Todos os posts de Ribarmar Correa

Candidatos tratam São Luís no varejo e não conseguem dar à cidade a sua verdadeira dimensão

 

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Edivaldo Jr., Wellington do Curso, Eliziane Gama, Eduardo Braide, Fábio Câmara, Rose Sales, Cláudia Durans, Zéluiz Lago e Valdeny Barros dão expressão a dimensão de São Luís nas suas campanhas pelo voto

Pedaço maior da Ilha de Upaon Açu, no Norte do Maranhão, com 827 quilômetros quadrados de território e que abriga 1,1 milhão de pessoas nas suas entranhas urbanas, reentrâncias periféricas e espaços rurais. De um lado guarda um conjunto de relíquias da arquitetura colonial portuguesa já transformado em propriedade do mundo e detém elevado status cultural erudito e popular sem paralelo na região – o que lhe dá forte vocação para o turismo – e detém um dos portos de águas profundas mais importantes do país, também por estar mais próximos dois centros europeus; e de outro amarga um rosário de mazelas sociais e econômicas, assim como muita desordem estrutural e carência em todas as áreas de serviços que deveriam ser bem prestados pelo Poder Público, o que a torna um desafio constante. É essa a São Luís, hoje detentora de títulos os mais diversos, entre eles o de Cidade Patrimônio Cultural da Humanidade – concedido pela Unesco no final do século passado – e que completa hoje 404 anos e cujo comando está nesse momento sendo disputado por nove cidadãos que se declaram seus amantes e se consideram aptos a assumi-lo.

Passados meses de pré-campanha, tempo em que foram sabatinados várias vezes, e faltando 24 dias para a corrida às urnas, permanece no ar uma dúvida incômoda: terão os candidatos Edivaldo Jr. (PDT), Wellington do Curso (PP), Eliziane Gama (PPS), Eduardo Braide (PMN), Rose Sales (PMB), Fábio Câmara (PMDB), Cláudia Durans (PSTU), Zéluiz Lago (PPL) e Valdeny Barros (PSOL) a noção exata do que é, do que significa e do que precisa a cidade que se dispõem a administrar? A julgar pelo que eles têm dito e repetido em entrevistas, comícios e programas de campanha no rádio e na TV, a resposta é um sonoro  e inquietante não.  Até aqui, todos os discursos ignoraram a São Luís macro, a cidade-polo, a sede de uma região metropolitana que abriga 1,7 milhão de habitantes e que as quatro unidades enfrentam problemas comuns. Ninguém mostrou o que tem em mente para alcançar São Luís na sua verdadeira dimensão. Todos se limitaram a prometer melhoras no transporte público, construir mais postos de saúde, construir mais escolas, etc., sem expor um norte para a Capital.

Nesse contexto, não há como nivelar integralmente o prefeito Edivaldo Jr. com seus concorrentes. Por uma razão simples: ele é prefeito há 45 meses, o que equivale à 1.350 dias, tempo que certamente já lhe permitiu interpretar São Luís em todos os vieses. Sua campanha até agora foi centrada na exibição do que realizou, oferecendo assim elementos soltos da sua concepção da cidade por inteiro. Falta-lhe, no entanto, o discurso do gestor pleno, do planejamento macro, do intérprete integral, do conceito definido, que equilibre a solução para o transporte público, com um arrojado projeto de transformar a cidade num polo efetivo e efervescente de turismo, por exemplo. Onde estão os projetos do PAC das Cidades Históricas? É verdade que o discurso de campanha tem de ser simples, direto, composto de informações que interessam o eleitor no seu dia a dia. Mas não faz sentido privá-lo de uma visão mais abrangente de uma cidade com perfil tão extraordinário como São Luís.

Movidos pela pressão implacável e intolerante da corrida eleitoral, na qual a prioridade circunstancial é encantar o eleitor, candidatos com o lastro político de Eliziane Gama e Eduardo Braide, mergulham na campanha sem discutir a Capital do Maranhão como ela deveria ser discutida. Apostam todas as suas fichas no limitado campo das promessas difusas e inconsistentes de melhorar a saúde, a educação, a segurança e o transporte, sem no entanto dar a dimensão dessas áreas numa cidade com o tamanho e a importância de São Luís. Quando Rose Sales, vereadora ludovicense da gema, e Fábio Câmara, vereador e filho também adotivo, falam de São Luís, parece que está falando de outra cidade, uma cidade menor, sem a personalidade e a estatura cultural da Capital do Maranhão. Eliziane, Braide, Câmara e Rose falam com muita ênfase em “cuidar das pessoas”, mas não relacionam esse propósito com o cuidado que certamente alimentam em relação à cidade. No discurso de todos está implícita a intenção de melhorar a cidade, mas provavelmente por limitação discursiva, nem todos sabe expor o que pensa.

O terceiro time de candidatos não consegue se situar no contexto da cidade e vaga por searas nada parecidas com propostas de quem aspira comandar a Capital do Maranhão. Zéluiz Lago fala em construir “mais hospitais e postos de saúde” como se se dirigisse a uma cidade doente, não conseguindo sequer mensurar o tamanho da cidade e dos seus problemas. Valdeny Barros promete agora reduzir o valor dos salários do prefeito e dos vereadores, equiparando-os aos dos professores, uma equação absolutamente sem sentido e que em nada pode ser considerado um item de um plano de governo que não existe. E para fechar as impressões, a candidata Cláudia Durans, porta-voz da ultraesquerda, anuncia que governará com e para os trabalhadores do campo e da cidade, acreditando que com isso dará os primeiros passos na revolução do proletariado, ao que parece numa versão mais audaciosa do que a que motivou Lênin a criar a União Soviética.

Mesmo sem duvidar das boas intenções dos candidatos, o fato é que São Luís merece mais, muito mais.

 

 PONTO & CONTRAPONTO

 

Justiça muda rumo da disputa em Imperatriz, Bacabal e Balsas

Três decisões judiciais recentes alteraram rumos e definiram e definiu rumos três municípios com peso político regional.

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Ildon Marques é candidato e ameaça Rosângela Curado na corrida em Imperatriz

A primeira foi a confirmação da candidatura do ex-prefeito Ildon Marques (PSB) em Imperatriz. Seus adversários, em especial a candidata do PDT, Rosângela Curado, que no contexto da disputa representa o governador Flávio Dino (PCdoB). Ela própria e seu comando de campanha apostavam alto que, encrencado com a Justiça colocado na relação dos ficha suja,  Ildon Marques, que  no contexto estadual representa o senador Roberto Rocha (PSB) emergiu do tapetão judicial com autorização para tocar sua campanha em frente, alterando radicalmente o cenário da Rainha do Tocantins. A notícia causou forte impacto no meio político de Imperatriz, sinalizando para muitos que a próxima pesquisa poderá trazer Marques na dianteira, o que é descartado pelos aliados de Rosângela Curado.

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Zé Vieira tem candidatura proibida e Roberto Costa reforça sua campanha nas ruas

O segundo caso foi a proibição pela Justiça de o ex-prefeito Zé Vieira (PP) tentar voltar à Prefeitura de Bacabal. A decisão judicial reforça a candidatura do deputado Roberto Costa (PMDB), que desde o início da caminhada dentro do calendário eleitoral tem aparecido como franco favorito na disputa. Zé Vieira havia sido escolhido candidato representando vários grupos políticos de Bacabal cujos líderes e figuras expressivas, como o deputado Carlinhos Florêncio (PHS), por exemplo, não tiveram ânimo para entrar numa disputa contra o candidato pemedebista, reconhecido como um dos políticos mais importantes e promissores da sua geração. Com o ex-prefeito Zé Vieira fora da disputa, o grupo, que tem o prefeito José Alberto como um dos apoiadores, terá de encontrar um nome para a tarefa meio sem futuro de enfrentar Roberto Costa nas urnas.

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Chico Coelho sai e Dr. Erik ganha mais espaço para vencer a eleição

O terceiro registro está relacionado com a disputa pela Prefeitura de Balsas, onde o ex-prefeito Chico Coelho teve sua candidatura detonada pela Justiça Eleitoral sob a acusação de irregularidade na sua filiação. Políticos experiente, Chico Coelho estava candidato pelo PSL, mas sua filiação foi considerada irregular pela Justiça, o que causou o indeferimento da sua candidatura. Com Coelho e o prefeito Roberto Rocha Jr. (PSB) fora da corrida, o caminho está aberto e pavimentado para o candidato do PDT, Doutor Éric, já que seus adversários agora – Ana Lúcia Noleto Bastos (PPS), Dr. Marc elo (Rede) e Agostinho (PSOL) – não páreos para ele.

