Todos os posts de Ribarmar Correa

Assembleia desfaz votação controversa e assegura homenagem a MST, Contag e Fetaema

Iracema Vale garantiu aprovação dos
requerimentos de Júlio Mendonça,
Roberto Costa e Antônio Pereira

Uma rica e oportuna mistura de bom senso e visão plural de política foi a receita usada pela presidente da Assembleia Legislativa, deputada Iracema Vale (PSB), para reverter uma situação de crise que, por algumas horas, nivelara a Assembleia Legislativa do Maranhão a parlamentos dominados por grupos reacionários e antidemocráticos. Na sessão de quinta-feira (04), sob o seu comando, a Casa passou a régua da sensatez na sombria decisão tomada na sessão de terça-feira (02), quando, numa manobra regimental controversa, um grupo de parlamentares de direita, comandado pelo deputado Neto Evangelista (União Brasil), valendo-se de uma maioria circunstancial, desaprovou requerimento de autoria do deputado Júlio Mendonça (PCdoB) propondo sessão solene para homenagear três movimentos sociais ligados à questão agrária: Movimento dos Trabalhadores Sem Terra (MST), Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura (Contag) e Federação de Trabalhadores Rurais do Estado do Maranhão (Fetaema). O alvo do ataque parlamentar foi o MST.

Na sessão de terça-feira, comandada pelo 1º vice-presidente Rodrigo Lago (PCdoB), a Mesa manteve a tradição de aprovar requerimentos dessa natureza por votação simbólica, já que existe uma espécie de acordo tácito entre os deputados nesse sentido. Quando o requerimento já estava aprovado, deputados de direita contrários à homenagem ao MST, reagiram, romperam a tradição da votação simbólica e exigiram verificação de quórum e votação nominal. O movimento anti-MST foi liderado pelo deputado Neto Evangelista, que é o líder do Governo na Casa, mas fez questão de esclarecer que aquela posição era pessoal.

Por mais que tenha ficado claro que a reviravolta foi uma ação articulada por deputados de direita, como Yglésio Moyses (PSB), que taxou o MST de “movimento terrorista”, a impressão que ficou foi a de que o Palácio dos Leões estaria avalizando a ação. Afinal, toda a articulação no plenário foi feita pelo líder do Governo, Neto Evangelista. E porque outros deputados do PSB, que apoia o MST nacionalmente, seguiram a rejeição ao movimento, como a deputada Andreia Rezende, rica proprietária de terras nas regiões de Balsas e Vitorino Freire. O fato é que a manobra repercutiu muito forte e negativamente dentro e fora da Assembleia Legislativa, que à primeira vista foi transformada num parlamento reacionário, o que não é o caso. O plenário da Alema é um verdadeiro e rico mosaico político e ideológico, mas sua orientação maior é baseada em férreo princípio democrático de respeito à maioria e às regras. Na atual gestão, a presidente Iracema Vale tem se pautado por esse conjunto de princípios, acrescido de um toque diferenciado de habilidade.  

Na sessão de quinta-feira, ela criticou, à sua maneira, o acontecido na sessão de terça-feira, reforçando o entendimento de que requerimento de sessão solene não deve ser rejeitado, a não ser em situação muito especial. E foi didática ao abordar o assunto: “Aqui, nós somos uma pluralidade, cada um representa um segmento. Eu votei a favor de todos os requerimentos de sessão solene desta Casa. Então, não vamos fazer disso uma politização desnecessária. O nosso interesse aqui é harmonizar a Casa, votar os requerimentos, fazer as homenagens. Esse que é o interesse da Mesa e do Parlamento”.

E com a mesma sensatez e obediência às regras, a presidente da Assembleia Legislativa articulou a reviravolta avalizando um acordo pelo qual três deputados propusessem a homenagem às entidades prejudicadas na votação de terça-feira. O deputado Júlio Mendonça apresentou o requerimento 135/2024 para saudar os 40 anos de criação do MST; o deputado Roberto Costa (MDB) apresentou o requerimento 136/2024 para homenagear os 52 anos de existência da Fetaema; e o deputado Antônio Pereira (PSB) assinou o requerimento 137/2024 comemorando os 60 anos de fundação da Contag. Os requerimentos foram aprovados, assegurando a homenagem às três entidades.

O episódio de terça-feira serviu para mostrar que a direita mais conservadora, que está mostrando os dentes, parece mesmo inclinada a forçar uma polarização política e ideológica na Casa. Mas a presidente Iracema Vale, cujo viés de comando é democrático, mandou um recado bem claro: os deputados são livres para se manifestar e se posicionar, desde que dentro das regras.

PONTO & CONTRAPONTO

Ricardo Rios assume secretaria e abre vaga para Zé Inácio

Ricardo Rios abriu vaga para Zé Inácio

O governador Carlos Brandão (PSB) fez mais um movimento de engenharia política para garantir a representação do PT na Assembleia Legislativa.

Primeiro suplente da coligação governista, o deputado Zé Inácio (PT) ganhou a vaga no início de 2023 com a convocação da deputada Ana do Gás (PCdoB) para a Secretaria de Assuntos Legislativos. Ela decidiu deixar o cargo e reassumir seu mandato, tendo como objetivo maior disputar a Prefeitura de Santo Antônio dos Lopes.

Com o retorno da deputada Ana do Gás, Zé Inácio voltou à condição de suplente, na qual permaneceu por apenas três dias. Ontem, o governador convidou o deputado Ricardo Rios (PCdoB) para assumir a Secretaria de Assuntos Legislativos, abrindo vaga para Zé Inácio, que reassumiu quinta-feira.

A presença do PT no plenário da Assembleia Legislativa está, portanto, confirmada por quatro meses ou um ano.

Paulo Victor vai enfrentar vários desafios na corrida às urnas

Paulo Victor: desafios

 O vereador Paulo Victor (PSB), presidente da Câmara Municipal de São Luís, se impôs um desafio e tanto. Ele não só vai lutar por um novo mandato, como também será um dos principais coordenadores da campanha do candidato do PSB ao Palácio de la Ravardière, deputado federal Duarte Jr., como também atuará fortemente para que o seu partido saia das urnas com um expressivo número de vereadores.

O vereador Paulo Victor (PSB), presidente da Câmara Municipal de São Luís, se impôs um desafio e tanto. Ele não só vai lutar por um novo mandato, como também será um dos principais coordenadores da campanha do candidato do PSB ao Palácio de la Ravardière, deputado federal Duarte Jr., como também atuará fortemente para que o seu partido saia das urnas com um expressivo número de vereadores.

A sua própria reeleição em 2020, sua ascensão surpreendente à presidência da Câmara Municipal por aclamação, e sua atuação importante na campanha do governador Carlos Brandão (PSB) na Capital, onde derrotou o candidato do PDT, senador Weverton Rocha, tido como favorito na Ilha, são marcas que o credenciam para as tarefas que está se impondo.

Como vereador e como secretário de Estado da Cultura, Paulo Victor acumulou experiências que o levaram às entranhas de São Luís, onde se encontra o “ouro” eleitoral da capital. E isso lhe dá autoridade para falar de campanha eleitoral na Ilha, principalmente quando o seu candidato, Duarte Jr., tem como adversário ninguém menos que o prefeito Eduardo Braide (PSD), que hoje conhece muito bem o caminho das pedras.

São Luís, 06 de Abril de 2024.

Rejeição de homenagem ao MST mostrou Alema caminhando para a radicalização política

Polarização: Júlio Mendonça propôs a homenagem
destacando a importância do MST; Yglésio Moyses
rejeitou classificando o MST de “terrorista”

O que parecia improvável, mesmo considerando a heterogeneidade política e partidária dos atuais deputados estaduais, ganhou forma ontem na Assembleia Legislativa: a polarização esquerda-direita veio à tona no plenário do parlamento estadual. E aconteceu com a rejeição de um requerimento (133-24), de autoria do deputado Júlio Mendonça (PCdoB), propondo a realização de uma sessão solene, para meados deste mês, em homenagem aos 40 anos do Movimento dos Sem Terra (MST), dos 60 anos da Confederação Trabalhadores na Agricultura (Contag) e dos 52 anos da Federação dos Trabalhadores Rurais do Maranhão (Fetaema).

Dos 25 deputados que votaram, 14 rejeitaram a proposta, oito se manifestaram a favor e três se abstiveram. E como não poderia deixar de ser, o pomo da discórdia foi o MST, que na versão dos parlamentares de centro e de esquerda é um movimento às vezes controverso, mas que tem razão de existir num país desigual, mas que na visão dos deputados de direita é um movimento “criminoso” e “terrorista”. Foi essa a posição externada pelo presidente da sessão, deputado Rodrigo Lago (PCdoB).

A decisão plenária da Assembleia Legislativa sobre uma proposta, que não teria maior repercussão política, ganhou a estatura de um marco. Os deputados – vários deles do PSB, partido com viés de esquerda moderada – que votaram contra, fizeram questão de declarar que votariam se a homenagem fosse dedicada à Fetaema e à Contag. O líder do Governo, deputado Neto Evangelista (União Brasil) se revelou por inteiro nesse defendendo o expurgo não só do MST, mas também da Contag, só manifestando simpatia pela Fetaema. Houve uma tentativa de excluir o MST do requerimento, mas o autor, que é ligado ao mundo rural, não aceitou.

Os que votaram contra satanizaram o MST, dando a esse movimento social rótulos diversos: “invasor”, “provocador” e “causador de problemas”. O deputado tocantino Ricardo Seidel (PSD), bolsonarista assumido, se referiu ao MST como “inimigo do agro”, enquanto o deputado Yglésio Moises (PSB), que migrou do centro-esquerda para a direita bolsonarista, foi mais longe e classificou os sem-terra como “grupo terrorista”. Os defensores do requerimento rebateram os ataques dizendo, grosso modo, que a direita quer ter o domínio de latifúndios e tenta satanizar o MST. Para esses parlamentares, o Movimento dos Sem Terra pode guardar algumas contradições no modo de atuar, mas é, sem dúvida, o mais importante movimento social na luta pela terra no Brasil, onde a realidade agrária ainda pode ser identificada como os que têm muita terra, os que tem alguma terra e milhões que querem ter, mas não têm nenhuma terra.

