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Coronavírus desembarca no Maranhão. Anúncio foi feito por Flávio Dino, que adotará novas medidas

 

Flávio Dino anunciou a chegada do coronavírus ao Maranhão cumprindo a regra da transparência

“Cumprindo compromisso que fiz com a população maranhense, informo que recebemos, às 21:50, a confirmação do primeiro caso de coronavírus em nosso estado. O homem idoso fez viagem recente a São Paulo e não apresenta sintomas graves. Todas as medidas necessárias estão sendo tomadas”.

Com essa mensagem, publicada nas redes sociais – Instagram, Twitter, etc. – logo depois das 22 horas de ontem, o governador Flávio Dino (PCdoB) deu a notícia que todos os maranhenses de alguma maneira aguardavam, mas no fundo nenhum queria tomar conhecimento: o Maranhão, até então resistindo como o último baluarte estadual brasileiro livre da covid-19, foi, infelizmente, alcançado pela pandemia de coronavírus. Num dos seus comunicados, o governador informou que a Vigilância Sanitária está tomando todas as providências para isolar o homem infectado. Mais do que isso, novas medidas para evitar a propagação da covid-19 serão anunciadas neste sábado.

O governador Flávio Dino deu a má notícia momentos depois de haver publicado nas mesmas redes uma mensagem de agradecimento à dedicação dos profissionais de Saúde. Sua manifestação se baseia principalmente no fato de que os integrantes dessa categoria têm trabalhado incansavelmente nos preparativos para enfrentar os impactos da pandemia em território maranhense. Esse trabalho tem consistido no acompanhamento de casos suspeitos, e também na assistência a doentes acometidos de outras viroses, como a H1N1, que já matou quatro no estado nos últimos dias. E ainda na preparação da estrutura hospitalar destinada a atender casos confirmados tão logo eles se manifestem.

O primeiro caso de covid-19 no Maranhão obedeceu à lógica das estatísticas. Aconteceu em São Luís, o centro mais populoso e principal portal de entrada no estado, sendo o paciente um homem idoso, que retornou recentemente ao Maranhão vindo de São Paulo, onde se encontra o maior foco da pandemia no País, com quase dez mortes confirmadas até o início da noite de ontem. Ou seja, o coronavírus chegou ao Maranhão vindo de São Paulo por via aérea, que foi a via que o trouxe da Europa, principalmente da Itália, para o Brasil. Informação de fonte não oficial, mas bem situada, diz que o homem infectado tem os sintomas, mas sua situação é estável e ainda, em princípio, não corre risco de morte. Há outros casos em monitoramento, sendo um deles um paciente de 59 anos, que esteve recentemente em São Paulo e Minas Gerais, e que está internado no Hospital Carlos Macieira com quadro grave de síndrome respiratória. O monitoramento não quer dizer que ele esteja infectado, o que só será confirmado ou não com o resultado dos exames a que foi submetido.

A julgar pelas informações que o governador Flávio Dino tem prestado aos maranhenses, num jogo aberto em que a transparência tem sido a mola-mestra, o Maranhão está preparado para enfrentar o que vier por aí. Já existe uma estrutura hospitalar, inclusive com leitos de UTI, reservada para eventuais pacientes, assim como equipes médicas em prontidão para entrar em ação. No mais, o combate efetivo ao coronavírus tem de ser feito pela sociedade, com o isolamento social e a obediência às orientações, sendo as principais ficar em casa por 15 dias, evitar contatos físicos e aglomerações e lavar as mãos sempre que possível. Com esse comportamento, o coronavírus será vencido.

Vale registrar que, apesar do tom preocupado, o anúncio feito pelo governador Flávio Dino nada tem de dramático, mas sim uma forte dose de realismo. Isso porque era penas uma questão de tempo, uma vez que seria quase impossível o Maranhão ficar imune a uma virose com espantosa velocidade de expansão e assombroso grau de letalidade, a julgar pelos exemplos da China e da Itália.

O mais importante agora é manter a serenidade, intensificar os cuidados e evitar o pânico.

 

PONTO & CONTRAPONTO

 

Em meio à crise do coronavírus, Weverton Rocha mostra atuação forte no alto clero do Senado

Relator do projeto, Weverton Rocha participou da histórica sessão do Senado comandada pelo presidente em exercício, senador Antônio Anastazia (PSDB-MG)

Com o voto “sim” de 75 senadores, o Senado da República aprovou ontem, na primeira sessão virtual dos seus 196 anos de existência, o Projeto de Decreto Legislativo (PDL) 88/20, que reconhece o Brasil em Estado de Calamidade Pública por causa da pandemia do coronavírus. A medida, inicialmente aprovada pela Câmara Federal, permitirá que os Governos Federal, estaduais e municipais utilizem os recursos possíveis para evitar a expansão da covid-19 sem as limitações do teto de gastos nem as restrições previstas na Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF). Líder da bancada do PDT, o senador maranhense Weverton Rocha teve participação destacada e decisiva na histórica sessão, como relator do PDL, ao qual deu parecer favorável e, logo em seguida, votando pela sua aprovação. “A aprovação do PDL vai permitir que o governo consiga fortalecer o sistema de saúde e vai possibilitar a implantação de práticas que impeçam a expansão do vírus. É importante dar as condições para que o governo possa atender estados, municípios e a população como um todo”, declarou o parlamentar.

A senador Weverton Rocha fechou a semana no epicentro da vida parlamentar nacional, com participação efetiva e decisiva no grande debate que vem sendo travado por causa da pandemia de coronavírus e da assombrosa ameaça à qual estão sendo submetidos os mais de 200 milhões de brasileiros. Isso porque, além da relatoria do PDL que reconheceu o Estado de Calamidade Pública no País, que o transformou na figura central do Senado nas últimas 72 horas, o parlamentar maranhense também se destacou dias antes com a apresentação de três projetos de lei propondo medidas de natureza econômica para   combater o coronavírus em território brasileiro. O parecer que assegurou o reconhecimento do estado de calamidade pública no Brasil, aprovado pela unanimidade dos senadores que participaram da sessão virtual, deu-lhe argumentos fortes para defender os projetos que apresentou em relação à crise sanitária que vem abalando o Brasil.

O Estado de Calamidade Pública vai permitir que o Governo Federal gaste mais do que o previsto e desobedeça às metas fiscais para custear ações de combate à pandemia. Assim, o rombo nas contas públicas poderá ser superior a R$ 124,1 bilhões, podendo chegar a R$ 200 bilhões para além da meta fiscal definida pelo Palácio do Planalto no Orçamento para este ano.

No seu parecer, o senador Weverton Rocha contrariou algumas vozes governistas que defendiam liberdade total do Governo Federal para o uso de recursos. Ele acatou a versão aprovada pela Câmara Federal, que prevê a criação de uma comissão formada por seis deputados e seis senadores para acompanhar, na forma de controle externo, os gastos do Governo, realizando reuniões mensais com o ministro da Economia, Paulo Guedes: “As restrições apresentadas pela Câmara, quanto à necessidade de controle e acompanhamento do que vai ser feito, são válidas para que o Executivo tenha sempre em mente a necessidade de acolher o povo brasileiro, mas sem se distanciar dos fundamentos fiscais que foram, são e continuarão sendo essenciais”, defendeu.

No início da semana, antes de ser escalado relator do PDL da Calamidade Pública, o senador Weverton Rocha entrou forte na crise do coronavírus apresentando, de uma tacada, três projetos de lei relacionados com prováveis consequências da pandemia no Brasil. O foco dos projetos é a redução dos custos dos insumos utilizados em larga escala no combate ao coronavírus. Um deles propõe o tabelamento de produtos de segurança e prevenção à covid-19, como jalecos, álcool em gel, máscaras cirúrgicas e outros itens necessários até que a pandemia seja controlada. Outro projeto propõe a isenção de tributos sobre esses produtos, durante o período em que o território nacional for acometido pela pandemia. De acordo com o parlamentar, a chegada do Covid-19 tem provocado o aumento da procura por álcool em gel e máscaras. Com a expectativa de que o vírus alcance o pico de casos no país até o fim do mês, a procura tende a disparar, assim como os preços. No terceiro projeto, o senador Weverton Rocha propõe a realização de um concurso especial da Mega-Sena com a finalidade de destinar 47% do valor arrecadado ao Sistema Único de Saúde (SUS) para atendimento às vítimas do coronavírus.

“Apresentei estes projetos para dar minha contribuição neste momento difícil que o Brasil está vivendo. Vamos todos fazer a diferença”, finalizou.

A crise causada pelo coronavírus serviu, enfim, para mostrar que o senador Weverton Rocha atua fortemente no nível que representa o alto clero do Senado da República.

 

Proposta de Carlos Madeira de adiar eleições não foi levada a sério por pré-candidatos

A proposta do pré-candidato do Solidariedade à Prefeitura de São Luís, Carlos Madeira, de adiar as eleições municipais para o primeiro semestre do ano que vem, prorrogando em seis meses o mandato dos atuais prefeitos e vereadores foi fulminada ontem pelo Tribunal Superior Eleitoral, que numa decisão unânime descartou a possibilidade de alteração do Calendário Eleitoral deste ano. A proposta não ecoou de maneira simpática entre os demais pré-candidatos, pois nenhum deles manifestou opinião a respeito do assunto, e o silêncio, nesse caso, é uma maneira de manifestar discordância. Na contramão do que propõe o pré-candidato do Solidariedade, os demais pré-candidatos estão em estado de pré-campanha, cada um cuidando de fortalecer seu projeto de poder. Eduardo Braide (Podemos) tem feito pressão para ampliar a vacinação do H1N1, Rubens Júnior (PCdoB) adotou medidas para evitar a chegada do coronavírus na equipe que comanda na Secretaria das Cidades, Duarte Júnior (Republicanos) sugere medidas do Código do Consumidor para proteger direitos de eventuais infectados pela covid-19, Neto Evangelista (DEM) se solidarizou com vítimas de enchentes, e Bira do Pindaré (PSB) defendeu direitos trabalhistas amealhados por medidas governistas em Brasília. Todos com foco na corrida eleitoral agendada para Outubro.

São Luís, 21 de Março de 2020.

