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Nota de apoio da bancada mostra o legado de Dino como articulador de alianças políticas

Flávio Dino recebe apoio da esquerda,
centro e direita na bancada maranhense

A nota divulgada ontem pelos integrantes da bancada maranhense no Congresso Nacional – 18 deputados federais e três senadores – em apoio ao senador licenciado e atual ministro da Justiça e Segurança Pública Flávio Dino (PSB), avalizando a indicação dele para o Supremo Tribunal Federal, além de ser uma manifestação política coerente em relação ao contexto da situação em nível nacional, é também a expressão exata da visão política do futuro ministro da mais alta Corte de Justiça do País. Os 21 congressistas maranhenses representam nada menos que os 13 partidos da aliança que Flávio Dino construiu em 2014 e manteve, com vários ajustes, até abril de 2022, quando passou o comando para o governador Carlos Brandão (PSB), que que com habilidade vem mantendo intacta essa base de apoio político e parlamentar.

Nos últimos tempos houve mudanças, fusões e extinções partidárias, mas a aliança montada por Flávio Dino e consolidada por Carlos Brandão se mantém firme e está expressada na bancada maranhense pelos deputados federais: Amanda Gentil (PP), Detinha (PL), Roseana Sarney (MDB), Benjamim (União), Cleber Verde (MDB), Duarte Jr (PSB), Fábio Macedo (Podemos), Josimar de Maranhãozinho (PL), Júnior Lourenço (PL), André Fufuca (PP), Juscelino Filho (União), Márcio Honaiser (PDT), Márcio Jerry (PCdoB), Marreca Filho (Patriota), Pastor Gil (PL), Pedro Lucas Fernandes (União) e Rubens Júnior (PT), e pelos senadores  Weverton Rocha (PDT), Ana Paula Lobato (PSB) e Senadora Eliziane Gama (PSD).

E foram exatamente esses congressistas que assinaram a seguinte nota:

“Os integrantes da bancada federal do Maranhão no Congresso Nacional pelo presente manifestam apoio à indicação do Ministro Flávio Dino para o Supremo Tribunal Federal. Flávio Dino seguramente preenche os requisitos necessários para integrar o STF. Na área jurídica se destacou como advogado, professor universitário, juiz federal por 12 anos, presidente da Associação dos Juízes Federais do Brasil, Secretário Geral do Conselho Nacional de Justiça, Deputado Federal (Comissão de Constituição e Justiça), e agora ministro da Justiça e Segurança Pública. Acresceu a essa vasta atuação como jurista a de gestor público, tendo sido presidente da Embratur e por duas vezes governador do Maranhão. Destaque-se ainda tratar-se de um maranhense, integrante de nossa bancada, que honrosamente ocupou relevantes papéis nos três poderes da República. Seguramente Flávio Dino terá no Supremo Tribunal Federal o papel que lhe cabe de guardião da Constituição e das leis de nosso país, com absoluto compromisso com a democracia.

Brasília, em 11 de dezembro de 2023”.

Como é sabido, a bancada maranhense é uma expressão curiosa do espectro partidário nacional, que vai da esquerda moderada, como o PCdoB, PSB, PT e PDT, passa pelo centro, com MDB, PP, União Brasil, PSD, PRD e Podemos, e chega à direita formada pelo PL, que no Maranhão, sob o comando forte do deputado Josimar de Maranhãozinho, está longe do radicalismo bolsonarista. As três correntes partidárias convivem sem problemas na Assembleia Legislativa, onde seus deputados convivem produtivamente com seus contrários ideológicos e apoiam integralmente o Governo do PSB.

Nos seus dois mandatos de governador, Flávio Dino acomodou esses grupos na base de apoio do seu Governo, inclusive entregando-lhes responsabilidades executivas, como secretarias, por exemplo. Por ter sido o grande adversário do seu projeto de poder, exatamente por representar o sarneysismo, o MDB se manteve inicialmente distante, mas logo a ala jovem do partido começou a questionar o isolamento, desencadeando um processo que acabou levando o partido a se aproximar do senador pelas mãos do governador Carlos Brandão. A presença da deputada federal Roseana Sarney, que foi sua adversária e inicialmente resistiu à inclusão do MDB na aliança, entre os que assinaram a nota representa o grande desfecho do movimento de aproximação.

Se for aprovado hoje pelo Senado – e todas os sinais indicam que o será -, Flávio Dino deixará a seara da política do Maranhão com a marca do grande construtor de alianças, com a capacidade de

unir esquerda, centro e direita em torno de um projeto de poder.

PONTO & CONTRAPONTO

Dois senadores e dois ministros maranhenses atuaram forte nos bastidores por Flávio Dino

Weverton Rocha, Eliziane Gama, André Fufuca
e Juscelino Filho apoiaram Flávio Dino

O senador Weverton Rocha (PDT), a senadora Eliziane Gama (PSD) e os ministros André Fufuca (Esporte) e Juscelino Filho (Comunicações), participaram intensamente da mobilização em favor do ministro Flávio Dino nos bastidores do Senado.

O senador Weverton Rocha, que rompera com o então governador Flávio Dino em 2022 e fez campanha aberta contra sua eleição para o Senado, tendo apoiado o senador bolsonarista Roberto Rocha (PTB), mudou radicalmente, passando a apoiar abertamente o escolhido do presidente Lula da Silva (PT). Ganhou a relatoria da indicação e fez um voto rasgando elogios ao ministro da Justiça, de quem se reaproximou de maneira tão efusiva que chamou a atenção de muitos. Tem realmente trabalhado no apoio a Flávio Dino.

A senadora Eliziane Gama também entrou de cabeça no movimento de apoio ao ministro da Justiça e seu colega senador licenciado. Ela trabalhou intensamente para quebrar a resistência a Flávio Dino em parte da bancada evangélica, e foi uma das articuladoras na tarefa de mobilizar os 15 senadores do PSD em favor do ministro da Justiça. Na segunda-feira, Eliziane Gama reuniu a bancada feminina no Senado em busca de apoio. Na sexta-feira passada, Eliziane Gama foi indicada pelo presidente Lula da Silva vice-líder do Governo no Congresso Nacional, cargo que reforçou sua posição como articuladora na Câmara Alta.

O ministro André Fufuca, que é deputado federal licenciado, mas ocupa espaço de liderança no seu partido, entrou no circuito com o objetivo de incentivar que a bancada do seu partido, o PP, que tem seis senadores, vote fechada a favor de Flávio Dino. Conversas informais indicaram que a bancada do PP teria fechado questão.

Por sua vez, o ministro de Comunicações Juscelino Filho, que é deputado federal licenciado, foi escalado para ajudar na mobilização dos nove senadores do seu partido, o União Brasil, no apoio ao ministro da Justiça. Mesmo com seu poder de fogo reduzido por conta do bombardeio de que vem sendo alvo por conta de supostos malfeitos com dinheiro de emendas parlamentares, o ministro Juscelino Filho atuou nos bastidores em conversas com senadores do seu partido.

Se não foram decisivos – o jogo é bem mais amplo -, os quatro deram um bom suporte ao provável ministro maranhense na Suprema Corte.     

Apenas dois deputados federais não assinaram a nota de apoio ao ministro da Justiça

Josivaldo JP e Alan Garcez não
assinaram a nota pró-Flávio Dino

Apenas dois membros da representação do Maranhão na Câmara Federal não assinaram a nota de apoio à indicação do ministro Flávio Dino: os deputados Josivaldo JP (PSD) e Alan Garcez (PL) – suplente que ocupa a vaga do deputado André Fufuca – ambos integrantes da banda bolsonarista da direita radical.

Com militância na Região Tocantina, Josivaldo JP sempre foi arredio às correntes políticas maranhenses, preferindo correr por conta própria. E foi na onda bolsonarista que se tornou suplente de deputado federal em 2018, ganhando a titularidade em 2020, com a eleição do deputado federal Eduardo Braide para a Prefeitura de São Luís. Em 2022, surfando na mesma onda, se reelegeu. Na Câmara, sua atuação sempre foi declaradamente bolsonarista. Daí não surpreender sua ausência entre os assinantes da nota de apoio a Flávio Dino.

A ausência do suplente de deputado federal, Alan Garcez, no exercício do mandato na vaga de André Fufuca (PP), na relação de apoiadores é natural. Estranho seria se ele, de repente, assinasse a nota. Adversário cruento de Flávio Dino desde 2018, quando fez campanha para Jair Bolsonaro em São Luís atacando, às vezes agressivamente, o então governador candidato à reeleição, passou quatro anos perdido nas malhas do Governo Bolsonaro, tendo sido cogitado para o Ministério da Saúde, mas não recebeu um cargo adequado. Chegou a suplente de deputado federal em 2022 e assumiu a vaga de André Fufuca com discurso de extrema direita. Não faria sentido declarar apoio ministro.

