Matador do Caso Tech Office incendeia a cena política com vídeo bombástico

Orleans Brandão reagiu com firmeza e serenidade;
Iracema Vale externou forte indignação

O terremoto que está estremecendo as bases da política maranhense, causado pelos impactantes desdobramentos do Caso Tech Office, e ameaçando desestabilizar o cenário da corrida às urnas, avança para tornar perigosamente tensa a campanha eleitoral, que já está nas ruas, nas salas de estar, nas escolas, nos escritórios, nos gabinetes, nas mesas de bar e nas redes sociais. Ontem, enquanto o Supremo Tribunal Federal sorteava o ministro Dias Toffoli para relatar as ações por meio das quais o governador Carlos Brandão (MDB) tenta suspender a tramitação do processo, tirar o ministro Flávio Dino da relatoria e devolver o pacote ao Superior Tribunal de Justiça, Gilbson Cutrim Jr., matador de João Bosco Sobrinho, disparou nas redes sociais um vídeo em que ataca duramente o governador Carlos Brandão, seus irmãos e o sobrinho Orleans Brandão, candidato do MDB ao Governo do Estado, e o presidente afastado do TCE, Daniel Brandão, além de auxiliares, como o ex-secretário Raimundo Cutrim. No vídeo, Gilbson Cutrim Jr. faz acusações graves à presidente da Assembleia Legislativa, Iracema Vale (MDB), e ao procurador geral da Justiça, Danilo Castro, ampliando o raio de alcance das suas ácidas declarações.

Esse ambiente de tensão levou o comedido candidato do MDB a governador, Orleans Brandão, a deixar de lado o discurso de campanha e entrar no confronto e rebater os ataques de Gilbson Cutrim Jr.. Ele declarou apoio ao seus familiares, a começar pelo governador Carlos Brandão (MDB), anunciando que escolheu “lutar”. O emedebista classificou de “inverdades” as acusações que pesam contra seus familiares no Caso Tech Office, afirmando também que sua família é honrada. Segundo ele, em 35 anos de vida pública, a família Brandão não teve “qualquer caso de corrupção ou qualquer problema com a Justiça”. Assinalou que a tensa situação se deve ao fato de o governador Carlos Brandão haver decidido permanecer no Governo e lançar a sua candidatura à sucessão dele. “O governador Brandão tinha uma eleição quase certa para o Senado Federal, mas escolheu ficar na cadeira”, para acrescentar: “Isso está acontecendo porque nós não cedemos, nós escolhemos lutar, eu escolhi lutar”.

Acusada por Gilbson Cutrim Jr. de envolvimento em desvios de recursos e na trama que resultou no assassinato do agiota Pacovan, a presidente da Assembleia Legislativa, Iracema Vale, reagiu, em vídeo, com indignação, questionou a credibilidade de “um assassino confesso” e disse que tem uma vida limpa e honrada. Afirmou que a denúncia a enoja, e fez uma série de questionamentos: “O que está acontecendo, porque é muito grave: um assassino, que cumpre pena, chega às redes sociais e, de repente, tenta atingir, de forma leviana, as principais autoridades do estado. Então eu pergunto, e essa é a pergunta que todo maranhense deveria fazer: A quem interessa essa denúncia? A quem interessa que a palavra de um bandido ganhe visibilidade? A quem interessa destruir reputações por meio de mentiras de um assassino? A quem interessa que o Maranhão se transforme em um palco de um espetáculo em que acusações absurdas valham mais do que a verdade? E porque que isso acontece justamente no período eleitoral? Por que agora? Por que a palavra de um criminoso passa a valer tanto quanto pode servir de arma política em época de eleição?”

O fato é que, se já estava sofrendo desvios com os desdobramentos do Caso Tech Office, a corrida eleitoral no Maranhão pareceu encontrar-se sob o grave risco de ser contaminada irreversivelmente, pois o debate sobre os problemas do Maranhão foi substituído por um intenso bate-rebate sobre um crime supostamente motivado por corrupção. E nesse cenário, o governador do Estado, a presidente da Assembleia Legislativa e o procurador geral da Justiça se veem obrigados a deixar suas obrigações para responder os ataques de um sujeito que nada tem a perder, mas que na sua fala pareceu disposto a ir mais além.

PONTO & CONTRAPONTO

Candidatos recorrem à cautela diante dos desdobramentos do Caso Tech Office

Eduardo Braide não tomou conhecimento;
Felipe Camarão comentou de passagem e
Roberto Rocha atacou Flávio Dino

De um modo geral, os candidatos a governador pareceram dispostos a usar a cautela em relação aos desdobramentos do Caso Tech Office. A reação de Orleans Brandão (MDB) foi natural à medida que os petardos têm como alvos o governador Carlos Brandão, o seu patrono político, e o seu pai, Marcus Brandão, visto como o cérebro da sua candidatura e da sua campanha. Ainda assim, ele preferiu conciliar firmeza e moderação na sua reação.

O candidato do PT, Felipe Camarão, fez alguns comentários sem maiores consequências sobre o caso. E pelo que ficou claro, preferiu não se manifestar em relação às novas declarações de Gilbson Cutrim Jr. no vídeo que agitou o meio político nesta quarta-feira.

O candidato do PSD, Eduardo Braide, manteve sua estratégia de não se envolver em polêmicas e passou a impressão de que não tomou conhecimento das explosivas declarações do assassino do empresário João Bosco Sobrinho. Eduardo Braide deu prosseguimento à sua campanha como se nada estivesse acontecendo.

A manifestação mais contundente e agressiva partiu do candidato do PRTB, Roberto Rocha, que aproveita o Caso Tech Office externar o seu ódio quase visceral pelo ministro Flávio Dino, a quem dedicou adjetivos ásperos em vídeo que divulgou nas redes sociais. E não poupou o governador Carlos Brandão e seu grupo. Sinalizou que esse assunto está na sua pauta de campanha.

Dividido em três correntes, PL do Maranhão continua sob forte influência de Josimar de Maranhãozinho

Josimar de Maranhãozinho e Fabiana Vilar:
controle sobre a fatia maior do PL

O braço maranhense do PL está irremediavelmente dividido, e não resta dúvida de que o deputado federal Josimar de Maranhãozinho continua firme no comando da fatia maior do partido no estado.

O grupo liderado por Josimar de Maranhãozinho não manifesta qualquer simpatia pela candidatura do senador Flávio Bolsonaro à presidência da República, e não deu a mínima para nenhum candidato ao Governo do Estado. O PL é comandar o oficialmente pela deputada estadual Fabiana Vilar, forte candidata a deputada federal.

Por sua vez, a corrente tocantina do PL, assumidamente bolsonarista, comandada pela suplente de deputada federal Mariana Carvalho, tentou se apresentar como chefe do partido no Maranhão ao firmar uma aliança informal com o candidato do PRTB ao Governo, Roberto Rocha, dando-lhe de presente um candidato a senador, Cidônio Gonçalves, que não tem o aval do grupo de Josimar de Maranhãozinho.

Em São Luís, a vereadora Flávia Berthier tenta se viabilizar como a voz dos Bolsonaro, mas fala sozinha, à medida que a banda maior do PL na Capital tem o comando do vereador Aldir Júnior, que é homem de confiança de Josimar de Maranhãozinho.

Em resumo, o PL maranhense tem três grupos, só que o liderado por Josimar de Maranhãozinho dá as cartas, enquanto Mariana Carvalho tenta sobreviver no Tocantins e Flávia Berthier não consegue sair do lugar.

São Luís, 20 de Agosto de 2026.

Caso Tech Office: Brandão sai da defesa retórica e vai para o confronto no campo judicial

Carlos Brandão saiu do plano
verbal para brigar no judicial

Em meio a forte repercussão do Caso Tech Office no Maranhão e em todo o país, ocupando amplo espaço nos principais telejornais e inundando as redes sociais de toda sorte de versão, o governador Carlos Brandão (MDB), que foi colocado no olho do furacão, decidiu migrar da defesa verbal para o campo judicial. Ontem, seus advogados, os respeitados Nabor Bulhões e José Carlos Porciúnculo, bateram às portas do Supremo Tribunal Federal (STF) e protocolaram recursos objetivando alcançar dois objetivos: suspender as investigações pela Polícia Federal e submeter o inquérito ao crivo Procuradoria Geral da República, e devolver o pacote ao Superior Tribunal de Justiça, sob a alegação de que só aquele tribunal pode investigar e julgar governador de Estado e conselheiro do Tribunal de Contas do Estado.

Com esse movimento, o governador não apenas contesta a suspeita de que ele chefie uma suposta organização criminosa, como também espera criar as condições para reverter o afastamento de Daniel Brandão das suas funções de conselheiro e presidente do Tribunal de Contas do Estado (TCE). Outro alvo da investigação, o ex-secretário de Segurança Pública e de Assuntos Legislativos, Raimundo Cutrim, que está em prisão domiciliar, sob suspeita de tentar embaraçar as investigações do Caso Tech Office subornando familiares de Gilbson Cutrim Jr., requereu o impedimento do ministro Flávio Dino.

A contestação feita pelo governador Carlos Brandão acontece num momento em que a suspensão, pelo ministro Flávio Dino, do sigilo de três decisões sobre o caso, traz à tona documentos de conteúdo explosivo, como, por exemplo, o depoimento de Gilbson Cutrim Jr., no qual ele afirma que o governador, familiares e auxiliares seus teriam recebido dinheiro de corrupção, entregue por ele próprio. O governador Carlos Brandão, que vinha reagindo com declarações fortes repudiando as acusações e questionando a condução dos inquéritos pelo ministro Flávio Dino, sob a alegação de que ambos são adversários políticos, o que caracterizaria perseguição política.

Desde antes da suspensão do sigilo, na sexta-feira (14/08), o governador Carlos Brandão já vinha se posicionando sobre o assunto, numa cruzada contra as investigações. Ele tem alegado com insistência que Gilbson Cutrim, o matador, não trem credibilidade, uma vez que já assumiu o ônus do assassinato, e por isso foi condenado a 13 anos de cadeia. Só que o material revelado ontem numa extensa reportagem publicada no G1, portal de notícias do Sistema Globo, assinada pelo jornalista Reynaldo Turollo Jr., tornou pública o que seria o novo depoimento do matador Gilbson Cutrim, que é outra bomba devastadora. É exatamente nesse contexto que o chefe do Executivo maranhense resolveu trocar as contundentes reações verbais por ações judiciais que objetivam inviabilizam o prosseguimento das ações relatadas pelo ministro Flávio Dino, sob o argumento de que ele é “diretamente interessado.”

