Todos os posts de Ribarmar Correa

Brandão e Weverton entram em semana decisiva pela vaga de candidato da base governista

 

Carlos Brandão e Weverton Rocha na reta final para a decisão do grupo sobre quem será o candidato ao Palácio dos Leões

O vice-governador Carlos Brandão (PSDB) e o senador Weverton Rocha (PDT) iniciam nesta segunda-feira (24) a contagem regressiva para a reunião do dia 31, na qual, sob a liderança do governador Flávio Dino (PSB), dirigentes partidários da aliança governista decidirão quem dos dois será o candidato do grupo ao Palácio dos Leões. Os dois pré-candidatos vêm se movimentando intensamente em busca de apoio na seara político-partidária, e entram na reta final cacifados, cada um ao seu modo, confiante de que será o escolhido. Carlos Brandão terminou a semana com um pé no PSB, o que, se confirmado, aumentará expressivamente o seu poder de fogo, a começar por uma aliança com o PT. Weverton Rocha, por sua vez, ganhou um candidato a presidente do seu partido, Ciro Gomes (PDT), mas viu ficar mais afastada a possibilidade de montar dois palanques presidenciais, um com seu colega de partido e outro com ninguém menos que o líder petista Lula da Silva. As apostas são elevadas nos dois campos, as especulações correm freneticamente, e o fato é que Carlos Brandão está otimista, e Weverton Rocha exibe confiança.

O vice-governador Carlos Brandão entra na contagem regressiva como o nome apoiado pelo governador Flávio Dino, por seis partidos da base, por maior número de deputados federais, por mais da metade dos 42 integrantes da Assembleia Legislativa e de várias dezenas de prefeitos. Todas as informações indicam que ele está a um passo do PSB, para onde deve migrar nos próximos dias, com o aval dos comandos estadual e nacional do partido, conforme declaração enfática do presidente da agremiação socialista, deputado federal Bira do Pindaré. E para fechar a semana, Carlos Brandão se reuniu na quinta-feira com líderes do PT, dando um passo decisivo para receber o apoio da agremiação e do ex-presidente Lula da Silva. Isso sem contar o fato de que será o governador titular a partir de abril, passando a brigar pela reeleição.

Por seu turno, o senador Weverton Rocha, além do apoio do seu partido, se mantém na corrida pela vaga de candidato governista com o suporte de líder nas pesquisas de opinião feitas até aqui, respaldado pela senadora Eliziane Gama (Cidadania), por um expressivo número de deputados federais, por cerca de 13 deputados estaduais – entre eles o presidente da Assembleia Legislativa, Othelino Neto (PCdoB) – e por pelo menos 60 prefeitos, incluindo o presidente da Famem, Erlânio Xavier (PDT), homem forte do seu projeto. Weverton Rocha trabalha para receber o apoio do PT e fazer uma dobradinha com o ex-presidente Lula da Silva, que manifestou intenção de apoiá-lo diante do fato de o vice-governador Carlos Brandão pertencer ao PSDB. Chega ao momento da escolha embalado por uma pré-campanha forte.

Além da condição de vice-governador alinhado com o governador e conhecedor profundo do Governo em andamento, Carlos Brandão tem afirmado que, se eleito, dará continuidade aos programas em andamento, acrescentando que está elaborando um plano de Governo que prevê a atração de investimento em industrialização e no incremento do turismo como fatores de geração de emprego e renda. Senador no meio do primeiro mandato, Weverton Rocha adotou um discurso afirmando que pretende ir além do atual Governo, com foco no incentivo à industrialização e na exploração do potencial turístico do estado, de modo a tornar o Maranhão “mais feliz”. Nenhum dos dois apresentou ainda detalhes do seu plano de governo.

Na sua edição deste domingo, o Jornal Pequeno estampa em manchete a informação de que Carlos Brandão fechou acordo para ingressar no PSB, o que, se confirmado, pode levá-lo a selar acordo também com o PT. Na mesma edição, o JP informa que Weverton Rocha se movimenta confiante de que, mesmo com a candidatura de Ciro Gomes, poderá firmar aliança com o PT.

A semana que começa poderá, portanto, registrar acertos políticos com poder de nortear decisivamente a corrida ao Governo do Estado no âmbito da aliança comandada pelo governador Flávio Dino que, ao contrário do que seus adversários tentaram fazer crer, está mais firme do que nunca na liderança do processo sucessório.

 

PONTO & CONTRAPONTO

 

Edivaldo Jr. vai mudar estratégia de campanha em fevereiro

Edivaldo Holanda Jr. com Edilázio Jr. e César Pires: ajustes na pré-campanha do PSD

O pré-candidato do PSD ao Palácio dos Leões, Edivaldo Holanda Jr. deve dar uma guinada radical na sua pré-campanha no início de fevereiro. Os ajustes nos seus movimentos em busca de votos serão feitos com base no que for decidido no campo governista na reunião do dia 31. Edivaldo Jr. e seus conselheiros estão definindo estratégias diferentes. Se o candidato for o vice-governador Carlos Brandão, ele terá um discurso, que mudará de tom e conteúdo se o escolhido for Weverton Rocha. A situação ficará delicada para ele se não houver acordo e os dois sigam em frente para medir forças nas urnas. Nesse caso, o pré-candidato do PSD terá de usar muita habilidade política e recursos discursivos para chegar ao segundo turno. Isso porque, além dos pré-candidatos governistas, que estão na dianteira, há os candidatos de oposição, como o prefeito Lahesio Bonfim (Agir36), o deputado federal Josimar de Maranhão (PL) – que continua se dizendo pré-candidato – e o senador Roberto Rocha (sem partido), que ainda não se decidiu, mas é um potencial candidato ao Governo. É mais ou menos a situação do “se ficar o bicho pega, se correr o bicho come”.

 

Governo Dino avança com vários recordes

O governador Flávio Dino, o prefeito Hilton Gonçalo e o secretário Marcio Honaiser na inauguração do Restaurante Popular de Santa Rita: ampliando a rede e o recorde

Com 67 restaurantes populares espalhados pelo Maranhão, o governador Flávio Dino passa a liderar, proporcionalmente, o ranking do maior programa de segurança alimentar do País na atualidade. Ele recebeu o programa com seis unidades e o multiplicou por uma dezena, e com o cuidado de levar o benefício a municípios estratégicos. A mesma estratégia foi usada para a implantação do serviço de hemodiálise, cujo número de aparelhos saltou de 30 para 300 no atual governo, reduzindo drasticamente a dolorosa romaria diária de centenas de maranhenses. Outro recorde é o número de Escolas Dignas, que já passou de mil e cem. São números para os quais torcem seus narizes os que não simpatizam com o Governo, mas que não há como não reconhecer, porque são fatos.

São Luís, 23 de Janeiro de 2022.

Ciro vira pré-candidato do PDT e pode inviabilizar aliança do PT com Weverton no Maranhão

Ciro Gomes lança pré-candidatura e pode atrapalhar os planos do pedetista Weverton Rocha no Maranhão

Com o respaldo da cúpula de um PDT dividido, o ex-governador do Ceará, Ciro Gomes, deu a largada, ontem, na sua quarta tentativa de ser presidente da República. Com o lançamento, o PDT abriu mão de fazer uma aliança com o PT no plano nacional, abrindo também caminho para uma série de dificuldades estaduais, entre elas a que terá de ser enfrentada pelo senador Weverton Rocha, presidente regional e pré-candidato do PDT ao Governo do Maranhão. Com a pré-candidatura agora oficializada de Ciro Gomes ao Palácio do Planalto, o projeto do senador Weverton Rocha, que lidera as pesquisas de intenção de voto, de ter o PT como aliado e, assim, dividir o seu palanque com o ex-presidente Lula da Silva sofre um duro golpe. Isso porque, mesmo defendida por alguns pedetistas e petistas, a ideia de montar dois palanques, um com o pedetista Ciro Gomes e outro com o petista Lula da Silva, é vista como inviável por muitos. E esse gigantesco obstáculo fortalece a posição dos defensores da aliança do PT com o PSDB – ou com o PSB -, que acreditam que o ex-presidente acabará no palanque do vice-governador Carlos Brandão.

