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Roberto Costa diz que MDB maranhense fechou um ciclo e deve ser comandado agora pela nova geração de líderes

 

Roberto Costa propõe que nova geração assuma comando do MDB no Maranhão

O MDB do Maranhão deve passar urgentemente por uma ampla e profunda mudança, de modo que os atuais líderes abram caminho para a ascensão da nova geração ao comando partidário; e assa guinada deve acontecer com uma transição que permita que todas as decisões sejam tomadas por consenso, para evitar choques e traumas. Quem pensa assim é o deputado estadual reeleito Roberto Costa. Segundo ele, as urnas de Outubro mandaram um recado claro e direto às lideranças do partido no sentido de que, se a transição não for feita agora, o MDB poderá sofrer danos irreversíveis. O deputado avalia que o MDB maranhense, que é comandado pelo seu guru político, o senador João Alberto, encerrou um ciclo em que foi o partido mais importante do Maranhão, mas que vem perdendo força num processo            que culminou com as eleições do mês passado, nas quais foi duramente derrotado e que por isso iniciará em 2019 um novo ciclo, agora como um partido fragilizado no Maranhão.

Para o parlamentar, que nasceu como militante na Juventude do partido, essa é uma realidade indiscutível, que impõe à agremiação uma urgente renovação do seu quadro de líderes, onde se destacam o prefeito de Imperatriz, Assis Ramos, os deputados federais reeleitos Hildo Rocha e João Marcelo, o deputado federal Victor Mendes e o atual secretário nacional da Juventude, Assis Filho. “São nomes que estão prontos para comandar o partido numa situação de transição a nova realidade política do País”, disse o parlamentar, que é de longe o líder mais destacado da nova geração emedebista.

O deputado Roberto Costa deixa claro que ele e os líderes emedebistas da sua geração reverenciam os líderes atuais – o ex-presidente José Sarney, os senadores João Alberto e Edison Lobão e a ex-governadora Roseana Sarney -, que são, e continuarão sendo, as suas referências. Mas acha que eles já cumpriram o seu ciclo no comando partidário, e devem acompanhar a ciranda da política promovendo a nova geração.  Para ele, o mau desempenho dos candidatos do MDB nas urnas mostrou que um ciclo foi fechado e que o partido só terá condições de reunir forças para tentar voltar ao poder se souber se reciclar, se reavaliar e compreender a nova realidade, a nova visão do eleitorado, “que é muito diferente do de uma década atrás”. No seu entendimento, a reeleição do governador Flávio Dino (PCdoB) e a vitória da aliança partidária por ele liderada, além do acachapante sucesso eleitoral de Jair Bolsonaro (PSL) para a presidência da República, e com ela o surgimento de forças como o PCdoB e o PDT de um lado, e o PSL de outro, produziram um cenário no qual o MDB só sobreviverá se cair na real e realizar a transição que leve a nova geração ao seu comando, motivada pela ideia de renovação.

O MDB vinha sendo o partido hegemônico no Maranhão desde o final da década de 1980 do século passado, ganhando impulso no início dos anos 90, quando passou a ser controlado pelo Grupo Sarney, tendo João Alberto assumido o seu controle e o transformado numa máquina partidária poderosa. Com esse poder de fogo, o partido deu as cartas no Maranhão nos Governos de Edison Lobão e de Roseana Sarney, que, somados, representam quase duas décadas de domínio absoluto da cena política maranhense. Nesse período, o então MDB maranhense teve o maior número de prefeitos e vereadores, manteve sempre duas das três cadeiras no Senado, boa parte das cadeiras maranhenses na Câmara Federal e bancada forte na Assembleia Legislativa. De uma década para cá, porém, o partido vem amargando uma dura perda de poder, que culminou com a derrota avassaladora que sofreu nas últimas eleições. O que, na interpretação do deputado Roberto Costa, que foi um dos dois deputados estaduais eleitos pelo partido – o outro foi Arnaldo Melo -, deve levar o MDB a fazer agora a transição, não só no Maranhão, mas em todo o País.

O deputado Roberto Costa calcula que realizando as mudanças agora, o MDB terá condições de se preparar para as eleições municipais de 2020, quando poderá recuperar pelo menos parte do seu prestígio disputando para valer o maior número possível de prefeituras, a começar pela de São Luís, e assim dar o passo para as eleições gerais de 2022. “O MDB não pode ficar mais inibido nem a reboque desse ou daquele esquema partidário. Temos de nos preparar para a luta eleitoral como um partido forte. E isso só será possível se a direção do partido for renovada”, concluiu, admitindo que não será um processo fácil, mas prevendo que será possível.

 

PONTO & CONTRAPONTO

 

Bolsonaro bate continência para Sarney em ato pela Constituição

Jair Bolsonaro bate continência para José Sarney ao cumprimentá-lo em ato comemorativo aos 30 anos da Constituição na Câmara federal

A imagem não poderia ser mais reveladora: o presidente eleito Jair Bolsonaro batendo continência para o ex-presidente José Sarney na Mesa do Congresso Nacional numa cerimônia que celebrou os 30 anos da Constituição Cidadã. Durante a campanha, Jair Bolsonaro esnobou os políticos tradicionais, especialmente as raposas que, segundo ele, são responsáveis pela situação em que o País se encontra. Em algumas ocasiões, referiu-se ao ex-presidente José Sarney como uma dessas raposas, deixando claro que não queria aproximação com ele. Quando esteve em São Luís, na pré-campanha, bateu forte no Grupo Sarney, sem se referir diretamente ao ex-presidente, mas enfatizando que sua candidatura tinha o objetivo de tirar “essa gente” do poder, referindo-se também ao governo do PCdoB, liderado pelo governador Flávio Dino, afirmando que pretende “varrer os vermelhos” do poder. Depois de eleito, Jair Bolsonaro baixou o tom o aliviou o discurso. Ontem, na Câmara Federal, o comportamento do presidente eleito foi muito diferente do seu discurso de campanha. Ao invés do cumprimento normal, como um aperto de mão, por exemplo, Jair Bolsonaro dirigiu-se ao ex-presidente José Sarney batendo continência, como um capitão que dá de cara com um general.

 

Roberto Rocha deve enfrentar disputa pelo comando do PSDB no Maranhão

A  exemplo do que acontece com o partido em todo o País, mesmo nos estados em que ganhou o Governo do Estado, como em São Paulo e no Rio grande do Sul, por exemplo, o futuro do PSDB no Maranhão é rigorosamente incerto. É de esperar que o controle do ninho dos tucanos continue com o senador Roberto Rocha, principalmente por força do mandato. O PSDB desmoronou, perdeu a áurea de porta-voz da social-democracia e defensor da humanização da política e do estado democrático de direito pleno. Virou um partido puramente liberal, com inclinação para a direita, de acordo com o que professa sua agora maior liderança, o governador eleito de São Paulo, João Dória, que quer aliar o partido ao presidente eleito Jair Bolsonaro. No Maranhão, o chefe do ninho dos tucanos, senador Roberto Rocha, já aderiu ao presidente eleito, e o fez de maneira incisiva, para não deixar qualquer dúvida de que está disposto a liderar no estado a guinada do ninho à direita. Tucanos como o ex-prefeito de Imperatriz, Sebastião Madeira, que não conseguiu se eleger deputado federal, querem resolver a situação do partido. Dentro das linhas tucanas o clima ainda é de perplexidade com o resultado das eleições, embora algumas vozes já comecem a se manifestar. Responsável pelo partido, derrotado em todos os níveis, por força dos quatro anos de mandato senatorial, Roberto Rocha reúne ainda algum cacife para continuar no comando. Mas vai ter de enfrentar os que querem assumir a direção partidária.

São Luís, 07 de Novembro de 2018.

Pergunta ainda sem resposta no meio político: Quem comandará a Oposição ao Governo Flávio Dino?

 

Eduardo Braide, Aluísio Mendes, Hildo Rocha e Edilázio Jr. estão entre os que podem assumir a liderança da Oposição ao Governo Flávio Dino

Uma discussão interessante ganha intensidade nos bastidores da política maranhense: quem vai mesmo liderar a Oposição ao Governo Flávio Dino (PCdoB)? Uma avaliação rápida aponta para alguns nomes da bancada federal: o senador Roberto Rocha (PSDB), e os deputados federais eleitos e reeleitos Eduardo Braide (PMN), Edilázio Jr. (PSD), Aluísio Mendes (Podemos) e João Marcelo (MDB). No plano estadual, o deputado estadual reeleito Adriano Sarney (PV) não tem quase ninguém para liderar, e será líder de si mesmo. Há figuras destacadas fazendo barulho – como a ex-candidata a governadora Maura Jorge (PSL), por exemplo -, mas nas regras atuais uma voz sem mandato nada pesa no contexto político. Há exceções, como o ex-presidente José Sarney (MDB) e a ex-governadora Roseana Sarney (MDB), mas a repercussão das suas ações será drasticamente minimizada quando eles não mais tiverem uma máquina estatal para operar, o que fatalmente acontecerá a partir de Janeiro.

