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Articulista de O Globo destaca a visão e a estatura de Flávio Dino no conturbado cenário político nacional

 

Flávio Dino elogiado pela postura de respeito a José Sarney e pela coerência com que critica Jair Bolsonaro

Depois de ter sido escolhido pelo presidente Jair Bolsonaro (sem partido), como “o pior” entre os governadores nordestinos que lhe fazem Oposição, e que como vice de Rui Costa, governador petista da Bahia, formaria uma chapa “imbatível” na corrida ao Palácio do Planalto, segundo a expectativa do líder petista José Dirceu, o governador Flávio Dino (PCdoB) começa, de fato, a ganhar estatura política sólida no plano nacional, com cacife para se mover com segurança e autoridade no ultra fechado círculo nomes de fato considerados para disputar a Presidência da República em 2022. Esse status, só concedido a quem tem envergadura política sólida e bem fundamentada, foi alcançada por Flávio Dino, que agora é presença obrigatória na lista dos políticos mais expressivos do País na atualidade, com direito a ser levado em conta em qualquer discussão envolvendo a sucessão presidencial de 2022.

Uma das evidências mais contundentes do tamanho político do governador do Maranhão está nas linhas do artigo do jornalista Merval Pereira, de O Globo, publicado na edição virtual de ontem do jornal carioca. Dono de larga experiência na seara política nacional conhecedor de todas as peças do mosaico partidário e ideológico que a movimentam, Merval Pereira aponta Flávio Dino como uma boa nova nesse universo. E o faz sem elogios gratuitos, mas analisando fria e isentamente as posições por ele expostas numa live promovida pelo Centro Brasileiro de Relações Internacionais (Cebri).

O artigo chama a atenção para a previsão de Flávio Dino de que a eleição dos novos prefeitos e vereadores pode-se transformar em plebiscito sobre o Governo Bolsonaro, mesmo que as esquerdas não saiam vitoriosas. Para o articulista, essa visão é surpreendente, pois mostra a abertura política do governador. Essa imagem é reforçada pela maneira correta e respeitosa com que Flávio Dino se referiu ao ex-presidente José Sarney (MDB), seu adversário no Maranhão. “O governador Flávio Dino colocou Sarney como presença certa na mesa de negociações, juntamente com outros ex-presidentes da República, dando a seu adversário político regional a dimensão nacional que tem e a que ele, Dino, pode ser alçado como expoente da nova esquerda nacional, que se desvincula da relação carnal com o PT que marcou a trajetória do PC do B até a eleição de 2018, quando apoiou Fernando Haddad”, assinala Merval Pereira no seu artigo.

Ao avaliar a relação de Flávio Dino com o PT, o artigo acentua que o governador não renega o PT, deixando claro, porém, que a coligação automática com o PT não são favas contadas no pleito de 2022. Observa que nesse contexto o governador maranhense mostra bom senso e ganha espaço ao defender uma ampla aliança que reúna a esquerda e forças democráticas de centro, contrariando o discurso de Lula da Silva, que repudia qualquer Movimento nesse sentido. Merval Pereira observa ainda em Flávio Dino senso de equilíbrio quando não despreza a base política do presidente Jair Bolsonaro. Ao mesmo tempo, assinala a preocupação do governador com o atual cenário político do País, principalmente no que respeita ao radicalismo de direita, que na sua avaliação tem raízes fortes no Brasil.

O artigo destaca a dimensão da visão política de Flávio Dino quando se diz preocupado com a desastrosa diplomacia do Governo Bolsonaro e com a submissão do Governo aos Estados Unidos, com a situação ambiental e da sua visão de que os militares estão cometendo um grave erro ao se vincularem ao atual Governo, quando as Forças Armadas devem se manter como instituições do Estado, longe das disputas políticas. O artigo destaca a posição do governador sobre uma série de questões, que vão desde equívocos administrativos do Governo Central até os estragos da Covid-19.

O destaque dado pelo comentarista à visão, à postura e à atuação de Flávio Dino reforça a impressão, admitida inclusive por adversários, de que o governador está, de fato, credenciado para entrar com legitimidade na corrida ao Palácio do Planalto em 2022.

 

PONTO & CONTRAPONTO

 

Deputados voltam ao plenário e aprovam pauta de combate ao novo coronavírus

Entre as deputadas Dainella Tema (e) e Cleide Coutinho (d), Othelino Neto comanda sessão em que deputados, de máscara como ele, homenagearam Zé Gentil

Foi produtiva no aspecto legislativo a primeira sessão presencial da Assembleia Legislativa em meio à pandemia do coronavírus. Com a maioria dos deputados no plenário e outros participando por videoconferência, o parlamento manteve a linha de legislar criando instrumentos de combate à pandemia, com a aprovação de vários projetos nessa direção. No comando dos trabalhos, o presidente Othelino Neto (PCdoB) destacou a retomada, relacionando as medidas destinadas a preservar a saúde dos deputados e dos servidores, e enfatizando o compromisso de priorizar decisões legislativas que dê suporte ao Governo do Estado e à sociedade civil para enfrentar os efeitos danosos da crise sanitária que vem abalando o planeta.

Os deputados aprovaram, por maioria folgada, dois projetos do deputado Yglésio Moises (PROS), o primeiro dispondo sobre a obrigatoriedade de testagem periódica para detecção do vírus da Covid-19 em empresas com mais de 20 trabalhadores, e o outro obriga as escolas da rede privada a promover atividade de acolhimento sócio emocional no retorno do isolamento social devido à pandemia do novo coronavírus.

O plenário aprovou também, por larga maioria, Projeto de Lei do deputado Duarte Jr. (Republicanos), com anexação do projeto com o mesmo objetivo apresentado pelo deputado Adriano (PV), estabelecendo procedimento virtual de informações e acolhimento dos familiares de pessoas internadas com doenças infectocontagiosas, durante endemias, epidemias ou pandemias, em hospitais públicos, privados ou de campanha sediados no estado. Projeto do deputado Rigo Teles (PV) no mesmo sentido foi aprovado, bem como o que dispõe sobre a visita virtual através de videochamadas de familiares a pacientes internados em isolamento, decorrente da contaminação pelo coronavírus.

O deputado Adriano Sarney (PV) emplacou a lei que obriga farmácias a disponibilizar oxímetro aos clientes., e o projeto suspende o cumprimento de obrigações financeiras referentes a empréstimos consignados contraídos por servidores públicos estaduais e municipais e empregados da iniciativa privada, no âmbito do estado do Maranhão.

Antes de iniciar os trabalhos, os parlamentares fizeram um minuto de silêncio em homenagem ao deputado estadual Zé Gentil (Republicanos), que faleceu no início da semana passada. “Nós queríamos muito que o nosso Plenário estivesse completo, mas, infelizmente, o nosso colega Zé Gentil não resistiu às complicações da Covid-19. Em homenagem a ele e a todas as famílias que perderam entes queridos em razão da Covid-19”, declarou o chefe do Legislativo Estadual.

 

Adiamento das eleições facilita vida de muitos candidatos e impõe risco de perda para outros

O adiamento das eleições facilita a vida de uns e complica a de outros

O adiamento das eleições municipais do dia 4 de Outubro para 15 de Novembro, e o segundo turno, onde houver, no dia 29 de Novembro, aprovado ontem no Senado e devendo receber o mesmo tratamento na Câmara Municipal, alterou as estratégias dos candidatos. Não foi uma boa notícia para o deputado federal Eduardo Braide (Podemos), que terá mais 40 dias para manter sua liderança na preferência do eleitorado, ao mesmo tempo em que dá mais tempo e fôlego a pré-candidatos como Rubens Júnior (PCdoB), que terá mais tempo para turbinar seu projeto de candidatura, por exemplo. Em Imperatriz, prefeito Assis Ramos (DEM) ganha tempo para fortalecer mandar para o espaço o seu projeto de reeleição, enquanto seus adversários – Marco Aurélio (PCdoB), Ildon Marques (PP) e Sebastião Madeira (PSDB) ganham, ao contrário de São Jose de Ribamar, onde o prefeito Eudes Sampaio, que se reelegeria facilmente em 4 de Outubro, terá de alimentar sua liderança por mais 40 dias. São muitos casos e ganhos e perdas entre candidatos em todo o Maranhão.