A oficialização da pré-candidatura de Ciro Gomes cria, de fato, uma situação de embaraço para o senador Weverton Rocha. Para começar, na condição de integrante da cúpula nacional do PDT, onde exerce influência, ele fica obrigado a abraçar a candidatura presidencial do partido. Com isso, fica política e eticamente impedido de declarar apoio à pré-candidatura do ex-presidente Lula da Silva. E pelo tom dado ontem pela cúpula pedetista ao projeto eleitoral de Ciro Gomes, dificilmente um candidato a governador da legenda brizolista lhe dará as costas para apoiar outro candidato. No cenário da corrida sucessória maranhense, não existe um fator que dê respaldo à ideia de o PDT montar dois palanques.

O gás com que Ciro Gomes se lançou oficialmente na corrida presidencial, com o respaldo da cúpula pedetista, não deixou no ar qualquer dúvida de que ele jogará pesado para chegar ao 2º turno, independentemente de quem seja o adversário. Provavelmente por ser essa a sua última tentativa, o líder cearense pareceu disposto a atropelar quem se colocar no seu caminho, seja o presidente Jair Bolsonaro (PL), o ex-ministro Sérgio Moro (Podemos) ou o ex-presidente Lula da Silva. No seu discurso de ontem, ele sinalizou disposição para chamar Sérgio Moro para a briga, exatamente por ser o pré-candidato do Podemos o obstáculo que está mais próximo dele, segundo as pesquisas. Se conseguir deixar Sérgio Moro para trás, o mais provável é que seu alvo passe a ser o presidente Jair Bolsonaro. Isso não significa dizer que Lula da Silva será poupado.

Todo e qualquer movimento do agora pré-candidato pedetista Ciro Gomes refletirá nos estados, sendo que no Maranhão o ponto mais delicado é a relação do PDT com o PT. Isso porque, mesmo declarando, num rasgo verbal de efeito, que não quer ser candidato de Lula da Silva, Ciro Gomes ou Flávio Dino, mas do povo, Weverton Rocha está trabalhando intensamente nos bastidores para ter o ex-presidente petista como aliado preferencial, acreditando que as relações PDT-PT, mesmo marcadas por altos e baixos e momentos de forte tensão, permitirão algumas concessões de parte a parte. Lula da Silva manifestou simpatia pela candidatura dele, mas é pragmático o suficiente para avaliar com cuidado a dualidade agora formada com o lançamento da pré-candidatura de Ciro Gomes.

E a pergunta que fica no ar é a seguinte: o que pensa Ciro Gomes de tudo isso? Agora pré-candidato com respaldo do partido, ainda que alguns setores do PDT lhe tenham reservas, a lógica sugere que, mesmo que o projeto maior das forças progressistas seja catapultar Jair Bolsonaro do Palácio do Planalto, Ciro Gomes dificilmente aceitará ser dividido com Lula da Silva pelo PDT do Maranhão. E isso, em princípio, inviabiliza a construção de dois palanques pelo pedetista Weverton Rocha.

Por outro lado, vale sempre lembrar que na política do Maranhão, boi costuma voar, às vezes de asa quebrada.

 

PONTO & CONTRAPONTO

 

Governador chama de “bandido” autor de notícia falsa a seu respeito

Flávio Dino reage informação falsa sobre ele

“Enquanto eu trabalho, e muito, há uns bandidos espalhando que eu mandei fechar um posto da Polícia Rodoviária Federal. Isto é, eu mandaria no Ministério da Justiça do atual Governo Federal.  Amostra do nível de bandidos que vamos enfrentar na eleição de 2022”. O texto, contendo um desabafo e uma previsão, foi uma reação do governador Flávio Dino (PSB) a uma informação falsa a seu respeito.

O desabafo se refere ao fato de que o governante maranhense é, de longe, um dos chefes de Estado que mais trabalham em todo o País. Pega no batente logo cedo e só encerra expediente às altas horas da noite. O governador atua com informações detalhadas a respeito de como estão operando todas as secretarias, autarquias e empresas públicas. No caso da área de Saúde, principalmente em relação à pandemia, além das ações operacionais, ele se mantém tecnicamente informado pelo comitê científico que lhe dá respaldo. Flávio Dino, pode-se afirmar, tem o pleno controle do seu governo, que não sai da linha.

O alerta reforça o cuidado que todos devem ter em relação a informações suspeitas, como foi o caso, já que não faz qualquer sentido afirmar que o governador fechou um posto da Polícia Rodoviária Federal. Quando diz que o fato mostra o nível de “bandidos”, é porque sabe quem foi e do que é capaz o autor do boato.

 

Conversa de Lula com tucano derruba argumento de que PT não pode apoiar Brandão

Lula da Silva conversou com o tucano Aluysio Nunes 

Cai por terra a fala do ex-presidente Lula da Silva de que o PT tem dificuldade de apoiar o vice-governador Carlos Brandão por ser ele filiado ao PSDB. Ontem, colunistas políticos renomados revelaram uma reunião do ex-presidente petista com o ex-senador paulista Aloysio Nunes, um dos mais destacados tucanos da velha guarda e um dos mais duros críticos do PT. E a pauta foi exatamente o apoio de tucanos importantes à articulação de Lula da Silva para ter o ex-tucano Geraldo Alckmin como seu vice. A conversa, que aconteceu no escritório do advogado de Lula da Silva, abriu horizontes nas tensas relações PT/PSDB, derrubando o argumento de que petistas não podem se juntar com tucanos no Maranhão.

São Luís, 22 de Janeiro de 2022.

Lahesio Bonfim assume o Agir36 e sai na frente de Roberto Rocha como candidato da oposição aos Leões

 

Lahesio Bonfim sai na frente de Roberto Rocha e Josimar de Maranhãozinho como candidato de oposição

Esnobado pelo PTB, cuja cúpula nacional decidiu entregar o comando do partido no Maranhão, primeiro à deputada Mical Damasceno e, mais recentemente, ao deputado federal Josivaldo JP, que deixou o Podemos, o prefeito de São Pedro dos Crentes, Lahesio Bonfim, deu a volta por cima e assumiu, quarta-feira, a presidência do Agir36 (ex-PTC) no Maranhão. À frente do partido, Lahesio Bonfim resolve sua até então instável situação partidária, para se tornar, efetivamente, o primeiro nome da oposição a se consolidar como candidato ao Governo do Estado, integrando definitivamente o time de pré-candidatos consolidados: o vice-governador Carlos Brandão (PSDB, a caminho do PSB), o senador Weverton Rocha (PDT) e o ex-prefeito de São Luís, Edivaldo Holanda Jr. (PSD). Ele sai na frente de outros nomes da oposição, como o senador Roberto Rocha e o deputado federal Josimar de Maranhãozinho (PL).

Prefeito eleito e reeleito de São Pedro dos Crentes, pequeno município de 4,7 mil habitantes – a maioria formada por evangélicos – e situado entre Barra do Corda e Imperatriz, o médico e evangélico Lahesio Bonfim está em pré-campanha desde o início de 2021, quando se lançou pré-candidato, semanas depois de assumir o segundo mandato consecutivo de prefeito. Já avisou que deixará o cargo em abril, afirmando que sua decisão é irreversível, independentemente do que possa acontecer nas urnas. Seu impulso está nas pesquisas, nas quais já apareceu até com sete pontos percentuais, à frente de Josimar de Maranhãozinho.

