Pesquisa Inop mostra Orleans à frente de Braide em empate técnico dentro da margem de erro

Inop: Orleans Brandão à frente de Eduardo
Braide, Lahesio Bonfim e Felipe Camarão

O Inop divulgou ontem os resultados de pesquisa apontando o pré-candidato do MDB, Orleans Brandão com 41,2% das intenções de voto, à frente do pré-candidato do PSD, Eduardo Braide, com 38,60%, virando o jogo na fase inicial da pré-campanha. Na terceira posição aparece o pré-candidato do Novo, Lahesio Bonfim, com 10,39%, seguido do recém anunciado pré-candidato do PT, Felipe Camarão, em quarto com 4,17% das intenções de voto. O levantamento totalizou 5,47% de indecisos (voto nulo, nenhum, e não sabe). O Inop não incluiu os pré-candidatos do PSOL, Enilton Rodrigues, e do PSTU, Saulo Arcangeli.

Contratado pelo Jornal Pequeno, o levantamento do Inop quebrou um longo jejum de pesquisas sobre a corrida ao Palácio dos Leões, trazendo um cenário que animou fortemente o campo liderado pelo governador Carlos Brandão (sem partido) ao apontar Orleans Brandão na liderança da disputa exatamente a cinco meses das eleições. Na verdade, o Inop registrou um empate técnico, se levado em conta o fato de que a diferença entre os dois é de 2,6 pontos percentuais e a margem de erro registrada é de 3,03 pontos percentuais, para mais ou para menos.

A circunstância de a diferença encontrar-se dentro da margem de erro, gerando a leitura de empate técnico, não muda o fato de, caso os números representem a realidade, ou pelo menos sejam próximos a ela, a posição do ex-secretário de Assuntos Municipalistas é indicativa de que seu projeto de candidatura é consistente, o que o torna um pré-candidato em condições enfrentar o poder de fogo político e eleitoral do ex-prefeito de São Luís, que liderou todas as mais de quarenta pesquisas realizadas sobre a corrida sucessória nos últimos dois anos. Isso quer dizer que o governador Carlos Brandão está determinado a entregar o bastão para Orleans Brandão.

No que respeita a Eduardo Braide, se os números do Inop expressarem a realidade, o resultado não é uma tragédia. Inicialmente, eles desenham tendência de dois turnos. E como o terceiro colocado, Lahesio Bonfim, encontra-se aparentemente estagnado, o caminho rascunhado é o da polarização, estimulando a Orleans Brandão e Eduardo Braide a medirem forças para ver quem chega a 6 de outubro na liderança da corrida. Eduardo Braide tem o fato apurado das raposas políticas, deve avaliar os números do Inop comparando-os aos indicadores que o município em pesquisas fechadas que balizam suas tomadas de decisão.

Chama a atenção o fato de que a pesquisas Inop foi realizada antes de a Executiva nacional do PT divulgar resolução confirmando a pré-candidatura do vice-governador Felipe Camarão ao Governo do Estado. A grande indagação no meio político é a seguinte: vai vingar? Se vingar, dar passos à frente? E se der passos à frente, tirará voto de quem? O fato é que, horas antes de a divulgação dos números do Inop, o vice-governador reafirmava sua pré-candidatura anunciando alguns nomes para compor o seu plano de Governo. O desafio de Felipe Camarão, será o de mostrar, nas próprias pesquisas, que com o apoio do PT e o aval do presidente Lula da Silva ele pode ir além dos 4,17% encontrados pela pesquisa do Inop.

O fato é que os números da pesquisa Inop confirmam a polarização Brandão/Braide, alimenta a tendência de dois turnos, podendo também abrir caminho para que a disputa seja decidida a turno único. Há espaço e tempo para que essas condições sejam criadas.

Em Tempo: contratada pelo Jornal Pequeno, a pesquisa Inop foi realizada no período de 24 de abril a 02 de maio, ouviu 2.588 eleitores, tem margem de erro de 3,03 pontos percentuais, para mais ou para menos, nível de confiança de 95% e está registrada na Justiça Eleitoral sob o protocolo MA-06910/2026.

PONTO & CONTRAPONT

Polêmica, a pesquisa Veritá prevê vitória de Braide no 1º turno contra Orleans, Lahesio e “outros”

Veritá: Eduardo Braide vence no 1º turno, à frente
de Orleans Brandão e Lahesio Bonfim

Outra pesquisa, esta do instituto mineiro Veritá, mostra um cenário completamente diferente, que muitos apontam como fora da realidade. De acordo com os dados divulgados compilados, se a eleição para governador do Maranhão fosse agora, Eduardo Brande (PSD) venceria no 1º turno com 52,4% dos votos, seguido de Orleans Brandão (MDB) com 18,4% e Lahesio Bonfim (Novo) com 9,3%. Sem citar Felipe Camarão (PT), Enilton Rodrigues (PSOL) e Saulo Arcangeli (PSTU), os definiu como “outros”, que juntos somariam 9,9% dos votos, enquanto os indecisos totalizariam 19,7%. Uma conta que não fecha, porque totaliza 109,7%, o que não faz sentido em qualquer resultado estatístico.

De acordo com o que foi divulgado pelo instituto Veritá, com defasagem de mais de uma semana, se a eleição acontecesse agora, Eduardo Braide seria eleito governador com 59% dos votos válidos, que é quando se exclui abstenções, votos em branco e votos nulos. Orleans Brandão seria o segundo mais votado com 20,7% da votação, e Lahesio Bonfim ficaria em terceiro com 10,5% dos votos válidos. O instituto não citou os três outros pré-candidatos declarados, referindo-se a eles como “outros”, que somariam 9,9% dos votos, sem informar quanto coube a cada um deles nessa fatia do eleitorado.

Esse levantamento chegou aos pedaços nos espaços de divulgação. Para começar, ele seria divulgado no dia 1º de maio, mas várias ações denunciaram falhas, levando a Justiça Eleitoral a suspender a sua divulgação. Depois, a Justiça liberou a divulgação, causando uma grande celeuma, principalmente por causa dos seus percentuais, que apontam definição em turno único com a eleição do ex-prefeito de São Luís.

Em Tempo: sem revelar o seu contratante, o Veritá informou que a pesquisa foi realizada entre os dias 24 e 30 de abril, ouviu 1.526 eleitores, tem margem de erro de 2,5 pontos percentuais, para mais ou para menos, intervalo de confiança de 95% e está registrada na Justiça Eleitoral sob o protocolo MA-07144/2026.

Veritá e Inop divulgam números diferentes sobre a corrida ao Senado

Roberto Rocha, Weverton Rocha,
André Fufuca e Eliziane Gama

Os duas pesquisas se confrontaram também em relação à disputa para o Senado. Enquanto a do instituto Veritá divulgou o cenário do levantamento estimulado, mostrando números bem realistas, mas também algumas falhas, o instituto Inop um release mostrando o cenário espontâneo da corrida ao Senado, e ainda assim com informações aparentemente contraditórias.

Para começar, a pesquisa Veritá incluiu o governador Carlos Brandão entre os pré-candidatos a senador no cenário estimulado, o que não faz o menor sentido, uma vez Carlos Brandão tornou impossível sua candidatura ao não se desincompatibilizar no prazo, que terminou a 04 de abril. Ao mesmo tempo, não incluiu a deputada federal Roseana Sarney (MDB), ainda apontada como possível candidata ao Senado. E para complicar ainda mais o quadro de absurdos, “esqueceu” o senador Weverton Rocha (PDT), que apareceu entre os primeiros em todas as outras pesquisas.

Com essas falhas inacreditáveis, o instituto mineiro encontrou os seguintes cenários na corrida às duas cadeiras no Senado: 1) Roberto Rocha (Novo) com 24,5%, Carlos Brandão (sem partido) com 15,9% e Eliziane Gama (PT) com 14,3%; e 2) Carlos Brandão com 18,7%, André Fufuca (PP) com 17,8% e Eliziane Gama com 11,9%. E ficou nisso.

Já o Inop fez uma divulgação absurdamente confusa ao apresentar os números da pesquisa espontânea para o Senado, sem mostrar os números da pesquisa estimulada, que sempre foram os mais confiáveis e mais realistas em matéria de investigação das preferências do eleitorado.

O resultada da patacoada é o seguinte: Roseana Sarney 6,38% das intenções de voto, Roberto Rocha (4,95%), Weverton Rocha (3,59%), André Fufuca (2,59%) e Eliziane Gama (1,58%). No mesmo pacote, incluiu o deputado estadual Yglesio Moises (PRD), que é candidato a deputado federal (0,97%); Hilton Gonçalo (Mobiliza) com 0,93%, Pedro Lucas (União), que é candidato à reeleição (0,85%); Mical Damasceno (Republicanos), mas é candidata à Câmara Federal (0,62%), e César Pires (0,43%).

A pesquisa Inop fecha esse estranho relatório com a seguinte informação: Iracema Vale (MDB), Juscelino Filho (PSDB), Hildo Rocha (MDB), Carlos Brandão (sem partido) e Lahesio Bonfim (Novo), todos com 0,40% das intenções de voto. Só que nenhum deles manifestou publicamente a intenção de disputar o Senado.

São Luís, 09 de Maio de 2026.

Camarão descarta diálogo com Braide, que agora se torna seu adversário na corrida aos Leões

Pré-candidato ao Governo, Felipe Camarão
é agora adversário de Eduardo Braide

A decisão do vice-governador Felipe Camarão, pré-candidato do PT ao Governo do Estado, de não mais procurar dialogar com o ex-prefeito de São Luís, Eduardo Braide, pré-candidato do PSD, é uma das decisões mais pé no chão que ele tomou nos últimos tempos, pelo simples fatos de que candidatos governador são adversários e não faz nenhum sentido abrirem diálogo. Essa deve ser a motivação de Eduardo Braide, já que, atento aos movimentos de cada aspirante aos Leões, como Orleans Brandão (MDB) e Lahesio Bonfim (Novo), ele aguardou pacientemente uma definição do PT, e se fechou em copas quando o comando petista bateu martelo tornando o vice-governador candidato do partido ao Governo.

A mesma posição do vice-governador Felipe Camarão será mantida em relação aos demais candidatos depois que ele se tornou pré-candidato do PT ao Governo com o aval do presidente Lula da Silva (PT). Isso porque, por mais fragilizado que esteja no campo eleitoral, seus aliados mais próximos apostam que ele sairá do patamar de um dígito e alcançará os dois dígitos. Isso, se ocorrer, não será bom para os demais candidatos, que já na pré-campanha sinalizam que vão brigar pelo maior número possível de votos, se preciso atropelando adversários.

