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Inelegível, Josimar de Maranhãozinho se movimenta para manter cacife em outubro

Josimar de Maranhãozinho quer
Detinha na Alema e Fabiana Vilar
e Aldir Jr. na Câmara Federal

Pouco mais de um mês depois de condenado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) a cinco anos e seis meses de cadeia, pena que cumprirá inicialmente em regime semiaberto, o deputado federal Josimar de Maranhãozinho exibe fôlego político ao manter controle total sobre o PL no Maranhão e operar uma série de ajustes no grupo que lidera para as eleições de outubro. Sem condições de tentar a reeleição, a começar pelo fato de que sua condenação inclui inelegibilidade por oito anos, Josimar de Maranhãozinho será representado na corrida eleitoral pela sobrinha, deputada estadual Fabiana Vilar, que comanda a bancada do PL na Assembleia Legislativa. Outra decisão tomada foi que a deputada federal Detinha – que foi a mais votada do Maranhão em 2022 – será candidata a deputada estadual, lançando para sua vaga o vereador Aldir Jr., o principal representante do PL na Câmara Municipal de São Luís.

No meio político, a impressão geral é a de que Josimar de Maranhãozinho político “respondeu bem” à pancada da condenação, mesmo que ela o tenha retirado à força do exercício do mandato. Ele continua firme no comendo do PL, conservando o aval do presidente nacional da legenda, ex-deputado federal Valdemar Costa Neto, também expurgado do parlamento federal por corrupção e ainda amargando inelegibilidade. E mantém independência em relação à família Bolsonaro, não tendo feito até agora nenhuma declaração em relação pré-candidatura do senador Flávio Bolsonaro, do seu partido, à presidência da República, nem se manifestado em relação à condenação do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) por tentativa de golpe – os dois não se toleram.

Ninguém duvida de que, mesmo sob a pressão moral e ética de uma condenação por corrupção, Josimar de Maranhãozinho vai continuar ocupando um espaço respeitável no cenário político do Maranhão. Ele comanda um quinhão nada desprezível da política estadual, por meio da deputada federal Detinha e do deputado federal Júnior Lourenço, que integra a sua “bancadinha” na Câmara Federal, e 12% da Assembleia Legislativa, onde é representado pelos deputados Fabiana Vilar, Cláudio Cunha, João Batista Segundo, Aluísio Santos e Solange Almeida, além de uma grande penca de vereadores espalhados por todo o estado. Com um detalha importante: os seus seguidores e aliados vestem a sua camisa e são fiéis – pelo menos até as eleições municipais.

Condenado, juntamente com o Pastor Gil, sob a acusação de negociar emendas parlamentares, caso materializado por uma tentativa de extorquir R$ 1,5 milhão da Prefeitura de São José de Ribamar, denunciada pelo então prefeito Eudes Sampaio (PTB), Josimar de Maranhãozinho planeja manter peso político na esfera federal por meio dos seus aliados, especialmente Fabiana Vilar e Aldir Jr., apontados em todos os cenários como fortes candidatos à Câmara dos Deputados. Já no plano estadual, seu projeto é eleger uma bancada forte à Assembleia Legislativa, a ser liderada pela esposa Detinha, que aparece em todas listas de elegíveis com votação retumbante. E com poder de fogo para disputar a presidência do parlamento estadual.

Josimar de Maranhãozinho ainda não se posicionaram em relação à corrida ao Palácio dos Leões nem a respeito da disputa pelas duas vagas no Senado. Antes da sua condenação, circularam rumores de que a deputada federal Detinha seria candidata ao Senado, mas tal projeto, se foi de fato concebido, acabou tirado de pauta e mandado para o arquivo morto. Outros rumores correram nos bastidores dando conta de que Josimar de Maranhãozinho poderia ser candidato a governador ou indicar o vice de uma chapa forte. Tais projetos, se foram concebidos, também foram arquivados.

O fato concreto é que Josimar de Maranhãozinho não será candidato em 2026, mas participará do jogo eleitoral com fôlego para manter pelo menos parte do poder político que ainda detém.  

PONTO & CONTRAPONTO

Assembleia deve julgar recurso e CPI contra Camarão pode ser instalada amanhã

Felipe Camarão vai enfrentar CPI que
deve ser presidida por Ana do Gás

Depois de mais de uma semana em Brasília, onde conversou muito e participou da reunião nacional do PT, vice-governador Felipe Camarão retorna São Luís sem ter definida sua situação em relação às eleições de outubro e com fardo de encarar uma CPI da Assembleia Legislativa que investigará denúncia do Ministério Público segundo a qual ele teria feito movimentação financeira atípica quando secretário de Educação.

A CPI deve ser instalada nesta quarta-feira. Isso porque está previsto que o plenário decida hoje sobre recurso do deputado Rodrigo Lago (PSB) contra a instalação. E como a tendência é no sentido de que a reclamação do parlamentar, aliado de Felipe Camarão, não seja acatada, tudo indica que a CPI será instalada amanhã

Se esse roteiro for confirmado, a primeira sessão da CPI será eleger o presidente, que deverá ser a deputada Ana do Gás (Republicanos), e o relator, que não está definido. Falou-se inicialmente no deputado Yglesio Moises (PRD), mas formou-se o entendimento de que ele, como autor do requerimento que deu origem à CPI, não teria isenção para ser o relator.  

Além da escolhe do presidente e do relator, a primeira reunião da CPI definirá também o roteiro de trabalho, devendo definir um calendário de depoimentos, a começar pelo do próprio vice-governador Felipe Camarão.

Ricardo Duailibe inicia gestão no TJ sob o impacto do afastamento de mais um desembargador

Ricardo Duailibe inicia gestão sob
o impacto do afastamento
de Eulálio Figueiredo pelo CNJ

Como estava escrito nas estrelas, mesmo levando em conta o otimismo que manifestara no seu discurso de posse na sexta-feira (25), o novo presidente do Tribunal de Justiça do Maranhão, desembargador Ricardo Duailibe iniciou sua gestão, ontem, sob o impacto do afastamento temporário de mais um desembargador, Eulálio Figueiredo, por suposto desvio de conduta, segundo decisão do Conselho Nacional de Justiça.

Com o afastamento do desembargador Eulálio Figueiredo, mais recente, formalizado no sábado, já são seis dos 36 integrantes do colégio de desembargadores que forma a Corte maior do Poder Judiciário do Maranhão. Quando discursou na sessão solene da sua posse e dos demais integrantes da Mesa – Gervásio dos Santos Filho (vice-presidente), José Gonçalo de Souza Filho (corregedor geral da Justiça) e Ângela Salazar (corregedora geral do Foro Extrajudicial) –, o presidente Ricardo Duailibe manifestou disposição de unir a Corte, mas não tinha ideia de que iniciaria o seu mandato sob o impacto de mais uma pancada forte no suporte ético do Poder Judiciário.

O fato é que ontem ele teve de assumir como tarefa principal convocar mais juiz de entrância final para atuar como desembargador interino, inicialmente pelo prazo de dois meses, que pode resultar no retorno de Eulálio Figueiredo, ou ser prolongado, como ocorreu como demais desembargadores afastados. O convocado foi o juiz Jamil Aguiar, que tomou posse no primeiro ato oficial da nova direção do Tribunal de Justiça.

Suspenso por 60 dias por suspeita de haver liberado recursos no valor de R$ 1 milhão numa ação, ainda quando juiz, o desembargador Eulálio Figueiredo contesta a suspeita com veemência e afirma que demonstrará sua inocência ao CNJ, prevendo retornar ao Tribunal Pleno o mais rapidamente possível.

Em Tempo: o episódio envolvendo o desembargador Eulálio Figueiredo repercutiu fortemente no meio cultural, especialmente no segmento da Música Popular Maranhense (MPM), onde é reconhecido e festejado como compositor.

São Luís, 28 de Abril de 2026.

Pré-campanha aos Leões é intensificada e fatos isolados começam a desenhar o perfil político das pré-candidaturas

Eduardo Braide recebe a declaração de apoio da prefeita
Cibelle Napoleão, de Santo Antônio dos Lopes, e
Orleans Brandão ganha o apoio da
vereadora de São Luís Rosana da Saúde

Bastaram duas semanas de pré-campanha para o Palácio dos Leões para que fossem registrados os primeiros movimentos de arrumação nas bases de apoio dos pré-candidatos a governador. Nos últimos dez dias, três fatos indicaram que pode haver mudanças significativas nos conjunto de forças que apoia cada aspirante à sucessão do governador Carlos Brandão (sem partido), e como não poderia deixar de ser, esses movimentos se deram em torno de Eduardo Braide (PSD), que ganhou o apoio declarado de dois prefeitos de municípios estratégicos; de Orleans Brandão (MDB), que ganhou mais um reforço em São Luís, e de Lahesio Bonfim, que perdeu um porta-voz importante em Imperatriz. Feitas as contas, não se pode dizer o que esses gestos representam em termos eleitorais, mas não há como ignorar a importância política de cada um para os candidatos alcançados.

Na semana que passou, dois prefeitos de municípios destacados nas suas regiões, Cibelle Napoleão (PL), de Santo Antônio dos Lopes, e Luís Fernando dos Santos (União Brasil), de Humberto de Campos, deixaram a base de apoio do pré-candidato emedebista Orleans Brandão e migraram para o movimento que se forma em torno de Eduardo Braide. Ela, que tem raízes profundas no município, que ganha cada vez mais importância como produtor de gás natural e começa a ser visto como um futuro polo industrial e comercial. Ele lidera um município importante de uma região já transformadas em polo turístico e cuja tendência é avançar no seu desenvolvimento econômico.

Cibele Napoleão deixou a base de Orleans Brandão por não aceitar dividir a sua ação política com a deputada Ana do Gás (Republicanos), que tenta sobreviver num xadrez eleitoral muito complicado. Luiz Fernando declarou que o motivo que o levou a apoiar a pré-candidatura de Eduardo Braide foi ter se dado conta de que “o povo de Humberto de Campos quer votar nele”. Os dois casos representam ganho real para o candidato do PSD, que vem incursionando intensamente no interior, para quebrar a acusação de que não conhece o estado.

Por sua vez, o candidato governista Orleans Brandão, que vem se movimentando para ganhar espaços na Capital e ampliar o que já tem contabilizado de apoio no interior, terminou a semana com um ganho importante, se não pelo peso eleitoral propriamente dito, mas como representação política: recebeu o apoio formal da vereadora Rosana da Saúde (Republicanos), que representa esse segmento na Câmara Municipal de São Luís. E como a Capital é um território político apontado como independente, que não se dobra a pressões, a declaração de apoio de uma vereadora como Rosana da Saúde é, de fato, um ganho real a ser contabilizado pelo pré-candidato do MDB.

