
e Eduardo Braide: confronto verbal
na briga pelos votos de São Luís
Estava escrito nas estrelas que a escolha do ex-prefeito Edivaldo Holanda Jr. para vice de Orleans Brandão, pré-candidato do MDB ao Governo do Estado, desencadearia um confronto com o ex-prefeito Eduardo Braide (PSD), pré-candidato a governador, que envolveria também o governador Carlos Brandão (MDB) e a prefeita da Capital, Esmênia Miranda (PSD). Os últimos dias foram marcados por um tiroteio verbal, com petardos disparados de ambos os lados, numa espécie de “bateu, levou”. Confirmado vice, Edivaldo Jr. foi escalado – e parece ter aceitado a escalação de bom grado -, e partiu para a provocação. Eduardo Braide, que reagiu, passando a contar com o reforço da prefeita Esmênia Miranda.
Esse confronto verbal tem uma explicação simples e óbvia. Eduardo Braide é muito forte em São Luís, o que lhe dá uma vantagem expressiva na corrida aos votos, e tenta conquistar um grande lastro no interior. Por sua vez, Orleans brandão é forte no interior, mas precisa conquistar espaços em São Luís, de modo a, pelo menos, reduzir a vantagem de Eduardo Braide. Na avaliação de aliados de Eduardo Braide, ele manterá vantagem larga na Capital e pode ter desempenho positivo no interior, o que, se confirmado, lhe dará maioria de votos. Já nas contas dos aliados de Orleans Brandão, ele tem condições, se não de reverter, pelo menos reduzir a vantagem de Eduardo Braide em São Luís, e se confirmar a força que anuncia no interior, sairá das urnas com vantagem. Há quem acredite que, dependendo do resultado da eleição em São Luís, o desfecho poderá se dar no 1º turno, para um ou para outro.
O embate discursivo é a fonte de motivação que deu origem e está turbinando o confronto verbal iniciado na semana passada, quando o ex-prefeito Edivaldo Jr., já confirmado como pré-candidato a vice de Orleans Brandão, foi para as redes sociais disparar carga pesada contra a gestão Eduardo Braide no Sistema de Transporte da Capital. Eduardo Braide e Esmênia Miranda decidiram não responder ao ex-prefeito, minimizando a sua importância nesse cenário.
Na noite de segunda-feira, num ato de pré-campanha com apoiadores na área Itaqui-Bacanga, a situação mudou. O governador Carlos Brandão disparou carga pesada contra o Sistema de Saúde da Capital, afirmando, entre outras coisas, que, na atual gestão de São Luís, “os Socorrões não servem para nada”. Não deu outra, ontem, logo cedo, a prefeita Esmênia Miranda rebateu a fala do governador exigindo dele “respeito” ao Sistema de Saúde da Capital, afirmando que os Socorrões salvam vidas, principalmente de pessoas que são trazidas do interior para a Capital porque, segundo ela, os hospitais do Governo do Estado no interior não funcionam.
No seu discurso, Orleans Brandão atacou a gestão de Eduardo Braide nos transporte coletivo, prometendo “revolver” o problema se chegar ao Palácio dos Leões. Não demorou um dia e Eduardo Braide reagiu afirmando que o pré-candidato emedebista em quatro anos “não resolveu” os problemas que afetam a frota de ferry boats que fazem a travessia de São Luís para a Baixada Ocidental, devolvendo o ataque em tom áspero. E em relação à crítica de Edivaldo Jr. à sua gestão no Sistema de Transporte Coletivo. Eduardo Braide reagiu afirmando que o transporte de massa em São Luís é o resultado da Licitação feita por Edivaldo Jr., que de acordo com o ex-prefeito, “entregou” o sistema aos empresários.
Esses embate por palavras pela Prefeitura de São Luís serão intensificados nas próximas semanas, e poderão ganhar mais ou menos intensidade dependendo dos resultados das pesquisas que estão no forno. Se os números forem favoráveis a Eduardo Braide, Orleans Brandão, Edivaldo Jr. e Carlos Brandão intensificarão a pancadaria verbal, o mesmo acontecendo em sentido contrário se o beneficiado vier a ser Orleans Brandão.
PONTO & CONTRAPONTO
Weverton usa habilidade política para manter portas abertas com Brandão e Lula
Em busca da reeleição, o senador Weverton Rocha (PDT) vem fazendo uma trilha extremamente complicada. Como o seu partido não tem candidato a governador, ele se movimentou de tal maneira que chegou numa espécie de encruzilhada que pode ser benéfica ou prejudicial ao seu projeto eleitoral dependendo dos passos que vier a dar de agora por diante.
O parlamentar pedetista foi escolhido para ser um dos pré-candidatos a senador a compor a chapa encabeçada pelo pré-candidato do MDB ao Governo do Estado, Orleans Brandão, a quem já declarou apoio. E tem participado de diferentes eventos da sua pré-campanha, juntamente com o governador Carlos Brandão (MDB).
Ao mesmo tempo, foi indicado pelo comando nacional do PT como o nome do partido para o Senado, numa dobradinha com a senadora Eliziane Gama (PT). Só que nesse caso não lhe foi exigido apoio ao pré-candidato do PT ao Governo do Estado, o vice-governador Felipe Camarão, que não aceita apoia-lo em hipótese alguma. Felipe Camarão não poderá impedir que pelo menos parte do PT vote em Weverton Rocha para senador, mas diz ser “impossível” orientar esse voto.
Com muita habilidade, o senador Weverton Rocha mantém essa estranha situação cultivando a sua relação com o presidente Lula da Silva (PT). O presidente da República é o canal por meio de qual reforça a sua relação com o governador Carlos Brandão e, ao mesmo tempo, o seu ponto de ligação com o braço maranhense do PT.
Pode-se não gostar da ação política do senador do PDT, mas ninguém pode ignorar a sua extrema habilidade no jogo das relações com o poder.
TJMA teria descumprindo ordem do Supremo pagando a magistrados salários turbinados por penduricalhos
O Tribunal de Justiça do Maranhão não havia, até a noite de ontem, se já teria respondido ao pedido de explicação feito pelo Supremo Tribunal Federal sobre o fato de que em maio pagou nada menos que R$ 278 mil a um juiz, o segundo maior valor pago em todo o País – valor mais alto foi recebido por um magistrado do Distrito Federal, que embolsou R$ 495 mil naquele mês.
Ontem, circularam informações de que nove magistrados maranhenses também tiveram seus salários turbinados na folha de maio, o que complica muito a situação do comando do Tribunal de Justiça. Isso porque, a instituição judiciária estadual está burlando decisões do Supremo suspendendo o pagamento de penduricalhos que elevem contracheque a um valor acima de R$ 78 mil.
De acordo com levantamento feito pelo portal imirante.com, um desembargador embolsou R$ 127 mil, ou seja, R$ 49 mil acima do limite fixado para salário, que é de R$ 45 mil, e penduricalhos legais, que podem alcançar o valor de R$ 33, para alcançar o teto de R$ 78 mil, segundo a regra instituída pela Suprema Corte. Teria havido ainda salários de R$ 80 mil e R$ 90 mil.
Todos os valores acima de R$ 78 mil pagos pelo TJMA terão de ser devidamente explicados pelo presidente do Poder Judiciário maranhense, desembargador Ricardo Duailibe. Na sua resposta do Supremo, o presidente do TJMA terá de explicar porque o Poder Judiciário do Maranhão está descumprindo ordem judicial.
São Luís, 08 de Julho de 2026.

