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ESPECIAL: Em “Éramos felizes e não sabíamos” Bernardo de Almeida mostra uma São Luís viva e pujante na Era de Ouro do Rádio

Bernardo de Almeida em nanquim, a 1ª
edição do livro e imagens da São Luís “feliz”

Existiu uma São Luís que o mundo das luzes apontou como uma Atenas nos trópicos, existiu uma São Luís rebelde, existiu uma São Luís musa de poetas e romancistas, e ainda existe uma São Luís que, aos 411 anos de idade e 1,2 milhão de habitantes, está consagrada como Cidade Patrimônio Cultural da Humanidade e que ainda guarda um pouco de tudo isso e conserva com obstinação a base da sua cultura popular e o seu viés literário. Nessa linha temporal, existiu uma São Luís cujos filhos foram felizes sem se dar conta disso. Essa São Luís, que nasceu nos anos  40 e se desfez nos anos 80 do século passado, período em que o Rádio viveu o seu apogeu, tempo em que a democracia renascida em 45, foi novamente sufocada em 64, quando a televisão desembarcou com força avassaladora e mudou costumes, prenunciando as mudanças revolucionárias que seriam trazidas pelo século XXI, essa cidade, com seu teatro, seus bares, seus cabarés, sua cultura e seus personagens, é mostrada, sem maquiagem e apaixonadamente, em “Éramos felizes e não sabíamos” , o magistral registro em 48 crônicas do jornalista, poeta, romancista e político Bernardo Coelho de Almeida, publicado em 1989.

Os textos são verdadeiros memoriais, quase autobiográficos, que  trazem o condão de mostrar uma cidade viva, o seu cotidiano, os seus limites, as suas contradições, realidade pura, sem maniqueísmo. A crônica de abertura, “Um profeta em sua terra” é um verdadeiro mosaico da São Luís dos anos 50/60, mostrada em detalhes por Bernardo de Almeida. Ali estão as ruas principais, as casas comerciais, os bares, ainda os velhos bondes, os poucos “carros de praça” – sinônimos de status -, os cafés, os pontos de encontro, as escolas. Com riqueza de informação, o cronista mostra surpreendente intimidade com a cidade, dando nome às coisas e às pessoas, sugerindo que cada uma tem uma bela história. E com a honestidade de só ter contado o que viu e viveu.

Movido pela ideia de remontar em detalhes a cidade feliz, Bernardo de Almeida, que nela desembarcou aos cinco anos, vindo da longínqua São Bernardo para estudar no Seminário Santo Antônio e se ordenar padre, rascunha, à sua maneira, a origem da felicidade que ele próprio vivenciou integralmente. Naquele tempo, São Luís tinha cinco fábricas de tecido funcionando a todo vapor – Santa Isabel, Cânhamo, Rio-Anil, Santa Amélia e Camboa –, “que nos acordavam ao alvorecer com o silvo dos seus longos apitos (e) davam guarida a milhares de operários saudáveis e felizes”, e era cortada por cinco linhas de bonde. E segue mostrando a pujança do comércio da Praia Grande, onde duas dezenas de poderosas firmas – Martins & Irmãos, Chames Aboud, Cunha Santos, Gaspar Marques, entre outras – abasteciam a cidade e todo o Maranhão alcançável por terra e mar. Mais para o centro, já na Rua Grande, estavam as lojas sofisticadas, as livrarias, os bazares, os armarinhos, as alfaiatarias, as sapatarias que davam a São Luís, por ele definida como “nosso pequeno mundo singelo e tranquilo”, um traço cosmopolita, acentuado com a passagem dos soldados norte-americanos a caminho do front, apesar do seu isolamento do resto do País.

Boêmio incorrigível e avesso a reuniões sociais, Bernardo de Almeida recorda a São Luís dos bares que frequentou e que, ao busca-los na memória, em 1988 reclama que não eram mais como antigamente. Fala de cada um deles com detalhes e profundidade, como se lhes conhecesse a alma. Registra que o famoso bar do Hotel Central tinha suas mesas animadas e bem atendidas pelo garçom Fonseca e pelo português Oliveira Maia. Fala do Moto Bar, “do Serafim”, que tinha o “melhor tira-gosto”, e logo ao lado o Jurandeiro, de Manoel Santos. A rota boêmia passava pelo Café Paulista, dos irmãos Nicolau, na Rua da Paz. Os boêmios ocupavam também o bar Para Todos, onde eram servidos em pé, e o Bar do Nasciso, um português que servia um “camarão seco fantástico”. Mas o grande ícone foi o Bar do Castro, do generoso espanhol Leôncio Castro, frequentado por boêmios e intelectuais, onde se reunia a nata dos poetas e escritores, a exemplo do grupo que fundou a revista Legendas, idealizada e comandada pelo próprio Bernardo de Almeida: o poeta José Chagas, o jornalista Reginaldo Teles, o pintor Antônio Almeida, o poeta Déo Silva, o cronista Ubiratan Teixeira e o jornalista Benito Neiva. Ali também pontificaram o célebre orador Murilo Ferreira, o poeta-declamador-polemista Carlos Cunha e o articulista e provocador Erasmo Dias.

Bernardo de Almeida escreve que essa São Luís, com pouco mais de 70 mil habitantes, foi também uma cidade onde aos domingos as famílias passeavam na Praça Benedito Leite embaladas pelos dobrados e valsas de uma bandinha instalada no coreto. Mas também foi a São Luís cuja vida noturna acontecia nos cabarés comandados pelas madames Honorina, Ziloca, Maroca, Lolita, Mercedes e Lavínia, frequentado por políticos, empresários, profissionais liberais e jovens, que se divertiam ao som de orquestras. O Carnaval daquela São Luís, sem escolas de samba, era “singelo, comunicativo, alegre e generoso”, com animados corsos, homens vestidos de mulher e vice-versa, fofões, e era animado pelos famosos bailes de máscara do Moisés, do Walmir Reis, do Mundiquinho, do Dutra e do Edson nos quais as mulheres eram obrigadas a usar máscaras para não serem reconhecidas. Esses bailes, que marcaram época, foram sumariamente proibidos pelo então prefeito Epitácio Cafeteira, que também desfigurou aquela cidade com a retirada dos bondes.

Aquela São Luís tinha fama de abrigar boas escolas, como o Liceu Maranhense, então considerado um templo da educação, o Colégio Santa Teresa, o Maristas, o Ateneu, o Centro Caixeiral, a Escola Técnica, o Colégio São Luís, o Rosa Castro e a Escola Normal. Seus alunos eram brindados com os ensinamentos de mestres como Mata Roma, Rubem Almeida, Zuleide Bogeia, Luiz Rego, Arimateia Cisne, Zoé Cerveira, Lilah Lisboa, Nascimento Morais, Hipátia Damasceno, entre outros luminares da educação formal. E contava com a medicina “mágica e humanitária” de Carlos Macieira e Odorico Amaral de Matos, entre outras figuras importantes das mais diversas áreas de atuação na cidade.

Era uma cidade intensa e pujante e que ganhou novas luzes com o retorno de Bandeira Tribuzi, após concluir seus estudos em Coimbra, e trazer na bagagem os novos horizontes poéticos abertos com a obra de Fernando Pessoa, uma nova visão de administração pública baseada no planejamento, informações técnicas em grande medida contidas nos ideais socialistas pregados por Karl Marx, os quais cultivou por toda a vida, sem retrocesso nem remorso, como líder de pelo menos três gerações de poetas, e que, da sua obra imortalizada, foi destacada a música “Louvação a São Luís”, adotada como Hino Oficial da Capital do Maranhão.

O cronista Bernardo de Almeida registra, com muito orgulho, a sua rica trajetória de radialista que teve papel central e decisivo na animação daquele “mundo singelo” pelas ondas de Rádio, que produziram naquele momento a Era de Ouro do Rádio no Maranhão, sendo ele o todo-poderoso diretor artístico da Rádio Difusora AM 680, a mais completa e influente emissora do estado. Seu relato é rico de situações e mostra que naquele tempo uma emissora de Rádio era uma grande empresa segmentada – programas de estúdio, programas de auditório, rádio-jornalismo intenso, departamento de esporte, equipe de repórteres, rádio-escuta, cast de cantores e de músicos e de locutores de radionovela – e que influenciava, às vezes decisivamente, qualquer situação, principalmente as de viés político. O ponto alto era o editorial Difusora Opina, ao meio dia, por ele redigido diariamente, e por meio do qual a emissora se posicionava, o que fazia com que o governador e o motorista de táxi parassem para ouvi-lo. A audiência e a influência da emissora foram consagradas com a versão da Guerra dos Mundos, de Orson Welles, produzida pelo radialista Sérgio Brito com a sonoplastia do célebre Parafuso, que quase levou a cidade à loucura com a suposta invasão de marcianos. E relata o começo do fim da Era de Ouro do Rádio quando, por ironia do destino, ele próprio, que foi um dos seus ícones, apareceu na primeira transmissão da TV Difusora, em 1963. A Difusora AM resistiu, se manteve no topo por alguns anos, mas quedou.

Homem cortês, que tinha talento excepcional para se relacionar e construir amizades, apesar das dificuldades que lhe eram impostas pela condição de político – foi deputado estadual quatro vezes, eleito sempre pela força da sua família em São Bernardo e região -, Bernardo de Almeida enriquece “Éramos felizes e não sabíamos” com crônicas em que traduz, por sua ótica singular, personalidades que tiveram participação importante e às vezes decisiva na vida de São Luís e do Maranhão, como fez com Bandeira Tribuzi no grandioso registro “O profeta em sua terra”, que abre o livro.

