Líderes petistas querem dois “ou mais” palanques para Lula no Maranhão num cenário de confronto

Parte do PT quer Lula da Silva no palanque
de Felipe Camarão e de Orleans Brandão

O anúncio de que o vice-governador Felipe Camarão será o candidato do PT ao Governo do Estado colocou no tabuleiro sucessório estadual uma série de situações que terão de ser ajustadas ao novo cenário da corrida ao Palácio dos Leões. O item mais delicado desse conjunto de situações é a proposta de montagem de dois palanques para o presidente Lula da Silva (PT) no Maranhão, um liderado pelo petista Felipe Camarão e outro comandado por Orleans Brandão (MDB), ambos adversários declarados.

Esse desenho, que na visão de muitos observadores é irreal diante do quadro configurado na política maranhense. Na visão de algumas figuras proeminentes do PT, não haverá problemas para Lula da Silva ser recebido no palanque de Felipe Camarão, no qual se sentirá naturalmente “em casa”, nem marcando também presença no palanque de Orleans Brandão. Isso pode acontecer? Quem sabe? Mas a viabilidade de uma proeza assim vai depender de um quase milagre, algo que venha a “dobrar” o mais elevado grau de imprevisibilidade da política.

Quando confirmou que o PT terá o vice-governador Felipe Camarão como candidato ao Palácio dos Leões, a primeira conclusão óbvia e lógica de qualquer observador isento foi a de que o comando petista e o Palácio do Planalto se afastavam politicamente do governador Carlos Brandão (sem partido), ainda que sobrevivesse a relação institucional por meio da qual o Governo Lula da Silva financia parte expressiva da maioria das grandes obras do Governo do Estado, como o prolongamento da Avenida Litorânea, por exemplo. O afastamento político comprometerá essa relação?

Em meio a essas indagações, a até pouco tempo desconhecida presidente interina do PT estadual, Patrícia Carlos, disse que não, que o presidente Lula da Silva pode ter sim dois ou mais palanques no Maranhão, porque a prioridade é a sua reeleição, querendo dizer que a candidatura de Felipe Camarão só servirá a esse propósito. A mesma proposta foi defendida há dois dias pelo ex-vice-governador, ex-conselheiro do TCE e ex-secretário da Representação do Governo do Maranhão em Brasília, Washington Oliveira, que lidera a ala petista alinhada ao governador Carlos Brandão.

Como está claro, o braço maranhense do PT – pelo menos uma grande parte dele -, quer o presidente Lula da Silva pedindo votos para o candidato do seu partido a governador, quando o palanque for o de Felipe Camarão, e também pedindo votos para o candidato a governador adversário, como o emedebista Orleans Brandão, se vier a ser o caso. É uma situação que, seja qual for o ângulo, parece não fazer o menor sentido. Ou será que alguém imagina a situação na qual o presidente Lula da Silva ora suba no palanque de Felipe Camarão e peça votos para si e para o aliado, e num outro momento marque presença no palanque de Orleans Brandão pedindo votos somente para ele próprio e não dizendo para o eleitor votar no candidato a governador?

A situação acima zomba da realidade, a começar pelo fato de que o presidente Lula da Silva jamais toparia uma aberração política dessa natureza, e certamente o governador Carlos Brandão não aceitaria submeter o seu candidato a governador uma fórmula tão grotesca.

No caso específico dos palanques do PT, comandado por Felipe Camarão, e do MDB, encabeçado por Orleans Brandão, por mais politicamente esdrúxulo que possa parecer, seria admissível o presidente Lula da Silva participar dos dois. Mas para isso, ele teria de dispensar ao candidato do MDB o mesmo tratamento que certamente dispensará ao candidato petista, exaltando qualidades e pedindo votos com o argumento de que ele será o melhor para o Maranhão. Seria uma solução salomônica e justa do ponto de vista ético. Mas seria também, sem a menor sombra de dúvida, o maior absurdo da história política do estado, algo não visto nem nos áureos tempos do vitorinismo, quando politicamente boi voava, e de asa quebrada, nos ares políticos do Maranhão.

A candidatura do vice-governador Felipe Camarão, assim como a de Orleans Brandão, trouxe teor politicamente explosivo do rompimento, que o PT terá de administrar, como o governador Carlos Brandão vem tentando fazer em relação à candidatura de Orleans Brandão.

PONTO & CONTRAPONTO

Estreito: Justiça Eleitoral cassa prefeito do PL e sua vice do PT

Léo Cunha e Irenilde da Silva: PL e PT
foram cassados pela Justiça Eleitoral

A cassação do prefeito de Estreito, Léo Cunha e da vice-prefeita Irenilde da Silva causou estragos em duas vertentes políticas absolutamente distantes, via de regrar em confronto nos planos municipal, estadual e, principalmente nacional. Léo Cunha é um empresário de Imperatriz que chegou à Prefeitura de Estreito como candidato do PL, pelas mãos do deputado federal Josimar de Maranhãozinho. Irenilde da Silva é filiada ao PT.

Os dois foram cassados pela Justiça Eleitoral sob a acusação, comprovada em provas fartas, de abuso de poder econômico e político. Ele foi tornado inelegível por oito anos e ela apenas perdeu o mandato, não tendo sido alcançada pela inelegibilidade. Durante a campanha, Léo Cunha afrontou as regras eleitorais ao distribuir brindes a eleitores, entregar ambulância em clima de comício e realizar comício em data proibida, esnobando o controle da Justiça Eleitoral.

 Como se trata de uma decisão de 1ª instância, tomada pelo juiz Bruno Miranda, titular 82ª Zona Eleitoral de Estreito, o prefeito e a vice ainda não deixam os cargos, uma vez que têm direito a recurso ao Tribunal Regional Eleitoral (TRE-MA). Mas a cassação foi uma pancada impiedosa no prefeito de Estreito e sua companheira de chapa, e a julgar pelo teor da denúncia, dificilmente o TRE desmanchará a decisão do titular da 82ª Zona Eleitoral.

Léo Cunha é parte de uma família empresarial influente em Imperatriz, cujo irmão, Ribinha Cunha, foi candidato a vice-governador na chapa liderada por Roseana Sarney (MDB) em 2018, quando foi derrotada no 1º turno por Flávio Dino (PCdoB).

A cassação de Léo Cunha e Irenilde da Silva afeta duramente o PL, que perde um prefeito importante, e o PT, que terá muito o que explicar com essa cassação. E funcionou também como um recado de que outras cassações estão a caminho.

Afastamento de médico que assistia à jogo em plantão mostra que Roberto Costa usa coragem como base da sua gestão

Coragem de quebrar tabus como inaugurar
escolas só com estudantes e professores

O ato do prefeito de Bacabal, que é também presidente da Federação dos Municípios do Maranhão (Famem) Roberto Costa (MDB), de afastar um médico flagrado, por ele próprio, assistindo a um jogo de futebol durante plantão em uma unidade hospitalar bacabalense, reforçou o seu conceito de bom gestor, que vem construindo desde que assumiu o cargo em janeiro de 2025. E consolidou outra marca pessoal e política: a coragem, item decisivo na composição de um perfil de gestor bem sucedido.

Roberto Costa mostrou esse traço desde os primeiros momentos, com gestos desassombrados, mostrando que, tanto quanto a razão, o senso de justiça e a correção na prática administrativa, a coragem é fundamental para a tomada de decisões em todos os níveis.  

Ele começou a se mostrar um gestor ao mesmo tempo sensato e corajoso quando decidiu, por exemplo, pôr fim às inaugurações festivas e caras, que sempre foi regras imutável nos municípios. Foi corajoso quando foi pessoalmente ao um hospital para determinar que a partir daquele momento a comida a ser servida aos pacientes teria de ser do mesmo nível de qualidade da servida aos médicos, enfermeiros e servidores, o que não acontecia.

A coragem vem moldando o seu perfil político desde o Movimento Estudantil, quando, ainda adolescente, liderou parte do Movimento Secundarista de São Luís enfrentando os ativos e temidos líderes da esquerda, como o hoje deputado federal Márcio Jerry, por exemplo.

Sua coragem foi decisiva quando ele assumiu a Juventude do MDB, no início dos anos de 1990 enfrentando fortes pressões internas e externas, o que não o impediu de se tornar uma liderança forte dentro do partido, a ponto de anos mais tarde enfrentar as lideranças do partido, como Roseana Sarney, de quem cobrou uma participação mais ampla da ala jovem nas decisões do partido.

Roberto Costa enfrentou inúmeras situações complicadas como deputado estadual, as quais só superou pelas corajosas decisões que tomou. Agora, como prefeito, ele reforça o perfil de gestor que não teme os desdobramentos das decisões que toma. No caso do afastamento do médico por assistir à um jogo de futebol em pleno plantão hospitalar.

Sua postura certamente inspira colegas prefeitos e amplia sua estatura política.

São Luís, 05 de Maio de 2026.

PT lança Camarão e muda cenário apostando na força de Lula para viabilizar sua candidatura

Lula da Silva deu aval à candidatura
de Felipe Camarão a governador

O PT bateu martelo e vai lançar a candidatura do vice-governador Felipe ao Palácio dos Leões, confirma anúncio feito neste sábado pelo presidente nacional do partido, Edinho Silva, numa conferência virtual com os líderes petistas do Maranhão. Nossa linha no Maranhão é Felipe Camarão, não há que ter dúvida. Essa é uma decisão tomada junto com o presidente Lula. O presidente Lula tem convicção de que com o apoio dele, deixando claro que o seu candidato no Maranhão é Felipe, nós vamos pôr o Felipe no segundo turno e vamos ganhar a eleição”, declarou, enfático, o presidente do PT, confirmando informação corrente nos bastidores partidários maranhenses desde o início da semana passada.

A opção do PT por candidatura própria produz naturalmente alteração expressiva e abrangente no canário da corrida aos Leões, começando pela confirmação de que o partido e o presidente Lula da Silva entram em rota de colisão com o seu principal aliado no estado, o governador Carlos Brandão (sem partido), por não aceitam apoiar a candidatura de Orleans Brandão (MDB), numa reação do tipo “olho por olho” ao fato de o governador Carlos Brandão haver se negado a apoiar a apoiar a candidatura do vice-governador, que para os petistas era o “caminho natural”. Resta saber agora como ficará a relação do presidente Lula com o governador Carlos Brandão.

Na avaliação do comando nacional do PT, com o apoio declarado do presidente Lula da Silva, o vice-governador Felipe Camarão reúne condições para se tornar um candidato viável, com possibilidade de entrar efetivamente na briga pelo Palácio dos Leões, num confronto aberto com os três candidatos já definidos: Eduardo Braide (PSD), Orleans Brandão (MDB) e Lahesio Bonfim. A expectativa do presidente nacional do PT é que Felipe Camarão chegue ao segundo turno, e para isso ele tem de deixar para trás dois dos três nomes que estão de fato, na corrida pelo Governo.