Em entrevistas à TV Mirante, Flávio Dino mostra que Governo está pronto para enfrentar o coronavírus

 

Entre o apresentador Júnior Albuquerque e o repórter Alex Barbosa, Flávio Dino não deixou pergunta sem resposta convincente sobre a luta contra o coronavírus no MA

Nas duas entrevistas que fez ontem com o governador Flávio Dino (PCdoB) e tendo a situação do Maranhão no contexto da pandemia do coronavírus, que já chegou ao Brasil e está a caminho do Maranhão, a TV Mirante conseguiu dois resultados. O primeiro foi passar à opinião pública a situação real do estado, onde o vírus ainda não chegou, mas se – ou quando – chegar, encontrará o Sistema Estadual de Saúde e a máquina pública em geral preparados com as condições possíveis para enfrentá-lo. O segundo foi mostrar que o Maranhão tem um governante altamente qualificado, efetivamente preparado e integralmente envolvido no comando direto da gestão pública, com domínio absoluto sobre todos os movimentos do Governo. “Nada de pânico. Estamos em alerta e nos preparando”, foram suas primeiras palavras na entrevista ao telejornal JM 1ª Edição exibindo, ao mesmo tempo, preocupação e senso de equilíbrio em relação ao quadro geral do País e à ameaça que já chegou ao Piauí e ao Pará e ronda o Maranhão. E argumentando que a situação exige que as diferenças políticas sejam por enquanto deixadas de lado e que o momento é de união contra um inimigo comum.

Seguro e bem informado, o governador anunciou a decisão de decretar Calamidade Pública, o que permitirá, segundo suas explicações, maior facilidade na aquisição dos insumos de combate ao coronavírus. E ao falar sobre o impacto da pandemia na economia, fez uma revelação espantosa, em se tratando do Maranhão:  o Estado poderá perder R$ 2 bilhões a ser confirmada a tendência recessiva imposta pela crise em andamento. Um indicador dessa perda é o turismo, que move a economia de serviços, e que está sendo duramente afetada com a provável suspensão de mais de 70% dos voos para São Luís.

Na contramão do alarmismo, decidiu manter os serviços públicos funcionando até quando for possível, garantindo também o prosseguimento de obras, que garantem investimentos de R$ 2 bilhões nas 50 frentes de trabalho abertas e mantidas pelo Governo do Estado. Isso, e mais o pagamento em dia dos salários dos servidores. Mas, vacinado contra o alarmismo, foi enfático ao informar que não há ainda motivo para determinar o fechamento de shoppings e lojas em geral, por exemplo. E ensinou que até agora a arma mais eficaz contra o coronavírus é a boa e frequente lavagem de mãos, lembrando que quem não tem tiver álcool em gel, pode usar sabão, limão e sal, que tem a mesma eficácia. Os insumos serão comprados pelo Consórcio do Nordeste, formado pelos governos da região, que fazem compras em bloco a um custo bem menor

Durante a entrevista, Flávio Dino deixou claro que seu Governo vem agindo intensamente movido pela certeza de que cedo ou tarde o vírus chegará ao Maranhão. E informou que a rede hospitalar está sendo preparada para eventuais infectados, assinalando que os que apresentarem os sintomas – febre alta, espirros, dores no corpo e dificuldades respiratórias – poderão fazer o teste no Centro de Testagem, no Diamante, e no Viva da Beira-Mar, alertando que haverá triagem, exatamente porque há escassez de testes, que não estão mais disponíveis para venda. O Governo também intensifica preparativos da rede assistencial com a ampliação da oferta de leitos, inclusive com a reserva de leitos de UTI para infectados. Há forte preocupação nas áreas fronteiriças, principalmente Timon. Em relação à entrada pelo mar, informou que a Emap tem um serviço de controle nessa área.

Além de fazer um apelo sensato à não politização dos problemas que eventualmente venham a ser criados pelo coronavírus, o governador apelou também no sentido de que a sociedade combata com veemência o uso de notícias falsas (fake news), nas redes sociais, que aqui e ali causam muitos problemas. E deu uma orientação de sábio que sabe o que diz e com a certeza do alcance das suas palavras: “Fiquem em casa, cuidem das suas famílias e dos seus filhos”.

 

PONTO & CONTRAPONTO

 

Carlos Lula e Lula Fylho: boas surpresas na Saúde

Carlos Lula e Lula Fylho: surpresa e eficiência no comando da Saúde do Maranhão e na de São Luís

Em meio aos preparativos para enfrentar o coronavírus no Maranhão e em São Luís, duas autoridades estão se destacando, os secretários de Saúde do Estado, Carlos Lula, e do Município de São Luís, Lula Fylho.

Um dos advogados mais brilhantes da sua geração, Carlos Lula foi um dos esteios do candidato Flávio Dino no campo jurídico, principalmente na área do Direito Eleitoral. Ao formar sua equipe, entregou-lhe a difícil e complexa tarefa de enquadrar as empresas de saúde que prestavam serviços para o Governo do Estado. Fez o que tinha de ser feito. Tanto que pouco mais de um ano depois assumiu o comando da Secretaria de Estado da Saúde, realizando ali um trabalho que poucos acreditavam ser possível, ao comandar a arrojada expansão da rede hospitalar do Sistema Estadual de Saúde a partir do redimensionamento do programa de Saúde do Governo de Roseana Sarney (MDB). Hoje, o Sistema estadual de Saúde do Maranhão funciona bem e dentro da medida graças ao trabalho competente do secretário Carlos Lula.

O secretário de Saúde de São Luís, Lula Fylho, foi uma aposta arriscada do prefeito Edivaldo Holanda Júnior (PDT). Administrador de Empresas, dono de bar e graduado em gestão de pessoas e atuando como palestrante motivacional, Lula Fylho entrou na equipe do prefeito como secretário de Governo. Com a saída de Helena Duailibe da pasta da Saúde, o prefeito surpreendeu meio mundo ao nomear para uma pasta complexa e cheia de problemas um administrador sem qualquer ligação com a área de saúde. Mas, contrariando previsões, acertou. Lula Fylho se revelou um gestor eficiente e vem aos poucos colocando o Sistema Municipal de Saúde nos eixos.

Vale destacar que o bom trabalho de cada um se deve

 

Madeira propõe adiar eleições e prorrogar mandato de prefeitos e vereadores

Carlos Madeira quer eleições adiadas e mandatos prorrogados

Surpreendente e saudável a proposta do ex-juiz federal e candidato do Solidariedade à Prefeitura de São Luís, Carlos Madeira, adiar as eleições municipais para o primeiro semestre ao ano que vem, com a prorrogação dos atuais prefeitos e vereadores por seis meses. As eleições poderiam ser realizadas em abril e os eleitos assumiriam em junho. A mudança, claro, teria de ser feita por emenda à Constituição Federal, a exemplo do que aconteceu em 1986, quando o mandato de prefeitos e vereadores eleitos em 1982 foi prorrogado por dois anos. O argumento de Carlos Madeira é convincente. Afinal, é difícil imaginar uma disputa eleitoral envolvendo em média quatro candidatos para cada uma das mais de cinco mil prefeituras e para os milhares de cadeiras das mais de cinco mil câmaras municipais no momento em que o País enfrenta o que deve ser a maior crise sanitária da sua história, a exemplo do que ocorre em todo o planeta. Carlos Madeira propõe também que os R$ 3,8 bilhões do Fundo Eleitoral sejam relocados para o combate ao coronavírus. Não se duvida da sinceridade da proposta do pré-candidato do Solidariedade, mesmo que ela deixe no ar a impressão de que é um movimento que ele faz para entrar de vez no cenário da disputa.

São Luís, 20 de Março de 2020.

Flávio Dino, Othelino Neto e Joaquim Figueiredo agem em sintonia contra o novo corona vírus

 

Flávio Dino, Othelino Neto e Joaquim Figueiredo: em sintonia no esforço preparatório para a luta contra o coronavírus

A ameaça do novo corona vírus mudou radicalmente a rotina do Brasil, apesar de o presidente da República, Jair Bolsonaro (sem partido), andar na contramão dos fatos e ser atropelado pelo que há de racional no Governo, a área de Saúde. Nos estados, os governadores estão demonstrando mais espírito público do que o chefe da Nação, tomando providências adequadas na preparação para o enfrentamento do vírus letal. No Maranhão, o governador Flávio Dino (PCdoB) não esperou recomendações de Brasília e, numa grande articulação com seus colegas governadores, adotou uma série de medidas para preparar o Sistema Estadual de Saúde para o que vem por aí, e editou decreto suspendendo aulas nas redes de ensino pública e privada. Os demais Poderes agiram com igual preocupação. O presidente Othelino Neto (PCdoB) adotou uma série de medidas restritivas ao acesso às instalações da Assembleia Legislativa. No Poder Judiciário, o desembargador-presidente José Joaquim Figueiredo dos Anjos e o desembargador-corregedor Marcelo Carvalho baixaram Portaria conjunta adotando um pacote de regras cm validade até 31 de março.

Político e gestor que se move por fortes doses de realismo e que costuma se antecipar às ameaças que aqui e ali rondam seu Governo e o Maranhão, Flávio Dino tem saído na frente na preparação para o enfrentamento da Covid-19. E ciente da gravidade da situação, criticou duramente a postura do presidente Jair Bolsonaro na manifestação de domingo. Inicialmente, o governador determinou ao secretário de Saúde, Carlos Lula, a adoção de uma série de providências para dotar a rede hospitalar das condições para encarar a virose pandêmica, já tendo garantida a reserva de 20 leitos de UTI e deve disponibilizar mais 121 leitos nos próximos dias para atender a eventuais casos de Covid-19, segundo informou o secretário de Saúde. E finalmente, determinou, por decreto, a suspensão das aulas nas redes escolares pública e privada, para evitar o contágio. A medida vale também para espaços de concentração de pessoas, como estádios, áreas de lazer, assim como adotou restrições no acesso às instalações onde funcionam órgãos públicos. As regras mudaram radicalmente a rotina de São Luís, onde a movimentação de veículos e pessoas está drasticamente reduzida desde ontem.

Em sintonia com o chefe do Poder Executivo, o deputado-presidente Othelino Neto baixou ontem um pacote de providências destinadas a evitar que o corona vírus alcance o complexo funcional da Assembleia Legislativa, onde é grande a circulação diária de visitantes. A Resolução Administrativa 157/20, elaborada com base nas orientações da Organização Mundial de Saúde (OMS), do Ministério da Saúde, e do Plano Nacional de Contingência suspendeu temporariamente o acesso de visitantes ao Palácio Manoel Beckman, proibiu a realização de eventos não relacionados às atividades legislativas, liberou servidores com mais de 60 anos e gestantes da presença no trabalho por 30 dias, e decidiu que as sessões plenárias e reuniões de comissões técnicas acontecerão normalmente, mas sem a presença de público externo. A Resolução determina o uso obrigatório de crachá funcional e a higienização, com uso de álcool gel, nas áreas de maior circulação. Além disso, suspendeu temporariamente as edições do programa “Assembleia em Ação”.