O terceiro evento atingiu diretamente o pré-candidato do Novo ao Governo do Estado, Lahesio Bonfim. Nilson Takachi, um publicitário e militante político em Imperatriz, que ficou em quarto lugar na corrida à Prefeitura em 2024, rompeu com Lahesio Bonfim e desembarcou em São Luís para declarar apoio a Eduardo Braide. Se não representa um caminhão de votos, o posicionamento de Takachi amplia a base de apoio de Eduardo Braide na Princesa do Tocantins, onde, embalado pelo aval declarado do governador Carlos Brandão e do suporte do prefeito Rildo Amaral (PP), ocupa um espaço amplo na cidade. E mais do que isso, enfraquece a base de apoio de Lahesio Bonfim no segundo maior colégio eleitoral do Maranhão, onde foi o mais votado na eleição de 2022.

Independentemente das intensas agendas de pré-campanha, com Eduardo Braide prometendo transformar a Barragem do Rio Flores em polo turístico, Orleans Brandão lançando sua pré-campanha Imperatriz na noite deste sábado, e Lahesio Bonfim disparando chumbo grosso contra o governador Carlos Brandão nas redes sociais, os três fartos políticos mencionados sinalizam que o jogo que definirá o perfil político das pré-candidaturas está começando.

PONTO & CONTRAPONTO

PT mantém indefinição sobre como vai se posicionar na socorrida sucessória no Maranhão

Felipe Camarão: situação
ainda indefinida

O encontro nacional do PT só termina hoje e as conversas sobre definições nos estados podem acontecer a qualquer momento. Mas o fato é que, pelo menos até a noite de sábado, o coando nacional do partido ainda não havia bastido martelo em relação à posição que seguirá na corrida sucessória do Maranhão nem quanto ao futuro do vice-governador Felipe Camarão, que se encontra em Brasília desde o início da semana passada para participar do evento partidário e resolver sua vida em relação às urnas, como ele próprio anunciou em vídeo antes de viajar.

A expectativas era a de que o “caso maranhense”, que se transformou num nó cego a ser desfeito pelos dirigentes nacionais e pelo próprio presidente Lula da Silva, seria avaliado e resolvido na última quinta-feira, numa reunião da Executiva. Mas a reunião foi cancelada e, no mesmo dia, o governador Carlos Brandão conversou sobre o assunto com o presidente nacional do PT, Edinho Silva. À Coluna o mandatário maranhense resumiu a resumiu numa frase emblemática: “Ainda sem definição”.

O fato é que, a julgar pelos movimentos do comando nacional do PT em relação ao Maranhão, o partido ainda não resolveu se lançará candidato próprio a governador – no caso oi vice-governador Felipe Camarão – ou se apoiará a candidatura de Orleans Brandão com direito a indicar um candidato ao Senado – no caso Felipe Camarão.

Como a reunião nacional, que termina hoje, não tratará desse tema, é possível que entre hoje e amanhã o assunto seja avaliado em petit comité. Caso isso não aconteça, o vice-governador retornará a São Luís sem um a definição. Mas pelo menos com a informação de quando e como o seu futuro será definido.

Registro

Novo comando do Tribunal de Justiça assume com o desafio de unir a instituição

Ricardo Duailibe entre Gonçalo Filho, Carlos Brandão,
Iracema Vale, Gervásio Santos Filho e Ângela Salazar:
posse prestigiada e desafios a vencer

Em meio a um conjunto de situações constrangedoras, como o afastamento de magistrados (juízes e desembargadores) por suspeita de corrupção, e situações delicadas, como e a manutenção de R$ 2,6 bilhões de depósitos judiciais no Banco Regional de Brasília (BRB), que foi dura e perigosamente afetado pela associação criminosa com o liquidado Banco Master, o novo comando Poder Judiciário do Maranhão, presidido pelo desembargador Ricardo Duailibe, assumiu na sexta-feira (24), com a pompa formal de sempre, mas ambiente para festa.

O presidente Ricardo Duailibe, que foi eleito com pouco mais da metade dos votos num colegiado que sempre teve por tradição o rodizio consensual, vai comandar um Poder dividido, distante da unidade por pretendida. Ele deixou isso claro no seu discurso de posse, quando enfatizou a necessidade de unidade no Poder. O novo presidente recebeu um desafio a vencer, pois a julgar pelo ambiente que domina a Corte, a gestão do desembargador Froes Sobrinho contribuiu para ampliar as diferenças no colégio de desembargadores.

Com clara boa vontade em relação ao sucessor, que foi o seu padrinho, o presidente Ricardo Duailibe, que tem perfil de conciliador, exaltou resultados alcançados pela gestão anterior. “O Tribunal alcançou resultados expressivos graças a um trabalho conjunto. Nossa responsabilidade agora é garantir que esse nível de excelência seja mantido e aprimorado, com foco em transparência, produtividade e inovação”, assinalou Ricardo Duailibe. Ele foi claro que sua meta “é unir” o Tribunal de Justiça.

Todos os sinais emitidos no ato de posse do novo comando ad Poder Judiciário do Maranhão apontaram para um bom relacionamento respeitoso e produtivo com os Poderes Executivo e Legislativo. A presença do governador Carlos Brandão (sem partido) e da presidente da Assembleia Legislativa, Iracema Vale (MDB) evidenciou que o novo comando do TJ não terá dificuldades para manter um relacionamento institucional saudável com o Palácio dos Leões e com o Palácio Manoel Beckman. Ambos destacaram a boa relação com o Poder Judiciário e se declararam confiante na nova gestão

No essencial, o presidente Ricardo Duailibe foi claro no direcionamento que sua gestão dará à Justiça do Maranhão: “A Justiça precisa chegar a quem mais precisa. Uma Justiça que não alcança os mais vulneráveis não cumpre plenamente seu papel. Vamos ampliar iniciativas, como os pontos de inclusão digital, para atender às localidades mais distantes”.

Vale recordar que esse discurso, basicamente com as mesmas palavras, foi feito por todos os seus antecessores.

Em Tempo: no novo comando do Tribunal de Justiça do Maranhão é o seguinte: Ricardo Duailibe (presidente), Gervásio dos Santos Júnior (vice-presidente), José Gonçalo de Sousa Filho (corregedor-geral da Justiça) e Ângela Salazar (corregedora-geral do Foro Extrajudicial).

São Luís, 26 de Abril de 2026.

Reunião nacional e ação de Brandão podem levar o PT a adiar definição sobre sucessão no Maranhão

Felipe Camarão aguarda em Brasília decisão
do PT, enquanto Carlos Brandão atua para
que o partido apoie Orleans Brandão

Todos os sinais emitidos recentemente no meio partidário indicam que os próximos três dias podem ser decisivos para o futuro político do Maranhão, que pode ter um novo desenho da corrida ao Palácio dos Leões. Essa guinada pode ser dada se o PT, como está previsto, bater martelo optando pela candidatura própria ao Governo ou por uma aliança com o MDB em torno da candidatura de Orleans Brandão, mas com espaço para o partido na chapa majoritária. Lançando candidato próprio – o vice-governador Felipe Camarão -, o PT romperá de vez com o grupo liderado pelo governador Carlos Brandão (sem partido), ou, ao contrário, se o partido vier a lançar candidato ao Senado – que pode ser o vice-governador -, numa aliança em torno da pré-candidatura de Orleans Brandão (MDB) ao Governo do Estado.

Essa definição poderia acontecer nesta sexta-feira, mas dois fatos mudaram o roteiro. Primeiro, a Executiva nacional do PT cancelou reunião marcada para a quinta-feira, e no mesmo dia o governador Carlos Brandão se reuniu com o presidente do partido, Edinho Silva, para tratar da aliança PT/MDB. O governador saiu da reunião sem revelar o teor da conversa. À Coluna, ele resumiu a conversa numa frase: “Ainda sem definição”.

Qualquer que seja a decisão a ser tomada pela cúpula nacional do PT e venha a ter o aval do presidente Lula da Silva, ela impactará fortemente a política estadual. Se o PT decidir lançar Felipe Camarão ao Governo, a primeira consequência será o rompimento com o governador Carlos Brandão, que poderá cruzar os braços em relação à candidatura do presidente Lula da Silva no Maranhão, mas também pagará o preço de ter a máquina federal lhe dando as costas. Se a opção for pela aliança na qual Felipe Camarão venha a ser candidato ao Senado, uma série de desdobramentos poderão acontecer. Uma ala mais pragmática do PT não aceita que a decisão do partido dependa do futuro do vice-governador Felipe Camarão.

No meio desse tufão está o PSB, grupo remanescente do chamado dinismo, que hoje faz dura oposição ao Governo, recebendo intenso bombardeio em contra partida. Esse grupo, que tem como integrante o deputado Fernando Braide, tem preferência e vem trabalhando por uma aliança com o ex-prefeito Eduardo Braide (PSD). E tanto quanto os governistas, os dinistas e o próprio ex-prefeito de São Luís aguardam uma definição do PT para ajustarem suas estratégias para enfrentar as urnas.

Uma eventual candidatura do vice-governador Felipe Camarão aos Leões dará forma final e definitiva ao rompimento com o grupo liderado pelo governador Carlos Brandão. Nesse caso, Felipe Camarão entrará na corrida para, primeiro, medir forças com Lahesio Bonfim (Novo), com o objetivo de tomar-lhe o terceiro lugar e, então, partir para um embate direto com Orleans Brandão, que até aqui polariza a disputa Eduardo Braide, líder inconteste da corrida segundo todas as pesquisas. Trata-se de um conjunto de gigantescos desafios.

O fato é que hoje os rumos da corrida ao Palácio dos Leões dependem da decisão que vier a ser tomada pela cúpula do PT, que estará reunida em Brasília de hoje a domingo, exatamente para resolver situações pendentes e complicadas, como é o caso de como será o palanque do presidente. Até onde se sabe, há muita resistência na cúpula do PT quanto a levar o partido a apoiar as candidatura do emedebista Orleans Brandão, sendo este o ponto em relação ao qual o governador Carlos Brandão não abre mão. Inúmeras fórmulas já foram propostas, mas nenhuma contentou os dois lados, de modo que a indefinição permanece.

Em Brasília desde terça-feira, o vice-governador Felipe Camarão se diz pronto para acatar a decisão que for tomada pelo comando partidário e que tenha o aval do presidente Lula da Silva. Antes de embarcar, ele, que manteve durante meses um discurso radical em relação a ser candidato a governador, admitiu que poderá vir a ser candidato a senador, se o partido e o presidente da República assim decidirem.

PONTO & CONTRAPONTO

Brandão se lança neste sábado em Imperatriz; Braide intensifica incursões no interior e Bonfim ataca nas redes sociais

Eduardo Braide fecha incursão no Leste,
Orleans Brandão se lançará em Imperatriz
e Lahesio Bonfim ataca nas redes sociais

O pré-candidato do MDB a governador, Orleans Brandão, fechou ontem uma semana de intensa incursão por diferentes regiões e bairros de São Luís, cumprindo uma estratégia de minar o principal lastro eleitoral do ex-prefeito Eduardo Braide (PSD), Ontem, por exemplo, ele esteve na Feira do João Paulo, onde conversou com feirantes e prometeu que, se eleito, resolverá os problemas de lá.