O que chamou a atenção nessa votação foi que, mesmo não se tratando de uma matéria proposta pelo Governo, a maioria dos deputados do PSB, um partido de esquerda que está no poder no Maranhão, ao qual pertencem o governador Carlos Brandão e a presidente da Casa, deputada Iracema Vale, e que tradicionalmente apoia a luta pela reforma agrária, ter votado contra a homenagem por conta do MST. E esse posicionamento se tornou evidente depois que o líder do Governo, deputado Neto Evangelista (União Brasil), declarou seu voto contra a homenagem ao MST e à Contag, só admitindo apoio à Fetaema, tendo boa parte da bancada do PSB seguido essa posição. Em resumo, a maioria da Assembleia Legislativa, que apoia um Governo de esquerda no viés partidário, se mantém conservadora no que diz respeito à questão fundiária, a ponto de demonizar o MST.

A rejeição do requerimento do deputado Júlio Mendonça alargou o precedente aberto com a rejeição, no mês passado, de concessão de título de Cidadania à ex-primeira-dama Michele Bolsonaro, sob o argumento, tecnicamente correto, de que ela nunca teve qualquer vínculo com o Maranhão. Para os apoiadores da homenagem ao MST, o voto contrário foi pura retaliação à rejeição da homenagem à ex-primeira-dama. Vista por esse ângulo, a decisão de ontem gera o risco de a Assembleia Legislativa se tornar uma Casa politicamente radicalizada e potencialmente explosiva.

É hora da presidente Iracema Vale, das lideranças e do próprio governador Carlos Brandão entrarem em campo para evitar a radicalização legislativamente improdutiva e politicamente danosa.

PONTO & CONTRAPONTO

Assembleia aprova projeto de Iracema propondo política de saúde funcional

Iracema Vale: por uma política funcional

Só depende da sanção do governador Carlos Brandão (PSB) ao PL 048/2024, aprovado ontem pela Assembleia Legislativa, para que o Maranhão possa implantar uma Política Estadual de Saúde Funcional, desenvolvida com base na Classificação Internacional de Funcionalidade, Incapacidade e Saúde (CIF).

Apresentada ao parlamento pela presidente Iracema Vale (PSB), a proposição objetiva a geração e gestão de informações sobre funcionalidade para o planejamento, monitoramento, controle e avaliação da situação de saúde funcional dos indivíduos. 

Na sua justificativa, a presidente Iracema Vale explica que a Política Estadual de Saúde Funcional observará os seguintes princípios: transversalidade, que se refere a interligação entre políticas e programas do setor de saúde; visibilidade, que diz respeito ao conhecimento do estado de funcionalidade dos maranhenses por meio da CIF; e sustentabilidade, que concerne à proteção e potencialização da funcionalidade humana.

O projeto aprovado ontem considera estado de funcionalidade a descrição proveniente da avaliação do estado anatômico e fisiológico das atividades e da participação social da pessoa. A determinação do estado de funcionalidade será efetuada após avaliação biopsicossocial realizada por equipe multiprofissional e interdisciplinar. Finalmente, PL determina que nenhuma pessoa poderá ser objeto de discriminação ou de exclusão social diante da identificação de sua situação de saúde pela CIF.

Chico Carvalho assume PSDB com o compromisso de apoiar Duarte Jr.

Sebastiao Madeira entregou o
PSDB de São Luís para Chico Carvalho

Quando o presidente da Câmara Municipal, vereador Paulo Victor, deixou o PSDB para ingressar no PSB, o presidente do ninho dos tucanos no Maranhão, Sebastião Madeira, decidiu entregar o partido a uma raposa com anos e anos de vivência nos bastidores e que sabe como poucos comandar um partido: o vereador Chico Carvalho.

Para começar, com pelo menos oito mandatos consecutivos, incluindo dois de presidente da Casa, e mais uma vivência no comando de vários partidos, Chico Carvalho se notabilizou por um aspecto da sua atuação política: ele arrumou e deu força a pelo menos seis partidos. Todos lhe foram tomados em jogos de conveniência.

Tudo indica que com o PSDB será diferente, a começar pelo fato de que o presidente Sebastião Madeira quer o partido cada vez mais forte em São Luís e, à sua maneira discreta, mas eficiente, Chico Carvalho sabe cuidar de uma agremiação.

Nesse contexto, ao assumir o comando do PSDB na Capital, Chico Carvalho assumiu dois compromissos. O primeiro é fortalecer o partido, elegendo uma bancada de vereadores. E o segundo é colocar o ninho dos tucanos ludovicenses na linha de frente do apoio ao candidato do PSB, deputado federal Duarte Jr..

São Luís, 04 de Abril de 2024.

Duarte Jr. ganha o apoio do PL, que vai investir também na eleição de vereadores na Capital

Duarte Jr. terá o apoio do PL, representado
em São Luís pelo vereador Aldir Jr.

Está resolvido e amarrado: o braço ludovicense do PL, partido do ex-presidente Jair Bolsonaro e comandado no Maranhão pelo deputado federal Josimar de Maranhãozinho, e que na Capital é liderado pelo vereador Aldir Jr., vai apoiar a candidatura do deputado federal Duarte Jr. à Prefeitura de São Luís. Havia há tempos uma inclinação nesse sentido, mas uma série de “porens”, algumas divergências e uma ou outra restrição localizada retardaram o acerto da parceria eleitoral agora devidamente resolvida. É basicamente o mesmo grupo que apoiou o mesmo candidato em 2020, só que agora com as marcas políticas e ideológicas impostas pelo tosco cenário construído no país pelo extremismo de direita entranhado no partido do ex-presidente Jair Bolsonaro, e que não é seguido à risca pelos líderes do PL no Maranhão, a começar pelo próprio Josimar de Maranhãozinho, que não se dá bem com o radicalismo.

Não foi uma construção fácil. Quando o apoio do PL foi colocado à mesa da coligação governista, houve reações diversas, entre elas manifestações contrárias. A vinculação do partido ao bolsonarismo ensejou discussões, mas a ala politicamente mais pragmática, baseada na lógica segundo a qual “cada eleição é um caso”, levou a melhor, deixando alguns “puristas” sem argumento. O próprio deputado federal Duarte Jr. (PSB), um dos críticos mais ácidos do ex-presidente e do entorno dele, defendeu a aliança com o PL, a começar pelo fato de que sempre manteve uma boa relação com Josimar de Maranhãozinho, apesar da distância política e ideológica que os separa.

Além do próprio Duarte Jr., duas vozes foram decisivas para a costura do acordo. A primeira foi a do governador Carlos Brandão, que tem como principal valor político a conversa, independentemente de quem seja o interlocutor. No caso do PL, o governador tem defendido a aliança em torno da candidatura de Duarte Jr., reeditando o que aconteceu em 2020, quando o partido de Josimar de Maranhãozinho apoiou a candidatura do então candidato do Republicanos. O governador Carlos Brandão é o coordenador geral da campanha de Duarte Jr., atendendo a pedido do comando nacional do partido e do próprio candidato. Esse trabalho já reuniu, além do PSB, o apoio da Federação (PT/PCdoB/PV), PP, MDB, União Brasil, Cidadania, Solidariedade, PSDB. Patriotas e Podemos.

Segundo informações colhidas nos bastidores, outro defensor e avalista do apoio do PL a Duarte Jr. foi o jornalista Ricardo Capelli, que foi secretário de Comunicação de Flávio Dino e Número Dois do Ministério da Justiça no primeiro ano do atual Governo. Ricardo Capelli, que hoje preside a Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI), tem participado ativamente da construção da candidatura de Duarte Jr., se fazendo presente em todas as reuniões decisivas para consolidar o projeto de levar o parlamentar à Prefeitura de São Luís, em sintonia com o governador Carlos Brandão.

Qualquer avaliação sobre a aliança do PL e do PSB na corrida à Prefeitura de São Luís certamente concluirá que é um ganho real. O PL decidiu não lançar candidato próprio, mas tem um projeto arrojado de eleger uma forte bancada na Câmara Municipal da Capital – atualmente o partido tem apenas dois dos 31 vereadores: Aldir Jr., que é o braço de Josimar der Maranhãozinho na Capital, e Daniel Oliveira, atual líder do prefeito Eduardo Braide na Câmara de São Luís. A ideia de Aldir Jr., corroborada por Josimar de Maranhãozinho, é aproveitar o embalo da aliança para eleger uma bancada forte. Isso explica pelo menos parte dos acordos que estão sendo feito para reforçar a candidatura do deputado federal Duarte Jr. como o principal adversário do prefeito Eduardo Braide.

Há quem diga que a candidatura de Duarte Jr. vai turbinar de vez.

 PONTO & CONTRAPONTO

Othelino Neto mantém discurso de oposição e Brandão não se incomoda

Othelino Neto faz oposição, mas
Carlos Brandão não está incomodado

Não há mais dúvida de que o deputado Othelino Filho (PCdoB) não mais integra a base do Governo do Estado. E a avaliação de observadores é a de que a senadora Ana Paula Lobato (PSB) também se manterá distanciada do Palácio dos Leões. Essa situação se consolida a cada dia na Assembleia Legislativa, onde o parlamentar vem se posicionando contrariamente às orientações do governador em embates com o líder governista Neto Evangelista (UB).

Ontem, o deputado Othelino Neto foi à tribuna cobrar explicações para um caso ocorrido em Araioses, onde uma mulher, aparentemente descontrolada, interferiu numa blitz em que a Polícia Militar inspecionava motocicletas. Ali, uma mulher tumultuou a blitz usando o argumento de que telefonara para São Luís e que alguém graúdo na PM a autorizou a liberar as motos. Após isso, a mulher passou a festejar o seu prestígio.