 

São Luís, 8 de Setembro de 2016.

 

Wellington do Curso e Eliziane Gama terão de mudar estratégias se não quiserem que Edivaldo Jr. vença no primeiro turno

 

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Distanciamento de Edivaldo Jr. pode estimular confronto entre Wellington do Curso e Eliziane Gama em São Luís

As pesquisas mais recentes, uma do Ibope outra do Escutec, ambas publicadas pelo jornal O Estado do Maranhão, balizaram acorrida eleitoral em São Luís, apontando o prefeito e candidato à reeleição Edivaldo Jr. (PDT) na liderança e uma briga intensa pelo segundo lugar entre Wellington do Curso (PP) e Eliziane Gama (PPS) para definir o adversário do primeiro num eventual segundo turno, se não quiserem que o prefeito dispare e vença primeiro turno. A repercussão dessas informações acerca das preferências do eleitorado foi e continua sendo muito forte, à medida que resultou no acirramento do confronto, principalmente entre o entre o candidato do PP e a candidata do PPS. Ambos vinham centrando fogo contra o prefeito, mas os percentuais das últimas pesquisas estão fazendo com que os dois substituam uma trégua informal para partir, cada um a seu modo, para o embate. Eliziane vinha fazendo uma campanha cuidadosa, responsabilizando Edivaldo Jr. pelos problemas da Capital, enquanto Wellington fala o mesmo, só que em tom mais agressivo em relação. Agora, diante do avanço significativo do prefeito, os dois encontram-se numa encruzilhada onde o enredo é o  clássico “se correr o bicho pega, se ficar o bicho come”.

A equação é simples, e sem mistério. Nos primeiros momentos da campanha, Eliziane e Wellington jogaram todo o seu peso crítico sobre a atual gestão, tentando pregar em Edivaldo Jr. o carimbo da incompetência e, naturalmente, apresentando-se como salvadores da pátria.  Essa estratégia, porém, foi simplesmente desmontada quando o prefeito iniciou sua avassaladora campanha na TV. Diante do volume de informações que divulga a cada dia e do discurso seguro e objetivo que o candidato do PDT tem feito, seus adversários mais perigosos tentam reverter a perda de pontos com campanhas não muito eficientes em matéria de proposição.

Wellington do Curso partiu para a emoção, enchendo sua própria bola com o argumento segundo qual São Luís poderá ser administrada por um prefeito que estudou em escola pública e que para sobreviver trabalhava como feirante, tentando passar a impressão de que esses traços da sua trajetória o credenciam a disputar a Prefeitura. Simpático, de sorriso fácil, dono de uma forte dose de carisma e usando com competência as redes sociais, por meio das quais alcança principalmente o eleitorado mais jovem, o candidato do PP aposta na propagação do seu nome como a opção mais viável para enfrentar o prefeito de São Luís. A cada dia de campanha reforça certeza de que nesse jogo não tem meio termo, pactos de não agressão um acordo que o faça abrir mão do espaço ocupado em favor de um concorrente que está no seu encalço. Certamente tem aprendido com seu principal aliado, o senador Roberto Rocha (PSB), que em disputa eleitoral não há espaço para concessões amigáveis, enfim, que a corrida pelo voto é uma guerra sem trégua, na qual saem derrotados os que baixam a guarda.

Mais traquejada no jogo eleitoral – essa é sua quinta campanha eleitoral -,  Eliziane Gama começou sua campanha supervalorizando imagens dela própria em festivos e animados contatos com eleitores durante caminhadas em bairros. Logo ficou claro que aquele não seria o caminho. Em seguida vieram programas mais arrojados, com um discurso sugerindo a ideia de um programa de governo que ela ainda não apresentou até agora, a não ser temas como educação, pavimentação de ruas, melhorar hospitais e postos de saúde, todos tratados de maneira genérica. A candidata do PPS elegeu o prefeito como o culpado por todos os males de São Luís, como se ele já estivesse no poder há uma eternidade. Foi rebatida com eficiência pela poderosa mídia do candidato Edivaldo Jr.. E o resultado dessa primeira fase foi que Eliziane Gama não só não avançou como também perdeu pontos. A candidata popular-socialista esbanjou o seu sorriso cativante, jogou-se nos braços dos eleitores nas caminhadas, usou o seu indiscutível carisma, mas nada disso funcionou até aqui. Até aqui, ela abusou do sorriso e do carisma, mas esqueceu-se de mostrar o seu conteúdo, o que faz com competência quando fala para plateias fechadas. Essa Eliziane não foi mostrada ainda na campanha, devendo aparecer nos debates que estão sendo programados.

Se Wellington do Curso não intensificar sua campanha com um discurso mais substancial, que mostra que ele tem conteúdo e está, de fato, apto a governar a maior cidade do Maranhão, não avançará o suficiente para se sequer se aproximar do líder da corrida. O mesmo acontecerá com Eliziane Gama se ela não compreender que, além de simpatia, o candidato a prefeito de São Luís tem de expor suas ideias e seus projetos, pois a cidade quatrocentona, que é um tesouro histórico e empório portuário fundamental para o desenvolvimento econômico do Maranhão e do Brasil. E nesse aspecto, que é o ponto central do debate, o prefeito Edivaldo Jr. tem avançado, mesmo as ênfase necessária para dar a verdadeira dimensão da Cidade Patrimônio Histórico da Humanidade.

 

PONTO & CONTRAPONTO

Pesquisa acende alerta vermelho para Rosângela Curado
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Rosângela Curado e Ildon Marques estão tecnicamente empatados, bem à frente de Assis Ramos em Imperatriz

Pesquisa do instituto Exata sobre a corrida para a Prefeitura de Imperatriz, publicada no fim de semana pelo jornal Correio Popular, acendeu alerta vermelho no Quartel-General da campanha da candidata do PDT, Rosângela Curado, com forte reverberação no Palácio dos Leões. Rosângela Curado aparece com 29% das intenções de voto contra 28% dados a Ildon Marques, configurando uma situação de empate técnico quase perfeito, já que dentro da margem de erro (3%) qualquer um dos dois pode estar na frente com vantagem de até dois pontos percentuais. Assis Ramos, candidato do PMDB, aparece isolado na faixa intermediária  com expressivos 17%, enquanto o candidato do PSD Ribinha Cunha, apoiado pelo prefeito Sebastião Madeira, recebeu 5%, tecnicamente empatado com o candidato do PPL, Edmilson Sanches, com 4%. E para complicar ainda mais o tabuleiro, a pesquisa mostra que ainda são 11% de indecisos, o que torna o resultado da corrida rigorosamente imprevisível. Alvo de muitas especulações, entre elas a de que a pesquisa teria sido uma ação de aliados do governo para fragilizar a candidata do PDT. O instituto Exata, no entanto, tem realizado um trabalho; competente nas campanhas eleitorais mais recente, saindo de cada uma delas com a credibilidade aumentada pelos resultados confirmados pelas urnas. Tudo indica que o que pode estar acontecendo em Imperatriz é Rosângela Curado e Ildon Marques tenham chegado aos seus tetos e com o risco se prosseguirem ombro a ombro até no dia da eleição. É possível que um debate sirva para impulsionar uma das candidaturas. O fato é que a pesquisa funcionou como uma ducha de água fria nos apoiadores de Rosângela Curado e, ao mesmo tempo, estimulado o ex-prefeito, que vê a possibilidade concreta de vencer a disputa, o que seria desastroso para o projeto político do governador Flávio Dino (PCdoB).

