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Arquivamento de denúncia por falta de consistência mantém José Sarney com a biografia intacta

 

José Sarney: biografia ameaçada por birra de Rodrigo Janot
José Sarney: arquivamento de denúncia mantém intacta a biografia do ex-presidente da República

Quando as gravações feitas pelo ex-presidente da Petrus, Sérgio Machado, vieram à tona, o Brasil inteiro previu que o ex-presidente José Sarney e os senadores Renan Calheiros e Romero Jucá, que à época comandavam o PMDB, estavam política e moralmente acabados. Os adversários do ex-presidente da República soltaram rojões de alegria e os seus aliados mergulharam no mais profundo mar de incertezas, certos de que o Grupo Sarney estava definitivamente liquidado. Ontem, passados alguns meses de sufoco, o ministro Edson Fachin, relator dos processos da Operação Lava Jato no Supremo Tribunal Federal, atendeu a recomendação do ex-procurador geral da República, Rodrigo Janot, e arquivou a denúncia por inconsistência. A recomendação da PGR usou um argumento simples e fatal para o processo: depois de analisadas cuidadosamente, do lado direito e pelo avesso, os investigadores concluíram que os diálogos entre Sarney, Calheiros e Jucá nada continham que pudesse caracterizar o crime de obstrução da Justiça. O ex-presidente está livre da acusação, assim como seus aliados pemedebistas.

O arquivamento determinado pelo ministro Edson Fachin foi o fim previsto pelo próprio José Sarney. Quando o áudio produzido por Sérgio Machado foi mostrado ao País, o ex-presidente da República reagiu com indignação, classificando a iniciativa do MPF de não respeitar a liberdade de reunião e, menos ainda, a de expressão. Sarney definiu o ex-afilhado Sérgio Machado de “verme”, apontando-o com o um sujeito de caráter frágil e sem honra, chegando ao ponto de defini-lo como um “monstro moral”. A reação do ex-chefe da Nação foi tão dura contra o ex-presidente da Petros, que já naquele momento multa gente mudou de opinião sobre o que estava acontecendo.

Sérgio Machado acusara o ex-presidente e os senadores de ter recebido dinheiro sujo, desviado da Petros, para financiar as suas campanhas eleitorais. Sarney disse que se o Ministério Público levasse adiante aquela acusação, a instituição estaria cometendo um grave erro e poderia sofrer um duro e perigoso processo de erosão na sua credibilidade como uma das instituições mais importantes do País. Além de disparar chumbo grosso contra Sérgio Machado, José Sarney fez duras críticas ao então procurador geral da República, Rodrigo Janot, acusando de transformar em verdade uma armação que não produziu qualquer dano  ao País, agindo, portanto, como um irresponsável, mais interessado nos holofotes. Na sua defesa, José Sarney jamais negou a autenticidade das gravações, confirmou a reunião em que as conversas se deram. Ao mesmo tempo, negou, com veemência e indignação, que estivesse se reunido com seus aliados políticos para traças um plano destinado usar dinheiro público desviado para financiar as campanhas de candidatos do PMDB.

Por mais que tenha disfarçado, o procurador geral Rodrigo Janot sentiu a pancada, deu-se cinta de que havia forçado a barra  a começar pelo fato de que ninguém enxergou crime na conversa em que José Sarney, Renan Calheiros e Romero Jucá. Investigadores da Polícia Federal se debruçaram sobre a gravação em busca de qualquer indício que pudesse ser usado como prova do “crime”, mas tudo o que puderam interpretar foi uma conversa entre políticos procurando meios para enfrentar acusações feitas a nomes pemedebistas nos momentos iniciais da Lava Jato, mas sem a ideia de tramar fórmulas que pudessem ser interpretadas como  artimanhas contra investigações como objetivo de obstruir a Justiça.

Já visto como o decano dos políticos brasileiros e dono de inteligência e habilidades raras nesse campo minado onde só os competentes têm vida longa, José Sarney milita nesse batente por mais de seis décadas. A velha raposa dificilmente montaria uma armadilha para ela própria cair, mesmo convivendo com gente do naipe do “monstro moral” Sérgio Machado. O arquivamento da denúncia mostra que, pelo menos até aqui, o ex-deputado federal, ex-governador, ex-senador, ex-presidente do Senado e do Congresso Nacional e ex-presidente da República vai mantendo sua biografia intacta em três aspectos fundamentais: todos os mandatos que exerceu foram conquistados pelo voto direto em eleições duras, venceu todos os confrontos que travou nas urnas, e até agora não sofreu condenação judicial por qualquer motivo.

 

PONTO & CONTRAPONTO

Inauguração do HTO: governador e secretário comemoram e oposicionistas amarga derrota

Governador Flávio Dino entregou o novo Hospital de Traumatologia e Ortopedia, em São Luís. Foto: Handson Chagas/Secap
Flávio Dino, (centro), Carlos Lula e Edivaldo Jr. â direita, e Rubens Jr. Clayton Noleto e Bira do Pindaré à esquerda, no ato inauguração do HTO, ontem pela manhã

Contrariando todas as previsões negativas e tentativas de minar o projeto levadas a cabo pela Oposição, o governador Flávio Dino (PCdoB) inaugurou ontem (09), com a pompa devida, o Hospital de Traumatologia e Ortopedia (HTO), uma unidade inédita no Estado, capaz de atender casos de alta complexidade e capacidade para realizar 400 cirurgias por mês, o que contribuirá decisivamente para desafogar o sistema municipal de Saúde nessa área. O HTO, que fica no Jardim Eldorado, vai atender pacientes tanto da Grande Ilha e do continente. Na sua fala, o governador o HTO representa um marco para a Saúde maranhense, pois foi preciso vencer resistências para que ele fosse concluído e inaugurado. “Não perdemos nunca a alegria de fazer o bem. Esse é o milagre desse governo, o milagre da multiplicação das oportunidades, da luta obstinada pela igualdade, de não ter medo de nada e nem de ninguém”, disse o governador, fortemente emocionado. E foi mais longe e mais enfático: “Não importa quem foi poderoso ontem ou se esse alguém se acha dono da riqueza e do poder. Aqui não temos medo”. E concluiu dando a dimensão exata do que sentia: “Poucas inaugurações me emocionaram tanto quanto esta, porque é fruto de luta”.

E não foi fácil mesmo. Desde que o projeto começou a ganhar forma, oposicionistas ligados ao ex-secretário de Saúde Ricardo Murad tentaram bombardeá-lo de todas as maneiras, levantando dúvidas sobre o aluguel do prédio, sobre as obras que ali estavam sendo realizadas, sobre a instalação dos equipamentos, numa espécie de catilinária com o objetivo era embaraçar o andamento das obras e a concretização do projeto. Por conta disso, o secretário de Saúde, Carlos Lula, teve de responder a várias investidas e chegou a ser levado à Assembleia Legislativa para explicar o que estava claro. No seu discurso, Carlos Lula disse que o hospital atende a um pedido antigo dos médicos maranhenses. Ele previu que, em um ano, a fila de espera por cirurgias vai estar consideravelmente menor. Hoje, são cerca de duas mil pessoas no aguardo. O HTO tem capacidade para 4,8 mil cirurgias por ano, mas “a fila vai ganhando novos componentes a cada dia”, principalmente por causa dos acidentes de moto, frisou o secretário. “Temos 100% de capacidade aqui. Ninguém mais precisa sair do Maranhão para tratar qualquer doença ortopédica”, disse.

A inauguração do HTO deixou a Oposição desanimada.

Flerte do PSDB cm Sarney Filho tem prós e contra

Sarney Filho: candidatura decidida
Sarney Filho: namoro sem futuro com PSDB

Não surpreendeu a informação de que o braço maranhense do PSDB caminha para uma aproximação com o Grupo Sarney, que começaria com a possibilidade de conversa para o ingresso do deputado federal e atual ministro do Meio Ambiente Sarney Filho, que é pré-candidato ao Senado e encontra-se na iminência de deixar o PV, tendo como alternativas o PSD e o PMDB. Agora, esse leque de alternativas de amplia com a inclusão do PSDB, conforme revelação feita pelo ex-prefeito de Imperatriz, Sebastião

Madeira, ao blog do jornalista Marco Aurélio D`Eça. Se o deputado Sarney Filho vier a se converter ao tucanato, a corrida sucessória no Maranhão poderá ganhar desdobramentos e montagens absolutamente surpreendentes, mas possíveis, já que PSDB e PMDB deverão se juntar no plano nacional contra o projeto eleitoral das esquerdas, com repetição desse cenário nos estados, em especial no Maranhão.

Mesmo que ainda restem traços fortes de rusgas entre os Sarney e o PSDB, consequência do rumoroso Caso Lunus, uma armação supostamente engendrada pelos tucanos para detonar a caminhada da então governadora Roseana Sarney (PMDB) para se tornar candidata à presidência da República em 2002, Sarney Filho não teria maiores problemas para ingressar no ninho. Suas afinidades com a linha de atuação do PSDB se desenvolveram durante a sua convivência com os líderes tucanos quando foi ministro de Minas e Energia do Governo do presidente Fernando Henrique Cardoso, com quem mantém. Seu ingresso no PSDB, portanto, seria bem recebido pelos líderes tucanos, a começar pelo ex-presidente, que em diferentes ocasiões elogiou o deputado pela eficiência como ministro do Meio Ambiente e pela lealdade à linha de ação daquele Governo.

