Quaest mostra Braide (44%) e Orleans (25%) numa disputa com risco de turno único

Eduardo Braide lidera com folga, seguido
de Orleans Brandão, Felipe Camarão,
Roberto Rocha er André Luís; Saulo
Arcangeli, Reginaldo Lima e
Dimas Cassimiro não pontuaram

A pesquisa Quaest, divulgada ontem pela TV Mirante, trouxe à tona o que pode ser o retrato da corrida ao Governo do Maranhão. De acordo com o levantamento, realizado no período de 20 a 23 do corrente, Eduardo Braide (PSD) tem 44% das intenções de voto, seguido de Orleans Brandão (MDB) com 25%. Na sequência aparecem Felipe Camarão (PT) com 6%, Roberto Rocha (PRTB) com 3% e André Luís (Missão) com 1%, enquanto Saulo Arcangeli (PSTU), Reginaldo Lima (PCB) e Dimas Cassimiro (PCO) não pontuaram. Os indecisos somaram 17% – um percentual muito elevado, que pode mudar os rumos da eleição – e os revoltados, que pretendem votar em branco e nulo, representam 4%.

Fora as diferenças da margem de erro de três pontos percentuais, para mais ou para menos, o que a pesquisa Quaest/TV Mirante mostrou foi Eduardo Braide com uma vantagem elástica de 19 pontos percentuais em relação a Orleans Brandão, uma vantagem excepcional, levando-se em conta o momento da campanha eleitoral. E mais: transformando-se os números em votos válidos, o ex-prefeito de São Luís venceria a eleição no 1º turno, com 56% contra 35% do candidato do MDB.

O fato de o candidato Roberto Rocha, por meio do seu partido, tenha questionado o critério usado pelo Quaest para escolher Eduardo Braide, Orleans Brandão e Felipe Camarão para simular 2º turno, levando a Justiça Eleitoral a proibir essa parte da pesquisa, fez com que milhões de eleitores maranhense fossem privados de conhecer as possibilidades de uma segunda rodada. E aguçou a curiosidade em relação à possibilidade de a eleição para governador ser resolvida já no 1º turno, apontando para uma vitória do ex-prefeito de São Luís, com sugerem os números.

Esse cenário, trazido por um dos três institutos de pesquisas mais importantes do Brasil na atualidade, e que produz exclusivamente para a Rede Globo e afiliadas em todos os estados, desembarca na corrida ao Palácio dos Leões faltando 42 dias para as eleições. Não há como não enxergar o fato de que, independentemente do que encontrarem outros institutos, a pesquisa Quaest/TV Mirante funciona como uma espécie de baliza para os próximos passos da disputa, como foi o Ibope em outros tempos. Todas as eleições para o Governo do Estado

Das mais de 60 pesquisas divulgadas até aqui sobre corrida ao Palácio dos Leões, pelo menos 80%, incluindo uma Quaest/TV Mirante apontaram Eduardo Braide na liderança, desenhando, ao longo de meses, uma tendência que a pesquisa de ontem alimentou. Se os percentuais representam a realidade plena, não há como aferir, até porque os candidatos estão em movimento, podendo criar situações que mudem. Se não representarem o cenário real ou próximo do real, a verdade emergirá das urnas na noite do dia 4 de outubro.   

É provável que os números revelados ontem deem aos candidatos um quadro bem próximo da realidade, algo que possa coincidir com os limites da margem de erro, pela qual Eduardo Braide pode ter 41% a 47%, enquanto Orleans Brandão pode entre 22% e 28% das intenções de voto. O mesmo pode estar acontecendo em relação a Felipe Camarão, que pode ter entre 3% e 9%, e a Roberto Rocha, que pode estar num patamar entre 0% a 6%, com André Luís no seu encalço com 0% a 4%.

Em Tempo: A pesquisa Quaest/TV Mirante ouviu 900 eleitores em todo o Maranhão no período de 20 a 23, margem de erro de três pontos percentuais, para mais ou para menos, e intervalo de confiança de 95% e está registrada no Tribunal Regional Eleitoral sob o protocolo MA-02558/2026 e no Tribunal Superior Eleitoral BR-01389/2026.

PONTO & CONTRAPONTO

Senado: Roseana lidera, Weverton, Lahesio, Eliziane e Fufuca estão empatados, e indecisos podem mudar tudo

Roseana Sarney lidera; Weverton Rocha, Lahesio
Bonfim, Eliziane Gama e André Fufuca estão
tecnicamente empatados pela segunda vaga;
Hilton Gonçalo cresce, e Simplício Araújo,
Cidônio Gonçalves, Wilson Leite e Raimundo
Moreira estão empatados,
e Enilton Rodrigues não pontuou

A pesquisa Quaest encontrou um cenário absolutamente indefinido na corrida às duas vagas no Senado. A deputada federal Roseana Sarney (MDB) lidera, isolada, com 16% das intenções de voto, seguida de quatro candidatos tecnicamente empatados pela margem de erro, que é de três pontos percentuais, para mais ou para menos: o senador Weverton Rocha (PDT) com 11%, o ex-prefeito de São Pedro dos Crentes Lahesio Bonfim (Novo) com 10%, a senadora Eliziane Gama (PT) com 9% e o deputado federal André Fufuca (PP) com 9%.

O ex-prefeito de Santa Rita Hilton Gonçalo (Mobiliza) aparece com 5%, seguido de Cidônio Gonçalves (PL), Wilson Leite (PSTU), Raimundo Moreira (PCB) e Simplício Araújo (DC), todos com 1%. Enilton Rodrigues (PSOL) não pontuou.

Alguns dados importantes chamam a atenção da pesquisa sobre a corrida ao Senado. O primeiro deles é o crescimento de Hilton Gonçalo, que por esse levantamento está a apenas quatro pontos percentuais de Eliziane Gama e André Fufuca. O outro dado curioso é o fato de Enilton Rodrigues não haver pontuado, sugerindo que o braço maranhense do PT não o abraçou como segunda opção.

Nesse contexto, merece atenção o fato de que nada menos que 27% dos entrevistados se declararam indecisos não sabendo ou não querendo responder revelar suas preferências. Só que esses votos aparecerão durante a campanha ou se posicionem somente no dia 4 de outubro.

O fato é que com 27% de indecisos, nenhum candidato está seguro, com eleição garantida, incluindo Roseana Sarney, em que pese o fato de ela encontrar-se na liderança. A julgar pelo desempenho de cada um até aqui, Lahesio Bonfim, Eliziane Gama e André Fufuca têm potencial para crescer, o que poderá mudar o cenário da disputa.

Paulo Victor marca para 1º de outubro eleição do seu sucessor, e apoia Beto Castro

Paulo Victor convocou eleição que pode
se dar entre Beto Castro e Marquinhos Silva

A eleição para a presidência da Câmara Municipal de São Luís serás realizada no dia 1º de outubro, três dias antes das eleições gerais. É o que está definido na convocação formalizada ontem pelo atual presidente Paulo Victor (PSB). São candidatos os vereadores Beto Castro (Avante) e Marquinhos Silva (União Brasil).

Essa corrida sucessória na Câmara Municipal tem alguns ingredientes que poderão torna-la um pleito escandaloso. A começar pelo fato de que o candidato apoiado pelo presidente Paulo Vitor e por quase duas dezenas de vereadores, o vereador Beto Castro tem um enorme lastro de problemas.

Um deles: Beto Castro estava na cena do crime do Caso Tech Office, como acompanhante do empresário assassinado. Outro: no dia 15 de junho, a 68 dias, portanto, o vereador Beto Castro foi preso por porte ilegal de armas na Operação Benedict, do Gaeco, na qual ele e mais 15 pessoas são investigadas por suspeita de desviar dinheiro de emendas parlamentares e de formar organização criminosa.

O que mais chama a atenção nesse caso é a determinação com que o presidente Paulo Victor sustenta o apoio à candidatura do vereador Beto Castro à sua sucessão. Há quem diga que antes da eleição muita coisa virá à tona, o que pode inviabilizar a candidatura.

O outro candidato é o vereador Marquinhos Silva, que promete colocar as coisas nos seus devidos lugares nos próximos dias. Ontem, ele veiculou um cartaz convocando seus aliados para uma tomada de decisão política hoje. Há quem diga que ele partirá para o confronto com o vereador Beto Castro.

No meio político, a decisão do presidente da Câmara Municipal de definir data de 1º de outubro para a eleição do seu sucessor tem tudo a ver com a escolha do novo governador. Se a eleição for marcada para depois das eleições e o ex-prefeito Eduardo Braide for eleito governador, a candidatura de Beto Castro irá para o espaço.

São Luís, 25 de Agosto de 2026.

Braide e Orleans intensificam guerra sem trégua pelos votos de São Luís

Eduardo Braide e Orleans Brandão intensificam
campanhas pelo eleitorado de São Luís

A exatos 43 dias, o equivalente a seis semanas, o cenário da disputa para o Governo do Maranhão continua rigorosamente o mesmo de seis semanas atrás: uma guerra isolada entre Eduardo Braide (PSD), de oposição, e Orleans Brandão (MDB), animada por um movimento cujo resultado promete ser decisivo, ou no mínimo muito influente, no desfecho final da disputa: a guerra pelos 756 mil votos de São Luís, o maior e mais importante colégio eleitoral do Maranhão, que somados aos demais municípios da Ilha de Upaon Açu – São José de Ribamar, Paço do Lumiar e Raposa -, resulta num total superior a 1 milhão de sufrágios. Nesse tabuleiro, o ex-prefeito Eduardo Braide deve levar a melhor, com larga vantagem na Capital e em São José de Ribamar, com Orleans Brandão em segundo com forte apoio em Paço do Lumiar.

Eduardo Braide tem a seu favor o fato de ter sempre atuado na vidas de São Luís, como advogado, militante católico, de família enraizada na Capital. Esse perfil lhe abriu as portas para a política, tendo ele sido fortemente votado na cidade e na região metropolitana nas suas eleições para deputado estadual e deputado federal, o que levou a retumbantes eleição e reeleição para a prefeitura de São Luís, que deixou cinco anos e meio depois para se candidatar ao Governo do Estado. Na esteira de uma gestão com qualidade e resultados muito acima da média, ele caminha em direção ao Palácio dos Leões numa marcha na qual, seja qual for o desfecho da eleição no estado, ele sairá de São Luís consolidado.

