PT reforça sinais de que marchará com Brandão, mas Weverton continua agindo para atrair petistas

 

Carlos Brandão (camisa azul) entre Augusto Lobato, Domingos Dutra, Felipe Camarão e Rubens Pereira: aliança com o PT  para 22 está quase formatada

O registro fotográfico de uma reunião do vice-governador Carlos Brandão (PSDB) com um grupo de petistas liderados pelo presidente do partido, Augusto Lobato, foi mais uma batida de martelo no sentido de confirmar que o partido do ex-presidente Lula da Silva será mesmo um dos aliados de proa da candidatura do tucano à reeleição. Essa aliança, que parece se reforçar a cada rodada de conversa, tem incomodado fortemente o QG da pré-campanha do senador Weverton Rocha (PDT), que vem trabalhando intensamente para atrair o apoio do PT via direção nacional, ao mesmo tempo em que joga pesado para fragilizar o projeto de candidatura do vice-governador, especulando, por exemplo, que ele poderá aceitar indicação para uma vaga no Tribunal de Contas do Estado (TCE). Carlos Brandão faz de conta que ignora o bombardeio e segue em frente mantendo inalterada sua agenda de compromissos oficiais e de conversas políticas, como a ontem com líderes petistas – Augusto Lobato, Domingos Dutra (de volta ao PT) e Felipe Camarão – e que teve a participação do ex-deputado Rubens Pereira (PCdoB).

A corrida de Carlos Brandão e Weverton Rocha pelo apoio do PT aos seus projetos de candidatura vem de longe. Logo nos primeiros movimentos nessa seara, os chefes petistas no Maranhão manifestaram inclinação pelo projeto do vice-governador, mesmo sendo ele filiado ao PSDB. Ao perceber essa tendência, Weverton Rocha se voltou para conversar com o PT no plano nacional, articulando encontro com o ex-presidente Lula da Silva. O problema é que, mesmo sendo aliados tradicionais, nesse momento PT e PDT encontram-se separados pela pré-candidatura do ex-ministro Ciro Gomes a presidente pelo PDT.  Toda conversa entre líderes petistas e pedetistas o item principal vem sendo a pré-candidatura de Ciro Gomes. E como o comando do PDT não quer ou não pode abrir mão do ex-ministro, pelo menos por enquanto, uma aliança PT/PDT está fora de cogitação.

A aliança que ganha forma unindo Carlos Brandão ao PT não está sujeita a nenhuma pendência, o que tem tornado a conversa fácil e fluente. Uma das hipóteses é a de que o PT indique o vice de Carlos Brandão, e nela ganha força o prestigiado secretário de Estado da Educação, Felipe Camarão, recém filiado ao PT, onde foi recebido como quadro proeminente e inicialmente cotado para disputar uma cadeira na Câmara Federal. Feita sem pressão e na base do diálogo franco, essa construção tem o aval do governador Flávio Dino (PSB) e dos seus principais aliados, como o PCdoB, por exemplo. Tanto que alguns setores do PT que não seguem rigorosamente a corrente lulista e estavam inclinados a apoiar o senador Weverton Rocha já começam a rever sua posição. Em conversas reservadas, tanto Carlos Brandão quanto chefes do PT estadual têm se referido à aliança PSDB/PT no Maranhão como um fato quase consumado.

É verdade que, apesar de já estarem se intensificando e já tendo alguns pontos amarrados, as articulações vão continuar, para que as decisões no Maranhão estejam devidamente ajustadas aos projetos nacionais do PSDB, do PT e do PSB e do PCdoB. Carlos Brandão e Weverton Rocha vão continuar medindo forças dentro da aliança comandada pelo governador Flávio Dino, e só depois de algumas definições, o que provavelmente só acontecerá a partir de abril ao ano que vem, quando o atual vice se tornará governador titular e candidato à reeleição.

 

PONTO & CONTRAPONTO

 

Weverton dará largada em pré-campanha com evento neste sábado em Imperatriz

Weverton Rocha deflagra pré-campanha neste sábado com evento político em Imperatriz

Segundo maior colégio eleitoral do Maranhão, com poder de fogo para decidir eleições majoritárias, Imperatriz será palco de uma grande movimentação política nas próximas 48 horas ao sediar o primeiro evento regional que o senador Weverton Rocha (PDT) realizará, amanhã, em caráter de pré-campanha ao Palácio dos Leões. O evento reunirá prefeitos, vereadores, líderes políticos, empresários e estudantes com o propósito de debater os problemas da região e definir soluções. O material a ser colhido nos debates servirá para embasar o plano de governo do pré-candidato do PDT.

O evento tocantino será a deflagração oficial da pré-campanha do senador, e acontece no momento em que as pré-candidaturas começam a ganhar forma e densidade, passando a ser projetos a serem levados a cabo até as convenções, em Julho do ano que vem. Além disso, Imperatriz tem para a ação política de Weverton Rocha o peso de ser a sua cidade-berço.

Para lá se deslocarão os integrantes do seu staf e os seus principais apoiadores, aliados, como o presidente da Assembleia Legislativo, deputado Othelino Neto (PCdoB), que será homenageado nesta Sexta-Feira pela Câmara Municipal com o título de Cidadão Imperatrizense, e o presidente da Famem, Erlânio Xavier, o principal articulador da sua candidatura junto aos prefeitos.

 

Dino deu passo certo quando trocou o PCdoB pelo PSB

Flávio Dino discursando no ato de filiação ao PSB

O governador Flávio Dino acertou em cheio quando decidiu migrar do PCdoB para o PSB. Deixou uma legenda com uma história rica, mas quase sem densidade eleitoral, para ingressar num partido sólido, que está entre os 10 mais consistentes do quadro de 33 partidos oficialmente existentes no Brasil. Nada justificava que com a estatura política que ganhou, Flávio Dino tivesse que dedicar parte do seu tempo tentando salvar o seu partido.

Musculoso no Maranhão, exatamente pela força política do governador e pelo trabalho intenso de articulação realizado pelo seu presidente regional, deputado federal Márcio Jerry, o PCdoB, no entanto, está abaixo do número de votos (2%) necessários para continuar existindo como partido político formal.

A volta das coligações e a criação da federação de partidos poderão dar ao PCdoB a possibilidade de virar o jogo e sair mais forte das próximas eleições, livrando do expurgo do meio político. A mesma situação tira o sono dos dirigentes do PV, PROS, PRTB, PTC, PMN, DC, Rede, Novo, PMB, UP, PSTU, PCB e PCO.

São Luís, 13 de Agosto de 2021.