São Luís, 24 de Junho de 2020.

 

Assembleia retoma sessões presenciais com boa produção remota, uma perda e muitos desafios pela frente

 

Othelino Neto, no registro com Andreia Resende (DEM) e Glaubert Cutrim (PDT) e Ricardo Rios (PDT), retoma hoje as sessões plenárias da Assembleia Legislativa 

Três meses depois de ter fechado as portas e mantido as obrigações institucionais inaugurando a era das sessões remotas por videoconferência, por meio das quais participou direta e efetivamente da luta contra os estragos causados pela pandemia do coronavírus, mesmo tendo vários deputados afetados, com uma vítima fatal – Zé Gentil (Republicanos) -, a Assembleia Legislativa retoma hoje as sessões presenciais. Sob a orientação do presidente Othelino Neto (PCdoB), os 42 integrantes do Poder Legislativo retornam ao plenário vivendo uma situação confortável, apesar de tudo. Eles iniciam o “novo normal” com o senso do dever cumprido, devido ao fato de que não cruzaram os braços nos momentos mais críticos da pandemia no Maranhão, tendo aprovado medidas que deram suporte ao Poder Executivo e à sociedade civil para enfrentar a avassaladora invasão do novo coronavírus no território estadual. O retorno marca também o enfrentamento de uma nova realidade, que surge com os imensos desafios sociais, econômicos e políticos a serem encarados no pós-pandemia.

No campo das responsabilidades institucionais, a Assembleia Legislativa surpreendeu os maranhenses com a resposta rápida e eficiente com que reagiu ao impacto inicial da pandemia. Num rigoroso alinhamento com o Poder Executivo, suspendeu as atividades presenciais, reduziu drasticamente o quadro de servidores, adotou todas as medidas preventivas e, num passo histórico de inovação, usou a tecnologia de comunicação disponível e inaugurou a era das sessões remotas por videoconferência – antecipando-se inclusive ao Senado da República. Foram nove reuniões remotas, com quóruns surpreendentemente elevado e participação efetiva dos parlamentares, que se adaptaram rapidamente ao sistema. E se, por um lado, houve uma redução drástica no espaço para debate, houve, por outro, mais eficiência e determinação nas votações.

Com pautas objetivas, o parlamento estadual aprovou todas os projetos de lei e medidas provisórias propostas pelo governador Flávio Dino (PCdoB) para dotar o Governo do Estado de instrumentos legais para enfrentar o novo coronavírus. Ao mesmo tempo, aprovou pauta própria de grande impacto, como a adoção do bloqueio total na Ilha São Luís (lock down), a confirmação do estado de calamidade em dezenas de municípios. Sua pauta incluiu medidas destacadas como a proposta do deputado Rildo Amaral (SD) de reduzir de 10% a 30% as mensalidades escolares enquanto durar a pandemia, assim como a do presidente Othelino Neto de proibir, em território maranhense, a suspensão de planos de saúde por falta de pagamento. Os deputados também aprovaram a suspensão temporária da cobrança de empréstimos consignados, da deputada Helena Duailibe (SD) em parceria com o deputado Adriano Sarney (PV), entre outras medidas social e economicamente importantes. E a Assembleia Legislativa, como instituição, com o aval dos seus membros, distribuiu nada menos que 100 mil cestas básicas para famílias afetadas pela pandemia, entre outras ações.

Nesse período, o Poder Legislativo viveu fortes tensões com o drama de deputados que foram infectados pela Covid-19, com casos graves, como o da deputada Thaíza Hortegal (PP), uma jovem médica que viveu momentos dramáticos em leito de UTI, mas felizmente venceu a infecção, e trágicos, como a morte do deputado Zé Gentil, que aos 80 anos, saudável, e vivendo o seu melhor momento político, não resistiu ao coronavírus e faleceu. Com a morte de Zé Gentil, o suplente Edivaldo Holanda (PST), político da mesma geração, ganhou a condição de titular do mandato. Os outros parlamentares alcançados pelo coronavírus se recuperaram sem maiores problemas.

A Assembleia Legislativa retoma suas atividades com a consciência de que, vitorioso na guerra contra o novo coronavírus, mas que, como todos os demais estados, o Maranhão deverá enfrentar, nos próximos tempos, graves problemas de natureza fiscal, com forte repercussão financeira. Os deputados sabem que o horizonte econômico, social e político está coberto por uma densa nuvem de incertezas, e que cabe à classe política, a começar pelas casas legislativas, exercer papel preponderante no enfrentamento do que está a caminho.

 

PONTO & CONTRAPONTO

 

Dino alerta que coronavírus está longe de ser vencido e defende Estado fortalecido

Flávio Dino defende o fortalecimento do Estado brasileiro e do SUS

O governador Flávio Dino defende que agora a sociedade brasileira deve se mobilizar em defesa da vida, da saúde e do SUS. Isso porque, na sua avaliação do cenário, mostra convicção de que o coronavírus “está longe de ser vencido”. Nesse contexto, o fortalecimento do SUS é fundamental, não apenas para combater a pandemia, mas principalmente, tendo o SUS como base, o Brasil venha ter um sistema público de saúde que atenda de fato as necessidades da sociedade brasileira, principalmente nos seus extratos mais necessitados. Na mesma linha de entendimento, o governador defende mudanças fortes na política econômica, com medidas e estratégias que mudem o eixo, deixando de beneficiar apenas os ricos, para também, e principalmente, alcançar camadas populares com investimentos maciços em obras e crédito “para as pessoas que mais precisam”.

Essas posições, já largamente pregadas em outros fóruns, foram parte da fala do governador maranhense, ontem, em participação no 20º Congresso da União da Juventude Socialista (UJS), durante o qual desenvolveu o tema “Os poderes do Estado e seus limites”.

Sobre o tema em si, Flávio Dino, o Estado tem muitas vezes papel contraditório, o que em algumas delas resulta em duas tentações: uma é a de que os aparatos estatais muitas vezes desprezam o bem e desejam inclusive o mal. O outro extremo, é o de achar que ele não serve para nada e querer jogá-lo fora. Flávio Dino que o caminho é transformar o Estado, e não simplesmente achar que ele pode ser eliminado.

Para o governador do Maranhão, “o poder do Estado não é monolítico, uma coisa só, não é um bloco de pedra. Ele se compõe em andares, segmentos e que estão muitas vezes em conflitos. Nós temos que saber distinguir, saber em cada momento da história, qual segmento do Estado, da política está defendendo o que é melhor”. E exemplificou com a situação atual do Brasil, governadores e prefeitos atuam no combate ao coronavírus e, ao mesmo tempo, o negacionismo e as sabotagens do presidente da República.

 

MDB muda cúpula em São Luís e afasta Andreia Murad da Executiva ludovicense

Andreia Murad deixou a cúpula do MDB de São Luís

Cúpula do MDB toma decisões duras na preparação do partido para as eleições municiais em São Luís. Ontem, o comando partidário afastou André Campos da presidência municipal do partido e a ex-deputada estadual Andreia Murad da Executiva municipal. André Campos, um dos mais fiéis integrantes do grupo liderado pelo vice-presidente e coordenador do partido para as eleições municipais, deputado Robert Costa, foi afastado porque é pré-candidato a vereador, e sua permanência na direção partidária poderia criar um clima de insatisfação nos demais candidatos emedebistas à Câmara Municipal. Já no que diz respeito ao afastamento da ex-deputada Andreia Murad da Executiva ludovicense, a decisão foi tomada porque a ex-parlamentar, filha do ex-deputado Ricardo Murad, está integralmente fora da linha de ação do partido e deve seguir o pai, que se filiou ao PSDB para disputar a Prefeitura de Coroatá. Andreia Murad exerceu seu mandato de deputada estadual (2015/2018) com postura e discurso dissociados do partido, tornando-se foco de crise às vésperas das eleições municiais de 2016, quando pretendeu disputar a Prefeitura de São Luís. A sua não reeleição para a Assembleia Legislativa em 2018 e a migração do pai e mentor político para o ninho dos tucanos a deixaram isolada dentro do MDB. Com essas mudanças, a cúpula partidária espera injetar ânimo no MDB em São Luís, onde tenta montar uma chapa forte de candidatos a vereador, sem descartar ainda a possibilidade de lançar candidato próprio à sucessão do prefeito Edivaldo Holanda Júnior (PDT).

