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Sem o PTN, Ricardo Murad só tem duas saídas: ficar isolado no PMDB ou abandonar de novo o Grupo Sarney

 

 

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Ricardo Murad: situação partidária muito complicada

Não bastassem as pressões políticas, judiciais e até policiais que vêm sofrendo, o ex-deputado estadual Ricardo Murad enfrenta agora uma encrenca partidária que poderá isolá-lo dentro do PMDB, onde não tem espaço de mando. De acordo com o blog do bem informado jornalista Gilberto Leda, Murad está perdendo o controle do PTN, partido que seria a sua tábua de salvação caso seu naufrágio partidário dentro do PMDB seja consumado. Sem a alternativa partidária, Ricardo Murad simplesmente não terá para onde se movimentar dentro do elenco de partidos que formam tacitamente o Grupo Sarney, o que o obrigará a tomar uma decisão drástica num limitado leque de duas alternativas: permanecer no PMDB sem margem para fazer as suas sempre arrojadas e controvertidas ações políticas ou sair do Grupo Sarney e abrigar-se numa legenda do campo adversário, como fez ao entrar no PSB quando rompeu com o campo sarneysista.

O imbróglio do PTN é simples. Em dificuldades dentro do PMDB desde antes da campanha eleitoral de 2014, causadas por suas tentativas de colocar o senador João Alberto de escanteio e dar as cartas dentro do partido, Murad acabou se dando conta de que estava perdendo tempo. Mas como não costuma desistir dos seus objetivos, por mais inalcançáveis que pareçam, ele permaneceu no PMDB, mas decidiu montar um bote de sobrevivência partidária tornando-se o chefe secreto do PTN, cujo comando formal entregou para o deputado Souza Neto, seu genro e seguidor político. Uma equação simples: se o seu projeto de candidatura à Prefeitura de São Luís não fosse viabilizado no PMDB, ele se mudaria de malas e cuias para o PTN, onde daria as cartas sem ninguém para atrapalhá-lo.

O projeto era perfeito, sem erro. Nem tanto, pois o sempre antenado Ricardo Murad se esqueceu que seu projeto era paroquial, e que o PTN, como os demais partidos pequenos, funciona com o instinto de sobrevivência no sentido inverso, ou seja, antes de se resolver na base, ele precisa de suporte em Brasília. E encontrou esse suporte no deputado federal Aluísio Mendes, eleito pelo PSDC e que em busca de meios para declarar sua independência em relação ao Grupo Sarney, negociou com o comando nacional e assumiu o controle do PTN. Era o que a direção do partido queria. O deputado Souza Neto não tinha meios de garantir o controle e o outro deputado do partido, Alexandre Almeida, está focado na briga pela Prefeitura de Timon e não quer encarar uma desgastante encrenca partidária.

Em resumo: sem obstáculos à sua frente, o deputado federal Aluísio Mendes passou a dar as cartas no braço maranhense do PTN, e não pretende dividir esse controle com ninguém. Isso não significa dizer que Mendes não aceite de bom grado o ingresso de Ricardo Murad no partido – afinal, é corrente no meio político que parte do seu sucesso nas urnas foi alcançado com o apoio de Murad, então o todo-poderoso secretário de Estado da Saúde, portanto gestor de um orçamento milionário e com forte influência política em muitos municípios. O deputado Aluísio Mendes, porém, não abre mão do controle sobre o partido, situação que não interessa a Murad, que não aceita não ser o manda-chuva dentro de uma agremiação.

A bem sucedida investida do deputado federal Aluísio Mendes tirou Ricardo Murad do eixo e o deixou praticamente sem alternativa, obrigando-o a permanecer no PMDB, pelo menos por enquanto. Mas as últimas decisões do Congresso Nacional sobre a reforma política acendeu-lhe uma luz no fim do túnel ao dar mais seis meses de prazo para o troca-troca partidário. Sendo assim, Murad tem mais seis meses de tempo para encontrar uma saída num cenário partidário extremamente movimentado e no qual só dá cartas quem tem poder político de fato. E isso o outrora poderoso Ricardo Murad não tem agora.

 

PONTOS & CONTRAPONTOS

 

Poder total

rose verde 2O deputado federal Sarney Filho mandou para o espaço as últimas dúvidas de que a vereadora Rose Sales será a candidata do PV à Prefeitura de São Luís. Numa entrevista concedida sexta-feira a Roberto Fernandes, no programa Ponto Final, da Rádio Mirante AM, o chefe maior do PV no Maranhão  foi ao mesmo tempo categórico e entusiasmado: “Isso não está em discussão, não, já está decidido. A vereadora Rose Sales será a candidata do PV para ganhar a eleição”. Sarney Filho acha que a vereadora – que deixou o PCdoB, passou pelo PP e desembarcou no PV – tem as condições necessárias para se firmar como candidata e bagagem para fazer uma campanha agressiva e sair das urnas com resultado positivo. Ela própria está pensando assim, conforme declarou nesta semana. Vista como “um achado” pelos verdes e aliados, a vereadora Rose Sales é tão forte no PV que ganhou o comando do diretório do partido em São Luís com carta branca para conduzir todas as negociações que possam vir a fortalecer seu projeto eleitoral. E era tudo o que ela queria.

 

Manoel Santos Neto premiado

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padre mohana“A ressurreição do padre”, obra do jornalista Manoel Santos Neto, está entre os vencedores do 36º Concurso Literário Cidade de São Luís, anuncia o blog do jornalista Raimundo Garrone, que publicou em primeira mão, sexta-feira, o resultado divulgado pela Prefeitura de São Luís, por meio da Fundação Municipal de Cultura (Func). “O livro versa sobre a vida e a obra do saudoso padre João Mohana (1925-1995), um dos maiores intelectuais maranhenses do século 20”, situa Garrone. Natural de Bacabal nasceu no dia 15 de junho de 1925 e faleceu no dia 12 de agosto de 1995, aos 70 anos. Padre, médico, pregador, teólogo, escritor, poeta, autor teatral e compositor, João Mohana se destacou em todas as atividades que desenvolveu, consagrando-se como autor de obras literárias reconhecidas, como “O Outro Caminho”, e peças teatrais geniais como “Sara e Abraão” e “Por causa de Inês”. Tanto que ocupou a Cadeira Nº 3 da Academia Maranhense de Letras. O roteiro biográfico de “A ressurreição do Padre” é enriquecido pelo talento textual de Manoel dos Santos Neto, que pela via do jornalismo resgata a trajetória e a obra por meio da qual Padre Mohana deu uma contribuição sem paralelo à história e à cultura do Maranhão nos seus mais diferentes vieses.

 

São Luís, 10 de Outubro de 2015.

Roberto Rocha atua no Senado com independência, mas mantém alianças e abre novos canais políticos

 

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Roberto Rocha na tribuna do Senado

Passados oito meses e alguns dias da sua posse no Senado da República pelo PSB, o senador Roberto Rocha está no centro das conversas que vêm animando os bastidores da política do Maranhão. Desde há algum tempo, rumores frenéticos, sem origem nem confirmação, espalharam aos quatro cantos que o senador, depois de ter entrado deliberadamente em rota de colisão, teria rompido de vez com o governador Flávio Dino (PCdoB), de quem foi companheiro de chapa em 2014, e com o prefeito de São Luís, Edivaldo Jr. (PDT), de quem foi vice até abril do ano passado, e estaria se reaproximando do Grupo Sarney. Recentemente, três fatos contribuíram para, se não clarear definitivamente, pelo menos para jogar luzes sobre os ousados movimentos do senador.

Na sexta-feira (2) da semana passada, numa decisão surpreendente, o comando estadual do PMDB mandou retirar a ação por meio da qual denunciava à Justiça Eleitoral o que seriam graves irregularidades na prestação de contas de campanha do senador Roberto Rocha. As versões para esse gesto do PMDB são as mais diversas, mas o que ficou evidenciado mesmo foi que Roberto Rocha abriu um canal de comunicação com o Grupo Sarney. A decisão pemedebista foi duramente criticada pelo ex-deputado Gastão Vieira, que disputou a senatória com Rocha pelo PMDB e hoje está no PROS e acreditava seriamente que a ação poderia levar a uma nova eleição para o Senado.

Na quarta-feira (7), o senador Roberto Rocha esteve no Palácio dos Leões, onde conversou demorada e descontraidamente com o governador Flávio Dino. Os dois participaram de uma feira de incentivo ao pequeno negócio, trocaram figurinhas e posaram abraçados para os fotógrafos. O encontro e a imagem não eliminaram os rumores de distanciamento entre os dois, mas evidenciaram que Rocha e Dino mantêm relacionamento político, que pode não ser o de aliados incondicionais, que rezam na mesma cartilha, mas também nem de longe sugere que os dois estão rompidos e são agora adversários.