Aspirantes ao Palácio dos Leões se preparam para turbinar seus projetos de candidatura

 

Carlos Brandão, Weverton Rocha, Edivaldo Jr., Lahesio Bonfim, Josimar de Maranhãozinho e Roberto Rocha, mais movimento na corrida aos Leões

Até aqui marcada por movimentos disfarçados, com seus protagonistas tentando evitar a acusação de campanha antecipada, a corrida ao Palácio dos Leões entra na chamada fase de “pré-campanha”, com todos os pré-candidatos deflagrando agendas de caça ao voto. O vice-governador Carlos Brandão (PSDB) já realizou dois encontros regionais com prefeitos, o ex-prefeito Edivaldo Holanda Jr. (PSD) anunciou que vai incursionar pelos municípios para capilarizar seu projeto de candidatura, o prefeito Lahesio Bonfim (PSL) está em pré-campanha aberta, o deputado federal Josimar de Maranhãozinho (PL) mantém programação de pré-campanha, e ontem o senador Weverton Rocha (PDT) anunciou que vai realizar encontro regionais para discutir os problemas do estado e montar o seu projeto de campanha. A exceção é o senador Roberto Rocha, que talvez por não ter ainda um partido – ele aguarda a definição partidária do presidente Jair Bolsonaro -, não assumiu ainda sua pré-candidatura, mas também não a negou.

Toda essa movimentação passa a impressão de que a corrida à sucessão do governador Flávio Dino (PSB) começa, de fato, a definir o elenco de candidatos. Citados desde os primórdios das articulações, os cinco acima relacionados parecem decididos a continuar, uns com mais, outros com menos firmeza, mas é difícil imaginar que a briga pelo Governo do Estado ocorra sem a presença deles. E não surpreende que todos estejam, de fato, caminhando em ritmo de caça ao voto, dando à sua caminhada o caráter de pré-campanha.

Carlos Brandão, que será governador candidato à reeleição, vem trabalhando duro no sentido de consolidar o seu projeto de candidatura. Além do cumprimento de uma intensa agenda oficial, na qual representa o governador Flávio Dino em eventos, inaugurações, lançamentos de obras e programas, o vice-governador cumpre também uma recheada agenda conversas políticas, reunindo-se com parlamentares, prefeitos, ex-prefeitos e líderes políticos municiais. Esses encontros, que continuam acontecendo diariamente, deram origem aos três encontros políticos regionais, organizados por articuladores, entre eles o prefeito de Caxias, Fábio Gentil (Republicanos), e o ex-prefeito de Tuntum, Cleomar Tema (PSB), e que reuniram mais de uma centena de prefeitos e líderes regionais. Se prepara para intensificar uma pré-campanha forte antes de assumir o Governo, daqui a oito meses.

Em pré-campanha ostensiva há meses, ainda que não admitida, com incursões semanais a municípios, programas de rádio e anúncios que o apresentam como “o senador do Maranhão” veiculados em horário nobre no rádio e na TV, o senador Weverton Rocha resolveu dar uma turbinada na sua corrida aos Leões. Na Terça-Feira, anunciou que realizará encontros regionais com lideranças, para discutir problemas e embasar o seu plano de governo. Vai começar por Imperatriz, sua cidade natal, com o objetivo de fazer um diagnóstico da Região Tocantina. Weverton Rocha é um político arrojado, e deve fazer uma pré-campanha forte e, se vier a confirmar a candidatura, fará uma campanha para o tudo ou nada.

Resolvida sua situação partidária com a filiação no PSD, onde já desfruta do status de pré-candidato a governador, Edivaldo Holanda Jr. se prepara para sair da marcha lenta e pisar fundo no acelerador em direção ao interior. Político nascido e crescido em São Luís, ele precisa urgentemente incursionar pelos municípios, para se tornar conhecido e divulgar o seu projeto de poder. Sabe que tem pouco tempo para essa “apresentação”, mas confia que pode alcançar seu objetivo com uma pré-campanha bem planejada.

Lahesio Bonfim dificilmente avançará mais do que já avançou com uma pré-campanha intensa e ativa, com outdoors espalhado em todo o estado, apontando-o como “o melhor prefeito do Maranhão”. Além da caça ao voto, o prefeito de São Pedro dos Crentes tem um enorme abacaxi para descascar: não dispõe de nenhuma garantia de que ganhará a vaga de candidato do PSL a governador. Situação inversa da do deputado federal Josimar de Maranhãozinho, que faz uma campanha aberta, anunciando, por onde passa, sua pré-candidatura ao Palácio dos Leões, agora com o seguinte refrão: “Venha quem vier”. Josimar de Maranhãozinho tem partido – controla três legendas -, tem muitos aliados e um eleitorado fiel. E ninguém sabe qual o projeto do senador Roberto Rocha, que pode se candidatar do Governo do Estado, a senador ou a deputado federal. Todos os indícios sugerem que ele definirá seu fundo eleitoral quando resolver a questão partidária.

A partir de agora, o meio político aumentará expressivamente sua agitação por causa da nova etapa da fase prévia da corrida ao Palácio dos Leões.

 

PONTO & CONTRAPONTO

 

Para Othelino Neto, voto impresso seria retrocesso

Othelino Neto: de acordo com o arquivamento da PEC do voto impresso

“Não faria sentido o Brasil retroagir ao voto impresso, depois de avançar tanto com o sistema eletrônico de votação, que é seguro e tem toda a garantia para que a vontade do eleitor prevaleça”. O comentário foi feito ontem pelo presidente da Assembleia Legislativa, deputado Othelino Neto (PCdoB), ao comentar a decisão da Câmara Federal de sepultar a PEC do voto impresso, impondo uma dura derrota ao presidente Jair Bolsonaro (sem partido). O presidente parabenizou os deputados federais, por considerar que agiram em sintonia com a modernidade ao mandar para o arquivo morto um projeto que representaria um retrocesso grave no sistema de votação eletrônica pelo qual o Brasil tem sido mundialmente apontado com o uma referência.

Em tom enfático, o presidente do Legislativo estadual concluiu: “O importante é que a Câmara Federal rejeitou a PEC, assim como o Senado, ontem, extinguiu aquela famigerada Lei de Segurança Nacional, criada no período do Regime Militar e que não fazia mais nenhum sentido. O Congresso Nacional, de forma equilibrada, deu as respostas aos ímpetos autoritários do presidente da República”.

As declarações do presidente da Assembleia Legislativa ecoaram dentro e fora do Palácio Manoel Beckman.

Em Tempo: Na sessão de ontem, a Assembleia Legislativa aprovou a MP 358/2021, de autoria do Poder Executivo, ampliando de três para quatro anos a isenção do prazo de pagamento do IPVA para pessoas com deficiência. Os deputados aprovaram também os projetos de lei 381 e 370/2021, que dispõem sobre a criação do Programa Estadual de Inclusão Socioprodutiva (Mais Renda) e sobre os produtos que compõem a cesta básica, respectivamente.

 

Deputados ausentes foram decisivos para a derrota do voto impresso

João Marcelo, Hildo Rocha, Juscelino Filho e André Fufuca: ausência pensada

Alguns apressados criticaram os deputados federais João Marcelo (MDB), Hildo Rocha (MDB), André Fufuca (PP) e Juscelino Filho (DEM) por haverem faltado à sessão, argumentando que eles poderiam ter aumentado o número de votos contrários à PEC do voto impresso. Só depois se deram conta de que a ausência dos quatro parlamentares funcionou como se eles tivessem votado contra a PEC. Por essa leitura do resultado, os quatro parlamentares entrarão para a crônica como tendo contribuído decisivamente para sepultar o monstrengo criado pelo presidente Jair Bolsonaro.