A crônica “Éramos felizes e não sabíamos” é um relato primoroso e completo da sua juventude no internato do Colégio Maristas, depois de deixar o seminário por falta de vocação, tendo sobrado apenas um fiel católico, conservador e temente a Deus. Nessa seleção rigorosa, ele destaca a figura incomum e respeitada do senador Henrique de la Rocque, a quem dedicou grande amizade e define como “o melhor homem do mundo”. A crônica “Brilha uma estrela em seu destino” é dedicada a José Sarney, de quem sempre foi adversário político – militava no MDB e Sarney na Arena e sucedâneos -, mas sempre alimentando uma brecha para manter uma amizade por admiração e afinidade intelectual, tanto que corrige algumas injustiças contra o ex-presidente da República. Nas linhas de “Os enormes sapatos lhe cobriam o rosto fúnebre”, o cronista exalta o escritor, político e polemista Erasmo Dias, destacando seus talentos e sua incontrolável disposição para o confronto. O poeta José Chagas foi seu amigo desde que principiou no plano literário e no Rádio, e com ele somou esforços para divulgar a literatura, sendo um dos seus próximos por toda a vida, tanto que editou seu primeiro livro, “Canção da Expectativa”. José Chagas é a personalidade da crônica “Como admirar um grande poeta”.

No rico registro de personalidades, Bernardo Almeida dedica uma ampla e densa crônica ao escritor e pesquisador Jomar Moraes, com quem manteve relação próxima em todos os momentos importantes, daí o título “Como alcançar a imortalidade”. E prossegue destacando o sacerdócio gramatical de Amaral Raposo, o mecenato do empresário Eduardo Aboud, a genialidade humilde e humana do jornalista e poeta Odylo Costa, filho, a incrível e bem sucedida trajetória do jornalista, escritor, poeta e magistrado superior Edson Vidigal – “o menino do Beco do Urubu”, e o coração grande do médico e governador Jorge Dino. Registra a paixão pelo cinema e mostra que essa arte foi um dos pilares da cultura espantosa de Fernando Moreira, um dos gênios literários do seu tempo, e destaca em “A grande mulher maranhense”, a dignidade da médica Maria Aragão – militante de esquerda que enfrentou a ditadura como poucos e que se tornou uma referência. E enxerga o padre, médico e militante católico João Mohana como um quase santo, “um ser especial, inteiramente voltado para amar seus semelhantes em adoração ao Senhor”.

Bernardo de Almeida registra alguns momentos da sua vida como político em “Nem tudo está perdido”, mostra em “Música, divina música” toda a força da sua paixão pela música, explicada em parte pela sua longa atuação como diretor artístico da Rádio Difusora, o que dá a “Éramos felizes e não sabíamos” um retrato do mundo feliz no qual viveu até se dar conta de que ele não mais existia quando, infelizmente, o Rádio perdeu força e o prestígio, a TV impôs uma nova realidade, os bares deixaram de ser redutos da boêmia autêntica e a violência das ruas começou a mostrar sua cara em São Luís.

Além de “Éramos felizes e não sabíamos”, Bernardo de Almeida escreveu “Luz! Mais luz!” e “A gênese do azul” (poesia), “Galeria” (crônicas), “A última promessa” (romance) e “O Bequimão” (romance). Pouco antes de morrer, em 1997, aos 69, anos, reclamava que o trabalho e a boêmia não o deixaram escrever o quanto que deveria e queria ter escrito.

São Luís, 8 de Setembro de 2023.

André Fufuca se torna ministro e turbina seu cacife no tabuleiro político maranhense 

André Fufuca comemora com Alexandre Padilha e Silvio Costa Filho (Republicanos-PE),
que vai para Portos e Aeroportos, após convite do presidente Lula da Silva

Confirmado ontem à noite o que já estava decidido há cerca de um mês: o deputado federal André Fufuca (PP) foi convidado pelo presidente Lula da Silva (PT) para ser ministro do Esporte e aceitou o convite, em nome dele próprio e do seu partido. O parlamentar, que lidera a bancada do PP na Câmara Federal, será empossado no ministério tão logo o presidente da República retorne de uma viagem ao exterior, na próxima semana. André Fufuca se torna ministro no bojo de uma ampla negociação por meio da qual o presidente Lula da Silva trabalha para ampliar o quadro de aliados no Congresso Nacional, de modo a ter votos suficientes para aprovar matérias de importância vital para o futuro do seu Governo e para o País.  O líder do PP se torna o terceiro maranhense na equipe ministerial do atual Governo, onde já estão o senador Flávio Dino (PSB), no comando do Ministério da Justiça e Segurança Pública, e o deputado federal Juscelino Filho, titular da pasta das Comunicações.

A ascensão do deputado federal maranhense ao comando do Ministério do Esporte, sucedendo a medalhista do vôlei Ana Moser, foi o resultado de uma grande articulação feita pelo Palácio do Planalto para reforçar o poder de fogo do Governo na Câmara Federal, onde enfrenta uma oposição renhida de uma banda conservadora que tem à frente a falange bolsonarista. Numa articulação partidária interna, os líderes do PP, com destaque para o presidente da Câmara Federal, deputado Arthur Lira (PP-AL), indicaram André Fufuca para compor o ministério. Inicialmente, ele ocuparia uma pasta voltada para a assistência social, que nasceria da desmontagem do Ministério do Desenvolvimento Social, comandado pelo ex-governador e senador pelo Piauí Wellington Dias (PP), que conseguiu resistir. A opção recaiu sobre o Ministério do Esporte, inicialmente rejeitado pelo PP, mas em seguida aceito depois que a pasta foi turbinada com a prerrogativa de taxar as casas de aposta que hoje movimentam milhões na área esportiva, principalmente o futebol.

Aos 34 anos e médico por formação, André Fufuca está no quarto mandato parlamentar – um de deputado estadual e três de deputado federal -, ocupando espaço destacado dentro do seu partido, o que já lhe valeu a presidência de uma CPI (Prótese), a vice-presidência da Câmara Federal e presidente interino por várias vezes, a presidência nacional do PP por quase um ano, e a liderança do partido na Câmara Federal, função na qual se tornou um dos articuladores de proa do Congresso Nacional. Essa trajetória fez dele um nome de peso dentro do PP e nos bastidores da Câmara Federal, onde não se expõe muito, mas é respeitado como articulador. Agora mesmo, ao ser escolhido para representar o PP no ministério, teve de fazer uma grande articulação para apagar focos de insatisfação e evitar uma guerra pela sua vaga de líder da bancada do PP.

Ao se tornar ministro do Esporte, André Fufuca amplia e consolida o espaço que vem ocupando no cenário político. Já era um dos nomes mais destacados da mais nova geração de políticos maranhenses, e com potencial para alçar voos mais altos na política estadual. Afinal, a sua bem-sucedida trajetória parlamentar o credencia para entrar na disputa majoritária estadual, a começar por vaga no Senado. O seu desempenho político é a confirmação de um projeto que vem sendo montado cuidadosamente, sem movimentos bruscos nem gestos precipitados, resultado de uma lição que recebeu ainda em casa e que ele próprio traduz ao afirmar que só tira os sapatos para colocar os pés na água.

Vale registrar que, como o senador Flávio Dino e o deputado federal Juscelino Filho, o deputado federal André Fufuca assumirá o Ministério do Esporte sem qualquer relação com o fato de ser maranhense, pois a articulação que o levou ao cargo foi fruto dos pesos e contrapesos que movem as forças que dão as cartas no Congresso Nacional.

PONTO & CONTRAPONTO

Contrato Gasmar/Eneva vai garantir gás veicular para São Luís e Imperatriz em 2024

Carlos Brandão avaliza o contrato firmado entre
Allan Kardek (Gasmar) e Marcelo Cruz (Eneva)

Um contrato assinado ontem no Palácio dos Leões foi um passo concreto para que São Luís e Imperatriz disponham de gás veicular para abastecimento de veículos e fornecimento para empresas, a partir do ano que vem. O termo foi firmado entre o presidente da Companhia de Gás Maranhense (Gasmar), Allan Kardek Barros Filho, e o diretor de Marketing, Comercialização e Novos Negócios da Eneva, Marcelo Cruz Lopes, com o sinal verde e o aval do governador Carlos Brandão (PSB).

Pelo contrato, a Eneva se compromete a fornecer gás para o consumo de veículos. Combustível mais barato e com menos impactos para o meio ambiente, o gás natural veicular pode melhorar a competitividade do Maranhão na economia.

Visivelmente entusiasmado, o governador Carlos Brandão comandou o ato avaliando que a oferta do gás como combustível impacta direta e positivamente na economia maranhense. “O primeiro eixo é a questão social, com um combustível mais barato e menos poluente atendendo todos os segmentos da sociedade, o que inclui motoristas de táxi e de aplicativos. O segundo eixo é a industrialização. Através do gás que virá da Eneva, também atenderemos às indústrias, como Vale, Alumiar, Suzano e tantas outras. A energia mais barata torna o produto da empresa mais competitivo”, destacou o governador.

O diretor-presidente da Gasmar, Allan Kardec Barros Filho, afirmou que o contrato marca uma importante conquista, uma vez que o Maranhão possui uma grande bacia de gás natural, a Bacia do Parnaíba, e revelou:  “Quando o governador me chamou para ser presidente da Gasmar, ele pediu para industrializar o Maranhão, ou seja, servir gás para a indústria do estado. Então, para a Gasmar é uma vitória, mas o mérito é do governador Carlos Brandão”.

O diretor de Marketing, Comercialização e Novos Negócios da Eneva disse que o contrato assinado com a gestão estadual representa desenvolvimento. “Esse contrato é um compromisso de longo prazo para darmos toda a tranquilidade para a Gasmar ter a molécula de forma confiável e competitiva ao longo do tempo para desenvolver o mercado de gás veicular aqui no Maranhão”, observou Marcelo Cruz Lopes.

O ato de assinatura do contrato também contou com a presença de representantes de empresas como Alumar, Vale, Suzano e empresários do ramo de distribuição de combustíveis, assim como representantes de órgãos estatais como a Casa Civil, cujo atual titular, Sebastião Madeira, antecedeu Allan Kardek Barros Filho na presidência da Gasmar. (Registro com informações da Secom).

Situação de Juscelino Filho fica em suspense até o retorno de Lula

Juscelino Filho vai aguardar o retorno
de Lula da Silva para definir seu futuro

Nem o presidente Lula da Silva nem os seus ministros mais próximos se manifestaram sobre a situação do ministro das Comunicações, Juscelino Filho, alvo de intenso bombardeio depois que o Supremo Tribunal Federal, por decisão do ministro Luís Roberto Barroso, afastou a irmã dele, Luanna Bringel Rezende, do comando da Prefeitura de Vitorino Freire por suposto desvio de dinheiro proveniente de emendas que o próprio ministro, que é deputado federal, enviou para o município. No bojo da decisão, o ministro do Supremo também determinou o bloqueio de bens do ministro Juscelino Filho no valor de até R$ 835 mil, para repor supostos desvios de recursos de emendas.