O passo seguinte de Orleans Brandão com o objetivo de drenar o poder de fogo de Eduardo Braide ocorrerá hoje, em Imperatriz, onde ele lançará oficialmente a sua pré-candidatura ao Governo com um evento que, pelo que está sendo preparado, deverá reunir milhares de pessoas. O objetivo é minimizar o impacto da iniciativa de Eduardo Braide de escolher o seu vice em Imperatriz, a empresária Elaine Cortez (PSD).

Depois da incursão em Imperatriz e Balsas, passando por Açailândia, Eduardo Braide atacou no Leste maranhense, começando por Timon, onde recebeu o apoio do grupo Leitoa e de Henrique Neto. Dali, seguiu para Caxias, onde foi saudado pelo deputado federal em exercício Paulo Marinho Jr. (PL), que, na avaliação de um político caxiense, tem o apoio de metade do eleitorado da Princesa do Sertão. A incursão foi encerrada em Coroatá, onde recebeu o apoio de grupo de oposição.

O fato é que a entrada de Eduardo Braide no circuito da corrida aos Leões levou Orleans Brandão a fazer ajustes na sua agenda, o que torna a disputa mais animada. Inclusive por conta das investidas de Lahesio Bonfim (Novo), que diante da movimentação do ex-prefeito de São Luís e do pré-candidato do MDB, decidiu acionar uma metralhadora verbal nas redes sociais, atacando Eduardo Braide, Orleans Brandão e, por tabela, Felipe Camarão (PT).

Gentil se propõe a disputar Senado pelo União Brasil, mas o seu foco mesmo seria a 1ª suplência na chapa de Fufuca

Fábio Gentil: de olho no Senado

O ex-prefeito de Caxias e ex-secretário de Estado de Agricultura Fábio Gentil (União Brasil), se colocou à disposição do partido para disputar uma cadeira no Senado. A manifestação surpreendeu o meio político, uma vez que o seu grupo – formado pelo prefeito Gentil Neto (PP), pela deputada federal Amanda Gentil (PP) e pela deputada estadual Daniella Jadão (MDB) – vinha emitindo todos os sinais de que estava mobilizado em torno da candidatura do deputado federal e ex-ministro do Esporte André Fufuca (PP).

Não há dúvida de que Fábio Gentil é hoje um quadro de peso na política estadual, com cacife para pleitear vaga de candidato a senador em qualquer partido ou aliança partidária. Vereador por vários mandatos e prefeito de Caxias eleito e reeleito e com força para fazer do sobrinho, Gentil Neto, seu sucessor, além de garantir a eleição da filha, Amanda Gentil, para a Câmara Federal e de ter participação decisiva na sobrevivência da companheira Daniella Jadão na Assembleia Legislativa, Fábio Gentil quer agora o seu lugar, com mandato, no tabuleiro da política estadual.

Um exame mais amplo e cuidadoso do fato de ter ele se colocado à disposição do União Brasil para ser candidato a senador leva rapidamente à conclusão de que o ex-prefeito de Caxias está mirando mesmo é a vaga de 1º suplente na chapa encabeçada pelo ex-ministro André Fufuca. Isso porque, se eleito for e o presidente Lula da Silva alcançar a reeleição, é muito provável que André Fufuca volte à Esplanada como ministro de Estado, abrindo vaga para o 1º suplente se tornar senador interino por um longo período.

Os desdobramentos da sua manifestação dirão o que está, de fato, por trás da sua proposta ao União Brasil.

São Luís, 24 de Abril de 2026.

Braide e Orleans se movimentam para eleger grandes bancadas na Assembleia Legislativa

Eduardo Braide e Orleans Brandão querem
bancadas fortes na Assembleia Legislativa

Além da disputa pelo Palácio dos Leões, da escolha de vices e de montagens para o Senado, os dois candidatos a governador mais bem situados no cenário mostrado pelas pesquisas, Eduardo Braide (PSD) e Orleans Brandão (MDB), travam uma guerra intensa pelas 42 cadeiras da Assembleia Legislativa. Desde que se lançou pré-candidato, há três semanas, Eduardo Braide vem se movimentando para turbinar o PSD com uma chapa forte, enquanto Orleans Brandão já dá os retoques finais no que já foi batizado como “Chapão do MDB”, com a aposta que o seu partido sairá das urnas com entre 15 e 20 deputados estaduais. Lahesio Bonfim (Novo) não fala em montar chapa para deputado estadual e até aqui se dedica exclusivamente à sua pré-campanha aos Leões.

Já contando com nomes politicamente promissores, como o ex-prefeito de Timon Luciano Leitoa, a deputada Viviane Silva, da região de Balsas e o vereador Douglas Pinto, bem votado em São Luís, Eduardo Braide busca também na sociedade organizada nomes de expressão. Ontem, por exemplo, ele lançou Antônio Dino, que comanda a Fundação Antônio Dino, referência regional no tratamento de câncer e que é filho de Antônio Dino, vice-governador eleito em 1965 e que assumiu o Governo quando José Sarney renunciou para disputar o Senado em 1970. A ideia, segundo um aliado do ex-prefeito, é montar uma chapa com candidatos comprometidos com o seu programa de Governo e a sua linha de ação política.

Orleans Brandão, por sua vez, faz uma aposta alta numa chapa do MDB na reeleição, do grande grupo que dá sustentação parlamentar ao governador Carlos Brandão (sem partido). No chamado “Chapão do MDB” estão nomes como os deputados Iracema Vale presidente da Alema, Neto Evangelista, Osmar Filho, Antônio Pereira, Ricardo Arruda, Francisco Nagib. Glaubert Cutrim, Florêncio Neto, entre outros, aos quais se somam, por exemplo, o ex-prefeito de Imperatriz Sebastião Madeira e o ex-deputado federal João Marcelo de Souza. Nas contas otimistas de integrantes da chapa, o “Chapão do MDB” pode sair das urnas com elo menos 1 milhão de votos, havendo otimistas que apostam em 1,5 milhão e pessimistas que esperam pelo menos 750 mil votos.

Ainda sem ligação com candidato a governador, podendo entrar com o vice-governador Felipe Camarão como candidato próprio ou alinhando-se à candidatura de Orleans Brandão, o PT está montando sua chapa com nomes expressivos, a começar pela ex-prefeita de Vitorino Freire, Luanna Rezende, Cricielli Muniz (ex-Iema), o ex-deputado Zé Inácio, entre outros. Outros partidos, como o PP, o Republicano, o Podemos e o PRD, todos alinhados à pré-candidatura de Orleans Brandão, articulam chapas fortes para a Assembleia Legislativa, sendo parte das composições formada por marinheiros de primeira viajem. Além destes, PL está no jogo e deve lançar uma chapa forte, com quatro deputados aspirando a reeleição.

Nesse cenário em movimento, um grupo de forte expressão política e concentrado no PSB, aguarda uma definição do quadro para governador para se posicionar. Até aqui, o grupo, formado pelos deputados Carlos Lula, Rodrigo Lago, Leandro Bello e Júlio Mendonça se movimenta inclinado a uma aliança com Eduardo Braide, com quem já vem conversando há tempos. Mas pode haver uma reviravolta no rumo do PSB se o PT lançar Felipe Camarão como candidato a governador, definição que deve sair até o final da semana, conforme o próprio vice-governador. Se o PT optar por alinhar-se a Orleans Brandão e nesse acerto Felipe Camarão saia candidato a senador, o caminho mais provável do PSB é fechar com Eduardo Braide.

O fato é que, a julgar pela movimentação de cada um, os candidatos a governador mais expressivos estão empenhados em formar bancadas fortes na Assembleia Legislativa. E essa guerra será mais intensa ainda quando Lahesio Bonfim decidir formar uma chapa para deputado estadual.

PONTO & CONTRAPONTO

Aliados incentivam Roseana a se candidatar ao Senado, mas por enquanto o projeto é a reeleição para a Câmara Federal

Roseana Sarney: aliados a
querem candidata ao Senado

Ela própria não disse mais nada sobre o assunto, preferindo acompanhar o desenrolar dos acontecimentos, mas entre amigos e aliados muitos acreditam que não existe ainda uma definição quanto ao caminho eleitoral da deputada federal Roseana Sarney (MDB). De acordo com uma fonte bem situada na família Sarney Murad, a ex-governadora mantém de pé o seu projeto de reeleição, mas alimenta ainda a possibilidade de vir a ser candidata ao Senado.

A possibilidade de entrar na corrida senatorial ganhou força com a confirmação de que o governador Carlos Brandão (sem partido) confirmou a permanência no cargo até o final do mandato. Desde o dia 5 de abril que seus apoiadores mais próximos estariam fazendo carga no sentido de motivar a deputada a avaliar para valer o cenário, para tomar uma decisão definitiva sobre o assunto.

O futuro de Roseana Sarney nas urnas envolve dois aspectos importantes.

O primeiro é que ela é um quadro parlamentar de larga experiência, que conhece o caminho das pedras no Congresso Nacional, reunindo, como deputada federal ou como senadora, as condições para contribuir positivamente no processo político nacional, que pode mergulhar num quadro de profunda crise institucional.

O outro é o problema da saúde, que ainda inspira cuidados. Meses atrás era dado como certo que ela se aposentaria de vez. Agora, o cenário é outro, e nele ela vem exibindo disposição cada vez maior para continuar mergulhada nas articulações políticas, motivando os seus apoiadores a indica-la para o Senado.

Por enquanto, o projeto é a reeleição para a Câmara Federal.

Lahesio diz que “grupo” tentou comprá-lo, mas não dá os nomes nem o valor

Lahesio Bonfim: denúncia de tentativa
de compra sem nome e sem valor

O pré-candidato do Novo ao Governo do Estado, Lahesio Bonfim, fez uma revelação grave ao ser entrevistado recentemente por um podcast do Piauí. Ele declarou, sem meias palavras, que um “grupo” teria lhe oferecido dinheiro para que desistisse de se candidatar a governador e disputasse uma cadeira na Câmara Federal. Na mesma entrevista, Lahesio Bonfim disse também que “o grupo” político do ex-prefeito de São Luís, Eduardo Braide (PSD) tentou inviabilizar a sua candidatura ao Governo do Maranhão.

Nas duas acusações o pré-candidato do Novo se negou a dar nomes, insistindo em se referir ao substantivo “grupo”, e também ao pronome “eles”. E numa tentativa de dar mais veracidade às acusações, disse que pode “provar” o que falou. Ao jornalista que o entrevistou, disse – em tom que misturou drama e sarcasmo – que bastaria olhar nos seus olhar para saber que ele estava falando a verdade.