O parlamentar do PCdoB discursou cobrando explicações e uma investigação para apurar a conduta da mulher e a da PM.

O líder do Governo, Neto Evangelista, foi à tribuna e minimizou o episódio, alegando que a tal mulher estaria embriagada ou com algum desequilíbrio emocional. E enfatizou que a liberação de motos se deu com base na legislação e não por interferência indevida da mulher.

O assunto dominou a sessão legislativa por mais de uma hora, tempo em que Othelino Neto reagiu à fala do líder governista e concedeu apartes a vários deputados. No seu discurso o deputado disse que está afastado “no momento” do Palácio dos Leões.

O ex-presidente da Casa não faz uma oposição sistemática e agressiva ao Governo do Estado, mas não deixa dúvida de que está andando na contramão do Palácio dos Leões.

De acordo com um parlamentar que tem transitado no Palácio dos Leões, o governador Carlos Brandão não tem demonstrado preocupação com a guinada oposicionista do deputado Othelino Neto e, por via de consequência, da senadora Ana Paula Lobato.

– Isso não é ruim. Não podemos ser unanimidade, que não é uma coisa boa – teria dito o governador Carlos Brandão numa roda de conversa.

Tribunal de Justiça vive processo de transição

Froz Sobrinho monta equipe e
Paulo Velten prepara Casa para entregar

Faltam exatamente 19 dias para a posse do novo comando do Tribunal de Justiça, que será presidido pelo desembargador Froes Sobrinho, tendo como 1º vice o desembargador Raimundo Bogeia e como 2º vice o desembargador José Jorge Figueiredo. O desembargador José Luiz Oliveira vai comandar a Corregedoria Geral da Justiça. O futuro presidente está trabalhando na surdina na montagem da sua equipe.

Em meio ao clima de transição, o atual presidente, desembargador Paulo Velten trabalha duro para consolidar as mudanças que marcaram sua gestão e para preparar a Casa que entregará ao seu sucessor.

Em Tempo: É provável que nesses próximos dias o Colégio de Desembargadores examine a lista sêxtupla enviada pelo Ministério Público para a escolha do desembargador pelo Quinto Constitucional. Ao mesmo tempo, é improvável que a OAB encaminhe nova lista para a vaga dos advogados no Quinto Constitucional. Há quem diga que a lista da OAB só será encaminhada após a posse no novo comando do Poder Judiciário.

São Luís, 03 de Abril de 2024.

Ministro integra aliança, mas há municípios em que entra em rota de colisão com os Leões

Juscelino Filho e Carlos Brandão: rotas
de colisão, mas sem confronto

O ministro Juscelino Filho (Comunicações), que é deputado federal pelo União Brasil e divide o prestígio do partido no Maranhão com o deputado federal Pedro Lucas Fernandes, que o preside, está enfrentando uma série de situações incomuns, que ora o coloca como aliado do governador Carlos Brandão (PSB) e ora como adversário. Dois exemplos: a posição do ministro em Vitorino Freire, sua terra natal e principal base eleitoral, onde ele e sua irmã, Luanna Rezende (UB), prefeita já reeleita, travam uma guerra contra o tio, o ex-deputado Stênio Rezende, que quer ser candidato a prefeito; e em relação à disputa para a Prefeitura de São Luís, ele propõe que o deputado Neto Evangelista (UB) seja candidato contra o deputado federal Duarte Jr. (PSB), apoiado pelo Palácio dos Leões e pelo Palácio do Planalto. Nos dois casos, o ministro está em rota de colisão com o governador Carlos Brandão, que prefere não o ver como adversário.

No que diz respeito a Vitorino Freire, o ministro Juscelino Filho está unido à sua irmã, a prefeita Luanna Rezende, para evitar que o seu tio, o ex-deputado estadual Stênio Rezende (PSB), que passou anos com a ficha suja e já pode disputar votos, chegue ao comando do município. Os dois irmãos já inclusive lançaram o seu candidato, Ademar Magalhães, conhecido como “Fogoió”, um político com prestígio no município e homem de confiança do ministro e da prefeita. Com o apoio da esposa, a deputada estadual Andreia Rezende (PSB), Stênio Rezende tentou convencer os sobrinhos a lhes dar apoio, mas os dois rejeitaram. Houve uma declaração de guerra, tendo o ministro das Comunicações trocado desaforos com seu irmão nas redes sociais e na chamada grande imprensa.

No mês passado, o governador Carlos Brandão passou por Vitorino Freire numa maratona de inauguração de obras, foi recebido por Stênio Rezende e sua mulher Andreia Rezende (PSB), mas o ministro e a prefeita não apareceram, configurando a existência de dois grupos numa mesma família em Vitorino Freire.

Em relação à corrida para a Prefeitura de São Luís, agindo na contramão do presidente do União Brasil no estado, o ministro Juscelino Filho decidiu entrar no circuito e defender a candidatura do deputado Neto Evangelista à sucessão do prefeito Eduardo Braide (PSD). E o fez dias depois de o governador Carlos Brandão nomear o parlamentar para o influente cargo de líder do Governo na Assembleia Legislativa. Diante da provocação, o próprio Neto Evangelista admitiu estar “no páreo”, mas depois de uma rodada de conversa nos bastidores ele decidiu silenciar sobre o assunto, pelo menos por enquanto. O projeto de candidatura de Neto Evangelista, que ainda deu uma e outra declaração, parece ter tomado o rumo do arquivo.

De longe, o experiente governador Carlos Brandão observa os movimentos do ministro das Comunicações, e parece decidido não dar maior importância às investidas dele. Institucionalmente, o governador recebe o ministro com frequência, em audiências e em eventos em que o Governo Federal tem participação. Recentemente, o ministro Juscelino Filho pegou carona no lançamento programa “Pé de Meia”, com o ministro visitante, Camilo Santana, da Educação, e o ministro do Esporte, André Fufuca, que comanda o PP no Maranhão e vive também algumas situações complicadas.

Da sua parte, o governador Carlos Brandão conduz esse jogo com o maior cuidado possível, uma vez que é impossível manter harmonia numa disputa que envolve 217 municípios, onde se digladiarão no mínimo 600 candidatos a prefeito e a vice-prefeito, incluindo os prefeitos que tentam a reeleição. Nessa linha de ação, o Palácio dos Leões minimiza as tensões onde aliados entram em confronto, porque não existe outra maneira de encarar uma situação tão complexa.

O importante, para todos eles, nesse caso, é que após as eleições as alianças sejam confirmadas, evitando-se confrontos.

PONTO & CONTRAPONTO

Ao se aliar com o Republicanos, Fred Campos pode perder o apoio do PT em Paço do Lumiar

Fred Campos recebeu apoio de Aluísio
Mendes e perdeu o de Felipe Camarão

O que parecia um enredo previsível e fadado a produzir uma mudança de comando na Prefeitura de Paço do Lumiar, o apoio da base governista à candidatura do ex-vereador e empresário Fred Campos (PSB) pode acabar se transformando num foco de crise. Tudo por conta da entrada em cena do Republicanos, partido comandado pelo deputado federal Aluísio Mendes, na política luminense.

Quando se negou a apoiar a candidatura de Fred Campos, que se filiou ao PSB, a prefeita Paula Azevedo (PCdoB) ensaiou uma relação com o Republicanos, chegando inclusive a visitar a sede do partido acompanhada do nome da sua preferência para sucedê-la, o vereador Jorge Marú, que se encontra sem partido.

A reação negativa dos partidos da base, principalmente PT, PCdoB e PV, que formam a Federação Brasil Esperança, e o próprio PSB, entre outros, à aproximação de Paula Azevedo com Aluísio Mendes e seu partido levou a prefeita a pisar no freio. Esses partidos não querem aproximação com o Republicanos sob o comando de Aluísio Mendes, argumentando que essa agremiação hoje representa parte da direita radical, identificada com o bolsonarismo.

Com o afastamento de Paula Azevedo, o deputado Aluísio Mendes agiu rápido e garimpando espaço, levou o Republicanos para a órbita de Fred Campos, que recebeu com expressão de satisfação. Só não contava com a reviravolta imposta pelo vice-governador Felipe Camarão, que tomou a seguinte decisão: retirou o PT da base de apoio de Fred Campos, o que representou um duro golpe para o projeto do candidato do PSB.

Ou seja, por conta de um apoio que não lhe será eleitoralmente rentável, o candidato Fred Campos perde outro que pode lhe ser decisivo.

Números da pesquisa DataM sugerem que eleitorado de Barreirinhas quer mudança

Vinícius Vale avança deixando
Léo Costa e Amílcar Rocha para trás

Se pesquisa do DataM estiver correta – e não há motivo para não estar -, o eleitorado de Barreirinhas parece decidido a apostar na renovação, preferindo eleger o engenheiro Vinícius Vale (MDB), representante da novíssima geração, deixando para trás políticos que, bem ou mal, já fizeram sua parte do comando do Portal dos Lençóis.

De acordo com o levantamento, se a eleição para a prefeitura de Barreirinhas fosse agora, Vinícius Vale seria eleito com 37,9% dos votos, seguido pelo ex-prefeito Léo Costa (PDT) com 26%, o prefeito Amilcar Rocha (PCdoB) com 11,6%, Joab Marreiros com 3,6%, e Thiago Rodrigues e Totonho Corrêa, cada um com 0,8%. Brancos e nulos somariam 6,9% e os que não souberam ou não quiseram responder somaram 12,4%.

Barreirinhas não é um dos maiores municípios do Maranhão, mas há anos vem ganhando importância devido a sua condição de Portal dos Lençóis Maranhenses, já transformado no maior polo turístico depois de São Luís. E a julgar pela popularidade pífia revelada pelo percentual de intenções de votos, o prefeito Amílcar Rocha não vem atuando em sintonia com a população. É o caso também do economista Léo Costa que, ao que tudo indica, já não é visto como um agente de transformação como o foi nos dois mandados ali exercidos.