São Luís, 13 de Dezembro de 2023.

Câmara derruba vetos a projetos de lei e mantém “cabo de guerra” com o prefeito Eduardo Braide

Eduardo Braide e Câmara Municipal mantêm esticada a corda do “cabo de guerra”

A derrubada, ontem, de mais seis vetos do prefeito Eduardo Braide (PSD) a projetos de lei aprovados pela Câmara Municipal mostrou que continua esticada a corda do “cabo de guerra” disputado pelo chefe do Executivo da São Luís e larga maioria dos membros do parlamento ludovicense. Esse ambiente ficou evidenciado principalmente no fato de que entre 17 e 19 vereadores votaram para derrubar os vetos, enquanto que entre quatro e sete se posicionaram pela confirmação de decisões do gestor da Capital. E isso significa dizer que o prefeito Eduardo Braide continua sem uma base mínima de apoio no Legislativo municipal, tendo de partir para a negociação voto a voto sempre que precisa aprovar matéria de importância social e econômica e de interesse direto do seu Governo. E tudo num contexto em que tem como adversário declarado ninguém menos que o presidente do parlamento municipal, vereador Paulo Victor (PSDB).

Chama a atenção o fato de não haver qualquer movimento do Palácio de la Ravardière na direção do Palácio Pedro Neiva de Santana indicando interesse do chefe do Poder Executivo municipal em construir uma aliança que lhe garanta um grupo de vereadores com fidelidade à orientação do governante. O líder do Governo na Câmara Municipal, vereador Daniel Oliveira (PL), tem sido dedicado nos seus esforços como articulador, mas parece atuar dentro de certos limites fixados por orientação palaciana. Essa limitação sugere que o prefeito Eduardo Braide não faz maiores concessões, preferindo a negociação política ou o embate direto. Esse foi um dos motivos que levaram, por exemplo, o vereador Raimundo Penha (PDT) a renunciar à liderança do Governo e desfazer de vez a relação que a bancada do PDT mantinha com o Governo municipal.

Tudo isso acontece num ambiente onde a maioria dos vereadores acaba de aprovar a criação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) com o objetivo de investigar denúncias sobre supostas irregularidades em contratos com empresas. Também nesse caso, a posição do prefeito Eduardo Braide surpreendeu, a começar pelo fato de que ele próprio, o líder Daniel Oliveira, e o porta-voz da Prefeitura, Igor Almeida não fizeram qualquer comentário sobre a criação da CPI. Mais intrigante ainda: nenhum deles comentou o que foi dito pelo presidente da Casa, vereador Paulo Victor, durante a sessão. Ele disse que o prefeito “é covarde” e que existe uma “quadrilha” atuando na Prefeitura. E prometeu apresentar as provas do que disse.

O mais surpreendente dessa relação de “faz de conta que não existe” do prefeito Eduardo Braide no que respeita aos seus adversários na Câmara Municipal de São Luís é que esse ambiente se mantém inalterado a menos de dez meses das eleições. Eduardo Braide sabe que terá duas dezenas de vozes contra ele na corrida às urnas, mas parece saber também que dispõe de munição para rebater a pancadaria.

Em Tempo: Os vereadores derrubaram os vetos aos seguintes projetos de lei: PL n° 0010/2022, de Andrey Monteiro (Republicanos), destinando 5% do total de moradias de programas habitacionais da Prefeitura de São Luís a mulheres vítimas de violência doméstica; PL n° 0090/2023, de Concita Pinto (PC do B), propondo a instalação de portas eletrônicas giratórias para acesso às salas de aula das escolas municiais e privadas, como medida contra a violência; PL n° 0227/2022, de autoria de Rosana da Saúde (Republicanos), para publicar valores destinados a cada escola, número de alunos,  assiduidade dos professores, com número de aulas ministradas; PL n° 0106/2022, de Antônio Garcez (Agir) tornando pública a arrecadação do IPTU por áreas de São Luís; PL n° 0048/2023, de Rosana da Saúde (Republicanos), que autorizaria pais e responsáveis a visitarem as escolas antes de matricularem seus filhos; e o PL n° 0165/2022, de Octávio Soeiro (Podemos), que institui o Projeto Cultural “Ponto de Cultura Fixo: Brilha Maranhão”.

PONTO & CONTRAPONTO

Eliziane é vice-líder no Congresso Nacional; Roseana já foi líder: circunstâncias diferentes

Eliziane Gama vice-líder; Roseana Sarney
foi líder: circunstâncias diferentes

Ao assumir a vice-liderança ao Governo no Congresso Nacional, convidada pelo líder Randolfe Rodrigues (AP), por indicação do presidente Lula da Silva (PT), a senadora Eliziane Gama (PSD) entra para a crônica política como a segunda senadora maranhense a participar dessa colegiado de importância decisiva para a melhor convivência possível do Executivo federal com as duas Casas do Congresso Nacional.

Por um capricho da História, a então senadora Roseana Sarney (MDB), primeira mulher maranhense ao chegar à Câmara Alta, assumiu a liderança do Governo no Congresso Nacional a convite do mesmo presidente Lula da Silva, então iniciando o segundo mandato, depois de uma reeleição retumbante.

Mesmo levando em conta a diferença de um degrau entre liderança e vice-liderança, as circunstâncias da chagada de cada uma delas ao respectivo posto são bem diferentes.

Eliziane Gama chega à vice-liderança do Governo no Congresso Nacional na esteira de uma atuação impecável no Senado, onde chegou em 2019 depois de uma atuação igualmente impecável na Câmara Federal. A sua atuação política durante a campanha de Lula da Silva em 2022 foi importante para quebrar a resistência de segmentos da comunidade evangélica que não se deixaram seduzir pela pregação de extrema-direita. Depois, ao mesmo tempo em que mergulhou nas atividades legislativas, ganhou estatura como parlamentar ao articular a Bancada Feminina e participar ativamente da CPI da Covid, para em seguida ganhar projeção nacional como a implacável e equilibrada relatora da CPMI que investigou os ataques golpistas de 8 de janeiro. Sua indicação fortalece mais ainda a sua posição na base de apoio do Governo Lula e reforça o seu projeto de reeleição em 2026.

Eleita senadora em 2002, na poeira do Caso Lunus, um escândalo devastador que a tirou da corrida presidencial, na qual estava bem posicionada, a então senadora Roseana Sarney (MDB) foi convidada pelo então presidente Lula da Silva (PT) para ser líder do seu Governo no Congresso Nacional. O convite ocorreu em 2007, na poeira, não de outro escândalo, mas de um retumbante fracasso eleitoral: a sua derrota para Jackson Lago (PDT) na disputa para o Governo do Maranhão. Fragilizada com a derrota – a primeira da sua carreira marcada por vitórias robustas, Roseana Sarney assumiu a liderança do Governo no Congresso orientada pelos conselhos do então senador José Sarney, mas inicialmente enfrentando a má vontade de alguns palacianos, a começar pela então todo-poderosa chefe da Casa Civil Dilma Rousseff, que quatro anos depois seria eleita sucessora de Lula da Silva, e numa dobradinha em que, de volta ao Governo em 2009, se reelegeu em 2010 em primeiro turno.

As duas têm méritos indiscutíveis, com a diferença de que Eliziane Gama construiu sozinha a sua rica e respeitável história política, enquanto Roseana Sarney só precisou decidir o que queria ser

Queiram ou não seus adversários, Flávio Dino chegará ao Supremo com estatura intacta

Flávio Dino: vai dar a lógica

A um dia da sabatina por meio da qual a Comissão de Constituição e Justiça do Senado da República confirmará ou não a indicação do senador licenciado e atual ministro da Justiça e Segurança Pública Flávio Dino, feita pelo presidente Lula da Silva (PT) para o Supremo Tribunal Federal, especuladores da chamada Grande Imprensa mergulharam num frenesi incontido. Na falta de fatos robustos, eles buscam indícios e sussurros que possam converter em dificuldades para o ministro, enquanto o nhenhenhém dos próprios adversários declarados do ministro da Justiça vem diminuindo.

O Brasil está cansado de saber que a base governista tem maioria na CCJ, e não importa o grau de tensão em que se dê a sabatina, Flávio Dino sairá de lá aprovado. E mais: a sabatina mostrará, com toda clareza, que os votos contrários serão de natureza puramente política, já que não há como atacar técnica e eticamente o ex-juiz federal, ex-secretário geral do Conselho Nacional de Justiça, ex-presidente da Ajufe, ex-presidente da Embratur, ex-deputado federal, ex-governador eleito e reeleito, senador licenciado e atual ministro da Justiça. Logo, por mais que alguns queiram melar a indicação, a expectativa é a de que Flávio Dino saia da sabatina como entrou: intacto.  

