O ex-senador Roberto Rocha (PRTB) está fora da corrida ao Governo do Estado, que agora passa a ter sete candidatos. Ele teve o registro da sua candidatura indeferido ontem pelo Tribunal Regional Eleitoral (TRE-MA), em decisão plenária. Motivo: Roberto Rocha não comprovou filiação à legenda no prazo de seis meses antes da corrida às urnas, como reza a lei. A legislação eleitoral lhe dá o direito de recorrer ao Superior Tribunal Eleitoral (TSE), mas a julgar por decisões recentes, como a que indeferiu de vez a candidatura presidencial do empresário paulista Pablo Marçal, filiado ao mesmo PRTB, por uma situação diferente, mas com vários traços de similaridade, as chances do ex-senador de continuar candidato são muito reduzidas.
O petardo judicial que tirou o ex-senador da disputa foi disparado por Lariane Telles Mendonça, candidata a deputada a deputada federal pelo partido Novo. Ela impugnou o registro da candidatura de Roberto Rocha questionando a filiação dele ao PRTB, reconhecida pela Justiça com efeitos retroativos a 4 de abril, e mostrando que naquela data, e semanas depois, o ex-senador continuou filiado ao Novo e se movimentando como tal, primeiro na condição de pré-candidato a senador, e depois a governador. Lariane Telles Mendonça demonstrou a dupla filiação partidária de Roberto Rocha, levando a Justiça Eleitoral, com o aval do Ministério Público Eleitoral, a identificar a manobra e indeferir o registro em decisão plenária do TRE-M nesta segunda-feira.
A saída do ex-deputado estadual, ex-deputado federal, ex-vice-prefeito de São Luís e ex-senador Roberto Rocha causa tremores de ajustes na corrida ao Palácio dos Leões, com um recado da Justiça Eleitoral aos candidatos, a qualquer mandato, avisando que não tolerará manobras que que tenham por objetivo driblar a legislação em vigor. Ao mesmo tempo, dá o ex-senador o direito de espernear na instância mais alta da Justiça Eleitoral, mas ciente de que suas chances de permanecer candidato são remotas, quase nulas.
A saída do ex-senador Roberto Rocha da corrida ao Governo do Estado é o desdobramento “natural” de um projeto de poder que começou torto no que diz respeito à sua condição partidária. Ao longo das quase três décadas no exercício de mandatos democraticamente conquistados, Roberto Rocha protagonizou uma vida partidária tumultuada, com passagens no PSDB, PSB, PTB, Novo e PRTB, além de longo e frustrado flerte com o PL e uma paquera sem futuro com o MDB. Nas crises que o levaram a romper com partidos, ele sempre apontou culpados, sendo o caso mais recente a sua violenta acusação ao ex-prefeito Eduardo Braide (PSD), a quem acusou, sem apresentar prova concreta, de haver “comprado” o Novo, para impedir a sua candidatura a governador.
No que respeita à disputa em si, que é o que de fato interessa, Roberto Rocha começou mal, patinando no patamar dos três pontos percentuais e sem dar sinais de reação. Foi buscar no senador Flávio Bolsonaro (PL) a pólvora política para se viabilizar eleitoralmente, mas permaneceu estacionado, em quarto lugar, atrás do vice-governador Felipe Camarão (PT), caminhando, portanto, para terminar sua participação nessa posição, a mesmo que alcançou em 2018, quando disputou o Governo com o então governador Flávio Dino (PCdoB).
Impressiona que, com a experiência acumulada e com o lastro que lhe deram os vários mandatos exercidos, Roberto Rocha tenha caído numa armadilha que ele próprio montou para tentar ser candidato. Sabia que um questionamento como o do Novo, via Lariane Telles Mendonça, seria suficiente para que a Justiça Eleitoral indeferisse o registro da sua candidatura, mas preferiu apostar e acabou excluído da relação de candidatos governador, deixando o bolsonarismo sem “a única voz da direita” na disputa pelo Palácio dos Leões.
PONTO & CONTRAPONTO
Após período tumultuado em relação a pesquisas, IPSensus mostra Orleans com sete pontos de vantagem sobre Braide

Depois de três pesquisas bombardeadas pela Justiça Eleitoral – Veritá, Real Time Big Data e IPSensus -, sendo que as duas primeiras mostrariam larga vantagem de Eduardo Braide (PSD) na corrida aos Leões, o instituto IPSensus sacudiu ontem o tabuleiro sucessório estadual com novo levantamento no qual Orleans Brandão (MDB) aparece na liderança com nada menos que sete pontos percentuais à frente do ex-prefeito de São Luís, repetindo a performance mostrada em outras pesquisas do instituto.
Os números são ao seguintes: Orleans Brandão com 43% das intenções de voto, e Eduardo Braide com 36,1%. Os dois estão isolados na dianteira, confirmando a polarização.
Eles são seguidos por Felipe Camarão (PT) com 7%, Roberto Rocha (PRTB) com 3,9%, André Luís (Missão) com 1,3%, Saulo Arcangeli (PSTU) com 0,8%, Reginaldo Lima (PCB) com 0,6% e Dimas Cassimiro (PCO) com 0,1%.
Os que responderam “nenhum, branco ou nulo” somaram 3,2%, enquanto 4% não souberam ou não quiseram responder.
Em Tempo: Contratada pela Farol Pesquisas e Comunicação, a pesquisa IPSensus ouviu 1.000 eleitores entre os dias 5 e 10 de setembro de 2026, tem margem de erro de 3,1 pontos percentuais, para mais ou para menos, nível de confiança de 95%, e está registrada na Justiça Eleitoral sob o protocolo MA-02163/2026.
IPSensus: Roseana e Fufuca lideram a corrida ao Senado
A pesquisa IPSensus sobre a corrida às duas vagas no Senado trouxe um cenário que muitos apostam como o definitivo para essas eleições: a deputada federal Roseana Sarney (MDB) na liderança, com 20,8% das intenções de voto, e o deputado federal André Fufuca (PP), como o segundo mais votado com 16,4%. Na terceira posição aparece o senador Weverton Rocha (PDT) com 12,1%, seguido de Lahesio |Bonfim (Novo) com 11,3%, e da senadora Eliziane Gama (PT) com 9,2%.
Três dados da pesquisa IPSensus chamam a atenção. O primeiro é a aparente consolidação de Roseana Sarney como favorita inconteste para uma das vagas, uma vez que não há concorrente à vista. O outro dado é que nessa pesquisa André Fufuca chega a quatro pontos percentuais à frente sobre Weverton Rocha, foram ad margem de erro, portanto, o que indica uma vantagem a ser considerada.
O terceiro dado é o empate técnico – dentro da margem de erro – entre Weverton Rocha, Lahesio Bonfim e Eliziane Gama, o que torna a situação do senador mais complicada ainda, uma vez que ele vinha fazendo dobradinha com Roseana Sarney, aparecendo agora em terceiro lugar e pressionado por Lahesio Bonfim e Eliziane Gama.
O segundo pelotão reúne os candidatos que, segundo o IPSensus, têm menos de três pontos percentuais: Hilton Gonçalo (Mobiliza) com 2,6%, Wilson Leite (PSTU), 1,7%. Cidônio Gonçalves (PL) e Simplício Araújo (DC) com 0,9% cada. Raimundo Moreira (PCB) com 0,8%, e Enilton Rodrigues (PSOL) com 0,6%.
São Luís, 15 de Setembro de 2026.



