Na quarta-feira, Rocha recebeu em seu gabinete no Senado ninguém menos que o prefeito Edivaldo Jr., de quem foi vice até se desincompatibilizar para se candidatar a senador. Nos bastidores, praticamente todas as vozes propagavam o rompimento político dos dois, especulação reforçada pela declaração de Roberto Rocha levantando a possibilidade de vir a ser candidato a prefeito de São Luís disputando exatamente com o prefeito Edivaldo Jr., seu companheiro de chapa em 2012 e seu vice por 16 meses. O encontro de Brasília sinalizou que, se houve problemas, eles não foram suficientes para afastá-los definitivamente.

Em meio a esse redemoinho, o senador Roberto Rocha vai exercendo seu mandato com visível independência, abrindo canais de comunicação política nas mais diversas direções. Para começar, faz oposição moderada, mas firme, à presidente Dilma Rousseff, seguindo a linha do seu partido e contrariando a do governador Flávio Dino, que é alinhado ao governo do PT. Com muita desenvoltura e a experiência de quem já foi deputado estadual, deputado federal e vice-prefeito de São Luís, Rocha integra comissões importantes da Câmara Alta e já apresentou várias propostas que deram o que falar. Ao mesmo tempo, atua no campo político e partidário, ora como articulador do seu partido, ora como político jovem que, movido pela audácia e pela ambição, procura construir uma carreira solo, lembrando a carreira do pai, o ex-governador Luis Rocha, um dos políticos maranhenses mais importantes, atuantes e também controvertidos do século passado.

No campo partidário, Roberto Rocha trava há anos uma guerra aberta com o ex-governador e hoje deputado federal José Reinaldo Tavares pelo controle do PSB no Maranhão. O rompimento aconteceu em 2010, quando os dois se candidataram ao Senado contra João Alberto e Edison Lobão, ambos do PMDB. Foram derrotados e até hoje José Reinaldo culpa Roberto Rocha. Em 2014, Roberto Rocha, então vice-prefeito de São Luís, tomou a frente, renunciou, se candidatou ao Senado em dobradinha com Flávio Dino e bateu nas urnas o deputado federal e ex-ministro Gastão Vieira (PMDB). A disputa no PSB é tão intensa, que recentemente, diante de um ensaio de pré-candidatura do deputado estadual Bira do Pindaré, Roberto Rocha estremeceu o cenário político ao se lançar pré-candidato a prefeito de São Luís. Ninguém acreditou, e a interpretação geral foi a de que ele quis tão somente deixar claro quem manda no partido. Aliados do prefeito Edivaldo Jr. reagiram indignados, mas o próprio senador tratou de desativar a bomba dizendo a interlocutores que não planeja disputar o Palácio de la Ravardière.

O fato é que o senador Roberto Rocha segue seu caminho dando a impressão de que seu projeto é construir base para chegar um dia ao Palácio dos Leões.

 

 

PONTOS & CONTRAPONTOS

 

Bênçãos de Nossa Senhora

cleones cunhaO presidente eleito do Tribunal de Justiça, desembargador Cleones Cunha não mudou sua rotina no dia seguinte à escolha, que se deu ir aclamação, quarta-feira. Ontem, às 9h, já estava no Palácio Clóvis Bevilácqua, onde trabalhou o dia todo despachando processos. Hoje, embarca para Belém onde, na condição de católico fervoroso, participará da procissão do Sírio de Nazaré. “Vou entregar o meu mandato de presidente do Tribunal de Justiça à Nossa Senhora. Vou pedir-lhe que ilumine meus passos, que abençoe a justiça do Maranhão e que me ajude a fazer um bom trabalho como presidente”, disse, falando à Coluna com a convicção de católico praticante e devoto de Nossa Senhora.

 

Primeiras definições

O desembargador Cleones Cunha já tomou várias decisões para serem concretizadas no período de transição. Uma delas: a juíza Isabella Lago vai comandar a Diretoria Geral do Tribunal de Justiça. A nomeação dela será uma inovação, uma vez que até hoje nenhum magistrado ocupou cargo de comando administrativo no Poder Judiciário. Outra decisão: com exceção da Diretoria Judiciária, que vai continuar com a atual diretora, Denise Reis Batista, todas as demais diretorias serão ocupadas por funcionários de carreira do Poder Judiciário. É o caso, por exemplo, do advogado Marcos Nauz, servidor de carreira do TJ e ocupado atualmente a Diretoria Financeira do Tribunal Regional Eleitoral, que será convocado para retornar ao TJ para assumir a Diretoria Financeira, cargo que já exerceu com eficiência reconhecida.

 

Transição

A transição para a mudança de comando no Tribunal de Justiça será iniciada na próxima terça-feira, quando o presidente eleito Cleones Cunha começará a se reunir com os responsáveis pelos mais diversos setores administrativos do Poder.

 

São Luís, 09 de Outubro de 2015.

Eleito por aclamação, Cleones Cunha vai presidir um Judiciário com muitos problemas

 

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Cleones Cunha entre Anildes Cruz (corregedora) e Maria das Graças Duarte (vice)

O Poder Judiciário do Maranhão elegeu ontem o seu comando para o biênio 2016/2017. Pedra cantada, o desembargador Cleones Cunha foi eleito presidente por aclamação pelo Pleno do Tribunal de Justiça. Vai governar tendo como vice-presidente a desembargadora Maria das Graças Duarte e como corregedora geral de Justiça a desembargadora Anildes Cruz, também eleitas por aclamação. Conduzida pela desembargadora-presidente Cleonice Freire, a eleição dos futuros dirigentes ocorreu numa sessão rápida, sem o tradicional rito de votação e num clima de completa descontração e de aparente harmonia. Visivelmente feliz, mesmo já tendo uma ideia clara do que vem pela frente, o presidente eleito fez um discurso breve de agradecimento, mas deixando claro que comandará uma gestão com a firmeza possível e fazendo o que estiver ao seu alcance para manter a instituição unida e o mais produtiva possível.

Um dos mais experientes integrantes do Poder Judiciário do Maranhão, o desembargador Cleones Cunha sabe que vai enfrentar um alentado elenco de desafios na missão que recebeu. São mais de 200 comarcas – 78 delas sem juiz –, 280 juízes, boa parte dos quais concentrados na gigantesca comarca de São Luís; e nada menos que 500 mil processos em tramitação. Expressiva quantidade de fóruns funciona em condições precárias, com poucos servidores, instalações inadequadas e às vezes sem material de expediente.

Nesse contexto, o número de juízes é pífio em relação às necessidades do Poder. O quadro é tão grave que recentemente, durante uma sessão administrativa do Órgão Especial, a corregedora geral de Justiça, desembargadora Nelma Sarney, fez um balanço da situação estrutural e operacional do Poder e declarou que a Justiça maranhense “está à beira do caos”, sendo a situação mais crítica a das Varas Cíveis da comarca de São Luís. E para completar, um exército de servidores insatisfeitos e atualmente  em pé de guerra por causa de uma decisão do próprio TJ, que lhes podu 21% dos vencimentos.

Com a trajetória profissional inteiramente desenvolvida dentro do Tribunal de Justiça – salvo o período em que foi juiz no interior -, o presidente eleito do Poder Judiciário, tem uma dimensão exata do que o espera, a começar pelo fato de que foi corregedor geral de Justiça em mandato que antecedeu ao atual, o que lhe dá plena ciência da situação. Sabe que as condições gerais de trabalho no Judiciário como um todo são insuficientes para que as atividades jurisdicionais não atendam inteiramente as expectativas. Conhece os problemas da magistratura – de um lado as condições limitadas dadas aos juízes; do outro a desídia de magistrados, como o chamado juiz “TQQ”, que só trabalha de terça-feira a quinta-feira, quando é obrigado por lei a residir na comarca.

O desembargador Cleones Cunha tem outro desafio pela frente: harmonizar o Colégio de Desembargadores, hoje dividido entre os que integram o Órgão Especial e os que fazem parte das Câmaras. Terá de usar sua conhecida habilidade “política” para construir um clima de harmonia que há muito não se vê na instituição. A mesma política de eliminação de conflitos terá de ser colocada em prática em relação à magistratura, onde são muitos os focos de insatisfação. Legalista por formação e convicção, o futuro presidente do TJ vai atuar com firmeza para que as regras básicas da Lei Orgânica da Magistratura sejam cumpridas à risca. “Estaremos juntos buscando cumprir o dever de servos da Justiça e do povo do Maranhão”, pontuou.

