Primeiros dias do ano são marcados por forte movimentação política visando a grande disputa de 2022

 

Flávio Dino e Carlos Brandão e Weverton Rocha, seus aliados, se movimentam, enquanto Roberto Rocha e Roseana Sarney silenciam e Assis Ramos se lança candidato a governador, mas não é levado a sério

Ainda faltam mais de 650 dias, mas as eleições de 2022 já estão mexendo intensamente com a classe política do Maranhão. A mudança que o governador Flávio Dino (PCdoB) está fazendo na banda política da sua equipe e os sinais sobre o seu rumo eleitoral, as articulações para a eleição na Famem, as conversas do vice-governador Carlos Brandão (Republicanos), os movimentos do senador Weverton Rocha (PDT), entre outros eventos, evidenciam que por trás de cada iniciativa está um objetivo ligado à próxima corrida às urnas. Chama a atenção que no que diz respeito à sucessão do governador Flávio Dino, até agora os movimentos estejam restritos às lutas travadas dentro do seu campo político – o embate entre o vice-governador Carlos Brandão e o senador Weverton Rocha (PDT) -, não tendo sido registrada até aqui qualquer manifestação de peso no campo oposicionista.

Ao mudar as posições de três dos integrantes do chamado “núcleo duro” do Governo – os deputados federais Márcio Jerry (PCdoB) e Rubens Jr. (PCdoB) e o advogado Rodrigo Lago, atual secretário de Comunicação e Articulação Política -, o governador Flávio Dino sinalizou que dará uma orientação política mais forte ao seu Governo nos próximos tempos. Essa tendência é reforçada com as suas declarações mais recentes sobre o seu próprio futuro, admitindo que poderá disputar a Presidência da República, se for convocado por uma grande frente partidária; o Senado, que é o seu projeto preferido, ou a Câmara Federal, se houver uma decisão do PCdoB nesse sentido. Os gestos do governador estimulam segmentos dentro e fora da aliança partidária que comanda.

Na condição de governador em exercício, Carlos Brandão tem dividido seu tempo entre despachos com secretários e conversas políticas importantes. Uma delas, que teve como interlocutor o presidente da Assembleia Legislativa, deputado Othelino Neto (PCdoB), os dois reafirmaram a boa relação Executivo/Legislativo, e ajustaram a sintonia das suas relações no campo político, desfazendo a impressão de que estariam estremecidos por conta das eleições municipais. Ontem, ele recebeu a visita do prefeito reeleito de Santa Rita, Hilton Gonçalo (PMN), um líder regional importante, com quem mantém fortes laços de amizade e afinidades políticas, o que permitiu que na conversa os dois trocassem impressões sobre o quadro para a grande disputa de 2022. Nos bastidores, Carlos Brandão está atuando no apoio à candidatura do prefeito reeleito de Caxias, Fábio Gentil (Republicanos) à presidência da Famem. Político vitorioso, o prefeito caxiense se movimenta com o objetivo também de ocupar espaço no cenário político estadual.

No contraponto, dentro da aliança dinista, o senador Weverton Rocha (PDT), está participando intensamente da corrida para a eleição na Famem, jogando todas as suas fichas na candidatura do atual presidente, Erlânio Xavier (PDT), prefeito reeleito de Igarapé Grande. A reeleição de Erlânio Xavier para a presidência da entidade municipalista é fundamental para a articulação da candidatura do senador ao Governo do Estado em 2022. Congressista ativo, o senador Weverton Rocha tem dedicado parte do seu tempo às articulações para a eleição da Mesa do Senado, no cenário causado pela reviravolta que proibiu a reeleição do atual presidente, senador Davi Alcolumbre (DEM), com quem estava “fechado”. Um bom posicionamento no Senado é importante para o seu projeto governamental.

Por outro lado, numa curiosa contradição, não há movimentos visíveis no campo da Oposição relacionados com as eleições de 2022. Um dos nomes mais expressivos dessa seara, visto por aliados como o mais provável candidato ao Governo do Estado, o senador Roberto Rocha (PSDB), que terminou 2020 afirmando que politicamente dedicará os próximos dois anos ao Maranhão, mas sem dizer exatamente o que isso significa, se mantém distante. O prefeito reeleito de Imperatriz, Assis Ramos (DEM), declarou que poderá ser candidato a governador, mas sua pouca expressão política – foi reeleito com apenas 26% dos votos – faz com que ele não seja levado a sério. No arraial oposicionista ainda se fala na possibilidade remota de a ex-governadora Roseana Sarney (MDB) tentar voltar ao Governo, mas ela própria nada disse até aqui. Alguns políticos tarimbados apostam que em algum momento dos próximos 22 meses o novo prefeito de São Luís, Eduardo Braide (Podemos), dirá o que pensa sobre a próxima e decisiva corrida eleitoral.

A julgar pelos movimentos registrados na primeira década de Janeiro, o tabuleiro político do Maranhão viverá tempos agitados.

 

PONTO & CONTRAPONTO

 

Eduardo Braide se integrará à Famem, tradicionalmente esnobada pelos prefeitos de São Luís?

Eduardo Braide: abraçará a Famem ou manterá a tradição?

Pelo menos oficialmente, não se sabe ainda como o prefeito de São Luís, Eduardo Braide (Podemos), se posicionará na eleição da Famem. Dois observadores atentos ouvidos pela Coluna apostaram que ele votará no presidente Erlânio Xavier, num gesto de reconhecimento ao apoio que recebeu do PDT no segundo turno da eleição. Observam também que o provável voto no pedetista seja um posicionamento contra o candidato do Republicanos, que é entusiasticamente apoiado pelo seu maior adversário, o deputado estadual Duarte Jr. (Republicanos).

A posição de Eduardo Braide pode mudar a “tradição” mantida pelos prefeitos de São Luís em relação à Famem. Todos os ocupantes do palácio de la Ravardière esnobaram a entidade municipalista em maior ou menor grau. O mais ostensivo foi o líder pedetista Jackson Lago, que no primeiro mandato, ao ser procurado por prefeitos para participar da Famem, que lhe ofereceram a “presidência de honra”, foi taxativo, respondendo negativamente por entender que a organização era usada para manter o poder do Grupo Sarney. O gesto mais simpático de um prefeito ludovicense para com a Famem partiu de Edivaldo Holanda Júnior (PDT), que no primeiro mandato não quis saber da entidade, mas no segundo apoiou a candidatura de Cleomar Tema, prefeito de Tuntum, tendo ido à sede cumprimentá-lo pela eleição.

Resta saber se Eduardo Braide vai se integrar à entidade municipalista ou manterá a “tradição”.

 

Avaliações apontam favoritismo de Erlânio Xavier na Famem, mas Fábio Gentil pode surpreender

Erlânio Xavier é favorito, mas Fábio Gentil pode surpreender na disputa na Famem

Os bastidores da política estão agitados por conta da eleição para o comando da Famem. Ali, candidatos e articuladores fazem conta atrás de conta para tentar encontrar o poder de fogo de cada candidato. Favorito na disputa – até alguns contrários admitem -, o presidente Erlânio Xavier trabalha intensamente para ter uma vitória “larga”, que lhe dê maior estatura política. Sua preocupação é seu adversário, o prefeito de Caxias Fábio Gentil (Republicanos), que tem também o apoio do PL, que lhe deu como vice o bem articulado prefeito de Barra do Corda, Rigo Teles, ganhe musculatura e ganhe mais adeptos por meio de articulações feitas pelos deputados federais Josimar de Maranhãozinho (PL) e Cléber Verde (Republicanos) e André Fufuca (PP). Além disso, o líder caxiense faz campanha sem o peso de quem tem de defender o mandato. Quem conhece a seara política municipal calcula que, se a eleição fosse hoje, o presidente se reelegeria, mas com uma margem bem menor do que a esperada. Resta saber se ele mantém ou reforça o cacife até no dia 14.

São Luís, 08 de Janeiro de 2021.

 

Erlânio Xavier e Fábio Gentil abrem disputa pela Famem tendo a sucessão estadual como pano de fundo

 

Eleição na Famem: Erlânio Xavier tenta a reeleição apoiado por Weverton Rocha, e Fábio Gentil tem o apoio de Carlos Brandão no jogo para a sucessão estadual em 22

A disputa pelo comando da Federação dos Municípios do Maranhão (Famem), cujo desfecho terá forte repercussão nas montagens para a guerra eleitoral de 2022, ganhou forma ontem, com o registro de duas candidaturas, a do atual presidente, o prefeito reeleito de Igarapé Grande, Erlânio Xavier (PDT), que busca a reeleição, e a do prefeito reeleito de Caxias, Fábio Gentil (Republicanos). Duas forças políticas distintas, com perfis totalmente diferentes e com bases de apoio que estão medindo forças na direção do Palácio dos Leões. O governador Flávio Dino (PCdoB) saiu de férias deixando bem claro que não se envolverá no processo, o que deixa o embate mais solto e num cenário em que “batem chapa” o senador Weverton Rocha (PDT), apoiador e mentor político de Erlânio Xavier, e o vice-governador Carlos Brandão (Republicanos), que avaliza a candidatura de Fábio Gentil. Os atos de registro e lançamento das candidaturas mostraram uma enorme e curiosa diferença entre os candidatos.