Lahesio Bonfim se elegeu e se reelegeu prefeito pelo PSL, atuando como partidário assumido do presidente Jair Bolsonaro. Ele saiu do partido depois que a cúpula nacional rompeu com o bolsonarismo e passou o controle da sigla ao deputado federal Pedro Lucas Fernandes, que deixara o PTB. E foi exatamente para o PTB que Lahesio Bonfim se dirigiu, acreditando que assumiria o seu comando no Maranhão no vácuo aberto com a desfiliação de Pedro Lucas, chegando mesmo a anunciar que assumiria a presidência de um “grande partido”. Só que o comando nacional petebista o descartou para entregar o PTB do Maranhão à deputada Mical Damasceno, que na semana passada foi substituída pelo deputado federal Josivaldo JP. Lahesio Bonfim foi rifado pelo PTB por se apresentar como um bolsonarista que tem caminho e não precisa de Bolsonaro.

Expressão assumida da direita conservadora, Lahesio Bonfim encontra-se em pré-campanha permanente, sendo apoiado por grupos da direita radical, que, segundo ele, bancaram os grandes painéis de propaganda espalhados em várias regiões do estado, inclusive São Luís e Imperatriz, mostrando-o como “o melhor prefeito do Maranhão”, sobre o que há muitas controvérsias. A ostensiva campanha antecipada resultou num forte puxão de orelhas da Justiça Eleitoral, que o obrigou a baixar a bola e cumprir o calendário eleitoral. Com a situação resolvida, não será surpresa se o prefeito de São Pedro dos Crentes retomar sua corrida, agora no controle de um partido e com a garantia de que será candidato, já que, além da presidência, não enfrenta concorrência interna.

Ao definir sua situação partidária, Lahesio Bonfim está cacifado para tocar seu projeto de candidatura no campo oposicionista, saindo na frente do senador Roberto Rocha e do deputado federal Josimar de Maranhãozinho. O primeiro permanece filiado ao PSDB, mas não mais é considerado um tucano, devendo buscar um novo partido para, em seguida decidir o que pretende buscar nas urnas. O segundo tem dito e repetido que é pré-candidato a governador, mas a verdade é que trabalha também com planos B (Assembleia Legislativa) e C (Senado).

Desde a noite de quarta-feira, portanto, o prefeito de São Pedro dos Crentes é um dos nomes credenciados para disputar o direito de morar e trabalhar no Palácio dos Leões por quatro anos.

 

PONTO & CONTRAPONTO

 

Brandão pode migrar para o PSB nos próximos dias

Carlos Brandão deve sair do PSDB e ingressar no PSB

Fortes sinais indicam que está próxima da confirmação a migração do vice-governador Carlos Brandão para o PSB. O sinal mais nítido foi a declaração do presidente do partido, Carlos Siqueira, incluindo o Maranhão entre os estados onde a agremiação deve ter candidato a governador. Como o governador Flávio Dino já é governador reeleito e caminha em direção ao Senado e o deputado federal Bira do Pindaré trabalha visando a reeleição, a conclusão óbvia é que o tucano Carlos Brandão, que se encontra em processo de conversão ao “socialismo pé no chão”, seja o candidato. Com a conversão de Carlos Brandão ao socialismo, que não será surpresa, uma vez que já vem sendo ventilada há meses, Carlos Brandão sai da zona cinzenta dos conflitos ideológicos e se credencia, de maneira definitiva, para ter, por exemplo, o PT como aliado. Essa articulação, que está sendo feita pelo governador Flávio Dino com a cúpula nacional do partido, deve ser concluída nos próximos dias, antes da reunião do dia 31, quando será dada a martelada final sobre quem será o candidato da base governista.

 

Partidos enfrentam dificuldades para preencher cota feminina

Detinha: líder na AL

Os partidos políticos estão enfrentando uma dificuldade espinhosa no seu processo de preparação para as eleições: faltam mulheres para preencher cotas femininas, conforme exige a legislação eleitoral em vigor. Ao mesmo tempo em que mulheres como a ex-governadora Roseana Sarney (MDB), por exemplo, se lança à Câmara Federal, o partido que ela preside não conta com mulheres suficientes para lançar chapas proporcionais completa. No PL, por exemplo, que tem a deputada estadual Detinha, que lidera uma bancada de homens e é forte candidata às Câmara Federal, não há ainda notícias de mulheres para participar da disputa no seu partido. Esse problema atinge praticamente todas as agremiações, que começam a se esforçar para garantir o cumprimento da regra.

São Luís, 21 de Janeiro de 2022.

Sucessão: declaração de Lula surpreende, mas Dino reafirma a clareza da sua posição

Flávio Dino é aliado forte de Lula da Silva, mas tem independência e estatura política para escolher rumo e não se submeter a decisão com a qual não concorda

“Nós defendemos a candidatura do Flávio Dino. Agora, o companheiro Flávio Dino tem o candidato dele, que é o vice, que é do PSDB. Ele sabe que é difícil pra gente apoiar o PSDB. E temos lá a candidatura do Weverton. Então, eles vão ter que se acertar lá para facilitar a nossa vida”. A declaração, recente, do ex-presidente Lula da Silva (PT), divulgada em redes sociais, foi interpretada pelos aliados do senador Weverton Rocha (PDT), pré-candidato ao Palácio dos Leões, como um xeque-mate no governador, e recebida com surpresa por aliados do vice-governador Carlos Brandão (PSDB), que tem mantido um bom relacionamento com boa parte do PT.

Coincidência ou não, ontem, em meio à repercussão das palavras de Lula da Silva, o governador Flávio Dino (PSB), ao ser indagado, em Imperatriz, sobre a disputa que se dá no grupo partidário que lidera, respondeu na bucha, sem pestanejar, como que reagindo com um aviso direto e sem rodeio às palavras do líder petista: “Como eu manifestei na última oportunidade, eu tenho uma posição muito clara, muito nítida de apoio a pré-candidatura do vice-governador Carlos Brandão”.

Soou estranho que o ex-presidente Lula da Silva, do alto da sua experiência e da sua habilidade, tenha feito essa declaração como se fosse uma espécie de Poncio Pilatos. Pareceu não ter se dado conta de que, se a declaração foi dada com a intensão de acalmar os ânimos e sugerir uma solução negociada, na verdade ela contribuiu para colocar lenha numa fogueira cujas labaredas os dois grupos estão tentando inibir. Afinal, a tal dificuldade que ele alega existir para apoiar a candidatura de Carlos Brandão tem mais a aparência de pretexto para alinhar o PT à candidatura do senador Weverton Rocha, o que poderia – e poderá – ser feito normal e tranquilamente, sem a necessidade de qualquer alquimia política. Flávio Dino e Carlos Brandão reconhecem a importância política do PT, o querem na aliança, mas também não o enxergam como uma nau partidária sem a qual haverá naufrágio.

Ao fazer sua declaração pilateana, que soou mais como “eles que se virem”, o ex-presidente pareceu esquecido de que, colocados numa balança honestamente aferida, ele deve muito ao governador Flávio Dino, que, por sua vez, lhe deve muito pouco, quase nada. A história recente é testemunha, e registra com clareza o envolvimento ostensivo e determinado do governador na luta dos setores progressistas contra as tentativas de destruir o ex-presidente e seu partido. Mesmo não tendo recebido o apoio do PT em 2014, quando o partido apoiou a candidatura do então suplente de senador Lobão Filho (PMDB), Flávio Dino foi um dos principais defensores da presidente Dilma Rousseff (PT), articulando movimento dentro e fora do Congresso Nacional para evitar o impeachment em 2016. Em 2018, colocou a candidatura do desconhecido candidato petista Fernando Haddad debaixo do braço e contribuiu decisivamente para que ele tivesse no Maranhão a segunda maior votação proporcional do País nos dois turnos.

O Maranhão e o Brasil são testemunhas da determinação e da intensidade com que o governador Flávio Dino correu o País em defesa do ex-presidente Lula da Silva, denunciando o processo, o julgamento e a prisão dele como uma farsa, questionando duramente as decisões do então juiz federal Sérgio Moro, chefe-maior da Lava Jato. Isso sem contar com sua participação em movimentos, conferências, debates e eventos diversos destinados a alimentar a defesa do líder petista, a quem visitou em duas ocasiões na prisão, em Curitiba. E com um detalhe: não há registro de que o governador Flávio Dino tenha dito uma só frase de alegação das suas atitudes ou condicionando sua movimentação a uma compensação política.