Bira do Pindaré vê País em conflito por causa do impeachment
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Bira do Pindaré diz que impeachment de Dilma  colocou País em conflito

O impeachment da presidente Dilma Rousseff (PT), que define como “golpe parlamentar”, colocou o Brasil numa situação de confronto sem perspectiva de pacificação. É esse o cenário desenhado pelo deputado Bira do Pindaré (PSB) para o país nos próximos os tempos som o Governo Michel Temer (PMDB). Ele criticou o Congresso Nacional por ter embarcado no processo de impedimento da presidente da República, considerando que o Poder Legislativo federal colocou o País numa situação de conflito. “Nós não sabemos quando isso vai terminar, tamanho foi o erro cometido em relação a esse procedimento, porque a meu ver não houve configuração de crime de responsabilidade”, destacou. Na avaliação do parlamenta socialista, o impeachment da presidente Dilma Rousseff criou uma nova conduta criminosa no Brasil, a chamada pedalada, coisa que não existia. “Realmente é algo que nos preocupa sobremaneira e eu não posso deixar de expressar aqui a minha indignação em relação a esse resultado, a esse desfecho, que é altamente prejudicial ao País, para nossa história política, para nossa democracia, que deu um passo atrás com a decisão tomada pelo Senado e pela Câmara Federal”, ressaltou. Bira do Pindaré lembrou que população já está se manifestando, protestando e pedindo ‘Fora Temer’. Para ele, essa vai ser a tônica da luta política em todo país, tendo em vista que muitos não reconhecem o Michel Temer como presidente legítimo, sobretudo quando ele tenta colocar em prática o seu chamado Plano Ponte para o Futuro, que, segundo o deputado, é na verdade uma ponte para o atraso. “Porque querer fazer reforma trabalhista, modificar as leis da Previdência em prejuízo ao trabalhador brasileiro vai ser um Deus nos acuda neste país. A população não vai aceitar! E vocês vão ver, com certeza, mais uma vez, as ruas ocupadas pela luta concreta em favor de direitos historicamente conquistados neste Brasil”, concluiu o deputado socialista em tom zangado.

 

São Luís, 05 de Setembro de 2016.

 

Flávio Dino terá de usar prestígio e muito pragmatismo para se relacionar bem com o presidente Michel Temer

 

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Flavio Dino precisa construir boas relações com Michel Temer

Muito se comentou recentemente – e continua-se comentando – sobre a situação do governador Flávio Dino (PCdoB) no contexto da mudança no comando do País. Legiões de observadores avaliam que ele ficou em maus lençóis; brigadas interpretam o cenário como lhe sendo favorável; e alguns pelotões enxergam que a queda da presidente Dilma Rousseff (PT) e a ascensão do vice-presidente Michel Temer (PMDB) em nada mudam a posição política do chefe de Estado maranhense. Misturando essas avaliações, a conclusão óbvia e incontestável é que, por ter sido linha de frente na defesa da presidente Dilma contra o impeachment, e um dos mais enfáticos propagadores da tese do golpe, o líder maranhense verá portas de importância fundamental se fechar para ele em Brasília, pois ninguém duvida de que enfrentará dificuldades por ter se mantido na contramão e na mira permanente de muitos dos cardeais aliados do presidente Michel Temer (PMDB) e que agora estão dando as cartas, entre eles o ainda poderoso e influente ex-presidente José Sarney (PMDB). Por outro lado, não há como ignorar o fato de que o governador do Maranhão é hoje uma personalidade política reconhecida nacionalmente como uma das mais importantes lideranças surgidas em tempos recentes no País, o que lhe dá estatura para, pelo menos, minimizar os ataques que estão a caminho na sua direção.

Flávio Dino é um político com viés ideológico definido no campo que pode ser identificado como esquerda moderada, que busca “humanizar” pela via de uma social democracia avançada, que tenha como foco a redução – ou a eliminação, se possível – do quadro de desigualdades sociais, econômicas e culturais no País e que é muito acentuado no Maranhão.    Ao mesmo tempo, o governador se movimenta politicamente pela vereda do pragmatismo que pauta as relações institucionais, o que lhe assegura sobrevivência. E o faz baseado no argumento segundo o qual uma coisa são as diferenças políticas que colocando grupos e correntes em confronto permanente, e outra são as relações do Governo estadual com o Governo Federal, que não podem ser tolhidas por conta de tais diferenças. Afinal, os recursos da União pertencem à população e devem ser distribuídos equitativamente, sem restrições políticas.

O governador do Maranhão sabe perfeitamente em que terreno está pisando. Tem consciência de que é visto como adversário pelo PMDB, não somente pelo seu alinhamento político com o Governo da ex-presidente Dilma Rousseff. Mas também já deu provas fartas de que sabe conviver nessa corda-bamba, como fez na campanha de 2014, quando, ao perceber que o apoio explícito da presidente Dilma e do PT, seus aliados preferenciais, articulou, de maneira inteligente, o apoio do PSDB, dando ao tucano Carlos Brandão a vaga de candidato a vice-governador na sua coligação. Reeleita Dilma Rousseff, Flávio Dino lhe declarou apoio incondicional, sem, no entanto, descartar as relações que mantém até hoje com PSDB, PPS e DEM, por exemplo. Na campanha que fez contra o impeachment, usou retórica dura contra os apoiadores do processo, dando substância política à tese do “golpe”, mas com o cuidado de não nomear golpistas, evitando assim a satanização dos que pregaram pelo impedimento da presidente da República.

Hoje, consumado o impeachment e efetivado Michel Temer na Presidência da República, confirmando assim a volta do PMDB ao poder central, Flávio Dino demonstra interesse numa convivência institucional saudável com o Palácio do Planalto, independentemente de ter o braço pemedebista fazendo oposição cerrada ao seu Governo. Sabe que todos os passos do grupo liderado pelo ex-presidente José Sarney serão no sentido de fragilizar o seu governo e minar a sua força e o seu prestígio políticos. Dino, porém, tem noção clara do poder de um governador que, mesmo em oposição ao Governo central, é visto com bons olhos pelos mais diversos segmentos políticos, inclusive parte daqueles mais conservadores, que o veem muito mais como um adversário do que como um inimigo.

Politicamente, portanto, a situação do governador é delicada, mas com ingredientes que o colocam em condições de abrir e alimentar um diálogo com o presidente Michel Temer, apesar da artilharia pesada que líderes pemedebistas maranhenses vão disparar na sua direção durante a campanha em andamento, e depois da eleição dos novos prefeitos e vereadores. Se as forças por ele lideradas saírem derrotadas nas urnas municipais, sua situação se fragilizará expressivamente; mas se, por outro lado, sair das urnas vitorioso, a começar pela Ilha de Upaon Açu, o governador Flávio Dino terá as condições de bater às portas do Palácio do Planalto com autoridade política para estabelecer relações institucionais produtivas com o presidente Michel Temer em favor do Maranhão.

 

PONTO & CONTRAPONTO

 

Magno Bacelar condenado

A juíza Raquel Menezes, titular da 1a Vara da Comarca de Coelho Neto, condenou o ex-prefeito Magno Duque Bacelar por improbidade administrativa por ausência de prestação de contas. A ação foi ajuizada pelo Município de Coelho Neto, contra o ex-gestor e contra a Engebrás Construções e Transportes. A acusação afirmou que o então prefeito teria praticado atos como a omissão da execução de obras de revestimento e tapa buracos na MA 034, fruto dos convênios n.º 1013327/2007 e 1013316/2007, nos valores de R$ 65.158,00 e 914.426,00, respectivamente. O atual prefeito Soliney Silva afirmou que os desvios do ex-prefeito causaram danos à Prefeitura, que ficou impossibilitada de realizar de novos convênios e recebimento de verbas para os projetos de infraestrutura, e que a empresa Engebrás Construções e Transportes Ltda., teria abandonado a obra não terminada, enriquecendo ilicitamente. Com a condenação, Magno Bacelar perde função pública (caso ocupe alguma), os direitos políticos pelo período de 03 (três) anos, e o direito de contratar com o poder público ou receber benefícios ou incentivos fiscais ou creditícios, direta ou indiretamente, ainda que seja por intermédio de pessoa jurídica da qual seja sócio majoritário, pelo prazo de 03 (três) anos.