O presidente e candidato à reeleição Erlânio Xavier fez um lançamento estridente, exibindo musculatura e anunciando ter o apoio de pelo menos 150 dos 217 prefeitos, deixando no ar a impressão de estar convencido de que sairá da urna com uma vitória avassaladora. Ele conta com os 45 votos de prefeitos do PDT, incluindo o dele próprio, e abriu sua campanha com dois trunfos importantes. O primeiro foi ter batizado sua chapa de “Sálvio Dino”, político destacado, pai do governador Flávio Dino, que defendeu o municipalismo como deputado estadual e como prefeito de Montes Altos, quando presidiu a Associação dos Municípios da Região Tocantina; o segundo é ter o prefeito reeleito de Pinheiro, Luciano Genésio (PP), como seu companheiro de chapa.

O prefeito Fábio Gentil, ao contrário, compareceu à sede da Famem para registrar sua candidatura sem nenhuma pompa e sem demonstrar qualquer interesse de mobilizar uma fanfarra para fazer uma participação estridente. Acompanhando-o, alguns políticos, como o deputado estadual Duarte Jr., que é do seu partido, e o deputado federal Josimar de Maranhãozinho (PL), entre outros. Fábio Gentil entra na disputa com o provável apoio dos 35 prefeitos eleitos pelo Republicanos e grande parte dos 40 eleitos pelo PL. É um político centrado, com larga experiência na seara política municipal que tem clareza quanto ao poder de fogo do oponente. Tem, porém, estatura política e autoridade pessoal para dar esse passo importante no projeto de ocupar um espaço no cenário político estadual. Para ele, é importante participar do processo, de preferência com a possibilidade de surpreender em número de votos.

As disputas pela presidência da Famem vêm se dando sob a influência das guerras políticas maiores no estado. A de agora escancarou de vez essa relação, tendo como pano de fundo a disputa pelo Governo do Estado. De um lado o senador Weverton Rocha (PDT), que é o patrono da candidatura do presidente Erlânio Xavier, que coordenou sua campanha senatorial e que no comando da entidade terá um enorme poder de articulação. Do outro lado, o vice-governador Carlos Brandão, aspirante assumido à sucessão do governador Flávio Dino, apoia o prefeito Fábio Gentil num processo que visa fortalecer o seu projeto de chegar ao Governo. Em disputa aberta, Weverton Rocha e Carlos Brandão tentam se manter discretos, mas seus apoiadores travam uma guerra ácida nos bastidores e na blogosfera.

A eleição acontecerá no dia 14, e a semana de campanha será intensa, com o presidente agindo para consolidar o seu cacife e líder caxiense em busca de um lastro para reverter a tendência favorável ao adversário. De acordo com a avaliação de um prefeito experiente, o presidente Erlânio Xavier tem tudo para renovar o mandato, mas dificilmente terá os 150 votos que calcula. Isso porque pelo menos duas dezenas de prefeitos não estão aptos a votar. São dirigentes de municípios pequenos e muito pobres, que se recusam a autorizar o uso da fatia de ICMS que recebem para bancar a mensalidade da entidade, argumentando principalmente que não vale a pena porque as ações da Famem não os alcançam.

 

PONTO & CONTRAPONTO

 

Visita de Othelino Neto e Carlos Brandão reforça boa relação Legislativo/Executivo

Othelino Neto e Carlos Brandão entre Rubens Jr. e Marcelo Tavares nos Leões, ontem

O governador em exercício Carlos Brandão (Republicanos) recebeu ontem o presidente da Assembleia Legislativa, deputado Othelino Neto (PCdoB), numa visita de cortesia. Os dois trocaram impressões sobre o momento vivido pelo Maranhão e reforçaram o bom entendimento entre os Poderes Executivo e Legislativo, que têm sido harmônicos e parceiros, mas sem comprometer a independência institucional. Com a presença do chefe da Casa Civil, Marcelo Tavares, que é deputado estadual (PSB) licenciado, e do deputado federal Rubens Jr. (PCdoB), o governador em exercício e o presidente da Assembleia Legislativa conversaram sobre vários temas, com enfoque mais demorado sobre a pandemia do novo coronavírus e a expectativa em relação à vacinação.

Com o encontro de ontem, Carlos Brandão e Othelino Neto desfizeram rumores segundo os quais estariam com as relações estremecidas por causa das eleições municipais. No caso de São Luís, os dois estiveram em campos diferentes, mas nada aconteceu no plano pessoal que os afastasse. Além do mais, o vice-governador e o presidente do Legislativo têm clareza suficiente para separar as coisas, não misturando assuntos de natureza político-partidária com as relações institucionais entre Poderes do Estado.

A descontração que dominou o encontro no Palácio dos Leões foi uma demonstração clara de que, independentemente da posição política de cada um, ambos sabem da importância do diálogo, da independência e da boa relação institucional entre o Palácio dos Leões e o Palácio Manoel Beckman. Tanto que o presidente Othelino Neto disse que o Maranhão tem dado um bom exemplo para o Brasil, no que diz respeito ao equilíbrio das relações entre todos os Poderes.

– É um prazer visitar o governador em exercício, Carlos Brandão, para que nós possamos conversar sobre temas importantes para o estado. Estamos sempre exercitando essa capacidade de diálogo, que é uma marca da relação harmônica e independente que mantemos entre os Poderes constituídos no Maranhão – assinalou o presidente da Alema.

Carlos Brandão comentou o encontro avaliando que a visita do presidente Othelino Neto reforça boa relação entre o Legislativo e o Executivo, que vem se mantendo durante todos os seis anos do atual Governo, com o aval da Assembleia Legislativa projetos propostos pelo Poder Executivo com o objetivo de melhorar a qualidade de vida da população.

 

João Marcelo na linha de frente da campanha de Baleia Rossi na Câmara Federal

João Marcelo (d) no ato de lançamento de Baleia Rossi (falando) na Câmara Federal

A candidatura do deputado Baleia Rossi (MDB-SP) à presidência da Câmara Federal, apoiada pelo presidente da Casa, deputado Rodrigo Maia (DEM-RJ), conta com um apoiador entusiasmado, o deputado emedebista maranhense João Marcelo, que está na linha de frente da campanha. João Marcelo participou ontem do grande ato que marcou o lançamento oficial da candidatura de Baleia Rossi, que já conta com 11 bancadas, que representam 261 parlamentares, seis a mais do que os 257 necessários para eleger o presidente.

Embalado pelo slogan “Câmara Livre e Democracia Viva”, o deputado João Marcelo, que foi um dos apoiadores do emedebista desde o início das articulações, reforçou sua posição reafirmando seu apoio. Ele também está se movimentando para ampliar e consolidar o apoio dos partidos à candidatura de Baleia Rossi, lançada ontem às 15 horas, no Salão Negro da Câmara Federal, na presença dos líderes dos 11 partidos (PT, PSL, MDB, PSB, PSDB, DEM, PDT, Cidadania, PV, PCdoB e Rede) que lhe declararam apoio.

O deputado João Marcelo tem se destacado como apoiador de Baleia Rossi e articulador da candidatura na bancada maranhense. O ato de lançamento, ele declarou que o MDB tem no seu DNA a luta em defesa da democracia, e completou: “A defesa da liberdade das pessoas, a luta por igualdade e o respeito às instituições e à harmonia entre os Poderes sempre foram as bandeiras do MDB. Esta aliança com diversos partidos de polos opostos no espectro político só reafirma essas bandeiras de luta”.

O parlamentar maranhense avalia que o candidato do MDB reúne as condições para vencer a disputa contra o deputado Arthur Lira (PP-AL), apoiado pelo presidente Jair Bolsonaro (sem partido), mas reconhece que se trata de uma disputa em que a campanha tem de ser intensa e mantida sem descanso. Afinal, é complicado jogar contra o poder de fogo do Palácio do Planalto. “Mas estamos na luta e vamos vencer”, diz João Marcelo, vivamente entusiasmado.

São Luís, 07 de Janeiro de 2021.

Flávio Dino admite se candidatar a deputado federal e agita potenciais candidatos à vaga de senador

 

Flávio Dino pode ser candidato a deputado federal

O governador Flávio Dino revelou que poderá disputar uma cadeira na Câmara Federal em 2022 se vier a ser convocado pelo PCdoB para contribuir no esforço destinado a evitar que o partido seja tragado pela cláusula de barreira. A possibilidade foi declarada por ele próprio em entrevista ao jornal O Globo, e como era de se esperar, repercutiu fortemente na seara política estadual, onde alguns políticos de peso aguardam sua decisão para definirem seus rumos na corrida às urnas.