Não bastasse isso, o PT esteve presente nos seus sete anos de Governo, sem limitações ou condicionamento, mesmo com participação limitada na base governista na Assembleia Legislativa – atualmente só tem um deputado, Zé Inácio, que é vice-líder do Governo. E com um detalhe: nesse período, o vice-governador Carlos Brandão – assim como o senador Weverton Rocha, vale destacar -, incorporou integral e ativamente o discurso do governador Flávio Dino a favor, primeiro, da então presidente Dilma Rousseff, e depois, do líder petista. E vale indagar: o que fez Lula da Silva por Flávio Dino nesse período, além de algumas declarações de amizade política? Pouco ou quase nada. Até porque não foi necessário.

O ex-presidente Lula da Silva e o PT podem se posicionar como acharem mais conveniente no tabuleiro político do Maranhão, com o direito democrático de escolher entre Weverton Rocha e Carlos Brandão, numa decisão politicamente pragmática. Agora, se optar por uma decisão politicamente correta e justa, terá de tratar o governador Flávio Dino com a estatura política que ele construiu, sem rasura. Dono de um faro político apurado, o ex-presidente Lula da Silva pode avaliar a fala e colocar o bonde nos trilhos.

 

PONTO & CONTRAPONTO

 

Josimar de Maranhãozinho pode disputar vaga de deputado estadual

Josimar de Maranhãozinho  

Em meio aos tremores que vêm minando sua base política, o deputado federal Josimar de Maranhãozinho (PL) está mergulhado em reflexões, buscando o passo eleitoral que ele próprio vai dar. Ainda afirmando que será candidato a governador, o parlamentar sabe que esse é um rumo que não bate com a sua situação, principalmente pelo fato de que dificilmente se daria bem nas urnas. Outra possibilidade seria disputar o Senado, mas as pesquisas mais recentes desaconselharam esse caminho. Como já decidiu que não quer mais ser deputado federal, por não haver se adaptado à rotina da Câmara Baixa, já tendo inclusive lançado a candidatura da sua esposa, a deputada estadual Detinha (PL), à sua vaga naquela Casa do Congresso Nacional, resta a Josimar de Maranhãozinho concorrer a uma cadeira na Assembleia Legislativa. Será que vai mesmo?

 

Roseana arranha credibilidade com jogo sobre candidatura

Roseana Sarney

A Coluna estava certa quando, há algumas semanas, observou que a ex-governadora Roseana Sarney (MDB) corria o risco de ter sua credibilidade abalada se continuasse mudando seu projeto eleitoral a cada semana, ora candidata ao Governo do Estado, ora à Câmara Federal. O vai-não-vai foi tão frequente que muitos acreditaram ser a sua palavra final a declaração, dada há cerca de duas semanas, reafirmando sua pré-candidatura à Câmara Federal. Apesar das reservas, muitos acreditaram que sua trajetória entraria agora numa pista retilínea e regular. Só que a reviravolta anunciada nesta semana, com ela levantando a possibilidade de se candidatar ao Governo atendendo a pedidos no MDB, funcionou como mais um desvio de rota, agora também como uma ducha de água fria na sua credibilidade política. Tanto que agora ninguém a levou a sério, o que a colocou numa situação de também não ser levada a sério se voltar a se dizer pré-candidata a deputada federal.

São Luís, 20 de Janeiro de 2022.

Weverton sinaliza que manterá sua candidatura, mas avisa que não romperá com Dino

 

Weverton Rocha: candidatura ao Governo deve ser mantida, sendo ou não o escolhido

“Não quero ser candidato do Flávio Dino, do Lula, do Ciro Gomes ou de quem quer que seja. Quero ser candidato é do povo do Maranhão”. Com essa declaração, dada ontem em resposta à jornalista Carla Lima (TV Mirante), que lhe perguntou que, se não for escolhido candidato do grupo governista, abrirá mão ou manterá a candidatura do Governo, o senador Weverton Rocha (PDT), respondeu, de maneira indireta, que sua inclinação é por manter a candidatura. Mais do que isso, o pré-candidato pedetista deixou claro que não dá muita importância à carta-compromisso firmada pelos partidos da aliança liderada pelo governador Flávio Dino (PSB), e em nenhum momento da entrevista emitiu algum sinal de que pode arquivar seu projeto de candidatura. E foi explícito ao dizer que não aceitará a pecha de “traidor” mantendo-se na disputa. “Se o Flávio Dino fosse candidato a governador, ele seria o nosso candidato; mas ele não é”, afirmou, para arrematar uma outra afirmação, segundo a qual, o governador terá seu apoio para o Senado, mesmo que não o apoie para o Governo.

Na entrevista, o senador Weverton Rocha deixou muito claro que está determinado a disputar a eleição para o Palácio dos Leões. E sua motivação maior está nos números das pesquisas que até aqui o apontaram como o segundo em cenários com a ex-governadora Roseana Sarney (MDB), e em primeiro sem ela, agora com o vice-governador Carlos Brandão (PSDB) em segundo. Ele deixou no ar a impressão de que esse suporte e o seu trabalho como senador lhe não respaldo para pleitear a vaga de candidato a governador. E minimizou o poder de fogo do vice-governador Carlos Brandão, observando que o critério mais forte do projeto de candidatura dele é o fato de se tornar governador a partir de Abril. Vale registrar que suas referências ao seu principal concorrente nessa corrida foram cautelosas e feitas em tom ameno.

Para o pré-candidato do PDT, o fato de na reunião de 29/11/21 o governador Flávio Dino haver sugerido aos líderes da base governista o vice-governador como a melhor solução para o grupo não mudou o processo de escolha nem o fez rever sua posição. Manifestou convicção de que a discussão vai começar agora, na reunião do dia 31 de Janeiro. “Ele já escolheu pessoalmente o vice-governador Carlos Brandão, e respeito a decisão dele. Mas agora é o momento de discutirmos qual é a melhor opção do grupo para o Maranhão”, declarou, exibindo confiança de que pode virar o jogo e vir a ser o candidato da aliança governista, liderada pelo governador Flávio Dino.

Mesmo sendo enfático em relação à sua determinação de manter de pé o seu projeto de candidatura, o senador Weverton Rocha não admitiu o cenário de um confronto direto com o vice-governador Carlos Brandão, que será candidato como governador em busca da reeleição. Toda sua fala na entrevista foi no sentido de se apresentar como a melhor opção, que sabe o que quer e que está focado no projeto de ser governador agora. E nesse contexto, reconhece os avanços do Governo Flavio Dino, mas ao mesmo tempo os minimiza quando diz que o que aí está precisa melhorar, falando de projetos macro para turismo a industrialização.

Na entrevista, se por um lado foi enfático, como na reafirmação da pré-candidatura e em relação à importância política do governador Flávio Dino, por outro, deixou algumas indagações no ar. Não foi preciso quanto ao suporte político e partidário que dispõe para impulsionar o seu projeto. Mas falou como quem fala de uma base sólida, que ainda não é visível nem palpável, salvo pelos percentuais das pesquisas que mediram as intenções de voto a longa distância do pleito.