Diante da repercussão da decisão afastando a irmã prefeita e do bloqueio atingindo diretamente o ministro, o partido de Juscelino Filho, o União Brasil, que o indicou para o cargo, o chamou para conversar. Não se conhece ainda o teor dessa conversa. Há quem diga que Juscelino Filho recebeu aval para continuar no cargo se Lula da Silva assim decidir. Mas há também quem garanta que o União Brasil teria lavado as mãos, deixando o ministro por contra própria.

O desfecho desse imbróglio se dará com o retorno do presidente ao Brasil, na semana que vem.

São Luís, 07 de Setembro de 2023.

Duas mil legisladoras e militantes políticas defendem mais espaço de poder para as mulheres

O ato de abertura, com Amanda Gentil, Eliziane Gama, Larissa Brandão,
Iracema Vale, Diogo Moraes e Roseana Sarney; Iracema Vale discursando;
Roseana Sarney como palestrante; Iracema Vale e Diogo Moraes (Unale)
com legisladoras; Daniella Gidão e a plateia do evento

Nenhum evento ocorrido antes em São Luís tendo como tema a mulher e seu papel social e político foi tão representativo e abrangente quanto o 1º Seminário Nacional de Legisladoras – Mulheres no Poder, realizado pela Assembleia Legislativa em parceria com a União Nacional de Legisladores e Legislativos (Unale). Mais de duas mil mulheres detentoras de mandatos legislativos – senadoras, deputadas federais, deputadas estaduais e vereadoras – se reuniram no Centro de Convenções Pedro Neiva de Santana para debater o papel da mulher na política e o desempenho do gênero feminino na complexa decisiva tarefa de legislar. Sob a presidência da deputada Iracema Vale (PSB), primeira mulher a comandar uma Assembleia Legislativa no Brasil, o evento contou com a participação de mulheres com trajetórias excepcionais, como a deputada federal Roseana Sarney (MDB), primeira mulher a governar um Estado no País, e a senadora Eliziane Gama (PSD), que atualmente exerce a função de relatora da CPMI dos Atos Golpistas, o que a coloca no epicentro do debate político nacional. A primeira-dama Larissa Brandão representou o governador Carlos Brandão (PSB) no evento.

Esse evento não poderia ter acontecido em outro lugar, pois não há nas 27 unidades da Federação e no Distrito Federal um Estado com mulheres que tenham alcançado o comando do Poder Executivo estadual e a presidência do Poder Legislativo, o que lhes dá a condição excepcional do pioneirismo, quebrando todos os tabus, como o enfrentamento da visão machista que ainda predomina no Brasil, inclusive nas três esferas do Poder Legislativo. As delegações vindas do interior do Maranhão e de outros estados deram a dimensão exata do evento e mostraram que a crescente ocupação dos espaços de poder pela mulher no Maranhão e no País é uma realidade, ainda que muitos obstáculos bloqueiem esse avanço.

Na fala com que abriu o evento, a presidente da Assembleia Legislativa, deputada Iracema Vale – que mostrou a força política da mulher ao sair das urnas com mais de 100 mil votos e como referência política no estado -, a grande anfitriã, foi enfática ao defender o debate, cada vez mais amplo, sobre o papel da mulher na política, cuja ação deve ser reconhecida com a maior abrangência possível. Ao se dirigir às parlamentares visitantes e às conterrâneas maranhenses, entre elas as 12 mulheres que integram a Assembleia Legislativa, Iracema Vale foi no âmago da questão: “É um momento único de discussão sobre as mulheres ocupando espaços de poder para que nós, nas próximas eleições, tenhamos cada vez mais mulheres em posição de liderança”.

Seu parceiro na iniciativa, o deputado federal Diogo Moraes (PSB-PE), presidente da Unale, destacou a dimensão do evento e anunciou que esse seminário passa a ser item fixo na programação anual da Unale. “A ordem do dia nos pede mais presença de mulheres na política. A partir desse primeiro seminário, vamos partir para fazer anualmente um fórum para que as mulheres possam, cada vez mais, ocupar seus espaços e decidir, justamente, as políticas públicas que sirvam para a valorização das mulheres brasileiras”, destacou o deputado federal Diogo Moraes.

Ao longo da programação de palestras, o Seminário teve momentos importantes, como a palestra da deputada federal Roseana Sarney (MDB) sobre o tema “Participação efetiva da mulher nos espaços de poder”. Ela falou da sua experiência de poder, lembrou grandes líderes políticas femininas que fizeram história, como Golda Meir, a primeira-ministra de Israel nos anos 60, que foi decisiva para consolidar o estado judeu; Indira Gandi, a líder indiana que como primeira-ministra ajudou a aperfeiçoar o sistema parlamentarista da Índia; e Michele Bachelet, líder socialista do Chile, que sobreviveu à ditadura e governou o País duas vezes, ocupando hoje a área de defesa dos direitos humanos da ONU, entre outras. Primeira mulher a assumir um Governo estadual no País, ela avaliou que “esse debate é de suma importância, pois são inúmeros os desafios que ainda temos pela frente”.

As palestrantes do Seminário abordaram ainda temas como a violência contra a mulher, a paridade entre homem e mulher na política, com número igual nas chapas que disputam vagas parlamentares. E em meio a essas etapas, a deputada Daniella Gidão (PSB), procuradora da Mulher na Assembleia Legislativa, anunciou a adoção de um protocolo por meio do qual a Procuradoria da Mulher do Legislativo estadual vai auxiliar as Câmaras Municipais maranhenses a implantarem esse serviço em defesas de vereadoras e servidoras.

O 1º Seminário Nacional de Legisladoras – Mulheres no Poder foi, de longe, o maior evento voltado para as mulheres já realizado no Maranhão nos últimos tempos. Pontos, portanto, para a presidente da Assembleia Legislativa Iracema Vale, que com o apoio da Mesa Diretora, soube alinhavar o evento com a Unale.

PONTO & CONTRAPONTO

Tudo indica que o martelo foi batido e que vem aí o terceiro ministro

André Fufuca

Não será nenhuma surpresa se o deputado federal André Fufuca, que atualmente lidera a bancada do PP na Câmara Federal, seja anunciado hoje como novo titular do Ministério dos Esportes. A princípio, o PP não queria aquele ministério, preferindo ficar com uma banda do atual Ministério de Desenvolvimento Social. O Governo, no entanto, comandado pelo senador licenciado Wellington Dias (PT), ex-governador do Piauí.

O PP mudou de posição em relação ao Ministério dos Esportes, antes esnobado, depois que o presidente Lula da Silva (PT) e o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, decidiram permitir a taxação dos jogos com temática nos esportes, o que reforçou imensamente o Ministério dos Esportes. 

Pelo roteiro das especulações, o presidente Lula da Silva despachará hoje a atual titular da pasta, a ex-jogadora de basquete Ana Moser, devendo em seguida anunciar André Fufuca como o novo titular, uma vez que a cúpula do PP concordou.

Dentro dessa grande animação política, André Fufuca começa o dia como deputado federal e deve termina-lo como Ministro dos Esportes, o terceiro maranhense na equipe do presidente Lula da Silva.

Paulo Victor prepara “pré-campanha” para fortalecer projeto de candidatura

Paulo Victor

O vereador-presidente Paulo Victor (PSDB) está se preparando para iniciar o que um aliado dele definiu como a “pré-campanha” à Prefeitura de São Luís. Esse estágio será o de mergulhar em articulações para atrair o apoio de mais vereadores e de líderes comunitários, de outros segmentos da sociedade e de partidos políticos.

Paulo Victor cumprirá uma agenda de visitas a entidades empresariais, a organizações culturais e a sindicatos. Ele pretende formar uma grande frente de apoio à sua pré-candidatura, e acredita que conseguirá. Essa movimentação terá o suporte de outros vereadores alinhados ao seu projeto de candidatura, que nas contas da fonte podem chegar a 15.

Outra etapa dessa agenda será a de conversar com os mais diferentes líderes partidários visando uma aliança que seja capitaneada pelo PSDB. E finalmente trazer de volta às fileiras do partido tucanos que se desgarraram, como o grupo que foi liderado pelo ex-governador João Castelo.

São Luís, 06 de Setembro de 2023.

Disputa de 2024 pode manter o prefeito de São Luís longe dos Leões, mas pode haver reviravolta

Eduardo Braide vai para a reeleição e Carlos Brandão
quer um aliado na Prefeitura de São Luís

Vários são os motivos que tornam intensa a disputa pela Prefeitura de São Luís. A lista começa com o fato de que se trata da maior e mais importante cidade, a Capital do Maranhão, com uma população superior a 1 milhão de habitantes, um orçamento anual de quase R$ 5 bilhões – é o que está previsto para 2024 -, e de abrigar uma joia arquitetônica que levou a Unesco, o braço cultural da ONU, a torna-la Cidade Patrimônio Cultural da Humanidade -, entre vários outros. Mas o que vem pesando na corrida ao Palácio de la Ravardière é a influência que o eleitorado da cidade terá nas eleições gerais de 2026, quando os maranhenses escolherão presidente, governador, (2) senadores, deputados federais e deputados estaduais. Calcula-se que o candidato a governador que tiver um aliado fiel comandando a Prefeitura de São Luís, com noção de grupo político e disposição para brigar, com certeza terá uma posição diferenciada no contexto da disputa.

Uma avaliação superficial das últimas disputas pelo Governo do Estado mostra que os prefeitos não se envolveram como poderiam para apoiar seus candidatos. Em 2010, o então prefeito João Castelo não teve participação destacada na disputa entre Flávio Dino (PCdoB), Jackson Lago (PDT) e Roseana Sarney (PMDB), que estava no comando do Estado e obteve a reeleição no 1º turno. Em 2014, o prefeito era Edivaldo Holanda Jr. (PTC) teve pouca influência da eleição de Flávio Dino (PCdoB) para o Governo do Estado, mesmo que Flávio Dino tenha sido decisivo na sua eleição para a Prefeitura em 2012. O mesmo aconteceu em 2018, quando Edivaldo Holanda Jr., agora no PDT, não arregaçou as mangas pelo então governador Flávio Dino, que mesmo sem o seu apoio ostensivo, conseguiu a reeleição em turno único.

