Todos os posts de Ribarmar Correa

Escutec: Weverton enfrenta tendência de queda e vê Brandão encostar e ameaçar sua liderança

 

Weverton Rocha e Carlos Brandão se isolam na frente seguidos de Edivaldo Jr., Roberto Rocha, Lahesio Bonfim, Josimar de Maranhãozinho, Simplício Araújo e Enilton Rodrigues

O vice-governador Carlos Brandão (PSDB migrando para o PSB) avançou fortemente e se aproximou perigosamente do senador Weverton Rocha (PDT), que teve confirmada tendência de queda e encara agora, de fato, o risco de ser alcançado e, confirmada a tendência, até mesmo ser ultrapassado. É esse o cenário da corrida ao Palácio dos Leões desenhado pela pesquisa do instituto Escutec/Sistema Mirante divulgada ontem. Os números são os seguintes: Weverton Rocha tem 22%, Carlos Brandão 19%, Edivaldo Holanda Jr. (PSD) 12%, Roberto Rocha (em busca de um partido) 11%, Lahesio Bonfim (Agir36) 6%, Josimar de Maranhãozinho (PL) 5%, Simplício Araújo (SD) com 2% e Enilton Rodrigues (PSOL) sem pontuação. A pesquisa encontrou 9% que não votariam em nenhum deles e 14% de indecisos. O Escutec foi a campo no período de 9 a 13 de fevereiro, ouviu duas mil pessoas em todo o estado, e a pesquisa tem margem de erro de 2,2%, intervalo de confiança de 95% e está registrada na Justiça Eleitoral sob o número MA 03951/2022.

O levantamento do Escutec mostra três grupos de pré-candidatos. Weverton Rocha e Carlos Brandão agora brigando para valer pela liderança, mas com o detalhe de que o primeiro amarga o encolhimento da sua vantagem, que já foi de 15 pontos percentuais, enquanto o segundo avança num crescimento seguro, que o descolou dos demais e o aproximou do líder, ameaçando sua posição. No segundo grupo, o Escutec mostrou uma disputa acirrada entre o ex-prefeito de São Luís, Edivaldo Holanda Jr. e o senador Roberto Rocha, que estão empatados na briga pela terceira colocação. E o terceiro grupo, no qual Lahesio Bonfim e Josimar de Maranhãozinho travam uma verdadeira queda de braço pelo quinto lugar, observado agora de mais perto por Simplício Araújo, que nesse levantamento dobrou seu cacife.

Se os números do DataIlha, publicados na semana passada, funcionaram como um “alerta amarelo” para o senador Weverton Rocha, os percentuais do Escutec ganharam o tom de “alerta vermelho”, significando que o vice-governador Carlos Brandão, sem ainda soar as trombetas do poder, o que poderá fazer daqui a 35 dias, quando assumir o comando do Estado como governador de fato e candidato à reeleição. Como mostrou a Coluna na edição desta terça-feira, o senador Weverton Rocha assimilou os números do DataIlha e iniciou uma ofensiva para preservar sua liderança, conforme sinalizou com clareza em entrevista ao programa Abrindo o Verbo, da rádio Mirante AM, comandado por Geraldo Castro, no qual reafirmou sua pré-candidatura e mandou vários recados, entre eles o de que o PDT pode rever o apoio à candidatura do governador Flávio Dino (PSB) ao Senado. A pesquisa Escutec certamente terá impacto forte na sua estratégia de agora por diante.

No segundo grupo foram criadas as condições para um embate ferrenho entre Edivaldo Holanda Jr. e Roberto Rocha, que estão empatados dentro da margem de erro. O ex-prefeito já tem partido e candidatura definidos, estando aguardando a definição sobre se o PSD lançará candidato a presidente da República. Já o senador ainda não tem o partido pelo qual será candidato, mas se vier a entrar mesmo na briga pelo Palácio dos Leões, o fará como candidato apoiado pelo presidente Jair Bolsonaro (PL), com o desafio de não decepcionar o “chefe maior”. O descolamento de Carlos Brandão desse grupo colocou Edivaldo Holanda Jr. e Roberto Rocha num confronto direto pelo terceiro lugar, o que também pode inviabilizar definitivamente o rascunhado projeto de candidatura única da oposição.

Fechando a classificação da corrida neste momento, a pesquisa Escutec mostra uma medição de força entre Lahesio Bonfim e Josimar de Maranhãozinho, observada de mais perto por Simplício Araújo. Agora filiado e no comando do Agir36 no Maranhão, depois de ter sido esnobado pelo PTB, o prefeito de São Pedro dos Crentes tem o enorme desafio de se descolar de Josimar de Maranhãozinho, que com certeza vai tentar reagir para não ter sua propalada liderança colocada em xeque. Último da fila, Simplício Araújo, que saiu de 1% para 2% assiste ao embate saboreando o aumento do seu cacife em 100%.

Analisados com isenção, os números do Escutec não permitem outra leitura.

 

PONTO & CONTRAPONTO

 

Dino lidera com consistência a corrida ao Senado

Flávio Dino lidera com folga, Roberto Rocha em segundo e Othelino Neto aparece em terceiro

Os números encontrados pelo Escutec para mostrar a quantas anda a corrida à vaga a ser preenchida pelo Maranhão no Senado da República não deixam dúvidas de que o governador Flávio Dino (PSB) reúne todas as condições para sair das urnas com o mandato assegurado. Ele tem a liderança isolada e segura da corrida com 47% das intenções de voto. Isso significa mais do dobro do segundo colocado, o senador Roberto Rocha (23%), que ainda não decidiu se será candidato a governador ou à reeleição. A novidade trazida pela pesquisa é o presidente da Assembleia Legislativa, deputado Othelino Neto (PCdoB a caminho do PDT), que aparece na terceira colocação com 9% das intenções de voto. Tal qual o levantamento para o Governo, o Escutec encontrou 9% dos entrevistados que não votariam em nenhum deles, e 12% de indecisos.

Não surpreendeu o percentual de intenções de voto para o governador Flávio Dino, que é de longe o maior líder político do Maranhão na atualidade, sendo também um dos quadros mais destacados entre as lideranças regionais da sua geração. Seu nome ganhou dimensão pela soma da ação política competente e abrangente e os resultados da sua ação como gestor. O senador Roberto Rocha, por sua vez, busca um caminho baseado na sua ação política ao longo de sete anos do seu mandato, que teve como base o seu rompimento com a aliança liderada por Flávio Dino e sua ação como apoiador declarado e entusiasmado do presidente Jair Bolsonaro (PL). No terceiro plano, o deputado Othelino Neto, se não obteve poder de fogo para entrar efetivamente nessa disputa, alcançou 9%, um desempenho razoável, se levado em conta o fato de que não é, e provavelmente não será, candidato ao Senado. Seu projeto real, pelo qual vem trabalhando com eficiência, é se reeleger deputado estadual.

Mesmo levando em conta os rasgos de imprevisibilidade da política, dificilmente essa tendência será alterada.

 

Thaíza Hortegal destaca apoio de Ana Paula e Othelino Neto a Luciano Genésio

Thaíza Hortegal agradece apoio de Ana Paula Lobato a Luciano Genésio

Quem apostou que o afastamento temporário do prefeito de Pinheiro, Luciano Genésio (PP), período em que a normalidade administrativa do município foi assegurada pela ação eficaz da vice-prefeita Ana Paula Lobato (PDT), perdeu feio. Ao retornar ao cargo por determinação judicial, Luciano Genésio (PP) agradeceu ao presidente do seu partido, deputado federal André Fufuca, e o apoio que recebeu da vice como prefeita interina, como também do deputado Othelino Neto.

A confirmação de que o grupo se manteve firme e forte foi dada ontem na tribuna da Assembleia Legislativa pelas deputadas Thaíza Hortegal (PP), ex-mulher e aliada do prefeito de Pinheiro. Em discurso na tribuna, a parlamentar destacou o apoio que Luciano Genésio recebeu do presidente da Assembleia Legislativa e da vice-prefeita.

– Ela demonstrou ser uma mulher de garra, coragem, competência e uma gestora preparada. Ressalto aqui uma coisa que aprendi com o nosso presidente Othelino Neto, ou seja, que no momento de crise a palavra que permanece é união. E cabe a nós, deputados, fiscalizar, orientar os gestores e enviar recursos e melhorias para mais avanços na nossa Princesa da Baixada – disse a deputada Thaíza Hortegal.

