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Neto Evangelista dispara contra Edivaldo Jr. afirmando existir R$ 650 milhões de restos a pagar

 

Neto Evangelista diz que Edivaldo Holanda Jr. deixou bolada de restos a pagar e São Luís “a pior” em dois itens, segundo índices de avaliação

Antes de completar um dia na condição de ex-prefeito de São Luís, Edivaldo Holanda Jr. (PDT) foi alvejado pelo primeiro disparo destinado a colocar em dúvida a imagem de excelência na gestão financeira com que deixou o cargo que exerceu por oito anos. O petardo, que o alcançou às 20 horas e 48 minutos do primeiro dia do ano, foi disparado no Twitter pelo deputado estadual Neto Evangelista (DEM), ex-candidato apoiado pelo PDT à sua sucessão, mas que não contou com seu apoio. Na postagem, Neto Evangelista, a pretexto de enumerar dificuldades que o prefeito Eduardo Braide (Podemos) enfrentará, afirma, sem citá-lo, que Edivaldo Holanda Jr. deixou a Prefeitura com “restos a pagar” no valor nada menos que R$ 650 milhões, e dizendo acreditar que o volume de papagaios pendurados seja bem maior. Ele afirma que, segundo a Secretaria do Tesouro Nacional (STN), São Luís tem Capacidade de Pagamento “C”, “o que, segundo também o STN, só ganhamos do falido Rio de Janeiro nesse quesito”.

Neto Evangelista escreveu também que o novo prefeito recebeu São Luís como “a pior capital do Nordeste”, segundo o Índice de Governança Municipal (IGM), utilizado pela Sudene e outras instituições como instrumento de avaliação nesse campo. E mais: o respeitado Índice Firjan de Gestão Fiscal “aponta nossa Capital como a pior do Brasil nesse quesito”. Na sua avaliação, o parlamentar democrata afirma que, “sem recursos específicos para a Covid, sem compensação sobre a queda de arrecadação e com o fim do auxílio emergencial, o desafio será grande”. E conclui: “Eduardo terá de arrumar literalmente a casa”, o que, numa interpretação lógica e cartesiana, leva à conclusão de que, para o parlamentar, ao contrário do que afirmou na mensagem de despedida, o ex-prefeito deixou a casa desarrumada.

A manifestação de Neto Evangelista, feita no calor da troca do comando municipal, pode ser vista por vários vieses. Pode ter sido, como sugere no final, um gesto de preocupação com a nova gestão, um sinal de alerta, ou também uma denúncia velada, que ficou engasgada durante a campanha eleitoral. Na corrida às urnas, Neto Evangelista definiu e usou um discurso ignorando os resultados da gestão de Edivaldo Holanda Jr., que por sua vez ignorou a existência dele como candidato à sua sucessão.

Até as pedras de cantaria de São Luís sabem que Neto Evangelista e Edivaldo Holanda Jr. não se toleram. O pote de mágoas que cada um carrega em relação ao outro foi enchido na campanha para a Prefeitura em 2012, quando Edivaldo Holanda Jr. (PTC) disputou com João Castelo (PSDB), que tinha Neto Evangelista, então tucano, como vice. No decorrer daquela campanha, Neto Evangelista bateu forte no adversário, transformando diferenças políticas em inimizade ácida. Tanto que quando o senador Weverton Rocha decidiu que o PDT apoiaria a candidatura do democrata Neto Evangelista à sua sucessão, Edivaldo Holanda Jr. reagiu afirmando que não o apoiaria “de jeito nenhum”, e manteve a decisão, aumentando a distância que já os separava. A “neutralidade” do prefeito foi decisiva para o insucesso do candidato da aliança PDT-DEM, que ficou em terceiro lugar no primeiro turno.

Sem se comprometer com nenhum candidato – contrariando, portanto, a equação básica da política, na qual todo político tem de ter um lado, e que neutralidade pode levar ao isolamento -, Edivaldo Holanda Jr. optou por não se posicionar na disputa por sua sucessão. Preferiu investir as 24 horas de cada dia da contagem regressiva na imagem de bom gestor e esnobando a política, mesmo sabendo que, se pretende voar mais alto, não irá muito longe sem a força dos que o apoiaram nas duas eleições, mas que não tiveram seu apoio agora. O petardo disparado pelo deputado Neto Evangelista é um sintoma forte de que muitos outros virão nos tempos de disputa que se aproximam.

Com experiência suficiente para saber como funciona a ciranda da guerra pelo poder, o ex-prefeito já deve ter definidas estratégias para o confronto com adversários.

 

PONTO & CONTRAPONTO

 

Assembleia Legislativa entra na linha de frente dos parlamentos com maior presença feminina

Othelino Neto entre Socorro Waquim, Betel Gomes e Fábio Braga: composição da Assembleia Legislativa mudada com a eleição de deputados para prefeituras

A Assembleia Legislativa recebeu ontem três novos deputados: Socorro Waquim (MDB), que assumiu na vaga de Rigo teles (PL), novo prefeito de Barra do Corda; Betel Gomes (PRTB), que sucedeu a Felipe dos Pneus (Republicanos), agora prefeito de Santa Inês, e Fábio Braga (Solidariedade) na vaga de Fernando Pessoa (Solidariedade), que se elegeu prefeito de Tuntum.

Com a chegada de Socorro Waquim e Betel Gomes, a Assembleia Legislativa do Maranhão entra na linha de frente dos parlamentos estaduais onde é expressiva a participação de mulheres. Elas se somam a Ana do Gás (PCdoB), Andreia Rezende (DEM), Cleide Coutinho (PDT), Daniella Tema (DEM), Detinha (PL), Thaíza Hortegal (PP), Helena Duailibe (Solidariedade) e Mical Damasceno (PTB), totalizando 10 parlamentares femininas, representando quase 25% da composição do plenário de 42 cadeiras.

Com o novo quadro, o parlamento maranhense reforça o pluralismo partidário e avança para o equilíbrio de gênero. Mais ainda, quando é visível que as deputadas são parlamentares atuantes, propositivas, afeitas ao debate e preocupadas com os problemas mais diversos enfrentados pela população do Maranhão.

Socorro Waquim é professora e política experimentada e bem-sucedida, tendo sido deputada estadual, vereadora e prefeita de Timon, tendo também atuado como integrante do secretariado do último Governo de Roseana Sarney (MDB). Além da vivência política, Socorro Waquim leva para o parlamento estadual a experiência de ter comandado Timon, hoje o terceiro maior município do Maranhão em população, e politicamente consciente em relação ao papel da mulher na política. “Nossa presença aqui é a presença do empoderamento das mulheres”, disse.

Filha de lavradores, Betel Gomes, que é professora primária, chega à Assembleia Legislativa para exercer o seu primeiro mandato estadual com a experiência de militante política na região de Buriticupu, onde atuou como secretária de Cultura, Educação e Assistência Social. Já empossada, declarou que se sente motivada para fortalecer a posição das mulheres na Casa e dar “o melhor de mim” pelo povo do Maranhão.

Ao comentar a posse dos três novos deputados, o presidente da Assembleia Legislativa, deputado Othelino Neto (PCdoB) destacou que a presença de 10 mulheres entre os 42 deputados torna a Assembleia Legislativa do Maranhão um parlamento diferenciado e caminhando para o equilíbrio nesse sentido. “Me sinto honrado de presidir a Casa com esse perfil”, disse.

Dino fica neutro na disputa da Famem, deixando campo aberto para Weverton e Brandão

Flávio Dino: neutralidade na disputa pelo comando da Famem

O governador Flávio Dino (PCdoB) não se envolverá na disputa para o comando da Federação dos Municípios do Maranhão (Famem), na qual o atual presidente Erlânio Xavier (PDT), prefeito reeleito de Igarapé Grande, tem como adversário o prefeito reeleito de Caxias, Fábio Gentil (Republicanos).

A explicação para a neutralidade anunciada pelo governador é simples. A eleição na Famem foi transformada numa medição de força entre o senador Weverton Rocha (PDT), que apoia o atual presidente, e o vice-governador Carlos Brandão (Republicanos), que abraçou a candidatura do prefeito de Caxias, que é do seu partido. Ambos vêm travando um embate direto e aberto para consolidar seus projetos de disputar o Governo do Estado. O governador não quer se envolver numa disputa que não lhe diz respeito diretamente.