 

Condenação mancha trajetória política de altos e baixos

A condenação alcança Mago Bacelar aos 78 anos, com ele já fora do embate político depois de uma trajetória das mais movimentadas na vida política e empresarial do Maranhão. Filho de chefe político Raimundo Bacelar, líder de uma família que deu as cartas por mais de um século na região de Coelho Neto, Magno Bacelar formou-se em Direito na hoje UFMA, envolvendo-se desde cedo com a advocacia e o jornalismo. Junto com seu irmão Raimundo Bacelar, fundou em 1963 o Sistema Difusora de Comunicação. E foi também um dos fundadores de um gigantesco empreendimento para a produção de açúcar em Coelho Neto, financiado pela Sudene, e que acabou ruindo de maneira escandalosa como um dos maiores fiascos empresariais do Maranhão. O político Magno Bacelar começou como deputado estadual em 1962, foi chefe de gabinete da Prefeitura de São Luís e chefe da Casa Civil e secretário de Educação no Pedro Neiva de Santana. Elegeu-se deputado federal em 1974 e 1978, e foi secretário de Justiça no governo João Castelo (1979/2982), elegendo-se deputado federal pelo PDS em 1982. Em 1986, tentou o senado disputando uma das vagas com Edison Lobão, ficando na primeira suplência, que naquela época dava esse direito ao segundo mais votado. Já no PDT, foi eleito vice-prefeito de São Luís na chapa de Jackson Lago (PDT) em 1988, e foi efetivado senador em 1991, quando Edison Lobão assumiu o Governo do Estado. Em 1994 foi eleito para o seu quarto mandato de deputado federal. Não se reelegeu em 1998, mas tornou-se chefe de Gabinete do então ministro do Meio Ambiente, Sarney Filho. Em 2004 foi eleito prefeito de Coelho Neto pelo PV, não conseguindo ser reeleito em 2008. Se não conseguir reverter a condenação, colocará o carimbo do fracasso na sua animada trajetória pública.

 

São Luís, 3 de Setembro de 2016.

Racha do PSB leva facções a apoiarem três candidatos à Prefeitura de São Luís

 

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Roberto Rocha, Bira do Pindaré e José Reinaldo Tavares lideram correntes que movem o PSB do Maranhã

O ato em que o deputado Bira do Pindaré declarou apoio ao projeto de reeleição do prefeito Edivaldo Jr. (PDT) consumou de vez, e provavelmente de maneira irreversível, o racha no PSB, que agora está dividido em três correntes aparentemente irreconciliáveis. A primeira e mais influente tem como líder o senador Roberto Rocha, e que em São Luís apoia a candidatura de Wellington do Curso (PP), hoje o segundo colocado na corrida, conforme o Ibope divulgado nesta semana. A segunda corrente segue a orientação do deputado federal José Reinaldo Tavares, que apoia a candidatura de Eliziane Gama (PPS). E a terceira é representada pelo deputado Bira do Pindaré, que resolveu marchar com Edivaldo Jr.. A divisão do partido se confirma também no interior, onde os líderes mais destacados dos partidos seguem rumos diferentes.

Uma das forças mais promissoras do leque partidário do Maranhão neste momento de transição, o PSB é, de longe, o partido que, fundado no estado no início dos anos 80 do século passado, mais trocou de mãos nestas mais de três décadas. Nasceu por iniciativa de idealistas, tendo à frente Guilherme Freire, Rossini Corrêa, Valdelino Cécio, o autor, entre outros que se movimentavam para sepultar de vez a ditatura, mas caiu numa ciranda que de tanto rodar de mão em mão, foi parar, anos depois, por exemplo, nas mãos do então ex-prefeito de Coroatá, Ricardo Murad, que vestiu por algum tempo a fantasia de socialista, que definitivamente não lhe coube. Hoje, o partido tem o prefeito de Timon, Luciano Leitoa, como presidente estadual, apoiado pelo deputado federal José Reinaldo Tavares e pelo deputado estadual Bira do Pindaré, enfrentando, por outro lado, implacável oposição do senador Roberto Rocha, que se prepara para assumir o comando do partido no Maranhão, o que deverá acontecer depois das eleições municipais.

O PSB de São Luís formalizou apoio a Wellington do Curso, porque o candidato precisava de um partido forte como aliado para lhe dar suporte político e também tempo de televisão. O acordo com o candidato do PP foi possível porque ele cedeu a vaga de candidato à vice ao vereador Roberto Rocha Jr., ao contrário do candidato do PDT, que preferiu ceder a vaga ao PCdoB, o que em princípio pareceu não estar previsto ou então foi um estratagema muito urdido para não parecer uma exigência do Palácio dos Leões. O acerto com o PP sepultou de vez o projeto de candidatura de Bira do Pindaré, que depois de altos e baixos, vai-não-vai, que o levou inclusive a Brasília apelar, sem sucesso, ao comando nacional do partido. Em princípio, havia um zum-zum segundo o qual Pindaré deixaria o partido, mas ficou claro que ele optou por permanecer na legenda, decidido a pagar para ver o que lhe está reservado para a dura e implacável guerra eleitoral de 2018, quando o futuro do braço do PSB no Maranhão será traçado, provavelmente com a candidatura do senador Roberto Rocha ao Governo do Estado.

Num outro pedaço do partido, o deputado federal José Reinaldo Tavares faz o contraponto ao senador Roberto Rocha apoiando a candidatura de Eliziane Gama. Afastados desde a disputa senatorial de 2010, quando disputaram e foram vencidos por João Alberto e Edison Lobão, ambos do PMDB. De lá para cá, José Reinaldo e Roberto Rocha convivem no mesmo partido, mas é como se militassem em partidos adversários, situação que os leva a estar sempre em posição de confronto, como é o caso na corrida eleitoral pela prefeitura de São Luís.

Mesmo diante da certeza nutrida por muitos de que o senador Roberto Rocha será candidato ao Governo do Estado em 2018, tendo o governador Flávio Dino como adversário, o PSB é um partido de três faces. E tudo indica que só vai mudar se Rocha, Tavares ou Pindaré assumir de fato comando do partido no Maranhão. Todos os ventos indicam que o PSB ficará com Roberto Rocha, já que José Reinaldo não tem ânimo para cuidar de partido e Bira do Pindaré não parece ter cacife atropelar o senador nessa disputa.

PONTO & CONTRAPONTO

Ibope animou Eduardo Braide, Fábio Câmara e Rose Sales
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Eduardo Braide, Fábio Câmara e Rose Sales com novo ânimo com o Ibope

 

A pesquisa do Ibope injetou ânimo nos candidatos a prefeito de São Luís Eduardo Braide (PMN), Rose Sales (PMB) e Fábio Câmara (PMDB), todos com 5%. Entusiasmados, acreditam, cada um a seu modo, que podem virar o jogo e alcançar um dos três candidatos que estão na dianteira. Um deles disse à Coluna que vai trabalhar duramente pela queda definitiva de Eliziane Gama, que apareceu na pesquisa com 15%, depois de liderar a corrida durante meses. A impressão geral, porém, é que, limitados por tempo de campanha na TV e sem recursos para movimentar estruturas maiores, a de que dificilmente um deles alcançará o patamar dos dois dígitos. Mas é fato que no meio político há forte expectativa em relação ao futuro da candidatura de Eliziane Gama. Uns torcendo para que a queda se acentue ainda mais, outros torcendo para que ela se recomponha e volte a ser a adversária do prefeito Edivaldo Jr. num eventual segundo turno.

Waldir Maranhão avança na volta por cima
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Waldir Maranhão está dando a volta por cima.

Por mais incrível que possa parecer, o deputado federal Waldir Maranhão (PP) continua escalando a sua volta por cima dando agora um passo decisivo para consolidar sua permanência em Brasília até o final do mandato. A efetivação do presidente Michel Temer (PMDB) foi o gás que precisava para se recompor, à medida que o tornou de novo habitué no papel de interino das Câmara Federal com a posse do deputado fluminense Rodrigo Maia (DEM) no comando da Casa. Na posse de Temer no Senado, Waldir Maranhão ganhou assento na mesa principal na condição de 1º vice-presidente do Congresso Nacional, cargo de extrema relevância que é exercido pelo 1º vice-presidente da Câmara Federal. Horas depois da posse, Waldir Maranhão estava empostado na Base Aérea de Brasília para assumir mais uma vez a presidência da Câmara por ter o titular assumido a presidência da República na ausência do novo ocupante do palácio do Planalto, que embarcou para uma reunião do G 20 na China. E como a ordem nesse novo com texto político é evitar crises e exercitar a tolerância até o limite do possível, parece já haver um entendimento de que Waldir Maranhão permaneça no PP, só que a pão e água e sob o comando do deputado federal André Fufuca, que agora é o manda-chuva do partido no Maranhão.