São Luís, 12 de Agosto de 2021.

 

 

Voto impresso: bancada maranhense foi decisiva para o enterro da “arma” bolsonarista

 

Bira do Pindaré, Rubens Jr., Gastão Vieira, Josimar de Maranhãozinho, Edilázio Jr., Pedro Lucas Fernandes, Júnior Lourenço, Marreca Filho e Gil Cutrim votaram contra; João Marcelo, Hildo Rocha, Juscelino Filho e André Fufuca não compareceram, reforçando a rejeição; e Aloísio Mendes, Cleber Verde, Pastor Gildenemyr e Josivaldo JP votaram a favor

Num dia histórico, durante o qual Brasília foi palco de uma inútil e inconsequente exibição de força militar do presidente Jair Bolsonaro (sem partido), que não intimidou ninguém, e onde o Congresso Nacional, este sim, deu uma demonstração de que não se dobra às ameaças golpistas enviadas pelo atual ocupante do Palácio do Planalto. Primeiro, o Senado da República revogou e sepultou a anacrônica Lei de Segurança Nacional, resquício da ditadura militar, e, segundo, a Câmara Federal encerrou o expediente enterrando de vez a PEC do voto impresso, um monstrengo sem razão de existir criado pelo presidente da República para minar o sólido e amadurecido sistema de voto eletrônico do País, pelo qual ele se elegeu várias vezes deputado federal e chefe da Nação, sem nunca ter levantado nenhuma suspeita sobre suas votações. A bancada maranhense na Câmara Federal deu uma demonstração forte de consciência política, com 10 deputados votando “não” à PEC, quatro deputados ausentes, o que equivale a quatro votos “não”, e apenas quatro deputados votando “sim”.

Os deputados que rejeitaram a PEC do voto impresso marcando suas posições no plenário enfrentaram ataques nas redes sociais, mas se posicionaram conscientemente. Bira do Pindaré (PSB) reafirmou seu voto contra, que já estava definido há muito tempo. Edilázio Jr. (PSD), mesmo fazendo parte da base de apoio do Governo Bolsonaro, confirmou voto contrário à PEC, como já havia anunciado. Gastão Vieira (PROS) já tinha posição definida contra. Gil Cutrim (Republicanos) contrariou a orientação do seu partido e votou contra, por convicção. Josimar de Maranhãozinho (PL) e os integrantes do seu grupo – Júnior Lourenço (PL) e Marreca Filho (Patriotas) – votaram contra. Pedro Lucas Fernandes (PSL) não se dobrou a Jair Bolsonaro e votou contra. Rubens Jr. seguiu rigorosamente a orientação do seu partido, o PCdoB, e votou contra a PEC. E também Zé Carlos (PT) cumpriu a determinação partidária.

Os quatro deputados ausentes foram João Marcelo (MDB), Hildo Rocha (MDB), André Fufuca (PP), e Juscelino Filho (DEM). Os dois emedebistas manifestaram sua rejeição à PEC do voto impresso já nos debates na Comissão Especial, onde a proposta foi derrotada na semana passada. André Fufuca, que hoje preside o PP no âmbito nacional, fechou com os dois maiores líderes do partido, o atual ministro-chefe da Casa Civil, senador Ciro Nogueira, e o presidente da Câmara, deputado Arthur Lira, e liberou a bancada e não compareceu à sessão. A mesma linha de ação contra a PEC foi adotada por Juscelino Filho, que preside o DEM no Maranhão: ele optou por não comparecer, o que na prática equivale a votar contra.

Apenas quatro deputados disseram “sim” à PEC do voto impresso. Aloísio Mendes (PSC) levou duas motivações para votar “sim”: o PSC se posicionou nessa linha e ele entrou na briga como vice-líder do Governo Bolsonaro na Câmara federal. Cléber Verde seguiu a orientação do seu partido, o Republicanos, que se posicionara contra, mas, devido às pressões do Palácio do Planalto, voltou atrás e fechou questão a favor da PEC.  Por sua vez, o deputado Josivaldo JP (Podemos), que se declarou bolsonarista logo que assumiu na vaga do hoje prefeito de São Luís Eduardo Braide, obedeceu à orientação do seu partido. Finalmente, Pastor Gildenemyr (PL), que é bolsonarista de carteirinha, abraçou a orientação dos líderes evangélicos e cravou o voto a favor da PEC

É provável que, proporcionalmente, a bancada maranhense tenha sido a que mais contribuiu para o enterro da PEC do voto impresso. Numa avaliação baseada no perfil político e partidário dos deputados maranhenses, esse resultado não foi exatamente uma surpresa. Todos, de alguma maneira, sinalizaram como votariam. Por essa, ótica, surpreendente foi somente o voto a favor do deputado Cléber Verde, que era contra, mas recuou e votou sim, seguindo a guinada dada por seu partido.

 

PONTO & CONTRAPONTO

 

Senado revoga LSN, usada pela ditadura para perseguir adversários

Eliziane Gama: participação importante no enterro da LSN

Ao revogar, ontem, a anacrônica Lei da Segurança Nacional (LSN), criada em 1983, nos estertores da ditadura militar, enterrando todos os resquícios identificado com regime de exceção, o Senado, consolidou, em caráter definitivo, o Estado Democrático de Direito no Brasil. Com a decisão, a Câmara Alta baniu o último instrumento criado pelos militares para punir adversários do regime ditatorial. À medida que o regime democrático formatado pela Carta de 1988 foi se consolidando, a LSN foi sendo relegada ao esquecimento. Desde que tomou posse, em 2019, o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) e seu governo passaram a usar a LSN, principalmente contra jornalistas e veículos de comunicação, alcançando 51 inquéritos em 2019.

No Senado, o projeto tramitou em conjunto com o PL 1.385/2021, da senadora Eliziane Gama (Cidadania). Os dois textos tratavam da revogação da LSN e tipificavam os mesmos crimes. A diferença é que, no seu projeto, Eliziane Gama pedia edição de uma lei penal autônoma, enquanto o texto aprovado pelo Senado promove as alterações no Código Penal, de 1940. Mesmo assim, a senadora maranhense teve participação decisiva no debate e na votação da matéria.

 

Roseana Sarney volta a cogitar candidatura aos Leões

Roseana Sarney: cogita candidatura aos Leões mesmo sabendo das suas limitações eleitorais

A ex-governadora Roseana Sarney (MDB) voltou a aventar a possibilidade de se candidatar ao Palácio dos Leões, colocando em dúvida o projeto de se candidatar a uma cadeira na Câmara Federal

“Muita gente fica me perguntando por que eu, que lidero todas as pesquisas de intenção de voto, não concorro novamente ao mandato de governadora. Minha vontade pessoal é não disputar o Governo. Mas isso não depende só de mim. É uma decisão partidária que tenho que respeitar. É precipitado descartar uma candidatura ao Governo”, declarou.

No duro, no duro, Roseana Sarney não está sequer cogitando a possibilidade de tentar chegar ao Governo pela quarta vez. Para começar, sua liderança nas pesquisas, que vem há meses estacionada no patamar de 25% de intenções de voto, é frágil. Ela tem ciência de que a fragilidade da sua liderança aparece de maneira incontestável quando entra em cena o item rejeição, no qual ela lidera, com média acima dos 40%, de acordo com todas as pesquisas realizadas até aqui.