Pode haver procedimentos que indiquem, por exemplo, que um candidato sinalize apoio a um determinado com corrente, caso não chegue no segundo turno. Essa é uma decisão política unilateral, que não comporta qualquer nível de diálogo durante os 45 dias da guerra no turno regulamentar da corrida aos Leões. A sinalização pode se dar de várias maneiras, mas isso não muda, por exemplo, o foco dos candidatos, independentemente das suas posições políticas e da distância que mantenham entre si enquanto estiverem se engalfinhando para seduzir o eleitor.

Se a eleição não for resolvida no 1º turno, os candidatos não eleitos poderão, aí sim, dialogar com os que se enfrentarão na segunda rodada. É claro que os dois buscarão naturalmente o apoio de quem não passou no teste das urnas. Afinal, a política tem os seus momentos de confronto, mas também abre espaço para conversas e alianças em momentos decisivos, como é o caso do segundo turno de uma eleição para prefeito de cidade com eleitorado acima de 200 mil, para Governo do Estado e para a Presidência da República.

Ao afirmar que não mais procurará Eduardo Braide para dialogar, o vice-governador Felipe Camarão fez o registro sabendo da impossibilidade desse diálogo. Eduardo Braide, assim como Orleans Brandão. Lahesio Bonfim, Enilton Rodrigues (PSOL) e agora Saulo Arcangeli (PSTU), passa a olha-lo como concorrente, podendo essa visão “evoluir” para adversário e até mesmo inimigo político e eleitoral. O fato de o PSB, que abriga o chamado grupo dinista, estar alinhado ao projeto eleitoral de Eduardo Braide não muda a distância que o ex-prefeito de São Luís manterá do vice-governador agora pré-candidato candidato a governador.

Além das palavras e dos gestos, a realidade nua e crua é que o vice-governador Felipe Camarão entra na corrida aos Leões no momento em que seus participantes começam a ganhar corpo e endurecer o discurso. A começar pelos que apareceram até aqui bem situados nas preferências do eleitorado, segundo as pesquisas, como Eduardo Braide, que lidera, e Orleans Brandão, seu oponente mais próximo, com tendência de polarização. O petista chega com o dificílimo desafio de virar um jogo no qual o primeiro adversário a ser passado para trás será o pré-candidato do Novo Lahesio Bonfim.

Está escrito nas estrelas, portanto, que sua pré-candidatura, ser viabilizada, carece de força política, que o presidente Lula da Silva pode lhe dar, e de peso eleitoral, que só ele poderá atrair com o apoio determinado do PT. O diálogo que precisa, portanto, é o que pode travar com líderes e militantes petistas, para uni-los em torno da sua candidatura.

PONTO & CONTRAPONTO

Cricielle lidera ato de apoio a Orleans no momento em que Camarão é confirmado pré-candidato do PT

Orleans Brandão e Cricielle Muniz
juntos em palanque no São Francisco

No momento em que inicia movimentos para consolidar sua pré-candidatura ao Governo do Estado, o vice-governador Felipe Camarão (PT) toma conhecimento, pelas redes sociais e via blogosfera, que a professora Cricielle Muniz, ex-dirigente da Rede Iema e candidata a deputada estadual, reafirmou publicamente a sua aliança com Orleans Brandão (MDB). Ela integra a ala do PT que defende aliança com o governador Carlos Brandão.

Uma das principais estrelas da nova geração de líderes do PT no Maranhão, Cricielle Muniz teve atuação destacada na equipe de ponta do governador Carlos Brandão. Já no seu segundo ano de gestão na Rede Iema, ela emitiu fortes sinais de que estava se preparando para disputar mandato na Assembleia Legislativa.

Os movimentos da militante petista foram desde o início apoiados pelo governador Carlos Brandão, que já em meados do ano passado declarou publicamente seu apoio ao projeto político-eleitoral de Cricielle Muniz, que além da sua candidatura, atua na linha de frente da pré-campanha do presidente Lula da Silva (PT) à reeleição.

No evento de terça-feira (05), que foi parte da estratégia de quebrar o favoritismo de Eduardo Braide (PSD) em São Luís, Cricielle Muniz recebeu Orleans Brandão em um ato de pré-campanha no São Francisco. No seu discurso, ela reafirmou seu apoio à candidatura dele ao Governo, argumentando que conheceu de perto o seu trabalho na Secretaria de Assuntos Municipalistas e afirmando que, na sua avaliação, o candidato emedebista está preparado para governar.

Na contrapartida, Orleans Brandão não poupou elogios à ex-dirigente da Rede Iema: “Receber o apoio da Cricielle, que tem uma história de luta pela educação e pela juventude do Maranhão, é motivo de muita alegria e também de muita responsabilidade porque ela é uma liderança muito comprometida com a educação, com sua comunidade e com o futuro do nosso estado”.

Dois petistas ouvidos ontem pela Coluna disseram basicamente a mesma coisa: Cricielle Muniz nada tem contra Felipe Camarão, mas vai cumprir até o fim o compromisso que assumiu com Orleans Brandão.

Um deles fez uma observação curiosa: “Isso pode representar um segundo palanque para o Lula no Maranhão”.

Maranhão foi o melhor do País no ranking de competitividade

Painel mostra que o Maranhão
saltou 11 posições no ranking

O Maranhão foi o estado que mais avançou em competitividade no País entre 2023 e 2025.  Saltou da 20ª para a 9ª posição, ou seja, 11 posições, de longe o melhor desempenho entre os 26 estados. Os dados são do Ranking de Competitividade dos Estados, com base em investigação realizada pelo Centro de Liderança Pública (CLP) e divulgada no início da semana.

De acordo com o relatório, o melhor desempenho foi o do Espírito Santo, cuja estratégia tem por base o equilíbrio fiscal e a melhoria da eficiência administrativa. A lanterna ficou com Roraima, que obteve os piores resultados no Ranking de Competitividade dos Estados.

A pesquisa realizada pelo CLP apurou que o desempenho competitivo do Maranhão tem como lastro a solidez fiscal do estado, ou seja, o equilíbrio entre o que arrecada e o que gasta. Esse equilíbrio gerou outros benefícios, como a melhoria de quatro posições em eficiência administrativa, segundo o relatório.

Nesse campo, o Maranhão atual aumentou a sua capacidade de investimento, o controle de gastos, a digitalização dos serviços públicos e a transparência.

São Luís, 07 de Maio de 2026.

Esquerda dura amplia participação na disputa com PSTU lançando Saulo Arcangeli para os Leões e Hertz Dias para o Planalto

Saulo Arcangeli candidato aos Leões
e Hertz Dias aspirante ao Planalto

A exatos cinco meses das eleições, a corrida ao Palácio dos Leões ganha novo tempero: o anúncio de que o Partido Socialista dos Trabalhadores Unificados (PSTU), um dos mais ativos braços da extrema-esquerda no país, escolher como pré-candidato a governador do Maranhão o servidor público federal Saulo Arcangeli, e oficializará a pré-candidatura do professor maranhense Hertz Dias à presidência da República. Com esse comunicado, a esquerda-dura, que não faz concessões, amplia sua participação na corrida sucessória e mantém o ideal da luta de classes e o objetivo maior de implantar do socialismo pleno no Brasil, tendo como meio o voto democrático. As pré-candidaturas serão lançadas oficialmente às 18h desta sexta-feira (08), no auditório do Curso de História das Uema, na Praia Grande.

Fundado em 1994 pelo operário José Maria Almeida, que já foi candidato a presidente da República, o PSTU tem raízes em São Paulo, mas, por uma circunstância que ainda não está bem explicada, produziu em São Luís o seu segundo núcleo mais importante em todo o País. Daí a sua participação intensa do seu núcleo militante, liderado por Saulo Arcangeli, que já foi candidato, a senador e a prefeito de São Luís e agora vai disputar o Palácio dos Leões. Saulo Arcangeli é militante político de tempo integral, com foco em questões sindicais, ecológicas e direitos sociais. O foco da sua candidatura não é exatamente vencer a eleição, mas criar “uma alternativa para romper as engrenagens do sistema capitalista”, pela via do que define como “marxismo revolucionário”.

O peso do braço maranhense do PSTU está demonstrado na decisão do partido de lançar o professor Hertz Dias candidato a presidente da República, colocando-o no mesmo patamar político do presidente Lula da Silva (PT), do senador Flávio Bolsonaro (PL) e do ex-governador goiano Ronaldo Caiado (PSD), por exemplo. Hertz Dias foi candidato a governador em 2022 e também a prefeito de São Luís em 2020 e agora vai encarar o desafio de representar o partido na corrida ao Palácio do Planalto, com o diferencial de quem será o primeiro maranhense a participar da guerra pela chefia da Nação.

Semanas atrás, o PSOL, navegante de mares um pouco menos revoltos e que mantém uma federação com a Rede, mas mantém pesado discurso anticapitalista, batendo forte no liberalismo econômico, lançou pela segunda vez a pré-candidatura do servidor público Enilton Rodrigues aos Leões, e as do professor universitário e jornalista Franklin Douglas e da militante social Antônia Cariongo ao Senado, os quais defenderão o que definem como “projeto de unidade popular”. O PSOL lançou candidato próprio depois do fracasso de uma tentativa de aliança com o PT, que resultaria numa federação. Se a aliança tivesse vingado, o caminho do partido hoje seria apoiar a pré-candidatura do vice-governador Felipe Camarão.

No universo das correntes mais duras da esquerda outras legendas podem lançar candidatos a governador e a senador. A expectativa é que o PCB, que é o mais antigo partido do Brasil (1922) e mantém a mesma linha dura dos seus fundadores, lance pré-candidato a governador, provavelmente Frankle Costa, que disputou o Palácio dos Leões em 2022. Existe ainda a possibilidade, essa bem mais remota, de o Unidade Popular (UP), que ainda aposta na emancipação do proletariado e prega, por exemplo, que a propriedade é um roubo, também lance candidato a governador.

No universo da esquerda estão partidos bem mais moderados, com viés democrático mais aberto, como o PT, que deve lançar o vice-governador Felipe Camarão ao Governo do Estado e a senadora Eliziane Gama à reeleição. Fazem parte desse meio-de-campo o PCdoB, que está federado com o PT e o PV, devendo se alinhar à candidatura de Felipe Camarão, e o PSB, que no momento está alinhado à pré-candidatura do ex-prefeito de São Luís, Eduardo Braide (PSD), de centro-direita.

Com a entrada de Saulo Arcangeli, o quadro da disputa para o Governo do Estado agora está composto por ele, Eduardo Braide (PSD), Orleans Brandão (MDB), Lahesio Bonfim (Novo) e Enilton Rodrigues (PSOL).

