Como estava escrito nas estrelas e até as pedras de cantaria da Praia Grande já sabiam, a corrida às duas cadeiras no Senado está abalada por diversas reviravoltas. Depois de uma série de fatos surpreendentes, como o emagrecimento do projeto de reeleição do senador Weverton Rocha (PDT) e o robustecimento do projeto de reeleição da senadora Eliziane Gama, depois de se reconverter ao petismo, a disputa senatorial ganha novo fator, que apontam como decisivo: a entrada da deputada federal Roseana Sarney (MDB) na corrida ao Senado. Ontem, em Brasília, o ex-presidente José Sarney reuniu um grupo líderes do MDB nacional e do Maranhão, para um jantar que teve como prato principal exatamente o projeto de candidatura da ex-governadora à Câmara Alta.
Nos bastidores, a informação corrente é que, baseado na necessidade que tem o partido de eleger o maior número possível de senadores, e no fato de a ex-governadora e ex-senadora vir pontificando com bom desempenho nas pesquisas feitas até aqui, o comando nacional do MDB decidiu convencer o braço maranhense do partido a apoiar esse projeto de candidatura. Presidente regional do MDB, Orleans Brandão, pré-candidato a governador, assim como o governador Carlos Brandão (sem partido), estariam inclinados a referendar Roseana Sarney como candidata do MDB ao Senado.
A ser confirmada como candidata, Roseana Sarney entrará numa disputa dura e complicada, a começar pelo fato de que dois dos pré-candidatos, Weverton Rocha (PDT) e Eliziane Gama (PT), são senadores tentando renovar seus mandatos, além do ex-ministro do Esporte, André Fufuca (PP), assim como o ex-senador Roberto Rocha (Novo), o professor e advogado Franklin Douglas (PSOL) e a militante social Antônia Cariongo (PSOL). E não há dúvida de que ela disputará diretamente com aliados do Palácio dos Leões, que em tese são também aliados seus.
Tanto na família, quanto entre os seus aliados e apoiadores, a candidatura de Roseana Sarney ao Senado já é uma realidade, que só retrocederá se ela próprio a assim decidir. E como já era esperado, o ex-presidente José Sarney (MDB) emite todos os sinais de que comprou o projeto e decidiu entrar em campo para consuma-lo. E, ao que tudo indica, o governador Carlos Brandão – que poderia ter deixado o Governo para disputar o Senado – estaria também propenso a avalizar politicamente esse projeto. Haveria uma ou outra voz no partido defendendo que ela se candidate à reeleição para a Câmara Federal.
A reunião de ontem, em Brasília, sem a presença da ex-senadora, mas com a presença do governador Carlos brandão, que lidera a aliança partidária formada em torno da pré-candidatura de Orleans Brandão ao Palácio dos Leões, seria uma espécie de largada do seu projeto de candidatura ao Senado. Principal articulador desse movimento, o ex-presidente José Sarney estaria convencido de que o projeto é viável, uma vez que na sua avaliação, Roseana Sarney reúne ainda cacife eleitoral para o segundo candidato mais votado, o que, se for o caso, lhe dará o mandato senatorial.
José Sarney estaria também trabalhando no sentido de obter o apoio do presidente Lula da Silva (PT). O problema é que o chefe da Nação, que busca a reeleição, já tem compromisso com a candidata do seu partido, a senadora Eliziane Gama (PT), e tem também como candidatos o ex-ministro do Esporte, André Fufuca (PP), e ainda o senador Weverton Rocha (PDT), que tem boa relação com o Governo e com o Palácio do Planalto. O presidente Lula da Silva tem simpatia por Roseana Sarney, que chegou a ser vice-líder do seu primeiro Governo no Congresso Nacional, mas dificilmente descartará André Fufuca e Weverton Rocha para apoiar Roseana Sarney.
Se o jantar organizado por José Sarney tiver consolidado o “Projeto Roseana”, a corrida senatorial sofrerá uma guinada radical e com desfecho imprevisível.