São Luís, 23 de Fevereiro de 2022.

Weverton parte para a ofensiva e coloca em dúvida até o prometido apoio a Dino

 

Weverton Rocha reafirma pré-candidatura ao Governo e condiciona apoio à candidatura de  Flávio Dino ao Senado

“Ao Senado, nossa vontade é acompanhar o Flávio (Dino). Mas, a política é dinâmica. Lá na frente pode não haver espaço ou ambiente para uma aliança e, então, veremos o melhor caminho a seguir”. A declaração foi dada ontem pelo senador Weverton Rocha (PDT) em entrevista ao programa Abrindo o Verbo, da rádio Mirante AM, comandado por Geraldo Castro. Ele reafirmou sua pré-candidatura ao Governo do Estado, usou vários argumentos para justificar sua atitude de se lançar candidato, negou que seja responsável pelo racha na aliança articulada pelo governador Flávio Dino, e garantiu que “o foguete não tem marcha à ré”. Nas declarações sobre o abalo na base governista, o senador deixou claro que está cada dia mais distante do governador Flávio Dino, a quem rasgou elogios, mas agora sinalizando que o anunciado apoio à candidatura dele ao Senado já não é fato consumado e irreversível e poderá ser revisto. Ou seja, sob o argumento de que não rachou a base governista, o senador pedetista está desenhando com clareza o cenário para um rompimento.

Ao questionamento acerca do motivo de uma não composição para manter a aliança, como tentou o governador Flávio Dino, Weverton Rocha respondeu que a aliança foi inviabilizada “por diferenças políticas”, as quais não relacionou, deixando muitas interrogações no ar. Sobre não apoiar o vice-governador Carlos Brandão (PSDB a caminho do PSB), resumiu numa explicação surpreendente, sem levar em conta os vários pontos que envolvem a questão: “Não tenho nada contra o Carlos Brandão, mas ele não é do nosso campo político”. (É como se em 2006 o então governador José Reinaldo Tavares negasse apoio ao candidato Jackson Lago argumentando não ser ele do seu campo político).

Com a preocupação de demonstrar que tem sido correto na sua relação com o governador Flávio Dino, o senador Weverton Rocha lembrou que, a pedido de Flávio Dino, em 2014 o PDT retirou a candidatura do pedetista Márcio Honaiser a vice-governador, em favor do então deputado federal Carlos Brandão (PSDB). Mas preferiu não lembrar que nessa mesma negociação conseguiu de Flávio Dino e do próprio Carlos Brandão o compromisso de que os dois apoiariam sua candidatura ao Senado em 2018, o que foi cumprido fielmente pelo governador e pelo vice-governador. Na entrevista, Weverton Rocha admitiu que Flávio Dino foi decisivo na eleição dele para o Senado: “A grande vitória foi construída com ele. Ele liderou o grupo, o nosso partido e os outros que nos acompanharam. E toda essa articulação que temos feito antes da eleição foi sucesso dessa articulação que ele comandou”, disse.

Entrevistas como a de ontem ao programa comandado por Geraldo Castro é, na verdade, parte de uma ofensiva do senador Weverton Rocha para sair da inércia que o mantém estancado há meses na faixa dos 25% das intenções de voto, com pequenas variações para mais ou para menos. Mais ainda diante do avanço do vice-governador Carlos Brandão, que na pesquisa mais recente chegou a 17%. Na ponta do lápis, a vantagem de oito pontos é expressiva, mas a complicação vem do fato de que o pedetista estacionou, enquanto o ainda tucano está crescendo, o que transforma o segundo colocado numa ameaça real, que precisa ser urgentemente afastada por ele. Weverton Rocha nada tem de ingênuo e sabe muito bem que se já é um candidato forte antes do Carnaval, Carlos Brandão aumentará muito o seu poder de fogo em abril, quando começar a trabalhar no gabinete principal do Palácio dos Leões.

As declarações de ontem, principalmente as relacionadas diretamente ao governador Flávio Dino, que dependendo das circunstâncias poderá nem ter o seu apoio para o Senado, mostram que o senador Weverton Rocha, que é politicamente arrojado, parece disposto a jogar todas as suas fichas numa espécie de “tudo ou nada”.

 

PONTO & CONTRAPONTO

 

Eliziane Gama: efeméride que valeu a pena

Eliziane Gama apontada como bom nome para vice por João Doria

Pode ter chegado ao fim a efêmera participação da senadora Eliziane Gama (Cidadania) na fechadíssima e excludente seara da corrida presidencial. Ela foi citada pelo governador de São Paulo, João Doria (PSDB) que foi como possível candidata a vice-presidente da República na chapa do da provável federação PSDB/Cidadania. A sugestão do nome dela foi bem recebida, fazendo com que Eliziane Gama e alguns aliados comemorassem. Afinal, não é todo dia que uma senadora de um estado pobre é catapultada para o epicentro do debate político nacional, como ocorre agora com a maranhense.

Mas em política nem sempre o que é gestado se sustenta. Ontem, por exemplo, o mesmo governador João Doria que há duas semanas posou simpático ao lado de Eliziane Gama, apresentando-a como um nome forte ser companheira de chapa, apresentou ontem a possibilidade de vir a ter como vice ninguém menos que a senadora Simone Tebet, que se lançara candidata a presidente pelo MDB, como sua provável companheira de chapa dentro de uma improvável federação do PSDB com o MDB

Não há sinais firmes de que o PSDB venha a compor federação com o Cidadania ou com o MDB. Mas o fato é que o zumzum que envolveu a senadora Simone Tebet reduziu drasticamente as chances da senadora Eliziane Gama. Por outro lado, o curto período sob os holofotes gerado pela possibilidade de ela vir a ser candidata a vice-presidente serviu para que a senadora maranhense turbinasse nacionalmente a sua ascensão ao posto de líder da Bancada Feminina no Senado

 

Senador diz que filho de professor querer ser governador incomoda

Do senador Weverton Rocha, ontem, durante a entrevista à rádio Mirante AM:

“Já tivemos até um presidente metalúrgico, mas aqui no Maranhão, para muitos é um incômodo, o filho de uma professora ser governador. Devem pensar: alguém que não é da nossa casta”.

Não é bem assim. O governador Luiz Rocha teve origem extremamente humilde, foi morador da antiga e mau cuidada Casa do Estudante, no Lira, e chegou ao Palácio dos Leões com seus próprios pés. O governador Epitácio Cafeteira nasceu de família humilde na Paraíba e foi bancário antes de ser político. O governador João Alberto nasceu de uma família de servidores públicos. Edison Lobão também saiu de uma família humilde. O governador José Reinaldo é filho de servidores públicos.

Outros exemplos reforçam que muitos governadores do Maranhão não saíram de famílias ricas e influentes, que ele chama de castas.

São Luís, 22 de Fevereiro de 2022.

Guerra sucessória: Proposta de candidatura única de oposição enfrenta obstáculos e tem futuro incerto

 

Roberto Rocha, Josimar de Maranhãozinho , Edivaldo Jr. e Lahesio Bonfim: obstáculos à candidatura de oposição

A proposta de construção de uma candidatura única de oposição com tintura de “terceira via” para disputar o Governo do Maranhão com o vice-governador Carlos Brandão (PSDB a caminho do PSB) e o senador Weverton Rocha (PDT) está colocada à mesa das negociações. Foi feita pelo deputado federal Hildo Rocha (MDB), que na semana passada reuniu os seus colegas João Marcelo (MDB), Josimar de Maranhãozinho (PL), Marrecas Filho (Patriotas), Edilázio Jr. (PL), Josivaldo JP (PTB) e o senador Roberto Rocha (sem partido) em um jantar em sua residência, em Brasília. A iniciativa, porém, esbarrou de cara na posição de Josimar de Maranhãozinho, que reafirmou sua pré-candidatura e deixou claro que não discute proposta que não tenha ele o cabeça da chapa. O foco do organizador e seus colegas foi o senador Roberto Rocha, que teria externado sua pretensão de ser candidato pelo PL, mas diante da reação de Josimar de Maranhãozinho, o projeto azedou durante o jantar e todos foram para casa com a sensação de ter participado da plantação de uma semente em solo esturricado.