Por sua vez, Orleans Brandão chegou na disputa sem um lastro político que o ligue fortemente a São Luís, parecendo mais identificado com Colinas, terra da sua família. No entanto, como secretário de Assuntos Municipalista do Governo Carlos Brandão, fincou estacas em suas searas da Capital. A primeira está relacionada às grandes obras do Governo do Estado feita em parceria com o Governo Federal, como a extensão da Avenida Litorânea e a Avenida Metropolitana, além de outras obras menores, que estão sendo diretamente associadas à sua participação na gestão estadual. A outra seara é a Câmara Municipal de São Luís, onde, aproveitando a relação de confronto do prefeito Eduardo Braide com parte da Casa, adotou uma intensa política que levou a maioria dos vereadores a migrar para a órbita do Palácio dos Leões, sob o comando do presidente da casa, vereador Paulo Victor (PSB). E foi além ao atrair para a sua chapa, como candidato a vice-governador, o ex-prefeito de São Luís, Edivaldo Holanda Jr., visto por muitos como um tiro certeiro.

Hoje, a corrida de Eduardo Braide e Orleans Brandão pelos votos de São Luís se dá por esses dois vetores. Eduardo Braide trabalha para ampliar a sua base, mostrando o portfólio das suas realizações e da sua identidade com a cidade, contando, para isso, com o apoio determinado da sua sucessora, a prefeita Esmênia Miranda (PSD), que tem sabido se movimentar nesse ambiente tenso. Da sua parte, Orleans Brandão mergulhado nas entranhas da Capital levado por vereadores alinhados ao Palácio dos Leões – atualmente seriam 22 dos 31 -, e atuando intensamente como porta-voz do governador Carlos Brandão na divulgação das realizações do Governo do Estado, que ele, claro, apresenta como sendo também resultados do seu trabalho.

De abril a julho, Eduardo Braide dedicou suas ações ao interior, numa maratona incansável para visitar o máximo de municípios, o que não pôde fazer quando prefeito, conseguindo minar muitas bases do candidato emedebista. Nesse período, Orleans Brandão aproveitou o “vácuo” e mergulhou nas entranhas de São Luís, trabalhando intensamente para minar o prestígio do ex-prefeito, pretendendo, pelo menos, reduzir a vantagem dele. Semanas atrás, Eduardo Braide se voltou para a Capital, alternando suas incursões pelos municípios com afagos na sua base principal.

Os dois certamente intensificarão suas campanhas em São Luís nas próximas seis semanas, e o resultado aparecerá na noite do dia 4 de outubro.

PONTO & CO NTRAPONTO

Eliziane e Roseana jogam duro e apostam alto no eleitorado feminino

Eliziane Gama com suas suplentes Lene Rodrigues
e Patrícia Carlos, e Roseana Sarney com as
suas, Valberlene Lopes e Carol Duailibe

Candidatas ao Senado, a senadora Eliziane Gama (PT), que busca a reeleição, e a deputada federal Roseana Sarney (MDB), são duas forças em busca dos 5,1 milhões de eleitores aptos a votar no Maranhão, mas travam uma guerra particular pelos 2.692.850 de votos quer formam o eleitorado feminino no estado.

E os sinais de que estão, de fato, se movimentando intensamente pelo voto das mulheres começaram na escolha das suas suplentes.

De olho nos votos femininos, que representam 52% do eleitorado maranhense, Eliziane Gama saiu na frente anunciando a ex-secretária Lene Rodrigues (PCdoB), mulher do deputado federal Márcio Jerry (PCdoB), e a ex-presidente estadual do PT Patrícia Carlos como suas companheiras de chapa.

Diante da inteligente estratégia da senadora, Roseana Sarney não perdeu tempo e anunciou, logo em seguida, a vice-prefeita de Colinas (MDB), terra dos Brandão, Valberlene Lopes, e a vice-prefeita de Imperatriz, Carol Duailibe (MDB), esposa do deputado estadual e vice-presidente da Assembleia Legislativa, Antônio Pereira (MDB).

Eliziane Gama faz sua campanha usando as conquistas de sua carreira e o seu trabalho no mandato no Senado, principalmente como aliada ao presidente Lula da Silva (PT), mas deixa boa parte da sua campanha a mostrar o seu trabalho em favor das mulheres, enfatizando formação da bancada feminina, da qual foi um das principais articuladoras.

Roseana Sarney joga pesado afirmando que seus governos tiveram forte preocupação com as mulheres, recordando também o fato de que foi a primeira mulher a governar o Maranhão e a primeira a eleger-se senadora (2002). Nos atos dos quais participou até agora, a ex-governadora tem tentado atrair o voto feminino.

O desfecho das eleições mostrarão que levou a melhor nessa disputa.

Bacabal: Roberto Costa retoma a construção de cinco creches para atender a 1.500 crianças

Roberto Costa: investimento forte
na educação de base em Bacabal

O prefeito Roberto Costa (MDB), que vem investindo forte no sistema educacional de Bacabal, abriu uma nova etapa na sua política dar um salto na educação de base do município, com uma ação destinada a crianças de 0 a 5 anos. Na última quinta-feira, ele deu a largada na retomada de um programa que promete ser uma das iniciativas importantes da sua gestão nessa área: autorizou a retomada da construção de cinco creches que, somadas, abrirão nada menos que 1.500 vagas.

Atualmente, Bacabal mantém 25 escolas de educação infantil, que atendem 4.845 alunos.

Com as novas creches, o prefeito Roberto Costa reduzirá em 60% o déficit desse tipo de espaço, e resolve dois problemas: transforma esqueletos abandonados há uma década em obras sociais que mudarão efetivamente a vida de centenas de famílias. Isso porque, inconclusas, as creches viraram elefantes brancos e perderam completamente a razão de existir, transformadas que foram em estruturas fantasmas tomados pelo mato.

Agora, elas começam uma contagem regressiva para se tornarem ambientes de socialização – e educação de base. Além dos espaços de acolhimento de crianças – fraldário, brinquedoteca, salas de amamentação, pátio coberto, parquinho, biblioteca, refeitório -, permitindo a centenas de pais a tranquilidade para trabalhar, as cinco creches abrirão 40 novas salas de aula na educação pré-escolar.

A retomada da construção das cinco creches acontece ao mesmo tempo em que o prefeito Roberto Costa põe em marcha arrojados ajustes no sistema municipal de educação com o objetivo de transforma-lo numa ação pública de excelência, incluindo os esportes e a cultura como parte da formação dos estudantes.

Roberto Costa implantou uma política diferenciada para melhorar a qualidade no sistema municipal de ensino de Bacabal educação no sistema. Além da reforma da rede de prédios escolares, criando melhores condições no ambiente das escolas, ele vem investindo o possível da qualificação de professores, como também dedicando recursos para investimentos em esportes e conhecimento. No início de agosto, por exemplo, o prefeito reuniu representes de 12 grêmios escolares de Bacabal para discutir melhorias nas escolas.     

O cronograma fixado pelo prefeito prevê a inauguração das novas creches em um ano.

São Luís, 23 de Agosto de 2026.

Toffoli não acata ações de Brandão no Caso Tech Office e aliados do governador criam o bordão “Golpe, não!”

Dias Toffoli não acata ações de Carlos Brandão

O inquérito do Caso Tech Office vai continuar no Supremo Tribunal Federal (STF) sob a relatoria do ministro Flávio Dino, e pelo que está senso sinalizado, vai continuar contaminando a corrida eleitoral, podendo produzir um desfecho rigorosamente imprevisível. Tanto que nas últimas 24 horas ele teve desdobramentos na frente judicial com uma decisão sobre o processo; no campo policial, tendo o matador do Caso Tech Office afirmou que entregou o que seriam novas provas à PF, e no campo político aconteceram reações diversas, entre elas o aparecimento do bordão “Golpe, não!”

No campo judicial, o ministro Dias Toffoli do STF, não acatou o pedido do governador Carlos Brandão (MDB) para que a investigação fosse suspensa, para que o ministro Flávio Dino fosse substituído na relatoria e que o processo retornasse ao Superior Tribunal de Justiça. Sorteado relator das ações do governador Carlos Brandão na quarta-feira, o ministro Dias Toffoli concluiu, sem entrar no mérito, que a ação escolhida pelo mandatário maranhense, uma ADPF, não caberia no caso. Com a decisão do ministro Dias Toffoli, o pedido de medida cautelar para paralisar a investigação ficou prejudicado, mas o inquérito policial segue em tramitação, segundo informou o portal do jornal O Globo.

“A pretensão deduzida nos autos não visa proteger a esfera institucional do Estado do Maranhão, mas tão somente obstar a investigação dirigida ao seu titular”, escreveu o ministro Dias Toffoli no seu despacho. E acrescentou: “Admitir a presente demanda […] importaria, na prática, criar uma espécie de ‘via processual paralela’ para a impugnação de decisões proferidas por membros desta Corte”.

Na outra ponta da linha, Gilbson Cutrim Jr., o matador do empresário João Bosco Sobrinho no Caso Tech Office, e que foi condenado a 13 anos, voltou a ser informação nas redes sociais. De acordo com as informações que circularam ontem à tarde, ele teria entregue à Polícia Federal documentos que, segundo teria afirmado, comprovaria parte do conteúdo do vídeo que divulgou no início da semana fazendo graves acusações a autoridades maranhenses, e no qual prometeu comprovar as acusações que fez.

No plano político, além de algumas reações, entre elas a do próprio governador Carlos Brandão, que num discurso forte, na quinta-feira, em São João do Paraíso, afirmou ser “o governador mais perseguido da história do Maranhão”, comparando o que chama de perseguição a “vitamina”, que o leva a “trabalhar mais”. Nesse ambiente, a reação mais enfática foi a da presidente da Assembleia Legislativa, Iracema Vale (MDB), acusada pelo matador de fazer parte de um suposto esquema de desvio. “Não foi permitir que um assassino confesso jogue meu nome na lama”, declarou Iracema Vale num vídeo de quase três minutos, no qual ela repudia enfaticamente a acusação.

No campo político, aliados do governador Carlos Brandão em Imperatriz realizaram uma manifestação com o mote “Golpe, não!”. Num discurso duro, o ex-prefeito Sebastião Madeira (MDB), que foi chefe da Casa Civil e se desincompatibilizou para se candidatar a deputado estadual, sugeriu a existência de uma trama para afastar Carlos Brandão do cargo. Ele invocou o processo que derrubou o então governador Jackson Lago em 2009, e inflamou os presentes com o refrão “Golpe, não!”.

No âmbito da política, que chamou a atenção foi o fato de nenhum candidato a governador ou a senador – exceção feita ao senador Weverton Rocha (PDT) – não ter se manifestado sobre esse caso.

Um parlamentar da base governista disse à Coluna, ontem à noite, que o governador Carlos Brandão não vai desistir da via judicial para suspender a investigação e fazer com que o inquérito retorne ao Superior Tribunal de Justiça. O problema é que o entendimento dominante no meio judiciário, e até mesmo na seara política mais esclarecida, é que, enquanto o senador Weverton Rocha figurar nas investigações, o inquérito continuará na Suprema Corte.