– É uma decisão que mudará a nossa rotina, mas com essas medidas estamos protegendo os nossos servidores, os deputados e toda a população – justificou o presidente Othelino Neto.

O Poder Judiciário também adotou medidas preventivas ao novo corona vírus, com a edição, ontem, da Portaria Conjunta nº 72020, firmada pelo desembargador-presidente José Joaquim Figueiredo e pelo desembargador-corregedor Marcelo Carvalho, com validade até 31 de março. Ela contém medidas destinadas a prevenir contra o corona vírus, de acordo com os tribunais superiores e o CNJ. Foram suspensas as sessões presenciais de julgamento e audiências no Tribunal de Justiça, salvo algumas exceções, e com acesso restrito às partes e aos advogados. Foram suspensas também as audiências judiciais em casos não urgentes e as sessões das Turmas Recursais, ressalvadas as audiências e sessões de julgamento com réu preso, as sessões do Tribunal do Júri com réu preso e as destinadas a evitar perda de direito. Foram liberados servidores com mais de 65 anos e gestantes, assim como portadores de doenças crônicas. Foram suspensos congressos, seminários e similares organizados pelo Poder Judiciário, assim como o afastamento de magistrados e servidores para fora do estado e do País, salvo casos urgentes e inadiáveis. A visitação pública foi suspensa, e o atendimento ao público externo só será feito por meio eletrônico ou telefônico. O pacote mantém o expediente interno e a realização de atos processuais, a publicação regular de sentenças, decisões, editais de intimação, notas de expediente no Diário da Justiça Eletrônico. Serão mantidos também os prazos processuais e as sessões virtuais de julgamento entre outras medidas administrativas.

Em sintonia plena, os Poderes constituídos do Maranhão estão dando um bom exemplo de que é possível unir esforços quando o interesse público está em jogo. Principalmente quando o inimigo é letal e não pode ser visto a olho nu.

 

PONTO & CONTRAPONTO

 

Weverton Rocha confirma aliança do PDT/DEM e procura um vice para Neto Evangelista

Neto Evangelista

O PDT e o DEM devem confirmar, no final deste mês, a aliança em torno da candidatura do deputado estadual Neto Evangelista (DEM) à Prefeitura de São Luís. Segundo uma voz de peso no partido brizolista, a aliança é fato consumado e deve ser confirmada pelo presidente do PDT, senador Weverton Rocha, e pelo presidente estadual do DEM, deputado federal Juscelino Filho. A aliança tem o respaldo da direção nacional dos dois partidos, mas enfrenta pequenos focos de resistência dentro do arraial pedetista. Neto Evangelista segue em frente fazendo de conta de que não há problemas para a formação da aliança, que poderá contar também com MDB que, como o PDT, vive o drama de não dispor um nome de peso para lançar candidato, já que a ex-governadora Roseana Sarney já teria descartado enfaticamente a possibilidade de se candidatar. Decidido a apoiar a aliança DEM/PDT, o senador Weverton Rocha se dedica agora a encontrar nas fileiras do seu partido um vice para Neto Evangelista.

 

Sucessão de fatos desastrosos causa a impressão de que Bolsonaro está desmoronando

Jair Bolsonaro: mundo desmoronando

A divulgação, por ele próprio, em redes sociais, de vídeo convocando partidários para ato no dia 15, as suas contraditórias declarações sobre o corona vírus durante visita aos EUA e na volta ao Brasil, sua inacreditável atitude junto a partidários durante a manifestação em frente ao Palácio do Planalto, a instabilidade da economia – agora agravada pela pandemia do corona vírus -, a declaração enfática da deputada estadual por São Paulo Janaína Pascoal (PSL) – que comandou o impeachment da presidente Dilma Rousseff (PT) em 2016 – dizendo que se arrependeu do seu voto e pedindo a saída dele da Presidência, a declaração de um haitiano afirmando na sua frente que ele não é mais presidente, o puxão de orelha que recebeu do presidente da Câmara Federal, Rodrigo Maia (DEM-RJ), o panelaço contra ele nas grandes cidades – incluindo São Paulo, Rio de Janeiro e Belo Horizonte -, e a chegada à Justiça, ontem, do primeiro pedido formal de impeachment, formulado pelo deputado distrital Leandro Grass (Rede), causam forte impressão de que o mundo do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) começa de fato a desmoronar. E pelo que tem demonstrado com declarações e atitudes, parece claro que ele não tem estatura nem argumentos para segurar a onda, que se avoluma a cada dia.

São Luís, 18 de Março de 2020.

Rubens Júnior mostra confiança, avalia ser melhor que Eduardo Braide e diz que não será um prefeito tutelado

 

Rubens Júnior: posições claras e surpreendentes

“Não será uma gestão tutelada por parentes, pelo governador, por B ou C. Eu estarei na linha de frente, sendo o responsável”, “Serei o protagonista, sem delegar a responsabilidade”, “Me preparei a vida inteira para isso”. Foram declarações do deputado federal licenciado Rubens Júnior (PCdoB), atual secretário das Cidades, em entrevista ao Jornal Pequeno (15/03), na qual mostra que aos 35 anos é um político maduro, bem lastreado, que sabe onde pisa, conduz-se pela moderação, mas também por uma vontade férrea, e que está determinado a chegar à Prefeitura de São Luís. Nas suas respostas, nenhuma referência belicosa ou desrespeitosa a adversários, que considera legitimados, a não ser uma saudável provocação ao principal deles, Eduardo Braide, pré-candidato do (Podemos) e até aqui líder nas pesquisas que mediram as preferências do eleitorado na corrida ao comando da Capital. Ele respondeu sem titubear a todas as perguntas feitas pelo jornalista Manoel dos Santos Neto, mostrando que está de fato preparado para conduzir a sua própria campanha e, em caso de sucesso, assumir os destinos da administração ludovicense no período de 2021/2024.

Na entrevista, Rubens Júnior coloca ponto final em discussões diversas, como a da sua condição de “candidato do governador”, e a do pré-candidato que “ainda não decolou nas pesquisas”. Quanto à primeira questão, não tergiversou e jogou aberto: “Sempre tive lado”, afirma, para em seguida destrinchar a afirmação acrescentando: “Sempre estive ao lado do governador Flávio Dino, desde o tempo em que ele perdia eleições”. E aproveitando para estocar a quem interessar possa: “Agora é muito fácil ser aliado do governador, com ele reeleito”. E com relação ao desempenho nas pesquisas, faz uma previsão ousada, mas exibindo surpreendente segurança: “Não tenho preocupação com pesquisa, mas tenho convicção de que (…) eu sou o candidato que mais irá crescer daqui pra frente”.

Rubens Júnior exibe, sem exageros retóricos, típicos de pré-candidato, confiança no sucesso da sua candidatura. Primeiro porque acredita no seu próprio cacife, lembrando sua trajetória de dois mandatos de deputado estadual, um de deputado federal, reeleito, tendo se licenciado do segundo para participar do Governo Flávio Dino como secretário das Cidades e Desenvolvimento Urbano. E estoca o principal adversário, Eduardo Braide: “Eu fui deputado estadual com Eduardo Braide, fui gestor como ele, fui deputado federal com ele, e todos podem comparar qualquer atuação nesses campos para confirmar que meu desempenho foi melhor que o dele”. E certo de que a eleição será decidida num segundo turno, avalia, convicto, que será o adversário de Eduardo Braide no embate final: “Eu tenho um lado, tenho firmeza. Quem tem o perfil ideal para vencer a eleição do segundo turno sou eu”.

O tom de político com personalidade forte, que sabe onde quer chegar, Rubens Júnior exalta o apoio que já recebeu do Progressistas e do DC, mas quer também uma aliança com o PT, fazendo questão de explicar os motivos: sempre atuou alinhado ao PT, com participação direta e efetiva na defesa do mandato da presidente Dilma Rousseff e no apoio a todos os movimentos em defesa do partido e do ex-presidente Lula da Silva. Isso além do fato de que a agremiação petista será importante na sua campanha, a começar pelo tempo que lhe dará na campanha no rádio e na TV. Ou seja, a relação com o PT tem sido de apoio mútuo, o que lhe dá autoridade política para reivindicar a participação do partido na base de apoio da sua candidatura.

Na entrevista ao JP, Rubens Júnior surpreende pelo grau de convicção que exibe em relação ao futuro da sua candidatura e com a certeza de que tem condições plenas de vencer a eleição. Quem não conhece o cenário político maranhense talvez aponte algum excesso de confiança no pré-candidato do PCdoB, mas uma avaliação mais atenta certamente mostrará que ele sabe o que diz e o que faz nesse campo pantanoso da pré-campanha.

 

PONTO & CONTRAPONTO

 

Para Dino, manifestações mostraram que Bolsonaro está perdendo condições de governar

Apoiadores de Jair Bolsonaro reunidos na Avenida Litorânea

Foi um fracasso retumbante a manifestação de bolsonaristas, domingo, na Praça do Pescador, na Avenida Litorânea. Pouco mais de 200 pessoas enfeitadas de verde e amarelo estiveram lá. O fracasso ficou evidenciado pelo desânimo que marcou os discursos, pela tímida animação e, finalmente, pela falta de líderes bolsonaristas, que preferem se esconder. É verdade que o novo corona vírus contribuiu fortemente para desestimular aglomerações, mas mesmo que tiverem comparecido. Mas é verdade também que, mesmo o número de participantes multiplicado várias vezes, ainda assim a manifestação seria um fracasso.

O governador Flávio Dino (PCdoB) avaliou com precisão, em postagem no twitter, a manifestação bolsonarista:  “Vergonhosos ataques a Maia (presidente da Câmara Federal), Alcolumbre (presidente do Senado), Supremo (Tribunal Federal), Caiado (governador de Goiás), associados aos clamores por “AI 5” e intervenção militar, mostram o descontrole de uma pequena facção liderada por Bolsonaro. Este vai perdendo condições de governar, diante de uma grave crise econômica e sanitária”.