O presidente Erlânio Xavier é o homem de frente de Weverton Rocha, tendo coordenado sua campanha em 2018. O comando da Famem faz dele um importante porta-voz do senador junto aos prefeitos, o que torna a entidade um braço fundamental na estrutura de apoio dele. O comando de um pequeno município não lhe dá peso político, mas a presidência da Famem faz dele um interlocutor privilegiado e valioso para o projeto de poder do líder pedetista.

O prefeito Fábio Gentil, ao contrário, comanda o quarto maior e politicamente mais importante município do Maranhão, e com a autoridade de quem foi reeleito com mais de 75% dos votos, praticamente desmontando a máquina poderosa montada ex-deputado Humberto Coutinho. Candidato irreversível à presidência da Famem, conforme anunciou, Fábio Gentil conta com o apoio do vice-governador Carlos Brandão, que tem como aliado.

A neutralidade do governador Flávio Dino tornará a disputa mais dura entre Erlânio Xavier e Fábio Gentil pelo comando da Famem, acirrando o embate entre Weverton Rocha e Carlos Brandão pelo Palácio dos Leões.

São Luís, 05 de Janeiro de 2021.

Discurso de posse: Braide foca na gestão, promete governar sem reclamar e mantém distância do jogo político

 

Eduardo Braide: com semblante grave durante toda a fala, diz que foi eleito para governar e não para reclamar

“Não fui eleito para reclamar, eu fui eleito para governar, e é isso que faremos a partir de hoje”. “Governaremos para quem mais precisa, para aqueles que, durante muito tempo, ficaram sem a ação do Poder Executivo, seja municipal, estadual ou federal”. “São Luís tem pressa”.

As três declarações, feitas em momentos diferentes, pautaram o discurso de posse de Eduardo Braide (Podemos) na Prefeitura de São Luís. Nos nove minutos da sua fala, ele deu as linhas gerais do que será sua gestão, citou quatro áreas prioritárias (Saúde, Educação, Economia e Mobilidade) e sinalizou fortemente na direção de uma relação sem tremores com a Câmara Municipal (onde não tem maioria, mas pode construí-la sem problemas). Ao contrário do que muitos esperavam, Eduardo Braide não emitiu qualquer sinal no sentido de construir uma relação institucional com o Governo do Estado nem jogou loas no Governo Federal, deixando claro que sua grande aposta é mesmo na sua eficácia gerencial. Na mesma linha, ignorou completamente sua posição e a do seu partido no cenário político maranhense, dando a entender que prefere se manter distante dos embates políticos, pelo menos no primeiro momento do seu governo.

Na seara administrativa, o novo prefeito confirmou o compromisso de campanha de colocar em prática um plano de ação para os 100 primeiros dias, e apontou quatro áreas prioritárias. E deixou claro que a grande prioridade será a Saúde, com foco inicial na elaboração de um plano municipal de vacinação contra o novo coronavírus. Na Educação, que foi entregue à vice-prefeita Esmênia Miranda, vai investir imediatamente na preparação das escolas para o que definiu como um ano letivo “dobrado”, ou seja, recuperar o que foi perdido no ano passado e manter a programação do novo ano. Na mobilidade, informou que fará algumas intervenções para tornar o transporte de massa mais rápido. E anunciou que encaminhará à Câmara Municipal um pacote de medidas que, segundo espera, ajudarão a população a enfrentar a crise causada pela pandemia. Não foi além, só assinalando enfaticamente que “São Luís tem pressa”, numa espécie de recado à equipe.

Eduardo Braide passou ao largo da política na sua primeira fala como prefeito da Capital, que além da importância econômica, abriga mais de 15% do eleitorado ao Maranhão. Seu silêncio sobre esse aspecto da sua posição, no entanto, pode ser interpretado também como uma atitude política no sentido de não entrar agora nesse xadrez complexo e movediço, deixando para exercer o papel político que muitos querem lhe atribuir quando estiver com a sua gestão minimamente consolidada. Isso porque, mesmo considerando o profundo canyon que hoje o separa do governador Flávio Dino (PCdoB), de quem já foi aliado, Eduardo Braide é um político suficientemente racional e pragmático para não descartar a possibilidade de estabelecer um canal de comunicação institucional entre o Palácio de la Ravardière e o Palácio dos Leões. Vale lembrar que em momentos e circunstâncias diferentes, ele e o governador Flávio Dino já emitiram sinais nessa direção.

No campo político-partidário, alguns chefes de partido que o apoiaram querem transformá-lo na principal voz da Oposição no Maranhão. O prefeito, no entanto, mesmo sabendo que em algum momento terá de assumir esse papel, já que não há no horizonte da oposição maranhense ninguém mais credenciado, usa a prudência e o pragmatismo para refrear impulsos e segurar a onda para o momento mais adequado para se posicionar: os primeiros meses de 2022. Sabe que, devido ao elevado grau de comprometimento que assumiu com a população de São Luís, será desastroso qualquer movimento político-partidário em relação a 2022 que vier a fazer antes da hora. Para ele, o que interessa agora é criar as condições para fazer uma boa gestão. Qualquer movimento ou gesto incoerente poderá ter custo elevado.

Sem lamúria, reclamações e acusações, e ignorando a política partidária e os primeiros movimentos da guerra pelo poder estadual, Eduardo Braide avisou no seu discurso de posse que seu projeto político de agora é fazer um bom governo em São Luís, para depois, então, entrar no jogo pesado da briga pelo poder estadual.

 

PONTO & CONTRAPONTO

 

Prefeito prestigia sua vice entregando-lhe uma missão complexa e desafiadora

Esmênia Miranda: vice prestigiada pelo titular

Poucas vezes um vice-prefeito foi tão prestigiado pelo prefeito quanto a professora Esmênia Miranda está sendo por Eduardo Braide. Oficial da Polícia Militar, com graduação em História e docente do Colégio Militar em São de São Luís, Esmênia Miranda recebeu uma das tarefas mais desafiadoras da nova gestão de São Luís: comandar a pasta da Educação com o compromisso de tirar milhares de crianças do atraso escolar causado pela pandemia do coronavírus e transformar a rede municipal de ensino em um sistema de educação básica de qualidade. Sobre sua responsabilidade estão mais de 250 escolas, nas zonas urbana e rural, que abrigam milhares de alunos. Existem muitas escolas em bom estado físico para funcionar a contento, mas também existem muitas outras em estados que vão de precário a inviáveis para receber crianças e professores. A vice-prefeita se mostra entusiasmada com o prestígio e com a missão que recebeu, sabe que enfrentará dificuldades enormes, mas está determinada a encarar o desafio.

Segue um registro que servirá de alerta para a vice-prefeita. Em 2010, quase três anos depois da posse, o então prefeito João Castelo (PSDB), insatisfeito com o desempenho da sua vice-prefeita, a médica Helena Duailibe, no comando da Secretaria Municipal de Saúde, reclamou e cobrou melhores resultados, enquanto a secretária, escudada na condição de vice-prefeita, insistia em seguir numa linha contrária à orientada pelo prefeito. A corda foi esticada a tal ponto que João Castelo demitiu Helena Duailibe durante entrevista a uma emissora de rádio de São Luís, causando um enorme mal-estar entre o prefeito e sua vice. A partir da demissão, o Sistema Municipal de Saúde entrou num processo de desarrumação que depois, meses antes de passar o cargo para Edivaldo Holanda Jr. (PTC), João Castelo teve de entregar a rede hospitalar de São Luís ao controle da Secretaria de Saúde do Estado, então comandada com carta branca pelo então deputado estadual Ricardo Murad (PMDB).

Claro que não se imagina uma situação parecida para o novo prefeito de São Luís e sua vice, que tem dado seguidas demonstrações de preparo. Mas nada custa lembrar que coisas assim podem acontecer.

 

Eleição do presidente da Câmara foi fruto do acordo do prefeito com o PDT

Osmar Filho: eleição por consenso foi acordo

Não surpreendeu a unanimidade conseguida pelo vereador Osmar Filho (PDT). O fato de ele ter sido presidente na legislatura passada nada teve a ver com a eleição de agora. A eleição se deu por força de um grande acordo armado pelo presidente do PDT, senador Weverton Rocha, com o então prefeito eleito Eduardo Braide, como parte do acordão que garantiu lastro partidário e uma boa margem complementar de votos para vencer com folga no segundo turno.