Numa situação de normalidade política, o caminho mais lógico seria a Oposição ser liderada pelo senador Roberto Rocha. O desastroso desempenho do PSDB nas eleições de Outubro, no entanto, destruiu completamente a máquina tucana, sendo que no Maranhão o estrago reduziu o partido à eleição do deputado estadual Wellington do Curso, hoje o principal nome do partido depois do senador, no plano parlamentar. O naufrágio do barco tucano colocou Roberto Rocha em segundo plano, pelo menos por enquanto. No contraponto, o deputado federal Eduardo Braide desponta como o nome com mais estatura para assumir o comando oposicionista, podendo ceder o “posto” ao deputado federal reeleito Hildo Rocha ou ao colega dele Aluísio Mendes. Hildo Rocha parece mais interessado em ocupar espaço parlamentar e garimpar emendas para municípios e sobreviver na bancada do MDB, enquanto Aluísio Mendes avança para ser uma das vozes do Governo Jair Bolsonaro no Congresso Nacional, podendo, por isso, vir a ser escalado para tornar-se a voz dele no Maranhão contra o Governo Flávio Dino. Nesse grupo está Edilázio Jr., mas para ser um líder oposicionista ele precisará mostrar que é mais do que uma voz sobrevivente do Grupo Sarney.

O problema da Oposição ao Governo Flávio Dino é que a aliança dinista venceu as eleições de cabo a rabo, formando um exército aguerrido em torno do Palácio dos Leões. Conta com pelo menos 32 dos 42 deputados estaduais, com 12 dos 18 deputados federais e dois dos três senadores, não deixando espaço para que adversários se mobilizem e formem o cerco com poder de fogo para atingi-lo. No caso da bancada federal, os quadros que a aliança governista elegeu são politicamente fiéis e competentes, como é o caso do deputado federal reeleito Rubens Jr. (PCdoB), que teve desempenho surpreendente no primeiro mandato; de Márcio Jerry (PCdoB), principal articulador político da base dinista; do experiente e bem preparado Bira do Pindaré (PSB), e do ativo e correto Pedro Lucas Fernandes (PTB). Além deles, que estão na primeira linha de combate, o governador Flávio Dino conta ainda com o hábil e bem articulado André Fufuca (PP), com o cristão novo Gil Cutrim (PDT), com o petista Zé Carlos (PT) e o campeão de votos Josimar Maranhãozinho (PR), que se declara aliado do governador, mas tem planos para voos mais altos.

Não há dúvidas de que o comando do que restou do Grupo Sarney vai tentar assumir a Oposição ao governador Flávio Dino, mas também e verdade que outras vozes tentarão o mesmo. É provável que, cedo ou tarde, com movimentos cuidadosos, o Grupo Sarney encontrará um caminho para se relacionar com o presidente Jair Bolsonaro, mesmo tendo ele já dado várias demonstrações de que não quer aproximação com o sarneysismo. Há quem que esse canal será aberto pelo deputado Aluísio Mendes, caso ele venha mesmo a ocupar um espaço expressivo na base de apoio do novo Governo, como os sinais estão indicando. Isso, porém, não garante força ao projeto oposicionista do Grupo Sarney.

O fato concreto é que neste momento o governador Flávio Dino ainda não enxerga no cenário um movimento oposicionista que o preocupe. É verdade que ainda é cedo e que as forças derrotadas ainda estão dispersas. Mas é verdade também que o quadro político tende a se ajustar e que, mais cedo ou mais tarde, os adversários do Governo estadual se articularão com Eduardo Braide, Aluísio Mendes, Hildo Rocha e Edilázio Jr. para marcar posição nesse campo, provavelmente com o aval do Palácio do Planalto.

 

PONTO & CONTRAPONTO

 

Rogério Cafeteira mantém liderança do Governo, apesar de não reeleito

Rogério Cafeteira permanecerá na liderança até o fim do mandato

Enganou-se quem pensou que a não reeleição desestimularia o deputado Rogério Cafeteira (DEM) a cumprir o resto do mandato na condição de líder do Governo. Ao contrário, Rogério Cafeteira vem cumprindo fielmente as obrigações da liderança, principalmente dando combate aos ataques disparados no plenário da Assembleia Legislativa pelos deputados Adriano Sarney (PV) e Welington do Curso que, reeleitos, não aliviaram a artilharia na direção do Palácio dos Leões neste fim de legislatura. Ontem, por exemplo, o líder Rogério Cafeteira ocupou a tribuna para defender o governador Flávio Dino de críticas dos deputados Wellington do Curso e Adriano Sarney em relação à Portaria Nº 1.044, de 30 de Outubro, que estabelece redução de despesas na área de saúde e regula plantão de médicos.

Como que articulados num mini bloco oposicionistas, os deputados Adriano Sarney e Wellington do Curso acusaram o governador Flávio Dino de tentar reduzir salários com o anunciado controle de despesas na área de Saúde. Durante do ataque, o líder governista reagiu afirmando que a referida Portaria está em consonância com a PEC 95, do Governo Federal, que dispõe sobre o controle de despesas com a saúde em todo o Brasil.

Rogério Cafeteira foi mais além: “Não é plausível que um médico que presta um plantão em Pinheiro ganhe diferente do outro que ganha em Chapadinha. É apenas e tão somente isso. Agora, me causa estranheza alguns deputados mais afoitos chegarem aqui e questionarem, como se houvesse diminuição de salários. Todos sabem que a Emenda 95 restringiu gastos com saúde em todo o Brasil e os grupos que votaram a favor da referida PEC são os mesmos que chegam aqui chamando de golpistas quem venceu democraticamente as eleições, fazendo defesa de presidente eleito (Jair Bolsonaro), que agora mesmo denunciou que o ex-ministro do Meio Ambiente, o deputado federal Sarney Filho, tinha vendido a Amazônia para organizações internacionais”, disse.

Afirmando ser ele próprio o único responsável por sua não reeleição, afirmando que perdeu e já fez o seu “mea culpa”, Rogério Cafeteira avisou que será líder do Governo até último dia do seu mandato, pronto para rebater qualquer ataque da Oposição ao governador Flávio Dino.

 

Fábio Câmara: depois do aval de Michel Temero, quer o de Jair Bolsonaro

Fábio Câmara já teme o apoio de Michel temer e agora quer o de Jair Bolsonaro para disputar Prefeitura

Para anotar e aguardar: o ex-vereador Fábio Câmara (PSL) teria confidenciado a vários interlocutores que está de passagem comprada para Brasília no início do ano que vem e que retornará ao Maranhão com o aval do presidente Jair Bolsonaro para ser o candidato do partido a prefeito de São Luís em 2020. A esses interlocutores, ele teria dito ter os argumentos que convencerão o presidente a apostar no seu projeto. Para lembrar: quando conseguiu convencer a cúpula estadual do então PMDB de que ela a melhor alternativa para disputar a Prefeitura de São Luís em 2016, Fábio Câmara conseguiu convencer os chefes do partido a levá-lo a Brasília e o apresentassem ao presidente Michel Temer. A viagem foi feita, o então vereador esteve pelo menos duas vezes com o presidente da República, com quem conversou sobre seu projeto. Retornou a São Luís entusiasmado com a receptividade de Michel Temer. Embalado por aquele apoio, foi para a disputa e ficou em um humilhante quarto lugar. Resta saber se será diferente com o presidente Jair Bolsonaro.

São Luís, 06 de Novembro de 2018.

Flávio Dino assume protagonismo como voz destacada da Oposição ao Governo de Jair Bolsonaro

 

Flávio Dino se credencia como uma das vozes da Oposição ao Governo Bolsonaro

Desde a posse de José Sarney como presidente da República em 1985, o Maranhão não ocupava um espaço tão expressivo no cenário político nacional como agora. Houve momentos de altos – como o ensaio de candidatura presidencial da então governadora Roseana Sarney em 2002 e o lançamento do projeto da Refinaria Premium I em 2010 – e baixos – como a invasão da empresa Lunus em 2002, que brecou o voo presidencial de Roseana Sarney, e o desmanche cruel e implacável do projeto da Refinaria Premium I. Houve fatos intermediários, como a histórica vitória eleitoral de Jackson Lago em 2006 e sua cassação em 2009, por exemplo, mas nenhum fato, episódio ou movimento recente da política maranhense ganhou a dimensão da eleição e do desempenho político do governador Flávio Dino (PCdoB), que cresce a cada dia no plano nacional com a consistência dos que sabem o que dizem e onde pisam. No momento, enquanto a maioria absoluta dos políticos de peso encontra-se visivelmente intimidada, na moita, o governador do Maranhão assume um protagonismo sem paralelo nos últimos tempos, como um dos líderes mais acreditados da esquerda e uma das vozes mais centradas do contraponto à chegada da direita radical ao poder com a eleição de Jair Bolsonaro para chefiar a Nação.

Do alto de uma trajetória construída na militância intensa, na qual não há registro de recuo, vacilo ou oportunismo barato, o governador do Maranhão vem fazendo uma série de alertas contundentes para o risco de o Brasil ser tirado da sua caminhada como uma república democrática e redirecionado para a rota primária de autoritarismo. Na última semana, em meio ao desfecho barulhento da eleição presidencial, Flávio Dino entrou no primeiro plano da política brasileira ao externar suas preocupações com as limitações e as “convicções” do presidente eleito, e com a suspeita de que o juiz federal Sérgio Moro atuou politicamente na Operação Lava-Jato.

Nas suas manifestações pós-eleições, Flávio Dino manteve inalteradas suas preocupações quanto à capacidade técnica e política do presidente eleito Jair Bolsonaro para comandar o Brasil nesse momento, prevendo que 2019 será um ano dramático, exatamente porque as demandas virão com força e é improvável que o Governo Bolsonaro tenha condições de dar as respostas adequadas. Em relação à escolha do juiz Sérgio Moro para o superministério da Justiça que está sendo montado com as fusões de áreas do Governo, foi com serenidade e firmeza que o governador do Maranhão criticou duramente o chefe da Operação Lava-Jato, vendo na sua decisão de aceitar o convite a revelação de uma articulação que ligou a prisão do ex-presidente Lula da Silva (PT) ao projeto de Jair Bolsonaro de chegar ao poder. E que tem como segunda fase a candidatura do próprio Sérgio Moro na sucessão do presidente eleito.