 

São Luís, 01 de Setembro de 2016.

 

Queda de Dilma e fim da “Era PT” deixam Flávio Dino politicamente isolado e cercado de adversários fortes

 

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Para chegar a MIchel Temer, Dino terá de passar por José Sarney e Roberto Rocha

 

A deposição da presidente Dilma Rousseff (PT) por decisão Senado da República e a efetivação do presidente Michel Temer (PMDB) por ato do Congresso Nacional, ontem, alterou completa e radicalmente o mapa do poder político no Brasil. Terminou a “Era PT”, a guinada à esquerda dada pelo Brasil com a eleição do metalúrgico Luiz Inácio Lula da Silva presidente da República em 2002, numa aliança com as forças conservadoras que comandam o PMDB. Entram em cena agora, no comando, as mesmas forças conservadoras do PMDB, agora associada aos ultraliberais do PSDB e associados de direita. Dos 27 estados federados, o cenário político do Maranhão talvez seja o que traduza mais fielmente essa reviravolta, com o governo de esquerda comandado pelo governador Flávio Dino (PCdoB), que foi o mais incisivo e exposto aliado da então presidente Dilma contra o impeachment, perdendo terreno no plano nacional e assistindo, de um lado, ao retorno do Grupo Sarney ao poder e, de outro, o fortalecimento visível do senador Roberto Rocha (PSB) no novo cenário político nacional.  E daqui para a frente, o enredo serão os preparativos para uma guerra política de vida ou morte em 2018.

Todos os indícios sugerem que, sob a batuta do ex-presidente José Sarney e da ex-governadora Roseana Sarney, o PMDB do Maranhão vai fazer de tudo para fragilizar, ou até desestabilizar, o Governo Flávio Dino e, assim, desmotivar o seu projeto político. A eleição de Dino e a desenvoltura com que ele vem conduzindo o Estado e ocupando todos os espaços que foram do grupo sarneysista são espinhas incômodas na garganta do ex-presidente e da ex-governadora, que publicamente se mantêm discretos, mas nos bastidores não se cansam agir como Catilina pregando a destruição de Cartago. A ordem é arregimentar todas as forças possíveis para fazer oposição cerrada a Dino e seu grupo, evitando principalmente que o governador consiga abrir canais eficientes de convivência institucional produtiva com o presidente Michel Temer e com os ocupantes da Esplanada dos Ministérios.

Quando assumiu a defesa intransigente do mandado da presidente Dilma Rousseff, o governador Flávio Dino provavelmente não esperava que  seria esse o desfecho do processo de impeachment. Apostava que o bem engendrado projeto de catapultar Dilma Rousseff da cadeira principal do Palácio do Planalto andaria até ao Senado, mas avaliava que ele seria reversível. E foi exatamente acreditando em estancá-lo que ele assumiu a defesa do mandado da presidente Dilma como uma bandeira política com substância ideológica, mas também por acreditar que, se conseguisse mandar a denúncia para o arquivo morto do Congresso Nacional, teria crédito de suficiente para turbinar sua gestão. Flávio Dino dedicou muito da sua energia pessoal e cacife político na defesa do mandato presidencial, numa maratona que teve como um dos pontos altos o histórico discurso “contra o golpe”, que fez no Palácio do Planalto no ato em que artistas e intelectuais foram à sede do Governo manifestar apoio e solidariedade à presidente – foi criticado por aliados por se expor tanto numa guerra que não era sua. O governador sabe o que o aguarda na seara política, onde agora seus aliados são escassos.

Na semana que passou, veio a público, via blogs, a especulação segundo a qual, já sabendo que o impeachment da presidente Dilma era irreversível,  Flávio Dino estaria tentando construir uma ponte com o presidente Michel Temer via Renan Calheiros, que em outros tempos fora militante do PCdoB. Especulou-se também que o governador teria avaliado a possibilidade de controlar o PSB no Maranhão, operação que não teria prosperado devido ao crescente poder de fogo do senador Roberto Rocha em Brasília. E, finalmente, o jornalista Gilberto Leda postou em seu prestigiado blog que o governador teria cogitado repetir Chateaubriand com o projeto de candidatar Dilma ao senado pelo Maranhão.

O fato é que a derrubada da presidente Dilma Rousseff e, com ela, a interrupção drástica da guinada do Brasil à esquerda, colocou o governador do Maranhão numa situação politicamente muito complicada. Vai encontrar muitas dificuldades para dar andamento nos seus projetos em Brasília, vai enfrentar uma oposição cada vez mais dura e implacável de um Grupo Sarney returbinado, e o visível e desafiador crescimento político do senador Roberto Rocha, de quem vem se distanciando a passos largos. Por outro lado, podem estar errados os que subestimam o poder de fogo de Flávio Dino, um politico jovem, ideologicamente definido e convicto e que hoje é respeitado na esquerda, no centro e na direita.

 

PONTO & CONTRAPONTO

 

Trio sintonizado
trio setatorial
João Alberto, Edison Lobão e Roberto Rocha votaram em sintonia

Os senadores João Alberto (PMDB), Edison Brandão (PMDB) e Roberto Rocha (PSB) se posicionaram em bloco nas duas decisões tomadas ontem pelo senado da República. Votaram em sintonia a favor do impeachment da presidente Dilma Rousseff. E também disseram não à inabilitação que proibiria a residente para exercer cargos públicos por oito anos. João Alberto e Edison Lobão deram os dois votos seguindo um entendimento dentro do PMDB. Roberto Rocha foi um dos cinco – de uma bancada de sete – representantes do PSB que votaram pelo impeachment; quanto ao voto pela não inabilitação da ex-presidente, esse posicionamento foi pessoal, decisão própria, sem submetê-la ao crivo do partido. Todos os três estiveram com o então presidente interino Michel Temer nos últimos dias.

Reação irada
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Eliziane : indignada com o  Ibope

O desempenho da candidata do PPS, Eliziane Gama (16%) na primeira pesquisa do Ibope sobre a corrida à Prefeitura de São Luís causou forte impacto no meio político e assombrou aliados que estavam seguros de que ela iria para o segundo turno com o prefeito Edivaldo Jr. (PDT), que apareceu com 29%. Eles contavam que ela permanecia em segundo lugar, mas se surpreenderam ao vê-la na terceira posição, ultrapassada pelo candidato do PP, Wellington do Curso. Eliziane reagiu irada e acusando o Ibope de estar a serviço da TV Mirante para prejudicá-la, convocando seus partidários a se mobilizarem para intensificar a campanha.

 

São Luís, 01 de Setembro de 2016.

 

 

 

 

 

João Alberto, Edison Lobão e Roberto Rocha decidem mandar Dilma para casa e legitimar Temer na Presidência da República

 

trio setatorial
João Alberto, Edison Lobão e Roberto Rocha votam contra Dilma Rousseff por motivos diferentes

 

A menos que haja uma reviravolta espetacular, que não está prevista no roteiro da mais controvertida processo político deste século até aqui, os senadores João Alberto (PMDB), Edison Lobão (PMDB) e Roberto Rocha (PSB) votarão pelo impeachment da presidente Dilma Rousseff (PT), na histórica sessão do Senado da República marcada para o final da manhã desta quarta-feira. São votos com motivações rigorosamente diferentes, mas que na perspectiva das relações políticas, têm lastro para serem justificados, por mais polêmicos que possam ser os argumentos. Na frase de um senador que migrou do campo da presidente afastada Dilma Rousseff para a seara do presidente interino Michel Temer (PMDB), “a hora é a de aguçar o instinto de sobrevivência e não de posar de herói de causa perdida”. João Alberto e Edison Lobão são políticos de larga experiência, passados “na casca do alho”, não estão dispostos a “morrer na praia” nem dar tiro no pé se posicionando do lado derrotado. Roberto Rocha, por sua vez, é um dos políticos mais atuantes e bem sucedidos da sua geração, por isso não está disposto em dar passos que não se traduzam em aumento de poder político.