Se decidisse ignorar esse detalhe do acordo, Eduardo Braide teria conseguido facilmente 17 votos necessários para eleger um presidente do seu interesse. Poderia até, se quisesse, excluir o PDT do jogo, já que a pulverização partidária da Câmara de São Luís permite a um prefeito hábil montar uma base de apoio sem maiores dificuldades. O novo prefeito, porém, preferiu respeitar o acordo com o PDT, orientando seus aliados a votarem em Osmar Filho, que exercerá assim seu último mandato de presidente da Câmara Municipal de São Luís, já que em 2023 não mais poderá se candidatar à reeleição.

Eduardo Braide deverá eleger um presidente da sua inteira confiança na próxima eleição da Mesa Diretora.

Em tempo: Presidida por Osmar Filho, a Mesa Diretora da Câmara de São Luís tem a seguinte composição: 1º vice-presidente Gutemberg Araújo (PSC), 2º vice Paulo Victor (PCdoB), 3º vice Thyago Freitas (DC), 4º vice Octávio Soeiro (Podemos), 1º secretário Aldir Júnior (PL), 2º secretário Ribeiro Neto (PMN), 3ª secretária Karla Sarney (PSD) e 4ª Rosana da Saúde (Republicanos).

São Luís, 03 de Janeiro de 2021.

Dez personalidades que se destacaram em 2020 e se credenciaram para novos movimentos no cenário político do Maranhão

 

Em meio ao ataque cruel e impiedoso do novo coronavírus e da malha de desacertos e incertezas que o Governo da República vem tecendo sob o País, as eleições municipais mostraram à Nação que o Brasil ainda é regido por uma democracia e que a solução dos problemas da Federação está na política, queiram ou não os que pensam diferente. Nesse período sombrio, o Maranhão foi uma prova disso. Foi gerido por um Governo ajustado, comandado por um líder que que se move pelos mais corretos vieses da política. Nesse contexto, vários líderes, todos da nova geração, atuaram alinhados ou na contramão do Governo, tendo alguns reforçado o desempenho positivo do comando maior, e outros enveredado pela arriscada fronteira do pró e do contra. Todos, porém, se movimentaram dentro dos limites do que é possível em política sem o risco de rupturas traumáticas. Utilizando dados de observação dos movimentos, a Coluna destaca, com impressões próprias, a atuação de 10 personalidades que “causaram” ao longo do ano, colocando-se como diferenciais no período e se credenciando para o que vem por aí.

Flávio Dino (PCdoB) – O governador do Maranhão foi, de longe, o maior nome do Maranhão em 2020, alcançando projeção regional e nacional. Ao longo do ano, atuou com eficiência no comando do Governo, produzindo resultados que reforçaram o todo alcançado nos cinco anos passados. Fez a diferença no combate à pandemia do coronavírus: montou uma megaestrutura hospitalar, mobilizou equipes médicas, saiu vitorioso na guerra planetária por respiradores, garantiu uma política de testes mais eficiente do que na maioria dos estados e colocou o Maranhão entre os entes federados com melhor desempenho na luta contra a pandemia. Manteve posição de crítico implacável do presidente Jair Bolsonaro (sem partido), mas se manteve na linha que lhe permitiu uma relação institucional possível com o Palácio do Planalto. Nas eleições, contabilizou a vitória de aliados em mais de 70% dos municípios, ainda que o PDT tenha perdido o comando de São Luís. E consolidou posição   no cenário político nacional como um dos mais importantes líderes da esquerda.

Edivaldo Holanda Jr. (PDT) – Após dois mandatos, deixa a Prefeitura de São Luís reconhecido como bom gestor e embalado por um imenso portfólio de obras, entre elas as que mudaram a feição do Centro com a restauração do eixo Deodoro-Pedro II, passando pela Rua Grande, Largo do Carmo e Praça João Lisboa. Deixa a cidade com malha viária trafegável e um transporte de massa em processo de melhoria. Fez investimentos na Saúde e na Educação, mas deixa as duas áreas ainda exigindo várias e urgentes soluções. Tem afirmado que passará ao sucessor uma Prefeitura financeiramente ajustada. No campo político, fecha 2020 marcado pelo isolamento que ele próprio se impôs ao se omitir da guerra eleitoral, para evitar desgastes e manter o cacife que conseguiu na prefeitura com o apoio decisivo da aliança liderada pelo governador Flávio Dino.

Eduardo Braide (Podemos) – Foi o grande vencedor das eleições municipais, confirmando seu favoritismo e se elegendo prefeito de São Luís numa disputa que envolveu um quadro de bons candidatos. Com a eleição, recoloca a São Luís na tradicional posição de Oposição ao Governo do Estado, o que gera uma forte expectativa política e administrativa. Ao mesmo tempo, ganhou projeção estadual e termina o ano como referência para a formação de uma corrente oposicionista na disputa do poder estadual. É apontado por alguns observadores como futuro chefe da Oposição no Maranhão.

Carlos Brandão (Republicanos) – Ao longo do ano, o vice-governador consolidou mais ainda a posição de aliado ativo, prestativo e detentor da plena confiança do governador. Mergulhou em articulações durante o processo eleitoral e viu seu partido sair das urnas robustecido com três dezenas de prefeituras e centenas de vereadores. Fecha 2020 cacifado para levar em frente o seu projeto de disputar o Palácio dos Leões na condição de governador, projeto que ganhou força depois que o governador Flávio Dino admitiu deixar o cargo para encarar as urnas em 2022. A decisão significa que o vice será governador a partir de abril daquele ano.

Weverton Rocha (PDT) – Um dos políticos mais arrojados e determinados da sua geração, o senador foi bem-sucedido no exercício do mandato, ocupando espaço amplo no Senado, com expressiva produção legislativa e forte atuação como opositor do Governo Jair Bolsonaro. Como líder partidário, foi um dos mais ativos nas eleições municipais, o que foi decisivo para que o PDT saísse das urnas com quatro dezenas de prefeitos. O desastre em São Luís, que tirou o PDT do comando municipal, pesa no seu currículo, mas não há dúvida de que o senador tem cacife forte e segue como nome de proa para o Governo do Estado.

Othelino Neto (PCdoB) – O presidente da Assembleia Legislativa viveu 2020 como o principal protagonista do parlamento estadual e muito bem situado no cenário político e eleitoral. Comandou o Poder Legislativo com eficiência diante dos desafios impostos pela pandemia do novo coronavírus, mantendo-o funcionando por meio de sessões remotas e garantiu o cumprimento de extensa pauta, o que fortaleceu sua liderança na Casa. Politicamente, Othelino Neto foi um dos líderes mais ativos na corrida eleitoral, apoiando candidatos e contribuindo decisivamente para a eleição de muitos aliados, inclusive a da sua mulher, Ana Paula Lobato (PDT), vice-prefeita de Pinheiro. O fato de haver se distanciado da disputa em São Luís após a saída do candidato do PCdoB em nada alterou sua posição dentro do partido e da aliança governista.

Fábio Gentil (Republicanos) – O prefeito de Caxias fecha o ano como uma das mais importantes lideranças políticas do Maranhão na atualidade., apesar dos revezes que sofreu, como a perda do pai e inspirador, o deputado José Gentil (Republicanos). E a explicação está no seu excelente desempenho administrativo, fator que levou 75% dos eleitores da Princesa do Sertão a renovar-lhe o mandato numa vitória anunciada com larga antecedência. Os seus surpreendentes resultados como gestor e nas urnas o instalaram no posto de líder maior do município e o credenciaram para voos mais altos no porvir.

Luciano Leitoa (PSB) – O prefeito de Timon e presidente estadual do PSB mostrou forte liderança no seu município, com reflexos fora dele. No final do segundo mandato e diante do coronel/PM Scheneiddder (Republicanos), um outsider que surgiu como novidade no município e que durante meses liderou com folga as pesquisas de intenção de voto, Luciano Leitoa lançou uma mulher, Dinair Veloso (PSB), colocou suas forças em movimento, virou o jogo e levou sua candidata a uma vitória com folga e sem traumas. Mesmo com o modesto desempenho do PSB no estado, Luciano Leitoa fecha o ano fortalecido no cenário político estadual.

