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Fidel Castro, a Revolução Cubana e o Maranhão político de 1959

 

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Fidel Castro teve influência forte e decisiva sobre a geração que começava na política em 1959 no Maranhão, quando as carta no estado eram dadas pelo victorinismo

Fidel Castro e a Revolução Cubana mexeram fortemente com o mundo. Tornaram-se, nas quatro décadas que restaram do século XX, tema dominante e recorrente na política mundial, e invadiram os primeiros 16 anos deste século, cerca de 5.840 mil dias, já desgastados, sem os apelos revolucionários  de antes, mas importantes o suficiente para produzir o que mais produziram em mais de meio século: debate – travado em conversas pessoais, em rodas ativas, salas de aulas, bancas universitárias, mesas redondas, seminários, congressos temáticos, parlamentos de todos os níveis, diálogos entre chanceleres, primeiros-ministros, reis e papas, sempre com o duro choque de posições apaixonadamente contrárias e sem qualquer possibilidade de convergência. Seus impactos alcançaram rigorosamente todos os recantos dos cinco continentes, causaram fortes rejeições, mas não há dúvidas que o seu avassalador poder de sedução contagiou a grande maioria dos seus contemporâneos. Fidel Castro e a Revolução Cubana entraram na vida do planeta quando o Maranhão um estado primitivo, oligárquico, comandado na prática com mão de ferro pelo lendário e também icônico Victorino Freire e tendo em São Luís a sua Havana. Era como se a ação revolucionária dos jovens cubanos estivesse um século à frente e Fidel Castro fosse algo possível somente décadas depois.

Em 1959, quando, à frente do seu exército de guerrilheiros, Fidel Castro consumou a tomada do poder em Cuba e ganhavam os corações dos cubanos, fazendo se roerem de inveja revolucionários do mundo inteiro,  a vida no Maranhão continuava sem alteração, com o puxa-encolhe da política local muitas vezes fomentado pelo próprio Victorino Freire. Mesmo assim, vozes firmes e corajosas bradavam na planície, eram ouvidas e abafadas quando convinha, não geravam consequências, mas não se entregavam. Maria Aragão, que logo se apaixonou pelo movimento dos cubanos, era na época uma médica de 29 anos, militante clandestina e tenaz do PCB, e que entre xingamentos e palavras carinhosas, alimentava o tom revolucionário que trouxera dos embates no Estado Novo varguista. Manoel da Conceição agricultor que logo de tornaria a expressão maior das Ligas Camponesas no Maranhão, já se batia contra latifundiários. O grande poeta Ferreira Gullar, que participou de todos os movimentos de esquerda no Rio de Janeiro naquele período, curiosamente não publicou nenhum poema naquele ano, limitando sua produção a um cordel: “João Boa Morte. Cabra Marcado para Morrer”.

No histórico 1959 o Maranhão era governado pelo respeitado médico Matos Carvalho (PSD), um moderado que não gostava de briga, mas que tinha como vice um brigão por natureza e temperamento: o jovem e destemido engenheiro caxiense Alexandre Costa. Garantido pelo manto protetor do victorinismo, esse governo tinha base forte no Senado e na Câmara Federal. E justo naquele ano, a situação era tão tranquila no Maranhão que, enquanto cubanos de todas as regiões, cores, religiões e credos políticos engrossavam as fileiras da Revolução sob a liderança de Fidel Castro, as três vagas de senador foram ocupadas por Victorino Freire, Alberto Duailide, Eugênio Barros, Públio Melo (este suplemente de Assis Chateaubriand, eleito em 55), Remi Archer e Sebastião Archer,que foi governador de 1947 a 1951.

Naquele emblemático ano de 1959, o melhor da geração política maranhense de então, que daria as cartas no estado nos próximos tempos encontrava-se na Câmara Federal. O que mais chama atenção é que dos 15 deputados federais, nada menos que 12 eram filiados ao PSD e estavam politicamente alinhados ao infalível senador Victorino Freire. A saber: o ex-governador Aquiles Lisboa, o futuro governador Newton Belo, Miguel Bahury, a lendária raposa Lister Caldas, o diplomata José Rio (que só voltou ao Maranhão para ser chefe da Casa Civil no do Governo João Alberto em 1990), Henrique La Rocque (cuja maciez o transformou num politico habilíssimo), Eurico Ribeiro (que por caminhos de crise chegou a ser governador por um tempo), Clodomir Milet (o cérebro da reforma eleitoral que extirpou milhares de fantasmas com direito a voto), Cid Carvalho (gênio político que seria cassado duas vezes, uma pelos militares em 1966, e outra na CPI dos Anões em 1992, quando era homem forte do PMDB e foi flagrado fazendo corrupção como relator do Orçamento), Cesário Coimbra (médico e militante trabalhista que abraçou o PTB e morreu íntegro), Renato Archer (oficial da Aeronáutica de porte aristocrático, que seria cassado pelos militares, perdeu a disputa do Governo para Luiz Rocha em 82, virou ministro de Sarney em 85 e depois se perdeu no tempo e no espaço) e Jorge Dino (médico respeitado, que foi vice e sucedeu a José Sarney no Governo do Estado em 1970).

Os três não subordinados a Victorino Freire eram exatamente José Sarney, e Pedro Braga ambos da UDN, e Neiva Moreira, na época sem partido, mas sabidamente partidário entusiasmado de Fidel Castro e da Revolução Cubana, que defendeu até morrer.

Como contam os fatos, só José Sarney sobreviveu a Fidel Castro. E a Revolução Cubana está presente no Maranhão pela ação dos mais de 800 médicos que hoje trabalham no estado trazidos pelo programa “Mais Médicos”.

PONTO & CONTRAPONTO

Sarney e Fidel, amigos, amigos; Revolução à parte
Fidel Castro e José Sarney em Caracas, Venezuela
Fidel Castro e José Sarney em Caracas, Venezuela: relações cordiais e amigas

José Sarney sempre demonstrou forte simpatia por Fidel Castro, que sempre fez o mesmo na sua direção, mas nunca conseguiu esconder as suas restrições políticas em relação à Revolução Cubana, apesar de aqui e ali reconhecer os avanços dos cubanos em educação e saúde. Prefere falar do aspecto romântico do que entrar na crueza revolucionária. Em 1959, Sarney exercia seu primeiro mandato de deputado federal como membro da filiado à UDN, partido de centro-direita e liberal, à frente do qual lideraria, em 1966, o movimento que demoliria o victorinismo nas urnas e daria novos rumos ao Maranhão semi-feudal de então. Como deputado, como seus contemporâneos, foi simpático no primeiro momento, mas mudo em 62 quando Fidel anunciou a guinada para o comunismo. O destino, porém, havia determinado que em 1986, duas décadas depois, caberia exatamente ao ex-udenista e agora pemedebista José Sarney, na condição de presidente da República que comandou a transição da ditadura para a democracia, restaurasse as relações diplomáticas entre o Brasil e Cuba. O reatamento aproximou Sarney e Fidel, que se encontraram várias vezes e tiveram várias e longas conversas. Tanto que Fidel sempre se referiu o líder maranhense como “amigo”. Ontem, ao tomar conhecimento da morte de Fidel Castro, José Sarney divulgou nota em que se refere ao líder cubano como um mito, com quem sempre teve relações cordiais e amigas.