 

Benedito Buzar passa o bastão presidencial da AML para Carlos Gaspar

Carlos Gaspar recebeu de Benedito Buzar o comando da AML

A Academia Maranhense de Letras mudou o seu comando. Saiu o jornalista e pesquisador Benedito Buzar, que a presidiu por nove anos ininterruptos, passando o bastão presidencial para o intelectual e empresário Carlos Gaspar

Benedito Buzar foi um gigante no comando da Casa de Antônio Lobo. Dedicou mais de 3.200 dias a intensos movimentos destinados a mantê-la de pé. Cobrou apoio de governos, buscou a boa vontade da classe empresarial e faz uma série de movimentos com o objetivo de alimentar e garantir a instituição cultural mais destacada do Maranhão. Não foram dias fáceis, pois sem a sua determinação e sua paixão, a AML dificilmente seria o que é hoje. Ao longo dos seus mandatos, Benedito Buzar levou a AML a todos os grandes eventos culturais realizados em São Luís. E apesar das dificuldades que enfrentou, conseguiu realizar uma série de eventos, dando à Academia uma dinâmica que ela não teve nas gestões mais recentes. Passou o bastão de comando da Casa com a consciência tranquila, certo de que, se desejasse, poderia emplacar mais um mandato.

Sob Carlos Gaspar, a AML poderá ganhar novo impulso, provavelmente numa ótica bem mais pragmática e com dinâmica empresarial. Vale aguardar.

São Luís, 17 de Março de 2020.

Imperatriz tem quadro de candidatos quase definido, mas pode haver polarização entre Assis Ramos e Marco Aurélio

 

Assis Ramos, Marco Aurélio, Ildon Marques, Sebastião Madeira, Mariana Carvalho e Daniel Fiim devem disputar em Imperatriz

A confirmação oficial da pré-candidatura do empresário e ex-prefeito Ildon Marques (Progressistas) praticamente fechou o quadro de pré-candidatos à Prefeitura de Imperatriz. São eles: o prefeito Assis Ramos (DEM), o deputado estadual Marco Aurélio (PCdoB), o próprio Ildon Marques (Progressistas), o ex-prefeito Sebastião Madeira (PSDB), a empresária Mariana Carvalho (PSC) e, provavelmente, o médico Daniel Fiim (MDB). Esse leque de pré-candidato sugere que a Princesa do Tocantins, hoje com seus mais de 235 mil habitantes, o que faz dela o segundo maior colégio eleitoral do estado, bem como o maior, mais rico e mais importante município do interior do Maranhão. Sua importância política e econômica, aliada à sua localização geográfica estratégica lhe dá grande dimensão geopolítica, e explica, em grande medida, a atenção que os principais partidos políticos estão dedicando aos preparativos para a corrida sucessória.

Todos esses ingredientes políticos, geopolíticos e econômicos indicam que a metrópole tocantina será palco de uma disputa dura, difícil, situação que revela alguns aspectos decisivos para esse clima. O primeiro é que todos os envolvidos na disputa sucessória enxergam na Prefeitura de Imperatriz um trampolim para saltos bem mais altos. Alguns acreditam que respaldado por uma boa gestão e com uma articulação política eficiente, o prefeito de Imperatriz pode chegar facilmente à Câmara Federal, ao senado da República e ao Governo do Estado. A história recente mostrou, no entanto, que, à exceção de Ribamar Fiquene, que foi senador temporário e governador por um ano, todos os demais prefeitos de Imperatriz foram severamente punidos nas urnas em eleições seguintes. Provavelmente porque não fizeram a lição de casa como deviam.

A julgar pelo que corre nos bastidores da política municipal, o prefeito Assis Ramos está jogando todo o seu poder de fogo para pleitear a reeleição, tendo como propósito dá passos políticos mais largos depois de 2024. Mas as evidências chagas a públicos até aqui sugerem, algumas de maneira enfática, que a situação do prefeito não é nada confortável, no que diz respeito aos prognósticos eleitorais. O seu contrapeso político mais ameaçador é o deputado Marco Aurélio, tanto pelo seu prestígio de ex-vereador e deputado estadual influente – é o líder do Bloco governista na Assembleia Legislativa -, quanto em matéria de suporte político, uma vez que o seu partido, o PCdoB, que terá o PDT e o PT como aliados, faz jogo duro para viabilizar a sua eleição, sob o forte argumento segundo o qual Imperatriz ganhará muito com u prefeito inteiramente alinhado ao Palácio dos Leões. E tudo indica que a disputa será polarizada entre o prefeito e o deputado.

Isso não significa menosprezar concorrentes como Ildon Marques e Sebastião Madeira, dois ex-prefeitos – cada um governou a cidade duas vezes – e políticos experientes, ambos detentores de grande prestígio no município. Mas é evidente que estão no jogo para testar os seus cacifes políticos e eleitorais, já que sofreram derrotas fragorosas em eleições recentes – nenhum dos dois conseguiu eleger-se deputado federal, por exemplo, recebendo votações raquíticas em Imperatriz. A disputa para a Prefeitura, porém, é diferenciada, mais passional, que envolve a todos diretamente. Nesse aspecto, Ildon Marques e Sebastião Madeira cão candidatos que não podem ser deixados de levar em conta.

Mariana Carvalho, que já tem a vaga de candidata garantida pelo presidente estadual do PSC, deputado federal Aluísio Mendes, e Daniel Fiim, que tem o aval da cúpula do MDB, são apostas para o futuro. Isso não quer dizer que eles estejam antecipadamente fora do páreo. Vale lembrar que ela foi muito bem votada na corrida à Assembleia Legislativa, enquanto ele teve desempenho razoável na sua tentativa de construir bases uma cadeira na Câmara Federal. São, portanto, nomes cuja movimentação merece atenção, pois afinal, são dois quadros jovens, com largas redes de relacionamento na cidade e podem transformar essa corrida numa fase de preparação para embates futuros.

Outros nomes poderão aparecer, mas dificilmente surgirá algum candidato com força política e cacife eleitoral suficiente para entrar de igual com os demais candidatos, notadamente o prefeito Assis Ramos e o deputado Marco Aurélio.

 

PONTO & CONTRAPONTO

 

PT mantém dirigentes e Zé Inácio tem chance de ser candidato em São Luís

Zé Inácio fala na reunião da cúpula nacional do PT

O PT superou a crise interna que vinha se arrastando desde que não conseguiu concluir o processo de escolha dos novos dirigentes, iniciados em marco do ano passado e concluído em novembro. O impasse foi gerado, primeiro, porque o partido não teve condições de mobilizar filiados para votar nas chapas que concorriam às direções municipais e estadual, o que acabou gerando conflitos e denúncias de manipulação e até de fraude. Menos de 10% dos filiados do partido nos 217 municípios, inclusive em São Luís, foi às urnas com a confusão. Com a suspensão do processo de escolha, Lobato permaneceu temporariamente à frente do partido no estado, enquanto o vereador Honorato Fernandes se manteve à frente do diretório petista em São Luís.

O impasse, que se arrastava desde agosto do ano passado, com a crise alimentada pelo intenso confronto entre as correntes que formam o partido, foi resolvido na quinta-feira (12), durante reunião da Executiva Nacional. Ali, o representante maranhense na cúpula petista, deputado Zé Inácio, integrante da corrente “Unidade Petista por Lula Livre”, fez uma veemente defesa da permanência dos atuais dirigentes do partido no Maranhão, todos do mesmo grupo, obtendo da cúpula partidária sinal verde para Augusto Lobato permanecer à frente do PT no estado e Honorato Fernandes no comando da agremiação em São Luís.

Com a solução da crise de comando, o PT agora se volta para definir seu rumo nos 217 municípios, especialmente em São Luís e Imperatriz. Na Capital, o partido do ex-presidente Lula da Silva está entre participar da coligação em torno do candidato do PCdoB, deputado federal Rubens Júnior, juntamente com o Progressista, ou lançar candidato próprio à sucessão do prefeito Edivaldo Holanda Júnior (PDT). Na última hipótese, o nome mais forte é o do deputado Zé Inácio – o deputado federal Zé Carlos Araújo está fora do jogo -, que teve sua vantagem ampliada com a sua intervenção em Brasília em favor da cúpula partidária no estado. Os demais pré-candidatos, a professora Criscielle Muniz e o delegado Lawrence Melo, tudo indica, não terão qualquer chance se de a opção for pelo lançamento de candidato próprio. O deputado Zé Inácio é, de longe, o grande favorito na disputa interna.

 

Provável aliança DEM/PDT/MDB pode livrar Hildo Rocha de denúncia ao Conselho de Ética

Weverton Rocha pode denunciar Hildo Rocha por tentativa de agressão durante reunião da bancada

Tudo indica que o senador Weverton Rocha (PDT) levará o deputado federal Hildo Rocha (MDB) ao Conselho de Ética da Câmara Federal por conta do comportamento dele durante reunião da bancada federal, na semana passada, para tratar do destino dos recursos de R$ 30 milhões da Emenda. Em reunião tensa, realizada no gabinete do deputado federal André Fufuca (Progressistas), o deputado Hildo Rocha, mesmo sabendo que o assunto estava liquidado pela assinatura de 14 dos 18 deputados e dois dos três senadores, insistiu em não apoiar o acordo e a exigir sua fatia no bolo milionário. Diante do lembrete de que isso não seria possível, Hildo Rocha iniciou um bate-boca, que terminou com ele atirando um copo de vidro na direção do senador Weverton Rocha, que reagiu e os dois só não foram às vias de fato se os outros integrantes da bancada não o impedissem.

Weverton Rocha estaria determinado a denunciar Hildo Rocha, mas haveria em torno deles vozes lembrando que uma denúncia poderia prejudicar as articulações objetivando atrair o MDB para a candidatura do deputado estadual Neto Evangelista, a fim de participar de uma aliança com o DEM e o PDT. Se Hildo Rocha escapar da denúncia será por esse motivo, será um indicativo forte de que o MDB se unirá ao PDT na corrida em São Luís.

São Luís, 15 de Março de 2020.

ESPECIAL: Com sua voz forte e apurada, Rosa Reis fez de “Pajelança” um marco da música e da cultura popular do Maranhão

 

Capa de Pajelança, o disco de Rosa Reis que se transformou num clássico da MPM
Rosa Reis: artista de muito talento e sólida consciência cultural

Quando brindou o precioso acervo musical maranhense com o seu Pajelança, 23 anos atrás, Rosa Reis certamente sabia o que estava fazendo como cantora e militante cultural, mas provavelmente não tinha noção de que o seu canto e o seu disco extrapolariam as fronteiras do bom trabalho artístico para alcançar a condição de um dos marcos da Música Popular Maranhense (MPM). O disco a consolidou definitivamente como interprete, com sua voz forte, que mistura suavidade com firmeza, adaptando-se correta e perfeitamente ao reggae, ao afro-reggae, à canção pura e simples, ao samba chapado, à toada de diferentes sotaques, ao tambor de crioula e ao Cacuriá.