PONTO & CONTRAPONTO

Corrida ao Senado produziu situações inusitadas ao unir adversários no mesmo campo

Roseana Sarney e Weverton Rocha:
aliança de adversários históricos

Como vem acontecendo há meses seguidos, a corrida às duas vagas no Senado continua surpreendendo. Isso porque, para começar, as chapas majoritárias que abrigam essas 11 candidaturas estão longe de serem montagens baseadas em afinidades políticas e partidárias, ao contrário, são arranjos políticos que tentam misturar água com óleo e outras receitas que, à primeira vista, não produzem resultados convincentes. Dois exemplos: a “aliança” que colocou a deputada federal Roseana Sarney (MDB) como parceira do senador Weverton Rocha (PDT) em torno do candidato do MDB ao Governo do Estado, Orleans Brandão, e o acordo que juntou o deputado federal André Fufuca (PP) e o ex-prefeito de São Pedro dos Crentes, Lahesio Bonfim (Novo) na chapa liderada por Eduardo Braide (PSD). São casos com diferenças agudas, que estão controladas agora, mas que cedo ou tarde sofrerão ajustes, que podem reforçar o cenário atual ou desmontá-lo dramaticamente.

Não bastasse isso, a corrida às cadeiras no Senado estão desenhando movimentos absolutamente fora da curva. Ontem, por exemplo, o candidato Hilton Gonçalo (Mobiliza), que entrou como “terceira via” na chapa onde pontificam Roseana Sarney e Weverton Rocha, deu mais um passo na sua caminhada solitária ao receber o apoio do prefeito de São Domingos, Kléber Tratorzão, do PP – mesmo partido de André Fufuca. De acordo com o sempre bem informado blog do jornalista Gilberto Léda, com essa adesão, o candidato Hilton Gonçalo já contabilizaria 50 prefeitos na sua base de apoio, o que não é qualquer coisa numa disputa com tantos candidatos. Há poucos dias, Hilton Gonçalo recebeu também o apoio de ninguém menos que o deputado federal Duarte Jr. (Avante), uma aliança que pode beneficiar os dois. Isso significa dizer que Hilton Gonçalo não está brincando de ser candidato.

Num outro quadrado da disputa, o presidente estadual do Republicanos, deputado federal Aluísio Mendes, declarou apoio ao candidato do Novo ao Senado, Lahesio Bonfim, num acerto antes improvável. Também nesse caso, os interesses coincidem. Aluísio Mendes teve o seu projeto de reeleição fragilizado com a candidatura da deputada Iracema Vale (MDB), presidente da Assembleia Legislativa, que era um dos seus lastros, mas que decidiu disputar a Câmara Federal, o que levou o parlamentar a correr para repor a perda, encontrando em Lahesio Bonfim um caminho promissor. Com o acordo, o Republicanos vai apoiar a candidatura de Lahesio Bonfim ao Senado, e o candidato do Novo apoiará a corrida de Aluísio Mendes à reeleição para a Câmara Federal.

Adversários históricos, cujas diferenças chegaram ao extremo quando da cassação do então governador Jackson Lago (PDT), em 2009, Roseana Sarney e Weverton Rocha estão alinhados com o mesmo candidato a governador, mas na briga pelo voto a situação é cada um por si, e ponto final. Grande parte dos apoiadores de Roseana Sarney não está recomendando o segundo voto em Weverton Rocha, assim como a turma do senador pedetista não está demonstrando maiores interesses no futuro da candidatura da ex-governadora ao Senado. É verdade que até aqui os dois têm se esforçado para exibir uma aparência de alinhados, mas é verdade que não houve ainda nenhuma declaração enfática de um elogiando o outro.

Outros exemplos poderão cristalizar ainda mais estranhezas dessa corrida ao Senado. Elas certamente irão aflorar ao longo da campanha.  É o caso da candidatura da senadora Eliziane Gama reeleição, abraçada pelo presidente Lula da Silva, pelo comando nacional do PT, pelo candidato petista a governador Felipe Camarão e pela banda maior do PT maranhense. Só que o seu companheiro de chapa, Enilton Rodrigues, do PSOL, parece não fazer parte desse grupo.

As diferenças virão à tona, com mais ênfase, durante as próximas semanas.

Rocha oferece sua candidatura em troca do apoio de Braide a Bolsonaro; vai continuar candidato

Roberto Rocha

Candidato do PRTB ao Governo do Estado e autoproclamado a “voz da direita” no Maranhão, o que, em tradução fiel significa ser porta-voz do bolsonarismo, o ex-senador Roberto Rocha vem surpreendendo. Primeiro pela extrema agressividade que vem usando contra supostos adversários, como o ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal, que, até onde se sabe não pronuncia seu nome publicamente há anos, o candidato a senador pelo Novo, Lahesio Bonfim, e, ainda, Eduardo Braide, candidato a governador pelo PSD.

Agora, Roberto Rocha invade as redes sociais com um vídeo no qual faz uma proposta-desafio ao ex-prefeito de São Luís: se ele, Eduardo Braide, declarar apoio a Flávio Bolsonaro, candidato do PL a presidente, ele, Roberto Rocha, retira sua candidatura ao Governo do Maranhão.

Primeiro, o PSD, partido de Eduardo Braide, tem candidato a presidente. Ronaldo Caiado, cujo vice é o presidente nacional da legenda, Gilberto Kassab. É verdade que Eduardo Braide não associa a sua candidatura à de Ronaldo Caiado, mas também não disse uma palavra sugerindo que não o reconhece como candidato do seu partido.

Ao fazer essa proposta, Roberto Rocha não está levando em conta uma série de fatores, entre eles o fato de Eduardo Braide tem uma vantagem de dezenas de pontos percentuais de vantagem sobre ele na corrida aos Leões, e que, pelo menos até onde é possível enxergar, o apoio a Flávio Bolsonaro pouco ou nada representa para ele nessa corrida. Isso porque, se o candidato do PL tivesse alguma importância na disputa leonina, ele próprio, Roberto Rocha, não estaria amargando um percentual tão modesto de intenções de voto.

A impressão que dá é que Roberto Rocha já começa a perceber que sua candidatura pode não decolar, e procura uma saída politicamente amena para encarar o desfecho.

São Luís, 22 de Agosto de 2026.

Pesquisa IPSensus mostra Orleans liderando para os Leões e Roseana e Fufuca para o Senado

A ordem da pesquisa IPSensus: Orleans Brandão,
Eduardo Braide, Roberto Rocha, Felipe Camarão,
André Luís, Saulo Arcangeli,
Reginaldo Lima e Dimas Cassimiro

No olho de um furacão que vem há dias estremecendo as bases da política maranhense, o candidato do MDB ao Governo do Estado, Orleans Brandão, e a candidata emedebista ao Senado Roseana Sarney, tiveram ontem bons motivo para comemorar: os números da pesquisa do instituto paulista IPSensus, que apontou os dois na liderança.

Para o Governo do Estado, o levantamento aponta Orleans Brandão na liderança com 41,01% das intenções de voto, contra 37,83% de Eduardo Braide, candidato do PSD. O resultado confirma a forte polarização que, pelo menos até aqui não tem deixado espaço para os demais candidatos.

Nesse cenário sequência aparecem o candidato do PRTB, Roberto Rocha, com 4,86%, e Felipe Camarão, do PT, com 4,19%, rigorosamente empatados, com uma pequena vantagem numérica para o ex-senador. Atrás deles, aparentemente sem qualquer chance de reação, estão André Luís, do Missão, com 1,42%, Saulo Arcangeli, do PSTU, com 0,74%, Reginaldo Lima, do PCB, com 0,41%, e Dimas Cassimiro, do PCO, com 0,07%.

Um time de 3,92% dos entrevistados disse que não votará nenhum dos candidatos ou anulará o voto. Outros 5,54% não souberam ou não quiseram responder.

Orleans Brandão tem intensificado sua campanha em São Luís, onde cumpre agenda quase diária, o que pode explicar o seu desempenho. Já Eduardo Braide tem mergulhado no interior, incursionando em dezenas de municípios a cada semana, numa ação por meio da qual capilariza sua candidatura nas mais diferentes regiões.

O embate quase rigoroso entre Roberto Rocha e Felipe Camarão, que aparecem separados por menos de um ponto percentual, indica que essa briga será intensificada ao longo da campanha. Os demais candidatos, incluindo a “novidade” André Luís, tendem a permanecer estacionados.

Senado

Senado: Roseana Sarney e André Fufuca lideram,
seguidos de Lahesio Bonfim, Weverton Rocha,
Eliziane Gama, Hilton Gonçalo, Simplício
Araújo, Cidônio Gonçalves, Raimundo
Corrêa, Wilson Leite e Enilton Rodrigues

Pelos números da pesquisa IPSensus, a disputa pelas duas cadeiras no Senado tem a deputada federal Roseana Sarney (MDB) na liderança com 24,82% das intenções de voto. Já para a segunda vaga medem força o deputado federal André Fufuca (PP) com 19,17%, e seu colega de chapa, Lahesio Bonfim (Novo) com 19,10. O senador Weverton Rocha (PDT) tem 16,24%, enquanto a senadora Eliziane Gama (PT) ocupa a quinta colocação com 11,76% das intenções de voto.

Esse painel indica uma acirrada disputa pelas duas vagas, já que a vantagem da ex-governadora não é tão elástica. André Fufuca e Lahesio Bonfim têm mostrado fôlego e potencial de crescimento, o que coloca em risco a posição. E nesse contexto, chama a atenção as posições dos senadores Weverton Rocha, que aparece na quarta posição, e Eliziane Gama, que a pesquisa aponta da quinta colocação, à medida que ambos buscam a reeleição.

O ex-prefeito de Santa Rita, Hilton Gonçalo (Mobiliza) lidera o grupo dos menos votados, aparecendo com 3,38%, seguido de Simplício Araújo (DC) com 1,43%, Cidônio Gonçalves (PL), com 1,30%, Raimundo Corrêa (PCB) com 1,04%, Wilson Leite (PSTU), com 0,91%; e Enilton Rodrigues (PSOL) com 0,84%.

Vale informar que o resultado encontrado pela pesquisa IPSensus considera a soma das intenções de primeiro e segundo votos, já que cada eleitor poderá escolher dois candidatos ao Senado nas eleições deste ano.

Em Tempo: Contratada pela Farol Pesquisa e Comunicação Ltda., a pesquisa IPSensus ouviu 1.480 eleitores entre os dias 15 e 20 de agosto, tem margem de erro de 2,55 pontos percentuais, para mais ou para menos, nível de confiança de 95% e está registrada na Justiça Eleitoral sob o protocolo nº MA-09971/2026.