Por outro lado, há obstáculos políticos gigantescos separando o ministro Sarney Filho do PSDB. O primeiro é a provável candidatura da ex-governadora Roseana Sarney (PMDB) ao Governo do Estado. Como é sabido que, pelo menos até aqui, o PSDB terá candidato a governador, o senador Roberto Rocha, Sarney Filho ficaria numa situação de extrema complexidade. Apoiaria o candidato do seu partido ou, mesmo convertido ao tucanato, se engajaria na candidatura da irmã? Não é preciso fazer grande esforço para obter a resposta. Isso porque nem o senador Roberto Rocha nem a ex-governadora Roseana Sarney abriria mão da sua candidatura em favor do projeto de Sarney Filho. Logo, é improvável que o ministro do Meio Ambiente se converta ao tucanato, sendo mais provável que ingresse no PSD, vá se juntar aos seus no PMDB ou permaneça no PV.

São Luís, 10 de Outubro de 2017.

Entrevista mostra que Flávio Dino vai partir para o confronto direto com Roseana Sarney e Roberto Rocha

 

Flávio Dino vai para o confronto direto com Roseana Sarney e Roberto Rocha
Flávio Dino vai para o confronto direto com Roseana Sarney e Roberto Rocha durante a campanha eleitoral

Sinais fortes estão indicando que a campanha para o Governo do Estado será marcada por uma dura guerra verbal entre os principais candidatos. O governador Flávio Dino (PCdoB) deixou claro, ontem, numa entrevista à Rádio São Luís, que não vai ficar sentado esperando que seus adversários o ataquem. Ao contrário, ele deu uma demonstração clara e inequívoca de que vai tomar a iniciativa e chamar para a briga a ex-governadora Roseana Sarney (PMDB) – se ela for candidata ao Governo do Estado – e o senador Roberto Rocha (PSDB) – que já é candidato assumido. Provocado sobre a guerra eleitoral que se aproxima, o comunista disparou chumbo grosso na direção da pemedebista e do tucano. Sobre a ex-governadora, disse que ela representa “o atraso”, e em relação ao senador, avaliou que ele tomou o “caminho errado” e espera que ele retome “o caminho certo”. Com suas declarações, Flávio Dino respondeu a algumas estocadas que recebera de ambos recentemente.

Ao disparar sua metralhadora verbal na direção de Roseana Sarney e Roberto Rocha, Flávio Dino avisa aos seus contendores de que está preparado para o confronto. Sua iniciativa evidencia que ele entende que não pode ficar na defensiva, pois isso geraria no eleitorado a impressão de que preferiria atravessar a campanha sem o confronto direto com os demais candidatos a morar quatro anos no Palácio dos Leões. Não se preparar para o embate verbal seria uma demonstração de franqueza que não cabe no figurino de um político nascido no enfrentamento implacável das assembleias estudantis e chegou à maturidade como líder mais destacado de uma geração. E essa marca do confronto aberto está presente nos discursos do governador.

Na entrevista à Rádio São Luís, o líder comunista foi brando com o senador Roberto Rocha, como se estivesse querendo trazer de volta uma ovelha desgarrada do seu rebanho. Limitou-se a lamentar que o senador tenha rompido com o seu grupo, revelando a perspectiva de que ele dê uma guinada de volta à aliança governista. Só que Roberto Rocha encontra-se a anos luz dessa aliança, tanto no plano puramente político, quanto no viés ideológico. O senador tucano assumiu claramente a sua condição de adversário do governador e está determinado a disputar o Palácio dos Leões. E para consolidar essa guinada, vem usando retórica com o peso necessário para ocupar o espaço que precisa para seguir em frente, e nessa linha discursiva a pancadaria será direcionada ao governador.

Nesse contexto, é rigorosamente certo que o confronto mais duro se dará entre Flávio Dino e Roseana Sarney, caso ela venha mesmo a ser candidata. Mas é certo também que o senador Roberto Rocha, com a ousadia que vem exibindo, não se conformará com a condição de “regras três”. Com certeza vai usar todos os recursos da retórica para se apresentar como um candidato viável e, por esse caminho, tentar atrair o governo para o confronto direto, se possível isolando a ex-governadora.

Com o recado dado ontem no microfone da Rádio São Luís, o governador Flávio Dino mostrou-se disposto a levar a campanha para um enfrentamento direto e sem rodeios, no qual usará como munição a sua obra de Governo, o discurso da mudança e as duras críticas que faz há anos ao Grupo Sarney. Roseana Sarney, lógico, não se intimidará e reagirá no tom que lhe convier, mesmo sabendo que cada reação produzirá um novo ataque. O senador Roberto Rocha, por seu turno, deverá se valer do discurso intenso e provocador, mais ou menos como está fazendo já há algum tempo, para mostrar ao mundo que abandonou o barco da esquerda para ser o expoente tucano na campanha que se aproxima.

 

PONTO & CONTRAPONTO

Publicidade do PSDB exalta a gestão de Carlos Brandão e ignora retorno de Roberto Rocha

Carlos Brandão: deve sair, mas leva respeito da cúpula nacional dos tucanos
Carlos Brandão: publicidade faz balanço da sua gestão e ignora Roberto Rocha

O vice-governador Carlos Brandão ainda não assimilou o ingresso do senador Roberto Rocha no PSDB nem sua candidatura ao Governo do Estado sacramentada pela cúpula do tucanato nacional. Numa demonstração de que não está conformado e que não está disposto a vender barato essa mudança de rota do partido no Maranhão, Carlos Brandão mandou veicular na TV uma série de peças publicitárias que fazem um balanço da vida recente do partido, que cresceu fortemente nas eleições de 2016, quando saiu das urnas com 29 prefeitos, vários vice-prefeitos e uma penca expressiva de vereadores. Os anúncios enfatizam que o PSDB nunca foi tão forte no Maranhão e credita toda turbinada aos esforços do vice-governador. Com tintura de balanço final e em tom de despedida, as peças não fazem qualquer referência à mudança de rumo que o partido começou a viver no último dia 04 em Brasília, quando a cúpula partidária se juntou para receber de volta sua ovelha desgarrada. Pelo tom da propaganda partidária, Carlos Brandão avisa que manterá controle absoluto sobre o ninho maranhense até o momento em que for obrigado a deixá-lo. Essa mudança deve acontecer no início de novembro, quando o partido se reunirá para receber Roberto Rocha como candidato a governador e o ex-prefeito de Imperatriz, Sebastião Madeira, como seu novo chefe. Nessa situação, se Carlos Brandão decidir mesmo deixar o partido, o que deve acontecer, o fará de cabeça erguida e acompanhado de boa parte da força que acumulou nas eleições municipais.

 

Sarney Filho deve desfazer nó partidário até o final do ano

Sarney Filho: assumiu o ônus de explicar de explicar extinção de reserva
Sarney Filho deve mudar de partido

É quase certo que o deputado federal Sarney Filho, atual ministro do Meio Ambiente, não disputará cadeira de senador pelo PV. Em rota de colisão com o comando nacional da agremiação verde, ele avaliou uma série de opções e estaria agora namorando o PSD e flertando com o PMDB. O motivo maior das suas rusgas com o PV – partido que ajudou a fundar no País a partir do movimento ambientalista que ajudou a criar na Câmara federal ainda nos anos 80 do século passado – são diferenças em relação a posições que os verdes tomarão na corrida presidencial. Um grupo quer abraçar a candidatura de Marina Silva (Rede), outra advoga uma aliança com a esquerda para apoiar Lula da Silva (PT), se ele vier a ser candidato.  A condição de ministro obriga Sarney Filho a seguir o rumo que o presidente Michel Temer na corrida presidencial. Isso porque a nomeação do parlamentar maranhense para o ministério foi uma escolha pessoal do presidente e não uma indicação do PV. Sarney Filho, que aparece nas pesquisas como um dos favoritos na corrida senatorial, deve desfazer esse nó até o final do ano.

São Luís, 09 de Outubro de 2017.

 

A um ano das eleições, quatro forças políticas se organizam para o enfrentamento nas urnas

 

Flávio Dino vai disputar provavelmente com Roseana Sarney, Roberto Rocha está lançado e Raimundo Pedrosa é uma possibilidade
Flávio Dino vai disputar provavelmente com Roseana Sarney, Roberto Rocha está lançado e Raimundo Pedrosa é uma possibilidade na corrida pelo Governo estadual

 

Este Domingo representa o marco inicial da contagem regressiva para as eleições gerais do ano que vem, quando, em meio aos traços de recuperação das perdas impostas ao País pela devastadora crise econômica e aos traumáticos desdobramentos da Operação Lava Jato e similares, os brasileiros irão às urnas escolher presidente da República, dois terços dos senadores, deputados federais e deputados estaduais. No Maranhão, quatro forças se movimentam em busca de espaço para emplacar seus candidatos, principalmente a presidente e a governador, a partir dos quais escolherão também dois senadores, 18 deputados federais e 42 deputados estaduais.