Quando foi saudá-lo, a presidente Cleonice Freire – que fez questão de interromper uma licença medica para presidir o processo de escolha -, desejou que “o espírito santo o ilumine nesta caminhada”. Homem de muita fé – é católico fervoroso e mestre em Direito Canônico -, Cleones Cunha agradeceu a saudação, deixando entrever ali que está plenamente consciente dos desafios que tem pela frente e que só poderá superá-los com o apoio dos seus pares e com ajuda divina. Vai precisar muito das duas fontes de poder a partir do dia 18 de dezembro, quando for investido efetivamente no comando do Poder Judiciário.

 

 

PONTOS & CONTRAPONTO

 No lugar certo na hora certa

O homem certo no lugar certo na hora certa. É assim que alguns conhecedores dos bastidores do Poder Judiciário avaliam a eleição do desembargador Cleones Cunha para a presidência da instituição. Aos 57 anos, dos quais 30 dedicados à magistratura, sendo 16 como desembargador, Cleones Cunha é conhecedor profundo das entranhas e manhas do Tribunal de Justiça. O presidente eleito do TJ transita em todas as correntes da Casa, o que lhe dá jogo de cintura suficiente para funcionar principalmente como moderador nos momentos de tensão que eclodem aqui e ali. Quando foi corregedor geral de Justiça, usou toda a sua habilidade para conduzir os problemas sem alarde, mas jogando pesado quando teve de tomar medidas duras para corrigir situações complicadas relacionadas com a magistratura. Tem experiência suficiente para fazer uma boa gestão, e quem o conhece sabe que ele vai se desdobrar para alcançar o propósito.

 

Primeiro cargo

A vice-presidente eleita do Tribunal de Justiça, desembargadora Maria das Graças Duarte, tem 66 anos, 37 anos de magistratura e nove como integrante do Colégio de Desembargadores. É o primeiro cargo de direção que ocupará desde que chegou à Corte.

 

Carga pesada

Eleita para exercer o cargo de corregedora geral de Justiça. a desembargadora Anildes Cruz, 68 anos e 37 de magistratura, está há 11 anos no cargo de desembargadora. Nesse período, já foi vice-presidente, corregedora geral eleitoral e presidente do Tribunal Regional Eleitoral. Atualmente é vice-presidente do Tribunal de Justiça e agora assumirá a Corregedoria Geral de Justiça, por muitos considerado o cargo mais desafiador e espinhoso do Poder Judiciário. Ontem, ao agradecer a eleição por aclamação, ela se disse disposta a trabalhar com afinco para que o nome do Tribunal de Justiça do Maranhão “continue a brilhar”.

 

Mais uma vez

Escolhido pela corregedora geral de Justiça eleita e confirmado por aclamação, o juiz Sebastião Bonfim será diretor do Fórum de São Luís, cargo que ocupará pela quarta vez. “A direção do Fórum é um desafio constante”, disse.

 

São Luís, 07 de Outubro de 2015.

 

 

 

 

Se quiserem, Edivaldo Jr., Eliziane Gama e Rose Sales podem renovar o discurso político

 

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Edivaldo Jr., Eliziane Gama e Rose Sales podem fazer uma campanha renovadora

 

A menos que haja uma reviravolta dentro do Grupo Sarney, causada, por exemplo, com o PMDB lançando um quarto nome num rompante, ou, do outro lado, o PSB peite o governador Flávio Dino e lance um projeto eleitoral fora da escrita do Palácio dos Leões, o quadro de candidatos de peso para a corrida eleitoral em São Luís está praticamente definido. E se essa avaliação estiver correta, a eleição de 2016 para a Prefeitura da Capital se dará entre três candidatos da mais nova geração de políticos maranhenses: o prefeito Edivaldo Jr. (PDT), a deputada federal Eliziane Gama (Rede Sustentabilidade) e a vereadora Rose Sales (PV). Eles terão uma oportunidade sem igual de mostrar durante a campanha o que essa geração tem, de fato, na cabeça, podendo até mesmo indicar novos rumos na política maranhense.

O prefeito Edivaldo Jr. entra na corrida para conquistar um novo mandato com a experiência de quem entrou “zerado” no primeiro, sofreu o isolamento imposto pela governadora Roseana Sarney, enfrentou acusações de despreparo, mas soube absorver a pancadaria e sobreviver até a chegada de um aliado no Palácio dos Leões. Agora fortalecido, está deslanchando o governo e deu uma guinada radical no campo político e partidário ao deixar o PTC e ingressar no PDT. Edivaldo Jr. terá na campanha a grande oportunidade de mostrar que conhece São Luís, sabe quais são e onde estão  os seus problemas centrais. Além do mais, já deve ter a fórmula para resolver cada um deles. Poderá fazer isso com um discurso novo, inteligente, focado na realidade e sem estar preocupado que os Leões ao lado do Palácio de la Ravardière querem hostilizá-lo.

Ao se filiar à Rede, agremiação criada pela ex-senadora Marina Silva, a deputada federal Eliziane Gama deu um salto de qualidade na sua pré-candidatura à Prefeitura de São Luís, pois largou PPS, um partido quase fora de contexto e que nada tem a oferecer ao eleitor. Na Rede, ao contrário, pode lhe dar um discurso moderno, que começa com a tarefa de mostrar ao eleitorado uma nova maneira de fazer política. A candidata da Rede terá a oportunidade de, através da linha programática do seu partido, provocar uma discussão séria sobre o presente e o futuro de São Luís. Se tem mesmo a inteligência política que muitos lhe atribuem, poderá transformar o programa da Rede numa bandeira com poder de arrebanhar seguidores.

A vereadora Rose Sales ganhou a mesma oportunidade ao desembarcar no PV, onde recebeu, de cara, o status de pré-candidata do Grupo Sarney à prefeita de São Luís. Nascida da base, e com a experiência de dois mandatos na Câmara de São Luís, ela reúne todas as condições de montar um discurso inovador tendo como base os postulados do PV, que vão muito além da pregação de “ecochatos”. Para isso, pode contar com a colaboração do deputado federal Sarney Filho, que se notabilizou como um dos mais ativos e respeitados líderes verdes do tabuleiro da política nacional.

Se esses três candidatos resolverem, de fato, inovar, modernizando os seus discursos de acordo com as linhas partidárias que defendem, pensando São Luís a partir dos valores contidos nas doutrinas e programas dos seus partidos, darão uma contribuição imensa ao processo político da Capital. E com reflexos nas eleições estaduais de 2018. Mais do que isso, fecharão o cerco para inviabilizar projetos eleitorais baseados em postulados políticos já vencidos e deixarão sem espaço candidatos que entrarem na corrida pelo caminho da pancadaria verbal pura e simples.

 

PONTOS & CONTRAPONTOS

Sorrisos para o público

dino e rochaTudo aconteceu como um entusiasmado encontro de parceiros políticos fidelíssimos. O governador Flávio Dino (PCdoB) recebeu ontem o senador Roberto Rocha (PSB), e após uma conversa rápida e descontraída, posaram para fotografia com sorrisos largos, como se tudo estivesse às mil maravilhas entre eles. Mas a realidade é outra. A relação de Dino e Rocha já não é a da campanha, durante a qual trilharam juntos e não esboçavam sequer uma divergência, por mais simples que fosse o assunto. Eleitos e empossados, os dois perceberam que têm muito mais diferenças do que puderam imaginar na corrida às urnas. O governador não concordou com algumas ações do senador, que também não gostou de algumas atitudes do governador. Resultado, os dois se afastaram, dando a entender que o divórcio político seria irreversível. A foto distribuída ontem pela Secom tenta passar à opinião pública que tudo está em ordem naquele relacionamento. Mas o mundo político todo sabe que a realidade é bem diferente.

 

Ministros amigos

coutinho com ministroO presidente da Assembleia Legislativa, deputado Humberto Coutinho, participou ontem, em Brasília, da posse coletiva dos novos ministros do governo da presidente Dilma Rousseff. Além de levar o seu apoio à reforma ministerial operada pela presidente da República, o chefe do Poder Legislativo estadual foi a Brasília se congratular com dois ministros, especificamente: André Figueiredo, deputado federal do Ceará, que assumiu o Ministério das Comunicações como representante do PDT no governo, e Marcelo Castro, deputado federal do PMDB do Piauí, que foi guindado ao comando Ministério da Saúde. O deputado Humberto Coutinho cultiva relações pessoais com os dois ministros. Seu relacionamento de amizade com André Figueiredo vem da convivência no PDT. Já sua amizade com Marcelo Castro da proximidade de Caxias com Teresina e, mais, do fato de serem médicos e ter a saúde pública como item de ação política. Acompanharam o presidente Humberto Coutinho a Brasília os prefeitos de Caxias, Leo Coutinho, e de Parnarama, Davi Carvalho.