São Luís, 23 de Junho de 2020.

 

Edivaldo Júnior mantém silêncio sobre candidatura, mas sabe que terá grande peso na eleição do sucessor

 

Edivaldo Júnior e Camila Holanda: troca de cumprimento efusivo no Geniparana

Quem estiver apostando que o prefeito Edivaldo Holanda Júnior (PDT) terá papel secundário na corrida à sua sucessão, está redondamente enganado. Seu silêncio sobre candidaturas, seu aparente distanciamento da agitação pré-eleitoral, sua intensa movimentação administrativa e seu visível alinhamento com o governador Flávio Dino (PCdoB) são indicadores cristalinos de que o prefeito está se posicionando, sem pressa e cuidadosamente, para no momento adequado, sentar na cabeceira da mesa para dizer a quem apoiará na corrida para ocupar o gabinete que hoje ocupa no Palácio de la Ravardière. Esse posicionamento deverá ocorrer antes das convenções partidárias previstas para Julho/Agosto, período que poderá ser mudado se a Justiça Eleitoral vier a adiar as eleições para Novembro, como está se desenhando. Por enquanto, Edivaldo Holanda Júnior vai mantendo sua rotina de trabalho, e até onde é possível perceber, bem avaliado na Opinião Pública.

Todos os sinais, a começar pelo silêncio, sugerem que o prefeito não simpatiza com a aliança do seu partido, o PDT, com o DEM em torno do projeto de candidatura do deputado estadual Neto Evangelista (DEM). Ele não participou da festa que o PDT fez no final do ano passado para o presidente do DEM, o baiano ACM Neto, seu colega prefeito de Salvador, e não esboçou qualquer reação na semana passada, quando o senador Weverton Rocha, presidente regional do PDT e líder do partido no Senado, e o vereador Osmar Filho (PDT), presidente da Câmara de São Luís, reafirmaram o projeto da cúpula pedetista de apoiar o projeto de Neto Evangelista. Não esboçou, é verdade, qualquer gesto de hostilidade, mas também não fez qualquer aceno que pudesse ser interpretado como boa vontade em relação ao pré-candidato democrata.

Ao mesmo tempo em que não solta pistas sobre como se movimentará na disputa eleitoral, o prefeito Edivaldo Holanda Júnior cumpre diariamente uma maratona de compromissos fora do gabinete, dedicando boa parte do seu tempo ao acompanhamento do programa de pavimentação asfáltica em diferentes bairros de São Luís. Nessas incursões de trabalho, está sempre acompanhado da primeira-dama Camila Holanda, e quando a situação permite, se comporta em clima de confraternização com populares. Não há registro de que Edivaldo Holanda Júnior tenha sido hostilizado ou ostensivamente ignorado na rotina de acompanhar o andamento das obras. Ao contrário, o que se vê até agora são manifestações de simpatia e de aprovação.

A previsão – feita inclusive por esta Coluna -, de que a suspeita de superfaturamento em 200% na compra de máscaras e EPIs pela Secretaria Municipal de Saúde, que levou a Polícia Federal a desencadear a Operação “Cobiça Fatal” para investigar o secretário Lula Fylho e empresas envolvidas na transação, poderia arranhar a imagem do prefeito para não ter se confirmado. Edivaldo Holanda Júnior não alterou sua rotina por causa do imbróglio; ao contrário, intensificou-a visitando bairros praticamente todos os dias. Despacha com secretários e comanda reuniões em que são tomadas decisões na guerra contra o coronavírus, agora numa situação ainda grave, preocupante, mas agora um pouco menos tensa.

A movimentação e a postura política do prefeito Edivaldo Holanda Júnior no jogo pré-eleitoral é a de quem tem objetivo traçado e sabe o que vai fazer. Isso porque, como todo mandatário da atualidade, o prefeito de São Luís monitora o cenário político por meio de pesquisas, que lhe dão ideia do seu peso no cenário político e indicam os rumos que deve seguir. E tudo sugere que os levantamentos estão lhe dizendo para não embarcar na canoa do deputado Neto Evangelista, mesmo que isso possa resultar em estremecimentos com a cúpula do PDT. E mais: conversas nos bastidores começam a supor que o prefeito de São Luís está inclinado a apoiar a candidatura do deputado federal Rubens Júnior (PCdoB), reforçando seu alinhamento com o Palácio dos Leões.

Nesse cenário de indefinição, o que fica claro mesmo é que Edivaldo Holanda Júnior conseguiu fazer a parte que lhe coube nos dois mandatos, tem um horizonte político enorme pela frente, sabe o peso que terá nessa disputa e se prepara para usar essa influência a favor do projeto do governador Flávio Dino para sua sucessão em São Luís.

 

PONTO & CONTRAPONTO

 

Despreparado e com equipe medíocre, presidente está, de fato, perdido em todos os temas

Jair Bolsonaro: desastre

O governador Flávio Dino acerta quando avalia que o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) está perdido em todos os temas. Qualquer avaliação honesta chegará à mesma conclusão, uma vez que é nítida a impossibilidade de o presidente e seus ministros apresentarem à Nação um balanço positivo nesses 18 meses no comando da máquina federal.

A Educação está mergulhada na inanição, depois do fracasso inicial de um professor colombiano que nem português direito falava e que não conseguiu sequer se situar no cargo, e do desastre administrativo e político do segundo ministro, um fascista agressivo e semianalfabeto. Depois de demitir por ciumeira política um ministro médico competente e habilidoso e de assustar o segundo ministro, também dono de currículo rico na área médica, o presidente entregou o Ministério da Saúde a um general, que trocou técnicos especializados da pasta por tenentes, capitães, majores e coronéis, causando perplexidade no mundo inteiro. Entregou três ministérios essencialmente políticos – Casa Civil, Secretaria de Governo e Segurança Institucional – a generais que, pelo visto até aqui, não se encaixam nos cargos nesse momento – o curioso dessa história é que praticamente não há brigadeiros e almirantes metidos nessa confusão. Prometeu enxugar a máquina condensando equivocadamente o Governo em 15 ministério, mas recriou nada menos que oito. Nada consegue explicar a redução do Ministério da Cultura – criado no Governo Sarney e que teve como primeiro titular ninguém menos que Celso Furtado, e Gilberto Gil como um dos sucessores, como puxadinho do Ministério do Turismo, comandado por um sujeito atolado até o pescoço no charco da corrupção partidária. A pasta do Meio Ambiente, comandada por um mafioso acusado de corrupção, se tornou se tornou preocupação planetária quando ficou claro que a ideia central é extinguir reservas e incendiar florestas e abrir para garimpeiros e grileiros. Cargo via de regra ocupado por personalidades destacadas e respeitadas das áreas jurídica e política, o Ministério da Justiça, depois do jogo furta-cor de Sérgio Moro, está entregue agora a um sujeito cujo maior mérito é ser “terrivelmente evangélico”, e que por isso deverá ser mandado para o Supremo Tribunal Federal. E finalmente o superministro da Economia, apresentado como “Posto Ipiranga” e salvador da Pátria, não conseguiu destravar a economia quando foi possível e agora não sabe o que fazer no atoleiro da pandemia.

De um modo geral, considerando algumas exceções, o Governo é medíocre e claramente mal-intencionado em algumas áreas, o que somado ao visível primarismo técnico e político do presidente da República, nos remete à assombrosa conclusão de que caminhamos para um desastre social e econômico, que só será revertido no voto, em 2022.

 

Eduardo Braide pode ter vice indicado por Aluísio Mendes

Eduardo Braide pode ter vice indicado por Aluísio Mendes

O deputado federal Eduardo Braide (Podemos) começa a articular a escolha do seu companheiro de chapa na disputa para a Prefeitura de São Luís. Nos bastidores corre que Eduardo Braide teria um acordo tácito com o deputado federal Aluísio Mendes (PSC) nesse sentido. Pelo suposto acordo – firmado na negociação que levou Eduardo Braide a deixar o PMN e se filiar ao Podemos, que era controlado no Maranhão por Aluísio Mendes – o PSC indicará o vice do candidato do Podemos. Há quem diga que o acordo existe e será confirmado, mas há também quem garanta que tudo não assa de especulação. E na seara das especulações corre também que Eduardo Braide estaria estudando a possibilidade de compor com o MDB, o que não é admitido por emedebistas.