O governador não esconde sua preferência pela candidatura ao Senado, mas tem dito que, dependendo das circunstâncias e do cenário de 2022, poderá ser candidato a presidente da República por uma grande frente que reúna o centro e a esquerda, a vice-presidente, a Senador ou, agora, à Câmara Federal. Cada uma dessas opções, é factível, em maior ou menor grau, mas qualquer avaliação cuidadosa e isenta, que leve em conta a situação do governador e as sutilezas da política, conduz naturalmente à conclusão de que o mandato eletivo mais adequado a Flávio Dino é, de longe, o de senador. E ele próprio admite isso ao declarar, na entrevista, que “o plano mais forte hoje é a candidatura ao Senado, porque depende só de mim”.

Se, por conveniência partidária, Flávio Dino decidir abrir mão de ser um dos 81 senadores para se tornar um dos 513 deputados federais, o PCdoB poderá sair do Maranhão com uma minibancada federal. Nessa hipótese, como candidato a deputado federal, Flávio Dino fará uma campanha focando na necessidade de fortalecer o PCdoB, dando contribuição decisiva para evitar que o partido saia das urnas condenado a desaparecer do mapa partidário ou, num desfecho mais cruel, venha a se tornar um pária partidário. O governador tem força eleitoral suficiente para sair das urnas com duas ou três centenas de milhares de votos, e assim puxar pelo menos mais dois candidatos além dos atuais deputados federais Márcio Jerry e Rubens Júnior, que concorrerão à reeleição.

Com a eventual candidatura a deputado federal, Flávio Dino liberará assim a vaga de candidato a senador, fazendo com que algumas posições no tabuleiro da política maranhense sofram alterações expressivas. Nos bastidores, correm rumores segundo os quais o presidente da Assembleia Legislativa, deputado Othelino Neto (PCdoB), pode se habilitar à vaga de candidato do partido. Também se comenta que, sem Flávio Dino candidato, a ex-governadora Roseana Sarney (MDB) poderá entrar na disputa pelo mandato senatorial, bem como o ex-governador José Reinaldo Tavares (PSDB). Isso sem contar outros nomes, entre os quais Hilton Gonçalo (PMN), prefeito reeleito de Santa Rita,  o empresário e ex-suplente de senador Lobão Filho, que estaria migrando do MDB para o PSL, e o atual dono da vaga, senador Roberto Rocha (PSDB), que pode optar pela tentativa de renovar o mandato. Se pelo menos parte dessas especulações fosse confirmada, a disputa pela vaga senatorial seria uma das mais agitadas dos últimos tempos.

Ao admitir concorrer à Câmara Federal para ajudar a salvar o PCdoB, o governador sabe que dará um passo muito perigoso, já que como candidato proporcional enfrentará dificuldades para liderar a grande aliança por ele montada na corrida às urnas. Nesse contexto, quem for o candidato do seu grupo à sua sucessão no Palácio dos Leões poderá também enfrentar dificuldades, à medida que o principal líder da aliança não integrará a chapa majoritária. Isso não significa dizer que, concorrendo a deputado federal, o governador terá comprometido o seu tamanho político. Os passos que deu até aqui na sua trajetória são indicadores precisos de que o atual governador do Maranhão já é um nome de abrangência nacional, com personalidade muito bem definida, o que lhe dá grande estatura política.

Se olhado pela posição que alcançou como chefe de um Governo bem-sucedido, como líder de uma grande aliança partidária no estado, como articulador de uma frente partidária reunindo o centro e a esquerda para enfrentar o bolsonarismo, e como uma das firmes e equilibradas vozes da Oposição ao Governo de extrema direita do presidente Jair Bolsonaro (sem partido), Flávio Dino tem condições de realizar um mandato destacado tanto na Câmara Federal quanto o Senado da República.

 

PONTO & CONTRAPONTO

 

Interinidade de 10 dias Carlos Brandão amplia sua experiência no comando da máquina estadual

 

Carlos Brandão, usando máscara, orienta equipe do Governo sobre sua interinidade

O vice-governador Carlos Brandão (Republicanos) assumiu ontem o Governo do Estado para uma interinidade de 10 dias, período em que o governador Flávio Dino (PCdoB) estará de férias, como ocorre todos os anos. Ontem, ele reuniu o secretariado e deu as coordenadas da sua gestão nesse período. Avisou que manterá o Governo funcionando no mesmo ritmo e apontou algumas prioridades para esse período.

O governador interino destacou que o combate ao novo coronavírus é a maior das prioridades, principalmente por conta do risco de que o número de infectados aumente em razão do relaxamento. Ao mesmo tempo, assinalou que vai intensificar os preparativos para o processo de vacinação no Maranhão, já planejado pelo governador Flávio Dino.

Carlos Brandão não terá qualquer dificuldade para comandar o estado nesse período. Primeiro porque em seis anos como vice assumiu várias vezes o comando do Governo sem cometer um deslize ou um equívoco. Depois, porque conhece bem a máquina estadual e acompanha todos os programas e projetos em curso no estado.

A interinidade iniciada ontem é mais um estágio importante para o desafio de assumir o Governo definitivamente com a desincompatibilização do governador Flávio Dino em abril do ano que vem.

 

Marcial Lima deixa o discurso crítico e de cobrança para ser líder do Governo municipal

Marcial Lima: o desafio de deixar o discurso crítico para ser defensor

O vereador Marcial Lima (Podemos) será o líder do Governo na Câmara Municipal de São Luís. O anúncio foi feito ontem, via Twitter, pelo prefeito Eduardo Braide (Podemos). A escolha se explica pelo fato de que o parlamentar é do partido do prefeito e foi um dos aliados mais ativos durante os dois turnos da campanha.

Ao aceitar a tarefa de ser o porta-voz do Governo na Câmara Municipal, o vereador Marcial Lima dá uma guinada forte na sua carreira parlamentar. Explica-se: jornalista, repórter da TV Mirante e da Rádio Mirante FM, Marcial Lima entrou na política embalado pelo trabalho jornalístico voltado para os problemas da cidade, sobretudo os que afetam os bairros e as comunidades periféricas, com incursões também na seara policial. Eleito em 2016, fez um mandato baseado no lastro jornalístico, o que lhe deu base para a reeleição em 2020.

Como líder, seu discurso vai mudar radicalmente, pois sairá da condição de crítico dos problemas para se tornar o principal defensor do Governo municipal, ou seja, deixa a condição de “pedra” para se tornar defensor da “vidraça”. Deve ter medido e pesado com precisão os prós e contras da condição de líder. Se o fez, chegou, claro, à conclusão de que é um bom caminho parlamentar. Mas se aceitou seduzido pelo prestígio, ainda tem tempo de medir e pesar, para não correr riscos.

São Luís, 06 de Janeiro de 2021.

Neto Evangelista dispara contra Edivaldo Jr. afirmando existir R$ 650 milhões de restos a pagar

 

Neto Evangelista diz que Edivaldo Holanda Jr. deixou bolada de restos a pagar e São Luís “a pior” em dois itens, segundo índices de avaliação

Antes de completar um dia na condição de ex-prefeito de São Luís, Edivaldo Holanda Jr. (PDT) foi alvejado pelo primeiro disparo destinado a colocar em dúvida a imagem de excelência na gestão financeira com que deixou o cargo que exerceu por oito anos. O petardo, que o alcançou às 20 horas e 48 minutos do primeiro dia do ano, foi disparado no Twitter pelo deputado estadual Neto Evangelista (DEM), ex-candidato apoiado pelo PDT à sua sucessão, mas que não contou com seu apoio. Na postagem, Neto Evangelista, a pretexto de enumerar dificuldades que o prefeito Eduardo Braide (Podemos) enfrentará, afirma, sem citá-lo, que Edivaldo Holanda Jr. deixou a Prefeitura com “restos a pagar” no valor nada menos que R$ 650 milhões, e dizendo acreditar que o volume de papagaios pendurados seja bem maior. Ele afirma que, segundo a Secretaria do Tesouro Nacional (STN), São Luís tem Capacidade de Pagamento “C”, “o que, segundo também o STN, só ganhamos do falido Rio de Janeiro nesse quesito”.

Neto Evangelista escreveu também que o novo prefeito recebeu São Luís como “a pior capital do Nordeste”, segundo o Índice de Governança Municipal (IGM), utilizado pela Sudene e outras instituições como instrumento de avaliação nesse campo. E mais: o respeitado Índice Firjan de Gestão Fiscal “aponta nossa Capital como a pior do Brasil nesse quesito”. Na sua avaliação, o parlamentar democrata afirma que, “sem recursos específicos para a Covid, sem compensação sobre a queda de arrecadação e com o fim do auxílio emergencial, o desafio será grande”. E conclui: “Eduardo terá de arrumar literalmente a casa”, o que, numa interpretação lógica e cartesiana, leva à conclusão de que, para o parlamentar, ao contrário do que afirmou na mensagem de despedida, o ex-prefeito deixou a casa desarrumada.