PONTO & CONTRAPONTO
Corrida às vagas do Senado vai além dos pré-candidatos já declarados

Fernandes e Fábio Gentil têm potencial
para entrar na corrida ao Senado
A disputa para as duas vagas no Senado não se resume aos pré-candidatos já assumidos e a iminente entrada da deputada federal Roseana Sarney no circuito com a articulação do ex-presidente José Sarney. Qualquer avaliação desse contexto incluirá três nomes de peso da política maranhense: a presidente da Assembleia Legislativa, Iracema Vale (MDB), os deputados federais Duarte Jr. (Avante) e Pedro Lucas Fernandes (União), ex-prefeito de Caxias, Fábio Gentil (União).
Ela não disse ainda uma palavra sobre o assunto, dizendo apenas que é pré-candidata à reeleição, mas Iracema Vale aparece com destaque em todas as listas de nomes com cacife para disputar as cadeiras na Câmara Alta.
Duarte Jr., que vinha trabalhando focado no seu projeto de reeleição, foi, de repente, catapultado para a esfera da disputa para o Senado por uma pesquisa, a AtlasIntel, que o apontou como favorito para uma das vagas, juntamente com a senadora Eliziane Gama (PT), deixando para trás os outrora favoritos Weverton Rocha (PDT), que busca a reeleição, e o ex-senador Roberto Rocha (Novo).
Pedro Lucas Fernandes frequenta a lista de aspirantes a senador desde o ano passado, quando em visita ao Maranhão, o presidente do seu partido, Antônio Rueda, o lançou como pré-candidato ao Senado. De lá para cá, sua “pré-candidatura” vem sofrendo altos e baixos, ao sabor dos ventos da pré-campanha. Mais recentemente, seu nome voltou à baila senatorial, tendo ele declarado que tal projeto depende única e exclusivamente do governador Carlos Brandão, que não se manifestou sobre o assunto.
Finalmente, o ex-prefeito de Caxias, Fábio Gentil, que vinha sendo apontado como eventual candidato a 1º suplente na chapa do ex-ministro André Fufuca (PP), declarou recentemente que está disposto a ser candidato a senador pelo União. “Estou preparado”, declarou, jogando a bola para o governador Carlos Brandão.
E não será surpresa se outros nomes aparecerem com esse objetivo.
Brandão nomeia para a Casa Civil conhecida empresária tocantina da área educacional
A empresária tocantina Miriam Reis Ribeiro vai comandar uma das pastas mais importantes e influentes do Governo do Maranhão: a Casa Civil. Ela foi nomeada pelo governador Carlos Brandão (sem partido) para suceder o ex-prefeito de Imperatriz, Sebastião madeira, que se desincompatibilizou para disputar uma cadeira na Assembleia Legislativa. Sua nomeação foi publicada no Diário Oficial de segunda-feira (18).
A exemplo do que fez o seu experiente antecessor, além da estrutura administrativa e do suporte que dá à Governadoria, Miriam Ribeiro atuará como braço institucional e político do governador Carlos Brandão, de acordo com a natureza do cargo. A chefe da Casa Civil será a ponte entre o governador Carlos Brandão e os chefes dos demais Poderes. Isso e mais a tarefa de representar o chefe do Executivo em atos aos quais ele não pode comparecer. O seu antecessor realizou uma gestão importante nessa seara.
A Casa Civil costuma ser também o epicentro institucional do Governo, ganhando às vezes estatura política, principalmente em ano eleitoral, como agora. Esse será o desafio da secretária-chefe, que além da experiência de empresária do setor educacional, atuou no Poder Público como secretária de Desenvolvimento Social da Prefeitura de Imperatriz na gestão do prefeito Sebastião Madeira (MDB), que realizou ali um amplo trabalho institucional em nome do Governo Carlos Brandão.
No campo estritamente político, a impressão dominante é a de que, com a nomeação de Miriam Ribeiro, o governador Carlos Brandão buscou fortalecer seu vínculo político com a Região Tocantina e equilibrar o impacto da escolha da empresária tocantina Elaine Cordeiro (PSD) como vice de Eduardo Braide (PSD) na corrida ao Governo do Estado.
São Luís, 20 de Maio de 2026.

