Todos os posts de Ribarmar Correa

Com filiações, PSB caminha para ser o partido mais forte do Maranhão na corrida às urnas

 

Adelmo Soares e Antônio Pereira entram hoje no PSB e devem ser acompanhado por Rubens Pereira jr.

Ao receber hoje em seus quadros os deputados estaduais Adelmo Soares, que deixa o PCdoB, e Antônio Pereira, que sai do DEM, para se juntar aos deputados Duarte Jr., Marco Aurélio e Edson Araújo, o Partido Socialista Brasileiro (PSB), liderado pelo governador Flávio Dino, passa ter a segunda bancada na Assembleia Legislativa, com cinco cadeiras, podendo se tornar a maior até o final de março, quando termina a “janela partidária”. A força política e eleitoral da legenda socialista será turbinada ainda mais com a iminente entrada do vice-governador Carlos Brandão, que deixará o PSDB, e do deputado federal Rubens Jr., que deixou o PCdoB, o que lhe dará ganhando o posto de maior e mais robusto partido do Maranhão, à medida que tem ainda o deputado federal Bira do Pindaré, seu presidente regional. Com essa mudança de estatura, o PSB caminha para as urnas com uma chapa majoritária politicamente poderosa, liderada por Carlos Brandão como governador em busca da reeleição, tendo Flávio Dino candidato ao Senado, e chapas proporcionais (Câmara Federal e Assembleia Legislativa) com grande potencial eleitoral.

As mudanças colocam o PSB na liderança do processo político estadual, tomando o lugar que vinha sendo ocupado pelo PCdoB desde as eleições de 2014, quando a agremiação comunista surpreendeu o mundo ao conquistar o primeiro Governo estadual desde a sua fundação, há um século. Naquele pleito, o “Partidão” realizou ainda a proeza de desbancar do poder o poderoso MDB, que dera as cartas na política do Maranhão durante quase três décadas. Com essa nova estatura, a legenda socialista se credencia para ser o novo partido hegemônico nos próximos tempos, bastando para isso vencer as eleições para o Governo e para o Senado.

Nesse momento, o PSB rivaliza com o PDT, de centro-esquerda liderada pelo senador Weverton Rocha, pré-candidato ao Governo, condição que coloca o partido na posição de principal concorrente. O diferencial está no fato de que o PSB estará no comando do Governo do Estado, com o então governador Carlos Brandão em busca da reeleição, o que lhe dá uma vantagem política excepcional, reforçada com a força política do seu principal líder, Flávio Dino, apontado em todas as pesquisas como franco favorito na corrida senatorial. Por conta dessa guinada, que se consolida com as filiações de hoje, a tendência do PSB é ganhar mais poder nas urnas com candidatos fortes à Assembleia Legislativa e à Câmara Federal.

Diante da situação que ganha forma, adversários da aliança governista tentam colocar em dúvida a força política e eleitoral do PSB com o argumento de que o partido não tem base nos municípios, à medida que elegeu apenas seis prefeitos em 2020, quando o PDT elegeu 42, o PL 40, o Republicanos 25 e o PCdoB 22, por exemplo. O argumento parece consistente, mas em matéria de política sua validade é muito frágil. Os prefeitos do PCdoB e metade dos do Republicanos apoiarão Carlos Brandão, o que deve acontecer também com os de outros partidos. O equilíbrio entre PSB e PDT só se dará na Assembleia legislativa, com o diferencial de que a legenda pedetista terá o presidente da Casa, o deputado Othelino neto, que deixará o PCdoB para ingressar no PDT.

O fato concreto neste momento é que o PSB ganha a oposto de legenda mais influente do Maranhão, e com a vantagem excepcional de ter o controle da máquina pública estadual e liderar a maioria governista na Legislativa e atuar com dois deputados na Câmara Federal. Caberá ao governador Carlos Brandão liderar esse processo, sucedendo a Flávio Dino, que a partir de abril se dedicará mais à prepararão do partido para as eleições, às quais concorrerá com adversários sedentos de poder.

 

PONTO E CONTRAPONTO

 

Braide entra de cabeça na briga pelo controle da Câmara Municipal

Eduardo Braide no fogo cruzado entre Gutemberg Araújo e Paulo Victor

Com o mapa das tendências nas mãos, que indicam a liderança do vereador Paulo Victor (PCdoB) na disputa pela presidência da Câmara de São Luís, o prefeito Eduardo Braide (Podemos) decidiu arregaçar as mangas com a determinação de fortalecer o seu candidato, vereador Gutemberg Araújo (PSC). Ele não pensou duas vezes em isolar o então líder do Governo, vareador Marcial Arruda (Podemos), que decidiu apoiar a candidatura de Paulo Victor, abrindo uma brecha gigantesca e politicamente perigosa na base governista. O isolamento se deu com a destituição do posto de líder, que foi entregue ao vereador Raimundo Penha (PDT). Agora correm duas indagações nos bastidores do Palácio Pedro Neiva de Santana: O novo líder reverterá a tendência? Qual o próximo passo do prefeito para fortalecer seu candidato? Quem conhece os meandros da política municipal sabe que prefeitos erraram mais do que acertaram ao se envolverem diretamente nas eleições para a presidência da Câmara Municipal de São Luís. Ninguém duvida do poder que o Palácio de la Ravardière exerce sobre os vereadores. O problema é que o vizinho Palácio dos Leões tem interesse na disputa e apoia o adversário favorito.

 

Dino e Brandão estão sintonizados na troca de comando

Flávio Dino e Carlos brandão: sintonia fina desde o início do primeiro Governo

O governador Flávio Dino dá um exemplo de habilidade e de desprendimento político no processo de transferência do poder para o seu substituto, o vice-governador Carlos Brandão, que pretende se reeleger em outubro. Os dois conversam diariamente, todas as decisões relevantes são compartilhadas, com o futuro governador sendo informado detalhadamente sobre a situação do Governo, especialmente no que diz respeito às finanças públicas, num raro processo de sintonia. Esse entendimento permitirá a Carlos Brandão assumir o comando do Estado sem o risco de sobressaltos.

 

Em Tempo: A Coluna se curva em homenagem a todas as mulheres do mundo, em especial as ucranianas, atingidas pelos horrores de uma guerra insana.

São Luís, 08 de Março de 2022.

Confirmado no Podemos, Braide começa a se movimentar no complicado xadrez sucessório

 

Eduardo Braide ao lado do vereador Raimundo Penha (PDT), novo líder do Governo

Com a confirmação de que permanece no comando do braço do Podemos no Maranhão, encerrando rumores de que teria perdido o controle do partido, o prefeito Eduardo Braide começou a dar sinais indiretos de que vai mesmo apoiar a candidatura do ex-juiz Sérgio Moro (Podemos) à presidência da República e que tende a apoiar a candidatura do senador Weverton Rocha (PDT) ao Governo do Estado. Balizado na discrição e na cautela que sempre orientaram seus passos na política, ele próprio não deu ainda nenhuma declaração sobre a corrida eleitoral em curso. No entanto, o seu envolvimento direto, por exemplo, na disputa pelo comando da Câmara Municipal, que é vital para o futuro da sua gestão, e os fatos que vêm ocorrendo em torno do Palácio de la Ravardière, são indicativos fortes de que ele caminha para entrar no jogo, se posicionando com clareza em relação à disputa para a presidência da República e o Governo do Estado, podendo ainda se manifestar, ou não, em relação à disputa para o Senado.