Em relação às especulações quanto à votação da indicação no plenário da Câmara Alta, o Brasil inteiro já sabe há semanas que Flávio Dino não contará com pelo menos 20 senadores de oposição, a maioria da extrema-direita, que vem se manifestando em declarações isoladas e em atos com discurso golpista, como o realizado domingo em São Paulo. E ninguém minimamente informado tem dúvida de que o senador maranhense já tem garantidos os 41 votos necessários para a aprovação. Todas as contas feitas até aqui têm indicado que ele pode chegar aos 50 votos, o que, se confirmado, será um resultado excepcional para a indicação mais politizada de toda a História do Supremo. E é exatamente por isso que, seja com 41 votos, seja com 50 votos ou seja com 60 votos, Flávio Dino desembarcará na mais alta Corte de Justiça do país com a mesma estatura de homem público íntegro.

Não é torcida. São os fatos vistos como eles são.

São Luís, 12 de Dezembro de 2023.

Dino em contagem regressiva para o desafio de consolidar prestígio, vencer opositores e chegar ao Supremo

Flávio Dino em diferentes momentos de
uma entrevista em 2022

O ministro da Justiça e Segurança Pública Flávio Dino começa a semana em clima de contagem regressiva para a sabatina e a votação por meio das quais o Senado da República, do qual é membro licenciado (PSB), definirá o seu futuro, aprovando ou não a sua indicação, feita pelo presidente Lula da Silva (PT), para o Supremo Tribunal Federal. Até aqui, todas as projeções apontam que, apesar da forte e intensa pressão que vem sendo feita pela bancada da direita conservadora contra sua indicação, ele terá maioria de votos na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), onde será sabatinado; as mesmas projeções também sugerem que ele terá no plenário mais do que os 41 votos necessários para se tornar membro da mais alta Corte de Justiça do País. Se for aprovado, Flávio Dino terá de renunciar ao seu mandato senatorial e deixar o comando do Ministério da Justiça. Se não, o mais provável é que ele deixe o Ministério da Justiça e reassuma sua cadeira de senador pelo Maranhão.

Indicado pelo presidente Lula há duas semanas, Flávio Dino iniciou uma verdadeira maratona de contatos em busca de votos, enfrentando a repercussão da declaração de senadores adversários de que a oposição teria 35 dos 81 votos fechados contra sua indicação. E mais do que isso: os senadores oposicionistas, em especial os da extrema-direita conservadora, estariam preparando ciladas para tentar fragiliza-lo na sabatina e forçar a barra para tirar-lhe votos no plenário. Flávio Dino encontrou tempo para visitar senadores em busca de votos, tendo conversado com 51 deles até sexta-feira, afirmando não ter havido um só caso em que o colega visitado tenha lhe dito que não lhe dará o voto.

Após viver vários dias encarando diariamente um turbilhão de notícias desencontradas, o ministro da Justiça encerrou a semana num ambiente bem mais leve, certo de que será aprovado com margem razoável ou até expressiva de votos. Seus adversários, em especial os senadores mais ligados ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) continuam pressionando a bancada oposicionista a se posicionar contra a indicação. A pressão já foi mais forte, nas últimas 48 horas, as vozes mais ativas amenizaram o tom, tendo alguns senadores da direita radical admitido que não há como evitar a aprovação do ministro da Justiça para o Supremo, inclusive pelo fato de ele ser um senador da República. Permanece, no entanto, a expectativa de que a sabatina será tensa.

Um dos políticos mais preparados e combativos da sua geração e da atualidade, Flávio Dino é o púnico que tem no currículo a experiência de atuação nos três Poderes – foi juiz federal por 12 anos, professor de Direito Constitucional, secretário geral do Conselho Nacional de Justiça, deputado federal por um mandato, presidente da Embratur, governador do Maranhão por dois mandatos, senador da República licenciado e ministro da Justiça e Segurança Pública. Essa bagagem, o seu notório saber jurídico e a sua atuação reta como homem de Estado, mostrada na reação à tentativa de golpe materializada no dia 8 de Janeiro, o credenciaram para a escolha do presidente Lula da Silva.

Flávio Dino tem plena consciência de que as tentativas de entravar a sua caminhada são de natureza puramente política, já que não há como questionar a sua competência técnica, nem a sua experiência executiva, nem a sua retidão ética. Os adversários ideológicos veem nele uma pedra na botina do neofascismo à brasileira, caso da tropa de choque da direita radical agrupada em torno do ex-presidente Jair Bolsonaro, e alguns aliados o querem longe do poder, temendo que ele cresça no cenário político, caso de alguns grupos do próprio PT, que não o querem credenciado para futuras disputas.

A aprovação da sua indicação pelo Senado tirará de cena e aposentará o preparado, experiente e combativo militante político, que voltará a ser o magistrado profissional que foi durante 12 anos. A não aprovação mandará para o Senado da República o político preparado, experiente e combativo militante, que certamente saberá ajustar a sua bússola para medir o enorme horizonte que terá à sua frente.

PONTO & CONTRAPONTO

Duarte Jr. mostra amadurecimento ao anunciar que irá atrás dos votos da esquerda e da direita

Duarte Jr. mostra a razão se
impondo sobre a emoção

O deputado federal Duarte Jr. (PSB) vem dando seguidas demonstrações de que saiu do patamar do jovem político imprevisível para o militante com fortes traços de amadurecimento.

Sua declaração afirmando que não está interessado em saber se o eleitor é de esquerda ou de direita, e que o que interessa é o compromisso com São Luís, mostrou um pré-candidato a prefeito movido pela razão e não pela emoção pura e simples.

Essa nova postura é o resultado de uma vivência política intensa no dia a dia do Congresso Nacional e nos bastidores do Poder em Brasília, onde as posições ideológicas existem, mas são mais utilizadas para exibição para o grande público do que nas mesas de negociação.

Quando diz que vai atrás dos votos da esquerda e da direita em São Luís, justificando a iniciativa com o argumento de que o que está em jogo é a cidade e os problemas enfrentados pela maioria dos mais de 1 milhão de habitantes que ela abriga, ele está mandando um recado de que está mesmo determinado a chegar ao Palácio de la Ravardière.

O movimento do pré-candidato do PSB rascunha as linhas de uma campanha dura.

Pesquisa refez cenário e colocou a disputa em Imperatriz na estaca zero

Josivaldo JP, Rildo Amaral e Marco
Aurélio: no jogo em Imperatriz

A pesquisa DataIlha sobre a corrida para a Prefeitura de Imperatriz produziu três efeitos visíveis.

O primeiro: ao aparecer na liderança apertada, o deputado federal Josivaldo JP (PSD), que vinha jogando no clima do “vai que cola”, passou a acreditar que tem chances reais de vencer a eleição se o quadro de candidatos permanecer o mesmo. Ao mesmo tempo, foi alertado de que será alvo de bombardeio pesado de agora em diante.

O segundo: o deputado Rildo Amaral (PP), que liderava com folga viu sua base fraquejar e descobriu que sua eleição, se vier a acontecer, será fruto de um processo político bem articulado. Se vacilar, corre o risco de ficar para trás.

O terceiro: o ex-deputado estadual Marco Aurélio (PSB), que deixou seu nome no ar como quem não quer nada, viu seu nome ganhar volume e chegar no pelotão da frente.

Conclusão óbvia: ao contrário do que se imaginava há algumas semanas, a disputa pela Prefeitura da segunda e mais importante cidade do Maranhão está praticamente zerado, com os três em condições de chegar lá.

São Luís, 10 de Dezembro de 2023.

Marcus Brandão mostra que não é “cristão novo” em política e aposta no crescimento do MDB

Marcus Brandão na entrevista à TV Mirante

Uma combinação de otimismo com entusiasmo. É assim que vem se movimentando o novo presidente do MDB no Maranhão, o advogado e empresário Marcus Brandão, irmão do governador Carlos Brandão (PSB), que assumiu formalmente o comando do partido em convenção-gigante realizada na semana passada, avisando na sua fala que vai turbinar o crescimento da legenda já a partir das eleições municipais de 2024. Ele expressou esse estado de ânimo em entrevista concedida, quinta-feira, à TV Mirante, ao longo da qual deixou claro que vai fazer o que estiver ao seu alcance para devolver ao MDB o poder de fogo de outros tempos, quando o partido foi hegemônico no Maranhão. “Uma coisa é certa: o partido vai crescer muito, é uma meta minha aumentar este partido”, declarou o novo chefe emedebista, com a ênfase de quem sabe o que diz.