Rosa Reis vai dos graves aos agudos com facilidade, com potência e elasticidade vocais, para se aventurar em qualquer gênero e estilo, interpretando com a mesma facilidade tanto uma canção singela como uma toada forte. Mas o seu diferencial é o canto centrado, incisivo, suave ou agressivo quando o gênero, o ritmo e o poema exigem. Com esse arsenal de recursos, consegue dar a uma música personalidade própria, com a sua marca sonora, que é inconfundível, pois quem a ouve dificilmente esquece o que ouviu e facilmente a reconhece em outra audição. Na interpretação que dá a “Senzalas”, de Niceas Drumond e Cecílio Nena, por exemplo, Rosa Reis passa todo o sentimento contido em cada frase, dando ao belo reggae um tom de denúncia sem ranço. Em “Flor da pele”, de Zeca Baleiro, interpreta o sentido exato de cada frase, no tom melódico apropriado, sem mais nem menos. Com o mesmo talento, dá suavidade ao poema que César Teixeira musicou como um belo xote e batizou de “Estrela matutina”. Todas as faixas de Pajelança têm uma marca reconhecida e indelével da voz e da interpretação de Rosa Reis.

Com talento excepcional, alcançado pela educação vocálica recebida no Coral de São João e pela força expressiva lapidada no aprendizado da dramaturgia dos bailados da cultura popular resgatada pelo Laborarte, especialmente no viés da tradição afro, Rosa Reis dá sentido pleno às 14 faixas de Pajelança, dedicando a cada uma a medida melódica adequada, a dose rítmica certa e, principalmente, a força dramática de cada um desses poemas genialmente musicados por seus autores.

Dando expressão plena a preciosidades de César Teixeira, Josias Sobrinho, Joãozinho Ribeiro, Zeca Baleiro, Fauzi Baydoun, Escrete, Tião Carvalho, Tadeu de Obatalá, Niceas Drumond e Cecílio Nena e Dona Teté, Rosa Reis mostra toda a potência musical e discursiva do seu canto. Isso porque, demonstrando uma consciência cultural rara e absolutamente honesta, montou um disco que sintetiza sua visão e sua postura de afirmação superior diante de um mundo fortemente influenciado por uma modernidade confusa, que coloca em risco os nossos mais puros valores culturais, principalmente as manifestações de vertente popular. O disco é, portanto, resultado emblemático de um esforço nobre no sentido de valorizar o que o Maranhão tem de melhor em termos de música e expressão cultural.

Lançado a mais de duas décadas (1977), Pajelança é um desses vinhos musicais que parecem ganhar mais beleza quanto mais são ouvidos. Primeiro pela interpretação magistral e irretocável de Rosa Reis e segundo pela felicidade das faixas escolhidas, inteiramente identificadas com o cancioneiro maranhense. Tudo isso embalado por belos, perfeitos, coerentes e adequados arranjos elaborados por Jayr Torres e corretamente interpretados por uma banda competente formada basicamente pelo próprio Jayr Torres (guitarras, teclados, violão), Jonas Torres (contrabaixo), Arlindo Carvalho (percussão) e Moisés (bateria). E com algumas faixas enriquecidas coma participação especial de César Peixinho e Negreiros Xavier (pandeirões, pandeirinhos, tambor onça, matracas, etc.), Ed Santana, Jânio Padilha e Célio Muniz (metais), Mazé Veras, Salomão de Pádua e Regina (vocais), Francisco Pinheiro (clarinete) e de ninguém menos que o lendário mestre capoeirista Patinho, com o seu berimbau. A própria Rosa Reis dirigiu a execução da obra.

Pajelança é um clássico da MPM, extremamente atual e com vocação para se manter assim pelo resto dos tempos.

As faixas

1 – Jogando Caxangá é um afro-reggae de raiz de autoria de Tadeu de Obatalá, Bola de Brilhante e Carlos Gomes, que exalta a cultura afro a partir da tragédia iniciada nos navios negreiros vindos de Uganda. Rosa Reis interpreta essa faixa exibindo o peso da sua voz nas variações da melodia, alcançando ponto alto no refrão expressivo. Essa música exprime o viés afro da base cultural que embala a arte da cantora. Vale registrar o berimbau contagiante do saudoso Mestre Patinho.

2 – Carinho é fruto do que há de melhor no reggae cultivado por Fauzi Baydoun, de longe a maior expressão regueira do Maranhão. Na sua irretocável interpretação, Rosa Reis dá força à letra de Fauzi Baydoun indo dos graves aos agudos sem maior dificuldade, solfejando sem exageros, alimentando com esse cuidado o jogo de equilíbrio típico das suas interpretações. Faz de Carinho uma pedra para ouvir e, se for o caso, dançar agarradinho como manda o gênero.

3 – Flor da pele, pérola cultivada de Zeca Baleiro, ganha na interpretação de Rosa Reis uma carga dramática ímpar, que só a sua voz e o seu estilo são capazes de explorar. A cantora mostra essa força expressando sentimentos remexidos nas três partes do poema, no qual Zeca Baleiro consegue de fato provocar a sensibilidade dos inconformados e dominados pela paixão. É um dos pontos fortes do disco.

4 – Pajelança, que dá nome ao disco, é outra joia, esta em ritmo de soul, de Zeca Baleiro em parceria com Chico César e Tata Fernandes, na qual saem em busca de respostas e de identidades culturais. Rosa Reis dá a interpretação certa a cada verso, externando com clareza as inquietações contidas no poema. E o faz com voz centrada, firme, sem vacilação, tanto nas frases curtas, interrogativas, quanto nas extensões vocais. Dá um show.

5 – Cajapió é uma espécie de carimbó que lembra um baião estilizado, de autoria de Erivaldo Gomes. À essa faixa de oito versos, Rosa Reis dá uma interpretação simples e eficiente, abrindo a voz numa cadência irrepreensível.

6 – Estrela matutina é um singelo xote de autoria do mestre César Teixeira, na verdade um poema musicado, que guarda o refinamento das letras do autor, onde se encontram imagens do tipo “tu (estrela matutina) tens o doce brilho de um punhal na escuridão”. Rosa Reis alcança com exatidão e sem maiores esforços a paixão contida nos versos refinados de César Teixeira. Interpreta cada frase com o tom correto e a ênfase apropriada, dando ao xote a roupagem de uma canção de amor.

7 – Dançou é um reggae de Zeca Baleiro e Erivaldo Gomes, relatando encontros e desencontros passionais ao som do reggae. Rosa Reis mais uma vez mostra afinidade com o ritmo jamaicano, confirmando-se uma intérprete completa nessa seara. Encanta logo na abertura com um solfejo atraente, mantendo na sequência uma evolução contagiante, principalmente porque se mantém no agudo com firmeza. Uma bela exibição de potencial vocálico.

8 – Senzalas, o belo e contagiante reggae de Niceas Drumond e Cecílio Nena, pode ser encarado como o ponto alto do disco. Primeiro porque é uma pedra musical preciosa e bem lapidada, com discurso forte e variações sonoras contagiantes. Rosa Reis usa todos os seus recursos de voz para dar a dimensão exata a essa “pedra de responsa”, que reúne com perfeição um discurso forte e uma boa estrutura melódica. Chega ao ponto máximo quando diz, em primeira e segunda voz, que “o preto e o branco aflito e o bagaço de cana no litro faz a farra…” e logo em seguida dispara, com forte carga dramática, que “tem chicote na feira, chibata, e nem bom capoeira escapará traz amarras…” Uma interpretação magistral.

9 – Nós, o belo e forte samba chapado de Tião Carvalho, sucesso nacional na voz de Cássia Eller, ganha de Rosa Reis uma roupagem própria, perfeita, corretamente ritmada, com a ginga na medida certa.

10 – Boi do Anil e Cadê o Boi, duas toadas de peso saídas do rico balaio do genial Josias Sobrinho, às quais Rosa Reis dá interpretação especial. Na primeira, com sotaque de matraca, Rosa Reis canta como se estivesse declamando um poema-protesto escrito nos dias atuais. Na segunda, uma severa crítica política também muito atual em sotaque de zabumba, a cantora corresponde integralmente ao sentido da dura crítica política expressada na letra de Josias Sobrinho.

11 – Sentimento de tocador, uma bela toada de tambor de crioula de Escrete e José Raimundo Gonçalves, é interpretada por Rosa Reis sem maiores dificuldades. Ela consegue dar vazão aos bem construídos versos como se estivesse numa roda.

12 – Meu Baralho, um baralho de autoria do genial Joãozinho Ribeira, resgata um dos folguedos maranhenses. Rosa Reis interpreta a faixa com a cadência e alegria de uma manifestação de rua, dando a cada verso a graça que só uma intérprete com a seu talento e a sua consciência cultural pode dar.

13 – Cacuriá, cantiga de roda de domínio popular resgatada pela saudosa agitadora cultural Dona Teté. Rosa Reis brinca e dá vida a cada verso, num envolvimento de voz e alma, fazendo com que quem a ouve sinta a saudável pureza dessas cantigas.

14 – Rosa Reis fecha esse diamante da discografia maranhense com Boi de Piranha, uma toada-manifesto atualíssima em sotaque de matraca do mestre César Teixeira. Com a força da sua voz, com entonação perfeitamente encaixada em cada verso, ela convoca a todos para guarnicê lembrando que “pra vencer um batalhão tem de fincar o pé na terra com ferramenta na mão”, porque “aqui na terra quem não berra nada ganha”.

São Luís, 14 de Março de 2020.

Em Tempo: O registro sobre Pajelança, de Rosa Reis, é parte da pretensão do autor e editor da Coluna RepórterTempo de documentar impressões sobre discos fundamentais da Música Popular Maranhense. Já foram o publicados registros sobre Shopping Brazil, de César Teixeira (edição de 20/08/2026); Milhões de uns, de Joãozinho Ribeiro (edição 06/05/2017); Voos, de Fátima Passarinho (edição de 05/11/2017), e Apanhados geral, um, de Josias Sobrinho (edição de 20/04/2019). A partir de agora, esses registros serão publicados sempre no primeiro sábado de cada mês, ficando o próximo agendado para o dia 04/04/2020.