Lahesio Bonfim é experiente o suficiente para saber que acusar sem dar nomes não cola. E o que pode ser pior: ele perde credibilidade. Principalmente depois de ter afirmado que não vai partir para o confronto direto nem com o “grupo” nem com “eles”.

O pré-candidato do Novo precisa tomar uma decisão politicamente correta: acusar dando nomes e o valor da proposta ou mudar o discurso.

São Luís, 22 de Abril de 2026.

PT vai definir rumo na sucessão estadual e Camarão pode ser candidato a governador ou a senador

Dividido, PT maranhense pode se mobilizar em torno de Felipe
Camarão (centro) como candidato a governador ou a senador

O PT finalmente caminha para uma definição em relação à corrida sucessória no Maranhão e também para resolver o futuro do vice-governador Felipe Camarão (PT). O caminho para o posicionamento do partido no estado será a agenda a ser cumprida pelo seu presidente, Edinho Silva, e de ministro de Relações Institucionais, José Guimarães, que conversarão na próxima quinta-feira com o governador Carlos Brandão (sem partido), e a reunião do Diretório Nacional no fim da semana. De acordo com a previsão do próprio vice-governador, até no início da semana que vem o PT terá decidido se terá candidato próprio ao Palácio dos Leões – no caso o vice-governador – ou fará uma aliança em torno de outro candidato, tendo o Felipe Camarão como candidato a senador.

O anúncio dessa agenda foi feito pelo vice-governador Felipe Camarão em vídeo no qual ele disse que sonha governar o Maranhão, mas que o seu futuro será definido pelo partido e pelo presidente Lula da Silva (PT). Sereno, sem externar o seu viés oposicionista, Felipe Camarão deixou claro que o seu projeto não é pessoal nem familiar, afirmando que tomará o rumo que o partido e o presidente Lula da Silva indicarem, podendo ser candidato a governador, se a opção for pela candidatura própria, e ou a senador, no caso de uma aliança. Na sua fala, ele não fez qualquer indicação sobre uma possível aliança.

Se a opção do PT for pela candidatura própria ao Governo do Maranhão, Felipe Camarão será o candidato natural do partido, já que não existe outro nome petista de peso pleiteando a vaga de candidato a governador. No caso da candidatura, Felipe Camarão entrar numa corrida já em andamento, com uma nítida tendência de polarização entre Eduardo Braide (PSD) e Orleans Brandão (MDB), segundo todas as pesquisas mais recentes, que mostram ainda Lahesio Bonfim (Novo) na terceira colocação, restando-lhe a quarta posição.

Há quem aposte que, caso seja efetivamente lançado pré-candidato a governador por decisão do comando partidário e do presidente da República, o vice-governador pode ganhar musculatura para brigar com Lahesio Bonfim pela terceira colocação, o que tornaria imprevisível o cenário da briga pelo Palácio dos Leões. Afinal, mais de cinco meses distanciam os candidatos das urnas, o que é tempo suficiente para acontecer de tudo numa disputa pelo cargo de governador. Se vier, de fato, ser candidato a governador, o vice-governador sabe que enfrentará concorrentes fortes.

No caso de uma aliança lhe assegure candidatar-se ao Senado, o futuro dessa candidatura vai depender de quem será o candidato a governador. Se a aliança for com Orleans Brandão, o vice-governador vai brigar com três candidatos às duas cadeiras no Senado – os senadores Weverton Rocha (PDT) e Eliziane Gama (PT), que buscam a reeleição, e o deputado federal e ex-ministro do Esporte André Fufuca (PP), que estão no mesmo campo. A aliança, por outro lado, poderá ser firmada com Eduardo Braide, e nesse caso, o vice-governador poderá disputar o Senado em parceria com Eliziane Gama, já que até agora o ex-prefeito de São Luís não se pronunciou sobre a disputa senatorial.

O fato é que, por causa de tudo o que aconteceu nos últimos meses em decorrência do rompimento da base governista maranhense, a situação do PT e, por via de consequência, a do vice-governador Felipe Camarão, é complexa. Primeiro porque o próprio braço maranhense do partido está dividido entre candidatura própria e aliança com outro candidato, que pode ser Orleans Brandão ou Eduardo Braide. No caso do primeiro é difícil visualizar um palanque com os dois pedindo voto um para o outro. E no caso do segundo, é difícil imagina-lo junto com um candidato que tem outro candidato a presidente da República.

Mas como a política é consagrada como a arte de tornar possível o que é aparentemente impossível, não surpreenderá uma decisão conciliatória.    

PONTO & CONTRAPONTO

Orleans Brandão se movimenta para escolher vice na Ilha de São Luís

Arleans Brandão busca vice na Ilha;
Maedja Campos, mulher de
Fred Campos, lidera especulações

Orleans Brandão (MDB) e a cúpula do grupo que o apoia, liderado pelo governador Carlos Brandão (sem partido), iniciou, sem muito alarde, um movimento cuidadoso para encontrar o vice para sua chapa. Pelo que vem correndo nos bastidores, o projeto é encontrar um nome que representa a Ilha de Upaon Açu, a começar por São Luís, onde o ex-prefeito Eduardo Braide aparece como favorito.

Seguindo a tendência de polarização, Orleans Brandão quer um(a) vice para fazer um contrapeso à iniciativa de Eduardo Braide de buscar seu vice em Imperatriz, na região Tocantina, onde escolheu a empresária Elaine Cortez (PSD). Na avaliação do grupo brandonista, a escolha do vice na Capital ou em qualquer dos quatro municípios representará a Grande Ilha.

No final da semana, foi intensa a divulgação de um release, sem origem clara, dando conta de que a primeira-dama de Paço do Lumiar, Maedja Campos (MDB), estaria sendo cogitada. Ela é vista como um braço social do prefeito Fred Campos (PSB), apontado em todas as rodas como um dos mais bem sucedidos entre os atuais líderes municipais do Maranhão.

Se por um lado a sua condição de primeira-dama de Paço do Lumiar, somada à força do prefeito Fred Campos, a torna um nome a ser de fato considerado, por outro existe um ponto que pode comprometer a sua força: o prefeito Fred Campos tem como vice Mariana Brandão (MDB), irmã de Orleans Brandão.

O viés familiar pode ser um entrave, mas esse ponto pode ser deixado de lado se o grupo entender que ele não pesa e que pode valer a pena emplacar Maedja Campos.

Vale registrar que ninguém da cúpula governista fez menção à primeira-dama de Paço do Lumiar ou a nenhum outro nome para vice de Orleans Brandão e que a primeira-dama luminense veio à tona no tal release “plantado”, uma operação que pode dar certo, ou não.

O fato concreto é que o governador Carlos Brandão está trabalhando para encontrar o vice – de preferência uma vice – para Orleans Brandão na Ilha de São Luís.

Lahesio tenta emplacar discurso ideológico, mas tropeça nos conceitos correndo o risco de tombar

Lahesio Bonfim: confusão ideológica

Alguma coisa está errada no discurso e na postura ideológica de Lahesio Bonfim, pré-candidato do Novo ao Governo do Estado e terceiro colocado na preferência do eleitorado, segundo as pesquisas mais recentes. Ele se declara de direita, o que é absolutamente normal, e sataniza a esquerda além do padrão civilizado, mas isso também está no script de todos os candidatos no período eleitoral. Agora usa o viés ideológico para alfinetar Eduardo Braide (PSD), pré-candidato aos Leões.

Um problema é quando ele se posiciona em relação à corrida presidencial. Não dá para esconder a sua expectativa de vir a ser apoiado por Flávio Bolsonaro (PL), que representa a grande bolha da direita radical, simpatizante de golpes militares e de regimes de força, que tem como referência Donald Trump, aspirante a ditador que vem tentando desmontar a democracia liberal norte-americana.

Já em relação ao candidato do seu partido à presidência da República, o ex-governador mineiro Romeu Zema, que é um político de direita com perfil liberal de viés democrático, Lahesio Bonfim não tem mostrado muito entusiasmo. Exemplo: não fez qualquer comentário ou referência ao plano de governo de Romeu Zema, anunciado pelo próprio, na semana passada, com larga repercussão.

Essas provocações sobre viés ideológico parecem mais uma estratégia para chamar a atenção. Isso porque não dá mais para alguém se rotular pura e simplesmente de direita e de esquerda. Esses dois campos ganharam grande pulverização.

Hoje, um político que simplesmente se declara de direita pode ser olhado como um liberal, que respeita a Constituição, a estrutura institucional e defende a alternância do poder na democracia, como o presidente francês Emmanuel Macron. Mas pode também ser enxergado como um radical antidemocrático, inimigo das instituições democráticas, que defende regime de força e, se puder, golpeia o estado democrático de direito para permanecer no poder mesmo sem ter sido eleito, exemplo dado ao mundo pelo ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), que só não consumou a trama golpista porque os chefes militares não concordaram.

Lahesio Bonfim fala muito sobre postura ideológica, mas diz tão pouco que ao se rotular como de direita, pode ser visto como um liberal democrático e também como um radical golpista.

É preciso que ele seja mais preciso no seu discurso ideológico.

São Luís, 21 de Abril de 2026.

Jogo complicado para os candidatos majoritários e proporcionais se posicionarem na corrida presidencial

Eduardo Braide tem Ronaldo Caiado como candidato
presidencial; Orleans Brandão pode ter Lula da Silva,
e Lahesio Bonfim tem Romeu Zema

O Maranhão tem uma das situações mais complexas e surpreendentes em relação à corrida presidencial. São posições as mais diversas, que colocam os candidatos ao Senado e ao Governo do Estado num xadrez complexo, no qual os movimentos quase sempre vão na contramão da lógica político-eleitoral. Essa complexidade alcança candidatos ao Governo do Estado, ao senado e à Câmara Federal, que no geral estão contrariando seus partidos apoiando candidatos a presidente de outras agremiações. Nesse contexto, o presidente Lula da Silva (PT), candidato à reeleição, vem levando a melhor, à medida que já conta com o apoio declarado de dois pré-candidatos declarados ao Governo do Estado, três pré-candidatos a senador e dois deputados federais, ambos ex-ministros. Os demais candidatos presidenciais já consolidados só contam mesmo com os seus candidatos a governador, sendo que um deles tem o apoio de um candidato a senador.

O projeto de reeleição do presidente Lula da Silva está lastreado pelo apoio declarado de dois candidatos ao Governo, Orleans Brandão (MDB), cujo partido não tem candidato presidencial, e Enilton Rodrigues (PSOL), aliado ao PT no plano nacional. O terceiro aliado do presidente nessa corrida seria o vice-governador Felipe Camarão (PT), mas ele ainda não bateu martelo consolidando a sua pré-candidatura ao Governo, pois está dependendo exatamente do aval do presidente da República e do seu partido. Que poderá vir ou não. Nesse contexto, Eduardo Braide (PSD) seguirá a orientação de apoiar o pré-candidato do seu partido, o ex-governador goiano Ronaldo Caiado, enquanto Lahesio Bonfim (Novo) vai incorporar a pré-candidatura do ex-governador mineiro Romeu Zema, do mesmo partido. Hilton Gonçalo, que comanda o Mobiliza no Maranhão, deverá administrar o pepino de controvertido Cabo Daciolo como candidato presidencial do partido.  Não há candidato a governador do Maranhão apoiando o senador Flávio Bolsonaro (PL).