Jackson: fã de Fidel e entusiasta da Revolução

Um dos políticos maranhenses mais identificados com Fidel Castro e com a Revolução Cubana estava no Rio de Janeiro estudando medicina em 1959, quando o movimento triunfou em Havana, foi Jackson Lago, que contava então com 25 anos. Socialista por convicção, Jackson Lago naquele ano militava em movimentos da esquerda moderada e desde logo estabeleceu contatos com agentes revolucionários. Sua admiração pelo processo revolucionário só aumentou com o tempo, apesar das contradições que o movimento começava mostrar, como os fuzilamentos e a guinada para o comunismo diante da tentativa dos Estrados Unidos de interferirem para salvar os bens norte-americanos confiscados. Nos anos 80 do século passado, encantado com os avanços na área de saúde, Jackson Lago mandou o filho de nome russo, Igor Lago, estudar Medicina em Cuba, Jackson Lago também apoiou a vinda para Caxias dos primeiros médicos cubanos, nos anos 90, criticando duramente a reação do Conselho Regional de Medicina na época, que pediu e conseguiu a “deportação” dos mesmos. Quando governador, Jackson Lago fez vários gestos em relação a Cuba, provocou uma visita do embaixador cubano ao Maranhão e, segundo informações soltas, estaria se preparando para ir a Cuba em busca de convênios e intercâmbios, principalmente na área de saúde. Morreu mantendo fidelidade a Fidel Castro e à Revolução Cubana e certamente lamentando não tê-la trazido para o Maranhão.

 

São Luís, 26 de Novembro de 2016.

Risco do fim da reeleição faz Flávio Dino trabalhar com dois cenários sobre seu futuro político em 2018

 

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Governador Flávio Dino terá de fazer uma reengenharia para decidir seu destino político nas eleições de 2018

Os adversários estão fazendo de tudo para tornar mais densa a nuvem de expectativa que se encontra estacionada sobre o Palácio dos Leões, enquanto aliados se desdobram para dissipá-la e mostrar que tudo não passa de um jogo que vai dar em nada. O fato, porém – incontestável, diga-se – é que a possibilidade de o Congresso Nacional aprovar a PEC 113/16, que prevê mais um arremedo de reforma política, está colocando um forte sinal de interrogação sobre o futuro do governador Flávio Dino (PCdoB). Entre os seus artigos, a proposta prevê o fim da reeleição para prefeito, governador e presidente da República no Brasil, incluindo as exceções previstas no outro arremedo de reforma aprovado no primeiro semestre, para vigorar nas eleições municipais. Se aprovado o tal artigo, o governador não poderá se candidatar à reeleição em 2018. A tentativa de guilhotinar esse direito dos governadores que no momento exercem o primeiro mandato está agitando os bastidores da política em Brasília, com fortes reflexos no cenário da política maranhense.

Entre os mandatários estaduais enquadrados nessa situação, Flávio Dino é, certamente, um dos mais afetados. Não porque corra algum risco de não se eleger senador, por exemplo, mas porque o movimento das peças no tabuleiro político-partidário que administra exigirá fórmulas complexas para evitar fissuras, rachaduras e até mesmo rompimentos na sua base de sustentação. Não se duvida da habilidade do governador para fazer a reengenharia necessária para manter o grupo que lidera, mas também não é possível ignorar que dentro desse grupo e fora dele existem segmentos que podem agir para criar problemas.

Na edição de uma semana atrás, a Coluna especulou, com base em avaliações cuidadosas, que o governador Flávio Dino estaria avaliando se candidatar à reeleição ou ao Senado. Se decidisse tentar renovar o mandato, reforçaria o seu projeto de Governo, dando continuidade às obras e programas, para dar novo passo somente em 2022; mas se tomasse a decisão radical de se lançar ao Senado e eleger o sucessor, teria chance de, se eleito, desembarcar na Câmara Alta em 2019 para se tornar, se não a mais importante, com certeza uma das vozes mais importantes da esquerda no País. Porta-vozes do Palácio dos Leões, a começar pelo mais autorizado, o secretário Márcio Jerry (Comunicação e Articulação Política), se apressaram em afirmar que o governador será candidato à reeleição. A informação foi reforçada dias depois pela voz da presidente nacional do PCdoB, deputada federal Luciana Santos (ES), que em entrevista ao bem informado Blog do jornalista Clodoaldo Corrêa, afirmou que Flávio Dino será candidato à reeleição, mas deixando claro que o partido gostaria de tê-lo como líder do mais ousado dos projetos políticos:  candidato a presidente da República

Nesse contexto, se o Congresso Nacional aprovar o fim total da reeleição para executivos que cumprem o primeiro mandato nas entranhas da PEC 113/16, o governador só tem um caminho: disputar uma cadeira no Senado ou na Câmara Federal. Óbvio que, com as credenciais políticas que dispõe, ninguém duvida de que seu caminho será a Câmara Alta. No caso, o maior problema será a escolha do candidato à sua sucessão, pois à primeira vista entre os seus aliados só existem até aqui dois nomes que poderiam ser viabilizados viáveis: o senador Roberto Rocha (PSB), que não seria sua escolha em situação normal, e, num a hipótese mais remota, o prefeito eleito de São José de Ribamar, Luis Fernando Silva (PSDB). Isso porque, se Flávio Dino não for candidato à reeleição, é quase certo que a ex-governadora Roseana Sarney (PMDB) tentará voltar Palácio dos Leões, sendo, nessas circunstâncias, uma candidata com muito peso e como aval do Palácio do Planalto. Tanto que os aliados dela estão fazendo carga para que a reeleição para cargos executivos seja definitivamente banida da vida política brasileira, pois avaliam que sem Flávio Dino como adversário, a ex-governadora seria favorita na disputa.

Inteiramente inserido no contexto político nacional, com canais que o permitem transitar nas mais diversas searas partidárias, o governador do Maranhão trabalha com os dois cenários: o da reeleição, que será o caminho mais tranquilo, por lhe dá a chance de manter o Governo e fazer um ou dois senadores; e o que considera a possibilidade de sua mudança para Brasília em 2019 turbinado por um mandato senatorial e com a chance de se tornar o principal porta-voz das esquerdas democráticas no Planalto Central.

PONTO & CONTRAPONTO

Conferência internacional debate cultura de paz entre nações

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Três momentos destacados do encerramento da Conferência Mundial pela Paz, realizada  em São Luís: o secretário Francisco Gonçalves fala em nome do governador Flávio Dino; apresentação de bumba-boi, e apresentação da Orquestra de Jovens do Maranhão

Bem sucedido, tendo contribuído efetivamente para o fortalecimento do movimento mundial pela Paz. Esta foi a conclusão dos organizadores da realização, em São Luís, da Conferência do Conselho Mundial da Paz (CMP), em parceria com o Governo do Estado, durante os dias 17 (quinta-feira) e 20 (domingo), no Hotel Luzeiros, em São Luís. O evento, que faz parte da programação da campanha ‘Novembro pela Paz’, organizado pelo Governo do Maranhão, reuniu representantes de todos os continentes – exceto Austrália. Presentes delegações de pelo menos 24 países: África do Sul, Alemanha, Barbados, Bélgica, Bolívia, Canadá, Chile, China, Chipre, Colômbia, Cuba, Estados Unidos, Filipinas, Grécia, Índia, Irã, Japão, Líbano, México, Nepal, Palestina, Portugal, Palestina e Vietnã.