É claro que a disputa ainda se encontra na fase de pré-campanha, mas de acordo as informações trazidas à baila pelas duas pesquisas ali realizadas, o eleitorado de Barreirinhas está sinalizando uma mudança de rumo.

Comandado pelo correto e experiente jornalista José Machado, o Instituto DataM ouviu 507 eleitores de Barreirinhas no período de 23 a 25 de março, tem margem de erro de quatro pontos percentuais para mais ou para menos, margem de segurança de 95% e está registrada na Justiça Eleitoral sob o protocolo nº 08902/2024.

São Luís, 02 de Abril de 2024.

Candidatos definidos, acertos e desacertos e prefeitos fortes e fracos em grandes municípios

Josivaldo JP e Rildo Amaral brigam
pela liderança em Imperatriz

Faltando exatas 25 semanas (187 dias) para as eleições por meio das quais serão eleitos prefeitos e vereadores e as articulações para a definição de candidaturas entram numa fase de frenesi, embora esse cenário já esteja praticamente definido na maioria dos grandes municípios, a começar por São Luís. Grosso modo, Imperatriz, São José de Ribamar, Timon, Caxias, Codó, Bacabal e Barreirinhas, que representam cerca de 1,1 milhão de maranhenses e são os municípios de importância decisiva no mapa político do Maranhão, já estão com os seus quadros de candidatos praticamente definidos, restando apenas resíduos sem peso para alterar o cenário já desenhado. Em boa parte deles, prefeitos estão buscando a reeleição, enquanto em outros, os chefes de Executivo tentam eleger sucessores confiáveis, tendo ainda os que, de tão mal avaliados, não tiveram coragem de pedir votos.

A situação em Imperatriz é curiosa. Ali, sem a presença do prefeito Assis Ramos (Republicanos) na cena, por falta de apoio popular, quatro candidatos estão de fato no páreo: o deputado estadual Rildo Amaral (PP), apoiado pelo ministro André Fufuca (Esporte) e pelo Palácio dos Leões, disputa a liderança com o deputado federal Josivaldo JP (PSD), que é apoiado pelas correntes bolsonaristas, tendo ambos o ex-deputado Marco Aurélio (PCdoB) e a suplente de deputada federal Mariana Carvalho (Republicanos) brigando pelo espaço que sobra. Políticos experimentados acreditam que a disputa para valer está entre os dois que já lideram a corrida, e calculam que esse jogo seria definido com antecedência se Rildo Amaral e Marco Aurélio chegassem a um acordo que os unisse. Essa situação torna a corrida eleitoral em Imperatriz com grande poder de produzir situações imprevistas.

Em São José de Ribamar a disputa pela Prefeitura caminha para uma polarização entre o prefeito Júlio Matos (Podemos), que sabe o caminho das pedras ribamarenses e está jogando a força do cargo e o seu prestígio pessoal em busca da reeleição. Depois de muitas idas e vindas, a oposição vai lançar Dudu Diniz (PSB), apoiado pela presidente da Assembleia Legislativa Iracema Vale (PSB), com o apoio do Palácio dos Leões, e com o aval dos ex-prefeitos Luís Fernando Silva, Gil Cutrim e o deputado Glaubert Cutrim (PDT). O terceiro nome lançado, Guilherme Mulato (Novo), parece não ter qualquer chance de entrar nessa disputa.

Timon tem o quadro da disputa já definido: a prefeita Dinair Veloso (PDT) vai pleitear a renovação do mandato enfrentando nas urnas o deputado estadual Rafael Brito (ex-Leitoa), do PSB, que tem a ex-prefeita Socorro Waquim (PP) como vice, num grande lance de articulação apoiado pelo Palácio dos Leões. Outros nomes se movimentam, mas aparentemente sem a menor condição de reunir cacife para tentar desconstruir a polarização da prefeita Dinair Veloso com Rafael Brito.

O cenário da disputa em Caxias está definido no campo governista, com a candidatura de Neto Gentil consolidada com o apoio da aliança formada pelos Grupos Gentil – liderado pelo prefeito Fábio Gentil, e Coutinho – hoje tendo à frente a ex-deputada Cleide Coutinho. Todos os indícios sugerem que a oposição ali vai lançar o suplente de deputado federal Paulo Marinho Jr. (PL), o que deve tornar a disputa intensa na Princesa do Sertão. Outros nomes podem aparecer, mas nenhum com chance de ameaçar essa polarização.

Em Codó, onde havia vários candidatos, o cenário mudou radicalmente para uma polarização de desfecho imprevisível. Isso porque o prefeito Zé Francisco (PSD), que lidera a corrida, segundo a últimas pesquisas, num cenário com quatro candidatos, agora viu a disputa ser polarizada com a conversão ao PT do empresário Chiquinho da FC e a desistência do ex-prefeito Zito Rolim (PDT). Outros nomes estariam ensaiando entrar na briga, mas tudo indica que a polarização Zé Francisco/Chiquinho FC vai vingar, depois que o último se converteu ao petismo e passou a contar com os partidos de esquerda. Uma reviravolta inesperada e espetacular.

A sucessão em dois municípios importantes mostra o sucesso e o fracasso de prefeitos. No caso de Bacabal, o prefeito Edvan Brandão (PSB), caminha para fechar seu segundo mandato passando o bastão para um prefeito eleito aliado, o deputado estadual Roberto Costa (MDB), que na última pesquisa apareceu com mais se 50 pontos percentuais de vantagem sobre os dois adversários Marco Miranda e Expedito, somados. Um dos políticos mais importantes da sua geração, o deputado Roberto Costa perdeu a eleição em 2020 para o ex-prefeito Zé Vieira (PR), mas transformou a derrota em aprendizado e é hoje um político de estatura respeitável.

Na outra ponta da linha está o prefeito de Barreirinhas, Amílcar Rocha (PCdoB), que tenta a reeleição, mas se encontra numa situação extremamente complicada, à medida que, segundo pesquisa recente, ele está em terceiro lugar, atrás do jovem engenheiro Vinícius Vale (MDB), que lidera, e do experiente ex-prefeito Léo Costa (PDT), a ponto de já correr uma proposta de que um ou outro deixe o páreo e dê apoio ao outro. Uma situação complicada.

Ainda há muitos municípios que não definiram todos os candidatos, e a situação de cada um desses serve de referência para os casos permanecem enroscados.

PONTO & CONTRAPONTO

Dino afirma em voto que militar tem de ser subordinado ao poder civil

Flávio Dino defende o poder civil

Repercutiu fortemente ontem o voto do ministro Flávio Dino, divulgado no sábado, no julgamento, pelo Supremo Tribunal Federal, de ação  que trata sobre os limites constitucionais da atuação das Forças Armadas e sua hierarquia em relação aos Poderes. 

O ministro foi enfático em apontar o poder civil como o poder supremo no Brasil e que o poder militar é um poder subalterno. Ele mostrou que essa hierarquia está explicitada no artigo 145 da Constituição Federal.

No julgamento, Flávio Dino concorda com o posicionamento do relator, ministro Luiz Fux, para quem a Constituição não possibilita uma “intervenção militar constitucional” nem “encoraja” uma “ruptura democrática”. E faz apenas uma ressalva: determina que o resultado do julgamento seja encaminhado para o Ministério da Defesa.

No seu voto, o ministro apontou a ditadura militar, que durou 20 anos no Brasil, foi “um período hediondo”. Durante os 20 anos de ditadura as liberdades civis foram suprimidas, enquanto o poder ditatorial dos militares matou, perseguiu, exilou e torturou brasileiros.

Com o voto do ministro Flávio Dino já são três com o mesmo entendimento. A análise da ação pelo plenário virtual começou sexta-feira, tendo votado antes dele os ministros Luiz Fux e Luiz Roberto Barroso.

Bastidores começam a especular sobre vices de Braide e Duarte Jr.

Eduardo Braide e Duarte Jr. nada
disseram ainda sobre vice

 No final de semana prolongado muitas conversas foram travadas nos bastidores sobre o tema eleição em São Luís. Um deles foi a escolha de vices. E como não poderia deixar de ser, os vices do prefeito Eduardo Braide (PSD), candidato à reeleição, e o do deputado federal Duarte Jr. (PSB), foram os mais especulados.

Em relação ao prefeito Eduardo Braide, a especulação dominante foi a de que ele estaria mesmo decidido a manter a chapa tendo como vice a professora Esmênia Miranda (PSD). Ela exercendo fielmente o papel de vice-prefeita, principalmente por se manter uma aliada fiel do prefeito, a quem costuma representar em eventos importantes. Há também que ache que o prefeito poderá mudar o seu companheiro de chapa, o que parece improvável.

Já em relação a Duarte Jr., as especulações sobre escolha de vice são intensas e variadas. A mais corrente diz que o vice do candidato do PSB sairá dos quadros do PT, mas ninguém se arrisca a citar nomes. Já se especulou sobre o interesse do PCdoB, mas isso teria mudado. O MDB estaria articulando para indicar o seu representante na chapa. E, finalmente, há quem diga que o vice de Duarte Jr. será indicado diretamente pelo governador Carlos Brandão (PSB).

Detalhe importante: todos concordam que a escolha não será feita agora.

São Luís, 01 de abril de 2024.

Camarão assume coordenação política e dá um reforço especial na campanha de Duarte Jr.

Felipe Camarão vai coordenar
politicamente a campanha de Duarte Jr.

O projeto do deputado federal Duarte Jr. (PSB) de chegar à Prefeitura de São Luís ganhou, na noite de quarta-feira, um reforço importante e que pode ser decisivo: o vice-governador Felipe Camarão (PT) assumiu a coordenação política da pré-candidatura do parlamentar socialista. O vice-governador vai atuar como o articulador político, enquanto o governador Carlos Brandão (PSB) permanecerá na coordenação geral da campanha. Essa decisão foi tomada numa reunião de avaliação do projeto de candidatura até aqui. A escolha do vice-governador Felipe Camarão se deu por unanimidade, principalmente com base no fato de que ele vem tendo um desempenho surpreendente na área política, principalmente no que diz respeito aos posicionamentos do PT, onde já ocupa o espaço de liderança respeitável. Além disso, deixa o governador Carlos Brandão com mais tempo para articulações de candidaturas aliadas em todos os 217 municípios, uma tarefa gigantesca e desafiadora.