– Eles estavam militando no mesmo projeto político: o da extrema-direita. O grave problema é esconder interesses eleitorais por baixo da toga. Não há caso similar no Direito no mundo inteiro – disparou Flávio Dino no Twitter. Para o governador, a escolha de Moro é a “comprovação de interesses eleitorais na Lava-Jato, além de comprometê-la quanto ao já feito, infelizmente vai gerar suspeitas com relação a casos similares no futuro. Não é apenas Sérgio Moro que perde credibilidade”.

Claro está que as relações do Governo Flávio Dino com o Governo Bolsonaro não serão normais. Conhecedor das regras institucionais e dos direitos dos estados no contexto da Federação, o governador tem perfeita noção dos limites de eventuais retaliações. Nesse contexto, ele se  movimenta como quem está muito seguro da sua postura política e do seu papel como referência para os segmentos de Oposição que, na sua visão, devem se articular numa ou em várias frentes. E o objetivo central dessa articulação é contrapor-se a eventuais arroubos autoritários do Governo Bolsonaro.

O protagonismo assumido pelo governador do Maranhão dá-se exatamente no momento em que o ex-presidente José Sarney, por exemplo, mesmo diante da cipoada verbal com que o presidente eleito alvejou o ex-ministro do Meio Ambiente, Sarney Filho, acusando-o – tudo indica injustamente – de ter vendido um pedaço da Amazônia para OGNs estrangeiras, assume uma postura cuidadosa, sem qualquer sinal de quem em algum momento adotará uma postura crítica ao futuro Governo. E se e postura do governador do Maranhão o credencia a tentar voos mais altos, nada mais natural, a começar pelo fato de que faz um jogo aberto e direto, e bem fundamentado, mas também correndo riscos políticos, como mandam as regras da democracia.

 

PONTO & CONTRAPONTO

 

Carlos Brandão ganha peso político e terá papel decisivo na sucessão de Flávio Dino

Carlos Brandão: vice correto e papel importante na corrida sucessória para o Governo do Estado em 2022

Citado em todas as conversas que tratam da sucessão do governador Flávio Dino em 2022, o vice-governador Carlos Brandão (PRB) se mantém na mais absoluta discrição, contrariando obstinadamente a tese segundo a qual o papel de vice é conspirar contra o titular. Nas conversas que correm nos bastidores do Governo e da Oposição e nas rodas formadas por políticos e jornalistas, Carlos Brandão vem ganhando, com a reeleição, um peso diferenciado, à medida que poderá seguir três caminhos. O primeiro será assumir o Governo com a renúncia do governador para disputar uma cadeira no Senado, ser candidato a vice-presidente ou até mesmo candidatar-se a presidente. O segundo será a sua eventual nomeação para o Tribunal de Contas do Estado, abrindo caminho para que o mandato do atual governador seja fechado pelo presidente da Assembleia Legislativa. E o terceiro, e menos provável, será deixar o cargo para candidatar-se a uma vaga na Câmara Federal. Discreto, exatamente por saber que terá participação decisiva na sucessão de Flávio Dino, Carlos Brandão sabe que não pode cometer erros e por isso se mantém distante dos burburinhos e das armadilhas, evitando qualquer tentação que possa criar embaraço para ele e para o governador. E se prepara para cumprir as tarefas de representação que são dadas com frequência pelo governador. A partir de Janeiro, o vice-governador Carlos Brandão voará com frequência para Brasília para representar o Governo do Maranhão, sempre que o titular julgar que deva escalá-lo para representar o Governo do Maranhão em eventos com o presidente da República ou com o ministro da Justiça. Carlos Brandão sabe que em janeiro iniciará uma caminhada decisiva para o seu futuro.

 

Eduardo Braide e Duarte Jr. poderão fazer a grande disputa para prefeito de São Luís em 2020

Eduardo Braide e Duarte Jr.: provável confronto para a Prefeitura de São Luís em 2020

Não se discute que o caminhão de votos que recebeu em São Luís como candidato a deputado federal credenciou o deputado Eduardo Braide (PMN) a disputar a Prefeitura da Capital em 2020. Mas ninguém discorda, porém, que ao receber mais de 40 mil votos na Capital para deputado estadual deu a Duarte Jr. (PCdoB) cacife equivalente para entrar na briga pelo Palácio de la Ravardière. Se o prestígio dos dois se mantiver nos próximos 24 meses, a disputa pelo comando político e administrativo de São Luís será um confronto de “bons de voto”, como não se vê há tempos. Se Duarte Jr. for escalado pelo governador Flávio Dino para a sucessão do prefeito Edivaldo Holanda Jr. (PDT), ele entrará no embate com potencial turbinado pelo apoio do pedetista, podendo converter esse ativo em votos. Já Eduardo Braide terá de se agigantar para consolidar a liderança mostrada aqui até e que está ameaçada. Nesse caso, Eduardo Braide poderá saltar a escala municipal e preparar-se de vez para disputar o Governo do Estado em 2022. Isso porque, calculista competente como é, Braide sabe que não poderá tropeçar em erros. Será, como se vê, uma peleja eleitoral e tanto.

São Luís, 04 de Novembro de 2018.

Com autoridade de ex-juiz federal e governador reeleito do Maranhão, Flávio Dino critica ida de Sérgio Moro para o Ministério da Justiça

 

Flávio Dino critica a decisão de Sérgio Moro, aceitar convite de Jair Bolsonaro para assumir o Ministério da Justiça

Nenhuma escolha do presidente eleito Jair Bolsonaro (PSL) para a formação do seu ministério causou tanto impacto no meio político e na seara institucional quanto a do juiz federal Sérgio Moro, responsável pela Operação Lava-Jato, para o poderoso Ministério da Justiça. O convite, aceito na hora, provocou amplas manifestações de apoio por parte dos que veem o magistrado como exemplar, como também causou um vendaval de críticas, disparadas pelos que enxergam nele um magistrado parcial e movido por convicções políticas. Os que o apoiam têm nele apenas um cidadão comprometido com o País, sem viés político. Os que o criticam o apontam como um militante político da direita conservadora, plenamente identificado com os postulados da extrema direita professados pelo presidente eleito Jair Bolsonaro. Entre os críticos da escolha e da aceitação está o governador Flávio Dino (PCdoB), que com a autoridade de quem foi juiz federal, avalia que Sérgio Moro cometeu grave deslize ético ao “militar no mesmo projeto político” do presidente eleito, e “esconder interesses eleitorais por baixo da toga”.

– Sérgio Moro aceitar o ministério de Bolsonaro é um ato de coerência. Eles estavam militando no mesmo projeto político: o da extrema-direita. O grave problema é esconder interesses eleitorais por baixo da toga. Não há caso similar no Direito no mundo inteiro -, escreveu Flávio Dino em sua conta no Twitter, na tarde de quinta-feira, horas depois do encontro de Sérgio Moro e Jair Bolsonaro, no Rio de Janeiro, no qual a escolha foi acordada. O governador do Maranhão completou a manifestação crítica afirmando que “a comprovação de interesses eleitorais na Lava-Jato, além de comprometê-la quanto ao já feito, infelizmente vai gerar suspeitas com relação a casos similares no futuro. Não é apenas Sérgio Moro que perde credibilidade”.

Com a manifestação à escolha do juiz Sérgio Moro para o Ministério da Justiça, o governador Flávio Dino ratifica sua posição crítica a algumas decisões do ex-colega no comando da Operação Lava-Jato, vendo nelas parcialidade e motivações políticas. A postura do governador maranhense de apontar quebra na ordem jurídica e envolvimento político em decisões de Sérgio Moro em relação, por exemplo, ao ex-presidente Lula da Silva (PT), não é recente. Ela foi formada e manifestada ainda nos primórdios da Operação que desmontou o esquema de corrupção na Petrobras e apanhou de roldão figuras de proa do PT no Governo Dilma Rousseff, culminando com o impeachment dela e, mais tarde, com a condenação e prisão do ex-presidente Lula da Silva. Flávio Dino sempre defendeu a Operação Lava Jato, mas sempre foi enfático ao afirmar, em tom de denúncia, que em alguns casos o juiz Sérgio Moro abusou da autoridade, atropelou a ordem jurídica e atuou politicamente motivado por uma linha ideológica de direita radical. Ao aceitar o convite do presidente Jair Bolsonaro para ser ministro da Justiça, Sérgio Moro revelou por completo a sua posição política.

Poucas personalidades do contexto político e institucional brasileiro têm tanta autoridade para apontar Sérgio Moro como um juiz parcial e politicamente afinado com o projeto da extrema-direita de chegar ao poder. Para começar, os dois entraram para a magistratura federal em 1996, no mesmo concurso, no qual Flávio Dino foi aprovado em primeiro lugar. Flávio Dino exerceu a magistratura intensamente, militando também na luta corporativa, tendo sido presidente da Associação de Juízes Federais, uma entidade de forte militância em defesa da magistratura, enquanto Sérgio Moro foi estudar em universidades conservadoras norte-americanas. Flávio Dino deixou a magistratura em 2006 e elegeu-se deputado federal, tornando-se uma referência na Câmara Federal em assuntos jurídico-institucionais. Sérgio Moro se dedicou à magistratura no Paraná, atuando no combate à lavagem de dinheiro, até que assumiu o comando da Operação Lava-Jato.