Em resumo: Roseana Sarney joga para alimentar, de maneira inteligente, sua presença no epicentro do debate sucessório. Nada mais que isso. Tanto que na mesma entrevista ela sinalizou com a possibilidade de vir a apoiar a candidatura de Edivaldo Holanda Jr., como previra a Coluna na semana passada.

São Luís, 11 de Agosto de 2021.

 

Maranhãozinho reafirma candidatura, mas os fatos sugerem que seu fôlego é curto no jogo sucessório

 

Josimar de Maranhãozinho se diz  candidato, “venha quem vier”

“Venha quem vier, Josimar Maranhãozinho estará na disputa para o Governo do Estado em 2022”. A declaração, enfática, foi feita pelo próprio deputado federal Josimar de Maranhãozinho (PL), no fim de semana, em Bacuri, como uma espécie de aviso no sentido de que, pelo menos até aqui, ele está no jogo sucessório. Essa manifestação, que muitos veem como uma bravata pura e simples, aparenta ser parte de uma estratégia do parlamentar para ser levado em conta nessas articulações em quatro frentes, sendo que a primeira gira em torno do vice-governador Carlos Brandão (PSDB) – que será governador a partir de abril -, a segunda tem como base o projeto de candidatura do senador Weverton Rocha (PDT), a terceira envolve o ex-prefeito Edivaldo Holanda Jr. (PSD), e a quarta pode ter como alvo o ainda impreciso projeto eleitoral do senador Roberto Rocha (sem partido). Josimar de Maranhãozinho está se movimentando para ser parte decisiva de um deles, com poder de indicar o vice, por exemplo.

É verdade que Josimar de Maranhãozinho é um político polêmico, com sua atuação marcada por controvérsias e que não esconde que joga com a força de um intrigante – e para muitos, suspeito – poder financeiro, e que no contraponto ao seu espantoso sucesso eleitoral, carrega no currículo também a condição de investigado pela Polícia Federal por suspeitas de esquema de desvio de dinheiro público – que ele nega, claro, apesar de algumas evidências. Por outro lado, exibe músculos políticos no controle absoluto de três partidos – o PL, que preside no estado, o Avante e o Patriotas -, no comando uma minibancada federal formada por ele próprio e pelos deputados federais Júnior Lourenço, Pastor Gildenemyr e Marreca Filho, e de uma bancada estadual formada pelos deputados Detinha, Vinícius Louro, Leonardo Sá e Hélio Soares, ao que se somam 35 prefeitos e um expressivo número de vereadores.

Como está demonstrado, Josimar de Maranhãozinho é um político com poder de fogo nada desprezível nesse cenário, credenciado, portanto, a reivindicar espaço no jogo sucessório. Ele sabe que sozinho não irá lugar algum, e que se resolver encarar essa aventura com o desafio do “venha quem vier”, correrá o risco de sair triturado das eleições, saindo das urnas com imensas dificuldades para se recuperar no futuro. Seus movimentos e declarações sugerem que ele se move por uma lógica cartesiana segundo a qual é ouro em pó como aliado e chumbo grosso como adversário. Não deve esquecer, porém, de que a corrida ao Palácio dos Leões exige muito mais em estatura e postura políticas.

Nesse contexto, mesmo municiado e se movimentando em campanha aberta, reafirmando diariamente o seu projeto de candidatura, as pesquisas têm dito que seu fôlego é curto numa corrida majoritária. A pesquisa mais recente, feita pela Econométrica, o encontrou com módicos 4,5% de intenções de voto, metade do que obteve, por exemplo, o prefeito de São Pedro dos Crentes, Lahesio Bonfim (PSL), que não tem um naco do seu poder e da sua estrutura. Logo, ele não parece ser páreo para Carlos Brandão, Weverton Rocha, Edivaldo Holanda Jr. ou Roberto Rocha. Mas pode ser um aliado para qualquer um deles, desde que atue como tal, sem querer dar as cartas na campanha e num eventual futuro Governo.

No discurso que fez em Bacuri, sua frase completa foi a seguinte: “É com esse sentimento de querer fazer mais pelo nosso estado do Maranhão, que afirmamos que, venha quem vier, Josimar de Maranhãozinho estará na disputa para o Governo do Estado em 2022”. Pode ser, afinal, esse é um direito de todo cidadão brasileiro maior de idade e filiado a um partido político que o credencie para tal. Mas o chefe maior do PL, do Avante e do Patriotas no Maranhão acumula esperteza suficiente para entrar na guerra sucessória sabendo que pode sair das urnas chumascado, quando pode renovar o mandato e permanecer na cena política.

 

PONTO & CONTRAPONTO

 

Maioria da bancada dirá hoje “não” à PEC do voto impresso

Vice-líder do Governo, Aloísio Mendes deve atuar hoje em defesa do voto impresso

Todos os sinais demonstram que a esmagadora maioria da bancada maranhense na Câmara Federal votará hoje para enterrar de vez a PEC que prevê a desnecessária implantação do voto impresso no sistema eleitoral brasileiro. Há quem preveja que pelo menos 15 dos 18 deputados rejeitarão o projeto já rejeitado pela Comissão Especial por 23 votos contra 11. A grande maioria dos integrantes da bancada – entre eles os João Marcelo (MDB), Hildo Rocha (MDB), Edilázio Jr, (PSD), Marreca Filho (Patriotas), Rubens Jr. (PCdoB) e Zé Carlos (PT) – já declarou voto contrário à PEC, enquanto um pequeno grupo que vota contra preferiu não fazer alarde. Os prováveis apoiadores da proposta também preferiram se manter discretos. Não é o caso do deputado Aloísio Mendes (PSC), que já votava alinhado ao Palácio do Planalto, e que agora como vice-líder do Governo deve se desdobrar hoje na ingrata tarefa de defender um projeto sem futuro.

 

Em Tempo: a Coluna errou

José Sarney perdeu para Epitácio Cafeteira em São Luís em 1970

A Coluna cometeu um grave erro de informação na edição de 08/08. Foi registrado que na eleição de 1970 para o Senado, José Sarney perdeu para José Mário Ribeiro da Costa em São Luís. Na verdade, quem o derrotou na Capital naquele pleito foi Epitácio Cafeteira. A derrota de José Sarney para José Mário Ribeiro da Costa em São Luís ocorreu na eleição de 1978 para o Senado.

Vale lembrar que, apesar das derrotas em São Luís, José Sarney venceu as duas eleições com vantagens largas.

Quanto à derrota de Epitácio Cafeteira para Bira do Pindaré em São Luís, o surpreendente fato político ocorreu mesmo na eleição para senador em 2006. Lembrando que naquele pleito Epitácio Cafeteira foi candidato com o apoio de José Sarney, na chapa encabeçada pela então senadora Roseana Sarney, que perdeu para Jackson Lago.

O autor pede desculpas aos leitores pela falha.

São Luís, 10 de Agosto de 2021.