Ao contrário do que pensam alguns, Marcus Brandão não é cristão novo na seara político-partidária. Com o know-how de quem coordenou nada menos que 16 campanhas eleitorais nas últimas três décadas, incluindo a que resultou na reeleição do governador Carlos Brandão para o Governo do Estado, ele exibiu a convicção de que conseguirá recolocar o MDB entre os maiores partidos do Maranhão. Um desafio e tanto, quando é lembrada a trajetória de altos e baixos da agremiação no tabuleiro político maranhense, principalmente a partir da filiação de José Sarney, em 1984, para em seguida se tornar presidente da República. A grande guinada no MDB maranhense se deu no início dos anos 90, quando o seu principal líder, o deputado federal Cid Carvalho, atropelado pela CPI dos Anões do Orçamento, passou o comando ao então ao ex-governador João Alberto, no início dos anos 90.

De lá para cá o MDB se tornou o maior partido do Maranhão até 2914, quando findou o último Governo de Roseana Sarney, e junto com ele a Era Sarneysista na política estadual. Durante os Governos Flávio Dino, o MDB perdeu a hegemonia, primeiro para o PCdoB, e agora para o PSB, não tendo senador e representado apenas por um deputado federal – Roseana Sarney apenas dois deputados estaduais – Roberto Costa e Arruda, alguns prefeitos e uma penca modesta de vereadores espalhados Maranhão a fora. Mas conservou uma megaestrutura, com diretórios espalhados em praticamente todos os municípios e uma ala jovem aguerrida, liderada pelo deputado Roberto Costa. Isso significa dizer que, ao mesmo tempo em que recebeu da deputada federal Roseana Sarney um MDB politicamente enfraquecido, Marcus Brandão assumiu o controle de uma máquina organizada e pronta para decolar.

Sob o novo comando, o MDB se alinhou inteiramente à grande aliança partidária (13 partidos) alinhavada e mantida sem maiores problemas pelo governador Carlos Brandão. Nesse ambiente estável, a expectativa dominante é a de que parte das forças que estão espalhadas por vários partidos, a começar pelo PSB, deve migrar para os quadros emedebistas. Será, provavelmente, o caso da deputada Iracema Vale (PSB), presidente da Assembleia Legislativa migre para o MDB, o que deverá acontecer na janela partidária a ser aberta em março de 2026. No discurso que fez na convenção, Iracema Vale, ao ser provocada pela massa presente sobre migração, respondeu que vai esperar a abertura da janela de 2026. Sobre isso, Marcus Brandão sugeriu que esse assunto só será tratado depois das eleições municipais.

Na quinta-feira, Marcus Brandão dedicou parte da sua manhã a à concessão de entrevistas aos veículos do Sistema Mirante, respondeu a todas as questões, numa desenvoltura surpreendente para o seu comportamento reservado, de político que sempre atuou mais nos bastidores. Ali, reafirmou o apoio do MDB ao governador Carlos Brandão, elogiou o desempenho do chefe do Executivo maranhense em meio à crise financeira que atingiu fortemente o estado, e agradeceu o apoio que o Governo do presidente Lula da Silva (PT) vem dando ao Governo estadual.

Desde que Marcus Brandão assumiu o comando, o MDB se tornou o partido mais procurado por políticos de peso variado em busca de filiação. Um começo indicador de que o partido pode voltar a ser a potência partidária de antes.

PONTO & CONTRAPONTO

MDB vai definir em janeiro posição sobre eleição em São Luís

Cléber Verde defende apoio do MDB ao
projeto de reeleição de Eduardo Braide

Na entrevista à TV Mirante, Marcus Brandão revelou que vai convocar, em janeiro, o presidente do MDB na Capital, deputado federal Cléber Verde, para uma grande reunião para definir a posição do partido na disputa pela Prefeitura de São Luís.

Ele não soltou nenhuma pista sobre qual será a posição do partido na corrida ao Palácio de la Ravardière. No entanto, a julgar pelas conversas que circulam dentro do próprio partido, duas situações já estariam definidas

A primeira: o MDB não deve lançar candidato próprio à Prefeitura de São Luís. A segunda: é cada vez menor a possibilidade de o partido vir a apoiar o projeto de reeleição do prefeito Eduardo Braide, como defende o chefe ludovicense do partido Cléber Verde.

Todas essas situações serão avaliadas, como a também uma aliança com o União Brasil em torno da eventual candidatura do deputado Neto Evangelista (UB). Ou, finalmente, uma aliança com o PSB em torno da candidatura do deputado federal Duarte Jr. (PSB).

O jogo está zerado e nada está descartado.  

CPI para investigar contratos de Prefeitura de São Luís pode ser instalada só em janeiro

Paulo Victor vai decidir sobre instalação de CPI

Por conta do calendário legislativo deste ano, que deve ser encerrado antes do Natal, a CPI criada pela Câmara Municipal para investigar denúncias de supostas irregularidades na Prefeitura de São Luís dificilmente será instalada ainda em 2023. Segundo um experiente vereador ouvido pela Coluna, a turbulência recente causada pela denúncia de achaque feita pelo presidente Paulo Victor (PSDB) contra o promotor de Justiça Zanony Filho pode causar o adiamento da instalação para fevereiro de 2024.

Vale lembrar que a CPI foi proposta pelo vereador Beto Castro (PMN) e tem como objeto central a investigação de contratos os quais estariam contaminados por irregularidades. Quando a CPI foi aprovada, há três semanas, o presidente Paulo Victor fez um duro discurso contra a gestão do prefeito Eduardo Braide (PSD), na qual, segundo afirmou, haveria problemas de irregularidades em contratos.

A CPI só será instalada depois que as bancadas indicarem seus representantes para integrá-la.

São Luís, 09 de Dezembro de 2023.

DataIlha aponta empate técnico entre Josivaldo JP e Rildo Amaral na disputa em Imperatriz

Josivaldo JP na frente de Rildo Amaral,
Marco Aurélio e Mariana Carvalho em Imperatriz

Se os números da pesquisa DataIlha, divulgados ontem, sobre a corrida para a Prefeitura de Imperatriz estiverem corretos – e não há motivos para não estarem -, revelando empate técnico entre o deputado federal Josivaldo JP (PSD), que aparece com 22,7% de intenções de voto, e o deputado estadual Rildo Amaral (PP) com 20,9%, com o ex-deputado Marco Aurélio (PSB) com 17,7% e  Mariana Carvalho (Republicanos) com 9,0%, a Princesa do Tocantins, o segundo maior e mais importante município do Maranhão, tende a alimentar uma surpreendente inclinação para tomar decisões fora da curva. E é exatamente por conta dessa tendência que a disputa na “segunda capital” vem sendo acompanhada com atenção pelo “núcleo de ferro” do Governo, onde atua chefe da Casa Civil, Sebastião Madeira, ex-prefeito e conhecedor profundo dos caprichos do eleitor tocantino.

Até pouco tempo, Rildo Amaral surfava na liderança, com Marco Aurélio bem atrás, segundo pesquisas anteriores. A situação mudou, com Josivaldo JP deixando Marco Aurélio cinco pontos atrás, e colocando um 1,8% à frente de Rildo Amaral. Se levada em conta a margem de erro de 3,7%, os dois líderes estão empatados, mas com o detalhe de que o terceiro colocado não está fora da briga, o que indica uma situação de absoluta indefinição a 10 meses da eleição.

Imperatriz vive uma situação ímpar. À frente de um desastre administrativo de sete anos e com 78% de reprovação (segundo o DataIlha), o prefeito Assis Ramos (UB) não deve se envolver na eleição, já que a avaliação da sua gestão não o autoriza a lançar um candidato à sua sucessão, obrigando-o a deixar o caminho livre para quem interessar possa. Nesse ambiente, Rildo Amaral bateu o martelo da sua candidatura logo que as urnas de 2022 confirmaram a sua reeleição para a Assembleia Legislativa. O mesmo aconteceu com Josivaldo JP, quando teve confirmada a sua reeleição, na qual poucos acreditavam. Marco Aurélio saiu das urnas derrotado, mas decidiu pagar para ver e rompeu uma aliança que firmara com Rildo Amaral, que o apoiara em 2020.

Até alguns dias atrás, a liderança de Rildo Amaral era ampla, calcada na sua condição de professor, detentor de vários mandatos de vereador e com bom desempenho na Assembleia Legislativa, com discurso muito focado nos problemas de Imperatriz, causando impressão de que sua caminhada para a vitória parecia irreversível. Só que – e a Coluna registrou – Josivaldo JP, um jovem e inquieto comerciante de feira que se lançou para deputado federal em 2018, pelo antigo PMN, saiu do pleito na primeira suplência e foi beneficiado pela avassaladora votação do candidato Eduardo Braide, de quem ganhou o mandato no final de 2020, quando o colega de partido foi eleito prefeito de São Luís.

