Aconteça o que acontecer em outubro, Brandão marcou o momento com o arrojo do seu projeto sucessório

Carlos Brandão: projeto arrojado, agenda
política cheia, bons resultados
do Governo e disparos da oposição

Independentemente do resultado que sair das urnas na noite do dia 4 de outubro, o governador Carlos Brandão (MDB) vai entrar para a crônica política como o mandatário maranhense que desenhou e colocou em marcha o projeto sucessório mais arrojado desde que se começou a escolher governadores pelo voto direto e secreto. Circunstâncias políticas que só o tempo esclarecerá o levaram a romper com o seu principal aliado, Flávio Dino, a não abrir para que o vice-governador Felipe Camarão (PT) o sucedesse, lançou um sobrinho Orleans Brando (MDB), se reaproximou de José Sarney (MDB), antigo aliado, com quem andou rompido por longo tempo, e em meio a um xadrez político extremamente complicado, conseguiu manter relação institucional altamente produtiva com o presidente Lula da Silva (PT), apesar das granadas políticas que explodem ao redor de ambos.

O fato de ser o governador e liderar a base política e partidária do seu Governo, Carlos Brandão é o pivô e o alvo de toda essa movimentação preparatória para as eleições. Nesse contexto, cabe-lhe a palavra final sobre toda e qualquer situação relevante que envolva a candidatura de Orleans Brandão. É dele o poder de decidir, por exemplo, sobre a escolha do candidato a vice-governador na chapa do candidato emedebista, de apontar os dois candidatos a senador que se alinharão ao candidato a governador do seu grupo, cabendo-lhe até mesmo alinhavar soluções no campo da disputa para a Câmara Federal e Assembleia Legislativa. E, acima de tudo, elaborar e colocar em prática as estratégias que vão embalar a pré-candidatura de Orleans Brandão no enfrentamento de concorrentes do porte do ex-prefeito de São Luís, Eduardo Braide (PSD), e do vice-governador Felipe Camarão, que entrou na corrida com o aval do PT e do presidente Lula da Silva.

Ao mesmo tempo, o governador Carlos Brandão gerencia uma máquina que cuida da saúde, da educação, da segurança pública, da cultura, da infraestrutura, da assistência social, do turismo, enfim, de tudo o que diz respeito à vida dos mais de 7 milhões de maranhenses, administrando um Orçamento que neste ano vai ultrapassa os R$ 40 bilhões, fora os convênios e parcerias firmadas com o Governo Federal. Sua gestão tem exibido bons resultados, a começar pelo equilíbrio fiscal – relação entre receita e despesa -, estando o Maranhão colocado em segunda melhor posição.

O governador Carlos Brandão conta com sólida base na Assembleia Legislativa, tendo como aliados fiéis cerca de 30 dos 42 deputados, o que lhe dá segurança na relação com o parlamento estadual, comandado por uma aliada de proa, a deputada Iracema Vale (MDB). Mas enfrenta uma oposição numericamente pequena, mas aguerrida o suficiente para criar-lhe embaraços, aqui e ali. Nesta semana, por exemplo, o deputado oposicionista Rodrigo Lago (PSB) obteve na Justiça a suspensão de um empréstimo no valor de R$ 1,3 bilhão, autorizado pela Alema para investimentos, apontando como recurso para uso eleitoreiro, obrigando-o a vir a público prestar esclarecimentos, aproveitando para acusar a oposição de “atrapalhar” e sugerir: “Vão trabalhar!”. Sua reação levou o deputado Othelino Neto (PSB) a explicar que “oposição não atrapalha, fiscaliza”. Além disso, convive com ações que o atingem em tramitação na Suprema Corte.

Na roda viva do cotidiano, o governador Carlos Brandão vem há tempos convivendo com rumores, ora intensos, ora brandos, de que estariam em cursos ações para tirá-lo do cargo. Desdobramentos possíveis, mas improváveis, das ousadas decisões políticas que tomou ao romper o que os seus hoje adversários definiam como um ciclo, no qual o “caminho natural” seria a candidatura do vice-governador por ele apoiada. Ele preferiu outro caminho, mantendo o seu projeto intacto, apesar das francas negociações com o presidente Lula da Silva, por exemplo.