Flávio Dino caminha para o Senado até aqui sem adversário visível no cenário da disputa

 

Flávio Dino: caminhando sem sombra para o Senado

Mesmo levando em conta que a contagem regressiva para as eleições vai durar ainda 14 meses, que o calendário eleitoral propriamente dito ainda não foi iniciado, e ainda não haver martelo batido a respeito das candidaturas para o Palácio dos Leões, um fato já está praticamente desenhado no cenário da guerra eleitoral que se aproxima: o governador Flávio Dino (PSB) caminha com segurança a trilha do favoritismo para a única vaga de senador a ser colocada em disputa em 2022. Isso porque no horizonte dessa disputa não existe, até aqui, dentro ou fora da aliança governista, nenhum nome – político militante ou outsider – com estatura política e potencial eleitoral para se posicionar como concorrente do atual chefe do Governo do Maranhão, que, na semana passada, em entrevista a uma emissora de rádio, confirmou sua pré-candidatura ao Senado. O seu adversário possível seria o senador Roberto Rocha (sem partido), ocupante da cadeira a ser colocada em disputa, mas ele, ao que tudo indica, não pretende não tentar a reeleição, optando por disputar o Governo do Estado ou entrar na guerra por uma cadeira na Câmara Federal.

Isso não significa dizer que o governador Flávio Dino será candidato único ao Senado. Isso não existe na democracia representativa, na qual o conceito de unanimidade não é nem deve ser visto com bons olhos. O que vale mesmo é o conceito de maioria, porque respeita também o de minoria. Outros nomes deverão se apresentar ao eleitorado para brigar pelo mandato senatorial. Até agora, no entanto, nenhum aspirante com estatura política e potencial eleitoral entrou no tabuleiro da política estadual com essa pretensão. Todos os nomes especulados para essa caminhada já anunciaram outros rumos nessa corrida eleitoral.

O espaço natural de surgimento de um candidato a senador com viabilidade seria o Grupo Sarney. Mas ali ninguém parece disposto a assumir o desafio. A ex-governadora Roseana Sarney (MDB) chegou a cogitar o projeto, mas mudou de ideia, preferindo ser temporariamente lembrada para o Governo, mas focando na Câmara Federal. O empresário Lobão Filho (MDB) e o ex-deputado federal Sarney Filho (PV) passaram a bola para a frente. Hoje, parte do MDB se inclina para a candidatura de Flávio Dino, enquanto outros segmentos sarneysistas, como o PSD, que acatou a decisão do seu candidato a governador, Edivaldo Holanda Jr., de não lançar candidato a senador.

É provável que, mantida sua candidatura, o prefeito de São Pedro dos Crentes, Lahesio Bonfim (PSL), lance um candidato a senador, sem que haja qualquer sinal de que o nome mais importante da legenda no Maranhão, deputado federal Pedro Lucas Fernandes, queira entrar nessa aventura.

Flávio Dino não chegou a essa posição por acaso nem pela via do populismo barato. Sua estatura política, hoje de alcance nacional, e seu potencial eleitoral, mostrado por pesquisas, são o resultado de uma construção politicamente correta, iniciada ainda no movimento estudantil, nos anos 80, solidificada por uma bem-sucedida carreira como juiz federal, e, finalmente, o desembarque na seara político-partidária. Começou como deputado federal (2006), tropeçou na eleição para a Prefeitura de São Luís em 2008 e para o Governo do Estado em 2010. Nos anos seguintes criou as condições políticas necessárias para vencer a eleição de governador em 2014 e se reeleger em 2018.

Em seis anos e meio de Governo, Flávio Dino alcançou dois êxitos indiscutíveis. Primeiro: realiza um governo inovador, voltado para o plano social e desmontando a velha cultura do “mando, quero, faço”, e sem registro de derrapagens éticas. Segundo: comanda uma guinada política radical no Maranhão, desbancando a máquina política do sarneysismo, sem perseguir adversários nem caçar bruxas, realizando uma transição só vista no estado quando o próprio José Sarney desbancou a máquina vitorinista no final dos anos 60 do século passado. Foram sua eficiência como governante e a sua saudável ação política, principalmente de oposição ao presidente Jair Bolsonaro (sem partido) que lhe deram a estatura política e a viabilidade eleitoral que o tornou o grande favorito para o Senado no ano que vem.

Político militante e movido pelo realismo que determina a dinâmica da política, o governador Flávio Dino admite sua posição de favorito, mas não endossa a tese do “já ganhou”, lembrando sempre de que cada eleição é uma eleição, e que independentemente da condição de favorito, vai mergulhar de cabeça na campanha eleitoral.

 

PONTO & CONTRAPONTO

 

Mesmo com algumas surpresas, todos os ex-governadores se elegeram para o Senado

José Sarney e Cafeteira: eleitos para o Senado, mas enfrentando problemas em São Luís

Dos anos 60 para cá, à exceção de Pedro Neiva de Santana (1971/1974), Nunes Freire (1975/1979) e Luiz Rocha (1983/1986), todos os governadores – José Sarney (1970), João Castelo (1982), Edison Lobão (1994, 2002 e 2010) e Roseana Sarney (2002) que disputaram o Senado, venceram a eleição. A crônica das disputas, porém, registra alguns fatos que contrariaram a lógica, causados principalmente por posições surpreendentes do eleitorado de São Luís. Começou com o próprio José Sarney, que venceu a disputa senatorial de 1970, mas amargando uma derrota incômoda e inesperada para o candidato do MDB, o jovem e obscuro economista José Mário Ribeiro da Costa, que desapareceu na cena política com a mesma rapidez com que apareceu. Em 2002, a governadora Roseana Sarney (MDB), que vinha alçando voo na disputa para a Presidência da República, chegando a liderar pesquisas nacionais de intenção de voto, mudou o curso da eleição para o Senado ao ser duramente atingida pela Operação Lunus, da Polícia Federal, autorizada pelo então jovem juiz federal José Carlos Madeira, que a tirou da disputa presidencial e a obrigou a se candidatar ao Senado, vencendo a eleição. Logo depois, em 2006, embalado por um inesperado acordo com o Grupo Sarney, o então deputado federal Epitácio Cafeteira (PTB), venceu no geral, mas amargou derrota em São Luís, sua principal base eleitoral, para o jovem candidato petista Bira do Pindaré.

O governador Flávio Dino não se enquadra em nenhuma dessas situações. A começar pelo fato de que, ao contrário de todos os seus antecessores, realiza um Governo sem oposição ostensiva, mas trabalhando duro, politicamente, para enfrentar as urnas.

 

Voto impresso: partidos de oito deputados maranhenses rejeitam PEC, contra cinco que apoiam

Entre outros, Edilázio Jr., João Marcelo e Hildo Rocha se declararam contra o voto impresso

A bancada maranhense na Câmara Federal tem ampla maioria de deputados contra a PEC que prevê a implantação do voto impresso. Na votação de Quinta-Feira (05), em que o projeto foi amplamente derrotado na Comissão Especial, nada menos que presidentes de 11 partidos orientaram voto contra: Nesta quinta, orientaram voto contra a proposta os partidos PT (Zé Carlos Araújo), DEM (Juscelino Filho), PL (Josimar de Maranhãozinho, Júnior Lourenço e Pastor Gildenemyr), PSD (Edilázio Jr.), MDB (Hildo Rocha e João Marcelo), PSDB, PSB, Solidariedade, PSOL, PC do B (Rubens Jr.), PV e Rede.