A manifestação de Neto Evangelista, feita no calor da troca do comando municipal, pode ser vista por vários vieses. Pode ter sido, como sugere no final, um gesto de preocupação com a nova gestão, um sinal de alerta, ou também uma denúncia velada, que ficou engasgada durante a campanha eleitoral. Na corrida às urnas, Neto Evangelista definiu e usou um discurso ignorando os resultados da gestão de Edivaldo Holanda Jr., que por sua vez ignorou a existência dele como candidato à sua sucessão.

Até as pedras de cantaria de São Luís sabem que Neto Evangelista e Edivaldo Holanda Jr. não se toleram. O pote de mágoas que cada um carrega em relação ao outro foi enchido na campanha para a Prefeitura em 2012, quando Edivaldo Holanda Jr. (PTC) disputou com João Castelo (PSDB), que tinha Neto Evangelista, então tucano, como vice. No decorrer daquela campanha, Neto Evangelista bateu forte no adversário, transformando diferenças políticas em inimizade ácida. Tanto que quando o senador Weverton Rocha decidiu que o PDT apoiaria a candidatura do democrata Neto Evangelista à sua sucessão, Edivaldo Holanda Jr. reagiu afirmando que não o apoiaria “de jeito nenhum”, e manteve a decisão, aumentando a distância que já os separava. A “neutralidade” do prefeito foi decisiva para o insucesso do candidato da aliança PDT-DEM, que ficou em terceiro lugar no primeiro turno.

Sem se comprometer com nenhum candidato – contrariando, portanto, a equação básica da política, na qual todo político tem de ter um lado, e que neutralidade pode levar ao isolamento -, Edivaldo Holanda Jr. optou por não se posicionar na disputa por sua sucessão. Preferiu investir as 24 horas de cada dia da contagem regressiva na imagem de bom gestor e esnobando a política, mesmo sabendo que, se pretende voar mais alto, não irá muito longe sem a força dos que o apoiaram nas duas eleições, mas que não tiveram seu apoio agora. O petardo disparado pelo deputado Neto Evangelista é um sintoma forte de que muitos outros virão nos tempos de disputa que se aproximam.

Com experiência suficiente para saber como funciona a ciranda da guerra pelo poder, o ex-prefeito já deve ter definidas estratégias para o confronto com adversários.

 

PONTO & CONTRAPONTO

 

Assembleia Legislativa entra na linha de frente dos parlamentos com maior presença feminina

Othelino Neto entre Socorro Waquim, Betel Gomes e Fábio Braga: composição da Assembleia Legislativa mudada com a eleição de deputados para prefeituras

A Assembleia Legislativa recebeu ontem três novos deputados: Socorro Waquim (MDB), que assumiu na vaga de Rigo teles (PL), novo prefeito de Barra do Corda; Betel Gomes (PRTB), que sucedeu a Felipe dos Pneus (Republicanos), agora prefeito de Santa Inês, e Fábio Braga (Solidariedade) na vaga de Fernando Pessoa (Solidariedade), que se elegeu prefeito de Tuntum.

Com a chegada de Socorro Waquim e Betel Gomes, a Assembleia Legislativa do Maranhão entra na linha de frente dos parlamentos estaduais onde é expressiva a participação de mulheres. Elas se somam a Ana do Gás (PCdoB), Andreia Rezende (DEM), Cleide Coutinho (PDT), Daniella Tema (DEM), Detinha (PL), Thaíza Hortegal (PP), Helena Duailibe (Solidariedade) e Mical Damasceno (PTB), totalizando 10 parlamentares femininas, representando quase 25% da composição do plenário de 42 cadeiras.

Com o novo quadro, o parlamento maranhense reforça o pluralismo partidário e avança para o equilíbrio de gênero. Mais ainda, quando é visível que as deputadas são parlamentares atuantes, propositivas, afeitas ao debate e preocupadas com os problemas mais diversos enfrentados pela população do Maranhão.

Socorro Waquim é professora e política experimentada e bem-sucedida, tendo sido deputada estadual, vereadora e prefeita de Timon, tendo também atuado como integrante do secretariado do último Governo de Roseana Sarney (MDB). Além da vivência política, Socorro Waquim leva para o parlamento estadual a experiência de ter comandado Timon, hoje o terceiro maior município do Maranhão em população, e politicamente consciente em relação ao papel da mulher na política. “Nossa presença aqui é a presença do empoderamento das mulheres”, disse.

Filha de lavradores, Betel Gomes, que é professora primária, chega à Assembleia Legislativa para exercer o seu primeiro mandato estadual com a experiência de militante política na região de Buriticupu, onde atuou como secretária de Cultura, Educação e Assistência Social. Já empossada, declarou que se sente motivada para fortalecer a posição das mulheres na Casa e dar “o melhor de mim” pelo povo do Maranhão.

Ao comentar a posse dos três novos deputados, o presidente da Assembleia Legislativa, deputado Othelino Neto (PCdoB) destacou que a presença de 10 mulheres entre os 42 deputados torna a Assembleia Legislativa do Maranhão um parlamento diferenciado e caminhando para o equilíbrio nesse sentido. “Me sinto honrado de presidir a Casa com esse perfil”, disse.

Dino fica neutro na disputa da Famem, deixando campo aberto para Weverton e Brandão

Flávio Dino: neutralidade na disputa pelo comando da Famem

O governador Flávio Dino (PCdoB) não se envolverá na disputa para o comando da Federação dos Municípios do Maranhão (Famem), na qual o atual presidente Erlânio Xavier (PDT), prefeito reeleito de Igarapé Grande, tem como adversário o prefeito reeleito de Caxias, Fábio Gentil (Republicanos).

A explicação para a neutralidade anunciada pelo governador é simples. A eleição na Famem foi transformada numa medição de força entre o senador Weverton Rocha (PDT), que apoia o atual presidente, e o vice-governador Carlos Brandão (Republicanos), que abraçou a candidatura do prefeito de Caxias, que é do seu partido. Ambos vêm travando um embate direto e aberto para consolidar seus projetos de disputar o Governo do Estado. O governador não quer se envolver numa disputa que não lhe diz respeito diretamente.

O presidente Erlânio Xavier é o homem de frente de Weverton Rocha, tendo coordenado sua campanha em 2018. O comando da Famem faz dele um importante porta-voz do senador junto aos prefeitos, o que torna a entidade um braço fundamental na estrutura de apoio dele. O comando de um pequeno município não lhe dá peso político, mas a presidência da Famem faz dele um interlocutor privilegiado e valioso para o projeto de poder do líder pedetista.

O prefeito Fábio Gentil, ao contrário, comanda o quarto maior e politicamente mais importante município do Maranhão, e com a autoridade de quem foi reeleito com mais de 75% dos votos, praticamente desmontando a máquina poderosa montada ex-deputado Humberto Coutinho. Candidato irreversível à presidência da Famem, conforme anunciou, Fábio Gentil conta com o apoio do vice-governador Carlos Brandão, que tem como aliado.

A neutralidade do governador Flávio Dino tornará a disputa mais dura entre Erlânio Xavier e Fábio Gentil pelo comando da Famem, acirrando o embate entre Weverton Rocha e Carlos Brandão pelo Palácio dos Leões.

São Luís, 05 de Janeiro de 2021.

Discurso de posse: Braide foca na gestão, promete governar sem reclamar e mantém distância do jogo político

 

Eduardo Braide: com semblante grave durante toda a fala, diz que foi eleito para governar e não para reclamar

“Não fui eleito para reclamar, eu fui eleito para governar, e é isso que faremos a partir de hoje”. “Governaremos para quem mais precisa, para aqueles que, durante muito tempo, ficaram sem a ação do Poder Executivo, seja municipal, estadual ou federal”. “São Luís tem pressa”.

As três declarações, feitas em momentos diferentes, pautaram o discurso de posse de Eduardo Braide (Podemos) na Prefeitura de São Luís. Nos nove minutos da sua fala, ele deu as linhas gerais do que será sua gestão, citou quatro áreas prioritárias (Saúde, Educação, Economia e Mobilidade) e sinalizou fortemente na direção de uma relação sem tremores com a Câmara Municipal (onde não tem maioria, mas pode construí-la sem problemas). Ao contrário do que muitos esperavam, Eduardo Braide não emitiu qualquer sinal no sentido de construir uma relação institucional com o Governo do Estado nem jogou loas no Governo Federal, deixando claro que sua grande aposta é mesmo na sua eficácia gerencial. Na mesma linha, ignorou completamente sua posição e a do seu partido no cenário político maranhense, dando a entender que prefere se manter distante dos embates políticos, pelo menos no primeiro momento do seu governo.