São Luís, 21 de Junho de 2020.

Em “Sal e Sol”, Arlete Nogueira Cruz faz um registro denso e rico da saga cultural no Maranhão em seis décadas  

Arlete Nogueira da Cruz: resgate necessário da cultura nas páginas de “Sal e Sol”

Ouve-se, com frequência, que o Maranhão, especialmente São Luís, não registra nem preserva sua rica e universalmente reconhecida memória cultural como deveria. Pode-se dizer que se trata de meia verdade. Os registros estão soltos por aí, nas páginas de jornais, em galerias, em pesquisas pouco conhecidas, em acervos particulares, em referências eventuais feitas por estudiosos e curiosos. O que é raro, isto sim, é obra dedicada a montar, com cuidado e fidelidade, roteiro que, se não sistematizado, pelo menos documente eventos, acervos, situações e evidências, sem exigência cronológica, mas corretamente contextualizada e que passe a ideia de uma sequência lógica e coerente, de modo a que o leitor seja brindado com uma ideia panorâmica do que aconteceu num determinado período no universo cultural de um centro efervescente como a Capital do Maranhão.

Os maranhenses mais jovens sabem, por exemplo, que nos anos 50 e 60 do século passado São Luís viu nascer e inspirou uma plêiade de escritores e poetas que tiveram seus talentos reconhecidos e consagrados no Prêmio Literário Cidade de São Luís? Que uma livraria, a Galeria do Livro, e uma loja de vender móveis, a Movelaria Guanabara, foram espaços de reunião, debates e difusão do que havia de melhor e mais atual nas artes naquele período? E que na década de 70 do século passado, mesmo sob o tacão repressor da ditadura militar, São Luís viveu uma efervescência cultural ímpar, com verdadeiras revoluções na literatura, especialmente na poesia, no teatro e nas artes plásticas? E ainda que naquele período foram dados passos ousados e definitivos para a estruturação orgânica, pelo Estado, da remota manifestação cultural popular até as artes mais sofisticadas, como as galerias e exposições de artes plásticas?

Essas gerações estão devidamente informadas de que – além dos monstros sagrados Josué Montello, Ferreira Gullar, Nauro Machado, Bandeira Tribuzi, José Sarney e João Mohana – também marcaram época na literatura Bernardo Almeida, Lago Burnett, Erasmo Dias, Odilo Costa, filho, Edson Vidigal, Nascimento Morais, Sérgio Brito e Valdelino Cécio? Têm informação e clareza sobre artistas plásticos como Antônio Almeida, Ambrósio Amorim, Marçal Ataíde e Nagy Lajos? Estão informadas, pelo menos razoavelmente, sobre as ousadas incursões teatrais de Ubiratan Teixeira, Reynaldo Faray, Cosme Júnior e Tácito Borralho? Conhecem os primeiros passos de compositores geniais como Chico Maranhão e João do Vale, a reaproximação do consagrado violonista Turíbio Santos com o Maranhão, o trabalho do violonista João Pedro Borges, o Sinhô, e de como surgiu a primeira escola de música do Maranhão, que trouxe para cá um alemão meio anarquista que deu as primeiras e preciosas noções de flauta para Sérgio Habib? Como foi a fulgurante Galeria Eney Santana?

Respostas a essas indagações estão armazenadas, com riqueza de dados e fatos, detalhados com traços fortes de jornalismo e de resgate, riqueza e seriedade memorialística, pitadas de interpretação acadêmica, densidade crítica e, principalmente, preciosismo literário em “Sal e Sol”, livro da lavra genial da escritora, poetisa, ensaísta, memorialista e militante da linha de frente, ativa e entusiasmada da causa cultural maranhense Arlete Nogueira da Cruz. O livro, editado há pouco mais de uma década, reúne artigos, crônicas, resenhas, abas, prefácios, um discurso histórico e uma conferência magistral da escritora, bem como depoimentos definitivos sobre ela e sua militância cultural, como um do insuspeito Erasmo Dias, e do marido, o consagrado poeta Nauro Machado, por exemplo.

Nos seus registros, especialmente nas crônicas e nos delicados e honestos memoriais, Arlete Nogueira da Cruz expõe, com fundamentos acadêmicos e filosóficos sólidos e indiscutível brilhantismo literário, sua visão, sua versão e sua própria história, mostrando, com honestidade intelectual, o seu protagonismo nos grandes movimentos e decisões, ao mesmo tempo em que situa e eterniza personagens decisivas da aventura cultural maranhense, na segunda metade do século passado. “Sal e Sol” começa com uma oportuna e justa crônica sobre o respeitável Fernando Moreira, professor de Literatura e escritor e teatrólogo, um dos ganhadores do Prêmio Literário Cidade de São Luís de 1957, juntamente com Domingos Vieira Filho, Cadmo Silva, Lago Burnett, Bernardo Tajra, Nauro Machado e Raimundo Lopes, laureados por um júri composto por ninguém menos que Bandeira Tribuzi, Vera-Cruz Santana, Emmanoel Silva, Clodoaldo Cardoso, José Burnett, Mata Roma e Casemiro Carvalho.

Nas três centenas de páginas de “Sal e Sol”, Arlete Nogueira Cruz enriquece a memória cultural do Maranhão registrando, em 56 textos primorosos, homens, obras, espaços e eventos. Registra, por exemplo, a famosa “Exposição Eleutério Varela”, organizada pelo visionário, polêmico e genial poeta Carlos Cunha, que marcou o ano cultural de 1967. Resenha, em seguida, o consagrado “Os Bichos do Céu”, livro de poesia de Odylo Costa, filho; desenha, com as cores das palavras, um perfil definitivo do genial pintor e escultor Antônio Almeida; resgata a emblemática figura do artista plástico Nagy Lajos, um húngaro que desembarcou em São Luís no final dos anos 60, depois de duas décadas fugindo do fantasma do nazismo e que encontrou na Ilha do Amor o refúgio que precisava para dar vazão à sua genialidade artística. “Sal e Sol” fala de Josué Montello e do esforço para criar a Casa de Cultura que preserva seu acervo e sua memória; registra também, e com carinho destacado, a militância cultural de Bernardo Almeida, por cujas mãos a autora iniciou na militância cultural como redatora da lendária revista “Legenda”, ícone da cultura ludovicense os anos 50.

Os registros de “Sal e Sol” eternizam a aventura cultural de São Luís nos anos 70 do século passado, dos desafios de fazer teatro politicamente ousado, nas barbas da ditadura, como foram as inúmeras produções, como a peça “Tempo de espera”, que espantou o mundo com a sua estética revolucionária, com destaque para o ator Cosme Júnior. O surgimento do Laborarte pelas mãos do inovador e incansável Tácito Borralho, com a produção intensa do Teatro Experimental do Maranhão (Tema), da surpreendente e definitiva obra fotográfica de Edgar Rocha, de eventos e homenagens a artistas de todas as áreas que marcaram aqueles anos, como o que trouxe João do Vale ao Maranhão, com toda sua grandeza, no Teatro Arthur Azevedo, no final dos anos 70 – o celebre compositor João do Vale ocupa espaço no livro, equivalente ao seu tamanho. Entre os registros, o lançamento da Antologia Poética do movimento Antroponáutica, e a resenha crítica sobre “Titanic-Boulogne – A Canção de Ana e Antônio”, de Luís Augusto Cassas.

Arlete Nogueira da Cruz documenta passos decisivos da trajetória do genial poeta e cronista José Chagas, a sua relação de amizade familiar com Bandeira Tribuzi – atribulada por intrigas que, vira e mexe, agitam o meio cultural -, dedica páginas coloridas para destacar o gênio de Péricles Rocha e acentua o decisivo trabalho do jornalista Ubiratan Teixeira como estudioso, autor e diretor de teatro, imortalizado com um alentado dicionário sobre o tema. Em “Sal e Sol”, a autora abriga ainda uma crônica na qual apresenta e traduz Chico Maranhão e sua música com oportuna riqueza crítica e com a intimidade de quem o tem como amigo e militante cultural – no seu disco de estreia, “Lances de Agora”, Chico Maranhão dedicou o poema-crônica musicado “Velho amigo poeta” a Nauro Machado. No livro está também um registro correto, oportuno e justo ao poeta Valdelino Cécio, um dos mais importantes nomes do ativismo cultural maranhense nas três últimas décadas do século passado.