PONTO & CONTRAPONTO

Braide acusa Brandão de usar a força do Governo contra sua gestão na Prefeitura de São Luís

Eduardo Braide: críticas a
Carlos Brandão em sabatina

No embalo dos fortes ecos da tensa e agitada primeira semana da campanha eleitoral, Eduardo Braide, candidato do PSD ao Palácio dos Leões, decidiu entrar firme no debate político, fazendo duras críticas ao governador Carlos Brandão (MDB), a quem acusou de usar a força do Governo para colocar a maioria dos vereadores de São Luís contra a sua gestão na Prefeitura de São Luís. Suas declarações foram feitas ontem em sabatina na Band, em São Luís.

“O governador reuniu, na mesa do palácio, 27 dos 31 vereadores, e disse que aqueles 27 vereadores eram aliados dele”, declarou. E ao longo da sabatina, afirmou que essa influência foi usada contra a sua gestão, com a criação de obstáculos para votações de interesse da Prefeitura, como o Orçamento.

E nesse contexto, fez duras críticas a vereadores alinhados ao Palácio dos Leões, dando um aviso contundente, para o caso de ser eleito governador: “Todo e qualquer político que quiser conversar para o bem do Maranhão, será bem-vindo. Mas a gente não pode negar: tem político que chega para conversar com você, está pensando só nos interesses pessoais deles. Esses, podem ter certeza, fiquem para lá, que a gente não tem nenhuma intenção de fazer parceria”.

E foi além: “O povo do Maranhão já percebeu que o que está sendo colocado aí é um grupo político que quer se manter no poder, e quer se manter através da família, colocando o seu sobrinho para ser candidato. E eu tenho certeza de que a respostas virá no dia 4 de outubro”.

E nessa linha, criticou grande parte dos vereadores de São Luís por conta do alinhamento ao Palácio dos Leões. E indagou: “Quantas vezes a Câmara Municipal de São Luís prejudicou a população. Deixou de aprovar o Orçamento”. E provocou: “Com a palavra os vereadores de São Luís”.

 Eduardo Braide rebateu críticas à escolha da empresária Elaine Cordeiro (PSD), de Imperatriz, como sua vice: “Ela foi escolhida vice por ser exatamente quem ela é. Primeiro, ela não é política, e eu queria uma vice que não fosse política, assim como a vice-prefeita que eu convidei não era política e que hoje é prefeita (Esmênia Miranda) e tem feito um trabalho brilhante na cidade de São Luís. Em relação à Elaine, eu tinha dentro de mim que, se eu fosse um dia candidato a governador, o meu vice tinha de sair da região Tocantina, e a gente está falando de Imperatriz. Então, em primeiro lugar, é uma mulher, é uma empreendedora, uma mulher que sabe a dificuldade que está passando todo dia, tentando manter o seu negócio, pagando o maior imposto do Brasil”.

E fez dois avisos: se eleito, o seu primeiro ato será baixar o ICMS no Maranhão, e o segundo será decretar a transferência da Vice-Governadoria para Imperatriz: “Diferente de outros Governos, onde o vice teve que vir morar em São Luís, é a Vice-Governadoria que vai para Imperatriz. Então, oficialmente, a Vice-Governadoria será instalada em Imperatriz, para que a Elaine possa estar me ajudando a passar tudo aquilo que está acontecendo na região Tocantina, região em que eu sempre estarei presente como governador”.  

A metralhadora verbal do candidato do PSD alcançou o ex-prefeito Edivaldo Holanda Jr., seu antecessor na Prefeitura de São Luís e atual candidato a vice de Orleans Brandão. “Além de não ter pedido nenhum empréstimo, eu tive que pagar mais de 500 milhões de reais dos prefeitos anteriores, especialmente do Edivaldo Holanda, que antes de deixar a Prefeitura de São Luís, contraiu dois empréstimos, de mais de 350 milhões de reais, que levarão vinte anos para serem pagos”.

Brandão diz que é o governador “mais perseguido da história do Maranhão”

Carlos Brandão em S. João do Paraíso:
“Perseguições são vitamina”

“Sou o governador mais perseguido da história do Maranhão”. A declaração, em tom de desabafo e, ao mesmo tempo, de desafio, foi feita pelo governador Carlos Brandão (MDB), ontem, num palanque em São João do Paraíso, numa clara manifestação relacionada com o Caso Tech Office, que resultou no afastamento do presidente do TCE, Daniel Brandão, produzindo também uma forte boataria, segundo a qual ele também poderá ser afastado.  

Em tom duro, mas sem dar nomes nem se referir especificamente a algum fato, o governador declarou: “Esse povo não quer deixar a gente trabalhar. Esse povo quer tirar o Brandão da cadeira. Mas quem colocou o Brandão na cadeira foi o povo. Então, o Brandão tem de terminar o mandato dele”.

E usou um tom mais ameno para concluir esse trecho da sua fala: “Estou muito tranquilo. Essas perseguições me dão energia, são vitamina para ao trabalhar mais ainda”.

Acusado de comandar uma suposta “organização criminosa” no contexto das investigações do Caso Tech Office, o governador deflagrou uma guerra judicial com três objetivos: tirar o ministro Flávio Dino da relatoria do caso, devolver o processo para o Superior Tribunal de Justiça e retornar o conselheiro Daniel Brandão ao comando do TCE.

Protocoladas no Supremo Tribunal Federal na terça-feira, as ações do governador foram parar nas mãos do ministro Dias Toffoli, que foi sorteado relator.

São Luís, 21 de Agosto de 2026.

Matador do Caso Tech Office incendeia a cena política com vídeo bombástico

Orleans Brandão reagiu com firmeza e serenidade;
Iracema Vale externou forte indignação

O terremoto que está estremecendo as bases da política maranhense, causado pelos impactantes desdobramentos do Caso Tech Office, e ameaçando desestabilizar o cenário da corrida às urnas, avança para tornar perigosamente tensa a campanha eleitoral, que já está nas ruas, nas salas de estar, nas escolas, nos escritórios, nos gabinetes, nas mesas de bar e nas redes sociais. Ontem, enquanto o Supremo Tribunal Federal sorteava o ministro Dias Toffoli para relatar as ações por meio das quais o governador Carlos Brandão (MDB) tenta suspender a tramitação do processo, tirar o ministro Flávio Dino da relatoria e devolver o pacote ao Superior Tribunal de Justiça, Gilbson Cutrim Jr., matador de João Bosco Sobrinho, disparou nas redes sociais um vídeo em que ataca duramente o governador Carlos Brandão, seus irmãos e o sobrinho Orleans Brandão, candidato do MDB ao Governo do Estado, e o presidente afastado do TCE, Daniel Brandão, além de auxiliares, como o ex-secretário Raimundo Cutrim. No vídeo, Gilbson Cutrim Jr. faz acusações graves à presidente da Assembleia Legislativa, Iracema Vale (MDB), e ao procurador geral da Justiça, Danilo Castro, ampliando o raio de alcance das suas ácidas declarações.

Esse ambiente de tensão levou o comedido candidato do MDB a governador, Orleans Brandão, a deixar de lado o discurso de campanha e entrar no confronto e rebater os ataques de Gilbson Cutrim Jr.. Ele declarou apoio ao seus familiares, a começar pelo governador Carlos Brandão (MDB), anunciando que escolheu “lutar”. O emedebista classificou de “inverdades” as acusações que pesam contra seus familiares no Caso Tech Office, afirmando também que sua família é honrada. Segundo ele, em 35 anos de vida pública, a família Brandão não teve “qualquer caso de corrupção ou qualquer problema com a Justiça”. Assinalou que a tensa situação se deve ao fato de o governador Carlos Brandão haver decidido permanecer no Governo e lançar a sua candidatura à sucessão dele. “O governador Brandão tinha uma eleição quase certa para o Senado Federal, mas escolheu ficar na cadeira”, para acrescentar: “Isso está acontecendo porque nós não cedemos, nós escolhemos lutar, eu escolhi lutar”.

Acusada por Gilbson Cutrim Jr. de envolvimento em desvios de recursos e na trama que resultou no assassinato do agiota Pacovan, a presidente da Assembleia Legislativa, Iracema Vale, reagiu, em vídeo, com indignação, questionou a credibilidade de “um assassino confesso” e disse que tem uma vida limpa e honrada. Afirmou que a denúncia a enoja, e fez uma série de questionamentos: “O que está acontecendo, porque é muito grave: um assassino, que cumpre pena, chega às redes sociais e, de repente, tenta atingir, de forma leviana, as principais autoridades do estado. Então eu pergunto, e essa é a pergunta que todo maranhense deveria fazer: A quem interessa essa denúncia? A quem interessa que a palavra de um bandido ganhe visibilidade? A quem interessa destruir reputações por meio de mentiras de um assassino? A quem interessa que o Maranhão se transforme em um palco de um espetáculo em que acusações absurdas valham mais do que a verdade? E porque que isso acontece justamente no período eleitoral? Por que agora? Por que a palavra de um criminoso passa a valer tanto quanto pode servir de arma política em época de eleição?”

O fato é que, se já estava sofrendo desvios com os desdobramentos do Caso Tech Office, a corrida eleitoral no Maranhão pareceu encontrar-se sob o grave risco de ser contaminada irreversivelmente, pois o debate sobre os problemas do Maranhão foi substituído por um intenso bate-rebate sobre um crime supostamente motivado por corrupção. E nesse cenário, o governador do Estado, a presidente da Assembleia Legislativa e o procurador geral da Justiça se veem obrigados a deixar suas obrigações para responder os ataques de um sujeito que nada tem a perder, mas que na sua fala pareceu disposto a ir mais além.

PONTO & CONTRAPONTO

Candidatos recorrem à cautela diante dos desdobramentos do Caso Tech Office

Eduardo Braide não tomou conhecimento;
Felipe Camarão comentou de passagem e
Roberto Rocha atacou Flávio Dino

De um modo geral, os candidatos a governador pareceram dispostos a usar a cautela em relação aos desdobramentos do Caso Tech Office. A reação de Orleans Brandão (MDB) foi natural à medida que os petardos têm como alvos o governador Carlos Brandão, o seu patrono político, e o seu pai, Marcus Brandão, visto como o cérebro da sua candidatura e da sua campanha. Ainda assim, ele preferiu conciliar firmeza e moderação na sua reação.

O candidato do PT, Felipe Camarão, fez alguns comentários sem maiores consequências sobre o caso. E pelo que ficou claro, preferiu não se manifestar em relação às novas declarações de Gilbson Cutrim Jr. no vídeo que agitou o meio político nesta quarta-feira.

O candidato do PSD, Eduardo Braide, manteve sua estratégia de não se envolver em polêmicas e passou a impressão de que não tomou conhecimento das explosivas declarações do assassino do empresário João Bosco Sobrinho. Eduardo Braide deu prosseguimento à sua campanha como se nada estivesse acontecendo.

A manifestação mais contundente e agressiva partiu do candidato do PRTB, Roberto Rocha, que aproveita o Caso Tech Office externar o seu ódio quase visceral pelo ministro Flávio Dino, a quem dedicou adjetivos ásperos em vídeo que divulgou nas redes sociais. E não poupou o governador Carlos Brandão e seu grupo. Sinalizou que esse assunto está na sua pauta de campanha.