Dos quatro candidatos declarados ao Senado, três – Eliziane Gama (PT), Weverton Rocha (PDT) e André Fufuca estão na base de apoio da pré-candidatura do presidente Lula da Silva à reeleição. Eliziane Gama sempre fez parte da aliança governista, posição que foi consolidada depois que ela saiu do PSD e se filiou ao PT; Weverton Rocha também sempre esteve na base aliada de Lula da Silva; e André Fufuca, que foi ministro do Esporte prestigiado, mas cujo partido faz oposição ao Governo Lula, decidiu contrariar essa orientação e apoiar o projeto de reeleição do chefe da Nação. Fora isso, ex-senador Roberto Rocha (Novo), pré-candidato a senador, apoia o projeto presidencial do Novo liderado por Romeu Zema.

As posições mais diversas está entre deputados federais que buscam a reeleição e os que pretendem chegar lá. Ex-ministro das Comunicações, o deputado federal Juscelino Filho, cujo partido, o PSDB, não tem candidato presidencial, apoiará o presidente Lula da Silva, e para reforçar ainda mais esse laço, sua irmã, Luanna Rezende, se filiou ao PT para disputar cadeira na Alema. Lula da Silva conta também com os deputados federais Rubens Júnior (PT), Márcio Jerry (PCdoB), Roseana Sarney (MDB), Amanda Gentil (PP), Márcio Honaiser (Republicanos) e Cléber Verde (MDB). Já o deputado federal Duarte Júnior (Avante), aliado do presidente Lula da Silva, terá de encarar o fato de que seu partido tem candidato a presidente, o escritor de autoajuda Augusto Cury.

O grupo do PL, formado pelos deputados federais Josimar de Maranhãozinho, Detinha, Pastor Gil e Júnior Lourenço, todos do PL, deve se posicionar pelo projeto de candidatura de Flávio Bolsonaro, em que pesem as divergências de Josimar de Maranhãozinho com o ex-presidente Jair Bolsonaro; nesse grupo está o deputado federal Josivaldo JP, bolsonarista assumido. E não se sabe ainda para onde irão os deputados federais Fábio Macedo (Podemos), Aluísio Mendes (Republicanos), Marreca Filho (PRD), Pedro Lucas Fernandes (União) na corrida presidencial, já que seus partidos não têm candidatos ao Palácio do Planalto.

Esse é um cenário prévio, que expressa o início da fase prévia da corrida eleitoral. Até as convenções partidárias de agosto, quando as pré-candidaturas serão transformadas em candidaturas de fato, podem haver muitas alterações nesse quadro, começando pelo posicionamento dos deputados federais que ainda não escolheram seus candidatos presidenciais.

PONTO & CONTRAPONTO

Braide diz que não vai entrar na polarização Lula da Silva/Flávio Bolsonaro

Eduardo Braide em Caxias, com Paulo Marinho Jr.

Não surpreendeu s reação do ex-prefeito Eduardo Braide (PSD), e Coroatá, na tarde de sábado, depois de ter incursionado em Timon e em Caxias, ao ser indagado sobre se posicionará em relação à polarização Lula da Silva (PT)/Flávio Bolsonaro (PL) na corrida ao Palácio do Planalto.

Sua resposta: “Eu sempre disse que o meu padrinho político é o povo do Maranhão”.

E arrematou: “Como futuro governador do Maranhão, eu terei a obrigação de me relacionar bem com qualquer dos candidatos que chegue à cadeira de presidente da República”.

Para começar, o partido dele, o PSD, tem um candidato a presidente, Ronaldo Caiado. Logo, não faz sentido um posicionamento em favor de outro candidato, o que seria uma incoerência política que não cabe no perfil do ex-prefeito de São Luís.

Do ponto de vista prático, qualquer avaliação simples indicará que ele, como candidato politicamente independente no cenário do Maranhão, só terá a perder se abraçar uma candidatura, deixando o candidato do seu partido fora dessa equação.

Além do mais, ficando de fora da briga entre Lula da Silva e Flávio Bolsonaro, alinhando-se ao candidato do seu partido, Eduardo Braide poderá chegar ao segundo turno cacifado para buscar apoio em outras frentes.

Em resumo, a resposta do candidato do PSD à oportuna provocação da imprensa deu bem a medida de como ele sabe o que está fazendo na corrida ao Palácio dos Leões.

Registro

Brandão anuncia restauração da Vala da Macaúba, obra que foi um desafio vencido em 120 dias por João Alberto em 1990

Carlos Brandão, entre André Campos, Duarte Jr. e Aparício
Bandeira, lança o edital da restauração da Vala da Macaúba;
João Alberto na primeira visita à Macaúba para
anunciar obra; e numa das suas visitas diárias à obra,
que concluída em 120 dias

O governador Carlos Brandão (sem partido) anunciou, na tarde de sexta-feira, um pacote de restauração e requalificação de algumas obras importantes na cidade de São Luís. Uma delas será o Canal da Macaúba, que tem papel fundamental na drenagem e esgotamento de uma ampla região no entorno da Avenida Vitorino Freire, na Areinha.

O Canal da Macaúba é uma obra emblemática, realizada em 1990 pelo Governo João Alberto, a partir de uma intensa reivindicação por parte de moradores de bairros como Codozinho, Vila Bessa e Coreia de Baixo e Caminho da Boiada, entre outras áreas. Era um tabu prometido por muitos e não realizada.

Mesmo enfrentando dificuldades financeiras e perseguição implacável do presidente Collor de Mello, que cortara todos os recursos previstos para o Maranhão, o governador João Alberto se impôs o desafio de transformar a então Vala da Macaúba, uma área residencial cortada por um canal estreito por meio do qual todo o esgoto da região era escoada, para desaguar no rio Bacanga. O projeto foi concebido para ser realizado em quatro meses, ou seja, 120 dias.

Quando João Alberto anunciou a empreitada, a região a ser beneficiada entrou numa ebulição tão intensa que contagiou a cidade. Na sua primeira visita à Macaúba, foi evidente o mal-estar dos moradores, que lhe disseram, sem meias palavras, que ali já tinham ido ministros, entre eles Mário Andreazza, governadores, senadores e deputados, todos prometendo a obra e nenhum cumpriu a promessa.

João Alberto ouviu pacientemente as duras palavras dos moradores e foi claro com eles: “Vim aqui com os técnicos, para saber o que pode ser feito a já. Se for possível, nós faremos”. Depois, anunciou que a vala da Macaúba seria feita em 120 dias, segundo o contrato que previu trabalho contínuo, dia e noite.

Ninguém acreditou. A imprensa divulgou colocando em dúvida, políticos da cidade e do estado travaram debates, foram organizadas até bolsas de aposta. Muitos iniciaram uma contagem regressiva, tornando mais difícil o desafio assumido pelo governador.

Com disposição incontida e determinação surpreendente, o governador João Alberto transformou a Macaúba num canteiro e num gabinete a céu aberto, passando pelo menos duas horas dos seus dias na obra, sem folgar em domingos, feriados ou dias santos, às vezes lá chegando no meio da madrugada. Em cada visita conversava com engenheiros, mestres de obra e operários, motivando cada um com o argumento de que a obra era urgente e que a cidade precisava dela.

Iniciada em meados de agosto, a Vala da Macaúba foi inaugurada em meados de novembro, no prazo previsto de 120 dias. A inauguração se deu com uma das maiores reuniões populares da Capital naquele período.

São Luís, 19 de Abril de 2026.

Justiça nega liminar contra CPI e Camarão se prepara para se defender atacando

Felipe Camarão tem o desafio de
se manter firme enfrentando a CPI

A decisão do desembargador Sebastião Bonfim, na tarde de quinta-feira (16) de negar liminar a mandado de segurança impetrado pelo vice-governador Felipe Camarão (PT) para suspender as Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) instalada na Assembleia Legislativa para investiga-lo por suposta movimentação financeira “atípica”, com base em denúncia do procurador geral de Justiça Danilo Castro, causa forte dano ao projeto de candidatura do petista ao Governo do Estado, com potencial para arranhar-lhe a imagem de homem público.

O viés político sofre dura fragilização, uma vez que Felipe Camarão terá de se defender publicamente de acusações numa CPI composta predominantemente por adversários políticos, entre eles o próprio autor da proposta de criação da Comissão, deputado Yglésio Moises (PRD), de direita radical e inimigo declarado dos segmentos de esquerda, e da deputada Mical Damasceno (Republicanos), da extrema direita radical e declaradamente inimiga do vice-governador por motivos pessoais. A seu favor, apenas o deputado Rodrigo Lago (PSB).

Ninguém duvida de que, mesmo formalizada dentro das regras e fundamentada numa denúncia assinada pelo procurador geral de Justiça contra o vice-governador, será transformada num ringue de ácidos confrontos políticos, com forte e inevitável motivação eleitoreira. Pelo que vem sendo desenhado nos bastidores, o objetivo será criar uma situação que deixe o vice-governador Felipe Camarão sem condições de manter o seu projeto de candidatura ao Governo do Estado e, se possível, afasta-lo do cargo, pelo menos temporariamente, o que altera a cadeia sucessória no Poder Executivo em meio a uma crise institucional de desdobramentos imprevisíveis. Poucos acreditam que o imbróglio chegará a tanto, mas é quase unânime, entre aliados e adversários, que, se a CPI for levada à frente, os confrontos que vierem a ser travados produzirão estragos para todos os lados.

O ponto central dessa equação é o seguinte: se não conseguir barrar o processo na Justiça e tiver de comparecer para depor, o vice-governador Felipe Camarão se defenderá atacando. O que ele dirá? Ninguém sabe.

Politicamente, ser investigado por uma CPI da Assembleia Legislativa, enfrentando questionamentos sobre sua integridade no período em que foi secretário de Estado da Educação – apontado como gestor de escol, com um trabalho reconhecido como largo e inovador – não é um bom para o vice-governador Felipe Camarão. Ele sabe que, mesmo que venha dar em nada, a CPI tem potencial para embaraçar ainda mais a relação dele com o PT e dificultar perigosamente a definição do seu futuro político.

No momento, o braço maranhense do PT está rachado quase que ao meio e mergulhado numa guerra interna na qual uma banda defende a candidatura do vice-governador Felipe Camarão ao Palácio dos Leões, liderando a campanha do presidente Lula da Silva à reeleição, e outra que quer o PT alinhado ao governador Carlos Brandão (sem partido) apoiando a candidatura de Orleans Brandão (MDB). Todos os sinais têm sugerido que a cúpula nacional do PT e o próprio líder petista querem a candidatura do vice, mas sem romper com o governador, preservando assim uma produtiva parceria institucional com viés político. Mas nada está definido ainda.

