis deputados da base governista numa estratégia para ganhar espaço nas comissões da Casa, abriu caminho para que o jogo partidário para as eleições de outubro se torne mais intenso e imprevisível.
Convidada recentemente para retornar ao PT, sua antiga casa partidária, e sair candidata ao Senado, Iracema Vale foi colocada no epicentro do tabuleiro em que se dá o jogo para os cargos majoritários (senador e governador), deixando aberta também a possibilidade de vir a ser candidata a deputada federal ou a vice-governadora.
Houve quem festejasse e quem lamentasse a sua guinada partidária, mas ela jogou uma ducha de água fria em todos quando sinalizou que a condição de emedebista é temporária. Tanto que ela deixou aberta a possibilidade de se filiar ao PT.
No MDB, a parlamentar pode se sentir em casa. Trata-se do partido do seu pré-candidato a governador, Orleans Brandão, que o preside; é o partido do prefeito de Bacabal e presidente da Famem, Roberto Costa, um aliado firme, e é a cidadela partidária dos Sarney, com quem ela se relaciona muito bem.
E para reforçar, o MDB deve ser o rumo partidário do governador Carlos Brandão, mesmo que ele mantenha o propósito político de permanecer no cargo até o final do seu mandato, abrindo mão de ser senador. Além disso, o MDB é o partido onde estão filiados os seus filhos, Vinícius Vale, prefeito de Barreirinhas, e Herlon Jr., vice-prefeito de Urbano Santos.
Iracema Vale ganhou estatura política, já decidiu que não será candidata à reeleição, mas precisa decidir para onde pretende ir. Como ela própria declarou, seu futuro nessas eleições depende do rumo a ser definido pelo governador Carlos Brandão.
Greve dos rodoviários tem fundo político e pode beneficiar a possível candidatura de Braide ao Governo
A grave nos transportes coletivos de São Luís, que está deixando mais de meio milhão de pessoas em dificuldade extrema para o seu sagrado direito de ir e vir, tem, sim, viés político. E não há nenhuma dúvida de que, como disse o líder do Governo na Câmara Municipal, vereador Joel Nunes (PSD), o objetivo é fragilizar a provável candidatura do prefeito Eduardo Braide ao Governo do Estado.
É nítido o conluio subterrâneo que atua nessa de empresários e ferroviários. E é cristalina a má fé de deixar sem transporte de massa uma cidade como São Luís num momento em que, por conta das prévias carnavalescas e do retorno às aulas, a movimentação de pessoas, incluindo turistas, é bem maior e mais intensa.
Via de regra, paralisação de um serviço dessa natureza se dá em situações extremas, como atraso injustificado de salário – só uma empresa está com esse problema -, demissões em massa ou coisa parecida. Não é o caso de agora, uma vez que o que se está discutido é reajuste salarial e outras vantagens que as empresas se negam a conceder ou, pelo menos, construir uma solução de médio prazo.
Nesse contexto, chama a atenção o discurso de alguns segmentos colocando a responsabilidade no colo do prefeito Eduardo Braide, que vem cumprindo com a sua parte no acordo, subsidiando o sistema com mais de R$ 5 milhões mensais e tentando mediar soluções que deveriam partir das empresas.
O sistema tem problemas graves a serem resolvidos? Tem. A regras de concessão em vigor precisam ser revistas? Sem dúvida. Mas um processo de licitação para mudar o cenário está em curso, derrubando o argumento de inércia da Prefeitura. Pouco ou nada justifica essa paralisação.
E a acusação de intransigência feita ao prefeito Eduardo Braide não cola. Ele é um gestor pragmático, que faz contas e sabe que o desembolso de recursos do contribuinte para bancar o serviço não deve ser maior do que já é.
Finalmente, se o propósito é fragilizar sua ainda provável candidatura ao Governo do Estado, os fatos tendem a turbina-la.
São Luís, 05 de fevereiro de 2026.