Dividido em três correntes, PL do Maranhão continua sob forte influência de Josimar de Maranhãozinho

Josimar de Maranhãozinho e Fabiana Vilar:
controle sobre a fatia maior do PL

O braço maranhense do PL está irremediavelmente dividido, e não resta dúvida de que o deputado federal Josimar de Maranhãozinho continua firme no comando da fatia maior do partido no estado.

O grupo liderado por Josimar de Maranhãozinho não manifesta qualquer simpatia pela candidatura do senador Flávio Bolsonaro à presidência da República, e não deu a mínima para nenhum candidato ao Governo do Estado. O PL é comandar o oficialmente pela deputada estadual Fabiana Vilar, forte candidata a deputada federal.

Por sua vez, a corrente tocantina do PL, assumidamente bolsonarista, comandada pela suplente de deputada federal Mariana Carvalho, tentou se apresentar como chefe do partido no Maranhão ao firmar uma aliança informal com o candidato do PRTB ao Governo, Roberto Rocha, dando-lhe de presente um candidato a senador, Cidônio Gonçalves, que não tem o aval do grupo de Josimar de Maranhãozinho.

Em São Luís, a vereadora Flávia Berthier tenta se viabilizar como a voz dos Bolsonaro, mas fala sozinha, à medida que a banda maior do PL na Capital tem o comando do vereador Aldir Júnior, que é homem de confiança de Josimar de Maranhãozinho.

Em resumo, o PL maranhense tem três grupos, só que o liderado por Josimar de Maranhãozinho dá as cartas, enquanto Mariana Carvalho tenta sobreviver no Tocantins e Flávia Berthier não consegue sair do lugar.

São Luís, 20 de Agosto de 2026.

Caso Tech Office: Brandão sai da defesa retórica e vai para o confronto no campo judicial

Carlos Brandão saiu do plano
verbal para brigar no judicial

Em meio a forte repercussão do Caso Tech Office no Maranhão e em todo o país, ocupando amplo espaço nos principais telejornais e inundando as redes sociais de toda sorte de versão, o governador Carlos Brandão (MDB), que foi colocado no olho do furacão, decidiu migrar da defesa verbal para o campo judicial. Ontem, seus advogados, os respeitados Nabor Bulhões e José Carlos Porciúnculo, bateram às portas do Supremo Tribunal Federal (STF) e protocolaram recursos objetivando alcançar dois objetivos: suspender as investigações pela Polícia Federal e submeter o inquérito ao crivo Procuradoria Geral da República, e devolver o pacote ao Superior Tribunal de Justiça, sob a alegação de que só aquele tribunal pode investigar e julgar governador de Estado e conselheiro do Tribunal de Contas do Estado.

Com esse movimento, o governador não apenas contesta a suspeita de que ele chefie uma suposta organização criminosa, como também espera criar as condições para reverter o afastamento de Daniel Brandão das suas funções de conselheiro e presidente do Tribunal de Contas do Estado (TCE). Outro alvo da investigação, o ex-secretário de Segurança Pública e de Assuntos Legislativos, Raimundo Cutrim, que está em prisão domiciliar, sob suspeita de tentar embaraçar as investigações do Caso Tech Office subornando familiares de Gilbson Cutrim Jr., requereu o impedimento do ministro Flávio Dino.

A contestação feita pelo governador Carlos Brandão acontece num momento em que a suspensão, pelo ministro Flávio Dino, do sigilo de três decisões sobre o caso, traz à tona documentos de conteúdo explosivo, como, por exemplo, o depoimento de Gilbson Cutrim Jr., no qual ele afirma que o governador, familiares e auxiliares seus teriam recebido dinheiro de corrupção, entregue por ele próprio. O governador Carlos Brandão, que vinha reagindo com declarações fortes repudiando as acusações e questionando a condução dos inquéritos pelo ministro Flávio Dino, sob a alegação de que ambos são adversários políticos, o que caracterizaria perseguição política.

Desde antes da suspensão do sigilo, na sexta-feira (14/08), o governador Carlos Brandão já vinha se posicionando sobre o assunto, numa cruzada contra as investigações. Ele tem alegado com insistência que Gilbson Cutrim, o matador, não trem credibilidade, uma vez que já assumiu o ônus do assassinato, e por isso foi condenado a 13 anos de cadeia. Só que o material revelado ontem numa extensa reportagem publicada no G1, portal de notícias do Sistema Globo, assinada pelo jornalista Reynaldo Turollo Jr., tornou pública o que seria o novo depoimento do matador Gilbson Cutrim, que é outra bomba devastadora. É exatamente nesse contexto que o chefe do Executivo maranhense resolveu trocar as contundentes reações verbais por ações judiciais que objetivam inviabilizam o prosseguimento das ações relatadas pelo ministro Flávio Dino, sob o argumento de que ele é “diretamente interessado.”

Desde que essa situação se acirrou, o governador Carlos Brandão vem empreendendo uma cruzada solitária, primeiro contra o que era uma “caixa preta”, e agora contra as versões que emergem da caixa agora aberta, como o que seria o depoimento do matador Gilbson Cutrim. Tais revelações sugerem que o governador se prepare para uma guerra que, segundo observadores, será complexa e com muitos desdobramentos, e que pode ter chegar ao ponto crítico nas próximas semanas, segundo preveem vozes dos dois lados do confronto.

O problema maior é que esse conflito tem poder de fogo suficiente para interferir no jogo eleitoral, especialmente na corrida ao Palácio dos Leões e na disputa pelas duas vagas no Senado. O governador Carlos Brandão trabalha para blindar Orleans Brandão (MDB) dos estilhaços desse embate, muitas vezes puxando para si ônus desse jogo pesado. As próximas semanas sinalizarão o tamanho do impacto desse caso na corrida às urnas.

PONTO & CONTRAPONTO

Weverton abriu campanha em São Mateus mostrando que acusações não vão atingi-lo

Weverton Rocha

O senador Weverton Rocha (PDT) iniciou sua campanha à reeleição na noite de domingo, em São Mateus, onde Orleans Brandão (MDB) deu a largada numa grande manifestação popular comandada pelo prefeito Miltinho Aragão. Da manifestação participou também a deputada federal Roseana Sarney (MDB), que pediu votos para ela e para o colega de chapa Weverton Rocha.

No mesmo dia, jornais e portais de todo o país mostravam o tamanho do abacaxi que o senador tem para descascar durante a campanha por conta da sua suposta tentativa de interferir nas investigações. Antes, o senador já vinha administrado as consequências do seu suposto envolvimento no caso dos descontos criminosos nos contracheques dos aposentados do INSS.

Um político estava em São Mateus e participou da manifestação em torno de Orleans Brandão, disse à Coluna que o senador Weverton Rocha participou ativamente do ato, comportando-se como se nada estivesse acontecendo. Na sua avaliação, o senador saiu-se bem no primeiro teste, mas precisa lutar muito para manter a credibilidade.

Enquanto Brandão atua para se defender, nenhum aliado da base parlamentar entra na briga em apoio

Yglésio Moises

Se depender da sua base na Assembleia Legislativa, o governador Carlos Brandão vai continuar na sua cruzada solitária de defesa no Caso Tache Office. Salvo o deputado Yglésio Moises (PRD), que alimenta há anos uma insistente catilinária contra o ministro Flávio Dino, e nesses ataques ele faz a defesa do chefe do Executivo, nenhum deputado da base governista foi à tribuna defendê-lo.

Na sessão de ontem estava presente um número expressivo de deputados governistas. Alguns ocuparam a tribuna, mas nenhum levantou a bandeira governista e se manifestou em apoio ao governador Carlos Brandão, que enfrenta a acusação de ser chefe de uma suposta organização criminosa.

Da mesma maneira, os deputados federais mais próximos do Palácio dos Leões estão passando ao largo dessa confusão. Empenhados na corrida às urnas, nenhum deles veio a público para se posicionar em relação ao Caso Tech Office.

Único a tocar no assunto, o deputado Yglésio Moises, que se coloca como a voz da direita radical e bolsonarista no parlamento estadual, alimentou ontem sua linha de ataques ao ministro Flávio Dino. Tendo na tribuna duas pilhas de papel encadernado, que apresentou como sendo um “dossiê” contra o ministro, o parlamentar discursou meia hora pronunciando palavras ácidas contra o magistrado, de quem já foi aliado, mas a quem dedica hoje um ódio surpreendente.

São Luís, 19 de Agosto de 2026.

Afastamento de Daniel Brandão do TCE embala o Caso Tech Office e pode impactar a corrida eleitoral

Flávio Dino afastou Daniel Brandão
do TCE por 180 dias

O afastamento, ontem, pelo ministro Flávio Dino, da Suprema Corte, em medida cautelar, do conselheiro e presidente do Tribunal de Contas do Estado (TCE), Daniel Brandão, por 180 dias, representou uma enorme carga explosiva no cenário da política maranhense. Foi o primeiro desdobramento efetivo da medida de sexta-feira (14), por meio da qual o ministro suspendeu o sigilo de três ações do pacote investigado pela Polícia Federal relacionado com o chamado Caso Tech Office, sua primeira consequência, o afastamento, por 180 (seis meses), em definitivo, esse caso na direção de um horizonte imprevisível. E mesmo que vozes “técnicas” tentem separar o joio do trigo, o impacto desses movimentos na campanha eleitoral será enorme, podendo se tornar decisivo. No TCE, por mais forte que tenha sido o mal-estar, prevaleceu a regra segundo a qual “manda quem pode, obedece quem tem juízo”, a medida do ministro Flávio Dino foi cumprida à risca: Daniel Brandão foi formalmente afastado e, ato contínuo, deu-se a posse do conselheiro Marcelo Tavares como presidente temporário.

O episódio de ontem aconteceu sob os ecos de reações indignada do governador Carlos Brandão (MDB) à sua inclusão no inquérito da Polícia Federal como suposto chefe de uma igualmente suposta organização criminosa, e do próprio Daniel Brandão negando, igualmente indignado, qualquer envolvimento com o Caso Tech Office, quando ele não era, ainda, conselheiro do TCE, mas com o bom senso de se curvar à medida, que, segundo o próprio ministro, é cautelar e não representa, nem de longe, uma condenação. Ainda na sexta-feira, provocado a respeito da quebra de sigilo das investigações, Orleans Brandão (MDB), candidato ao Governo do Estado, respondeu, cauteloso, que já esperava algo assim, acrescentando que “a gente já sabia que alguma coisa ia acontecer”. Ontem, o governador Carlos Brandão, através de porta-vozes, reafirmou que vai mostrar que a acusação não faz sentido e que a verdade vai prevalecer – ver na sessão Ponto & Contraponto.