Eliziane Gama (Cidadania) – A senadora maranhense fecha 2020 em dois planos, o legislativo, em que teve uma performance indiscutivelmente positiva, e o político, no qual sua participação está marcada pela controvérsia. Eliziane Gama exerceu seu mandato senatorial com plenitude: produziu no campo legislativo, com várias proposições importantes, e foi ativa e coerente na tribuna, mantendo um discurso firme de opositora ao Governo Jair Bolsonaro. Frequentou bem os rankings de avaliação de desempenho no Congresso Nacional e se posicionou com equilíbrio nas questões graves, como a pandemia do novo coronavírus. Politicamente, teve participação modesta nas eleições municipais, nas quais seu partido, o Cidadania, simplesmente não existiu. Entra na nova década em alta como parlamentar, mas precisando resolver sua situação partidária.

Márcio Jerry (PCdoB) – Deputado federal e presidente do PCdoB, no Maranhão, viveu um ano agitado, dividido entre as tarefas de vice-líder do seu partido na Câmara Federal, com o desafio permanente de atuar como opositor ferrenho do Governo Jair Bolsonaro e a responsabilidade de comandar seu partido nas eleições municipais. Fez bem a sua parte como parlamentar, atuando como legislador, como debatedor e como articulador no âmbito das bancadas de centro-esquerda, e de esquerda. Na tribuna, foi duro e não fez concessões ao presidente da República. No campo partidário, viu sua legenda perder espaços na seara municipal. Fecha 2020 com o desafio de dar suporte ao governador Flávio Dino na tarefa de preparar as forças governistas para as eleições de 2022.

 

PONTO & CONTRAPONTO

 

Pandemia e eleições municipais consolidaram a posição de vários líderes partidários da nova geração

Juscelino Filho, Roberto Costa, André Fufuca, Pedro Lucas Fernandes e Cléber Verde: chefes partidários em alta na política maranhense

O deputado federal Juscelino Rezende, presidente estadual do DEM, se destacou como um dos articuladores da aliança que seu partido amarrou com o PDT, que fracassou em São Luís, mas funcionou em outros municípios. O maior trunfo do DEM foi a reeleição do prefeito de Imperatriz, Assis Ramos. Na Câmara Federal, se destacou na bancada democrata, que lhe deu a tarefa de presidir o Conselho de Ética.

O deputado estadual Roberto Costa fecha o ano como o homem-forte do MDB no Maranhão, com o mérito de ter evitado a derrocada total do partido e de recolocá-lo no cenário político do estado como uma força em recomposição. Roberto Costa termina a década como um dos principais articuladores da Assembleia Legislativa, mantendo oposição moderada ao Governo e mantendo abertos canais de entendimento em relação a questões complicadas. Caminha para a presidência do MDB.

Chefe do PP no Maranhão, o deputado André Fufuca também fecha o ano em alta com seu partido. Nas eleições municipais, o PP teve desempenho considerável, como a reeleição acachapante do prefeito de Pinheiro, Luciano Genésio, e a volta de Fufuca Dantas à Prefeitura de Alto Alegre do Pindaré, entre outras vitórias expressivas.

Enquanto o PTB mergulha num precipício no plano nacional, o deputado federal Pedro Lucas Fernandes tirou o partido do limbo no Maranhão com a eleição de uma dúzia de prefeitos, num dos melhores desempenhos dos últimos tempos. Ele fecha o ano com estatura elevada dentro da bancada do PTB, que ainda lidera na Câmara Federal.

Cléber Verde fecha 2020 como um dos mais bem-sucedidos líderes partidários do estado, mas ao mesmo tempo abalado por uma tragédia familiar. Com o apoio decisivo do vice-governador Carlos Brandão, o deputado levou seu partido ao topo com a eleição de três dezenas de prefeitos. Seu desempenho, porém, foi fortemente abalado pelo brutal assassinato dos seus pais, vítimas de latrocínio numa fazenda em Lago Verde.

 

Josimar de Maranhãozinho: saiu das eleições no paraíso, mas termina o ano no purgatório

Enquanto os principais líderes partidários maranhenses contabilizaram ganhos e perdas no embate eleitoral nos municípios e se credenciaram para continuar no comando das suas agremiações, o deputado federal Josimar de Maranhãozinho, chefe maior do PL no estado, saiu das urnas pronto para ser reconhecido como grande líder, mas foi brecado pela Polícia Federal no lado escuro da sua atuação política. O parlamentar festejou a eleição de quatro dezenas de prefeitos e começava a se preparar para dar o grande salto em direção ao Palácio dos Leões, quando, após meses de investigação na chamada Operação Descalabro, e cumprindo ordens do Supremo Tribunal Federal, a Polícia Federal invadiu endereços ligados ao deputado e encontrou neles milhões de reais em espécie, que segundo o Ministério Público Federal (MPF), seriam fruto deum esquema de desvio de dinheiro de emendas parlamentares. Segundo o MPF, Josimar de Maranhãozinho seria o chefe maior de um grande esquema de corrupção com o dinheiro das emendas para a Saúde. O líder do PL nega tudo, mas imagens da dinheirama não-explicada correram o mundo, chocaram o Brasil e mergulharam os maranhenses na perplexidade e na indignação, e funcionaram como uma bomba devastadora sobre o projeto de poder do chefe do PL. Ao contrário dos outros líderes partidários, Josimar de Maranhãozinho termina 2020 mergulhado na incerteza quanto ao seu futuro político.

São Luís, 30 de Dezembro de 2020.

 

Assembleia encarou a pandemia, driblou limitações e fechou ano com bom saldo e politicamente forte

 

Entre Roberto Costa, Ricardo Rios e Helena Duailibe, Othelino Neto apresenta a produção da Casa durante o ano em que comandou sessões remotas e presenciais

No ano em que o planeta foi mergulhado na sombria era do novo coronavírus, que mudou radicalmente as regras de convivência, assolou a base produtiva, restringiu as relações comerciais, abalou as estruturas públicas e testou ao limite as instituições que formam os poderes do Estado, o Maranhão viveu cenário absolutamente atípico. No período de Fevereiro a Dezembro, o Poder Executivo maranhense foi exigido ao extremo e respondeu prontamente, o Poder Judiciário fez a parte que lhe coube sem perder o eixo, e o Poder Legislativo, mesmo pressionado pelas eleições municipais, funcionou plenamente, apesar das limitações impostas pelo isolamento social. Nesse período, sob o comando antenado do presidente Othelino Neto (PCdoB), firmemente apoiado pela Mesa Diretora, os 42 deputados estaduais do Maranhão trabalharam duro, integrando um dos primeiros parlamentos estaduais a entrar na inesperada “era” das sessões remotas, por meio da tecnologia virtual. E atuaram discutindo, aprovando ou rejeitando proposições as mais diversas, fechando o histórico segundo ano da 19ª Legislatura com uma produção elevada em quantidade e qualidade.

O Relatório de Atividades da Assembleia Legislativa do Maranhão em 2020 informa que durante 70 sessões ordinárias, nove sessões remotas extraordinárias – por meio de teleconferências – os deputados estaduais mantiveram a instituição ativa e produtiva. Foram aprovados 1.257 Indicações, 100 Projetos de Decreto Legislativo e 58 Projetos de Lei Ordinária, 130 Requerimentos, 12 Projetos de Resolução Legislativa e uma Proposta de Emenda Constitucional (PEC). Os deputados aprovaram também duas PECs, 29 Medidas Provisórias, dois Projetos de Lei Complementar, 36 Projetos de Lei Ordinária encaminhados pelo Poder Executivo. Deram aprovação também a um Projeto de Lei Ordinária e três Projetos de Lei Complementar propostos pelo Poder Judiciário, além de proposições do Ministério Público, da Defensoria Pública e do Tribunal de Contas do Estado.

– Com a pandemia, novas regras foram editadas, provocando restrições em diversas atividades da Casa, mas a Assembleia nunca paralisou seu trabalho. No pico do problema, estabelecemos sessões remotas e adotamos todas as medidas determinadas pelas autoridades sanitárias. E mesmo com essa situação, tivemos uma grande produtividade em 2020, e o Legislativo Estadual mostrou a força do seu trabalho e de sua responsabilidade para com os maranhenses – avaliou o presidente Othelino Neto ao apresentar os números.