A tentativa do deputado Hildo Rocha é complicada, a começar pelo fato de que quatro dos sete participantes do jantar são chefes regionais de partido sem a prerrogativa integral de fazer uma escolha majoritária tornando-a fato consumado. Os emedebistas Hildo Rocha e João Marcelo têm peso no MDB, mas não têm o poder de decidir nortear o partido para a seara bolsonarista. Para citar apenas um motivo: os deputados estaduais do MDB – Roberto Costa, Socorro Waquim e Arnaldo Melo – e a quase totalidade dos sete prefeitos do MDB declararam apoio e já participam dos atos de pré-campanha do vice-governador Carlos Brandão. Logo, é difícil imaginar uma reviravolta tão ampla e radical no braço maranhense do MDB.

Na mesma linha, surpreendeu a participação do deputado federal Edilázio Jr., que preside o PSD no Maranhão, nesse movimento, uma vez que seu partido tem um candidato com bom lastro, o ex-prefeito de São Luís, Edivaldo Holanda Jr.. Até onde se sabe, Edivaldo Holanda Jr. foi uma escolha do presidente nacional, Gilberto Kassab, no ato da sua filiação dele, Edivaldo Jr., em São Paulo. Além disso, o PSD tem tentado buscar uma candidatura presidencial própria, que pode ser a do presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (MG) ou a do atual governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite, que disse topar ser candidato se o PSD tiver realmente um projeto nacional sério e consistente. Logo, rifar Edivaldo Holanda Jr. e colocar o PSD do Maranhão num projeto de candidatura de oposição com viés bolsonarista pode ser um tiro no pé.

O deputado federal Josivaldo JP, recém nomeado presidente regional do PTB está se movimentando, mas dará qualquer passo sem a anuência integral do chefe maior do partido no plano nacional, Roberto Jefferson. É provável que uma candidatura única de oposição com viés bolsonarista venha a ser do agrado do chefão petebista, o que, se levado em frente, pode facilitar a vida de Josivaldo JP.

A ideia do deputado Hildo Rocha de lançar o senador Roberto Rocha ingresse no PL para ser o cabeça numa eventual chapa única de oposição encontra um obstáculo gigantesco: Josimar de Maranhãozinho. Isso porque, além da vaga de candidato a governador, Roberto Rocha quer o comando do PL. Tentou conseguir isso por meio dos Bolsonaro. Só que o chefe maior do PL, Waldemar Costa Neto, reagiu dizendo ninguém mexe com Josimar de Maranhãozinho, que tem total autonomia para decidir sobre o futuro do partido no Maranhão. Roberto Rocha tentou dobrar o deputado, mas ouviu dele várias vezes: para ingressar no PL, tem de declarar apoio público à sua candidatura a governador; caso contrário, não tem conversa. Roberto Rocha, claro, não topou, nem Josimar de Maranhãozinho cedeu. E mais: Roberto Rocha terá a mesma dificuldade se tentar entrar no Patriotas, pois Marreca Filho não dá um passo sem o sinal verde de Josimar de Maranhãozinho.

Além das limitações dos dois deputados do MDB, da barreira chamada Edivaldo Holanda Jr. que neutraliza o deputado Edilázio Jr., dos obstáculos formados por Josimar de Maranhãozinho no PL e Marreca Filho no Patriotas e da pouca autonomia de Josivaldo JP, o projeto de candidatura única de oposição pensado pelo deputado emedebista Hildo Rocha vai esbarrar numa muralha obstinada: Lahesio Bonfim (Agir36), bolsonarista independente, que afirma não abrir “nem para o trem”.

E assim, mesmo levando-se em conta que na política do Maranhão boi costuma voar, às vezes com asa quebrada, a ideia de uma candidatura única de oposição parece um exercício quimérico. Pelo menos por enquanto.

 

PONTO & CONTRAPONTO

 

Weverton tenta quebrar clima tenso dizendo que não briga com Dino e respeita Brandão

Weverton Rocha: discurso rebate acusação de ser contra grupo

Pré-candidato ao Governo do Estado, o senador Weverton Rocha (PDT) tem acrescentado ao seu discurso de pré-campanha a preocupação de bombardear a acusação de que é o responsável pelo racha na aliança política e partidária construída pelo governador Flávio Dino (PSB). Sexta-feira, em Balsas, ao participar de um evento político, ele aproveitou para disparar contra esse clima de tensão que vem marcando a disputa entre ele e o vice-governador, afirmando que mantém lealdade política ao governador e que pretende ter uma relação harmônica com Carlos Brandão, que assumirá o Governo como titular em abril.

– Aos que desejam uma briga de Weverton com Flávio, ficarão frustrados, pois nossa divergência, quando há, é sempre no campo político e no campo leal das ideias, como a gente sempre fez. Todos sabem que, na sua decisão de apoiar o vice-governador, eu não segui por questões próprias e todos sabem disso. O local desse debate, nós temos, de forma respeitosa, porque tenho respeito pelo vice-governador e ele sabe disso –  declarou, enfático.

Com declarações como essa, o senador Weverton Rocha reconhece que a acusação é desgastante e o incomoda. Manifestações como a feita em Balsas ajudam a quebrara animosidade que alguns gostariam de ver minando a relação com o governador e o vice-governador.

 

Prefeito reassume em Pinheiro sem a crise que tentaram montar com seu afastamento

Luciano Genésio foi substituído por Ana Paula e teve o apoio de Othelino Neto

O retorno do prefeito Luciano Genésio (PP) ao comando da Prefeitura de Pinheiro, ordenado por decisão do desembargador federal Cândido Ribeiro, se deu dentro das regras e da realidade. Recebeu o comando da vice-prefeita Ana Paula Lobato (PDT), que assumiu e controlou a situação no município, onde tudo correu normalmente. A Justiça entendeu que a denúncia da Polícia Federal, segundo a qual o prefeito Luciano Genésio comandaria um esquema de corrupção por meio de empresas, não foi confirmada. Mais de um mês depois de afastado, Luciano Genésio reassumiu sexta-feira (18).

Houve apostas elevadas numa possível crise entre os dois grupos, bancadas por opositores da aliança política e partidária selada em Pinheiro, tendo de um lado o prefeito Luciano Genésio de um lado, apoiado pelo deputado federal André Fufuca, presidente nacional e líder do PP na Câmara Federal, e de outro com a vice-prefeita Ana Paula Lobato, apoiada pelo presidente da Assembleia Legislativa, Othelino Neto (PCdoB migrando para o PDT) e pelo senador Weverton Rocha (PDT).

A declaração do prefeito reempossado dizendo que teve o apoio da vice-prefeita Ana Paula Lobato e do deputado Othelino Neto funcionou como uma ducha de água fria na fonte do boato.

São Luís, 20 de Fevereiro de 2022.

Registro de jantar oferecido por Hildo Rocha a colegas de bancada enseja diferentes interpretações

 

Hildo Roche reúne Josimar de Maranhãozinho, Marreca Filho, João Marcelo, Edilázio Jr., Josivaldo JP e Roberto Rocha em jantar descontraído e que gerou especulações

Uma fotografia registrando os deputados federais Hildo Rocha (MDB) João Marcelo (MDB) Josimar de Maranhãozinho (PL), Marreca Filho (Patriotas), Edilázio Jr. (PSD), Josivaldo JP (PTB) e o senador Roberto Rocha (ainda filiado ao PSDB, mas considerado sem partido). O jantar foi oferecido pelo deputado Hildo Rocha, e a legenda da foto dá a seguinte explicação: “E para encerrar os trabalhos de hoje, um ótimo jantar oferecido pelo deputado Hildo Rocha. Aproveitamos também para colocar a conversa em dia e discutir sobre o futuro do nosso Maranhão”.

Indiscutivelmente expressiva para o momento político que vive o Maranhão, com as definições e indefinições relacionadas com a sucessão para o Palácio dos Leões, a fotografia que reuniu um terço da bancada na Câmara Federal e um terço da bancada do Senado, agitou a blogosfera e os bastidores partidários, a começar pelo fato de que mobilizou quatro presidentes de partidos – Josimar de Maranhãozinho (PL), que é pré-candidato assumido a governador, Marreca Filho, que o apoia, Edilázio Jr., cujo partido tem o ex-prefeito Edivaldo Holanda Jr. como candidato a governador, e Josivaldo JP (PTB). Junto com eles Roberto Rocha, potencial candidato a governador ou a senador. Os dois emedebistas estariam inclinados a apoiar a candidatura do vice-governador Carlos Brandão (PSDB migrando para o PSB), seguindo a tendência do seu partido.