PONTO & CONTRAPONTO

Resolução da Executiva Nacional do PT confirma a pré-candidatura de Felipe Camarão ao Governo

Felipe Camarão tem candidatura
confirmada em Resolução
da Executiva Nacional do PT

O vice-governador Felipe Camarão será mesmo candidato a governador. Até então baseada apenas em declarações do presidente nacional do PT, Edinho Silva, a decisão foi formalizada ontem em documento da Comissão Executiva Nacional do partido. O documento foi postado no final da tarde de ontem nas redes sociais do vice-governador.

Batizado “Resolução sobre a candidatura ao Governo do Maranhão”, o documento afirma, categoricamente, que a prioridade do PT é a reeleição do presidente Lula da Silva, e que, “diante da complexidade do cenário político do Maranhão e da necessidade de preservar e ampliar alianças sólidas, construídas no último período, a Comissão Executiva Nacional decide pela pré-candidatura de Felipe Camarão ao Governo do Estado, por considera-la capaz de unificar forças, garantir competitividade eleitoral e sustentar um palanque forte e alinhado ao projeto nacional”.

Traduzindo sem rodeios, o documento informa que o comando nacional do PT, com a anuência do presidente Lula das Silva, fez uma opção clara, preferindo lançar candidato próprio do que levar o PT a somar forças com o governador Carlos Brandão (sem partido) em torno da pré-candidatura de Orleans Brandão (MDB).

Por outro lado, a Resolução do comando nacional do PT não contém uma só linha rejeitando alianças, indicando que, em nome do projeto de reeleição do presidente, o partido não pretende romper com o governador Carlos Brandão. Mas também não dá indicações em sentido contrário.

O documento diz que a “tarefa imediata do PT é nacionalizar a disputa estadual, transformando a eleição em cada estado numa escolha entre, de um lado, aqueles que estão no ‘time do Lula’, comprometido com o desenvolvimento, a inclusão e a soberania; do outro, o campo da extrema direita, pautado pelo ódio, pelo retrocesso e pelo desmonte do Estado”.

As próximas semanas dirão como essa Resolução será interpretada pelo o Palácio dos Leões.

Brandão comanda lançamento do São João do Maranhão na Avenida Paulista

Carlos Brandão exibe a bandeira do Maranhão entre os secretários
Sérgio Macedo (Comunicação), Abimael Berredo (Cultura) e Socorro
Araújo (Turismo) e brincantes de Bumba Boi na Avenida Paulista

Parte da Avenida Paulista, a mais importante artéria de São Paulo, foi transformada num mini arraial na segunda-feira (4). Ali, o governador Carlos Brandão (sem partido) comandou um movimento colorido e festivo formado por grupos de Bumba Boi e Cacuriá em pleno asfalto, para promover o último São João do seu Governo. Foi um convite dos maranhenses para que os paulistas conheçam as belezas da cultura popular do Maranhão e transformem as festas juninas do estado em opção para as férias de junho.

Não deu outra. Contagiados pelos ritmos, pelos bailados e pelas cores, os paulistanos, sempre reservados e focados no trabalho, pararam para ver e ouvir. O espanto logo se transformou em alegria, indicando uma clara empatia da frieza da selva de concreto de São Paulo do que acontece em junho nas animadas entranhas dos casarões coloniais de São Luís.

Animado com a receptividade, o governador Carlos Brandão declarou: “O São João é a nossa riqueza e a nossa tradição. Estamos aqui em São Paulo mostrando as belezas do nosso estado e a nossa cultura com essa diversidade linda. Nosso São João é muito bonito e precisamos que todos conheçam”.

É isso aí.

São Luís, 06 de Maio de 2026.

Líderes petistas querem dois “ou mais” palanques para Lula no Maranhão num cenário de confronto

Parte do PT quer Lula da Silva no palanque
de Felipe Camarão e de Orleans Brandão

O anúncio de que o vice-governador Felipe Camarão será o candidato do PT ao Governo do Estado colocou no tabuleiro sucessório estadual uma série de situações que terão de ser ajustadas ao novo cenário da corrida ao Palácio dos Leões. O item mais delicado desse conjunto de situações é a proposta de montagem de dois palanques para o presidente Lula da Silva (PT) no Maranhão, um liderado pelo petista Felipe Camarão e outro comandado por Orleans Brandão (MDB), ambos adversários declarados.

Esse desenho, que na visão de muitos observadores é irreal diante do quadro configurado na política maranhense. Na visão de algumas figuras proeminentes do PT, não haverá problemas para Lula da Silva ser recebido no palanque de Felipe Camarão, no qual se sentirá naturalmente “em casa”, nem marcando também presença no palanque de Orleans Brandão. Isso pode acontecer? Quem sabe? Mas a viabilidade de uma proeza assim vai depender de um quase milagre, algo que venha a “dobrar” o mais elevado grau de imprevisibilidade da política.

Quando confirmou que o PT terá o vice-governador Felipe Camarão como candidato ao Palácio dos Leões, a primeira conclusão óbvia e lógica de qualquer observador isento foi a de que o comando petista e o Palácio do Planalto se afastavam politicamente do governador Carlos Brandão (sem partido), ainda que sobrevivesse a relação institucional por meio da qual o Governo Lula da Silva financia parte expressiva da maioria das grandes obras do Governo do Estado, como o prolongamento da Avenida Litorânea, por exemplo. O afastamento político comprometerá essa relação?

Em meio a essas indagações, a até pouco tempo desconhecida presidente interina do PT estadual, Patrícia Carlos, disse que não, que o presidente Lula da Silva pode ter sim dois ou mais palanques no Maranhão, porque a prioridade é a sua reeleição, querendo dizer que a candidatura de Felipe Camarão só servirá a esse propósito. A mesma proposta foi defendida há dois dias pelo ex-vice-governador, ex-conselheiro do TCE e ex-secretário da Representação do Governo do Maranhão em Brasília, Washington Oliveira, que lidera a ala petista alinhada ao governador Carlos Brandão.

Como está claro, o braço maranhense do PT – pelo menos uma grande parte dele -, quer o presidente Lula da Silva pedindo votos para o candidato do seu partido a governador, quando o palanque for o de Felipe Camarão, e também pedindo votos para o candidato a governador adversário, como o emedebista Orleans Brandão, se vier a ser o caso. É uma situação que, seja qual for o ângulo, parece não fazer o menor sentido. Ou será que alguém imagina a situação na qual o presidente Lula da Silva ora suba no palanque de Felipe Camarão e peça votos para si e para o aliado, e num outro momento marque presença no palanque de Orleans Brandão pedindo votos somente para ele próprio e não dizendo para o eleitor votar no candidato a governador?

A situação acima zomba da realidade, a começar pelo fato de que o presidente Lula da Silva jamais toparia uma aberração política dessa natureza, e certamente o governador Carlos Brandão não aceitaria submeter o seu candidato a governador uma fórmula tão grotesca.

No caso específico dos palanques do PT, comandado por Felipe Camarão, e do MDB, encabeçado por Orleans Brandão, por mais politicamente esdrúxulo que possa parecer, seria admissível o presidente Lula da Silva participar dos dois. Mas para isso, ele teria de dispensar ao candidato do MDB o mesmo tratamento que certamente dispensará ao candidato petista, exaltando qualidades e pedindo votos com o argumento de que ele será o melhor para o Maranhão. Seria uma solução salomônica e justa do ponto de vista ético. Mas seria também, sem a menor sombra de dúvida, o maior absurdo da história política do estado, algo não visto nem nos áureos tempos do vitorinismo, quando politicamente boi voava, e de asa quebrada, nos ares políticos do Maranhão.

A candidatura do vice-governador Felipe Camarão, assim como a de Orleans Brandão, trouxe teor politicamente explosivo do rompimento, que o PT terá de administrar, como o governador Carlos Brandão vem tentando fazer em relação à candidatura de Orleans Brandão.

PONTO & CONTRAPONTO

Estreito: Justiça Eleitoral cassa prefeito do PL e sua vice do PT

Léo Cunha e Irenilde da Silva: PL e PT
foram cassados pela Justiça Eleitoral

A cassação do prefeito de Estreito, Léo Cunha e da vice-prefeita Irenilde da Silva causou estragos em duas vertentes políticas absolutamente distantes, via de regrar em confronto nos planos municipal, estadual e, principalmente nacional. Léo Cunha é um empresário de Imperatriz que chegou à Prefeitura de Estreito como candidato do PL, pelas mãos do deputado federal Josimar de Maranhãozinho. Irenilde da Silva é filiada ao PT.

Os dois foram cassados pela Justiça Eleitoral sob a acusação, comprovada em provas fartas, de abuso de poder econômico e político. Ele foi tornado inelegível por oito anos e ela apenas perdeu o mandato, não tendo sido alcançada pela inelegibilidade. Durante a campanha, Léo Cunha afrontou as regras eleitorais ao distribuir brindes a eleitores, entregar ambulância em clima de comício e realizar comício em data proibida, esnobando o controle da Justiça Eleitoral.

 Como se trata de uma decisão de 1ª instância, tomada pelo juiz Bruno Miranda, titular 82ª Zona Eleitoral de Estreito, o prefeito e a vice ainda não deixam os cargos, uma vez que têm direito a recurso ao Tribunal Regional Eleitoral (TRE-MA). Mas a cassação foi uma pancada impiedosa no prefeito de Estreito e sua companheira de chapa, e a julgar pelo teor da denúncia, dificilmente o TRE desmanchará a decisão do titular da 82ª Zona Eleitoral.

Léo Cunha é parte de uma família empresarial influente em Imperatriz, cujo irmão, Ribinha Cunha, foi candidato a vice-governador na chapa liderada por Roseana Sarney (MDB) em 2018, quando foi derrotada no 1º turno por Flávio Dino (PCdoB).

A cassação de Léo Cunha e Irenilde da Silva afeta duramente o PL, que perde um prefeito importante, e o PT, que terá muito o que explicar com essa cassação. E funcionou também como um recado de que outras cassações estão a caminho.

Afastamento de médico que assistia à jogo em plantão mostra que Roberto Costa usa coragem como base da sua gestão

Coragem de quebrar tabus como inaugurar
escolas só com estudantes e professores

O ato do prefeito de Bacabal, que é também presidente da Federação dos Municípios do Maranhão (Famem) Roberto Costa (MDB), de afastar um médico flagrado, por ele próprio, assistindo a um jogo de futebol durante plantão em uma unidade hospitalar bacabalense, reforçou o seu conceito de bom gestor, que vem construindo desde que assumiu o cargo em janeiro de 2025. E consolidou outra marca pessoal e política: a coragem, item decisivo na composição de um perfil de gestor bem sucedido.

Roberto Costa mostrou esse traço desde os primeiros momentos, com gestos desassombrados, mostrando que, tanto quanto a razão, o senso de justiça e a correção na prática administrativa, a coragem é fundamental para a tomada de decisões em todos os níveis.  