Desde que essa situação se acirrou, o governador Carlos Brandão vem empreendendo uma cruzada solitária, primeiro contra o que era uma “caixa preta”, e agora contra as versões que emergem da caixa agora aberta, como o que seria o depoimento do matador Gilbson Cutrim. Tais revelações sugerem que o governador se prepare para uma guerra que, segundo observadores, será complexa e com muitos desdobramentos, e que pode ter chegar ao ponto crítico nas próximas semanas, segundo preveem vozes dos dois lados do confronto.

O problema maior é que esse conflito tem poder de fogo suficiente para interferir no jogo eleitoral, especialmente na corrida ao Palácio dos Leões e na disputa pelas duas vagas no Senado. O governador Carlos Brandão trabalha para blindar Orleans Brandão (MDB) dos estilhaços desse embate, muitas vezes puxando para si ônus desse jogo pesado. As próximas semanas sinalizarão o tamanho do impacto desse caso na corrida às urnas.

PONTO & CONTRAPONTO

Weverton abriu campanha em São Mateus mostrando que acusações não vão atingi-lo

Weverton Rocha

O senador Weverton Rocha (PDT) iniciou sua campanha à reeleição na noite de domingo, em São Mateus, onde Orleans Brandão (MDB) deu a largada numa grande manifestação popular comandada pelo prefeito Miltinho Aragão. Da manifestação participou também a deputada federal Roseana Sarney (MDB), que pediu votos para ela e para o colega de chapa Weverton Rocha.

No mesmo dia, jornais e portais de todo o país mostravam o tamanho do abacaxi que o senador tem para descascar durante a campanha por conta da sua suposta tentativa de interferir nas investigações. Antes, o senador já vinha administrado as consequências do seu suposto envolvimento no caso dos descontos criminosos nos contracheques dos aposentados do INSS.

Um político estava em São Mateus e participou da manifestação em torno de Orleans Brandão, disse à Coluna que o senador Weverton Rocha participou ativamente do ato, comportando-se como se nada estivesse acontecendo. Na sua avaliação, o senador saiu-se bem no primeiro teste, mas precisa lutar muito para manter a credibilidade.

Enquanto Brandão atua para se defender, nenhum aliado da base parlamentar entra na briga em apoio

Yglésio Moises

Se depender da sua base na Assembleia Legislativa, o governador Carlos Brandão vai continuar na sua cruzada solitária de defesa no Caso Tache Office. Salvo o deputado Yglésio Moises (PRD), que alimenta há anos uma insistente catilinária contra o ministro Flávio Dino, e nesses ataques ele faz a defesa do chefe do Executivo, nenhum deputado da base governista foi à tribuna defendê-lo.

Na sessão de ontem estava presente um número expressivo de deputados governistas. Alguns ocuparam a tribuna, mas nenhum levantou a bandeira governista e se manifestou em apoio ao governador Carlos Brandão, que enfrenta a acusação de ser chefe de uma suposta organização criminosa.

Da mesma maneira, os deputados federais mais próximos do Palácio dos Leões estão passando ao largo dessa confusão. Empenhados na corrida às urnas, nenhum deles veio a público para se posicionar em relação ao Caso Tech Office.

Único a tocar no assunto, o deputado Yglésio Moises, que se coloca como a voz da direita radical e bolsonarista no parlamento estadual, alimentou ontem sua linha de ataques ao ministro Flávio Dino. Tendo na tribuna duas pilhas de papel encadernado, que apresentou como sendo um “dossiê” contra o ministro, o parlamentar discursou meia hora pronunciando palavras ácidas contra o magistrado, de quem já foi aliado, mas a quem dedica hoje um ódio surpreendente.

São Luís, 19 de Agosto de 2026.

Afastamento de Daniel Brandão do TCE embala o Caso Tech Office e pode impactar a corrida eleitoral

Flávio Dino afastou Daniel Brandão
do TCE por 180 dias

O afastamento, ontem, pelo ministro Flávio Dino, da Suprema Corte, em medida cautelar, do conselheiro e presidente do Tribunal de Contas do Estado (TCE), Daniel Brandão, por 180 dias, representou uma enorme carga explosiva no cenário da política maranhense. Foi o primeiro desdobramento efetivo da medida de sexta-feira (14), por meio da qual o ministro suspendeu o sigilo de três ações do pacote investigado pela Polícia Federal relacionado com o chamado Caso Tech Office, sua primeira consequência, o afastamento, por 180 (seis meses), em definitivo, esse caso na direção de um horizonte imprevisível. E mesmo que vozes “técnicas” tentem separar o joio do trigo, o impacto desses movimentos na campanha eleitoral será enorme, podendo se tornar decisivo. No TCE, por mais forte que tenha sido o mal-estar, prevaleceu a regra segundo a qual “manda quem pode, obedece quem tem juízo”, a medida do ministro Flávio Dino foi cumprida à risca: Daniel Brandão foi formalmente afastado e, ato contínuo, deu-se a posse do conselheiro Marcelo Tavares como presidente temporário.

O episódio de ontem aconteceu sob os ecos de reações indignada do governador Carlos Brandão (MDB) à sua inclusão no inquérito da Polícia Federal como suposto chefe de uma igualmente suposta organização criminosa, e do próprio Daniel Brandão negando, igualmente indignado, qualquer envolvimento com o Caso Tech Office, quando ele não era, ainda, conselheiro do TCE, mas com o bom senso de se curvar à medida, que, segundo o próprio ministro, é cautelar e não representa, nem de longe, uma condenação. Ainda na sexta-feira, provocado a respeito da quebra de sigilo das investigações, Orleans Brandão (MDB), candidato ao Governo do Estado, respondeu, cauteloso, que já esperava algo assim, acrescentando que “a gente já sabia que alguma coisa ia acontecer”. Ontem, o governador Carlos Brandão, através de porta-vozes, reafirmou que vai mostrar que a acusação não faz sentido e que a verdade vai prevalecer – ver na sessão Ponto & Contraponto.

O que impressiona é a dimensão e o alcance que o caso ganhou, ocupando amplos espaços na mídia nacional e com registro em jornais e portais estrangeiros. Parte das grandes reportagens acertou no básico, mas errou feio em alguns aspectos da maior importância. A maioria das matérias e comentaristas, provavelmente por pura desinformação, tratou o caso como se Daniel Brandão já fosse conselheiro do TCE na época em que Gilbson Cutrim Jr. tirou a vida de João Bosco Sobrinho, quando na verdade ele era apenas um advogado militante, e isso faz muita diferença. Outro erro frequente é a afirmação de que Raimundo Cutrim era apenas um ex-policial aposentado, quando na verdade era secretário de Assuntos Legislativos quando conversou com o pai do assassino, seu parente distante, que também faz muita diferença, pois a sua condição de membro do governo colocou o governador Carlos Brandão em situação desconfortável desnecessária.

Há muitas vozes reconhecendo a gravidade do caso, mas minimizando o seu impacto na política e na corrida eleitoral, o que parece uma visão equivocada. Mas há também as que avaliam – e não são poucas – o que está acontecendo como uma titânica medição de força entre o governador Carlos Brandão e o ministro Flávio Dino por conta das eleições. O problema é que não há como minimizar o caso depois do que aconteceu de sexta-feira para cá. E também não é possível reduzir a situação a um simples imbróglio político, causado por diferenças entre o governador e o ministro. Afinal, o argumento central desse roteiro é um assassinato cujos desdobramentos precisam ser esclarecidos.

O tema dificilmente escapará aos confrontos verbais a serem travados entre os candidatos a governador e a senador. E o maior risco é que ataques e defesas não abalizados ganhem o status de versões que levam a conclusões injustas em relação a A, B ou C…

PONTO & CONTRAPONTO

Defesa de Brandão questiona legitimidade do Supremo na condução do Caso Tech Office

Carloe Brandão: defesa

Em meio à repercussão da medida cautelar por meio da qual o ministro Flávio Dino afastou o conselheiro e presidente do TCE Daniel Brandão no Caso Tech Office, o governador Carlos Brandão reagiu forte. Em vez de ele próprio se manifestar, acionou em sua defesa nada menos que a banca Bulhões & Advogados Associados, comandada por dois advogados célebres: Nabor Bulhões, que ganhou prestígio nacional ao fazer as defesas do então presidente Fernando Collor, Marcelo Odebrecht, entre outras personalidades nacionais e internacionais, e José Carlos Nobre Porciúnculo, considerado um dos grandes juristas da atualidade, com atuações destacada nos tribunais superiores do País.

Os dois respeitados advogados assinam a nota na qual afirmam que o governador Carlos Brandão soube do afastamento do conselheiro Daniel Brandão pela imprensa e questionam as investigações que apontam o mandatário maranhense envolvido com suposta organização criminosa, afirmam que as suspeitas são inconsistentes e avisam que vão adotar medidas judiciais contra o inquérito.

Na nota, os advogados questionam a legalidade da investigação do governador Carlos Brandão na Suprema Corte, quando o foro legítimo para se investigar e julgar chefes de governos estaduais por crimes comuns é o Superior Tribunal de Justiça (STJ). Na interpretação deles, o Supremo, no caso, estaria usurpando uma prerrogativa exclusiva do STJ.

A íntegra da nota dos advogados Nabor Bulhões e José Carlos Porciúnculo, em nome do governador Carlos Brandão, é a seguinte:

Maranhão tem 572 candidatos às eleições desse ano

Urna eletrônica selará destino dos candidatos

O Maranhão tem 572 candidatos devidamente registrados às eleições deste ano. São oito candidatos a governador, 11 postulantes às duas cadeiras de senador, 271 candidatos a deputado federal e 282 candidatos a deputado estadual. Desse total, 63% são homens e 37% são mulheres. Mais de dois terços têm formação superior, e os demais são alfabetizados, não havendo registro de analfabetos com candidaturas registradas.