 

PONTO & CONTRAPONTO

 

Roseana libera mais um factoide insinuando candidatura do Governo

Roseana Sarney entre Arnaldo Melo, Socorro Waquim, Hildo Rocha, João Marcelo, à esquerda, e Lobão Filho, Roberto Costa e Assis Filho, após a reunião de segunda-feira

A ex-governadora Roseana Sarney (MDB) não será candidata ao Governo do Estado. A informação de que ela teria arquivado o projeto de disputar uma cadeira na Câmara Federal para entrar na briga pelo Palácio dos Leões não passou de uma pegadinha – que deve ser alimentada por algum tempo – para manter acesa a chama que o MDB precisa para conservar o espaço que ocupa no cenário político maranhense. Roseana Sarney tem todas os defeitos e virtudes de um político poderoso em decadência. Mas ninguém a subestime na arte de jogar. E quando, depois de admitir o arquivamento do projeto majoritário, ela libera essa informação após uma reunião do MDB, está mais que claro que se trata de um factoide destinado a medir o seu peso político. Certamente que a ideia de ser candidata ao Governo ainda alimenta algumas chamas na fogueira das suas vaidades e a esperança longínqua de muitos que a rodeiam e a mantêm como referência. Mas Roseana Sarney acumulou experiências doces e amargas suficientes para saber como se movimentar num tabuleiro como o de agora. Principalmente pelo fato de que os luminosos 30% de intenção de voto que lhe dão as pesquisas desaparecem sob os assombrosos 45% de rejeição. Então, basta uma conta simples para se chegar à conclusão de que é mais uma jogada de marketing para se manter em evidência e assim ajudar o seu partido. E, muito provavelmente, desembarcar na Câmara Federal em 2023 como uma voz de peso do MDB.

Secretários de Dino vão jogar duro por mandatos federais

Márcio Jerry, Carlos Lula, Clayton Noleto, Felipe Camarão e Márcio Honaiser são nomes fortes para a Câmara Federal

Ao deixar o Governo no dia 31 de março, o governador Flávio Dino será seguido por um grupo expressivo de secretários com poder de fogo para disputar cadeiras na Câmara Federal. Além de Márcio Jerry (PCdoB), que deixará a Secretaria das Cidades para buscar a reeleição de deputado federal, sairão fortemente embasados o secretário de Saúde, Carlos Lula (PSB), de Educação, Felipe Camarão (PT), Clayton Noleto (PCdoB) e Márcio Honaiser (PDT). Eles aparecem em todas as listas com nomes potencialmente fortes para essa disputa, para qual, tanto quanto os atuais integrantes da bancada, estão se preparando pesos pesados como os emedebistas Roseana Sarney e Lobão Filho, por exemplo. Será uma disputa como poucas em tempos recentes.

São Luís, 19 de Janeiro de 2022.

Cidadania confirma aliança com Brandão e deixa Eliziane isolada na base de apoio de Weverton

 

Eliziane Gama isolada após Cidadania declarar apoio à pré-candidatura de Carlos Brandão

Na corrida ao Palácio dos Leões no âmbito da aliança partidária liderada pelo governador Flávio Dino (PSB), há vários casos em que detentor de mandato – parlamentar ou de prefeito – filiado a um partido que tem pré-candidato a governador, resolve apoiar o pré-candidato de outra agremiação. O presidente da Assembleia Legislativa, deputado Othelino Neto (PCdoB), por exemplo, está alinhado ao pré-candidato do PDT, senador Weverton Rocha, quando o PCdoB declarou formalmente o seu alinhamento ao vice-governador Carlos Brandão (PSDB), o mesmo acontecendo com o prefeito de Caxias, Fábio Gentil, que apoia a pré-candidatura do vice-governador Carlos Brandão, enquanto o seu partido, o Republicanos, declarou alinhamento ao projeto de candidatura do pedetista Weverton Rocha. Vários outros exemplos estão acontecendo nessa linha, mas nenhum caso é mais constrangedor do que aquele que envolve a senadora Eliziane Gama, que apoia o pedetista Weverton Rocha, enquanto o seu partido, o Cidadania, contra a vontade dela, está posicionado com o vice-governador Carlos Brandão.

O caso da senadora chama a atenção pelo fato de que nada fundamenta a sua posição. Comandado por seu irmão, Eliel Gama, o braço maranhense do Cidadania, pelo qual ela se elegeu em 2018, contrariou frontalmente a sua orientação e declarou formalmente apoio à pré-candidatura do vice-governador Carlos Brandão. A senadora tentou mudar essa posição, pressionou o comando e as lideranças do partido e chegou mesmo a ameaçar com um pedido de intervenção no diretório estadual, mas o presidente Eliel Gama firmou posição e não se deixou dobrar pela força política da irmã. Intensas rodadas de conversa, diretas e por interlocutores, não foram suficientes para reverter a posição do Cidadania em relação ao vice-governador nem a da senadora em relação a Weverton Rocha.

O golpe fatal no descredenciamento da senadora Eliziane Gama como a voz decisiva do Cidadania no Maranhão foi dado no sábado (15). Naquele dia, ninguém menos que o presidente nacional do Cidadania, o deputado federal Roberto Freire, encontrou-se com Carlos Brandão e declarou, em alto e bom tom, que o partido está alinhado à candidatura dele à sucessão do governador Flávio Dino. A posição anunciada pelo presidente do Cidadania foi um golpe duro no prestígio político e partidário da senadora Eliziane Gama. Ao tentar confrontar o partido, ela expôs sua fragilidade dentro da agremiação, quando do lado de fora todos acreditavam que a senadora tinha a última palavra sobre os passos do partido. Não tinha.

A tomada de posição do presidente nacional do Cidadania em favor da pré-candidatura do vice-governador Carlos Brandão colocou a senadora Eliziane Gama na incômoda e politicamente perigosa situação de isolamento dentro do seu partido. Essa posição lhe deixa numa situação política desconfortável, principalmente no que diz respeito ao governador Flávio Dino, cuja atuação foi decisiva para que ela chegasse ao Senado da República. Qualquer avaliação da disputa senatorial de 2018 dirá que, sem o apoio do governador Flávio Dino, Eliziane Gama enfrentaria muitas dificuldades para se eleger ao Senado. Ao se posicionar agora contra o nome sugerido pelo governador, a senadora contraria a regra básica da lealdade nas relações políticas e partidárias. Além disso, pode estar criando enormes obstáculos ao seu futuro político, já que muito do que for decidido nas urnas nas eleições deste ano estará diretamente relacionado com o pleito de 2026.

Quando se posicionou, num gesto pessoal e não-partidário, pela pré-candidatura do senador Weverton Rocha, a senadora Eliziane Gama certamente o fez movida pela convicção de que o Cidadania a seguiria sem discussão, cometendo o erro político primário da precipitação ao colocar o carro à frente dos bois. Se tivesse conversado primeiro, poderia até ter levado o Cidadania para a base de apoio da candidatura do senador Weverton Rocha. Não se discute que o apoio de Eliziane Gama é valioso para o candidato pedetista, mas seria muito mais produtivo se ela estivesse também representando o Cidadania.

 

PONTO & CONTRAPONTO

 

Ana Paula Lobato assume a Prefeitura de Pinheiro

Observada por Othelino Neto, Ana Paula Lobato assina termo de posse como prefeita interina de Pinheiro

Décimo quarto maior e mais importante município do Maranhão, Pinheiro, consagrado como o epicentro econômico, político e cultural da Baixada Ocidental, tem novo prefeito desde ontem à tarde, com a posse da vice-prefeita Ana Paula Lobato (PDT), por causa do afastamento do titular do cargo, Luciano Genésio (PP), acusado de corrupção. A posse foi dada pela Câmara Municipal, cumprindo ordem judicial, em sessão comandada pelo presidente da Casa, Elizeu de Tantan (PP), que passa a ser o substituto eventual. Entre os presentes, o presidente da Assembleia Legislativa, deputado OIthelino Neto (PCdoB), marido de Ana Paula Lobato, que é enfermeira por formação e política por vocação.

Foi uma solenidade sem pompa, mas com forte simbolismo político. Primeiro, a mudança ocorreu porque o prefeito Luciano Genésio foi afastado sob suspeita de haver comandado uma quadrilha que pode ter desviado nada menos que R$ 36 milhões de recursos da educação e da saúde, podendo, se condenado, passar 34 anos na cadeia. Segundo, com o afastamento, as regras institucionais foram cumpridas com a posse da vice-prefeita pela Câmara Municipal, que a convocou cumprindo mandado judicial. E terceiro, porque Ana Paula Lobato, que é neta do ex-prefeito Pedro Lobato, entra para a História como a primeira mulher a comandar a Princesa da Baixada.