A primeira força é a aliança liderada pelo governador Flávio Dino (PCdoB), candidato à reeleição, que reúne um espectro partidário que vai da esquerda à direita (PCdoB, PT, PSB, PDT, PPS, PTC, SD, PHS, PSDC, DEM e, provavelmente, PTB). A segunda força é o Grupo Sarney, liderado pela ex-governadora Roseana Sarney e que tem ela próprio como o nome mais viável para enfrentar o poder de fogo do governador Flávio Dino, sustentada por uma teia partidária formada por PMDB, PV, PP, PSC, PSDC, PSD, PTN, PMN, PEN e, provavelmente, PROS). A terceira força nasceu na semana passada, com o lançamento do senador Roberto Rocha candidato a governador pelo PSDB e que deve reunir aos alguns partidos menores, como o Avante, por exemplo. E quarta força, politica e eleitoralmente inexpressiva, mas muito barulhenta, formada pelos partidos da esquerda radical, como PSOL, Rede, PSTU, PCB e PCO, que ainda não se formou como bloco nem definiu uma política de grupo, não tendo, ainda, candidato a governador, por exemplo.

Em que pese a movimentação por conta das novas regras eleitorais e dos desdobramentos da crise política envolvendo caciques como o presidente Michel Temer (PMDB) e o senador mineiro Aécio Neves (PSDB), essas forças ainda estão se movimentando num cenário furta-cor, no qual a incerteza é a sensação predominante.

Não há dúvida de que o governador Flávio Dino, por uma série de fatores – prestígio pessoal e político em alta, Governo limpo, eficiente e socialmente correto e base partidária ampla, entre outros – tem a posição mais estruturada e confortável entre os integrantes da corrida sucessória, principalmente se levado em conta o fato de que a maioria das pesquisas o aponta como franco favorito na corrida ao Palácio dos Leões. Coerente política e ideologicamente, o governador se movimenta com a possibilidade de fazer uma dobradinha com o ex-presidente Lula no Maranhão, caso o líder petista venha a ser candidato, o que ainda é uma incógnita. Enquanto a definição não chega, Flávio Dino lastreia sua candidatura ampliando sua base partidária com as forças possíveis, podendo até atrair a esquerda radical para uma aliança informal. Fará dobradinha com o candidato presidencial da seara esquerdista, podendo ser o ex-presidente Lula da Silva ou Fernando Haddad (PT), ex-prefeito de São Paulo A aliança situacionista já tem o deputado Weverton Rocha (PDT) praticamente certo como candidato a uma das vagas no Senado, estando os deputados federais José Reinaldo Tavares (PSB), Eliziane Gama (PPS) e Waldir Maranhão (PTdoB) o apoio governista pela outra vaga. Há também fortes tremores na montagem das chapas proporcionais, o que, vale lembrar, é um dado natural em tempos pré-eleitorais.

No cenário sucessório maranhense, o Grupo Sarney ainda uma força politica respeitável, principalmente por causa da influência do ex-presidente José Sarney (PMDB) e pelo cacife político e eleitoral da ex-governadora Roseana Sarney (PMDB). Ela ainda não decidiu se será ou não candidata ao Governo do Estado, mas dentro e fora da seara sarneysista é quase unanime a convicção de que a ex-governadora será o principal adversário do governador Flávio Dino. Roseana sabe que tem pela frente uma missão dificílima, primeiro porque o adversário a ser batido é muito forte, e segundo, porque antes de partir para o enfrentamento, ela terá de recompor pelo menos parte do seu grupo, que sofreu forte dispersão nas eleições de 2014 e 2016. Política tarimbada, Roseana Sarney trabalha para fortalecer seu grupo e ela própria em Brasília, onde opera como um dos articuladores do presidente Michel Temer (PMDB) no Congresso Nacional. Se vier a ser candidata, Roseana Sarney farpa dobradinha com o candidato presidencial que o PMDB apoiar, podendo ser do partido ou do PSDB. Além de decidir se carregará ou não o fardo da candidatura, a ex-governadora tem pela frente o complicado desafio de montar a chapa para o Senado, que já tem o irmão, depurado federal Sarney Filho (PV) como candidato assumido, restando uma vaga para os atuais senadores pemedebistas João Alberto e Edison Lobão.

A terceira força ganhou forma na quarta-feira (4) da semana passada, quando o senador Roberto Rocha desembarcou de volta ao PSDB, onde, ato contínuo, ganhou a vaga de candidato ao Governo do Estado. Além desligar o PSDB da aliança liderada pelo governador Flávio Dino e colocá-lo na oposição, Roberto Rocha terá de se desdobrar para construir uma aliança partidária, mínima que seja, para dar mais consistência ao seu projeto de chegar ao Palácio dos Leões. Ele entra na corrida sucessória com a vantagem de representar um partido forte e consolidado, mas sem muita expressão no estado, podendo também fazer dobradinha com o candidato presidencial que vier a sair da aliança PMDB/PSDB. Finalmente, o candidato tucano terá de coordenar a formação de uma chapa incluindo dois candidatos ao Senado, o que não será fácil.

O leque de forças se completa com as esquerdas radicais, que dificilmente fecharão com algum dos grupos já elencados. Mesmo tendo alguns dos seus líderes já sinalizando flexibilização, PSOL, PSTU, PCB dificilmente sairão da seara do esquerdismo radical contra tudo e contra todos, alimentando um zoadento mas saudável. Esse grupo poderá, no máximo, se juntar em torno do provável candidato do PSOL, o advogado Raimundo Pedrosa, e de nomes como Marcos Silva, Saulo Angelli e Haroldo Sabóia para o Senado.

O fato é que, ainda que as principais definições só venham a ocorrer nos primeiros meses do ano que vem, a corrida começa agora nos bastidores, e com muita intensidade.

 

PONTO & CONTRAPONTO

Escolha do vice de Flávio Dino já é assunto intensamente discutido nos bastidores

Carlos brandão, Tema Cunha e Edivaldo Jr.: nomes cotados para vice
Carlos brandão, Tema Cunha e Edivaldo Jr.: nomes cotados para vice na chapa do governador Flávio Dino

Um debate intenso começa a ser travado nos bastidores da aliança liderada pelo governador Flávio Dino: quem será o vice do candidato do PCdoB? O caminho natural seria o atual vice-governador Carlos Brandão (PSDB), mas a guinada radical dada pelo partido na semana passada com o retorno do senador Roberto Rocha e sua candidatura ao Governo do Estado pode ter minado irreversivelmente sua posição. A reviravolta no PSDB assanhou de vez a discussão sobre a escolha do vice. Agora, o PT assumiu a linha de frente reivindicando a vaga de vice, usando como argumento a aliança do governador Flávio Dino com o ex-presidente Lula da Silva. Os petistas não falam ainda de nomes, mas batem pé e dizem que a vice é do PT, e ponto final. Ao mesmo tempo, há um forte movimento dentro do PSB apontando o presidente da Famem e prefeito de Tuntum, Cleomar Tema Cunha, como nome forte para compor a chapa como vice. Respeitado como gestor e como líder municipalista, Tema se mantém discreto sobre o assunto, argumentando que ainda não é hora para essa definição. Numa situação bem mais discreta, o PDT reivindica a vaga de vice, tendo algumas vozes indicando o prefeito de São Luís, Edivaldo Jr., hoje o nome mais forte e influente na aliança de esquerda liderada pelo governador Flávio Dino, e que funciona como uma garantia sólida de que, se reeleito, o governador passaria o bastão do poder para um nome confiável de com futuro político aberto. Outra corrente propõe, sem muita ênfase, que o governador Flávio Dino escolha um vice do próprio PCdoB, para com correr com uma chapa pura, mas essa tese parece não ter condições de prosperar. O fato é que a questão já está posta, faltando apenas chegar o momento oportuno para que ela seja resolvida pelo governador Flpavio Dino, que terá a última palavra.

 

João Alberto: agenda cheia e decisões à vista sobre o futuro

João Alberto comemorou decisão do Conselho a favor de Aécio Neves
João Alberto na tribuna do Senado: múltiplas ações e agenda cheia em Brasília e no Maranhão

Aos 82 anos, completados recentemente, o senador João Alberto (PMDB) cumpre agenda de um político de 40 anos. Dedicado integralmente à suas atividades formais como senador da República, João Alberto cumpre as tarefas de 2° vice-presidente do Senado – que inclui presidir sessões e reuniões de Mesa Diretora na ausência do presidente e do 1º vice-presidente -, dedica parte do seu tempo às responsabilidades de presidente do Conselho de Ética, além de participar frequentemente das reuniões da várias comissões que integra, seja como titular, seja como suplente. A agenda do senador pemedebista encontra tempo para manter contatos com ministros de Estado e, vez por outra, com o próprio presidente Michel Temer, de quem é amigo e interlocutor eventual. Além do mais, João Alberto mantém viva sua ampla rede de relações no cenário político estado, fazendo questão de conversar com líderes políticos das mais diferentes regiões, incluindo até os que não pertencem ao Grupo Sarney. Não pastasse isso, o senador dedica parte do seu tempo em São Luís à administração do braço maranhense do PMDB, que preside há quase três décadas, alimentando um cuidadoso processo de gestão – gastos, prestação de contas e organização -, que tornou o partido um exemplo no estado. Em meio a tudo isso, o senador não abre mão de encontrar tempo para se dedicar ao que mais o estimula: a política de Bacabal, à qual dedica muita energia. No momento, dedica esforços para reverter na Justiça uma situação esdruxula, que é a permanência do adversário Zé Vieira (PR), que é ficha-suja, para que o deputado Roberto Costa (PMDB), que participou da eleição sem qualquer restrição e foi o segundo colocado, possa assumir e exercer o mandado. O senador sabe que terá de tomar decisões graves sobre o seu futuro – pode ser candidato à reeleição, a vice-governador e até mesmo a governador  -, mas não parece preocupado com isso, lembrando sempre que é homem de grupo e que seguirá o caminho que o partido decidir. Não sem antes, claro, defender sua posições com a firmeza de sempre.