Impressiona a proximidade do número de candidatos a deputado federal do de candidatos a deputado estadual: uma diferença de apenas 11 candidaturas.

A curiosidade vem do fato de que os 271 candidatos a deputados federais disputam 18 cadeiras, o que equivale a uma média de 15 candidatos por vaga, enquanto que os 282 aspirantes à Assembleia Legislativa disputam 42 cadeiras, o que representa uma média de seis candidatos por vaga.

A explicação para esse cenário aparentemente distorcido é que os candidatos a deputado federal contam com os milhões do Fundo Eleitoral, administrados pelos partidos, cujo foco principal, que desprezam candidatos a deputado estadual pouco ou nada representam para as agremiações partidárias.

São Luís,18 de Agosto de 2026.

Campanha eleitoral começa com disputa forte pelos Leões e para as vagas no Senado

Os Leões aguardam o desfecho da campanha
que começa hoje com a participação de Eduardo
Braide, Orleans Brandão, Felipe Camarão,
Roberto Rocha, André Luís, Saulo Arcangeli,
Reginaldo Lima e Dimas Cassimiro

Em meio a um clima de forte tensão na seara política, oito candidatos a governador do Maranhão, 11 candidatos às duas vagas no Senado, dezenas de aspirantes à Câmara Federal e centenas de postulantes à Assembleia Legislativa iniciam hoje a campanha às eleições de outubro no estado. A luta mais visível e que causa maior interesse se dará entre os candidatos a governador: Eduardo Braide (PSD), Orleans Brandão (MDB), Felipe Camarão (PT), Roberto Rocha (PRTB), André Luís (Missão), Saulo Arcangeli (PSTU), Reginaldo Lima (PCB) e Dimas Cassimiro (PCO). É grande a expectativa em relação à disputa para as duas vagas de senador. Até aqui, a disputa pelo Palácio dos Leões está polarizada entre Eduardo Braide e Orleans Brandão, sendo que oito a cada dez pesquisas já publicadas apontaram o ex-prefeito de São Luís como favorito. Todos têm vinculação, de maior ou menor grau, com candidatos ao Palácio do Planalto, a começar pelo presidente Lula da Silva (PT).

Aos 50 anos, e com um currículo que inclui a presidência da Caema, dois mandatos de deputado estadual, meio mandato de deputado federal e cinco anos e meio no comando da Prefeitura de São Luís, o advogado Eduardo Braide representa a elite de uma geração já talhada para o exercício do poder estadual. E com o diferencial de ter realizado uma gestão muito além das expectativas na Prefeitura de São Luís, dando nova feição à cidade. Independente, ainda que partidariamente ligado ao candidato presidencial Ronaldo Caiado (PSD), Eduardo Braide inicia sua campanha com grande força política e eleitoral e com cacife para brigar pelo Governo do Maranhão. Sua vice é empresária tocantina Elaine Carneiro (PSD).

Orleans Brandão (MDB), administrador de empresas de 31 anos, é empresário e chegou à vida pública pelas mãos do tio, o governador Carlos Brandão (MDB), que o nomeou secretário de Assuntos Municipalistas, tornou-o, em pouco tempo, o mais atuante e influente integrante da equipe de secretários, consolidando-se, como o elo entre o Palácio dos Leões e os prefeitos do Maranhão. Sua atuação ajudou a dar forma à feição municipalista do Governo Brandão. Seu projeto inicial era ser deputado federal, mas o rompimento com o vice-governador Felipe Camarão (PT) levou o governador Carlos Brandão escolhê-lo candidato à sua sucessão. Tem agora o desafio de mostrar que é maior do que o vínculo familiar. Tem como vice Edivaldo Holanda Jr. e apoia a reeleição do presidente Lula da Silva.

Advogado, procurador federal e professor universitário de 44 anos, tendo como lastro passagens exitosas pelo Procon e Secretaria de Educação, e preparado durante anos para ser candidato natural à sucessão do governador Carlos Brandão, o vice-governador Felipe Camarão (PT) chega à disputa como o mais ferrenho adversário do Governo. Apoiado declaradamente pelo presidente Lula da Silva e pelo comando nacional do PT, ele só consolidou sua candidatura após um longo período de indefinição. Inicia sua campanha apostando alto no seu currículo e no apoio do presidente Lula da Silva, de quem se declara aliado incondicional. Seu vice é o vereador petista de Caxias Ricardo Rodrigues.

Administrador e empresário de 61 anos, Roberto Rocha tem no currículo um mandato de deputado estadual, três de deputado federal, meio de vice-prefeito de São Luís e um de senador da República. Será a sua terceira tentativa de ser governador. Com desempenho muito modesto nas duas primeiras. Dono de bordões como “o Maranhão tem a pior classe política do Brasil”, Roberto Rocha abre a sua campanha apresentando-se como o político de visão desenvolvimentista, e o de militante ideológico da direita radical, representada pelo que hoje se conhece como bolsonarismo. Tanto que apoia a candidatura presidencial de Flávio Bolsonaro (PL). Seu vice é Pastor Josias (PL).

Empresário, André Luís (Missão) é um outsider, surgido sem aviso prévio, dentro de um movimento de direita radical liderado por Renan Santos, fundador do Missão e candidato a presidente da República. Com discurso liberal extremado, usa frases de efeito como promessas de campanha, e defende o plano maior do seu líder relacionado com a segurança pública: o “prendeu, matou”. Tem como vice Professor Cadu (Missão)

Professor e servidor público federal de 54 anos, e veterano em disputas eleitorais, Saulo Arcangeli (PSTU) entra na corrida como o exemplo acabado da coerência como militante da esquerda radical. Suas teses não mudam: derrubada do capitalismo, instalação de um Governo de trabalhadores, reforma agrária radical, suspensão do pagamento da dívida pública, entre outros sonhos. Escolheu para vice a militante social Preta Lu. Apoia a candidatura presidencial do maranhense e igualmente radical Hertz Dias (PSTU).

Radialista de 43 anos, com atividade e militância em Imperatriz, Reginaldo Lima chegou à condição de candidato a governador como secretário geral do PCB no Maranhão. Sua candidatura ganhou sentido com o lançamento do candidato do PCB a presidente das República, o economista maranhense Edmilson Costa. Defende as teses revolucionárias da esquerda radical e melhorias nas condições de vida dos trabalhadores, Seu vice é Bartolomeu Moreira. Pouco se sabe a respeito de Dimas Cassimiro, candidato a governador pelo PCO, um dos mais radicais partidos da esquerda extrema. Sua vice é Charliet Viana (PCO).

Eles têm 45 dias para convencer o eleitorado de que podem melhorar o Maranhão.

PONTO & CONTRAPONTO

Onze candidatos entram numa campanha difícil e muito disputada para as duas vagas no Senado

Cadeiras no Senado são disputadas por Roseana
Sarney, Weverton Rocha, Lahesio Bonfim,
André Fufuca, Eliziane Gama, Hilton Gonçalo,
Enilton Rodrigues, Cidônio Gonçalves, Simplício
Araújo, Raimundo Corrêa e Wilson Leite

Os 11 candidatos às duas vagas no Senado iniciam hoje a corrida que ao final valerá os dois mandatos. Será uma disputa dura e complexa dadas as relações que envolvem os candidatos com mais chances de se darem bem nas urnas. A tradição política maranhense reza que os candidatos a senador dependem muito da força dos seus candidatos a governador, embora haja exceções.

Estão no páreo a senadora Eliziane Gama (PT), que busca a reeleição e, junto com Enilton Rodrigues (PSOL), integra a chapa liderada por Felipe Camarão (PT). O deputado federal e ex-ministro do Esporte André Fufuca (PP) e o ex-prefeito de São Pedro dos Crentes Lahesio Bonfim (Novo) formam chapa com o Eduardo Braide (PSD).

O senador Weverton Rocha (PDT), que pleiteia a renovação do mandato, e a deputada federal Roseana Sarney (MDB), formam dupla em torno da candidatura de Orleans Brandão (MDB), que tem ainda como “aliado” o ex-prefeito de Santa Rita Hilton Gonçalo (Mobiliza), numa situação atípica.

Quebrando a regra, uma banda do PL, que dás sustentação à candidatura de Roberto Rocha (PRTB) a governador, lançou apenas um candidato a senador, Cidônio Gonçalves. Da mesma maneira, PCB, que tem Reginaldo Lima como candidato a governador, lançou Raimundo Corrêa como aspirante ao Senado, caso ainda do PSTU, que lançou o professor Wilson Leite para o Senado na chapa liderada por Saulo Arcangeli.

Como é fácil de perceber, como não há nenhum candidato a senador fora da curva, a tendência clara, indicada pelas pesquisas, que a disputa estás entre os candidatos das chapas de Eduardo Braide, Orleans Brandão e Felipe Camarão. Pelo menos até aqui não há como vislumbrar o contrário.

Brandão rebate acusação e diz que não aceita que joguem sua história na lama

Carlos Brandão: reação dura

O governador Carlos Brandão (MDB) não ficou satisfeito com a reação que ele próprio protagonizou, sexta-feira, ao tomar conhecimento da decisão do ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal, de suspender o sigilo de parte do processo sobre o Caso Tech Office, no qual a Polícia Federal o aponta como chefe de uma suposta organização criminosa. Ontem, ele dedicou parte do seu dia externando a sua indignação em declarações em emissoras de rádio e em telejornais, resumindo sua posição num vídeo publicado nas redes sociais. Em tom equilibrado, mas contundente, o governador declarou o seguinte:

“Bem, pessoal.

Recebo com indignação a acusação de que eu seria chefe de uma organização criminosa. Isso é inadmissível.

São mais de 35 anos de vida pública exercendo os mais diversos cargos. Nesse tempo todo, nunca respondi a nenhum processo.

Foi só depois do distanciamento de dois grupos políticos no Maranhão que passei a ser alvo de acusações e ações judiciais.

Tudo o que construí na vida, a minha trajetória, a minha família, o meu patrimônio, foi construído com muito trabalho. Não aceito que queiram jogar a minha história na lama.

Destaco que a minha defesa continua não tendo acesso à integralidade dos autos do inquérito. Mesmo assim, foram publicizadas três decisões. Destas, me chamou atenção o fato de que a própria Procuradoria Geral da República se manifestou no sentido de que esse caso não deve ser conduzido pelo Supremo Tribunal Federal.