Nos dois anos que ganhou na Câmara Federal, Josivaldo JP apreendeu o caminho das pedras e encontrou o filão do Orçamento Secreto, usando o resultado da mineração para renovar seu mandato, deixando para trás ninguém menos que o então deputado federal Edilázio Jr., o todo poderoso chefe do seu partido (PSD) no Maranhão. Há cerca de dois meses, a Coluna anotou que Josivaldo JP estava ganhando a forma de uma perigosa ameaça para Rildo Amaral, ganhando volume e agora lidera, ainda que precariamente, a corrida ao comando da antiga Vila do Frei.

Ainda é muito cedo para se cantar pedra num tabuleiro tão movimentado como está o de Imperatriz, com Marco Aurélio e Mariana Carvalho bem posicionados, de acordo com o que foi revelado pelos números levantados pelo DataIlha. É com base nessa tendência que as forças de comando entrarão em campo, no mais tardar depois do Reinado de Momo.

Em Tempo: A pesquisa DataIlha ouviu 700 eleitores entre os dias 30/11 e 02/12, tem margem de erro 3,7% para mais ou para menos, e intervalo de confiança é 95%.

PONTO & CONTRAPONTO

Brandão avisa que pode ficar neutro na corrida às Prefeituras

Carlos Brandão: neutralidade

“Existe a possibilidade de que eu não participe da eleição. Na maioria dos municípios eu tenho grupos políticos ao meu lado. Então, será que vale a pena? Dos 42 deputados estaduais, 42 me apoiam. Então, para que eu vou entrar numa briga dessas? Prefiro fazer parcerias com aqueles que ganharem”.

Com a frase, dita no contexto de uma entrevista ao jornal O Globo, o governador Carlos Brandão (PSB) sinalizou com clareza o caminho que deve seguir na corrida às prefeituras no ano que vem: a neutralidade onde for possível.

Imperatriz é um exemplo: dificilmente o governador apoiará a candidatura de Josivaldo JP, que não tem alinhamento com o Governo, mas também não é visto como um inimigo. E não tem como não adotar a neutralidade se Rildo Amaral, seu aliado e apoiador na Assembleia Legislativa, e Marco Aurélio, que está sem mandato, mas é aliado de proa e pertence ao seu partido, o PSB, não chegarem a um acordo e mantiverem suas candidaturas.

Nos seus cálculos, a esmagadora maioria dos 217 municípios será palco de disputa entre dois aliados. O seu envolvimento numa dessas refregas eleitorais certamente lhe dará um aliado vitorioso, gerando, na contrapartida, o que pode vir a ser um ex-aliado inconformado.

A neutralidade lhe dará a condição de trabalhar com os vencedores sem romper laços com quem perder.

MP reage com parcialidade e corporativismo à denúncia de Paulo Victor contra Zanony Filho

Paulo Victor e Zanony Filho:
ataque e proteção

 Alguns observadores avaliaram que a nota do Ministério Público sobre a denúncia do presidente da Câmara Municipal de São Luís, vereador Paulo Victor (PSDB) contra o promotor Zanony Filho foi parcial e corporativa.

Sem a assinatura do procurador geral de Justiça nem do corregedor geral do Ministério Público, “assinada” pelo Ministério Público como instituição, o que é questionável do ponto de vista da transparência, a nota centra fogo no presidente da Câmara Municipal de São Luís, citado três vezes com nome e sobrenome e outras quatro vezes identificado pelo cargo que exerce. Já em relação ao membro do Ministério Público acusado pelo presidente da Câmara, a nota não o identifica pelo nome. Nas sete vezes em que é citado, é tratado ora como Promotor de Justiça, ora como promotor simplesmente e ora como membro do Ministério Público. Ou seja, na nota ele é só um cargo, sem identidade.

Ao longo da nota, o Ministério Público – e isso quer dizer todos os promotores de Justiça e todos os procuradores de Justiça – interpreta as declarações do vereador-presidente Paulo Victor contra o promotor Zanony Filho quase como a confissão de um crime, mas, curiosamente, não o aponta o promotor como o causador e beneficiário do suposto desvio. Causa perplexidade em qualquer leitor o claro propósito da nota de criminalizar as declarações do presidente da Câmara e quase vitimar o promotor de Justiça acusado.

Não há nenhuma dúvida de que no seu discurso o vereador-presidente Paulo Victor denunciou admitindo que cedeu a uma chantagem do promotor Zanony Filho, que em seguida, diante de mais exigências, reagiu e rompeu o “acordo”, e que obteve a informação de que está sendo investigado pelo Gaeco, furando a carapaça do segredo de Justiça, consciente de que isso pesa sobre o exercício da presidência da Câmara. Mas também parece não haver dúvida de que, a julgar pelo que disse o vereador-presidente, o promotor acusado está de corpo inteiro com chantagista no episódio.

Sem esquecer a importância superior da instituição ministerial, o trabalho intenso e incansável das Promotorias em defesa da lei e em especial a atuação do Gaeco na luta contra o crime organizado, não há como não enxergar que o Ministério Público navegou na parcialidade e no corporativismo na nota sobre a denúncia do presidente da Câmara Municipal de São Luís contra o promotor Zanony Filho.

São Luís, 08 de Dezembro de 2023.

Ainda senador, Dino se despede da seara política e Brandão consolida seu comando no estado

Flávio Dino, Carlos Brandão e Felipe Camarão no
gabinete que foi do primeiro, agora é do segundo
e deverá ser do terceiro em abril de 2026;
Felipe Camarão, Carlos Brandão, Duarte Jr.
e Flávio Dino: indicativo para 2024

O senador licenciado e ainda ministro da Justiça e Segurança Pública e virtual ministro do Supremo Tribunal Federal Flávio Dino (PSB) desembarcou ontem em São Luís, para dois compromissos formais, um, ontem mesmo, como ministro, e outro, hoje, como detentor de notório saber jurídico. No primeiro, como ministro da Justiça, participou de ato no Palácio dos Leões, ao lado do governador Carlos Brandão (PSB), a quem entregou 46 motocicletas, 14 camionetas, 12 automóveis e duas viaturas, para a Polícia Militar, no valor de R$ 8,4 milhões. O outro compromisso será cumprido hoje, como conferencista convidado, na abertura de um encontro realizado pelo Ministério Público do Estado. A apertada e agitada agenda que cumprirá até o dia 13, quando será sabatinado e submetido a votação no Senado, dificilmente permitirá que ele retorne ao Maranhão ainda como titular do Ministério da Justiça e como senador.

Compromissos à parte, a impressão causada em alguns observadores foi a de que Flávio Dino, independentemente das pressões feitas pela direita bolsonarista, que perdeu o sono com a sua indicação, será aprovado pelo Senado e assumirá cadeira no Supremo Tribunal Federal, o que exigirá que ele renuncie ao seu mandato de senador e aposente em definitivo o aguerrido militante político que o colocou no mais alto patamar da política brasileira. As imagens registradas ontem no Palácio dos Leões indicam com clareza um clina de despedida do ministro da Justiça e Segurança Pública e do senador da República, que dificilmente serão registradas como distante e circunspecto integrante da Suprema Corte do País.

O que está desenhado no Maranhão é óbvio. No momento em que o presidente Lula da Silva (PT) o indicou para a cadeira vaga com a aposentadoria da ministra Rosa Weber, Flávio Dino começou a vestir a toga e a mudar o discurso, ao mesmo tempo cuidando da aposentadoria do político. Exatamente naquele momento, o governador Carlos Brandão chamou para si o comando político da grande aliança partidária criada em 2014 e mantida até aqui com base num bem-sucedido projeto de Governo e de poder que já dura nove anos e tem todas as condições para seguir em frente.  Até agora, a despeito de todas as diferenças de visões e de pontos de vista, Flávio Dino e Carlos Brandão demonstraram uma surpreendente afinidade, que tem por base um item decisivo para a estabilidade das relações políticas: a lealdade.

Talvez o segredo do sucesso dessa relação esteja no fato de que, ao longo dos dois Governos Flávio, o vice-governador Carlos Brandão tenha cumprido à risca o seu papel, compreendendo que o Governo tinha um titular, e Flávio Dino tenha assumido integralmente a condição de ex-governador no momento em que passou o bastão para Carlos Brandão, compreendendo que o Governo tinha um titular. Nenhum tentou avançar no espaço do outro. Houve muitas especulações a respeito de rusgas, ranhuras e até risco de rompimento. Nada, porém, aconteceu até ontem, quando os dois se reuniram para o último ato institucional antes que o ministro da Justiça e o senador saiam de cena. A aliança foi mantida integralmente.