São Luís, 08 de Outubro de 2017.

Sucessão: candidato dos tucanos, Roberto Rocha abre a corrida aos Leões apostando em aliança com o PMDB

Roberto Rocha vai ser candidato do PSDB com apoio de Geraldo Alckmin e aval de Sebastião Madeira
Roberto Rocha é lançado candidato  do PSDB com apoio de Geraldo Alckmin e aval de Sebastião Madeira

Por mais que vozes governistas tentem minimizá-las, a filiação do senador Roberto Rocha ao PSDB, e a decisão do partido de lançá-lo candidato ao Governo do Estado são fatos que mudam radicalmente a posição dos tucanos em relação ao governador Flávio Dino (PCdoB), passando de aliados a adversários, e abrindo efetivamente, exatamente com um ano de antecedência, a corrida ao Palácio dos Leões. Roberto Rocha desembarca finalmente no cenário sucessório estadual como candidato – segundo ele irreversível – de um dos partidos mais forte e influente do País e que terá uma candidatura competitiva à presidência da República. Mais do que isso: abre a corrida sucessória autorizado pelo tucanato a articular uma aliança que poderá incluir até mesmo o PMDB, se o Grupo Sarney não tiver um candidato. Ao mesmo tempo, o braço maranhense do PSDB deixa a incômoda situação de aliado de proa do governador, para se tornar um adversário de peso na guerra eleitoral. Roberto Rocha garante que está preparado política e tecnicamente para ser governador.

A julgar pela importância que os líderes do tucanato nacional deram à filiação do senador Roberto Rocha, eles querem transformar o PSDB numa força no Maranhão, avaliando que com um candidato forte e os ventos da campanha presidencial, o partido assumirá um espaço que nunca assumiu no estado. A ordem nesse sentido é fortalecer o partido e os seus candidatos, a começar pelo que disputará a presidência da República – quase certo que será Geraldo Alckmin, governador de São Paulo. E nesse sentido, a orientação básica será a de que o PSDB entre para valer na corrida eleitoral, trabalhando mesmo para brigar efetivamente pelo Palácio dos Leões, principalmente por saber que o governador Flávio Dino é favorito na corrida de 2018. Os chefes maiores do tucanismo querem que Roberto Rocha e Sebastião Madeira articulem com uma aliança com o PMDB.

Bem à vontade para avaliar o cenário criado pela sua volta “por cima” aos quadros do PSDB, o senador Roberto Rocha afirma que foi convidado para levar em frente o projeto que o partido tem de ser uma agremiação de ponta e que não será mais rebocado por outras legendas no Maranhão. O PSDB no Maranhão tem um “Plano A”, que é a candidatura do senador Roberto Rocha, e dele não abrirá mão. Isso não quer dizer que se fechará em copas, mas deixa claro que até mesmo uma aliança com PMDB só será possível se o Grupo Sarney entrar como aliado da sua candidatura. Na avaliação dos líderes, o projeto de disputar o Governo do Maranhão com o senador Roberto Rocha como candidato será um momento decisivo de fortalecimento e reafirmação do braço maranhense do partido.

No que diz respeito à corrida eleitoral em si, Roberto Rocha está ciente da força do projeto do governador Flávio Dino de buscar a reeleição como favorito, segundo as pesquisas mais recentes.  O senador tem clareza também em relação à ex-governadora Roseana Sarney, um nome com muita força politica e eleitoral e que está sendo desenhada como candidata ao embate direto com o governador Flávio Dino. Se confirmadas as duas candidaturas, pelo menos no início Roberto Rocha fará as vezes de “terceira via”, com a vantagem de que tem a rejeição mais baixa, o que é por ele traduzido como o caminho que ele terá para crescer. O senador tucano acredita que tem boa posição nessa equação e que tem condições de saltar politicamente, mas pode também pertencer.

O senador Roberto Rocha e o ex-prefeito Sebastião Madeira, que deverão comandar o PSDB no Maranhão se o vice-governador Carlos Brandão deixar o partido levando pelo menos metade dos 29 prefeitos eleitos, sabem que enfrentarão dias difíceis pela frente. Mas eles acreditam que não haverá perdas, porque prefeitos que deixarem o partido serão repostos sem maiores dificuldades. Roberto Rocha usa como argumento o fato de que na quarta-feira, dia da sua filiação, nada menos que 30 prefeitos que integravam a caravana da Famem em Brasília passaram pelo seu gabinete para cumprimentá-lo pela volta ao PSDB e por conta do projeto de candidatura ao Governo disseram que “ele está vivo” dia da sua saída de casa.

 

PONTO & CONTRAPONTO

Lobão exibe fôlego ao incursionar no interior para embalar sua candidatura à reeleição

Edison Lobão avisa que será candidato à reeleição
Edison Lobão avisa que será candidato à reeleição

Quem apostou que o senador Edison Lobão (PMDB) estava politicamente liquidado por causa da pancadaria que vem sofrendo no contexto da Operação Lava Jato, perdeu feio.  Lobão tem surpreendido seus colegas e correligionários pela disposição com que atua no plenário do Senado, preside a Comissão de Constituição e Justiça e participa de articulações visando sustentar o presidente Michel Temer (PMDB). Nos últimos 10 dias, o senador nem cogita a possibilidade de definir melhor essa posição que aproveito dado para viajar. Lobão se movimenta como candidato à reeleição, compondo um cenário em que são também candidatos Sarney Filho (PV), João Alberto (PMDB), Weverton Rocha (PDT) e José Reinaldo Tavares. No final da semana passada, o senador Edição incursionou por vários municípios, tendo Caxias, onde sempre foi bem votado, reunindo-se animadamente com correligionários. Nas últimas semanas, apesar do bombardeio que vem sofrendo, o senador pemedebista fez várias incursões se no interior do Maranhão, onde foi recebido com entusiasmo por prefeitos e prévia. A receptividade dos seus correligionários justifica plenamente.

 

Bancada federal atende à Famem e municípios terão R$ 160 milhões para a área de Saúde

Tema Cunha (primeiro da direita para a esquerda) fala senadores e deputados federais sobre recursos para muicípios
Tema Cunha (primeiro da direita para a esquerda) fala a deputados federais  e deputados federais sobre recursos para municípios, principalmente para a Saúde

“É algo inédito, é uma demonstração de sensibilidade e de maturidade da classe política do Maranhão. É uma grande conquista e é histórico”. Foi essa a reação do presidente da Federação dos Municípios do Maranhão (Famem), Cleomar tema Cunha (PSB), no encerramento da reunião da caravana formada por mais de 100 prefeitos com a bancada maranhense, que abriu mão de parte das suas emendas para formar uma massa de recursos no valor de R$ 160 milhões para investimentos por Prefeituras na área de Saúde. Os mais de 100 prefeitos que foram à Capital Federal comemoraram efusivamente o resultado do encontro.

Todos os deputados federais e senadores se posicionaram favoráveis ao pleito dos gestores municipais de empenharem as emendas de bancada exclusivamente para  o setor de Saúde. E por conta da decisão, os municípios maranhenses serão contemplados, a partir de 2018, com o aporte de R$ 160 milhões para a Saúde, sendo que parte desses recursos será destinada para a o aumento do número de leitos de UTI e centros de hemodiálise.

Em decorrência do posicionamento dos senadores e deputados federais, a Federação e a Secretaria de Saúde do Estado vão se reunir para estabelecer as regras de distribuição das verbas, observando-se inicialmente a capacidade instalada e  outros critérios técnicos, que beneficiarão, inclusive, os municípios que foram recentemente contemplados  com a habilitação na MAC (Média e Alta Complexidade).

“O resultado foi extremamente positivo, uma vez que o foco da viagem foi exatamente a conquista das  emendas de bancada para o setor de saúde, que era uma antiga reivindicação dos gestores municipais do Maranhão. Nosso retorno ao estado é como a volta de um grupo de atletas que conquista um campeonato mundial. Estamos em clima de vitória e aqui agradecemos aos  nossos três senadores e aos dezoito deputados federais, que nos garantiram essa conquista. É, na realidade, uma vitória do povo do nosso estado”, afirmou Cleomar Tema, visivelmente eufórico com o ganho.

Entusiasmado, o deputado federal José Reinaldo Tavares (PSB) disse que  “essa é luta da Famem é um sonho que está sendo materializado graças ao empenho do presidente Cleomar Tema, que  empunhou essa bandeira desde que tomou posse na direção da entidade, no início do ano, quando provocou a primeira reunião com nós, parlamentares”. Já o prefeito de Santa Filomena Idan Torres, declarou: “Foi uma vitória da Famem, foi uma vitória do municipalismo, que se apresenta com muita força no Maranhão, a partir  do comando do presidente Tema, uma grande liderança que está dando uma nova dimensão à luta dos prefeitos”.

São Luís, 05 de Outubro de 2017.