Tenho serenidade de que a verdade vai prevalecer. Inclusive, enquanto governador, eu tenho mais de 70% de aprovação. Por isso, sigo focado, o que sempre fiz ao longo de toda a minha vida pública: trabalhando muito pelo povo do Maranhão”.

Em conversas reservadas, o governador Carlos Brandão disse que seus advogados vão contestar todas as acusações que o atingem no processo. Aos seus interlocutores, garante que nada deve e que isso vai ser mostrado na sua defesa.

São Luís, 16 de Agosto de 2026.

Retirada do sigilo sobre processo do Caso Tech Office eleva gravemente a tensão na política maranhense

Flávio Dino levantou o sigilo,
Carlos Brandão reagiu indignado
e Weverton Rocha criticou a medida

O ambiente político e institucional do Maranhão, que já vinha em ritmo ascendente de complicação, ganhou uma dose de tensão não vista desde a Operação Lunus, em abril de 2002. Já agitado por uma série de acontecimentos, o meio político maranhense foi sacudido ontem pela decisão do ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal, de suspender o sigilo de parte do processo que trata do assassinato do empresário João Bosco Sobrinho, na portaria do Edifício Tech Office, na Ponta da D`Areia, em agosto de 2022. O que veio à tona foi parte expressiva do relatório da investigação da Polícia Federal sobre o caso, com impacto avassalador no cenário político maranhense a dois dias do início da campanha eleitoral.

O que foi trazido a público por uma densa reportagem do Jornal Nacional, da Rede Globo, envolve diretamente o conselheiro Daniel Brandão, atual presidente do Tribunal de Contas do Estado (TCE), o ex-secretário de Assuntos Legislativos, Raimundo Cutrim, e o senador Weverton Rocha (PDT), supostamente envolvidos numa trama de obstrução de Justiça nos desdobramentos do Caso do Tech Office, com problemas em várias direções. De acordo com o que foi informado pelo principal telejornal da Rede Globo, a Polícia Federal definiu o apurado como ação de uma “organização criminosa”, que envolveria o governador Carlos Brandão (MDB), familiares e assessores.

Toda essa confusão ganhou corpo quando, há alguns dias, o ministro Alexandre de Moraes determinou à PF uma operação de busca e apreensão em endereços ligados ao blogueiro Luiz Pablo – acusado de atacar e perseguir o ministro Flávio Dino por uso de veículos do Tribunal de Justiça -, ao ex-secretário Raimundo Cutrim e ao senador Weverton Rocha. A alegação: o ex-secretário Raimundo Cutrim teria tentado fazer com que o assassino do empresário, Gilbson Cutrim Jr. mudasse o seu depoimento, evitando qualquer relação com o então advogado Daniel Brandão. A mesma acusação foi disparada contra o senador Weverton Rocha, que teria tentado convencer o ministro Humberto Martins, do Superior Tribunal de Justiça, a interferir na situação prisional de Gilbson Cutrim Jr., que fora transferido de Pedrinhas para a Papuda, em Brasília, como medida de proteção.

O fato é que uma discussão recente, que assanhou o meio jornalístico, sobre se o Supremo fez certo ou errou ao investigar o ex-secretário Raimundo Cutrim como fonte do blogueiro Luís Pablo, com o risco de macular o sigilo da fonte, um direito constitucional inalienável do Jornalismo brasileiro, com risco de afetar a liberdade de imprensa, abriu caminho para uma sequência de atos e fatos que culminou ontem com a explosiva reportagem do Jornal Nacional. E como não poderia deixar de ser, as informações de parte do relatório da PF trazidas ao conhecimento público funcionaram como a explosão de uma bomba cujo poder de destruição ainda está longe de ser mensurado.

O tomar conhecimento da retirada do sigilo e do teor do que se tornou público, o governador Carlos Brandão, que já vinha manifestando insatisfação em relação ao processo, sob a alegação de que a Suprema Corte não pode processar governador de Estado, foi às redes sociais e reagiu externando indignação. Primeiro ele disse que as informações são falsas e têm o objetivo de tentar envolvê-lo “no roteiro de um assassinato”. O governador foi além, e jogou mais gasolina na fogueira ao afirmar: “Essa perseguição tem origem em 2024, quando rechacei propostas indecorosas”. E sem citar o ministro Flávio Dino, completou: “Não há sigilo nesses perseguidores para inventarem tantos absurdos, mas devia haver impedimento de julgar quem é tratado como adversário. Tenho confiança de que a verdade prevalecerá”.

Também o senador Weverton Rocha, a quem a reportagem do Jornal Nacional dedicou um grande destaque, admitiu que esteve “várias vezes” com o ministro Humberto Martins, do STJ, mas descartou qualquer tentativa de obstruir a Justiça no Caso Tech Office. O senador classificou as informações do relatório da PF como “forçação de barra”.

Pelo que ficou claro ontem com a explosiva reportagem do Jornal Nacional, os desdobramentos desse enorme imbróglio deve acontecer nas próximas semanas, o que incendiará a corrida pelo poder no Maranhão.   

PONTO & CONTRAPONTO

Nova pesquisa Véritas aponta Orleans na frente com Braide em segundo

Véritas afirma que Orleans Brandão lidera
seguido de Eduardo Braide, Felipe
Camarão, Roberto Rocha, André Luís,
Reginaldo Lima e Saulo Arcangeli

A dois dias do início da campanha eleitoral propriamente dita, e em meio a um forte clima de tensão no cenário político do Maranhão, uma pesquisa do instituto Véritas – não confundir com Veritá – jogou mais tempero no caldeirão eleitoral. Os números do Véritas informam que, se a eleição fosse agora, Orleans Brandão (MDB) sairia das urnas com 47,5% da votação, enquanto Eduardo Braide (PSD) teria 39,7% dos votos e caminhariam para um segundo turno. O embate entre Orleans Brandão, que tem o apoio decisivo do governador Carlos Brandão (MDB), e Eduardo Braide, que tem como lastro a sua gestão de cinco anos e meio da Prefeitura de São Luís, se consolida como o epicentro da disputa pelo Palácio dos Leões.

Os demais candidatos estariam fora do jogo: Felipe Camarão (PT) com 4,3%, Roberto Rocha (PRTB) com 3,3%, e André Luís com 1,6%, este seguido de Reginaldo Lima (PCB) com 0,4% e Saulo Arcangeli (PSTU) com 0,1%. O levantamento encontrou 2,6% de entrevistados indecisos, 0,9% que anulariam o voto ou votariam em branco, e 0,3% que silenciaram. Vale registrar também que a pesquisa não incluiu Dimas Cassimiro (PCO), que só entrou na corrida depois que o levantamento já estava em andamento.

A pesquisa Véritas chama a atenção em alguns aspectos. O primeiro deles é a forte polarização entre Orleans Brandão e Eduardo Braide, cujos percentuais, somados, alcançam nada menos que 86,6% das intenções de voto, deixando de sobra apenas 14,4% para os demais candidatos e para indecisos e nulos e brancos. Trata-se de uma polarização espetacular, fora de todos os padrões, a começar pelo fato de que entre esse registro e a eleição decorrerão nada menos que 46 dias, ou seja, um mês e meio, e uma campanha que promete embates fortes, principalmente entre os quatro principais candidatos, mesmo levando em conta a enorme distância que o levantamento mostra entre os dois primeiros e os demais, em especial o terceiro e o quarto.

Chama também a atenção o fato de que, conforme o levantamento, praticamente não há eleitores indecisos no Maranhão, eles somam apenas 2,6%. E mais do que isso, a pesquisa praticamente não encontrou eleitores indignados, aqueles que batem o pé e dizem que nenhum dos candidatos merecem o seu voto, e que por conta disso manifestam a intenção de votar em branco ou simplesmente anular o voto – eles somam apenas 1,2% dos entrevistados.

Os números da Véritas tornam surpreendente a polarização de agora, principalmente se levado em conta o fato de que entre os demais concorrentes estão o vice-governador, que tem o apoio explícito do presidente da República, e um ex-senador da República, que entrou no páreo tentando representar uma corrente que é movida pela sombra de um ex-presidente da República.

Em Tempo: A pesquisa Véritas ouviu mil eleitores entre os dias 8 e 11 de agosto, tem margem de erro de 2,09 pontos percentuais, para mais ou para menos, nível confiança de 95% e está registrada na Justiça Eleitoral sob o protocolo sob o número MA-01632/2026.

Senado: Roseana lidera e Weverton é segundo

Véritas: Roseana Sarney e Weverton Rocha
lideram a corrida ao Senado seguidos de
Lahesio Bonfim, André Fufuca, Eliziane
Gama, Hilton Gonçalo, Enilton Rodrigues,
Cidônio Gonçalves, Simplício Araújo,
Raimundo Corrêa e Wilson Leite

Se no campo político e judicial o dia de ontem foi de notícias amargas para o senador Weverton Rocha (PDT), com a retirada do sigilo de parte do processo sobre o Caso Tech Office, que corre na Suprema Corte, essa amargura foi em parte compensada pela pesquisa Véritas, divulgada ontem. Na corrida ao Senado, Weverton Rocha é o segundo colocado, com 15,2% das intenções de voto, atrás apenas da deputada federal Roseana Sarney (MDB), que lidera com 21,1% das intenções de voto.

De acordo com a Véritas – não confundir com Veritá -, um segundo bloco de candidatos ´-e formado por Lahesio Bonfim (Novo) com 9,7%, por André Fufuca (PP) com 7,2%, a senadora Eliziane Gama (PT) com 5,3% e Hilton Gonçalo (Mobiliza), com 5,1%.

O terceiro bloco de candidatos é formado por Enilton Rodrigues (PSOL) e Cidônio Gonçalves (PL), ambos com 1,1% cada, seguidos de Simplício Araújo (DC) com 0,9%, Raimundo Corrêa (PCB) com 0,8% e Wilson Leite (PSTU), com 0,7%.

Se na pesquisa para governador praticamente não existe eleitor indeciso, o levantamento para o Senado, mostra que 23,5% ainda não sabem em quem votarão para a Câmara Alta, com 5,7% respondendo que vai anular o voto e 2,7 que simplesmente silenciaram sobre esse assunto.

