De longe a melhor e mais produtiva iniciativa para mostrar o que pensam e o que pretendem os candidatos ao Governo do Estado, a série de entrevistas realizadas pela TV Mirante, dentro do telejornal JMTV, edição do meio-dia, permitiu a Eduardo Braide (PSD) e Orleans Brandão (MDB) – também foram entrevistados Saulo Arcangeli (PSTU) e André Luís (Missão) – apresentar, de maneira resumida, mas bem objetiva, as linhas gerais dos seus planos de Governo. Eduardo Braide e Orleans Brandão certamente passariam ao largo da política se não tivessem sido provocado pelos entrevistadores. E responderam às provocações com os discursos que usaram até agora sobre os temas abordados.
Sorteado para abrir a série, na quinta-feira (16), Orleans Brandão manteve o roteiro que vem orientando suas falas, que podem se ser resumido num mote: avalia que o governador Carlos Brandão (MDB) fez muito e que ele vai continuar fazendo muito mais. Na abertura do segundo bloco de 15 minutos, o candidato do MDB foi colocado com o Caso Tech Office, com a recente declaração de Gilbson Cutrim Jr., matador do empresário João Bosco Sobrinho, envolvendo o governador Carlos Brandão e o presidente do TCE Daniel Brandão no que seria um esquema de corrupção.
A pergunta causou-lhe certo impacto, mas ele evitou reação explosiva, preferindo reclamar de que tudo isso só veio à tona agora, durante a campanha eleitoral. “A quem interessa isso agora?”, indagou, em tom incomodado. Sem perder o eixo, o candidato emedebista tratou do assunto numa única resposta: “No ano eleitoral surgem essas ilações, e elas vêm de um criminoso confesso, um assassino confesso; pior do que isso, vêm no sexto depoimento depois de quatro anos. A pergunta que fica é a quem isso interessa no ano eleitoral. É uma situação que causa indignação. É uma situação, claro, em que a gente fica muito chateado. (…) Basta você ver o programa eleitoral, as redes sociais dos outros candidatos, só têm ataques, não existe proposta para o estado do Maranhão. (…) Em um ano eleitoral, isso não passa de politicagem, ilações feitas por um criminoso (…). Enquanto os outros candidatos ficam fazendo fake News, ficam inventando mentiras, eu sigo falando desse estado que tanto amo”.
O candidato Eduardo Braide, por sua vez, foi provocado sobre dois tremas políticos, a sucessão presidencial e a sua relação com a Câmara Municipal quando prefeito de São Luís. Sobre a sucessão presidencial, ele deixou claro que não tem candidato, argumentando que prefere que os maranhenses façam essa escolha sem a sua interferência. E indagado sobre se, ao contrário do que aconteceu com a Câmara Municipal, se eleito, terá um relacionamento normal com a Assembleia Legislativa, o candidato do PSD respondeu sem vacilar: “Eu sempre estarei aberto a ter um bom diálogo e fazer parceria com aqueles que pensarem no povo maranhense. Mas nós não podemos esconder: tem pessoas que estão na política que só pensam nos seus interesses pessoais. Esses que fiquem para outro lado, eu não faço questão de ter diálogo. Eu quero ter diálogo com o povo e principalmente com aqueles políticos que querem o bem da população. Sobre a Câmara de Vereadores especificamente, e todo Maranhão acompanhou, sabe as dificuldades que a Câmara de Vereadores de São Luís nos criou para governar. Deixaram de aprovar o orçamento esse ano, fizeram uma série de projetos tentando atrapalhar a nossa gestão”.
E completou acusando o Palácio dos Leões de ser o responsável direto pelos embates que manteve com a maioria dos vereadores, afirmando que, segundo o próprio Governo, 27 dos 31 vereadores de São Luís seguiram a orientação do Governo do Estado, ou seja, do governador Carlos Brandão.
O candidato do PT, Felipe Camarão, que tem o discurso político mais forte, inclusive em relação ao Governo do Estado, será entrevistado no final da manhã desta segunda-feira, 21/09.
PONTO & CONTRAPONTO
Fórum de Imperatriz: Guerreiro Jr. colocado em disponibilidade pelo CNJ e pode perder o emprego; Bayma Araújo é absolvido
O ex-presidente do Tribunal de Justiça do Maranhão, desembargador Antônio Guerreiro Jr., foi afastado das suas funções, pelo Conselho Nacional de Justiça, que o considerou culpado no escândalo de má gestão de dinheiro público na construção do faraônico complexo predial que abriga o Fórum Imperatriz.
No mesmo julgamento, realizado sexta-feira (18/09), o CNJ reconheceu que o desembargador Bayma Araújo, também ex-presidente do Tribunal de Justiça e atual decano da corte, nada fez de errado, não cabendo, portanto, qualquer penalidade contra o magistrado no âmbito desse processo. Bayma Araújo sempre negou, com protestos indignados, a sua inclusão como suspeito nesse caso.
Afastado desde 2023, Guerreiro Jr. foi colocado em disponibilidade, com remuneração proporcional ao tempo de contribuição, mas sujeito à perda do emprego. O seu afastamento se deu por causa de supostos desvios na construção do Fórum de Imperatriz, que foi inicialmente orçado em R$ 25 milhões e teve as obras paralisadas quando já haviam sido gastos nada menos que R$ 75 milhões. O Tribunal de Contas do Estado identificou, por meio de auditorias, várias irregularidades, entre elas indícios de superfaturamento.