O secretário de Estado de Direitos Humanos e Participação Popular (Sedihpop), Francisco Gonçalves, representou o governador Flávio Dino na conferência. Ele saudou a presença dos representantes que atuam pela resistência à política imperialista no mundo. “São várias gerações que, nas últimas décadas, têm se dedicado a uma cultura de paz. O Governo do Maranhão é comprometido com o desenvolvimento econômico e humano e a diversidade humana é valorizada e respeitada, e acolhe a todos e a todas e estabelece profundo diálogo entre os povos buscando o entendimento. Fazemos parte de uma geração que lutou conta a ditadura e que, hoje, preza pela justiça, pela paz e pela democracia”, declarou Francisco Gonçalves.

O secretário de Estado da Secretaria Extraordinária de Igualdade Racial, Gerson Pinheiro, falou da importância da conferência ter sido realizado no dia 20 de novembro, quando é celebrado o Dia Nacional da Consciência Negra em todo o país. “A Conferência Mundial da Paz é a culminância das ações de todas as etnias, todos os povos, buscando a boa convivência. E esse é o trabalho que estamos fazendo, também, agora, na Semana da Consciência Negra. Nós acabamos de fazer um ato reunindo todo povo negro. E, na campanha, o lema é o ‘Respeito à religiosidade é o caminho da igualdade’. Então começa daí, os povos, o homem tem que reconhecer o direito do homem”.

A mesa da Conferência foi composta pela presidente do CMP Socorro Gomes (Brasil); secretário Francisco Gonçalves (Brasil); secretário-geral do CMP, Athanassis Pafilis (Grécia); presidente do Centro Brasileiro de Solidariedade aos Povos e Luta pela Paz (Cebrapaz), Antônio Barreto de Sousa (Brasil); coordenadora do CMP na Europa, Ilda Figueiredo (Portugal); coordenador do CMP nas Américas, Silvio Yrola (Cuba); coordenador do CMP na Ásia, Rabinda Adhirars (Índia); coordenador do CMP no Oriente Médio, Aqel Taqaz (Palestina); e pelo coordenador do CMP na África, Chris Matlhako (África do Sul). A presidente do CMP Socorro Gomes abriu o debate após declarar São Luís a capital mundial da paz. “Esta assembleia sai daqui colocando a necessidade de sairmos mais fortes pra defendermos a soberania dos povos, como é o direito de várias nações aqui representadas, baseados nos preceitos fundantes das Organizações das Nações Unidas (ONU)”.

O evento contou ainda com apresentação de abertura da Orquestra Jovem do Maranhão João do Vale, sob a regência do maestro Edson Gomes, e do Boi de Maracanã, comandado pelo cantador Ribinha de Maracanã, filho de Humberto de Maracanã.

Ao final dos pronunciamentos, o artista cubano do MOVPAZ, Walter Diaz Moreno, Francisco Gonçalves e o presidente do CMP nos Estados Unidos, Alfred Marder, receberam uma placa pelos trabalhos realizados em prol da cultura de paz e respeito aos direitos humanos.

Novembro pela Paz

A campanha ‘Novembro pela Paz’ promove a cultura de paz e respeito aos direitos humanos no Maranhão, por meio da Secretaria de Direitos Humanos e Participação Popular (Sedihpop) e parceiros que desenvolvem diversas ações e atividades visando estimular uma melhor convivência e respeito entre os maranhenses.

O Maranhão foi o destino escolhido pelo CMP para sediar as discussões por ser uma localidade estratégica para debater questões como direitos humanos, racismo, desigualdades sociais e econômicas, religião entre outros assuntos. As assembleias e conferência têm como objetivo fortalecer a paz, amizade e solidariedade entre povos. Representantes de todos os estados brasileiros e de todos os continentes estão presentes no Estado para colaborar com o diálogo e a manutenção do Conselho,

 

São Luís, 21 de Novembro de 2016.

 

ESPECIAL Conferência do Conselho Mundial da Paz debate temas críticos e coloca o Maranhão por três dias na cena planetária

 

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Flávio Dino fala em um dos eventos em defesa da paz mundial realizado em São Luís

 

A busca da paz não é uma atitude exclusiva de chefes de Estado ou chanceleres que representam o circuito das grandes potências e as suas áreas de interesse ao redor do planeta, onde alimentam e eliminam conflitos de acordo com as suas conveniências e os seus interesses, agindo raramente para garantir a paz no sentido mais amplo do termo. Essa busca é feita também por inúmeras organizações civis internacionais, que se dedicam a combater e denunciar em escala global regimes que se impõem pela opressão, por governos ditatoriais, que se valem da força para reprimir, censurar e oprimir, principalmente no chamado Terceiro Mundo.  Com a altivez de quem detém o título de Cidade Patrimônio Cultural da Humanidade, São Luís vive uma semana como epicentro de um debate mundial pela paz, ao sediar a Conferência do Conselho Mundial da Paz, uma entidade de alcance internacional fundada em 1949 e que se reúne a cada quatro anos em país diferente, sendo a primeira vez que realiza o seu evento no Brasil, um dos 90 países filiados, sendo nele representado pelo Centro Brasileiro de Solidariedade aos Povos e Luta pela Paz (Cebrapaz), que realizou sexta-feira sua 4ª Conferência.

Os eventos contam com o apoio do Governo do Estado, o que sugere a indagação: o que tem o Maranhão a ver com um movimento pela paz mundial? Visto por uma perspectiva fechada, provinciana, quase nada; mas olhada por um plano politicamente mais aberto, levando em conta a situação dos povos que vivem no fogo cruzado dos interesses das grandes potências, a realização do evento em São Luis faz todo sentido. O secretário de Comunicação e Articulação Política, Márcio Jerry, que preside o PCdoB, justifica a realização do evento em São Luís com o apoio do Governo do Estado: “É importante por ser organizado pela sociedade civil e contribui para que o Maranhão seja inserido nos debates em favor da paz nacional e mundial, e soma para referenciar cada vez mais o estado como importante destino turístico de eventos. Isso faz com que os olhares do mundo se direcionem para cá e reforça nosso potencial, nossas riquezas econômicas e culturais e para a economia do turismo e região importante para o país e o mundo”.

De acordo com a visão do Governo, que é essencialmente a visão do governador Flávio Dino, independente de ser apenas uma unidade da Federação Brasileira, sem política externa própria, o Maranhão deve cultivar relações com o mundo, principalmente com povos que ainda sofrem com a opressão e estão submetidos a jogos de interesses das grandes potências, como é o caso da Síria, que já perdeu mais de 400 mil vidas num conflito insano; dos curdos, que já são organizados uma nação, mas enfrentam a má vontade da Turquia; dos palestinos, que não instalam um país porque Israel não deixa; de afegãos, iraquianos e líbios; das minorias que são oprimidas em todo o mundo, como índios, negros, asiáticos, latinos, entre muitas outras espalhadas pelos mais diferentes rincões do planeta. E nesse contexto, situações de instabilidade política e ameaças à democracia na América do Sul, como é o caso da Colômbia, Venezuela, Bolívia e Equador, além de monitoramento da situação em Honduras e Paraguai.