Ele começou a se mostrar um gestor ao mesmo tempo sensato e corajoso quando decidiu, por exemplo, pôr fim às inaugurações festivas e caras, que sempre foi regras imutável nos municípios. Foi corajoso quando foi pessoalmente ao um hospital para determinar que a partir daquele momento a comida a ser servida aos pacientes teria de ser do mesmo nível de qualidade da servida aos médicos, enfermeiros e servidores, o que não acontecia.

A coragem vem moldando o seu perfil político desde o Movimento Estudantil, quando, ainda adolescente, liderou parte do Movimento Secundarista de São Luís enfrentando os ativos e temidos líderes da esquerda, como o hoje deputado federal Márcio Jerry, por exemplo.

Sua coragem foi decisiva quando ele assumiu a Juventude do MDB, no início dos anos de 1990 enfrentando fortes pressões internas e externas, o que não o impediu de se tornar uma liderança forte dentro do partido, a ponto de anos mais tarde enfrentar as lideranças do partido, como Roseana Sarney, de quem cobrou uma participação mais ampla da ala jovem nas decisões do partido.

Roberto Costa enfrentou inúmeras situações complicadas como deputado estadual, as quais só superou pelas corajosas decisões que tomou. Agora, como prefeito, ele reforça o perfil de gestor que não teme os desdobramentos das decisões que toma. No caso do afastamento do médico por assistir à um jogo de futebol em pleno plantão hospitalar.

Sua postura certamente inspira colegas prefeitos e amplia sua estatura política.

São Luís, 05 de Maio de 2026.

PT lança Camarão e muda cenário apostando na força de Lula para viabilizar sua candidatura

Lula da Silva deu aval à candidatura
de Felipe Camarão a governador

O PT bateu martelo e vai lançar a candidatura do vice-governador Felipe ao Palácio dos Leões, confirma anúncio feito neste sábado pelo presidente nacional do partido, Edinho Silva, numa conferência virtual com os líderes petistas do Maranhão. Nossa linha no Maranhão é Felipe Camarão, não há que ter dúvida. Essa é uma decisão tomada junto com o presidente Lula. O presidente Lula tem convicção de que com o apoio dele, deixando claro que o seu candidato no Maranhão é Felipe, nós vamos pôr o Felipe no segundo turno e vamos ganhar a eleição”, declarou, enfático, o presidente do PT, confirmando informação corrente nos bastidores partidários maranhenses desde o início da semana passada.

A opção do PT por candidatura própria produz naturalmente alteração expressiva e abrangente no canário da corrida aos Leões, começando pela confirmação de que o partido e o presidente Lula da Silva entram em rota de colisão com o seu principal aliado no estado, o governador Carlos Brandão (sem partido), por não aceitam apoiar a candidatura de Orleans Brandão (MDB), numa reação do tipo “olho por olho” ao fato de o governador Carlos Brandão haver se negado a apoiar a apoiar a candidatura do vice-governador, que para os petistas era o “caminho natural”. Resta saber agora como ficará a relação do presidente Lula com o governador Carlos Brandão.

Na avaliação do comando nacional do PT, com o apoio declarado do presidente Lula da Silva, o vice-governador Felipe Camarão reúne condições para se tornar um candidato viável, com possibilidade de entrar efetivamente na briga pelo Palácio dos Leões, num confronto aberto com os três candidatos já definidos: Eduardo Braide (PSD), Orleans Brandão (MDB) e Lahesio Bonfim. A expectativa do presidente nacional do PT é que Felipe Camarão chegue ao segundo turno, e para isso ele tem de deixar para trás dois dos três nomes que estão de fato, na corrida pelo Governo.

O desenho político e partidário desse novo cenário não será tão simples como pensa, por exemplo, a presidente estadual do PT, Patrícia Carlos, que defende que o presidente Lula da Silva tenha dois palanques no Maranhão, o do próprio partido, liderado por Felipe Camarão, e o Orleans Brandão, que tem comando do governador Carlos Brandão, patrono político do candidato emedebista. Será que Orleans Brandão abrirá seu palanque para o presidente depois de ter sido vetado para ser o nome de uma aliança PT/MDB? E depois, nos bastidores partidários começa uma tímida, mas já visível movimentação no sentido de levar parte da aliança a apoiar Flávio Bolsonaro (PL) na corrida presidencial.

Por outro lado, a candidatura do PT coloca em xeque uma aliança do partido com o candidato do PSD, Eduardo Braide, que já tem praticamente certo o apoio do chamado grupo dinista, via PSB. No entendimento de importantes petistas maranhenses, o “caminho natural” do PSB é apoiar o vice-governador Felipe Camarão. Acontece que o grupo e formado por cinco deputados estaduais, que veem na aliança com Eduardo Braide, um caminho para a sobrevivência nas urnas. Uma fonte do grupo dinista tem dito que o seu caminho é apoiar Eduardo Braide, e que uma mudança por Felipe Camarão exigirá uma articulação bem amarrada em todas as pontas. Isso porque para eles, não será fácil desfazer uma delicada, mas viável, aliança com Eduardo Braide, que vem sendo moldada há meses.

A entrada do vice-governador Felipe Camarão na corrida sucessória, agora oficializada pela direção nacional do PT, define o quadro de candidatos ao Governo do Estado, que já inclui Eduardo Braide (PSD), Orleans Brandão (MDB), Lahesio Bonfim (Novo) e Enilton Rodrigues (PSOL) – há ainda a possibilidade de o PSTU, que há lançou Hertz Dias para presidente da República, vir a lançar um nome ao Governo do Estado.

O fato é que, ainda que prevista num longo jogo de “pode, não pode”, a pré-candidatura do vice-governador Felipe Camarão altera consideravelmente o cenário da corrida aos Leões.   

PONTO & CONTRAPONTO

Candidatura de Camarão ao Governo pode mudar o cenário da disputa para o Senado

Eliziane Gama está definida; Weverton
Rocha e André Fufuca apontados para a
outra vaga na chapa de Felipe Camarão

A confirmação, pelo PT, da candidatura do vice-governador Felipe Camarão ao Governo do Estado, além de alterar amplamente a corrida sucessória, terá influência de peso na disputa pelas duas vagas no Senado. Desde de que essa decisão começou a ganhar corpo em Brasília, as contas em relação à corrida senatorial começaram a ser refeitas, e nessa reengenharia pré-eleitoral a senadora Eliziane Gama ganha novo espaço como candidata do PT à reeleição.

Nos bastidores, as especulações são as mais diversas, começa pela dupla Eliziane Gama/Weverton Rocha (PDT), sob o argumento de que o senador pedetista teria o aval do Palácio do Planalto. O problema é que Weverton Rocha é também candidato da aliança encabeçada por Orleans Brandão, ficando no ar a pergunta: com quem ele estará de fato?

No tabuleiro das especulações surge a dupla Eliziane Gama/André Fufuca (PP). Depois de meses de incertezas, há menos de duas semanas Orleans Brandão fechou questão sobre a chapa Weverton Rocha/André Fufuca para o Senado. E há quem diga que se André Fufuca migrar para a candidatura de Felipe Camarão o MDB pode rever sua posição e lançar a presidente da Assembleia Legislativa, Iracema Vale (MDB).

O comando nacional do PT trabalha com a eleição de dois senadores alinhados ao Palácio do Planalto. Daí a insistência do presidente Lula da Silva para que o governador Carlos Brandão fosse candidato ao Senado, mas ele preferiu lançar Orleans Brandão ao Governo e permanecer no cargo até o final.

“Caçadores de culpados” tentam incluir Flávio Dino na lista dos que agira contra Jorge Messias

Flávio Dino incluído, sem base, na lista dos
que agiram contra Jorge Messias no Senado

A rejeição, pelo Senado, do advogado geral da União, Jorge Messias, para o Supremo Tribunal Federal (STF), desencadeou uma frenética caçada aos “culpados”. E nessa tresloucada onda especulativa, o ministro Flávio Dino foi incluído na lista como “um dos principais adversários” do rejeitado. O curioso é que não existe registro de um gesto, uma fala, um recado, uma pressão direta a senadores, uma “recomendação”, uma declaração contrária ou coisa parecida contra Jorge Messias em todo esse imbróglio gigantesco.

Nesse contexto, a única fala de Flávio Dino sobre o assunto foi a resposta a um jornalista que lhe perguntou, de chofre, se ele estava pedindo a senadores que votassem contra Jorge Messias. Ele respondeu que isso seria impossível, porque é odiado no Congresso Nacional por causa das suas decisões sobre emendas parlamentares. Deixou claro que não se moveu nem a favor nem contra, como deve ser a postura de um ministro da Suprema Corte  

Dono de vasta cultura jurídica e de conhecida posição ideológica, Flávio Dino tem sido, via de regra, duramente criticado pela extrema direita, que o acusa de “politizar” a corte, sob o argumento de que ministro do STF que se preza não faz política. Esse ânimo ácido em relação ao ministro faz esses inimigos interpretarem o seu silêncio em relação ao caso como um movimento contrário a Jorge Messias.

A situação é tão esdrúxula e salpicada de má fé que nenhum dos adversários criticou, e muitos acharam “louvável” e acataram de bom grado, que o ministro André Mendonça, porta-voz da direita dura na Corte, fizesse campanha aberta pró-Jorge Messias, com declarações e nota de apoio ao indicado, isso sem contar a pressão direta sobre senadores pela aprovação da indicação.

O ministro Alexandre de Moraes, por sua vez, teria feito pressão ameaçadora a senadores para votarem contra Jorge Messias, ação explicada por um suposto acordo subterrâneo para o sepultamento da CPMI do Master, caso em que ele tem interesse direto por conta da relação suspeita do escritório de advocacia da família com o comando do Banco Master. O que se diz é, por esse motivo, o ministro Alexandre de Moraes pegou pesado pela rejeição de Jorge Messias, prevendo um desequilíbrio de forças dentro da Suprema Corte.

O ministro Flávio Dino pode não simpatizar com a pessoa ou com o ideário jurídico-político de Jorge Messias, que é evangélico e conservador, podendo inclusive alimentar um sentimento contrário à não ida dele para a Corte. Mas entre um sentimento e agir efetivamente, usando o cargo, para que ele fosse rejeitado pelo Senado há uma distância enorme. Quem conhece Flávio Dino sabe que ele é movido pela razão e pelas regras que movem as instituições. Foi assim como juiz federal, como deputado federal, como governador, como senador, como ministro da Justiça e continua mantendo sua postura como ministro do STF.

Não há rasuras na postura do ministro Flávio Dino em relação ao advogado Jorge Messias, como tentam fazer crer os “caçadores de culpados”.

São Luís, 03 de Maio de 2026.

