Com a candidatura de Beto Castro minada por sua prisão, sucessão presidencial agita bastidores da Câmara

Beto Castro pode não contar mais com a articulação
de Paulo Victor, que saiu para coordenar a
campanha de Orleans Brandão em São Luís

Duas situações envolvem a Câmara Municipal de São Luís neste momento, além das suas atividades normais. A primeira é a intensa movimentação em curso nos bastidores da Casa por conta da sucessão presidencial, prevista para outubro, logo após as eleições gerais. E a outra é o afastamento, via licença, do presidente Paulo Victor (PSB), para integrar o comando da campanha do pré-candidato a governador, Orleans Brandão (MDB), em São Luís. Aparentemente, uma coisa nada tem a ver com a outra, mas uma observação cirúrgica da movimentação nos bastidores e reentrâncias do parlamento ludovicense indica uma relação entre os dois fatos.

A guerra pela sucessão, que vinha evoluindo naturalmente, sob o comando do presidente Paulo Victor, apontava o favoritismo escancarado do vereador Beto Castro (Avante), tendo com único oponente o vereador Marquinhos Silva (União), aparentemente sem cacife para virar o jogo.

Mas o cenário sofreu uma drástica reviravolta, colocado de cabeça para baixo na manhã do dia 15 de junho, quando a Polícia Civil, a serviço do Grupo de Atuação Especial de Combate às Organizações Criminosas (Gaeco), cumprindo mandados judiciais na Operação Benedicti, que investiga denúncias de desvios milionários com emendas parlamentares, levou para a cadeia vário suspeitos, entre eles ninguém menos que o vereador e pré-candidato assumido a presidente Beto Castro, causando um vexame monumental a ele próprio e ao parlamento ludovicense.

Por força de liminar, o vereador Beto Castro deixou a cadeia. No dia seguinte, ele foi à tribuna e jurou de pés junto que nada tem a ver com o desvio milionário de emendas e que vai provar sua inocência. O Gaeco, cuja investigação sobre a ação da quadrilha já dura mais de ano, diz exatamente o contrário, e aponta o vereador Beto Castro como um dos chefes da organização criminosa.

O discurso de Beto Castro pregando inocência não foi suficiente para evitar a drenagem da base da sua candidatura a presidente, pois a sua permanência de várias horas atrás das grades minou severamente a base da sua candidatura à sucessão do presidente Paulo Victor, que chegou a ter 22 dos 31vereadores. Ao mesmo tempo, desencadeou uma forte onda nos bastidores da Câmara Municipal, onde um grupo de vereadores busca um nome alternativo, além de ter dado ao seu único oponente até aqui, o vereador Marquinhos Silva, o discurso que ele precisava para turbinar a sua candidatura.

Uma fonte da Câmara Municipal indicou à Coluna um movimento, discreto, mas efetivo, de vereadores, incluindo os que estão de licença, questionando a situação de Beto Castro e levantando a possibilidade de buscar um nome de consenso. O argumento é simples: até a eleição do novo presidente, que se dará provavelmente em novembro, dificilmente a situação do vereador Beto Castro estará resolvida nos campos policial e judicial, não havendo assim certeza de que ele seja inocente. E a Câmara Municipal poderá se atolar no mangue se eleger um presidente que posteriormente possa vir a ser declarado culpado e cassado por corrupção.

Com a saída temporária do presidente Paulo Victor para ser um dos coordenadores da campanha de Orleans Brandão em São Luís, a exemplo do que fez com a campanha do governador Carlos Brandão em 2022, abre-se um grande vácuo na coordenação da campanha do vereador Beto Castor a presidente. A além disso, tudo indica que a presidente interina Concita Pinto (PSB) não tem o mesmo peso de Paulo Victor para essa articulação, o que torna a situação de Beto Castro mais vulnerável.

O fato é que, mesmo que mais da metade dos atuais vereadores sejam suplentes que lá permanecerão por três meses, e quase nenhum participará da eleição do novo presidente, os bastidores do parlamento ludovicense estão agitados por conta do novo cenário da sucessão presidencial.