Plenamente identificado com essa linha de ação política, o governador Flávio Dino prega “a resistência, a firmeza de propósitos e o compromisso com a mudança destas realidades opressoras”. Observa que o Brasil “vive um momento de desigualdade social e perda da justiça, o que favorece a negação da paz propiciando a intolerância e o ódio”.  E arremata: “Uma das consequências desses sentimentos é o belicismo, a guerra. O Brasil também sente a crise do capitalismo, fruto da concentração de riquezas nas mãos de poucos”. Na sua fala na conferência da Cebrapaz, no Hotel Luzeiros, Flávio assinalou que o projeto do seu governo está focado na diminuição das desigualdades, incrementando a retórica anti-imperialista. “Por isso, aceitamos esse convite do Cebrapaz para somar às causas da paz, contra o imperialismo e por um mundo mais justo para todos”.

Desde que assumiu, em janeiro de 2015, o governador Flávio Dino vem estimulando a construção de um viés internacional para o seu Governo, defendendo nesse plano ações destinadas a promover a cultura da paz e a defesa dos direitos humanos. Tanto que editou a Lei Estadual nº 10.387, de dezembro de 2015, que instituiu o Pacto pela Paz. A lei estadual estimula o debate, a reflexão e a atuação em busca de uma cultura de paz entre os povos e nações, que são também os objetivos centrais do Conselho Mundial da Paz (CMP). A 4ª Assembleia Nacional do Centro Brasileiro de Solidariedade aos Povos e Luta pela Paz (Cebrapaz) versou sobre esses temas, dentro da linha do “Novembro Pela Paz”, instituído pelo Governo do Estado, o que explica a escolha do Maranhão por ser uma unidade política e cultural estratégica para debater questões latentes como direitos humanos, racismo, desigualdades sociais e econômicas, religião entre outros temas relacionados à paz. Representantes de todos os estados brasileiros e de todos os continentes participam para colaborar com o diálogo e a construção do Conselho Mundial da Paz.

De acordo com o Secretário de Comunicação e Assuntos Políticos, Márcio Jerry, que é militante de movimentos sociais estado, receber um evento como este torna o Maranhão uma referência no debate sobre a paz mundial. “O governo do Estado do Maranhão e as comitivas que estarão aqui presentes durante as assembleias e conferência irão somar e acolher pautas e discussões importantes para o mundo. Nosso objetivo é atingir o respeito entre os povos e criar uma cultura de paz mundial por meio do diálogo”, reiterou o secretário.

As atividades do Conselho Mundial da Paz acontecem em São Luís concomitantemente à programação do ‘Novembro Pela Paz’, um mês destinado à promoção da cultura de paz entre as comunidades, em que o governo do estado, por meio da Secretaria de Direitos Humanos e Participação Popular (Sedihpop) e parceiros desenvolvem diversas ações e atividades visando estimular uma melhor convivência e respeito entre os maranhenses. Militante ativo dessas causas, Francisco Gonçalves, Secretário de Direitos Humanos e Participação Popular, concorda que o Maranhão está inserido no debate nacional e internacional de questões como a paz mundial. “Todas as atividades que estão acontecendo no Maranhão, neste momento, irão somar. A nossa ideia não era apenas acolher o evento nacional e internacional, mas aproveitar o momento para pautar temas importantes para nós maranhenses”, assinalou Gonçalves, cuja pasta trava uma verdadeira guerra contra a miséria e a pobreza nos municípios com menor IDH, apoiado por Gerson Pinheiro, secretário de Igualdade Racial.

Em Tempo: A Conferência Mundial da Paz será realizada hoje, das 8 horas às 15 horas, no Teatro Arthur Azevedo, São Luís, Maranhão, Brasil.

PONTO & CONTRAPONTO

São Luís na rota dos eventos internacionais
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José Sarney (centro) recepciona os líderes da Comunidade de Línguas Portuguesa

Situado na fronteira do Nordeste com o Norte, o Maranhão sempre esteve fora do circuito internacional de eventos. Tal situação sofreu uma mudança radical quando José Sarney (PMDB) foi presidente da República. O primeiro evento aconteceu em 1989, quando São Luís sediou a reunião de chefes de Estado de países de língua portuguesa, recebendo os líderes de Portugal, Angola, Moçambique, Guiné-Bissal, Cabo Verde e São Tomé e Príncipe. Sob o comando de José Sarney, a reunião foi realizada no Palácio dos Leões e ganhou repercussão mundial, principalmente por ter dado origem à formação da Comunidade de Língua Portuguesa e cujo efeito prático foi o acordo para a unificação da língua, que foi firmado mais de duas décadas depois. Sarney trouxe ainda para São Luís o presidente Juan Maria Sanguinetti (Uruguai) e o presidente Virgílio Barco (Colômbia). O último e mais estridente evento de natureza internacional aconteceu em 2008, quando o coronel Hugo Chávez, então presidente da Venezuela, desembarcou em São Luís atendendo a convite do então governador Jackson Lago (PDT), que o recebeu no Palácio dos Leões e condecorou-o com a Ordem dos Timbiras como um grande líder. A Conferência do Conselho Mundial da Paz, portanto, se encaixa nesta lista de eventos que colocaram o Maranhão no plano internacional.

Reativado o núcleo pela paz no Maranhão

O comprometimento do Governo do Maranhão com o movimento pela paz apoiando a realização do evento em São Luís resultou na reativação de um núcleo da Cebrapaz no estado, que estava fechado há seis anos. A representação da entidade no maranhão será coordenada por Jhonatan Almada, secretário de Ciência, Tecnologia e Inovação. O núcleo terá entre as prioridades discutir temas internacionais relacionados à luta contra o Imperialismo; apoio aos povos que lutam por sua independência, a exemplo dos palestinos; pelo desarmamento global; contra as intervenções militares, entre outras.

São Luís, 19 de Novembro de 2016.

Depois de oito anos lutas difíceis, o experiente Madeira vai entregar ao sucessor uma Imperatriz em ordem

 

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Depois de oito anos, o experiente Sebastião Madeira entregará uma Prefeitura em ordem a Assis Ramos,

De todas as Prefeituras maranhenses que mudarão de mãos na virada do ano, a mais importante é, sem qualquer traço de dúvida, a de Imperatriz, responsável que é pela gestão do segundo maior e mais destacado centro urbano do Maranhão, que abriga atualmente uma população de aproximadamente 260 mil maranhenses naturais e adotivos, com forte poder de fogo econômico, que nasceu vocacionada para ser capital de um futuro estado, tanto que já funciona como metrópole. Imperatriz foi palco do mais surpreendente desfecho da corrida às urnas: Assis Ramos (PMDB), um delegado de Polícia que falou a língua do povo, atropelou o influente e poderoso ex-prefeito Ildon Marques (PSB), apoiado pelo senador Roberto Rocha (PSB), a animada Rosângela Curado (PDT), candidata embalada pelo Palácio dos Leões, e o vereador Ribinha Cunha (PR), empresário conhecido e lançado tardiamente pelas mãos do prefeito Sebastião Madeira (PSDB). O prefeito eleito vai receber do atual uma Prefeitura completamente diferente da que ele recebeu há oito anos, tempo que durou uma gestão no mínimo correta no trato com os recursos públicos.