A confirmação de que é o manda-chuva do Podemos no Maranhão o vincula partidária e politicamente à pré-candidatura do ex-juiz Sérgio Moro. Se esse projeto se consolidar – o que não aconteceu até aqui -, o prefeito de São Luís não terá outro caminho a não ser apoiar Sérgio Moro, como também montar palanque e assumir o comando da campanha do ex-ministro da Justiça e hoje ferrenho inimigo do presidente Jair Bolsonaro (PL), candidato à reeleição. Não será uma tarefa política fácil, uma vez que o prefeito ficará no meio do fogo cruzado das campanhas do ex-presidente Lula da Silva (PT), que tem muita força em São Luís, do atual presidente, que conta com uma turma pequena e barulhenta, e do ex-governador Ciro Gomes (PDT), que, pelo menos em tese, deve ser apoiado pela militância pedetista da Capital. Um cenário complicado e de difícil posicionamento sem correr o risco de entrar na “linha de tiro” de adversários.

Com relação à corrida ao Palácio dos Leões, o prefeito Eduardo Braide tem sido mais cauteloso ainda, mas os fatos – como a disputa para o comando da Câmara Municipal – estão indicando que ele se movimenta para apoiar, não se sabe ainda em que grau, o projeto de candidatura do senador Weverton Rocha. Os indicativos são o apoio que o senador e seu grupo lhe deram no segundo turno da eleição de 2020, e o segundo tem sido a relação próxima dele com o PDT, materializada na indicação do vereador pedetista Raimundo Penha, um dos mais ativos apoiadores de Weverton Rocha, para o posto de líder do Governo na Câmara Municipal, substituindo o vereador Marcial Arruda, do seu partido, o Podemos, que poderia ser tranquilamente confirmado no posto. Além disso, Podemos e PDT estão empenhados no apoio à candidatura do vereador Gutemberg Araújo (PSC), que disputa a presidência da Câmara com o vereador Paulo Victor (PCdoB), apoiado por aliados do vice-governador Carlos Brandão.

No que diz respeito à disputa para o Governo do Estado, o prefeito Eduardo Braide enfrenta uma situação delicada. Pelo menos nove entre dez observadores da política estadual o veem reelegendo-se em 2024 e renunciando em 2026 para ser candidato a governador. O problema é que, se Weverton Rocha, que ele tende a apoiar, for eleito, fatalmente será candidato à reeleição em 2026, o que reduzirá drasticamente suas chances de chegar aos Leões naquela eleição. A vitória de Carlos Brandão, ao contrário, zerará o jogo, uma vez que ele não poderá disputar a reeleição. Como é possível perceber, o posicionamento do prefeito Eduardo Braide na sucessão estadual não é tão simples como muitos imaginam.

E nesse contexto de razoável complexidade no que lhe diz respeito, o prefeito Eduardo Braide vem se movimentando com cautela e pragmatismos extremos. Sabe que no ambiente político de São Luís, entrar de cabeça na campanha de Sérgio Moro para presidente pode resultar num desastre político. E tem plena consciência de que não pode ficar isento em relação à disputa pelo Governo, e que a escolha errada pode lhe valer um adversário incômodo no Palácio dos Leões.

 

PONTO & CONTRAPONTO

 

PSTU reaparece e lança Hertz ao Governo e Arcangeli ao Senado

Hertz Dias e Saulo Arcangeli defenderão as cores do PSTU

O PSTU, velho de guerra, reapareceu no cenário político do Maranhão e lançou o professor de História da rede pública estadual Hertz Dias candidato a governador e o professor de Matemática da Uema e servidor federal Saulo Arcangeli candidato a senador nas eleições deste ano. Os dois foram candidatos nas eleições estaduais de 2018 e nas eleições de São Luís em 2020. São, portanto, veteranos, que conhecem o caminho das pedras, têm clareza das dificuldades que enfrentarão, mas parecem ter imensa dificuldade de interpretar o sempre eloquente recado das urnas a cada eleição: o eleitorado não quer conversa com a esquerda radical.

O professor Hertz Dias mantém inalterado o seu discurso, que prega a emancipação do proletariado e a abolição da propriedade privada, assegurando que se for eleito implantará no Maranhão um estado marxista, com processo revolucionário e tudo o mais, conforme pregou em 2018. Saulo Arcangeli tem uma visão bem mais avançada de esquerda, apesar do seu discurso aqui e ali recheado de conhecidos postulados marxistas.

O problema é que o PSTU só existe como partido no Maranhão, exatamente por inteiramente fora de cena. Mas a sua participação na corrida eleitoral é saudável, à medida que amplia o leque de visões para o grande debate a ser travado sobre a realidade social e política do Maranhão.

 

Filiação de Adelmo Soares e Florêncio Neto tem reflexo na Assembleia Legislativa

Adelmo Soares, Ricardo Capelli e Florêncio Neto

A migração do deputado Adelmo Soares do PCdoB para o PSB, após 12 anos de militância no “Partidão”, e a filiação de Florêncio Neto, acertadas com o secretário de Comunicação e Articulação Política, Ricardo Capelli, revelaram duas situações diretamente relacionadas com a corrida à Assembleia Legislativa. A primeira é que, com a saída de Adelmo Soares, o PCdoB ficará resumido ao deputado Carlinhos Florêncio e à deputada licenciada Ana do Gás, atual secretária da Mulher, já que o presidente do Legislativo, deputado Othelino Neto, também está de saída do “Partidão. Há quem diga que Adelmo Soares poderá assumir o comando do PSB em Caxias, para fazer frente ao poder dos Leitoa sobre o partido na vizinha Timon.

A outra situação é que o deputado Carlinhos Florêncio não será candidato à reeleição, devendo entrar na briga pela eleição do seu filho, Florêncio Neto, ex-vice-prefeito de Bacabal, que perdeu o cargo com a cassação da chapa liderada pelo prefeito Zé Vieira (PP). No meio político, corre que Carlinhos Florêncio espera passar o bastão de deputado estadual a Florêncio Neto, para então voltar às atividades empresariais e – quem sabe? -, disputar a Prefeitura de Bacabal em 2024, numa situação de jogo zerado, já que o prefeito Edvan Brandão não será candidato à reeleição.

São Luís, 06 de Março de 2022.

Sem Flávio Dino e outros líderes, PCdoB sofre mais um golpe ao perder Rubens Pereira Jr.

 

Márcio Jerry vai ficar sozinho no PCdoB com a saída de Rubens Jr., entre outros quadros

Depois de perder o governador Flávio Dino, que migrou para o PSB, e os deputados estaduais Duarte Jr., que passou pelo Republicanos e hoje está no PSB, Marco Aurélio, que também se filiou à legenda socialista, e o deputado Othelino Neto, presidente da Assembleia Legislativa, que está migrando para o PDT, o braço maranhense do Partido Comunista do Brasil (PCdoB) sofreu ontem mais um duro golpe: perdeu o deputado federal Rubens Pereira Jr.. Com a saída do parlamentar, o PCdoB passa agora a contar apenas com o deputado federal Márcio Jerry, seu presidente estadual e integrante do comando nacional do partido, e dois deputados estaduais: Carlinhos Florêncio e Adelmo Soares, e também a deputada licenciada Ana do Gás. Além disso, o PCdoB conta ainda com a maioria dos 22 prefeitos e um expressivo número de vereadores que elegeu em 2020, entre eles quatro em São Luís (Paulo Victor, Astro de Ogum, Concita Pinto e Fátima Araújo). É possível que o partido sofra outras perdas ao longo deste mês, período em que a “janela partidária” permanecerá aberta. Agora, o PCdoB se encontra na rota do seu desaparecimento como organização política.