 

Eleição no Judiciário

cleones cunhaO Tribunal de Justiça elege hoje sua direção ara o biênio 2016/2017. Diferentemente de outros colégios, a eleição se dá por acordo, seguindo uma ordem em forma de rodizio. O presidente deverá ser o desembargador Cleones Cunha, um dos mais experientes integrantes do Colégio de Desembargadores. Os cargos de vice-presidente e corregedor geral de Justiça devem ser preenchidos por acordo, mas sendo quase certo que será ocupado pela desembargadora Anildes Cruz, atual vice-presidente do Poder Judiciário, mas pode haver surpresas. A eleição da nova direção se dá num momento de crise no Poder Judiciário, que parece viver um vazio de liderança, que pode ser preenchido pelo desembargador Cleones Cunha.

 

São Luís, 06 de Outubro de 2015.

Um ano depois das eleições, o Maranhão parece outro e Dino mantém de pé seu projeto de alçar voos mais altos

 

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Dino no Palácio dos Leões: um comunista perfeitamente adaptado ao poder

Há exatamente um ano, os maranhenses acordaram sob o impacto da maior e mais ampla mudança já causada por uma disputa eleitoral em várias décadas. O dia 5 de outubro terminara com a já prevista esmagadora vitória do candidato Flávio Dino (PCdoB), que saiu das urnas com 65% dos votos, contra Lobão Filho (PMDB), apoiado por 35% dos eleitores, num desfecho que significou bem mais do que um processo eleitoral de rotina. Naquele 6 de outubro, os maranhenses começaram a viver um ambiente de virada política radical, com a queda do Grupo Sarney e a ascensão de uma nova geração de políticos forjada na oposição sistemática ao esquema de poder  liderado pelo ex-presidente José Sarney.

Passados nove meses da investidura do novo governo, o Maranhão continua com os mesmos gigantescos e desafiadores problemas, mas com a diferença de que eles estão sendo combatidos por outro viés, de maneira mais franca, mais planejada e com decisão política. A sensação é a de que o Maranhão tem hoje um governo que parece saber onde quer chegar, ainda que seja muito cedo para se formular conclusões. Alguns sinais, porém, indicam que Flávio Dino trabalha para que os resultados do seu governo o projetem no cenário nacional.

É fato indiscutível que nos 275 dias que transcorreram desde a sua posse, no dia 1º de janeiro, o governador Flávio Dino fez exatamente o que anunciara na campanha. Com a autoridade que lhe deu a condição de governador mais bem votado do país, Dino começou a governar sem muito alarde e sem impactar os maranhenses com um pacote de medidas radicais. Seu primeiro movimento foi um gesto político: demonstrou que o Maranhão está sob o controle de um governante consciente do seu papel, com propósitos muito claros, e determinado a alcançar os objetivos que anunciou durante a campanha eleitoral. Mais: manteve seu discurso contra os adversários, mas – pelo menos até aqui – não agiu de maneira abusiva nem tripudiou sobre seus inimigos políticos.

Visto por seus adversários como um mandatário arrogante, muito senhor de si, que ainda não encontrou rumo, o governador é tido pela maioria como um dirigente sério, que se movimenta com os pés no chão, levando os seus simpatizantes a vê-lo como um chefe de Estado e de governo que atua com equilíbrio, que não fez concessões fora da lei e que tem se esforçado para se livrar de estereótipos. Para alguns, Flávio Dino ainda não está ajustado ao papel de governador, mas mesmo entre os que fazem essa avaliação há quem reconheça que sua governança passa a certeza de que o Maranhão está sob um governo correto, focado e em condições de efetuar efetivamente mudanças no curso da história política e administrativa do estado.

Seus adversários políticos, liderados pela ex-governadora Roseana Sarney (PMDB), não dão trégua. Diariamente disparam críticas ao governo e denúncias de distorções administrativas. Mas as investidas oposicionistas não tiram o governador nem o governo do eixo. O governador reage ora ironizando no twitter, emitindo notas de rebate e tomando atitudes de governo. O fato é que Flávio Dino não deixa nenhuma estocada ou ataque sem resposta, reagindo ele mesmo ou seu porta-voz mais ativo, o secretário de Articulação Política e Assuntos Federativos, Márcio Jerry, que também preside o PCdoB no Maranhão. No campo político, opera sem descanso para formar uma base política sólida, com o fortalecimento do PCdoB e de outros partidos aliados, como o PDT, por exemplo, de olho também da fragilização cada vez mais acentuada da oposição.

Os nove meses demonstraram que o projeto político do governador tem o Maranhão como base, mas vai muito além das fronteiras do estado. Mas para isso, sabe ele que não irá a lugar algum se não fizer as transformações prometidas e acabar como mais um ex-governador que virou senador. Mas a julgar por suas declarações, sua aspiração vai longe. Na entrevista que concedeu sexta-feira à RedeTV!, a entrevistadora perguntou-lhe se pretende ser presidente da República, e ele respondeu: “Não. Quero dar conta desse primeiro desafio”. Para depois…

 

 

PONTOS & CONTRAPONTOS

Doutores com justiça

A Universidade Federal do Maranhão (UFMA) homenageia hoje o poeta Nauro Machado e o ex-governador Jackson Lago (in memorian) com o título de Doutor Honoris Causa. Iniciativa do reitor Natalino Salgado aprovada pelo Conselho Universitário.

nauroNauro Machado – A láurea a Nauro Machado é mais que merecida, por ser ele um dos gigantes da poesia de língua portuguesa, cuja obra nada deixa a dever a grandes nomes da literatura universal. Tanto que chega aos 80 anos externando cada vez mais sabedoria na sua vigorosa poesia, como, por exemplo, o poema 1177, do livro “O baldio som de Deus”: Embora um outro em mim viesse com a / sua existência feita em duplos cios, /não chegarei aos oitenta de uma soma / acumulada em perdas e extravios: /  escavo a cova de uma carne em coma / na escritura da noite sem pavios, / pela presença dessa que me toma, / suando ainda em seus tremores frios. / E na existência que em mim se conta, / para afrontá-la quando a carne afronta / o dentro feito o meu próprio algoz, / sobre a cova sob mim acumulada / minuto e hora de um mesmo nada, / sei desse outro a falar com a minha voz. Nada mais justo, portanto, do que o reconhecimento que a UFMA lhe faz.

jackson lago 2Jackson Lago – O mesmo se pode dizer de Jackson Lago, que além de médico renomado e militante político engajado e movido pela coerência, dedicou muito da sua vida à UFMA com o professor do Curso de Medicina. Como médico, Lago foi pioneiro no Maranhão como especialista em cirurgia do baço, com o que contribuiu decisiva e efetivamente para mudar para melhor o tratamento de doença relacionada com aquele órgão humano. Na política, Jackson Lago foi um gigante. Militante de esquerda desde jovem, se manteve nessa seara por toda a sua trajetória política, que incluiu a fundação do PDT juntamente com Leonel Brizola e Neiva Moreira. Foi deputado estadual, prefeito de São Luís por três vezes e governador do Estado. Jackson Lago foi um exemplo de coerência, pois jamais se afastou da linha ideológica e doutrinária que abraçou. Teve seu mandato cassado sem uma mancha na sua imagem pessoal e deixou muitos seguidores, que até hoje o têm como referência. O título concedido pela UFMA contempla o médico e o político.

 

PTB alinhado

O pedro lucaspresidente estadual do PTB no Maranhão, deputado federal Pedro Fernandes, corrige a coluna ao informar que o braço do partido em São Luís não participará de uma frente sarneysista, pois está inteiramente alinhado com o projeto de reeleição do prefeito Edivaldo Jr. (PDT), tendo à frente o vereador Pedro Lucas Fernandes.

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Gastão Vieira critica ação do PMDB no TRE para favorecer Roberto Rocha

 

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Gastão Vieira queria que Roberto Rocha fosse jugado pelo TRE

A briga pelo Senado iniciada em 2014, na qual o candidato do PSB, Roberto Rocha, saiu eleito das urnas, e que ainda estava rendendo no tapetão da Justiça Eleitoral, pode ter acabado ontem. É que o PMDB desistiu da ação em que questionava a lisura da eleição do candidato socialista e que deveria ser julgada em definitivo na próxima terça-feira (13). Por meio dos seus advogados, o partido protocolou, sexta-feira, um pedido de arquivamento da Representação 430, formalizada contra Roberto Rocha sob o argumento que elas estariam contaminadas por irregularidades insanáveis, lastreando a denúncia com uma série de documentos. A iniciativa do PMDB estaria no bojo de um acordo político com o parlamentar do PSB, que envolveria alguns compromissos de alinhamento dele em questões que tramitam no Senado e outros relacionados com a corrida para a Prefeitura de São Luís. A desistência foi revelada pelo ex-deputado federal e ex-ministro do Turismo Gastão Vieira, que disputou a senatória com Roberto Rocha, perdeu e, insatisfeito com o PMDB, deixou o partido e assumiu o comando do PROS no Maranhão.