Em tempo de transição, quando os prefeitos eleitos são atraídos por reuniões partidárias e por seminário na Famem em busca de informações técnicas que lhes auxiliem pelo menos nos primeiros passos, e levando em conta a situação dramática das finanças públicas, Assis Ramos já sabe que receberá não exatamente um presente, mas assumirá o comando de uma máquina municipal saneada, azeitada do ponto de vista administrativo, com os compromissos em dia e a possibilidade concreta de seguir em frente sem maiores traumas. É claro que o prefeito eleito encontrará problemas, mas todos eles, ou pelo menos os mais graves, estarão devidamente equacionados, com soluções alinhavadas, precisando apenas de tempo e recursos para serem resolvidos. Não se diga que nos oito anos do prefeito Sebastião Madeira Imperatriz foi transformada numa versão urbana do paraíso, mas é verdade que mesmo seus adversários mais ranzinzas, ainda que discordando do que veem, reconhecem que o prefeito que está de saída deixará para seu sucessor uma máquina controlada e em pleno funcionamento.

Aos 67 anos, com quatro mandatos de deputado federal, tendo se tornado figura de peso dentro do PSDB, o médico Sebastião Madeira é apontado por aliados como um sobrevivente que soube se equilibrar politicamente no comando do segundo maior município do Maranhão, cercado de adversários por todos os lados.  Assumiu em 2009 para conviver com o governo Roseana Sarney – que assumiu com a cassação do governador Jackson Lago – para logo enfrentar o peso da hostilidade política, obrigando-o a usar toda a sua habilidade para construir a ponte que o levaria a uma convivência institucional produtiva com o Palácio dos Leões. A ponto de em 2014 declarar apoio ao então candidato do PMDB ao Governo do Estado, Luiz Fernando Silva (PMDB). Com a desistência do pemedebista, Sebastião Madeira declarou apoio à candidatura do então deputado federal Flávio Dino (PCdoB), que se elegeu e com quem construiu uma relação administrativa produtiva, mas de altos e baixos no campo da política.

(Nas montagens para as eleições municipais, Sebastião Madeira acreditou na possibilidade de uma aliança com Flávio Dino em torno de um candidato à sua sucessão. O PDT, porém, impôs a candidatura de Rosângela Curado, fechando todas as portas para um entendimento com o prefeito. Correndo o risco do isolamento, Madeira usou sua experiência e tarimba e entrou na briga, lançando, já quase fora de tempo, o vereador Ribinha Cunha, que começou com menos de 2% na preferência do eleitorado e acabou com 20%, em quarto lugar, mas bem próximo dos demais. O resultado foi claro: se o Palácio dos Leões tivesse tido Madeira como aliado, o resultado do pleito teria seria outro.)

O Madeira político bem sucedido tem sido também o gestor de bons resultados. O político soube construir um lastro que agora trabalha no desafiador projeto de chegar ao Senado em 2018. E o gestor que fez a administração com os pés no chão e cujos resultados são indiscutivelmente positivos. Uma boa fonte para o iniciante Assis Ramos beber, se tiver mesmo o bom senso que parece ter.

 

PONTO & CONTRAPONTO

A tragédia política e moral do Rio de Janeiro I
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Anthony Garotinho: o político que teve todas as oportunidades, mas as jogou fora

O Brasil assistiu atônito, nesta semana, dois ex-governadores do Rio de Janeiro ser presos por corrupção. O primeiro foi Anthony Garotinho (PR), 56 anos, que teve tudo para ser um político com uma história invejável. O segundo foi Sérgio Cabral Filho (PMDB), que poderia ter chegado ao Palácio do Planalto. Garotinho escalou os degraus da política fluminense na esteira do brizolismo, revelando-se desde logo um político ousado mas pouco confiável. Foi prefeito de Campos, governador, fez a mulher, Rosinha, prefeita e governadora, foi candidato a presidente da República, mas suas estripulias vieram à tona e ele acabou exilado em seu reduto, atualmente como secretário-chefe do governo da mulher. Sua prisão não surpreendeu, e as imagens da sua transferência de um hospital para o Complexo Penitenciário de Bangu, tumultuada pelo desespero da filha, a deputada federal Clarisse Garotinho (PR) e a desolação da mulher, não só causaram o efeito de uma tragédia familiar, como decretaram a sua morte política. Nenhum analista, por mais pragmático e isento que seja, se arriscará a prever que a família Garotinho tem algum futuro na política do Rio de Janeiro.

A tragédia política e moral do Rio de Janeiro II
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O banditismo político de Cabral Filho fere a biografia rica e honrada de Cabral, pai

Sérgio Cabral, 54 anos, construiu uma carreira tão bem sucedida que chegou a ser tratado como um dos membros do PMDB com chance concreta de vir a ser candidato à presidente da República. Menino classe média de Copacabana – depois se mudou para Ipanema -, ascendeu como o nome mais brilhante da sua geração, alcançando três mandatos de deputado estadual, um de senador e dois de governador. As investigações mostraram agora que Cabral era um político bandido, que se deixou fascinar pelo dinheiro fácil, por jóias, mansões, helicóptero, restaurantes parisienses caros bancados por desvios por ele comandados em relações promíscuas com empresários da construção civil. A prisão e sua imagem com roupa de presidiário funcionaram ontem como uma guilhotina politica, encerrando sua vida política e tornando-o uma espécie de pária. O maior impacto desse desfecho certamente está sendo sofrido pelo seu pai, que lhe deu o nome, Sérgio Cabral, jornalista e vereador carioca por três mandatos, que honrou o jornalismo e a política. Sérgio Cabral começou como repórter policial, cobriu política e dirigiu jornal, deixando um legado rico e qualidade e decência profissionais. O seu legado mais luminoso foi ter sido um dos fundadores do Pasquim, ícone maior do jornalismo alternativo nos anos 60 e 70 e que foi a voz irreverente do Brasil que resistia à ditadura militar. Sérgio Cabral também foi preso, só que o motivo da prisão foi a sua decência política na luta inteligente contra a opressão. Outra fatia do seu legado foi como critico musical e pesquisador da MPB, especialmente o samba carioca. Nessa tarefa redescobriu o compositor Cartola, então vigia de carros no estacionamento de um prédio o centro do Rio. Com a descoberta de Sérgio Cabral, Cartola saiu do anonimato enriqueceu o cancioneiro popular e presenteou o Brasil com joias como “O mundo é um moinho”, “As rosas não falam”, “Sala de recepção”, “Tempos idos”, “Peito vazio”, “Cordas de aço” e muitas outras. E finalmente a fatia política do seu legado: três mandados de vereador no Rio de Janeiro, cumpridos sem uma mancha, o que lhe valeu uma cadeira no Tribunal de Contas do Estado, que exerceu até se aposentar em 2007. Tudo isso além de uma vasta bibliografia sobre a MPB. Esse homem, reverenciado no jornalismo, na música e na política, caminha para o fim dos seus dias moralmente afetado pelo banditismo do filho.

São Luís, 18 de Novembro de 2016.

Dino recebe almirante e intensifica esforços para transformar a Ponta da Espera em sede da 2ª Esquadra da Marinha do Brasil

 

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Flávio Dino exibe exemplar do livro “Poder Naval que ganhou do almirante de esquadra Paulo Küster, durante audiência ontem á tarde no Palácio dos Leões

O Maranhão caminha decisivamente para se tornar o abrigo do maior investimento da Marinha do Brasil: a sede da Segunda Esquadra da Armada, que será construída na Ponta da Espera, na Baía de São Marcos, região da Grande São Luís, um investimento de pelo menos R$ 3 bilhões, destinado a ampliar e fortalecer o braço naval do Sistema de Defesa do Brasil, que hoje conta apenas com a Primeira Esquadra, sediada no Rio de Janeiro. O mais recente sinal de que a escolha está praticamente definida, confirmando tendência mostrada pela Coluna do dia 13 de Fevereiro, ocorreu ontem à tarde, no Palácio dos Leões, em conversa do governador Flávio Dino (PCdoB) com o diretor geral de Navegação, almirante de esquadra Paulo Küster, que se encontra no estado para conhecer a estrutura do Complexo Portuário do Itaqui e a área destinada a receber o complexo da Marinha. Para satisfação do governador, o almirante Küster demonstrou clara simpatia pela implantação do megacomplexo naval na Ponta da Espera.