O que impressiona é a dimensão e o alcance que o caso ganhou, ocupando amplos espaços na mídia nacional e com registro em jornais e portais estrangeiros. Parte das grandes reportagens acertou no básico, mas errou feio em alguns aspectos da maior importância. A maioria das matérias e comentaristas, provavelmente por pura desinformação, tratou o caso como se Daniel Brandão já fosse conselheiro do TCE na época em que Gilbson Cutrim Jr. tirou a vida de João Bosco Sobrinho, quando na verdade ele era apenas um advogado militante, e isso faz muita diferença. Outro erro frequente é a afirmação de que Raimundo Cutrim era apenas um ex-policial aposentado, quando na verdade era secretário de Assuntos Legislativos quando conversou com o pai do assassino, seu parente distante, que também faz muita diferença, pois a sua condição de membro do governo colocou o governador Carlos Brandão em situação desconfortável desnecessária.

Há muitas vozes reconhecendo a gravidade do caso, mas minimizando o seu impacto na política e na corrida eleitoral, o que parece uma visão equivocada. Mas há também as que avaliam – e não são poucas – o que está acontecendo como uma titânica medição de força entre o governador Carlos Brandão e o ministro Flávio Dino por conta das eleições. O problema é que não há como minimizar o caso depois do que aconteceu de sexta-feira para cá. E também não é possível reduzir a situação a um simples imbróglio político, causado por diferenças entre o governador e o ministro. Afinal, o argumento central desse roteiro é um assassinato cujos desdobramentos precisam ser esclarecidos.

O tema dificilmente escapará aos confrontos verbais a serem travados entre os candidatos a governador e a senador. E o maior risco é que ataques e defesas não abalizados ganhem o status de versões que levam a conclusões injustas em relação a A, B ou C…

PONTO & CONTRAPONTO

Defesa de Brandão questiona legitimidade do Supremo na condução do Caso Tech Office

Carloe Brandão: defesa

Em meio à repercussão da medida cautelar por meio da qual o ministro Flávio Dino afastou o conselheiro e presidente do TCE Daniel Brandão no Caso Tech Office, o governador Carlos Brandão reagiu forte. Em vez de ele próprio se manifestar, acionou em sua defesa nada menos que a banca Bulhões & Advogados Associados, comandada por dois advogados célebres: Nabor Bulhões, que ganhou prestígio nacional ao fazer as defesas do então presidente Fernando Collor, Marcelo Odebrecht, entre outras personalidades nacionais e internacionais, e José Carlos Nobre Porciúnculo, considerado um dos grandes juristas da atualidade, com atuações destacada nos tribunais superiores do País.

Os dois respeitados advogados assinam a nota na qual afirmam que o governador Carlos Brandão soube do afastamento do conselheiro Daniel Brandão pela imprensa e questionam as investigações que apontam o mandatário maranhense envolvido com suposta organização criminosa, afirmam que as suspeitas são inconsistentes e avisam que vão adotar medidas judiciais contra o inquérito.

Na nota, os advogados questionam a legalidade da investigação do governador Carlos Brandão na Suprema Corte, quando o foro legítimo para se investigar e julgar chefes de governos estaduais por crimes comuns é o Superior Tribunal de Justiça (STJ). Na interpretação deles, o Supremo, no caso, estaria usurpando uma prerrogativa exclusiva do STJ.

A íntegra da nota dos advogados Nabor Bulhões e José Carlos Porciúnculo, em nome do governador Carlos Brandão, é a seguinte:

Maranhão tem 572 candidatos às eleições desse ano

Urna eletrônica selará destino dos candidatos

O Maranhão tem 572 candidatos devidamente registrados às eleições deste ano. São oito candidatos a governador, 11 postulantes às duas cadeiras de senador, 271 candidatos a deputado federal e 282 candidatos a deputado estadual. Desse total, 63% são homens e 37% são mulheres. Mais de dois terços têm formação superior, e os demais são alfabetizados, não havendo registro de analfabetos com candidaturas registradas.

Impressiona a proximidade do número de candidatos a deputado federal do de candidatos a deputado estadual: uma diferença de apenas 11 candidaturas.

A curiosidade vem do fato de que os 271 candidatos a deputados federais disputam 18 cadeiras, o que equivale a uma média de 15 candidatos por vaga, enquanto que os 282 aspirantes à Assembleia Legislativa disputam 42 cadeiras, o que representa uma média de seis candidatos por vaga.

A explicação para esse cenário aparentemente distorcido é que os candidatos a deputado federal contam com os milhões do Fundo Eleitoral, administrados pelos partidos, cujo foco principal, que desprezam candidatos a deputado estadual pouco ou nada representam para as agremiações partidárias.

São Luís,18 de Agosto de 2026.

Campanha eleitoral começa com disputa forte pelos Leões e para as vagas no Senado

Os Leões aguardam o desfecho da campanha
que começa hoje com a participação de Eduardo
Braide, Orleans Brandão, Felipe Camarão,
Roberto Rocha, André Luís, Saulo Arcangeli,
Reginaldo Lima e Dimas Cassimiro

Em meio a um clima de forte tensão na seara política, oito candidatos a governador do Maranhão, 11 candidatos às duas vagas no Senado, dezenas de aspirantes à Câmara Federal e centenas de postulantes à Assembleia Legislativa iniciam hoje a campanha às eleições de outubro no estado. A luta mais visível e que causa maior interesse se dará entre os candidatos a governador: Eduardo Braide (PSD), Orleans Brandão (MDB), Felipe Camarão (PT), Roberto Rocha (PRTB), André Luís (Missão), Saulo Arcangeli (PSTU), Reginaldo Lima (PCB) e Dimas Cassimiro (PCO). É grande a expectativa em relação à disputa para as duas vagas de senador. Até aqui, a disputa pelo Palácio dos Leões está polarizada entre Eduardo Braide e Orleans Brandão, sendo que oito a cada dez pesquisas já publicadas apontaram o ex-prefeito de São Luís como favorito. Todos têm vinculação, de maior ou menor grau, com candidatos ao Palácio do Planalto, a começar pelo presidente Lula da Silva (PT).

Aos 50 anos, e com um currículo que inclui a presidência da Caema, dois mandatos de deputado estadual, meio mandato de deputado federal e cinco anos e meio no comando da Prefeitura de São Luís, o advogado Eduardo Braide representa a elite de uma geração já talhada para o exercício do poder estadual. E com o diferencial de ter realizado uma gestão muito além das expectativas na Prefeitura de São Luís, dando nova feição à cidade. Independente, ainda que partidariamente ligado ao candidato presidencial Ronaldo Caiado (PSD), Eduardo Braide inicia sua campanha com grande força política e eleitoral e com cacife para brigar pelo Governo do Maranhão. Sua vice é empresária tocantina Elaine Carneiro (PSD).

Orleans Brandão (MDB), administrador de empresas de 31 anos, é empresário e chegou à vida pública pelas mãos do tio, o governador Carlos Brandão (MDB), que o nomeou secretário de Assuntos Municipalistas, tornou-o, em pouco tempo, o mais atuante e influente integrante da equipe de secretários, consolidando-se, como o elo entre o Palácio dos Leões e os prefeitos do Maranhão. Sua atuação ajudou a dar forma à feição municipalista do Governo Brandão. Seu projeto inicial era ser deputado federal, mas o rompimento com o vice-governador Felipe Camarão (PT) levou o governador Carlos Brandão escolhê-lo candidato à sua sucessão. Tem agora o desafio de mostrar que é maior do que o vínculo familiar. Tem como vice Edivaldo Holanda Jr. e apoia a reeleição do presidente Lula da Silva.

Advogado, procurador federal e professor universitário de 44 anos, tendo como lastro passagens exitosas pelo Procon e Secretaria de Educação, e preparado durante anos para ser candidato natural à sucessão do governador Carlos Brandão, o vice-governador Felipe Camarão (PT) chega à disputa como o mais ferrenho adversário do Governo. Apoiado declaradamente pelo presidente Lula da Silva e pelo comando nacional do PT, ele só consolidou sua candidatura após um longo período de indefinição. Inicia sua campanha apostando alto no seu currículo e no apoio do presidente Lula da Silva, de quem se declara aliado incondicional. Seu vice é o vereador petista de Caxias Ricardo Rodrigues.

Administrador e empresário de 61 anos, Roberto Rocha tem no currículo um mandato de deputado estadual, três de deputado federal, meio de vice-prefeito de São Luís e um de senador da República. Será a sua terceira tentativa de ser governador. Com desempenho muito modesto nas duas primeiras. Dono de bordões como “o Maranhão tem a pior classe política do Brasil”, Roberto Rocha abre a sua campanha apresentando-se como o político de visão desenvolvimentista, e o de militante ideológico da direita radical, representada pelo que hoje se conhece como bolsonarismo. Tanto que apoia a candidatura presidencial de Flávio Bolsonaro (PL). Seu vice é Pastor Josias (PL).

Empresário, André Luís (Missão) é um outsider, surgido sem aviso prévio, dentro de um movimento de direita radical liderado por Renan Santos, fundador do Missão e candidato a presidente da República. Com discurso liberal extremado, usa frases de efeito como promessas de campanha, e defende o plano maior do seu líder relacionado com a segurança pública: o “prendeu, matou”. Tem como vice Professor Cadu (Missão)

Professor e servidor público federal de 54 anos, e veterano em disputas eleitorais, Saulo Arcangeli (PSTU) entra na corrida como o exemplo acabado da coerência como militante da esquerda radical. Suas teses não mudam: derrubada do capitalismo, instalação de um Governo de trabalhadores, reforma agrária radical, suspensão do pagamento da dívida pública, entre outros sonhos. Escolheu para vice a militante social Preta Lu. Apoia a candidatura presidencial do maranhense e igualmente radical Hertz Dias (PSTU).

Radialista de 43 anos, com atividade e militância em Imperatriz, Reginaldo Lima chegou à condição de candidato a governador como secretário geral do PCB no Maranhão. Sua candidatura ganhou sentido com o lançamento do candidato do PCB a presidente das República, o economista maranhense Edmilson Costa. Defende as teses revolucionárias da esquerda radical e melhorias nas condições de vida dos trabalhadores, Seu vice é Bartolomeu Moreira. Pouco se sabe a respeito de Dimas Cassimiro, candidato a governador pelo PCO, um dos mais radicais partidos da esquerda extrema. Sua vice é Charliet Viana (PCO).

Eles têm 45 dias para convencer o eleitorado de que podem melhorar o Maranhão.