Derrubada do veto de Lula ao PL da Dosimetria causou forte divisão e algumas surpresas na bancada maranhense

Acima Eliziane Gama, Weverton Rocha e Ana Paula Lobato votaram pela
manutenção do veto. Embaixo, à esquerda, Amanda Gentil, Aluísio
Mendes, Cleber Verde, Duarte Jr. Josivaldo JP, Márcio Honaiser, Pastor
Gil, Pedro Lucas Fernandes, Paulo Marinho Jr., e Silvio Antônio votaram
pela derrubada do veto; e à direita André Fufuca, Rubens Jr.,
Márcio Jerry e Fábio Macedo votaram pela manutenção do veto

A votação por meio da qual o Congresso Nacional derrubou ontem o veto do presidente Lula da Silva (PT) ao PL da Dosimetria (Projeto de Lei 2162/23), que reduz as penas dos condenados pelos atos golpistas do 8 de Janeiro, em especial o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), hoje em prisão domiciliar por razões de saúde, foi uma demonstração cabal de como pensam os atuais congressistas maranhenses sobre como devem ser punidos os responsáveis pelo mais grave movimento contra a democracia e o estado democrático de direito no Brasil depois do golpe militar de 1964. Enquanto os senadores Weverton Rocha (PDT), Eliziane Gama (PT) e Ana Paula Lobato (PSB) votaram pela manutenção do veto, os deputados federais se dividiram, sendo que 10 votaram pela derrubada do veto e quatro votaram pela manutenção, um se absteve e três faltaram à sessão.

Os votos favoráveis ao veto dados pelos senadores Weverton Rocha e Ana Paula Lobato seguiram orientação dos seus partidos, ambos alinhados ao Palácio do Planalto Já senadora Eliziane Gama teve dupla motivação para defender o veto presidencial: além de seguir a orientação do PT, ela foi a relatora da CPI do 8 de Janeiro e no seu relatório ela confirmou a tentativa de golpe de Estado tramada pelo então presidente Jair Bolsonaro (PL), derrotado nas eleições de 2022, e pediu punição severa para todos os envolvidos.

Já os deputados federais se mostraram política e ideologicamente com muita clareza, com revelações surpreendentes. Para começar, a bancada do PP se dividiu, com a deputada Amanda Gentil votando pela derrubada do veto e, consequentemente, para aliviar a punição aos golpistas, e o deputado federal e ex-ministro André Fufuca dando voto para manter o veto, alinhado que é ao presidente Lula da Silva. Já a bancada do PL, representada na sessão pelos deputados interinos Paulo Marinho Jr. e Sílvio Antônio e pelo deputado quase cassado Pastor Gil, votou em bloco pela derrubada do veto, o que era esperado. E os deputados Pedro Lucas Fernandes e Josivaldo JP votaram também para derrubar o veto, seguindo a orientação do comando nacional do União, que tem um pé firme no bolsonarismo.

Único representante do MDB na sessão, o deputado Cléber Verde, que é um jogador tarimbado, votou contra o veto, o mesmo acontecendo com o deputado Aluísio Mendes (Republicanos), que é da direita dura e tem alinhamento com o bolsonarismo, também votou e fez campanha pela derrubada do veto. Já os deputados Márcio Jerry (PCdoB) e Rubens Jr. (PT), que são nomes de proa da base governista e se posicionaram contra o PL da Dosimetria desde a primeira hora, votaram alinhados com os seus partidos pela manutenção do veto presidencial.

Três votos, dois pela derrubada e o terceiro pela manutenção, chamara a atenção. O deputado Duarte Jr. (Avante), que é advogado e pontilha os seus pronunciamentos com defesas densas da democracia plena, causou espanto ao votar pela derrubada do veto do presidente Lula da Silva ao PL da Dosimetria. Também o deputado Márcio Honaiser (Solidariedade), que foi governista roxo até deixar o PDT em março, votou pela derrubada do veto. Já o deputado Fábio Macedo (Podemos), visto como um político de direita, que tem um pé no bolsonarismo, surpreendeu votando pela manutenção do veto, entendendo que o PL da Dosimetria não foi uma decisão saudável para a democracia.

O deputado interino Ribeiro Neto (Solidariedade) preferiu se abster, enquanto os deputados Hildo Rocha (MDB), Juscelino Filho (PSDB) e Júnior Lourenço (MDB) não participaram da votação.

Vale registrar que esses foram dados 48 horas depois que o ministro Alexandre de Moraes, relator do processo da tentativa de golpe, apresentou à Suprema Corte, o relatório final do processo, no qual confirma, com farta documentação, tudo o que foi armado, tramado e tentado pelo então presidente Jair Bolsonaro e o grupo que o cercava entre o anúncio da vitória do presidente Lula da Silva no final de outubro de 2022 e o 8 de Janeiro de 2023.

PONTO & CONTRAPONTO

Brandão cumpre agenda intensa conciliando compromissos administrativos e atos políticos na capital e no interior

Carlos Brandão, quarta-feira, em Grajaú, no ato de
entrega de 800 títulos de propriedade
do programa “Esta Casa Agora é Minha”

O governador Carlos Brandão (sem partido) tem cumprido uma agenda absolutamente fora da normalidade, que inclui despachos e audiências no Palácio dos Leões, eventos institucionais, lançamento, inspeção e inauguração de obras e, agora mais intensamente, eventos políticos.

Decidido a permanecer no cargo até o final do mandato, ele está imbuído de dois propósitos. O primeiro é manter o ritmo acelerado do Governo até 31 de dezembro deste ano, o último dia da sua gestão. E o segundo é passar a faixa do poder ao pré-candidato ao MDB ao Governo do Estado, Orleans Brandão.

Se vem mantendo um ritmo arrojado no comando do Governo, com um amplo elenco de obras a serem entregues até o final do ano, arrojada ainda é a sua movimentação política, que incluir reuniões com auxiliares do campo político, aliados da Assembleia Legislativa – a começar pela presidente Iracema Vale (MDB) – e da Câmara Federal e do Senado da República.

No momento, o mandatário maranhense está empenhado em amarrar todas as pontas da aliança que construiu com 11 legendas para dar suporte à pré-candidatura de Orleans Brandão ao Palácio dos Leões. Essa maratona inclui reuniões e atos de lançamento, como foi o evento de sábado em Imperatriz.

O chefe do Executivo começa sua movimentação por volta da seis da manhã e só entrega os pontos depois das 22 horas. Isso de domingo a domingo.

Não existe “primeira” e “segunda” vaga para o Senado; serão duas vagas em condições iguais

Senado renovará dois terços da sua
composição nas eleições deste anos

Alguns textos sobre a disputa para as duas vagas no Senado insistem em falar em “primeira” e “segunda” vaga. Nada mais equivocado, porque não existe “primeira” nem “segunda” vaga. Existem duas vagas, que serão disputadas em condições rigorosamente iguais pelos candidatos estiverem devidamente habilitados. Nada de “fulano vai disputar a ´primeira` vaga” nem “beltrano vai tentar a ´segunda` vaga”.

Essa qualificação de “primeira” e “segunda” vaga na corrida senatorial gera certa confusão no eleitor menos avisado, que acaba avaliando, equivocadamente, por exemplo, que o senador Weverton Rocha (PDT), por aparecer como maior percentual de preferência nas pesquisas, está disputando a “primeira” vaga, o que não é verdade. Ele, como os demais candidatos, está concorrendo a uma vaga, em plenas condições de igualdade. Se as pesquisas o apontam como o candidato com maior potencial de votos e esse potencial se confirmar nas urnas, ele será eleito para uma das vagas. E ponto final.

Vale lembrar que o Poder Legislativo federal no Brasil é bicameral, com uma Câmara dos Deputados, com 513 cadeiras, que representa a população brasileira, e um Senado, com 81 cadeiras, que representa os estados. Cada estado, independentemente do tamanho do seu território e de sua população, detém três cadeiras no Senado.

A cada quatro anos, o Senado é renovado, ora em um terço, ora em dois terços. Em 2022, a renovação foi de um terço, tendo o Maranhão elegido o ex-governador Flávio Dino (PSB). Nas eleições deste ano serão renovados dois terços, com cada estado elegendo dois senadores.

Cada partido ou federação tem direito a lançar dois candidatos, podendo, se for o caso, lançar apenas um, ou nenhum, se assim decidir. Mas todos os candidatos concorrerão em condições de igualdade às duas vagas, sem essa classificação de “primeira” e “segunda”.

Em Tempo: até agora, os pré-candidatos a senador no Maranhão são o senador Weverton Rocha (PDT), que busca a reeleição; a senadora Eliziane Gama (PT), também tentando renovar o mandato; o deputado federal André Fufuca (PP), o ex-senador Roberto Rocha (Novo), o jornalista e advogado Franklin Douglas (PSOL) e a professora militante social Antônia Cariongo (PSOL). Essa relação pode aumentar.

São Luís, 01 de Maio de 2026.

Se o PT e Lula lançarem Felipe Camarão, o movimento pode alterar o cenário da sucessão estadual

Felipe Camarão deve ser candidato
aos Leões avalizado pelo PT
e pelo presidente Lula da Silva

A ser confirmada nos próximos dias – e tudo indica que o será -, a decisão do comando nacional do PT de lançar o vice-governador Felipe Camarão (PT) ao Governo do Estado pode produzir uma série de desdobramentos com força para alterar expressivamente o cenário da corrida sucessória estadual desenhado até aqui. Para começar, ao mesmo tempo em que garantirá um palanque petista para o presidente Lula da Silva (PT) no Maranhão, por outro, esse movimento colocará o PT e o seu líder maior em rota de colisão com o governador Carlos Brandão (sem partido), que de aliado de primeira hora pode passar a adversário, já que o chefe do Executivo não abre mão da candidatura de Orleans Brandão (MDB). Isso porque, reduzindo o problemão a uma escala simples, Carlos brandão não quer Felipe Camarão no Palácio dos Leões e o PT e o presidente querem Felipe Camarão e não Orleans Brandão com o sucessor de Carlos Brandão.

A decisão do comando nacional do PT, cujo presidente, Edinho Silva, já teria comunicado aos líderes do PT maranhense, abre um amplo leque de situações, sendo a primeira delas o posicionamento de Felipe Camarão e o braço maranhense do PT como adversários dos pré-candidatos do PSD, Eduardo Braide, e do MDB, Orleans Brandão. Como os dois reagirão à nova situação – se ela vier a ser de fato criada -, só o tempo dirá. Mas em política, principalmente num contexto eleitoral, as regras são ditadas pelo grau de interesse que cada um dos candidatos tiver pelo objetivo a ser alcançado, no caso o Palácio dos Leões, o maior espaço de poder no Maranhão.