O desenho político e partidário desse novo cenário não será tão simples como pensa, por exemplo, a presidente estadual do PT, Patrícia Carlos, que defende que o presidente Lula da Silva tenha dois palanques no Maranhão, o do próprio partido, liderado por Felipe Camarão, e o Orleans Brandão, que tem comando do governador Carlos Brandão, patrono político do candidato emedebista. Será que Orleans Brandão abrirá seu palanque para o presidente depois de ter sido vetado para ser o nome de uma aliança PT/MDB? E depois, nos bastidores partidários começa uma tímida, mas já visível movimentação no sentido de levar parte da aliança a apoiar Flávio Bolsonaro (PL) na corrida presidencial.

Por outro lado, a candidatura do PT coloca em xeque uma aliança do partido com o candidato do PSD, Eduardo Braide, que já tem praticamente certo o apoio do chamado grupo dinista, via PSB. No entendimento de importantes petistas maranhenses, o “caminho natural” do PSB é apoiar o vice-governador Felipe Camarão. Acontece que o grupo e formado por cinco deputados estaduais, que veem na aliança com Eduardo Braide, um caminho para a sobrevivência nas urnas. Uma fonte do grupo dinista tem dito que o seu caminho é apoiar Eduardo Braide, e que uma mudança por Felipe Camarão exigirá uma articulação bem amarrada em todas as pontas. Isso porque para eles, não será fácil desfazer uma delicada, mas viável, aliança com Eduardo Braide, que vem sendo moldada há meses.

A entrada do vice-governador Felipe Camarão na corrida sucessória, agora oficializada pela direção nacional do PT, define o quadro de candidatos ao Governo do Estado, que já inclui Eduardo Braide (PSD), Orleans Brandão (MDB), Lahesio Bonfim (Novo) e Enilton Rodrigues (PSOL) – há ainda a possibilidade de o PSTU, que há lançou Hertz Dias para presidente da República, vir a lançar um nome ao Governo do Estado.

O fato é que, ainda que prevista num longo jogo de “pode, não pode”, a pré-candidatura do vice-governador Felipe Camarão altera consideravelmente o cenário da corrida aos Leões.   

PONTO & CONTRAPONTO

Candidatura de Camarão ao Governo pode mudar o cenário da disputa para o Senado

Eliziane Gama está definida; Weverton
Rocha e André Fufuca apontados para a
outra vaga na chapa de Felipe Camarão

A confirmação, pelo PT, da candidatura do vice-governador Felipe Camarão ao Governo do Estado, além de alterar amplamente a corrida sucessória, terá influência de peso na disputa pelas duas vagas no Senado. Desde de que essa decisão começou a ganhar corpo em Brasília, as contas em relação à corrida senatorial começaram a ser refeitas, e nessa reengenharia pré-eleitoral a senadora Eliziane Gama ganha novo espaço como candidata do PT à reeleição.

Nos bastidores, as especulações são as mais diversas, começa pela dupla Eliziane Gama/Weverton Rocha (PDT), sob o argumento de que o senador pedetista teria o aval do Palácio do Planalto. O problema é que Weverton Rocha é também candidato da aliança encabeçada por Orleans Brandão, ficando no ar a pergunta: com quem ele estará de fato?

No tabuleiro das especulações surge a dupla Eliziane Gama/André Fufuca (PP). Depois de meses de incertezas, há menos de duas semanas Orleans Brandão fechou questão sobre a chapa Weverton Rocha/André Fufuca para o Senado. E há quem diga que se André Fufuca migrar para a candidatura de Felipe Camarão o MDB pode rever sua posição e lançar a presidente da Assembleia Legislativa, Iracema Vale (MDB).

O comando nacional do PT trabalha com a eleição de dois senadores alinhados ao Palácio do Planalto. Daí a insistência do presidente Lula da Silva para que o governador Carlos Brandão fosse candidato ao Senado, mas ele preferiu lançar Orleans Brandão ao Governo e permanecer no cargo até o final.

“Caçadores de culpados” tentam incluir Flávio Dino na lista dos que agira contra Jorge Messias

Flávio Dino incluído, sem base, na lista dos
que agiram contra Jorge Messias no Senado

A rejeição, pelo Senado, do advogado geral da União, Jorge Messias, para o Supremo Tribunal Federal (STF), desencadeou uma frenética caçada aos “culpados”. E nessa tresloucada onda especulativa, o ministro Flávio Dino foi incluído na lista como “um dos principais adversários” do rejeitado. O curioso é que não existe registro de um gesto, uma fala, um recado, uma pressão direta a senadores, uma “recomendação”, uma declaração contrária ou coisa parecida contra Jorge Messias em todo esse imbróglio gigantesco.

Nesse contexto, a única fala de Flávio Dino sobre o assunto foi a resposta a um jornalista que lhe perguntou, de chofre, se ele estava pedindo a senadores que votassem contra Jorge Messias. Ele respondeu que isso seria impossível, porque é odiado no Congresso Nacional por causa das suas decisões sobre emendas parlamentares. Deixou claro que não se moveu nem a favor nem contra, como deve ser a postura de um ministro da Suprema Corte  

Dono de vasta cultura jurídica e de conhecida posição ideológica, Flávio Dino tem sido, via de regra, duramente criticado pela extrema direita, que o acusa de “politizar” a corte, sob o argumento de que ministro do STF que se preza não faz política. Esse ânimo ácido em relação ao ministro faz esses inimigos interpretarem o seu silêncio em relação ao caso como um movimento contrário a Jorge Messias.

A situação é tão esdrúxula e salpicada de má fé que nenhum dos adversários criticou, e muitos acharam “louvável” e acataram de bom grado, que o ministro André Mendonça, porta-voz da direita dura na Corte, fizesse campanha aberta pró-Jorge Messias, com declarações e nota de apoio ao indicado, isso sem contar a pressão direta sobre senadores pela aprovação da indicação.

O ministro Alexandre de Moraes, por sua vez, teria feito pressão ameaçadora a senadores para votarem contra Jorge Messias, ação explicada por um suposto acordo subterrâneo para o sepultamento da CPMI do Master, caso em que ele tem interesse direto por conta da relação suspeita do escritório de advocacia da família com o comando do Banco Master. O que se diz é, por esse motivo, o ministro Alexandre de Moraes pegou pesado pela rejeição de Jorge Messias, prevendo um desequilíbrio de forças dentro da Suprema Corte.

O ministro Flávio Dino pode não simpatizar com a pessoa ou com o ideário jurídico-político de Jorge Messias, que é evangélico e conservador, podendo inclusive alimentar um sentimento contrário à não ida dele para a Corte. Mas entre um sentimento e agir efetivamente, usando o cargo, para que ele fosse rejeitado pelo Senado há uma distância enorme. Quem conhece Flávio Dino sabe que ele é movido pela razão e pelas regras que movem as instituições. Foi assim como juiz federal, como deputado federal, como governador, como senador, como ministro da Justiça e continua mantendo sua postura como ministro do STF.

Não há rasuras na postura do ministro Flávio Dino em relação ao advogado Jorge Messias, como tentam fazer crer os “caçadores de culpados”.

São Luís, 03 de Maio de 2026.

Derrubada do veto de Lula ao PL da Dosimetria causou forte divisão e algumas surpresas na bancada maranhense

Acima Eliziane Gama, Weverton Rocha e Ana Paula Lobato votaram pela
manutenção do veto. Embaixo, à esquerda, Amanda Gentil, Aluísio
Mendes, Cleber Verde, Duarte Jr. Josivaldo JP, Márcio Honaiser, Pastor
Gil, Pedro Lucas Fernandes, Paulo Marinho Jr., e Silvio Antônio votaram
pela derrubada do veto; e à direita André Fufuca, Rubens Jr.,
Márcio Jerry e Fábio Macedo votaram pela manutenção do veto

A votação por meio da qual o Congresso Nacional derrubou ontem o veto do presidente Lula da Silva (PT) ao PL da Dosimetria (Projeto de Lei 2162/23), que reduz as penas dos condenados pelos atos golpistas do 8 de Janeiro, em especial o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), hoje em prisão domiciliar por razões de saúde, foi uma demonstração cabal de como pensam os atuais congressistas maranhenses sobre como devem ser punidos os responsáveis pelo mais grave movimento contra a democracia e o estado democrático de direito no Brasil depois do golpe militar de 1964. Enquanto os senadores Weverton Rocha (PDT), Eliziane Gama (PT) e Ana Paula Lobato (PSB) votaram pela manutenção do veto, os deputados federais se dividiram, sendo que 10 votaram pela derrubada do veto e quatro votaram pela manutenção, um se absteve e três faltaram à sessão.

Os votos favoráveis ao veto dados pelos senadores Weverton Rocha e Ana Paula Lobato seguiram orientação dos seus partidos, ambos alinhados ao Palácio do Planalto Já senadora Eliziane Gama teve dupla motivação para defender o veto presidencial: além de seguir a orientação do PT, ela foi a relatora da CPI do 8 de Janeiro e no seu relatório ela confirmou a tentativa de golpe de Estado tramada pelo então presidente Jair Bolsonaro (PL), derrotado nas eleições de 2022, e pediu punição severa para todos os envolvidos.

Já os deputados federais se mostraram política e ideologicamente com muita clareza, com revelações surpreendentes. Para começar, a bancada do PP se dividiu, com a deputada Amanda Gentil votando pela derrubada do veto e, consequentemente, para aliviar a punição aos golpistas, e o deputado federal e ex-ministro André Fufuca dando voto para manter o veto, alinhado que é ao presidente Lula da Silva. Já a bancada do PL, representada na sessão pelos deputados interinos Paulo Marinho Jr. e Sílvio Antônio e pelo deputado quase cassado Pastor Gil, votou em bloco pela derrubada do veto, o que era esperado. E os deputados Pedro Lucas Fernandes e Josivaldo JP votaram também para derrubar o veto, seguindo a orientação do comando nacional do União, que tem um pé firme no bolsonarismo.

Único representante do MDB na sessão, o deputado Cléber Verde, que é um jogador tarimbado, votou contra o veto, o mesmo acontecendo com o deputado Aluísio Mendes (Republicanos), que é da direita dura e tem alinhamento com o bolsonarismo, também votou e fez campanha pela derrubada do veto. Já os deputados Márcio Jerry (PCdoB) e Rubens Jr. (PT), que são nomes de proa da base governista e se posicionaram contra o PL da Dosimetria desde a primeira hora, votaram alinhados com os seus partidos pela manutenção do veto presidencial.