A fotografia ensejou as mais diferentes interpretações, sendo que duas chamaram mais atenção pelo arrojo da leitura. Uma interpretou a foto como sendo os passos iniciais de um entendimento para que o senador Roberto Rocha ingresse no PL para ser candidato a governador, possibilidade já negociada com Josimar de Maranhãozinho, e já sendo conversada com MDB e PTB, mesmo que até horas antes do jantar o deputado reafirmava como irreversível a sua pré-candidatura ao Palácio dos Leões, só admitindo a filiação de Roberto Rocha ao PL com a condição de ser candidato ao Senado. A outra leitura da fotografia, essa mais lógica: durante o jantar, num recado direto a Roberto Rocha, Josimar de Maranhãozinho teria dito e repetido que é candidato a governador, e fim de conversa.

A Coluna apurou que o que aconteceu mesmo foi um jantar oferecido pelo deputado Hildo Rocha a colegas de bancada com os quais tem mais afinidade, o que é comum em Brasília. E que ao longo da ceia, regada a cola-cola e guaraná, se falou muito sobre a corrida sucessória, mas que não houve nenhuma declaração definindo posição de qualquer dos presentes. Assim, além da reafirmação enfática de Josimar de Maranhãozinho, os emedebistas Hildo Rocha e João Marcelo mantiveram sua tendência de apoiar Carlos Brandão; Edilázio Jr. alimentou inalterada sua tarefa de embalar a pré-candidatura de Edivaldo Jr.; Josivaldo JP não bateu martelo sobre o rumo do PTB, e o senador Roberto Rocha entrou e saiu sem revelar seu rumo partidário nem o seu projeto de candidatura, sinalizando apenas que está se movimentando para uma definição em breve, informação dada por ele próprio à Coluna há duas semanas.

Se não registrou um momento de decisão importante para o cenário pré-eleitoral, a fotografia divulgada ontem reforçou a divisão ideológica e partidária da bancada ao reunir dois deputados de centro (Hildo Rocha e João Marcelo), três de direita plena (Josimar de Maranhãozinho, Marreca Filho e Edilázio Jr.) e um da direita bolsonarista, Josivaldo JP. E um senador (Roberto Rocha) que já nasceu na direita democrática, avançou para o centro-esquerda, chegou à chamada esquerda democrática, e num processo surpreendente, deu meia volta e hoje milita na direita radical como aliado de primeira linha do presidente Jair Bolsonaro (PL).

Além de sugerir e estimular interpretações, a fotografia captou uma mostra clara de que a democracia é um regime político tão saudável que permite reuniões como essa, com diferentes visões dos que veem a política por um viés mais conservador, mas dentro dos padrões democráticos.

 

PONTO & CONTRAPONTO

 

Republicanos declara apoio a Weverton, mas uma banda do partido apoia Brandão

Gil Cutrim, Cleber Verde, Marcos Pereira: Republicanos reafirma apoio à pré-candidatura de Weverton Rocha

O senador Weverton Rocha, pré-candidato do PDT ao Governo do Estado, recebeu ontem o apoio do comando nacional do Republicanos, declarado pelo presidente do partido, deputado Marcos Pereira (SP). A declaração, feita na presença do senador, do presidente regional do partido, deputado federal Cléber Verde, e do deputado federal Gil Cutrim, membro da agremiação, foi destinada a rebater rumores segundo os quais o braço maranhense do Republicanos poderia retirar o apoio à candidatura do senador Weverton Rocha. Além disso, rumores disseminaram a possível saída do deputado Gil Cutrim do partido.

Já tinha ficado evidente de que se tratou de uma informação falsa, enfaticamente desmentida pelo presidente Cléber Verde, que em entrevistas reafirmou o alinhamento do Republicanos à pré-candidatura do senador pedetista. Na reunião, o presidente Marcos Pereira foi igualmente enfático: “Estou aqui com o deputado federal Gil Cutrim e o deputado federal Cleber Verde, que preside o partido no Maranhão. Terminamos uma reunião com o senador Weverton Rocha, que é o nosso pré-candidato ao governo do Maranhão. Eu quero aqui, em vista de muito boatos que têm circulado no Maranhão, reafirmar aqui, junto com o Gil, que confirmou sua permanência no partido, nossa aliança com o próximo governador do Maranhão”.

O problema é que o presidente Cléber Verde está encontrando dificuldades para unificar o partido em torno da candidatura do senador Weverton Rocha. O Republicanos elegeu 25 prefeitos em 2020, com o detalhe de que na época o vice-governador Carlos Brandão era filiado ao partido e teve participação decisiva na campanha de pelo menos 15, a maioria dos quais está alinhada à sua pré-candidatura, mesmo tendo ele deixado o partido. O exemplo mais evidente disso é o prefeito de Caxias, Fábio Gentil, que pertence ao Republicanos e está na linha de frente da pré-candidatura do vice-governador.

Não há dúvida de que formalmente o Republicanos apoia Weverton Rocha, mas também é verdade que o partido está dividido, com uma expressiva fatia dos seus líderes municipais apoiando o vice-governador Carlos Brandão.

 

Negociação e decisões sensatas vêm mantendo o equilíbrio na Assembleia Legislativa

Othelino Neto: negociação e bom senso

A forte tensão que marcou a reabertura dos trabalhos da Assembleia Legislativa por causa da mudança efetuada na Comissão de Constituição e Justiça, com a nomeação do deputado Márcio Honaiser (PDT) para presidente, ato contestado pela maioria governista na Casa, não se transformou numa crise política de largas proporções, como alguns chegaram a temer. O não mergulho das forças que formam o Poder Legislativo num embate politicamente fraticida, que resultaria em fortes estragos, se deveu à calma e ao senso político do presidente Othelino Neto (PCdoB), que viu no problema os ingredientes para uma tempestade perfeita. E com um dado essencial: a crise só seria resolvida pela via da negociação. E é exatamente pela via da negociação, com concessões feitas de parte a parte, que a Assembleia Legislativa vai mantendo o equilíbrio, evitando que as diferenças políticas e as disputas eleitorais sejam mantidas dentro dos limites da civilidade. Isso não quer dizer que o Palácio Manoel Beckman sobreviva a corrida eleitoral sem explosões no plenário. Mas é possível prever que, se acontecerem, serão pontuais e sem maiores danos para a Casa.

São Luís, 18 de Fevereiro de 2022.

Pesquisas mostram situações e desafios para os pré-candidatos a governador

 

Carlos Brandão avança e ameaça a liderança de Weverton Rocha

As pesquisas Exata e DataIlha divulgadas nesta semana com números que mostram as preferências do eleitorado em relação aos pré-candidatos ao Governo do Estado trouxeram informações cruciais para definir os próximos passos dos aspirantes. Uma delas foi a liderança estagnada do senador Weverton Rocha (PDT), que vem se mantendo há meses no mesmo patamar, e o crescimento do vice-governador Carlos Brandão (PSDB migrando para o PSB), que já ameaça a posição do líder pedetista. Outra foi o enrosco do senador Roberto Rocha (sem partido), do ex-prefeito Edivaldo Holanda Jr. (PSD) e do prefeito Lahesio Bonfim (Agir36) no campo intermediário. E a terceira e decisiva: os elevados percentuais de eleitores que não votariam em nenhum desses pré-candidatos e dos que não souberam ou não quiseram responder. Os desdobramentos dessas três informações serão trazidos à tona, mas próximas pesquisas e podem definir o desfecho da corrida ao Palácio dos Leões.

O primeiro ponto não surpreendeu os observadores mais atentos. As pesquisas feitas antes da batida de martelo sobre o candidato da base governista apontavam o senador Weverton Rocha na liderança com uma folga razoável, mostravam também um crescimento modesto, mas consistente, do vice-governador Carlos Brandão. Esses dados indicavam que haveria uma mudança de ritmo no movimento dos dois candidatos tão logo o governador Flávio Dino (PSB) batesse o martelo quanto a sua preferência. A escolha do vice-governador Carlos Brandão e a decisão do senador Weverton Rocha de manter seu projeto de candidatura virou o jogo, com o estancamento do pré-candidato pedetista e o crescimento mais acentuado do vice-governador. Os números das pesquisas Exata e DataIlha indicam com clareza que Carlos Brandão já briga pela liderança, obrigando Weverton Rocha a fazer ajustes decisivos na sua estratégia de campanha.