PONTO & CONTRAPONTO

Onze candidatos entram numa campanha difícil e muito disputada para as duas vagas no Senado

Cadeiras no Senado são disputadas por Roseana
Sarney, Weverton Rocha, Lahesio Bonfim,
André Fufuca, Eliziane Gama, Hilton Gonçalo,
Enilton Rodrigues, Cidônio Gonçalves, Simplício
Araújo, Raimundo Corrêa e Wilson Leite

Os 11 candidatos às duas vagas no Senado iniciam hoje a corrida que ao final valerá os dois mandatos. Será uma disputa dura e complexa dadas as relações que envolvem os candidatos com mais chances de se darem bem nas urnas. A tradição política maranhense reza que os candidatos a senador dependem muito da força dos seus candidatos a governador, embora haja exceções.

Estão no páreo a senadora Eliziane Gama (PT), que busca a reeleição e, junto com Enilton Rodrigues (PSOL), integra a chapa liderada por Felipe Camarão (PT). O deputado federal e ex-ministro do Esporte André Fufuca (PP) e o ex-prefeito de São Pedro dos Crentes Lahesio Bonfim (Novo) formam chapa com o Eduardo Braide (PSD).

O senador Weverton Rocha (PDT), que pleiteia a renovação do mandato, e a deputada federal Roseana Sarney (MDB), formam dupla em torno da candidatura de Orleans Brandão (MDB), que tem ainda como “aliado” o ex-prefeito de Santa Rita Hilton Gonçalo (Mobiliza), numa situação atípica.

Quebrando a regra, uma banda do PL, que dás sustentação à candidatura de Roberto Rocha (PRTB) a governador, lançou apenas um candidato a senador, Cidônio Gonçalves. Da mesma maneira, PCB, que tem Reginaldo Lima como candidato a governador, lançou Raimundo Corrêa como aspirante ao Senado, caso ainda do PSTU, que lançou o professor Wilson Leite para o Senado na chapa liderada por Saulo Arcangeli.

Como é fácil de perceber, como não há nenhum candidato a senador fora da curva, a tendência clara, indicada pelas pesquisas, que a disputa estás entre os candidatos das chapas de Eduardo Braide, Orleans Brandão e Felipe Camarão. Pelo menos até aqui não há como vislumbrar o contrário.

Brandão rebate acusação e diz que não aceita que joguem sua história na lama

Carlos Brandão: reação dura

O governador Carlos Brandão (MDB) não ficou satisfeito com a reação que ele próprio protagonizou, sexta-feira, ao tomar conhecimento da decisão do ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal, de suspender o sigilo de parte do processo sobre o Caso Tech Office, no qual a Polícia Federal o aponta como chefe de uma suposta organização criminosa. Ontem, ele dedicou parte do seu dia externando a sua indignação em declarações em emissoras de rádio e em telejornais, resumindo sua posição num vídeo publicado nas redes sociais. Em tom equilibrado, mas contundente, o governador declarou o seguinte:

“Bem, pessoal.

Recebo com indignação a acusação de que eu seria chefe de uma organização criminosa. Isso é inadmissível.

São mais de 35 anos de vida pública exercendo os mais diversos cargos. Nesse tempo todo, nunca respondi a nenhum processo.

Foi só depois do distanciamento de dois grupos políticos no Maranhão que passei a ser alvo de acusações e ações judiciais.

Tudo o que construí na vida, a minha trajetória, a minha família, o meu patrimônio, foi construído com muito trabalho. Não aceito que queiram jogar a minha história na lama.

Destaco que a minha defesa continua não tendo acesso à integralidade dos autos do inquérito. Mesmo assim, foram publicizadas três decisões. Destas, me chamou atenção o fato de que a própria Procuradoria Geral da República se manifestou no sentido de que esse caso não deve ser conduzido pelo Supremo Tribunal Federal.

Tenho serenidade de que a verdade vai prevalecer. Inclusive, enquanto governador, eu tenho mais de 70% de aprovação. Por isso, sigo focado, o que sempre fiz ao longo de toda a minha vida pública: trabalhando muito pelo povo do Maranhão”.

Em conversas reservadas, o governador Carlos Brandão disse que seus advogados vão contestar todas as acusações que o atingem no processo. Aos seus interlocutores, garante que nada deve e que isso vai ser mostrado na sua defesa.

São Luís, 16 de Agosto de 2026.

Retirada do sigilo sobre processo do Caso Tech Office eleva gravemente a tensão na política maranhense

Flávio Dino levantou o sigilo,
Carlos Brandão reagiu indignado
e Weverton Rocha criticou a medida

O ambiente político e institucional do Maranhão, que já vinha em ritmo ascendente de complicação, ganhou uma dose de tensão não vista desde a Operação Lunus, em abril de 2002. Já agitado por uma série de acontecimentos, o meio político maranhense foi sacudido ontem pela decisão do ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal, de suspender o sigilo de parte do processo que trata do assassinato do empresário João Bosco Sobrinho, na portaria do Edifício Tech Office, na Ponta da D`Areia, em agosto de 2022. O que veio à tona foi parte expressiva do relatório da investigação da Polícia Federal sobre o caso, com impacto avassalador no cenário político maranhense a dois dias do início da campanha eleitoral.

O que foi trazido a público por uma densa reportagem do Jornal Nacional, da Rede Globo, envolve diretamente o conselheiro Daniel Brandão, atual presidente do Tribunal de Contas do Estado (TCE), o ex-secretário de Assuntos Legislativos, Raimundo Cutrim, e o senador Weverton Rocha (PDT), supostamente envolvidos numa trama de obstrução de Justiça nos desdobramentos do Caso do Tech Office, com problemas em várias direções. De acordo com o que foi informado pelo principal telejornal da Rede Globo, a Polícia Federal definiu o apurado como ação de uma “organização criminosa”, que envolveria o governador Carlos Brandão (MDB), familiares e assessores.

Toda essa confusão ganhou corpo quando, há alguns dias, o ministro Alexandre de Moraes determinou à PF uma operação de busca e apreensão em endereços ligados ao blogueiro Luiz Pablo – acusado de atacar e perseguir o ministro Flávio Dino por uso de veículos do Tribunal de Justiça -, ao ex-secretário Raimundo Cutrim e ao senador Weverton Rocha. A alegação: o ex-secretário Raimundo Cutrim teria tentado fazer com que o assassino do empresário, Gilbson Cutrim Jr. mudasse o seu depoimento, evitando qualquer relação com o então advogado Daniel Brandão. A mesma acusação foi disparada contra o senador Weverton Rocha, que teria tentado convencer o ministro Humberto Martins, do Superior Tribunal de Justiça, a interferir na situação prisional de Gilbson Cutrim Jr., que fora transferido de Pedrinhas para a Papuda, em Brasília, como medida de proteção.

O fato é que uma discussão recente, que assanhou o meio jornalístico, sobre se o Supremo fez certo ou errou ao investigar o ex-secretário Raimundo Cutrim como fonte do blogueiro Luís Pablo, com o risco de macular o sigilo da fonte, um direito constitucional inalienável do Jornalismo brasileiro, com risco de afetar a liberdade de imprensa, abriu caminho para uma sequência de atos e fatos que culminou ontem com a explosiva reportagem do Jornal Nacional. E como não poderia deixar de ser, as informações de parte do relatório da PF trazidas ao conhecimento público funcionaram como a explosão de uma bomba cujo poder de destruição ainda está longe de ser mensurado.

O tomar conhecimento da retirada do sigilo e do teor do que se tornou público, o governador Carlos Brandão, que já vinha manifestando insatisfação em relação ao processo, sob a alegação de que a Suprema Corte não pode processar governador de Estado, foi às redes sociais e reagiu externando indignação. Primeiro ele disse que as informações são falsas e têm o objetivo de tentar envolvê-lo “no roteiro de um assassinato”. O governador foi além, e jogou mais gasolina na fogueira ao afirmar: “Essa perseguição tem origem em 2024, quando rechacei propostas indecorosas”. E sem citar o ministro Flávio Dino, completou: “Não há sigilo nesses perseguidores para inventarem tantos absurdos, mas devia haver impedimento de julgar quem é tratado como adversário. Tenho confiança de que a verdade prevalecerá”.

Também o senador Weverton Rocha, a quem a reportagem do Jornal Nacional dedicou um grande destaque, admitiu que esteve “várias vezes” com o ministro Humberto Martins, do STJ, mas descartou qualquer tentativa de obstruir a Justiça no Caso Tech Office. O senador classificou as informações do relatório da PF como “forçação de barra”.

Pelo que ficou claro ontem com a explosiva reportagem do Jornal Nacional, os desdobramentos desse enorme imbróglio deve acontecer nas próximas semanas, o que incendiará a corrida pelo poder no Maranhão.   

PONTO & CONTRAPONTO

Nova pesquisa Véritas aponta Orleans na frente com Braide em segundo

Véritas afirma que Orleans Brandão lidera
seguido de Eduardo Braide, Felipe
Camarão, Roberto Rocha, André Luís,
Reginaldo Lima e Saulo Arcangeli

A dois dias do início da campanha eleitoral propriamente dita, e em meio a um forte clima de tensão no cenário político do Maranhão, uma pesquisa do instituto Véritas – não confundir com Veritá – jogou mais tempero no caldeirão eleitoral. Os números do Véritas informam que, se a eleição fosse agora, Orleans Brandão (MDB) sairia das urnas com 47,5% da votação, enquanto Eduardo Braide (PSD) teria 39,7% dos votos e caminhariam para um segundo turno. O embate entre Orleans Brandão, que tem o apoio decisivo do governador Carlos Brandão (MDB), e Eduardo Braide, que tem como lastro a sua gestão de cinco anos e meio da Prefeitura de São Luís, se consolida como o epicentro da disputa pelo Palácio dos Leões.

Os demais candidatos estariam fora do jogo: Felipe Camarão (PT) com 4,3%, Roberto Rocha (PRTB) com 3,3%, e André Luís com 1,6%, este seguido de Reginaldo Lima (PCB) com 0,4% e Saulo Arcangeli (PSTU) com 0,1%. O levantamento encontrou 2,6% de entrevistados indecisos, 0,9% que anulariam o voto ou votariam em branco, e 0,3% que silenciaram. Vale registrar também que a pesquisa não incluiu Dimas Cassimiro (PCO), que só entrou na corrida depois que o levantamento já estava em andamento.

A pesquisa Véritas chama a atenção em alguns aspectos. O primeiro deles é a forte polarização entre Orleans Brandão e Eduardo Braide, cujos percentuais, somados, alcançam nada menos que 86,6% das intenções de voto, deixando de sobra apenas 14,4% para os demais candidatos e para indecisos e nulos e brancos. Trata-se de uma polarização espetacular, fora de todos os padrões, a começar pelo fato de que entre esse registro e a eleição decorrerão nada menos que 46 dias, ou seja, um mês e meio, e uma campanha que promete embates fortes, principalmente entre os quatro principais candidatos, mesmo levando em conta a enorme distância que o levantamento mostra entre os dois primeiros e os demais, em especial o terceiro e o quarto.