Três votos, dois pela derrubada e o terceiro pela manutenção, chamara a atenção. O deputado Duarte Jr. (Avante), que é advogado e pontilha os seus pronunciamentos com defesas densas da democracia plena, causou espanto ao votar pela derrubada do veto do presidente Lula da Silva ao PL da Dosimetria. Também o deputado Márcio Honaiser (Solidariedade), que foi governista roxo até deixar o PDT em março, votou pela derrubada do veto. Já o deputado Fábio Macedo (Podemos), visto como um político de direita, que tem um pé no bolsonarismo, surpreendeu votando pela manutenção do veto, entendendo que o PL da Dosimetria não foi uma decisão saudável para a democracia.

O deputado interino Ribeiro Neto (Solidariedade) preferiu se abster, enquanto os deputados Hildo Rocha (MDB), Juscelino Filho (PSDB) e Júnior Lourenço (MDB) não participaram da votação.

Vale registrar que esses foram dados 48 horas depois que o ministro Alexandre de Moraes, relator do processo da tentativa de golpe, apresentou à Suprema Corte, o relatório final do processo, no qual confirma, com farta documentação, tudo o que foi armado, tramado e tentado pelo então presidente Jair Bolsonaro e o grupo que o cercava entre o anúncio da vitória do presidente Lula da Silva no final de outubro de 2022 e o 8 de Janeiro de 2023.

PONTO & CONTRAPONTO

Brandão cumpre agenda intensa conciliando compromissos administrativos e atos políticos na capital e no interior

Carlos Brandão, quarta-feira, em Grajaú, no ato de
entrega de 800 títulos de propriedade
do programa “Esta Casa Agora é Minha”

O governador Carlos Brandão (sem partido) tem cumprido uma agenda absolutamente fora da normalidade, que inclui despachos e audiências no Palácio dos Leões, eventos institucionais, lançamento, inspeção e inauguração de obras e, agora mais intensamente, eventos políticos.

Decidido a permanecer no cargo até o final do mandato, ele está imbuído de dois propósitos. O primeiro é manter o ritmo acelerado do Governo até 31 de dezembro deste ano, o último dia da sua gestão. E o segundo é passar a faixa do poder ao pré-candidato ao MDB ao Governo do Estado, Orleans Brandão.

Se vem mantendo um ritmo arrojado no comando do Governo, com um amplo elenco de obras a serem entregues até o final do ano, arrojada ainda é a sua movimentação política, que incluir reuniões com auxiliares do campo político, aliados da Assembleia Legislativa – a começar pela presidente Iracema Vale (MDB) – e da Câmara Federal e do Senado da República.

No momento, o mandatário maranhense está empenhado em amarrar todas as pontas da aliança que construiu com 11 legendas para dar suporte à pré-candidatura de Orleans Brandão ao Palácio dos Leões. Essa maratona inclui reuniões e atos de lançamento, como foi o evento de sábado em Imperatriz.

O chefe do Executivo começa sua movimentação por volta da seis da manhã e só entrega os pontos depois das 22 horas. Isso de domingo a domingo.

Não existe “primeira” e “segunda” vaga para o Senado; serão duas vagas em condições iguais

Senado renovará dois terços da sua
composição nas eleições deste anos

Alguns textos sobre a disputa para as duas vagas no Senado insistem em falar em “primeira” e “segunda” vaga. Nada mais equivocado, porque não existe “primeira” nem “segunda” vaga. Existem duas vagas, que serão disputadas em condições rigorosamente iguais pelos candidatos estiverem devidamente habilitados. Nada de “fulano vai disputar a ´primeira` vaga” nem “beltrano vai tentar a ´segunda` vaga”.

Essa qualificação de “primeira” e “segunda” vaga na corrida senatorial gera certa confusão no eleitor menos avisado, que acaba avaliando, equivocadamente, por exemplo, que o senador Weverton Rocha (PDT), por aparecer como maior percentual de preferência nas pesquisas, está disputando a “primeira” vaga, o que não é verdade. Ele, como os demais candidatos, está concorrendo a uma vaga, em plenas condições de igualdade. Se as pesquisas o apontam como o candidato com maior potencial de votos e esse potencial se confirmar nas urnas, ele será eleito para uma das vagas. E ponto final.

Vale lembrar que o Poder Legislativo federal no Brasil é bicameral, com uma Câmara dos Deputados, com 513 cadeiras, que representa a população brasileira, e um Senado, com 81 cadeiras, que representa os estados. Cada estado, independentemente do tamanho do seu território e de sua população, detém três cadeiras no Senado.

A cada quatro anos, o Senado é renovado, ora em um terço, ora em dois terços. Em 2022, a renovação foi de um terço, tendo o Maranhão elegido o ex-governador Flávio Dino (PSB). Nas eleições deste ano serão renovados dois terços, com cada estado elegendo dois senadores.

Cada partido ou federação tem direito a lançar dois candidatos, podendo, se for o caso, lançar apenas um, ou nenhum, se assim decidir. Mas todos os candidatos concorrerão em condições de igualdade às duas vagas, sem essa classificação de “primeira” e “segunda”.

Em Tempo: até agora, os pré-candidatos a senador no Maranhão são o senador Weverton Rocha (PDT), que busca a reeleição; a senadora Eliziane Gama (PT), também tentando renovar o mandato; o deputado federal André Fufuca (PP), o ex-senador Roberto Rocha (Novo), o jornalista e advogado Franklin Douglas (PSOL) e a professora militante social Antônia Cariongo (PSOL). Essa relação pode aumentar.

São Luís, 01 de Maio de 2026.

Se o PT e Lula lançarem Felipe Camarão, o movimento pode alterar o cenário da sucessão estadual

Felipe Camarão deve ser candidato
aos Leões avalizado pelo PT
e pelo presidente Lula da Silva

A ser confirmada nos próximos dias – e tudo indica que o será -, a decisão do comando nacional do PT de lançar o vice-governador Felipe Camarão (PT) ao Governo do Estado pode produzir uma série de desdobramentos com força para alterar expressivamente o cenário da corrida sucessória estadual desenhado até aqui. Para começar, ao mesmo tempo em que garantirá um palanque petista para o presidente Lula da Silva (PT) no Maranhão, por outro, esse movimento colocará o PT e o seu líder maior em rota de colisão com o governador Carlos Brandão (sem partido), que de aliado de primeira hora pode passar a adversário, já que o chefe do Executivo não abre mão da candidatura de Orleans Brandão (MDB). Isso porque, reduzindo o problemão a uma escala simples, Carlos brandão não quer Felipe Camarão no Palácio dos Leões e o PT e o presidente querem Felipe Camarão e não Orleans Brandão com o sucessor de Carlos Brandão.

A decisão do comando nacional do PT, cujo presidente, Edinho Silva, já teria comunicado aos líderes do PT maranhense, abre um amplo leque de situações, sendo a primeira delas o posicionamento de Felipe Camarão e o braço maranhense do PT como adversários dos pré-candidatos do PSD, Eduardo Braide, e do MDB, Orleans Brandão. Como os dois reagirão à nova situação – se ela vier a ser de fato criada -, só o tempo dirá. Mas em política, principalmente num contexto eleitoral, as regras são ditadas pelo grau de interesse que cada um dos candidatos tiver pelo objetivo a ser alcançado, no caso o Palácio dos Leões, o maior espaço de poder no Maranhão.

Eduardo Braide (PSD) e Orleans Brandão (MDB), que no momento polarizam a corrida sucessória, terão de reorganizar os seus projetos e reposicionar as suas forças. Isso porque, mesmo estando em posição muito frágil, como vêm sinalizando as pesquisas, não seria surpresa se, apresentado pelo presidente Lula da Silva, que continua sendo a maior força eleitoral do estado, o vice-governador vier a se tornar um candidato viável. No contrapeso, Eduardo Braide, que tem o reluzente portfólio da sua gestão em São Luís, e Orleans Brandão, que controla uma base ampla formada por prefeitos e um suporte garantido pelo seu patrono, o governador Carlos brandão, que abriu mão de uma candidatura viabilíssima ao Senado, para ser a tração de força desse projeto de candidatura.

Na semana passada, o governador Carlos Brandão esteve em Brasília e ali conversou com o líder petista Edinho Silva. Na rodada de negociação, todos os prós e contras da relação do PT com o governador Carlos Brandão foram levados em conta, mas não houve avanço em relação ao item mais importante reivindicado pelo governador: o apoio do PT a Orleans Brandão. Ao retornar a São Luís, Carlos Brandão disse à Coluna que a situação permanecia indefinida. No início desta semana, o comando nacional do PT teria batido martelo e decidido lançar o vice-governador Felipe Camarão candidato ao Governo, desenhando um confronto direto com o candidato do governador Carlos Brandão.

Esse cenário, se confirmado, colocará o PSB numa situação delicada no tabuleiro, já que o partido vem negociando uma relação eleitoral, sem a exigência do toma-lá-dá-cá com o ex-prefeito de São Luís.

Se, de fato, vier a ser lançado pelo presidente Lula da Silva ao Palácio dos Leões, o vice-governador Felipe Camarão sairá de vez do cipoal de incertezas em que estava se movimentando, perdendo força política e prestígio pessoal. Com a chancela partidária, o seu caminho será entrar na corrida e tentar ocupar um espaço nas graças do eleitorado, cuja maioria neste momento está dividida entre Eduardo Braide, Orleans Brandão e Lahesio Bonfim (Novo). Ele entrará na corrida em quarto lugar, com menos de 10% das preferências, segundo as pesquisas mais recentes. E com o desafio de se tornar, de fato, um candidato competitivo, primeiro tendo de ultrapassar o pré-candidato do Novo Lahesio Bonfim, que ocupa o terceiro lugar.

Há tempo para isso. O desafio estará nas suas mãos.

PONTO & CONTRAPONTO

Derrota humilhante de Jorge Messias e de Lula alcançou também Weverton Rocha e Eliziane Gama

Weverton Rocha e Eliziane Gama:
derrotados com a rejeição
de Jorge Messias pelo Senado

Feitas as contas, a derrota histórica e humilhante sofrida pelo advogado geral da União, Jorge Messias, ao ter sua indicação para o Supremo Tribunal Federal rejeitada, além do presidente Lula da Silva (PT), que foi o grande derrotado no plano político, os estilhaços da explosão alcançaram também, duramente, os senadores Weverton Rocha (PDT), relator da indicação, e Eliziane Gama (PT), que trabalhou arduamente a favor do indicado nos segmentos evangélicos.