PONTO & CONTRAPONTO

Duarte Jr. avança e se torna nome forte na corrida ao Senado

Duarte Jr. em Grajaú, ao lado de G[ilson Guerreiro

“Esse Duarte Jr. vai dar muito trabalho nessa eleição de senador”. A declaração, feita por um dos mais experientes políticos maranhenses, ao analisar o cenário da disputa pelas duas cadeiras no Senado da República, confirma informações vindas do interior dando conta da desenvoltura com o que o deputado federal (Avante) vem realizando sua pré-campanha, numa corrida “sem dia nem hora” em busca de apoio eleitoral nas mais diversas regiões do Estado.

O fato mais recente que reforça a previsão da raposa política ouvida pela Coluna aconteceu nesta semana em Grajaú (70 mil habitantes), um dos mais tradicionais municípios do Maranhão, onde a política é intensa. Ali, o prefeito Gilson Guerreiro (PSDB) e todo o seu grupo declararam apoio à Pré-candidatura de Duarte Jr. num ato político que reuniu milhares de grajauenses.

Inicialmente apontada por alguns como uma “aventura de desespero”, o projeto senatorial de Duarte Jr. ganhou forma em pouco tempo, o colocou entre os pré-candidatos com maiores índices de preferência do eleitorado, segundo pesquisas recentes.

Nessa corrida, Duarte Jr. tem mostrado que não é apenas “o político de São Luís”, ao contrário, vem demonstrando que é conhecido pela grande maioria dos maranhenses, fruto do intenso e amplo trabalho que realiza nas redes sociais. Tanto que declinou do convite para ser pré-candidato a vice-governador na chapa do emedebista Orleans Brandão preferindo encarrar o desafio de ser candidato ao Senado disputando com o senador Weverton Rocha (PDT) e a senadora Eliziane Gama (PT), ambos pré-candidatos à reeleição, a deputada federal Roseana Sarney (MDB) o deputado federal André Fufuca (PP), o ex-senador Roberto Rocha (Novo) e o ex-candidato a governador Lahesio Bonfim (Novo).

Roberto Costa enquadra empresas de loteamento em Bacabal; medida pode ser referência para outras cidades

Roberto Costa anuncia medidas
contra loteamentos irregulares

Repercutiu fortemente, dentro e fora de Bacabal, a decisão do prefeito Roberto Costa (MDB) de determinar um enquadramento rígido nas regras contratuais e nas normas do município. Sua iniciativa alcança empresas que comercializam loteamentos, e que, como é comum em qualquer cidade de porte grande e médio, recebem o pagamento dos compradores e não entregam os lotes com ruas pavimentadas, drenagem, abastecimento de água e outros equipamentos previstos nos contratos. E ficou estabelecido que a partir de agora esses projetos será duramente fiscalizados, com a previsão de duras sanções aos que saírem das linhas contratuais.

Em coletiva de imprensa realizada na quarta-feira (01), o prefeito Roberto Costa, que é também presidente da Federação dos Municípios do Maranhão (Famem), anunciou a adoção de medidas judiciais pelo Município contra três empresas (Green Park, Cidade Jardins e Ecoville), que comercializaram lotes, receberam os pagamentos, mas não cumpriram os compromissos contratuais, como entregar ruas pavimentadas, drenagem, abastamento de água, entre outras obrigações.

Na conversa com jornalistas, o prefeito de Bacabal apresentou decisões liminares, concedidas pela Justiça, obrigando as empresas, a cumprirem imediatamente, os compromissos contratuais: 15 dias para iniciar de forma emergencial a recuperação das ruas e 30 dias para iniciar projeto completo de drenagem. Aa liminares, assim como a Prefeitura, preveem sanções draconianas para as empresas que não cumprirem as regras contratuais e as normas municipais.

A iniciativa do prefeito Roberto Costa pode se tornar uma referência para os municípios que enfrentam esse problema – que, aliás, são muitos, principalmente os de médio porte, como é o caso de Bacabal. Os problemas habitacionais levaram a uma verdadeira “explosão” na venda de loteamentos, grande arte feita por empresas sem compromissos com as regras do contrato. Ao enquadrar as empresas infratoras, a Prefeitura de Bacabal beneficia os compradores, mas também a infraestrutura urbana, evitando problemas muito maiores em futuro próximo.

Na condição de presidente da Famem, o prefeito Roberto Costa dá também uma contribuição aos municípios em geral com uma medida que pode ser referência aos mais de 200 associados da entidade municipalista.

São Luís, 03 de Julho de 2026.

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