O inquérito do Caso Tech Office vai continuar no Supremo Tribunal Federal (STF) sob a relatoria do ministro Flávio Dino, e pelo que está senso sinalizado, vai continuar contaminando a corrida eleitoral, podendo produzir um desfecho rigorosamente imprevisível. Tanto que nas últimas 24 horas ele teve desdobramentos na frente judicial com uma decisão sobre o processo; no campo policial, tendo o matador do Caso Tech Office afirmou que entregou o que seriam novas provas à PF, e no campo político aconteceram reações diversas, entre elas o aparecimento do bordão “Golpe, não!”
No campo judicial, o ministro Dias Toffoli do STF, não acatou o pedido do governador Carlos Brandão (MDB) para que a investigação fosse suspensa, para que o ministro Flávio Dino fosse substituído na relatoria e que o processo retornasse ao Superior Tribunal de Justiça. Sorteado relator das ações do governador Carlos Brandão na quarta-feira, o ministro Dias Toffoli concluiu, sem entrar no mérito, que a ação escolhida pelo mandatário maranhense, uma ADPF, não caberia no caso. Com a decisão do ministro Dias Toffoli, o pedido de medida cautelar para paralisar a investigação ficou prejudicado, mas o inquérito policial segue em tramitação, segundo informou o portal do jornal O Globo.
“A pretensão deduzida nos autos não visa proteger a esfera institucional do Estado do Maranhão, mas tão somente obstar a investigação dirigida ao seu titular”, escreveu o ministro Dias Toffoli no seu despacho. E acrescentou: “Admitir a presente demanda […] importaria, na prática, criar uma espécie de ‘via processual paralela’ para a impugnação de decisões proferidas por membros desta Corte”.
Na outra ponta da linha, Gilbson Cutrim Jr., o matador do empresário João Bosco Sobrinho no Caso Tech Office, e que foi condenado a 13 anos, voltou a ser informação nas redes sociais. De acordo com as informações que circularam ontem à tarde, ele teria entregue à Polícia Federal documentos que, segundo teria afirmado, comprovaria parte do conteúdo do vídeo que divulgou no início da semana fazendo graves acusações a autoridades maranhenses, e no qual prometeu comprovar as acusações que fez.
No plano político, além de algumas reações, entre elas a do próprio governador Carlos Brandão, que num discurso forte, na quinta-feira, em São João do Paraíso, afirmou ser “o governador mais perseguido da história do Maranhão”, comparando o que chama de perseguição a “vitamina”, que o leva a “trabalhar mais”. Nesse ambiente, a reação mais enfática foi a da presidente da Assembleia Legislativa, Iracema Vale (MDB), acusada pelo matador de fazer parte de um suposto esquema de desvio. “Não foi permitir que um assassino confesso jogue meu nome na lama”, declarou Iracema Vale num vídeo de quase três minutos, no qual ela repudia enfaticamente a acusação.
No campo político, aliados do governador Carlos Brandão em Imperatriz realizaram uma manifestação com o mote “Golpe, não!”. Num discurso duro, o ex-prefeito Sebastião Madeira (MDB), que foi chefe da Casa Civil e se desincompatibilizou para se candidatar a deputado estadual, sugeriu a existência de uma trama para afastar Carlos Brandão do cargo. Ele invocou o processo que derrubou o então governador Jackson Lago em 2009, e inflamou os presentes com o refrão “Golpe, não!”.
No âmbito da política, que chamou a atenção foi o fato de nenhum candidato a governador ou a senador – exceção feita ao senador Weverton Rocha (PDT) – não ter se manifestado sobre esse caso.
Um parlamentar da base governista disse à Coluna, ontem à noite, que o governador Carlos Brandão não vai desistir da via judicial para suspender a investigação e fazer com que o inquérito retorne ao Superior Tribunal de Justiça. O problema é que o entendimento dominante no meio judiciário, e até mesmo na seara política mais esclarecida, é que, enquanto o senador Weverton Rocha figurar nas investigações, o inquérito continuará na Suprema Corte.
PONTO & CONTRAPONTO
Corrida ao Senado produziu situações inusitadas ao unir adversários no mesmo campo
Como vem acontecendo há meses seguidos, a corrida às duas vagas no Senado continua surpreendendo. Isso porque, para começar, as chapas majoritárias que abrigam essas 11 candidaturas estão longe de serem montagens baseadas em afinidades políticas e partidárias, ao contrário, são arranjos políticos que tentam misturar água com óleo e outras receitas que, à primeira vista, não produzem resultados convincentes. Dois exemplos: a “aliança” que colocou a deputada federal Roseana Sarney (MDB) como parceira do senador Weverton Rocha (PDT) em torno do candidato do MDB ao Governo do Estado, Orleans Brandão, e o acordo que juntou o deputado federal André Fufuca (PP) e o ex-prefeito de São Pedro dos Crentes, Lahesio Bonfim (Novo) na chapa liderada por Eduardo Braide (PSD). São casos com diferenças agudas, que estão controladas agora, mas que cedo ou tarde sofrerão ajustes, que podem reforçar o cenário atual ou desmontá-lo dramaticamente.