A derrota do senador Weverton Rocha foi acachapante. Escolhido pelo presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União/AP), com quem é “carne e unha”, o senador maranhense apresentou um relatório integralmente favorável a Jorge Messias, e durante a sabatina e a votação, atuou para as câmeras como uma espécie de “santo protetor” do indicado, falando a todo momento que estava tudo bem encaminhado para que ele fosse aprovado no plenário.

Com o lastro de quem foi o relator da indicação do então senador Flávio Dino para a vaga na Suprema Corte, também por escolha do presidente Davi Alcolumbre, o senador Weverton Rocha provavelmente soube que ele seria derrotado nos primeiros movimentos da votação no plenário. O fato é que publicamente o senador pedetista apareceu como duramente derrotado. Há quem veja por outro ângulo, mas essa é outra história.

A rejeição de Jorge Messias foi também uma pancada política na senadora Eliziane Gama. Ela atuou fortemente na mobilização de lideranças evangélicas em favor do indicado. Durante a sabatina e a votação no plenário, a senadora maranhense se movimentou intensamente, ora se manifestando, ora tentando convencer senadores de oposição a votar a favor do indicado e ora manifestando apoio pessoal a Jorge Messias quando ele era inquirido pelos senadores. Deu tudo errado e a decepção apareceu espantada no semblante da parlamentar petista.

Não há dúvida de que os senadores Weverton Rocha e Eliziane Gama, ambos candidatos à reeleição, terão de explicar – ele mais do que ela – esse fato que está abalando fortemente o equilíbrio institucional do País.

Em Tempo: alinhada ao Palácio do Planalto, a senadora Ana Paula Lobato (PSB) trabalhou por Jorge Messias, mas a derrota dele no plenário do Senado não a atingiu politicamente.

Esmênia vai ajustando sua gestão consciente de que a transição vai passar e que desafios estão a caminho

Esmênia Miranda: ajustando
a equipe para manter o ritmo

A prefeita de São Luís, Esmênia Miranda (PSD) vem conseguindo o que alguns observadores duvidavam: manter o controle da administração municipal e assegurar a continuidade do ritmo de trabalho implantado pelo seu sucessor, Eduardo Braide (PSD), pré-candidato ao Governo do Maranhão.

Ainda fazendo ajustes na máquina administrativa municipal, operando mudanças de acordo com os secretários pelo ex-prefeito, ela não apenas manteve a equipe, como vem orientando os seus integrantes no sentido de que nada mudará.

No plano institucional, a prefeita vem trabalhando silenciosa e efetivamente para construir uma relação sem pressão nem dependência com a Câmara Municipal. O seu objetivo é assegurar que matérias de interesse do Palácio de la Ravardière tenham trâmite normal, com debates e votações sem maiores delongas e, se possível, sem conflitos nem confrontos.

Esmênia Miranda sabe que, mesmo tendo se preparado para assumir o comando de uma máquina que cuida dos interesses de mais de 1,2 milhão de ludovicenses, ela vive um período de transição e que em pouco tempo vai ter de encarar desafios que estão camuflados pela corrida eleitoral, mas que emergirão a partir do ano que vem.

Se o ex-prefeito Eduardo Braide se der bem nas urnas, será o melhor dos juntos para a nova gestão de São Luís. Do contrário, ela continuará tendo de administrar uma convivência com um adversário no Palácio dos Leões.

São Luís, 30 de Abril de 2026.

Coluna atualizada – Senado: Orleans, Lahesio e Enilton já definiram candidaturas; Braide ainda não escolheu candidatos

Orleans Brandão, Lahesio Bonfim e Enilton
Rodrigues já têm candidatos ao Senado;
Eduardo Braide ainda não definiu nomes

Continua confuso e indefinido o quadro de candidatos ao Senado nas eleições deste ano no Maranhão. Dos quatro candidatos a governador até agora definidos, até agora apenas dois, Orleans Grandão (MDB) e Lahesio Bonfim (Novo), já bateram martelo em relação aos nomes que atuaram ao lado deles na corrida à Câmara Alta. Os outros pré-candidatos, Eduardo Braide (PSD) e Enilton Rodrigues (PSOL), ainda não se manifestaram sobre o assunto, gerando forte expectativa. Nesse contexto, o PT, mesmo até aqui sem pré-candidato ao Palácio dos Leões, já lançou a senadora Eliziane Gama (PT) à reeleição.  

Orleans Brandão já bateu martelo em relação a dois nomes para o Senado. O primeiro é o senador Weverton Rocha (PDT), candidato à reeleição, e que já integra a comitiva do candidato a governador incursões na Capital e no interior. E o segundo é o deputado federal e ex-ministro do Esporte André Fufuca (PP), que também já corre o estado ao lado do pré-candidato emedebista. Presidente estadual do MDB, Orleans Brandão, decidiu que o partido não lançará candidato a senador, o que significa dizer que, pelo menos até aqui, a Roseana Sarney, que aparece bem nas pesquisas e é emedebistas de proa, não será candidata ao Senado, devendo buscar a reeleição para a Câmara Federal.

O pré-candidato do Novo, Lahesio Bonfim, terá na sua chapa o ex-senador Roberto Rocha (Novo) como pré-candidato ao Senado. Chama a atenção o fato de que nas suas falas como pré-candidato a governador Lahesio Bonfim não se refere ao ex-senador Roberto Rocha como o seu nome para o Senado, o mesmo acontecendo com ele, que não destaca Lahesio Bonfim como seu candidato a governador. O que liga os dois e o fato de estarem no mesmo partido. E pelo que está posto até agora, nem Lahesio Bonfim, nem o comando do Novo e nem o ex-senador Roberto Rocha disseram uma só palavra sobre o segundo candidato a senador, deixando no ar a impressão de que estão conformados em lançar apenas um candidato.

Os demais candidatos a governador ainda não se manifestaram sobre candidatos às duas vagas de senador. O ex-prefeito de São Luís, Eduardo Braide, que já está em plena pré-campanha, teve até duas semanas atrás a senadora Eliziane Gama como colega de partido, estimulando a especulação de que ela seria seu nome para uma das vagas. Mas profundas diferenças foram construídas na disputa para a Prefeitura de São Luís em 2024, quando, mesmo filiada ao PSD, Eliziane Gama apoiou a candidatura do deputado federal Duarte Jr., então no PSB. Apesar dos esforços conciliatórios do presidente nacional do PSD, Gilberto Kassab, não houve clima para a permanência de Eliziane Gama no PSD, tendo ela migrado para o PT. Eduardo Braide até agora não se manifestou sobre a corrida ao Senado, dando margem à especulação de um dos candidatos da sua chapa pode sair das fileiras do PSB, ou até mesmo do PT, caso os dois partidos venham se alinhar ao candidato do PSD.

O candidato do PSOL a governador, Enilton Rodrigues, se manifestou sobre o assunto, tendo anunciado o jornalista, advogado e professor universitário Franklin Douglas e a professora e militante social Antônia Cariongo como pré-candidatos ao Senado, formando chapa “puro sangue”. De acordo com a jornalista Carla Lima, do Sistema Mirante, o partido decidiu lançar candidatura própria e com chapa completa depois do fracasso da tentativa de união com o PT no plano nacional.

Nos bastidores especula-se fortemente sobre dois nomes para o Senado. O primeiro é o vice-governador Felipe Camarão (PT), que se não sair candidato a governador, poderá vir a ser candidato a senador, seja numa aliança do PT com o MDB em torno de Orleans Brandão, seja numa composição do PT com Eduardo Braide, desde que a senadora Eliziane Gama faça parte do acordo.

Como se vê, há muito o que ser definido em matéria de candidaturas ao Senado.

PONTO & CONTRAPONTO

Plenário da Alema vira campo de batalha verbal entre oposição e aliados do Governo

Carlos Lula, Rodrigo Lago e Júlio Mendonça:
ataques duros ao Governo; Daniella Jadão
abriu contra-ataque em defesa do Governo

O plenário da Assembleia Legislativa está transformado num campo de batalha política, à medida que as forças políticas e partidárias avançam em direção às urnas. Ontem, por exemplo, o cenário se repetiu. Mesmo sem um embate direto, depois de oposição e da situação ocuparam a tribuna para uma série de ataques e contra-ataques.

Os deputados de oposição, em especial o grupo do PSB, se revezarem em pronunciamentos fortes contra o governador Carlos Brandão e seu Governo. Carlos Lula, Rodrigo Lago e Júlio Mendonça, todos do PSB e integrantes do chamado grupo dinista, atacaram duramente o Governo, usando como argumento casos de violência – como o assassinato de um ex-vereador em Presidente Dutra – e destacando o documento da Comissão Pastoral da Terra apontando o Maranhão como o estado com mais conflitos no campo.

Na contrapartida, deputados da base governista aproveitaram um discurso da deputada Daniella Jadão (MDB), que elogiou o governador Carlos Brandão (sem partido) pela sanção do projeto de lei que institui a Semana da Maternidade Atípica. “Por meio dessa semana, faremos um chamamento para que possamos conhecer mais a realidade de quem cuida e também de quem precisa ser cuidado”, destacou a parlamentar.

Além de agradecer ao governador pela sanção, a deputada emedebista fez uma densa defesa do governador, destacando as obras do Governo nas mais diferentes áreas. E foi além, destacando o papel desempenhado pelo então secretário de Assuntos Municipalistas Orleans Brandão (MDB), pré-candidato da situação a governador, como titular na Secretaria de Assuntos Municipalistas.

Foi a “deixa” para que vários deputados – Andreia Rezende (MDB), Davi Brandão (MDB), Catulé Júnior (Republicanos), Ricardo Arruda (MDB), Florêncio Neto e o líder do Governo Neto Evangelista (MDB) – saíssem em defesa do governador Carlos Brandão e elogiassem o ex-secretário Orleans Brandão como um quadro qualificado para ser governador. Não houve agressões verbais nem bate-rebate, mas ficou claro que os enfáticos apartes ao discurso da deputada Daniella Jadão foram respostas aos ataques da oposição.

Cada semana que passa fica mais evidente o clima de confronto verbal entre os dois grupos.

Apoiados pela Famem, municípios inundados buscam recursos emergenciais no Governo Federal

Roberto Costa: apoio total
aos municípios inundados

Atingidos por inundações causadas pelas fortes chuvas que caem na região, alcançados, portanto, pela situação de emergência, os municípios de Pedreiras e Conceição do Lago Açu receberam orientações da Federação dos Municípios do Maranhão (Famem) e já estão agindo no sentido de obter recursos e apoio disponibilizados pelo Governo Federal. Ambos tiveram situação emergencial reconhecida pela Defesa Civil Nacional.

Os recursos estão disponíveis no Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional (MIDR), que na última quinta-feira (23) publicou, no Diário Oficial da União, portarias reconhecendo quadro emergencial em 89 cidades das mais diferentes regiões afetadas por desastres naturais, como estiagem, seca e chuvas intensas. As duas cidades maranhenses se enquadro na situação de emergência causada pelas chuvas.