Chama também a atenção o fato de que, conforme o levantamento, praticamente não há eleitores indecisos no Maranhão, eles somam apenas 2,6%. E mais do que isso, a pesquisa praticamente não encontrou eleitores indignados, aqueles que batem o pé e dizem que nenhum dos candidatos merecem o seu voto, e que por conta disso manifestam a intenção de votar em branco ou simplesmente anular o voto – eles somam apenas 1,2% dos entrevistados.

Os números da Véritas tornam surpreendente a polarização de agora, principalmente se levado em conta o fato de que entre os demais concorrentes estão o vice-governador, que tem o apoio explícito do presidente da República, e um ex-senador da República, que entrou no páreo tentando representar uma corrente que é movida pela sombra de um ex-presidente da República.

Em Tempo: A pesquisa Véritas ouviu mil eleitores entre os dias 8 e 11 de agosto, tem margem de erro de 2,09 pontos percentuais, para mais ou para menos, nível confiança de 95% e está registrada na Justiça Eleitoral sob o protocolo sob o número MA-01632/2026.

Senado: Roseana lidera e Weverton é segundo

Véritas: Roseana Sarney e Weverton Rocha
lideram a corrida ao Senado seguidos de
Lahesio Bonfim, André Fufuca, Eliziane
Gama, Hilton Gonçalo, Enilton Rodrigues,
Cidônio Gonçalves, Simplício Araújo,
Raimundo Corrêa e Wilson Leite

Se no campo político e judicial o dia de ontem foi de notícias amargas para o senador Weverton Rocha (PDT), com a retirada do sigilo de parte do processo sobre o Caso Tech Office, que corre na Suprema Corte, essa amargura foi em parte compensada pela pesquisa Véritas, divulgada ontem. Na corrida ao Senado, Weverton Rocha é o segundo colocado, com 15,2% das intenções de voto, atrás apenas da deputada federal Roseana Sarney (MDB), que lidera com 21,1% das intenções de voto.

De acordo com a Véritas – não confundir com Veritá -, um segundo bloco de candidatos ´-e formado por Lahesio Bonfim (Novo) com 9,7%, por André Fufuca (PP) com 7,2%, a senadora Eliziane Gama (PT) com 5,3% e Hilton Gonçalo (Mobiliza), com 5,1%.

O terceiro bloco de candidatos é formado por Enilton Rodrigues (PSOL) e Cidônio Gonçalves (PL), ambos com 1,1% cada, seguidos de Simplício Araújo (DC) com 0,9%, Raimundo Corrêa (PCB) com 0,8% e Wilson Leite (PSTU), com 0,7%.

Se na pesquisa para governador praticamente não existe eleitor indeciso, o levantamento para o Senado, mostra que 23,5% ainda não sabem em quem votarão para a Câmara Alta, com 5,7% respondendo que vai anular o voto e 2,7 que simplesmente silenciaram sobre esse assunto.

São Luís, 15 de Agosto de 2026.

Aval de Lula dá a Eliziane suporte político para viabilizar sua corrida à reeleição

Eliziane Gama tem o aval total de Lula da Silva
confirmado em vídeo que será usado na campanha

A dois dias do início da campanha eleitoral, quando todos os candidatos – a governador, senador, deputado federal e deputado estadual – estão ultimando os preparativos e fazendo os ajustes políticos e partidários visando fortalecer os seus cacifes e ampliar os seus espaços no eleitorado, a senadora Eliziane Gama (PT), que busca a reeleição – com méritos, diga-se -, recebe um presentão: um vídeo no qual o presidente Lula da Silva (PT) a apresenta como candidata da sua preferência para uma das vagas na Câmara Alta, apontando-a como “senadora do meu coração”. O chefe da Nação, que também busca a reeleição e, como tal, gravou muitos vídeos de apoio a candidato país afora, mas dificilmente terá apostado tão alto como a aposta que fez na senadora maranhense.

O vídeo é a reafirmação de que o presidente Lula da Silva quer, de fato, quer Eliziane Gama por mais oito anos no Senado, de preferência com ele reeleito. A manifestação reafirma, com clareza, o quanto o presidente acredita na ação política e parlamentar da senadora. Entre os dois há uma densa afinidade política, que se consolidou nos últimos três anos e meio, quando Eliziane Gama foi uma alinhada de primeira linha ao Palácio do Planalto, do qual foi vice-líder no Congresso Nacional. Esse liame político é antigo, e foi fortalecido na campanha de 2022, quando Eliziane Gama teve papel fundamental na articulação que levou segmentos evangélicos não radicais a apoiar a candidatura e viabilizar a vitória do líder petista.

Eleita em 2018 pelo Cidadania, Eliziane Gama manteve total fidelidade ao Governo Lula, mesmo quando migrou da esquerda para oi centro-direita ao se filiar ao PSD, que é comandado no maranhão pelo prefeito Eduardo Braide. Diante da complicada permanência da senadora no PSD, o presidente Lula da Silva a convidou para retornar ao PT, o seu partido de origem. E fez mais: a lançou como a candidata do PT à reeleição, e de quebra orientando o PT nacional e o seu braço local a tratar a reeleição da senadora como uma prioridade. O vídeo reforça o interesse do presidente na reeleição da senadora, a quem espera contar para fortalecer a base governista caso ambos sejam reeleitos.

A mudança de partido e o aval incondicional do presidente Lula da Silva e da cúpula nacional do PT transformaram o projeto de reeleição da senadora Eliziane gama num desafio viável. A começar pelo fato de que nenhum candidato – incluindo Weverton Rocha, que tem o apoio do presidente – recebeu do presidente declarações tão fortes de apoio e confiança num bom pronunciamento das urnas. Mesmo as manifestações de apoio ao candidato do PT a governador, Felipe Camarão, que têm sido contundentes, com o presidente sendo enfático ao mostrar o seu apoio ao vice-governador, mas até aqui não alcançaram o tom do aval presidencial à senadora do PT.

Além do currículo no qual constam dois mandatos de deputada estadual, um de deputada federal e um de senadora da República, todos bem exercidos, e da sua atuação política, como o trabalho que resultou na formação da Bancada Feminina no Senado, e sua atuação como aliada fiel do Palácio do Planalto desde janeiro de 2023, Eliziane Gama leva para a campanha esse apoio importante e que pode ser decisivo. Isso porque não é novidade o fato de que o presidente Lula da Silva é apontado por muitos como “o maior eleitor” do Maranhão, com força política e eleitoral para embalar uma candidatura ao Senado.

No meio político e nos bastidores da campanha a impressão corrente é que, com esse suporte, que nenhum candidato dispõe, a senadora Eliziane Gama tem as condições de viabilizar a sua reeleição.

PONTO & CONTRAPONTO

Entrada de Dimas Cassimiro (PCO) aumenta para oito o número de candidatos ao Palácio dos Leões

Dimas Cassimiro – o último à direita – vai
disputar o Governo com Eduardo Braide,
Orleans Brandão, Felipe Camarão,
Roberto Rocha, André Luís,
Saulo Arcangeli e Reginaldo Lima

Já são oito os candidatos ao Governo do Maranhão. Dimas Cassimiro desembarcou na praia dessa disputa sem aviso prévio, levantando a bandeira do Partido da Causa Operária (PCO) e trazendo na bagagem a estatura de representante da esquerda mais radical em atuação no amplo espectro ideológico brasileiro na atualidade.

Até agora não se manifestou para as massas, informando apenas que vai comandar chapa pura, tendo Charliet Maciel, sua colega de partido.

Dimas Cassimiro entra na briga pelo Palácio dos Leões num momento não muito bom para o seu partido. É que no início da semana, numa investigação da Polícia Federal determinada pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Rui Costa Pimenta, o idealizador e fundador do PCO, se tornou suspeito de desviar dinheiro do Fundo Partidário. Ele reagiu indignado, disse que vai provar que não desviou um centavo.  Tudo bem, mas a denúncia está sendo investigada, causando constrangimento à sua candidatura à presidências da República.

Em relação à disputa, o candidato do PCO aos Leões vai para a campanha pregar o discurso revolucionário do partido, cujo programa prevê a revolução do proletariado, a implantação de um governo de trabalhadores, a extinção do capitalismo no Brasil, uma reforma agrária radical, e a estatização da economia.

Na condição de postulante ao cargo de governador,  Dimas Cassimiro se juntou formalmente aos “parentes” na esquerda dura, como Reginaldo Lima PCB) e Saulo Arcangeli (PSTU), e da Felipe Camarão (PT\), da esquerda moderada; aos adversários do centro, Eduardo Braide (PSD) e Orleans Brandão (MDB), e aos inimigos da direita, André Luís (Missão), da direita liberal, e Roberto Rocha (PRTB), da extrema-direita bolsonarista.

Confronto de vereadora com suplente mostra o esfacelamento do bolsonarismo no Maranhão

Eduardo Braide e Roberto Rocha foram
os pomos da discórdia entre
Flávia Berthier e Eduardo Andrade

O embate da vereadora Flávia Berthier e do suplente de vereador Eduardo Andrade, ambos do mesmo partido, revela o quanto o PL e o bolsonarismo está esfacelado no Maranhão e, pelo visto, sem chance de se organizar em torno de uma liderança e com um discurso afinado. A briga se deu exatamente pelo fatiamento do PL em várias correntes.

No exercício temporário do mandado de vereador de São Luís, cobrindo licença de 120 dias tirada pela vereadora Flávia Berthier, Eduardo Andrade fez um discurso-bomba declarando apoio à candidatura de Eduardo Braide (PSD) ao Governo do Estado.

Partidária da candidatura de Roberto Rocha (PRTB), em quem enxerga um bolsonarista fiel, a vereadora comunicou o seu retorno ao exercício do mandato, faltando ainda dois meses para o fim da licença. Os dois trocarem farpas nas redes sociais, causando um “climão” dentro do partido.

O episódio é revelador da dispersão do bolsonarismo no Maranhão. Começa com o fato de que a maior fatia do PL é comandada pelo deputado Josimar de Maranhãozinho, que não tolera os Bolsonaro, que também não o toleram. E para manter o seu grupo de pé, Josimar de Maranhãozinho decidiu que não apoiará candidato a governador.

Só que uma outra banda do PL, formada por Flávia Berthier e a suplente de deputada federal Mariana Carvalho, de Imperatriz, resolveram apoiar a candidatura do ex-senador Roberto Rocha ao Governo do Estado, tornando mais profundo e mais largo o fosso que separa os dois grupos. Roberto Rocha vem tentando se firmar como a voz do bolsonarismo no Maranhão, mas enfrenta grande dificuldade, porque esses segmentos, pelo menos até aqui, não o veem como tal.

A campanha vai definir os rumos do bolsonarismo no Maranhão.

São Luís, 14 de Agosto de 2026.