A diferença entre os dois é nítida. Flávio Dino foi um magistrado sério, que optou por entrar na vida política pela porta da frente, renunciando a toga e conquistando um mandato de deputado federal, realizando um trabalho político na esquerda democrática e alcançando o Governo do Maranhão, que comanda sem mácula ética, o que o tornou uma das vozes políticas mais acreditadas do País. Sérgio Moro se manteve na magistratura e se notabilizou pela firmeza com que toma decisões relacionadas com o crime de colarinho branco, como lavagem de dinheiro e corrupção pura e simples, porém apontado por muitos de fazer política sob a toga. Como é do seu direito, Sérgio Moro deixará a magistratura para participar de um Governo de direita conservadora, não havendo nisso nada de ilegal podendo ser até mesmo ser um rasgo sincero de idealismo, como disse a deputada bolsonariana eleita Janaína Paschoal.

O problema é que o gesto causa a impressão de que o ainda magistrado está de acordo com o que pensa o presidente Jair Bolsonaro sobre fuzilar bandidos, “metralhar petralhas”, usar a tortura em interrogatórios, fechar a Folha de S. Paulo e outros itens do gênero, que nem de longe passam pela cabeça do governador do Maranhão.

 

PONTO & CONTRAPONTO

 

Blog da direita esclarecida reage a críticas de Dino a Moro

Formada por militantes assumidos da direita esclarecida que tem no antipetismo a razão de ser do seu jornalismo, a turma de craques do badalado blog o antagonista.com não gostou nem um pouco da declaração do governador Flávio Dino dizendo que, ao aceitar o convite do presidente eleito Jair Bolsonaro para assumir o Ministério da Justiça, o juiz Sérgio Moro confirmou a suspeita de ser um militante da direita e vinha escondendo interesses políticos debaixo da toga. E resolveu atirar no governador do Maranhão:

“Quem escondia interesses debaixo da toga era Flávio Dino, ex-juiz federal, hoje governador do Maranhão.

Ele fez exatamente como Sergio Moro.

Só que Dino, o político, se alinhou com o governo mais corrupto da história.

Moro, o político, vai comandar um ministério contra a corrupção”.

Nota é confusa e foi escrita simplesmente para bater no governador. Basta analisar as duas posturas para se perceber claramente a distância enorme que separa um do outro em matéria de correção política.

Flávio Dino não deixou a magistratura para entrar na política como um aventureiro, mas como um projeto de vida, rascunhado ainda nos embates do movimento estudantil. Ele renunciou à bem sucedida carreira de magistrado para entrar pela porta da frente e sem padrinho: candidatou-se e elegeu-se deputado federal. Exerceu o mandato respeitado como um dos grandes parlamentares daquela legislatura (2007/20011), tendo sido, por exemplo, o relator da Lei de Responsabilidade Fiscal e um dos articuladores da Lei da Ficha Limpa. Flávio Dino disputou e perdeu a eleição para prefeito de São Luís em 2008. Disputou e perdeu o Governo do Estado em 2010.

Independente e liderando um grande movimento de massa, disputou o Governo do Estado em 2014 e venceu a eleição sem o apoio de nenhum graúdo da política nacional. Reelegeu-se em 2018, livre novamente de qualquer amarra com chefões da política nacional.

Até agora, Flávio Dino faz uma carreira independente e irreprovável, sem nenhum deslize ético e nenhuma amarra política, e com esse cacife, que só cresce, caminha para voos mais altos. Sérgio Moro, ao contrário, decidiu deixar a magistral para entrar na vida política na poeira do sucesso eleitoral de Jair Bolsonaro, com quem tem afinidades.

Vale anotar que Jair Bolsonaro revelou esperteza política ao convidar Sérgio Moro para comandar o braço do seu Governo contra a corrupção e o crime organizado. Montou uma equação simples: se Moro for bem sucedido, os louros serão do presidente da República; se fracassar, a culpa será do ministro da Justiça, que decepcionará a sociedade e o presidente.

A turma do o antagonista errou feio na comparação de Sérgio Moro com Flávio Dino

 

Roberto Costa sai das eleições fortalecido e com desafios à frente

Roberto Costa investiu na sua reeleição para a Assembleia e foi bem sucedido

Passado o período eleitoral, uma avaliação simples aponta o deputado estadual Roberto Costa (MDB) como um dos políticos mais bem sucedidos na guerra pelo voto no Maranhão. Não apenas pela sua reeleição para a Assembleia Legislativa, mas pelos eventos políticos que pontilharam seu mandato. Por decisão do seu partido, Roberto Costa foi escalado para disputar a Prefeitura de Bacabal em 2016, correndo um grande risco, à medida que a dedicação a campanha em Bacabal o obrigaria a se ausentar das suas outras bases eleitorais, como São Luís, por exemplo, onde já foi inclusive candidato a vice-prefeito em 2008. Roberto Costa encarou o desafio, candidatou-se a prefeito de Bacabal, mas perdeu a eleição para o ex-prefeito Zé Vieira (PR). O prefeito eleito foi empossado, mas pouco mais de um ano depois perdeu o cargo por ser ficha suja, tendo a Justiça Eleitoral dado posse ao presidente da Câmara, Edivan Brandão (PSC). Roberto Costa seria o candidato natural para a nova eleição – marcada para o dia 28 de Outubro, data do 2º turno das eleições. Roberto Costa analisou o cenário e decidiu investir na sua reeleição de deputado estadual, preferiu do apoiar a candidatura do prefeito temporário. Apesar de todo o sufoco que experimentou, a estratégia deu certo: ele se reelegeu deputado estadual e teve papel fundamental na eleição de Edivan Brandão para a Prefeitura de Bacabal. A partir do próximo ano, Roberto Costa terá outros desafios pela frente, começando pelo futuro do MDB, que poderá sair do controle do senador João Alberto, já tendo sobreviventes do Grupo Sarney reivindicando o posto, entre eles o deputado federal reeleito Hildo Rocha (MDB), havendo também quem preveja que o ex-deputado Ricardo Murad tentará assumir o controle do partido. Há, porém, uma corrente que aposta que agora, ao assumir o terceiro mandato parlamentar, Roberto Costa deva assumir o comando do MDB em substituição ao seu orientador político, senador João Alberto.

São Luís, 02 de Novembro de 2018.

Sarney Filho sai em defesa do Ministério do Meio Ambiente e diz que fusão com o da Agricultura pode ser desastrosa

 

Sarney Filho critica proposta de de Jair Bolsonaro de juntar a Agricultura com o Meio Ambiente 

O Brasil pagará um preço muito alto se o presidente eleito Jair Bolsonaro (PSL) consumar a junção dos ministérios de Agricultura e do Meio Ambiente. O alerta contra tal projeto ganhou força ontem, na Câmara Federal, na voz do deputado federal Sarney Filho (PV), ex-ministro de Meio Ambiente, que não apenas reprovou a ideia, como também manifestou temor de que o novo Governo vá além e retire o Brasil do Acordo de Paris. A pressão que o presidente eleito está recebendo das organizações formadas por produtores rurais – entre elas a União Democrática Ruralista (UDR), fundada no início dos anos 80 pelo então jovem médico e produtor rural Ronaldo Caiado (DEM), atual senador e governador eleito de Goiás – já fez o presidente eleito mudar de posição duas vezes, causando perplexidade nos observadores e aumentando a preocupação de todos os segmentos de alguma maneira ligados à questão ambiental. As declarações de Sarney Filho foram feitas em meio a uma manifestação de deputados membros da Frente Parlamentar Ambientalista (FPA), da qual o maranhense é fundador e um dos membros mais destacados, pela militância que tem na área, considerada uma das mais sensíveis quando se fala do Brasil nos foros internacionais.

Uma das maiores autoridades da seara ambientalista do planeta, status que adquiriu na militância iniciada ainda nos anos 80, e por meio da qual foi um dos fundadores da FPA e, logo depois, do Partido Verde (PV) no Brasil, e também por ter sido ministro do Meio Ambiente nos Governos FHC (PSDB) e Michel Temer (MDB), Sarney Filho se posicionou com firmeza em relação às incertezas produzidas pelo presidente eleito sobre  futuro o Meio Ambiente no País. A reação parlamentar surgiu principalmente pelo fato de o presidente eleito estar claramente inclinado a atender aos pleitos dos produtores rurais, que tentam de todas as maneiras alterar regras do Código Ambiental, principalmente no que diz respeito aos limites para desmatamento. E o fato de estar tendo a cúpula da UDR como principal interlocutor tem causado forte preocupação nos militantes conservacionistas, entre eles o ex-ministro Sarney Filho.

Na sua fala, além do alerta para o risco de desastre de uma eventual fusão das áreas de Agricultura e Meio Ambiente num só ministério, o deputado federal Sarney Filho alertou também para a possibilidade de o Governo de Jair Bolsonaro vir a retirar o Brasil do Acordo de Paris, o grande entendimento firmado por quase duas centenas de países com o objetivo de preservar o planeta por meio de medidas destinadas a evitar o aquecimento global. O compromisso do Brasil com as bases do Acordo de Paris vem também do fato de que elas foram lançadas no país, na Rio 92, a maior conferência de chefes de Estado para discutir o futuro do planeta realizada no mundo até então. O Acordo está sendo fragilizado pela ameaça do presidente norte-americano Donald Trump de retirar os EUA, sendo seguido por alguns governantes de direita, posição que, tudo indica, tem a simpatia do presidente eleito Jair Bolsonaro.