O reconhecimento da emergência por parte da Defesa Civil Nacional, credencia as prefeituras a solicitar apoio material e financeiro para ações de apoio às populações atingidas pelas cheias. Essas prefeituras terão direito a cestas básicas, água potável, apoio alimentar para trabalhadores e voluntários, kits de limpeza, higiene pessoal e dormitório no caso desabrigo.

Os pedidos devem ser encaminhados via Sistema Integrado de Informações sobre Desastres, onde os planos de trabalho são analisados pela Defesa Civil Nacional. Após aprovação, os valores são liberados por meio de nova portaria publicada no Diário Oficial da União. O pacote de ajuda inclui recursos para a preparação e qualificação de agentes municipais para atuarem em situações de emergência.

O presidente da Famem, prefeito de Bacabal Roberto Costa (MDB), vem conversando com prefeitos de regiões onde a situação emergência se repete a cada período chuvoso.

São Luís, 29 de Abril de 2026.

Inelegível, Josimar de Maranhãozinho se movimenta para manter cacife em outubro

Josimar de Maranhãozinho quer
Detinha na Alema e Fabiana Vilar
e Aldir Jr. na Câmara Federal

Pouco mais de um mês depois de condenado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) a cinco anos e seis meses de cadeia, pena que cumprirá inicialmente em regime semiaberto, o deputado federal Josimar de Maranhãozinho exibe fôlego político ao manter controle total sobre o PL no Maranhão e operar uma série de ajustes no grupo que lidera para as eleições de outubro. Sem condições de tentar a reeleição, a começar pelo fato de que sua condenação inclui inelegibilidade por oito anos, Josimar de Maranhãozinho será representado na corrida eleitoral pela sobrinha, deputada estadual Fabiana Vilar, que comanda a bancada do PL na Assembleia Legislativa. Outra decisão tomada foi que a deputada federal Detinha – que foi a mais votada do Maranhão em 2022 – será candidata a deputada estadual, lançando para sua vaga o vereador Aldir Jr., o principal representante do PL na Câmara Municipal de São Luís.

No meio político, a impressão geral é a de que Josimar de Maranhãozinho político “respondeu bem” à pancada da condenação, mesmo que ela o tenha retirado à força do exercício do mandato. Ele continua firme no comendo do PL, conservando o aval do presidente nacional da legenda, ex-deputado federal Valdemar Costa Neto, também expurgado do parlamento federal por corrupção e ainda amargando inelegibilidade. E mantém independência em relação à família Bolsonaro, não tendo feito até agora nenhuma declaração em relação pré-candidatura do senador Flávio Bolsonaro, do seu partido, à presidência da República, nem se manifestado em relação à condenação do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) por tentativa de golpe – os dois não se toleram.

Ninguém duvida de que, mesmo sob a pressão moral e ética de uma condenação por corrupção, Josimar de Maranhãozinho vai continuar ocupando um espaço respeitável no cenário político do Maranhão. Ele comanda um quinhão nada desprezível da política estadual, por meio da deputada federal Detinha e do deputado federal Júnior Lourenço, que integra a sua “bancadinha” na Câmara Federal, e 12% da Assembleia Legislativa, onde é representado pelos deputados Fabiana Vilar, Cláudio Cunha, João Batista Segundo, Aluísio Santos e Solange Almeida, além de uma grande penca de vereadores espalhados por todo o estado. Com um detalha importante: os seus seguidores e aliados vestem a sua camisa e são fiéis – pelo menos até as eleições municipais.

Condenado, juntamente com o Pastor Gil, sob a acusação de negociar emendas parlamentares, caso materializado por uma tentativa de extorquir R$ 1,5 milhão da Prefeitura de São José de Ribamar, denunciada pelo então prefeito Eudes Sampaio (PTB), Josimar de Maranhãozinho planeja manter peso político na esfera federal por meio dos seus aliados, especialmente Fabiana Vilar e Aldir Jr., apontados em todos os cenários como fortes candidatos à Câmara dos Deputados. Já no plano estadual, seu projeto é eleger uma bancada forte à Assembleia Legislativa, a ser liderada pela esposa Detinha, que aparece em todas listas de elegíveis com votação retumbante. E com poder de fogo para disputar a presidência do parlamento estadual.

Josimar de Maranhãozinho ainda não se posicionaram em relação à corrida ao Palácio dos Leões nem a respeito da disputa pelas duas vagas no Senado. Antes da sua condenação, circularam rumores de que a deputada federal Detinha seria candidata ao Senado, mas tal projeto, se foi de fato concebido, acabou tirado de pauta e mandado para o arquivo morto. Outros rumores correram nos bastidores dando conta de que Josimar de Maranhãozinho poderia ser candidato a governador ou indicar o vice de uma chapa forte. Tais projetos, se foram concebidos, também foram arquivados.

O fato concreto é que Josimar de Maranhãozinho não será candidato em 2026, mas participará do jogo eleitoral com fôlego para manter pelo menos parte do poder político que ainda detém.  

PONTO & CONTRAPONTO

Assembleia deve julgar recurso e CPI contra Camarão pode ser instalada amanhã

Felipe Camarão vai enfrentar CPI que
deve ser presidida por Ana do Gás

Depois de mais de uma semana em Brasília, onde conversou muito e participou da reunião nacional do PT, vice-governador Felipe Camarão retorna São Luís sem ter definida sua situação em relação às eleições de outubro e com fardo de encarar uma CPI da Assembleia Legislativa que investigará denúncia do Ministério Público segundo a qual ele teria feito movimentação financeira atípica quando secretário de Educação.

A CPI deve ser instalada nesta quarta-feira. Isso porque está previsto que o plenário decida hoje sobre recurso do deputado Rodrigo Lago (PSB) contra a instalação. E como a tendência é no sentido de que a reclamação do parlamentar, aliado de Felipe Camarão, não seja acatada, tudo indica que a CPI será instalada amanhã

Se esse roteiro for confirmado, a primeira sessão da CPI será eleger o presidente, que deverá ser a deputada Ana do Gás (Republicanos), e o relator, que não está definido. Falou-se inicialmente no deputado Yglesio Moises (PRD), mas formou-se o entendimento de que ele, como autor do requerimento que deu origem à CPI, não teria isenção para ser o relator.  

Além da escolhe do presidente e do relator, a primeira reunião da CPI definirá também o roteiro de trabalho, devendo definir um calendário de depoimentos, a começar pelo do próprio vice-governador Felipe Camarão.

Ricardo Duailibe inicia gestão no TJ sob o impacto do afastamento de mais um desembargador

Ricardo Duailibe inicia gestão sob
o impacto do afastamento
de Eulálio Figueiredo pelo CNJ

Como estava escrito nas estrelas, mesmo levando em conta o otimismo que manifestara no seu discurso de posse na sexta-feira (25), o novo presidente do Tribunal de Justiça do Maranhão, desembargador Ricardo Duailibe iniciou sua gestão, ontem, sob o impacto do afastamento temporário de mais um desembargador, Eulálio Figueiredo, por suposto desvio de conduta, segundo decisão do Conselho Nacional de Justiça.

Com o afastamento do desembargador Eulálio Figueiredo, mais recente, formalizado no sábado, já são seis dos 36 integrantes do colégio de desembargadores que forma a Corte maior do Poder Judiciário do Maranhão. Quando discursou na sessão solene da sua posse e dos demais integrantes da Mesa – Gervásio dos Santos Filho (vice-presidente), José Gonçalo de Souza Filho (corregedor geral da Justiça) e Ângela Salazar (corregedora geral do Foro Extrajudicial) –, o presidente Ricardo Duailibe manifestou disposição de unir a Corte, mas não tinha ideia de que iniciaria o seu mandato sob o impacto de mais uma pancada forte no suporte ético do Poder Judiciário.

O fato é que ontem ele teve de assumir como tarefa principal convocar mais juiz de entrância final para atuar como desembargador interino, inicialmente pelo prazo de dois meses, que pode resultar no retorno de Eulálio Figueiredo, ou ser prolongado, como ocorreu como demais desembargadores afastados. O convocado foi o juiz Jamil Aguiar, que tomou posse no primeiro ato oficial da nova direção do Tribunal de Justiça.

Suspenso por 60 dias por suspeita de haver liberado recursos no valor de R$ 1 milhão numa ação, ainda quando juiz, o desembargador Eulálio Figueiredo contesta a suspeita com veemência e afirma que demonstrará sua inocência ao CNJ, prevendo retornar ao Tribunal Pleno o mais rapidamente possível.

Em Tempo: o episódio envolvendo o desembargador Eulálio Figueiredo repercutiu fortemente no meio cultural, especialmente no segmento da Música Popular Maranhense (MPM), onde é reconhecido e festejado como compositor.

São Luís, 28 de Abril de 2026.

Pré-campanha aos Leões é intensificada e fatos isolados começam a desenhar o perfil político das pré-candidaturas

Eduardo Braide recebe a declaração de apoio da prefeita
Cibelle Napoleão, de Santo Antônio dos Lopes, e
Orleans Brandão ganha o apoio da
vereadora de São Luís Rosana da Saúde

Bastaram duas semanas de pré-campanha para o Palácio dos Leões para que fossem registrados os primeiros movimentos de arrumação nas bases de apoio dos pré-candidatos a governador. Nos últimos dez dias, três fatos indicaram que pode haver mudanças significativas nos conjunto de forças que apoia cada aspirante à sucessão do governador Carlos Brandão (sem partido), e como não poderia deixar de ser, esses movimentos se deram em torno de Eduardo Braide (PSD), que ganhou o apoio declarado de dois prefeitos de municípios estratégicos; de Orleans Brandão (MDB), que ganhou mais um reforço em São Luís, e de Lahesio Bonfim, que perdeu um porta-voz importante em Imperatriz. Feitas as contas, não se pode dizer o que esses gestos representam em termos eleitorais, mas não há como ignorar a importância política de cada um para os candidatos alcançados.

Na semana que passou, dois prefeitos de municípios destacados nas suas regiões, Cibelle Napoleão (PL), de Santo Antônio dos Lopes, e Luís Fernando dos Santos (União Brasil), de Humberto de Campos, deixaram a base de apoio do pré-candidato emedebista Orleans Brandão e migraram para o movimento que se forma em torno de Eduardo Braide. Ela, que tem raízes profundas no município, que ganha cada vez mais importância como produtor de gás natural e começa a ser visto como um futuro polo industrial e comercial. Ele lidera um município importante de uma região já transformadas em polo turístico e cuja tendência é avançar no seu desenvolvimento econômico.