Na seara administrativa, o novo prefeito confirmou o compromisso de campanha de colocar em prática um plano de ação para os 100 primeiros dias, e apontou quatro áreas prioritárias. E deixou claro que a grande prioridade será a Saúde, com foco inicial na elaboração de um plano municipal de vacinação contra o novo coronavírus. Na Educação, que foi entregue à vice-prefeita Esmênia Miranda, vai investir imediatamente na preparação das escolas para o que definiu como um ano letivo “dobrado”, ou seja, recuperar o que foi perdido no ano passado e manter a programação do novo ano. Na mobilidade, informou que fará algumas intervenções para tornar o transporte de massa mais rápido. E anunciou que encaminhará à Câmara Municipal um pacote de medidas que, segundo espera, ajudarão a população a enfrentar a crise causada pela pandemia. Não foi além, só assinalando enfaticamente que “São Luís tem pressa”, numa espécie de recado à equipe.

Eduardo Braide passou ao largo da política na sua primeira fala como prefeito da Capital, que além da importância econômica, abriga mais de 15% do eleitorado ao Maranhão. Seu silêncio sobre esse aspecto da sua posição, no entanto, pode ser interpretado também como uma atitude política no sentido de não entrar agora nesse xadrez complexo e movediço, deixando para exercer o papel político que muitos querem lhe atribuir quando estiver com a sua gestão minimamente consolidada. Isso porque, mesmo considerando o profundo canyon que hoje o separa do governador Flávio Dino (PCdoB), de quem já foi aliado, Eduardo Braide é um político suficientemente racional e pragmático para não descartar a possibilidade de estabelecer um canal de comunicação institucional entre o Palácio de la Ravardière e o Palácio dos Leões. Vale lembrar que em momentos e circunstâncias diferentes, ele e o governador Flávio Dino já emitiram sinais nessa direção.

No campo político-partidário, alguns chefes de partido que o apoiaram querem transformá-lo na principal voz da Oposição no Maranhão. O prefeito, no entanto, mesmo sabendo que em algum momento terá de assumir esse papel, já que não há no horizonte da oposição maranhense ninguém mais credenciado, usa a prudência e o pragmatismo para refrear impulsos e segurar a onda para o momento mais adequado para se posicionar: os primeiros meses de 2022. Sabe que, devido ao elevado grau de comprometimento que assumiu com a população de São Luís, será desastroso qualquer movimento político-partidário em relação a 2022 que vier a fazer antes da hora. Para ele, o que interessa agora é criar as condições para fazer uma boa gestão. Qualquer movimento ou gesto incoerente poderá ter custo elevado.

Sem lamúria, reclamações e acusações, e ignorando a política partidária e os primeiros movimentos da guerra pelo poder estadual, Eduardo Braide avisou no seu discurso de posse que seu projeto político de agora é fazer um bom governo em São Luís, para depois, então, entrar no jogo pesado da briga pelo poder estadual.

 

PONTO & CONTRAPONTO

 

Prefeito prestigia sua vice entregando-lhe uma missão complexa e desafiadora

Esmênia Miranda: vice prestigiada pelo titular

Poucas vezes um vice-prefeito foi tão prestigiado pelo prefeito quanto a professora Esmênia Miranda está sendo por Eduardo Braide. Oficial da Polícia Militar, com graduação em História e docente do Colégio Militar em São de São Luís, Esmênia Miranda recebeu uma das tarefas mais desafiadoras da nova gestão de São Luís: comandar a pasta da Educação com o compromisso de tirar milhares de crianças do atraso escolar causado pela pandemia do coronavírus e transformar a rede municipal de ensino em um sistema de educação básica de qualidade. Sobre sua responsabilidade estão mais de 250 escolas, nas zonas urbana e rural, que abrigam milhares de alunos. Existem muitas escolas em bom estado físico para funcionar a contento, mas também existem muitas outras em estados que vão de precário a inviáveis para receber crianças e professores. A vice-prefeita se mostra entusiasmada com o prestígio e com a missão que recebeu, sabe que enfrentará dificuldades enormes, mas está determinada a encarar o desafio.

Segue um registro que servirá de alerta para a vice-prefeita. Em 2010, quase três anos depois da posse, o então prefeito João Castelo (PSDB), insatisfeito com o desempenho da sua vice-prefeita, a médica Helena Duailibe, no comando da Secretaria Municipal de Saúde, reclamou e cobrou melhores resultados, enquanto a secretária, escudada na condição de vice-prefeita, insistia em seguir numa linha contrária à orientada pelo prefeito. A corda foi esticada a tal ponto que João Castelo demitiu Helena Duailibe durante entrevista a uma emissora de rádio de São Luís, causando um enorme mal-estar entre o prefeito e sua vice. A partir da demissão, o Sistema Municipal de Saúde entrou num processo de desarrumação que depois, meses antes de passar o cargo para Edivaldo Holanda Jr. (PTC), João Castelo teve de entregar a rede hospitalar de São Luís ao controle da Secretaria de Saúde do Estado, então comandada com carta branca pelo então deputado estadual Ricardo Murad (PMDB).

Claro que não se imagina uma situação parecida para o novo prefeito de São Luís e sua vice, que tem dado seguidas demonstrações de preparo. Mas nada custa lembrar que coisas assim podem acontecer.

 

Eleição do presidente da Câmara foi fruto do acordo do prefeito com o PDT

Osmar Filho: eleição por consenso foi acordo

Não surpreendeu a unanimidade conseguida pelo vereador Osmar Filho (PDT). O fato de ele ter sido presidente na legislatura passada nada teve a ver com a eleição de agora. A eleição se deu por força de um grande acordo armado pelo presidente do PDT, senador Weverton Rocha, com o então prefeito eleito Eduardo Braide, como parte do acordão que garantiu lastro partidário e uma boa margem complementar de votos para vencer com folga no segundo turno.

Se decidisse ignorar esse detalhe do acordo, Eduardo Braide teria conseguido facilmente 17 votos necessários para eleger um presidente do seu interesse. Poderia até, se quisesse, excluir o PDT do jogo, já que a pulverização partidária da Câmara de São Luís permite a um prefeito hábil montar uma base de apoio sem maiores dificuldades. O novo prefeito, porém, preferiu respeitar o acordo com o PDT, orientando seus aliados a votarem em Osmar Filho, que exercerá assim seu último mandato de presidente da Câmara Municipal de São Luís, já que em 2023 não mais poderá se candidatar à reeleição.

Eduardo Braide deverá eleger um presidente da sua inteira confiança na próxima eleição da Mesa Diretora.

Em tempo: Presidida por Osmar Filho, a Mesa Diretora da Câmara de São Luís tem a seguinte composição: 1º vice-presidente Gutemberg Araújo (PSC), 2º vice Paulo Victor (PCdoB), 3º vice Thyago Freitas (DC), 4º vice Octávio Soeiro (Podemos), 1º secretário Aldir Júnior (PL), 2º secretário Ribeiro Neto (PMN), 3ª secretária Karla Sarney (PSD) e 4ª Rosana da Saúde (Republicanos).

São Luís, 03 de Janeiro de 2021.

Dez personalidades que se destacaram em 2020 e se credenciaram para novos movimentos no cenário político do Maranhão

 

Em meio ao ataque cruel e impiedoso do novo coronavírus e da malha de desacertos e incertezas que o Governo da República vem tecendo sob o País, as eleições municipais mostraram à Nação que o Brasil ainda é regido por uma democracia e que a solução dos problemas da Federação está na política, queiram ou não os que pensam diferente. Nesse período sombrio, o Maranhão foi uma prova disso. Foi gerido por um Governo ajustado, comandado por um líder que que se move pelos mais corretos vieses da política. Nesse contexto, vários líderes, todos da nova geração, atuaram alinhados ou na contramão do Governo, tendo alguns reforçado o desempenho positivo do comando maior, e outros enveredado pela arriscada fronteira do pró e do contra. Todos, porém, se movimentaram dentro dos limites do que é possível em política sem o risco de rupturas traumáticas. Utilizando dados de observação dos movimentos, a Coluna destaca, com impressões próprias, a atuação de 10 personalidades que “causaram” ao longo do ano, colocando-se como diferenciais no período e se credenciando para o que vem por aí.

Flávio Dino (PCdoB) – O governador do Maranhão foi, de longe, o maior nome do Maranhão em 2020, alcançando projeção regional e nacional. Ao longo do ano, atuou com eficiência no comando do Governo, produzindo resultados que reforçaram o todo alcançado nos cinco anos passados. Fez a diferença no combate à pandemia do coronavírus: montou uma megaestrutura hospitalar, mobilizou equipes médicas, saiu vitorioso na guerra planetária por respiradores, garantiu uma política de testes mais eficiente do que na maioria dos estados e colocou o Maranhão entre os entes federados com melhor desempenho na luta contra a pandemia. Manteve posição de crítico implacável do presidente Jair Bolsonaro (sem partido), mas se manteve na linha que lhe permitiu uma relação institucional possível com o Palácio do Planalto. Nas eleições, contabilizou a vitória de aliados em mais de 70% dos municípios, ainda que o PDT tenha perdido o comando de São Luís. E consolidou posição   no cenário político nacional como um dos mais importantes líderes da esquerda.