Fundado em 1922, o PCdoB corre o risco de ser varrido da vida partidária brasileira exatamente quando completa um século de existência, tempo em que viveu longos períodos na clandestinidade, sob o comando de Luiz Carlos Prestes. O período mais longo de subsistência clandestina ocorreu duramente a ditadura militar de 1964 a 1984. Com a volta da democracia, coube ao então presidente José Sarney (PMDB) assinar o decreto que tirou o PCdoB das sombras, para se tornar um partido ativo sob o comando do lendário líder comunista João Amazonas.

No Maranhão, depois de um período de “timidez” com a volta da democracia, o PCdoB ganhou força no início do novo século, tornando-se a base do projeto de poder liderado pelo então juiz federal Flávio Dino que, juntamente com o jornalista Márcio Jerry e outros militantes oriundos do Movimento Estudantil e com passagem pelo PT, colocou o “partidão” no tabuleiro da política estadual. Sob a liderança de Flávio Dino, que se elegeu deputado federal em 2006, participando ativamente da histórica vitória de Jackson Lago (PDT) para o Governo do Estado, o PCdoB ganhou força e espaço, tendo se tornado a base partidária por meio da qual Flávio Dino articulou o movimento que o levou ao poder em 2014. E nesse contexto, o PCdoB se tornou a mais forte e importante máquina partidária do Maranhão, condição que manteve até junho do ano passado, quando o governador Flávio Dino deixou o partido e se filiou ao PSB.

Nos últimos sete anos, o PCdoB viveu no Maranhão o auge do seu poder. Teve um governador forte, uma bancada estadual expressiva, uma bancada federal respeitável, elegeu 47 prefeitos e mais de uma centena de vereadores em 2016, tendo mantido o seu poder de fogo em 2018, com a reeleição de Flávio Dino. O resultado que obteve nas urnas em 2018 foi pífio no resto do País, situação que o colocou no plano dos partidos ameaçados de extinção. A saída do deputado federal Rubens Jr. agrava muito a situação do partido no Maranhão, e mais ainda no amplo tabuleiro partidário nacional. Todas as previsões feitas até aqui indicam que o “partidão” sairá das urnas sem condições de continuar existindo como uma agremiação política.

O PCdoB está, de fato, fora do contexto político nacional. Ao contrário de outras legendas de esquerda, que se reinventaram nos últimos tempos, o partido não se reciclou, não fez ajustes na sua ideologia, não repensou sua doutrina, não modernizou seu programa, não atualizou seu discurso e não mudou de nome e nem aposentou a foice e o martelo como marca, dois símbolos incompreensíveis para o eleitor atual. Ou seja, o partido não se preparou para os novos tempos. Sintonizados com a realidade, o governador Flávio Dino e o deputado Márcio Jerry bem que tentaram dar ao PCdoB uma identidade preservando sua essência, mas não conseguiram.

Agora sem Flávio Dino e parte do seu grupo, mas ainda sob o comando quase paladino do presidente Márcio Jerry, o PCdoB enfrentará o desafio quase invencível de viver mais um século de solidão.

 

PONTO & CONTRAPONTO

 

Dino fez análise correta do que é hoje o Grupo Sarney

Flávio Dino acertou no diagnóstico

Tem toda razão o governador Flávio Dino quando diz que o Grupo Sarney já não existe. É verdade, e os fatos estão aí para mostrar. O MDB é a maior das fatias do que restou do grande grupo, mas o comando da ex-governadora Roseana Sarney não tem produzido situações que indiquem a retomada de pelo menos parte do poder de outros tempos. Isso está claro nesse processo de preparação para as eleições, a começar pelo fato de que partes do que foi o  Grupo Sarney tentam seguir seus próprios rumos.

É o caso, por exemplo, do PSD, liderado pelo deputado federal, Edilázio Jr. com o apoio do experiente deputado estadual César Pires, que tem o ex-prefeito Edivaldo Holanda Jr. como pré-candidato a governador. E do PSC, comandado no estado pelo deputado federal Aluísio Mendes, nascido politicamente das entranhas do sarneysismo. A própria posição independente do deputado estadual Adriano Sarney, que comanda o braço maranhense do PV, é uma evidência incontestável de que o sarneysismo não mais existe como grupo.

Hoje, o que já foi o Grupo Sarney, dono de uma hegemonia avassaladora na vida política do Maranhão, está concentrado no MDB, com dois deputados federais, três deputados estaduais, e onde uma ala jovem, liderada pelo deputado estadual Roberto Costa, tenta usar o pragmatismo para fortalecer o partido, mas enfrenta forte resistência por parte de quadros mais conservadores. E essa resistência vem do próprio José Sarney, que é um liberal com mentalidade conservadora.

O governador Flávio Dino, portanto, fez a interpretação correta do que é hoje o que já foi o Grupo Sarney.

 

Lahesio confirma candidatura ao Palácio dos Leões

Lahesio Bonfim: disse “não!”

É grande a expectativa na pequena São Pedro dos Crentes com a iminência da renúncia do prefeito reeleito Lahesio Bonfim (Agir36), para levar em frente o seu projeto de disputar o Governo do Estado, baseado na convicção de que tem condições de vencer a eleição.

Ele teria sido sondado para retirar sua candidatura em favor de “um nome de consenso” na oposição, reagindo com um sonoro “Não!”. E teria sido enfático na argumentação: o projeto é dele, os esforços feitos até agora foram dele, o que lhe dá o direito e a escolha de recusar a sondagem e confirmar a candidatura.

Se renunciar, terá cumprido apenas um ano e três meses do novo mandato, reeleito que foi em 2020. Quando se lançou pré-candidato a governador, ele anunciou que renunciaria o mandato em março. E no meio político é geral a convicção de que ele não recuará.

São Luís, 04 de Março de 2022.

Weverton lidera com folga em Imperatriz; Brandão alcança o patamar de dois dígitos

 

Weverton Rocha lidera seguido de Roberto Rocha, Lahesio Bonfim e Carlos Brandão em Imperatriz

O senador Weverton Rocha (PDT), pré-candidato ao Governo do Estado, acordou na Quarta-Feira de Cinzas com uma boa notícia: levantamento do instituto Econométrica em Imperatriz revelou que ele mantém larga vantagem na corrida ao Palácio dos Leões. Os números são os seguintes: Weverton Rocha lidera com 40% das intenções de voto, seguido do senador Roberto Rocha (PSDB, mas em busca de outra legenda) com 23,2%, o prefeito Lahesio Bonfim (Agir36) com 13,8%, o vice-governador Carlos Brandão (PSDB a caminho do PSB) com 11,4%, o deputado federal Josimar de Maranhãozinho (PL) com 2,5%, o ex-prefeito de São Luís Edivaldo Holanda Jr. (PSD), o suplente de deputado federal Simplício Araújo (SD) e Enilton Rodrigues (PSOL) com 0,7% cada. A pesquisa também encontrou 3,7% que anulariam o voto e 3% de indecisos. No cenário de agora, num confronto direto em eventual 2º turno, Weverton Rocha teria 60% contra 22% de Carlos Brandão.