Ontem, Gastão Vieira postou na sua página no facebook as irregularidades que, segundo ele, colocariam em xeque a prestação de contas de campanha e até mesmo o mandato de Roberto Rocha. A lista é a seguinte, segundo o ex-candidato a senador pelo PMDB: ausência de recibos eleitorais declarados; doações de recursos estimáveis em dinheiro de doadores  diversos e que possuem o mesmo endereço; doações de recursos em dinheiro não decorrentes da atividade econômica da empresa; recursos sem comprovação e avaliação do mercado de valor; divergências de valores de doação registrada no recibo eleitoral quando comparado com a prestação de contas; cessão de veículo por doador que não era proprietário do automóvel; e, o que considera mais grave, ausência de declaração de R$ 30 mil.

Em seguida, Gastão Vieira indaga: “Por que o PMDB desistiu a três dias de ser iniciado o julgamento a três dias de ser da Representação?” Acrescenta, em tom bombástico: “Em breve iremos saber!” E em contato com a Coluna, disse que as denúncias seriam suficientes para queimar o mandato de Roberto Rocha e abrir caminho para uma nova eleição para a vaga de senador. Manifestou, finalmente, a convicção de que foi prejudicado pelo PMDB na campanha, e que a desistência de agir contra Roberto Rocha comprova que o PMDB cruzou os braços em relação à sua candidatura senatorial, preferindo agora ter o senador socialista como aliado informal.

Por outro lado, a iniciativa do comando pemedebista de retirar a Representação 430 contra seu mandato, mostra que o senador Roberto Rocha se movimenta na estrada do pragmatismo. Ágil e bem articulado, o jovem senador maranhense opera para construir uma carreira independente, usando os recursos ilimitados das articulações política, abrindo ou reabrindo pontes com adversários para dar concretude a projetos ousados, entre eles o de disputar o Governo do Estado, se for o caso, com o apoio do PMDB. Certamente avalia que a legenda pemedebista dificilmente terá um candidato competitivo para enfrentar o projeto de reeleição do governador Flávio Dino (PCdoB), com quem está praticamente rompido.

Roberto Rocha investe todos os seus cartuchos na consolidação de uma carreira-solo, ao longo da qual suas decisões não estejam atreladas à conveniência de terceiros, como, por exemplo, ao governador Flávio Dino – pelo menos por enquanto. E os acordos de gaveta com o PMDB são parte importante desse roteiro que ainda vai dar muito que falar principalmente depois da grita feita por Gastão Vieira, que tem motivos de sobra para reagir como reagiu, agora também contra o PMDB.

Em tempo: não surpreende se o senador Roberto Rocha abriu e está usando um canal de entendimento com o PMDB. Afinal, foi no Grupo Sarney que ele se fez político, seguindo os passos do pai, o ex-governador Luiz Rocha, que foi, na maior parte da sua trajetória política, uma das maiores estrelas do sarneysismo, junto com os senadores Alexandre Costa, João Castelo, Edison Lobão e João Alberto. Foi para a oposição movido por circunstância, mas os registros mostram que, se nesse período não quis conversa com a cúpula do Grupo Sarney, também não se comportou como opositor ferrenho e agressivo. Deve ter aprendido com o pai, que foi uma das mais hábeis raposas políticas do seu tempo, que nesse ramo de atividade não se deve fechar todas as janelas. Não se espera que Roberto Rocha volte ao seio do sarneysismo, mas ativar canais eventuais com o grupo é prova de que está chegando à maioridade política.

 

PONTOS & CONTRAPONTOS

Guerra à vista

Uma disputa poderá sacudir fortemente o PMDB do Maranhão nos próximos meses. A seguinte: em guerra aberta com a direção estadual do PMDB, o ex-deputado Ricardo Murad estaria preparando-se para lançar sua filha, a deputada estadual Andrea Murad, candidata a presidente do partido, contra o senador João Alberto, em convenção estadual a ser realizada em fevereiro ou março do ano que vem. Ricardo Murad já tentou várias vezes colocar a mão no leme pemedebista, mas em todas as tentativas encontrou pela frente o “chega-pra-lá” do experiente e implacável senador João Alberto, responsável pela organização e pela unidade que o partido vem sustentando há duas décadas, sempre como o maior partido do Maranhão, posição que ainda mantém. O argumento a ser usado por Murad é o de que o PMDB precisa se renovar, se reciclar, e que a deputada Andrea Murad pode comandar esse processo com a sua jovialidade. O problema é que quem o conhece sabe que, se eleita presidente do PMDB, Andrea Murad seria presidente formal, e que o comando de fato seria de Ricardo Murad. Há quem diga que o projeto de Murad contaria com o aval da ex-governadora Roseana Sarney, mas não teria a simpatia do presidente José Sarney.

 

São Luís, 03 de Outubro de 2015.

 

 

 

 

 

 

 

 

Rose Sales entra no PV e pode liderar partidos sarneysistas na corrida à Prefeitura de São Luís

 

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De casaco verde e ouvida por Sarney Filho (C), Rose Sales fala no ato de filiação ao PV

O Grupo Sarney, que compreende a reunião de vários partidos, rascunhou ontem o seu rumo na corrida para a Prefeitura de São Luís ao receber festivamente a filiação da vereadora Rose Sales nos quadros do PV, que é o braço partidário liderado pelo deputado federal Sarney Filho. Esse rascunho ganhou traço de desenho quando o comando verde anunciou que Rose Sales deverá ser a candidata do partido à prefeita. Com a definição, o Grupo Sarney, que saiu fortemente desgastado das eleições gerais do ano passado, pode estar pavimentando dois caminhos para participar da corrida eleitoral na Capital. Um deles é fracionar a aliança tradicional, de modo a se fazer presente em várias frentes, e o outro é consolidar a pré-candidatura de Rose Sales em torno do grupo partidário formado por PV, PMDB, PTB, PSC, PSDC, DEM, entre outras legendas de menor expressão.

Com o desembarque no PV, a vereadora Rose Sales fecha um ciclo de indefinição durante o qual ela entrou em rota definitiva de colisão com o PCdoB, na esteira do seu rompimento com o prefeito Edivaldo Jr. (PDT) e, depois, do seu desencanto com o governador Flávio Dino (PCdoB), num processo que culminou com a saída do partido. Sem legenda e disposta a disputar a sucessão municipal, a vereadora fez uma longa e tortuosa via crucis em busca de um partido que a aceitasse com os seus valores políticos e lhe desse a oportunidade de representá-lo na disputa para Prefeitura de São Luís.

O passo inicial da atribulada caminhada de Rose Sales em busca de um partido foi filiar-se ao PP, comandado com mão de ferro no estado pelo deputado federal Waldir Maranhão, atual vice-presidente da Câmara Federal. A Operação Lava Jato, que apura o gigantesco esquema de corrupção na Petrobras, no entanto, revelou um PP politicamente sujo, por ter sido o mais voraz com o dinheiro desviado, tanto que 19 deputados, inclusive Waldir Maranhão, e um senador estão sendo investigados. Diante da situação cabeluda, a vereadora pulou fora da barca pepista, sendo em seguida assediada por vários partidos, mas fixou seu projeto no PMDB. Foram várias rodadas de conversas com o senador João Alberto, que chegou a avaliar a possibilidade de ela vir a ser a candidata do PMDB à Prefeitura ou, num projeto de aliança, indicá-la como candidata a vice. Não deu certo.

O PV foi o projeto político que mais a entusiasmou. Primeiro porque, dos partidos alternativos, ele é de longe o mais consolidado, e depois, trata-se de uma legenda com ideologia, doutrina e programa e com um projeto político coerente, equilibrado e voltado para causas nobres, a começar pela preservação do meio ambiente. No Maranhão, mesmo pertencendo umbilicalmente ao Grupo Sarney, o PV, sob o comando do deputado federal Sarney Filho, consegue manter uma linha política mais leve, o que o distancia do braço mais conservador do grupo liderado pela ex-governadora Roseana Sarney. Além disso, o PV maranhense é visto como o canal por meio do qual o sarneysismo tenta se reciclar, mostrar cara nova, tarefa hoje desincumbida pelos deputados Adriano Sarney e Edilázio Jr.

É nesse contexto de mudança que a vereadora Rose Sales desembarca no PV, onde, tudo indica, ganhará espaço para levar à frente seu discurso de oposição ao prefeito Edivaldo Jr. (PDT), de quem se afastou por razões até agora não muito bem esclarecidas, sendo a versão dominante a de que ela não teve o espaço que pretendeu na administração municipal.