Nas eleições de 2022, a participação do prefeito Eduardo Braide (PSD) em nada contribuiu para o desempenho do candidato que apoiou para o Governo do Estado, o senador Weverton Rocha (PDT), que o apoiara, sem muito esforço, no segundo turno da sua disputa contra o deputado estadual Duarte Jr. (PR) em 2020. Ficou claro que naqueles pleitos a participação dos prefeitos não foi importante nem decisiva. O que valeu mesmo foi a força política e o prestígio eleitoral dos candidatos a governador.

Esse histórico vem motivando o Palácio dos Leões a montar uma estratégia para emplacar no Palácio de la Ravardière um aliado de proa do governador Carlos Brandão (PSB). Esse aliado deve ter disposição para jogar pesado a favor do projeto brandonista para 2026, que é, em primeiro lugar, incentivar o eleitorado ludovicense a embalar a candidatura do governador ao Senado, bem como o candidato do grupo ao Governo do Estado, no caso o vice-governador Felipe Camarão (PT). Esse candidato pode ser o deputado federal Duarte Jr., que é do seu partido e já teve o seu apoio efetivo na corrida à Prefeitura em 2020, quando Carlos Brandão era vice-governador. Mas pode ser também o atual presidente da Câmara Municipal, vereador Paulo Victor (PSDB), que investe nesse projeto e vem ganhando espaço no cenário pré-eleitoral.

Do alto do seu cacife de gestor bem avaliado e líder de intenções de voto nas pesquisas feitas até aqui, o prefeito Eduardo Braide estuda com atenção cada movimento palaciano, preparando-se para o grande embate que certamente ocorrerá se o cenário continuar evoluindo como agora. Mas pode acontecer reviravoltas, com um improvável, mas possível, acerto entre o prefeito de São Luís e o governador do Estado, que resulte na montagem de uma chapa de composição liderada pelo prefeito. Pode ser também que os projetos de candidatura continuem evoluindo e que o desfecho seja o grande confronto, por exemplo, entre as forças lideradas pelo governador e o prefeito e os aliados que puder mobilizar.

Nesse caso, as incertezas em relação ao peso do prefeito de São Luís vão continuar em 2026.

PONTO & CONTRAPONTO

André Fufuca mantém a prudência e não confirma ministério

André Fufuca; ministério só
após convite do presidente

Ao mesmo tempo em que a imprensa, de modo geral, especula que ele estaria confirmado para o Ministério dos Esportes, pasta que ganhará relevância e peso político com a atribuição de taxar os esquemas de aposta que hoje movimentam milhões e milhões por semana, o deputado federal André Fufuca permanece como líder do PP na Câmara Federal, com o cuidado de não fazer qualquer movimento precipitado.

Ontem, em meio às especulações motivadas por entrevistas do ministro da Comunicação, Paulo Pimenta, praticamente confirmando acertos que ainda não estavam devidamente amarrados, o jovem líder do PP, provocado sobre o assunto, manteve o discurso da cautela. “Nada está decidido ainda”, disse ele com a prudência das raposas tarimbadas.

Para o deputado André Fufuca, aconteça o que acontecer, fale quem falar, o fato só será consumado se, ou quando, ele for chamado ao Palácio do Planalto e for convidado pelo presidente Lula da Silva (PT). Sem isso, nada feito.

– Só tiro o sapato para colocar meus pés na água – disse ele à Coluna na semana passada, falando sobre o mesmo assunto.

TV e Rádio Assembleia ganham nova identidade visual

Acima: as novas logomarcas. Ao meio: Iracema
Vale, Jequeline Heluy, Larissa Brandão, Carlos
Brandão, Glaucione Pedrozo e Juraci Filho.
Abaixo: a equipe comemora mudança

Depois da grande guinada nas suas programações, que foram enriquecidas com vários programas voltados, de fato, para o interesse público e de caráter integralmente regional, a TV Assembleia (canal aberto digital 9.2, 17 da Maxx e Sky 309.2) e a Rádio Assembleia (96.9) tiveram também suas identidades renovadas. Sustentadas pelo slogan “A gente faz, a gente mostra”, as duas logomarcas foram apresentadas na noite de domingo na festa de abertura da 63ª Exposição Agropecuária do Maranhão (Expoema), num evento que contou com a presença da presidente da Assembleia Legislativa, deputada Iracema Vale (PSB) e do governador Carlos Brandão (PSB).

As novas marcas, na cor azul em tons variados, destacando a estrela, ganharam uma linguagem visual direta e inteligente, que não exige qualquer esforço de compreensão. A ideia foi suavizar a identidade, abrindo mão da já cansada fórmula de uso das cores básicas, um recurso estético que funcionou quando houve a migração da TV em preto e branco para a TV a cores, e que hoje não faz mais sentido. A inovação mostrou que a TV Assembleia, bem como a Rádio Assembleia, fez uma aposta no futuro na modernização.

Grande avalista da renovação, a presidente Iracema Vale se mostrou entusiasmada com a mudança, assinalando que a nova marca preserva o principal símbolo do Parlamento Estadual. “Preservou a estrela, o coração da marca da Assembleia Legislativa, que é o povo do Maranhão. Então, tanto a TV, como a Rádio estão de parabéns pela marca, que ficou muito bonita”, enfatizou. O governador Carlos Brandão também elogiou a mudança na TV e Rádio Assembleia, observando que “as novas marcas são muito bonitas e eu fico muito feliz de participar dessa estreia do novo momento da Assembleia”.

A atualização da identidade visual da TV Assembleia e da Rádio Assembleia é o ápice de um roteiro de renovação que começou em fevereiro, quando a jornalista Jacqueline Heluy assumiu a Diretoria de Comunicação da Assembleia Legislativa. Com vasta experiência na área, ela compreendeu que qualquer passo modernizador não estaria completo se as marcas que identificavam os veículos havia mais de uma década, não fossem também renovadas. A ideia foi dar às emissoras uma identidade noiva, dentro do espírito de renovação que o Parlamento Estadual está vivendo a direção de uma mulher. “A modernidade, a aproximação com a difusão da cidadania, maior aproximação com os nossos telespectadores, ouvintes e todo o público que acompanha o nosso trabalho”, esclareceu Jacqueline Heluy.

Juraci Filho, subdiretor de TV e Rádio, os investimentos feitos no Complexo de Comunicação na gestão da presidente Iracema Vale fortalecem o compromisso das emissoras com os maranhenses. “A gente tem a oportunidade de colocar uma marca mais forte agora, mostrando bem o que é a revitalização de todo o trabalho e reestruturação da TV Assembleia”, completou.

São Luís, 05 de Setembro de 2023.

Dino no Supremo reforçaria o Judiciário, mas estremeceria a política, principalmente no Maranhão

Flávio Dino: cotado para o Supremo, pode abrir vácuo na política, principalmente no Maranhão

Em meio à contagem regressiva para a aposentadoria da ministra Rosa Weber, que ocorrerá daqui a três semanas, a engrenagem política de Brasília volta a colocar o ministro Flávio Dino (Justiça e Segurança Pública) entre o atual advogado-geral da União, Jorge Messias, e o ministro do Tribunal de Contas da União, Bruno Dantas, nomes com potencial para sucedê-la no Supremo Tribunal Federal (STF). A especulação não é nova, uma vez que Flávio Dino já vem sendo colocado nessa ciranda há tempos. Agora, porém, seu nome é apontado em tom indicador de que ele estaria, de fato, na lista de opções do presidente Lula da Silva (PT). Nos últimos dias, o ministro da Justiça e Segurança Pública, que é senador licenciado, entrou forte no roteiro de comentaristas e de congressistas, todos reconhecendo que ele realiza um trabalho renovador na pasta mais emblemática do primeiro escalão da República. A opinião dominante é a de que, se for o escolhido, a Corte Suprema ganhará um quadro de excelência. Ao mesmo tempo, sua eventual saída do Ministério da Justiça e Segurança Pública abriria um grande flanco na estrutura do Governo, independentemente de quem viesse substitui-lo e, mais do que isso, reduziria expressivamente a força política da base governista dentro e fora do Congresso Nacional. Finalmente, a eventual ida de Flávio Dino para o STF representaria uma perda traumática para a política do Maranhão.

Caso o presidente Lula da Silva bata martelo por Flávio Dino, o STF ganhará um ministro que conhece a Constituição Cidadã na superfície e nas entrelinhas e que tem uma visão da sociedade brasileira em todos os seus vieses, por outro lado política perderá um quadro que faz a diferença na militância partidária e no embate sobre os problemas reais do País.  

No campo judiciário, Flávio Dino desembarcaria na Corte Suprema com a experiência de 10 anos como juiz federal, incluindo o cacife de haver presidido, por eleição direta, a Associação dos Juízes Federais, e assessorado o próprio STF e o Conselho Nacional de Justiça, o que o torna conhecedor do Judiciário brasileiro pelo direito e pelo avesso. No campo político, exerceu um rico mandato de deputado federal e dois mandatos inovadores de governador do Maranhão, e agora é senador da República, o que amplia enormemente sua estatura como eventual ministro da Suprema Corte. Além disso, Flávio Dino tem uma vasta experiência como professor de Direito na Universidade Federal do Maranhão e em outras instituições. Dificilmente alguém chegará ao topo da magistratura brasileira com um currículo com essa abrangência.

Se ele próprio e o Judiciário ganhariam com sua eventual nomeação para o STF, esse deslocamento deixaria um grande rastro de perdas no campo político. Para começar, o seu substituto no Ministério da Justiça dificilmente seria um senador da República com a sua autoridade jurídica e política e o seu preparo técnico, o que poderia significar problemas desafiadores para o presidente Lula da Silva. Na outra ponta da corda, o cenário político brasileiro perderia uma das vozes mais expressivas e ouvidas atualmente na seara republicana, principalmente quando o desafio de agora é a recolocação plena do Brasil na rota do estado democrático de direito, depois das investidas golpistas da extrema direita.