Não bastasse isso, a corrida às cadeiras no Senado estão desenhando movimentos absolutamente fora da curva. Ontem, por exemplo, o candidato Hilton Gonçalo (Mobiliza), que entrou como “terceira via” na chapa onde pontificam Roseana Sarney e Weverton Rocha, deu mais um passo na sua caminhada solitária ao receber o apoio do prefeito de São Domingos, Kléber Tratorzão, do PP – mesmo partido de André Fufuca. De acordo com o sempre bem informado blog do jornalista Gilberto Léda, com essa adesão, o candidato Hilton Gonçalo já contabilizaria 50 prefeitos na sua base de apoio, o que não é qualquer coisa numa disputa com tantos candidatos. Há poucos dias, Hilton Gonçalo recebeu também o apoio de ninguém menos que o deputado federal Duarte Jr. (Avante), uma aliança que pode beneficiar os dois. Isso significa dizer que Hilton Gonçalo não está brincando de ser candidato.
Num outro quadrado da disputa, o presidente estadual do Republicanos, deputado federal Aluísio Mendes, declarou apoio ao candidato do Novo ao Senado, Lahesio Bonfim, num acerto antes improvável. Também nesse caso, os interesses coincidem. Aluísio Mendes teve o seu projeto de reeleição fragilizado com a candidatura da deputada Iracema Vale (MDB), presidente da Assembleia Legislativa, que era um dos seus lastros, mas que decidiu disputar a Câmara Federal, o que levou o parlamentar a correr para repor a perda, encontrando em Lahesio Bonfim um caminho promissor. Com o acordo, o Republicanos vai apoiar a candidatura de Lahesio Bonfim ao Senado, e o candidato do Novo apoiará a corrida de Aluísio Mendes à reeleição para a Câmara Federal.
Adversários históricos, cujas diferenças chegaram ao extremo quando da cassação do então governador Jackson Lago (PDT), em 2009, Roseana Sarney e Weverton Rocha estão alinhados com o mesmo candidato a governador, mas na briga pelo voto a situação é cada um por si, e ponto final. Grande parte dos apoiadores de Roseana Sarney não está recomendando o segundo voto em Weverton Rocha, assim como a turma do senador pedetista não está demonstrando maiores interesses no futuro da candidatura da ex-governadora ao Senado. É verdade que até aqui os dois têm se esforçado para exibir uma aparência de alinhados, mas é verdade que não houve ainda nenhuma declaração enfática de um elogiando o outro.
Outros exemplos poderão cristalizar ainda mais estranhezas dessa corrida ao Senado. Elas certamente irão aflorar ao longo da campanha. É o caso da candidatura da senadora Eliziane Gama reeleição, abraçada pelo presidente Lula da Silva, pelo comando nacional do PT, pelo candidato petista a governador Felipe Camarão e pela banda maior do PT maranhense. Só que o seu companheiro de chapa, Enilton Rodrigues, do PSOL, parece não fazer parte desse grupo.
As diferenças virão à tona, com mais ênfase, durante as próximas semanas.
Rocha oferece sua candidatura em troca do apoio de Braide a Bolsonaro; vai continuar candidato
Candidato do PRTB ao Governo do Estado e autoproclamado a “voz da direita” no Maranhão, o que, em tradução fiel significa ser porta-voz do bolsonarismo, o ex-senador Roberto Rocha vem surpreendendo. Primeiro pela extrema agressividade que vem usando contra supostos adversários, como o ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal, que, até onde se sabe não pronuncia seu nome publicamente há anos, o candidato a senador pelo Novo, Lahesio Bonfim, e, ainda, Eduardo Braide, candidato a governador pelo PSD.
Agora, Roberto Rocha invade as redes sociais com um vídeo no qual faz uma proposta-desafio ao ex-prefeito de São Luís: se ele, Eduardo Braide, declarar apoio a Flávio Bolsonaro, candidato do PL a presidente, ele, Roberto Rocha, retira sua candidatura ao Governo do Maranhão.
Primeiro, o PSD, partido de Eduardo Braide, tem candidato a presidente. Ronaldo Caiado, cujo vice é o presidente nacional da legenda, Gilberto Kassab. É verdade que Eduardo Braide não associa a sua candidatura à de Ronaldo Caiado, mas também não disse uma palavra sugerindo que não o reconhece como candidato do seu partido.
Ao fazer essa proposta, Roberto Rocha não está levando em conta uma série de fatores, entre eles o fato de Eduardo Braide tem uma vantagem de dezenas de pontos percentuais de vantagem sobre ele na corrida aos Leões, e que, pelo menos até onde é possível enxergar, o apoio a Flávio Bolsonaro pouco ou nada representa para ele nessa corrida. Isso porque, se o candidato do PL tivesse alguma importância na disputa leonina, ele próprio, Roberto Rocha, não estaria amargando um percentual tão modesto de intenções de voto.
A impressão que dá é que Roberto Rocha já começa a perceber que sua candidatura pode não decolar, e procura uma saída politicamente amena para encarar o desfecho.
São Luís, 22 de Agosto de 2026.






