Com a experiência de quem viveu intensamente, como parte ativa, de situação parecida em 2006, quando o então governador José Reinaldo Tavares decidiu abrir mão de ser candidato ao Senado e apoiar a candidatura de Jackson Lago, o governador Carlos Brandão desafia corajosamente a lógica e contraria regras, protagonizando uma aposta política muito mais ousada. O faz certo de que sairá vitorioso em outubro, mas consciente de que o resultado pode ser o inverso.            

PONTO & CONTRAPONTO

Braide, Orleans, Camarão e Bonfim fecham a semana intensificando suas pré-campanhas

Eduardo Braide, Orleans Brandão, Felipe
Camarão e Lahesio Bonfim fecham
semana intensificando pré-campanhas

Os quatro pré-candidatos ao Palácio dos Leões não param. Eduardo Braide (PSD), Orleans Brandão (MDB), Felipe Camarão (PT) e Lahesio Bonfim (Novo) fecharam suas semanas intensificando suas pré-campanhas, demonstrando que estão determinados a seguirem em frente.

Na sua intensa incursão pelos municípios, onde trabalha para formar uma base política e se apresentar como pré-candidato, Eduardo Braide fechou a semana em Paulino Neves, na grande Região dos Lençóis. Ali, apoiado por políticos de oposição, reuniu uma multidão num comício de pré-campanha, que mostrou entusiasmo com sua fala.

Orleans Brandão deu prosseguimento à sua investida em São Luís, onde tenta reduzir o poder de fogo do ex-prefeito: postou um vídeo em que aparece fazendo uma espécie de inspeção nas obras de prolongamento da Avenida Litorânea, fazendo questão de agradecer ao presidente Lula da Silva (PT). Ele garantiu que os sete quilômetros serão inaugurados em poucos meses. Ele esteve também no São Cristóvão.

Felipe Camarão levou o seu projeto “Diálogos pelo Maranhão”. Ali ele se reuniu com lideranças do PT e líderes comunitários aos quais falou sobre pontos do seu programa de Governo. E fez questão de lembrar do trabalho no que realizou no município e na região quando secretário de Educação do Governo Flávio Dino. Mostrou ainda imagens de aliados e simpatizantes caxienses adesivando veículos.

Lahesio Bonfim (Novo) terminou a semana postando um vídeo em que critica o governador Carlos Brandão em relação ao caso do empréstimo suspenso, liminarmente pela Justiça. O pré-candidato do Novo continua sem agenda, e dá sinais de que sentiu o impacto da entrada de Felipe Camarão no quadro de pré-candidatos ao Governo.

Indefinição sobre candidatos ao Senado agita os bastidores da base governista

Weverton Rocha e André Fufuca, que
têm pré-candidaturas consolidadas,
enfrentam a concorrência de
Roseana Sarney, Pedro Lucas
Fernandes e Duarte Jr.

O tema dominante do momento em relação às eleições é a indefinição no que diz respeito aos candidatos a senador que marcharão para as urnas junto com Orleans Brandão (MDB). O senador Weverton Rocha (PDT) parece ser ainda um deles, embora já circulem rumores de que o seu cacife vem diminuindo, o que o levou a anunciar que sua candidatura à reeleição é irreversível, descartando o factoide dando conta de que ele estaria avaliando ser candidato a deputado federal.

A outra vaga de candidato a senador ao lado de Orleans Brandão está sendo disputada pelos deputados federais André Fufuca (PP), Roseana Sarney (MDB) e Pedro Lucas Fernandes (União), havendo também fortes rumores de que a vaga pode vir a ser da deputada estadual e presidente da Alema Iracema Vale (MDB).

E no meio desse tabuleiro surgiu a pré-candidatura do deputado federal Duarte Jr. (Avante) ao Senado. E chegou com no quadro de uma pesquisa (AtlasIntel), que o apontou como nome forte no cenário, levando-o a lançar esse projeto, desmanchando o seu projeto de reeleição.

A palavra final será do governador Carlos Brandão, que parece dividido entre Roseana Sarney e Pedro Lucas Fernandes, mas também considerando o potencial da pré-candidatura de André Fufuca, que pode migrar para a esfera da candidatura do vice-governador Felipe Camarão (PT), formando dobradinha com a senadora Eliziane Gama (PT).

São Luís, 24 de Maio de 2026.

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