O senador João Alberto não simpatiza com o impeachment. Ele deixou isso claro nas primeiras decisões do Senado em relação ao processo. Preferia um grande acordo nacional que abrisse caminho para a realização de eleições para presidente da República. Arquitetou um espaço no qual pudesse permanecer no PMDB mantendo sua posição. Só que o processo avançou, ganhou corpo, tendo o PMDB assumido o poder via Michel Temer, levando todo o partido – com raríssimas exceções, entre elas o senador paranaense Roberto Requião – a firmar posição pela destituição da presidente. Presidente do PMDB no Maranhão, membro da Executiva Nacional do partido e figura destacada de um grupo – liderado pelo ex-presidente José Sarney -, que rompeu com o PT e trabalha ferozmente para consumar o impeachment e legitimar Michel Temer no comando do País. Diante desses fatores de pressão, somados aos apelos do próprio presidente interino Michel Temer, o senador João Alberto foi colocado diante de dois caminhos: votar contra o impeachment e enfrentar retaliações do seu partido, ou votar a favor do impeachment e seguir a vida em paz com seu partido e com o novo governo. Preferiu a segunda opção.

O senador Edison Lobão, em princípio, estaria moralmente obrigado a votar a contra o impeachment, pois foi ministro de Minas e Energia no primeiro e em parte do segundo mandato da presidente. Mas Lobão não foi uma escolha arbitrária de Lula ou de Dilma para aquele Ministério, um dos mais importantes e influentes da esplanada. O senador foi indicado pelo PMDB para ser um dos seus representantes na equipe de governo, de acordo com as linhas mestras da aliança partidária que saíra vitoriosa das urnas. Lobão já estava distanciado da presidente Dilma desde a campanha eleitoral de 2014, quando avaliou que ela própria e os líderes do PT não deram a importância que ele esperava à candidatura do suplente de senador Lobão Filho ao Governo do Estado, emitindo muitos sinais de que o Palácio do Planalto tinha preferência pela eleição de Flávio Dino (PCdoB). Quando a presidente foi afastada, Lobão passou a ser um dos interlocutor frequentes do presidente interino Michel Temer, tendo, porém, o cuidado de se movimentar discretamente. Em todas as votações sobre o impeachment no Senado, o ex-ministro votou favorável ao andamento do processo. A menos que tenha havido uma reviravolta espetacular durante a noite, Lobão vota pelo impeachment.

Até ontem, pairava uma tênue nuvem de dúvidas sobre o voto do senador Roberto Rocha. As especulações em torno da sua posição no processo de impeachment foram as mais diversas, incluindo a mais recente, trombeteada ontem pelo jornal Folha de S. Paulo: Rocha teria negociado uma diretoria do Banco do Nordeste para ajudar a legitimar o presidente interino Michel Temer. Roberto Rocha está muito à vontade para votar nesse processo. A bancada do seu partido está dividida, podendo ele optar pelo rumo que bem entender. Ao contrário dos dois pemedebistas, o socialista tem juízo formado sobre o processo de impeachment, uma visão política, o que lhe permite adotar um posicionamento pragmático, comum à política de resultados. Rocha é um político em ascensão, que se movimenta ocupar um espaço, principalmente no Maranhão, onde está o grande objetivo da sua vida, o Palácio dos Leões. Legitimando Michel Temer, ele abre uma picada larga naquela direção, inclusive fazendo um contraponto ao governador Flávio Dino (PCdoB), que ficará sem lastro político em Brasília.

O principal desdobramento da escolha dos três senadores será o político, pois implicará na injeção de novo gás no Grupo Sarney, dará mais musculatura ao senador Roberto Rocha e fragilização política do governador Flávio Dino.

 

PONTO & CONTRAPONTO

Ibope ajusta posições da corrida em São Luís

nova ordem
Edivaldo Jr. agora ´=e seguido por Wellington do Curso, Eliziane Gama, Eduardo Braide, Fábio Câmara, Rose Sales, Cláudia Durans, Zéluiz Lago e Valdeny Barros

A Pesquisa Ibope sobre a corrida para a Prefeitura de São Luís, divulgada ontem pela TV Mirante, confirma os cenários que outros levantamentos feitos por institutos locais vinham rascunhando o crescimento seguro do prefeito Edivaldo Jr. (PDT), com 29%; o potencial de crescimento de Wellington do Curso (PP), com 20%, e a tendência de queda de Eliziane Gama (PPS), mostrada com apenas 16% das intenções de voto. Mais do que isso, abre uma avenida para o time intermediário: Eduardo Braide (PMN), com 5%; Fábio Câmara (PMDB), com 5%, e Rose Sales, também com 5%. E confirma a situação sem futuro do terceiro time: Cláudia Durans (PSTU) com 2%; Zéluiz Lago (PPL), com 1%, e Valdeny Barros com traço. Registrando ainda 12% de eleitores revoltados querendo votar nulo ou em branco, e os indecisos, que somam 5%.

O crescimento do prefeito já não surpreende, pois está se consolidando a cada levantamento, sustentado pela força indiscutível visível e inconteste da sua campanha.

Eliziane desidrata

Impressiona a perda de substância de Eliziane Gama, que começou sua caminhada como um furacão, preferida por 57% do eleitorado consultado. Ela vem sendo vitimada por um fenômeno absolutamente surpreendente, já que ela perdeu pontos em todas as pesquisas feitas de maio para cá, num processo de desidratação que se acentuou depois das convenções, quando vieram à tona as coligações. Sua aliança com o PSDB e o PV, que ela combatia, com certeza está contribuindo para esse debacle, pois não é novidade para ninguém o risco eleitoral e político que corre um candidato que se alia ao Grupo Sarney (PV) e ao PSDB (João Castelo – que para ela já foi “Caostelo”) numa corrida às urnas em São Luis. O mais grave é que Eliziane Gama não parece ter condições políticas de reverter esse processo de queda livre, o que será uma tragédia. O maior risco agora é esses números do Ibope, que vão balizar a campanha daqui por diante, causarem uma debandada. Será o fim do seu projeto de se tornar prefeita nesta eleição.

Wellington vira o jogo

No contrapeso, Wellington do Curso ganha substância. Enquanto fica demonstrado que Eliziane Gama tinha um teto, o candidato do PP dá um grande passo além e alcança a condição de adversário de fato do prefeito Edivaldo Jr.. Inicialmente sem nenhuma chance de chegar no time da frente, Wellington galgou cada degrau também com consistência, dando a entender, a cada rodada, que trabalhava para ser o adversário do prefeito num eventual segundo turno. Os nove pontos que separam o líder do agora vice-líder é uma distância confortável, mas não insuperável, exatamente porque não se sabe qual o limite do potencial eleitoral do candidato do PP, estando clara apenas a evidência indiscutível de que  ele é um aspirante cuja ascensão parece irreversível.

 

São Luís, 30 se Agosto de 2016.

Pesquisas divergem nos percentuais, mas apontam que Edivaldo Jr. avança e Eliziane e Wellington estancam crescimento

 

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Pesquisas Data M e Impar apontam Edivaldo Jr. na frente, seguido de Eliziane Gama e Wellington do Curso

 

As duas pesquisas que mediram a posição dos candidatos na corrida para a Prefeitura de São Luís, em que pese a surpreendente diferença de uma e outra no percentual dado ao prefeito Edivaldo Jr. (PDT), revelaram, com pequenas variações nos menos votados, uma mesma ordem na posição de cada um. No domingo, o Jornal Pequeno publicou os seguintes números do instituto Data M: Edivaldo Jr. (35,5%), Eliziane Gama (20,9%), Wellington do Curso (15,2%), Rose Sales (4,7%), Fábio Câmara (4,1%), Eduardo Braide (2,6%), Claudia Durans (0,3%), Zéluiz Lago (0,2%), Valdeny Barros (0%) e Nenhum deles (9,8%) e Não sabe/Não respondeu (6.7%). Por sua vez, o jornal O Imparcial publicou ontem os números encontrados na pesquisa realizada pelo Instituto Impar: Edivaldo Jr. (23,65%), Eliziane Gama (18,50%), Wellington do Curso (16,58%), Rose Sales (4.36%), Eduardo Braide (3,32%), Fábio Câmara (3,05%), Zéluiz Lago (2,01%), Claudia Durans (0,44%), Valdeny Barros (0,25%) e Não sabe (9,51%), Branco/nulo (18,32%).