O senador Weverton Rocha repetiu o desempenho de outras pesquisas em Imperatriz, segundo maior colégio eleitoral do Maranhão, e onde tem um trabalho político forte, com apoiadores importantes, como o prefeito Assis Ramos (União Brasil), que foi reeleito com apenas 25% dos votos, mas tem peso político, e o ex-prefeito e empresário Ildon Marques, vereadores, entre outras forças. O pré-candidato pedetista tem feito incursões frequentes ao município-polo da Região Tocantina, como o da semana passada, quando ali desembarcou acompanhado do presidente do Senado e pré-candidato a presidente da República, Rodrigo Pacheco (MG), para anunciar a pavimentação de bairros com recursos de suas emendas. Os 40% de intenções de votos encontrados pela pesquisa Econométrica indicam com clareza que, pelo menos até aqui, sua posição é sólida na sua terra natal.

Por outro lado, o pré-candidato PDT tem plena consciência de que dificilmente manterá liderança tão folgada pelos próximos sete meses, embora reúna as condições para ser o mais votado na Princesa do Tocantins. Em uma pesquisa anterior, realizada, salvo engano, no segundo semestre do ano passado, o pré-candidato pedetista mostrou a mesma força, quando o vice-governador apareceu com magros três pontos percentuais nas intenções de voto, como nas primeiras pesquisas em todo o estado. O levantamento do Econométrica o encontrou agora no patamar dos dois dígitos, com 11,4% de intenções de voto, num claro movimento ascendente, já ameaçando Lahesio Bonfim, que já aparece no seu raio de alcance.

Além da liderança do senador, um dos dados mais importantes da pesquisa divulgada ontem são os 23,2% dados ao senador Roberto Rocha, que poderá ou não ser candidato a governador. Se ele for mesmo candidato ao Palácio dos Leões, ganhará robustez como fator complicador da disputa em Imperatriz. Mas se sua opção for pela busca da reeleição, seu cacife será dividido, podendo beneficiar o governador em busca da reeleição. Ali, Carlos Brandão tem o apoio do ex-prefeito Sebastião Madeira (PSDB), do deputado estadual Marco Aurélio (PSB), que recebeu 24% dos votos para prefeito em 2020, do deputado Rildo Amaral (SD) e de vários vereadores, entre outras forças.

Embora chame a atenção pela elevada margem de erro (4,8%, um percentual inédito até aqui), a pesquisa mostra que o senador Weverton Rocha permanece forte em Imperatriz, que não sai do seu roteiro de pré-campanha. Ao mesmo tempo, seria ingenuidade da sua parte acreditar que posição tão confortável será mantida até a eleição. Afinal, o Governo Flávio Dino tem trabalho amplo e sólido na Princesa do Tocantins, o que lhe autoriza a realizar uma campanha forte, que, pelo menos, equilibre a disputa no segundo maior e mais importante município do Maranhão.

Em Tempo: A pesquisa foi feita nos dias 20 e 22, ouviu 405 eleitores em todo o município, tem intervalo de confiança de 95%, margem de erro de 4,8% e está registrada na Justiça Eleitoral sob o nº MA-05277/2022.

 

PONTO & CONTRAPONTO

 

Josimar de Maranhãozinho dificilmente manterá candidatura ao Governo

Josimar de Maranhãozinho: candidatura sem futuro

O deputado federal Josimar de Maranhãozinho (PL) mantém o discurso de que é pré-candidato ao Governo do Estado, mas nos bastidores corre a especulação de que ele permanecerá nessa trincheira verbal até que o senador Roberto Rocha resolva sua situação partidária e defina se será candidato a senador ou a governador – desde que não seja pelo PL. Quem conhece seus movimentos garante que ele arquivará esse discurso no início de abril, quando deverá colocar em prática a candidatura da deputada Detinha (PL), sua mulher, à Câmara Federal, e a dele à Assembleia Legislativa, ou, numa segunda hipótese, tentar manter como é hoje, ela no parlamento estadual e ele na Câmara Baixa do Congresso Nacional. A propalada candidatura ao Governo é jogo de cena. Primeiro porque todas as avaliações indicam que não existe possibilidade de ele vir a ser eleito governador, e as pesquisas mais recentes mostram isso com clareza. E segundo, porque sem um mandato ele ficaria numa situação de extremo desconforto nos planos pessoal, político e empresarial. Josimar de Maranhãozinho tem duas prioridades nessas eleições: conquistar um mandato e garantir o controle do PL, do Avante e do Patriotas no Maranhão. Sabe que sem um mandato federal, ele dificilmente manterá o controle desses partidos, especialmente o PL, que é a base do seu poder político. Em resumo: a menos que haja uma reviravolta política avassaladora, Josimar de Maranhãozinho não alimentará a fantasia de ser candidato a governador. Nem a senador.

 

Candidatura à Assembleia Legislativa pode ser o maior e desafio político de Murad

Ricardo Murad quer voltar à Assembleia

Ricardo Murad decidiu tentar um mandato na Assembleia Legislativa. A julgar pelos resultados eleitorais desastrosos que amargou nos últimos tempos – a não reeleição da deputada estadual Andreia Murad em 2018 e a derrota dura que sofreu na corrida à Prefeitura de Coroatá em 2020 -, não há, atualmente, referências que indiquem o seu poder de fogo eleitoral. Se conseguir se eleger, será deputado estadual pela quarta vez, tendo comandado a Casa entre 1987 a 1989, com poder ilimitado garantido pelo Palácio do Planalto. Depois de tantos sucessos e fracassos eleitorais, esse provavelmente será o seu maior desafio político, uma vez que, segundo corre nos bastidores, entra na disputa sem poder e sem dinheiro.

São Luís, 03 de Março de 2022.

“Janela” para migração partidária sem risco de perder mandato será aberta nesta Quinta

 

Othelino Neto e Wendell Lages mudarão de partido usando a “janela”; Carlos Brandão e Roberto Rocha farão migração partidária fora  das exigências

Nesta quinta-feira, terceiro dia do mês de março e a exatos sete meses das eleições, começa o período da “janela partidária”, por meio da qual deputado estadual e deputado federal poderão mudar de partido sem correr o risco de perder o mandato para a agremiação partidária que vierem a abandonar. No meio político maranhense, a expectativa é que um expressivo número de parlamentares troque de partido, num amplo processo de ajuste e acomodação com o objetivo de melhorar o seu desempenho eleitoral. Quadros como o presidente da Assembleia Legislativa, deputado Othelino Neto, que deverá migrar do PCdoB para o PDT, movimentarão o cenário político nos próximos dias. Fora da dos limites da “janela partidária”, outras mudanças estão previstas, no plano majoritário. As trocas partidárias proporcionarão os ajustes necessários para a composição das chapas proporcionais para as eleições de outubro. A “janela” permanecerá aberta até 1º de abril.