As declarações de Sarney Filho soaram como um manifesto destinado a chamar a atenção do presidente eleito e da sociedade para os riscos de tomar decisões precipitadas e equivocadas em relação a uma área como a do Meio Ambiente no Brasil, à qual o mundo inteiro se mantém vigilante. Isso porque nos oito milhões de quilômetros quadrados do território nacional estão abrigadas as mais importantes reservas florestais do planeta, que guardam um acervo imensurável em matéria de biodiversidade, como é o caso da Amazônia, incluindo aí as reservas de água doce e uma infinidade de aspectos que influenciam diretamente na conservação da vida.

O dado político a ser registrado no episódio é que, ao contrário de outros políticos, Sarney Filho não mergulhou na reclusão por não ter sido eleito para uma vaga de senador. Com autoridade política e conhecimento de causa, ele assumiu o protagonismo que tem na seara ambiental defendendo posições lúcidas e firmes diante da possibilidade real de um retrocesso altamente perigoso para o futuro do País.

 

PONTO & CONTRAPONTO

 

Aposentadoria de João Alberto abre disputa pelo comando do MDB no Maranhão

João Alberto deve se aposentar e deixar o comando do MDB maranhense, que é pleiteado por Hildo Rocha

Já são evidentes os sinais de que uma disputa se arma dentro do que restou do Grupo Sarney pelo controle do braço maranhense do MDB. De um lado está o senador João Alberto, que comanda o partido desde o início dos anos 90 do século passado, quando o fundador da agremiação no Maranhão, deputado federal Cid Carvalho, caiu em desgraça por seu envolvimento no escândalo dos “Anões do Orçamento”. De lá ara cá,  várias tentativas foram feitas para tirar o senador do comando emedebista, mas nenhuma deu certo. A mais recente aconteceu no início do ano passado, comandada pelo ex-deputado Ricardo Murad, que tentou chegar ao comando emedebista lançando sua filha, a deputada estadual Andrea Murad, candidata a presidente do MDB, mas não funcionou. Com a autoridade de quem administra bem o partido e a posição destacada na cúpula do Grupo Sarney, João Alberto se manteve na direção do MDB até agora. A partir de fevereiro, no entanto, ele se aposentará de vez da política, devendo também deixar o comando do MDB no Maranhão. Tudo indica que ele tentará passar o bastão para o deputado federal reeleito João Marcelo de Souza, seu filho, ou para o deputado estadual reeleito Roberto Costa. Só que,  com o apoio da ex-governadora Roseana Sarney, o deputado federal reeleito Hildo Rocha já manifestou o desejo de comandar o MDB no Maranhão. É certo que outros nomes – como o deputado estadual e deputado federal eleito Edilázio Jr., hoje no PSD, o atual suplente de senador Lobão Filho, o próprio Ricardo Murad, hoje “exilado” no PRP, por exemplo – entrem na briga pelo comando emedebista. Chefe maior do MDB maranhense, o ex-presidente José Sarney, certamente tentará fazer com que o sucessor de João Alberto seja escolhido por consenso, mas até aqui o que está em construção é um cenário de disputa.

 

Rogério Cafeteira poderá ser convocado para o Governo

Rogério Cafeteira deixar  liderança e deve ocupar cargo no Governo

O deputado Rogério Cafeteira, líder do Governo na Assembleia Legislativa, não se reelegeu, mas não deve ficar de fora da vida pública. Rumores que correm nos bastidores governistas dão conta de que ele será convocado pelo governador Flávio Dino (PCdoB) para assumir um cargo no primeiro escalão. Não se falou ainda sobre qual o cargo, mas tudo indica que será na Governadoria, para auxiliar diretamente o governador. Rogério Cafeteira tem sido um líder correto e eficiente, gosta de trabalhar nos bastidores e só ocupa a tribuna para defender o Governo e o governador de ataques da Oposição, como os da deputada Andrea Murad -, linha de frente oposicionista e disposta a infernizar a vida do governador, o que não conseguiu, apesar dos inúmeros e agressivos discursos que pronunciou atacando o Governo. Tanto que, ao contrário de outros governistas que não conseguiram se reeleger e culpam Deus e o mundo pelo fracasso nas urnas, Rogério Cafeteira fez um discurso descente, responsabilizando a si próprio pelo fraco desempenho nas urnas por ter feito acordos equivocados.

São Luís, 01 de Janeiro de 2018.

 

“Representação” do Governo Bolsonaro no Maranhão será alvo de disputa entre aliados de primeira hora e amigos recentes

 

Maura Jorge, Chico Carvalho, Aluízio Mendes e Roberto Rocha de olho na “representação” bolsonarista no Maranhão

Dos quatro quadros que se movimentam com o objetivo de representar o futuro Governo no Maranhão, o que mais vem ganhando espaço é o deputado federal reeleito Aluísio Mendes. Policial federal e hoje um político independente dentro do Grupo Sarney, apoiou no 1º turno o candidato presidencial do seu partido, Álvaro Dias, e no 2º turno abraçou a candidatura de Jair Bolsonaro. Integrante da bancada ligada à segurança pública e de grupos formados por deputados oriundos da área policial, como é o caso do deputado Eduardo Bolsonaro (PSL-SP), filho do presidente eleito, o deputado Aluísio Mendes estaria sendo escalado para ser um dos articuladores do novo Governo na Câmara Federal. É verdade que nada existe de concreto ainda, mas a julgar pelo que se ouve nos bastidores, Aluísio Mendes terá espaço amplo no novo Governo, devendo usar esse trunfo para ampliar seu raio de ação política no Maranhão.

A ex-prefeita Maura Jorge já ocupa um espaço no movimento de Jair Bolsonaro, por ter abraçado sua candidatura ainda no início da corrida eleitoral, quando deu um “chega-pra-lá” no coronel Ribamar Nogueira, que se lançara candidato bolsonarista no estado. Sozinha e sem as condições mínimas para atuar em campanha, a ex-prefeita de Lago da Pedra foi a Brasília, declarou apoio ao então pré-candidato e obteve dele o aval para falar em seu nome no Maranhão durante a campanha. O presidenciável Jair Bolsonaro fez escala em São Luís durante a corrida às urnas, declarando, em alto e bom som, que a candidata ao Governo do Estado seria sua representante no Maranhão, declarações que a levaram ao terceiro lugar. Sem um cacife definido, mas com visível disposição para embalar sua carreira no estado, Maura Jorge pode até vir a liderar o “bolsonarismo” no estado e será sempre um quadro importante nessa novidade.

Uma das raposas da política de São Luís, que já presidiu a Câmara Municipal da Capital por três mandatos, Chico Carvalho foi um dos fundadores do PSL no Maranhão, tendo sido apanhado de surpresa pelo furacão do seu partido na corrida presidencial e foi “atropelado” por Maura Jorge no comando das ações para fortalecer a presença de Jair Bolsonaro no estado. Essa medição de forças resultou no rompimento dos dois, com xingamentos de parte a parte. Provavelmente movido pela certeza de que dificilmente continuará a comandar o PFL no Maranhão, Chico Carvalho vem tentando se articular nacionalmente, tendo como “padrinho” o senador capixaba Magno Malta, um dos políticos mais próximos do presidente eleito Jair Bolsonaro. Sua posição ainda está indefinida e ele continua à frente do partido.

Recentemente, a seara bolsonarista ganhou um interessado de peso, o senador Roberto Rocha, que preside o PSDB no Maranhão. Humilhado nas urnas e sem saber exatamente o que acontecerá com o outrora poderoso partido dos tucanos depois que o seu presidente, Geraldo Alckmin, também quase foi reduzido a pó na corrida ao Planalto, Roberto Rocha enxerga no Governo de Jair Bolsonaro uma espécie de luz no fim do túnel em que se encontra. Tanto que furou o cerco e foi recebido pelo presidente eleito a quem apresentou o projeto Zema, estimulando seus críticos a semear o factóide segundo o qual ele estaria de olho num ministério. Há quem diga que num grande lance o senador Roberto Rocha poderá vir a ser o “homem” de Bolsonaro no Maranhão, o que não se pode descartar, já que um senador vale muito para um governo que chega precisando desesperadamente de apoio no Congresso Nacional.

É cedo ainda para se saber quem vai dar as cartas em nome do Governo Jair Bolsonaro no Maranhão. Isso porque será uma guerra dura, já que o troféu é rico, começando pelo poder de influenciar na indicação de centenas de cargos de alto, médio e baixo escalão no braço maranhense da máquina federal.

 

PONTO & CONTRAPONTO

Flávio Dino prevê um 2019 sombrio

Flávio Dino manifesta preocupação com os problemas do Brasil em 2019

“Tudo indica que 2019 será mais um ano de recessão e conflitos sociais no Brasil. Finanças públicas de muitos estados e municípios entrarão ou continuarão em colapso. Prosseguirei atento para evitar que isso aconteça no Maranhão. Mais um deserto a atravessar. Tenhamos fé”.

Com a declaração, divulgada ontem no twitter, o governador Flávio Dino (PCdoB) prevê um quadro sombrio para o Brasil sob o Governo de Jair Bolsonaro (PSL). Tal expectativa é compartilhada por muitos especialistas, que duvidam que o novo presidente e sua equipe assumam com fórmulas prontas e capazes de assegurar uma gestão sem maiores problemas. Os sintomas de que os brasileiros devem se preparar para o que vem por aí estão nos próprios desencontros de informação que têm marcado as falas dos porta-vozes informais do presidente eleito. Analistas independentes duvidam que o próximo Governo venha a ser um controle forte sobre o Congresso Nacional para dar as cartas. Um dos sinais mais evidentes de que a situação será complicada e exigirá que o Governo baixe a crista e sente à mesa de negociações foi emitido ontem pelo presidente da Câmara Federal, deputado Rodrigo Maia (DEM-RJ). Perguntado sobre a possibilidade d a Câmara se reunir para votar a Reforma da Previdência ainda neste ano, ele respondeu: “Pode sim. Mas o Governo terá de negociar”. Para bom entendedor, uma frase basta.

