O prefeito de Imperatriz, Rildo Amaral (PP), que comanda o segundo maior e mais importante colégio eleitoral do Maranhão, foi colocado na linha de tiro das especulações. Sua manifestação de apoio à pré-candidatura do deputado federal André Fufuca (PP) ao Senado, depois que o ex-ministro do Esporte rompeu com a base governista e firmou aliança com o pré-candidato ao Governo do Estado Eduardo Braide (PSD), desencadeou uma forte “suspeita” de que ele estaria migrando da pré-candidatura de Orleans Brandão (MDB) para o campo do ex-prefeito de São Luís. Ontem, alguns blogs bem informados especularam que o prefeito tocantino caminhando para mudar, especulação reforçada por um vídeo em que Rildo Amaral faz malabarismo verbal para não confirmar apoio ao pré-candidato do MDB.
O fato de reafirmar sua aliança com o deputado federal André Fufuca fez com que políticos alinhados ao Governo enxergasse nos movimentos do prefeito sinais de mudança. Uma visão estranha, já que Rildo Amaral e André Fufuca pertencem ao mesmo partido, além do fato de que o ex-ministro do Esporte apoiou incondicionalmente a candidatura do então deputado estadual Rildo Amaral à Prefeitura de Imperatriz. A relação partidária e os vínculos políticos sugerem que dificilmente esse apoio do prefeito do ex-ministro do Esporte sofrerá algum abalo.
Pelo que está posto desde o início nas articulações para as eleições de outubro, a relação política de André Fufuca com o prefeito Rildo Amaral se manterá intacta, com ou sem a aliança d do ex-ministro do Esporte com o ex-prefeito Eduardo Braide, na mesma medida em que não sofrerá um arranhão se o prefeito de Imperatriz confirmar apoio a Orleans Brandão. Vale anotar que todo mundo achou natural que Rildo Amaral declarasse apoio à senadora Eliziane Gama, mesmo sendo ela colega de chapa do pré-candidato do PT ao Governo do Estado, o vice-governador Felipe Camarão (PT). E para completar, Weverton Rocha (PDT) tem apoiadores no MDB de Orleans Brandão e na banda do PT que o apoia, e por aí vai.
Esse “fenômeno”, que alcança a esmagadora maioria dos pré-candidatos a todos os mandatos em disputa, causado pelo desprezo que os políticos brasileiros, sem exceção, nutrem pela fidelidade partidária, que é um princípio legal. Ou seja, na situação atual do Brasil no que diz respeito a partido, qualquer o prefeito pode escolher o seu candidato a qualquer coisa sem levar em conta os interesses do seu partido. Candidatos a governador estão evitando lançar candidatos ao Senado dos seus próprios partidos.
O próprio exemplo de Imperatriz é bem ilustrativo dessa realidade. Aliado desde sempre a André Fufuca, Rildo Amaral descartou apoiar o senador Weverton Rocha (PDT), que é apoiado por Orleans Brandão, e optou pela senadora Eliziane Gama (PT), que é linha de frente do projeto de candidatura de Felipe Camarão ao Governo. Outro exemplo ilustrativo: o prefeito de Timon, Rafael Brito (PSB), é partidário de primeira hora de Orleans Brandão, mas não abre mão der apoiar André Fufuca para o Senado. É também o caso do prefeito de Caxias, Gentil Neto (PP), que apoia integralmente o emedebista Orleans Brandão, mas não abre mão de apoiar André Fufuca o para o Senado. Esses casos se multiplicam Maranhão a fora.
Outro fato que não é muito evidente ainda é que nesse estágio da pré-campanha ao Governo do Estado e ao Senado os acordos firmados recentemente começam a se ajustar, com migrações de lado a lado. Enquanto vários prefeitos declararam apoio a Eduardo Braide – Santo Amaro, Barão de Grajaú e Santa Helena, por exemplo -, Orleans Brandão reuniu cerca de 70 prefeito em São Luís, no início dessa semana, para reafirmar a aliança e afinar o discurso. E ninguém duvida de que até a campanha eleitoral esses ajustes vão acontecer.
Esses ajustes vão continuar até às vésperas das eleições, reafirmando a dinâmica e a imprevisibilidade da política.
PONTO & CONTRAPONTO
Braide intensifica corrida para visitar todos os municípios; Orleans faz incursões em São Luís
O pré-candidato do PSD ao Governo do Estado Eduardo Braide deve visitar os 217 municípios antes da convenção por meio da qual o seu partido confirmará a sua candidatura. É essa a sua programação da pré-campanha, que poderá ser cumprida até a segunda semana de agosto, quando terminará o prazo para as reuniões partidárias, para que a campanha eleitoral propriamente dita seja iniciada no dia 16 de agosto.
Nos cálculos de um aliado seu, Eduardo Braide já visitou cerca de 80 municípios desde que anunciou a sua decisão de deixar a Prefeitura de São Luís, no dia 31 de março. Sua corrida aos municípios foi iniciada na segunda-quinzena de abril e foi intensificada nos meses de maio e junho. Ele já esteve em todas as regiões.
Com as incursões pelos municípios, que faz por terra, Eduardo Braide pretende quebrar o argumento segundo o qual não conhece o Maranhão, usado principalmente pelos aliados do pré-candidato do MDB, Orleans Brandão, que tem esse conhecimento como um dos principais argumentos.
Como contraponto, Orleans Brandão foi “acusado” de “não conhecer” São Luís, tendo decidido fazer intensas incursões nas mais diversas regiões da Capital. E para tanto conta com o apoio de vereadores, que reúnem apoiadores para recebê-lo.
O fato é que Eduardo Braide está decidido a chegar aos debates livre da acusação de “não conhecer” o Maranhão, assim como Orleans Brandão quer mostrar que conhece bem São Luís.
Guerreiro Júnior pode ser o primeiro magistrado a ser demitido sem direito a nada
O desembargador Antônio Guerreiro Júnior, ex-presidente do Tribunal de Justiça do Maranhão, poderá ser o primeiro magistrado brasileiro a perder o emprego desde que o Supremo Tribunal Federal consolidou a regra segundo a qual membros da magistratura e do Ministério Público que forem apanhados vendendo sentenças e praticando corrupção no exercício do cargo serão demitidos sem direito a nada, pondo fim de vez na mamata por meio da qual corrupção no Poder Judiciário era “punida” com aposentadoria compulsória integral.
O futuro do desembargador, que está afastado há mais de um ano, está sendo julgado pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ) por supostas irregularidades na construção do Fórum de Imperatriz, que demorou 12 anos – o projeto inicial previa quatro anos – e consumiu nada menos que R$ 147 milhões, quatro vezes mais do que o custo inicial. As investigações encontraram superfaturamento, falhas contratuais numa obra superdimensionada para as necessidades do braço do Poder Judiciário na Região Tocantina, ou seja, uma obra “faraônica”.
O desembargador Guerreiro Júnior encontra-se numa situação muito grave, a começar pelo fato de que o Relator do processo no CNJ, conselheiro João Paulo Schoucair, votou pela sua demissão, com a perda da função. No seu voto, o conselheiro-relator demonstrou estar convencido de que o desembargador Guerreiro Júnior tem reponsabilidade direta nas irregularidades. A Procuradoria Geral da República também se manifestou pela demissão do magistrado.
O julgamento foi suspenso por um pedido de vistas da conselheira Daiana Nogueira de Lira, que deve se manifestar na próxima sessão do CNJ.
São Luís, 25 de Junho de 2026.