Brandão dá a volta por cima, turbina o Republicanos e estrutura base partidária para 2022

 

Carlos Brandão entre Ariston Ribeiro, Elizabeth Gonçalo, Cléber Verde e Daniella Tema à direita, e Duarte Júnior, Felipe dos Pneus e Fábio Macedo, em Brasília

O que até pouco tempo eram investidas tímidas, cautelosas, mas já com objetivos bem resolvidos, os movimentos partidários do vice-governador Carlos Brandão começam a ganhar ares bem mais fortes, tendo como evidência maior o súbito robustecimento do Republicanos (ex-PRB), capitaneado no Maranhão pelo ativo deputado federal Cléber Verde. Em menos de um mês, Carlos Brandão consumou articulações iniciadas no final do ano passado, turbinou a bancada do Republicanos na Assembleia Legislativa, formada até então pela presença solitária do deputado Zé Gentil, com nada menos que cinco deputados estaduais – Duarte Júnior. (ex-PCdoB), Daniella Tema (ex-DEM), Fábio Macedo (ex-PDT), Ariston Ribeiro (ex-Avante) e Felipe dos Pneus (ex-PRTB) –, com a possibilidade concreta da filiação, nos próximos dias, dos deputados Paulo Neto e Antônio Pereira, ambos do DEM. Não é pouca coisa, a julgar pela intensa movimentação dos partidos em busca de fortalecer suas fileiras às vésperas das eleições municipais e a dois anos da grande e decisiva peleja eleitoral de 2022, ambos chaves para o projeto, cada dia mais consistente, do vice-governador de chegar ao Palácio dos Leões.

O fortalecimento do Republicanos se deve a uma série de fatores, sendo o principal deles o projeto de poder do vice-governador Carlos Brandão, que ganha força com a habilidade com que vem se movimentando no movediço tabuleiro da sucessão estadual, e também pela sua reconhecida capacidade como organizador de partidos políticos. Esse talento veio à tona nas eleições municipais de 2016, quando, na condição de presidente do PSDB no estado, levou a sigla tucana ao segundo lugar em número de prefeitos eleitos, ganhando o comando de 29 municípios, à frente do PDT, que fez 28, só perdendo para o PCdoB, que sob o comando do hoje deputado federal Márcio Jerry e o aval do governador Flavio Dino, saiu das urnas com 46 prefeitos. Todo seu esforço para dar ao PSDB na segunda potência partidária do Maranhão, porém, foi por água abaixo com a investida do senador Roberto Rocha, que sem espaço no PSB, pelo qual fora eleito, articulou e retomou o comando do ninho dos tucanos no Maranhão.

Carlos Brandão sofreu um duro golpe ao perder o PSDB para Roberto Rocha, passando, de uma hora para outra, de chefe tucano influente à condição de “sem-legenda”. Foi sondado por várias agremiações, mas decidiu se filiar ao PRB, formando parceria forte e azeitada com o deputado federal Cléber Verde, considerado um dos mais competentes chefes partidários do Maranhão, tendo conseguido eleger 14 prefeitos em 2016, alcançando a quinta colocação naquele ranking, à frente, por exemplo, do PSB (13) e do PTB (7), partidos mais consolidados. Juntos, Carlos Brandão e Cléber Verde têm realizado um trabalho forte e bem-sucedido de articulação, o primeiro usando o prestígio que tem na classe política, com o reforço do projeto sucessório, e o segundo utilizando sua competência e larga experiência de articulador eficiente nessa complicada seara da política maranhense.

O vice-governador Carlos Brandão joga nesse campo com um objetivo claro: fazer com que o Republicanos saia das urnas de outubro com o maior número possível de prefeitos, vice-prefeitos e vereadores. Sua ação é um contrapeso à intensa movimentação do senador Weverton Rocha, que tenta fortalecer o PDT para turbinar o seu projeto de chegar ao Palácio dos Leões, e ao jogo pesado do deputado federal Josimar de Maranhãozinho para ingressar na seleta lista de pré-candidatos a governador. Ao contrário de Weverton Rocha e de Josimar de Maranhãozinho, que atuam de maneira exposta, Carlos Brandão articula discretamente, conversando muito, mas sem criar qualquer embaraço à sua condição de número 2 do Governo, a quem o governador Flávio Dino tem escalado para inúmeras missões mundo a fora em busca de recursos para o Maranhão.

Nos bastidores, já são muitos os políticos bem situados e os   jornalistas bem informados que já se movem pela certeza de que até aqui o vice-governador Carlos Brandão é a aposta do governador Flávio Dino para substituí-lo. E a construção de uma base com o fortalecimento do Republicanos é parte fundamental do processo de viabilização.

 

PONTO & CONTRAPONTO

 

DEM será o partido mais prejudicado com o fortalecimento do Republicanos

Neto Evangelistas e Andrea Rezende poderão ficar como únicos representantes do DEM na parlamento estadual

Além de fortalecer a posição do vice-governador Carlos Brandão, o crescimento do Republicanos vai resultar no drástico emagrecimento do DEM na Assembleia Legislativa. Com a saída da deputada Daniella Tema, e a se confirmar a desfiliação dos deputados Antônio Pereira e Paulo Neto, a bancada do DEM no parlamento estadual, que começou essa legislatura com cinco deputados e ficará reduzida a dois, a deputada Andrea Rezende e o deputado Neto Evangelista, este passando a correr o risco de perder força como pré-candidato a prefeito de São Luís. Com a investida forte do Republicanos, Avante e PRTB serão banidos da Assembleia Legislativa, por não terem mais representação, enquanto que PDT e PCdoB contabilizarão uma perda cada um, podendo a agremiação brizolista perder o deputado Glaubert Cutrim caso o seu irmão, deputado federal Gil Cutrim, também   deixar o partido, com a agravante de que os pedetistas deixarão de ter a maior bancada no Legislativo estadual.

 

Legislativo cria canal para cidadão participar do programa “Assembleia em Ação”

Qualquer cidadão poderá, a partir de agora, interagir com a Assembleia Legislativa por via virtual. É que o programa Assembleia em Ação criou um canal direto para permitir que a população se comunique com o parlamento estadual, com espaço para dar sugestões sobre temas a serem abordados medidas que dependem de decisão legislativa, fazer comentários sobre as edições do programa e tirar dúvidas sobre os objetivos do Assembleia em Ação. Para isso, basta acessar a plataforma  http://assembleiaemacao.al.ma.leg, no portal. Para acessar, basta clicar no banner localizado na parte superior da página oficial da Assembleia Legislativa e fazer um rápido cadastro, preenchendo todas as informações solicitadas. Após concluído o formulário, o canal de comunicação estará aberto à interação dos cidadãos com o Legislativo, conforme o projeto definido pela Diretoria de Comunicação da Assembleia Legislativa.

Para lembrar: o Programa Assembleia em Ação foi criado com o objetivo maior de aproximar a Assembleia Legislativa promovendo a troca de conhecimentos e experiências entre o Legislativo estadual e as Câmaras Municipais, e uma convivência maior e mais produtiva dos 42 deputados estaduais com os 2.320 vereadores que representam os 217 municípios maranhenses, da classe política em geral e da sociedade.

O projeto prevê a realização desses encontros em todas as regiões do estado, levando conhecimento, discutindo assuntos de interesse dos municípios e do Maranhão e dialogar com a população, sempre sob o comando do presidente da Assembleia, deputado Othelino Neto (PCdoB). O programa já passou pelos municípios de Balsas, Timon, Trizidela do Vale e Imperatriz, com participação significativa de parlamentares e lideranças políticas das regiões envolvidas. A quinta edição do evento será realizada em Itapecuru Mirim, no dia 20 deste mês, congregando representantes de 23 municípios das regiões do Baixo Itapecuru, do Munim e do Eixo Rodoferroviário. Assim como em todas as edições, os trabalhos contarão com palestras ministradas por especialistas da Casa sobre processo legislativo e eleições municipais de 2020. (Com informações da Assessoria da Assembleia Legislativa)

São Luís, 13 de Março de 2020.

 

Dino acerta ao criticar Bolsonaro por tentar colocar eleições de 2018 sob suspeita e de tratar do assunto nos EUA

Flávio Dino avalia que Jair Bolsonaro cometeu falta gravíssima ao levantar suspeita sobre eleição de 2018

De todas as críticas à acusação de fraude na eleição presidencial de 2018, colocando em xeque o sistema eletrônico de votação brasileiro, hoje referência para todo o mundo, feita terça-feira pelo presidente Jair Bolsonaro (sem partido), durante visita aos EUA, uma das mais consistentes partiu do governador Flávio Dino (PCdoB), em entrevista, ontem, à Rádio FM A Tarde, de Salvador (BA). Com o lastro de ex-juiz federal e de político militante com várias eleições – vencidas e não vencidas – no currículo, o líder maranhense chamou a atenção para dois aspectos fundamentais da declaração presidencial. O primeiro é a acusação em si, feita sem qualquer fato suspeito ou qualquer evidência, portanto sem base mínima sequer para se considerar a possibilidade de uma denúncia formal à Justiça Eleitoral. E o segundo, o fato de a acusação – na verdade uma declaração requentada, que estava esquecida havia mais de um ano – ter sido feita em outro País, colocando em dúvida a seriedade institucional do Brasil, a começar pelo próprio mandato que ele exerce. Ao observar esses dois aspectos, Flávio Dino dimensiona com precisão o tamanho da irresponsabilidade institucional do presidente da República, uma vez que, somados, os esses dados tornam a declaração presidencial política e institucionalmente perigosa.

Sobre a acusação de fraude feita pelo presidente Jair Bolsonaro, que ganhou o mandato legitimado por nada menos que 55 milhões de votos, numa eleição de dois turnos, o governador Flávio Dino disse o seguinte: “É uma grave acusação, que deve vir seguida de provas e deve ser apurado pela Polícia Federal, porque, de duas uma: ou estamos diante de um fato gravíssimo, uma fraude eleitoral abrangendo a eleição presidencial, ou estamos diante de um outro fato gravíssimo, que é o presidente da República fazendo uma acusação falsa, destituída de elementos de prova”.

Traduzindo em miúdos, a fala do governador leva o cidadão a lembrar que num País democrático e institucionalmente sólido, o procurador geral da República não deve pensar duas vezes para interpelar imediatamente o presidente da República, para que ele apresente provas e formalize a denúncia, para que ela seja investigada pela Polícia Federal, sob pena de estar cometendo o gravíssimo crime de fazer uma acusação sem prova. A Constituição é clara: agente público, a começar pelo mais importante deles, o presidente da República, não pode mentir. No caso, o presidente Jair Bolsonaro, se corretamente interpelado pelo procurador da República, terá de apresentar provas concretas que embasaram sua acusação; do contrário, poderá de responder pelo crime de mentir.