As duas pesquisas apontaram com nitidez indiscutível a formação de um bloco intermediário pelos pré-candidatos Edivaldo Holanda Jr. (PSD), Lahesio Bonfim (Agir36), que não ameaçam fortemente os dois líderes e se afastam do deputado federal Josimar de Maranhãozinho (PL). Esse bloco chama a atenção pela participação do senador Roberto Rocha, que não tem partido e vem sendo incluído nas pesquisas sem ter dito até agora se será candidato. Ao mesmo tempo, parece consolidar a tendência de estagnação da candidatura do ex-prefeito de São Luís, Edivaldo Jr., que tem feito uma campanha sem muita expressão e sem sinalizar com ênfase sobre onde quer chegar. E, finalmente, a arrojada caminhada do prefeito de São Pedro dos Crentes, Lahesio Bonfim, que vem contrariando a lógica com um bom desempenho. As duas pesquisas identificaram o bloco, mas não foram suficientes para indicar com alguma certeza qual dos três terá gás suficiente para dar o maior passo à frente.

E o terceiro é o elevado número de indecisos para uma sondagem envolvendo sete pré-candidatos, um indicador mais preciso de que a guerra está começando agora para valer. A pesquisa Exata encontrou 20% de eleitores que pretendem anular o voto ou não souberam ou não quiseram responder. Já a pesquisa DataIlha foi mais longe, encontrando nada menos que 40% desses eleitores. O elevado número de indecisos nesse momento dá aos pré-candidatos um bom motivo para apostar mais alto nos seus projetos e tentar uma virada de mesa. O problema é que, na maioria das vezes, a maior fatia desses eleitores acaba optando pelo candidato mais viável, posição que está agora sendo disputada pelo senador Weverton Rocha e pelo vice-governador Carlos Brandão.

Pelo arrojo que caracteriza sua ação política é lógico que o senador Weverton Rocha não vai cruzar os braços diante da ameaça que cresce na direção da sua liderança. Ao mesmo tempo, dificilmente o vice-governador Carlos Brandão vai tirar o pé do acelerador diante da possibilidade visível de tomar a ponta. Em relação aos intermediários, trata-se de uma peleja que só terá desfecho se o senador Roberto Rocha a entrar efetivamente na disputa, antes que seja muito tarde. E o desafio de todos os pré-candidatos só será vencido por aquele que conseguir atrair os indecisos.

 

PONTO & CONTRAPONTO

 

Lula dispara na preferência dos maranhenses

Lula da Silva tem o dobro das intenções de voto de Jair Bolsonaro no Maranhão

A pesquisa DataIlha mostrou que nada mudou em relação à corrida presidencial no Maranhão. Os números mostram que o ex-presidente Lula da Silva (PT) vence de goleada todos os interessados no Palácio do Planalto, a começar pelo presidente Jair Bolsonaro (PL) e também o seu maior desafeto, o ex-juiz-chefe da Lava Jato, Sérgio Moro (Podemos), que o mandou para a prisão.  Também questionou os eleitores sobre a preferência para presidência, caso as eleições fossem hoje. Se a eleição fosse hoje, Lula da Silva teria 49,8% das intenções de votos. Em segundo lugar, o presidente Jair Bolsonaro, com 25,7%, que amarga uma tendência de queda. Seguem o ex-governador do Ceará, Ciro Gomes (PDT), com 7,3%, o ex-juiz Sergio Moro, com 4,7%, e o governador de São Paulo, João Dória (PSDB), com apenas 1%. Não votariam em nenhum, ficou com O levantamento mostrou ainda que 7,3% não votariam em nenhum deles, e que 4,4% não souberam ou não quiseram responder. É uma situação praticamente consolidada, que dificilmente sofrerá alteração significativa.

Em Tempo: A pesquisa DataIlha foi realizada entre os dias 8 e 11 de fevereiro, ouviu dois mil eleitores, tem margem de erro de 2,2 pontos percentuais para mais ou para menos, intervalo de confiança de 95% e está registrada no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), sob o número 00422/2022.

 

Faltou um aspirante a deputado federal

Jefferson Portela 

A Coluna cometeu uma falha na edição de ontem ao não incluir o ex-secretário de Segurança Pública, Jefferson Portela (PDT), na relação dos integrantes da equipe do governador Flávio Dino (PSB) que se preparam para disputar cadeiras na Câmara Federal. Ele foi um dos quadros mais ativos e produtivos do atual Governo, deputa de ter atuado também no mesmo cargo no Governo Jackson Lago (PDT), entre 2007 e 2009.

Politicamente, Jefferson Portela surpreendeu ao deixar o PCdoB, ao qual foi filiado por vários anos, para migrar para o PDT. Antes da mudança, alguns observadores acreditavam que ele se filiaria ao PSB, mas ele decidiu ficar exatamente na contramão do governador Flávio Dino ao se alinhar ao projeto do senador Weverton Rocha.

São Luís, 17 de Fevereiro de 2022.

 

Entrada de Roseana Sarney e de ex-secretários endurece mais a disputa para a Câmara Federal

 

Plenário da Câmara Federal: cadeiras muito disputadas para a bancada do MA

A saída da ex-governadora Roseana Sarney (MDB) do campo de batalha onde se movimentam os pré-candidatos ao Palácio dos Leões acrescentou um dado de muito peso na corrida às 18 cadeiras da Câmara Federal. Em pelo menos três edições nos últimos seis meses, a Coluna tematizou essa que, na avaliação de muitos, será a mais dura, complexa e acirrada disputa eleitoral desse ano no Maranhão. Primeiro pela importância que o mandato de deputado federal ganhou com os novos ajustes nas regras que definem o papel e o formato do Poder Legislativo, e no caso específico do Maranhão, pelo peso político e eleitoral dos envolvidos nessa guerra pelo voto. Essa avaliação inclui os atuais deputados federais que buscarão a reeleição e figuras de proa da política estadual, como a ex-governadora, ex-prefeitos, ex-candidato a governador, secretários de Estado com o prestígio nas alturas, empresários consolidados que querem dar novo sentido à vida e deputados estaduais decididos a dar um passo gigantesco à frente.

Contas feitas por várias fontes mostram que a entrada de Roseana Sarney dá a essa disputa volume impressionante. Não se discute que parte dos atuais deputados federais reúne cacife eleitoral para pleitear a reeleição, a exemplo de Josimar de Maranhãozinho (PL), campeão de votos na eleição passada, Márcio Jerry (PCdoB), Bira do Pindaré (PSB), Rubens Jr. (PCdoB), André Fufuca (PP), Edilázio Jr. (PSD), Juscelino Filho (União Brasil), Pedro Lucas Fernandes (União Brasil), João Marcelo (MDB), Aloísio Mendes (PSC) e Cléber Verde (Republicanos). Mas não há também muitas dúvidas relacionadas ao fato de que candidatos muito fortes podem desequilibrar a medição de força.

No plano dos que estão querendo entrar, pelo menos dois deputados estaduais têm gás para se mudar para Brasília, caso de Duarte Jr. (PSB), de cujo potencial eleitoral ninguém duvida. E Márcio Honaiser (PDT), ex-titular da pasta do desenvolvimento Social, dono de larga experiência e que parece convencido de que chegou a sua vez. A estes se juntam três secretários de Estado que se movimentam com a segurança de quem sabe o que está fazendo. É o caso, por exemplo, do titular da Educação, Felipe Camarão (PT), que antes se lançou pré-candidato a governador, Carlos Lula (PSB), que se credenciou como titular da Saúde, Clayton Noleto (PCdoB), homem forte da Infraestrutura no atual Governo, e Simplício Araújo (SD), que tenta ultrapassar a condição de suplente em busca de um mandato efetivo.

Nesse contexto, não há como não levar em conta, por exemplo, a candidatura do empresário, Lobão Filho (MDB), ex-suplente de senador, ex-candidato a governador, herdeiro do ex-governador e ex-senador Edison Lobão (MDB). Nem a jovem engenheira civil caxiense Amanda Gentil (Republicanos), filha e herdeira política do influente prefeito de Caxias, Fábio Gentil (Republicanos). Não se pode também ignorar o poder de fogo do ex-vereador de São Luís, Roberto Rocha Filho, cuja eleição para a Câmara Federal seria prioridade para o pai, senador Roberto Rocha (sem partido), que ainda não definiu que mandato disputará, podendo ele próprio, numa hipótese remota, ser candidato. E nesse contexto vale observar o candidato que venha ser apoiado pelo prefeito de São Luís, Eduardo Braide (Podemos), que em 2018 foi o segundo mais votado para a Câmara Federal com mais de 180 mil votos.