 

A construção da base para abrigar a Segunda Esquadra da Armada brasileira começou a ganhar forma ainda nos anos 80, ganhou fôlego no Governo do presidente José Sarney (PMDB), avançou nos dois governos do presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB), foi impulsionado nos dois governos do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e esteve para deslanchar, mas foi contido no Governo da presidente Dilma Rousseff (PT), quando apareceram os primeiros sinais da crise. Em 2009, durante o segundo Governo Lula, o Ministério da Defesa acelerou as articulações para viabilizar o megaprojeto, estimulando a discussão quanto ao local. Naquele período, a Ponta da Espera foi visitada por diversas equipes técnicas da Marinha, integrantes do plano denominado Estratégia Nacional de Defesa, todas emitindo pareceres favoráveis à implantação do complexo naval no Maranhão, tendo a localização da área e o movimento das marés – que alcançam até sete metros, sido destacados como diferencial.

Tão logo assumiu, em janeiro de 2015, o governador Flávio Dino começou a se movimentar para acelerar as tratativas que levassem a presidente Dilma Rousseff a bater o martelo, de preferência a favor do Maranhão. Nessa movimentação, o governador contou com a boa vontade do ministro da defesa, Aldo Rabelo, seu correligionário de PCdoB, que acelerou o quando pôde a consolidação do projeto. Mas a queda da presidente Dilma, no início deste ano, e a eclosão da crise resultaram na quase desativação do projeto. O governador Flávio Dino, porém, não perdeu o fio da meada e tem feito as gestões possíveis num contexto em que a palavra de ordem é cortar gastos. O governador, porém, tem a exata medida da importância desse projeto para o Maranhão. A começar pelos números que ele representa: investimento de R$ 3 bilhões, a concentração de seis mil militares na Grande São Luís, que somados aos seus familiares representação um contingente de 12 mil pessoas, que viverão e terão grande importância na economia local, além da mobilização de pelo menos 20 mil trabalhadores na fase de implantação das obras civis.

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Navios, helicópteros e soldados comporão a Basa Naval de São Luís, na Ponta da Espera

A megaestrutura abrigará uma grande quantidade de vasos de guerra da Marinha do Brasil, à medida que funcionará como ponto de chegada e de partida de porta-aviões, couraçados, destroier, fragatas, corvetas, lanchas e outros tipos de embarcações de apoio, contando também com aviões de caça, de transporte e helicópteros com diversas funções, além de um corpo de fuzileiros navais. O complexo naval contará também com uma grande quantidade de instrumentos de apoio, como máquinas e veículos de transporte terrestre, bem como uma grande estrutura de apoio administrativo. O complexo será um pouco menos do que oque abriga a 1ª Esquadra da Armada no Rio de Janeiro, sendo sua função primordial será garantir suporte técnico e suprimento a vasos da Marinha de Guerra em atividade nas regiões Norte e Nordeste.

Na audiência com o almirante Paulo Küster, que estava acompanhado de uma equipe de oficiais graduados da Marinha, o governador Flávio Dino não regateou argumentos para consolidar o favoritismo da Ponta da Espera: “A atividade da Marinha tem sido importante para proteção da segurança da navegação no Porto do Itaqui. Com a instalação da segunda Esquadra, a relação com a Marinha deve ser ainda mais estreitada”, destacou. O almirante Paulo Küster, por seu turno, correspondeu ao entusiasmo do governador confirmando a boa posição de São Luís para receber a base naval. Estudos diversos apontam a estrutura portuária da Baía de São Marcos, a grande variação de marés e a profundidade dos canais possibilitam operar embarcações 24 horas por dia, vantagem que nenhuma outra área dispõe.

Em tempo: se o processo de implantação fosse deslanchado agora, o complexo naval só estaria pronto entre 2027 e 2030.

PONTO & CONTRAPONTO

Posição de Braide incomoda governistas e prenuncia embates
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Eduardo Braide e Rogério Cafeteira: tensão e embates

Quase livre das tensões eleitorais, a Assembleia Legislativa realizou ontem uma sessão incomum, na qual a oposição chamou a situação para o debate, mesmo estando favorável à matéria em pauta: o Projeto de Lei Nº 206/16, que autoriza o Governo do Estado contratar empréstimo no valor de R$ 444 milhões com a Caixa Econômica Federal com a garantia da União. Na mensagem, o governador Flávio Dino informa que os recursos serão gastos em ações na área de transporte, infraestrutura rodoviária, saneamento básico e segurança pública no âmbito do Programa Maranhão Mais Justo e Competitivo. O debate começou na quarta-feira quando o deputado Eduardo Braide (PMN) pediu vistas por 24 horas. Ontem, ao devolver o projeto em reunião da Comissão de Constituição e Justiça, realizada no plenário, Braide fez o que governistas temiam: criticou tecnicamente projeto por não conter informações, para ele essenciais, como a taxa de juro a ser paga, a carência e a não explicitação dos gastos previstos. Mesmo tendo declarado voto favorável ao projeto, Braide demarcou a linha de relação que elo e terá com o Palácio dos leões a partir de agora: não fará uma oposição zoadenta, mas será duro na análise técnica dos pleitos do Governo. A posição de Eduardo Braide incomodou visivelmente o líder do Governo, deputado Rogério Cafeteira (PSB), principalmente porque deputados de oposição como Adriano Sarney (PV) e Andrea Murad (PMDB) aproveitaram as críticas de Braide e atacaram duramente o Governo.  O projeto foi aprovado sem problema, mas o que ficou claro é que houve uma alteração substancial no desenho do plenário da Casa com a posição de independência do deputado Eduardo Braide. Ele voltou da guerra eleitoral determinado, não a fazer oposição ferrenha ao Governo Flávio Dino, mas a ser uma voz com autoridade de quem domina a técnica legislativa e que ganhou musculatura política. E como de agora por diante todos os passos dos deputados estaduais miram as urnas de 2018, a tendência é que os embates se tornem cada vez mais acirrados.

São Luís vira capital mundial dos povos oprimidos e desvalidos
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Mohamed Zrug, Valéria Macedo e Marcos Tenório em reunião  na Assembleia

A deputada estadual Valéria Macedo (PDT) recebeu ontem, na Assembleia Legislativa, representante da Frente Polisario e da República Árabe Saharaui Democrática, Mohamed Zrug, e o presidente do Centro Brasileiro de Solidariedade aos Povos e Luta pela Paz do Distrito Federal, Marcos Tenório. Eles conversaram sobre um mundo mais justo, de amizade e cooperação entre os povos. A pergunta natural é: o que faz em São Luís um representante da ativa Frente Polisario e da praticamente inexistente República Árabe Saharaui Democrática? E onde entra a deputada tocantina nessa história? A explicação é que desde ontem São Luís entrou no circuito mundial dos movimentos de povos livres pela paz no planeta.