A decisão do CNJ punindo o desembargador Guerreiro Jr. será agora encaminhada à Advocacia-Geral da União, a quem cabe denunciá-lo ao Supremo Tribunal Federal, que terá a última palavra sobre a perda do emprego.
Se não for procrastinada pela AGU, o processo envolvendo o desembargador Guerreiro Jr. desembarcará na Suprema Corte exatamente no momento em que o tema da corrupção no Poder Judiciário causa uma “guerra civil” entre ministros da instituição.
Há alguns meses, segundo decisão do ministro Flávio Dino, juiz culpado de falcatrua, que antes recebia como pena máxima aposentadoria compulsória, mas preservando o salário, agora vai para casa sem nada. O processo ainda levará algum tempo, mas todos os indícios sugerem que o desembargador Guerreiro Jr. perderá o emprego.
Vale lembrar que, por razões diferentes, mais quatro desembargadores maranhenses – Nelma Sarney, Luiz Gonzaga Filho, Luiz de França Belchior e Eulálio Figueiredo – estão afastados por decisão do CNJ.
Destaque
Críticas de Lula e de petistas graúdos só reforçam que Dino atua no Supremo com independência
Matéria divulgada ontem pelo jornal Folha de S. Paulo informa que o presidente Lula da Silva (PT) e vozes graúdas do entorno do Palácio do Planalto e do PT reclamaram fortemente da posturas e das decisões domadas pelo ministro Flávio Dino na histórica e polêmica sessão do Supremo Tribunal Federal, na última terça-feira (15), por ele classificada como “show de horrores”. De acordo com o jornal, o presidente “se queixou” da atuação do ministro maranhense, criticou o pedido de vistas que interrompeu a sessão, manifestando também insatisfação com o “tom zombeteiro” que, segundo sua interpretação, foi usado pelo magistrado. Conforme a Folha, o presidente Lula da Silva teria avaliado que “a conduta de Dino não foi condizente com a gravidade do debate e das implicações para o país”. E teria feito chegar a sua insatisfação ao ministro Flávio Dino, cuja assessoria informou que esse “recado” não chegou ao magistrado.
Além do líder petista, aliados do Governo e vozes graúdas do PT também teriam criticado o ministro Flávio Dino, acusando-o de adotar um “estilo lacrador” durante a sessão. Outro classificou a atuação do ministro como “extravagante”, principalmente em relação ao presidente da Corte, ministro Edson Fachin. Essa teria sido também a avaliação de alguns graúdos do PT.
Independentemente de qualquer desdobramento político que possa produzir, essa reação do presidente Lula da Silva e de graúdos do Governo e do PT à atuação do ex-ministro da Justiça na explosiva sessão de terça-feira dá forma a uma conclusão indiscutível: o ministro Flávio Dino tem posição ideológica clara, com viés de esquerda, mas é um magistrado independente, que conhece profundamente o seu ofício, que tem um senso de justiça baseado na Constituição em vigor no País, e tem dado seguidas demonstrações de que não se subordina a conveniências. Isso ficou muito claro para quem assistiu à sessão da Suprema Corte no dia 15, quando colocou em xeque o “pacote de jeitinhos” para dar sentido a uma medida sem lastro.
A questão aqui não é contestar o presidente Lula da Silva. Ele tem o seu próprio ângulo para avaliar o que aconteceu no STF naquele dia. Afinal, os analistas mais conservadores e os da direita radical festejaram. Houve também observadores de alto coturno profissional que enxergaram muita coragem, lastro jurídico e coerência do ministro Flávio Fino nas firmes cobranças que fez ao presidente da Corte, e que não foram contestadas de pronto por nenhum ministro. A Questão de Ordem poderia ter sido detonada se o presidente Edson Fachin tivesse respostas para os questionamentos feitos pelo ministro Flávio Dino por intermédio do decano da Corte, ministro Gilmar Mendes. Só que ele não tinha, pelo simples fato de que esses argumentos não existiam.
Bate-boca, troca de acusações e eventuais excessos verbais numa Corte que reúne o suprassumo da magistratura, dos quais se espera, e se cobra, relações civilidade, enfearam a sessão de terça-feira. Mas apesar da dureza das suas intervenções e da firmeza dos seus argumentos, o ministro Flávio Dino não agrediu a nenhum dos seus pares, a começar pelo presidente. Basta rever a sessão. E a Questão de Ordem que apresentou está rigorosamente fundamentada, uma vez não havia nem regras nem ritos para a sua realização. Se fosse realizada com jeitinhos e arranjos, estaria passível de anulação.
A verdade é que, gostem ou não os que avaliam a atuação do ministro Flávio Dino pela ótica da política, o que ficou patente foi que ele deu uma demonstração incontestável de que foi para a Suprema Corte resgatando o juiz federal correto e eficiente que foi ao longo de 12 anos sem uma mancha na toga. E levou a experiência de quem esteve do outro lado do campo como deputado federal, governador eleito e reeleito, senador e ministro da Justiça sem uma nódoa no paletó.
São Luís, 20 de Setembro de 2026.



