Empossada, a prefeita interina de Pinheiro se disse preparada para encarar os desafios que a aguardam, e deixou claro que para isso conta com o apoio da Câmara Municipal. Ela afirmou que dará continuidade às ações já em curso, e que fará o que puder para dar mais força à administração do município. E fez o apelo político comum a gestor experiente: “Conto com o apoio do nosso parlamento municipal para enfrentar e superar os desafios que virão”.

A resposta veio logo em seguida no discurso do vereador-presidente Elizeu de Tantan, que passa a ser também o “vice-prefeito”: “O Poder Legislativo sempre foi e sempre será aliado do Poder Executivo. Vamos seguir dando as mãos por Pinheiro. Prefeita Ana Paula, pode contar com o apoio dos vereadores no trabalho em prol dos pinheirenses”.

O presidente da Assembleia Legislativa, Othelino Neto, quer já tinha um relacionamento estreito com Pinheiro, saudou a posse na esposa e se disse ainda mais comprometido com o município a partir de agora: “Da mesma forma como Pinheiro já contava com minha ajuda, por meio da destinação de emendas, continuarei ajudando, utilizando nosso mandato para trazer mais benefícios ao município”.

Por outro lado, advogados contratados pelo PP tentam reverter a decisão que afastou o prefeito Luciano Genésio, mas conhecedores da situação dizem que ele dificilmente conseguirá voltar ao cargo em pouco tempo.

 

Definidas as forças para a disputa pelo comando da Câmara de São Luís

Paulo Victor tem vantagem sobre Dr. Gutemberg na Câmara

A algumas semanas da eleição, que ocorrerá em Abril, a corrida para o comando da Câmara Municipal de São Luís ganhou intensidade nas últimas hora, tendo como largada propriamente dita a desistência do vereador Raimundo Penha (PDT), quer abriu mão da candidatura em favor da candidatura do vereador Dr. Gutemberg (PSC), apoiado pelo prefeito Eduardo Braide (Podemos). O gesto de Raimundo penha fez com que as forças envolvidas na disputa pelo controle da Câmara de São Luís agissem rapidamente e iniciassem a semana com suas tropas definidas. O vereador Paulo Victor, candidato do PCdoB, anunciou estar sendo apoiado por 17 vereadores, enquanto o vereador Dr. Gutemberg posou ontem ao lado do prefeito Eduardo Braide, patrono da sua candidatura, rodeado por 14 vereadores. Se a eleição fosse ontem, Paulo Victor seria eleito com 17 dos 31 votos. Mas quem conhece a Câmara Municipal de São Luís sabe que o jogo está apenas começando.

São Luís, 18 de Janeiro de 2022.

A duas semanas da decisão sobre candidatura, Dino se diz otimista e lutando pela unidade do grupo

 

Flávio Dino ainda aposta num entendimento de Carlos Brandão e Weverton Rocha sobre sucessão nos Leões

“Continuo otimista quanto à unidade, e lutando por ela”. Foi a resposta direta dada pelo governador Flávio Dino (PSB) ao ser indagado a respeito das articulações para a escolha do candidato da aliança partidária governista à sua sucessão. Com a resposta, o governador disse nas entrelinhas que mantém a agenda de conversas visando a reunião do dia 31, quando, tudo indica, o grupo partidário baterá o martelo a favor do vice-governador Carlos Brandão (PSDB) – que foi sugerido pelo chefe do Executivo na reunião de 29 de Novembro do ano passado – ou do senador Weverton Rocha (PDT). Nos bastidores, os dois pré-candidatos estão liderando intensas articulações, enquanto seus aliados, principalmente na blogosfera, travam uma “guerra” de informação e contrainformação, que aqui e ali sai dos limites e entra no jogo bruto da pancadaria verbal. Diretamente envolvido na luta contra a Covid-19, especialmente nos preparativos para a vacinação de crianças, depois de ele próprio haver superado a virose, o governador Flávio Dino vai dedicar-se intensamente às articulações políticas na última semana de Janeiro.

O cenário do momento é mais ou menos o mesmo que encerrou o ano na corrida sucessória.

De um lado, pelo seu comportamento correto, discreto e ativo como vice-governador eleito e reeleito, que conhece a fundo o Governo em curso, e por haver se mantido leal ao grupo governista, Carlos Brandão conta hoje com o maior contingente de deputados federais, a maioria dos deputados estaduais e um número já expressivo de prefeitos, dando a impressão de que fortalece sua posição a cada dia.  Faz sua pré-campanha cumprindo uma intensa maratona de reuniões e conversas com parlamentares, prefeitos, líderes comunitários e sindicais, além de empresários e líderes religiosos. Conta com o apoio do PSDB, PSB, PCdoB, Cidadania, PV, PROS, e inclui na sua conta o PT e o MDB, que ainda não se definiram. Já é o segundo nome nas pesquisas.

Do outro lado, Weverton Rocha vem mantendo sua agenda de senador ativo, com uma forte linha de atuação parlamentar, nas atividades legislativas propriamente ditas e na destinação de emendas parlamentares, também liderando a bancada do PDT no Senado e dividindo seu tempo de trabalho em Brasília com atividades de presidente estadual do partido e de pré-candidato a governador. Conta com o apoio pessoal da senadora Eliziane Gama (Cidadania), cinco deputados federais assumidos e um número impreciso de deputados estaduais, além de pelo menos 70 prefeitos, segundo aliados seus. No campo partidário, tem o apoio do PDT, DEM, PSL, PP e Republicanos, esperando contar ainda com PT e MDB, que ainda não se decidiram. Faz sua pré-campanha com grandes eventos em cidades estratégicas, e lidera as pesquisas.

Todas as avaliações isentas, feitas por políticos que conhecem o caminho das pedras eleitorais do Maranhão, indicam que o vice-governador Carlos Brandão está fortalecendo o seu projeto com maior consistência e velocidade, o que pode ser explicado pelo fato de que daqui a dois meses e meio assumirá o comando do Estado e então, como governador, passará a brigar pela reeleição. Isso não significa dizer que o senador Weverton Rocha esteja enfraquecido. Ao contrário, mantém de pé o seu projeto de candidatura, dando todas as indicações que seguirá em frente, ainda que não venha a ser o escolhido, o que significará, na prática, o rompimento do grupo.

Quando afirma estar otimista e lutando pela unidade do grupo que lidera em torno de um candidato – Carlos Brandão ou Weverton Rocha, não existe terceira via -, o governador Flávio Dino sinaliza que a possibilidade de “racha” existe, mas sua aposta maior é na existência de uma margem enorme de espaço para a construção de um acordo entre o vice-governador Carlos Brandão e o senador Weverton Rocha.

 

PONTO & CONTRAPONTO

 

Conversa entre Roberto Rocha e Josimar de Maranhãozinho sobre PL não evoluiu

Roberto Rocha e Josimar de Maranhãozinho: sem acordo

Todos os sinais emitidos na seara oposicionista indicam que não estão evoluindo as conversas entre o senador Roberto Rocha (ainda filiado ao PSDB) e o deputado federal Josimar de Maranhãozinho para ingressar ao PL, seguindo a opção partidária do presidente Jair Bolsonaro, de quem é aliado de proa. Não há qualquer dificuldade no relacionamento dos dois, que são amigos e estão abertos ao diálogo. O problema é que o senador Roberto Rocha gostaria de ingressar no PL assumindo o controle de parte da agremiação, como o diretório de São Luís, por exemplo. Com o respaldo do presidente nacional, Valdemar da Costa Neto, que não esconde seu entusiasmo com a condução do braço maranhense do partido, Josimar de Maranhãozinho não aceita fazer qualquer concessão que implique dividir o controle do PL ou abrir mão do seu projeto de candidatura ao Governo do Estado. Não existe crise nem foco de tensão nessa relação, mas sim, o pragmatismo radical de Josimar de Maranhãozinho, que não aceita dividir com ninguém o controle do PL.

É provável que o senador Roberto Rocha esteja trabalhando um plano B.