Ainda que seja vista como um instrumento político usado pela base governista para “queimar o filme” político do vice-governador, a CPI pode criar-lhe embaraços dentro do partido. Felipe Camarão terá de fazer uma movimentação política de peso para se viabilizar o nome que, em nome da chamada esquerda moderada, liderar a campanha de Lula da Silva no Maranhão, seja como candidato a governador, seja como candidato a senador, seja como candidato a deputado federal, ou mesmo sem ser candidato.

O feriadão dispersará os envolvidos no imbróglio, funcionando também como um período de conversas longe dos holofotes. Os sinais que indicarão o futuro do vice-governador Felipe Camarão na CPI serão vistos na próxima quarta-feira (22), quando a Comissão se reunirá para escolher o presidente e o relator e iniciar, efetivamente os seus trabalhos.

PONTO & CONTRAPONTO

REGISTRO

Lula se mostra o estadista pleno quando diz que, se perder a eleição, aceitará a derrota

Lula da Silva deu uma lição de democracia
que Jair Bolsonaro não foi capaz

Indagado por jornalistas sobre como reagirá se o senador Flávio Bolsonaro (PL) vencer a eleição presidencial, o presidente Lula da Silva (PT) foi taxativo: “Nós temos que aceitar”. Confirma a declaração de alguns anos, quando perdeu a terceira eleição: “Não ganhei e fui para casa lamber as feridas e me preparar para a próxima”.

A reação do presidente causou muitas discussões. Uns viram nas entrelinhas da resposta sinais de insegurança do chefe da Nação quanto ao resultado, admitindo até a possibilidade de ser derrotado. Outros interpretaram em sentido contrário.

Na sua resposta, Lula da Silva mostrou ao Brasil, mais uma vez, o tamanho da sua estatura política. Um presidente candidato à reeleição jamais poderia responder a essa pergunta dizendo que sairá vencedor esmagando os outros candidatos nas urnas. Nesse aspecto, sua resposta foi a manifestação de um chefe de Estado com visão maior.

Ao afirmar que aceitará uma derrota sem discutir o resultado, o presidente Lula da Silva dá uma demonstração cabal e inequívoca de que acredita plenamente na Justiça eleitoral e, principalmente, no sistema de votação eletrônica, que ao longo de quase quatro décadas vem sendo usado e ajustado sem nunca ter sido objeto de uma denúncia consistente em relação aos resultados várias vezes as câmaras Municipais, os mais de cinco mil prefeitos, os deputados estaduais, os governadores, os senadores e os presidentes da República desde Fenando Collor em 1989.

Com a sua resposta, Lula da Silva se portou como um estadista que acredita na política, que respeita o voto popular, que defende o sistema de alternância no poder e que sabe que uma democracia vale o que o voto popular limpo, sem mácula, decidir.

O presidente mostrou, mais uma vez, ser um estadista forjado nas lutas políticas, primeiro como o líder sindical que enfrentou a ditadura, foi preso por ela, mas não se dobrou. E depois como o líder político que fundou um partido autêntico, que participou da Assembleia Nacional Constituinte como deputado federal e que perdeu as três primeiras como candidato a presidente da República, elegendo-se na quarta tentativa, em 2002, para se reeleger em 2006 e eleger Dilma Rousseff (PT) em 2014 e ajudar a reelege-la em 2018. E voltar ao comando do país em 2022, depois de ter sido criminosamente injustiçado e preso por mais de 500 dias.

Uma postura bem diferente do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), que passou todo o seu mandato questionando, sem prova alguma, o voto eletrônico, promover campanhas sem base contra a Justiça Eleitoral, tentou de todas as maneiras desmontar ou fragilizar as instituições, a começar pela Suprema Corte, para no final, derrotado nas urnas, fez o que todo aspirante a ditador fez: não reconheceu o resultado límpido das urnas – mas não questionou a reeleição dos filhos deputados – , cometeu a grosseria de não cumprimentar o presidente eleito e, como ficou largamente demonstrado, tramou um golpe para continuar no poder mesmo tendo sido derrotado nas urnas usando a máquina pública. O golpe só não foi consumado porque dois dos três comandantes militares se negaram a romper a ordem institucional. Seria hoje um líder respeitado se tivesse ido para casa “lamber as feridas” e se preparado para a eleição presidencial deste ano contra o próprio Lula da Silva.

Como disse recentemente o historiador Fernando Moraes, que lançou uma biografia do atual presidente, Lula da Silva está consagrado como o maior presidente da história do Brasil até aqui, com um legado muito mais amplo e rico do que o do presidente Getúlio Vargas.

Sem o cacife político de antes, Paulo Victor teria arquivado o seu projeto de ser deputado estadual

Paulo Victor teria desistido de
tentar ser deputado estadual

Não é uma informação oficial, mas os rumores que correm na Câmara Municipal de São Luís dizem que presidente do parlamento ludovicense, vereador Paulo Victor (PSB) teria mandado para o arquivo morto o seu projeto de disputar uma cadeira na Assembleia Legislativa.

Fatos ocorridos do final do ano passado minaram o projeto de candidatura, de modo que ele se tornou inviável de uns tempos para cá.

A principal e decisiva rasura no projeto de candidatura foi a decisão do Supremo Tribunal Federal de fulminar o esquema de antecipação de eleição das Mesas Diretoras dos parlamentos estaduais e municipais.

Na Câmara Municipal estava em andamento o seguinte acordão: Paulo Victor anteciparia a eleição do seu sucessor para este mês de abril e apoiaria a candidatura do vereador Beto Castro, e este, por sua vez, apoiaria sua candidatura à Assembleia Legislativa. A decisão de que, a partir de agora, reeleição de presidente de parlamento só poderá ocorrer a partir de quatro meses antes da posse, que sempre acontece no dia 2 de fevereiro. Essa decisão impôs o naufrágio do projeto.

Mais expressivos surgido na vida política de São Luís, estando no terceiro mandato de presidente da Câmara em dois mandatos de vereador, Paulo Victor chegou no ápice da trajetória de um vereador da Capital nos primeiros anos de 2024, quando chegou a se lançar como pré-candidato a prefeito, tornando-se um adversário duro e agressivo do prefeito Eduardo Braide (PSD). Seu trunfo maior era o apoio do governador Carlos Brandão, que o fez secretário estadual de Cultura sem perder o cargo de presidente da Câmara.

Uma série de problemas o afastou do Palácio dos Leões, tirando dele uma grande fatia de poder. Se reelegeu vereador com mais de 12 mil votos e também presidente. Sem o cacife de antes, tentou várias manobras políticas para se manter alinhado aos Leões, entre elas o esquema para eleger o vereador Beto Castro, que seria a sua catapulta para a Assembleia Legislativa, mas tudo veio a baixo com a decisão do Supre.

A partir daí, o presidente da Câmara Municipal praticamente saiu de cena. E pelo que se sussurra nos bastidores, teria desistido de tentar ser deputado estadual.

São Luís, 18 de Abril de 2026

Bacabal comemora 106 anos sob uma gestão que a transforma em ritmo acelerado

Roberto Costa foca na educação reinaugurando,
em menos de um mês, as escolas 17 de Abril,
ontem, e Nova Bacabal e Sagrada Família,
ambas no final de março

Bacabal completa hoje 106 anos de fundação, ou seja, 38.690 dias de existência que a partir de uma fazenda se tornou município importante na geopolítica maranhense, transformada em polo da região do Médio Mearim, abrigando cerca de 110 mil habitantes. A cidade que aniversaria nesta sexta-feira é bem diferente daquela que aniversariou no ano passado e nos anos anteriores a 2025. A Bacabal de agora é um centro em movimento, ativo, efervescente e que vem justificando a sua vocação para o desenvolvimento. E o motor dessa movimentação é a gestão do prefeito Roberto Costa (MDB), que vem fazendo larga diferença no contexto dos municípios desde os primeiros momentos de 2025, com pesados investimentos em educação, saúde e infraestrutura, passando também pelos vieses econômico e cultural e alcançando fortemente a seara social.

Um exemplo do que está acontecendo na agora chamada Nova Bacabal, na área de educação, se deu na quarta-feira (15), com a reinauguração da Escola 17 de Abril, um centro educacional de 60 anos localizado no centro da cidade. Na linha do que já foi feito na maioria das escolas da rede municipal, a 17 de Abril foi objeto de uma guinada radical, à medida que a transformou numa estrutura requalificada, com seis salas de aula climatizadas, auditório, laboratório de informática, com ambiente adequado para a administração, para os professores e para os trabalhos de coordenação pedagógica. Agora, os seus 300 alunos, distribuídos em três turnos, além de receberem fardamento gratuito e alimentação adequada na unidade escolar transformada num centro educacional digno de ter sido batizada com a data da emancipação – como aconteceu recentemente com as escolas Nova Bacabal e Sagrada Família, ambas renovadas. A programação de reinauguração da 17 de Abril foi complementada pela entrega de 10 ônibus novos à comunidade escolar.

– Os investimentos que temos realizado já apresentam resultados extremamente positivos, e vamos continuar avançando – diz o prefeito Roberto Costa, com a convicção que demonstra quando fala do projeto maior da sua gestão que é criar as bases para que Bacabal venha a ser uma referência em matéria de indicadores sociais e de desenvolvimento econômico. O prefeito completa, taxativo: “A maior obra que posso realizar é garantir uma educação de qualidade, que traga perspectiva de futuro para todos”.

Na Bacabal que hoje completa 106 anos, a dinâmica que vem movimentando a educação é a mesma que desde os primeiros dias de 2023 alcançou a saúde, a infraestrutura, a prestação de serviços pela Prefeitura. Não há registro de que de lá para cá esse ritmo tenha desacelerado em algum momento, ao contrário, houve casos em que ele foi além. Jovem e com disposição diferenciada, que começa a atuar na madrugada e só termina noite alta, o prefeito Roberto Costa imprimiu na Nova Bacabal um ritmo de trabalho completamente fora do que tem sido padrão na máquina pública. Por onde de anda ali é possível deparar com máquinas cuidando da infraestrutura, seja aplicando o repondo asfalto na área urbana, seja restaurando estradas e vias no entorno da cidade e nos povoados espalhados pelos seus 1.684 quilômetros quadrados.

Esse ritmo ganhou intensidade ao longo dessa semana, com a programação da festa de aniversário da cidade. Além da reinauguração da Escola 17 de Abril, o prefeito cumpriu uma agenda que poucos cumpririam com a mesma intensidade: reuniu-se com a Guarda Municipal, a cujos integrantes entregou novo fardamento, anunciou incentivos para a agricultura familiar, viu de perto bacabalenses idosos receberem prótese dentária e terem de volta o prazer do sorriso, entre outros benefícios.