Eduardo Braide (PSD) e Orleans Brandão (MDB), que no momento polarizam a corrida sucessória, terão de reorganizar os seus projetos e reposicionar as suas forças. Isso porque, mesmo estando em posição muito frágil, como vêm sinalizando as pesquisas, não seria surpresa se, apresentado pelo presidente Lula da Silva, que continua sendo a maior força eleitoral do estado, o vice-governador vier a se tornar um candidato viável. No contrapeso, Eduardo Braide, que tem o reluzente portfólio da sua gestão em São Luís, e Orleans Brandão, que controla uma base ampla formada por prefeitos e um suporte garantido pelo seu patrono, o governador Carlos brandão, que abriu mão de uma candidatura viabilíssima ao Senado, para ser a tração de força desse projeto de candidatura.

Na semana passada, o governador Carlos Brandão esteve em Brasília e ali conversou com o líder petista Edinho Silva. Na rodada de negociação, todos os prós e contras da relação do PT com o governador Carlos Brandão foram levados em conta, mas não houve avanço em relação ao item mais importante reivindicado pelo governador: o apoio do PT a Orleans Brandão. Ao retornar a São Luís, Carlos Brandão disse à Coluna que a situação permanecia indefinida. No início desta semana, o comando nacional do PT teria batido martelo e decidido lançar o vice-governador Felipe Camarão candidato ao Governo, desenhando um confronto direto com o candidato do governador Carlos Brandão.

Esse cenário, se confirmado, colocará o PSB numa situação delicada no tabuleiro, já que o partido vem negociando uma relação eleitoral, sem a exigência do toma-lá-dá-cá com o ex-prefeito de São Luís.

Se, de fato, vier a ser lançado pelo presidente Lula da Silva ao Palácio dos Leões, o vice-governador Felipe Camarão sairá de vez do cipoal de incertezas em que estava se movimentando, perdendo força política e prestígio pessoal. Com a chancela partidária, o seu caminho será entrar na corrida e tentar ocupar um espaço nas graças do eleitorado, cuja maioria neste momento está dividida entre Eduardo Braide, Orleans Brandão e Lahesio Bonfim (Novo). Ele entrará na corrida em quarto lugar, com menos de 10% das preferências, segundo as pesquisas mais recentes. E com o desafio de se tornar, de fato, um candidato competitivo, primeiro tendo de ultrapassar o pré-candidato do Novo Lahesio Bonfim, que ocupa o terceiro lugar.

Há tempo para isso. O desafio estará nas suas mãos.

PONTO & CONTRAPONTO

Derrota humilhante de Jorge Messias e de Lula alcançou também Weverton Rocha e Eliziane Gama

Weverton Rocha e Eliziane Gama:
derrotados com a rejeição
de Jorge Messias pelo Senado

Feitas as contas, a derrota histórica e humilhante sofrida pelo advogado geral da União, Jorge Messias, ao ter sua indicação para o Supremo Tribunal Federal rejeitada, além do presidente Lula da Silva (PT), que foi o grande derrotado no plano político, os estilhaços da explosão alcançaram também, duramente, os senadores Weverton Rocha (PDT), relator da indicação, e Eliziane Gama (PT), que trabalhou arduamente a favor do indicado nos segmentos evangélicos.

A derrota do senador Weverton Rocha foi acachapante. Escolhido pelo presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União/AP), com quem é “carne e unha”, o senador maranhense apresentou um relatório integralmente favorável a Jorge Messias, e durante a sabatina e a votação, atuou para as câmeras como uma espécie de “santo protetor” do indicado, falando a todo momento que estava tudo bem encaminhado para que ele fosse aprovado no plenário.

Com o lastro de quem foi o relator da indicação do então senador Flávio Dino para a vaga na Suprema Corte, também por escolha do presidente Davi Alcolumbre, o senador Weverton Rocha provavelmente soube que ele seria derrotado nos primeiros movimentos da votação no plenário. O fato é que publicamente o senador pedetista apareceu como duramente derrotado. Há quem veja por outro ângulo, mas essa é outra história.

A rejeição de Jorge Messias foi também uma pancada política na senadora Eliziane Gama. Ela atuou fortemente na mobilização de lideranças evangélicas em favor do indicado. Durante a sabatina e a votação no plenário, a senadora maranhense se movimentou intensamente, ora se manifestando, ora tentando convencer senadores de oposição a votar a favor do indicado e ora manifestando apoio pessoal a Jorge Messias quando ele era inquirido pelos senadores. Deu tudo errado e a decepção apareceu espantada no semblante da parlamentar petista.

Não há dúvida de que os senadores Weverton Rocha e Eliziane Gama, ambos candidatos à reeleição, terão de explicar – ele mais do que ela – esse fato que está abalando fortemente o equilíbrio institucional do País.

Em Tempo: alinhada ao Palácio do Planalto, a senadora Ana Paula Lobato (PSB) trabalhou por Jorge Messias, mas a derrota dele no plenário do Senado não a atingiu politicamente.

Esmênia vai ajustando sua gestão consciente de que a transição vai passar e que desafios estão a caminho

Esmênia Miranda: ajustando
a equipe para manter o ritmo

A prefeita de São Luís, Esmênia Miranda (PSD) vem conseguindo o que alguns observadores duvidavam: manter o controle da administração municipal e assegurar a continuidade do ritmo de trabalho implantado pelo seu sucessor, Eduardo Braide (PSD), pré-candidato ao Governo do Maranhão.

Ainda fazendo ajustes na máquina administrativa municipal, operando mudanças de acordo com os secretários pelo ex-prefeito, ela não apenas manteve a equipe, como vem orientando os seus integrantes no sentido de que nada mudará.

No plano institucional, a prefeita vem trabalhando silenciosa e efetivamente para construir uma relação sem pressão nem dependência com a Câmara Municipal. O seu objetivo é assegurar que matérias de interesse do Palácio de la Ravardière tenham trâmite normal, com debates e votações sem maiores delongas e, se possível, sem conflitos nem confrontos.

Esmênia Miranda sabe que, mesmo tendo se preparado para assumir o comando de uma máquina que cuida dos interesses de mais de 1,2 milhão de ludovicenses, ela vive um período de transição e que em pouco tempo vai ter de encarar desafios que estão camuflados pela corrida eleitoral, mas que emergirão a partir do ano que vem.

Se o ex-prefeito Eduardo Braide se der bem nas urnas, será o melhor dos juntos para a nova gestão de São Luís. Do contrário, ela continuará tendo de administrar uma convivência com um adversário no Palácio dos Leões.

São Luís, 30 de Abril de 2026.

Coluna atualizada – Senado: Orleans, Lahesio e Enilton já definiram candidaturas; Braide ainda não escolheu candidatos

Orleans Brandão, Lahesio Bonfim e Enilton
Rodrigues já têm candidatos ao Senado;
Eduardo Braide ainda não definiu nomes

Continua confuso e indefinido o quadro de candidatos ao Senado nas eleições deste ano no Maranhão. Dos quatro candidatos a governador até agora definidos, até agora apenas dois, Orleans Grandão (MDB) e Lahesio Bonfim (Novo), já bateram martelo em relação aos nomes que atuaram ao lado deles na corrida à Câmara Alta. Os outros pré-candidatos, Eduardo Braide (PSD) e Enilton Rodrigues (PSOL), ainda não se manifestaram sobre o assunto, gerando forte expectativa. Nesse contexto, o PT, mesmo até aqui sem pré-candidato ao Palácio dos Leões, já lançou a senadora Eliziane Gama (PT) à reeleição.  

Orleans Brandão já bateu martelo em relação a dois nomes para o Senado. O primeiro é o senador Weverton Rocha (PDT), candidato à reeleição, e que já integra a comitiva do candidato a governador incursões na Capital e no interior. E o segundo é o deputado federal e ex-ministro do Esporte André Fufuca (PP), que também já corre o estado ao lado do pré-candidato emedebista. Presidente estadual do MDB, Orleans Brandão, decidiu que o partido não lançará candidato a senador, o que significa dizer que, pelo menos até aqui, a Roseana Sarney, que aparece bem nas pesquisas e é emedebistas de proa, não será candidata ao Senado, devendo buscar a reeleição para a Câmara Federal.

O pré-candidato do Novo, Lahesio Bonfim, terá na sua chapa o ex-senador Roberto Rocha (Novo) como pré-candidato ao Senado. Chama a atenção o fato de que nas suas falas como pré-candidato a governador Lahesio Bonfim não se refere ao ex-senador Roberto Rocha como o seu nome para o Senado, o mesmo acontecendo com ele, que não destaca Lahesio Bonfim como seu candidato a governador. O que liga os dois e o fato de estarem no mesmo partido. E pelo que está posto até agora, nem Lahesio Bonfim, nem o comando do Novo e nem o ex-senador Roberto Rocha disseram uma só palavra sobre o segundo candidato a senador, deixando no ar a impressão de que estão conformados em lançar apenas um candidato.

Os demais candidatos a governador ainda não se manifestaram sobre candidatos às duas vagas de senador. O ex-prefeito de São Luís, Eduardo Braide, que já está em plena pré-campanha, teve até duas semanas atrás a senadora Eliziane Gama como colega de partido, estimulando a especulação de que ela seria seu nome para uma das vagas. Mas profundas diferenças foram construídas na disputa para a Prefeitura de São Luís em 2024, quando, mesmo filiada ao PSD, Eliziane Gama apoiou a candidatura do deputado federal Duarte Jr., então no PSB. Apesar dos esforços conciliatórios do presidente nacional do PSD, Gilberto Kassab, não houve clima para a permanência de Eliziane Gama no PSD, tendo ela migrado para o PT. Eduardo Braide até agora não se manifestou sobre a corrida ao Senado, dando margem à especulação de um dos candidatos da sua chapa pode sair das fileiras do PSB, ou até mesmo do PT, caso os dois partidos venham se alinhar ao candidato do PSD.

O candidato do PSOL a governador, Enilton Rodrigues, se manifestou sobre o assunto, tendo anunciado o jornalista, advogado e professor universitário Franklin Douglas e a professora e militante social Antônia Cariongo como pré-candidatos ao Senado, formando chapa “puro sangue”. De acordo com a jornalista Carla Lima, do Sistema Mirante, o partido decidiu lançar candidatura própria e com chapa completa depois do fracasso da tentativa de união com o PT no plano nacional.

Nos bastidores especula-se fortemente sobre dois nomes para o Senado. O primeiro é o vice-governador Felipe Camarão (PT), que se não sair candidato a governador, poderá vir a ser candidato a senador, seja numa aliança do PT com o MDB em torno de Orleans Brandão, seja numa composição do PT com Eduardo Braide, desde que a senadora Eliziane Gama faça parte do acordo.