Ao mesmo tempo em que cumpriram suas obrigações legislativas, os deputados estaduais mergulharam fundo nos embates das eleições municipais, um processo crucial para a sobrevivência política de cada um deles. O pleito marcou fortemente parte dos integrantes da Assembleia Legislativa. Para começar, nada menos que nove deputados e duas suplentes no exercício do mandato disputaram prefeituras, sendo três titulares – Felipe dos Pneus (Republicanos) em Santa Inês, Rigo Teles (PL) em Barra do Corda e Fernando pessoa (SD) em Tuntum – e uma suplente – Belezinha (PL) em Chapadinha – foram eleitos. No caso da eleição de São Luís, o deputado Duarte Júnior (Republicanos) saiu das urnas muito fortalecido, tendo o deputado Neto Evangelista (DEM) mantido seu espaço na Capital.

As eleições municipais mostraram que, hoje dominada por uma nova e ativa geração de políticos, a Assembleia Legislativa se tornou um centro de efervescência política, tendo o presidente Othelino Neto como sua principal referência. Ao longo ao ano atípico e politicamente desafiador, o presidente da Assembleia Legislativa atuou como eficiente chefe de Poder, articulando a aprovação de medidas importantes em relação à pandemia e o suporte necessário às ações do Executivo. Ao mesmo tempo, se posicionou politicamente, entrando de cabeça na guerra eleitoral, tendo apoiado aliados que se elegeram em duas dezenas de municípios. E fechou o ano legislativo rompendo obstáculos e conseguindo a aprovação da A PEC da Emenda Impositiva, fortalecendo a posição dos deputados. Esse desempenho político lhe deu estatura para chegar em 2022 como uma alternativa às eleições majoritárias.

Nesse contexto, o desempenho do Poder Legislativo em meio à crise causada pelo novo coronavírus se deveu também à atuação de líderes ativos e experientes como Marco Aurélio (PCdoB), Rafael Leitoa (PDT), Roberto Costa (MDB), Neto Evangelista (DEM), César Pires (PV), Arnaldo Melo (MDB), Cleide Coutinho (PDT), Hélio Soares (PL), Helena Duailibe (Solidariedade), Adriano Sarney (PV), Edivaldo Holanda (PTC), Glaubert Cutrim (PDT) e Antônio Pereira (DEM), entre outros, que também fizeram sua parte.

 

PONTO & CONTRAPONTO

 

Sem explicação para a acusação de que foi vítima, Flávio Dino vai à Justiça contra Jair Bolsonaro

Flávio Dino vai à Justiça contra Jair Bolsonaro

O governador Flávio Dino (PCdoB) decidiu levar o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) às barras da Justiça por crime contra a honra. A ação penal foi decidida três meses depois de o presidente da República ter feito uma acusação sem fundamento ao governador maranhense.

A história é a seguinte: em Outubro, o presidente disse em entrevista que não incluiria Balsas no roteiro da sua visita ao Maranhão porque o governador teria proibido a Polícia maranhense de integrar o esquema da segurança presidencial naquele município. Ao tomar conhecimento da declaração do presidente, o secretário de Segurança, Jefferson Portela, desmentiu categoricamente essa declaração do chefe da Nação, afirmando que não houve solicitação do Gabinete de Segurança Institucional (GSI) nesse sentido. O Palácio dos Leões pediu explicações ao Palácio do Planalto sobre a inverdade declarada pelo presidente, mas não obteve resposta. Na véspera da visita do presidente da República a São Luís e Imperatriz, o GSI solicitou o apoio da Polícia maranhense ao esquema de segurança nos dois municípios, tendo sido prontamente atendido. O Governo do Maranhão insistiu na cobrança de uma manifestação do Palácio do Planalto sobre a inverdade dita pelo presidente em relação à ida dele a Balsas, onde participaria de um evento com pastores evangélicos – que na verdade não aconteceu. A assessoria do presidente da República ignorou os pedidos de explicação feitos pelo Palácio dos Leões.

Passados três meses, o governador Flávio Dino entendeu que foi vítima de uma agressão à sua honra por parte do presidente Jair Bolsonaro e decidiu mover uma ação penal contra o chefe da Nação. O governador exige que o presidente esclareça suas palavras, informe a origem da sua afirmação de que o governador “proibiu” a Polícia do Maranhão a integrar sua segurança em Balsas e, em caso negativo, responda por calúnia, um dos crimes mais graves contra a honra.

Se o processo andar dentro das regras, Jair Bolsonaro se verá na incômoda situação de um presidente que mentiu fazendo uma falsa acusação a um chefe de Estado.

 

Ao se eleger vice em Pinheiro, Ana Paula Lobato deu largada numa carreira promissora

 

Ana Paula Lobato exibe orgulhosa seu diploma de vice-prefeita eleita de Pinheiro

Poucas vezes uma eleição de vice-prefeito repercutiu tão fortemente nos bastidores da Assembleia Legislativa e no meio político em geral como a de Ana Paula Lobado (PDT), companheira de chapa do prefeito reeleito de Pinheiro, Luciano Genésio (PP). Esposa do deputado Othelino Neto (PCdoB), preside o Grupo de Esposas dos Deputados do Maranhão (Gedema), antigo e ativo braço social do Poder Legislativo. E num movimento surpreendente, deixou de ser somente o esteio de sustentação da carreira do marido, desembarcou de vez na política e encarou o desafio das urnas para se tornar vice-prefeita do seu município de origem, emitindo todos os sinais de que este foi apenas o primeiro passo.

Enfermeira por formação, Ana Paula Lobato tem política “na veia”, descendente que é de uma família de políticos da “Princesa da Baixada”. Seu pai, o médico Pedro Lobato, foi prefeito de Pinheiro por oito anos, integrando na época um grande grupo então liderado pelo governador Luiz Rocha, com influência em grande parte da Baixada Ocidental Maranhense. Seu casamento com Othelino Neto fortaleceu ainda mais sua verve política. E sua eleição para vice-prefeita de Pinheiro abriu caminho para seguir em frente, com a possibilidade de vir a disputar a Prefeitura de Pinheiro em 2024, já que o prefeito Luciano Genésio, já reeleito, não poderá disputar o cargo na próxima eleição.

Jovem, preparada e bem articulada, a presidente do Gedema e agora vice-prefeita eleita de Pinheiro tem todas as condições de alçar voos mais altos nos céus da política.

São Luís, 29 de Dezembro de 2020.

Flávio Dino traça roteiro para ele e para seus aliados visando a guerra eleitoral de 2022

 

Flávio Dino admite sair e se candidatar e traça roteiro para guerra eleitoral de 2022

“Provavelmente, devo concorrer às eleições e, por imperativos legais, devo deixar o governo em abril de 2022. Temos uma longa estrada até lá, são praticamente 15 meses pela frente. Então, minha intenção é deixar tudo pactuado no que se refere a Governo, vice-governador, Senado, chapas, ao longo de 2021, para que a gente entre em 2022 com a casa arrumada”.

Com essa declaração, dada durante entrevista à TV Mirante, no dia 23, antevéspera do Natal, o governador Flávio Dino (PCdoB) fez o primeiro grande movimento em relação a ele próprio e à aliança que lidera na direção das urnas do grande e decisivo embate eleitoral de 2022. Mais do que um comentário ocasional e de uma simples sinalização, suas frases alinhavaram a base de um roteiro por meio do qual prenuncia o seu próprio caminho e manifesta clara intenção de articular dentro da aliança partidária um grande pacto para a definição de candidatos a governador, vice-governador, senador e deputado federal e estadual. Essa articulação passa também, claro, por um posicionamento em relação a candidatos a presidente da República.

Mesmo usando o “provavelmente” como uma possibilidade de sair candidato, não resta dúvida de que o governador vai encarar as urnas. E essa seja, talvez, a informação mais importante da sua declaração, por dois motivos. Primeiro porque sua desincompatibilização em abril de 2022 terá impacto decisivo no cenário político estadual, mas com repercussão diferente. Se sair candidato a senador, como sugere a lógica, será o líder e o esteio principal da chapa, com amplas chances de vitória, independentemente de quem venha ser o candidato a governador, o que lhe dará cacife para se tornar um quadro de ponta no cenário político nacional. Além disso, sua provável candidatura ao Senado desanima alguns projetos que estão sendo montados nessa direção dentro do seu grupo. Mas se o projeto for o de disputar a Presidência da República ou, numa hipótese mais remota, a vice-presidência, as chances de sucesso dependerão de fatores que estão fora do seu alcance, podendo correr o risco de perder o controle da disputa estadual, mesmo estando ela bem pactuada.