Como coordenador político da campanha do governista Duarte Jr., o vice-governador Felipe Camarão deverá cumprir uma longa e recheada agenda de contatos com lideranças partidárias, vereadores e deputados estaduais e federais, líderes comunitários e sindicais, líderes empresariais e dos segmentos que reúnem profissionais liberais de modo a reforçar a base do projeto eleitoral. Com esse apoio, Duarte Jr. vai se dedicar com mais afinco ao trabalho nas redes sociais, onde trafega com facilidade e eficiência. Como vice-governador há um ano e três meses e como secretário de Estado de Educação há mais de oito anos, Felipe Camarão conhece todos os caminhos que levam aos nichos políticos do Maranhão, em especial em São Luís.

Com o apoio do governador Carlos Brandão na coordenação geral e o suporte do vice-governador Felipe Camarão na coordenação política, a candidatura de Duarte Jr. ganha um lastro invejável, podendo dar à campanha uma dinâmica que pode levar o candidato a uma relação mais direta com o eleitorado. A partir de agora, o que deverá acontecer é a guerra pelo voto propriamente dito, o mano-a-mano e o olho-no-olho com os eleitores. E a explicação óbvia para isso é que o prefeito Eduardo Braide, que lidera as pesquisas, há muito deixou o gabinete e tem cumprido uma agenda diária de visita a frentes de trabalho e de inauguração de obras, mantendo contato direto com eleitores e seus líderes. Vem construindo uma base política sólida, inclusive com um olho mirando um objetivo político-eleitoral bem maior nos próximos anos.

Nos bastidores da campanha de Duarte Jr. corre informações sobre uma pesquisa qualitativa que avaliaria a posição do candidato socialista como positiva e com tendência ao crescimento. Da sua parte, o prefeito Eduardo Braide monitora o cenário da chamada “pré-campanha” e, pelo que se houve de aliados seus, ele tem tido motivos para manter o astral em estado elevado, principalmente por causa da consistência com que se mantém na liderança. Daí a necessidade que o candidato opositor, que aparece em segundo em todas as pesquisas, tem de incrementar as suas articulações com o objetivo de reverter esse cenário a seu favor. O prefeito de São Luís sabe ler percentuais e já conhece como poucos os caminhos do voto na Capital, onde está a sua base eleitoral.

Vale anotar que, além do objetivo de colocar o candidato governista no segundo turno e em seguida no Palácio de la Ravardière, o vice-governador Felipe Camarão alimenta também o propósito de ocupar todos os espaços políticos possíveis visando pavimentar a estrada que o levará às urnas em 2026, quando deverá disputar o Governo do Estado como candidato à reeleição, numa aliança na qual o governador Carlos Brandão pretende desembarcar no Senado da República. O vice-governador certamente receberá um reforço importante se o aliado socialista Duarte Jr. estiver na Prefeitura de São Luís.

PONTO & CONTRAPONTO

Possibilidade real de perder mandato revolta deputados estaduais eleitos pelo PSC

Fernando Braide e Wellington do Curso:
revolta por mandatos ameaçados

O deputado estadual Fernando Braide (PSD) está inconformado com a ameaça iminente de perder o seu mandato por causa das traquinagens que os dirigentes do PSC, partido pelo qual se elegeu, fizeram com a quota de gênero, colocando na chapa algumas mulheres que não eram de fato candidatas. A Justiça Eleitoral já formou maioria pela condenação, dependendo agora da retomada do julgamento – suspenso por um pedido de vistas – para que os votos do PSC para deputado estadual sejam anulados e, por via de consequência, os deitados Fernando Braide e Wellington do Curso percam seus mandatos.

É justa a indignação do deputado Eduardo Braide. Ele pode perder um mandato suado, batalhado e conquistado numa campanha de muito trabalho. A trama armada pelos dirigentes do PSC para enxertar “candidatas faz de conta” na chapa foi feita à revelia dos demais candidatos, que agora estão “pagando o pato” pela bandalheira.

Se a degola for consumada, Fernando Braide perderá o, mandato e terá de aguardar as eleições de 2026 para tentar mais uma vez conquistar um mandado íntegro. A mesma situação está vivendo o deputado Wellington do Curso, que está no mesmo barco.

Como Eduardo Braide, que migrou para o PSD, mesmo que isso em nada mude a situação do parlamentar. O deputado Wellington do Curso, já prevendo a perda do mandato, ele se filiou ao Novo, pelo qual pretende disputar a Prefeitura de São Luís com o aval das lideranças do partido.

Os próximos dias serão dramáticos para os dois deputados.

Josimar volta de licença insinuando candidatura ao Senado

Josimar de
Maranhãozinho

Depois de uma folga de 121 dias, tempo em que sua vaga foi ocupada pelo suplente de Paulo Marinho Jr. (PL), o todo-poderoso deputado federal Josimar de Maranhãozinho, presidente do PL do Maranhão e influente numa penca de prefeituras, está de volta ao cenário político. Ele retomou a vida parlamentar espalhando o que pode ser um projeto para valer ou um factoide: será candidatura ao Senado.

No meio político poucos são os que acreditam nesse projeto. Muitos ainda apostam alto no potencial eleitoral do chefe do PL – ele e a sua mulher, a deputada Detinha somaram quase 400 mil votos para deputada federal -, mas alguns já enxergam sinais de decadência na sua trajetória e não acreditam que ele venha, de fato, a entrar na briga por uma das vagas de senador em 2026.

Vale lembrar que as vagas de senador serão disputadas pelo governador Carlos Brandão, pelo ministro André Fufuca (PP) e, claro, pela senadora Eliziane Gama (PSD) e pelo senador Weverton Rocha (PDT), havendo quem diga que novos candidatos estão se preparando para entrar na ciranda eleitoral majoritária.

O que é verdade é que no seu período de licença, Josimar de Maranhãozinho correu para preparar suas bases para as eleições municipais. E nessa maratona, ele distribuiu tapinhas nas costas, dançou em templo evangélico e amargou uma experiência perversa, sinal dos novos tempos: foi vaiado várias vezes.

São Luís, 29 de Março de 2024.

Se Neto Evangelista consultar Brandão sobre Prefeitura, ouvirá que não deve ser candidato

Neto Evangelista quer ouvir Carlos Brandão,
que já apoia Duarte Jr à Prefeitura

Por mais que os passos do deputado estadual e líder do Governo na Assembleia Legislativa Neto Evangelista (União Brasil) e dos líderes do seu partido no Maranhão – o deputado federal Pedro Lucas Fernandes e o ministro Juscelino Filho (Comunicações) – mexam com o cenário da corrida à Prefeitura de São Luís, não há nenhuma dúvida de que, no que diz respeito ao governador Carlos Brandão (PSB), a situação está resolvida no campo governista, e a essas alturas sem qualquer possibilidade de retrocesso. Ou seja, se a candidatura do deputado Neto Evangelista depender do aval do chefe do Poder Executivo estadual, ele não será candidato, devendo, se preferir, continuar na liderança do Governo, um cargo importante e politicamente influente.

E a explicação para isso é simples, sem qualquer complicação: o governador Carlos Brandão tem um candidato, o deputado federal Duarte Jr. (PSB) e de cuja campanha é o coordenador. Isso significa dizer que ele vai jogar todo o peso do grupo político que lidera para turbinar o candidato governista na disputa pelo Palácio de la Ravardière. Para isso, tem trabalhado intensamente para reunir as forças governistas em torno do candidato socialista, cumprindo cada um dos compromissos que assumiu com a direção nacional do PSB, que transformou a candidatura de Duarte Jr. numa das suas prioridades em todo o País.

Pelo que se ouve nos bastidores partidários, o governador Carlos Brandão nada tem contra a aspiração do deputado Neto Evangelista de ser prefeito de São Luís. Reconhece nele uma liderança forte na Capital, com bom nível de articulação, lembrando que o parlamentar foi o terceiro colocado em 2020. Mas ser ou não ser candidato a prefeito será uma decisão pessoal e ratificada pelo partido dele. Se houver a conversa prevista por Neto Evangelista com o governador Carlos Brandão, é muito provável que ele se prepare para o próximo pleito, permaneça na liderança do Governo no parlamento estadual e, se possível for, apoie o candidato do PSB. Será um roteiro mais seguro e tranquilo para o parlamentar.

No campo eleitoral propriamente dito, todas as análises ouvidas pela Coluna sugerem que Neto Evangelista dificilmente reuniria cacife eleitoral para quebrar a polarização já desenhada entre o prefeito Eduardo Braide (PSD), que aparece na liderança em todas as pesquisas, e o deputado federal Duarte Jr., colocado em segundo, mas numa distância continental dos demais candidatos. Ou seja, se vier a ser candidato, Neto Evangelista poderá até mesmo liderar o pelotão da retaguarda, mas dificilmente ameaçará a disputa renhida entre o prefeito e o parlamentar federal. Mesmo levando em conta as voltas que a ciranda da política costuma dar.

Ao contrário de 2020, quando a base governista se dividiu na disputa em São Luís, o que acabou facilitando a já prevista eleição do então deputado federal Eduardo Braide (PMN), a candidatura do deputado federal Duarte Jr. está bem mais consistente, sustentada por uma sólida base partidária e tratada pela direção nacional do PSB como uma prioridade, ao que se soma o apoio importante do PT, avalizado até pelo Palácio do Planalto. Ou seja, trata-se de uma candidatura que em certa medida vai além do projeto pessoal de Duarte Jr.. Daí a solicitação da direção nacional do PSB para que o governador Carlos Brandão assumisse a coordenação da campanha, o que foi aceito prontamente e colocado em prática o processo de mobilização.