São Luís, 15 de Agosto de 2026.

Aval de Lula dá a Eliziane suporte político para viabilizar sua corrida à reeleição

Eliziane Gama tem o aval total de Lula da Silva
confirmado em vídeo que será usado na campanha

A dois dias do início da campanha eleitoral, quando todos os candidatos – a governador, senador, deputado federal e deputado estadual – estão ultimando os preparativos e fazendo os ajustes políticos e partidários visando fortalecer os seus cacifes e ampliar os seus espaços no eleitorado, a senadora Eliziane Gama (PT), que busca a reeleição – com méritos, diga-se -, recebe um presentão: um vídeo no qual o presidente Lula da Silva (PT) a apresenta como candidata da sua preferência para uma das vagas na Câmara Alta, apontando-a como “senadora do meu coração”. O chefe da Nação, que também busca a reeleição e, como tal, gravou muitos vídeos de apoio a candidato país afora, mas dificilmente terá apostado tão alto como a aposta que fez na senadora maranhense.

O vídeo é a reafirmação de que o presidente Lula da Silva quer, de fato, quer Eliziane Gama por mais oito anos no Senado, de preferência com ele reeleito. A manifestação reafirma, com clareza, o quanto o presidente acredita na ação política e parlamentar da senadora. Entre os dois há uma densa afinidade política, que se consolidou nos últimos três anos e meio, quando Eliziane Gama foi uma alinhada de primeira linha ao Palácio do Planalto, do qual foi vice-líder no Congresso Nacional. Esse liame político é antigo, e foi fortalecido na campanha de 2022, quando Eliziane Gama teve papel fundamental na articulação que levou segmentos evangélicos não radicais a apoiar a candidatura e viabilizar a vitória do líder petista.

Eleita em 2018 pelo Cidadania, Eliziane Gama manteve total fidelidade ao Governo Lula, mesmo quando migrou da esquerda para oi centro-direita ao se filiar ao PSD, que é comandado no maranhão pelo prefeito Eduardo Braide. Diante da complicada permanência da senadora no PSD, o presidente Lula da Silva a convidou para retornar ao PT, o seu partido de origem. E fez mais: a lançou como a candidata do PT à reeleição, e de quebra orientando o PT nacional e o seu braço local a tratar a reeleição da senadora como uma prioridade. O vídeo reforça o interesse do presidente na reeleição da senadora, a quem espera contar para fortalecer a base governista caso ambos sejam reeleitos.

A mudança de partido e o aval incondicional do presidente Lula da Silva e da cúpula nacional do PT transformaram o projeto de reeleição da senadora Eliziane gama num desafio viável. A começar pelo fato de que nenhum candidato – incluindo Weverton Rocha, que tem o apoio do presidente – recebeu do presidente declarações tão fortes de apoio e confiança num bom pronunciamento das urnas. Mesmo as manifestações de apoio ao candidato do PT a governador, Felipe Camarão, que têm sido contundentes, com o presidente sendo enfático ao mostrar o seu apoio ao vice-governador, mas até aqui não alcançaram o tom do aval presidencial à senadora do PT.

Além do currículo no qual constam dois mandatos de deputada estadual, um de deputada federal e um de senadora da República, todos bem exercidos, e da sua atuação política, como o trabalho que resultou na formação da Bancada Feminina no Senado, e sua atuação como aliada fiel do Palácio do Planalto desde janeiro de 2023, Eliziane Gama leva para a campanha esse apoio importante e que pode ser decisivo. Isso porque não é novidade o fato de que o presidente Lula da Silva é apontado por muitos como “o maior eleitor” do Maranhão, com força política e eleitoral para embalar uma candidatura ao Senado.

No meio político e nos bastidores da campanha a impressão corrente é que, com esse suporte, que nenhum candidato dispõe, a senadora Eliziane Gama tem as condições de viabilizar a sua reeleição.

PONTO & CONTRAPONTO

Entrada de Dimas Cassimiro (PCO) aumenta para oito o número de candidatos ao Palácio dos Leões

Dimas Cassimiro – o último à direita – vai
disputar o Governo com Eduardo Braide,
Orleans Brandão, Felipe Camarão,
Roberto Rocha, André Luís,
Saulo Arcangeli e Reginaldo Lima

Já são oito os candidatos ao Governo do Maranhão. Dimas Cassimiro desembarcou na praia dessa disputa sem aviso prévio, levantando a bandeira do Partido da Causa Operária (PCO) e trazendo na bagagem a estatura de representante da esquerda mais radical em atuação no amplo espectro ideológico brasileiro na atualidade.

Até agora não se manifestou para as massas, informando apenas que vai comandar chapa pura, tendo Charliet Maciel, sua colega de partido.

Dimas Cassimiro entra na briga pelo Palácio dos Leões num momento não muito bom para o seu partido. É que no início da semana, numa investigação da Polícia Federal determinada pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Rui Costa Pimenta, o idealizador e fundador do PCO, se tornou suspeito de desviar dinheiro do Fundo Partidário. Ele reagiu indignado, disse que vai provar que não desviou um centavo.  Tudo bem, mas a denúncia está sendo investigada, causando constrangimento à sua candidatura à presidências da República.

Em relação à disputa, o candidato do PCO aos Leões vai para a campanha pregar o discurso revolucionário do partido, cujo programa prevê a revolução do proletariado, a implantação de um governo de trabalhadores, a extinção do capitalismo no Brasil, uma reforma agrária radical, e a estatização da economia.

Na condição de postulante ao cargo de governador,  Dimas Cassimiro se juntou formalmente aos “parentes” na esquerda dura, como Reginaldo Lima PCB) e Saulo Arcangeli (PSTU), e da Felipe Camarão (PT\), da esquerda moderada; aos adversários do centro, Eduardo Braide (PSD) e Orleans Brandão (MDB), e aos inimigos da direita, André Luís (Missão), da direita liberal, e Roberto Rocha (PRTB), da extrema-direita bolsonarista.

Confronto de vereadora com suplente mostra o esfacelamento do bolsonarismo no Maranhão

Eduardo Braide e Roberto Rocha foram
os pomos da discórdia entre
Flávia Berthier e Eduardo Andrade

O embate da vereadora Flávia Berthier e do suplente de vereador Eduardo Andrade, ambos do mesmo partido, revela o quanto o PL e o bolsonarismo está esfacelado no Maranhão e, pelo visto, sem chance de se organizar em torno de uma liderança e com um discurso afinado. A briga se deu exatamente pelo fatiamento do PL em várias correntes.

No exercício temporário do mandado de vereador de São Luís, cobrindo licença de 120 dias tirada pela vereadora Flávia Berthier, Eduardo Andrade fez um discurso-bomba declarando apoio à candidatura de Eduardo Braide (PSD) ao Governo do Estado.

Partidária da candidatura de Roberto Rocha (PRTB), em quem enxerga um bolsonarista fiel, a vereadora comunicou o seu retorno ao exercício do mandato, faltando ainda dois meses para o fim da licença. Os dois trocarem farpas nas redes sociais, causando um “climão” dentro do partido.

O episódio é revelador da dispersão do bolsonarismo no Maranhão. Começa com o fato de que a maior fatia do PL é comandada pelo deputado Josimar de Maranhãozinho, que não tolera os Bolsonaro, que também não o toleram. E para manter o seu grupo de pé, Josimar de Maranhãozinho decidiu que não apoiará candidato a governador.

Só que uma outra banda do PL, formada por Flávia Berthier e a suplente de deputada federal Mariana Carvalho, de Imperatriz, resolveram apoiar a candidatura do ex-senador Roberto Rocha ao Governo do Estado, tornando mais profundo e mais largo o fosso que separa os dois grupos. Roberto Rocha vem tentando se firmar como a voz do bolsonarismo no Maranhão, mas enfrenta grande dificuldade, porque esses segmentos, pelo menos até aqui, não o veem como tal.

A campanha vai definir os rumos do bolsonarismo no Maranhão.

São Luís, 14 de Agosto de 2026.

TJMA sofre novo golpe: terá de devolver milhões pagos ilegalmente a desembargadores e juízes

Palácio da Justiça: abalado por mais um duro revés

O Poder Judiciário do Maranhão terá de devolver aos cofres públicos, imediatamente, sem choro nem vela, tudo o que foi pago a desembargadores e juízes em penduricalhos que ultrapassem 70% do valor do salário em abril, maior junho e julho. A decisão partiu do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, cumprindo medida determinada pela Corte. O presidente do Tribunal de Justiça, desembargador Ricardo Duailibe, tem prazo de 72 horas para identificar e comunicar ao STF quais desembargadores e juízes foram beneficiados por penduricalhos ilegais e os valores que receberam além do que é permitido de acordo com as regras estabelecidas no início do ano pelo STF. A medida do ministro Alexandre de Moraes alcançou o Maranhão e mais seis estados, incluindo o Distrito federal.

Pelo que foi informado pela Suprema Corte, o caso do Maranhão tem tintura de escândalo. Isso porque, além de desrespeitar as novas regras para o pagamento de valores acima do teto salarial de R$ 46 mil, o comando do Tribunal de Justiça autorizou, para um único desembargador aposentado, pagamento do valor de R$ 3.265.669,19, a título de “verbas rescisórias devidas”. Esse valor representa nada menos o piso que um desembargador (R$ 46 mil) receberia ao longo de cinco anos e três meses de trabalho, equivalendo também a nada menos do que cerca de dois mil salários mínimos – ou seja, para alcançar esse valor, um trabalhador teria de labutar dois mil meses, mais de 160 anos.

A decisão do ministro Alexandre de Moraes afirma que nada menos que 300 magistrados, da ativa e aposentados, receberam mais de R$ 100 reais na folha de abril, e determina que os valores acima do que é permitido por lei – o salário base mais 75% – sejam devolvidos imediatamente. Nesse caso, a medida do ministro do Supremo ordena que o comando do TJ identifique todos os magistrados beneficiados e o valor exato que cada um deles recebeu acima do limite, para ser devolvido.

