
esposa de Márcio Jerry; Carol Duailibe,
esposa de Antônio Pereira, e Fernando
Fialho, sogro de Juscelino Filho:
suplentes em família
Foi-se o tempo em que as duas vagas de candidato a suplente de senador funcionava como um importante item de barganha política entre candidatos majoritários e partidos. Agora, suplência virou nicho quase exclusivo para arranjos familiares, o que transforma as chapas em condomínios extensivos de governadores, senadores, prefeitos, deputados federais e deputados estaduais. As montagens de chapas em curso para senador no Maranhão evidencia essa situação, que não é nova, mas ganhou agora uma dimensão nunca vista. Grande parte dos candidatos a suplente de senador nesta corrida são fruto de acordos de natureza familiar.
O exemplo mais cristalino e de maior repercussão foi a indicação da então vice-prefeita de Pinheiro, Ana Paula Lobato (PSB), 1ª suplente na chapa do então ex-governador Flávio Dino, indicada pelo deputado e presidente da Assembleia legislativa Othelino Neto (PCdoB). Flávio Dino venceu a eleição como o mais votado da história do Maranhão até aqui, mas praticamente não exerceu o mandato der senador, tornando-se ministro da Justiça e, um ano depois, ministro do Supremo Tribunal Federal proporcionando à sua 1ª suplente o exercício de todo o seu mandato de oito ano. Um caso raro, mas factível. Antes, Lobão Filho foi suplente do pai, senador Edson Lobão (MDB) ao longo de um mandato
O exemplo da senadora Ana Paula, que vem cumprindo o seu papel com uma eficiência parlamentar cada vez maior, certamente influencia a corrida de agora para emplacar parentes nas vagas de candidato a suplente de senador. Das duas candidatas a suplente na chapa da senadora Eliziane Gama (PT), candidata à reeleição, uma, Lene Rodrigues, é esposa do deputado federal Márcio Jerry (PCdoB). Fernando Fialho, suplente na chapa senatorial do deputado federal André Fufuca (PP), é sogro e foi indicado pelo deputado federal Juscelino Filho (PSDB). Carol Duailibe, vice-prefeita de Imperatriz, se tornou suplente na chapa de Roseana Sarney por indicação do marido, o deputado estadual Antônio Pereira (MDB), vice-presidente da Assembleia Legislativa. E por aí vai…
Nessa guerra de viés familiar, algumas tentativas de emplacar parentes como candidatos a suplente não funcionaram. Por exemplo: o prefeito de Imperatriz, Rildo Amaral (PP), amargou a recusa do União Brasil de aceitar a indicação da sua esposa, Perla Amaral como candidata a suplente na chapa senatorial do ex-ministro do Esporte André Fufuca. E soube-se que a deputada federal Amanda Gentil (PP) teria saído furiosa da convenção da Federação União Progressista por não haver emplacado o seu pai, o ex-prefeito de Caxias, Fábio Gentil (União), como suplente de senador na mesma chapa.
O problema é que, por mais politicamente torto e incorreto que possa parecer, a indicação de parentes para a suplência é legal, pois não há na legislação eleitoral qualquer restrição que possa ser interpretada como nepotismo ou outro óbice. Com essa avalanche de parentes para suplência de senadores, o próximo Congresso Nacional possa revisar essa legislação e, primeiro de tudo, acabar com essa deformação inaceitável que que é o instituto da suplência de senador, instituindo a regra saudável segundo a qual suplente de senador é o candidato imediatamente mais votado, como era até a década de 1990 do século passado. O caso mais a ascensão de Magno Bacelar, segundo mais votado, quando o então senador Edison Lobão saiu para disputar o Governo em 1990.
Pelas regras – ou falta de regras – em vigor, um político pode, sim, indicar um parente para disputar suplência em chapa de candidato a senador. O problema é que, exatamente por falta de regra que não permita esse aceitável desvio, esse tipo de indicação está se tornando quase uma regra. E como no jogo duro da política maranhense até boi voa, com asa quebrada, como dizia uma célebre raposa chamada Lister Caldas, que pontificou no tatame político maranhense nos anos 50 e 60 do século passado.