Judiciário elege nova cúpula em pleito sem sobressaltos, mas que expôs profundas diferenças na instituição

 

José Joaquim Figueiredo dos Anjos (presidente), Lourival Serejo (vice-presidente) e Marcelo Carvalho (corregedor)
José Joaquim Figueiredo dos Anjos (presidente), Lourival Serejo (vice-presidente) e Marcelo Carvalho (corregedor) foram eleitos em pleito marcado por forte tensão

A eleição da nova cúpula do Tribunal de Justiça, realizada ontem, aconteceu exatamente como que estava desenhado na véspera: o desembargador José Joaquim Figueiredo dos Anjos foi eleito presidente com 16 votos contra 10 dados à desembargadora Nelma Sarney e um voto nulo, o desembargador Lourival Serejo foi eleito vice-presidente com 18 votos contra oito dados ao desembargador José Bernardo Rodrigues e um voto em branco, e o desembargador Marcelo Carvalho foi eleito corregedor geral da Justiça com 23 votos contra dois dados à desembargadora Maria da Graça Duarte. As votações foram realizadas sem percalços, sob a condução firme do desembargador-presidente Cleones Cunha, embora fosse visível o clima de tensão que dominava os desembargadores, em especial os candidatos.

A normalidade com que o processo eleitoral aconteceu não escondeu evidências de que o Colégio de Desembargadores guarda divisões profundas. Essas diferenças, que têm as origens as mais diversas, foram evidenciadas no discurso feito pela desembargadora Nelma Sarney antes da votação, e confirmadas pelas declarações do desembargador José Joaquim Figueiredo dos Anjos já na condição de presidente eleito. A tensão visível foi causada pelo baixo nível dos ataques desfechados por aliados dos dois candidatos e que marcou profundamente a campanha. Nenhuma outra disputa recente pelo comando do Tribunal de Justiça a artilharia foi tão pesada. E o resultado recebeu a interpretação política que marcou a campanha. A vitória de José Joaquim Figueiredo dos Anjos foi imediatamente apontada como sendo também uma vitória do governador Flávio Dino (PCdoB), e a derrota de Nelma Sarney foi interpretada como uma derrota do ex-presidente José Sarney (PMDB).

No seu discurso, lido logo que o presidente Cleones Cunha abriu a sessão, a desembargadora Nelma Sarney fez um grande esforço retórico para reduzir as tensões que invadiram o plenário. Ela calçou as sandálias da humildade, declarou-se muito emocionada e apaixonada pela magistratura, pediu desculpas aos seus colegas por eventuais destemperos e confrontos, e disse que se fosse eleita levaria a instituição a um patamar novo de modernização, tendo o diálogo e busca do consenso como objetivos básicos. Depois da votação, com a sua derrota consumada, Nelma Sarney deixou o plenário e foi para o seu gabinete. Seu gesto causou claro mal-estar na Corte e foi interpretado por uns como “deselegante”, e por outros como um movimento normal, a começar pelo fato de que ela o comunicou ao presidente eleito.

Outra evidência da tensão foram as declarações do presidente-eleito José Joaquim Figueiredo dos Anjos aos jornalistas. Ele agradeceu sua eleição, prometeu esforçar-se para modernizar o Poder Judiciário do Maranhão, garantiu que não usará o cargo para perseguir quem quer que seja, muito menos a desembargadora Nelma Sarney. Ao mesmo tempo, também expôs as suas mágoas de campanha ao anunciar que levará seus detratores, de seus familiares e do Poder Judiciário às barras da Justiça, deixando claro que sabe quem estava por trás da guerra suja. “Eles vão pagar na Justiça pelo que fizeram”, declarou enfaticamente. Nas entrelinhas, o presidente eleito do TJ sinalizou que tem o apoio dos seus pares para colocar tudo em pratos limpos.

Ao mesmo tempo em que se mostra decidido a buscar na Justiça reparação pelas acusações que lhe foram feitas e pelo envolvimento de seus familiares, ele também manifestou disposição para marcar a sua presidência pela harmonização das correntes que integram a Corte. E garantiu que está preparado para vencer as dificuldades impostas pela crise e fazer a instituição funcionário  de maneira correta e produtiva.  “O Judiciário é uma instituição essencial e deve funcionar harmonicamente a serviço da sociedade”, declarou.

A eleição de ontem encerrou no Tribunal de Justiça um ciclo marcado por uma geração de desembargadores politizados e que foram fortemente influenciados pelo desembargador José Pires da Fonseca, que pontificou no Judiciário maranhense nas décadas de 80 e 90 do século passado e abriu caminho para ascensão de uma geração mais nova. A presidência de José Joaquim Figueiredo dos Anjos deverá consolidar a adequação do Poder Judiciário maranhense na nova realidade da Justiça brasileira.

 

PONTO & CONTRAPONTO

Roberto Rocha revira tucano e é lançado para ser o candidato do PSDB ao Governo do Maranhão

Dois momentos: Roberto Rocha entre a líderes tucanos e no momento em que assinava a ficha de filiação
Dois momentos: Roberto Rocha entre a líderes tucanos e no momento em que assinava a ficha de filiação, marcando sua volta ao partido em grande estilo

De volta ao PSDB, onde foi recebido pelos principais líderes do partido e assistiu a uma mensagem de boas vindas do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, que se encontra nos EUA, o senador Roberto Rocha  começou o dia de ontem sem legenda partidária e foi dormir como tucano graúdo e candidato ao Governo do Estado. Roberto Rocha reentrou no ninho em grande estilo, recebido pelo timo de frente do PSDB nacional, num ato que contou com a presença do principal articulador e avalista desse retorno, o ex-prefeito de Imperatriz e tucano de proa Sebastião Madeira. O senador maranhense foi recebido por três senadores, o cearense Tasso Jereissati (presidente do partido), o paulista José Serra e o catarinense Paulo Bayer e pelos governadores Geraldo Alckmin (SP) e Marconi Perillo (GO), além de deputados federais e líder do partido, como José Anibal (SP), aos quais se juntou o ex-prefeito de Imperatriz, Ildon Marques. Roberto Rocha fez um discurso denso e esclarecedor, no qual destacou principalmente a necessidade de o PSDB permanecer como fiador das mudanças em curso e articulado o suficiente para ser o carro-chefe de uma grande aliança para disputar a presidência da República nas eleições do ano que vem. Lançado candidato do PSDB ao Governo do Maranhão pelo senador Paulo Bayer, líder tucano no Senado, Roberto Rocha se colocou à disposição do partido. O atual presidente do PSDB no Maranhão, vice-governador Carlos Brandão, e os deputados estaduais Sérgio Frota e Neto Evangelista, não compareceram ao ato, o que evidenciou o “racha” que terá desdobramentos, que resultarão na troca de comando do ninho no estado.  Até essa mudança se confirmar, o PSDB do Maranhão será Paulo de muitos momentos de agitação.

Senadores dão apoio às reivindicações dos prefeitos nas páreas de Educação e Saúde

Tema Cunha expõe problemas a Edison Lobão e Roberto Rocha
Tema Cunha expõe pleitos para Saúde e Educação a Edison Lobão e Roberto Rocha 

A bancada maranhense no Senado declarou ontem apoio total e incondicional às reivindicações que a Federação dos Municípios do Maranhão (Famem) vem fazendo ao Governo da União nas áreas de Saúde e Educação. O posicionamento da bancada aconteceu ontem, em Brasília, durante reunião com o presidente da Famem, Cleomar Tema Cunha e um grupo formado por dezenas de prefeitos que estão em Brasília para dar suportar político à entidade municipalista. Os senadores Edison Lobão (PMDB) e Roberto Rocha (PSDB) garantiram apoia total aos pleitos e apresentaram ao presidente uma nota do senador João Alberto (PMDB) declarando apoio total aos prefeitos e informando que não compareceu â reunião por motivo de saúde. A reunião foi realizada no célebre auditório Petrônio Portella, do Senado Federal.

Diante da exposição do presidente da Famem e do aval dado dezenas de refeitos que formam a caravana, Edison Lobão e Roberto Rocha se mostraram favoráveis à destinação aos municípios de novos recursos – da ordem de R$ 300 milhões — oriundos de emenda de Bancada, para serem investidos pelas prefeituras em ações de saúde. Edison Lobão e Roberto Rocha também se comprometeram a atuar politicamente no sentido de fazer com que o Governo Federal cumpra decisão do juiz José Carlos do Vale Madeira, da 5ª Vara Federal Cível, que determinou a implantação do Custo Aluno Qualidade Inicial (CAQi), dispositivo criado pelo Plano Nacional de Educação, como base de cálculo para repasse de recursos do Fundeb para as Prefeituras maranhenses.

A efetivação do CAQi, em substituição ao Valor Mínimo Anual por Aluno, é fruto de uma ação judicial movida pela FAMEM e representará um incremento de recursos no setor da educação dos municípios estimado em cerca de R$ 6 bilhões. O representante do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação, Pedro Pedrosa, também participou do encontro e foi cobrado fortemente pelos gestores acerca dos constantes cortes de recursos destinados para custeio do setor educacional das cidades.

Ainda ontem, a caravana municipalista se reuniria com os deputados federais. A audiência seria realizada no Plenário III da Câmara Federal.

São Luís, 04 de Outubro de 2017.