O maior impacto de uma eventual nomeação do senador Flávio Dino para a Suprema Corte seria, sem dúvida, no tabuleiro da política maranhense, que perderia a sua liderança mais expressiva na atualidade. Sem ele atuando politicamente, o cenário atual, que o tem como pilar de sustentação, perderia consistência e muito provavelmente abriria caminho para uma guerra de largas proporções pelo poder no Maranhão. E nesse jogo, a grande aliança por ele construída em 2014 e confirmada em 2018 e em 2022, juntando esquerda e direita numa mesma base, estaria comprometida.

Com Flávio Dino fora da cena política, ainda que brilhando no STF, é quase certo que o governador Carlos Brandão (PSB) e o vice-governador Felipe Camarão (PT) enfrentariam embates duros pelo poder contra o senador Weverton Rocha (PDT), o deputado federal Josimar de Maranhãozinho (PL), o ex-senador Roberto Rocha, entre outros que continuam alimentando seus sonhos de poder e poderiam, então, se juntar para chegar ao Palácio dos Leões. Ao mesmo tempo, abriria caminho para nomes como o prefeito se São Luís Eduardo Braide (PSD), a senadora Eliziane Gama (PSD), o prefeito de Caxias Fábio Gentil (Republicanos), e os deputados federais André Fufuca (PP), Pedro Lucas Fernandes e o próprio Juscelino Filho (UB). (Isso não é devaneio, é a realidade).

Semanas atrás, o ministro Flávio Dino declarou que não tem perspectiva de ir para o Supremo Tribunal Federal, que não busca a vaga e que o seu foco é contribuir para consolidar as instituições políticas. Mas não disse enfaticamente que não aceitaria eventual indicação, embora deixe no ar a impressão de que se sente mais à vontade nos embates da política.

PONTO & CONTRAPONTO

Juscelino Filho recebe apoio do União Brasil, mas tem futuro incerto no Governo

Juscelino Filho e Luanna Bringel: expectativa

Em meio ao bombardeio a que vem sendo submetido por conta da Operação Benesse, que resultou no afastamento da prefeita de Vitorino Freire, Luanna Bringel Rezende (UB), sua irmã, sob suspeita de malversação de dinheiro público, e no bloqueio em bens no valor de até R$ 835 mil, pelo STF, o ministro das Comunicações, Juscelino Filho, que é deputado federal, demonstrou ter fôlego ao obter uma forte declaração de apoio da bancada do seu partido na Câmara Federal, na forma de uma nota enfática assinada pelos líderes das bancadas na Câmara Federal, deputado Elmar Nascimento (UB/BA), e no Senado, senador Efraim Filho (UB/PB).

Na nota, os dois líderes declaram solidariedade à prefeita Luanna Bringel Rezende e ao ministro Juscelino Filho, acrescentando que os dois têm o apoio do partido, principalmente pelo fato de não terem criado dificuldades para as investigações.

Como o senador Weverton Rocha (PDT), os líderes do UB afirmam que a prefeita de Vitorino Freire e o ministro das Comunicações estão sendo vítimas de perseguição política. E quase que repetindo as palavras do senador pedetista, os líderes do UB na Câmara Federal e no Senado criticam o que chamam de “criminalização da política”.

Chama a atenção na nota dos líderes do UB o fato de eles não entrarem no teor das denúncias feitas pelo Ministério Público Federal sobre desvios de recursos de emendas do deputado federal Juscelino Filho liberadas para Vitorino Freire via Codevasf, limitando-se a reclamar que os dois estão sendo acusados de “denúncias não apuradas”.

A realidade, porém, é que os próximos dias serão decisivos. A prefeita Luanna Bringel Rezende espera retornar ao cargo por liminar, e Juscelino Filho permanece na expectativa de continuar ministro das Comunicações ou voltar para a Câmara Federal após oito meses no cargo, marcados pela controvérsia.

Começa a contagem regressiva das definições partidárias para as eleições de 2024

Setembro será um mês decisivo para as definições partidárias relacionadas com as eleições municipais do ano que vem. Grandes partidos, como PSB, PCdoB, PDT, PP, PT, Republicanos, MDB, entre outros, correm para fortalecer suas posições com o maior número possível de candidatos a prefeito, a vice-prefeito e vereador. Isso porque o período de filiação partidária para quem pretende concorrer às eleições municipais de 2024 termina no início de outubro.

Em São Luís, por exemplo, o PSDB se antecipou e já definiu até pré-candidato a prefeito, o vereador Paulo Victor, atraindo ainda outros três vereadores. E resta ainda uma leve sombra de dúvida sobre a condição partidária do prefeito Eduardo Braide, mas tudo indica que ele permanecerá no PSD, independentemente de qual venha a ser a posição da senadora Eliziane Gama, hoje filiada ao partido, mas atuando em campo político diferente.

O fato é que as próximas semanas serão marcadas por muitos movimentos de troca partidária.

São Luís, 03 de Setembro de 2023.  

Juscelino Filho tem bens bloqueados e irmã prefeita afastada por suspeita de corrupção

Juscelino Filho e Luanna Rezende: alvejados ontem pela da Operação Benesse da PF

O ministro Juscelino Filho, das Comunicações, teve R$ 850 mil em bens bloqueados pela Justiça e mais uma vez aparece como pivô de grave suspeita de desvio; a irmã do ministro, Luanna Bringel Rezende, prefeita de Vitorino Freire – município do Vale do Pindaré com 31 mil habitantes – foi afastada do cargo por suspeita de corrupção; isso e mais R$ 7,5 milhões de emendas para construir uma estrada que leva exatamente a fazendas da família Rezende. Entre eles, um empresário, chamado de Imperador, suspeito de ser o operador dos supostos desvios, e uma série de desdobramentos.

É esse o cenário da Operação Benesse, a terceira fase da Operação Adroaco, da Polícia Federal, cumprindo ordem do ministro Luís Roberto Barroso, do Supremo Tribunal Federal, que investiga supostos desvios de recursos de emendas parlamentares federais por meio do braço maranhense da Companhia de Desenvolvimento do Vale do São Francisco (Codevasf), já apontada em várias operações como suspeita de abrigar esquemas de desvios de verbas federais. O bloqueio de bens do ministro, o afastamento da prefeita de Vitorino Freire e as peripécias do “Imperador” formaram a nova e mais forte tempestade perfeita em torno do ministro das Comunicações.

E como era de se esperar, diante da escandalosa repercussão dos resultados da Operação Benesse, o ministro Juscelino Filho, a prefeita afastada de Vitorino Freire, o empresário Eduardo Imperador e a Codevasf vieram a público afirmando que tudo não passa de equívoco monumental, que o que foi encontrado nas investigações é mera fantasia, e que todas as suspeitas e dúvidas serão devidamente esclarecidas durante o inquérito. Só faltou o manjado “Isso é perseguição política”, porque aí já seria uma reação francamente debochada e uma afronta à Polícia Federal e ao ministro Luís Roberto Barroso. A julgar pelos exemplos que vêm a público a cada dia, já se pode prever que a prefeita Luanna Bringel Rezende, por ação de advogados experientes e caros, consiga retornar ao cargo, e Eduardo Imperador obtenha um habeas corpus. E tudo volte ao “normal” em Vitorino Freire.

A situação do ministro Juscelino Filho, que já não era boa por conta de denúncias de desvio de emendas e conduta polêmica à frente do Ministério das Comunicações, ficou muito pior desde ontem, quando telejornais abertos e a cabo, emissoras de rádios, portais de notícia trombetearam o seu envolvimento no escândalo na Prefeitura de Vitorino Freire. Aliados do Governo começaram a chiar de verdade contra a presença do deputado federal Juscelino Filho (União Brasil) na pasta das Comunicações. Na primeira bateria de denúncias, em abril, o presidente Lula da Silva (PT) relevou o que foi dito e publicado a respeito e ficou satisfeito com as suas explicações para o uso do jatinho público para ir a um leilão de cavalos de raça no interior de São Paulo, e sobre a suspeita de malfeitos com as emendas. Agora, todos aguardam a posição do presidente da República e também do partido do ministro, o União Brasil.  

O problema é que agora há um coro de muitas vozes contra a permanência do deputado federal Juscelino Filho no comando do Ministério das Comunicações, uma pasta de grande importância na construção do futuro do Brasil. Há quem diga que ele, por força do acordo firmado entre o Governo e o partido, poderá reunir ainda gás suficiente para garantir uma sobrevida. Mas há também quem avalie que sua temporada na Esplanada dos Ministérios pode ter chegado ao fim. É possível que o Palácio do Planalto esteja usando a cautela para não tomar uma decisão precipitada, mas também é admissível que essa decisão já esteja tomada, estando o presidente da República aguardando o momento certo para formalizá-la e comunicá-la ao mundo.

O fato concreto é que o ministro das Comunicações está encarando mais um forte desgaste, que torna incerta a sua permanência no cargo.

 PONTO & CONTRAPONTO

Weverton diz que ministro e prefeita são vítimas de “interesses políticos”, mas não diz quais nem de quem

Weverton Rocha, Luanna Bringel Rezende e Juscelino
Filho: relação vai além da mera política

O senador Weverton Rocha (PDT) surpreendeu o mundo político ontem ao fazer uma defesa enfática do ministro Juscelino Filho e da irmã dele, a prefeita de Vitorino Freire Luanna Bringel Rezende. Na nota, o senador foi mais enfático do que os próprios suspeitos nas suas defesas. Afirmou que para ele são pessoas idôneas e estão sendo vitimadas por “interesses políticos”.

Em tom duro, o senador criticou a decisão do ministro Luís Roberto Barroso de bloquear os bens do ministro Juscelino Filho até o valor de R$ 835 mil, batendo forte também na medida que afastou a prefeita temporariamente. No caso, alegou que Luanna Bringel Rezende foi reeleita e é bem avaliada, mas não se arriscou a entrar no âmago da investigação, não tendo como afirmar categoricamente que não houve o desvio.

Na avaliação do senador pedetista, o ministro das Comunicações e a prefeita de Vitorino Freire estão sendo alvos de “interesses políticos”. Mas não aponta a origem desse interesse político nem o que está em jogo para que um ministro de Estado, que é deputado federal, esteja sendo alvejado dessa maneira.