Independentemente da diferença dos percentuais do prefeito Edivaldo Jr. nas duas pesquisas, que chega a escandalosos 13%, sem que se possa afirmar, com segurança, quem tem a verdade, o fato é que a ordem é, com pequenas diferenças entre os menos posicionados na preferência do eleitorado, a ordem é a mesma das mais diferentes pesquisas recentes. E nessa ordem, o prefeito Edivaldo Jr. lidera a corrida já fora da margem de erro, tendo Eliziane Gama como segunda colocada e Wellington do Curso na terceira colocação. Entre os integrantes do segundo time, as pesquisas mostram uma grande variação nas posições, só que dentro das margens de erro, o que não altera em nada o rumo da corrida.

No primeiro time, a menos que todas as últimas pesquisas estejam erradas – o que um dos maiores escândalos da história política recente do Maranhão -, não há dúvida de que o prefeito Edivaldo Jr. reverteu sua posição inicial de terceiro colocado (16%), com rejeição alta (45%), para se tornar o líder, e com rejeição em queda. No contraponto, Eliziane Gama viveu até aqui o processo inverso, de líder destacada no primeiro momento, com mais de 57% na preferência do eleitorado, rejeição menor que 10%, para agora estacionar no patamar de mais ou menos 20%, num incômodo, mas não desastroso, segundo lutar. Wellington do Curso, que saiu de um dígito, desacelerou na zona que vai dos 15% aos 20%, dando a impressão de que está patinando, sem forças para retomar a aceleração. Em resumo, fora os inacreditáveis 35% que lhe foram atribuídos pela pesquisa Data M, o prefeito Edivaldo Jr. parece justificar a avaliação de que é o candidato com mais força política e política para chegar em primeiro, seja para enfrentar um eventual segundo turno, ou, numa perspectiva bem mais remota, para liquidar a fatura já no primeiro turno.

O cenário mostrado pelas duas pesquisas em relação às posições do primeiro time pode não ser definitivo, já que a campanha para valer está apenas começando. Mas como se trata de uma campanha de curta duração, com apenas quatro semanas, situações que possam reverter tendências desenhadas agora são bem mais difíceis de acontecer. Os motivos são vários, a começar pela diferença do tempo que cada um dispõe na propaganda no rádio e na TV. Edivaldo Jr. tem mais de três minutos, tempo que vem usando com um discurso político forte e ilustrado com imagens de ações do seu governo, o que lhe dá muito peso e densidade. Eliziane Gama até ontem pareceu mais interessada em exibir o seu sorriso contagiante, sugerindo que os marqueteiros que a atendem parecem não saber exatamente que linha de campanha adotar. A mesma situação vive Wellington, que parece não ter se dado conta de que uma eleição como essa não se ganha com algumas frases de efeito, principalmente quando o adversário a ser batido é um prefeito em busca da reeleição.

As pesquisas também indicam que dificilmente o resultado disputa fugirá de um dos três do primeiro time. Por mais distorcidas que possam ser, as pesquisas, principalmente as mais recentes, guardam certa semelhança no que respeita às posições dos candidatos Rose Sales, Eduardo Braide, Fábio Câmara, Cláudia Durans, Zéluiz Lago e Valdeny Barros. E os indicadores são claros: eles não têm a menor chance de avançar na disputa, restando-lhes o papel – muito importante, diga-se – de alimentar o debate, que é fundamental para a democracia.

 

PONTO & CONTRAPONTO

 

Dilma foi ao Senado e saiu maior do que entrou

dilma na tribuna
Dilma mostra dados do seu governo no debate que manteve  com os senadores 

O que a população brasileira assistiu ontem no Senado da República não tem precedente na História do Brasil nem paralelo na História contemporânea do mundo. Numa sessão histórica, a presidente da República, Dilma Rousseff, que ali se apresentou na condição de ré em processo de impeachment, enfrentou, de maneira serena e sem delongas, o questionamento de 51 senadores, afirmando e enfatizando que não cometeu os crimes de responsabilidade que lhe foram imputados, deixando desorientados os seus adversários mais agressivos visivelmente desanimados.

O discurso de defesa da presidente afastada foi contundente, bem alinhavado e construído para criar o clima político que lhe permitisse defender, com firmeza, a tese do golpe. A segurança que Dilma Rousseff demonstrou no pronunciamento inicial e nas respostas que deu a 51 senadores, ao longo de quase 13 horas, fez com que seus algozes fossem diminuindo o tom a cada resposta, de modo que os últimos passaram a, quando não se repetir, recorrer à uma afirmação que os desmentia, a de que ela não estava esclarecendo nada. O fato, porém, é que a presidente, mesmo com as suas proverbiais dificuldades de retórica, soube controlar seus impulsos e martelar como água mole em pedra dura para consolidar a tese do golpe.

Dilma Rousseff foi Dilma Rousseff em todos os momentos da sessão. Pregou sua inocência e insistiu na tese de que está sendo vítima de uma trama política. Não uma vitima do tipo “coitadinha”, mas uma vítima de cabeça erguida, que declarou estar mais preocupada com a integridade da democracia do que com o seu futuro político. E ao invés de tentar ser simpática, a presidente partiu para o ataque. Não para agredir a quem quer que fosse, mas para desmontar, com argumentos convincentes e diretos, o libelo formulado por seus acusadores. E se não conseguiu mudar votos, ficou claro que alcançou pelo menos um resultado visível: deixou em total desconforto os dois responsáveis para acusação: o jurista Miguel Reale Jr. – que foi ministro da Justiça dos anos finais do Governo de FHC – e a advogada Janaína Pascoal – que terminou a sessão transfigurada, como quem não gostou nem um pouco do que ouviu durante 13 horas.

Na avaliação de vozes que conhecem os humores de Brasília e sabem ou supõem saber o que está por trás do processo de impeachment, a presidente Dilma Rousseff não deixou pedra sobre pedra. Desmontou a acusação de haver cometido crime de responsabilidade ao assinar três decretos – inicialmente eram seis, mas três não se sustentaram – de aumento de despesa sem a autorização do Congresso Nacional demonstrando podia fazê-lo porque não se tratou de aumento de gastos, mas de remanejamento de receita, sem alterar o valor do bolo orçamentário. E quanto às tais pedaladas, demonstrou fartamente que não participou diretamente das operações do Plano Safra e que não houve nenhuma ilegalidade nas operações do Governo com o Banco do Brasil nesse processo. Por fim, refutou, cabalmente, a acusação segundo a qual o impeachment em andamento é legal afirmando que, mesmo previsto na Constituição Federal, só pode ter sentido de se o acusado cometeu crime de responsabilidade, o que não ocorreu no seu caso, desafiando os acusadores a provar em contrário.

Quem assistiu à sessão por inteiro, não tem dúvida de que a presidente Dilma Rousseff saiu do Senado ontem bem maior do que entrou.

 

João Alberto só chegou ao Senado no início da noite
Em discurso na tribuna do Senado, senador João Alberto Souza (PMDB-MA).
João Alberto estava no interior do estado e só chegou ao Senado no início da noite

Quando a sessão em que a presidente Dilma Rousseff fez a sua defesa no Senado da República começou, o senador João Alberto (PMDB), encontrava-se no interior do Maranhão. Ele passou todo o fim de semana percorrendo a Região Tocantina dando assistência aos candidatos do seu partido, a começar por Imperatriz, onde o candidato pemedebista, Assis Ramos, tenta avançar na disputa de espaço com a candidata do PDT e apoiada pelo governador Flávio Dino, Rosângela Curado e pelo empresário e deputado federal Ildon Marques (PSB). A maratona de visitas a municípios em pleno calor da disputa eleitoral fez com que o senador João Alberto (PMDB) só seguisse para Brasília ontem, no meio da tarde, desembarcando na Capital da República no início da noite.  Do aeroporto mesmo João Alberto seguiu para o Congresso Nacional, de modo que quando a sessão foi retomada por volta das 19 horas, depois de intervalo de 1 hora. Pr5ocurado pela imprensa, o senador pemedebista reafirmou que só manifestará seu voto, quando for a sua vez de votar. Corre, no entanto, nos bastidores políticos que o senador votará seguindo a orientação do PMDB.

 

São Luís, 29 de Agosto de 2016.