Ainda que seja válido o argumento de que eleição proporcional é uma caixa de surpresa, muita gente está usando a margem de previsibilidade das disputas eleitorais, que é considerável, para fazer contas e tentar prever o resultado, ou pelo menos parte dele. A perspectiva mais comum é que de 10 a 12 deputados federais se reelegerão, o que significa abrir de seis a oito vagas para novos parlamentares. Há quem preveja que nessas eleições o número de novos será igual ou maior do que o de reeleito. O fato é que, com os candidatos que estão se apresentando, não há dúvidas de que o jogo será duro e com resultado imprevisível.

 

PONTO & CONTRAPONTO

 

Pesquisa DataIlha confirma tendência de crescimento de Carlos Brandão

Carlos Brandão lidera pesquisa espontânea na qual Flávio Dino é 3º  e Weverton Rocha é 4º 

Uma pesquisa espontânea, realizada pelo DataIlha e divulgada ontem pelo braço maranhense da Band, jogou mais lenha na fogueira da corrida ao Palácio dos Leões. Dos dois mil eleitores que responderam a indagação “Se a eleição fosse hoje, em quem você votaria para governador?”, 78% disse que não sabe. E dos que responderam afirmativamente, 5,4% disseram que votariam em Carlos Brandão (PSDB a caminho do PSB), 4,5% votariam em Lahesio Bonfim (Agir36), 4,1 votariam em Flávio Dino (PSB), 3,5% votariam em Weverton Rocha (PDT), 2,0% em

Roseana Sarney (MDB), 1,4% em Josimar de Maranhãozinho (PL), 1,0% em Roberto Rocha (sem partido), 0,8% no candidato de Flávio Dino, 0,4% em Edivaldo Holanda Jr. (PSD) e 0,4% em Eduardo Braide (Podemos). Outros nomes foram citados, mas com percentuais bem mais modestos.

Independentemente das discussões em torno do método usado pelo DataIlha, a pesquisa tem sólida base de sustentação, a começar pelo elevadíssimo número de eleitores que disseram não saber. Isso parece significar que o jogo vai mesmo começar agora, com o grupo de pré-candidatos definidos, incluindo o senador Roberto Rocha, que está em busca de um partido e estudando o melhor mandato a ser disputado.

Como indicou a pesquisa Exata, divulgada domingo por O Imparcial, a posição mais promissora no momento é a do vice-governador Carlos Brandão, sendo a menos confortável a do senador Weverton Rocha, que parece estagnada, carecendo de uma turbinada para ganhar força e movimento.

 

Movimentos e pesquisas ligaram sinal de alerta para Weverton e Edivaldo Jr.

Weverton Rocha e Edivaldo |Holanda Jr. sob forte alerta

Os últimos movimentos relacionados com a sucessão estadual acenderam um alerta amarelo flerte no comando da pré-campanha do senador Weverton Rocha (PDT) e no grupo que coordena a pré-campanha do ex-prefeito Edivaldo Holanda Jr. (PSD).

No comando da pré-campanha de Weverton Rocha a preocupação é com a estagnação e tendência de queda sinalizada na pesquisa Exata, situação confirmada na pesquisa do DataIlha. Já em relação a Edivaldo Holanda Jr., a preocupação é que ele está correndo o risco de ser atropelado por Lahesio Bonfim (Agir36).

São Luís, 16 de Fevereiro de 2022.

Exata: Weverton lidera, mas Brandão avança, diminui diferença e se descola do segundo time

 

Weverton Rocha lidera seguido de Carlos Brandão isolados na frente. Roberto Rocha, Edivaldo Jr. e Lahesio Bonfim, com Josimar de Maranhãozinho, Simplício Araújo Enilton Rodrigues atrás na corrida ao Palácio dos Leões

Se a eleição para o Governo do Estado fosse agora, o senador Weverton Rocha (PDT) e o vice-governador Carlos Brandão (PSDB migrando para o PSB) disputariam um segundo turno. É esse o cenário encontrado pela pesquisa Exata, divulgada na edição de hoje do jornal O Imparcial e cujos números são os seguintes: Weverton Rocha tem 24% das intenções de voto, Carlos Brandão 17%, Roberto Rocha (sem partido) 13%, Edivaldo Holanda Jr. (PSD) 10%, Lahesio Bonfim (Agir36) 9%, Josimar de Maranhãozinho (PL) 6%, Simplício Araújo (SD) 1% e Enilton Rodrigues (PSOL) não pontuou. O levantamento encontrou 8% que pretendem votar em branco ou anular o voto, e 12% que não souberam ou não quiseram responder. A pesquisa Exata ouviu 1.413 eleitores em todo o estado, tem margem de erro de 3,3%, confiabilidade de 95% e está registrada na Justiça Eleitoral sob o número 02686/22.

A pesquisa Exata não foi a melhor notícia para o senador Weverton Rocha, injetou ânimo no vice-governador Carlos Brandão, informou que o senador Roberto Rocha está vivo, alvejou o ex-prefeito Edivaldo Jr. com um jato de água natural, fez sorrir o prefeito Lahesio Bonfim, frustrou o deputado federal Josimar de Maranhãozinho, manteve Simplício Araújo onde ele sempre esteva nessa corrida e avisou a Enilton Rodrigues que o eleitorado maranhense continua não querendo conversa com a esquerda tida como radical. E para o conjunto dos candidatos, a pesquisa do instituto Exata deu um aviso com apenas 12% de indecisos. O recado não poderia ser mais claro.

Líder na corrida, o senador Weverton Rocha enfrenta uma tendência de queda, sendo esse o pior percentual a ele atribuído em todas as pesquisas divulgadas até aqui. No contraponto, o vice-governador Carlos Brandão experimentou um crescimento modesto, mas firme, que não apenas o aproximou do líder, mas também o descolou do segundo time. Sete pontos separam os dois pré-candidatos, o que representa muito pouco numa corrida eleitoral que ainda tem sete meses e meio pela frente. Esse cenário revelou tendências claras e inequívocas na movimentação dos dois líderes: joga nos ombros do pré-candidato do PDT o desafio de estancar a sangria, corrigir o rumo e voltar a crescer, ao mesmo tempo em que injeta no pré-candidato do PSB doses generosas de ânimo para estimulá-lo a manter o ritmo de crescimento. Isso porque não há como fazer uma leitura diferente dos números, principalmente levando-se em conta os levantamentos anteriores.

No time intermediário o dado surpreendente é o que aponta o senador Roberto Rocha à frente do ex-prefeito Edivaldo Jr. e o prefeito Lahesio Bonfim ameaçando a posição dos dois. Os três estão embolados dentro da margem de erro, deixando para trás o deputado Josimar de Maranhãozinho, que parece preso ao patamar dos seis pontos percentuais, apesar da intensa pré-campanha que vem fazendo nas mais diferentes regiões do estado. Nesse patamar, chama a atenção o fato de o senador Roberto Rocha aparecer com 13 pontos percentuais de intenção de votos sem ter um partido e sem dizer se será ou não candidato a governador. Na mesma medida, surpreende a permanência do ex-prefeito de São Luís no mesmo degrau, enquanto o prefeito de São Pedro dos Crentes o alcança num empate quase integral.

O pré-candidato do Solidariedade mantém sua estratégia de fortalecer sua candidatura a deputado federal, uma vez que não há como enxergar sua caminhada até aqui por outra ótica. Com a não citação do pré-candidato do PSOL, a pesquisa repetiu o recado contundente de que o eleitorado não quer conversa com a chamada esquerda radical.

Como é visível, agora com o quadro de candidatos melhor definido, com o claro posicionamento político de cada um e sem a ex-governadora Roseana Sarney (MDB), a pesquisa sugere que o cenário começa a ganhar contornos mais nítidos.

 

PONTO & CONTRAPONTO

 

Josimar reafirma pré-candidatura ao Governo

Na entrevista que concedeu ontem à TV Mirante, o deputado federal Josimar de Maranhãozinho (PL) reafirmou sua pré-candidatura ao Governo do Estado, enfatizando que tem o apoio total do seu partido e que não pretende voltar atrás nesse projeto.