“Sal e Sol” é muito mais que uma coletânea de bons textos que resgatam a trilha cultural ludovicense ao longo de seis décadas. Sua densidade e sua importância estão no fato de Arlete Nogueira da Cruz ter sido protagonista, com participação ampla e decisiva em muitos momentos de grandeza daquele período, e com a autoridade de quem esteve no comando de órgãos centrais da política cultural – Teatro Arthur Azevedo, Departamento de Assuntos Culturais da Secretaria de Educação, Fundação Cultural do Maranhão, e com privilégio de entrar definitivamente para a História da Cultura por ter criado e sido o primeiro titular da Secretaria da Cultura do Maranhão. O livro mostra que na história das últimas seis décadas, poucos tiveram envolvimento tão efetivo e decisivo com a cultura do Maranhão como Arlete Nogueira da Cruz. Isso sem contar a sua genial obra literária, exaltada por críticos renomados, com destaque para o mundialmente conhecido poema “Litania da Velha” – que ganhou vida no primeiro filme do cineasta Frederico Machado, seu filho, obra que resultou de uma saga familiar honestamente relatada pela autora.

São produtos literários de Arlete Nogueira da Cruz “A Parede”, “Compasso Binário”, “Cartas da Paixão”, “Canção das Horas Úmidas”, “Trabalho Manual”, João Mohana – 70 Anos”, “Contos Inocentes”, “Nomes e Nuvens”, “O quintal” e “O Rio”.

Avalizado por um denso ensaio do crítico Ricardo Leão e ricamente ilustrado por um acervo fotográfico que registra eventos culturais do período, “Sal e Sol” é leitura obrigatória e necessária para quem pretende conhecer e compreender uma visão da movimentação cultural do Maranhão nas últimas seis décadas.

São Luís, 19 de Junho de 2020.

 

Com aval de Roseana Sarney, MDB escala Roberto Costa para comandar o partido nas eleições municipais

 

Roberto Costa vai comandar o MDB  nas eleições  escalado por João Alberto com o aval de Roseana Sarney e Hildo Rocha

Depois de levar alguns tombos, como perder o controle da Prefeitura de Imperatriz com a migração do prefeito Assis Ramos para o DEM, e de fazer alguns movimentos que não produziram resultados positivos, como a tentativa de convencer a ex-governadora Roseana Sarney a disputar a Prefeitura de São Luís, o MDB fez uma pausa, reavaliou o cenário, recosturou a unidade  e decidiu reunir todas as suas forças e entrar para valer na disputa por prefeituras onde for possível, fazer alianças nas quais possam indicar candidatos a vice, e fazer um grande esforço para eleger o maior número possível de vereadores em todas as regiões do Maranhão. O primeiro passo nessa direção foi a articulação de um grande acordo interno, que devolveu unidade ao partido, e a designação formal do vice-presidente regional, deputado estadual Roberto Costa, para coordenar a participação do MDB nas eleições, a começar pela escolha de candidatos a prefeito, a vice e a vereador em todo o estado. A designação foi feita formalmente (Resolução nº 45/2020) pelo presidente do partido, ex-senador João Alberto.

A designação do deputado Roberto Costa para comandar as forças emedebistas e a escolha de candidatos do partido em todo o estado é resultado de um grande entendimento interno, avalizado pela ex-governadora Roseana Sarney e pelos deputados federais Hildo Rocha e João Marcelo, que vinham medindo forças, alimentando um “racha” que só fragilizou a agremiação depois das derrotas de 2014 e 2018. Tido por políticos experientes como o partido mais bem organizado do Maranhão, isso depois de ter sido por duas décadas o mais importante e poderoso em ação no estado, o MDB continua sendo uma máquina partidária azeitada, apesar do fraco desempenho nas eleições mais recentes. Com o esforço para a superação das diferenças internas, o MDB quer usar estrutura e unidade para eleger o maior número possível de prefeitos, vices e vereadores.

A designação do deputado Roberto Costa para coordenar a campanha emedebista nas eleições municipais é o resultado natural da grande mudança que o MDB vem sofrendo nos últimos tempos, período em que a ala jovem resolveu tomar as rédeas do partido. O parlamentar empunhou a bandeira emedebista, enfrentou pesada resistência das alas mais conservadoras, viu o partido rachar em três correntes, mas manteve o rumo, colhendo agora os frutos de uma tomada de posição. Para conseguir a unidade partidária, Roberto Costa contou com o apoio do presidente João Alberto e o incentivo do ex-presidente José Sarney para a grande articulação que recolocou a ex-governadora Roseana Sarney e o deputado Hildo Rocha na mesa de comando do partido.

Político já experiente e com disposição para a hercúlea tarefa que lhe foi entregue, Roberto Costa pretende embrenhar-se em todas as regiões com o objetivo de coordenar a escolha de candidatos, começando por São Luís, onde o MDB pode lançar candidato próprio, fazer aliança indicando vice, mas também investindo na formação de uma chapa forte para a Câmara Municipal. Em Imperatriz a estratégia será a mesma, devendo se repetir na maioria dos grandes municípios. Em Caxias, o partido mantém a candidatura do empresário César Sabá, que assumiu o controle da legenda na Princesa do Sertão. Em Bacabal, que é a principal base do grupo liderado por João Alberto, o MDB já está posicionado em apoio à candidatura do prefeito Edvan Brandão à reeleição, devendo também investir fortemente na sucessão da prefeita emedebista Irlahi Moraes em Rosário.

Roberto Costa sabe onde pisa, conhece o mapa político e eleitoral Maranhão, tem noção clara do poder de fogo do seu partido e parece disposto a fazer uma campanha que alcance pelo menos o resultado obtido pelo partido nas eleições municipais de 2016, quando elegeu 22 prefeitos. Uma meta ambiciosa num cenário visivelmente adverso, mas que ele pretende melhorar levando a ex-governadora Roseana Sarney ao maior número possível de municípios.

 

PONTO & CONTRAPONTO

 

Dino alerta que não há hoje no Congresso Nacional base para aprovar impeachment de Bolsonaro

Flávio Dino diz que não há agora base no Congresso Nacional para impeachment de Jair Bolsonaro

“Nós não temos dois terços para votar o impeachment. Nem metade”. A avaliação, em tom de alerta, foi feita pelo governador Flávio Dino (PCdoB), terça-feira, em entrevista à revista Carta Capital, durante a qual externou impressões sobre o cenário da crise política e institucional causada pelas posições do presidente Jair Bolsonaro e pelas ações de seguidores dele.

O governador observou que há motivos jurídicos para o impeachment do presidente, mas não há coalizão política que assegure nem metade para os votos necessários para aprovar a medida. A começar pelo fato de que, de acordo com a avaliação da própria revista, que tem uma clara linha de oposição ao Governo Central, mostrando que levantamento recente o presidente aponta que Jair Bolsonaro estancou a perda de força política ao se aproximar do Centrão no Congresso Nacional.

Para o governador, que conhece fundo a legislação, não há dúvida de que, no campo jurídico, há espaço para um processo de impeachment contra o presidente da República, que na sua avaliação¸ à luz da Constituição e do Código Penal, tem cometido uma série de atos ilícitos.

Mas, numa visão legalista equilibrada, que já vem defendendo há tempos, Flávio Dino argumenta que o processo de impeachment, além de não ser rigorosamente jurídico, por ser uma decisão “antologicamente política”, exige “outros temperos”, a começar por uma forte base formada por 2/3 do Congresso Nacional, como manda a regra constitucional. No cenário de agora, não há garantia de que um processo de impeachment venha ser aprovado pelo Poder Legislativo.

– Você tem que analisar a situação concreta, no palco onde isso se desenrola, ou seja, no Congresso Nacional, nós não temos 2/3 para votar o impeachment – alerta o governador, com os pés no chão e a autoridade de quem faz cerrada Oposição ao presidente da República.