No contraponto, o prefeito Eduardo Braide avança com visível desenvoltura, atuando como quem está movido pela convicção de que tem a reeleição ao seu alcance. Com um caixa robusto e um programa de obras com os pés no chão, o prefeito tem a clara noção de que enfrentará um candidato bem mais forte do que o de 2020.

PONTO & CONTRAPONTO

Assembleia autoriza Brandão contratar empréstimo de R$ 1,9 bi com o Banco do Brasil

Iracema Vale anuncia aprovação de empréstimo

O Governo do Estado está autorizado a contrair empréstimo no valor de R$ 1,9 bilhão junto ao Banco do Brasil para bancar a manutenção do equilíbrio fiscal, assegurar transparência e controle social, bem como reforçar o equilíbrio das contas públicas. A autorização se deu com a aprovação, pela Assembleia Legislativa, do Projeto de Lei nº 152/2024, proposto pelo Poder Executivo. A operação terá o aval da União.

O projeto motivou um debate provocado pelo deputado Othelino Neto (PCdoB), que votou contra. Na sua fala, o parlamentar fez questão de dizer que não votava contra o projeto em si, mas contra a forma como ele tramitou na Casa. O deputado Roberto Costa (MDB) contestou a posição de Othelino Neto fazendo um retrospecto de 2010 para cá. “Estou aqui desde 2010. Já votei inúmeros projetos de autorização de empréstimo e todos eles tramitaram exatamente como esse está tramitando”, disse o parlamentar emedebista, lembrando que isso aconteceu no período em que o deputado Othelino Neto foi presidente.

O líder do Governo, deputado Neto Evangelista (UB) criticou o que ele chamou de tentativa de “demonizar” o projeto de empréstimo e lembrou que outros projetos com essa finalidade não foram discutidos

Colocado em votação pela presidente Iracema Vale (PSB), o PL foi aprovado por 34 votos. Três deputados votaram contra: Othelino Neto é o principal nome da dissidência aberta na base do Governo; Fernando Braide é irmão do prefeito Eduardo Braide e faz oposição aberta ao Governo Brandão, e Wellington do Curso, que manteve a tradição de não aprovar autorização para empréstimo. A única abstenção foi do deputado Yglésio Moyses (PSB)

Aprovado, o PL foi encaminhado ontem m esmo para a sanção do governador Carlos Brandão.

MP manda lista sêxtupla para o Tribunal de Justiça

Palácio Clóvis Bevilacqua, sede do
Tribunal de Justiça do Maranhão

Ao contrário da OAB, o Ministério Público Estadual encaminhou ao Tribunal de Justiça do Maranhão ofício no qual o procurador-geral de Justiça, Eduardo Nicolau, formaliza a lista sêxtupla do MPMA para o preenchimento da vaga do Quinto Constitucional no colégio de desembargadores do TJMA.

A vaga foi aberta pelo Órgão Especial do Tribunal em dezembro de 2023, criada pela Lei Complementar nº 242/2022 e regulamentada pela Resolução-GP 8/2023.

O documento informa que a lista foi aprovada pelo Conselho Superior do MPMA, em sessão extraordinária realizada em 25 de março de 2024, com a observância dos requisitos legais.

Integram a lista sêxtupla encaminhada pelo Ministério Público: a procuradora de justiça Maria Luiza Ribeiro Martins, a promotora de justiça Maria da Graça Peres Soares Amorim, o promotor de Justiça Ednarg Fernandes Marques, a procuradora de justiça Mariléa Campos dos Santos Costa, o promotor de justiça Pablo Bogéa Pereira Santos e o procurador de justiça Marco Antônio Anchieta Guerreiro.

Diante da lista do Ministério Público, o Tribunal de Justiça cobrou da OAB providência para a lista com os seis advogados indicados para a vaga de desembargador. Isso porque a lista enviada em dezembro passado incluiu um advogado que não poderia ser candidato Pá vaga de desembargador.

São Luís, 28 de Março de 2024.

Neto Evangelista diz que está na disputa em São Luís, mas decisão será tomada com Brandão

Neto Evangelista diz que está na disputa,
mas que palavra final será de Carlos Brandão

“Continuo na disputa”. A declaração, curta e direta, do deputado estadual e líder do Governo na Assembleia Legislativa Neto Evangelista (União Brasil), dada ontem ao bem informado jornalista Marco D`Eça, não apenas confirmou o racha no partido, com seus dois caciques – os deputados federais Pedro Lucas Fernandes, que o preside no estado, e Juscelino Filho, ministro das Comunicações – se posicionando em campos adversários, mas também abre a possibilidade de a polarização da disputa entre o prefeito Eduardo Braide (PSD) e o deputado federal Duarte Jr. (PSB) sofrer um forte abalo. Mais tarde, Neto Evangelista disse ao jornalista John Cutrim que sua posição será definida em conversa com o governador Carlos Brandão (PSB). A primeira declaração do deputado Neto Evangelista gerou certo impacto nas fileiras governistas, por causa da sua condição de líder do Governo na Assembleia Legislativa. Mas a segunda recolocou os pingos nos is.

Quando o deputado Neto Evangelista aceitou assumir a liderança do Governo na Assembleia Legislativa, um cargo politicamente importante e influente, a conclusão óbvia foi a de que se havia chegado a um acordo dentro do partido do União Brasil. A surpreendente intensidade com que Neto Evangelista estreou na função, tentando enquadrar deputados do PSB e do PCdoB, sugeriu que ele, de fato, havia arquivado o projeto de se candidatar novamente à Prefeitura de São Luís. A repetição do confronto de 2020 entre o agora prefeito Eduardo Braide e o agora deputado federal Duarte Jr. poderia ter sido um dos motivos da eventual desistência.

Tudo mudou com dois eventos ocorridos na segunda-feira. Entrevistado no telejornal matinal da TV Mirante, o ministro Juscelino Filho (Comunicações), que comanda uma banda do União Brasil no Maranhão, defendeu a candidatura do deputado Neto Evangelista à Prefeitura de São Luís, causando um forte zumzum nos bastidores da política municipal. Num total contraponto, à noite, o deputado federal Pedro Lucas Fernandes, chefe da outra banda do UB maranhense e formalmente presidente do partido no estado, participou de uma reunião no Palácio dos Leões, com vários dirigentes partidários, na qual foram definidas estratégias para fortalecer a candidatura do socialista Duarte Jr..

Em meio a esse sinal forte se racha no partido, o deputado Neto Evangelista, que até então vinha mantendo posição discreta em relação à corrida ao Palácio de la Ravardière, deu o sopro definitivo para a formação de uma tempestade perfeita dentro do União Brasil, ao declarar para o jornalista Marco D`Eça o bombástico “Estou na disputa”, mais tarde amenizado pela disposição de conversar com o governador Carlos Brandão. Se ele está mesmo para valer na corrida, ou não, o fato é que sua declaração deu força ao ministro Juscelino Filho no jogo interno do partido, colocando, ao mesmo tempo, o deputado federal Pedro Lucas Fernandes numa posição incômoda perante os seus aliados na frente governista, a começar pelo próprio governador Carlos Brandão (PSB), que é o coordenador do candidato socialista.

Governistas graúdos não descartam, mas avaliam como improvável a eventual candidatura de Neto Evangelista. Primeiro porque não acreditam que ele, mesmo sendo um político jovem, experiente e com forte militância em São Luís, tenha condições de virar uma disputa já marcada por  uma polarização que virou uma espécie de “tira-teima”, tendo de um lado o prefeito Eduardo Braide, que é bem avaliado e tem o comando absoluto da máquina municipal, e de outro o deputado federal Duarte Jr., com forte penetração nas redes sociais e com o apoio do Palácio dos Leões e da aliança partidária governista. E depois porque seria uma posição equivocada largar a prestigiada liderança do Governo na Assembleia Legislativa para entrar num embate em que suas chances são bem modestas, dado o rumo que a disputa vem tomando.

Nesse contexto de falas e reações, o que está consolidado é o seguinte: na conversa que terá com o governador Carlos Brandão, Neto Evangelista deve expressar sua vontade de ser candidato, mas certamente ouvirá do chefe do Executivo que permaneça líder do Governo na Assembleia Legislativa.

PONTO & CONTRAPONTO

PCdoB comemora 122 anos bem vividos

PCdoB atual é fruto do trabalho de Márcio Jerry,
Othelino Neto, Rodrigo Lago e Júlio Mendonça, seus representantes na Câmara Federal e Alema

Uma sessão solene realizada ontem na Assembleia Legislativa comemorou os 122 anos do Partido Comunista do Brasil, o PCdoB, “velho de guerra”.

Uma homenagem justa, principalmente se levado em conta o fato de que ao longo desse período o Brasil, primeiro como parte do e depois como uma dissidência do PCB criado pelo revolucionário general Luiz Carlos Prestes, viveu o fim da Velha República, encarou os quase dez anos do Estado Novo de Getúlio Vargas, reestabeleceu a democracia, tendo nesse período vivenciado um Getúlio Vargas democrata, a locomotiva progressista de Juscelino Kubitschek, a expectativa frustrada de Jânio Quadros, a inclinação esquerdizante de João Goulart, o golpe de 64 e 20 anos de ditadura militar, a eleição de Tancredo Neves, a redemocratização de 86 com José Sarney e a Constituinte, o furacão sem norte de Collor de Mello, o equilíbrio de FHC, os anos do PT com Lula da Silva e Dilma Rousseff, o golpe parlamentar contra Dilma Rousseff, o conturbado interregno Michel Temer, o desembarque da extrema direita comandada por Jair Bolsonaro, a volta de Lula da Silva e do PT ao poder pelo voto direto e a tentativa frustrada de golpe de Jair Bolsonaro, após derrota nas urnas.

Em todos esses altos e baixos da história política do Brasil neste último século o PCdoB esteve ativo, mostrando a cara nos períodos democráticos e atuando clandestinamente quando ditaduras e governos conservadores o tornaram inexistente. Nada, porém desfez o PCdoB, uma dissidência do PCB criado pelo lendário Luiz Carlos Prestes.