Cibele Napoleão deixou a base de Orleans Brandão por não aceitar dividir a sua ação política com a deputada Ana do Gás (Republicanos), que tenta sobreviver num xadrez eleitoral muito complicado. Luiz Fernando declarou que o motivo que o levou a apoiar a pré-candidatura de Eduardo Braide foi ter se dado conta de que “o povo de Humberto de Campos quer votar nele”. Os dois casos representam ganho real para o candidato do PSD, que vem incursionando intensamente no interior, para quebrar a acusação de que não conhece o estado.

Por sua vez, o candidato governista Orleans Brandão, que vem se movimentando para ganhar espaços na Capital e ampliar o que já tem contabilizado de apoio no interior, terminou a semana com um ganho importante, se não pelo peso eleitoral propriamente dito, mas como representação política: recebeu o apoio formal da vereadora Rosana da Saúde (Republicanos), que representa esse segmento na Câmara Municipal de São Luís. E como a Capital é um território político apontado como independente, que não se dobra a pressões, a declaração de apoio de uma vereadora como Rosana da Saúde é, de fato, um ganho real a ser contabilizado pelo pré-candidato do MDB.

O terceiro evento atingiu diretamente o pré-candidato do Novo ao Governo do Estado, Lahesio Bonfim. Nilson Takachi, um publicitário e militante político em Imperatriz, que ficou em quarto lugar na corrida à Prefeitura em 2024, rompeu com Lahesio Bonfim e desembarcou em São Luís para declarar apoio a Eduardo Braide. Se não representa um caminhão de votos, o posicionamento de Takachi amplia a base de apoio de Eduardo Braide na Princesa do Tocantins, onde, embalado pelo aval declarado do governador Carlos Brandão e do suporte do prefeito Rildo Amaral (PP), ocupa um espaço amplo na cidade. E mais do que isso, enfraquece a base de apoio de Lahesio Bonfim no segundo maior colégio eleitoral do Maranhão, onde foi o mais votado na eleição de 2022.

Independentemente das intensas agendas de pré-campanha, com Eduardo Braide prometendo transformar a Barragem do Rio Flores em polo turístico, Orleans Brandão lançando sua pré-campanha Imperatriz na noite deste sábado, e Lahesio Bonfim disparando chumbo grosso contra o governador Carlos Brandão nas redes sociais, os três fartos políticos mencionados sinalizam que o jogo que definirá o perfil político das pré-candidaturas está começando.

PONTO & CONTRAPONTO

PT mantém indefinição sobre como vai se posicionar na socorrida sucessória no Maranhão

Felipe Camarão: situação
ainda indefinida

O encontro nacional do PT só termina hoje e as conversas sobre definições nos estados podem acontecer a qualquer momento. Mas o fato é que, pelo menos até a noite de sábado, o coando nacional do partido ainda não havia bastido martelo em relação à posição que seguirá na corrida sucessória do Maranhão nem quanto ao futuro do vice-governador Felipe Camarão, que se encontra em Brasília desde o início da semana passada para participar do evento partidário e resolver sua vida em relação às urnas, como ele próprio anunciou em vídeo antes de viajar.

A expectativas era a de que o “caso maranhense”, que se transformou num nó cego a ser desfeito pelos dirigentes nacionais e pelo próprio presidente Lula da Silva, seria avaliado e resolvido na última quinta-feira, numa reunião da Executiva. Mas a reunião foi cancelada e, no mesmo dia, o governador Carlos Brandão conversou sobre o assunto com o presidente nacional do PT, Edinho Silva. À Coluna o mandatário maranhense resumiu a resumiu numa frase emblemática: “Ainda sem definição”.

O fato é que, a julgar pelos movimentos do comando nacional do PT em relação ao Maranhão, o partido ainda não resolveu se lançará candidato próprio a governador – no caso oi vice-governador Felipe Camarão – ou se apoiará a candidatura de Orleans Brandão com direito a indicar um candidato ao Senado – no caso Felipe Camarão.

Como a reunião nacional, que termina hoje, não tratará desse tema, é possível que entre hoje e amanhã o assunto seja avaliado em petit comité. Caso isso não aconteça, o vice-governador retornará a São Luís sem um a definição. Mas pelo menos com a informação de quando e como o seu futuro será definido.

Registro

Novo comando do Tribunal de Justiça assume com o desafio de unir a instituição

Ricardo Duailibe entre Gonçalo Filho, Carlos Brandão,
Iracema Vale, Gervásio Santos Filho e Ângela Salazar:
posse prestigiada e desafios a vencer

Em meio a um conjunto de situações constrangedoras, como o afastamento de magistrados (juízes e desembargadores) por suspeita de corrupção, e situações delicadas, como e a manutenção de R$ 2,6 bilhões de depósitos judiciais no Banco Regional de Brasília (BRB), que foi dura e perigosamente afetado pela associação criminosa com o liquidado Banco Master, o novo comando Poder Judiciário do Maranhão, presidido pelo desembargador Ricardo Duailibe, assumiu na sexta-feira (24), com a pompa formal de sempre, mas ambiente para festa.

O presidente Ricardo Duailibe, que foi eleito com pouco mais da metade dos votos num colegiado que sempre teve por tradição o rodizio consensual, vai comandar um Poder dividido, distante da unidade por pretendida. Ele deixou isso claro no seu discurso de posse, quando enfatizou a necessidade de unidade no Poder. O novo presidente recebeu um desafio a vencer, pois a julgar pelo ambiente que domina a Corte, a gestão do desembargador Froes Sobrinho contribuiu para ampliar as diferenças no colégio de desembargadores.

Com clara boa vontade em relação ao sucessor, que foi o seu padrinho, o presidente Ricardo Duailibe, que tem perfil de conciliador, exaltou resultados alcançados pela gestão anterior. “O Tribunal alcançou resultados expressivos graças a um trabalho conjunto. Nossa responsabilidade agora é garantir que esse nível de excelência seja mantido e aprimorado, com foco em transparência, produtividade e inovação”, assinalou Ricardo Duailibe. Ele foi claro que sua meta “é unir” o Tribunal de Justiça.

Todos os sinais emitidos no ato de posse do novo comando ad Poder Judiciário do Maranhão apontaram para um bom relacionamento respeitoso e produtivo com os Poderes Executivo e Legislativo. A presença do governador Carlos Brandão (sem partido) e da presidente da Assembleia Legislativa, Iracema Vale (MDB) evidenciou que o novo comando do TJ não terá dificuldades para manter um relacionamento institucional saudável com o Palácio dos Leões e com o Palácio Manoel Beckman. Ambos destacaram a boa relação com o Poder Judiciário e se declararam confiante na nova gestão

No essencial, o presidente Ricardo Duailibe foi claro no direcionamento que sua gestão dará à Justiça do Maranhão: “A Justiça precisa chegar a quem mais precisa. Uma Justiça que não alcança os mais vulneráveis não cumpre plenamente seu papel. Vamos ampliar iniciativas, como os pontos de inclusão digital, para atender às localidades mais distantes”.

Vale recordar que esse discurso, basicamente com as mesmas palavras, foi feito por todos os seus antecessores.

Em Tempo: no novo comando do Tribunal de Justiça do Maranhão é o seguinte: Ricardo Duailibe (presidente), Gervásio dos Santos Júnior (vice-presidente), José Gonçalo de Sousa Filho (corregedor-geral da Justiça) e Ângela Salazar (corregedora-geral do Foro Extrajudicial).

São Luís, 26 de Abril de 2026.

Reunião nacional e ação de Brandão podem levar o PT a adiar definição sobre sucessão no Maranhão

Felipe Camarão aguarda em Brasília decisão
do PT, enquanto Carlos Brandão atua para
que o partido apoie Orleans Brandão

Todos os sinais emitidos recentemente no meio partidário indicam que os próximos três dias podem ser decisivos para o futuro político do Maranhão, que pode ter um novo desenho da corrida ao Palácio dos Leões. Essa guinada pode ser dada se o PT, como está previsto, bater martelo optando pela candidatura própria ao Governo ou por uma aliança com o MDB em torno da candidatura de Orleans Brandão, mas com espaço para o partido na chapa majoritária. Lançando candidato próprio – o vice-governador Felipe Camarão -, o PT romperá de vez com o grupo liderado pelo governador Carlos Brandão (sem partido), ou, ao contrário, se o partido vier a lançar candidato ao Senado – que pode ser o vice-governador -, numa aliança em torno da pré-candidatura de Orleans Brandão (MDB) ao Governo do Estado.

Essa definição poderia acontecer nesta sexta-feira, mas dois fatos mudaram o roteiro. Primeiro, a Executiva nacional do PT cancelou reunião marcada para a quinta-feira, e no mesmo dia o governador Carlos Brandão se reuniu com o presidente do partido, Edinho Silva, para tratar da aliança PT/MDB. O governador saiu da reunião sem revelar o teor da conversa. À Coluna, ele resumiu a conversa numa frase: “Ainda sem definição”.

Qualquer que seja a decisão a ser tomada pela cúpula nacional do PT e venha a ter o aval do presidente Lula da Silva, ela impactará fortemente a política estadual. Se o PT decidir lançar Felipe Camarão ao Governo, a primeira consequência será o rompimento com o governador Carlos Brandão, que poderá cruzar os braços em relação à candidatura do presidente Lula da Silva no Maranhão, mas também pagará o preço de ter a máquina federal lhe dando as costas. Se a opção for pela aliança na qual Felipe Camarão venha a ser candidato ao Senado, uma série de desdobramentos poderão acontecer. Uma ala mais pragmática do PT não aceita que a decisão do partido dependa do futuro do vice-governador Felipe Camarão.

No meio desse tufão está o PSB, grupo remanescente do chamado dinismo, que hoje faz dura oposição ao Governo, recebendo intenso bombardeio em contra partida. Esse grupo, que tem como integrante o deputado Fernando Braide, tem preferência e vem trabalhando por uma aliança com o ex-prefeito Eduardo Braide (PSD). E tanto quanto os governistas, os dinistas e o próprio ex-prefeito de São Luís aguardam uma definição do PT para ajustarem suas estratégias para enfrentar as urnas.

Uma eventual candidatura do vice-governador Felipe Camarão aos Leões dará forma final e definitiva ao rompimento com o grupo liderado pelo governador Carlos Brandão. Nesse caso, Felipe Camarão entrará na corrida para, primeiro, medir forças com Lahesio Bonfim (Novo), com o objetivo de tomar-lhe o terceiro lugar e, então, partir para um embate direto com Orleans Brandão, que até aqui polariza a disputa Eduardo Braide, líder inconteste da corrida segundo todas as pesquisas. Trata-se de um conjunto de gigantescos desafios.