Como se vê, há muito o que ser definido em matéria de candidaturas ao Senado.

PONTO & CONTRAPONTO

Plenário da Alema vira campo de batalha verbal entre oposição e aliados do Governo

Carlos Lula, Rodrigo Lago e Júlio Mendonça:
ataques duros ao Governo; Daniella Jadão
abriu contra-ataque em defesa do Governo

O plenário da Assembleia Legislativa está transformado num campo de batalha política, à medida que as forças políticas e partidárias avançam em direção às urnas. Ontem, por exemplo, o cenário se repetiu. Mesmo sem um embate direto, depois de oposição e da situação ocuparam a tribuna para uma série de ataques e contra-ataques.

Os deputados de oposição, em especial o grupo do PSB, se revezarem em pronunciamentos fortes contra o governador Carlos Brandão e seu Governo. Carlos Lula, Rodrigo Lago e Júlio Mendonça, todos do PSB e integrantes do chamado grupo dinista, atacaram duramente o Governo, usando como argumento casos de violência – como o assassinato de um ex-vereador em Presidente Dutra – e destacando o documento da Comissão Pastoral da Terra apontando o Maranhão como o estado com mais conflitos no campo.

Na contrapartida, deputados da base governista aproveitaram um discurso da deputada Daniella Jadão (MDB), que elogiou o governador Carlos Brandão (sem partido) pela sanção do projeto de lei que institui a Semana da Maternidade Atípica. “Por meio dessa semana, faremos um chamamento para que possamos conhecer mais a realidade de quem cuida e também de quem precisa ser cuidado”, destacou a parlamentar.

Além de agradecer ao governador pela sanção, a deputada emedebista fez uma densa defesa do governador, destacando as obras do Governo nas mais diferentes áreas. E foi além, destacando o papel desempenhado pelo então secretário de Assuntos Municipalistas Orleans Brandão (MDB), pré-candidato da situação a governador, como titular na Secretaria de Assuntos Municipalistas.

Foi a “deixa” para que vários deputados – Andreia Rezende (MDB), Davi Brandão (MDB), Catulé Júnior (Republicanos), Ricardo Arruda (MDB), Florêncio Neto e o líder do Governo Neto Evangelista (MDB) – saíssem em defesa do governador Carlos Brandão e elogiassem o ex-secretário Orleans Brandão como um quadro qualificado para ser governador. Não houve agressões verbais nem bate-rebate, mas ficou claro que os enfáticos apartes ao discurso da deputada Daniella Jadão foram respostas aos ataques da oposição.

Cada semana que passa fica mais evidente o clima de confronto verbal entre os dois grupos.

Apoiados pela Famem, municípios inundados buscam recursos emergenciais no Governo Federal

Roberto Costa: apoio total
aos municípios inundados

Atingidos por inundações causadas pelas fortes chuvas que caem na região, alcançados, portanto, pela situação de emergência, os municípios de Pedreiras e Conceição do Lago Açu receberam orientações da Federação dos Municípios do Maranhão (Famem) e já estão agindo no sentido de obter recursos e apoio disponibilizados pelo Governo Federal. Ambos tiveram situação emergencial reconhecida pela Defesa Civil Nacional.

Os recursos estão disponíveis no Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional (MIDR), que na última quinta-feira (23) publicou, no Diário Oficial da União, portarias reconhecendo quadro emergencial em 89 cidades das mais diferentes regiões afetadas por desastres naturais, como estiagem, seca e chuvas intensas. As duas cidades maranhenses se enquadro na situação de emergência causada pelas chuvas.

O reconhecimento da emergência por parte da Defesa Civil Nacional, credencia as prefeituras a solicitar apoio material e financeiro para ações de apoio às populações atingidas pelas cheias. Essas prefeituras terão direito a cestas básicas, água potável, apoio alimentar para trabalhadores e voluntários, kits de limpeza, higiene pessoal e dormitório no caso desabrigo.

Os pedidos devem ser encaminhados via Sistema Integrado de Informações sobre Desastres, onde os planos de trabalho são analisados pela Defesa Civil Nacional. Após aprovação, os valores são liberados por meio de nova portaria publicada no Diário Oficial da União. O pacote de ajuda inclui recursos para a preparação e qualificação de agentes municipais para atuarem em situações de emergência.

O presidente da Famem, prefeito de Bacabal Roberto Costa (MDB), vem conversando com prefeitos de regiões onde a situação emergência se repete a cada período chuvoso.

São Luís, 29 de Abril de 2026.

Inelegível, Josimar de Maranhãozinho se movimenta para manter cacife em outubro

Josimar de Maranhãozinho quer
Detinha na Alema e Fabiana Vilar
e Aldir Jr. na Câmara Federal

Pouco mais de um mês depois de condenado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) a cinco anos e seis meses de cadeia, pena que cumprirá inicialmente em regime semiaberto, o deputado federal Josimar de Maranhãozinho exibe fôlego político ao manter controle total sobre o PL no Maranhão e operar uma série de ajustes no grupo que lidera para as eleições de outubro. Sem condições de tentar a reeleição, a começar pelo fato de que sua condenação inclui inelegibilidade por oito anos, Josimar de Maranhãozinho será representado na corrida eleitoral pela sobrinha, deputada estadual Fabiana Vilar, que comanda a bancada do PL na Assembleia Legislativa. Outra decisão tomada foi que a deputada federal Detinha – que foi a mais votada do Maranhão em 2022 – será candidata a deputada estadual, lançando para sua vaga o vereador Aldir Jr., o principal representante do PL na Câmara Municipal de São Luís.

No meio político, a impressão geral é a de que Josimar de Maranhãozinho político “respondeu bem” à pancada da condenação, mesmo que ela o tenha retirado à força do exercício do mandato. Ele continua firme no comendo do PL, conservando o aval do presidente nacional da legenda, ex-deputado federal Valdemar Costa Neto, também expurgado do parlamento federal por corrupção e ainda amargando inelegibilidade. E mantém independência em relação à família Bolsonaro, não tendo feito até agora nenhuma declaração em relação pré-candidatura do senador Flávio Bolsonaro, do seu partido, à presidência da República, nem se manifestado em relação à condenação do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) por tentativa de golpe – os dois não se toleram.

Ninguém duvida de que, mesmo sob a pressão moral e ética de uma condenação por corrupção, Josimar de Maranhãozinho vai continuar ocupando um espaço respeitável no cenário político do Maranhão. Ele comanda um quinhão nada desprezível da política estadual, por meio da deputada federal Detinha e do deputado federal Júnior Lourenço, que integra a sua “bancadinha” na Câmara Federal, e 12% da Assembleia Legislativa, onde é representado pelos deputados Fabiana Vilar, Cláudio Cunha, João Batista Segundo, Aluísio Santos e Solange Almeida, além de uma grande penca de vereadores espalhados por todo o estado. Com um detalha importante: os seus seguidores e aliados vestem a sua camisa e são fiéis – pelo menos até as eleições municipais.

Condenado, juntamente com o Pastor Gil, sob a acusação de negociar emendas parlamentares, caso materializado por uma tentativa de extorquir R$ 1,5 milhão da Prefeitura de São José de Ribamar, denunciada pelo então prefeito Eudes Sampaio (PTB), Josimar de Maranhãozinho planeja manter peso político na esfera federal por meio dos seus aliados, especialmente Fabiana Vilar e Aldir Jr., apontados em todos os cenários como fortes candidatos à Câmara dos Deputados. Já no plano estadual, seu projeto é eleger uma bancada forte à Assembleia Legislativa, a ser liderada pela esposa Detinha, que aparece em todas listas de elegíveis com votação retumbante. E com poder de fogo para disputar a presidência do parlamento estadual.

Josimar de Maranhãozinho ainda não se posicionaram em relação à corrida ao Palácio dos Leões nem a respeito da disputa pelas duas vagas no Senado. Antes da sua condenação, circularam rumores de que a deputada federal Detinha seria candidata ao Senado, mas tal projeto, se foi de fato concebido, acabou tirado de pauta e mandado para o arquivo morto. Outros rumores correram nos bastidores dando conta de que Josimar de Maranhãozinho poderia ser candidato a governador ou indicar o vice de uma chapa forte. Tais projetos, se foram concebidos, também foram arquivados.

O fato concreto é que Josimar de Maranhãozinho não será candidato em 2026, mas participará do jogo eleitoral com fôlego para manter pelo menos parte do poder político que ainda detém.  

PONTO & CONTRAPONTO

Assembleia deve julgar recurso e CPI contra Camarão pode ser instalada amanhã

Felipe Camarão vai enfrentar CPI que
deve ser presidida por Ana do Gás

Depois de mais de uma semana em Brasília, onde conversou muito e participou da reunião nacional do PT, vice-governador Felipe Camarão retorna São Luís sem ter definida sua situação em relação às eleições de outubro e com fardo de encarar uma CPI da Assembleia Legislativa que investigará denúncia do Ministério Público segundo a qual ele teria feito movimentação financeira atípica quando secretário de Educação.

A CPI deve ser instalada nesta quarta-feira. Isso porque está previsto que o plenário decida hoje sobre recurso do deputado Rodrigo Lago (PSB) contra a instalação. E como a tendência é no sentido de que a reclamação do parlamentar, aliado de Felipe Camarão, não seja acatada, tudo indica que a CPI será instalada amanhã

Se esse roteiro for confirmado, a primeira sessão da CPI será eleger o presidente, que deverá ser a deputada Ana do Gás (Republicanos), e o relator, que não está definido. Falou-se inicialmente no deputado Yglesio Moises (PRD), mas formou-se o entendimento de que ele, como autor do requerimento que deu origem à CPI, não teria isenção para ser o relator.  

Além da escolhe do presidente e do relator, a primeira reunião da CPI definirá também o roteiro de trabalho, devendo definir um calendário de depoimentos, a começar pelo do próprio vice-governador Felipe Camarão.

Ricardo Duailibe inicia gestão no TJ sob o impacto do afastamento de mais um desembargador

Ricardo Duailibe inicia gestão sob
o impacto do afastamento
de Eulálio Figueiredo pelo CNJ

Como estava escrito nas estrelas, mesmo levando em conta o otimismo que manifestara no seu discurso de posse na sexta-feira (25), o novo presidente do Tribunal de Justiça do Maranhão, desembargador Ricardo Duailibe iniciou sua gestão, ontem, sob o impacto do afastamento temporário de mais um desembargador, Eulálio Figueiredo, por suposto desvio de conduta, segundo decisão do Conselho Nacional de Justiça.