Mohamed Zrug e Marcos Tenório em São Luís para participar da Assembleia do Conselho Mundial da Paz (CMP), que é realizada pela primeira vez no Brasil e escolheu o Maranhão, que ofereceu sua hospitalidade, como o ponto de encontro dos movimentos engajados contra a guerra e a opressão. Com o apoio do Governo do Estado, o Centro Brasileiro de Solidariedade aos Povos e Luta pela Paz (Cebrapaz) é o anfitrião.

Mohamed Zrug saiu do antigo Saara Espanhol, um ex-território espanhol hoje sob o controle ferrenho do Marrocos – país fortemente influenciado pela França, mas controlado por uma monarquia absolutista, na qual o rei tem a última palavra sobre quase tudo, e que por motivos estratégicos tolera a presença da minoria saharaui, dando-lhe autonomia relativa, mas usando a força contra ele sempre que acha necessário. Zrug atravessou o Canal de Gibraltar, percorreu a Península Ibérica e venceu o Atlântico para alcançar São Luís acreditando que o Brasil é uma peça fundamental no cenário internacional e representa a voz dos povos do Sul, que suplica por um mundo livre do colonialismo. O povo saharaui é um entre dezenas de minorias que sofrem o diabo no mundo árabe, o que justifica plenamente mandar um represente para um evento mundial pela paz.

A deputada Valéria Macedo se prontificou em fazer uma Moção que será encaminhada a Câmara Federal pedindo apoio aos deputados para fortalecer a luta do povo saharaui e também organizar uma Audiência Pública para apresentar o tema para todos os deputados e à sociedade.

São Luís, 17 de Novembro de 2016.

João Alberto provoca Roseana e Flávio Dino para dizer que o Grupo Sarney está vivo para a guerra de 2018

 

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João Alberto provoca Roseana Sarney e Flávio Dino sobre a disputa de 2018 para o Governo do Estado

As declarações do senador João Aberto (PMDB) provocando a ex-governadora Roseana Sarney (PMDB) no sentido de que ela saia da zona de conforto em que se encontra e se prepare para enfrentar o governador Flávio Dino (PCdoB) na corrida para o Governo do Estado em 2018 funcionou como uma senha para avisar que o Grupo Sarney não está morto e que começa a se recuperar do coma com que saiu das urnas em 2014. Segundo o sempre bem informado blog do jornalista Marco D`Eça, mesmo admitindo que o grupo só tem a ex-governadora com cacife político e eleitoral suficiente para enfrentar o governador, João Alberto falou em tom otimista, argumentando que ela tem capilaridade política e eleitoral em todos os recantos do Maranhão. Raposa política tarimbada, o ativo comandante do PMDB no estado faz também, nas suas declarações, uma clara provocação ao governador ao dizer que a ex-governadora é “é o único nome com força para barrar Flávio Dino”.

Independente da circunstância em que João Alberto deu tais declarações, o fato evidente é que elas têm dois objetivos bem claros. O primeiro é exatamente mandar um recado direto ao governador Flávio Dino e ao grupo partidário que o cerca que os seus contrapontos na política do Maranhão são a ex-governadora Roseana Sarney e o PMDB. E o segundo é dizer que o Grupo Sarney não pretende ficar de braços cruzados quando o processo político e partidário que desembocará nas urnas de 2018 já está em pleno andamento.

João Alberto avança na provocação avaliando, à sua maneira direta, que a população não se deixou seduzir inteiramente pelo projeto de governo e de poder de Flávio Dino e espera uma liderança capaz de fazer o contraponto nas próximas eleições. Tal liderança, para ele, é a ex-governadora Roseana Sarney. E argumenta: “Roseana é o único nome com força para barrar Flávio Dino em 2018. Ela tem o carisma que Dino não tem; e é conhecida eleitoralmente em cada canto deste Maranhão”. E arremata com o tom de tiozão dando-lhe um leve puxão de orelha: “Ela só precisa deixar a zona de conforto e encarar o contraponto ao projeto comunista”.

O presidente do PMDB maranhense reforçou seus provocadores petardos verbais dirigidos ao governador Flávio Dino avaliando que ele e seu grupo fracassaram nas eleições municipais apesar dos impressionantes 46 prefeitos eleitos pelo PCdoB, quase metade dos eleitos pelo partido em todo o país. O senador justifica o que entende ser o fracasso do atual Governo: “Tenho feito política semanalmente no Maranhão. E converso com lideranças de todo o Maranhão. Há um caminho aberto que precisa ser ocupado”. Ou seja, políticos tradicionais não estariam nada satisfeitos com a quebra de paradigma que tem sido a gestão de Flávio Dino, defendido por seus porta-vozes nos cenários estadual nacional como moderna e inovadora.

O fato é que a provocação à Roseana Sarne y e a Flávio Dino foi feita pelo senador João Alberto como uma marcação de terreno numa guerra política que está começando e que ao longo dos 22 meses que restam certamente produzirá situações surpreendentes, como, por exemplo, uma eventual candidatura da ex-governadora ao Palácio dos Leões. Ou uma candidatura do governador ao Senado. E pode-se ler também nas entrelinhas das declarações do senador João Alberto que ele próprio é também candidatíssimo ao Governo caso Roseana Sarney resolva permanecer em casa ou disputar o Senado.

O fato é que dificilmente o senador João Alberto diria o que disse sem ter por motivo um plano de repercussão imediata. Até porque o que está acontecendo é exatamente o fortalecimento político do governador Flávio Dino dentro e fora do Maranhão.

 

PONTO & CONTRAPONTO

Waldir Maranhão encarou os fascistas que ocuparam a Câmara
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Waldir Maranhão – de paletó azul ao centro, resiste às ameaças  dos fascistas

Visto por todo o país como um zumbi político, que perdeu a dignidade do seu mandato por conta de situações constrangedoras que ele próprio criou, o deputado federal Waldir Maranhão (PP) deu ontem na Câmara Federal uma demonstração de que nem tudo foi drenado pelo ralo do desprestígio. Na condição de 1º vice-presidente, ele presidia a sessão quando o plenário foi invadido por uma horda de fascistas que, entre outras coisas, pregavam a volta dos militares ao poder, para submeter o Brasil de novo a uma ditadura. Os fascistas tentaram tirá-lo da cadeira presidencial que ocupava legitimamente, mas ele reagiu, endureceu o jogo e permaneceu onde estava, apesar das ameaças que sofreu por parte dos bandidos políticos que violaram a Carta Magna e agiram como golpistas. Sem se dobrar para os invasores, Waldir Maranhão ocupou a presidência da Mesa durante toda a ocupação. Foi saudado por colegas pela maneira resoluta e corajosa como encarou os fascistas.

Edivaldo Jr. mexerá na equipe, mas sem pressa
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Edivaldo Jr.: sem pressa

São fortes os sinais de que o prefeito Edivaldo Jr. (PDT) vai mexer no secretariado. Mas segundo uma fonte que transita bem na cúpula da administração municipal, não o fará de imediato, devendo promover as mudanças em marcha lenta ao longo dos primeiros meses do se o próximo mandato. Dois setores podem abrir a temporada de troca-troca. Um é a Secretaria de Saúde, que estaria sendo reivindicado pelo PDT, caso a secretária Helena Duailibe atenda a um eventual convite ao governador Flavio Dino (PCdoB) para ser a número 2 do Sistema Estadual de Saúde. O outro é a área de Comunicação Social, para cujo comando se movem alguns nomes, entre eles a própria secretária Conceição, que poderá continuar onde está. A saída de Raimundo Rodriguez da Secretaria de Fazenda foi circunstancial, mas já conta como mudança com a nomeação do agora ex-controlador Delcio Rodrigues.