Na redemocratização de 1986, o primeiro ato político partidário do presidente José Sarney foi tirar o PCdoB da clandestinidade, legalizando-o como partido político. Uma decisão que prestigiou o velho e ativo partido, mas que também que mostrou ao mundo que o Brasil estava, de fato, iniciando num longo, agitado, mas firme, processo de redemocratização, que continua até os dias de hoje.

No Maranhão, o PCdoB sempre teve atuação forte na cena política. E nos tempos mais recentes, o estado se tornou, sob a liderança de Flávio Dino, o mais importante braço do partido na Federação. O PCdoB chegou ao Governo do Estado, foi e continua representado na Câmara Federal, foi maioria e ainda tem uma das maiores bancadas na Assembleia Legislativa, diferentemente do que acontece nos demais estados. Perdeu força com a circunstancial migração de Flávio Dino para o PSB, mas permanece uma legenda atuante.

Grande parte dessa atuação diferenciada no Maranhão se deve ao trabalho incansável e politicamente correto do hoje deputado federal Márcio Jerry, avalizado pelo líder Flávio Dino e apoiado por quadros importantes, como os deputados estaduais Rodrigo Lago, Othelino Neto – que levou o PCdoB ao comando da Assembleia Legislativa, caso único em todo o País -, e Júlio Mendonça.

Uma homenagem mais que justa a um partido que há mais de um século vem mostrando que é a ideologia a base existencial de uma agremiação partidária.

Câmara concede cidadania ludovicense a Andreia Noleto

Andreia Noleto entre Marcus Brandão, Iracema Vale,
Francisco Carvalho, Paulo Victor, Karla Sarney
e Heloísa Brandão na entrega do título de cidadania

A família Brandão foi referência, ontem, na Câmara Municipal de São Luís, com a entrega do título de Cidadã Ludovicense à enfermeira, empresária e ativista política colinense Andréia Noleto, esposa do empresário Marcus Brandão, presidente regional do MDB e irmão e principal conselheiro do governador Carlos Brandão. O título foi concedido pelo parlamento a partir de proposta formulada pelo vereador Francisco Carvalho (Solidariedade).

Comandada pelo presidente Paulo Victor (PSB), a sessão foi marcada pela presença de familiares e amigos da homenageada, como a matriarca da família, Heloísa Brandão, mãe do governador Carlos Brandão, e a presidente da Assembleia Legislativa, deputada Iracema Vale (PSB).

O vereador Francisco Carvalho justificou a concessão argumentando que Andreia Noleto é reconhecida por seu trabalho voltado para comunidades precisam de ajuda, tendo também méritos na sua ação política, ao lado do marido Marcus Brandão (MDB), o atual presidente do MDB no Maranhão.

Na fala em que justificou a homenagem, Francisco Carvalho se referiu a Andreia Noleto como o exemplo de cidadania e declarou, visivelmente emocionado: “Deus quis que fosse eu o autor da concessão dessa comenda para a homenageada desta tarde”.

Emocionada, a homenageada agradeceu ao vereador Francisco Carvalho e ao presidente Paulo Victor.  “Considero este um dos mais importantes, marcantes e inesquecíveis da minha vida familiar. Afinal, não é todo dia que se recebe um título de cidadão que equipara a pessoa agraciada a uma adoção oficial”, declarou a homenageada.

São Luís, 27 de Março de 2024.

Declaração de Juscelino Filho pode recolocar Neto Evangelista na disputa em São Luís

Juscelino Filho quer Neto Evangelista candidato

Uma declaração do ministro das Comunicações Juscelino Filho, ontem, ao telejornal matutino da TV Mirante, pode dar uma mexida expressiva nas peças que se movem no tabuleiro da disputa para a Prefeitura de São Luís. Disse o ministro, que é deputado federal e um dos graúdos do União Brasil (UB) no plano nacional e no Maranhão: “Aqui em São Luís nós temos um grande quadro, que é o deputado estadual Neto Evangelista. Eu tenho defendido internamente no União Brasil que a gente coloque o nome do deputado Neto Evangelista à disposição da população com uma candidatura própria”. A declaração do ministro Juscelino Filho veio acompanhada de um reforço: ele previu que dentro de alguns dias a decisão de lançar ou não lançar candidato à Prefeitura de São Luís será tomada em conjunto pelas cúpulas estadual e nacional do UB. E deixou claro que se a opção for por lançar candidato próprio, esse será o deputado Neto Evangelista.

O deputado Neto Evangelista esperou muito tempo por essa posição do partido. Até três semanas atrás, quando lhe perguntavam sobre ser candidato ou não, ele sempre deixava no ar que estava aguardando uma decisão do partido. E a possibilidade do partido para lhe dar a vaga de candidato chegou duas semanas após o deputado Neto Evangelista ter aparentemente desistido de ser candidato a prefeito ao aceitar o convite do governador Carlos Brandão para ser o líder do Governo na Assembleia Legislativa, cargo que aceitou e no qual já estreou dando forte impressão de que nele pretende continuar. A política, porém, é dinâmica e pode mudar cenários a qualquer momento.

Nesse momento, o futuro da Prefeitura de São Luís encontra-se no resultado da disputa entre o prefeito Eduardo Braide (PSB), que lidera a corrida em busca da reeleição, e o deputado federal Duarte Jr. (PSB), que está em segundo, mas aposta alto numa reviravolta que o leve ao Palácio de la Ravardière. Se Neto Evangelista fosse candidato, todos os indicativos sugerem que ele estaria na terceira colocação, próximo ou distante do segundo colocado. É improvável que agora, se vier a se tornar candidato, ele promova uma mudança no quadro da polarização, uma vez que o eleitorado parece haver entendido que o ideal será repetir a peleja de 2020, na qual o então deputado federal Eduardo Braide levou a melhor na disputa em segundo turno.

O ministro Juscelino Filho não falou no assunto por acaso. Mesmo não tendo atualmente cargo na Executiva estadual do União Brasil, da qual já foi presidente, uma declaração dessa envergadura não seria dada sem motivação. O presidente estadual do partido, deputado federal Pedro Lucas Fernandes, não se manifestou sobre o assunto,   mesmo sabendo que o deputado Neto Evangelista estava trabalhando para se tornar o candidato do partido. Não tivesse ele assumido a liderança do Governo, cargo com enorme poder de fogo no cenário político maranhense, o caminho natural dele seria correr atrás da candidatura à Prefeitura de São Luís.

Agora, a situação é bem diferente. O deputado Neto Evangelista é o todo-poderoso líder do Governo na Assembleia Legislativa, função que o torna a ponte entre o governador e o parlamento estadual, orientando a gigantesca e heterogênea bancada governista, que chega a quase 40 dos 42 deputados. É improvável que, na posição em que se encontra, o deputado Neto Evangelista protagonize uma reviravolta radical, deixe o influente cargo de líder e entre numa disputa já desenhada entre dois candidatos fortes e na qual a polarização parece não deixar margem para um terceiro pretendente. Ele viveu essa situação em 2020 e tem a noção exata do que  pode ganhar e o que pode perder.

Não é demais lembrar que a ciranda da política às vezes é envolvente o suficiente para gerar situações imprevistas. Daí ser prudente aguardar um pouco mais os ecos das declarações do ministro Juscelino Filho.

PONTO & CONTRAPONTO

Líderes do UB estão divididos em relação à disputa em São Luís

Pedro Lucas Fernandes quer Duarte Jr. candidato

O União Brasil está dividido em relação à disputa para a Prefeitura de São Luís. Dois fatos políticos mostraram isso ontem, a entrevista do ministro das Comunicações Juscelino Filho (UB) ao telejornal matutino da TV Mirante e a presença do deputado federal Pedro Lucas Fernandes (UB) numa reunião, à noite, no Palácio dos Leões.

Na entrevista à TV Mirante, o ministro Juscelino Filho defendeu a candidatura do líder do Governo, deputado Neto Evangelista (UB) à Prefeitura de São Luís, acrescentando que essa decisão será tomada em breve e em conjunto pelas cúpulas estadual e nacional do partido.

Só que na reunião da noite, comandada pelo governador Carlos Brandão, o assunto principal foi a mobilização política e partidária em torno da candidatura do deputado federal Duarte Jr. (PSB) ao Palácio Henrique de la Rocque. A presença do deputado federal Pedro Luca Fernandes, que preside o União Brasil no Maranhão, significa, claro, o apoio do partido ao candidato do PSB.

Se o ministro Juscelino Filho defendeu a improvável candidatura do líder do Governo Neto Evangelista, é porque não apoia a candidatura do deputado socialista Duarte Jr., que, aliás, é avalizada por ninguém menos que o presidente Lula da Silva (PT), seu chefe. O mesmo se pode dizer do deputado federal Pedro Lucas Fernandes em relação ao deputado Neto Evangelista.

Em algum momento os chefes maranhenses do União Brasil vão bater martelo em torno de um nome.

Prefeita do Paço tenta se passar por vítima, mas errou feio com o grupo que a apoiou

Paula Azevedo:
reclamando de aliados

A prefeita de Paço do Lumiar, Paula Azevedo (PCdoB), também conhecida como Paula da Pindoba, divulgou carta aberta reclamando do apoio do governador Carlos Brandão à candidatura do empresário Fred Campos (PSB) à sua sucessão. Ela quer simplesmente filiar o vereador Jorge Maru ao PT, de modo a que ele seja candidato à sua sucessão pela Federação Brasil Esperança, da qual ela faz parte como filiada ao (PCdoB), mas cujos líderes já declararam apoio a Fred Campos.

Uma reclamação que não faz sentido, primeiro por que Fred Campos é filiado ao PSB, partido do governador, e segundo, porque ela foi reiteradas vezes convidada a participar dessa aliança. Paula Azevedo entendeu que no comando da Prefeitura tem força para eleger o prefeito de Paço do Lumiar, independente de quem seja o adversário.