O sai-entra maior se dará na Assembleia Legislativa, onde vários deputados mudarão de partido. O exemplo mais expressivo será a mudança, já há tempos anunciada, presidente Othelino Neto. Ele se elegeu em 2014 e se reelegeu em 2018 pelo PCdoB, mas decidiu migrar para o PDT. A explicação é simples: o PCdoB é um dos pilares da pré-candidatura do vice-governador Carlos Brandão, enquanto que Othelino Neto é o mais importante apoiador da pré-candidatura do senador Weverton Rocha (PDT), o que tornou inviável, política e eticamente, sua permanência na agremiação comunista. O PDT é o seu caminho natural, e a filiação deve ser formalizada nos próximos dias.

Além do presidente Othelino Neto, vários deputados deverão mudar de partido. É o caso, por exemplo, de Wendell Lages, hoje no PMN e que deve migrar para o PDT. O deputado Rafael Leitoa, um dos quadros mais destacados do chamado “PDT de raiz”, por causa do rompimento do o Grupo Leitoa, em Timon, o que o levou a apoiar Carlos Brandão, deverá deixar o partido, não estando ainda definido o seu destino partidário, que poderá ser o PCdoB ou até mesmo o PSB, apesar de o partido em Timon ser controlado pelo seu arqui-inimigo, o ex-prefeito Luciano Leitoa. Fala-se também nos bastidores que a deputada Betel Gomes pode deixar o PRTB e ingressar num partido que integre a base governista, como o PP, tendo declarado apoio à pré-candidatura do vice-governador Carlos Brandão.

Outra especulação sugere que o deputado Ciro Neto, um dos apoiadores de proa do projeto de candidatura do senador Weverton Rocha, poderá deixar o PP para se filiar ao PDT ou ao União Brasil (fusão do DEM com o PSL), que também está alinhado ao pré-candidato pedetista. E ainda o deputado César Pires, que deve deixar o PV para se filiar ao PSD, no qual já está militando como um dos articuladores da pré-candidatura do ex-prefeito de São Luís, Edivaldo Holanda Jr., ao Governo do Estado.

Com base no que a Coluna apurou até agora, pelo menos por enquanto, não há previsão de que algum deputado federal use a “janela partidária” para mudar de partido. Março é um mês longo e deverá ser um período de muitas decisões políticas importantes relacionadas com as eleições de outubro. Daí ser precipitado afirmar que não haverá mudança na atual bancada federal.

Fora da “janela”, uma vez que os migrantes não correm o risco de perder mandato, outras definições partidárias estão previstas. A primeira e já definida envolve o vice-governador e pré-candidato a governador Carlos Brandão, que deve deixar o liberalismo do PSDB para se converter ao socialismo democrático do PSB, num acerto já encaminhado e que, segundo o presidente estadual da agremiação, deputado federal Bira do Pindaré, deve ser concretizado nos próximos dias. E a outra movimentação partidária prevista envolve o senador Roberto Rocha, que está “balançando” entre tentar a reeleição e disputar o Governo do Estado. Ele está filiado ao PSDB, tentou ingressar no PL, seguindo o presidente Jair Bolsonaro, mas foi brecado pelo presidente estadual da legenda, deputado federal Josimar de Maranhãozinho. Recentemente, o senador insinuou que poderá permanecer no PSDB, com a saída do vice-governador Carlos Brandão.

As quatro semanas de março, portanto, serão decisivas para a definição das chapas proporcionais e majoritárias.

 

PONTO & CONTRAPONTO

 

Posição de Mateus reforça apoio da classe empresarial a Brandão

Wilson Mateus reforçou apoio do empresariado a Carlos Brandão

Repercutiu bem no meio político e empresarial a declaração do empresário Wilson Mateus, dono do Grupo Mateus, manifestando apoio à pré-candidatura do vice-governador Carlos Brandão. Na sua declaração, Wilson Mateus, que hoje comanda o nono grupo supermercadista do País, avaliou que Carlos Brandão tem história como político e a experiência de sete anos como vice-governador, o que lhe autoriza a entrar na disputa. “Ele tem bons projetos para o Maranhão”, disse o empresário, exibindo convicção em relação ao que estava declarando.

Carlos Brandão, que assumirá o Governo daqui a exatamente um mês, tem ampla base de apoio na classe empresarial, posição que ficou demonstrada pelo presidente da Federação das Indústrias do Maranhão, Edilson Baldez, há algumas semanas, quando declarou, num evento da Fiema, que o pré-candidato “é quase uma unanimidade entre os empresários”. Segundo Edilson Baldez, Carlos Brandão tem sido um interlocutor importante do Governo Flávio Dino com a classe empresarial.

 

Weverton deve fazer ajustes no roteiro e no conteúdo da sua pré-campanha

Weverton Rocha

O senador Weverton Rocha aproveita o feriado momesco para revisar sua pré-campanha e tomar algumas decisões destinadas a dinamizá-la. Ele tem conversado com seus principais aliados, a começar pelo presidente da Assembleia Legislativa, deputado Othelino Neto, avaliando cada passo da sua caminhada rumo às urnas. Líder em todas as pesquisas feitas sem a participação da ex-governadora Roseana Sarney, que decidiu mesmo disputar cadeira na Câmara Federal, Weverton Rocha tem sentido a ameaçadora aproximação do vice-governador Carlos Brandão. Esse cenário, no qual sua pré-candidatura parece estacionada, enquanto o seu principal concorrente avança, precisa ser avaliado, de modo que ajustes sejam feitos no roteiro e no conteúdo da pré-campanha. O senador tem dito que sua pré-candidatura não tem volta, usando a imagem de um foguete que “não dá marcha à ré”. Isso significa que ele está determinado a brigar agora pelo Palácio dos Leões, e para isso precisa fortes argumentos para dinamizar e alimentar sua campanha.

São Luís, 02 de Março de 2022.

Brandão avança nas articulações e consolida seu arco de alianças partidárias  

 

Em cima, Carlos Brandão cumprimenta presidente do MDB, Baleia Rossi, e embaixo, se reúne com o presidente do PP, André Fufuca, na sua recente incursão politica em Brasília

O vice-governador Carlos Brandão passa o período do que reinado de Momo consolidando a base partidária da sua pré-candidatura ao Palácio dos Leões, que na verdade disputará na condição de governador em busca da reeleição. Nas últimas duas semanas, ele fez as últimas costuras e obteve a confirmação definitiva do seu ingresso no PSB, teve confirmado também o apoio do PT e selado parceria com o Progressista, ampliando assim, de maneira definitiva, um arco de aliança partidária que já conta com a participação firme do PCdoB, do PROS e do Avante, podendo contar ainda com o embalo informal, mas declarado, do MDB. Tem sido um processo cuidadoso, sem açodamento, com articulações bem amarradas, que envolvem, num outro patamar, deputados federais e estaduais, o prefeitos e vereadores, muitos de partidos que não estão na sua base de apoio. Além disso, o vice-governador tem mantido diálogo aberto e franco com os canais mais importantes da sociedade civil organizada, como as entidades empresariais e sindicais, entre outras, ampliando cada vez mais o seu raio de ação política, numa movimentação sintonizada com o governador Flávio Dino (PSB).