O fato é que hoje os rumos da corrida ao Palácio dos Leões dependem da decisão que vier a ser tomada pela cúpula do PT, que estará reunida em Brasília de hoje a domingo, exatamente para resolver situações pendentes e complicadas, como é o caso de como será o palanque do presidente. Até onde se sabe, há muita resistência na cúpula do PT quanto a levar o partido a apoiar as candidatura do emedebista Orleans Brandão, sendo este o ponto em relação ao qual o governador Carlos Brandão não abre mão. Inúmeras fórmulas já foram propostas, mas nenhuma contentou os dois lados, de modo que a indefinição permanece.

Em Brasília desde terça-feira, o vice-governador Felipe Camarão se diz pronto para acatar a decisão que for tomada pelo comando partidário e que tenha o aval do presidente Lula da Silva. Antes de embarcar, ele, que manteve durante meses um discurso radical em relação a ser candidato a governador, admitiu que poderá vir a ser candidato a senador, se o partido e o presidente da República assim decidirem.

PONTO & CONTRAPONTO

Brandão se lança neste sábado em Imperatriz; Braide intensifica incursões no interior e Bonfim ataca nas redes sociais

Eduardo Braide fecha incursão no Leste,
Orleans Brandão se lançará em Imperatriz
e Lahesio Bonfim ataca nas redes sociais

O pré-candidato do MDB a governador, Orleans Brandão, fechou ontem uma semana de intensa incursão por diferentes regiões e bairros de São Luís, cumprindo uma estratégia de minar o principal lastro eleitoral do ex-prefeito Eduardo Braide (PSD), Ontem, por exemplo, ele esteve na Feira do João Paulo, onde conversou com feirantes e prometeu que, se eleito, resolverá os problemas de lá.

O passo seguinte de Orleans Brandão com o objetivo de drenar o poder de fogo de Eduardo Braide ocorrerá hoje, em Imperatriz, onde ele lançará oficialmente a sua pré-candidatura ao Governo com um evento que, pelo que está sendo preparado, deverá reunir milhares de pessoas. O objetivo é minimizar o impacto da iniciativa de Eduardo Braide de escolher o seu vice em Imperatriz, a empresária Elaine Cortez (PSD).

Depois da incursão em Imperatriz e Balsas, passando por Açailândia, Eduardo Braide atacou no Leste maranhense, começando por Timon, onde recebeu o apoio do grupo Leitoa e de Henrique Neto. Dali, seguiu para Caxias, onde foi saudado pelo deputado federal em exercício Paulo Marinho Jr. (PL), que, na avaliação de um político caxiense, tem o apoio de metade do eleitorado da Princesa do Sertão. A incursão foi encerrada em Coroatá, onde recebeu o apoio de grupo de oposição.

O fato é que a entrada de Eduardo Braide no circuito da corrida aos Leões levou Orleans Brandão a fazer ajustes na sua agenda, o que torna a disputa mais animada. Inclusive por conta das investidas de Lahesio Bonfim (Novo), que diante da movimentação do ex-prefeito de São Luís e do pré-candidato do MDB, decidiu acionar uma metralhadora verbal nas redes sociais, atacando Eduardo Braide, Orleans Brandão e, por tabela, Felipe Camarão (PT).

Gentil se propõe a disputar Senado pelo União Brasil, mas o seu foco mesmo seria a 1ª suplência na chapa de Fufuca

Fábio Gentil: de olho no Senado

O ex-prefeito de Caxias e ex-secretário de Estado de Agricultura Fábio Gentil (União Brasil), se colocou à disposição do partido para disputar uma cadeira no Senado. A manifestação surpreendeu o meio político, uma vez que o seu grupo – formado pelo prefeito Gentil Neto (PP), pela deputada federal Amanda Gentil (PP) e pela deputada estadual Daniella Jadão (MDB) – vinha emitindo todos os sinais de que estava mobilizado em torno da candidatura do deputado federal e ex-ministro do Esporte André Fufuca (PP).

Não há dúvida de que Fábio Gentil é hoje um quadro de peso na política estadual, com cacife para pleitear vaga de candidato a senador em qualquer partido ou aliança partidária. Vereador por vários mandatos e prefeito de Caxias eleito e reeleito e com força para fazer do sobrinho, Gentil Neto, seu sucessor, além de garantir a eleição da filha, Amanda Gentil, para a Câmara Federal e de ter participação decisiva na sobrevivência da companheira Daniella Jadão na Assembleia Legislativa, Fábio Gentil quer agora o seu lugar, com mandato, no tabuleiro da política estadual.

Um exame mais amplo e cuidadoso do fato de ter ele se colocado à disposição do União Brasil para ser candidato a senador leva rapidamente à conclusão de que o ex-prefeito de Caxias está mirando mesmo é a vaga de 1º suplente na chapa encabeçada pelo ex-ministro André Fufuca. Isso porque, se eleito for e o presidente Lula da Silva alcançar a reeleição, é muito provável que André Fufuca volte à Esplanada como ministro de Estado, abrindo vaga para o 1º suplente se tornar senador interino por um longo período.

Os desdobramentos da sua manifestação dirão o que está, de fato, por trás da sua proposta ao União Brasil.

São Luís, 24 de Abril de 2026.

Braide e Orleans se movimentam para eleger grandes bancadas na Assembleia Legislativa

Eduardo Braide e Orleans Brandão querem
bancadas fortes na Assembleia Legislativa

Além da disputa pelo Palácio dos Leões, da escolha de vices e de montagens para o Senado, os dois candidatos a governador mais bem situados no cenário mostrado pelas pesquisas, Eduardo Braide (PSD) e Orleans Brandão (MDB), travam uma guerra intensa pelas 42 cadeiras da Assembleia Legislativa. Desde que se lançou pré-candidato, há três semanas, Eduardo Braide vem se movimentando para turbinar o PSD com uma chapa forte, enquanto Orleans Brandão já dá os retoques finais no que já foi batizado como “Chapão do MDB”, com a aposta que o seu partido sairá das urnas com entre 15 e 20 deputados estaduais. Lahesio Bonfim (Novo) não fala em montar chapa para deputado estadual e até aqui se dedica exclusivamente à sua pré-campanha aos Leões.

Já contando com nomes politicamente promissores, como o ex-prefeito de Timon Luciano Leitoa, a deputada Viviane Silva, da região de Balsas e o vereador Douglas Pinto, bem votado em São Luís, Eduardo Braide busca também na sociedade organizada nomes de expressão. Ontem, por exemplo, ele lançou Antônio Dino, que comanda a Fundação Antônio Dino, referência regional no tratamento de câncer e que é filho de Antônio Dino, vice-governador eleito em 1965 e que assumiu o Governo quando José Sarney renunciou para disputar o Senado em 1970. A ideia, segundo um aliado do ex-prefeito, é montar uma chapa com candidatos comprometidos com o seu programa de Governo e a sua linha de ação política.

Orleans Brandão, por sua vez, faz uma aposta alta numa chapa do MDB na reeleição, do grande grupo que dá sustentação parlamentar ao governador Carlos Brandão (sem partido). No chamado “Chapão do MDB” estão nomes como os deputados Iracema Vale presidente da Alema, Neto Evangelista, Osmar Filho, Antônio Pereira, Ricardo Arruda, Francisco Nagib. Glaubert Cutrim, Florêncio Neto, entre outros, aos quais se somam, por exemplo, o ex-prefeito de Imperatriz Sebastião Madeira e o ex-deputado federal João Marcelo de Souza. Nas contas otimistas de integrantes da chapa, o “Chapão do MDB” pode sair das urnas com elo menos 1 milhão de votos, havendo otimistas que apostam em 1,5 milhão e pessimistas que esperam pelo menos 750 mil votos.

Ainda sem ligação com candidato a governador, podendo entrar com o vice-governador Felipe Camarão como candidato próprio ou alinhando-se à candidatura de Orleans Brandão, o PT está montando sua chapa com nomes expressivos, a começar pela ex-prefeita de Vitorino Freire, Luanna Rezende, Cricielli Muniz (ex-Iema), o ex-deputado Zé Inácio, entre outros. Outros partidos, como o PP, o Republicano, o Podemos e o PRD, todos alinhados à pré-candidatura de Orleans Brandão, articulam chapas fortes para a Assembleia Legislativa, sendo parte das composições formada por marinheiros de primeira viajem. Além destes, PL está no jogo e deve lançar uma chapa forte, com quatro deputados aspirando a reeleição.

Nesse cenário em movimento, um grupo de forte expressão política e concentrado no PSB, aguarda uma definição do quadro para governador para se posicionar. Até aqui, o grupo, formado pelos deputados Carlos Lula, Rodrigo Lago, Leandro Bello e Júlio Mendonça se movimenta inclinado a uma aliança com Eduardo Braide, com quem já vem conversando há tempos. Mas pode haver uma reviravolta no rumo do PSB se o PT lançar Felipe Camarão como candidato a governador, definição que deve sair até o final da semana, conforme o próprio vice-governador. Se o PT optar por alinhar-se a Orleans Brandão e nesse acerto Felipe Camarão saia candidato a senador, o caminho mais provável do PSB é fechar com Eduardo Braide.

O fato é que, a julgar pela movimentação de cada um, os candidatos a governador mais expressivos estão empenhados em formar bancadas fortes na Assembleia Legislativa. E essa guerra será mais intensa ainda quando Lahesio Bonfim decidir formar uma chapa para deputado estadual.

PONTO & CONTRAPONTO

Aliados incentivam Roseana a se candidatar ao Senado, mas por enquanto o projeto é a reeleição para a Câmara Federal

Roseana Sarney: aliados a
querem candidata ao Senado

Ela própria não disse mais nada sobre o assunto, preferindo acompanhar o desenrolar dos acontecimentos, mas entre amigos e aliados muitos acreditam que não existe ainda uma definição quanto ao caminho eleitoral da deputada federal Roseana Sarney (MDB). De acordo com uma fonte bem situada na família Sarney Murad, a ex-governadora mantém de pé o seu projeto de reeleição, mas alimenta ainda a possibilidade de vir a ser candidata ao Senado.

A possibilidade de entrar na corrida senatorial ganhou força com a confirmação de que o governador Carlos Brandão (sem partido) confirmou a permanência no cargo até o final do mandato. Desde o dia 5 de abril que seus apoiadores mais próximos estariam fazendo carga no sentido de motivar a deputada a avaliar para valer o cenário, para tomar uma decisão definitiva sobre o assunto.

O futuro de Roseana Sarney nas urnas envolve dois aspectos importantes.

O primeiro é que ela é um quadro parlamentar de larga experiência, que conhece o caminho das pedras no Congresso Nacional, reunindo, como deputada federal ou como senadora, as condições para contribuir positivamente no processo político nacional, que pode mergulhar num quadro de profunda crise institucional.