 

Weverton Rocha e Eliziane Gama querem o adiamento das eleições para Novembro

Weverton Rocha e Eliziane Gama favoráveis ao adiamento das eleições

Dois dos três senadores do Maranhão, Weverton Rocha (PDT) e Eliziane Gama (Cidadania), já estão posicionados a favor do adiamento das eleições municipais. Weverton Rocha, que lidera a bancada pedetista na Câmara Alta, tem inclusive proposta de novas datas, sendo a primeira votação no dia 15 de Novembro, data da proclamação da República, e o segundo turno, onde houver, acontecerá no dia 29, duas semanas depois. Nesse caso, a Justiça Eleitoral terá todo o mês de dezembro para, num esforço concentrado, consumar o processo eleitoral, resolver pendências, diplomar os eleitos e lhes dar posse no dia 1º de Janeiro de 2021. A senadora Eliziane Gama defende a mesma posição, por considerar o adiamento poderá minimizar o risco de infecção pelo novo coronavírus. O senador Roberto Rocha (PSDB) não divulgou ainda sua posição sobre o assunto.

São Luís, 18 de Junho de 2020.

Agora é lei no Maranhão: fake news sobre pandemia pode dar multa de até R$ 10 mil

 

Othelino Neto anunciou ontem a promulgação da lei de combate à informação falsa

Em meio aos tremores causados pela operação da Polícia Federal, autorizada pelo Supremo Tribunal Federal, em vários estados, inclusive em território maranhense, em busca de suspeitos e provas que venham a confirmar a existência de uma organização criminosa, formada por apoiadores do presidente Jair Bolsonaro (sem partido), que usa redes sociais e outros canais da internet  para atacar instituições democráticas e gerar confusão na sociedade usando notícias falsas (fake news), o Maranhão deu ontem (16) um passo concreto e importante. O seguinte: o presidente da Assembleia Legislativa, deputado Othelino Neto (PCdoB), promulgou a Lei 11.277/20, que instituiu a aplicação de multa no valor de R$ 1.200,00 a R$ 10.000,00 a quem divulgar informação falsa sobre pandemia, endemias e epidemias no Maranhão. A lei nasceu de um projeto proposto pelo próprio presidente e aprovado por unanimidade pela Assembleia Legislativa.

O presidente do Poder Legislativo justificou a iniciativa como uma necessidade imperiosa de coibir a maldade e a irresponsabilidade que levam muitos, por motivos diversos, inclusive políticos e ideológicos, a divulgar informações falsas sobre a pandemia do novo coronavírus, com o objetivo de minimizar ou maximizar os efeitos da Covid-19, criando uma falsa realidade altamente prejudicial à sociedade. “Nosso objetivo é combater essa prática desumana, que faz com que pessoas possam até perder suas vidas e recursos públicos sejam desperdiçados. A partir desta lei, quem produzir e divulgar fake news sobre a pandemia, será multado, independente das legislações específicas na área criminal”, justificou o presidente.

A lei é clara, sem qualquer ponto duvidoso e que abra espaço para questionamentos sobre a sua constitucionalidade nem para o desdobro malandro usado por praticantes contumazes desse crime, que quando se veem na mira da Justiça, agarram-se covardemente ao argumento de que se trata de “livre manifestação de opinião”. Jornalista por formação, conhecedor, portanto, do que é informação verdadeira e informação falsa, o deputado Othelino Neto avisa: “Isto não deve ser confundido com censura à opinião. Inclusive, no próprio texto da lei está expresso que, se estiver sendo emitida opinião, não se caracterizará como fake news”. Ou seja, a própria lei 11.277/20 cria a imunização contra o argumento fajuto usado por disseminadores de informações falsas, tornando as regras bem mais eficientes.

A Lei 11.277/20 reza, com clareza, que o autor e propagador de desinformação ou boatos em jornal impresso, televisão, rádio ou mídias sociais estará sujeito a multa que pode variar de R$ 1.200 a R$ 10 mil, “dependendo do grau de prejuízo causado à sociedade”. Em caso de reincidência, a punição poderá dobrar. Mas se, por outro lado, o criminoso confessar o crime, declarar-se arrependido e publicar a reparação da informação inverídica, a multa poderá ser reduzida à metade. A lei institui também que todo o recurso oriundo das multas será destinado ao combate às pandemias, endemias e epidemias no Estado do Maranhão. E ainda: sempre que o cidadão divulgar uma informação deixando claro que se trata de uma opinião pessoal, o ato não será considerado como fake news.

Divulgar informação falsa, principalmente para alcançar objetivos como ofender cidadãos e autoridades e distorcer situações e realidades tornou-se prática comum no universo sem fronteiras e ainda sem controle da internet. Os organismos legais de controle, prevenção e repressão a essa prática têm agido, mas não com a eficiência e o rigor que o problema já exige. A CPI das Fake News levada à cabo no Congresso Nacional colocou o problema na mesa, enquanto o inquérito instaurado pelo Supremo tribunal Federal tem avançado, produzindo ações como as operações de ontem em vários estados inclusive no Maranhão. Esses movimentos causam a impressão de que há, de fato, uma guerra no País contra esse crime.

A Lei 11.277/20, mesmo de alcance limitado se tratar de um instrumento de combate a informações falsas relacionadas com pandemias, epidemias e endemias no Maranhão, a começar pelo alastramento do novo coronavírus, é uma oportuna e útil contribuição.

 

PONTO & CONTRAPONTO

 

Algo não está se encaixando na estratégia do PDT de somar com o DEM em São Luís

Weverton Rocha apoia Neto Evangelista sem o aval de Edivaldo Júnior para disputar a Prefeitura de São Luís

Alguma coisa não está se encaixando dentro do PDT em relação à sucessão na Prefeitura de São Luís. Primeiro o senador Weverton Rocha, que até onde é sabido tem a última palavra no arraial brizolista, declarou que o partido está mesmo inclinado confirmar aliança com o DEM em torno da candidatura do deputado estadual Neto Evangelista. Weverton Rocha argumenta que a aliança PDT-DEM não é recente e começou em 2018, na montagem da sua chapa senatorial, o que justifica plenamente sua manutenção agora. No mesmo tom, o vereador Osmar Filho (PDT) se livrou da “condição” de pré-candidato do partido, criada e até agora alimentada por Weverton Rocha, e declarou apoio total e irrestrito à pré-candidatura de Neto Evangelista, ratificando assim o discurso do chefe maior do partido. Mas aí entra o estridente silêncio do prefeito Edivaldo Holanda Júnior (PDT), que não emite publicamente qualquer sinal de que concorda ou discorda da posição do comando partidário a respeito da sua sucessão. O senador Weverton Rocha tem cacife político e o controle das rédeas partidárias para determinar um rumo na corrida à prefeitura de São Luís. Mas é o prefeito Edivaldo Holanda Júnior que tem os instrumentos para viabilizar ou inviabilizar qualquer candidatura, à medida que, em não sendo candidato à reeleição, permanecerá no comando da máquina municipal durante a campanha, posição que o torna o grande eleitor. Há rumores de que o prefeito não simpatiza com o projeto de aliança PDT-DEM e que estaria decidido a manter seu alinhamento com o Palácio dos Leões, inclinado a apoiar a candidatura do deputado Rubens Júnior (PCdoB). São apenas rumores, vale repetir, valendo também lembrar que onde há fumaça, a fogo.

 

Zé Gentil partiu deixando sua vaga em mãos amigas

Zé Gentil abriu vaga para Edivaldo Holanda, como ele, remanescente de outro tempo político

A morte do deputado Zé Gentil (Republicanos) abriu caminho para Edivaldo Holanda (PTC) deixar a incômoda condição de “suplente no exercício do mandato”, para se tornar deputado estadual titular. É curioso que morte do parlamentar caxiense tenha tido esse desfecho. Zé Gentil e Edivaldo Holanda eram os dois remanescentes do Governo Luís Rocha, na primeira metade dos anos 80 do século passado. Naquele período, Edivaldo Holanda era deputado estadual e homem de peso no Governo Luís Rocha, que quem foi líder aguerrido e de pavio curto na segunda metade do mandato. Zé Gentil era vereador em Caxias, mas atuava também como empreiteiro, capitão da Construtora Rosa, que participou do bem-sucedido programa rodoviário do Governo Luís Rocha. Findo o Governo Luís Rocha, em 1987, Zé Gentil elegeu-se deputado estadual constituinte, enquanto Edivaldo Holanda foi para Brasília como deputado federal constituinte. As rotas se cruzaram em 2019, com Zé Gentil retornando à Assembleia Legislativa como titular e Edivaldo Holanda como suplente no exercício do mandato. Gente boa como era, Zé Gentil certamente partiu certo de que nesse particular deixou a vaga em boas mãos.