Inicialmente contrário à PEC, o Republicanos (Cléber Verde e Gil Cutrim) surpreendeu mudando de posição, enquanto o Cidadania, que fora contra na reunião de Junho, liberou seus deputados. O PP (André Fufuca) e o PSL (Pedro Lucas Fernandes), antes contra a PEC, orientaram sim. Dos partidos que não participaram da reunião de Quinta-Feira, o Novo liberou a bancada, enquanto PTB e Podemos (JP) orientaram sim.

São Luís, 08 de Agosto de 2021.

Rumores ´empurram` Braide para as urnas em 22, mas ele sabe a hora de dar passos decisivos

 

Eduardo Braide: candidato a fazer um bom governo 

Em meio à crescente movimentação de pré-candidatos a governador – como a filiação do ex-prefeito Edivaldo Holanda Jr. ao PSD, onde chegou já com vaga de candidato garantida, por exemplo –, voltaram a circular rumores de que o prefeito de São Luís, Eduardo Braide (Podemos), estaria avaliando a possibilidade de entrar na briga pela sucessão do governador Flávio Dino (PSB). O zumzum começou depois que o prefeito da Capital dissera, numa entrevista à Rádio Mirante, na Segunda-Feira (01/08), que é candidato mesmo é a realizar uma boa gestão em São Luís. Alguns ouvintes atentos perceberam que o prefeito não teria sido enfático na negativa quanto a um eventual projeto de candidatura, e esse foi o ponto de partida para a onda de especulações, que continuou até ontem. Eduardo Braide, como sempre, usou inteligência política e permaneceu em silêncio sobre o assunto.

De todas as possibilidades apontadas até aqui para a definição de candidaturas ao Palácio Leões, a mais improvável é exatamente a que envolve o prefeito Eduardo Braide. Por uma série de razões, sendo a primeira delas o fato de que em Abril do ano que vem, quando chegar a hora da desincompatibilização, ele terá cumprido apenas 17 dos 48 meses para os quais foi eleito gestor da cidade de São Luís. E mesmo levando em conta o fato de que política não é uma ciência exata, mas um emaranhado de circunstâncias que costumam produzir desdobramentos absolutamente imprevistos, não há como prever uma guinada desse quilate de, menos ainda, assimilá-la, se ela vier a ser concretizada.

Político jovem, ambicioso, mas inteligente e pragmático, que não toma decisão por impulso, precipitada, Eduardo Braide não tem razão nenhuma para tentar se tornar uma versão ludovicense do tucano paulista João Doria, que abandonou a Prefeitura de São Paulo, conseguiu se eleger governador visando se tornar presidente em três eleições, num intervalo de apenas seis anos, mas que agora amarga o empacamento do projeto na última etapa, inclusive com o risco de não conseguir a reeleição. A eleição para a Prefeitura de São Luís foi, sim, etapa decisiva de um projeto bem arquitetado cujo objetivo maior é chegar ao Palácio dos Leões, mas foi também uma oportunidade de ouro que conquistou para se lapidar e se aprumar como gestor. Além disso, assumiu compromissos explícitos com a população da Capital, que só poderá cumprir trabalhando por pelo menos um mandato no Palácio de la Ravardière.

Ao mesmo tempo, entrar agora numa disputa fraticida em que estão se digladiando o senador Weverton Rocha (PDT), que o apoiou na eleição de prefeito, o vice-governador Carlos Brandão (PSDB), que será governador na campanha eleitoral, e ainda o ex-prefeito de São Luís Edivaldo Holanda Jr. (PSD), que não o apoiou, mas também não lhe criou embaraços, e nada tem a perder é um lance de altíssimo risco político e eleitoral. Não se duvida que o prefeito Eduardo Braide entre nessa guerra com cacife para disputar, mas não há nenhuma certeza de que bateria esses três oponentes no primeiro turno e um deles numa segunda rodada. Seria um fenômeno jamais visto na história eleitoral do Maranhão.

A lógica – que nem sempre é a dona da verdade – sugere que o prefeito de São Luís cumpra seu mandato, e, se bem avaliado, pleiteie a reeleição em 2024, o que lhe dará autoridade política e consistência eleitoral para entrar na disputa pelo Governo do Estado em 2026. É verdade que naquele pleito, ele poderá enfrentar o governador Weverton Rocha, se eleito for em 2022, ou o provável senador Flávio Dino disposto a retornar aos Leões, apoiado pelo governador Carlos Brandão, que estará no final do mandato obtido no ano que vem.

Sejam quais forem os adversários e as circunstâncias da disputa em 2026, ela será bem mais ajustada a um prefeito de um mandato e meio do que a de agora, a um prefeito de 15 meses e sem ter ainda demonstrado toda a sua capacidade como gestor.

Mas, com o perfil político que tem, Eduardo Braide sabe pautar o seu futuro.

 

PONTO E CONTRAPONTO

 

Rumores apontam Camarão como vice do PT na chapa de Brandão

Felipe Camarão lembrado para representar o PT como vice na chapa de Carlos Brandão

Nas tratativas sobre a aliança para as eleições de 2022 no Maranhão, o PT tem sempre pleiteado a vaga de candidato a vice na chapa do vice-governador Carlos Brandão. O factoide de que o fato de Brandão pertencer ao PSDB, partido que foi carro-chefe no impeachment da presidente Dilma Rousseff (PT) em 2016 não ganhou nenhuma consistência, uma vez que o objetivo da legenda petista é voltar ao poder pelo voto. Dentro do partido de Lula da Silva esboçam-se movimentos no sentido de indicar nomes, já se tendo falado, por exemplo, no deputado federal Zé Carlos Araújo e no deputado estadual Zé Inácio, entre outros nomes. Mas, nos bastidores, um nome começa a ser falado com certa ênfase: Felipe Camarão, que se filiou recentemente ao partido com o propósito de disputar uma cadeira na Câmara Federal. O nome do bem avaliado secretário de Estado da Educação ganhou força nos bastidores depois que ele declarou, numa entrevista à TV Mirante, na Quarta-Feira, que mantém o projeto de chegar à Câmara Federal, mas está pronto para cumprir qualquer missão que lhe for dada pelo governador Flávio Dino e seu grupo, inclusive a de disputar o Governo do Estado. Mesmo não agradando a setores mais tradicionais do PT, seria uma jogada de mestre.

 

Setores do Governo querem Júlio Matos no campo político de Flávio Dino

Júlio Matos

Há setores da aliança partidária liderada pelo governador Flávio Dino advogando a abertura de espaço para o prefeito de São José de Ribamar, Júlio Matos (PL), no Palácio dos Leões. O argumento é convincente: Júlio Matos integra o grupo político liderado pelo deputado federal Josimar de Maranhãozinho (PL), que permanece na base do Governo Flávio Dino e deve continuar na do governador Carlos Brandão, a partir de Abril de 22. E argumentam que Júlio Matos derrotou o prefeito Eudes Sampaio (PTB), homem de confiança de do ex-prefeito Luís Fernando Silva, que hoje integras a equipe de Governo como secretário de Projetos Especiais. Para eles, a guerra política em São José, que é hoje o quinto maior município e um dos maiores colégios eleitorais do Maranhão,  não deveria envolver o Governo, menos ainda o governador Flávio Dino.