O seu caminho partidário está decidido. Ele vai ingressar mesmo no PSB, liberando o PSDB, cujo destino nacional fará uma federação com o Cidadania. No PSB, liderará uma chapa tendo Flávio Dino como candidato ao Senado. Sua conversão ao socialismo democrático já obteve a concordância da direção nacional do partido, conforme ventilou recentemente o presidente da agremiação no Maranhão, deputado federal Bira do Pindaré, com a chancela do presidente nacional, Carlos Siqueira. O ato de nomeação deverá ser agendado para a próxima semana, com a chegada das águas de março.

A aliança com o PT, que já havia sido decidida pela direção estadual, foi reafirmada sexta-feira pela presidente nacional, deputada federal Gleise Hoffman (PR), que nas suas declarações deixou claro tratar-se de fato consumado. Além da declaração da presidente, nacional, o apoio petista já havia sido confirmado pelo presidente estadual da agremiação, Francimar Melo, e reforçado por uma manifestação contundente do deputado federal Zé Carlos Araújo. Nos bastidores, especula-se que o PT pode indicar o companheiro de chapa de Carlos Brandão ou o primeiro suplente da chapa do governador Flávio Dino ao Senado.

Diante na neutralidade anunciada pela ex-governadora Roseana Sarney, Carlos Brandão conversou com o presidente nacional do MDB, deputado federal Baleia Rossi (SP), a quem pediu e o teve aval ao apoio do partido à sua pré-candidatura. Com a iniciativa, ele fortaleceu a aliança que já firmou com os deputados estaduais (Roberto Costa, Socorro Waquim e Arnaldo Melo) e prefeitos do partido. E com isso desmanchou parte da dúvida levantada há duas semanas por causa do jantar no qual os deputados federais emedebistas Hildo Rocha e João Marcelo reuniram chefes partidários de oposição em busca de uma candidatura de consenso. Obteve do presidente emedebista Baleia Rossi o aval que precisava para prosseguir com as conversações com os líderes do partido no Maranhão.

Na mesma incursão por Brasília, o vice-governador se reuniu com o presidente nacional interino do PP, deputado federal André Fufuca, que comanda o partido no Maranhão e conformou seu apoio ao seu projeto de candidatura.

O vice-governador Carlos Brandão cumpre um roteiro bem planejado, que consiste inicialmente na montagem de uma base política e partidária sólida, para em seguida avançar na pré-campanha no campo eleitoral propriamente dito. Todas as avaliações feitas até aqui indicam com clareza que seu projeto de candidatura é politicamente consistente, a começar pelo fato de que tem o governador Flávio Dino como principal avalista e incentivador. Reforçam a consistência a sua trajetória de político sem mancha, a estratégia de não limitar o seu arco de alianças, além, é claro, da condição de governador efetivo, com plenos poderes, que assumirá no início de abril.

Essa movimentação foi também reforçada pelo avanço nas intenções de voto, revelado pelas duas pesquisas mais recentes, segundo as quais ele se descolou do grupo intermediário e se aproximou muito do primeiro colocado, o senador Weverton Rocha (PDT).

 

PONTO & CONTRAPONTO

 

Roberto Rocha desfaz dúvidas e diz que será candidato a senador ou a governador

Roberto Rocha: decisões em março

O senador Roberto Rocha usou suas redes sociais para desfazer o imbróglio causado pelo presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (PSD), que na sexta-feira, em Imperatriz, durante entrevista, declarou que ele, Roberto Rocha, não é pré-candidato a governador, afirmando que naquele ato, o que havia de certo em relação à corrida sucessória ao Governo do Maranhão era a pré-candidatura do senador Weverton Rocha. Roberto Rocha ouviu calado a declaração do presidente Senado, e no sábado, diante da forte repercussão que o fato ganhou, resolveu colocar os pingos nos is. Ele declarou, categoricamente, que ainda não resolveu se será candidato à reeleição – que afirma ser sua preferência – ou a governador. E avisou que tomará a decisão em março, quando também resolverá sua vida partidária, podendo permanecer no PSDB ou migrará para outro partido, de preferência que integre a base de apoio do presidente Jair Bolsonaro. Numa entrevista publicada na edição de sábado do jornal O Imparcial, o senador Roberto Rocha avisou que, qualquer que seja seu caminho partidário, sua candidatura ao Senado ou ao Governo será associada ao projeto de reeleição do presidente Jair Bolsonaro (PL).

 

Rodrigo Pacheco causa mal-estar em apoiadores de Edivaldo Jr.

Rodrigo Pacheco 

Corre nos bastidores que o presidente regional do PSD, deputado federal Edilázio Jr. e o pré-candidato do partido ao Governo do Estado, Edivaldo Holanda Jr. não teriam ficado nada satisfeitos com o presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (PSD-MG). Motivo: na sua estada em Imperatriz, ele jogou confetes na pré-candidatura do senador Weverton Rocha (PDT) ao Governo do Estado, elogiou aposição do senador Roberto Rocha, sem fazer qualquer referência ao pré-candidato do seu partido, Edivaldo Holanda Jr., que tem o apoio declaração do presidente nacional do PSD, Gilberto Kassab. Um apoiador do ex-prefeito de São Luís interpretou como descortesia a postura de Rodrigo Pacheco e garantiu que ele dificilmente terá seu voto se vier a ser confirmado candidato a presidente da República pelo partido.

São Luís, 28 de Fevereiro de 2022.

Com Roberto Rocha fora, corrida aos Leões será mais disputada

 

Roberto Rocha: fora da disputa pelo Governo

Se confirmada, a revelação feita pelo presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (PSD-MG), de que o senador Roberto Rocha (ainda no PSDB) teria lhe confidenciado que não será candidato a governador, tem o poder de causar forte alteração e tornar mais intensa a corrida ao Palácio dos Leões. Essa informação – não negada pelo senador, que ouviu a “inconfidência” do presidente do Senado esboçando um sorrido de concordância -, enxuga o quadro de pré-candidatos e pode promover algumas mudanças no ranking da corrida, na qual Roberto Rocha, mesmo sem se declarar pré-candidato, vinha disputando a terceira colocação com o ex-prefeito Edivaldo Holanda Jr. (PSD), na zona dos 10% das intenções de voto. Agora, a primeira pergunta a ser feita é para onde irão os eleitores que manifestaram a intenção de votar no senador. E a segunda indagação é sobre qual mandato ele disputará em outubro. A lógica que move a política sugere que seu caminho natural será tentar a reeleição ao Senado, ou, numa hipótese que quase ninguém leva em conta, uma cadeira na Câmara Federal.

Roberto Rocha não fez qualquer comentário a respeito da declaração do presidente do Senado, dada uma entrevista concedida quinta-feira em Imperatriz, onde foi a convite do senador Weverton Rocha (PDT). Mas seus movimentos já vinham sinalizando incertezas quanto ao seu futuro eleitoral, a começar pelo fato de que vinha encontrando dificuldades para ingressar no PL, partido ao qual se filiou o presidente Jair Bolsonaro, mas controlado no Maranhão com mão de ferro pelo deputado federal Josimar de Maranhãozinho, ele próprio autoproclamado pré-candidato irreversível ao Governo do Estado.

Numa entrevista ao jornalista Manoel dos Santo Neto, publicada na edição de domingo (20) do Jornal Pequeno, ao ser provocado sobre o assunto, o senador respondeu: “Eu venho afirmando, há meses que serei candidato a um cargo majoritário. Da minha preferência, à reeleição ao Senado”. Se aceitou como verdadeira a revelação da sua confidência de que não será candidato a governador, só existem quatro cargos majoritários possíveis: presidente da República, vice-presidente, senador e vice-governador. E levando-se em conta o fato de que dificilmente será candidato a presidente ou a vice, restam duas possibilidades: senador ou vice-governador.