 

César Pires descarta assumir liderança da Oposição na Assembleia Legislativa

César Pires descarta assumir a liderança da Oposição na AL

Cotado para ser o líder da Oposição na nova Assembleia Legislativa, o deputado César Pires (PV), reeleito para o quinto mandato, descarta enfaticamente a possibilidade de assumir tal tarefa. Ele avalia que será mais útil à sua corrente politica e ao Maranhão usar a sua experiência para fazer uma Oposição técnica, pontual, caso a caso, projeto a projeto. Agora um dos “sábios” do Legislativo estadual, devido à experiência acumulada e ao conhecido pendor para estudar à fundo temas polêmicos, o deputado César Pires está convencido de que poderá dar uma contribuição muito maior ao parlamento ficando desobrigado das tarefas que teria de assumir como líder oposicionista. Além do mais, a Oposição na Assembleia Legislativa terá um papel complicado, a começar pelo seu tamanho. A bancada governista contará com pelo menos 35 dos 42 deputados, restando sete parlamentares não alinhados, dos quais três permanecerão no muro e quatro assumirão a condição de oposicionistas para valer: Adriano Sarney (PV), Arnaldo Melo (MDB), César Pires (PV) e Wellington do Curso (PSDB). Na avaliação de Cpesar Pires, a liderança deve ficar com Adriano Sarney.

São Luís, 31 de Outubro de 2018.

Othelino Neto prega respeito à opção da maioria por Jair Bolsonaro, mas defende Oposição firme ao futuro Governo  

 

Othelino Neto defende respeito a resultado  das urnas e oposição firme e responsável ao Governo Jair Bolsonaro

A maioria dos eleitores fez uma escolha, e essa decisão precisa ser respeitada, como manda o princípio fundamental da democracia. Essa posição foi externada e defendida ontem pelo presidente da Assembleia Legislativa, deputado Othelino Neto (PCdoB), ao avaliar, em discurso na Casa, o desfecho do processo eleitoral que colocou o candidato do PSL, Jair Bolsonaro, na presidência da República. Juntando serenidade e firmeza, o chefe do Poder Legislativo destacou que o presidente eleito recebeu 55% dos votos válidos, estando, portanto, legitimado para assumir o comando do País. Observou, por outro lado, que seu adversário, Fernando Haddad (PT), recebeu 45% dos votos válidos, uma votação suficiente para lembrar ao presidente eleito que quase metade dos brasileiros não o respaldaram nas urnas. Assinalou que, mesmo assim, o novo presidente terá de governar para todos, como manda a democracia, convivendo inclusive com uma forte Oposição, que deve primar pela preservação do estado democrático de direito.

O presidente da Assembleia Legislativa defendeu que o seu partido, o PCdoB, deve fazer uma Oposição “responsável e democrática”. “Nós, do PCdoB, como respeitamos os nossos eleitores, entendemos o recado das urnas. Ficaremos vigilantes para garantir o estado democrático de direito, preservando os avanços sociais obtidos a duras penas pelo povo brasileiro e para que ninguém seja discriminado por raça, por religião, por orientação sexual, ou por ter posturas e opiniões divergentes das posições majoritárias”, enfatizou.

Othelino Neto destacou a vitória de Fernando Haddad no Maranhão, que lhe deu 73% dos votos, a exemplo do que aconteceu na Região Nordeste, onde o candidato do PT foi amplamente vitorioso. Para ele, o presidente eleito deve cumprir o compromisso de “governar para todos”, dando aos estados do Nordeste o mesmo tratamento que dispensará aos demais estados da Federação. E demonstrou preocupação com algumas promessas do presidente eleito: “É um caso talvez ímpar, em que precisamos torcer para que parte das promessas feitas hoje pelo presidente eleito, não sejam cumpridas, porque só assim o país terá a paz necessária para que possamos viver bem”.

E dentro da concepção política segundo a qual a decisão da maioria é irreversível e deve ser respeitada, o presidente da Assembleia Legislativa disse torcer para que o futuro Governo devolva normalidade política ao País, com gestos de pacificação:  “Que Bolsonaro possa, principalmente, pacificar o Brasil. Todos precisam ser respeitados e bem cuidados, independente de terem lhe conferido o voto ou não. Quando passa a eleição, o governante não é só governante de quem o elegeu, é governante de todos. Foram 47 milhões de votos para Haddad, o que é uma quantidade expressiva e sinaliza que o presidente eleito precisa reconhecer que tem uma banda da população que precisa ser vista e respeitada”.

Nesse contexto, o presidente do Poder Legislativo definiu como um fato positivo o Maranhão ter conferido 73% dos votos ao candidato Fernando Haddad. “Mais de um milhão de votos à frente do segundo colocado no estado. E o Nordeste, que muitas vezes é discriminado e considerado como uma região menos informada foi quem deu um sinal para o Brasil, dando ao Haddad uma diferença de mais de 10 milhões de votos”, analisou.

A manifestação do presidente da Assembleia Legislativa traduz a média do pensamento dos que veem o estado democrático baseado na escolha pelo voto direto e secreto como o único capaz de comportar o pluralismo e assegurar o funcionamento integral das instituições sob o governo de qualquer viés ideológico e dos que compreendem que o choque dos contrários dentro dos limites civilizados tem sido o motor político da civilização. Daí a avaliação de que a escolha do presidente da República pelo voto direto é um fato positivo e saudável, ainda que o escolhido seja embalado por tantas controvérsias como é o caso do presidente eleito Jair Bolsonaro.

 

PONTO & CONTRAPONTO

 

Roberto Rocha se afasta do PSDB tradicional e se alinha ao “novo” puxado por João Dória

Roberto Rocha: apoio a Jair Bolsonaro na contramão da cúpula do PSDB nacional

Mesmo tendo “liderado” o desastre do PSDB nas urnas maranhenses, o senador Roberto Rocha se movimenta para sobreviver dentro do partido. Beneficiado com a vantagem de ser detentor de um mandato importante, o parlamentar maranhense decidiu andar na contramão dos líderes tradicionais do partido ao declarar apoio total ao presidente eleito Jair Bolsonaro. Em meio aos escombros do PSDB, os tucanos e todo o mundo político nacional pergunta se o partido vai apoiar ou fará Oposição ao Governo de Jair Bolsonaro. Líderes tucanos fundadores do ninho, a começar pelo ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, e o ex-governador paulista e atual presidente da agremiação Geraldo Alckmin, não aprovam qualquer aproximação com o futuro Governo, mas são desafiados pelos líderes emergentes da agremiação, liderados pelo governador eleito de São Paulo, João Dória, e pelo governador eleito do Rio grande do Sul, Eduardo Leite, que já declaram expressamente apoio ao presidente eleito Jair Bolsonaro. Roberto Rocha, que voltou ao PSDB pelas mãos de Geraldo Alckmin, está se alinhando à corrente que começa a se formar liderada por João Dória. Nos bastidores, há quem diga que o senador vai tentar de todas as maneiras manter o controle do partido no estado, para tê-lo como instrumento para fazer Oposição cerrada ao governador Flávio Dino, descartando uma aliança com os novos senadores Weverton Rocha (PDT) e Eliziane Gama (PPS). O problema é que outras forças do PSDB estão se articulando para brecar a “bolsonarização” do partido, o que poderá resultar num racha que pode dar origem a uma nova agremiação, esta alinhada ao futuro Governo, tendo Roberto Rocha como um dos fundadores. Parece ficção, mas é o que está se desenhando nos subterrâneos da vida partidária.

Oligarquia I

Roseana Sarney diz que a “oligarquia” está fora

Roseana Sarney diz que a “oligarquia” está fora

Causou agitação nos bastidores da política estadual um vídeo em que  a  ex-governadora Roseana Sarney (MDB) reage a uma provocação quando saía do Colégio Santa Teresa, no Domingo (28), após cumprir a obrigação cidadã de votar. Descontraída e acompanhada pelo irmão, deputado federal Sarney Filho (PV), Roseana Sarney foi alcançada por um anônimo, que gritou, em tom de deboche:

– Fora, oligarquia!

Sem se alterar, a ex-governadora virou-se e respondeu, num tom que pareceu declaração de fato consumado:

– Já estamos fora.

E seguiu em frente, deixando no ar a impressão de que, pelo menos ela própria, está mesmo saindo de cena.

 

Oligarquia II

Em 2006, a então candidata ao Governo falou em “perpetuar a oligarquia”

A reação de Roseana Sarney à indagação debochada de Domingo ao sair do Colégio Santa Tereza foi o oposto de uma declaração que ela deu a uma jornalista no mesmo local após votar nas eleições de 2006, quando disputou com Jackson Lago (PDT) e foi derrotada. Naquele 7 de Outubro, a então senadora foi votar levando junto a filha e dois netos, ainda crianças. Nas mesmas circunstâncias, ouviu de uma jornalista visitante como se sentia na condição de membro de uma oligarquia. Bem humorada, Roseana Sarney respondeu:

– Muito bem.

E apontando para os netos, completou, em tom de ironia:

– Eles estão aqui para aprender como perpetuar a oligarquia.

A jornalista ficou sem graça.

 

São Luís, 30 de Outubro de 2018.