São Luís, 06 de Agosto de 2021.

Ao entrar no PSD, Edivaldo Jr. assumiu a condição de candidato à sucessão de Flávio Dino

 

Entre Alina Sarney e Camila Holanda, Gilberto Kassab (c) entrega ficha de filiação ao PSD a Edivaldo Jr. (d), como aval de Edilázio Jr. (e), em ato na sede do partido no DF

A corrida ao Palácio dos Leões ganhou ontem mais um pretendente credenciado, com a filiação do ex-vereador, ex-deputado federal e ex-prefeito de São Luís, Edivaldo Holanda Jr. ao PSD. Pela pompa que marcou o ato político, realizado em Brasília sob o comando do presidente nacional do partido, Gilberto Kassab, e com o aval entusiasmado do presidente estadual, deputado federal Edilázio Jr., Edivaldo Holanda Jr. desembarcou no PSD com o status de pré-candidato da legenda ao Governo do Estado. Na bagagem, uma trajetória política eleitoral de vencedor, e uma sólida experiência executiva respeitável de oito anos como prefeito de São Luís, com elevado índice de aprovação O entusiasmo dominou o ato de filiação, tendo o chefe estadual do partido, Edilázio Jr., comparou o PSD a um time que acabou de contratar ninguém menos que o craque português Cristiano Ronaldo, dando a entender que o presidente nacional do partido colocou esse projeto de candidatura na sua lista de prioridades.

Pelo que está rascunhado e ganhando a forma de desenho definitivo, o ex-prefeito da Capital vai capitanear um arrojado e audacioso projeto de poder, cujo desafio maior será enfrentar e superar dois candidatos politicamente poderosos e eleitoralmente viáveis, o senador Weverton Rocha (PSDB), que no momento é o segundo colocado nas pesquisas, e o vice-governador Carlos Brandão (PSDB), que no auge da corrida às urnas será o governador titular do Maranhão. Além deles, o plantel da corrida ao Governo estadual inclui o prefeito de São Pedro dos Crentes, Lahesio Bonfim (PSL), que está em campanha aberta, e deve incluir o senador Roberto Rocha, ainda sem partido, e o suplente de deputado federal Simplício Araújo (Solidariedade), que corre em faixa própria.

Edivaldo Holanda Jr. chega ao PSD politicamente consolidado, a começar pelo fato de que o braço maranhense do PSD é parte expressiva do que sobrou do Grupo Sarney, que pode atrair as outras fatias, como a mais importante delas, o MDB, hoje comandado pela ex-governadora Roseana Sarney, e a outra é o PSC, comandado pelo deputado federal Aloísio Mendes. Dois indícios da possibilidade de o MDB entrar nessa composição: a presença do deputado federal Hildo Rocha (MDB) no ato de filiação do ex-prefeito, e a brecada que líderes emedebistas deram no movimento que o partido vinha fazendo na direção do pré-candidato pedetista Weverton Rocha.

Quanto ao capital eleitoral, o ex-prefeito de São Luís e bem situado nas pesquisas que o incluíram, como a mais recente, feita pelo instituto Econométrica, na qual apareceu na faixa dos 10% de intenções de voto, empatado em terceiro lugar com o vice-governador Carlos Brandão e o senador Roberto Rocha, atrás do senador Weverton Rocha, em segundo, e da ex-governadora Roseana Sarney (MDB), em primeiro, mas que está fora da disputa. Um cacife respeitável, principalmente considerando-s que ele tem baixa rejeição, fator que indica potencial de crescimento durante a campanha. É também um projeto de altíssimo risco, exatamente de que os dois concorrentes a serem batidos são politicamente bem estruturados, sendo que um deles terá o maior dos trunfos nestas eleições: o apoio do governador Flávio Dino (PSB).

O ingresso de Edivaldo Holanda Jr. nas fileiras do PSD é o desfecho de uma bem-sucedida operação articulada pelo presidente do partido no Maranhão, deputado federal Edilázio Jr., que enxergou longe, abriu o caminho, vendeu bem o “peixe” à direção nacional e colocou a agremiação no epicentro da política maranhense. Político já tarimbado, Edivaldo Holanda Jr. sabe o tamanho do desafio que abraçou ao assinar a ficha de filiação.

 

PONTO & CONTRAPONTO

 

Bolsonaro agride Dino e recebe troco contundente

 

Presidente Jair Bolsonaro: “Quanto mais pobre o estado, mais gordo é o governador”.

Flávio Dino rebate mais um ataque de Jair Bolsonaro, que repete a “estranha obsessão”

Governador Flávio Dino: “Acho que ele está se oferecendo para ser meu personal trainer. Não, obrigado. Que estranha obsessão. Vá trabalhar, presidente. No Maranhão, as rodovias federais estão destruídas”

O ataque grosseiro e o contra-ataque fulminante ocorreram ontem, marcando mais um episódio envolvendo diretamente o presidente Jair Bolsonaro e o governador Flávio Dino. E como os anteriores, a agressão do presidente foi gratuita e preconceituosa, como, aliás, têm sido as suas manifestações relacionadas com o Maranhão. A rebatida do governador com firmeza, mas dentro dos limites da decência, como têm sido as suas reações às agressões presidenciais.

Flávio Dino definiu as agressivas palavras do presidente como “estranha obsessão”, referindo-se ao fato de o presidente atacá-lo com frequência, e sempre determinado a ofendê-lo no plano pessoal. Na rebatida, o governador recomendou que o presidente saia da boa vida bancada pelos brasileiros e “vá trabalhar”, sugerindo que dê atenção às rodovias federais que cortam o Maranhão, que “estão destruídas”.

Com a rebatida, o governador Flávio Dino deixou claro, mais uma vez, que não deixará em branco nenhum ataque do presidente Jair Bolsonaro.

 

Camarão acende alerta nos QGs dos pré-candidatos ao Governo

Felipe Camarão

Uma declaração do secretário de Estado da Educação, Felipe Camarão, feita ontem em entrevista à TV Mirante, colocou ontem os QGs dos pré-candidatos ao Governo do Estado em clima de alerta amarelo ao confirmar seu projeto de disputar vaga na Câmara federal, mas com disposição para abraçar qualquer outra missão eleitoral que lhe for determinada pelo grupo liderado pelo governador Flávio Dino, incluindo uma eventual candidatura ao Governo do Estado. A declaração de Felipe Camarão é dada no momento em que seu nome começa a ser ventilado como uma espécie de “terceira via” dentro da aliança liderada pelo governador. Para muitos, esse projeto é inviável. Mas há quem acredite que ele faz sentido.

São Luís, 05 de Agosto de 2021.