São Luís, 17 de Junho de 2020.

Vítima do novo coronavírus, Zé Gentil partiu fechando um ciclo e deixando um legado político em Caxias

 

Zé Gentil: cultivou jeito leve de fazer política

A morte do deputado estadual José Gentil (Republicanos), ontem, em Teresina, aos 80 anos, vitimado pela Covid-19, produziu dois impactos. O primeiro foi a perda para os caxienses de um dos seus líderes mais atuantes das últimas décadas; o outro, a partida de mais um dos 42 deputados que escreveram, em 1989, a atual Constituição do Maranhão, um legado histórico intransferível, que sobreviverá para sempre. Em relação a Caxias, a cidade perdeu um filho apaixonado, os caxienses ficaram sem um velho e experiente companheiro, e o prefeito Fábio Gentil viu partir o seu melhor e mais fiel amigo, maior incentivador e principal conselheiro. No plano político geral, a Assembleia Legislativa deixa de contar com um parlamentar discreto, conciliador, que preferiu sempre a conversa ao confronto, que não era muito afeito à tribuna, mas era um craque nas conversas de “pé do ouvido” e nas articulações nos bastidores para tomadas de decisões importantes. Apoiava o Governo do Estado, mas preservava independência.

Zé Gentil, como era conhecido, vivia o seu melhor momento na seara política. Não escondia seu estado de graça com o fato de estar de volta à Assembleia Legislativa, mesmo às vezes se sentindo pouco à vontade em meio a um plenário muito jovem. Essa sensação de deslocamento foi se desfazendo à medida que sua experiência foi se impondo na Casa, fazendo com que nos últimos tempos já viesse atuando como referência para os mais jovens e um interlocutor à altura para os mais tarimbados. Com essa postura, manteve, por exemplo, um canal de diálogo com sua arquirrival, a deputada Cleide Coutinho (PDT), com quem somou esforços em várias situações relacionada a Caxias.

Seu maior motivo de orgulho era ter o filho, Fábio Gentil, no comando da Prefeitura de Caxias. Ele não se continha quando o assunto era a gestão do herdeiro político na Princesa do Sertão. Tinha as obras importantes – as realizadas, as em andamento e as planejadas – da prefeitura na ponta da língua, enfatizava sempre o pagamento dos servidores em dia, via de regra disposto a fazer o que estivesse ao seu alcance para apoiar a gestão do filho. Não escondia sua gratidão pelo aval que recebera do prefeito ao seu projeto de retornar à Assembleia Legislativa aos 78 anos. Da mesma maneira como se dizia disposto a ir à luta pela reeleição do herdeiro e, “se Deus permitir”, reeleger-se deputado estadual em 2022. Inconsolável, o prefeito Fábio Gentil demonstrou que a recíproca era verdadeira: “Perdi a minha referência, o grande e verdadeiro apoio que tive em toda minha vida”.

O jeito leve e habilidoso de fazer política foi um traço marcante de Zé Gentil. Ontem, o vereador Catulé (Republicanos), atual presidente da Câmara Municipal caxiense e conhecedor profundo da crônica política da Princesa do Sertão, o definiu como um líder nato e um político talentoso, que se revelou quando presidiu aquela instituição no início dos anos 80 do século passado. O salto estadual foi incentivado pelo governador Luis Rocha, seu amigo. Foi deputado estadual nos períodos 1987/1991, 1995/1999 e 2019-2020, tendo participado da histórica mais Assembleia Estadual Constituinte, em 89. Ao lado de líderes importantes e raposas conhecidas, como Ivar Saldanha, Raimundo Leal, José Bento Neves, Carlos Guterres e Celso Coutinho, entre outros, e de jovens atuantes como Gastão Vieira e Marconi Farias, atuou na tarefa de restaurar a democracia plena no Maranhão. Esse orgulho foi exibido meses atrás, quando a Assembleia Legislativa homenageou os constituintes de 89.

Na nota de pesar que publicou ontem, o presidente da Assembleia Legislativa, deputado Othelino Neto (PCdoB), externou sentimento de pesar pela partida do líder caxiense, destacando que, aos 80 anos, Zé Gentil “era respeitado por toda a classe política”. E acrescentou: “Assembleia Legislativa transmite irrestrita solidariedade aos familiares, amigos, admiradores, e à população de Caxias em geral, que perde um grande líder político e apaixonado por essa cidade tão querida. Deus o receba em paz!”  Nesse caso, a formalidade foi carregada do sentimento de perda, pois era evidente o bom relacionamento que Zé Gentil m antinha com o presidente e seus colegas deputados. A manifestação do presidente Othelino Neto com certeza traduziu o sentimento de consternação de todos os seus 41 colegas de Assembleia, aí incluídos os seus adversários no Leste do Maranhão.

Zé Gentil fechou um ciclo importante na vida política de Caxias. E partiu como partem os políticos autênticos, deixando um legado.

 

PONTO & CONTRAPONTO

 

Eduardo Nicolau assume MPE declarando guerra à corrupção e às desigualdades sociais

Eduardo Nicolau: compromissos desafiadores no discurso de posse

“Prometo lutar por um estado moderno e impessoal, em que suas estruturas trabalhem para atender ao ser humano e não a nomes e sobrenomes, e lutar para conferir cada vez mais dignidade à vida de cada maranhense”

“Quero promotores e procuradores com vigor para efetivar a participação popular no ciclo de formação de políticas públicas, que realmente interessem à sociedade. Aprender a colocar-se no lugar do outro, a acordar-se com os demais, a respeitar o seu semelhante e a ser solidário”.

“Todas as instituições aqui reunidas devem assumir o compromisso de fortalecer a imunidade e a humanidade de nosso povo”.

“Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades, muda-se o ser, muda-se a confiança. Todo mundo é composto de mudança, tomando sempre novas qualidades”.

“Nesse momento de passagem, o comandante e a confiança mudam de rosto, mas a essência da instituição permanece e é renovada”.

As declarações, feitas em tom enfático, foram a base do discurso de posse do procurador de Justiça Eduardo Jorge Hiluy Nicolau no comando do Ministério Público do Maranhão como novo procurador geral de Justiça. A posse ocorreu ontem de manhã, virtualmente, por recomendação das autoridades sanitárias devido à pandemia do novo coronavírus, com a participação virtual das principais autoridades do Estado, a começar pelo governador Flávio Dino, o presidente da Assembleia Legislativa, Othelino Neto, e o presidente do Tribunal de Justiça, desembargador Lourival Serejo.

O discurso do novo procurador geral de Justiça não surpreendeu. Ele é a confirmação do seu discurso de campanha, durante a qual apresentou e defendeu um programa de ação com as mesmas teses, reforçadas pela proposta de um Ministério Público interagente. Eduardo Nicolau defendeu, também enfaticamente, o combate à corrupção e a modernização do Estado, que na sua visão só avançará se o Ministério Público fizer a sua parte.

A julgar pelo teor do seu discurso de posse, o novo procurador geral de Justiça está disposto a colocar em prática o que prometeu como plano de ação.