O outro motivo da importância da declaração do governador Flávio Dino é que sua “provável” desincompatibilização fortalece a perspectiva de o vice-governador Carlos Brandão (Republicanos) ascender ao comando do Governo, o que lhe dá uma ampla margem de movimento e um poderoso item na sua pauta de argumentos na conversa com a classe política. Ao mesmo tempo, o sinal emitido pela declaração alcança também o senador Weverton Rocha (PDT), que a partir dele pode definir com maior precisão o roteiro da sua candidatura ao Governo do Estado. O vice-governador e o senador já se movimentam como pré-candidatos, mas sabem que em algum momento da construção do pacto serão colocados frente a frente para encontrar um caminho comum ou partir para a guerra aberta.

Quando fala enfaticamente em pactuar para “arrumar a casa”, o governador Flávio Dino manda um recado claro às forças que integram a aliança governista avisando que vai trabalhar politicamente para evitar o que aconteceu na eleição para a Prefeitura de São Luís, quando alguns segmentos do grupo não respeitaram o acordo firmado, causaram um racha e entregaram a mais importante máquina municipal do Maranhão a um adversário. E dando uma demonstração de que compreende a dinâmica e os desacertos eventuais dentro de uma base tão heterogênea, o governador anuncia que se prepara para fazer um movimento amplo no sentido de pacificar a aliança e mantê-la de pé em torno de uma chapa majoritária definida por consenso para 2022.

Calcado na experiência de quem sabe onde pisa, tanto no âmbito estadual quanto no nacional, o governador Flávio Dino tem ao seu alcance uma visão completa e apurada dos dois cenários. E com a determinação de dedicar parte dos próximos 15 meses à preparação das forças que lidera para o grande embate eleitoral, dificilmente dará um passo em falso. Sua declaração sugere essa conclusão.

 

PONTO & CONTRAPONTO

 

Eduardo Braide completará equipe e pode sinalizar mudança na estrutura

Eduardo Braide vai concluir  montagem da sua equipe

A semana será decisiva para o prefeito eleito Eduardo Braide (Podemos). Ele deve concluir a montagem da sua equipe, que até agora só tem nove nomes definidos para secretarias básicas e uma fundação. A Prefeitura de São Luís tem na sua grade 22 secretarias, inclusive duas que se conflitam em funções. Não se sabe se o prefeito eleito vai manter essa megaestrutura ou se está planejando uma reforma estrutural na máquina administrativa da Capital. Todas as evidências indicam que a estrutura de secretarias de São Luís está defasada, com excessos de um lado e carências de outro, que é cara e precisa de ajustes para se tornar mais dinâmica. Há, é verdade, áreas de excelência, que funcionam bem, apesar os problemas que enfrentam, mas há também setores que não decolam e que, em alguns casos, nem justificam sua existência. O prefeito Edivaldo Holanda Jr. (PDT) fez alguns ajustes, colocou a estrutura dentro das suas perspectivas e preferiu não mexer em alguns vespeiros. Com o cacife eleitoral e político que o levou à vitória, o prefeito Eduardo Braide poderá, se quiser, modernizar a máquina que passará a comandar daqui a menos de 120 horas. Os anúncios dos próximos dias poderão sinalizar as intenções do futuro prefeito nessa área.

 

Roberto Costa acompanha atento a disputa pelo comando da Câmara Federal

Roberto Costa e Baleia Rossi na homenagem ao líder emedebista na Assembleia Legislativa

Vice-presidente do MDB e hoje o principal articulador do partido no Maranhão, o deputado Roberto Costa está com as suas antenas ligadas e fixadas na direção de Brasília. Explica-se: o atual presidente nacional do partido, deputado federal Baleia Rossi (SP), é o candidato à presidência da Câmara Federal pela corrente liderada pelo atual presidente, deputado Rodrigo Maia (DEM-RJ). Roberto Costa tem boa relação com Baleia Rossi, a quem apoiou na disputa que o levou à presidência nacional do MDB com as forças da ala jovem do partido, sobre a qual o parlamentar maranhense tem expressiva influência. No ano passado, Roberto Costa trouxe Baleia Rossi ao Maranhão, para participar do ato em que o MDB lançou a ex-governadora Roseana Sarney à Prefeitura de São Luís. Na ocasião, o deputado propôs e a Assembleia Legislativa aprovou a concessão da Medalha do Mérito Manoel Beckman, a mais importante honraria do Legislativo, ao líder emedebista, transformando a visita de Baleia Rossi a São Luís num expressivo acontecimento político. Se Baleia Rossi for eleito presidente da Câmara Federal, o MDB reforçará posição nacional e o braço do partido no Maranhão ganhará um aliado mais forte.

São Luís, 27 de Dezembro de 2020.

 

Carlos Brandão joga aberto e se movimenta para fortalecer seu projeto de suceder a Flávio Dino

 

Carlos brandão: atuação discreta, mas eficiente nos bastidores partidários

Além de prefeitos e vereadores eleitos, uns grupos fortalecidos e outros enfraquecidos, e muito zumzum nos bastidores dos diferentes segmentos partidários, as eleições municipais rascunharam o desenho do cenário em que vai se desenrolar a disputa pela sucessão do governador Flávio Dino (PCdoB) no pleito de 2022. Nesse contexto, alguns aspirantes a um período de inquilinato no Palácio dos Leões se esforçaram para ocupar espaço, entre eles o vice-governador Carlos Brandão (Republicanos). Discreto, avesso a exposições zoadentas e eficiente nas articulações nos bastidores, o Número 2 do Governo do Estado jogou bem na corrida às urnas e saiu do processo robustecido com um bom cacife partidário e apontado como o nome forte entre os pré-candidatos a governador. Concorrentes, entre eles o senador Weverton Rocha (PDT), o mais atuante de todos, se colocou como principal adversário, mas com o cuidado de não se declarar pré-candidato.

Carlos Brandão não está se movimentando como candidato a candidato com um projeto-solo, daqueles que surgem do nada e vão se desenvolvendo à base do “se colar…”. Seu projeto é sólido, vem sendo maturado cuidadosamente, e se sustenta, antes de mais nada, no fato de estar sendo um vice correto, útil, confiável e leal. Nos seis anos já decorridos do Governo Flávio Dino, não há registro de uma derrapada grosseira sua na condição de vice. Ao contrário, ao invés de criar problemas, foi escalado inúmeras vezes para buscar soluções, em missões internas e externas. Todas as tarefas que lhe foram dadas pelo governador foram cumpridas com eficiência e empenho. Isso inclui as inúmeras vezes em que o titular se licenciou, permitindo sua ascensão temporária ao comando do Governo e do Estado.

Sem qualquer espalhafato nem dose exagerada, o governador Flávio Dino tem sinalizado que simpatiza com o projeto do vice-governador Carlos Brandão de sucedê-lo. Na mensagem em que saudou os prefeitos eleitos e reeleitos, divulgada no dia seguinte à definição da disputa do 2º turno em São Luís, o governador disse que ele e o vice-governador estão abertos ao diálogo construtivo em busca de boas relações entre Governo e prefeituras. Ontem, foi anunciado informalmente que Flávio Dino vai tirar uns dias de folga para descansar, deixando Carlos Brandão com a tarefa de comandar o Estado e presidir o encontro de prefeitos promovido pelo próprio Governo. Diante desses sinais fortes, o vice-governador parece se movimentar confiante de que é a primeira opção do governador.

Carlos Brandão trabalha seu projeto de candidatura com uma vantagem a mais em relação aos demais aspirantes: ele possivelmente concorrerá à reeleição no cargo de governador. Esse caminho será pavimentado com a desincompatibilização de Flávio Dino para disputar a senatoria ou participar de um projeto nacional como candidato a presidente ou a vice-presidente. A condição de governador e candidato à reeleição pode alterar radicalmente o cenário da disputa, principalmente se Flávio Dino optar pelo Senado e compor a chapa encabeçada pelo seu vice. Na mais remota das hipóteses, que seria a permanência de Flávio Dino até o final do mandato, Carlos Brandão estaria bem posicionado, já que o governador certamente o apoiaria na corrida sucessória.