PONTO & CONTRAPONTO
Cidônio Gonçalves pode ganhar corpo na corrida ao Senado ao receber o aval de Flávio Bolsonaro
A declaração do senador Flávio Bolsonaro, candidato a presidente da República pelo PL, de que o único candidato a senador do Maranhão a ter o seu apoio será o ex-prefeito de Açailândia Cidônio Gonçalves (PL), que integra a chapa encabeçada pelo ex-senador Roberto Rocha, candidato do PRTB ao Governo do Estado, repercutiu ontem nos bastidores da corrida às duas vagas no Senado.
Na avaliação dominante, o gesto não vai alterar o cenário da disputa, que até aqui tem como favoritos o deputado federal e ex-ministro do Esporte André Fufuca (PP), o ex-prefeito de São Pedro dos Crentes Lahesio Bonfim (Novo), a deputada federal Roseana Sarney (MDB) e os senadores Eliziane Gama (PT) e Weverton Rocha (PDT), ambos candidatos à reeleição. Outros nomes, como o ex-prefeito de Santa Rita Hilton Gonçalo (Mobiliza), por exemplo, estão firmes na corridas, mas aparentemente sem chances de chegar entre os primeiros.
Por outro lado, há quem enxergue a possibilidade de que a sua candidatura ganhe corpo na região Tocantina, onde é muito conhecido e onde o bolsonarismo ocupa espaço amplo. Poderá ser um fator de desequilíbrio da corrida ao Senado naquela região.
Penúltimo candidato anunciado, apresentado pela suplente de deputada federal Mariana Carvalho, que comanda a ala bolsonarista roxa do PL no Maranhão – a outra, que representa pelo menos 80% das forças do partido, é comandada pelo deputado federal Josimar de Maranhãozinho -, Cidônio Gonçalves, cuja base é Açailândia, teve seu nome confirmado na convenção em que o ex-senador Roberto Rocha formalizou sua candidatura ao Governo do Estado.
Vale aguardar o que dirão as próximas pesquisas sobre a corrida senatorial.
Flávio Dino manda investigar destino de emendas PIX de deputados e ex-deputados federais maranhenses
Quatro deputados federais e três ex-deputados federais do Maranhão estão entre os autores das 100 emendas PIX, num total de R$ 198 milhões entre 2020 e 2024 – as dos maranhenses totalizaram R$ 49 milhões – cujos destinos serão investigados por decisão do ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), com base em regularidades apontadas pelo Tribunal de Contas da União (TCU).
As emendas maranhenses são de autoria dos deputados federais Josimar de Maranhãozinho (PL), Pastor Gil (PL), Josivaldo JP (União) e Márcio Honaiser – os dois últimos são candidatos à reeleição. Já os ex-deputados federais são Silvio Antônio (PL) – que foi suplente e exerceu o mandato por alguns meses naquele período -, enquanto Carlos Araújo (PT) e João Marcelo Souza (MDB) foram efetivos.
Nesse pacote encontram-se 24 políticos, sendo 12 deputados federais, cinco senadores, cinco ex-deputados federais e dois ex-senadores. O grupo maranhense representa quase 30% do total de parlamentares alcançados pela medida.
O relatório do TCU avalia que as 100 PIX tiveram uso irregular, podendo ter causado um prejuízo de pelo menos R$ 49 milhões, o que equivale um quarto dos recursos investigados. Os deputados e ex-deputados não estão sendo investigados, mas essa vento pode virar ao longo das investigações da Polícia Federal sobre o destino das emendas.
Entre as irregularidades estão a falta de transparência, superfaturamento em projetos e dinheiro que deveria ter ido para obras onde nada foi construído. O ministro citou “a persistência de um estado de inconstitucionalidade” ao analisar os achados do TCU.
São Luís, 08 de Agosto de 2026.




