 

 

Campanha começa com propaganda e discurso fortes, histórias de superação e suspeita de pancadaria no ar

 

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Edivaldo Jr., Eliziane Gama, Wellington do Curso, Rose Sales, Fábio Câmara, Eduardo Braide, Cláudia Durans e Valdeny Barros: expectativa de confronto aberto logo, logo

O começo da propaganda eleitoral gratuita no rádio e na TV, no ar desde sexta-feira (26), revelou uma situação que poderá definir o resultado da disputa para a Prefeitura de São Luís bem antes do que alguns imaginam. Os eleitores da Capital estão sendo bombardeados por uma avassaladora demonstração de força do prefeito e candidato à reeleição Edivaldo Holanda Jr. (PDT) em relação aos seus concorrentes. Primeiro por causa do tempo que dispõe – tem 3 minutos e 50 segundos, mais que o dobro do segundo maior tempo.  Depois pelo discurso – está aproveitando inteligentemente o espaço para mostrar suas obras, cuidando de desmentir os que o acusam de inércia administrativa. Os outros  candidatos, todos sem lastro administrativo para exibir, estão utilizado o espaço para se apresentar, sem o que lhes será difícil mostrar mazelas que infernizam a população em algumas áreas da cidade e de atacar o prefeito.

No primeiro dia de campanha na TV, o prefeito dedicou mais da metade do seu tempo a mostrar imagens de obras da sua gestão, numa indicação clara de que não pretende entrar no embate direto e potencialmente destrutível com Eliziane Gama (PPS), Wellington do Curso (PP), Rose Sales (PMB), Eduardo Braide (PMN), Fábio Câmara (PMDB), Valdeny Barros (PSOL), Zéluiz Lago (PPL) e Cláudia Durans (PSTU). Dá a entender que prefere ignorar a pancadaria, avaliando que tem mais a ganhar do que a perder seguindo esse caminho sem dar espaço para adversários.

Por seu turno, enquanto o prefeito começa com um discurso objetivo, tratando logo de mostrar que tem serviços prestados, dando seu recado com firmeza e segurança, os candidatos que usaram o tempo na TV nos dois primeiros dias aproveitaram para cativar o eleitor com mensagens de apresentação, identificando-se, contando suas histórias e se definindo como gente boa. Eliziane Gama usou belas imagens rascunhadas em grafite para contar a história de superação da menina que saiu do interior com a família, enfrentou muitas dificuldades, estudou e deu a volta por cima, tornando-se uma personalidade política de peso no estado; e nessa condição, pretende governar São Luís. Wellington do Curso – que agora quer ser chamado apenas de Wellington – também vendeu uma trajetória de menino pobre que, que passou por muitas situações complicadas, mas atropelou as adversidades, venceu na vida  construiu um empreendimento de expressão, o que, no seu entendimento, o credencia para governar São Luís.

O pemedebista Fábio Câmara foi mais longe ainda, fazendo uma crônica, em tom quase dramático, da sua migração dos cafundós de Cajari para São Luís em busca da sobrevivência mesmo, sugerindo que essa história e os espaços que conquistou até tornar-se vereador e suplente de deputado estadual o autorizam a tornar-se prefeito da Capital. Ludovicense da gema e filha de vereador Rose Sales, sem ter, portanto, uma história de superação para contar, aproveitou seu tempo para dar um recado objetivo: quer uma campanha limpa e espaço para que São Luís seja debatida. Com tempo tão exíguo quanto o de Rose Sales, Eduardo Braide se apresentou como tal e deu um aviso que muitos querem passar a limpo: anunciou que tem um “programa de governo”.

14/05/2014. Crédito: Honório Moreira/OIMP/D.A Press. Brasil. São Luis - MA. José Luís Lago,  pré-candidato ao governo do Estado do Maranhão pelo PPL.
Zéluiz Lago não deu as caras nos primeiros dias da propaganda na TV

Valdeny Barros e Cláudia Durans se apresentaram simpaticamente, sem maiores delongas, aparentemente sem dar a menor importância à estratégia dos seus “colegas” candidatos de falar mais deles próprios. Valdeny Barros avisou que vai brigar por transparência, servidores, referências do programa do seu partido. Cláudia Durans não negou a linha mestra do PSTU e deixou bem claro que vai governar com e para os trabalhadores, deixando implícito e sonho do PSTU de instalar no Maranhão uma república popular em que operários e camponeses darão as cartas. Zéluiz Lago não deu as caras.

Os dois primeiros dias de campanha no rádio e na TV sugerem que, favorecido por um tempo bem maior e por um governo em andamento o prefeito Edivaldo Jr. não terá qualquer dificuldade para expor seus argumentos e seduzir o eleitor e, se for o caso, confrontar seus adversários. No contraponto, os marqueteiros de Eliziane Gama e Wellington do Curso e Fábio Câmara sinalizam que adotarão estratégias agressivas destinadas a minar o poder de fogo do prefeito. Certamente animarão a campanha sem nenhum interesse de atuar como meros coadjuvantes. Eles entraram na briga com a convicção de que serão eleitos, e para isso jogarão pesado contra o prefeito, que é o adversário a ser batido. Quanto a outros desdobramentos, só o tempo dirá.

 

PONTO & CONTRAPONTO

Wellington quer “pacto de união” entre prefeitos da Ilha

Numa entrevista à Rádio Universitária, que foi ao ar na manhã de sexta-feira, o candidato do PP à Prefeitura de São Luís, Wellington do Curso, dedicou expressiva parte do seu tempo a defender uma articulação entre os prefeitos dos quatro municípios da Ilha – Capital, São José de Ribamar, Paço do Lumiar e Raposa – para atuação conjunta para a solução de problemas específicos. O candidato informou que, se eleito, uma das suas primeiras iniciativas será propor aos demais prefeitos da Ilha um “pacto de união”, que permita a realização de ações conjuntas, principalmente em áreas limítrofes. Terceiro colocado na preferência do eleitorado, conforme as últimas pesquisas que mediram a corrida ao Palácio de la Ravardière, Wellington do Curso colocou na agenda dos candidatos, de maneira indireta, mas efetiva, um dos temas mais  importantes relacionados com regiões como a Ilha de Upaon Açu: a metropolização. “Não existe um muro separando as cidades. Por conta disso, é inadmissível que, até o momento, as Prefeituras ainda não tenham executado ações conjuntas e efetivas. Somente unindo forças, trabalhando de forma parceira também com o Governo do Estado, será possível avançar”, comentou. De acordo com ele, é mais do que viável as prefeituras trabalharem juntas nos setores da limpeza pública, iluminação pública, transporte escolar, saúde e infraestrutura, por exemplo. “Existem vias que cortam três municípios. Muitas delas estão em estado deplorável de abandono. Se as prefeituras agissem em parceria, poderiam gastar muito menos e recuperá-las de forma mais rápida e eficiente. É isso que farei como prefeito de São Luís: conclamar a união de todos, prefeitos e governo do estado, para que, juntos, possamos trabalhar em favor de todos que moram na Ilha”, completou.

 

Metropolização sempre sofreu restrições políticas
jackson e rose
Jackson Lago resistiu ao cerco alertando que Roseana queria controlar a região metropolitana de Upaon Açu

Para quem ainda não deu a devida importância a esse tema, certamente por considerá-lo genérico e sem futuro, a metropolização da Ilha de Upaon Açu foi decidida pela Assembleia Estadual Constituinte realizada no Maranhão em 1989, que adaptou para o âmbito estadual a Constituição Cidadã de 1989. A nova Carta Magna do Maranhão instituiu, no Ato das Disposições Provisórias, a implantação, por lei complementar, a Metropolização da Ilha de Upaon Açu, envolvendo os quatro municípios da Ilha mais Rosário e Alcântara. A lei complementar foi proposta no início dos anos 90 por iniciativa do então deputado estadual Francisco Martins (PFL), um médico com raízes políticas em Balsas, e foi abraçada em seguida pelo deputado Manoel Ribeiro (PTB), que deu andamento ao processo. A metropolização, no entanto, foi objeto de restrições políticas, que começaram com o então prefeito Jackson Lago (PDT), em 1997. A reação começou quando a então governadora Roseana Sarney, na mais ousada e abrangente reforma administrativa que se tem notícia em toda a região, criou a Gerência Metropolitana, órgão recebido como uma tentativa do governo de controlar a região metropolitana. Jackson conseguiu convencer os prefeitos de que o melhor era seguir cada um o seu próprio rumo, para não ficar refém do Palácio dos Leões. E desde então o grande projeto nunca ganhou a forma que deveria.

 

São Luís, 27 de Agosto de 2016.