Se confirmada candidata do PV à Prefeitura de São Luís, a vereadora Rose Sales terá pela frente outro desafio tão difícil quanto o de enfrentar o  projeto de reeleição do prefeito Edivaldo Jr.: travar uma disputa dura, sem trégua, mas saudável, com a deputada federal Eliziane Gama, que deixou o velho e cansado PPS para embalar em São Luís a novíssima Rede Sustentabilidade criada por Marina Silva. O ponto central desse embate é que o PV e a Rede professam o viés ambientalista e devem usar o mesmo mote na corrida eleitoral. Será um duelo à parte, que poderá beneficiar o prefeito Edivaldo Jr., que já deu mostras de que está se preparando para uma campanha dura e difícil.

 

PONTOS & CONTRAPONTOS

Sem tornozeleira

joão abreu 5O ex-secretário-chefe da Casa Civil João Abreu não vai mais usar a tornozeleira que recebeu como uma das condições para ter sua prisão relaxada. Ontem, o empresário obteve da Justiça autorização para retirar a tornozeleira eletrônica que usava por determinação do desembargador José Luiz Almeida. A decisão foi tomada pelo desembargador Raimundo Barros, acatando argumento da defesa de que a medida era “extrema e descabida”. Barros se convenceu de que João Abreu é réu primário, se entregou à Polícia Civil quando sua prisão preventiva foi decretada, tem colaborado com a Polícia e não praticou nenhum gesto que pudesse ser interpretado como prejudicial às investigações. Além do mais, na liminar que concedeu o habeas corpus que relaxou sua prisão, João Abreu se obrigou a não sair de São Luís, entregar o passaporte para a Polícia, não fazer contato com os outros investigados e se apresentar em juízo todos os meses com um relatório das suas atividades. E teria de cumprir todas as exigências usando uma tornozeleira, para ser monitorado pela Polícia. As outras exigências continuam, mas agora sem o incômodo artefato eletrônico no tornozelo.

 

Carta solidária

edilson baldez 1Várias manifestações de solidariedade alcançaram o empresário e ex-chefe da Casa Civil no Governo Roseana Sarney. Agora partiu do empresário Edilson Baldez, presidente da Fiema e do Conselho Deliberativo do Sebrae no Maranhão, e um dos mais importantes líderes empresariais do estado. Ele emitiu carta aberta, de caráter pessoal, na qual manifesta apoio ao amigo, que foi preso acusado de receber propina no rumoroso e ainda não totalmente esclarecido caso do precatório da Constran. Segue, na íntegra, a carta de Edilson Baldez:

Venho, como amigo, prestar solidariedade a você que contribuiu de forma significativa à frente de instituições como a Associação Comercial do maranhão, Sebrae do Maranhão e Governo do Estado.

Ao longo da sua vida empresarial e política, o homem público João Abreu conquistou o nosso respeito e admiração. Sempre nos tratou com solicitude e elegância, ajudando a costurar importantes iniciativas em prol do desenvolvimento, reforçando a imagem de um gestor sereno, firme, ousado e aberto ao diálogo.

“Sabemos da sua seriedade, do seu compromisso com a coisa pública e da retidão como homem público, e lamento, juntamente com os meus pares, a forma como aconteceu esse episódio”.

Cordialmente

Edilson Baldez das Neves

 

São Luís, 02 de Outubro de 2015

Prisão de João Abreu disparou o alerta vermelho na direção de Ricardo Murad

 

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Ricardo Murad usa o ataque como defesa

A julgar pelo que vêm denunciando seus aliados, em especial os deputados estaduais Andrea Murad (PMDB), sua filha, e Souza Neto (PTN), seu genro, em discursos estridentes, o ex-deputado estadual Ricardo Murad (PMDB), o todo-poderoso secretário de Estado da Saúde nos dois últimos períodos de governo de Roseana Sarney (PMDB), está correndo sérios riscos de ser preso. A prisão anunciada seria, segundo eles, uma armação do secretário de Estado da Segurança Pública, Jefferson Portela, para levar à frente o que, segundo os parlamentares, seria uma política de perseguição a adversários por ordem do governador Flávio Dino (PCdoB), e no caso de Ricardo Murad uma fórmula para tirá-lo do cenário político e abrir caminho para prender também a ex-governadora Roseana Sarney. Essa mega trama seria motivada por ódio puro e simples, situação que não encontra similar em qualquer momento da história política recente.

Nos bastidores político, onde trafegam com intensidade as mais diversas versões, vozes governistas batem forte na denúncia, afirmando categoricamente que ela é fantasiosa, e garantindo que o que existe mesmo em andamento são investigações para apurar supostos malfeitos do ex-deputado Ricardo Murad, como secretário estadual de Saúde, no comando do mega programa Saúde é Vida. Mas as mesmas vozes governistas dizem que as investigações mais avançadas estão a cargo da Polícia Federal (PF), porque os recursos supostamente mal aplicados ou desviados foram liberados pela União. Existem também investigações da Polícia Civil em curso, que também estariam avançadas. “Mas se o Ricardo Murad tiver de ser preso agora, ele será preso pela Polícia Federal”, disse uma fonte política bem situada na base governista.

O nome da ex-governadora Roseana Sarney entra no rolo dos rumores como decorrência natural do fato de ter sido ela a comandante maior do governo sobre o qual estão desabando denúncias. Nada além disso até aqui.

Nesse contexto de denúncias, contestações, ditos e desmentidos, alguns mais cuidadosos avaliam que as denúncias feitas por Ricardo Murad e seus aliados seriam o emprego da clássica estratégia na qual a melhor defesa é o ataque. Sem outros recursos para enfrentar a máquina política governista – que conhece muito bem em todos os seus aspectos – o ex-deputado bombardeia o governador do Estado e seus secretários com denúncias de perseguição política e por ódio puro e simples, disparando também denúncias de supostos escorregões éticos do novo governo, que até agora não foram confirmados. Enfim, uma guerra de discursos, com a diferença de que, além da fala, o rebate governista garante estar colhendo provas que, cedo ou tarde, colocarão o ex-secretário de Saúde contra a parede, numa espécie de sinuca de bico da qual dificilmente sairá ileso.

O alerta vermelho na seara de Ricardo Murad foi disparado com a prisão, na semana passada, do empresário João Abreu, ex-chefe da Casa Civil no último governo de Roseana Sarney, acusado de receber do doleiro Alberto Youssef propina de R$ 3 milhões para facilitar o pagamento de precatório de R$ 113 milhões à empreiteira Constran. O fato estremeceu de vez a cidadela de Ricardo Murad e tirou do eixo o comando do Grupo Sarney, a começar pela ex-governadora Roseana Sarney, que reagiu cm uma nota na qual usou o discurso do ex-secretário de Saúde, acusando o governador Flavio Dino de instalar no Maranhão um clima de “ódio, perseguição e intolerância” – Dino agiu como se não tivesse tomado conhecimento.

A Coluna ouviu fontes dos dois lados e chegou à conclusão de que a prisão do ex-deputado Ricardo Murad é uma possibilidade real, pois a PF já teria elementos para tirá-lo de circulação em caráter preventivo. E ele já teria plena consciência de tal risco, o que explicaria a sua reação de agora, intensa, agressiva e feita em tom de denúncia. Essa reação indica que, traquejado no embate político e no jogo do poder, no qual foi forjado, Murad está se preparando para ser um adversário duro de dobrar. Era o que muitos pensavam a respeito de João Abreu, e deu no que deu.

 

PONTOS & CONTRAPONTOS

 

Ana do Gás é  mais que sorrisos I

ana do gás 2Engana-se quem pensa que deputada Ana do Gás (PRB) é apenas uma mulher bonita, uma primeira-dama mimada e uma parlamentar simpática que a todos cativa com um largo sorriso e gestos gentis. Ontem ela revelou-se uma política que não engole desaforo e que, se provocada, joga pesado com adversários. Aconteceu o seguinte: o deputado Vinícius Louro (PR), um parlamentar jovem e atuante que tem base no Médio Mearim, reclamou, da tribuna, que ele e seu pai, o ex-deputado Raimundo Louro, foram desrespeitados por Ana do Gás num ato político do PCdoB em Esperantinópolis. Só que o ato era promovido por um aliado da deputada e cujos partidários não gostaram da presença dos Louro. Estimulada pelos descontentes, Ana do Gás disse que o deputado Vinícius Louro e seu pai Raimundo Louro agiram como “caras de pau” ao se fazerem presentes na festa política, causando um forte mal-estar. Vinícius Louro criticou duramente a deputada e contou que ele e o pai só foram ao ato porque foram convidados. E, depois de criticar Ana do Gás, disse que a colega não é dona da região do Médio Mearim nem Esperantinópolis é seu “curral” eleitoral. E fechou dizendo que, ao invés de querer mandar no município, a deputada deveria investir ali parte dos recursos de suas emendas parlamentares.