A candidatura à reeleição para o Senado é um desafio e tanto, a começar pelo fato mais importante de que seu principal adversário será ninguém menos que o governador Flávio Dino (PSD), por quem foi apoiado na sua eleição em 2014, mas com quem rompeu em seguida, tendo se afastado do centro-esquerda para se juntar à direita radical e se tornar aliado de proa do presidente Jair Bolsonaro. O tamanho do desafio está nos números de todas as pesquisas feitas até agora sobre a disputa para o Senado no Maranhão, nas quais via de regra o governador Flávio Dino tem aparecido com o dobro das intenções de votos, protagonizando um favoritismo difícil de ser revertido.

A possibilidade de vir a ser candidato a vice-governador é muito remota, a começar pelo fato de que ser o segundo de uma chapa majoritária em nada lembra o perfil do senador Roberto Rocha, um político cujos movimentos são sempre no sentido de ser o protagonista do espaço político que ocupa.

Com a não participação do senador Roberto Rocha, conforme a revelação feita pelo senador Rodrigo Pacheco em Imperatriz, como já foi dito, deve mudar o desenho da corrida ao Governo  a partir de agora. Essa mudança pode favorecer o ex-prefeito Edivaldo Jr., mas pode também turbinar as pré-candidaturas de Lahesio Bonfim (Agir36) ou a de Josimar de Maranhãozinho. Por outro lado, levando em conta a imprevisibilidade da política, parte expressiva das intenções de voto de Roberto Rocha podem migrar para a ponta, e vir a favorecer o senador Weverton Rocha (PDT) ou o vice-governador Carlos Brandão.

A próxima pesquisa deverá responder.

 

 PONTO & CONTRAPONTO

 

Cassação de liminar abre espaço para negociação na Assembleia

Nelma Sarney reviu liminar contestada por Othelino Neto

Uma liminar da desembargadora Nelma Sarney cassando liminar dela própria resolveu, pelo menos no campo judicial, o ensaio de crise que tomou de conta dos bastidores da Comissão de Constituição e Justiça da Assembleia Legislativa. A demanda judicial partiu da base governista, que tem larga maioria na Casa, e não aceitou que o PDT tivesse o controle da CCJ por meio do presidente e do vice-presidente, deputado Ricardo Rios. A desembargadora concedeu liminar desmanchando a eleição, mas logo em seguida foi alertada de que sua decisão seria uma intromissão indevida nos assuntos internos de outro Poder, o que a fez escrever outra liminar cassando a primeira e devolvendo o que o presidente do Poder Legislativo, deputado Othelino Neto (PCdoB migrando para o PDT), avaliou como uma correção de rumo. O mal-estar continua, um pouco mais ameno, entre a maioria governista e a Mesa da Assembleia Legislativa. Só que agora num outro clima, com amplo espaço para o que há de mais eficiente em casos como esse, a negociação, que é a razão de ser da política e do parlamento.

 

Aconteceu o que tinha de acontecer: ônibus mais caro

Eduardo Braide

As passagens de ônibus de São Luís foram majoradas em R$ 0,20, a partir de amanhã. O valor das linhas não integradas – que não fazem o circuito dos terminais – custarão R$ 3,40 e as integradas passarão a custar R$ 3,90.

Foi esse o desfecho dos movimentos grevistas de motoristas e cobradores que, como sempre acontece, via de regra apoiados pelas empresas, a cada ano, não havendo um único ano em que a confusão tenha sido resolvida sem que a conta fosse bancada pelo usuário.

Já está comprovado que não adianta o prefeito, seja ele quem for, bater pé afirmando que não autorizará aumento nas tarifas, nem fazer aperto de caixa para subsidiar o serviço por algum tempo. O fato é que, cedo ou tarde, os paliativos fiscais se esgotam e a conta tem de ser mandada para o usuário.

A maneira mais correta de compensar os mais de 600 mil ludovicenses que usam a frota e pagam caro pelo uso, seria a Prefeitura assegurar o cumprimento da regra segundo a qual as empresas são obrigadas a prestar um serviço de qualidade, com ônibus novos, confortáveis e pontuais.

É esse o desafio do prefeito Eduardo Braide (Podemos), que saiu das urnas autorizado a fazer as mudanças necessárias nessa área essencial, doa em quem doer.

São Luís, 26 de Fevereiro de 2022.

Weverton prossegue ofensiva mostrando prestígio em evento com Pacheco em Imperatriz

 

Othelino Neto, Gil Cutrim, Weverton Rocha e Rodrigo Pacheco, ontem, em Imperatriz

O senador Weverton Rocha (PDT) fez ontem, em Imperatriz, mais um movimento forte na sua ofensiva para tirar sua pré-candidatura ao Palácio dos Leões da inércia e colocá-la em rota de crescimento. Ali, acompanhado do presidente da Assembleia Legislativa, deputado Othelino Neto (PCdoB migrando para o PDT), e do núcleo parlamentar que apoia o seu projeto de poder, o senador pedetista recepcionou o presidente do Senado e do Congresso Nacional, Rodrigo Pacheco (PSD/MG), com quem anunciou investimentos em pavimentação urbana (bloqueteamento de ruas) e reforço na infraestrutura de educação do município. Pelo que foi dito, os recursos virão de emendas da quota do senador, e da quota do Senado, viabilizadas pelo presidente Rodrigo Pacheco atendendo a pleito do representante maranhense. Com o evento, que contou com a participação do prefeito Assis Ramos (DEM), que o apoia, e do senador Roberto Rocha (sem partido), que deve ser seu adversário na corrida sucessória, Weverton Rocha deu uma demonstração de prestígio, principalmente pelo fato de ter conseguido levar o presidente do Congresso Nacional à Princesa do Tocantins, sua cidade natal.

Por mais que os discursos tenham insistido nas obras a serem realizadas com os recursos anunciados, o evento organizado pelo senador Weverton Rocha ganhou fácil a dimensão de fato político. Isso porque, além de presidente do Senado e do Congresso Nacional e de ser atualmente um ponto de equilíbrio nos abalos políticos que têm movimentado Brasília e o Brasil, o senador Rodrigo Pacheco é cotado para ser candidato a presidente da República, exatamente por ser um nome identificado com a ideia de terceira via. E mesmo que não venha as ser candidato, continuará como um ator de peso no cenário político nacional. “Ficamos felizes com a vinda do presidente Rodrigo Pacheco a Imperatriz. Aqui é um momento de soma de esforços e nós, como representantes da Assembleia, também fazemos parte dessa mobilização”, declarou o presidente Othelino Neto.

O evento que movimentou ontem o cenário político de Imperatriz – o segundo maior colégio eleitoral do Maranhão – e que, certamente, repercutiu na região, foi uma demonstração de que Weverton Rocha está determinado a seguir em frente na sua caminhada em direção ao Palácio dos Leões. E mais: a presença do grupo parlamentar que o apoia, liderado pelo deputado Othelino Neto, foi uma demonstração de coesão. O pré-candidato pedetista conseguiu, com o fato de ontem, mandar um recado aos demais concorrentes, o de que está de pé e decidido a se manter como líder nas pesquisas que a partir de agora medirão a posição de cada um na preferência do eleitorado.