O destino político do Maranhão está nas mãos do governador Carlos Brandão, que deve intensificar os ajustes que já iniciou no tabuleiro, como o fortalecimento do MDB, hoje comandado por seu irmão, Marcus Brandão, e a ressurreição do PSDB, comandada pelo secretário-chefe da Casa Civil Sebastião Madeira. E tem mostrado inteligência política ao manter viva e, se possível, forte, sua relação com aliados da esquerda, como PT, PCdoB, PV, e de alimentar a boa e produtiva convivência com aliados do porte do PP (ministro André Fufuca), União Brasil (ministro Juscelino Filho), e por aí vai. O governador prepara terreno para o grande embate de 2026, quando passará o bastão para o vice Felipe Camarão (PT), quando deverá seguir para o Senado, abrindo caminho para que o quadro político do Maranhão avance com a mesma feição conservando a mesma aliança.

O caminho está desenhado e as linha serão confirmadas no momento em que o Senado disser sim ao novo ministro do Supremo.

PONTO & CONTRAPONTO

Neto Evangelista mantém firme projeto de candidatura a prefeito de SL

Neto Evangelista: confiante
de que será candidato

O deputado estadual Neto Evangelista (União Brasil) mantém firme o seu projeto de se candidatar à Prefeitura de São Luís. Ele revela que colocou seu nome à disposição do governador Carlos Brandão (PSB) e admite a possibilidade de uma aliança com o MDB, podendo se tornar uma espécie de segunda via na base governista para enfrentar o prefeito Eduardo Braide (PSD), que se mantém como franco favorito, segundo todas as pesquisas feitas até aqui sobre a disputa na Capital.

Político experiente, apesar da pouca idade, Neto Evangelista diz que não tem pressa, mas deve começar em pouco tempo uma agenda de conversas para balizar seu projeto de chegar ao Palácio de la Ravardière, um projeto que alimenta desde que entrou na política como herdeiro do seu pai, o deputado.

Prudente, o parlamentar não quer precipitar qualquer movimento. Mas deixa claro que vai trabalhar duro, mas sem açodamento, para consolidar o projeto de candidatura. Parece acreditar piamente que tem potencial para uma boa performance nas urnas ludovicenses.

Câmara abre processo que pode cassar Domingos Paz

Domingos Paz: alvo de pedido de cassação

Nem bem assentou a poeira do bombástico discurso do presidente Paulo Victor (PSDB) na segunda-feira, quando denunciou que foi chantageado pelo promotor Zanony Filho, a Mesa Diretora da Câmara Municipal de São Luís (CMSL) comunicou, ontem, o recebimento de Representação contra o vereador Domingos Paz (Podemos) por quebra de decoro parlamentar.

A Representação registra que o vereador Domingos Paz é acusado de um suposto abuso cometido contra menor de idade, conforme denúncia formulada pela vereadora Silvana Noely (Mais Brasil), presidente da Comissão de Direitos Humanos do parlamento municipal.

No documento, a vereadora Silvana Noely pede a abertura de processo disciplinar contra o vereador Domingos Paz e sugere à Comissão de Ética da Câmara a pena de perda do mandato do parlamentar. Domingos Paz terá direito a ampla defesa, mas tudo indica que o destino dele está selado.

O relator do pedido de cassação será o vereador Aldir Júnior (PL)

Em Tempo: Na Coluna de ontem (05/12) foram observadas várias imprecisões no texto, que já foram resolvidas. O editor pede desculpas aos leitores.

São Luís, 06 de Dezembro de 2023.

Paulo Victor denuncia promotor, diz ser vítima de achaques e afirma que Câmara não tem bandido

Paulo Victor acusa Zanony Filho de achacá-lo

A Câmara Municipal de São Luís entrou ontem num processo de forte expectativa cujos desdobramentos são imprevisíveis. Numa atitude de coragem provavelmente inédito naquela Casa, que tem trajetória marcada por muitos momentos de agitação, o seu atual presidente, vareador Paulo Victor (PSDB), protagonizou um fato que abalou os alicerces do Palácio Pedro Neiva de Santana, atingiu duramente o Ministério Público do Estado (MPE) e pode gerar consequências devastadoras na Justiça. O chefe do parlamento municipal denunciou que um promotor de Justiça, Zenon Passos Filho, o achacou usando chantagem em troca da sua “ajuda” em investigações de supostos desvios praticado por vereadores, que correm contra ele e outros quatro parlamentares no âmbito do Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado – Gaeco, do MPE. O discurso do presidente estremeceu os alicerces e colocou a Câmara Municipal em estado de suspense quanto ao desdobramento do que foi dito na tribuna.

Na sua fala, o presidente Paulo Victor relatou, em tom de denúncia, que foi vítima chantagem e achaques por parte do vereador Zanony Filho, que teria exigido a contratação de parentes na Câmara, com salários de R$ 10 mil, em troca da sua atuação para reverter investigação. O presidente da Câmara e outros quatro vereadores estavam sendo investigados pelo Gaeco, na iminência de serem alvos de pedido de prisão, busca e apreensão, perda de mandato e outras medidas de investigação, com o objetivo de comprovar desvios com emendas parlamentares que chagariam a R$ 5 milhões.

Pressionado pelas ameaças, conforme seu relato, o presidente da Câmara ludovicense revelou que cedeu aos pedidos do promotor concedendo dois empregos, mas que as pessoas não foram trabalhar e posteriormente foram demitidas. O promotor, segundo o vereador-presidente, teria insistido e apresentado novos nomes, mas, garante o presidente, mas não foi atendido. E enfatizou que, diante da tal chantagem, decidiu denunciar, depois de ter batido às portas de Justiça pedindo acesso às investigações, o que lhe foi negado. E para confirmar suas palavras, o vereador Paulo Victor tornou públicas trocas de mensagens nas quais o promotor Zanony Filho faz ameaças, inclusive fazendo insinuação com foto da família der Paulo Victor.

– Muito corta meu coração e me desonra subir à tribuna com essa declaração, mas, se assim não fizer, estarei participando, de forma ativa, de um erro e cometendo um crime. Espero em Deus e na justiça do Maranhão, que se corrija esse erro. Se existe erro nesta Casa legislativa, que se corrija na justiça, apurando, investigando, não com outro erro. Estou tendo um ato de desespero. É hora de mostrar que essa Câmara não é formada só de bandidos e bandidas – discursou o presidente do parlamento ludovicense, diante de um plenário visivelmente silencioso e atento.

As declarações do presidente da Câmara Municipal de São Luís são o desdobramento da operação “Véu de Maquiavel”, realizada em agosto, destinada à apuração de supostos desvios de recursos de emendas parlamentares destinados a entidades comunitárias. Foi divulgado intensamente que havia quatro vereadores suspeitos, mas que entre eles não estava o presidente da Câmara. Ele obteve a informação de que havia sido incluído nas investigações, o que o levou a interpretar a inclusão como uma tentativa de atingi-lo supostamente armada pelo promotor Zanony Filho. E fez um apelo dramático: que o próprio Ministério Público, o CNMP e a própria Justiça entrem na investigação, para, segundo ele, colocarem as coisas nos seus devidos lugares.

Provocado pelo vereador-presidente, o procurador geral de Justiça, Eduardo Nicolau, divulgou nota cautelosa dizendo que a cúpula da instituição está ciente da denúncia e que está adotando medidas para apurar o caso.

Com o seu discurso, que repercutiu fortemente, o presidente o legislativo municipal abriu o jogo e colocou as cartas na mesa ciente de todos os riscos que corre um homem público da sua estatura numa situação como essa. Com suas declarações e as mensagens que tornou públicas, o presidente Paulo Victor abriu um enorme flanco no que respeita a ele próprio ao admitir a relação atípica com o promotor Zanony Filho, que por sua vez, se vier a ser considerado culpado, pode amargar um futuro sombrio. Mas levando em conta a regra universal de que ninguém se incrimina, o presidente da Câmara Municipal de São Luís decidiu pagar para ver. Um ato de coragem fora da curva.

PONTO & CONTRAPONTO

MDB já não defende apoio a Braide e fica entre Evangelista e Duarte Jr.

Eduardo Braide

Conversas diversas nos bastidores da mega-convenção do MDB, na semana passada, levaram vários observadores políticos a perceber que, ao contrário do que era uma tendência forte há alguns meses, o partido está agora cada vez mais distante de uma aliança com o PSD em torno do projeto de reeleição do prefeito Eduardo Braide.

Possibilidade que ganhou força com a declaração do novo presidente municipal do partido, deputado federal Cleber Verde, feita em julho, afirmando que defendia o apoio a Eduardo Braide e que trabalharia para o MDB abraçar o projeto. Entre os emedebistas de alto coturno houve quem concordasse, quem discordasse e quem ficou sobre o muro, numa situação nitidamente favorável ao prefeito.

De lá para cá, à medida que o empresário Marcus Brandão foi consolidando o seu poder no partido, o tom do discurso sobre São Luís foi mudando, abrindo o debate sobre dois caminhos: criar as condições para uma aliança com o União Brasil em torno da candidatura do deputado estadual Neto Evangelista, ou compor com o PSB e a Federação PT/PCdoB/PV em apoio à candidatura do deputado federal Duarte Jr. (PSB).