Ana do Gás é mais que sorrisos II

Diante das estocadas do deputado Vinícius Louro, a deputada Ana do Gás foi à tribuna e, sem alterar a voz, mas em tom firme, assinalou, primeiro, que nem sempre um convite deve ser aceito, e que os Louro não deveriam estar no ato em Esperantinópolis. Relatou que só os chamou de “caras de pau” porque foi cobrada por “mais de cem” partidários que não queriam os Louro lá. Num discurso cada vez mais enfático, ela disse não ter curral eleitoral, “por que não trato eleitor como bicho, mas como gente igual a mim”. Aconselhou, em tom irônico, mas enfático, o deputado a “ir se acostumando com minha presença, porque o Médio Mearim não lhe pertence”. E fechou sua reação revelando mais ainda da sua forte personalidade ao comentar a sugestão do deputado de investir parte das suas emendas em Esperantinópolis. – Cuide das suas emendas que eu cuido das minhas. Sou deputada, sou casada, sou primeira-dama de Santo Antonio dos Lopes, mas nem meu marido diz onde devo aplicar as minhas emendas. Isso é assunto meu, dos meus eleitores e de mais ninguém”.

 

Racha?! Onde?!

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Valéria Lauande entre Caldas Góis Jr. e Daniel Blume

Os bastidores da corrida pelo comando da OAB – que começa a ganhar aceleração – foram ontem incendiados pela informação segundo a qual o grupo que embala a candidatura de Valéria Lauande a presidente teria sofrido um racha por causa de uma suposta briga entre os advogados  Caldas Góis Jr. e Daniel Blume pela vaga de conselheiro federal. Ontem à noite, durante reunião do grupo liderado por Lauande, Os dois advogados discursaram e desmentiram, com veemência, a informação sobre o suposto racha. Com o desmentido, o grupo saiu da reunião inteiro, e pelo que se comentou, bem mais forte.

0São Luís, 02 de Outubro de 2015.

Filho de Lula tem de explicar atos suspeitos, como Dirceu, Roseana e Lobão. Por que não?

 

DF - MENSALÃO/JOSÉ DIRCEU/PRISÃO DOMICILIAR - POLÍTICA - O ex-ministro da Casa Civil José Dirceu,   condenado no processo do mensalão, é visto   saindo do Centro de Progressão Penitenciária   (CPP), em Brasília, rumo ao seu trabalho em   um escritório de advocacia. O ministro Luís   Roberto Barroso, do Supremo Tribunal   Federal (STF), autorizou que Dirceu passe a   cumprir em casa a pena a ele imposta.   Condenado a 7 anos e 11 meses de prisão, ele   cumpre a pena desde 15 de novembro do ano   passado no regime semiaberto, em que tem   permissão para sair durante o dia para trabalhar e   retornar à noite para a prisão.    29/10/2014 - Foto: DIDA SAMPAIO/ESTADÃO CONTEÚDO
Dirceu, Roseana e Lobão já enfrentaram interrogatórios
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Filho de Lula vai ter de depor na Polícia Federal

Muita gente anda se escandalizando com decisões judiciais que estão alcançando pessoas importantes ou ligadas a elas no âmbito das operações que investigam e põem a nu denúncias de corrupção na máquina pública, como a Operação Lava Jato, a mais ampla, abrangente e espetacular já realizada e que, com todos os seus eventuais tropeços, está mudando a feição do Brasil. A bola da vez defendida pelos inconformados é Luis Cláudio Lula da Silva, filho do ex-presidente Lula, que está sob investigação na Operação Zelote – um braço da Lava Jato no campo fiscal – por suspeita de fazer tráfico de influência no Governo Federal e receber por isso boladas milionárias de empresas ligadas aos esportes. O simples fato de ele ter sido notificado para prestar depoimento na semana que vem foi recebido pelo governo central, pela cúpula do PT e por amigos e familiares dele como uma afronta, uma tentativa de desmoralizar o ex-presidente, como se a Justiça Federal, o Ministério Público Federal (MPF) e a Polícia Federal (PF), responsáveis pela investigação e pela notificação, se movessem pela velha regra do “isso pode, isso não pode”. Isso ficou claro em situações envolvendo personalidades políticas maranhenses.

A Constituição Federal, com sua veia cidadã, é clara: a lei é para todos, sem nenhuma exceção, e ponto final. O melhor exemplo disso é que um dos maiores ícones da esquerda continental e da luta contra a ditadura, um dos fundadores do PT e formulador dos governos de Lula, José Dirceu está na cadeia, condenado por corrupção no mensalão, e pode agora ser enquadrado também no petrolão – há quem diga que a condenação é injusta, que ele foi acusado sem provas e tal, mas o fato é que Dirceu não conseguiu desmontar a acusação. No mesmo patamar está o empresário Marcelo Odebrecht, o todo poderoso dono e chefe maior da Norberto Odebrecht, o gigantesco conglomerado da construção civil da América Latina, que também está na cadeia na condição de armador do esquema de corrupção na Petrobras. Difícil, portanto, aceitar o argumento de perseguição, pois esses dois exemplos reduzem essa suspeita a quase zero.

Não há como livrar o filho de Lula de pelo menos dar uma explicação convincente à PF e ao país. As investigações identificaram uma relação suspeita da empresa dele, a LFT Marketing Esportivo, com a Touchdown  Marketing Esportivo, envolvendo quantias milionárias aparentemente sem prestação de serviço algum e indícios de tráfico de influência no Palácio do Planalto. E agora Luis Cláudio Lula terá de explicar a origem e o motivo dos depósitos de mais de R$ 2 milhões na conta da sua empresa. É simples. Basta que ele informe corretamente, com comprovantes fiscais – notas fiscais relatando os serviços e os valores cobrados – e tudo estará resolvido. Se fizer isso, como manda a lei, o filho de Lula sairá do processo investigatório limpo, com autoridade até para buscar reparação por danos morais e dando a seu pai mais argumentos para reforçar seu discurso político. Do contrário, o caso poderá resultar numa tragédia moral, ética e política para a família Lula da Silva, especialmente para o ex-presidente. E não pode ser de outra maneira.

A ex-governadora Roseana Sarney já viveu situações como essa. No Caso Lunus, a parte maranhense de uma gigantesca operação, ocorrida em março de 2002, que investigou suspeitas de corrupção na Sudam, ela prestou depoimento na sede local da Polícia Federal, no Anil. A pedido dos seus advogados, seu depoimento ocorreu à noite, para evitar tumultos com a imprensa. Há notícia de que os delegados foram muito duros nas indagações, mas ela, então senadora da República, deu as explicações em relação à reunião da Sudam e outros itens da investigação. Mais de um ano depois foi inocentada pela Justiça, inclusive recebendo de volta, nota sobre nota, a bolada que a PF confiscou no escritório da Lunus.

Agora, na Lava Jato, já como ex-governadora, Roseana prestou depoimento em Brasília. Corre nos bastidores políticos que, por falta de elementos, o interrogatório foi ameno e tranquilo e que ela saiu-se muito bem nas respostas, fragilizando fortemente a acusação. E é bem provável que saia ilesa do caso. E no final da semana passada, a Coluna foi informada de que Roseana Sarney estaria sendo notificada para prestar depoimento no Caso do Precatório da Constran, que levou o empresário João Abreu, influente chefe da Casa Civil no governo dela, para a prisão preventiva, que cumpre em casa. Não houve como confirmar a informação da notificação porque o caso corre em segredo de Justiça.

O mesmo acontece na Operação Lava Jato com o senador Edison Lobão (PMDB), alvo de acusações no polêmico e controvertido processo de delação premiada, no qual bandidos contam o que sabem, ou o que querem, dedurando supostos envolvidos, para ganhar redução de pena. Consciente de que a lei é para todos, Lobão vem cumprindo rigorosamente todas as etapas, sem fazer alarde nem papel de vítima. Prestou depoimento à Polícia Federal, contestou as acusações e agora aguarda o desfecho do caso, estimulado pelo fato de que até o momento nada do que os delatores disseram se confirmou.

Não há, portanto, como tentar politizar processo. O que os acusados têm de fazer é contestar a acusação e provar que são inocentes ou, dependendo da situação, exigir que os delatores provem o que disseram. Nada além disso.

 

PONTOS & CONTRAPONTOS

 

Lá fora é assim I

sarkozy 1A caça a corruptos ganha força em todo mundo. Na França, por exemplo, o ex-presidente Nicolai Sarkozy – que gravou uma mensagem parabenizando Lula no dia do seu aniversário, data também em que Luis Cláudio Lula foi notificado -, apareceu como suspeito de desvio. Não deu outra: o Ministério Público pediu a investigação e a Polícia francesa não perdeu tempo, e menos de um mês depois Sarkozy desceu do alto do seu prestígio, e como cidadão comum foi a uma delegacia de polícia encarar um duro interrogatório, no qual deu as explicações que podia dar. O caso ainda está rolando na Justiça francesa, muito embora já se saiba que o ex-presidente deve sair ileso, devendo até tentar voltar ao Palácio Eliseu daqui a dois anos.