No seu despacho, o ministro Alexandre de Moraes afirma que, ao analisar as folhas dos seis Judiciários, encontrou “inúmeras verbas pagas em desacordo”, entre elas auxílio-assistência pré-escolar, licença compensatória, auxílio-mudança, auxílio-adoção e gratificações destinadas a presidentes, vice-presidentes e corregedores. Tudo isso foi extinto pelo Supremo em março, o que significa dizer que, ao autorizar tais penduricalhos ilegais a partir de abril, esses Poderes cometeram ilegalidade grave. E pelo visto, o TJ do Maranhão esnobou solenemente as regras e autorizou os excessos apontados pelo ministro da Suprema Corte.

Para lembrar: o Poder Judiciário pode autorizar até 70% do valor do piso de juízes e desembargadores em penduricalhos, desde que 35% se destinem à valorização por tempo de serviço, e até 35% representem outras rubricas devidamente definidas. As tais verbas indenizatórias, que formam o grande ralo de recursos do Judiciário, só poderão chegar a 35% do vencimento base, e desde que seja plenamente justificada dentro das novas regras. Por esse novo critério, nenhum magistrado, aposentado ou não, receberia R$ 3,2 milhões em verbas indenizatórias.

A decisão do Supremo colocou o desembargador-presidente Ricardo Duailibe numa situação de desconforto. Ele tem 72 duas horas para cumprir a medida e cinco dias para enviar ao Supremo documentos que comprovem a suspenção do penduricalho e a devolução do que foi pago ilegalmente. E pode ser até afastado se não cumprir a determinação. De um lado, o presidente do TJ tem o canhão do Supremo e do CNJ apontado na sua direção. E por outro, o fato de que mexer no contracheque de magistrado é aumentar o mal-estar numa instituição que já anda tensa faz tempo. O TJ hoje convive com nada menos do que cinco desembargadores e vários juízes afastados acusados de má conduta, enfrenta o vexatório processo que envolve a construção do Fórum de Imperatriz, entre outras encrencas que vão continuar agitando o Poder por muito tempo.

PONTO & CONTRAPONTO

Pesquisa IPPI mostra Braide à frente na corrida ao Governo do Estado

Segundo IPPI, Eduardo Braide lidera seguido de Orleans
Brandão, Felipe Camarão, Roberto Rocha, André Luís,
Saulo Arcangeli e Reginaldo Lima

Se os números da pesquisa IPPI, divulgados ontem, pelo Café Quente Podcast, estiveram corretos, a corrida ao Governo do Maranhão, se ocorresse agora, seria encerrada em um só turno, com a eleição do ex-prefeito de São Luís, Eduardo Braide (PSD). Por esse levantamento, ele sairia das urnas com 44% dos votos, seguido do ex-secretário de Assuntos Municipalistas, Orleans Brandão (MDB), com 25,9%, de Felipe Camarão (PT) com 5,1%, e de Roberto Rocha (PRTB) com 5%. Na sequência, aparecem André Luís (Missão) com 1,1%, Saulo Arcangeli (PSTU) com 0,7% e Reginaldo Lima (PCB) com 0,4%. Um grupo de 5,7% votaria nulo ou em branco, e 12,1% não souberam ou não quiseram responder.

O IPPI calculou que, excluindo-se os votos brancos, nulos e indecisos, Eduardo Braide alcançaria 53,5% dos votos válidos, sendo eleito governador já no 1º turno. Nesse cenário, Orleans Brandão teria 31,5% dos votos, Felipe Camarão receberia 6,2%, Roberto Rocha, 6,1%, e André Luís e Saulo Arcangeli e Reginaldo Lima somariam 2,7% dos votos válidos, soma que não suplantaria o total do 1º colocado.

Em simulação sobre um eventual segundo turno, a pesquisa IPPI encontrou o seguinte cenário: Eduardo Braide (PSD) com 61,0% das intenções de voto e Orleans Brandão (MDB) com 39,0% dos votos.

A pesquisa IPPI trouxe uma informação importante, não trazida por outros levantamentos. No levantamento espontâneo, no qual não é apresentadas lista de candidatos, 29% responderam apontaram Eduardo Braide e 13,2% manifestaram preferência por Orleans Brandão. E aí vem o dado mais importante da pesquisa espontânea: nada menos que 52,4% dos entrevistados disseram não saber ainda em quem votarão.

Em Tempo: a pesquisa foi divulgada sem o número de eleitores entrevistados, sem o período em que a os questionários foram aplicados, sem margem de erro e sem nível de confiança. Encontra-se, porém, devidamente registrada na Justiça Eleitoral sob o protocolo MA-02810/2026.

Senado: pesquisa mostra Roseana à frente e uma disputa sem trégua pela outra vaga

Roseana Sarney lidera para uma vaga e Weverton
Rocha, André Fufuca, Lahesio Bonfim, Eliziane
Gama, Hilton Gonçalo, Enilton Rodrigues, Wilson
Leite e Cidônio Gonçalves brigam pela outra vaga

Os números do IPPI mostram que a corrida às duas vagas no Senado tem desfecho ainda imprevisível. A deputada federal Roseana Sarney (MDB) lidera com 23,8% de intenções de voto para o 1º voto, seguida por Lahesio Bonfim (Novo) com 14,7%, André Fufuca (PP) com 12,7%, Weverton Rocha (PDT) com 12,5% e Eliziane Gama (PT) com 8,6%.

No cenário em que o entrevistado é perguntado sobre o 1º e o 2º voto para o Senado, a pesquisa IPPI mostra Roseana Sarney liderando, com quatro candidatos disputando efetivamente a outra vaga.

Roseana Sarney tem 34,9%, e na sequência aparecem disputando o segundo voto Weverton Rocha (23,5%), André Fufuca (23,1%), Lahesio Bonfim (22,5%), Eliziane Gama (17,3%), Hilton Gonçalo (4,1%), Wilson Leite (4,0%), Cidônio Gonçalves (PL): 3,5%.

Os números levantados pelo IPPI indicam com clareza que a disputa para as duas cadeiras no senado será uma guerra sem trégua, podendo acontecer uma espécie de sobe e desce. A começar pelo fato de que nessa seara a vantagem da deputada Roseana Sarney é expressiva, mas uma disputa dessa natureza, a disputa ainda pode mudar muito dado o poder de fogo dos candidatos.

São Luís, 13 de Agosto de 2026.

Rocha tenta atrair o eleitorado da direta levantando a bandeira bolsonarista, mas enfrenta dificuldades

Roberto Rocha no debate:
cruzada pelo bolsonarismo

O ex-senador Roberto Rocha, candidato ao Governo do Estado pelo PRTB, enfrenta dois desafios. O primeiro é consolidar a sua candidatura, que está sendo questionada na Justiça Eleitoral pelo Novo, ao qual esteve filiado por algumas semanas, tendo sido pré-candidato a senador e depois a governador, até revelar ao mundo que estava mesmo era filiado ao PRTB, pelo qual se candidatou a governador. O segundo é reunir em torno do seu nome e da sua candidatura os votos da direita, em especial os extratos mais radicais, identificados como bolsonaristas, corrente com a qual declarou ser inteiramente identificado. E deixou isso claro no discurso com que recebeu o apoio da corrente bolsonarista da Região Tocantina: “Eu também quero o que Bolsonaro quer para o Brasil”.

O desafio de consolidar formalmente a sua candidatura é um embate que se dá no campo judicial. O presidente do Novo, Leonardo Arruda, o acusa de agir de má fé, com dupla filiação. E diante do que considera uma ilegalidade insanável, bateu às portas da Justiça para passar essa história à limpo. Por sua vez, o ex-senador contra-ataca alegando que não há qualquer ilegalidade na sua filiação ao PRTB, que só aconteceu porque ele teria detectado um movimento para prejudica-lo no Novo. O comando estadual do Novo tem uma versão bem diferente. Mas o fato é que foi instalada uma situação de conflito que será resolvida na Justiça. E assim como pode ter sua filiação ao PRTB confirmada, e a sua candidatura a governador, Roberto Rocha corre o risco de um revés que pode deixa-lo fora das eleições de outubro.

No campo da corrida ao voto propriamente dita, o ex-senador Roberto Rocha vem se movimentando com o objetivo de ser “a voz” da direita no Maranhão e, nessa condição, tornar-se o representante e porta-voz do bolsonarismo no estado. Tanto que o seu maior projeto, como ele próprio admitiu, será trazer o candidato presidencial do PL, senador Flávio Bolsonaro, ao Maranhão, o que lhe permitirá assumir definitivamente a condição de representante do bolsonarismo em solo maranhense. Sua ideia é fazer o contrapeso aos candidatos a governador que apoiam a reeleição do presidente Lula da Silva (PT).

O problema é que no Maranhão a direita está dividida em vários segmentos. A direita pé no chão, democrática, mais próxima do centro, e que é a grande maioria desse segmento, está mobilizada em torno do projeto de candidatura, do ex-prefeito Eduardo Braide (PSD). Já os segmentos de direita mais independentes, principalmente o grande grupo que segue a liderança do deputado federal Josimar de Maranhãozinho, já se posicionou afirmando que não apoiará nenhum candidato a governador, deixando seus eleitores livres para cada um votar em quem quiser para presidente e governador. Roberto Rocha nunca foi referência para esses estratos, que forma uma massa eleitoral considerável e seguem firme a cartilha de Josimar de Maranhãozinho.

Além disso, o quadro de candidatos a governador conta agora com André Luís (Missão), porta-voz no Maranhão do controvertido candidato presidencial Renan Santos, e que se declara membro de uma “nova direita” cujo discurso expressa os postulados do liberalismo mais radical. Revelado no debate da Band, no domingo (09), esse candidato deixou claro que tem um projeto de poder muito bem definido, e que, pelo que foi dito, o ex-senador Roberto Rocha e seu radicalismo bolsonarista não têm espaço nele.

Político com um mandato de deputado estadual, três de deputado federal, meio de vice-prefeito de São Luís e um de senador da República, experiência que se completa com duas derrotas acachapantes nas duas últimas eleições gerais, Roberto Rocha inicia uma campanha se vendendo como o quadro “mais preparado” de um estado que “tem a pior e mais corrupta classe política do Brasil”. E para chegar pelo menos perto do Palácio dos Leões, o ex-senador precisará minar os lastros de Eduardo Braide, Orleans Brandão (MDB) e Felipe Camarão (PT), o que, pelo menos até aqui, parece inviável.