Edivaldo Holanda Jr. (PDT) – Após dois mandatos, deixa a Prefeitura de São Luís reconhecido como bom gestor e embalado por um imenso portfólio de obras, entre elas as que mudaram a feição do Centro com a restauração do eixo Deodoro-Pedro II, passando pela Rua Grande, Largo do Carmo e Praça João Lisboa. Deixa a cidade com malha viária trafegável e um transporte de massa em processo de melhoria. Fez investimentos na Saúde e na Educação, mas deixa as duas áreas ainda exigindo várias e urgentes soluções. Tem afirmado que passará ao sucessor uma Prefeitura financeiramente ajustada. No campo político, fecha 2020 marcado pelo isolamento que ele próprio se impôs ao se omitir da guerra eleitoral, para evitar desgastes e manter o cacife que conseguiu na prefeitura com o apoio decisivo da aliança liderada pelo governador Flávio Dino.

Eduardo Braide (Podemos) – Foi o grande vencedor das eleições municipais, confirmando seu favoritismo e se elegendo prefeito de São Luís numa disputa que envolveu um quadro de bons candidatos. Com a eleição, recoloca a São Luís na tradicional posição de Oposição ao Governo do Estado, o que gera uma forte expectativa política e administrativa. Ao mesmo tempo, ganhou projeção estadual e termina o ano como referência para a formação de uma corrente oposicionista na disputa do poder estadual. É apontado por alguns observadores como futuro chefe da Oposição no Maranhão.

Carlos Brandão (Republicanos) – Ao longo do ano, o vice-governador consolidou mais ainda a posição de aliado ativo, prestativo e detentor da plena confiança do governador. Mergulhou em articulações durante o processo eleitoral e viu seu partido sair das urnas robustecido com três dezenas de prefeituras e centenas de vereadores. Fecha 2020 cacifado para levar em frente o seu projeto de disputar o Palácio dos Leões na condição de governador, projeto que ganhou força depois que o governador Flávio Dino admitiu deixar o cargo para encarar as urnas em 2022. A decisão significa que o vice será governador a partir de abril daquele ano.

Weverton Rocha (PDT) – Um dos políticos mais arrojados e determinados da sua geração, o senador foi bem-sucedido no exercício do mandato, ocupando espaço amplo no Senado, com expressiva produção legislativa e forte atuação como opositor do Governo Jair Bolsonaro. Como líder partidário, foi um dos mais ativos nas eleições municipais, o que foi decisivo para que o PDT saísse das urnas com quatro dezenas de prefeitos. O desastre em São Luís, que tirou o PDT do comando municipal, pesa no seu currículo, mas não há dúvida de que o senador tem cacife forte e segue como nome de proa para o Governo do Estado.

Othelino Neto (PCdoB) – O presidente da Assembleia Legislativa viveu 2020 como o principal protagonista do parlamento estadual e muito bem situado no cenário político e eleitoral. Comandou o Poder Legislativo com eficiência diante dos desafios impostos pela pandemia do novo coronavírus, mantendo-o funcionando por meio de sessões remotas e garantiu o cumprimento de extensa pauta, o que fortaleceu sua liderança na Casa. Politicamente, Othelino Neto foi um dos líderes mais ativos na corrida eleitoral, apoiando candidatos e contribuindo decisivamente para a eleição de muitos aliados, inclusive a da sua mulher, Ana Paula Lobato (PDT), vice-prefeita de Pinheiro. O fato de haver se distanciado da disputa em São Luís após a saída do candidato do PCdoB em nada alterou sua posição dentro do partido e da aliança governista.

Fábio Gentil (Republicanos) – O prefeito de Caxias fecha o ano como uma das mais importantes lideranças políticas do Maranhão na atualidade., apesar dos revezes que sofreu, como a perda do pai e inspirador, o deputado José Gentil (Republicanos). E a explicação está no seu excelente desempenho administrativo, fator que levou 75% dos eleitores da Princesa do Sertão a renovar-lhe o mandato numa vitória anunciada com larga antecedência. Os seus surpreendentes resultados como gestor e nas urnas o instalaram no posto de líder maior do município e o credenciaram para voos mais altos no porvir.

Luciano Leitoa (PSB) – O prefeito de Timon e presidente estadual do PSB mostrou forte liderança no seu município, com reflexos fora dele. No final do segundo mandato e diante do coronel/PM Scheneiddder (Republicanos), um outsider que surgiu como novidade no município e que durante meses liderou com folga as pesquisas de intenção de voto, Luciano Leitoa lançou uma mulher, Dinair Veloso (PSB), colocou suas forças em movimento, virou o jogo e levou sua candidata a uma vitória com folga e sem traumas. Mesmo com o modesto desempenho do PSB no estado, Luciano Leitoa fecha o ano fortalecido no cenário político estadual.

Eliziane Gama (Cidadania) – A senadora maranhense fecha 2020 em dois planos, o legislativo, em que teve uma performance indiscutivelmente positiva, e o político, no qual sua participação está marcada pela controvérsia. Eliziane Gama exerceu seu mandato senatorial com plenitude: produziu no campo legislativo, com várias proposições importantes, e foi ativa e coerente na tribuna, mantendo um discurso firme de opositora ao Governo Jair Bolsonaro. Frequentou bem os rankings de avaliação de desempenho no Congresso Nacional e se posicionou com equilíbrio nas questões graves, como a pandemia do novo coronavírus. Politicamente, teve participação modesta nas eleições municipais, nas quais seu partido, o Cidadania, simplesmente não existiu. Entra na nova década em alta como parlamentar, mas precisando resolver sua situação partidária.

Márcio Jerry (PCdoB) – Deputado federal e presidente do PCdoB, no Maranhão, viveu um ano agitado, dividido entre as tarefas de vice-líder do seu partido na Câmara Federal, com o desafio permanente de atuar como opositor ferrenho do Governo Jair Bolsonaro e a responsabilidade de comandar seu partido nas eleições municipais. Fez bem a sua parte como parlamentar, atuando como legislador, como debatedor e como articulador no âmbito das bancadas de centro-esquerda, e de esquerda. Na tribuna, foi duro e não fez concessões ao presidente da República. No campo partidário, viu sua legenda perder espaços na seara municipal. Fecha 2020 com o desafio de dar suporte ao governador Flávio Dino na tarefa de preparar as forças governistas para as eleições de 2022.

 

PONTO & CONTRAPONTO

 

Pandemia e eleições municipais consolidaram a posição de vários líderes partidários da nova geração

Juscelino Filho, Roberto Costa, André Fufuca, Pedro Lucas Fernandes e Cléber Verde: chefes partidários em alta na política maranhense

O deputado federal Juscelino Rezende, presidente estadual do DEM, se destacou como um dos articuladores da aliança que seu partido amarrou com o PDT, que fracassou em São Luís, mas funcionou em outros municípios. O maior trunfo do DEM foi a reeleição do prefeito de Imperatriz, Assis Ramos. Na Câmara Federal, se destacou na bancada democrata, que lhe deu a tarefa de presidir o Conselho de Ética.

O deputado estadual Roberto Costa fecha o ano como o homem-forte do MDB no Maranhão, com o mérito de ter evitado a derrocada total do partido e de recolocá-lo no cenário político do estado como uma força em recomposição. Roberto Costa termina a década como um dos principais articuladores da Assembleia Legislativa, mantendo oposição moderada ao Governo e mantendo abertos canais de entendimento em relação a questões complicadas. Caminha para a presidência do MDB.

Chefe do PP no Maranhão, o deputado André Fufuca também fecha o ano em alta com seu partido. Nas eleições municipais, o PP teve desempenho considerável, como a reeleição acachapante do prefeito de Pinheiro, Luciano Genésio, e a volta de Fufuca Dantas à Prefeitura de Alto Alegre do Pindaré, entre outras vitórias expressivas.

Enquanto o PTB mergulha num precipício no plano nacional, o deputado federal Pedro Lucas Fernandes tirou o partido do limbo no Maranhão com a eleição de uma dúzia de prefeitos, num dos melhores desempenhos dos últimos tempos. Ele fecha o ano com estatura elevada dentro da bancada do PTB, que ainda lidera na Câmara Federal.

Cléber Verde fecha 2020 como um dos mais bem-sucedidos líderes partidários do estado, mas ao mesmo tempo abalado por uma tragédia familiar. Com o apoio decisivo do vice-governador Carlos Brandão, o deputado levou seu partido ao topo com a eleição de três dezenas de prefeitos. Seu desempenho, porém, foi fortemente abalado pelo brutal assassinato dos seus pais, vítimas de latrocínio numa fazenda em Lago Verde.