Uma fonte emedebista que sabe das coisas confirmou que a aliança com Eduardo Braide ainda está ainda é admitida, mas está quase descartada, que a parceria com o União Brasil por Neto Evangelista já esteve mais forte, e que a tendência pró-Duarte Jr. ganha força, apesar de todas as restrições a ele feita por vozes mais ligadas ao sarneysismo.

A mesma fonte acrescentou um detalhe que faz toda diferença: o MDB só vai decidir mesmo depois de conversas francamente com o governador Carlos Brandão.

São Luís pode ser invadida pelo Atlântico se o planeta esquentar mais

Parte de Maceió, a movimentada capital de Alagoas, está na iminência de afundar, o que deixará nada menos do que 60 mil pessoas sem teto. Ali ocorre a trágica consequência da ação humana, materializada pela empresa Braskem, na exploração de sal-gema, um mineral usado em larga escala na fabricação materiais plásticos, como o PVC, por exemplo.

A ação do homem também está fazendo com que o nível dos oceanos esteja subindo, com a ameaça de produzir, entre outros problemas, a submersão de parte de muitas grandes importantes cidades de todos os continentes, entre elas São Luís, que, vale lembrar, por ser um tesouro histórico e arquitetônico, é Cidade Patrimônio Cultural da Humanidade, título concedido pela Unesco, o braço cultural da ONU.

De acordo com a Organização Meteorológica Mundial (OMM) que considerou 2023 o ano mais quente da História, o planeta está esquentando e a consequência desse processo é a subida do nível dos oceanos, cujas águas poderão invadir boa parte de cidades importantes.

E exatamente no momento em que se realiza a COP28, na qual líderes mundiais discutem exatamente a emissão de gases na queima de combustíveis fósseis, como o petróleo, que a Climate Central, ligada à OMM, realizou uma simulação mostrando como a elevação do nível dos oceanos impactará cidades litorâneas como a Capital do Maranhão. Veja como, segundo a simulação, São Luís ficará se o oceano Atlântico subir de acordo com a previsão dos cientistas:

São Luís hoje

São Luís em provável futuro

Vale registrar que o maior impacto se dará exatamente no que a cidade tem de mais rico, que é o complexo arquitetônico da Praia Grande.

São Luís 05 de Dezembro de 2023.

Dino no Supremo abre espaço para novas lideranças na disputa pelo poder no Maranhão

Carlos Brandão lidera um mosaico onde
Eliziane Gama, Ana Paula Lobato, Iracema
Vale, Felipe Camarão, André Fufuca,
Weverton Rocha, Eduardo Braide,
Duarte Jr., Rubens Jr., Carlos Lula,
Rodrigo lago, Roberto Costa e Paulo
Victor, entre outros, podem crescer

Organizada apenas para formalizar a posse da nova direção, sob a presidência do empresário Marcus Brandão, a convenção do MDB acabou funcionando como senha para a movimentação destinada a redesenhar o mosaico político maranhense com a ida do senador Flávio Dino (PSB) para o Supremo Tribunal Federal. A saída dele da vida política e partidária maranhense e nacional, que começou para valer no momento em que ele foi formalmente indicado pelo presidente Lula da Silva (PT) ao Senado, abriu um grande espaço no cenário político maranhense, com desdobramentos no mapa político brasileiro. Com a convenção, o MDB se repaginou, está sob nova direção, que trabalha com um objetivo definido sem meias palavras: voltar a ser o maior partido político do Maranhão. Isso significa desbancar o PSB, que nesse momento se transforma em candidato a PCdoB, que foi o maioral no auge do Governo comandado por Flávio Dino, dentro e além das fronteiras maranhenses, e hoje sobrevive a duras penas numa federação com o PT, que está revigorado com a volta ao poder nacional, e o PV, que briga obstinadamente contra a extinção.

Não há discussão em torno da liderança do governador Carlos Brandão, que por enquanto permanece no PSB, só que agora com o desafio de comandar o redesenho político do Maranhão. O governador já começou a trabalhar para manter unida a aliança partidária cujo controle recebeu de Flávio Dino quando o então governador renunciou para disputar cadeira no Senado. Carlos Brandão encarou o desafio, fez os ajustes que tinha de fazer, e hoje governa com uma base de15 partidos – PSB, PT, PCdoB, PV, PP, PSDB, PSC, PRD, MDB, União Brasil, Podemos, Cidadania, Republicanos, PL e partes do PSD e do PDT – embora o presidente pedetista, senador Weverton Rocha se declare de oposição. O governador manterá sua base intacta no Senado com a titularização da suplente Ana Paula Lobato (PSB) no mandato de senadora da República, o que lhe dará espaço garantido na mesa de decisões.

No momento em que, aprovado pelo Senado, Flávio Dino renunciar ao mandato senatorial, algumas lideranças já consolidadas ou em ascensão se movimentarão para ocupar o espaço deixado pelo futuro ministro do Supremo. Há sinais fortes, por exemplo, de que o governador Carlos Brandão e a senadora Eliziane Gama (PSD) farão dobradinha pelas duas vagas no Senado em 2026. A ser confirmada essa aliança eleitoral, o senador Weverton Rocha será submetido a uma pressão gigantesca, que pode levá-lo a três caminhos: encarar a concorrência com risco de não se reeleger, tentar de novo o Governo do Estado – agora contra o vice-governador Felipe Camarão (PT), que concorrerá como governador em busca da reeleição e com o apoio já decidido do Palácio do Planalto – ou refazer o caminho para a Câmara Federal. O reatamento do chefe pedetista com o senador Flávio Dino, a quem deu as costas na eleição de 2022 para apoiar a candidatura do senador Roberto Rocha (PTB) à reeleição, é vista no meio político como uma garimpagem de apoio para 2026.

Nesse contexto, o ministro do Esporte, André Fufuca (PP), e a presidente da Assembleia Legislativa Iracema Vale (no PSB, mas a caminho do MDB), estão muito bem posicionados, e certamente participarão com destaque do novo desenho político do estado. Nesse patamar pontifica também o ministro das Comunicações Juscelino Filho (União Brasil), mesmo com os reveses que vem sofrendo. Num outro viés, o atual prefeito de São Luís, Eduardo Braide (PSD), se for reeleito em 2024, terá seu nome turbinado para o jogo político a partir de 2026. É o caso também do deputado federal Duarte Jr. (PSB), ganhando ou perdendo a disputa em São Luís.

E num plano mais geral encontram-se lideranças importantes, com bom poder de articulação, como os deputados federais Márcio Jerry (PCdoB), Rubens Jr. (PT), Pedro Lucas Fernandes (União Brasil) e Marreca Filho (PDR). No patamar estadual, além da deputada Iracema Vale, que tem cacife para atuarem outro plano, vale apontar os deputados Rildo Amaral (PP), Rafael Souza (PSB), Francisco Nagib (PSB) e Roberto Costa (MDB), que poderão se tornar, respectivamente, prefeitos de Imperatriz, Timon, Codó e Bacabal, respectivamente. E levar em conta deputados com expressiva atuação parlamentar e política, como Carlos Lula (PSB), Rodrigo Lago (PCdoB), Othelino Neto (PCdoB) e Yglésio Moises (tentando deixar o PSB), apesar de toda a controvérsia em torno da sua migração ideológica para a extrema-direita. E não há como descartar o poder de fogo do deputado federal Josimar de Maranhãozinho, chefão do PL, e o seu grupo. Nem ignorar a forte ação política do presidente da Câmara Municipal de São Luís, vereador Paulo Victor (PSDB).

É claro que outros nomes poderão ajustar suas trajetórias e ocupar uma fatia desse espaço. O tempo vai cuidar disso.

PONTO & CONTRAPONTO

Sem argumentos para contestar Dino, bolsonaristas fazem ataques gordofóbicos

Flávio Dino é alvo de
ataques preconceituosos

Sem um só argumento para questionar a sua conduta pessoal ou a sua competência na seara jurídica, e muito, mas muito mesmo, incomodados com a sua iminente aprovação pelo Senado para a vaga de ministro do Supremo Tribunal Federal, os partidários do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) formaram uma corrente nas redes sociais para fazer ataques gordofóbicos contra o senador Flávio Dino (PSB), ainda no Ministério da Justiça e Segurança Pública.

Ontem, o jornal O Globo publicou um levantamento feito pela empresa de pesquisa Arquimedes mostrando que na última semana os ataques gordofóbicos de bolsonaristas ao ministro da Justiça aumentaram 30% em relação à semana anterior. O levantamento da Arquimedes “identificou 14,5 mil publicações gordofóbicas contra Dino em três plataformas – X (antigo Twitter), Facebook e Instagram”, um aumento de 30%.