Ciente de que joga num terreno traiçoeiro e movediço e no qual qualquer erro pode ser fatal, o vice-governador Carlos Brandão vai plantando sementes aqui e ali, certo de que reúne as condições para ser candidato. E jogou aberto numa resposta que deu há dias durante entrevista a um programa de Rádio, quando lhe perguntaram sobre o projeto de candidatura do senador Weverton Rocha: “Tem tudo para ser candidato, depende da vontade dele. A democracia é isso, cada um tem que fazer seu trabalho. É extremamente justo, se tiver título de eleitor, condições partidárias, é legítimo. Não vejo nenhum problema”.

 

PONTO & CONTRAPONTO

 

Operação Descalabro estaria causando sérios danos à base política de Josimar de Maranhãozinho

Josimar de Maranhãozinho

A Operação Descalabro, por meio da qual a Polícia Federal encontrou milhões em espécie em endereços ligados ao deputado federal Josimar de Maranhãozinho (PL), dinheiro que segundo o Ministério Público Federal seria fruto de um grande esquema de desvio de recursos de emendas destinadas à Saúde em municípios, está causando um estrago considerável nas bases de sustentação do projeto de poder do parlamentar. Nos bastidores corre que os deputados federais Marreca Filho (Patriotas), Júnior Lourenço (PL) e Pastor Gildenemyr (PL) estariam procurando caminhos para deixar o bloco, o mesmo acontecendo com o deputado estadual Leonardo Sá (PL), além de vários prefeitos eleitos com o apoio de Josimar de Maranhãozinho. Antes se expondo em qualquer oportunidade balançando suas grossas pulseiras de ouro puro, Josimar de Maranhãozinho se recolheu, decidido a atuar nos bastidores para evitar que o estrago seja maior. O problema é que, segundo uma fonte do MPF, as provas encontradas pela PF na Operação Descalabro seriam robustas o suficiente para colocar Josimar de Maranhãozinho e alguns aliados dele numa encrenca de difícil solução.

 

Eduardo Braide ainda não sinalizou se vai mexer na grade de secretarias da Prefeitura

Eduardo Braide

O prefeito de São Luís, Eduardo Braide (Podemos) continua montando sua equipe, mas ainda não sinalizou se manterá a estrutura administrativa da Prefeitura como está. São 22 secretarias plenas, três secretarias extraordinárias, três autarquias, uma fundação e cinco órgãos independentes. O prefeito eleito não tratou do assunto durante a campanha – aliás, nenhum candidato manifestou a intenção de enxugar, manter ou expandir a estrutura do organograma da máquina pública da Capital. É provável que Eduardo Braide se manifeste sobre o tema nos próximos dias, assim como pode deixar para uma futura reforma administrativa depois do arrojado plano dos 100 primeiros dias.

São Luís, 23 de Dezembro de 2020.

Dino vai presidir Consórcio da Amazônia e deve mobilizar estados pela vacina contra novo coronavírus

 

Flávio Dino em entrevista à CNN, ontem, logo após ser eleito, na qual afirmou que o Maranhão  vai poder comprar vacina, caso o Governo Federal não faça sua parte

O governador Flávio Dino (PCdoB) vai entrar em 2021 incluindo na sua agenda o compromisso – que é também um desafio – de comandar o Consórcio Interestadual de Desenvolvimento Sustentável da Amazônia Legal, formado pelos nove estados da região: Maranhão, Acre, Amapá, Amazonas, Mato Grosso, Pará, Rondônia, Roraima e Tocantins. Sua eleição se deu ontem, pela unanimidade dos governadores da Amazônia Legal reunidos em assembleia geral virtual – os dirigentes do Amazonas e de Roraima não participaram. O grupo, formalizado em meados do ano passado, tem tido importância capital na defesa dos interesses dos estados-membros, seja na vantagem que ele proporciona na aquisição conjunta de materiais e bens, na articulação de políticas regionais nos campos social e econômico, seja na tomada de decisões políticas regionais, e também em posicionamentos de contraponto a decisões e medidas equivocadas adotadas pelo Governo Federal.

A eleição do governador Flávio Dino para a presidência do Consórcio da Amazônia Legal, como é mais conhecido, se dá num momento em que os estados, especialmente os do Norte e Nordeste, se encontram vivendo tensa expectativa em relação às decisões que terão de tomar caso o Governo Federal tropece na campanha de vacinação contra o novo coronavírus. Certamente a escolha se deu pelo fato de, nos últimos tempos, o governador maranhense ter atuação destacada no debate sobre as ações contra a pandemia, com repetidas demonstrações de que tem preparo e estatura política para ser um interlocutor eficiente em todas as esferas de poder no País.

Com o lastro de ex-juiz federal, conhecedor das leis que regem a República e a Federação, e a vivência adquirida nos últimos seis anos como chefe de Estado, reforçada pela sua participação no Consórcio formado pelos governadores do Nordeste, Flávio Dino vem desempenhando um importante papel em favor das causas regionais. Na presidência do Consórcio da Amazônia Legal, não há dúvida de que exercerá seu mandato atuando na linha de frente em defesa dos interesses da região, especialmente as necessidades urgentes das populações decorrentes da pandemia. É quase certo que a briga por vacinas será item primeiro na pauta mais urgente, ao mesmo tempo em que o foco central será a defesa da Amazônia no que diz respeito aos crimes de desmatamento e ocupação ilegal.

Tão logo a eleição foi consumada, o governador do Maranhão se manifestou, inicialmente agradecendo a confiança dos colegas e defendeu a união dos estados e o fortalecimento da Federação como meios de criar, cada vez mais, condições de melhorar a vida das populações espalhadas pela Amazônia Legal.

– O Consórcio é um colegiado que abrange diferentes visões, e quem o coordena tem de ter a capacidade de ouvir. Farei com a maior dedicação, maior patriotismo, maior civismo, e com espírito de unidade, de diálogo, de consenso. Buscar um entendimento médio, nem uma posição extremada de um lado, e nem de outro. Um espírito de unidade – disse Flávio Dino, que assumirá no dia 1º de Janeiro e comandará o Consórcio até o dia 31 de Dezembro de 2021.

Flávio Dino sabe o que o espera. Um dos fundadores do Consórcio da Amazônia Legal, ele tem conhecimento dos problemas da região e dos entraves, principalmente os criados pelo Governo do presidente Jair Bolsonaro (sem partido), do qual é adversário e crítico severo. E conhece a região o suficiente para saber que os governadores não podem baixar a guarda, o que motiva a mobilização permanente. A presidência do Consórcio da Amazônia Legal o colocará da condição de porta-voz do grupo e interlocutor eventual das autoridades federais, a começar pelo vice-presidente Hamilton Mourão (PRTB), que preside o grupo de trabalho criado por Brasília para cuidar dos problemas da região.  Bom articulador, Flávio Dino poderá realizar um bom trabalho também nessa seara.

 

 PONTO & CONTRAPONTO

 

Braide anuncia mais três nomes e reforça a promessa de fazer um Governo técnico

Kátia Bogea, Rosângela Bertoldo e Marc os Affonso: quadros de excelência para a equipe 

Ao anunciar ontem mais três nomes do seu secretariado, o prefeito Eduardo Braide (Podemos) deu mais um recado de que pretende governar com uma equipe técnica de nível elevado e livre de influências políticas. Ele convocou para a Secretaria Municipal de Segurança com Cidadania o delegado Marcos Affonso, um quadro respeitado da Polícia Civil, que já exerceu o comando da Superintendência de Homicídios e Proteção à Pessoa, um dos cargos mais importantes da Polícia Civil. Entra na equipe como um quadro do Podemos, partido ao qual se filiou e disputou sem sucesso uma vaga na Câmara Municipal. O prefeito eleito vai entregar a Secretaria Municipal de Assistência Social à assistente social Rosângela Bertoldo, que a julgar pela formação sabe o que fará no comando da pasta.