Desembargadores elegem hoje a cúpula do Judiciário após uma campanha que pode arranhar a imagem do Poder

 

Nelma Sarney deve enfrentar José Joaquim Figueiredo
Nelma Sarney e José Joaquim Figueiredo: em disouta

O Tribunal de Justiça elege hoje, pelo voto secreto dos 27 desembargadores, os seus próximos dirigentes. Serão eleitos o presidente, o vice-presidente e o corregedor geral da Justiça. São candidatos naturais os três desembargadores mais antigos, no caso, Nelma Sarney, José Joaquim Figueiredo dos Anjos e Marcelo Carvalho. Em meio à movimentação nos bastidores típica desse momento de decisão no Poder Judiciário, uma eleição já está definida, a do desembargador Marcelo Carvalho para o cargo de corregedor geral da Justiça, uma vez que ele declarou não ter interesse em ser presidente nem vice-presidente. A presidência será, portanto, disputada por Nelma Sarney e José Joaquim Figueiredo. Os dois já declararam não ter interesse no cargo de vice-presidente, e como as desembargadoras Anildes Cruz e Maria da Graça Duarte, que são os membros imediatamente mais antigos do TJ, não podem mais concorrer, e o próximo mais antigo, desembargador Paulo Velten, avisou não ter interesse, o cargo de número dois na hierarquia do Judiciário deve ficar com o desembargador Lourival Serejo, o sétimo na lista dos mais antigos, que se declarou candidato. Em resumo: antes de acontecer, a eleição já tem duas escolhas praticamente definidas, restando a presidente.

Lourival Serejo deve ser vice e Marcelo Carvalho, corregedor
Lourival Serejo deve ser vice e Marcelo Carvalho, corregedor geral de Justiça

Esse roteiro não foge muito do que costuma acontecer nas eleições no Tribunal de Justiça. Mas tem uma diferença essencial, que vem alterando os ânimos nos gabinetes do Poder Judiciário. É que, diferentemente de outros pleitos, mesmo aqueles mais acirrados, o de hoje foi contaminado por um processo torto e inusitado de politização, com a atuação de claks virtuais a favor de um e de outro candidato. A desembargadora Nelma Celeste Souza Silva Sarney Costa vem sendo carimbada como “candidata do José Sarney”, enquanto o desembargador José Joaquim Figueiredo é apontado como “candidato apoiado pelo governador Flávio Dino” (PCdoB). Por conta dessa interferência da política, a disputa vem arranhando a imagem de Poder autônomo e independente do Judiciário.

A desembargadora Nelma Sarney paga o preço de pertencer à família Sarney por ser casada com Ronald Sarney, irmão de José Sarney. Desde que ingresso na magistratura por concurso público, essa condição familiar pode até tê-la ajudado de alguma maneira, mas o que é notório é que funciona como uma espécie de estigma, que em muitos aspectos minimiza os méritos funcionais da magistrada e joga sobre ela a suspeita de favorecimento. Por conta dessa relação familiar, tudo o que envolve a desembargadora ganha dimensão superlativa. Isso explica o fato de que de alguns meses para cá, Nelma Sarney – que já foi corregedora geral de Justiça e presidiu a Justiça Eleitoral – tenha sido alvo de intensos e afiados petardos na blogosfera: ações no CNJ, suspeita de praticar atos de desvio de conduta e outros itens. Ela nega tudo, diz que está sendo perseguida e garante que nada abalou seu ânimo de disputar o cargo com a certeza de que será eleita, embora a situação política e eleitoral seja bem mais complicada do que é admitido à sua volta.

A mesma situação envolve o desembargador José Joaquim Figueiredo, um servidor dedicado com três décadas de magistratura, e preparo suficiente para disputar o cargo e, em caso de vitória, comandar o Judiciário com segurança. Até entrar na disputa pela presidência do Judiciário, o desembargador José Joaquim Figueiredo era conhecido como um juiz dedicado, bem preparado, com uma carreira linear e bem sucedida. Sua candidatura a presidente o tornou, de uma hora para outra, “candidato do Flávio Dino”, condição muito provavelmente a ele imposta à sua revelia, e mais do que isso, sua honorabilidade foi questionada até com a exposição de familiares. Indignado, disse a amigos que vai buscar reparo na Justiça. E foi dormir nesta terça-feira com a certeza de que é o favorito na disputa.

Os desembargadores candidatos e seus colegas eleitores encerraram seus expedientes de ontem preocupados com os rumos que esse processo tomou e com os desdobramentos que poderão advir se os ânimos forem acirrados. Isso porque o Judiciário é movido pela cultura-tradição de que seus problemas são resolvidos dentro dos seus muros, não sendo admitida interferência. Os rumos da disputa que se encerra hoje contrariam frontalmente essa tradição.

 

PONTO & CONTRAPONTO

 

Roberto Rocha desembarca hoje no PSDB para ser candidato a governador contra Flávio Dino

Roberto Rocha não tem lastro partidário firme
Roberto Rocha entrará no PSDB como candidato

O senador Roberto Rocha desembarca hoje no PSDB, como uma espécie de filho “largado” que retorna às suas origens. De acordo com a expectativa do ex-prefeito de Imperatriz, Sebastião Madeira, um dos responsáveis pela operação, o retorno do parlamentar ao ninho acontecerá em grande estilo, com a presença de boa parte da cúpula partidária, pelo menos três governadores, senadores, deputados estaduais e prefeitos de cidades importantes do Maranhão e do País. Roberto Rocha reingressa no PSDB depois de um longo e conturbado período no PSB, onde ao pesar de tudo foi deputado federal, vice-prefeito de São Luís e senador da República. Também nesse período, o parlamentar construiu e destruiu pontes, ampliou seu raio de ação, mas ao mesmo tempo viu crescer uma massa respeitável de adversários. Em meio a essa trajetória agitada, Roberto Rocha tomando decisões ousadas, todas com o objetivo de ampliar o seu raio de ação política com o objetivo de se viabilizar como uma “terceira via” no cenário político do Maranhão, hoje limitado a duas forças, o Grupo Sarney e a aliança liderada pelo governador Flávio Dino. Protagonista de movimentos controversos, que ora turbinam sua caminhada e ora parecem travá-la, Roberto Rocha parece estar dando a guinada certa, a começar pelo fato de que chega ao partido dos tucanos com a garantia de que será candidato ao Governo do Estado com as bênçãos da cúpula nacional do tucanato.

 

José Reinaldo e Sarney Filho ainda não resolveram sua situação partidária

José Reinaldo Tavares e Sarney Filho ainda seu pouso partidário certo
José Reinaldo Tavares e Sarney Filho ainda seu pouso partidário certo

Dois candidatos assumidos ao Senado ainda não definiram sua situação partidária. O ex-governador e deputado federal José Reinaldo Tavares não decidiu ainda se permanecerá no PSB ou se migrará para outro partido, como o DEM, por exemplo. José Reinaldo está em confronto aberto com a cúpula do PSB por não concordar com posições definidas pelo partido em relação a matéria em tramitação na Câmara Federal e no Congresso Nacional. O ex-governador tinha uma relação de muita proximidade com o ex-governador Eduardo Campos, o que lhe assegurava manter certas posições dentro do PSB. Com a morte de Campos, o partido está dando uma forte guinada à esquerda, na qual o ex-governador não se encaixa. Nesse contexto, dificilmente ele permanecerá no partido, devendo migrar para uma legenda de centro-direita. O deputado federal Sarney Filho, hoje  ministro do Meio Ambiente, se movimenta para deixar o PV. Ele vem há tempos em conflito com o partido, que ajudou a fundar nos anos 90 do século passado. Especulou-se que Sarney Filho poderia assumir o comando do DEM no Maranhão, mas essa possibilidade foi descartada. Depois foi dito que ele entraria no PSD, e essa alternativa está sendo mantida até agora, já que nem a direção do partido nem o ministro a descartou. Fala-se até na possibilidade de Sarney Filho se filiar ao PMDB. Os dois parlamentares têm prazo até fevereiro para resolver se saem ou se ficam nos seus atuais partidos.

São Luís, 03 de Outubro de 2017.

Roseana Sarney mostra força política ao ser escalada por Michel Temer para articular reforço na Câmara Federal

 

Roseana Sarney articula suporte político e parlamentar para o presidente Michel Temer
Roseana Sarney articula suporte político e parlamentar para o presidente Michel Temer na Câmara Federal

Não foi surpresa a informação segundo a qual a ex-governadora Roseana Sarney (PMDB), após retornar de uma rápida viagem a Portugal, onde participou da festa de aniversário do seu advogado e amigo Antônio Carlos de Almeida castro, um dos criminalistas mais celebrado de Brasília, foi convocada pelo presidente Michel Temer (PMDB) para integrar tropa de choque que articulará na Câmara Federal o arquivamento do pedido de investigação. O presidente conhece a habilidade da ex-governadora no jogo político e a experiência que ela acumulou como deputada federal (1991-1995) e como senadora da República (2003-2009). Roseana Sarney foi convocada para participar de uma análise do cenário no que diz respeito ao pedido de autorização do Supremo Tribunal Federal (STF) e coordenar informalmente uma ação destinada a fortalecer a base de votos que o  presidente já detém naquela Casa legislativa. O convite à ex-governadora foi avalizado pelo ex-presidente José Sarney (PMDB), que é o principal conselheiro do atual presidente da República e o orientador-mor das ações da ex-governadora.