O Globo informa que Pedro Buzzi, pesquisador da Arquimedes, fez a seguinte avaliação: “Os ataques já eram esperados pela visibilidade que Dino alcançou ao longo deste ano. No entanto, na ausência de elementos pejorativos relacionados a sua conduta, a estes perfis sobra apenas o caminho da ofensa, em especial, xingamentos gordofóbicos”.

E também de acordo com o jornal fluminense, o antropólogo Ricardo Tassilo, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), foi além na explicação desses ataques da falange bolsonarista contra o futuro ministro do Supremo:

– A gordofobia ocorre quando não é possível atacar as ideias, a dialética ou a retórica de alguém. Daí o agressor parte para a subjetividade, para o corpo. Os parlamentares fazem esta violência com pessoas que tem experiência e sabem da liturgia do seu cargo, o que incomoda seus adversários. Neste contexto, emergem os estereótipos de que uma pessoa gorda não pode ser inteligente, digna.

E é exatamente nesse ponto que os atacantes tropeçam feio na sua própria ignorância.

Ausências que chamaram a atenção na convenção do MDB

José Sarney: ausência explicada

Algumas vozes registraram a ausência do governador Carlos Brandão da convenção do MDB, na qual seu irmão, Marcus Brandão, assumiu o comando do partido. A explicação: o governador estava em Brasília e seguiu para São Paulo, onde, acompanhado do secretário-chefe da Casa Civil, fez uma visita à sede da Suzano.

Em relação a ausências, ninguém registrou do não comparecimento do maior nome do partido no País, o ex-presidente José Sarney, que continua como presidente de Honra da agremiação emedebista. Ele estava em Brasília, onde continua sendo fonte de aconselhamento para a classe política. De acordo com notícia que a Coluna não confirmou, José Sarney estaria aconselhando senadores a votarem em Flávio Dino para o Supremo.

Outra ausência notada foi a do ex-senador Edison Lobão, um dos cardeais do MDB local e nacional. Assim como o ex-ministro, o ex-senador Lobão Filho, que costumava participar das reuniões da cúpula partidária, também não compareceu. Os dois foram formalmente convidados.

São Luís, 03 de Dezembro de 2023.

MDB: Marcus Brandão assume comando e Iracema afirma que partido será o mais forte do Maranhão

Marcus Brandão e Iracema Vale falam na convenção
do MDB que recebeu outros líderes partidários

“O MDB será o partido mais forte do Maranhão”. A frase, que ecoou no tom de pedra cantada, foi dita pela deputada Iracema Valer (PSB), presidente da Assembleia Legislativa, em discurso na grande convenção que consumou ontem a entrega do bastão de comando do partido pela deputada federal Roseana Sarney ao empresário Marcos Brandão, irmão do governador Carlos Brandão (PSB). No mesmo discurso, Iracema Vale sinalizou que migrará para o MDB, mas que isso só acontecerá na janela partidária de 2026. A ascensão de Marcus Brandão ao comando do MDB é o sinal verde para que os aliados do governador Carlos Brandão, que, como ele, que está no PSB, se encontram espalhados por diversas legendas, incluindo a socialista, migrem para a agremiação emedebista, que vem recebendo grande número de filiações.

Com a presença do presidente nacional, deputado federal Baleia Rossi (SP), e dirigentes de outros partidos, como o ministro do Esporte, André Fufuca (PP), o vice-governador Felipe Camarão (PT), o secretário-executivo do Ministério da Justiça e Segurança Pública, Ricardo Capelli (PSB), a convenção do MDB foi um evento político como poucos, com a presença de líderes emedebistas de todas as regiões do estado, incluindo alguns há tempos afastado da vida do partido. O Multicenter Sebrae foi pequeno para o grande número de militantes, que fizeram uma grande festa para mostrar que o MDB está caminhando para voltar a ser de novo o maior partido político do Maranhão, como o foi durante os anos de poder de Roseana Sarney, sob o comando do então senador João Alberto.

Na sua fala, após assumir como sucessor de Roseana Sarney no comando do partido, das mãos de Roseana Sarney, Marcus Brandão, que não cabia em si agora com o dirigente da agremiação que esteve por décadas como braço partidário do sarneysismo, disse que vai lutar torna-lo casa vez mais forte. E isso poderá acontecer já no ano que vem, ao longo da corrida às prefeituras.

Homem da mais absoluta confiança do governador Carlos Brandão, Marcus Brandão não ingressou e assumiu o comando do MDB pura e simplesmente porque resolvera entrar na política partidária e controlar um partido para chamar de seu. Todos os seus movimentos até aqui indicam que ele vai preparar o MDB para ser o abrigo partidário do grande grupo hoje liderado pelo governador Carlos Brandão, que se encontra hoje abrigado no PSB, como é o caso da deputada Iracema Vale e do deputado Antônio Pereira, que não se sentem inteiramente à vontade numa legenda da esquerda moderada, a exemplo da agremiação socialista.

Tudo indica que com a saída do senador Flávio Dino da cena política ao se tornar, daqui a semanas, ministro do Supremo Tribunal Federal, o PSB, que é hoje uma grande e bem cerzida colcha de retalhos, sofrerá um forte processo de esvaziamento. E não será nenhuma surpresa se, além da deputada Iracema Vale, o próprio governador Carlos Brandão vier a ingressar no MDB. É verdade que o chefe do Executivo estadual não cogitou essa migração, mas também não declarou, de alto e bom tom, que o PSB será sua moradia partidária definitiva. Esses movimentos, se estiverem planejados como parece, deverão ocorrer mais ostensivamente em 2026, quando certamente o mosaico partidário do Maranhão será amplamente redesenhado.

Marcus Brandão assume o comando de um partido organizado em todo o Maranhão e com uma estrutura que funciona, resultado de mais de três décadas da gestão eficiente comandada pelo ex-senador João Alberto, que foi muito elogiado por quase todos os oradores da convenção. E encontra também uma nova geração aguerrida, que tem o deputado estadual Roberto Costa, vice-presidente do partido, como referência, e o prestígio do ex-presidente José Sarney, que continua sendo o maior nome do MDB.

A grande convenção realizada ontem no Multicenter Sebrae marcou, de fato, uma guinada forte do MDB no Maranhão.

PONTO & CONTRAPONTO

Rossi ouviu o MDB para garantir os votos dos senadores emedebistas a Dino

Flávio Dino ganha apoio dos
senadores do MDB

Além dos estímulos para a nova direção do MDB, o presidente nacional do partido, deputado federal Baleia Rossi, trouxe na bagagem uma informação que teve larga repercussão tão logo ganhou as malhas das redes sociais e os sítios de notícias: o MDB fechou questão e decidiu que os 11 votos do partido no Senado serão a favor do senador Flávio Dino (PSB).

Numa conversa informal, o líder emedebista teria justificou a decisão dizendo que conhece Flávio Dino, de quem foi colega como deputado federal (2007/2011), quando era presidente da Câmara Federal outro emedebista histórico, o então deputado Michel Temer, que viria a ser presidente da República com aqueda da presidente Dilma Rousseff em 2016.

Baleia Rossi teria dito que consultou a bancada do partido na Câmara, algumas lideranças e os próprios senadores do partido, chegando ao consenso de que a representação do partido no Senado deve apoiar a indicação do ministro da Justiça e Segurança Pública para a Suprema Corte.

MDB tem pautas complicadas para resolver em Timon e Bacabal

Socorro Waquim e Hormann Schnneider
disputam em Timon; Roberto
Costa em dúvida sobre Bacabal

Os bastidores da convenção do MDB fervilharam de conversas sobre disputas municipais. Alguns casos chamaram a atenção: nenhuma atenção maior foi dada a respeito de como o partido vai se posicionar na eleição em São Luís, e a maioria das conversas versou sobre problemas que o partido terá de resolver em outros municípios importantes.

Um caso que preocupa o partido é Timon, onde dois grupos do MDB estão se digladiando. Ali, de um lado, está o grupo liderado pela ex-deputada Socorro Waquim, que é MDB de raiz. Do outro está a banda liderada tenente-coronel/PM aposentado Hormann Schnneyder, que cismou que será candidato a prefeito e exige que a direção estadual o apoie e obrigue a líder Socorro Waquim a apoia-lo.

Num outro extremo, o comando do partido trabalha para convencer o deputado estadual Roberto Costa a ser candidato a prefeito de Bacabal, baseado no fato de que todas as pesquisas lhe dão mais da metade das intenções de voto. Vivendo um grande momento na Assembleia Legislativa, onde é o grande articulador, Roberto Costa ainda não bateu martelo a respeito de ser ou não candidato a prefeito.   

Esses e outros problemas estão na pauta do novo comando do partido.

São Luís, 02 de Dezembro de 2023.