Mas a demonstração mais forte de que optou mesmo pela excelência técnica foi a decisão de colocar a historiadora Kátia Bogea na presidência da Fundação Municipal do Patrimônio Histórico. Primeiro pelo fato de ser Kátia Bogea um dos quadros técnicos mais qualificados ao País nessa área, como ficou demonstrado com a sua gestão à frente do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), por todos reconhecida como correta e produtiva. Tanto que foi sua correção que resistiu a fortes pressões e impediu que o então ministro Geddel Vieira Lima, um dos mais influentes do Governo Michel Temer, usasse seu poder para garantir a construção de um prédio de apartamentos para ricos numa área tombada de Salvador, dando origem a uma investigação que levou a Polícia Federal a descobrir R$ 51 milhões em dinheiro vivo num endereço ligado ao ex-ministro, que está preso há três anos.

Ao longo de quase uma década à frente do braço do Iphan no Maranhão, Kátia Bogea se tornou especialista no tesouro de arquitetura colonial portuguesa que tornou São Luís Cidade Patrimônio Cultural da Humanidade. Tem todas as condições dar à Fundação o tamanho e a importância que precisa.

 

Eliziane Gama tem o desafio de definir seu futuro partidário

Eliziane Gama: sinais de que pode mudar de partido

São fortes os sinais de que a senadora Eliziane Gama começa a pensar seriamente em buscar um novo partido. Ela está em no Cidadania, mas a evolução dos fatos lhe vai demonstrando que a agremiação que a agremiação que abriga o que restou do PPS, que surgiu com o racha do velho Partido Comunista Brasileiro (PCB), já não comporta seus projetos. Dona de uma trajetória partidária instável, Eliziane Gama passou por várias legendas, entre elas o PT e o Rede Sustentabilidade, desembarcando finalmente no Cidadania. Agora, quer reforçar sua base partidária para alçar outros voos – como disputar o Governo do Estado, por exemplo -, mas percebe não irá muito longe se não estiver no controle de uma máquina partidária mais aberta e mais ágil. Ela não está colocada contra a parede, tem tempo para refletir, e há quem diga que ela já está maturando a migração.

São Luís, 22 de Dezembro de 2020.

PSB reforça convite a Flávio Dino, que precisa fazer a escolha certa no movediço campo partidário

 

Flávio Dino: fica no PCdoB ou migra para o Socialista, fruto da fusão do PSB com o PCdoB

O convite do presidente estadual do PSB, Luciano Leitoa, prefeito de Timon, feito sexta-feira, para o governador Flávio Dino deixar o PCdoB e ingressar na agremiação socialista colocou o futuro partidário do líder maranhense na pauta do debate político que começa a ganhar  intensidade visando as eleições gerais de 2022. O convite não é novo, foi feito pelo comando nacional do partido antes das eleições de 2018 e repetido em 2019, e agora ganha reforço. Até onde se sabe, Flávio Dino mantém a posição de não responder, preferindo se manifestar quando tiver de fazê-lo de maneira definitiva, para comunicar a migração para o arraial socialista ou a permanência na seara comunista.  Inicialmente, a proposta era seu ingresso puro e simples no PSB, considerando que a situação do PCdoB é complicada, com o partido correndo o risco de desaparecer do mapa partidário brasileiro. Agora, o que corre nos bastidores é que estaria em curso uma articulação para a fusão das duas agremiações, dando origem a um poderoso partido de esquerda moderada já batizado de “Socialista”.

O governador Flávio Dino vive uma situação politicamente confortável, mas partidariamente complexa. Por motivos que vão desde o exaurimento do comunismo como ideologia, passando pelo símbolo da foice e o martelo, que atualmente pouco diz e nada representa como referência, até a visível desconexão do arcabouço ideológico, doutrinário e programático do partido com a realidade, o PCdoB já não comporta um quadro com as qualificações do governador maranhense. Mesmo conservando e pregando os fundamentos da esquerda democrática em sua ação política, é visível o esforço que Flávio Dino faz para lapidar e manter atualizado o discurso do PCdoB no contexto de uma sociedade politicamente dividida e na qual a esquerda radical sofre um processo implacável de raquitismo.

O governador é incontestavelmente o mais importante líder político do Maranhão na atualidade, tem horizonte largo no plano estadual – será senador se quiser, por exemplo – e vem ocupando bom espaço no cenário nacional, tanto por sua ação de Governo quanto pelas posições que vem defendendo como crítico e opositor ao Governo do presidente Jair Bolsonaro (sem partido). E também como articulador de uma ampla frente com correntes de centro-direita, centro, centro-esquerda e esquerda democrática para enfrentar o bolsonarismo, que tem como base a direita conservadora e a extrema direita golpista. Nesse contexto ele poderá permanecer no cargo até o fim e voltar a dar aulas na UFMA, disputar vaga no Senado ou participar da corrida presidencial como candidato a vice-presidente numa chapa tendo o ex-presidente Lula da Silva (PT) na cabeça ou como candidato a presidente por uma frente partidária.

Em todas essas situações, o fator partido tem peso importante, e até mesmo decisivo. Sua permanência no PCdoB é, portanto, um fator limitador para que ele entre numa disputa majoritária nacional com alguma chance de sucesso. Mesmo se vier a disputar a única cadeira senatorial disponível em 22, o governador precisará de forte suporte partidário para fortalecer a chapa e eleger o seu sucessor, o que não é garantido se permanecer no PCdoB. Já se ingressar no PSB no bojo de uma fusão para a criação do “Socialista”, harmonizará e fortalecerá o seu campo político no Maranhão, evitando que a sua sucessão seja disputada numa guerra fratricida entre aliados.

A julgar pelo movimento que construiu e com o qual assumiu as rédeas do Poder no Maranhão, o governador Flávio Dino sabe que o tabuleiro partidário é campo no qual tem de lutar para viabilizar seus próximos passos, sabe também que ele é movediço e traiçoeiro. Isso quer dizer que não pode dar passo em falso nem se expor ao risco de comprometer a base político-partidária que articulou, apesar dos movimentos de contramão de alguns aliados. O convite do presidente estadual do PSB é saudável e oportuno, mas a cautela, uma das suas melhores amigas, recomenda que Flávio Dino pense bem para tomar o rumo certo.

 

PONTO & CONTRAPONTO

 

Apoiadores aguardam definição de Eduardo Braide na formação do secretariado

Eduardo Braide: formará equipe com indicações partidárias?

Uma grande expectativa tomou conta dos bastidores dos partidos que somaram forças a favor de Eduardo Braide (Podemos) no 2º turno da eleição para a Prefeitura de São Luís. O prefeito montará sua equipe com nomes indicados por essas agremiações? Há sinais afirmativos nessa direção, mas também há movimentos que desmotiva os candidatos a cargos.

Com a definição dos três primeiros secretários – Simão Cirineu (Planejamento), Jesus Azzolini (Fazenda) e Verônica Pires (Projetos Especiais) – Eduardo Braide pode ter avisado que, pelo menos para cargos-chave, fará escolhas baseadas nos seus próprios critérios, sem qualquer influência externa. Poderá abrir espaços para indicações partidárias em pastas importantes, mas sem o peso de áreas como Educação, Saúde, Obras e Cultura, que juntamente com as três já anunciadas formam a base da administração da Capital.

Entre os partidos que foram decisivos no reforço do 2º turno, PDT e MDB foram os mais destacados, colocados, portanto, na linha de frente dos que podem ter participação direta na gestão do prefeito Eduardo Braide. A se confirmar essa tendência, a composição da equipe que atuará a partir do dia 1º de Janeiro de 2021 poderá rascunhar o formato de uma aliança para as próximas eleições.

 

Roseana pode encarar as urnas em 2022

Roseana Sarney

A ex-governadora Roseana Sarney (MDB) estaria inclinada a encarar as urnas em 2022. Falta, porém, decidir que mandato pretende disputar. No seu entorno há vozes que defendem com insistência que ela deve se candidatar ao Governo do Estado. Há também quem ache que ela deve disputar o Senado, caso o governador Flávio Dino não seja candidato. E finalmente opção mais defendida no círculo mais próximo da ex-governadora: que seja candidata a deputada federal, acreditando que ela possa ter votação elevada e “puxar” candidatos do MDB. A ex-governadora, que já foi senadora e deputada federal, deve tomar essa decisão com antecedência, para que o partido possa ajustar sua caminhada a essa situação.

São Luís, 20 de Dezembro de 2020.