Em tom destinado a colocar uma sombra de suspeita sobre a Operação Benesse, o senador Weverton Rocha indaga: “Por que razão, então, aconteceu uma operação com tanta exposição de mídia e o pedido de afastamento de uma prefeita muito bem avaliada e que vem cooperando com os órgãos investigadores?”  

Ele mesmo responde: “A resposta parece estar nos interesses políticos de atingir o ministro das Comunicações”.

Nada de concreto além disso. E em seguida, o senador Weverton Rocha dedica nada menos que cinco parágrafos da sua nota para reclamar do que chama de “criminalização da política”, sem, no entanto, oferecer um só argumento fático para justificar a sua enfática reação crítica à Operação de ontem.

Vale lembrar que o senador Weverton Rocha é bem próximo, pois tem como suplente Robert Bringel, ex-prefeito de Santa Inês, sogro de Luanna Bringel Rezende, o que pode explicar em parte o seu posicionamento tão enfático contra a Operação Benesse.

Brandão defende unidade em recado direto às fontes de especulação

Carlos Brandão com pequenos empreendedores: “O povo quer saber é de trator”

O governador Carlos Brandão (PSB) mandou ontem um recado aos que apostam no rompimento da aliança que o liga ao senador Flávio Dino (PSB), ministro da Justiça e Segurança Pública. Ao comandar, no pátio do Palácio Henrique de la Rocque, a entrega de equipamento a pequenos empreendedores rurais – tratores, caminhões, máquinas de costura, entre outros equipamentos – o chefe do Governo foi direto nas especulações e fez a seguinte declaração defendendo o discurso da unidade que trouxera da campanha eleitoral e vem usando desde o início do novo mandato:

“Essa unidade eu tenho pregado pelo estado inteiro. Não adianta briga, confusão. O povo não quer saber disso. O povo quer saber da máquina de costura, é do pano, é da linha para ele costurar. O povo quer saber do trator”.

Foi muito mais que meia palavra, para não deixar os especuladores em dúvida.

São Luís, 02 de Setembro de 2023.

Brandão reassume com agenda cheia, mas terá de entrar na articulação política

Carlos Brandão de volta ao cargo, mas agora sob
a pressão da política para as eleições

O governador Carlos Brandão (PSB) reassumiu na quarta-feira (30), animado para dar prosseguimento à agenda de Governo, mas também já sabendo que terá de dedicar parte do seu tempo às articulações políticas e partidárias para as eleições municipais do ano que vem. Era seu propósito manter distância dessa ciranda até o final do ano, para nela entrar somente a partir de janeiro. O jogo político, porém, principalmente em ano eleitoral – o próximo começa em outubro -, costuma impor uma dinâmica bem mais intensa do que os atores costumam planejar, o que faz com que, no caso, o governador se veja obrigado a rever sua agenda para, aos poucos, assumir o papel que lhe cabe no tabuleiro em que se dará a guerra eleitoral. São 217 disputas municipais, nas quais o ocupante do Palácio dos Leões tem interesse direto apoiando candidatos a prefeito, sem exceção. As articulações para a definição de candidaturas passam, via de regra, pelo Palácio dos Leões, mais especificamente pela mesa do chefe do Governo.

Do maior ao menor município, Carlos Brandão tem equações complexas para resolver. A principal delas é exatamente em São Luís, onde o prefeito Eduardo Braide (PSD) atua no campo adversário e busca a reeleição, deixando ao governador caminhos dois possíveis. O primeiro é lançar um ou mais candidatos governistas – o deputado federal Duarte Jr. (PSB) ou o presidente das Câmara, vereador Paulo Victor (PSDB), ou os dois à base do cada um por si – apostando num segundo turno. O segundo é fazer uma aliança com o prefeito, o que contrariaria boa parte da sua base. Essas situações já estão postas no seu birô. O importante é participar do processo e sair dele como vencedor, ainda que na esteira de um acordo, pois uma derrota seria politicamente desgastante.

O mesmo desafio está posto em outras grandes cidades, como Imperatriz, Caxias, Timon, São José de Ribamar, Paço do Lumiar e Bacabal, por exemplo. Em Imperatriz, o segundo maior município maranhense, o Palácio dos Leões caminha para respaldar a candidatura do deputado estadual Rildo Amaral (PP), que é aliado firme e lidera com folga as pesquisas de intenção de voto. No caso de Caxias, há tempos o governador Carlos Brandão vem trabalhando uma composição reunindo os grupos Gentil, comandado pelo prefeito Fábio Gentil (Republicanos), aliado de primeira hora, e Coutinho, também aliado fiel do Governo, o que está ganhando forma com a pré-candidatura do engenheiro Gentil Neto. Em Timon, outro centro politicamente complicado, o governador atua para apoiar a candidatura do deputado estadual Rafael Souza (PSB), que enfrentará a prefeita Dinair Veloso (PDT), do grupo Leitoa, e ainda uma terceira via com a candidatura do coronel/PM Hormann Schnneyder (MDB).

Nesse tabuleiro, o governador Carlos Brandão tem nós complicados para desatar, como o de São José de Ribamar, hoje o terceiro maior município do Maranhão. Ali, o prefeito Júlio Matos (PL), de oposição, se prepara para buscar a reeleição, sem que as forças governistas, que devem ser coordenadas pelo ex-prefeito Luiz Fernando Silva, ainda não definiram o candidato, estando inclinadas a lançar o ex-deputado estadual J. Pinto (PSDB), podendo surgir uma terceira via com a (im)provável candidatura do ex-prefeito Gil Cutrim (Republicanos). Em Passo do Lumiar, que já é o sexto maior município maranhense, Carlos Brandão poderá apoiar a candidatura do ex-vereador Fred Campos (PSDB), numa bem armada articulação do chefe da Casa Civil, Sebastião Madeira, atual presidente da legenda tucana no estado. E se tudo continuar como está, os Leões apoiarão a provável candidatura do deputado Roberto Costa (MDB) em Bacabal.

Carlos Brandão sabe que, assim como em São Luís, a movimentação partidária para definir candidaturas já é intensa também no interior. Sabe também que há muitas pendências e indefinições nesse enorme tabuleiro e que muitas delas terão de ser resolvidas no gabinete principal do Palácio dos Leões. E sabe, principalmente, que nesse jogo as decisões não podem tardar.

PONTO & CONTRAPONTO

Renascido das cinzas, PSDB se turbina a partir da Ilha de Upaon Açu

Fred Campos (centro) entre Rubens Pereira e Sebastião
Madeira: aval para disputar em Paço do Lumiar

Para um partido que até cinco meses atrás praticamente não existia no Maranhão, depois de ter alcançado o apogeu sob a liderança do ex-governador João Castelo e de ter mergulhado no limbo político sob a tutela do ex-senador Roberto Rocha, o PSDB caminha para ser uma sigla no tabuleiro político maranhense.

Sob o comando do ex-prefeito de Imperatriz e atual chefe da Casa Civil Sebastião Madeira, o mais autêntico tucano maranhense, o PSDB praticamente renasceu das cinzas, ganhando força principalmente na Ilha, onde sentou praça com força para ter participação importante nos seus municípios.

Em São Luís, onde nada tinha, o PSDB foi turbinado com a filiação do vereador-presidente Paulo Victor mais quatro vereadores. Em seguida, ganhou a filiação de Ociléia Fernandes, candidata forte à Prefeitura de Raposa. Ontem, o partido teve confirmada a filiação do ex-vereador Fred Campos, que lidera, com larga vantagem, a corrida para a Prefeitura de Paço do Lumiar.

E nos bastidores correm rumores de que terá candidato em São José de Ribamar numa frente que estaria sendo articulada com o apoio do ex-prefeito Luiz Fernando Silva. Esse movimento está acontecendo em muitos outros municípios, criando uma expectativa positiva para o comando da legenda nas próximas eleições.

Dino acerta na mosca quando diz que Governo Lula não é de esquerda

Flávio Dino: definição ideológica
correta do Governo Lula da Silva

Considerado até aqui o ministro mais lúcido e realista da equipe do presidente Lula da Silva (PT), o ministro Flávio Dino, da Justiça e Segurança Pública, deu ontem uma declaração que pode, finalmente, colocar o Governo liderado pelo PT no seu devido patamar ideológico.

Disse ele: “O nosso governo liderado pelo presidente Lula não é de esquerda”.

E logo em seguida ofereceu a definição exata: “É um governo que expressa maioria democrática”.

Dada em meio ao debate sobre votos conservadores do ministro Cristiano Zanin, recém empossado no Supremo Tribunal Federal por indicação do presidente Lula da Silva, em questões complexas, como o marco temporal para a demarcação de terras indígenas, contrariando a posição do Governo, a declaração de Flávio Dino veio na hora certa.

Como é sabido, a oposição bolsonarista ataca a gestão do presidente Lula da Silva como a de um “governo comunista”, o que não encontra eco na realidade. A rigor, o Governo Lula da Silva não pode nem ser rotulado de “socialista”, exatamente por não se enquadrar nesse perfil,. Por isso não pode ser rotulado de “esquerdista”   

Identificar o Governo Lula da Silva como “comunista”, como faz a tropa bolsonarista, é uma bobagem só alimentada pela turma do ex-presidente da República.

São Luís, 01 de Setembro de 2023.

Braide faz ajuste na equipe e começa a se preparar para a guerra eleitoral de 2024

Eduardo Braide: preparando-se
para brigar pela reeleição

O prefeito Eduardo Braide (PSD) trocou ontem dois secretários, Bruno Duailibe, que deixou a Procuradoria Geral do Município e foi substituído por Valdélia Campos, e Mariana Miranda, que saiu do comando da Secretaria Municipal de Administração e passou o bastão para Otávio Soares. A duas mudanças foram recebidas com surpresa no meio político, mas representam apenas ajustes técnicos, uma vez que a troca foi devidamente conversada e efetuada sem qualquer traço de mal-estar. O advogado Bruno Duailibe já pensava em retornar ao batente da advocacia, reassumindo funções no escritório do qual é sócio, e Mariana Miranda fez a sua parte na gestão da área administrativa da Prefeitura, incluindo a política de pessoal, chegando a hora de passar o pacote em frente.