 

PDT abre mão de brigar pelo comando da Câmara, como fez na disputa para a Prefeitura

Raimundo Penha e Dr. Gutemberg: acordo sem ganho para o PDT

A desistência do vereador Raimundo Penha (PDT) de disputar a presidência da Câmara Municipal de São Luís, declarando apoio à candidatura do vereador Dr. Gutemberg (PSC), chama a atenção para alguns aspectos que tornam intrigante a estratégia do PDT na Capital.

Na eleição para a Prefeitura de São Luís, o PDT abriu mão de brigar para valer pela sucessão do prefeito Edivaldo Holanda Jr., então filiado ao partido, preferindo lançar um candidato sem chance, Neto Evangelista (DEM), e a se aliar ao candidato Eduardo Braide (Podemos) no segundo turno, contra o candidato Duarte Jr., na época filiado ao Republicanos e apoiado pelo PCdoB e pelo governador Flávio Dino. O resultado foi que o PDT saiu das urnas destroçado: sem o comando da maior, mais importante e mais influente Prefeitura do Maranhão, e com uma bancada encolhida na Câmara Municipal.

A situação de agora na Câmara Municipal parece um desdobramento natural da eleição de prefeito: um dos quadros mais importantes do PDT de São Luís, o vereador Raimundo Penha (6.999 votos) sai da briga pelo comando da Casa, hoje presidida por um vereador do PDT, Osmar Filho, para apoiar a candidatura do vereador do PSC, Dr. Gutemberg (3.480 votos). E como se não bastasse, dando as costas para o candidato do PCdoB, vereador Paulo Victor (6.035 votos).

Como se vê, trata-se de uma estratégia difícil de ser compreendida no jogo político.

São Luís, 17 de Janeiro de 2022.

Pinheiro: prefeito pode ter carreira encerrada e vice tem o desafio de comandar Princesa da Baixada

 

Ana Paula Lobato vai assumir  a Prefeitura de Pinheiro com o afastamento de Luciano Genésio pela Justiça

A partir de Segunda-Feira (17), Pinheiro, um dos maiores e mais importantes municípios maranhenses, com 84.160 habitantes, terá novo prefeito: Ana Paula Lobato (PDT), vice-prefeita que assumirá temporariamente o comando municipal por causa do afastamento judicial do prefeito Luciano Genésio (PP), acusado de corrupção. A vice-prefeita foi convocada e será empossada pela Câmara Municipal por ordem do Tribunal Regional Federal da 1ª Região, por tempo indeterminado, uma vez que o afastamento do prefeito não tem data para terminar. A queda do prefeito de Pinheiro e a troca de comando no município com a ascensão da vice-prefeita tem forte impacto no cenário político estadual, uma vez que fragiliza a situação do PP, que perde o comando do 13º município maranhense, fortalecendo o PDT, que ganha o controle da Rainha da Baixada, conhecida nacionalmente como cidade-natal do ex-presidente José Sarney.

O prefeito Luciano Genésio corre o risco de não mais retornar ao comando municipal. Isso ocorrerá se a Justiça, com base nas robustas provas coletadas nas investigações feitas pela Polícia Federal na Operação Irmandade, concluir que ele montou mesmo e operou uma organização criminosa que desviou parte de R$ 36 milhões de contratos firmados pela Prefeitura com empresa que seria do próprio gestor pinheirense por meio de fraudes licitatórias. O afastamento dele, portanto, não surpreendeu. A medida judicial foi desdobramento do processo de investigação, que começou há mais de um ano, quando a denúncia de corrupção estourou, apontando-o como chefe da organização criminosa que desviou verbas do Fundo Nacional de Saúde (FNS) e do Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica (Fundeb). Na operação de Quarta-Feira (12), realizada em São Luís, Pinheiro e Palmeirândia, a Polícia Federal cumpriu 11 mandados de busca e apreensão e 10 mandados de sequestro de valores. Na residência do prefeito em São Luís apreendeu dinheiro vivo e joias.

Luciano Genésio divulgou nota com o seguinte teor: “Com serenidade e humildade enfrentaremos esse momento apresentando a nossa defesa e estando sempre à disposição das autoridades. Enquanto prefeito eleito majoritariamente pela vontade popular continuarei fiel às minhas obrigações e aos pinheirenses, e espero seguir trabalhando pelo melhor para o município de Pinheiro”.

Enquanto o processo estiver em andamento, Luciano Genésio não poderá entrar no prédio da Prefeitura de Pinheiro, fazer contato com outros acusados nem se ausentar da comarca onde reside. A Polícia Federal fez as contas e acredita que, se for condenado pelos crimes de que é acusado, corre o sério risco de ser condenado a até 34 anos de cadeia. Isso significará fatalmente o fim da sua carreira política.

Luciano Genésio chegou à Prefeitura de Pinheiro em 2016, no vácuo aberto pelo desgaste do prefeito Filuca Mendes (MDB), que controlou o município por vários anos. Filho do ex-prefeito José Genésio, que também enfrentou denúncias de desvio de dinheiro público, o jovem político pinheirense ascendeu como uma promessa de renovação. Membro destacado do PP, fez uma aliança com o PDT, que indicou para vice Ana Paula Lobato, neta do ex-prefeito Pedro Lobato e esposa do presidente da Assembleia Legislativa, deputado Othelino Neto (PCdoB). E ao assumir o comando municipal nesta Segunda-Feira, Ana Paula Lobato assumirá o desafio ético de afastar a Prefeitura de Pinheiro da chaga da corrupção e colocar o município nos trilhos.

No campo político, o afastamento do prefeito Luciano Genésio – pelo qual ele próprio é o único responsável, vale ressaltar -, e a ascensão da vice-prefeita Ana Paula Lobato podem favorecer a pré-candidatura do senador Weverton Rocha (PDT) ao Governo do Estado. E como presidente municipal do PDT pinheirense, ela poderá consolidar o trabalho que já vinha fazendo de fortalecer o partido em Pinheiro e na região. Ana Paula Lobato, que tem demonstrado que é politicamente voluntariosa e determinada, tem agora a chance de mostrar que, respeitando o limite ético de gestor temporário,  está pronta para comandar a cidade.

 

PONTO & CONTRAPONTO

 

Reviravolta em Pinheiro pode alterar jogo por mandato parlamentar

Thaíza Hortegal, Leonardo Sá e Luciana Genésio na disputa

A mudança no comando de Pinheiro pode ter reflexos fortes na disputa para a Assembleia Legislativa. A deputada estadual Thaíza Hortegal (PP), recém separada do prefeito Luciano Genésio, vinha perdendo terreno com a pré-candidatura da irmã do prefeito, Luciana Genésio, à Assembleia Legislativa, que sofre um duro golpe com a reviravolta. Correndo por fora, o deputado estadual Leonardo Sá (PL) pode também se beneficiar com os desdobramentos políticos da Operação Irmandade. O caldo pode entornar se o ex-prefeito Filuca Mendes (MDB) decidir entrar na briga por uma cadeira na Assembleia Legislativa. Outra possibilidade é o ex-deputado federal Victor Mendes (MDB) decidir se candidatar novamente e abalar a votação do deputado federal André Fufuca (PP).

 

Camarão arquiva projeto leonino e será candidato a deputado federal

Felipe Camarão anuncia que disputará vaga na Câmara Federal

O secretário de Estado da Educação, Felipe Camarão, arquivou definitivamente seu projeto de candidatura ao Governo do Estado nas eleições deste ano. O fez oficialmente em carta dirigida ao comando do PT, seu partido, a quem comunicou que deixará o cargo em abril para ser candidato a deputado federal. Com a iniciativa, Felipe Camarão deu uma demonstração de que tem faro apurado e jogo de cintura para se movimentar na política. Sua meteórica e ruidosa pré-candidatura do Palácio dos Leões nasceu por um fio e sem futuro algum, mas o tempo que sobreviveu foi suficiente para colocar num patamar de evidência o seu Plano B, que na verdade era o Plano A. Com esses movimentos, ganhou adeptos dentro e fora do PT, deixando no ar a impressão de que seu projeto de trabalhar quatro anos em Brasília tem tudo para dar certo. Mais do que isso: o projeto leonino poderá ser desarquivado em 2026.