Com o afastamento do desembargador Eulálio Figueiredo, mais recente, formalizado no sábado, já são seis dos 36 integrantes do colégio de desembargadores que forma a Corte maior do Poder Judiciário do Maranhão. Quando discursou na sessão solene da sua posse e dos demais integrantes da Mesa – Gervásio dos Santos Filho (vice-presidente), José Gonçalo de Souza Filho (corregedor geral da Justiça) e Ângela Salazar (corregedora geral do Foro Extrajudicial) –, o presidente Ricardo Duailibe manifestou disposição de unir a Corte, mas não tinha ideia de que iniciaria o seu mandato sob o impacto de mais uma pancada forte no suporte ético do Poder Judiciário.

O fato é que ontem ele teve de assumir como tarefa principal convocar mais juiz de entrância final para atuar como desembargador interino, inicialmente pelo prazo de dois meses, que pode resultar no retorno de Eulálio Figueiredo, ou ser prolongado, como ocorreu como demais desembargadores afastados. O convocado foi o juiz Jamil Aguiar, que tomou posse no primeiro ato oficial da nova direção do Tribunal de Justiça.

Suspenso por 60 dias por suspeita de haver liberado recursos no valor de R$ 1 milhão numa ação, ainda quando juiz, o desembargador Eulálio Figueiredo contesta a suspeita com veemência e afirma que demonstrará sua inocência ao CNJ, prevendo retornar ao Tribunal Pleno o mais rapidamente possível.

Em Tempo: o episódio envolvendo o desembargador Eulálio Figueiredo repercutiu fortemente no meio cultural, especialmente no segmento da Música Popular Maranhense (MPM), onde é reconhecido e festejado como compositor.

São Luís, 28 de Abril de 2026.

Pré-campanha aos Leões é intensificada e fatos isolados começam a desenhar o perfil político das pré-candidaturas

Eduardo Braide recebe a declaração de apoio da prefeita
Cibelle Napoleão, de Santo Antônio dos Lopes, e
Orleans Brandão ganha o apoio da
vereadora de São Luís Rosana da Saúde

Bastaram duas semanas de pré-campanha para o Palácio dos Leões para que fossem registrados os primeiros movimentos de arrumação nas bases de apoio dos pré-candidatos a governador. Nos últimos dez dias, três fatos indicaram que pode haver mudanças significativas nos conjunto de forças que apoia cada aspirante à sucessão do governador Carlos Brandão (sem partido), e como não poderia deixar de ser, esses movimentos se deram em torno de Eduardo Braide (PSD), que ganhou o apoio declarado de dois prefeitos de municípios estratégicos; de Orleans Brandão (MDB), que ganhou mais um reforço em São Luís, e de Lahesio Bonfim, que perdeu um porta-voz importante em Imperatriz. Feitas as contas, não se pode dizer o que esses gestos representam em termos eleitorais, mas não há como ignorar a importância política de cada um para os candidatos alcançados.

Na semana que passou, dois prefeitos de municípios destacados nas suas regiões, Cibelle Napoleão (PL), de Santo Antônio dos Lopes, e Luís Fernando dos Santos (União Brasil), de Humberto de Campos, deixaram a base de apoio do pré-candidato emedebista Orleans Brandão e migraram para o movimento que se forma em torno de Eduardo Braide. Ela, que tem raízes profundas no município, que ganha cada vez mais importância como produtor de gás natural e começa a ser visto como um futuro polo industrial e comercial. Ele lidera um município importante de uma região já transformadas em polo turístico e cuja tendência é avançar no seu desenvolvimento econômico.

Cibele Napoleão deixou a base de Orleans Brandão por não aceitar dividir a sua ação política com a deputada Ana do Gás (Republicanos), que tenta sobreviver num xadrez eleitoral muito complicado. Luiz Fernando declarou que o motivo que o levou a apoiar a pré-candidatura de Eduardo Braide foi ter se dado conta de que “o povo de Humberto de Campos quer votar nele”. Os dois casos representam ganho real para o candidato do PSD, que vem incursionando intensamente no interior, para quebrar a acusação de que não conhece o estado.

Por sua vez, o candidato governista Orleans Brandão, que vem se movimentando para ganhar espaços na Capital e ampliar o que já tem contabilizado de apoio no interior, terminou a semana com um ganho importante, se não pelo peso eleitoral propriamente dito, mas como representação política: recebeu o apoio formal da vereadora Rosana da Saúde (Republicanos), que representa esse segmento na Câmara Municipal de São Luís. E como a Capital é um território político apontado como independente, que não se dobra a pressões, a declaração de apoio de uma vereadora como Rosana da Saúde é, de fato, um ganho real a ser contabilizado pelo pré-candidato do MDB.

O terceiro evento atingiu diretamente o pré-candidato do Novo ao Governo do Estado, Lahesio Bonfim. Nilson Takachi, um publicitário e militante político em Imperatriz, que ficou em quarto lugar na corrida à Prefeitura em 2024, rompeu com Lahesio Bonfim e desembarcou em São Luís para declarar apoio a Eduardo Braide. Se não representa um caminhão de votos, o posicionamento de Takachi amplia a base de apoio de Eduardo Braide na Princesa do Tocantins, onde, embalado pelo aval declarado do governador Carlos Brandão e do suporte do prefeito Rildo Amaral (PP), ocupa um espaço amplo na cidade. E mais do que isso, enfraquece a base de apoio de Lahesio Bonfim no segundo maior colégio eleitoral do Maranhão, onde foi o mais votado na eleição de 2022.

Independentemente das intensas agendas de pré-campanha, com Eduardo Braide prometendo transformar a Barragem do Rio Flores em polo turístico, Orleans Brandão lançando sua pré-campanha Imperatriz na noite deste sábado, e Lahesio Bonfim disparando chumbo grosso contra o governador Carlos Brandão nas redes sociais, os três fartos políticos mencionados sinalizam que o jogo que definirá o perfil político das pré-candidaturas está começando.

PONTO & CONTRAPONTO

PT mantém indefinição sobre como vai se posicionar na socorrida sucessória no Maranhão

Felipe Camarão: situação
ainda indefinida

O encontro nacional do PT só termina hoje e as conversas sobre definições nos estados podem acontecer a qualquer momento. Mas o fato é que, pelo menos até a noite de sábado, o coando nacional do partido ainda não havia bastido martelo em relação à posição que seguirá na corrida sucessória do Maranhão nem quanto ao futuro do vice-governador Felipe Camarão, que se encontra em Brasília desde o início da semana passada para participar do evento partidário e resolver sua vida em relação às urnas, como ele próprio anunciou em vídeo antes de viajar.

A expectativas era a de que o “caso maranhense”, que se transformou num nó cego a ser desfeito pelos dirigentes nacionais e pelo próprio presidente Lula da Silva, seria avaliado e resolvido na última quinta-feira, numa reunião da Executiva. Mas a reunião foi cancelada e, no mesmo dia, o governador Carlos Brandão conversou sobre o assunto com o presidente nacional do PT, Edinho Silva. À Coluna o mandatário maranhense resumiu a resumiu numa frase emblemática: “Ainda sem definição”.

O fato é que, a julgar pelos movimentos do comando nacional do PT em relação ao Maranhão, o partido ainda não resolveu se lançará candidato próprio a governador – no caso oi vice-governador Felipe Camarão – ou se apoiará a candidatura de Orleans Brandão com direito a indicar um candidato ao Senado – no caso Felipe Camarão.

Como a reunião nacional, que termina hoje, não tratará desse tema, é possível que entre hoje e amanhã o assunto seja avaliado em petit comité. Caso isso não aconteça, o vice-governador retornará a São Luís sem um a definição. Mas pelo menos com a informação de quando e como o seu futuro será definido.

Registro

Novo comando do Tribunal de Justiça assume com o desafio de unir a instituição

Ricardo Duailibe entre Gonçalo Filho, Carlos Brandão,
Iracema Vale, Gervásio Santos Filho e Ângela Salazar:
posse prestigiada e desafios a vencer

Em meio a um conjunto de situações constrangedoras, como o afastamento de magistrados (juízes e desembargadores) por suspeita de corrupção, e situações delicadas, como e a manutenção de R$ 2,6 bilhões de depósitos judiciais no Banco Regional de Brasília (BRB), que foi dura e perigosamente afetado pela associação criminosa com o liquidado Banco Master, o novo comando Poder Judiciário do Maranhão, presidido pelo desembargador Ricardo Duailibe, assumiu na sexta-feira (24), com a pompa formal de sempre, mas ambiente para festa.

O presidente Ricardo Duailibe, que foi eleito com pouco mais da metade dos votos num colegiado que sempre teve por tradição o rodizio consensual, vai comandar um Poder dividido, distante da unidade por pretendida. Ele deixou isso claro no seu discurso de posse, quando enfatizou a necessidade de unidade no Poder. O novo presidente recebeu um desafio a vencer, pois a julgar pelo ambiente que domina a Corte, a gestão do desembargador Froes Sobrinho contribuiu para ampliar as diferenças no colégio de desembargadores.

Com clara boa vontade em relação ao sucessor, que foi o seu padrinho, o presidente Ricardo Duailibe, que tem perfil de conciliador, exaltou resultados alcançados pela gestão anterior. “O Tribunal alcançou resultados expressivos graças a um trabalho conjunto. Nossa responsabilidade agora é garantir que esse nível de excelência seja mantido e aprimorado, com foco em transparência, produtividade e inovação”, assinalou Ricardo Duailibe. Ele foi claro que sua meta “é unir” o Tribunal de Justiça.

Todos os sinais emitidos no ato de posse do novo comando ad Poder Judiciário do Maranhão apontaram para um bom relacionamento respeitoso e produtivo com os Poderes Executivo e Legislativo. A presença do governador Carlos Brandão (sem partido) e da presidente da Assembleia Legislativa, Iracema Vale (MDB) evidenciou que o novo comando do TJ não terá dificuldades para manter um relacionamento institucional saudável com o Palácio dos Leões e com o Palácio Manoel Beckman. Ambos destacaram a boa relação com o Poder Judiciário e se declararam confiante na nova gestão

No essencial, o presidente Ricardo Duailibe foi claro no direcionamento que sua gestão dará à Justiça do Maranhão: “A Justiça precisa chegar a quem mais precisa. Uma Justiça que não alcança os mais vulneráveis não cumpre plenamente seu papel. Vamos ampliar iniciativas, como os pontos de inclusão digital, para atender às localidades mais distantes”.

Vale recordar que esse discurso, basicamente com as mesmas palavras, foi feito por todos os seus antecessores.

Em Tempo: no novo comando do Tribunal de Justiça do Maranhão é o seguinte: Ricardo Duailibe (presidente), Gervásio dos Santos Júnior (vice-presidente), José Gonçalo de Sousa Filho (corregedor-geral da Justiça) e Ângela Salazar (corregedora-geral do Foro Extrajudicial).

São Luís, 26 de Abril de 2026.