Com essa declaração, o parlamentar praticamente fechou as portas do PL ao senador Roberto Rocha, que deve decidir nos próximos dias o partido ao qual se filiará e o mandato que disputará nas eleições de outubro. Se Josimar de Maranhãozinho abrir as portas do partido ao senador, poderá assegurar-lhe a vaga de candidato ao senado, situação que Roberto Rocha dificilmente aceitará: não ter um partido sob o seu controle e ser obrigado a candidatar-se à reeleição por uma concessão do chefe do PL.

Josimar de Maranhãozinho surpreendeu ao deixar claro que não vincula o seu projeto de candidatura ao Palácio dos Leões ao projeto de candidatura do presidente Jair Bolsonaro à reeleição. E explicou: o projeto de candidatura dele a governador é anterior à entrada do presidente Jair Bolsonaro.

 

Derrubada de vetos sugere que Braide deve construir maioria na Câmara Municipal

Eduardo Braide 

Com a derrubada de dois vetos a projetos importantes por ele propostos, o prefeito Eduardo Braide (Podemos) obteve ontem uma prova cabal de que precisa construir uma maioria sólida e confiável na Câmara Municipal. Os vetos derrubados alteraram expressivamente os projetos de lei Nº 345/21, que trata do Cartão Alimentação, e o projeto Nº338/21, que dispõe sobre a concessão de abono aos profissionais da rede de Educação Básica municipal. Está mais que claro que o prefeito de São Luís não conta com uma base de apoio sólida e consistente na Câmara Municipal, o que o obriga a montar maiorias eventuais para garantir a aprovação de projetos mais importantes. O clima de disputa pelo comando da Casa vem alimentando instabilidade no plenário do Palácio Pedro Neiva de Santana, colocando em risco a integridade dos projetos propostos pelo prefeito Eduardo Braide. A situação pode se agravar se o vereador Paulo Victor (PCdoB) vier a derrotar o vereador Gutemberg Araújo (PSC) na disputa pela presidência do Legislativo municipal. Pragmático e bom analista de contexto, o prefeito Eduardo Braide com certeza está estudando meios de alcançar maioria na Casa.

São Luís, 15 de Fevereiro de 2022.

Guerra sucessória: mudança na CCJ e reação governista instala crise que pode levar Assembleia ao impasse

 

Othelino Neto no centro do fogo cruzado entre Carlos Brandão e Weverton Rocha na sucessão estadual

Em meio à grande disputa pelo poder, que começa a ser travada no País, a Assembleia Legislativa do Maranhão inicia a semana com seus 42 integrantes envolvidos em forte tensão. O pomo da discórdia é a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), cuja composição foi alterada na semana passada, com a eleição do deputado Márcio Honaiser (PDT) presidente, tendo o deputado Ricardo Rios (PDT) como vice-presidente. O controle da CCJ por partidários do senador Weverton Rocha (PDT) desencadeou uma forte reação da bancada governista, que na sexta-feira (11), apresentou requerimento com 23 assinaturas – metade mais dois do número de deputados – exigindo que o presidente Othelino Neto (PDT) desfaça a nova composição da Comissão. O problema é que a mudança na CCJ foi feita dentro das regras regimentais, não havendo ilegalidade, o que transforma o caso num embate político de desfecho imprevisível.

Estava escrito nas estrelas e registrado nas mais diferentes previsões para o ano eleitoral de 2022 no Maranhão que a Assembleia Legislativa seria um dos mais movimentados campos de batalha da guerra política que começa a ser travada pelas forças que disputam o poder no estado. Ali estão convivendo três grupos, um liderado pelo presidente Othelino Neto (PDT), que reúne cerca de uma dezena de deputados alinhados ao projeto de candidatura do senador Weverton Rocha ao Governo do Estado; a bancada governista, formada por 23 integrantes alinhados ao projeto de candidatura do vice-governador Carlos Brandão (PSDB a caminho do PSB), e um time de nove parlamentares que se dividem, entre os que estão os que não querem entrar na briga, os que pertencem a outras tendências e os que poderão se posicionar de um lado ou de outro, dependendo das circunstâncias. E como já está mais do que evidente, o pano de fundo das tensões é a guerra pelo Palácio dos Leões, estando de um lado o senador Weverton Rocha (PDT), que conta com o apoio do grupo hoje no comando da Casa, e do outro o vice-governador Carlos Brandão, que assumirá o Governo em abril e conta com maioria no plenário, mas sem o controle dos instrumentos regimentais do parlamento.

Trata-se de uma disputa com prós e contras para os dois lados. Até prova em contrário, o presidente Othelino Neto seguiu rigorosamente as regras regimentais ao chancelar a ascensão do deputado Márcio Honaiser ao comando da CCJ, a mais importante comissão da Casa, onde partidários de Weverton Rocha formam maioria. A mudança ocorreu duas semanas após o deputado Márcio Honaiser haver deixado a direção da poderosa Secretaria de Desenvolvimento Social, para se tornar um dos principais articuladores da oposição ao futuro Governo Carlos Brandão na Assembleia Legislativa. O episódio transformou a medida legislativa numa questão política, uma vez que a CCJ é o grande mecanismo de controle institucional da Casa, podendo ser transformada num instrumento capaz de criar problemas para o Poder Executivo.

Ao protocolar o requerimento com 23 assinaturas (metade mais duas) exigindo que o presidente da Casa revogue a mudança na CCJ ou submeta o pleito ao plenário, a bancada governista deu uma demonstração de força política e parlamentar, sinalizando disposição para o confronto. Ocorre que, apesar de coletivo, o Poder Legislativo tem natureza presidencialista, assegurando ao seu presidente prerrogativas que o blindam contra esse tipo de pressão. Assim, mesmo respaldado por 23 dos 42 deputados, o requerimento só será colocado em pauta se o presidente quiser. E como se trata de questionamento de uma medida sua, que segundo ele e seus aliados foi tomada dentro das regras e da legalidade, dificilmente o presidente Othelino Neto se dobrará à exigência da maioria governista.

O problema é que, como o pano de fundo desse roteiro é a disputa pelo poder no Maranhão, a negociação, que é a essência das relações numa Casa politicamente plural, parece não estar nos planos de nenhuma das correntes. Isso dá origem à situação mais complexa e de difícil solução numa crise política: o impasse.

 

PONTO & CONTRAPONTO

 

Comando nacional do União Brasil não quer disputa entre Juscelino e Pedro Lucas

Juscelino Filho e Pedro Lucas Fernandes: um dos dois vai comandar o União Brasil

Quem vai comandar o braço maranhense do União Brasil, o maior e mais rico partido político? É o que o meio político está se perguntando. Isso porque está no ar a suspeita de que a antes amistosa relação dos deputados federais Juscelino Filho, que comandava o DEM, e Pedro Lucas Fernandes, que presidia o PSL, estaria se transformando numa disputa pela presidência da nova sigla no estado. A direção nacional do União Brasil está se desdobrando para administrar ameaça de crise em todos os estados, onde ex-chefes dos dois partidos que se juntaram se encontram medindo força e prestígio em disputas pelo comando da agremiação. No Maranhão, o deputado Juscelino Filho saiu do plano da discrição e anunciou sua pretensão de presidir o União Brasil no estado, demonstrando que nada está resolvido nesse sentido. Por sua vez, o deputado Pedro Lucas Fernandes ainda não deu declarações nesse sentido, mas é sabido que ele está em campanha aberta junto à direção nacional com o mesmo objetivo. E por se tratar de dois deputados federais jovens e de futuro largo, que atualmente valem ouro para os partidos, a direção nacional do União Brasil estaria avaliando cuidadosamente o caso maranhense, de modo a acomodar bem os dois parlamentares. E a fórmula seria a seguinte: entregar a presidência para um deles e alçar o outro para um posto na Executiva nacional do partido. A decisão sairá em pouco tempo.