São Luís, 15 de Janeiro de 2022.

Com JP presidente e Mical chefe do braço feminino, PTB vira falange bolsonarista no Maranhão

 

Mical Damasceno e Josivaldo JP emolduram Graciela Nienov, presidente do PTB

A distorcida e, na visão de muitos, inaceitável orientação ideológica que vem norteando os passos do PTB, um partido que nasceu na centro-esquerda, o está transformando numa agremiação de extrema-direita, porta-voz do que há de mais radicalmente conservador no contexto partidário-ideológico nacional. O mais nítido exemplo dessa assombrosa guinada, concebida e posta em prática pelo seu presidente, ex-deputado federal Roberto Jefferson, está acontecendo exatamente no Maranhão. A reviravolta começou no ano passado, com a destituição do deputado federal Pedro Lucas Fernandes da presidência regional, que foi entregue à deputada Mical Damasceno, ontem tornada chefe nacional do PTB Mulher, substituída no comando estadual pelo deputado federal Josivaldo JP, que saiu do Podemos. As manobras, comandadas pela presidente nacional temporária Graciela Nienov, uma espécie versão feminina de Roberto Jefferson – que está preso por atos antidemocráticos –, ignoraram ostensivamente o prefeito de São Pedro dos Crentes, Lahesio Bonfim, pré-candidato a governador e o mais expressivo nome do partido hoje no Maranhão.

As mudanças, feitas pelo comando nacional petebista com o objetivo de varrer resistências e colocar o partido inteiramente à serviço do bolsonarismo, atiraram o velho e outrora influente PTB no limbo da política estadual. O ponto a assinalar é a inexpressividade política e eleitoral dos atuais dirigentes do partido, o agora presidente deputado federal Josivaldo JP e a deputada estadual Mical Damasceno, que nada sabem sobre o trabalhismo que inspirou surgimento do partiddo.

O comerciante Josivaldo JP se tornou deputado federal com apenas 23.113 votos recebidos em 2018, concorrendo pelo PHS numa aliança que incluiu o PMN liderado por Eduardo Braide, que saiu das urnas com nada menos que 189.843 votos. Com a sua votação, Josivaldo JP jamais teria condições de ascender à Câmara Federal, mas a eleição de Eduardo Braide para a Prefeitura de São Luís lhe abriu a “porta da esperança”. Ficou tão entusiasmado que se filiou ao Podemos seguindo Eduardo Braide. Na Câmara, se alinhou automaticamente a banda bolsonarista, cumprindo sem discutir as orientações do Palácio do Planalto, o que o tornou um defensor de proa do Governo Bolsonaro. Essa posição causou desconforto no Podemos e a sua permanência no partido se tornou impossível depois da escolha do ex-ministro Sérgio Moro como candidato à presidência da República.

O convite para se filiar ao PTB e assumir o comando do partido no Maranhão foi uma espécie de tábua de salvação e, vale anotar, uma saída por cima diante da situação em que se encontrava no Podemos. O comando do PTB avalia que lucrou ganhando um deputado federal e colocando um bolsonarista roxo à frente do PTB maranhense.

A deputada Mical Damasceno foi eleita em 2018 para a Assembleia Legislativa pelo PTB com módicos 30.693 votos, notabilizando-se pelo agressivo discurso que mistura ação parlamentar com práticas evangélicas – ela costuma cantar louvores na tribuna, por exemplo. Nessa linha, revelou-se um quadro da direita radical, que a levou naturalmente para as fileiras do bolsonarismo. Eleita na aliança liderada pelo governador Flávio Dino (PSB), ela se manteve por meses como aliada do Palácio dos Leões, do qual se distanciou aos poucos para assumir a linha bolsonarista radical pregada pelo comando nacional do PTB. E não deu outra: Mical Damasceno foi alçada ao comando do PTB do Maranhão com a destituição do deputado federal Pedro Lucas Fernandes, eleito em 2018 com 111.538 votos, por haver ele se posicionado contra projetos do Governo. O comando do PTB Mulher foi um prêmio de consolação pela destituição da presidência estadual.

É surpreendente ver um partido que já teve nos seus quadros nomes como Epitácio Cafeteira, Cesário Coimbra, Manoel Ribeiro, Pedro Fernandes e Pedro Lucas Fernandes, todos de grande expressão política e denso suporte eleitoral, estar hoje reduzido ao deputado federal Josivaldo JP e à deputada Mical Damasceno, os quais, somados, representam menos de 55 mil votos. E ainda esnobe um prefeito reeleito, e que está entre os quatro pré-candidatos assumidos ao Governo do Estado.

 

PONTO & CONTRAPONTO

 

Othelino Neto propõe Passaporte da Vacina no estado

Othelino Neto: Passaporte da Vacina para salvar vidas

Se a Assembleia Legislativa aprovar o Projeto de Lei Nº 001/2022, proposto ontem pelo seu presidente, deputado Othelino Neto (PCdoB), o Maranhão vai dar mais um passo civilizado na luta coletiva contra a Covid-19. O PL institui o Passaporte da Vacina, ou seja, a obrigatoriedade de apresentação do comprovante de imunização para acesso a bares, restaurantes, hotéis, pousadas, academias e eventos coletivos de maneira geral.

O PL institui que o documento físico ou eletrônico comprovando a vacinação deve ser exigido pelos estabelecimentos a todos os cidadãos que, de acordo com a sua idade, já estejam autorizados a tomar o imunizante contra o coronavírus. Aqueles que, por motivos médicos, não podem tomar qualquer tipo de imunizante deverão comprovar essa condição para ter acesso aos estabelecimentos ou eventos. Mais: caberá aos responsáveis pelos estabelecimentos a cobrança do Passaporte da Vacina, que pode ser emitido pela autoridade sanitária de cada município ou pelo Governo Federal por meio da plataforma ConecteSUS, do Ministério da Saúde.

Os argumentos do presidente da Assembleia Legislativa são indiscutíveis: resguardar a saúde dos maranhenses e incentivar a vacinação diante do aumento do número de casos de contaminação pela variante Ômicron do coronavírus.

– A vacinação é que tem contribuído para que não tenhamos casos graves de Covid-19 e mais internações nas unidades de saúde. Por isso, a exigência do Passaporte da Vacina para acesso aos estabelecimentos e eventos que reúnam grande público é fundamental, principalmente para estimular aqueles que ainda não se vacinaram a buscarem a imunização – justificou o deputado Othelino Neto.

O PL deve ser votado no início de Fevereiro.

 

Livre do novo coronavírus, Dino retoma rotina administrativa e articulações políticas

Flávio Dino livre do coronavírus e de volta à rotina

Após vencer o coronavírus, o governador Flávio Dino está de volta à rotina de trabalho administrativo e às tratativas políticas. Administrativamente, deve cumprir por enquanto uma agenda mais leve de audiências e despachos presenciais, não devendo retomar de imediato sua programação de inaugurações nas mais diferentes regiões do estado. Politicamente, vai continuar conversando sobre a sucessão estadual e sua candidatura ao Senado, e no plano nacional, defendendo uma ampla aliança em torno do ex-presidente Lula (PT), ao mesmo tempo em que continuará exercendo sua visão crítica em relação ao Governo Bolsonaro e a atos do próprio presidente da República. No plano estadual, o compromisso mais importante do governador está agendado para o dia 31 de Janeiro, quando reunirá os partidos da aliança que lidera para bater definitivamente o martelo sobre quem será o candidato governista à sua sucessão, o vice-governador Carlos Brandão (PSDB) ou o senador Weverton Rocha (PDT). Até lá, o chefe do Executivo estadual intensificará as conversas em busca de uma candidatura de consenso.

São Luís, 14 de Janeiro de 2022.