Em relação ao local e às circunstâncias em que o presidente repetiu a acusação sem prova, o governador disse: “É um gravíssimo ataque (às instituições brasileiras). Na medida em que o chefe de Estado, visitando outro país, dirige essa crítica ao processo eleitoral e à Justiça Eleitoral, isso pode atingir o passado e o futuro. Isso é algo nunca visto, é inusitado. Ameaça a imagem brasileira na seara internacional, além de ter essa repercussão dramática sobre a essência do regime democrático, que é a certeza de que os votos são conferidos e apurados com legitimidade”.

De fato, ao dar sua declaração, mesmo falando a jornalistas brasileiros e, pelo que pôde ser facilmente observado, para seus seguidores nas redes sociais, o presidente do Brasil encontrava-se em visita aos EUA. A tradição, observada ao longo da História, determina que um chefe de Estado, quando no exterior, em visita formal, deve ater-se a uma pauta de assuntos de interesse nacional. Mesmo provocado para falar de assuntos em viagem, o chefe de Estado deve usar inteligência política e habilidade diplomática para conduzir situações assim sem cair nas ciladas de um temperamento imprevisível ou no terreno traiçoeiro da astúcia de jogar errado para uma rede de seguidores ignorando o que pensam uma maioria de milhões e milhões de cidadãos.

As declarações do governador Flávio Dino, além de críticas contundentes ao presidente Jair Bolsonaro, são manifestações forradas de consciência institucional e sensatez política, ferramentas que o chefe da Nação parece desconhecer.

 

PONTO & CONTRAPONTO

 

PT depende do comando nacional para definir posição em São Luís

Honorato Fernandes, Zé Inácio, Criscielle Muniz e Lawrence Melo no ato de lançamento das três pré-candidaturas em São Luís

Não está descartada a possibilidade de o PT participar da corrida para a Prefeitura de São Luís com candidato próprio. Mas já está evidenciado que o movimento que lançou três pré-candidatos – o deputado estadual Zé Inácio, o delegado Lawrence Melo e a professora Criscielle Muniz -, feito em reunião do comando municipal do partido, não funcionou e já perdeu consistência. Das três pré-candidaturas, a única que continua fazendo sentido é a do deputado Zé Inácio, que tem os pés no chão e sabe que, mesmo tendo condições e estrutura para ter candidato próprio, o PT dificilmente entrará na briga sem o pleno aval da direção nacional, especialmente do ex-presidente Lula, que por sua vez é pouco provável que venha a se posicionar sem um entendimento com o Palácio dos Leões. As duas candidaturas sem lastro e já praticamente arquivadas surgiram como marcação de posição de grupos que medem força dentro do partido. Lawrence Melo é integrante do grupo liderado pelo atual presidente municipal do PT, vereador Honorato Fernandes, e Criscielle Muniz milita no grupo comandado pelo ex-vice-governador e atual conselheiro do Tribunal de Contas do Estado, Washington Oliveira, que disputou o cargo em 2012. Sem uma orientação expressa do comando nacional, esses grupos dificilmente se entenderão.

O deputado Zé Inácio desembarca hoje em Brasília, onde conversará com o comando nacional em busca de um posicionamento em relação a São Luís, que pode ser o da candidatura própria, podendo ser ele o candidato de consenso, ou o de uma aliança com o PCdoB em torno da candidatura do deputado federal Rubens Júnior, que é, para muitos observadores, o caminho mais provável.

 

João Alberto vai a Imperatriz apaziguar o MDB e decidir sobre candidatura de Fiim

João Alberto vai acalmar ânimos no MDB de Imperatriz e tentar viabilizar a candidatura de Daniel Fiim (centro) a prefeito da Princesa do Tocantins 

O presidente do MDB, ex-senador João Alberto, desembarca em Imperatriz nas próximas horas. Vai comandar ali uma reunião da direção local do partido para apagar um incêndio e, recomposta a normalidade, definir como o MDB participará da eleição para a Prefeitura da Princesa do Tocantins. O que acirrou os ânimos foi a iniciativa do deputado federal Hildo Rocha de levar o médico Daniel Fiim para se filiar ao partido no gabinete do presidente Baleia Rossi, em Brasília. Só que nada combinou com o comando municipal, que tem à frente o respeitado ex-senador Antônio Leite. Os emedebistas graduados dizem nada ter contra a filiação e a eventual candidatura de Daniel Fiim, mas não admitem que sejam decididas por um deputado federal que não é da região e sem passar pelo crivo da Executiva municipal. E avisaram que sem um entendimento claro o projeto de candidatura poderá ser barrado pelo Diretório Municipal. João Alberto desembarcará em empunhando um extintor para apagar o incêndio e pacificar o MDB da antiga Vila do Frei. E dependendo da conversa, confirmar a candidatura de Daniel Fiim.

São Luís, 12 de Março de 2020.

Eliziane Gama se consolida como voz que rebate o discurso agressivo de Bolsonaro

 

Eliziane Gama: voz firme e considerada no rebate às agressões verbais do presidente Jair Bolsonaro

A maioria da bancada feminina no Senado da República faz Oposição ao Governo Central e suas integrantes disparam com frequência duras críticas ao presidente Jair Bolsonaro (sem partido), não só por desacertos da sua gestão, mas também, e principalmente, por sua postura e declarações que comprometem seriamente a dignidade do cargo. Uma das vozes mais firmes desse grupo multipartidário é a senadora maranhense Eliziane Gama, líder da bancada do Cidadania, que atua fortemente como contrapeso à base governista na Câmara Alta. Política de visão jornalística, apurada no exercício da profissão de radialista, a senadora maranhense vem se destacando pela sua competência como parlamentar, com farta produção legislativa, aprimorada por dois bem exercidos mandatos de deputada estadual e um de deputada federal; pela sua coerência partidária como militante da esquerda moderada, e, finalmente, pela posição firme no rebate às declarações indecentes feitas pelo presidente em situações que exigem deles a postura de magistrado maior da República. Para ela, Jair Bolsonaro recorre a um “discurso abjeto” quando se dá conta da sua ignorância ou quando não encontra resposta para situações que o incomodam.

Ontem, por exemplo, diante da inexplicável declaração do presidente Jair Bolsonaro, numa entrevista nos EUA, repetindo a “suspeita” de que teria havido fraude na eleição presidencial de 2018, para prejudicá-lo. A declaração, feita sem qualquer motivo plausível, e num contexto de preocupação com o avanço do corona vírus e a crise econômica global que se desenha, além, é claro, da crise política que dificulta as reformas no Congresso nacional, causou perplexidade. Como sempre tem feito em situações como essa, Eliziane Gama reagiu com dureza: “Deslegitimar as eleições presidenciais de 2018, fazendo uma acusação grave, sem apresentar provas e sem levar os ‘fraudadores’ à justiça em meio a uma crise econômica, fiscal e política global é de uma irresponsabilidade sem tamanho. Essa verborragia é um grave problema”.

Essa postura da senadora maranhense foi adotada tão logo ela assumiu o mandato e recebeu a tarefa de liderar a bandada do seu partido. Durante os primeiros meses, ela comentou, criticou e rebateu todas as declarações controvertidas do presidente da República. Jogou pesado em julho passado, quando numa reunião ministerial foi flagrado atacando o governador Flávio Dino (PCdoB) e dando uma ordem ao então o ministro da Casa Civil, Onix Lorenzzoni – “Desses governadores de Paraíba, o pior é o do Maranhão. Tem que dar nada para esse cara”. Sua reação:  “Xenofobia. Absurdo, a ainda mais vindo do presidente da República. Como maranhense, como mãe nascida e criada no MA e como parlamentar eleita pelo meu Estado, não aceitarei de forma alguma que nosso Estado seja prejudicado por ´estultice ideológica`. É hora de o presidente descer do palanque, parar de gerar crises em série e governar o país”.

A senadora Eliziane Gama bateu forte ao criticar o destempero verbal com o presidente Jair Bolsonaro atacou a ex-presidente do Chile e atual Alta Comissária das Nações Unidas para os Direitos Humanos, Michele Bachelet, que se posicionou sobre a situação dos direitos humanos no Brasil. Sem meios para atingi-la diretamente, Jair Bolsonaro defendeu e elogiou a sanguinária ditadura militar comandada pelo general Augusto Pinochet no Chile, durante a qual o pai de Michele Bachelet, militante de esquerda, foi assassinado e ela, presa e torturada. Eliziane Gama rebateu o presidente avaliando que ele não tem preparo para comandar o País: “Além de criar mais uma crise diplomática desnecessária, as declarações desumanas do presidente em relação ao pai da ex-presidente chilena, Michelle Bachelet, são agressões a uma família. Atitude intolerável”.

Em meados de fevereiro, o presidente Jair Bolsonaro, pressionado pela evolução da CPI das Fake News, onde foi revelado que a campanha dele pagou empresa para espalhar notícias falsas contra adversários nas redes sociais, aproveitou a declaração de um dos suspeitos de atuar nessa operação e atacou sem medida a jornalista Patrícia Campos Mello, do jornal Folha de S. Paulo, afirmando, de maneira tosca e desmedida: “Ela queria um furo. Ela queria dar um furo [pausa, pessoas riem] a qualquer preço contra mim”. Eliziane Gama reagiu indignada: “Agrediu de forma frontal todas as mulheres brasileiras e demonstrou falta de compostura”.

Incapaz de pronunciar um palavrão, a senadora Eliziane Gama rebate o inacreditável discurso do presidente Jair Bolsonaro com um arsenal verbal duro, mas civilizado, e com a segurança de quem sabe o que está falando, reafirmando uma dignidade pessoal e uma coerência política incomuns num cenário onde na maioria das situações os interesses e as conveniências falam mais alto.

 

 PONTO & CONTRAPONTO

 

Neto Evangelista se movimenta para atrair o apoio do MDB

Neto Evangelista mira o MDB

O deputado Neto Evangelista encontra-se em pleno movimento em busca de aliados para fortalecer a aliança que seu partido, o DEM, deve firmar com o PDT para embalar sua candidatura à prefeitura de São Luís. Num cenário em que os partidos de expressão estão praticamente todos posicionados, ele tem acenado fortemente na direção do MDB, que não tem candidato definido, já que a ex-governadora Roseana Sarney vem emitindo sinais luminosos de que não tem interesse nessa disputa. Nos bastidores, corre que já teria havido conversas preliminares com o deputado Roberto Costa, mas este, pelo menos publicamente, vem mantendo o discurso de aposta na candidatura da ex-governadora, já que ela ainda não declarou formalmente se será ou não candidata. Político inteligente e hábil, Neto Evangelista certamente já se movimenta com a certeza de que Roseana Sarney não será candidata e que o MDB não tem outro nome de expressão para fazer frente a pré-candidatos de peso como Eduardo Braide (Podemos), Rubens Júnior (PCdoB) e ele próprio. Há quem diga que existe, de fato, a possibilidade de o MDB formar um tripé com o PDT e o DEM em torno de Neto Evangelista, apontado como dono de forte potencial de crescimento. A migração do prefeito de Bacabal, Edvan Brandão, aliado de Roberto Costa, para o PDT, sugere que a aliança em São Luís é possível.