PONTO & CONTRAPONTO

Weverton mantém agenda eleitoral, mas reduz o ritmo por causa da Operação Sem Desconto

Weverton Rocha em momento
de pré-campanha no interior

O senador Weverton Rocha (PDT) ´mergulhou` desde a nova fase da Operação Sem Desconto na qual a Polícia Federal cumpriu mandados de busca e apreensão contra a sua mulher, Samya Rocha, uma filha e duas irmãs, em endereços dele em Brasília e São Luís.

Até agora, o senador, que busca a reeleição, só fez três manifestações, e parece ter “dado um tempo” da campanha no interior. Sua primeira reação foi a divulgação de uma nota repudiando a operação e repetindo a suspeita de estar sendo politicamente perseguido. Dias depois, se apresentou em vídeo mostrando recorte de jornais que na verdade a Operação da PF tentou alvejar o presidente Lula da Silva (PT), de quem é vice-líder no Senado.

A terceira reação, mais recente, foi uma reclamação ao presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União/AP), de quem é muito próximo, quanto ao vazamento de uma foto na qual ele e vários políticos curtem um banho de piscina numa fazenda no interior de Goiás, pertencente ao advogado Willer Tomaz, a quem a PF aponta como parceiro de Weverton Rocha em negócios milionários e foi o principal alvo da última operação da PF.

No que diz respeito a campanha pela reeleição, o senador continua cumprindo compromissos no interior, mas é visível que ele tirou, pelo menos momentaneamente, o pé do acelerador, para se dedicar à sua defesa e dos seus familiares.

Deve retornar à campanha pela reeleição com força total nos próximos dias.

Aliados de Roseana Sarney não querem Ricardo Murad envolvido na campanha dela

Ricardo Murad questionou a posição
de Roseana Sarney na pesquisa Veritá

O ex-deputado Ricardo Murad, que foi figura de proa no último Governo de Roseana Sarney, comandando a Secretaria de Saúde com poderes quase ilimitados, pode ter feito um cálculo errado ao contestar, duas semanas atrás, os números da pesquisa Veritá no que respeita à corrida ao Senado, na qual a deputada federal Roseana Sarney (MDB) apareceu em na quinta colocação.

Segundo Ricardo Murad, a pesquisa seria “comprada”, sem revelar quem fez a compra e quanto custou.

Publicamente, nenhum aliado, assessor ou familiar de Roseana Sarney se manifestou contra a pesquisa. Alguns que tocaram no assunto foram cautelosos, preferindo não polemizar. Internamente, não houve alvoroço, mas algumas vozes não gostaram nem um pouco da manifestação de Ricardo Murad, vendo nela uma tentativa de se reaproximar do grupo sarneysista.

Uma fonte com trânsito no grupo sarneysista revelou que no entorno de Roseana Sarney a opinião geral é contrária qualquer aproximação de Ricardo Murad durante a campanha. Esse entorno quer a eleição de Ricardo Muras para a Câmara Federal, mas recomendas que ele faça a sua campanha distante da corrida da ex-chefe dele ao Senado.  

São Luís, 12 de Agosto de 2026.

Sem Braide, debate na Band registrou disputa pelo apoio de Lula e declarações bolsonaristas

Orleans Brandão e Felipe Camarão disputaram o apoio
de Lula da Silva, e Saulo Arcangeli provocou
manifestações bolsonarista de Roberto Rocha
e André Luís se assumiu como direita

Se não foi exatamente um momento de apresentar, defender e debater propostas, o primeiro debate entre os candidatos a governador do Maranhão, realizado na noite de domingo pelo braço maranhense da rede Band de TV foi usado pelos participantes como uma oportunidade confirmar para o eleitor que essa disputa repete, com exatidão, a divisão ideológica que domina o país. Sem a participação de Eduardo Braide (PSDE), que justificou estar cumprindo agenda no interior, o debate teve Orleans Brandão (MDB) e Felipe Camarão (PT) brigando para ter o apoio do presidente Lula da Silva (PT), enquanto que Roberto Rocha (PRTB) e André Luís (Missão), se esforçaram, cada um à sua maneira, para se colocar como autênticos representantes e porta-vozes da direita. Entre os quatro, Saulo Arcangeli se reafirmou como porta-voz da esquerda radical, que tem a revolução dos trabalhadores como objetivo maior.

Orleans Brandão e Felipe Camarão não perderam nenhuma oportunidade de se apresentaram como candidatos ligados ao presidente Lula da Silva. Logo na apresentação, Orleans Brandão se colocou como aliado do líder petista, que concorre à reeleição. “Nessa eleição, vamos ter dois lados: o lado da conveniência, e o lado do povo, o lado do presidente Lula, o lado do governador Carlos Brandão”. Ele acrescentou que pretende se eleger para continuar a parceria com o presidente Lula, seguindo o exemplo do que acontece hoje com o governador Carlos Brandão (MDB)”.

Segundo a se apresentar na abertura do debate, Felipe Camarão não perdeu tempo e fez o contraponto a Orleans Brandão em relação ao presidente Lula da Silva. “Sou candidato a governador escolhido pelo presidente Lula e pelo PT com muito orgulho, o único que tem o apoio do nosso presidente”, declarou. E acrescentou: “Quero fazer pelo Maranhão o que o presidente Lula está fazendo pelo Brasil”. E completou: “Os caminhos estão colocados: de um lado o bolsonarismo, do outro uma monarquia oligárquica. Por isso, quero dizer a vocês que Lula lá e Camarão cá”.

Num outro momento, Saulo Arcangeli (PSTU), que estava muito à vontade no papel de esquerda radical, sem vínculo com nenhuma corrente, rotulou o ex-senador Roberto Rocha de “bolsonarista”. Rocha viu na provocação a oportunidade para fazer uma investida sobree o eleitorado bolsonarista, passando um denso verniz nesse viés ideológico: “Bolsonarismo é defender a livre iniciativa, a família, a pátria e a liberdade, é defender a segurança pública, é defender as Forças Armadas, combater a corrupção implacavelmente? Se for isso o bolsonarismo, eu tenho orgulho de dizer que sou de direita”.

E foi apanhado no contrapé, porque Saulo Arcangeli disparou: “Bolsonarismo é machismo, é racismo, é negacionismo, bolsonarismo é o pior mal da história, e se você está defendendo o pior da história, você nem sabe o que está defendendo”.

André Luís nem teve um forte embate com Saulo Arcangeli no campo ideológico, mas fez curvas ampla para evitar o rótulo de bolsonarista e no final do debate, se limitando a defender as teses do partido Missão, reforçando o item que programático que típico da direita tem causado muito polêmica: a regra do “prendeu, matou” como base do programa de segurança pública.

O fato é que, seja pela ausência do candidato Eduardo Braide, seja por de ter sido o primeiro debate e a maioria dos participantes estavam se confrontando diretamente pela primeira vez, o embate foi pobre em apresentação de projetos para mudar o Maranhão. Teve alguns momento em que Orleans Brandão estou fortemente Felipe Camarão, insinuando que ele estria ali como porta-voz de Eduardo Braide. E o bate-rebate de domingo na TV Band foi uma indicação clara de que os próximos debates serão de confronto direto e ácido entre os candidatos, especialmente entre Orleans Brandão, Felipe Camarão e Roberto Rocha, tendo Saulo Arcangeli como provocador.

PONTO & CONTRAPONTO

Debate na Band também foi marcado por troca de acusações, declarações polêmicas e desabafo

O debate na Band entre os candidatos a governador teve momentos de tensão, com alfinetadas e troca de acusações.

Começou com a declaração de André Luís (Missão) confirmando o ponto chave da política de segurança no seu plano para a segurança pública: o programa “Prendeu, Matou”. Diante da reação de Saulo Arcangeli (PSTU), que o criticou por esse item, André Luís justificou que o programa se baseia na tese de um jurista alemão, segundo a qual bandido não se submete às leis do país e por isso têm de morrer.

Outra passagem que chamou a atenção foi quando o ex-senador Roberto Rocha (PRTB) causou perplexidade ao afirmar, não se sabe com que autoridade técnica, que educação não pode ser iniciada com português e matemática, e que, se eleito, não haverá Secretaria de Educação, mas Secretaria do Conhecimento. Com a autoridade de ex-secretário de Educação e professor universitário, Felipe Camarão (PT) rebateu a ideia do ex-senador, afirmando que “você bolsonaristas não gostam de educação nem de arte nem cultura”.

Outro embate entre Felipe Camarão e Roberto Rocha, e se deu de forma escalonada. Primeiro, ao reagir a um ataque de Roberto Rocha a Flávio Dino, sem citar-lhe o nome, Felipe Camarão reagiu na bucha, lembrando que “foi ele que o elegeu senador”. Rocha não gostou bem um pouco da lembrança e fez outro ataque, desta vez acusando Flávio Dino de “estelionato eleitoral”, opor haver ele renunciado ao mandato der senador para ser ministro do Supremo. Felipe Camarão reagiu de novo: “Ele lhe elegeu e o derrotou de forma acachapante em 2022”. Roberto Rocha reagiu mostrando certo desapontamento.

Provocado por André Luís sobre a CPI da Assembleia legislativa em que é acusado de desvio na Secretaria de Educação, Felipe Camarão pediu e conseguiu direito de resposta. Ele acusou a cúpula governista de estar, citou o ex-secretário Raimundo Cutrim, que continua preso, como referência, e declarou, em tom de desabafo: “Já tenho decisão do Tribunal de Justiça e do Superior Tribunal de Justiça contra essa patifaria contra mim”.

A troca de estocadas no debate da Band produziu a impressão de que o clima poderá esquentar nos próximos debates.

Edivaldo Jr. sofre contra-ataques por ataques a Eduardo Braide

Edivaldo Jr. teve declarações contestadas
por Douglas Pinto e Joel Nunes

O ex-prefeito de São Luís, Edivaldo Holanda Jr. (MDB), candidato a vice-governador na chapa de Orleans Brandão (MDB), saiu da posição de atacante e entrou na linha de tiro de aliados do ex-prefeito Eduardo Braide. Ele atacou o ex-prefeito Eduardo Braide em duas áreas sensíveis.