Ao engajar-se nesse processo, expondo seus movimentos e correndo o risco de sofrer duros desgastes por entrar numa guerra pesada em defesa de um presidente impopular, Roseana Sarney dá uma clara demonstração de que está no jogo político, operando para criar as condições dentro do seu partido e conquistando a boa vontade do presidente Michel Temer para viabilizar a sua candidatura ao Governo do Estado. Leva ao extremo o seu pragmatismo, exatamente por saber que sem o apoio da cúpula nacional do PMDB nem do Palácio do Planalto, seu projeto de voltar ao Palácio dos Leões pode não decolar por falta de combustível político e suporte material. Além disso, ao atuar na linha de frente do cenário político nacional como integrante do núcleo de ferro que dá suporte ao presidente, ela dá uma demonstração cabal que está no jogo e deve encarar as urnas.

Não é exagero afirmar que Roseana Sarney tem graduação e pós-graduação no complexo xadrez político travado nos bastidores da República. Quando deputada federal, no início dos anos 90 do século passado, ela foi a principal coordenadora da mobilização de deputados federais para derrubar o presidente Fernando Collor de Mello (PRN). Seu gabinete passou a ser o quartel-general das forças de oposição ao então presidente da República. Naquele momento, quando computador manual ainda era uma realidade distante, o caderno de anotações da então deputada federal era a caixa de segredos ambulante ao mesmo tempo mais bem guardada e mais desejada da República, à qual todos queriam ter acesso, de jornalistas a adversários, aliados e defensores de Collor de Mello. Foi, na época, apontada como uma das responsáveis pela derrubada do “caçador de marajás”, dando-lhe o troco pelo tratamento que ele dispensara ao presidente José Sarney durante a campanha eleitoral.

Mais tarde, já como senadora – depois de ter governado o Maranhão por dois períodos consecutivos, ter participado dos primeiros passos da corrida presidencial de 2002 como pré-candidata ao Palácio do Planalto e, por isso, ter sofrido o maior revés da sua vida política como alvo do Caso Lunus – Roseana Sarney tornou-se líder do Governo no Congresso Nacional. No posto, assumiu as funções de coordenadora política da etapa final do Governo do presidente Lula da Silva (PT), a quem apoiou desde o momento em que fora excluída, na marra, da corrida presidencial.

No complexo tabuleiro de xadrez político de Brasília coloca toda a sua experiência na tarefa de salvar o que resta de mandato do presidente Michel Temer participando de uma grande articulação destinada a fortalecer a base que o chefe da Nação detém na Câmara Federal. O fará escolada ainda pelas orientações sempre eficientes do ex-presidente José Sarney, que está mais ativo do que nunca e atuam do em varias frentes. E movida, claro, por uma das regras universais da política, a de que uma mão lava a outra. Daí a conclusão óbvia de que a ex-governadora caminha para se candidatar a mais um mandato morando no Palácio dos Leões.

 

PONTO & CONTRAPONTO

 

Sucessão no Tribunal Justiça está sendo transformada numa guerra suja que pode arranhar o Poder

Nelma Sarney deve enfrentar José Joaquim Figueiredo
Nelma Sarney  José Joaquim Figueiredo vão se enfrentar

É de agitação e tensão o clima nos bastidores do Poder Judiciário por conta da eleição da nova cúpula do Tribunal de Justiça, que está marcada para esta quarta-feira. Com a eleição do corregedor geral de Justiça praticamente resolvida em favor do desembargador Marcelo Carvalho, que abriu mão de disputar a presidência para se tornar corregedor geral de Justiça sem fazer força, as atenções agora se voltam para a medição de força e prestígio entre os desembargadores Nelma Sarney e José Joaquim Figueiredo dos Anjos. Os dois disputam a presidência do Poder Judiciário num clima tenso e num cenário em que a artilharia está saindo dos limites do Palácio Clóvis Bevilacqua para alcançar a delicadíssima seara familiar dos candidatos. Ontem surgiu uma possível solução de consenso para o cargo de vice-presidente, o desembargador Lourival Serejo, o que deixa Nelma Sarney e José Joaquim Figueiredo livres para se digladiar pela presidência, numa espécie de tudo ou nada.

O Judiciário nunca foi um Poder movido por harmonia interna plena. Ali são comuns manifestações de diferenças entre desembargadores, que às vezes chegam a trocar palavras duras, e até acusações em situações mais raras. Mas o que está acontecendo agora é uma guerra aberta pelo poder e com forte conotação política. E nessa refrega estão sendo usadas forças externas, que também não conhecem limites e jogam pesado contra um candidato e em favor de outro, e vice-versa. Esse confronto está transformando uma troca de comando que deveria ser rotineira numa espécie de guerra suja que certamente arranhará a imagem do Poder Judiciário e poderá abrir nos contendores feridas que dificilmente cicatrizarão.

Em Tempo: Estranha a pesquisa virtual feita para medir a preferência dos servidores do Poder Judiciário em relação aos candidatos a presidente. Nada contra o resultado favorável à desembargadora Nelma Sarney. Mas é curioso que o Sindjus, sempre tão cioso das regras, tenha tentado interferir numa disputa que não lhe diz respeito, à medida que é restrita ao colégio de desembargadores. Além do mais, não há registro de que algum desembargador tenha, em qualquer tempo, declarado preferência por um candidato a presidente da entidade sindical, cujos líderes montam barricada e declaram guerra a quem ousar interferir nas suas ações em defesa dos seus interesses. Visto por todos como uma entidade sindical aguerrida e respeitável, o Sindjus tropeçou na tal pesquisa.

 

Caravana de prefeitos vai a Brasília para reivindicar mais recursos para Saúde e Educação

Tema Cunha comandou a operação que levou ele e a bancada a Michel Temer
Tema Cunha comandará  a missão dos prefeitos em Brasília

Uma caravana formada por mais de uma centena de prefeitos maranhenses, organizada pela Federação dos Municípios (Famem), desembarcará hoje em Brasília para cumprir uma agenda com a bancada federal e com autoridades ministeriais problemas relacionados às áreas de Saúde e Educação. A pauta foi definida no encontro de prefeitos realizado na semana passada em São Luís, no qual os dirigentes municipais desenharam um retrato traumático e preocupante da situação financeira que atinge as Prefeituras. Para o presidente da entidade municipalista, Cleomar Tema Cunha, que é prefeito de Tuntum, se o Governo da União não apoiar os municípios, muitas Prefeituras atrasarão salários dos professores e terão problemas para manter os serviços de Saúde.

Em Brasília, a caravana municipalista – que será a maior já formada com o objetivo de pressionar o Governo da União por recursos essenciais – se reunirá hoje à tarde com os senadores maranhenses, e amanhã a reunião terá a participação de prefeitos, senadores e deputados federais, para discutir os assuntos pautados e convocar os deputados para acompanhar as negociações com as autoridades federais. O ponto alto acontecerá na quarta-feira (04) à tarde. Às 17h, no Plenário III da Câmara Federal, os gestores se reunião com a bancada e com as autoridades federais, a quem serão apresentados pleitos do movimento municipalista.

No setor da saúde, será reivindicada a destinação aos municípios de novos recursos oriundos de Emenda de Bancada, a exemplo do que já acontece no vizinho estado do Piauí. O objetivo é de que deputados federais e senadores garantam no Orçamento da União cerca de R$ 300 milhões para serem investidos em diversas ações, tais como ampliação dos leitos de UTI e compra de novos equipamentos de hemodiálise.

Na educação, os gestores solicitarão apoio político no sentido de fazer com que o governo federal cumpra decisão do juiz José Carlos Madeira, da 5ª Vara Federal Cível, que determinou a implantação do Custo Aluno Qualidade Inicial (CAQi), dispositivo criado pelo Plano Nacional de Educação, como base de cálculo para repasse de recursos do Fundeb para as prefeituras maranhenses. A efetivação do CAQi, em substituição ao Valor Mínimo Anual por Aluno, é fruto de uma ação judicial movida pela FAMEM e representará um incremento de recursos no setor da educação dos municípios estimado em cerca de R$ 6 bilhões.

Na quinta-feira (05), a caravana deve se reuniões de trabalho nos Ministérios da Saúde e da Educação.

São Luís, 02 de Outubro de 2017.

 

 

Disputa pela Câmara Federal vai envolver nomes de peso e deve sacudir os bastidores do governo e da oposição

 

Nomes de peso
Câmara Federal: Hildo Rocha, Rubens Jr. e André Fufuca renovas seus mandatos, enquanto Márcio Jerry, Sebastião Madeira e Gastão Vieira querem chegar lá

As crises econômica, política, institucional e ética que vêm abalando o País com a força devastadora, a avaliação de que o Congresso Nacional será ainda mais influente na próxima legislatura, e o desenho do poder no Maranhão indicam que que as eleições de 2018 serão decisivas, e serão definidas em disputas duras, renhidas, nas quais cada voto será crucial. E nesse contexto, a briga para as 18 vagas da Câmara Federal é por muitos prevista como a mais difícil, a começar pelo fato de que dela sairão alguns campeões de votos para disputar mandatos em outras esferas – caso do deputado federal Sarney Filho (PV) , que agora disputará uma das vagas de senador – e da chegada nessa seara de nomes que entrarão com cacifes políticos e partidários poderosos – caso do secretário de Estado de Comunicação e Articulação Política, Márcio Jerry (PCdoB). A corrida à Câmara Federal começa com a medição de força por espaço entre os deputados federais que operam de olho na reeleição, mas também vem causando refregas dentro dos partidos situacionistas e oposicionistas e, mais evidente ainda, é motivo de tapas e beijos, caneladas e pontapés nos bastidores do Governo. No cenário oposicionista, a possibilidade mais radical é da candidatura do senador Edison Lobão (PMDB), na hipótese, remota, de não tentar mais um mandato senatorial.