Nesse ambiente de transformação, a população de Bacabal vivencia a cidade como sede de grandes eventos, como o recente congresso de robótica e um encontro regional de jovens, por exemplo, fortalecendo a condição de polo cultural. Mais do que isso, os bacabalenses e os maranhenses mais atentos veem a cidade ganhar uma nova dimensão no cenário político estadual, à medida que, além de ser uma liderança jovem, o prefeito Roberto Costa dedica parte do seu tempo ao comando da Federação dos Municípios do Maranhão (Famem), que preside desde 2025, o que coloca Bacabal no epicentro do municipalismo maranhense. E como não poderia deixar de ser, também da política maranhense.

Mesmo ainda com muitos desafios pela frente, Bacabal tem muito o que comemorar neste 17 de Abril.

PONTO & CONTRAPONTO

Braide e Orleans investem forte em Timon, Caxias e Codó, que juntas somam 300 mil votos

Eduardo Braide toma café na Ceasa de Timon, acompanhado do
ex-candidato a prefeito Henrique Júnior e do suplente de
deputado estadual Soldado Leite; ao lado, Orleans Brandão
em caminhada em Codó entre o prefeito
Chiquinho Oliveira e o deputado Francisco Nagib

Tem sido intensa a disputa dos pré-candidatos a governador Eduardo Braide (PSD) e Orleans Brandão (MDB) pelos votos da região Leste, especialmente no eixo formado por Timon, Caxias, e Codó, que juntos formam uma massa de mais de 300 mil votos.

Ontem, enquanto Eduardo Braide tomava café na Ceasa de Timon, iniciando uma intensa programação de reuniões no município, onde é apoiado pelo ex-prefeito Luciano Leitoa e pelo ex-candidato a prefeito Henrique Jr. (PL), Orleans Brandão desembarcava em Codó para participar das comemorações do 130º aniversário da cidade, onde é apoiado pelo prefeito Chiquinho Oliveira (PT) e pelo deputado Francisco Nagib (MDB).

Orleans Brandão vinha se movimentando intensamente ainda como secretário de Assuntos Municipalistas, mas alterou o eixo da sua pré-campanha depois que deixou o cargo.

O ritmo passou a ser ditado por Eduardo Braide, que após deixar a Prefeitura de São Luís, iniciou sua pré-campanha em Imperatriz, onde escolheu a vice Elaine Cortez (PSD), fazendo um contrapeso à presença forte do Governo na cidade e na Região Tocantina, uma situação claramente favorável a Orleans Brandão.

Para fazer o contraponto, Orleans Brandão desencadeou uma forte investida nos bairros de São Luís, onde o ex-prefeito é muito forte. Durante cinco dias, o emedebista visitou vários bairros e chegou a São José de Ribamar, onde tem o prefeito Júlio Matos (Podemos) como aliado.

Nesta sexta-feira, Eduardo Braide começa seu dia no mercado central de Caxias, onde tomará café acompanhado com seu principal aliado na Princesa do Sertão, o suplente de deputado federal e ex-candidato a prefeito Paulo Marinho Jr. (PL). Apoiado pelo prefeito Gentil Neto e seu grupo e por parte do Grupo Coutinho, Orleans Brandão já esteve várias vezes na cidade, onde anunciou e inaugurou obras.

Enquanto Eduardo Braide e Orleans Brandão avançam nesse xadrez pelos municípios, Lahesio Bonfim (Novo) continua peregrinando por municípios da região central do estado e também investindo em vídeos provocadores. Há quem diga que ele está planejando uma investida em São Luís. Como fez em 2022 e engoliu o senador Weverton Rocha (PDT).

Aumentam as expectativas em relação ao futuro de Iracema Vale

Iracema Vale entre o defensor público-geral
Gabriel Furtado, e a deputada Ana do Gás,
ao receber homenagem, ontem, em sessão
solene comemorativa aos 25 anos
da Defensoria Pública do Maranhão

Pergunta que não quer calar: qual será o caminho da presidente da Assembleia Legislativa, Iracema Vale (MDB) nas urnas? Candidata à reeleição? Vai disputar o Senado? Entrará na briga por cadeiras na Câmara Federal? Ou será candidata a vice-governadora formando chapa “puro sangue” do MDB?

Até o final da semana passada, o meio político vivia com a certeza de que ela não será candidata à reeleição, mas ao longo da semana essa hipótese voltou a ser admitida na bolsa das especulações. Sobre a possibilidade de disputar mandato de deputada federal, ela continua em aberto, embora poucos acreditem que a presidente tenha interesse na ponte aérea Brasília/São Luís/ Brasília, além do mais, sua entrada nessa seara colocará aliados em situação complicada, como o deputado Aluísio Mendes (Republicanos), por exemplo.

A hipótese de vir a ser candidata ao Senado parece descartada, a começar pelo fato de que o seu pré-candidato a governador e presidente do MDB Orleans Brandão declarou, em duas entrevistas na semana passada, que os dois nomes da aliança para o Senado são o senador Weverton Rocha (PP) e André Fufuca (PP).

Finalmente, a hipótese de a deputada Iracema Vale vir a ser candidata a vice-governadora vem ganhando força nos bastidores da aliança governista, embora não tenha havido até agora nenhuma manifestação de peso sobre o assunto.

Ela própria, que vem realizando uma intensa ação política, nada falou até aqui, a não ser colocando o seu destino nas mãos do grupo e de Deus.

São Luís, 17 de Abril de 2026.

Na penúltima sessão da atual gestão, Tribunal de Justiça compõe Órgão Especial em clima de tensão

Froes Sobrinho comandou penúltima sessão antes
de passar o bastão para Ricardo Duailibe

Em meio à turbulência causada pelo afastamento de cinco desembargadores e de mais de uma dezena de juízes, todos acusados de vários crimes, entre eles o mais grave da seara do Judiciário, a venda de sentenças, o Tribunal de Justiça concluiu ontem a nova composição do Órgão Especial, que reúne 24 dos 36 atuais desembargadores. Foi a penúltima sessão do Tribunal Pleno comandada pelo atual presidente, desembargador Froes Sobrinho, nos últimos dois anos. Ele passará o bastão para o seu sucessor, desembargador Ricardo Duailibe, presidente eleito no início de fevereiro e que assumirá o comando efetivo do Poder Judiciário estadual em sessão solene no próximo dia 24.

A sessão de ontem confirmou o clima tenso que vem dominando há tempos a cúpula do Poder Judiciário do Maranhão, que pela segunda vez em dois anos teve sua sede “visitada” pela Polícia Federal em busca de provas contra desembargadores, no caso Antônio Guerreiro Júnior e Luiz de França Belchior, suspeitos de comandar uma organização criminosa nas entranhas da máquina judiciária maranhense. Isso sem falar na manutenção de R$ 2,6 bilhões de créditos judiciais no Banco Regional de Brasília (BRB), que corre o risco de naufragar por conta das suspeitíssimas transações com o Banco Master, liquidado pelo Banco Central por ser um antro falcatruas. Essa aplicação tem sido tema de ácidas discussões no plenário da Corte.

Penúltima da gestão do desembargador Froes Sobrinho – que só comandará ainda a sessão da próxima quarta-feira (22), a sessão desta quarta-feira (15) concluiu a nova composição do Órgão Especial, que é formado pelos 11 desembargadores mais antigos, que são cativos; pelo presidente, vice-presidente, corregedor-geral da Justiça e corregedor-geral do Foro Extrajudicial, que são fixos, e por 10 desembargadores eleitos pelo voto secreto no Tribunal Pleno, que é formado por 36 membros. Essa composição deveria ter sido realizada em fevereiro, mas uma série de obstáculos e divergências, incluindo um pedido de vista, arrastaram a definição até ontem.

Atualmente, são cinco desembargadores afastados por decisão do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e e pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ) sendo substituídos por juízes de quarta entrância: além de Guerreiro Júnior e Luiz Belchior, estão suspensos pelas mesmas suspeitas Nelma Sarney, Marcelino Weverton e Luiz Gonzaga Almeida Jr.. Nos bastidores do Poder Judiciário ninguém acredita que algum deles reassumirá sua cadeira no colégio de desembargadores na condição de julgador. A tendência é no sentido da aposentadoria compulsória, com o risco de perderem tudo e serem mandados para casa sem nada, como mandam as novas regras, que mandaram para o espaço a aposentadoria remunerada como “punição” para magistrado faltoso.

É de tensão clima nos gabinetes do Palácio da Justiça Clóvis Bevilácqua. As discussões ásperas ocorridas nas sessões plenárias da Corte, muitas delas causadas por duras críticas ao presidente Froes Sobrinho, mostram com clareza que o colégio de desembargadores está dividido em dois grupos que se digladiam. Esse ambiente ficou mais evidente com a eleição do desembargador Ricardo Duailibe para a presidência, quebrando o sistema de rodízio em que a vez seria do desembargador José Luiz Almeida, magistrado de carreira e um dos quadros mais qualificados da magistratura maranhense.

O desembargador Ricardo Duailibe assumirá a presidência do Poder Judiciário do Maranhão em meio a uma crise que tem várias pontas. Seu primeiro e maior desafio será restaurar, até onde for possível, um clima de convivência distensionado, mesmo sabendo que as diferenças vão continuar gerando tensões aqui e ali. Advogado da área trabalhista e empresário bem sucedido do ramo imobiliário, Ricardo Duailibe tem perfil conciliador, o que poderá facilitar a missão que assumirá no dia 24, quando se tornará presidente em sessão solene.

(É provável que, por ser uma sessão de despedida, na qual o presidente Froes Sobrinho dirá adeus ao cargo e retornará à planície, o clima seja de cordialidade).

PONTO & CONTRAPONTO

Brandão confirma que conversou “rapidamente” com Lula, mas não falou em definição

Carlos Brandão ficou próximo de Lula da Silva
no ato de posse de José Guimarães

Não houve qualquer decisão relacionada com a corrida sucessória no Maranhão na conversa entre o governador Carlos Brandão (sem partido) com o presidente Lula da Silva (PT), na posse do novo ministro das Relações Institucionais, José Guimarães, em Brasília.

– Conversei rapidamente (com o presidente). Não foi uma audiência – disse o governador Carlos Brandão à Coluna no início da madrugada desta quinta-feira. O mandatário maranhense nada acrescentou a essa informação, dando a entender que, se houve uma conversa decisiva, ainda que rápida, essa terá de ficar sob sete chaves, mas se nada foi dito de conclusivo ou com o poder de gerar expectativas, tudo continua como está.

Por outro lado, produziu ecos no meio político a presença de Orleans Brandão (MDB) em Brasília e da presidente da Assembleia Legislativa, Iracema Vale (MDB), na posse do novo ministro. Teve a força de impacto no entorno do vice-governador Felipe Camarão, que além de não ter ido a Brasília, está mergulhado numa queda de braços com a CPI criada no parlamento estadual para investiga-lo.