Primeiro, disparou declarações fortes contra o que seria desgastes no setor de transporte de massa, e depois entrou na mais sensível ainda área de saúde, embarcando no tiroteio sobre mortes no Hospital da Criança.

Em relação ao transporte de massa, que ele afirma haver deixado com um número de ônibus muito maior que o atual, o vereador Douglas Pinto (PSD), aliado de Eduardo Braide, e que conhece como poucos essa realidade em São Luís, informações que armazenou como repórter da TV Mirante, disparou chumbo grosso contra o ex-prefeito, desmentindo as suas declarações.

Ontem, foi a vez do vereador e ex-secretário municipal de Saúde, Dr. Joel (PSD), que também apresentou uma série de informações mostrando que no governo dele, Edivaldo Jr., morreram mais crianças naquele hospital do que agora. E faz uma afirmação de peso contra o ex-prefeito: “Infelizmente, Edivaldo Jr. mentiu”.

As réplicas foram tão contundentes, que muito provavelmente Edivaldo Jr. reagirá com uma tréplica.

São Luís, 11 de Agosto de 2026.

Declarações bombásticas e acusações agitam a corrida aos Leões às vésperas da campanha

Carlos Brandão estoca Flávio Dino, que silencia,
mas é defendido por Márcio Jerry; Orleans
Brandão critica Felipe Camarão, que reage atacando

Declarações bombásticas marcaram a semana que passou, colocando uma forte carga de tensão política na contagem regressiva para o início da campanha eleitoral, marcado para o próximo domingo, 16/08. Em entrevista à revista Veja e ao jornal candango Correio Braziliense, o governador Carlos Brandão (MDB) disparou, mais uma vez, sua carga de chumbo grosso contra ministro Flávio Dino (Supremo); o ministro foi defendido pelo seu lugar-tenente, o deputado federal Márcio Jerry (PCdoB); o vice-governador Felipe Camarão, candidato do PT ao Governo, também disparou munição pesada contra o governador Carlos Brandão; em entrevista a um podcast, Orleans Brandão colocou um naco de pólvora no confronto verbal ao explicar a sua escolha como candidato governista às sucessão estadual.

 Os envolvidos nesse confronto não economizaram pólvora. O governador Carlos Brandão surpreendeu ao atacar duramente o ministro Flávio Dino, a quem acusou de interferir na cena política maranhense. “A gente vê hoje o Maranhão muito judicializado. Tem vários deputados que respondem a processo no Supremo e, pasme, a maioria desses processos está sendo julgada pelo ministro Flávio Dino. Eu entendo que o Supremo deve ter uma questão ética, nesses casos, onde você não pode julgar adversário. Não é justo que um juiz julgue um adversário. Então, há vários anos a gente tem convivido com essa situação. Uma situação muito incômoda”, declarou o governador. E acrescentou: “Na realidade, ele não aparece pessoalmente, mas ele tem os aliados dele, que são uns quatro ou cinco deputados, que atuam sempre com o apoio dele”.

Integrantes do grupo que foi ligado ao ministro Flávio Dino reagiram, garantindo que ele não se mais se envolve na política do Maranhão, e na reação atacaram o governador Carlos Brandão. O deputado federal Márcio Jerry disse que o chefe do Poder Executivo pareceu “assombrado”, atacou duramente familiares do governador, como o irmão Marcus Brandão. “Ele aparece hoje nessa entrevista sérum homem apavorado. Aí, nesse medo, resolveu puxar o assunto para o ministro Flávio Dino, que nada tem a ver com aquilo que o governador Brandão narra, de que ele (o ministro), faria política através de pessoas que tiveram no passado ligação política com ele. A única política que o ministro Flávio Dino faz hoje é fazer valer a Constituição, fazer valer as leis”, declarou Márcio Jerry, que acrescentou vários atasques ao chefe do Executivo.

Em entrevista ao UQ! Podcast, o candidato do MDB ao Governo, Orleans Brandão, usou a sua moderação para explicar que não era seu projeto ser candidato a governador, que pretendia ser deputado federal. E só se tornou candidato a governador quando a crise que rachou a base governista se tornou irreversível. Ele insinuou que a situação se agravou porque o vice-governador Felipe Camarão queria mandar no Governo Brandão.

Como num roteiro combinado, o candidato petista Felipe Camarão reagiu acusou o governador Carlos Brandão e de Orleans Brandão, disparando nas duas direções. Ele afirmou que “existiu um acordo” pelo qual ele seria candidato a governador, numa sucessão natural, com o mandatário se candidatando ao Senado. E indagou: “Porque tem de ser o sobrinho dele?” E disparou: “É mentira que o nome dele apareceu bem nas pesquisas. Não é verdade, nada disso é verdade”. E relatou: “O candidato era o Camarão, aí disseram que não podia ser o Camarão. Aí o presidente Lula disse, então bota a Iracema (Vale), a presidente da Assembleia. Não, não pode ser. Bota o (André) Fufuca. Não pode ser o Fufuca. Eles desprezaram todo mundo. Por quê? Porque é só para a família”, atacou o vice-governador.

O fato é que a temperatura do ambiente político, que já vinha alta, foi elevada em muitos graus, causando a impressão de que o Maranhão terá uma campanha eleitoral dura, recheada de pancadaria verbal. E nesse contexto, dois detalhes chamaram a atenção: mesmo provocado, o candidato do PSD, Eduardo Braide, tem se mantido distante de polêmicas. O mesmo acontece com o ministro Flávio Dino, que não disse uma palavra sobre as declarações do governador Carlos Brandão.

PONTO & CONTRAPONTO

Presidente do Novo levanta suspeita sobre Roberto Rocha e diz que vai à Justiça contra sua candidatura

Leonardo Arruda levanta suspeita
sobre movimentos de Roberto Rocha

É, no mínimo, incômoda a situação do ex-senador Roberto Rocha no contexto da corrida ao Governo do Estado. Ele se candidatou a governador pelo PRTB, ao qual afirma estar filiado desde abril, mas entrou na linha de tiro do presidente regional do Novo, Leonardo Arruda, que suspeita de que ele manteve duas filiações ao mesmo tempo e bateu às portas da Justiça para esclarecer o imbróglio. Além disso, dentro do Novo foi levantada a suspeita de Roberto Rocha estaria atuando como “laranja” para atacar o candidato Eduardo Braide (PSD), o que ficou claro na convenção do PL, cuja banda tocantina lhe declarou apoio.

Na convenção, Roberto Rocha se declarou vítima de uma trama segundo a qual Eduardo Braide teria “comprado” o Novo para tirá-lo do páreo. E que ele só não ficou fora da eleição porque mantinha a tal filiação “secreta” no PRTB, que acabou sendo validada pela Justiça Eleitoral. O seu discurso na convenção do PL foi extremamente agressivo em relação a Eduardo Braide.

Só que o comando do Novo não engoliu a versão de Roberto Rocha, e decidiu investigar judicialmente como foi possível ele fazer de conta que estava no Novo, participando de reuniões, tendo acesso a documentos e pesquisas, estando, ao mesmo tempo, filiado ao PRTB. Essa condição de suposta dupla filiação foi denunciada pelo presidente do Novo, Leonardo Arruda.

– Me surpreende muito o formato dessa candidatura desse cidadão está colocando à sociedade. Porque parece que ela veio só para bater em Eduardo Braide. Parece que ela não veio para debater o estado. Parece-me inclusive que há uma extensão do Palácio dos Leões nessa candidatura. A impressão que está passando para a sociedade é essa – declarou, enfático, Leonardo Arruda.

O presidente regional do Novo informou que o partido entrou na Justiça contra a filiação de Roberto Rocha no PRTB, baseado na suspeita de dupla filiação partidária, o que, se comprovado, pode tirar o ex-senador Roberto Rocha da corrida ao Governo do Estado e da corrida eleitoral com o um todo. O ex-senador tem dito que a acusação é falsa e que ele vai se defender na Justiça, certo de que sua candidatura vai vingar.

Pedro Lucas admite que sofreu baque político e que não sabe ainda se votará em Roseana para o Senado

Pedro Lucas ainda não sabe
se votará em Roseana Sarney

Não é de harmonia e aliança o clima entre o deputado federal Pedro Lucas Fernandes (União) e a deputada federal Roseana Sarney (MDB). E o motivo do mal-estar, que não foi sequer amenizado, foi o golpe político, com potencial dano eleitoral, sofrido pelo parlamentar no desfecho da composição da chapa senatorial que apoia a candidatura de Orleans Brandão (MDB) ao Governo do Estado.

Para quem não se lembra: diante das reiteradas declarações da deputada federal Roseana Sarney de que não participaria das eleições deste ano, o deputado Pedro Lucas Fernandes aceitou convite ao governador Carlos Brandão para ser o candidato a senador nessa vaga; o convite foi aceito, Pedro Lucas foi oficialmente lançado  pré-candidato a senador, mas, de repente, sem aviso prévio, a deputada federal Roseana Sarney voltou atrás, reivindicando para si a vaga de candidato do MDB, levando Pedro Lucas Fernandes a retirar sua candidatura e retomar o caminho da reeleição.

Em entrevista ao podcast Café Quente, em tom de desabafo, mas sem ser agressivo, Pedro Lucas Fernandes admitiu que se “apaixonou” pelo projeto de candidatura ao Senado e que o fato de ter sido obrigado a recuar por conta da decisão de Roseana Sarney, foi um golpe, pessoal e político duro, que lhe causou prejuízos políticos e eleitorais. Ele disse que ainda está processando e assimilando a pancada, que atingiu também o seu irmão, Paulo Casé (União), candidato a deputado estadual, e causou desgaste ao pai, o prefeito de Arame, Pedro Fernandes (União).

Perguntado se, diante do que aconteceu, ele votará em Roseana Sarney para o Senado, Pedro Lucas deixou no ar uma enorme e densa nuvem de dúvidas. Disse que ainda não tomou decisão em relação a essa situação e que está avaliando o caso e o cenário, para finalmente se posicionar. Não sinalizou que não votará na candidata do MDB, mas também não soltou nenhuma pista sugerindo que pedirá votos para ela.

Sua posição deve ser anunciada nos próximos dias.

São Luís, 09 de Agosto de 2026.