Num dos trechos da carta, a prefeita lembra que teve “participação decisiva” na eleição de Flávio Dino para o Senado, de Carlos Brandão para o Governo e de Felipe Camarão para vice-governador. Errado. Se alguém deve alguma coisa a alguém nessa história, é exatamente Paula Azevedo. Ela foi colocada por Flávio Dino como vice de Domingos Dutra em 2016, ainda se chamando Paula da Pindoba. Em meados de 2018, Domingos Dutra adoeceu e teve de renunciar. Paula da Pindoba assumiu o cargo e graças ao enorme esforço de Flávio Dino, do PCdoB – ao qual ela se filiou – e de aliados, ela foi se consolidou no cargo e foi reeleita em 2020. E, logo nos primeiros meses do novo mandato começou a dar sinais de que contrariaria o grupo, o que aconteceu. Faz agora o papel pouco inadequado de “líder traída”.

A prefeita tem todo o direito de reclamar, mas jogou mal, decidiu que tinha cacife para enfrentar seus aliados e agora está sentindo o peso da sua escolha. Os próximos meses dirão se ela estava certa ou errou feio.

São Luís, 26 de Março de 2024.

Alianças surpreendentes, rachas inexplicáveis e filiações inesperadas marcam cenário para as eleições

Na foto superior a surpreendente aliança
Ricardo Murad (e) e Luizinho Amovelar (d)
para enfrentar Edimar Franco (PSB),
apoiado por Lurdinha Pereira (PCdoB),
Carlos Lula e Orleans Brandão (MDB)

Os primeiros movimentos “para valer” no tabuleiro político-partidário do Maranhão visando as eleições municipais têm surpreendido por algumas montagens que estão juntando no mesmo balaio o que até pouco tempo era inadmissível. Mas num contexto em que os políticos se sobrepõem aos partidos, os primeiros acordos estão trazendo à tona alianças espantosas, como a dos Amovelar (PT) e os Murad em Coroatá, para enfrentar o candidato apoiado pela agora 1ª suplente de senador Lurdinha Pereira (PCdoB), apoiada pelo PSB e pelo MDB. São situações estranhas, mas que em política ganham explicações fáceis em pouco tempo, independente de que deem certo ou não. Existem também rachas inexplicáveis, como o de Imperatriz.

Difícil compreender, à primeira vista, uma aliança reunindo o ex-prefeito Ricardo Murad e o prefeito Luizinho da Amovelar (PT) em Coroatá, adversários com tom de inimizade. A explicação pode estar na força do adversário, Edimar Franco (PSB), apoiado pela vereadora e presidente da Câmara Municipal, Lurdinha Pereira (PCdoB), que dobrou seu cacife ao ascender à 1ª suplência da senadora Ana Paula Lobato (PSB). No poder há quase 16 anos, tendo o pai, Luiz, passado o poder para o filho Luizinho da Amovelar (PT), a família tenta sobreviver lançando uma sobrinha, Aryanna Amovelar, que se junta com Ricardo Murad, que pretende voltar ao poder emplacando a filha como vice. É quase impossível prever o desfecho desse emaranhado, que tem partidos da base governista nos dois lados.

A primeira surpresa foi a equação que juntou e vem mantendo alinhados os grupos Gentil, liderado pelo prefeito Fábio Gentil (Republicanos) e Coutinho, hoje representado pela ex-deputada Cleide Coutinho (PDT). Adversários históricos, que jamais fizeram concessões um ao outro, agora se juntam lançando Gentil Neto, indicado pelo prefeito Fábio Gentil, devendo o grupo Coutinho indicar o vice. No campo adversário vários grupos se juntam em torno do ex-vice-prefeito e suplente de deputado federal Paulo Marinho Jr. (PL), que aos poucos vai juntando ex-governistas, como o ex-deputado Adelmo Soares (PCdoB) e o suplente de deputado estadual e ex-secretário de Estado de Turismo Catulé Jr.. Há quem diga que a aliança Gentil/Coutinho é sólida, mas há também quem pense que ela poderá ser desmanchada. A conferir.

Ao mesmo tempo em que adversários se juntam em alianças surpreendentes, como em Caxias e Coroatá, ninguém consegue uma explicação lógica para o racha monumental que ganha corpo em Imperatriz, o segundo mais importante colégio eleitoral do Maranhão. Ali, o PP, controlado pelo ministro André Fufuca, banca o deputado estadual Rildo Amaral, que disputa a liderança com o deputado federal Josivaldo JP (PSD), apoiado por grupos de direita radical identificados com o bolsonarismo, e que tem fôlego para crescer e até vencer a eleição. Esse quadro poderia mudar se o ex-deputado Marco Aurélio, que deixou o PSB e retornou ao PCdoB, negociasse um acordo com Rildo Amaral, somando os seus potenciais eleitorais. Ocorre que Marco Aurélio, agora com o apoio da senadora Ana Paula Lobato e de parte do PSB, bateu pé e reafirmou sua candidatura, posição que pode fortalecer Josivaldo JP, que já estaria na cabeça da disputa.

Nesse quebra-cabeça monumental, chamam a atenção também algumas filiações ao PT, que podem mudar o curso da corrida eleitoral em alguns municípios importantes. Numa guinada espetacular, o partido recebeu nos seus quadros ninguém menos que Chiquinho da FC, um dos maiores empresários do Maranhão, responsável por 1.700 empregos diretos no seu grupo de empresas. Agora no PT, fazendo o L com a maior facilidade, Chiquinho da FC pode virar a mesa em Codó, onde o prefeito Zé Francisco (PSD) lidera a corrida, seguindo as pesquisas feitas até aqui. Nada menos que dois ex-prefeitos – Zito Rolim e Biné Figueiredo – declararam-lhe apoio após a guinada partidária. Também chama a atenção a migração para o PT da ex-prefeita de Rosário, Irlair Moraes, que nasceu, cresceu e até semana passada militava no MDB.

E como se não bastasse, até os pequenos partidos, sem qualquer chance de chegar ao poder estão se estranhando.  Em São Luís, onde o cenário é de polarização entre prefeito Eduardo Braide (PSD), que lidera, segundo as pesquisas, e o deputado federal Duarte Jr. (PSB), apoiado pelos Governo do Estado e da União, o PSOL e Rede, que formam uma federação nanica, resolveram medir força. A faísca na pólvora se deu depois que a Rede, sem consultar o parceiro, lançou a professora Janiselma Fernandes à Prefeitura. Insatisfeito por não ter sido consultado, o PSOL colocou o servidor público Odívio Neto, que já figurou como candidato a governador. O trabalho agora está com os bombeiros dos dois partidos.

Vale lembrar que esses são apenas alguns os primeiros movimentos da corrida às prefeituras.

PONTO & CONTRAPONTO

Polarização Braide/Duarte Jr. vai dominar mesmo a disputa em São Luís

Eduardo Braide e Duarte Jr.: sem espaço para terceiros

Com a saída do deputado estadual Neto Evangelista, que não conseguiu o aval do União Brasil para ser candidato e assumiu a liderança do Governo na Assembleia Legislativa, a corrida para a Prefeitura de São Luís vai se dar efetivamente entre o prefeito Eduardo Braide (PSD), que busca a reeleição, e o deputado federal Duarte Jr. (PSB), repetindo 2020.

A bolsa de candidatos na Capital está esvaziando rápido. O ex-prefeito Edivaldo Jr. (sem partido) continua sumido e distante, sem sinalizar se será ou não candidato. O deputado estadual Yglésio Moisés não conseguiu ainda resolver o seu problema partidário: permanece amarrado ao PSB, que não o libera nem lhe dará a vaga de candidato. O TRE lhe deu ganho de causa, mas ele corre o risco de sair do partido e perder no TSE e perder o mandato.

O deputado estadual Wellington do Curso vive uma situação curiosa: deixou o PSC e embarcou no Novo para ser candidato a prefeito. Só que o PSC fez lambança com a quota de gênero em 2022 e o parlamentar por ter seus votos anulados e perder o mandato – o TSE já formou maioria pela anulação, mas o julgamento foi suspenso. Mesmo que que venha a perder o mandato, Wellington do Curso poderá ser candidato elo Novo, já que não se tornará inelegível.

Assim, além de Wellington do Curso, Eduardo Braide e Duarte Jr. disputarão votos com o o candidato do PDT, Fábio Câmara, que parece não ter chance de chegar a lugar algum, e os candidatos dos nanicos de extrema esquerda: PSOL, PSTU, PCB, etc…

Maura mata dois coelhos com uma só cajadada ao se filiar ao PP

Maura Jorge e André Fufuca:
interesses casados com perfeição

Dois coelhos com uma só cajadada. Foi assim o resultado da migração da prefeita de Lago da Pedra, Maura Jorge, do PSDB para o PP, pelo qual será candidata à reeleição com largas chances de vitória nas urnas. Por sua vez, o ministro André Fufuca (Esporte) patrocinador da mudança partidária da prefeita, faz as contas e demonstra a convicção de que pode auferir bons resultados políticos e eleitorais.

A presença de Maura Jorge no PSDB não fazia sentido, à medida que, comandado no Maranhão pelo secretário-chefe da Casa Civil Sebastião Madeira, o ninho dos tucanos maranhenses está alinhado ao Palácio dos Leões e ao Governo do presidente Lula da Silva.

Ao se filiar ao PP, Maura Jorge se sente “em casa”. Isso porque, por ser ela bolsonarista assumida, ela se sente à vontade no partido cujo presidente no Maranhão é deputado federal e ministro do Governo do PT. Além disso, o PP tem uma banda bolsonarista ativa, como é o caso do presidente nacional do partido, senador Ciro Nogueira (PI), que não esconde que é alinhado ao ex-presidente Jair Bolsonaro e não poupa críticas ao Governo de Lula da Silva.

É uma situação aparentemente esdruxula, mas que se encaixa no cenário político estadual, principalmente no projeto senatorial do ministro do Esporte em 2026.

São Luís, 24 de Março de 2024.