 

Wellington do Curso virou o jogo e ganhou a vaga de candidato do PSDB

Wellington do Curso

Os movimentos recentes do deputado Wellington do Curso indicam que ele finalmente conseguiu mesmo o indispensável aval do senador Roberto Rocha para levar em frente sua pré-candidatura pelo PSDB à Prefeitura de São Luís. Roberto Rocha tinha, de fato, outro plano para o PSDB na corrida sucessória na Capital: uma aliança com o Podemos em torno da candidatura do deputado federal Eduardo Braide. O plano condicionava a aliança à indicação do vice pelo PSDB, o que não foi possível. Outro fator levado em conta foi mesmo a boa posição de Wellington do Curso nas pesquisas feitas até aqui nas quais ele apareceu sempre como um dos cinco melhores colocados na preferência do eleitorado. Agora, o desafio do pré-candidato tucano é mostrar que tem gás para crescer contando com a megaestrutura partidária dos tucanos.

São Luís, 11 de Março de 2020.

Dino diz que em vez estimular ato contra Congresso e Supremo, Bolsonaro deve agir contra crise global

 

Flávio Dino defende “ações urgentes” do Governo Central para minimizar os efeitos da crise global 

Em meio ao impacto da crise econômica mundial causada pelo novo corona vírus e agravada ontem por medidas drásticas adotadas na Itália e por uma guerra entre Arábia Saudita e Rússia pelo mercado de petróleo, transformando a Segunda-Feira, 9 de Março, num dia de pânico no mercado financeiro internacional, com a queda drástica e dramática de bolsas de valores no mundo inteiro, o governador Flávio Dino (PCdoB), antevendo problemas fiscais e financeiro graves para a União, estados e municípios, propôs a adoção de “ações urgentes” por parte do Governo Federal. Para ele, tais ações devem ser adotadas imediatamente, contrariando o argumento do ministro da Economia, Paulo Guedes, avalizado pelo presidente Jair Bolsonaro (sem partido), segundo o qual a resposta para a crise é a aprovação das reformas. E para demonstrar que tem consciência da situação e a convicção de que sabe o que está dizendo, anunciou: “Em face da gravidade do quadro econômico nacional, com consequências ainda imprevisíveis, determinei à equipe de Governo revisão de todo o planejamento de 2020. Precisamos de prudência em um momento de grandes incertezas”, anunciou.

Em face da inércia e da visão dominante no Governo Central,   Flávio Dino criticou o presidente Jair Bolsonaro (sem partido), que em vez de procurar entender essa crise e adotar as medidas necessárias para proteger a já combalida economia do País, utiliza seu tempo e sua condição presidencial para estimular o ato dos seus partidários contra o Congresso Nacional e o Supremo Tribunal Federal, previsto para o próximo domingo. “Por que, em um quadro de crise gravíssima, há quem aposte em mais confusão institucional? É golpismo ou é manobra para esconder incompetência? Ou as duas coisas? O Brasil precisa de paz, respeito à Constituição e ações governamentais efetivas”, assinalou o governador.

Flávio Dino concorda com a importância das reformas tributária e administrativa e com o Pacto Federativo, mas argumenta que há uma situação de urgência causada pela crise de saúde pública e econômica global. No seu entendimento, para evitar que o Brasil seja mais prejudicado do que certamente será, o Governo Central deve adotar medidas fortes, como aplicar recursos públicos em obras fundamentais, estimulando assim a circulação de capital e a geração de empregos.

O governador maranhense discorda frontalmente da postura do Governo Central de manter inflexível a linha liberal de cortar gastos. Ele defende o controle de gastos e o equilíbrio das contas públicas, mas advoga também por investimentos públicos, principalmente em momentos como esse, quando o investimento privado, que tem sempre o caráter especulativo, se recolhe por conta das incertezas que afetam o mundo inteiro, com prováveis consequências mais fortes em países em desenvolvimento, com economias fortes, mas muito dependente dos investimentos estrangeiros, como é o caso do Brasil, cujo crescimento é acanhado – produziu apenas um “pibinho” de 1% no ano passado, quando gigantes como a China crescem a taxas elevadas.

Na linha de economistas que não aprovam a política econômica liberal extremada, focada principalmente no corte de gastos e nas reformas, sem levar em contas a necessidade de investimentos sociais, o governador Flávio Dino avalia que o Brasil corre sério risco de agravar ainda mais a crise econômica interna se não agir urgentemente com ações que estimulem a economia nacional e amenizem os impactos da crise global que só tende a se agravar. Isso porque o agravamento tornará governos e mercados incapazes de prever o que está a caminho. Para o governador, diante da gravidade do quadro em evolução, não basta esperar a aprovação de reformas pelo Congresso Nacional. “Não há dúvida de que a reforma tributária e outras reformas são necessárias. Mas o dólar está chegando a R$ 5, a economia não cresce e o desemprego é gigante. Ações são urgentes. Não basta ficar esperando reformas”, alertou ontem, no twitter.

O governador Flávio Dino não é voz solitária na defesa de que nesse momento o Governo deve agir. Economistas importantes da nova geração, como a brasileira Mônica Debolle, respeitada principalmente nos EUA, onde é voz ativa no meio financeiro, têm o mesmo entendimento, enfatizando que manter a política de não investir e aguardar as reformar é um erro que pode custar muito caro ao País.

 

PONTO & CONTRAPONTO

 

Frente parlamentar proposta por Daniella Tema é criada para combater feminicídio

Em cima: Daniella Tema homenageia Silvia Leite ao lado de Suzan Lucena, Ama Mendonça, Helena Duailibe e Viviane Fontenele. Embaixo: Líderes de movimentos de mulheres festejam a criação da Frente contra o feminicídio

A Assembleia Legislativa instalou ontem a Frente Parlamentar de Combate e Erradicação do Feminicídio. A Frente nasceu de proposição formulada pela deputada Daniella Tema (DEM), aprovada ainda no ano passado, que fechou com 57 casos de feminicídio no Maranhão, número considerado alarmante – neste ano já são 10 casos registrados até aqui. A instalação se deu em sessão solene presidida pela deputada Daniella Tema, com a presença da deputada Helena Duailibe (Solidariedade), procuradora da Mulher da Assembleia Legislativa, da deputada Mical Damasceno (PTB), e da deputada licenciada Ana Mendonça (PCdoB), atual secretária de Estado da Mulher, e de representantes de várias organizações de defesa e apoio à mulher, entre elas a ativista Silvia Leite, homenageada com a Medalha Manoel Beckman, a maior honraria do Legislativo maranhense.

Desde que chegou à Assembleia Legislativa, em fevereiro do ano passado, a deputada Daniella Tema tem se destacado por um discurso de forte viés social, com ênfase para a área de saúde, que conhece bem a partir da sua formação de nutricionista e sua experiência exitosa de diretora-geral do Hospital Regional de Presidente Dutra, que comandou por mais de três anos. Na mesma linha, tem tratado de temas delicados, entre eles os problemas ainda enfrentados pela mulher na sociedade atual, e nesse contexto, o feminicídio. No ano passado, diante do número crescente de assassinato de mulheres no Maranhão, tratou do assunto várias vezes na tribuna, criticou a presença forte do machismo na sociedade maranhense e defendeu a adoção de políticas de apoio à mulher, estimulando no sentido de que ela alcance a necessária igualdade de direitos.

A Frente Parlamentar de Combate e Erradicação do Feminicídio começou a ganhar forma no dia 11 de novembro de 2019, quando a deputada Daniella Tema encaminhou à Mesa Diretora da Assembleia projeto de resolução legislativa criando a organização parlamentar, que foi acatado pelo presidente Othelino Neto (PCdoB) e referendado unanimemente pelo plenário. E a julgar pela disposição de Daniella Tema, que vai presidi-la, a Frente Parlamentar de Combate e Erradicação do Feminicídio poderá se transformar de fato num instrumento efetivo de ação contra essa inaceitável chaga social.

 

Disputa em Matões será guerra política pesada entre os Coutinho e os Pereira

Gabriel Tenório e a festa da sua filiação ao PP com o apoio dos Pereira em Matões

Chamou a atenção o tamanho da festa que marcou a filiação de Gabriel Tenório ao Progressista para disputar a Prefeitura de Matões enfrentando o prefeito Ferdinando Coutinho (PSB). Ali desembarcaram ninguém menos que o presidente nacional do partido, senador Ciro Nogueira (PI), o presidente estadual da legenda, deputado federal André Fufuca, e o deputado federal licenciado Rubens Júnior, pré-candidato a prefeito de São Luís pelo PCdoB, e o prefeito de Caxias, Fábio Gentil (Republicano), além de Rubens Pereira e Suely Pereira, ex-prefeitos do município. Os Pereira foram aliados do prefeito Ferdinando Coutinho enquanto o deputado Humberto Coutinho viveu. Com a sua morte, o Grupo Coutinho perdeu sua referência e começou a sofrer um processo de enfraquecimento, perdendo aliados em vários municípios. Após romperem com Ferdinando Coutinho, Rubens Pereira e Rubens Júnior lançaram a pré-candidatura de Suely Pereira, mas logo a retiraram diante das pesquisas que indicaram uma forte polarização entre Fernando Coutinho e Gabriel Tenório. Há quem diga que o desfecho daquela disputa é imprevisível.

Chama atenção também o fato de que a eleição em Matões – um pequeno município com pouco mais de 30 mil habitantes e situado o Leste maranhense, a quase 500 quilômetros de São Luís – será uma guerra que terá reflexos muito além das suas fronteiras. Por trás do prefeito Fernando Coutinho está o Grupo Coutinho, comandado pela deputada Cleide Coutinho (PDT), aliada de primeira hora do Palácio dos Leões. Embalando Gabriel Tenório está a família Pereira, também fortemente ligada aos Leões. Antes aliados incondicionais, os Coutinho e os Pereira viraram adversários figadais. Tanto que na cúpula do Grupo Coutinho há vozes convocando aliados a fazerem campanha contra Rubens Júnior em São Luís.

São Luís, 10 de Março de 2020.