Senadores maranhenses têm posições diferentes sobre o voto impresso

 

Eliziane Gama, Weverton Rocha e Roberto Rocha: posições diferentes em relação ao voto impresso

A adoção ou não do voto impresso não está em discussão no País. Não está em debate no Poder Judiciário, só entrou na pauta do Congresso Nacional – tudo indica que o projeto será fulminado na Câmara Federal – por ação de bolsonaristas de carteirinha, empurrados pelo Palácio do Planalto, e sua adoção não é pleiteada por instituições como a OAB, organizações civis – Fiesp, CNT, CNI, centrais sindicais – nem por número razoável de partidos políticos. O voto impresso está sendo cobrado quase que exclusivamente pelo presidente Jair Bolsonaro (sem partido) e sua turma, cuja maioria não sabe exatamente o que é nem para que serve. A maioria dos deputados federais e dos senadores considera o movimento inoportuno e descabido, um assunto menor, portanto. E a reação de ontem dos presidentes do STF, ministro Luiz Fux, e do TSE, ministro Luiz Roberto Cardoso, foi suficiente para deixar claro que as instituições republicanas não se dobrarão às ameaças golpistas do presidente Jair Bolsonaro (sem partido), que em live para seguidores voltou a afirmar que sem voto impresso não haverá reeleição.

Nesse contexto, os três senadores maranhenses têm posições definidas sobre o voto impresso. Eliziane Gama (Cidadania) considera o instrumento desnecessário e tem posição dura em relação à campanha do presidente da República. Weverton Rocha segue a orientação do seu partido, o PDT, a favor do voto impresso. E o senador Roberto Rocha (sem partido) prega a adoção do voto impresso na linha do que diz o presidente Jair Bolsonaro.

Eliziane Gama, que iniciou sua trajetória eleitoral já na era do voto eletrônico, disputando várias eleições sem que em nenhuma delas tenha havido algum traço de distorção ou fraude propriamente dita. Defensora firme do atual sistema eleitoral, a senadora maranhense foi uma das vozes do Congresso Nacional que reagiram ontem, de maneira contundente, a mais um ataque do presidente Jair Bolsonaro ao sistema de votação eletrônica. Eliziane Gama lamentou o fato de o presidente da República haver se tornado alguém “sem nenhuma credibilidade”. E arrematou: “Em uma live com vídeos requentados e teorias delirantes, o presidente não provou absolutamente nada contra as urnas eletrônicas. Mais um blefe para uma plateia cada vez menor e mais radical. É o remake da cloroquina”.

O senador Weverton Rocha tem posição delicada nesse contexto. Até agora ele não fez declarações enfáticas sobre a proposta do presidente Jair Bolsonaro, mas não é segredo que, de acordo com palavras recentes do presidente Carlos Lupi, o seu partido, o PDT, é a favor do voto impresso, uma posição formulada e defendida ainda pelo fundador da agremiação, o ex-governador do Rio Grande do Sul e do Rio de Janeiro Leonel Brizola. A posição advogada pelo PDT, porém, não tem o voto impresso como imperativo, tendo por base apenas a ideia de melhorar ainda mais o sistema eleitoral brasileiro, já reconhecido no mundo inteiro como uma referência, não guardando qualquer relação com o discurso golpista e ameaçador do presidente Jair Bolsonaro. O senador Weverton Rocha parece disposto a se manter distante desse debate, podendo mudar de atitude se a zoada dos bolsonaristas ganhar volume.

O senador Roberto Rocha (sem partido), por sua vez, assumiu o discurso do presidente Jair Bolsonaro como quem está defendendo uma causa de vida ou morte. Ele participou indiretamente da live mais recente do presidente, durante a qual veiculou peças de propaganda nas quais defende o voto impresso na linha bolsonarista, ou seja, sem voto impresso não haverá eleição. Trata-se de um caso curioso, uma vez que o hoje senador já disputou várias eleições, venceu a maioria delas – com boas votações, diga-se -, sem que tenha manifestado qualquer restrição ao sistema de votação eletrônico durante os mandatos que exerceu – incluindo os seis primeiros anos do mandato senatorial.

São, portanto, três posições bem claras, sendo a do senador Roberto Rocha a inteiramente alinhada à do presidente Jair Bolsonaro e seus seguidores, que pregam igualmente o desmonte da democracia para a adoção de um regime de força no Brasil.

 

PONTO & CONTRAPONTO

Se Roseana vai mesmo disputar a Câmara Federal, quem herdará seus votos majoritários?

Roseana Sarney: fora da disputa majoritária, libera 25% de intenções de voto

A ex-governadora Roseana Sarney (MDB) não se deixou encantar pela maioria frágil que recebido nas pesquisas de intenção de voto e teria batido definitivamente o martelo: será mesmo candidata à Câmara Federal. Por enquanto, ela não fará nenhum movimento no sentido de anunciar formalmente essa decisão, preferindo que seu nome seja incluído nas pesquisas medirão a corrida ao Palácio dos Leões.

Mas, se a ex-governadora estiver mesmo decidida a não se aventurar na disputa majoritária, preferindo liderar uma chapa do MDB para a Câmara Federal, a pergunta que todos fazem no meio político é a seguinte: para onde irão os 25% de intenções de voto que seriam dela?

Há quem veja esses votos migrando para três pré-candidatos: o vice-governador Carlos Brandão (PSDB), o senador Weverton Rocha (PDT) e Edivaldo Holanda Jr. (a caminho do PSD). Faz sentido, mas com a ponderação de que a probabilidade de uma divisão igual é muito remota, o que significa dizer que um dos três levará a melhor. Outra especulação ouvida pela Coluna lembra uma situação lógica: a maioria dos votos irá para o candidato que ela indicar.

 

Rubens Jr. volta à Câmara Federal “mais experiente”

Rubens Jr.: de volta ao jogo político federal

Após quase dois anos licenciado, período em que foi secretário de Cidades e Desenvolvimento Urbano, de Comunicação e Articulação Política – e mais recentemente apenas de Articulação Política com a recriação da Secom -, tendo também sido candidato à Prefeitura de São Luís, momento em que teve de combater um câncer, o deputado federal Rubens Jr. (PCdoB) volta à Câmara Federal, a partir de hoje.

Ao anunciar o retorno à atividade parlamentar, o deputado fez um balanço positivo da experiência que vivenciou na seara executiva, avaliando que ampliou sua visão política, à medida que consolidou sua compreensão da realidade política e social do Maranhão. E agradeceu ao governador Flávio Dino (PSB) pela oportunidade: “Agradeço ao governador. Para mim foi prazer ajudar o nosso estado integrando o seu Governo, uma gestão que tem 75% de aprovação da população com excelentes resultados reconhecidos no país”.

Declarando-se agora mais preparado para a retomada do mandato parlamentar, Rubens Jr. anunciou que vai se dedicar a fortalecer as ações da bancada federal maranhense em votações importantes para o Estado:  “A missão agora é fortalecer o Maranhão Câmara Federal em um momento fundamental para os rumos do nosso país. Teremos no segundo semestre votações das reformas política, eleitoral, tributária, administrativa etc., além da defesa da democracia contra o desgoverno Bolsonaro”.

São Luís, 03 de Agosto de 202