Jair Bolsonaro é derrotado no Maranhão e terá de estabelecer relações institucionais com o governador Flávio Dino

 

Eleito, Jair Bolsonaro terá de estabelecer relações institucionais com Flávio Dino

Jair Bolsonaro (PSL), 63 anos, capitão do Exército aposentado, sete mandatos de deputado federal e nenhuma experiência de gestão pública, foi eleito presidente da República, confirmando uma tendência rascunhada desde o início da corrida eleitoral. Sua eleição se deu com folgada maioria, 11 milhões de votos a mais do que seu adversário, Fernando Haddad (PT), professor universitário, ex-ministro da Educação e ex-prefeito de São Paulo. Ele recebeu 55 milhões de votos contra 45 milhões dados ao seu adversário, votação menor do que esperavam ele e seus aliados, pois pareceu mais um “passo no escuro” dos brasileiros do que um “cheque em branco” ao eleito. Venceu no Sul, Sudeste e Centro Oeste e perdeu no Nordeste e em parte do Norte. No Maranhão, apesar dos esforços da ex-prefeita Maura Jorge (PSL), do senador Roberto Rocha (PSDB), e da ex-governadora Roseana Sarney (MDB), todos candidatos derrotados ao Governo do Estado, quase três quartos do eleitorado se posicionou na linha do governador reeleito Flávio Dino (PCdoB) e impôs ao candidato do PSL uma das mais duras derrotas das que sofreu nos estados: recebeu apenas 886.401 votos (26,75%) dos votos contra 2.426.168 (73,25%) dados a Fernando Haddad. A vitória de Fernando Haddad foi tão expressiva, que ele venceu de novo em 214 dos 217 municípios, com uma margem muito maior do que no 1º turno.

Do ponto de vista político, o resultado da eleição presidencial no Maranhão consolida, de maneira indiscutível, a liderança do governador Flávio Dino, que se reelegeu tendo a oposição ao presidenciável do PSL como uma das suas bandeiras. Ao mesmo tempo, confirma o desprestígio político das outras forças em ação no estado, como a liderada pelo ex-presidente José Sarney e pela ex-governadora Roseana Sarney, que saíram das urnas amargando derrota devastadora, não conseguindo exercer qualquer influência sobre o eleitorado no 2º turno da eleição presidencial no estado. Também o senador Roberto Rocha, que conseguiu furar o cerco e registrou seu encontro informal com Jair Bolsonaro na semana passada, em nada contribuiu para ajudar o candidato. Maura Jorge sai da disputa presidencial no Maranhão como um “fator” eleitoralmente tão inexpressivo, que no seu próprio município, Lago da Pedra, Fernando Haddad venceu com 66,64% contra minguados 33,36% de Jair Bolsonaro.

A vitória de Fernando Haddad no Maranhão foi tão acachapante que Jair Bolsonaro só venceu em três dos 217 municípios: Imperatriz (54,99% a 45,01%), Açailândia (51,52% a 48,48%) e São Pedro dos Crentes (57,49% a 42,51%). Nos 214 municípios, o candidato petista venceu com larga margem, tendo alcançado resultados espetaculares, como em Serrano do Maranhão, onde obteve 93,64% dos votos contra 6,36% de Jair Bolsonaro. Ao contrário do que previam alguns observadores sobre a possibilidade de uma reação na Ilha de Upaon Açu, o petista ampliou sua vantagem sobre o candidato do PSL. Em São Luís, Fernando Haddad obteve 57,78% dos votos contra 42,22% de Jair Bolsonaro, em São José de Ribamar o resultado foi de 65,48% a 34,52%, em Paço do Lumiar foi de 62,45% a 37,55%, e em Raposa o petista venceu com 72,71% contra 27,29% do presidente eleito. Vários fatores concorreram para o desfecho da eleição presidencial no Maranhão, com a predominância de dois: a preocupação de milhares e milhares de eleitores com o futuro dos programas sociais, principalmente o Bolsa Família, e o posicionamento do governador Flávio Dino, que assumiu abertamente a liderança da Oposição a Jair Bolsonaro.

Com posições firmes e muito claras, o governador veio a público logo após o resultado para agradecer a votação dada pelos maranhenses ao candidato Fernando Haddad: “Agradeço à população do Maranhão pela extraordinária votação conferida a Haddad. Longe daqueles discursos preconceituosos que se ocupam de atacar o Nordeste, nosso voto se embasa em uma visão sobre desenvolvimento com justiça social. Essa concepção foi a vencedora aqui. Não se perde quando se combate por boas causas. Defendemos o Brasil e os brasileiros, sobretudo os mais pobres. Parabéns a Haddad e Manuela pela coragem e dedicação. A resistência democrática, nacional e popular segue firme”.

Os números da eleição presidencial no Maranhão respaldam as posições assumidas pelo governador Flávio Dino, e estão no contexto de uma posição regional, que não poderá ser encarada pelo presidente eleito com gestos primários do tipo “Vamos varrer o comunismo do Maranhão”, como está registrada em vídeo que gravou ao lado do deputado federal reeleito Aluízio Mendes (Podemos), na semana passada. Se, de fato, cumprir o compromisso de respeitar a Constituição Cidadã, valorizar a Federação, governar em sintonia com os Estados, respeitar as regras do Estado Democrático de Direito, compreender os “brasis” que existem dentro do Brasil, garantir plenamente as liberdades civis, afastando a tentação autoritária, primar pela segurança pública usando os vieses da inteligência associada à força necessária e dos investimentos em programas sociais, o novo presidente certamente abrirá um canal legítimo, eficiente e produtivo com os integrantes da Federação.

No que diz respeito especificamente ao Maranhão, a eleição de Jair Bolsonaro presidente da República gera forte expectativa. A começar pelo fato de que os prováveis interlocutores a serem por ele escalados não têm lastro político que os credencie. Sua interlocução terá de ser direta com o governador Flávio Dino, que apesar das reservas, mas com a autoridade de democrata, ficha limpa e bom gestor, tem dito que respeitará o resultado das urnas e está pronto para estabelecer um relacionamento institucional produtivo com o Governo Central.

É o que todos querem e esperam.

 

PONTO & CONTRAPONTO

 

Grupo de João Alberto ganha sobrevida com a vitória de Edivan Brandão em Bacabal

Edivan Brandão comemora eleição que ganhou com o apoio de João Alberto

O prefeito interino Edivan Brandão (PSC) ganhou ontem a condição de titular ao ser eleito em pleito suplementar para um mandato de 26 meses. O desfecho da corrida eleitoral em Bacabal trouxe de volta ao poder municipal o grupo liderado pelo senador João Alberto (MDB), e com o diferencial de que o candidato derrotado, César Brito (PPS), foi apoiado pelo grupo comandado pelo governador Flávio Dino. Edivan Brandão chegou ao poder municipal quando, na condição de presidente da Câmara Municipal com a cassação, por ser ele ficha suja, do prefeito Zé Vieira (PR), eleito em 2016 derrotando o candidato do grupo do senador João Alberto, o deputado estadual Roberto Costa (MDB). Ressabiado com a derrota, Riberto Costa preferiu cuidar da sua reeleição para a Assembleia Legislativa e apoiar a candidatura de Edivan Brandão para a Prefeitura, liderando a coligação PSC/PSL/MDB/PV/DEM/PT, com o apoio do Grupo Sarney. Concorreram cinco candidatos, sendo o mais forte César Brito (PPS), encabeçando a coligação PPS/PHS/PCdoB/PPL e com o apoio do grupo liderado pelo governador Flávio Dino – que em princípio não pretendia se envolver diretamente, mas foi pressionado por aliados e acabou participando de uma carreata em Bacabal, chamando para si o peso da derrota do candidato do PPS. A vitória de Edivan Brandão reforça o poder de fogo do senador Joao Alberto e seu grupo em Bacabal e no Médio Mearim, é verdade. Nesse contexto, o prefeito encontra-se em situação confortável, sendo apoiado pelo grupo de João Alberto, mas também cortejado pelo grupo ligado a Flávio Dino, para onde poderá migrar. Há quem garanta que Edivan Brandão manterá fidelidade ao grupo Sarney, mas há também quem aposte que ele, para sobreviver, mudará de lado. É aguardar.

 

Vitória de Valdez Góes no Amapá mantém José Sarney na cena política

Waldez Góes comemora a reeleição conseguida com o apoio de José Sarney

rviu para amenizar o gosto amargo das derrotas sofridas recentemente pelo ex-presidente José Sarney (MDB). Além de Bacabal, onde o candidato do seu grupo venceu a eleição, José Sarney saiu vitorioso nas urnas do Amapá, onde seu candidato, Valdez Góes (PDT), foi reeleito governador. Além da vitória em si, o ex-presidente comemorou muito o fato de o derrotado ter sido o seu arqui-inimigo na política amapaense, o senador João Capiberibe (PSB), que andou liderando a corrida nas pesquisas, mas teve sua campanha prejudicada por problemas criados por seu vice, indicado pelo PT. Com o desfecho da corrida no Amapá, o ex-presidente se mantém de pé na política daquele estado, mesmo sem mandato, continuará atuando nos bastidores da política nacional, tendo o seu raio de influência dependente agora da boa vontade do presidente eleito Jair Bolsonaro.

Na eleição suplementar da cidade de Bacabal, o vencedor foi o candidato Edvan Brandão (PSC), que estava no cargo de prefeito desde que Zé Vieira foi cassado. Edvan era presidente da Câmara de vereadores do município e é aliado do senador João Alberto (MDB) e do deputado estadual Roberto Costa (MDB).

Com 96,73% dos votos apurados, a eleição foi matematicamente resolvida. Edvan ficou com 50,84% dos votos contra 45,98% de Cesar Brito (PPS), que era apoiado pelo governador Flávio Dino.