 

Josimar de Maranhãozinho: saiu das eleições no paraíso, mas termina o ano no purgatório

Enquanto os principais líderes partidários maranhenses contabilizaram ganhos e perdas no embate eleitoral nos municípios e se credenciaram para continuar no comando das suas agremiações, o deputado federal Josimar de Maranhãozinho, chefe maior do PL no estado, saiu das urnas pronto para ser reconhecido como grande líder, mas foi brecado pela Polícia Federal no lado escuro da sua atuação política. O parlamentar festejou a eleição de quatro dezenas de prefeitos e começava a se preparar para dar o grande salto em direção ao Palácio dos Leões, quando, após meses de investigação na chamada Operação Descalabro, e cumprindo ordens do Supremo Tribunal Federal, a Polícia Federal invadiu endereços ligados ao deputado e encontrou neles milhões de reais em espécie, que segundo o Ministério Público Federal (MPF), seriam fruto deum esquema de desvio de dinheiro de emendas parlamentares. Segundo o MPF, Josimar de Maranhãozinho seria o chefe maior de um grande esquema de corrupção com o dinheiro das emendas para a Saúde. O líder do PL nega tudo, mas imagens da dinheirama não-explicada correram o mundo, chocaram o Brasil e mergulharam os maranhenses na perplexidade e na indignação, e funcionaram como uma bomba devastadora sobre o projeto de poder do chefe do PL. Ao contrário dos outros líderes partidários, Josimar de Maranhãozinho termina 2020 mergulhado na incerteza quanto ao seu futuro político.

São Luís, 30 de Dezembro de 2020.

 

Assembleia encarou a pandemia, driblou limitações e fechou ano com bom saldo e politicamente forte

 

Entre Roberto Costa, Ricardo Rios e Helena Duailibe, Othelino Neto apresenta a produção da Casa durante o ano em que comandou sessões remotas e presenciais

No ano em que o planeta foi mergulhado na sombria era do novo coronavírus, que mudou radicalmente as regras de convivência, assolou a base produtiva, restringiu as relações comerciais, abalou as estruturas públicas e testou ao limite as instituições que formam os poderes do Estado, o Maranhão viveu cenário absolutamente atípico. No período de Fevereiro a Dezembro, o Poder Executivo maranhense foi exigido ao extremo e respondeu prontamente, o Poder Judiciário fez a parte que lhe coube sem perder o eixo, e o Poder Legislativo, mesmo pressionado pelas eleições municipais, funcionou plenamente, apesar das limitações impostas pelo isolamento social. Nesse período, sob o comando antenado do presidente Othelino Neto (PCdoB), firmemente apoiado pela Mesa Diretora, os 42 deputados estaduais do Maranhão trabalharam duro, integrando um dos primeiros parlamentos estaduais a entrar na inesperada “era” das sessões remotas, por meio da tecnologia virtual. E atuaram discutindo, aprovando ou rejeitando proposições as mais diversas, fechando o histórico segundo ano da 19ª Legislatura com uma produção elevada em quantidade e qualidade.

O Relatório de Atividades da Assembleia Legislativa do Maranhão em 2020 informa que durante 70 sessões ordinárias, nove sessões remotas extraordinárias – por meio de teleconferências – os deputados estaduais mantiveram a instituição ativa e produtiva. Foram aprovados 1.257 Indicações, 100 Projetos de Decreto Legislativo e 58 Projetos de Lei Ordinária, 130 Requerimentos, 12 Projetos de Resolução Legislativa e uma Proposta de Emenda Constitucional (PEC). Os deputados aprovaram também duas PECs, 29 Medidas Provisórias, dois Projetos de Lei Complementar, 36 Projetos de Lei Ordinária encaminhados pelo Poder Executivo. Deram aprovação também a um Projeto de Lei Ordinária e três Projetos de Lei Complementar propostos pelo Poder Judiciário, além de proposições do Ministério Público, da Defensoria Pública e do Tribunal de Contas do Estado.

– Com a pandemia, novas regras foram editadas, provocando restrições em diversas atividades da Casa, mas a Assembleia nunca paralisou seu trabalho. No pico do problema, estabelecemos sessões remotas e adotamos todas as medidas determinadas pelas autoridades sanitárias. E mesmo com essa situação, tivemos uma grande produtividade em 2020, e o Legislativo Estadual mostrou a força do seu trabalho e de sua responsabilidade para com os maranhenses – avaliou o presidente Othelino Neto ao apresentar os números.

Ao mesmo tempo em que cumpriram suas obrigações legislativas, os deputados estaduais mergulharam fundo nos embates das eleições municipais, um processo crucial para a sobrevivência política de cada um deles. O pleito marcou fortemente parte dos integrantes da Assembleia Legislativa. Para começar, nada menos que nove deputados e duas suplentes no exercício do mandato disputaram prefeituras, sendo três titulares – Felipe dos Pneus (Republicanos) em Santa Inês, Rigo Teles (PL) em Barra do Corda e Fernando pessoa (SD) em Tuntum – e uma suplente – Belezinha (PL) em Chapadinha – foram eleitos. No caso da eleição de São Luís, o deputado Duarte Júnior (Republicanos) saiu das urnas muito fortalecido, tendo o deputado Neto Evangelista (DEM) mantido seu espaço na Capital.

As eleições municipais mostraram que, hoje dominada por uma nova e ativa geração de políticos, a Assembleia Legislativa se tornou um centro de efervescência política, tendo o presidente Othelino Neto como sua principal referência. Ao longo ao ano atípico e politicamente desafiador, o presidente da Assembleia Legislativa atuou como eficiente chefe de Poder, articulando a aprovação de medidas importantes em relação à pandemia e o suporte necessário às ações do Executivo. Ao mesmo tempo, se posicionou politicamente, entrando de cabeça na guerra eleitoral, tendo apoiado aliados que se elegeram em duas dezenas de municípios. E fechou o ano legislativo rompendo obstáculos e conseguindo a aprovação da A PEC da Emenda Impositiva, fortalecendo a posição dos deputados. Esse desempenho político lhe deu estatura para chegar em 2022 como uma alternativa às eleições majoritárias.

Nesse contexto, o desempenho do Poder Legislativo em meio à crise causada pelo novo coronavírus se deveu também à atuação de líderes ativos e experientes como Marco Aurélio (PCdoB), Rafael Leitoa (PDT), Roberto Costa (MDB), Neto Evangelista (DEM), César Pires (PV), Arnaldo Melo (MDB), Cleide Coutinho (PDT), Hélio Soares (PL), Helena Duailibe (Solidariedade), Adriano Sarney (PV), Edivaldo Holanda (PTC), Glaubert Cutrim (PDT) e Antônio Pereira (DEM), entre outros, que também fizeram sua parte.

 

PONTO & CONTRAPONTO

 

Sem explicação para a acusação de que foi vítima, Flávio Dino vai à Justiça contra Jair Bolsonaro

Flávio Dino vai à Justiça contra Jair Bolsonaro

O governador Flávio Dino (PCdoB) decidiu levar o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) às barras da Justiça por crime contra a honra. A ação penal foi decidida três meses depois de o presidente da República ter feito uma acusação sem fundamento ao governador maranhense.

A história é a seguinte: em Outubro, o presidente disse em entrevista que não incluiria Balsas no roteiro da sua visita ao Maranhão porque o governador teria proibido a Polícia maranhense de integrar o esquema da segurança presidencial naquele município. Ao tomar conhecimento da declaração do presidente, o secretário de Segurança, Jefferson Portela, desmentiu categoricamente essa declaração do chefe da Nação, afirmando que não houve solicitação do Gabinete de Segurança Institucional (GSI) nesse sentido. O Palácio dos Leões pediu explicações ao Palácio do Planalto sobre a inverdade declarada pelo presidente, mas não obteve resposta. Na véspera da visita do presidente da República a São Luís e Imperatriz, o GSI solicitou o apoio da Polícia maranhense ao esquema de segurança nos dois municípios, tendo sido prontamente atendido. O Governo do Maranhão insistiu na cobrança de uma manifestação do Palácio do Planalto sobre a inverdade dita pelo presidente em relação à ida dele a Balsas, onde participaria de um evento com pastores evangélicos – que na verdade não aconteceu. A assessoria do presidente da República ignorou os pedidos de explicação feitos pelo Palácio dos Leões.

Passados três meses, o governador Flávio Dino entendeu que foi vítima de uma agressão à sua honra por parte do presidente Jair Bolsonaro e decidiu mover uma ação penal contra o chefe da Nação. O governador exige que o presidente esclareça suas palavras, informe a origem da sua afirmação de que o governador “proibiu” a Polícia do Maranhão a integrar sua segurança em Balsas e, em caso negativo, responda por calúnia, um dos crimes mais graves contra a honra.