Se não produziu resultados políticos práticos, a ida de Orleans Brandão ao ato no Palácio do Planalto causou a impressão de que o governador Carlos Brandão continua na sua ofensiva de buscar uma conciliação agora com a pré-candidatura de Orleans Brandão tornada irreversível, assim como sua decisão de permanecer no cargo abrindo mão de ser senador.

Além disso, a presença do governador e seu sobrinho pré-candidato a governador em Brasília sugere que a decisão do Planalto dificilmente será a de rompimento com o atual ocupante do Palácio dos Leões.      

Credenciado como ex-prefeito e ex-presidente da Famem, Bigu Oliveira assume a articulação política dos Leões

Bigu de Oliveira é o novo
articulador dos Leões

Ao nomear o ex-prefeito de Santo Antônio dos Lopes, Emanuel Lima de Oliveira, mais conhecido como Bigu de Oliveira, para comandar a Secretaria de Estado de Articulação Política, o governador Carlos Brandão (sem partido) reforça um dos mais fortes vieses do seu Governo. E a escolha atendeu a dois fatores importantes: a experiência política do ex-prefeito e o conhecimento que ele detém da seara municipalista como ex-presidente da Famem.

O novo secretário já vinha exercendo o cargo de subsecretário de Articulação Política e não terá qualquer dificuldade para comandar a pasta, mesmo num momento politicamente intenso como agora.

Durante quase todo o Governo dirigida pelo ex-deputado estadual e ex-prefeito de Matões Rubens Pereira, considerado um “ás” nesse tabuleiro, mas que entrou em rotas de colisão com o governador Carlos Brandão e teve de entregar o cargo. Rubens Pereira foi substituído pelo advogado Júnior Viana, que fora subchefe da Casa Civil e de onde saiu para assumir a pasta e logo em seguida se deixa-la para disputar uma cadeira na Assembleia Legislativa.

Com Bigu de Oliveira à frente da Articulação Política, o governador Carlos Brandão mantém a política como uma das prioridades do Governo, mantendo sintonia fina com parte expressiva da classe política. É isso que explica o diálogo que mantém com os 11 partidos que fazem parte da aliança governista. Em relação aos prefeitos, Bigu não encontrará obstáculos, primeiro porque já foi prefeito de um município de médio porte, e depois porque presidiu a Famem por vários meses.

A empolgação com que ele assumiu o comando da pasta indica que Bigu de Oliveira pretende intensificar ao máximo as articulações para manter o Palácio dos Leões em boa convivência com a classe política, numa relação que alcança os partidos políticos. Principalmente na ciranda que vai desaguar nas eleições de outubro.

São Luís, 16 de Abril de 2026.

Brandão leva Orleans ao Planalto na posse de ministro; presença deixa aliados e adversários sob forte expectativa

Carlos Brandão e José Guimarães entre Orleans Brandão,
Miltinho Aragão e Iracema Vale no Palácio do Planalto

A presença do governador Carlos Brandão (sem partido), ontem, em Brasília, acompanhado do pré-candidato do MDB ao Governo do Estado, Orleans Brandão, por ele apoiado, e da presidente da Assembleia Legislativa, Iracema Vale (filiada há pouco ao MDB), depois de uma paquera forte com o PT), na posse do deputado federal cearense José Guimarães (PT) como ministro das Relações Institucionais, pode até não produzir uma reviravolta na tendência do comando nacional do PT e no próprio presidente Lula da Silva (PT) por uma candidatura do vice-governador Felipe Camarão (PT), mas com certeza causou forte impacto das duas searas. De um lado, reforçou o clima de instabilidade no entorno do vice-governador, e de outro, animou segmentos alinhados ao governador Carlos Brandão, que temem um posicionamento do PT contra a pré-candidatura de Orleans Brandão, causando um racha político monumental no Maranhão.

Para começar, a presença dos três no Palácio do Planalto para o ato de posse do ministro causou grande surpresa nos meios políticos maranhenses. A começar pelo fato de que alguns rumores, mesmo inconsistentes e nitidamente armados com má fé política, foram espalhados para passar a ideia de afastamento do Palácio dos Leões do Palácio do Planalto. E depois, e principalmente, com a demora do PT maranhense de tomar uma posição, principalmente depois que líderes nacionais do partido disseram e repetiram que a tendência da agremiação é confirmar o projeto de candidatura do vice-governador Felipe Camarão. Isso depois de duas conversas do governador Carlos Brandão com o presidente Lula, ambas sem desfecho conclusivo.

A ida do governador Carlos Brandão ao Palácio do Planalto, acompanhado de Orleans Brandão e Iracema Vale sugere várias interpretações, mas a principal delas é a de que algum tipo de canal foi aberto para a retomadas das conversas com a cúpula nacional do PT sobre a corrida sucessória. Do contrário, o mandatário maranhense dificilmente se deslocaria para Brasília acompanhado do seu pré-candidato a governador e da presidente do Poder Legislativo sem um motivo político que, de fasto, valesse a pena. A posse do novo ministro das Relações Institucionais é, sem dúvida, um fato político importante para essa seara, à medida que ele pode atuar como um canal para a interlocução do comando do PT e do próprio presidente da República com o governador sobre sucessão no Maranhão.

O que está posto é o seguinte: o vice-governador Felipe Camarão, que representa uma parte do PT maranhense e o grupo que foi ligado ao então governador Flávio Dino, hoje ministro da Suprema Corte, acusa o governador Carlos Brandão de romper um acordo pelo qual ele seria o candidato grupo à sua sucessão. O governador Carlos Brandão, por sua vez, diz que não houve acordo algum, e argumenta as suas divergências com o grupo ligado ao ministro Flávio Dino levaram ao rompimento, daí a sua decisão de lançar Orleans Brandão candidato à sua sucessão, abrindo mão de concorrer ao Senado. De uma meses para cá a crise se agravou e o rompimento se consumou. O governador Carlos Brandão lançou tornou irreversível o projeto de candidatura de Orleans Brandão, enquanto Felipe Camarão apostou alto num posicionamento do PT e do presidente, que não veio até agora, o que vem fragilizando o seu projeto.

Não há dúvida de que o governador Carlos Brandão e a deputada-presidente Iracema Vale foram formalmente convidados para a posse do novo ministro das Relações Institucionais, e a participação deles no ato seria naturalíssima. A companhia do pré-candidato Orleans Brandão, porém, mudou todo sentido da presença do governador, ontem, em Brasília. Carlos Brandão tem articulado no sentido de convencer o PT e o presidente Lula da Silva de que esse caminho é irreversível, já que o vice-governador não quis renunciar para se candidatar a deputado federal e ao Senado. Ou seja, a essas alturas, uma mudança de cenário seria muito difícil, mesmo sendo a política espantosamente imprevisível.

Se o clima no Palácio do Planalto foi, de fato, o mostrado na imagem com o ministro José Guimarães, pode-se especular que a algo em andamento. Se não, permanece a tendência pró-Felipe Camarão.

PONTO & CONTRAPONTO

Ministério Público: Eduardo Nicolau vai concorrer à lista tríplice num confronto direto com Danilo Castro

Eduardo Nicolau vai disputar comando do MPE
com Danilo Castro, que quer a reeleição

O procurador de Justiça Eduardo Nicolau surpreendeu ontem o universo institucional do Maranhão, em especial o Poder Judiciário, ao anunciar que vai se inscrever para a lista tríplice por meio da qual promotores e procuradores escolherão os três nomes dentre os quais o governador Carlos Brandão escolherá e nomeará o novo chefe do Ministério Público. O atual PDG, Danilo Castro, deve ser candidato a novo mandato, como vem sendo “tradição” no MP estadual.

Feito por meio de uma mensagem dirigida a promotores e procuradores, o movimento de Eduardo Nicolau é revelador de que o MPE está mergulhado numa crise interna. Um dos motivos que ele alega para tentar voltar ao comando do Ministério Público é a percepção de que o MPE “atravessa um momento que exige reflexão, união e fortalecimento institucional, especialmente quanto à preservação da sua isenção, independência e credibilidade na sua missão constitucional de defesa da sociedade e da cidadania”.

O argumento atinge direta e francamente o atual PGJ, que deve ser candidato a novo mandato. Eduardo Nicolau, que foi procurador geral de Justiça por dois mandatos consecutivos, entre (2019 A 2023), se lança exatamente para quebrar essa “tradição”, por indicar problemas na atual gestão.

O ex-PGJ se dispõe a entrar na disputa de Um Ministério Público em crise, que foi aguçada e veio à tona e que foi aguçada com o explosivo vazamento de uma ação, que corria sob sigilo judicial, por meio da qual o PGJ Danilo Castro pedia o afastamento do vice-governador Felipe Camarão (PT), apontado como suspeito de movimentação financeira “atípica”. O vazamento foi logo apontado como uma armação para atingir o vice-governador, tendo Danilo Castro sido acusado de participar do suposto conluio, suspeita que ganhou força porque ele não conseguiu explicar como o vazamento foi possível.

O fato é que o simples lançamento de Eduardo Nicolau para disputar o comando do Ministério Público foi suficiente para indicar que, por conta da força das correntes que ali atual, a sucessão do comando da instituição se torna imprevisível.

Eliziane atua para ganhar o apoio da militância petista na sua corrida à reeleição

Avalizada por Lula da Silva,
Eliziane Gama busca o apoio da militância do PT

Convidada pelo presidente Lula da Silva para ingressar no PT, fazendo questão de abonar sua ficha, a senadora Eliziane Gama tem agora um longo e desafiador trabalho pela frente: mobilizar a militância petista em torno da sua candidatura à reeleição.

Inicialmente, tudo indicava que o PT não lançaria candidato ao Senado no Maranhão. Se a aliança fosse mantida e o vice-governador fosse candidato a governador, como o partido acreditava antes do racha, o caminho os petistas provavelmente pulverizariam sua força apoiando o senador Weverton Rocha (PDT) e o ex-ministro André Fufuca (PP). Filiada ao PSD, Eliziane Gama seguiria o mesmo rumo de ex-prefeito de São Luís Eduardo Braide, pré-candidato do PSD ao Governo, mas ela foi tratada com silêncio por ele e com hostilidade pelo seu irmão, o deputado Fernando Braide (PSB).

De volta ao PT depois de muitos anos, a senadora Eliziane Gama começa a trabalhar para ganhar o apoio da militância, certa de que seu nome ganha reforça dentro do partido. Com o aval de Lula da Silva, sua candidatura à reeleição deve se consolidar e se transformar numa prioridade petista no Maranhão.

Com esse suporte, Eliziane Gama avalia que terá cacife para brigar, de fato, por uma das cadeiras, podendo permanecer por mais oito anos na Câmara Alta.

São Luís, 15 de Abril de 2026.