A troca de comando em duas áreas-chave do primeiro escalão pode ser vista também como o ajuste inicial que o prefeito faz na equipe para enfrentar a guerra eleitoral que se aproxima, na qual a atual gestão municipal será o alvo preferencial de todos os aspirantes a prefeito. Isso significa que outras mudanças poderão ocorrer nas próximas semanas, ou até mesmo nos próximos dias, mas certamente nenhuma delas em clima dramático.

Político com foco e gestor pragmático, o prefeito Eduardo Braide não criaria um clima de animosidade entre seus aliados fazendo substituições aleatórias para atender a essa ou àquela conveniência. O caso do advogado Bruno Duailibe é emblemático nesse sentido. Além de ser seu amigo e fazer parte do círculo de amizade familiar, o agora ex-procurador geral do Município é membro destacado da família Sarney, com a qual o prefeito de São Luís dificilmente compraria uma briga, principalmente diante do fato de que o MDB tende a apoiar o seu projeto de reeleição, conforme tem declarado o novo presidente da legenda na Capital, deputado federal Cleber Verde. Ao mesmo tempo, o prefeito amplia seu leque de aliados e torna seu cacife mais forte para aluta pela reeleição.

Com 51,2% de aprovação, segundo a pesquisa Premier, que o apontou com 29,5% das intenções de voto, Eduardo Braide não quer se deixar envolver pelos sedutores números das pesquisas sobre a corrida sucessória que lhe tem dado a segurança de que precisa para tocar sua administração. Sem padrinho que lhe faça sombra nem aliado que lhe cause desgastes, e sem uma base que mine a sua autoridade, o prefeito de São Luís hoje é o único dono das suas decisões. E o faz ancorado nos números das pesquisas feitas até aqui, nas quais aparece como líder da corrida às urnas e também como um gestor largamente aprovado. Esse cenário lhe dá a plena consciência de que não pode errar, pois qualquer deslize ou trombada com a realidade pode lhe custar perda de prestígio e, assim, comprometer o cacife que lhe assegurou até aqui o favoritismo na preferência do eleitorado, segundo as pesquisas.

O prefeito de São Luís sabe jogar no campo político. Uma prova disso é o fato de não ter uma base de apoio sólida na Câmara Municipal, presidida pelo seu mais ativo adversário, o vereador Paulo Victor (PSDB), pré-candidato declarado à sua sucessão. E mesmo com uma expressiva fatia dos vereadores posicionada na Oposição, ele consegue aprovar projetos e decisões importantes negociando caso a caso. Faz um jogo político inteligente, por meio do qual mantém uma relação possível com o legislativo municipal, mesmo com o presidente da Casa atuando como um crítico severo da administração municipal. O mesmo acontece com o deputado federal Duarte Jr. (PSB), seu adversário mais próximo e igualmente agressivo.

Eventuais mudanças, como as de ontem, são parte da estratégia do prefeito Eduardo Braide para enfrentar o peso de uma Oposição forte, liderada por pré-candidatos ao cargo que ocupa e pelo qual está determinado a brigar.

PONTO & CONTRAPONTO

Ultraesquerda ainda não decidiu como participará da disputa em São Luís

Franklin Douglas e Hertz Dias
não sabem se serão candidatos

Uma pergunta começa a ser sussurrada nos bastidores políticos de São Luís: por que os braços maranhenses da ultraesquerda, representada por PSOL e PSTU ainda não se posicionaram em relação à disputa para a Prefeitura de São Luís?

Os partidos costumam ser linha de frente nas disputas eleitorais do Maranhão, especialmente nas corridas à Prefeitura da Capital. Nas eleições passadas, o PSOL disputou o poder municipal tendo como candidato o professor Franklin Douglas, que teve bom desempenho. Ele disse à coluna que não sabe ainda se será candidato e que seu partido está aguardando o melhor momento para decidir se lança ou não um nome visando a cadeira hoje ocupada por Eduardo Braide.

Por sua vez, o PSTU, que tentou vencer a eleição de 2020 com o professor Hertz Dias, ainda não se manifestou, mantendo aparente distância desse processo. Porta-vozes oficiosos do partido informaram que o PSTU ainda não se reuniu para discutir o que ocorrerá em breve. Não será surpresa se o PSTU lançar novamente o professor Hertz Dias ou faça opção por outro quadro conhecido do partido, o professor e servidor federal Saulo Arcangeli.  

Câmara realiza audiência pública para discutir como serão gastos os R$ 4,9 bilhões do orçamento da Capital

Plenário da Câmara abrigará hoje audiências
pública para discutir Orçamento de 2024

O projeto da Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) da Prefeitura de São Luís para o exercício financeiro de 2024 será debatido hoje em audiência pública na Câmara Municipal. O presidente da Comissão de Orçamento e Planejamento, vereador Raimundo Penha (PDT), convocou a reunião aberta seguindo a Lei de Responsabilidade Fiscal.

A LDO é uma proposta elaborada pelo Executivo com metas de gastos, prioridades e despesas da administração pública para o próximo ano, que serve como base para a elaboração da Lei de Orçamento Anual (LOA). A proposta orçamentária da Prefeitura prevê uma receita de R$ 4,9 bilhões, incluindo as transferências federais, no ano que vem.

Na audiência, representantes das Secretaria de Fazenda e Planejamento vão apresentar o projeto e detalhar questões sobre a legislação tributária, renúncia fiscal, metas e riscos fiscais e os critérios usados para enfatizar quais são as prioridades definidas pelo prefeito Eduardo Braide.

A audiência pública será aberta às 14h, no plenário do Palácio Pedro Neiva de Santana.

São Luís, 31 de Agosto de 2023.

Pesquisa Premier: Braide lidera e Paulo Victor passa Neto Evangelista e ameaça Edivaldo Jr.

Eduardo Braide lidera com folga e é seguido por Duarte Jr., Edivaldo Jr., Paulo Victor,
Neto Evangelista, Wellington do Curso, Yglésio Moises e Carlos Lula

O meio político ludovicense foi sacudido ontem pelos números de mais uma pesquisa que mediu as intenções do eleitorado em relação aos pré-candidatos à Prefeitura de São Luís no pleito que será realizado daqui a pouco mais de 13 meses. De acordo com o novo levantamento, se a eleição fosse agora, o prefeito Eduardo Braide (PSD) sairia das urnas com 29,4% dos votos, seguido do deputado federal Duarte Jr. (PSB) com 16,9%, o ex-prefeito Edivaldo Jr. (sem partido) com 12,8%, o vereador-presidente Paulo Victor (PSDB) com 9,8%, o deputado estadual Neto Evangelista (União) com 8,3%, o deputado estadual Wellington do Curso (PSC) com 7,1%, o deputado estadual Yglésio Moises (PSB) com 3,4%,  e o deputado estadual Carlos Lula (PSB) com 3,0%. Além disso, 5,3% dos entrevistados disseram que não votariam em nenhum deles e que podem anular seus votos, e 4,0% não quiseram ou não souberam responder.

A pesquisa foi realizada pela empresa Premier Pesquisas Ltda., com sede em São Luís, que entrevistou 892 eleitores entre os dias 20 e 23, e informou que a pesquisa tem margem de erro de três pontos percentuais para mais ou para menos, e com intervalo de confiança de 95%.

 Além de confirmar a liderança folgada de Eduardo Braide na corrida à reeleição, e da confirmação de Duarte Jr. e de Edivaldo Jr. como seus adversários mais próximos e que se encontram quase que na condição de empate técnico, a pesquisa encontrou um dado diferenciado, que alterou radicalmente o cenário da briga entre os pré-candidatos que estão abaixo dos 10 pontos percentuais de intenção de voto. Numa arrancada surpreendente, que não estava prevista para agora, Paulo Victor aparece na quarta colocação, podendo, pela margem de erro, já ter alcançado o patamar dos 10 pontos percentuais, consolidando-se à frente de Neto Evangelista, Wellington do Curso, Yglésio Moises e Carlos Lula, e se tornando uma ameaça perigosa para Edivaldo Jr.. O pré-candidato tucano poderá turbinar sua candidatura se ganhar o apoio do PDT, conforme têm sinalizado algumas vozes do partido.

Essa pesquisa confirma duas informações básicas trazidas por outros levantamentos. A primeira é que o prefeito Eduardo Braide tem sua liderança consolidada até aqui na faixa dos 30 pontos percentuais, não havendo qualquer indicação de ameaça a essa posição. E a segunda informação é a de que a eleição para a Prefeitura de São Luís será decidida em dois turnos. Nesse desenho, há uma tendência nítida de que o adversário do prefeito Eduardo Braide no segundo será o deputado federal Duarte Jr.. Mas essa posição pode mudar se Edivaldo Jr. permanecer estacionado na casa dos 12%, e o vereador Paulo Victor confirmar os quase 10% que o credenciam para ser um dos que podem chegar ao segundo turno. Para tanto, terá de tirar do caminho o ex-prefeito Edivaldo Jr. e o próprio Duarte Jr., ambos ossos duros de roer.

É claro que não é possível ainda bater o prego e virar a ponta em relação a essa disputa. Faltam ainda quase 400 dias e muita água rolará nesse percurso temporário. O prefeito Eduardo Braide pode manter sua posição ou ampliar sua vantagem. Ao mesmo tempo, o quadro pode mudar se as forças lideradas pelo Palácio dos Leões entraram no campo para o tudo ou nada em torno do deputado Duarte Jr.. Nesse contexto, é difícil prever o futuro da pré-candidatura do ex-prefeito Edivaldo Jr., principalmente se ele decidir levar em frente ingressar no PV, partido que perdeu completamente a sua identidade no Maranhão. E no que diz respeito ao deputado Neto Evangelista, está na hora de ele reagir e mostrar enfaticamente que seu projeto é viável.

Vale aguardar o que dirão as próximas pesquisas.   

Em Tempo: a empresa Premier informa que entrevistou 892 eleitores entre os dias 20 e 23, e que a pesquisa tem margem de erro de três pontos percentuais para mais ou para menos, e com intervalo de confiança de 95%.

