O terremoto que está estremecendo as bases da política maranhense, causado pelos impactantes desdobramentos do Caso Tech Office, e ameaçando desestabilizar o cenário da corrida às urnas, avança para tornar perigosamente tensa a campanha eleitoral, que já está nas ruas, nas salas de estar, nas escolas, nos escritórios, nos gabinetes, nas mesas de bar e nas redes sociais. Ontem, enquanto o Supremo Tribunal Federal sorteava o ministro Dias Toffoli para relatar as ações por meio das quais o governador Carlos Brandão (MDB) tenta suspender a tramitação do processo, tirar o ministro Flávio Dino da relatoria e devolver o pacote ao Superior Tribunal de Justiça, Gilbson Cutrim Jr., matador de João Bosco Sobrinho, disparou nas redes sociais um vídeo em que ataca duramente o governador Carlos Brandão, seus irmãos e o sobrinho Orleans Brandão, candidato do MDB ao Governo do Estado, e o presidente afastado do TCE, Daniel Brandão, além de auxiliares, como o ex-secretário Raimundo Cutrim. No vídeo, Gilbson Cutrim Jr. faz acusações graves à presidente da Assembleia Legislativa, Iracema Vale (MDB), e ao procurador geral da Justiça, Danilo Castro, ampliando o raio de alcance das suas ácidas declarações.
Esse ambiente de tensão levou o comedido candidato do MDB a governador, Orleans Brandão, a deixar de lado o discurso de campanha e entrar no confronto e rebater os ataques de Gilbson Cutrim Jr.. Ele declarou apoio ao seus familiares, a começar pelo governador Carlos Brandão (MDB), anunciando que escolheu “lutar”. O emedebista classificou de “inverdades” as acusações que pesam contra seus familiares no Caso Tech Office, afirmando também que sua família é honrada. Segundo ele, em 35 anos de vida pública, a família Brandão não teve “qualquer caso de corrupção ou qualquer problema com a Justiça”. Assinalou que a tensa situação se deve ao fato de o governador Carlos Brandão haver decidido permanecer no Governo e lançar a sua candidatura à sucessão dele. “O governador Brandão tinha uma eleição quase certa para o Senado Federal, mas escolheu ficar na cadeira”, para acrescentar: “Isso está acontecendo porque nós não cedemos, nós escolhemos lutar, eu escolhi lutar”.
Acusada por Gilbson Cutrim Jr. de envolvimento em desvios de recursos e na trama que resultou no assassinato do agiota Pacovan, a presidente da Assembleia Legislativa, Iracema Vale, reagiu, em vídeo, com indignação, questionou a credibilidade de “um assassino confesso” e disse que tem uma vida limpa e honrada. Afirmou que a denúncia a enoja, e fez uma série de questionamentos: “O que está acontecendo, porque é muito grave: um assassino, que cumpre pena, chega às redes sociais e, de repente, tenta atingir, de forma leviana, as principais autoridades do estado. Então eu pergunto, e essa é a pergunta que todo maranhense deveria fazer: A quem interessa essa denúncia? A quem interessa que a palavra de um bandido ganhe visibilidade? A quem interessa destruir reputações por meio de mentiras de um assassino? A quem interessa que o Maranhão se transforme em um palco de um espetáculo em que acusações absurdas valham mais do que a verdade? E porque que isso acontece justamente no período eleitoral? Por que agora? Por que a palavra de um criminoso passa a valer tanto quanto pode servir de arma política em época de eleição?”
O fato é que, se já estava sofrendo desvios com os desdobramentos do Caso Tech Office, a corrida eleitoral no Maranhão pareceu encontrar-se sob o grave risco de ser contaminada irreversivelmente, pois o debate sobre os problemas do Maranhão foi substituído por um intenso bate-rebate sobre um crime supostamente motivado por corrupção. E nesse cenário, o governador do Estado, a presidente da Assembleia Legislativa e o procurador geral da Justiça se veem obrigados a deixar suas obrigações para responder os ataques de um sujeito que nada tem a perder, mas que na sua fala pareceu disposto a ir mais além.
PONTO & CONTRAPONTO
Candidatos recorrem à cautela diante dos desdobramentos do Caso Tech Office

Felipe Camarão comentou de passagem e
Roberto Rocha atacou Flávio Dino
De um modo geral, os candidatos a governador pareceram dispostos a usar a cautela em relação aos desdobramentos do Caso Tech Office. A reação de Orleans Brandão (MDB) foi natural à medida que os petardos têm como alvos o governador Carlos Brandão, o seu patrono político, e o seu pai, Marcus Brandão, visto como o cérebro da sua candidatura e da sua campanha. Ainda assim, ele preferiu conciliar firmeza e moderação na sua reação.
O candidato do PT, Felipe Camarão, fez alguns comentários sem maiores consequências sobre o caso. E pelo que ficou claro, preferiu não se manifestar em relação às novas declarações de Gilbson Cutrim Jr. no vídeo que agitou o meio político nesta quarta-feira.
O candidato do PSD, Eduardo Braide, manteve sua estratégia de não se envolver em polêmicas e passou a impressão de que não tomou conhecimento das explosivas declarações do assassino do empresário João Bosco Sobrinho. Eduardo Braide deu prosseguimento à sua campanha como se nada estivesse acontecendo.
A manifestação mais contundente e agressiva partiu do candidato do PRTB, Roberto Rocha, que aproveita o Caso Tech Office externar o seu ódio quase visceral pelo ministro Flávio Dino, a quem dedicou adjetivos ásperos em vídeo que divulgou nas redes sociais. E não poupou o governador Carlos Brandão e seu grupo. Sinalizou que esse assunto está na sua pauta de campanha.
Dividido em três correntes, PL do Maranhão continua sob forte influência de Josimar de Maranhãozinho
O braço maranhense do PL está irremediavelmente dividido, e não resta dúvida de que o deputado federal Josimar de Maranhãozinho continua firme no comando da fatia maior do partido no estado.
O grupo liderado por Josimar de Maranhãozinho não manifesta qualquer simpatia pela candidatura do senador Flávio Bolsonaro à presidência da República, e não deu a mínima para nenhum candidato ao Governo do Estado. O PL é comandar o oficialmente pela deputada estadual Fabiana Vilar, forte candidata a deputada federal.
Por sua vez, a corrente tocantina do PL, assumidamente bolsonarista, comandada pela suplente de deputada federal Mariana Carvalho, tentou se apresentar como chefe do partido no Maranhão ao firmar uma aliança informal com o candidato do PRTB ao Governo, Roberto Rocha, dando-lhe de presente um candidato a senador, Cidônio Gonçalves, que não tem o aval do grupo de Josimar de Maranhãozinho.
Em São Luís, a vereadora Flávia Berthier tenta se viabilizar como a voz dos Bolsonaro, mas fala sozinha, à medida que a banda maior do PL na Capital tem o comando do vereador Aldir Júnior, que é homem de confiança de Josimar de Maranhãozinho.
Em resumo, o PL maranhense tem três grupos, só que o liderado por Josimar de Maranhãozinho dá as cartas, enquanto Mariana Carvalho tenta sobreviver no Tocantins e Flávia Berthier não consegue sair do lugar.
São Luís, 20 de Agosto de 2026.



