 

São Luís 16 de Novembro de 2016.

 

Famem vai à Justiça por mais impostos dos bilhões repatriados, mas não mostra como esse dinheiro está sendo usado

 

 

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Gil Cutrim anuncia ação da Famem, em nome das prefeituras, para obter mais dinheiro dos impostos da repatriação 

A Federação dos Municípios Maranhenses (Famem) ingressou na Justiça com uma ação por meio da qual cobra do Governo da União mais um repasse no valor de R$ 215 milhões às Prefeituras maranhenses, para compensar o que considera ter sido perdas no valor liberado de parte da bolada milionária resultante dos tributos – R$ 50 bilhões – recebidos na repatriação da dinheirama legal que se encontrava guardada no exterior sem o conhecimento da Receita Federal. Parte da bolada arrecadada foi destinada às Prefeituras, tendo as 217 maranhenses recebido R$ 235 milhões na semana passada. Anunciada ontem pelo ainda presidente da Famem, Gil Cutrim (PDT), a ação deve ser julgada o mais rapidamente possível, de modo a que seus efeitos sejam colocados em prática ainda neste ano. Se o pleito judicial for acatado como foi formulado, mais uma injeção de recursos limpos será feita nas gestões municipais que estão terminando, com quase 100% de certeza de que nenhum centavo desse dinheiro seja deixado para os prefeitos que assumirão no primeiro dia do ano que vem.

A reivindicação da Famem foi feita na esteira de uma orientação geral dada pela Confederação de Municípios, que ensaiara essa cobrança ainda no final de 2014, quando o Governo Dilma Rousseff idealizou a operação, para reforçar o caixa e cobrir os rombos fiscais que já se evidenciavam no fechamento das contas da União naquele ano. Não se trata, portanto, de uma iniciativa isolada e original do presidente da Famem, sendo verdade também que a circunstância não lhe tira o mérito de ter formalizado a reivindicação.

Chama atenção que o prefeito Gil Cutrim (São José de Ribamar) não informe à sociedade maranhense o valor efetivamente recebido pelas Prefeituras, a começar pela de São José de Ribamar, uma das cinco maiores do Maranhão. Igualmente surpreendente que a Famem não tenha também se preocupado em levar ao conhecimento da população informações detalhadas sobre esse recurso extraordinário quanto foi depositado da conta de cada Prefeitura. Mais do que isso, não dá nenhuma sinalização a respeito de como esse dinheiro extra será empregado. O presidente da entidade se movimenta alimentando a ideia de que as contas municipais são caixas pretas cujos conteúdos não devem nem de longe ser revelados. No caso de São José de Ribamar, que a exemplo de Imperatriz, Caxias e Timon é contemplado com Fundo Especial, a informação – não oficial, vale alertar – é que foram depositados R$ 5,5 milhões, um reforço excepcional num final de ano marcado por crise. Encarnando apenas o seu papel de presidente da Famem, o prefeito não informou aos seus munícipes ter recebido esse valor nem o que pretende fazer com ele.

Há administrações mais transparentes, como a de Imperatriz, por exemplo, que confirma ter recebido R$ 5,5 milhões, valor que foi reduzido a R$ 3,5 milhões porque a Justiça bloqueou R$ 2 milhões para pagar precatórios e o que sobrou será usado para pagar servidores neste final de ano, segundo planejou o prefeito Sebastião Madeira (PSDB). Nos bastidores da política, correm informações as mais diversas sobre o destino que prefeitos estão dando a esse dinheiro, que vão desde empregos nobres, como o de Imperatriz, a usos nada republicanos, o que exige, no mínimo, que o Ministério Público faça uma varredura nas contas municipais para investigar o emprego desses recursos que chegaram em boa hora e não podem ser desperdiçados.  O presidente da Famem, que encampou o movimento de cobrar mais, poderia dar o exemplo abrindo as contas da Prefeitura de São José de Ribamar para mostrar como a bolada de R$ 5,5 milhões por ele recebida foi aplicada.

O fato essa injeção financeira nas Prefeituras, como um presente inesperado e bem-chegado, coo uma espécie de milagre pré-natalino,  maranhenses criou dois sentimentos no universo da maioria dos municípios maranhenses. O primeiro de euforia por parte dos prefeitos, que festejaram; o outro de preocupação e alguma frustração nos prefeitos eleitos, que torceram para que pelo menos parte dessa bolada ficasse para o próximo ano, o que não foi possível. Para os futuros prefeitos, resta torcer para que o Congresso Nacional aprove o projeto de lei apresentado pelo presidente do Senado da República, Renan Calheiros (PMDB/AL), que dá nova chance para que os bilionários e milionários brasileiros repatriem pelo menos mais uma parte dos bilhões que mantêm lá fora.

 

PONTO & CONTRAPONTO

 

PMDB terá participação discreta no futuro Governo de Imperatriz
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Assis Ramos sem laços fortes dom o a cúpula do PMDB

O PMDB vai ter participação discreta na gestão do prefeito Assis Ramos em Imperatriz, que se elegeu pelo partido. O comando estadual pemedebista indicou o ex-deputado Remi Ribeiro, vice-presidente da agremiação, para comandar a Secretaria de Administração. Não está descartada a indicação de outros nomes, mas até agora a participação da cúpula do partido se limitou á indicação de político tocantino. É fato que Assis Ramos não tem maiores laços com a cúpula pemedebista. Ele fez uma campanha como uma espécie de outside, com um discurso próprio, que não envolveu uma só nesga partidária, tanto que nas suas caminhadas, nos seus comícios e reuniões nem propaganda no rádio e na TV ele se valeu do PMDB como referência nem fez citação a qualquer das lideranças do partido no Maranhão, incluindo a ex-governadora Roseana Sarney. No meio político já se fala que dificilmente Assis Ramos permanecerá no PMDB, sendo sabido que ele já foi procurado por líderes partidários oferecendo-lhe legenda. Se permanecer será por conveniência e não por interesse partidário.

 

Secretário de Fazenda agiu corretamente ao pedir demissão
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Raimundo Rodriguez: decisão correta

Bem aceita no meio político e administrativo a decisão do secretário municipal de fazenda, Raimundo Rodriguez de pedir demissão do cargo ao prefeito Edivaldo Jr, (PDT) depois de ser tornado público o seu envolvimento no caso batizado de “Máfia da Sefaz”. A iniciativa do agora ex-secretário é um caso raro num universo em que muitos integrantes de equipes de Governo, nos planos municipal, estadual e nacional, respondem são alvos de investigação e não têm a decência de se afastar dos cargos para se dedicar às suas defesas. Não se sabe até aqui se Raimundo Rodriguez foi pressionado a deixar o cargo, mas é fato que ele aparece como dono da decisão, o que teria deixado o prefeito Edivaldo Jr. em situação confortável, aceitando o seu pedido de demissão e operando a mudança sem qualquer problema, tendo nomeado para o cargo até então controlador Délcio Rodrigues.

São Luís, 14 de Novembro de 2016.