 

Governadores nordestinos mantêm coerência política e reagem a ataque ao Supremo

Flávio Dino e seus colegas do Nordeste em um dos encontros do Consórcio regional

Os nove governadores do Nordeste – entre os quais o governador do Maranhão, Flávio Dino (PCdoB) é um dos mais ativos e politicamente articulados – têm mantido coesão na postura de Oposição do Governo do presidente Jair Bolsonaro (sem partido). Administrativamente, têm encarado a má vontade do Palácio do Planalto e da Esplanada dos Ministérios com ações conjuntas, como o Consórcio Nordeste, por meio do qual realizam compras governamentais em bloco, obtendo expressivas reduções de preços, a exemplo do que vem acontecendo no enfrentamento da pandemia do novo coronavírus. Politicamente, os líderes da região têm pautado suas ações pelo firme contraponto às ações de extrema direita do Governo Central, rebatendo todas as iniciativas que visam desestruturar a base institucional sobre a qual funcionam as instituições que garantem o estado democrático de direito no País. Ontem, diante do insano ataque de partidários do presidente Jair Bolsonaro com fogos de artifício à sede do Supremo Tribunal Federal, numa nítida e estúpida ação de intimidação contra a Corte Suprema, os governadores nordestinos se manifestaram em nota:

“O Brasil não se curvará diante da violência física e moral, protagonizada por grupos movidos pelo ódio e pela intolerância. Estamos todos em meio a uma luta incessante para superação de uma grave crise sanitária, mas não negligenciaremos outra batalha que também se impõe. Em defesa da democracia e, assim como no combate à pandemia, em defesa do povo brasileiro

Nós, governadores do Nordeste, manifestamos nossa mais absoluta solidariedade ao STF, violentamente agredido neste final de semana, mas que reafirma o seu inarredável propósito de guardião maior da nossa Constituição. O Brasil saberá avançar com passos firmes na proteção à liberdade, às pessoas, às instituições democráticas e à civilidade. E nós continuaremos na linha de frente da caminhada que aponta para o futuro, jamais para retrocessos”.

São Luís, 16 de Junho de 2020.

Pesquisa Escutec mostra que maioria maranhense aprova Flávio Dino e reprova Jair Bolsonaro

 

Flávio Dino tem o aval da maioria dos maranhenses, que reprova Jair Bolsonaro, segundo pesquisa Escutec divulgada por O Estado

Os números da pesquisa Escutec, publicados na edição de fim se semana de O Estado, confirmam que sólida maioria dos maranhenses tem o governador Flávio Dino (PCdoB) na conta de um gestor correto, eficiente e que realiza um Governo que atende às suas expectativas, ao mesmo tempo em que enxergam no presidente Jair Bolsonaro (sem partido) um mau governante, cuja gestão é largamente reprovada. O cenário encontrado pelo Escutec é claro no que envolve o governador Flávio Dino: 59% acham que ele está agindo corretamente no combate ao coronavírus, contra 23% que discordam, 16% que ficaram em cima do muro e 2% que não souberam avaliar; ao mesmo tempo, 57% disseram aprovar sua gestão, contra 35% que disseram não aprovar e 8% que quiseram ou não souberam avaliar. Em relação ao presidente Jair Bolsonaro, o cenário é esse: 61% disseram que ele não está sendo correto no combate à pandemia, 24% acham que está sendo correto e 15% não souberam responder; na sequência, 60% disseram reprovar a gestão de Jair Bolsonaro, enquanto 34% disseram aprová-la, e 16% não responderam.

O painel de posições mostrado pelo Escutec indica com clareza que o prestígio do governador se mantém sólido 65 meses depois que ele chegou ao comando do Estado, em janeiro de 2914, dado indiscutível de uma liderança consistente, que tende a se manter. Em relação ao presidente Jair Bolsonaro, a situação é rigorosamente inversa, mas também com a mesma consistência: ele recebeu votação pífia e ao longo de 15 meses no comando do País, todos os seus gestos, políticos e administrativos em relação ao Maranhão indicaram clara hostilidade política em relação ao governador Flávio Dino e uma visível má vontade no que diz respeito a medidas e providências que possam melhorar a vida dos maranhenses.

Esse relacionamento tenso é alimentado, primeiro, pelo fato de o governador Flávio Dino não se dobrar às políticas pouco republicanas postas até agora pelo presidente Jair Bolsonaro, e tentar, ao mesmo tempo manter com o Governo Central uma convivência institucional dentro das regras da Federação. Na seara política, Flávio Dino tem mantido coerência na defesa do equilíbrio institucional, pela garantia do estado democrático de direito, e na defesa de posições de centro-esquerda. Todas as suas posições se chocam com as do presidente da República, que tem defendido políticas nada coerentes – como o “libera geral” da economia diante do ataque impiedoso do coronavírus no País, por exemplo -, tentado submeter os demais poderes à tutela do Palácio do Planalto com incentivos à movimento pró-ditadura, e pregar o pensamento da extrema-direita semelhante ao facismo.

O confronto administrativo-institucional-ideológico aberto entre Flávio Dino e Jair Bolsonaro é alimentado pelas vozes políticas dos dois grupos. Partidários do governador, como o deputado federal Márcio Jerry (PCdoB) e a senadora Eliziane Gama (Cidadania), por exemplo, defendem a gestão e a ação política de Flávio Dino e batem forte nos movimentos de Jair Bolsonaro, enquanto o senador Roberto Rocha (PSDB) e o deputado Edilázio Júnior (PSD) defendem as medidas administrativas e a ação política do presidente da República e atacam ferozmente o governador em todas as frentes. Nesse ambiente atuam também grupos que jogam nos dois campos, confundindo esperteza com inteligência política, confusão que via de regra leva ao tombo, conforme inúmeros exemplos na história recente da política maranhense.

A pesquisa Escutec revela que Flávio Dino e seu grupo estão em sintonizados com a larga maioria dos maranhenses, enquanto os seus adversários estão identificados com uma fatia minoritária da população do estado. No mesmo cenário, o levantamento demonstra, com clareza solar, que em sua maioria os maranhenses alimentam pelo presidente Jair Bolsonaro o mesmo sentimento demonstrado nas urnas em 2018, quando lhe deram votação medíocre, posição que mantêm diante da inércia administrativa federal em relação ao Maranhão, apesar de todos os esforços feitos pelo governador Flávio Dino no sentido de estabelecer um relacionamento institucional equilibrado com Brasília.

Trata-se de um cenário que dificilmente mudará se as posições forem mantidas.

 

 PONTO & CONTRAPONTO

 

Dino reage duro a atitude de Bolsonaro de incentivar invasão de hospitais

Flávio Dino critica. em entrevista à CNN, gesto de Jair Bolsonaro de estimular, durante uma live, seus seguidores a invadir hospitais

O governador Flávio Dino reagiu duramente ao que para muitos foi a mais irracional atitude do presidente Jair Bolsonaro na sua incompreensível postura de tentar desmoralizar as medidas adotadas pelos governadores no combate ao coronavírus: incentivar apoiadores a invadir hospitais e fotografar leitos vazios. Vista com assombro por autoridades e especialistas da área de saúde, a pregação do presidente rebatida pelo governador do Maranhão no seguinte tom, em entrevista à CNN:

“Nós precisamos que o presidente da República abandone essa posição agressiva, porque não se trata apenas de se omitir diante da temática do coronavírus. É algo mais grave. Além de se omitir, ele se ocupa de sabotar. Agora tivemos esse ato mais recente, em que ele estimula que haja invasões a hospitais, num triplo desrespeito. Em primeiro lugar, aos pacientes, aos doentes, que podem ter a sua intimidade invadida. Em segundo lugar, aos profissionais de saúde que estão lá, trabalhando, seguindo normas técnicas que devem ser respeitadas. E em terceiro lugar, um desrespeito aos próprios invasores, à medida que eles estarão se expondo, podendo inclusive ficar doentes. Então, é muito estranho que o presidente da República se dedique o tempo todo a estimular a prática de crimes como esse, a criar um clima como esse”.

Um pito preciso e sem agressão. E com acerto na mosca.

 

PDT pode mudar projeto eleitoral em São José de Ribamar

Eudes Sampaio e Jota Pinto

Todos os sinais sugerem que, não bastasse o jogo de alto risco que poderá resultar na perda da Prefeitura de São Luís, o PDT está joga estranho também em São José de Ribamar, onde lançou a pré-candidatura do ex-deputado Jota Pinto para enfrentar o projeto de reeleição do prefeito Eudes Sampaio (PTB). Não funcionou. Jota Pinto não fez um só movimento que o tenha embalado para a frente, dando a impressão de que está estacionado e sem ânimo para prosseguir com o projeto eleitoral. Enquanto isso, o prefeito Eudes Sampaio está dando os passos certos, demonstrando equilíbrio e que o grupo liderado pelo ex-prefeito Luís Fernando Silva ainda dá as cartas na Cidade do Padroeiro. Já correm inclusive rumores de que o comando regional do PDT estaria avaliando a possibilidade de alterar radicalmente o projeto trocando Jota Pinto por outro candidato. O provável adiamento do pleito dará ao comando pedetista tempo para bater martelo sobre o assunto.

São Luís, 14 de Junho de 2020.