Os atuais deputados federais estão se movimentando inicialmente para  ampliar sua bolsa de votos nas próprias bases, mas também de olho na massa eleitoral que será deixada por Sarney Filho, Eliziane Gama (PPS) – foi a campeã na eleição passada com 130 mil votos – e agora deve disputar o Senado – e José Reinaldo Tavares (PSB), que, juntos, liberarão quase 400 mil votos. Na briga pela reeleição estão nomes cacifados como Hildo Rocha (PMDB),  João Marcelo (PMDB), Rubens Jr. (PCdoB), Cléber Verde (PRB), Zé Carlos (PT), Pedro Fernandes (PTB), André Fufuca (PP), Juscelino Filho (DEM), Victor Mendes (PSD) e Aluísio Mendes (PTN). Todos reforçaram seus cacifes durante o mandato e devem entrar bem respaldados na briga por novo mandato.

De fora, preparam-se para voltar à Câmara Federal nomes de peso como Sebastião Madeira (PSDB), ex-prefeito de Imperatriz, e Gastão Vieira (PROS), ex-ministro do Turismo, ambos ex-deputados federais bem votados e que conhecem bem o caminho de volta. Da Assembleia Legislativa devem brigar por cadeiras na Câmara Federal Eduardo Braide (PMN), que entra com cacife reforçado pelo surpreendente desempenho como candidato a prefeito de São Luís, Edilázio Jr. (PV), que pode “herdar” parte da votação de Sarney Filho, e Bira do Pindaré (PSB), nome de peso na aliança governista. Outros deputados, como Antônio Pereira (DEM) e Marco Aurélio (PCdoB) – ambos fortes na Região Tocantina – Andrea Murad (PMDB) – que ganhou espaço fazendo oposição dura do Governo -, e Neto Evangelista (PSDB) – atual secretário de Desenvolvimento Social – são lembrados, mas até agora não se manifestaram sobre as especulações.

A temperatura da disputa para a Câmara Federal pode ser medida pela movimentação, intensa e tensa, que ocorre nos bastidores do Governo, envolvendo nomes de peso do núcleo mais próximos de assessores do governador Flávio Dino. De um lado o jornalista Márcio Jerry, que além de ser o poderoso secretario de Articulação Política e Comunicação, preside o hoje dominante PCdoB, de outro, o também poderoso e influente secretário de Estado da Segurança Pública, delegado Jefferson Portela (PCdoB). Ambos legitimados pelo histórico de militância – ambos vêm do Movimento Estudantil – e detentores da simpatia do governador, travam uma particular guerra nos bastidores. Ninguém divida que Márcio Jerry será um dos candidatos mais votados, mas Jefferson Portela também pode ter bom desempenho nas urnas. Também sairá das fileiras do Governo Márcio Honaiser, secretário de Agricultura que espera boa votação na Região Sul, principalmente em Balsas. Também sairá das fileiras do Governo o deputado federal Julião Amin (PDT), atual secretário de Estado do Trabalho. Especula-se ainda sobre projetos de candidaturas governistas, como a de secretário de Esportes, Márcio Jardim (PT), por exemplo. Mas é sabido também que na hora adequada todos esses projetos passarão pelo crivo do governador Flávio Dino.

Duas possibilidades de candidatura a deputado federal chamam atenção e são muito comentadas nos bastidores. A primeira envolve o vice-governador Carlos Brandão, que pode sair do PSDB e, nesse caso, perder as condições políticas e partidárias para ser de novo candidato a vice. Nesse caso, Brandão entrará na briga para a Câmara federal aproveitando o espaço deixado por José Reinaldo Tavares, candidato “de qualquer maneira” a senador. A outra, mais remota ainda, e a de que o senador Edison Lobão, hoje candidato forte à reeleição, venha a candidatar-se a deputado federal para abrir vaga de candidato a senador para Lobão Filho seu atual suplente. Nas rodas de conversa é dominante a especulação segundo a qual se o senador Edison Lobão vier a ser candidato a deputado federal, poderá disputar a posição de campeão de votos, provavelmente com Márcio Jerry.

Em Tempo: também concorrerão às reeleição os deputados federais Alberto Filho (PMDB), Júnior Marreca (PEN), Luana Costa (PSB), Deoclídes Macedo (PDT). Outro grupo expressivo será lançado pelos partidos nas convenções partidárias do ano que vem.

Naturalmente com algumas omissões – ainda é impossível desenhar um cenário mais preciso dessa instância da disputa eleitoral de 2018 -, é esse o cenário do momento, que pode sofrer muitas alterações.

 

PONTO & CONTRAPONTO

 

Ventos sopram para José Joaquim na corrida para a presidência do Tribunal de Justiça

Nelma Sarney deve enfrentar José Joaquim Figueiredo
Nelma Sarney vai enfrentar José Joaquim Figueiredo, que deve ser eleito

A eleição para a presidência do Tribunal de Justiça, agendada para quarta-feira (4), será uma das mais disputadas dos últimos tempos. Ao contrário das eleições mais recentes, que depois das tensões iniciais acabaram resultando em acordos – a do atual presidente, desembargador Cleones Cunha, por exemplo, foi fruto do entendimento de que chegara a sua hora -, o pleito que se aproxima será realizado com dois candidatos dispostos a comandar o Poder Judiciário pelos próximos dois anos, o desembargador José Joaquim Figueiredo dos Anjos e a desembargadora Nelma Sarney. Isso porque o terceiro participante do pleito, desembargador Marcelo Carvalho, já se declarou candidato a corregedor geral de Justiça, o que na prática o coloca fora da disputa pela presidência.

A medição de força entre José Joaquim Figueiredo e Nelma Sarney já vem agitando os bastidores do Tribunal de Justiça há meses e se tornará mais intensa nas próximas sessenta horas. Até ontem, todos os sinais indicavam claro favoritismo de José Joaquim Figueiredo, mas esse cenário não é sequer admitido por partidários da desembargadora Nelma Sarney, que, por sua vez, se mantém determinada como candidata para ganhar ou para perder. O desembargador, por seu turno, permanece tem em ação, atuando politicamente junto aos seus apoiadores para consolidar a liderança e confirmar a eleição.

Ao contrário do seu concorrente, que ainda não exerceu nenhum cargo de comando no Tribunal de Justiça – presidência, vice e corregedoria geral de Justiça -, a desembargadora Nelma Sarney movimenta-se ciente de que essa é a sua última chance de chegar ao comando do Poder Judiciário, do qual ela já foi corregedora-geral de Justiça. Tem ainda a possibilidade de ser vice, mas se vier a sê-lo não poderá mais almejar a presidência. O pleito é a última cartada da sua carreira, durante a qual, além de corregedora geral de Justiça, exerceu os cargos de vice-presidente e presidente do Tribunal Regional Eleitoral.

Uma rápida incursão pelos bastidores do Poder Judiciário leva à conclusão de que os ventos estão soprando fortemente a favor do desembargador José Joaquim Figueiredo dos Anjos. Mas como há forças interessadas no desfecho, uma campanha em curso e uma eleição pelo voto secreto e universal, a prudência recomenda que se aguarde a contagem dos sufrágios e a proclamação do eleito.

 

Grupo Sarney vai definir roteiro para as eleições depois que a Câmara decidir o futuro de Temer

Roseana Sarney: movimentos mais intensos, mas atenta ao futuro de Michel Temer
Roseana Sarney: definição só após a decisão sobre futuro de Michel Temer

O Grupo Sarney está trabalhando na definição de uma espécie de roteiro informal para a tomada de decisões relacionadas com as eleições de 2018. Os primeiros movimentos efetivos no sentido de definir candidaturas serão feitos tão logo a Câmara Federal decida o futuro do pedido de autorização, feito pelo Supremo Tribunal Federal, para que o presidente Michel Temer (PMDB) seja investigado por obstrução da Justiça e formação de quadrilha, conforme suspeita levantada pela Procuradoria Geral da República. O primeiro passo será uma ampla negociação interna para escolher o candidato à segunda vaga de senador, já que uma delas foi ocupada sem discussão pelo deputado federal Sarney Filho (PV). Os nomes a serem levados em conta são o senador Edison Lobão, o senador João Aberto e o suplente de senador Lobão Filho, todos do PMDB. Em seguida, o Grupo vai começar a organizar as chapas de candidatos a deputado federal e a deputado estadual. E finalmente, por volta de fevereiro ou março, baterá martelo sobre o candidato a governador, sendo quase certa a confirmação da ex-governadora Roseana Sarney (PMDB), mas dependerá também da definição do quadro de candidatos à presidência da República. A definição da candidatura para o Governo do Estado ficará para o final da etapa preparatória porque os líderes do grupo – Roseana Sarney incluída – querem escolher um candidato muito bem afinado com um projeto presidencial em condições de chegar lá.

São Luís, 01 de Outubro de 2017.