 

Simplício Araújo vai cumprir agenda de pré-candidato ao Governo

Simplício Araújo: maratona de pré-candidato a governador de mas de olho na Câmara Federal

Por mais que se avalie que o projeto de candidatura do suplente de deputado federal Simplício Araújo (Solidariedade) ao Palácio dos Leões seja uma espécie de quimera política, não há como desconhecer o seu esforço de se manter num tabuleiro onde o espaço que ocupa é quase inexistente. Agora mesmo, recuperado de uma luta física contra o coronavírus, o ex-secretário de Indústria, Comércio e Energia retoma a rota das urnas e anuncia uma agenda de pré-candidato a governador. O roteiro foi traçado em reunião dele com seu staf de voluntários, e começa na terça-feira (15) em Teresina, onde se reunirá com empreendedores piauienses que estão se mudando para o Maranhão, e participa de do ato de filiação de políticos piauienses no Solidariedade, com a presença do comando nacional do partido, ao qual pertence. À noite, reúne-se com amigos e simpatizantes em Timon.

Na quinta-feira (17), visita Timon, onde concede entrevistas e almoça com vereadores aos quais agradece a concessão do título de Cidadão Timonense e visita o Polo Empresarial local. Na sexta-feira (18), concede entrevistas em Caxias, visita empreendimentos no município e almoça com amigos e simpatizantes. E no final da tarde do mesmo dia, tem encontro político em Miranda do Norte.

Simplício Araújo mantém o discurso de pré-candidato ao Governo do Estado, mas até os paralelepípedos das ruas da Praia grande sabem que o seu caminho é disputar uma cadeira na Câmara Federal.

São Luís, 14 de Fevereiro de 2022.

 

Roseana descarta os Leões, quer ser deputada federal e recuperar a força e o prestígio do MDB

 

Roseana Sarney quer ser deputada federal e fortalecer o MDB

O MDB não vai mesmo lançar candidatos majoritários, e, como foi previsto por esta Coluna ainda no final de 2020, logo após as eleições municipais, o partido vai investir todos os seus recursos na eleição de deputados federais e deputados estaduais. A diretriz emedebista nas eleições gerais deste ano foi anunciada ontem pela presidente do partido, a ex-governadora Roseana Sarney, em entrevista à TV Mirante, na qual afirmou, em termos definitivos, que não será candidata a cargo majoritário e que seu caminho será disputar uma cadeira na Câmara Federal. Ao mesmo tempo em que escolheu a neutralidade como sua posição pessoal em relação à disputa majoritária, ela liberou os integrantes do partido para fazerem suas próprias escolhas no que diz respeito à corrida ao Palácio dos Leões e ao Senado da República. O partido deve firmar posição integral na disputa presidencial. A Roseana Sarney entrevistada ontem pela TV Mirante falou como líder política e partidária, embalada pelo pragmatismo e também pelo bom senso, bem diferente da autora de declarações contraditórias de tempos recentes.

Roseana Sarney deixou bem claro que a participação do MDB nessas eleições terá um sentido de recomeço. Ela reconheceu que o partido, que é a base do Grupo Sarney, foi triturado nas eleições recentes, tendo perdido a disputa para o Governo em 2014 com a candidatura do empresário Lobão Filho, e em 2018 com ela própria candidata, tendo também desempenho pífio nas eleições municipais de 2016 e 2020.  Nas eleições deste ano, investirá os recursos ao seu alcance para retomar o caminho do fortalecimento político e partidário. “Queremos o MDB forte no Maranhão e com poder de decisão. Convenhamos, perdemos muito e precisamos recuperar essa nossa perda. Estou trabalhando para isso à frente da presidência estadual do partido”, assinalou.

No que diz respeito à sua posição, que tem o poder de influenciar a legenda como um todo, Roseana Sarney confirmou o que até as pedras de cantaria da Praia Grande já sabiam, exatamente porque era o mais inteligente a fazer: mesmo liderando as pesquisas der intenções de voto, não disputar nem o Governo nem o Senado. Correria o risco desnecessário de acrescentar mais uma derrota no seu currículo. Por outro lado, sua candidatura à Câmara Federal, com a força do prestígio político que ainda desfruta, pode lhe dar o título de campeã, com a vantagem adicional de injetar gás no seu partido, cujo projeto maior é se fortalecer no Congresso Nacional, especialmente na Câmara Federal.

Outro dado politicamente importante das declarações da ex-governadora Roseana Sarney foi a sua afirmação de que, mesmo ela já tendo escolhido a neutralidade na disputa para o Governo do Estado e para o Senado, está conduzindo conversações do MDB com outros partidos. E nesse contexto estão incluídos os que integram a aliança liderada pelo governador Flávio Dino e que estão na base da pré-candidatura do vice-governador Carlos Brandão, como PSB, PCdoB e PSDB, como também, mas com menor ênfase, o PDT, carro-chefe da pré-candidatura do senador Weverton Rocha. “Como ocorre em todos os partidos, há pluralidade e diferentes ideologias, mas estamos buscando um denominador comum para apoiar um candidato apenas”.

Roseana Sarney rompeu também um estranho e incômodo silêncio que vinha mantendo em relação à pré-candidatura da senadora Simone Tebet à presidência da República pelo MDB. Deixou claro que não é entusiasta do projeto da senadora mato-grossense, sem, no entanto, pretender desestimulá-la. E usou a tangência para se manifestar: “Ainda há muito o que ser construído. Tenho acompanhado as pesquisas e o partido irá avaliar se há possibilidades para uma terceira via. É o povo quem vai dizer”.

Com a entrevista de ontem, a presidente do MDB, que já governou o Maranhão por quatro vezes, pareceu ter encerrado definitivamente sua relação com o Palácio dos Leões, pelo menos por enquanto.

 

 PONTO & CONTRAPONTO

 

Ferdinando Coutinho declara apoio a Weverton Rocha

Ferdinando Coutinho, Weverton Rocha e Juscelino Filho na declaração de apoio

O prefeito de Matões do Norte, Ferdinando Coutinho (União Brasil), declarou apoio à pré-candidatura do senador Weverton Rocha (PDT) ao Governo do Estado. A manifestação repercutiu no meio político, porque passou a impressão de que essa posição pode impactar na equação da corrida sucessória em Caxias, onde o prefeito Fábio Gentil (Republicanos) e a deputada Cleide Coutinho (PDT), adversários, declararam apoio à pré-candidatura do vice-governador Carlos Brandão (PSDB a caminho do PSB). Irmão do grande líder Humberto Coutinho, morto em 2018, e politicamente radicado em Matões, onde é prefeito reeleito, Ferdinando Coutinho não tem, como alguns imaginam, força na política e eleitoral em Caxias. Não se discute que a mulher dele, Cláudia Coutinho, com o apoio da família, venha a ser bem votada na Princesa do Sertão. Mas no que diz respeito à disputa para o Governo do Estado e para o Senado, o peso de sua influência se resume a Matões, onde enfrenta dura oposição do deputado federal Rubens Jr. (PCdoB), e da mãe dele, a ex-prefeita eleita e reeleita Suely Pereira. Portanto, quem fizer contas eleitorais prevendo peso do prefeito de Matões, Ferdinando Coutinho, na política de Caxias, pode estar cometendo um grande erro.

 

Retomada do PTB por Jefferson pode colocar em risco posição de JP

Josivaldo JP: vai continuar no PTB?

Não está garantida a permanência do deputado federal Josivaldo JP no comando do PTB no Maranhão. A reviravolta na disputa do comando nacional pelo grupo liderado pelo ex-deputado federal e atual presidente de honra do partido, Roberto Jefferson, que numa série de golpes e contragolpes derrubou a presidente Graciela Nienov, pode complicar a situação de Josivaldo JP. Isso porque ele foi alçado à presidência do PTB no Maranhão por Graciela Nienov, antes da crise que acabou na sua derrubada. Não está claro se Roberto Jefferson concorda com a mudança que tirou a deputada estadual Mical Damasceno da presidência regional e a transferiu para a presidência do PTB Mulher. Com a queda de Graciela Nienov, a deputada Mical Damasceno se reconciliou rapidamente com Roberto Jefferson, devendo continuar onde está. Já o deputado Josivaldo JP poderá continuar ou não no comando do partido no Maranhão. Contra ele está o fato de ter sido turbinado por Graciela Nienov; a seu favor pesa o fato de ele ser deputado federal e bolsonarista de primeira hora. E a julgar pelo empenho com que os partidos bolsonaristas estão se preparando para tentar sobreviver nas urnas, não será surpresa se o deputado federal Josivaldo JP for mantido no chamando do PTB no Maranhão. Mas ele corre o risco de ser despachado se não jurar lealdade a Roberto Jefferson.

São Luís, 12 de Fevereiro de 2022.