O outro é o problema da saúde, que ainda inspira cuidados. Meses atrás era dado como certo que ela se aposentaria de vez. Agora, o cenário é outro, e nele ela vem exibindo disposição cada vez maior para continuar mergulhada nas articulações políticas, motivando os seus apoiadores a indica-la para o Senado.

Por enquanto, o projeto é a reeleição para a Câmara Federal.

Lahesio diz que “grupo” tentou comprá-lo, mas não dá os nomes nem o valor

Lahesio Bonfim: denúncia de tentativa
de compra sem nome e sem valor

O pré-candidato do Novo ao Governo do Estado, Lahesio Bonfim, fez uma revelação grave ao ser entrevistado recentemente por um podcast do Piauí. Ele declarou, sem meias palavras, que um “grupo” teria lhe oferecido dinheiro para que desistisse de se candidatar a governador e disputasse uma cadeira na Câmara Federal. Na mesma entrevista, Lahesio Bonfim disse também que “o grupo” político do ex-prefeito de São Luís, Eduardo Braide (PSD) tentou inviabilizar a sua candidatura ao Governo do Maranhão.

Nas duas acusações o pré-candidato do Novo se negou a dar nomes, insistindo em se referir ao substantivo “grupo”, e também ao pronome “eles”. E numa tentativa de dar mais veracidade às acusações, disse que pode “provar” o que falou. Ao jornalista que o entrevistou, disse – em tom que misturou drama e sarcasmo – que bastaria olhar nos seus olhar para saber que ele estava falando a verdade.

Lahesio Bonfim é experiente o suficiente para saber que acusar sem dar nomes não cola. E o que pode ser pior: ele perde credibilidade. Principalmente depois de ter afirmado que não vai partir para o confronto direto nem com o “grupo” nem com “eles”.

O pré-candidato do Novo precisa tomar uma decisão politicamente correta: acusar dando nomes e o valor da proposta ou mudar o discurso.

São Luís, 22 de Abril de 2026.

PT vai definir rumo na sucessão estadual e Camarão pode ser candidato a governador ou a senador

Dividido, PT maranhense pode se mobilizar em torno de Felipe
Camarão (centro) como candidato a governador ou a senador

O PT finalmente caminha para uma definição em relação à corrida sucessória no Maranhão e também para resolver o futuro do vice-governador Felipe Camarão (PT). O caminho para o posicionamento do partido no estado será a agenda a ser cumprida pelo seu presidente, Edinho Silva, e de ministro de Relações Institucionais, José Guimarães, que conversarão na próxima quinta-feira com o governador Carlos Brandão (sem partido), e a reunião do Diretório Nacional no fim da semana. De acordo com a previsão do próprio vice-governador, até no início da semana que vem o PT terá decidido se terá candidato próprio ao Palácio dos Leões – no caso o vice-governador – ou fará uma aliança em torno de outro candidato, tendo o Felipe Camarão como candidato a senador.

O anúncio dessa agenda foi feito pelo vice-governador Felipe Camarão em vídeo no qual ele disse que sonha governar o Maranhão, mas que o seu futuro será definido pelo partido e pelo presidente Lula da Silva (PT). Sereno, sem externar o seu viés oposicionista, Felipe Camarão deixou claro que o seu projeto não é pessoal nem familiar, afirmando que tomará o rumo que o partido e o presidente Lula da Silva indicarem, podendo ser candidato a governador, se a opção for pela candidatura própria, e ou a senador, no caso de uma aliança. Na sua fala, ele não fez qualquer indicação sobre uma possível aliança.

Se a opção do PT for pela candidatura própria ao Governo do Maranhão, Felipe Camarão será o candidato natural do partido, já que não existe outro nome petista de peso pleiteando a vaga de candidato a governador. No caso da candidatura, Felipe Camarão entrar numa corrida já em andamento, com uma nítida tendência de polarização entre Eduardo Braide (PSD) e Orleans Brandão (MDB), segundo todas as pesquisas mais recentes, que mostram ainda Lahesio Bonfim (Novo) na terceira colocação, restando-lhe a quarta posição.

Há quem aposte que, caso seja efetivamente lançado pré-candidato a governador por decisão do comando partidário e do presidente da República, o vice-governador pode ganhar musculatura para brigar com Lahesio Bonfim pela terceira colocação, o que tornaria imprevisível o cenário da briga pelo Palácio dos Leões. Afinal, mais de cinco meses distanciam os candidatos das urnas, o que é tempo suficiente para acontecer de tudo numa disputa pelo cargo de governador. Se vier, de fato, ser candidato a governador, o vice-governador sabe que enfrentará concorrentes fortes.

No caso de uma aliança lhe assegure candidatar-se ao Senado, o futuro dessa candidatura vai depender de quem será o candidato a governador. Se a aliança for com Orleans Brandão, o vice-governador vai brigar com três candidatos às duas cadeiras no Senado – os senadores Weverton Rocha (PDT) e Eliziane Gama (PT), que buscam a reeleição, e o deputado federal e ex-ministro do Esporte André Fufuca (PP), que estão no mesmo campo. A aliança, por outro lado, poderá ser firmada com Eduardo Braide, e nesse caso, o vice-governador poderá disputar o Senado em parceria com Eliziane Gama, já que até agora o ex-prefeito de São Luís não se pronunciou sobre a disputa senatorial.

O fato é que, por causa de tudo o que aconteceu nos últimos meses em decorrência do rompimento da base governista maranhense, a situação do PT e, por via de consequência, a do vice-governador Felipe Camarão, é complexa. Primeiro porque o próprio braço maranhense do partido está dividido entre candidatura própria e aliança com outro candidato, que pode ser Orleans Brandão ou Eduardo Braide. No caso do primeiro é difícil visualizar um palanque com os dois pedindo voto um para o outro. E no caso do segundo, é difícil imagina-lo junto com um candidato que tem outro candidato a presidente da República.

Mas como a política é consagrada como a arte de tornar possível o que é aparentemente impossível, não surpreenderá uma decisão conciliatória.    

PONTO & CONTRAPONTO

Orleans Brandão se movimenta para escolher vice na Ilha de São Luís

Arleans Brandão busca vice na Ilha;
Maedja Campos, mulher de
Fred Campos, lidera especulações

Orleans Brandão (MDB) e a cúpula do grupo que o apoia, liderado pelo governador Carlos Brandão (sem partido), iniciou, sem muito alarde, um movimento cuidadoso para encontrar o vice para sua chapa. Pelo que vem correndo nos bastidores, o projeto é encontrar um nome que representa a Ilha de Upaon Açu, a começar por São Luís, onde o ex-prefeito Eduardo Braide aparece como favorito.

Seguindo a tendência de polarização, Orleans Brandão quer um(a) vice para fazer um contrapeso à iniciativa de Eduardo Braide de buscar seu vice em Imperatriz, na região Tocantina, onde escolheu a empresária Elaine Cortez (PSD). Na avaliação do grupo brandonista, a escolha do vice na Capital ou em qualquer dos quatro municípios representará a Grande Ilha.

No final da semana, foi intensa a divulgação de um release, sem origem clara, dando conta de que a primeira-dama de Paço do Lumiar, Maedja Campos (MDB), estaria sendo cogitada. Ela é vista como um braço social do prefeito Fred Campos (PSB), apontado em todas as rodas como um dos mais bem sucedidos entre os atuais líderes municipais do Maranhão.

Se por um lado a sua condição de primeira-dama de Paço do Lumiar, somada à força do prefeito Fred Campos, a torna um nome a ser de fato considerado, por outro existe um ponto que pode comprometer a sua força: o prefeito Fred Campos tem como vice Mariana Brandão (MDB), irmã de Orleans Brandão.

O viés familiar pode ser um entrave, mas esse ponto pode ser deixado de lado se o grupo entender que ele não pesa e que pode valer a pena emplacar Maedja Campos.

Vale registrar que ninguém da cúpula governista fez menção à primeira-dama de Paço do Lumiar ou a nenhum outro nome para vice de Orleans Brandão e que a primeira-dama luminense veio à tona no tal release “plantado”, uma operação que pode dar certo, ou não.

O fato concreto é que o governador Carlos Brandão está trabalhando para encontrar o vice – de preferência uma vice – para Orleans Brandão na Ilha de São Luís.

Lahesio tenta emplacar discurso ideológico, mas tropeça nos conceitos correndo o risco de tombar

Lahesio Bonfim: confusão ideológica

Alguma coisa está errada no discurso e na postura ideológica de Lahesio Bonfim, pré-candidato do Novo ao Governo do Estado e terceiro colocado na preferência do eleitorado, segundo as pesquisas mais recentes. Ele se declara de direita, o que é absolutamente normal, e sataniza a esquerda além do padrão civilizado, mas isso também está no script de todos os candidatos no período eleitoral. Agora usa o viés ideológico para alfinetar Eduardo Braide (PSD), pré-candidato aos Leões.

Um problema é quando ele se posiciona em relação à corrida presidencial. Não dá para esconder a sua expectativa de vir a ser apoiado por Flávio Bolsonaro (PL), que representa a grande bolha da direita radical, simpatizante de golpes militares e de regimes de força, que tem como referência Donald Trump, aspirante a ditador que vem tentando desmontar a democracia liberal norte-americana.

Já em relação ao candidato do seu partido à presidência da República, o ex-governador mineiro Romeu Zema, que é um político de direita com perfil liberal de viés democrático, Lahesio Bonfim não tem mostrado muito entusiasmo. Exemplo: não fez qualquer comentário ou referência ao plano de governo de Romeu Zema, anunciado pelo próprio, na semana passada, com larga repercussão.

Essas provocações sobre viés ideológico parecem mais uma estratégia para chamar a atenção. Isso porque não dá mais para alguém se rotular pura e simplesmente de direita e de esquerda. Esses dois campos ganharam grande pulverização.

Hoje, um político que simplesmente se declara de direita pode ser olhado como um liberal, que respeita a Constituição, a estrutura institucional e defende a alternância do poder na democracia, como o presidente francês Emmanuel Macron. Mas pode também ser enxergado como um radical antidemocrático, inimigo das instituições democráticas, que defende regime de força e, se puder, golpeia o estado democrático de direito para permanecer no poder mesmo sem ter sido eleito, exemplo dado ao mundo pelo ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), que só não consumou a trama golpista porque os chefes militares não concordaram.

Lahesio Bonfim fala muito sobre postura ideológica, mas diz tão pouco que ao se rotular como de direita, pode ser visto como um liberal democrático e também como um radical golpista.

É preciso que ele seja mais preciso no seu discurso ideológico.

São Luís, 21 de Abril de 2026.