 

Lá fora é assim II

socrates 1No ano passado, Portugal entrou em estado de choque com a prisão, por suspeita de corrupção, do ex-primeiro-ministro José Sócrates, do Partido Socialista. Um dos mais notáveis políticos da geração pós-Revolução dos Cravos e um dos ícones da nova esquerda europeia, Sócrates foi acusado de manter relações promíscuas com empreiteiras portuguesas e brasileiras – Odebrecht e Andrade Gutierres -, que resultaram na compra de um belo apartamento em bairro chique de Paris e em outras vantagens financeiras. Diante das evidências, a Justiça mandou prendê-lo, causando uma comoção contida em Portugal. Durante as semanas seguintes, não se falou em outra coisa no país. Em Lisboa, nas rodas de conversa, grupos pró e contra Sócrates debateram freneticamente, quase indo às vias de fato. E mesmo alguns comentaristas que defenderam o ex-primeiro-ministro, não ousaram acusar o Ministério Público e a Polícia de agirem politicamente. Lá também promotor e juiz responsáveis pelo caso viraram celebridades, como Sérgio Moro.

 

Lá fora é assim III

Recentemente, a pequena Guatemala, Otto Pérez Molina, onde a democracia se instalou de vez, depôs o presidente da República por envolvimento num esquema de corrupção. A ação da Polícia, do Ministério Público, da Justiça e do Congresso Nacional de lá foi exemplar: diante das provas, o presidente foi processado e condenado em processo fulminante. Renunciou antes da conclusão do processo, mas f ei preso após entregar a faixa.

 

 

São Luís, 01 de Novembro de 2015.

 

 

Roseana defende João Abreu e diz que Dino cria clima de ameaça, perseguição e intolerância

 

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Roseana defende João Abreu e acusa Flávio Dino de perseguição e intolerância

Até então se guardando numa posição cautelosa, evitando ao máximo se expor num confronto aberto com seu sucessor, a ex-governadora Roseana Sarney (PMDB) saiu ontem a campo para manifestar, em nota, sua “indignação” com a prisão do empresário João Abreu, chefe da Casa Civil e “homem forte” do seu governo até quando deixou o cargo, sem  maiores explicações, no final de 2013. Deu ao caso a limitação de episódio, com tintura puramente política, acusando o governador Flávio Dino (PCdoB) – não lhe citou o nome – de instaurar no Maranhão um “clima de perseguição e intolerância”, argumentando que “tais condutas não fazem parte da tradição pacífica da nossa gente”. Sem usar em momento algum o adjetivo  “inocente”, a ex-governadora defendeu o ex-auxiliar, afirmando ser ele um “empresário exemplar” e “incapaz de praticar os atos de que lhe acusam”, que vive agora a condição de vítima “de um plano de perseguição para constranger a mim e às pessoas que comigo trabalharam”.

Na sua nota, a ex-governadora ataca duramente o governador Flávio Dino e, da mesma maneira, alveja também o juiz da 1ª Vara do Tribunal do Júri, Osmar Gomes, quando classifica de “absurda” a prisão de João Abreu, já que o ato resultou do cumprimento de uma ordem do magistrado.  A ex-governadora diz vir a público “manifestar minha indignação” com o que define como “um clima de ameaça e intolerância implantado no Maranhão”, e logo em seguida afirma que – ela e provavelmente o grupo que a rodeia – “estamos estarrecidos”. Tal reação é explicada, segundo ela, porque João Abreu se dedicou “com honestidade e competência” na condução da Casa Civil. Não mencionou que no seu segundo governo, há cerca de 20 anos, ele foi chefe da Casa Civil e, depois, comandou o Sistema Estadual de Saúde.

Na sua nota, a ex-governadora admite que o ex-secretário foi citado por “um acusado” em depoimento na Operação Lava Jato, preferindo não citar o nome de Alberto Youssef. Mas afirma que nada houve de anormal e irregular no acordo para o pagamento do precatório, que foi aprovado por todos os órgãos estaduais – Procuradoria de Justiça do Estado, Secretaria de Planejamento e Ministério Público Estadual – e homologado pela Justiça, descartando qualquer articulação nos bastidores envolvendo propina pela obtenção do acordo com a Constran, feito no valor de R$ 123 milhões em 24 parcelas iguais, o que é confirmado pela empresa e pela Justiça. Em suma, dá a entender que o inquérito – autorizado pelo Superior Tribunal de Justiça – e o pedido de prisão foram armados para “gerar espaços midiáticos que desviem a atenção da opinião pública para a paralisação em que se encontra o Maranhão”.

A ex-governadora dedica o último parágrafo ao governador Flávio Dino – cujo nome não cita – disparando um tiroteio duro, afirmando que ele foi eleito para governar o estado e não para “criar esse clima ideológico de perseguição”, Acusa o sucessor de gastar seu tempo “fazendo o que lhe é mais agradável, odiando, perseguindo, distribuindo culpas aos que não lhe são simpáticos e apalpando culpas dos culpados que lhe aplaudem”.

Curiosamente, a nota de Roseana Sarney reduz o caso a um episódio, tenta politizá-lo, mas não faz um desafio a Flávio Dino, não anuncia alguma providência política ou judicial para combater o estado de coisas que ela desenhou, dando a entender que o poder do governador de “perseguir” é ilimitado, só podendo ser lamentado, mas não combatido. Por estratégia ou  até por desânimo, Roseana, mesmo “indignada” e “estarrecida”, parece adotar uma posição conformista, à medida que não sinaliza qualquer gesto no sentido de se contrapor ao poder abusivo que ela e seus aliados, entre eles o ex-deputado Ricardo Murad (PMDB), denunciam.270101

A nota:

Em respeito ao povo do Maranhão, venho a público manifestar a minha indignação a esse clima de ameaça, perseguição e intolerância implantado no Maranhão, condutas que não fazem parte da tradição pacífica de nossa gente. Estamos estarrecidos com a absurda prisão do ex-secretário da Casa Civil, João Abreu, empresário exemplar, chefe de família respeitável, membro destacado da classe empresarial e incapaz de praticar atos de que lhe acusam. No meu governo dedicou-se com honestidade e competência na condução da Secretaria da Casa Civil.
Sua absurda prisão faz parte de um plano de perseguição para constranger a mim e às pessoas que comigo trabalharam e gerar espetáculos midiáticos que desviem a atenção da opinião pública para a paralisação em que se encontra o Maranhão.
É fato que existe uma citação de um dos acusados presos pela Lava Jato referente a um precatório que foi objeto de ação rescisória ajuizada pelo MP-MA em 27/08/2013. Cabe ressaltar que, quando foi objeto da ação rescisória, o caso estava em primeiro lugar na lista de precatórios. Era uma ação de indenização proposta por uma empreiteira, há mais de 25 anos, contra o Estado do Maranhão. Não há nada de irregular nesse acordo, aprovado por todos os órgãos estaduais e homologado pela Justiça.
O Governador venceu as eleições para governar e promover a justiça social e não para criar esse clima ideológico de perseguição. Mas gasta seu tempo fazendo o que lhe é mais agradável, odiando, perseguindo, distribuindo culpas aos que não lhe são simpáticos e apalpando as culpas dos culpados que o aplaudem.

Roseana Sarney

 

 PONTOS & CONTRAPONTOS

Queriam o quê?

O governador Flávio Dino não respondeu à nota da ex-governadora Roseana Sarney. Mas em duas mensagens no twitter, ele tratou da prisão do empresário João Abreu dizendo apenas tratar-se do desdobramento do trabalho da Polícia num inquérito autorizado pelo Superior Tribunal de Justiça. No se refere ao fato em si nem cita nomes. As duas notas deixam a impressão de que o governador está satisfeito com o desempenho da Polícia, e não dá indicação de que pretende medir força com a ex-governadora, parecendo ignorar solenemente a nota em que ela se manifesta sobre a prisão do ex-chefe da Casa Civil.

Habeas corpus

Até o fechamento deste post, por volta das 21h de sábado, nenhuma informação circulou a respeito da ação dos advogados Aldenor Rebouças e Carlos Seabra para relaxar a prisão do empresário João Abreu. Uma fonte disse à coluna que o mais provável é que eles protocolassem o pedido de habeas corpus à noite, de modo que a desembargadora de plantão, Maria das Graças, tivesse tempo para analisá-lo até o meio-dia de hoje. Uma fonte do meio jurídico avaliou que a decisão do juiz Osmar Gomes, da 1ª Vara do Tribunal do Júri, não resiste a um argumento forte.