PONTO & CONTRAPONTO

PT sinaliza que apoiará candidatura de Ana Paula Lobato em Pinheiro

Ana Paula Lobato deve ter o apoio do PT
na corrida pela Prefeitura de Pinheiro

Se depender das lideranças regionais e da cúpula nacional, o PT apoiará a candidatura da senadora Ana Paula Lobato (PSB) à Prefeitura de Pinheiro. De acordo com uma bem situada fonte petista, o partido não lançará candidato a prefeito na Princesa da Baixada, e não existe qualquer restrição ao projeto de candidatura da senadora socialista à sucessão do prefeito Luciano Genésio (PP).

De acordo com a mesma fonte, tanto o PT estadual quanto o nacional têm a senadora Ana Paula como aliada do Governo Lula da Silva (PT), não só dando o aval político, mas também votando de acordo com a orientação do partido governista.

A senadora Ana Paula Lobato conhece o caminho das pedras para chegar à Prefeitura de Pinheiro. Primeiro por que nasceu numa família politicamente influente na cidade, vivenciando as lutas políticas desde criança. Depois, já disputou eleição majoritária como candidata a vice, tendo sido eleita como companheira de chapa do atual prefeito.

O apoio do PT será um bom impulso na candidatura da senadora ao comando da Princesa da Baixada.

Família de agricultores são expulsas de área em ação violenta em Balsas

Júlio Mendonça

Mais um caso de violência por questões agrárias desembarcou ontem no plenário da Assembleia Legislativa: no último dia 23, oito famílias de agricultores da comunidade Bom Acerto, na zona rural de Balsas, foram violentamente expulsas das suas casas, que foram incendiadas, numa ação marcada pela brutalidade.

O caso foi denunciado pelo deputado Júlio Mendonça (PCdoB), que fez um relato do que aconteceu na comunidade Bom Acerto. Segundo o parlamentar, as oito famílias ocupavam uma área de 10 hectares, mas foram expulsas, com aval da Justiça, pelo proprietário, que tem oito mil hectares.

O deputado Júlio Mendonça classificou a violência como um “grave crime contra a vida e o patrimônio”. Na ação violenta, casas foram incendiadas, e as famílias, incluindo idosos e crianças, foram aterrorizadas e desabrigadas à força de uma terra que ocupavam há várias décadas.

No seu discurso, feito em tom de indignação, o deputado Júlio Mendonça informou que essa disputa envolve oito famílias que reivindicam, de uma área total de oito mil hectares, apenas 100 para viver com dignidade e trabalhar. Em 2020, em plena pandemia, uma ordem judicial obrigou as famílias a deixarem a área. Só que a Fetaema recorreu e conseguiu a suspensão da ordem, possibilitando o retorno das oito famílias, que agora foram novamente desalojadas, e de maneiras violenta.

 – Qualquer que seja a decisão, não se justifica a violência de queimar casas e os bens das famílias. Não podemos nos calar diante de tantas atrocidades. Com certeza, o governador Carlos Brandão, com sua sensibilidade, não compactuará com esse tipo de coisa. Não podemos permitir isso. Esta Casa não pode se omitir diante desses fatos. Por isso, estamos pedindo a ajuda dos órgãos competentes para garantir a vida dessas pessoas e o direito de viver com dignidade e trabalhar na sua terra- declarou o deputado Júlio Mendonça.

São Luís, 30 de agosto de 2023. 

Postura de Camarão no comando do Governo reforça aliança política entre Dino e Brandão

Felipe Camarão entre o prefeito Josimar da Serraria (PSB) e o deputado Carlos Lula (PSB) e lideranças locais na entrega de quadras e equipamentos esportivos

 “Mais uma vez estou representando o governador Carlos Brandão com muita honra e muita alegria, desta vez no município de Governador Nunes Freire. São obras realizadas em parceria com a prefeitura municipal, e que mostram o municipalismo que o governador Brandão tanto prega e pratica. União e trabalho é a mensagem que eu deixo aqui em nome do governador Carlos Brandão”.

Foi essa a linha discursiva do vice-governador Felipe Camarão (PT) em todos os eventos dos quais participou como governador em exercício do Maranhão durante a licença do governador Carlos Brandão (PSB). O vice-governador primou pela ética e pela correção política, chegando a minimizar a natureza institucional do cargo de vice-governador, à medida que se apresentou como “representante” do governador licenciado, o que não é o caso. Nos últimos dez dias, Felipe Camarão foi um governador entusiasmado com a obra do Governo, mas cuidadoso na observação das fronteiras que limitam eticamente os movimentos do substituto eventual no comando de uma máquina com dezenas de milhares de servidores, orçamento milionário e um cacife político difícil de mensurar.

Durante o período, Felipe Camarão exerceu plenamente o seu papel de governador em exercício, sem abrir mão de um só milímetro do seu espaço e das suas obrigações institucionais. Manteve a rotina de despachos com os secretários palacianos e com titulares de diversas pastas, incluindo os secretários da Saúde, da Segurança Pública e da Infraestrutura, por exemplo. Esteve na Secretaria de Educação, da qual é titular, “para bater o ponto”, realizando ali reunião com diretores e coordenadores para se informar detalhadamente acerca dos programas em andamento e das atividades cotidianas da gigantesca engrenagem do sistema estadual de educação, que reúne mais de 400 unidades escolares em todos os recantos do estado.

Politicamente, o governador em exercício Felipe Camarão foi correto. Não deixou que questões político-partidárias interferissem na rotina do Governo, conseguindo mostrar, com muita clareza, que a aliança PSB/PCdoB/PT é sólida e resiste bem aos fluídos desagregadores que são soprados na sua direção. Quando recebeu o ministro da Justiça e Segurança Pública Flávio Dino, na semana passada, manteve a linha se colocando como “representante” do governador Carlos Brandão. Poderia ser menos incisivo, pois afinal, vice-governador no exercício da governança, não importa por que período, não “representa” o governador titular, o substitui, com todos os poderes e todas as responsabilidades. Afinal, vice-governador, assim como vice-presidente e vice-prefeito, é eleito pelo voto direto para substituir o titular eventual ou definitivamente, com todas as prerrogativas do cargo, segundo a regra constitucional. E manteve o alinhamento mesmo diante dos questionamentos da imprensa a respeito da relação do ministro Flávio Dino e do governador Carlos Brandão.

A postura de Felipe Camarão como governador em exercício produziu uma série de informações politicamente importantes. A primeira é que ele garante ao governador Carlos Brandão a segurança de que o vice-governador é um aliado firme e confiável. Essa mesma mensagem chegou ao meio político como um aviso claro e direto aos adversários de que nesse Governo o vice-governador atua para agregar e não no sentido inverso. E mais, o vice-governador trabalha no sentido de consolidar a aliança partidária que funciona como o eixo central da estabilidade do Governo. E isso contribui fortemente para desencorajar especulações sobre supostos focos de tensão na relação do governador Carlos Brandão como ministro Flávio Dino.

O desempenho como secretário de Educação e como chefe de Governo em exercício garante ao vice-governador Felipe Camarão a estatura de um político eficiente e confiável, que tem noção clara e ampla do papel que lhe cabe na equação que vem mantendo a estabilidade política do Maranhão desde a eleição de 2014. As eleições municipais do ano que vem e as eleições gerais de 2026 mostrarão o resultado dessa aliança.

PONTO & CONTRAPONTO

Inclusão na lista dos aspirantes à presidência do Senado dá maior estatura a Eliziane

Eliziane Gama ganha reconhecimento e é
lançada para a presidência da Casa em 2025

Não surpreendeu a inclusão da senadora Eliziane Gama (PSD) na relação se aspirantes à sucessão do presidente do Senado e do Congresso Nacional na eleição que ocorrerá fevereiro de 2015.

Com a saída da competente Simone Tebet (MDB), agora ministra do Planejamento, Eliziane Gama se cacifou como a mais destacada integrante da bancada feminina da Câmara Alta. Sua atuação como parlamentar atuante e legisladora experiente já vinha sendo destacada, ganhou dimensão durante a CPMI da Covid e se consolidou definitivamente quando foi escolhida relatora da CPMI dos Atos Golpistas.

Não custa lembrar que Eliziane Gama tem um lastro político respeitável: deputada estadual duas vezes, deputada federal entre os mais votados em 2010 e vem dando seguidas demonstrações de competência e experiência. Atualmente, ela é o quadro mais destacado e conhecido da bancada feminina.

Mesmo com o apoio da bancada feminina e de senadores politicamente mais esclarecidos, essa candidatura dificilmente ganhará corpo no Senado, uma instituição conservadora e machista. Mas o simples fato de ter sido lembrada dá à senadora Eliziane Gama uma estatura que a autoriza a pleitear a reeleição em 2026.

 Por méritos políticos e parlamentares.

Iracema será embaixadora em evento para valorizar a mulher advogada

Tatiana Costa entrega camiseta
de embaixadora a Iracema Vale

A presidente da Assembleia Legislativa, deputada Iracema Vale (PSB), será embaixadora da II Conferência Estadual da Mulher Advogada, que acontecerá nos dias 30 e 31 de agosto e reunirá referências nacionais nessa área. O convite foi feito oficialmente pela vice-presidente da OAB-MA, Tatiana Costa, uma das organizadoras do evento, que terá como foco central a defesa dos direitos das mulheres.

O evento terá como tema geral “O mercado jurídico contemporâneo – perspectivas e oportunidades na advocacia”, e é o resultado de um grande esforço da OAB-MA por meio das Comissões da Mulher e da Advogada, de Promoção da Igualdade Racial, e da Verdade da Escravidão Negra do Brasil. E será realizado com o apoio da Escola Superior da Advocacia e da Caixa de Assistência da Advocacia, no Espaço Residencial.

O receber e aceitar o convite, a presidente da Assembleia Legislativa comentou: “A programação contará com um time extraordinário de palestrantes vindas de todo o Brasil e que contribuem diariamente para concretizar os direitos das mulheres. Como primeira presidente mulher a estar à frente desta Casa Legislativa, estou muito honrada com o convite e por fazer parte desse momento”.

Tatiana Costa, vice-presidente da OAB-MA, confirmou a dimensão do evento: “Vamos discutir temas pertinentes e atuais, a exemplo do protocolo de julgamento com perspectiva de gênero, obrigatório para todo o Judiciário, que deve observar questões de gênero e raça em suas decisões”.

São Luís, 29 de Agosto de 2023.