A eleição foi praticamente plebiscitária. Os demais candidatos tiveram votações inexpressivas. Luis Padeiro com 1.98% e Professor Marinho 1,19%. Gisele Veloso teve sua candidatura indeferida.

Edvan terá dois anos e dois meses de mandato.

São Luís, 29 de Outubro de 2018.

Flávio Dino faz alerta sobre eleição e diz que disputa entre Fernando Haddad e Jair Bolsonaro é confronto entre civilização e barbárie

 

Flávio Dino apoia Fernando Haddad contra Jair Bolsonaro na corrida ao Planalto

Independentemente de quem seja o escolhido na disputa para presidência da República entre o candidato do PT, Fernando Haddad, e o do PSL, Jair Bolsonaro, o governador Flávio Dino (PCdoB) sairá do processo eleitoral como uma das vozes mais ativas e contundentes na defesa da democracia e no alerta aos brasileiros para os riscos que o estado democrático de direito está correndo por conta do viés autoritário expressado pelo candidato Jair Bolsonaro. Depois de reeleito no 1º turno liderando a vitória esmagadora de uma grande aliança que reúne partidos de esquerda, centro e direita, o governador Flávio Dino entregou-se à tarefa de apoiar o candidato do PT, Fernando Haddad, que vencei no estado com 61% dos votos, mas também, e sobretudo, à missão de externar sua preocupação com as declarações e as limitações do candidato do PSL, em quem enxerga um cidadão sem condições de assumir a chefia da Nação.

Além das reuniões e dos atos públicos que organizou ou incentivou em apoio o candidato da aliança PT/PCdoB, Flávio Dino mostrou o seu tamanho político na mensagem que gravou em vídeo e na qual desenha o cenário dessa disputa, apontando as diferenças inconciliáveis que separam Fernando Haddad e Jair Bolsonaro. Com equilíbrio, serenidade e firmeza, o governador analisa o cenário político nacional com uma visão de contexto só alcançada por quem tem veia de estadista, concluindo que a disputa entre Fernando Haddad e Jair Bolsonaro não é um embate entre esquerda e direita nem entre o PT e o PSL, mas entre “civilização e barbárie”. Na sua avaliação, mesmo carregando o peso dos erros e das contradições que têm afetado duramente o partido, o candidato do PT é o melhor caminho para o País neste momento.  Para ele, Fernando Haddad tem condições de reverter a crise respeitando o estado democrático de direito, o que não é possível dizer de Jair Bolsonaro, que nada mostrou como ideia para resolver os problemas do País, fazendo uma campanha com frases e gestos que só contribuíram para incentivar a violência e para confirmar a sua condição de incógnita com sinais preocupantes.

Na mensagem, Flávio Dino reafirma suas fortes dúvidas sobre se, após dez mandatos parlamentares e zero de produção legislativa, Jair Bolsonaro está preparado para governar um País da dimensão e da complexidade do Brasil, e se tem ele noção clara do tamanho do desafio que é assumir o comando do País nesse momento. O governador do Maranhão critica com ênfase as investidas do presidenciável da direita sobre as liberdades políticas e o estado democrático de direito, lamenta a recusa de Jair Bolsonaro de debater direto com Fernando Haddad, e se estarrece  com questões como uso de arma de fogo, aborto, homofobia, mulheres e sobre manifestações antidemocráticas.

Diferentemente de outras vozes que se manifestaram ao longo da campanha eleitoral, tanto no 1º quanto no 2º turno, Flávio Dino centra seu discurso num realismo cru, mas sem ódio, mostrando quase que didaticamente as diferenças entre candidato do PT e o candidato do PSL quanto a preparo técnico, postura ética e visão democrática. Lembra o desempenho do petista na Prefeitura de São Paulo, o lastro de conquistas que deixou após sete anos como ministro da Educação no Governo do presidente Lula da Silva, e a sua luta em defesa de uma sociedade aberta, politicamente plural e garantida pela plenitude do estado democrático de direito. Ao mesmo tempo, alertou para o discurso agressivo do candidato Jair Bolsonaro que prega o uso da força pelo Estado e das armas pelo cidadão, ameaçando as instituições e a paz social. Critica também a recusa de Jair Bolsonaro ao debate direto, criando no País uma atmosfera que mistura insegurança e incerteza, que muitos, inclusive o governador, veem como uma ameaça facista real.

Nesse contexto de guerra política da qual o Brasil certamente sairá diferente das urnas, o governador do Maranhão tem agido como líder político e chefe de Estado. Como líder político, tem se entregado ao esforço militante no sentido de fortalecer o candidato do seu campo ideológico e programático, propagando com a intensidade e a abrangência possíveis o candidato Fernando Haddad; ao mesmo tempo, critica duramente as posições assumidas pelo candidato Jair Bolsonaro. Como chefe de Estado, Flávio Dino tem se mostrado defensor intransigente das instituições democráticas, afirmando enfaticamente que respeitará integralmente a escolha que a maioria fizer nas urnas neste Domingo. Claro que prefere a eleição do candidato do PT, de quem é aliado de primeira hora, mas afirma estar preparado para conviver institucionalmente com um eventual Governo de direita tendo Jair Bolsonaro à frente. “São as regras do jogo, que têm de ser respeitadas    numa democracia”, diz.

Do alto da sua condição de franco favorito na corrida presidencial, apesar de todas as controvérsias que o envolvem, o candidato Jair Bolsonaro tem aproveitado todas as oportunidades para atacar o político e o governador Flávio Dino, bradando contra o comunismo, numa retórica macarthista que perdeu sentido há décadas. A estocada mais recente aconteceu terça-feira (23), na sua residência, no Rio de Janeiro, ao receber o deputado federal maranhense Aluísio Mendes (Podemos), que integrava uma comissão da  “Bancada da Bala”. Não se sabe se por iniciativa própria ou a pedido do parlamentar, gravou um vídeo em que afirma: “Vamos continuar lutando para em 2022 varrer o comunismo de vez deste estado maravilhoso que é o Maranhão”. Ao mesmo tempo, tem abrandado sua catilinária anticomunista quando fala na relação da União com os estados, vários comandados por governadores de esquerda, como Maranhão, Bahia, Pernambuco e Ceará.

Do alto da sua condição de político militante e governador reeleito, Flávio Dino respondeu: “Não tenho medo de nada. Independentemente de resultado, quem luta pelo bom, pelo belo, pelo justo, jamais perde”.

O tempo dos discursos termina neste sábado, porque na noite deste Domingo, eleito Fernando Haddad ou Jair Bolsonaro, o Brasil sofrerá um choque de realidade, e o governador Flávio Dino mostra que está preparado para o que der e vier.

 

PONTO & CONTRAPONTO

 

Forças de apoio a Fernando Haddad e a Jair Bolsonaro atuaram forte durante a campanha

 

Quebrando a impressão inicial – registrada inclusive pela Coluna – de que a reta final do 2º turno da eleição presidencial seria morna, sem mobilização, semana foi de intensa movimentação, tanto por parte dos que apoiam Fernando Haddad quanto dos apoiadores de Jair Bolsonaro. O governador Flávio Dino e seus aliados da esquerda e de parte das outras correntes atuaram para convencer o eleitorado de que o petista é o melhor caminho.  Já os apoiadores de Jair Bolsonaro não há um comando único, com a ex-candidata ao Governo Maura Jorge incentivando grupos de ação; o vereador Chico Carvalho tentando se viabilizar como líder do movimento bolsonarista na Ilha de São Luís, e agora o deputado Federal Aluísio Mendes (Podemos), que já atua no grupo de parlamentares federais que se formou em torno do candidato do (PSL). As forças lideradas pelo governador Flávio Dino são articuladas pelo deputado federal eleito Márcio Jerry, que preside o PCdoB no Maranhão, e pelos chefes do PT no Maranhão, e realizaram inúmeras ações pró-Haddad em todas as regiões do estado, tendo o reforço da atuação pessoal e direta do chefe do Governo. As manifestações pró-Bolsonaro não têm um comando único, devido principalmente a uma luta por espaço entre Maura Jorge e Chico Carvalho, gerando um clima que favorece a Aluísio Mendes, que tem acesso ao chamado “núcleo de ferro” do candidato do PSL. Essa luta será intensificada e ampliada se Jair Bolsonaro for eleito.

 

Sarney manter uma fatia do seu poder político se reeleger hoje o governador do Amapá

José Sarney pode ficar ou sair hoje do Amapá

Depois do desastre que praticamente tirou sua família da vida pública, o ex-presidente José Sarney (MDB) joga hoje, no Amapá, seu último cacife para manter um dedo de influência no cenário politico nacional. Ali, José Sarney apoia o governador Valdez Goez (PDT), candidato à reeleição que corre o risco de perder para o senador João Capiberibe (PSB), seu histórico e figadal adversário naquele estado. Na sexta-feira, pesquisa do Ibope mostrou João Capiberibe à frente de Goez numa situação de empate técnico. Se Valdez Goez conseguir virar o jogo e se reeleger, o ex-presidente continuará dando as cartas no tabuleiro político do estado que ele criou quando presidiu o País. A vitória de João Capiberibe, ao contrário, encerrará de vez a atuação política de José Sarney naquele estado. José Sarney poderá desembarcar na próxima semana em Brasília embalado apenas pelo mandato de deputado estadual do neto Adriano Sarney (PV) e do contraparente Edilázio Jr. (PSD), eleito deputado federal, podendo acrescentar ou não ao pacote o governador do Amapá.

São Luís, 27 de Outubro de 2018.