Se o processo andar dentro das regras, Jair Bolsonaro se verá na incômoda situação de um presidente que mentiu fazendo uma falsa acusação a um chefe de Estado.

 

Ao se eleger vice em Pinheiro, Ana Paula Lobato deu largada numa carreira promissora

 

Ana Paula Lobato exibe orgulhosa seu diploma de vice-prefeita eleita de Pinheiro

Poucas vezes uma eleição de vice-prefeito repercutiu tão fortemente nos bastidores da Assembleia Legislativa e no meio político em geral como a de Ana Paula Lobado (PDT), companheira de chapa do prefeito reeleito de Pinheiro, Luciano Genésio (PP). Esposa do deputado Othelino Neto (PCdoB), preside o Grupo de Esposas dos Deputados do Maranhão (Gedema), antigo e ativo braço social do Poder Legislativo. E num movimento surpreendente, deixou de ser somente o esteio de sustentação da carreira do marido, desembarcou de vez na política e encarou o desafio das urnas para se tornar vice-prefeita do seu município de origem, emitindo todos os sinais de que este foi apenas o primeiro passo.

Enfermeira por formação, Ana Paula Lobato tem política “na veia”, descendente que é de uma família de políticos da “Princesa da Baixada”. Seu pai, o médico Pedro Lobato, foi prefeito de Pinheiro por oito anos, integrando na época um grande grupo então liderado pelo governador Luiz Rocha, com influência em grande parte da Baixada Ocidental Maranhense. Seu casamento com Othelino Neto fortaleceu ainda mais sua verve política. E sua eleição para vice-prefeita de Pinheiro abriu caminho para seguir em frente, com a possibilidade de vir a disputar a Prefeitura de Pinheiro em 2024, já que o prefeito Luciano Genésio, já reeleito, não poderá disputar o cargo na próxima eleição.

Jovem, preparada e bem articulada, a presidente do Gedema e agora vice-prefeita eleita de Pinheiro tem todas as condições de alçar voos mais altos nos céus da política.

São Luís, 29 de Dezembro de 2020.

Flávio Dino traça roteiro para ele e para seus aliados visando a guerra eleitoral de 2022

 

Flávio Dino admite sair e se candidatar e traça roteiro para guerra eleitoral de 2022

“Provavelmente, devo concorrer às eleições e, por imperativos legais, devo deixar o governo em abril de 2022. Temos uma longa estrada até lá, são praticamente 15 meses pela frente. Então, minha intenção é deixar tudo pactuado no que se refere a Governo, vice-governador, Senado, chapas, ao longo de 2021, para que a gente entre em 2022 com a casa arrumada”.

Com essa declaração, dada durante entrevista à TV Mirante, no dia 23, antevéspera do Natal, o governador Flávio Dino (PCdoB) fez o primeiro grande movimento em relação a ele próprio e à aliança que lidera na direção das urnas do grande e decisivo embate eleitoral de 2022. Mais do que um comentário ocasional e de uma simples sinalização, suas frases alinhavaram a base de um roteiro por meio do qual prenuncia o seu próprio caminho e manifesta clara intenção de articular dentro da aliança partidária um grande pacto para a definição de candidatos a governador, vice-governador, senador e deputado federal e estadual. Essa articulação passa também, claro, por um posicionamento em relação a candidatos a presidente da República.

Mesmo usando o “provavelmente” como uma possibilidade de sair candidato, não resta dúvida de que o governador vai encarar as urnas. E essa seja, talvez, a informação mais importante da sua declaração, por dois motivos. Primeiro porque sua desincompatibilização em abril de 2022 terá impacto decisivo no cenário político estadual, mas com repercussão diferente. Se sair candidato a senador, como sugere a lógica, será o líder e o esteio principal da chapa, com amplas chances de vitória, independentemente de quem venha ser o candidato a governador, o que lhe dará cacife para se tornar um quadro de ponta no cenário político nacional. Além disso, sua provável candidatura ao Senado desanima alguns projetos que estão sendo montados nessa direção dentro do seu grupo. Mas se o projeto for o de disputar a Presidência da República ou, numa hipótese mais remota, a vice-presidência, as chances de sucesso dependerão de fatores que estão fora do seu alcance, podendo correr o risco de perder o controle da disputa estadual, mesmo estando ela bem pactuada.

O outro motivo da importância da declaração do governador Flávio Dino é que sua “provável” desincompatibilização fortalece a perspectiva de o vice-governador Carlos Brandão (Republicanos) ascender ao comando do Governo, o que lhe dá uma ampla margem de movimento e um poderoso item na sua pauta de argumentos na conversa com a classe política. Ao mesmo tempo, o sinal emitido pela declaração alcança também o senador Weverton Rocha (PDT), que a partir dele pode definir com maior precisão o roteiro da sua candidatura ao Governo do Estado. O vice-governador e o senador já se movimentam como pré-candidatos, mas sabem que em algum momento da construção do pacto serão colocados frente a frente para encontrar um caminho comum ou partir para a guerra aberta.

Quando fala enfaticamente em pactuar para “arrumar a casa”, o governador Flávio Dino manda um recado claro às forças que integram a aliança governista avisando que vai trabalhar politicamente para evitar o que aconteceu na eleição para a Prefeitura de São Luís, quando alguns segmentos do grupo não respeitaram o acordo firmado, causaram um racha e entregaram a mais importante máquina municipal do Maranhão a um adversário. E dando uma demonstração de que compreende a dinâmica e os desacertos eventuais dentro de uma base tão heterogênea, o governador anuncia que se prepara para fazer um movimento amplo no sentido de pacificar a aliança e mantê-la de pé em torno de uma chapa majoritária definida por consenso para 2022.

Calcado na experiência de quem sabe onde pisa, tanto no âmbito estadual quanto no nacional, o governador Flávio Dino tem ao seu alcance uma visão completa e apurada dos dois cenários. E com a determinação de dedicar parte dos próximos 15 meses à preparação das forças que lidera para o grande embate eleitoral, dificilmente dará um passo em falso. Sua declaração sugere essa conclusão.

 

PONTO & CONTRAPONTO

 

Eduardo Braide completará equipe e pode sinalizar mudança na estrutura

Eduardo Braide vai concluir  montagem da sua equipe

A semana será decisiva para o prefeito eleito Eduardo Braide (Podemos). Ele deve concluir a montagem da sua equipe, que até agora só tem nove nomes definidos para secretarias básicas e uma fundação. A Prefeitura de São Luís tem na sua grade 22 secretarias, inclusive duas que se conflitam em funções. Não se sabe se o prefeito eleito vai manter essa megaestrutura ou se está planejando uma reforma estrutural na máquina administrativa da Capital. Todas as evidências indicam que a estrutura de secretarias de São Luís está defasada, com excessos de um lado e carências de outro, que é cara e precisa de ajustes para se tornar mais dinâmica. Há, é verdade, áreas de excelência, que funcionam bem, apesar os problemas que enfrentam, mas há também setores que não decolam e que, em alguns casos, nem justificam sua existência. O prefeito Edivaldo Holanda Jr. (PDT) fez alguns ajustes, colocou a estrutura dentro das suas perspectivas e preferiu não mexer em alguns vespeiros. Com o cacife eleitoral e político que o levou à vitória, o prefeito Eduardo Braide poderá, se quiser, modernizar a máquina que passará a comandar daqui a menos de 120 horas. Os anúncios dos próximos dias poderão sinalizar as intenções do futuro prefeito nessa área.

 

Roberto Costa acompanha atento a disputa pelo comando da Câmara Federal

Roberto Costa e Baleia Rossi na homenagem ao líder emedebista na Assembleia Legislativa

Vice-presidente do MDB e hoje o principal articulador do partido no Maranhão, o deputado Roberto Costa está com as suas antenas ligadas e fixadas na direção de Brasília. Explica-se: o atual presidente nacional do partido, deputado federal Baleia Rossi (SP), é o candidato à presidência da Câmara Federal pela corrente liderada pelo atual presidente, deputado Rodrigo Maia (DEM-RJ). Roberto Costa tem boa relação com Baleia Rossi, a quem apoiou na disputa que o levou à presidência nacional do MDB com as forças da ala jovem do partido, sobre a qual o parlamentar maranhense tem expressiva influência. No ano passado, Roberto Costa trouxe Baleia Rossi ao Maranhão, para participar do ato em que o MDB lançou a ex-governadora Roseana Sarney à Prefeitura de São Luís. Na ocasião, o deputado propôs e a Assembleia Legislativa aprovou a concessão da Medalha do Mérito Manoel Beckman, a mais importante honraria do Legislativo, ao líder emedebista, transformando a visita de Baleia Rossi a São Luís num expressivo acontecimento político. Se Baleia Rossi for eleito presidente da Câmara Federal, o MDB reforçará posição nacional e o braço do partido no Maranhão ganhará um aliado mais forte.

São Luís, 27 de Dezembro de 2020.