Mesmo já tendo dito nos bastidores que não vai entrar na corrida presidencial, o senador Rodrigo Pacheco se esforçou para manter a “liturgia do cargo”, mas nas suas falas deixou escapar sinais de que gostaria de ser candidato a presidente. Ele disse: “Imperatriz sofreu com o problema das chuvas, tendo muitos bairros castigados e que precisam ter o nosso apoio pelo Senado Federal, assim como a educação e a saúde do município. Muito mais que visitar e conhecer a cidade, viemos firmar esse compromisso com a população, no sentido de poder contribuir com realizações efetivas”. E o senador Weverton Rocha não perdeu a “deixa” e foi em frente: “Ele (Rodrigo Pacheco) é um político vocacionado e não mediu esforços em vir conhecer a nossa realidade de perto. Agradecemos muito essa parceria para ajudar Imperatriz e atender as demandas do Maranhão”. Ou seja, manteve as portas abertas para outras “parcerias”.

Em resumo, o senador Weverton Rocha teve ontem mais um dia como um dos protagonistas da cena política estadual, avisando que está firme na corrida sucessória. E com disposição para encarar a poderosa pressão que começa a receber do vice-governador Carlos Brandão, que ganha musculatura a cada pesquisa.

 

PONTO & CONTRAPONTO

 

Cúpula do PSD não compareceu, mas Roberto Rocha marcou presença

Weverton Rocha e Rodrigo Pacheco ladeados por Assis Ramos (prefeito), Roberto Rocha e Othelino Neto, durante a visita de a um dos bairros de Imperatriz 

Vários aspectos do evento de ontem em Imperatriz chamaram a atenção para o poder de fogo do senador Weverton Rocha junto ao presidente do Senado, Rodrigo Pacheco, que avalia a possibilidade de vir a ser candidato do PSD a presidente da República, conforme projeto do chefe nacional da legenda, deputado Gilberto Kassab. E o mais ostensivo foi a ausência do presidente regional do PSD, deputado federal Edilázio Jr., e do pré-candidato do partido ao Governo do Estado, o ex-prefeito de São Luís Edivaldo Holanda Jr.. A não participação da cúpula estadual do PSD e do pré-candidato do partido pode ser explicada por um “acordo tácito”, já que o fato foi iniciativa do senador Weverton Rocha. Mas ainda assim, soou estranho, à medida que o senador Roberto Rocha, que deve ser candidato a governador, usou a prerrogativa do seu mandato e participou do evento sem qualquer preocupação com eventual constrangimento que sua presença pudesse causar. Mas, detalhes à parte, o evento teve o senador Weverton Rocha como anfitrião.

Registro

Repórter Tempo completa hoje sete anos de existência. Nesse período, foram 2.112 edições, com um número aproximado de meio milhão de acessos, a grande maioria de leitores fidelizados. A Coluna não nasceu com o objetivo de ser um blog de informação com a pretensão de “bombar” no mundo digital. Sua criação em 2015 se deu pela ideia de fazer um jornalismo autoral, interpretativo e isento, focado na realidade política do Maranhão, com eventuais incursões na seara cultural, com registros sobre livros, discos e fatos históricos. E a julgar pelas centenas e centenas de comentários, seu autor viveu nesse período a certeza do dever profissional cumprido, estando, portanto, motivado a continuar pelo tempo que for possível.

São Luís, 25 de Fevereiro de 2022.

Edivaldo Jr. e Roberto Rocha poderão travar uma guerra isolada para avançar na corrida aos Leões

 

Edivaldo Jr. e Roberto Rocha: guerra para chegar ao topo

A nítida tendência de polarização da corrida ao Palácio dos Leões pelo senador Weverton Rocha, pré-candidato do PDT, e pelo vice-governador Carlos Brandão, pré-candidato do PSDB – que pode migrar para o PSB -, coloca em xeque dois projetos de candidatura, o do ex-prefeito de São Luís, Edivaldo Holanda Jr. (PSD) e o do senador Roberto Rocha, filiado ao PSDB, mas em busca de um novo partido para concorrer a um mandato majoritário, que em princípio será o de governador, segundo ele próprio. Os dois aspirantes ao comando do Executivo estadual estão praticamente empatados, segundo as duas pesquisas mais recentes. Na do DataIlha, Roberto Rocha aparece com 13% e Edivaldo Jr. com 9%, e na do Escutec, Edivaldo Jr. chegou a 12% e Roberto Rocha a 11%. Os números relacionados aos dois pré-candidatos indicam uma disputa dura entre eles, que só será verbalizada quando o senador Roberto Rocha resolver sua questão partidária e definir se será mesmo candidato a governador ou a senador.

O ex-prefeito Edivaldo Holanda Jr. se encontra numa situação pouco confortável. Os números expressivos de intenções de votos por ele obtidos nas últimas dez pesquisas o colocaram entre os quatro mais viáveis e o mantiveram no jogo, uma vez que produziram a perspectiva de que uma campanha forte poderia colocá-lo em condições de brigar por uma das vagas de um provável segundo turno. As duas últimas pesquisas, porém, o mostraram praticamente estacionado na zona que envolve os 10% das intenções de voto. E o seu freio de mão é exatamente o senador Roberto Rocha, que aparece nos dois levantamentos como o seu principal adversário, mesmo levando em conta a posição do prefeito de São Pedro dos Crentes, Lahesio Bonfim, pré-candidato do Agir36 ao Governo do Estado, que também o ameaça.

Por sua vez, o senador Roberto Rocha, sem ser oficialmente candidato, mas com clara inclinação para disputar o Palácio dos Leões, deixando de lado o seu projeto preferido, que seria tentar a reeleição para o Senado numa disputa com o governador Flávio Dino (PSB), também se encontra estacionado na zona turbulenta que envolve os dez pontos percentuais. Se realmente está disposto a brigar pelos Leões, o senador terá de travar um combate inicial com o ex-prefeito de São Luís, para em seguida tentar tirar do páreo o senador Weverton Rocha ou o vice-governador Carlos Brandão. Se não seguir esse roteiro, Roberto Rocha será mais um figurante nessa corrida, que até aqui mostra o pedetista e o ainda tucano como favorito a uma disputa num eventual segundo turno.

Se vier a acontecer, o embate entre Edivaldo Jr. e Roberto Rocha será marcado por uma série de cuidados, tendo os dois de evitar ataques agressivos e pancadaria verbal. Pelo simples fato de que na hipótese de um deles chegar ao segundo turno, precisará do apoio do que ficou retido no primeiro turno, o que será bem mais fácil de não houver, mágoas e rancores entre eles. As duas campanhas para a Prefeitura de São Luís mostraram que Edivaldo Jr. não é afeito ao jogo pesado das acusações, preferindo o discurso propositivo. Já o senador Roberto Rocha tem bom discurso propositivo, mas tem também o pavio curto, como mostra aqui e ali nas redes sociais respondendo a provocações.

O fato é que Edivaldo Jr. e Roberto Rocha são dois pré-candidatos cuja viabilização dependerá do fracasso do outro, uma vez que é praticamente impossível que os dois avancem na mesma velocidade e na mesma proporção com o objetivo de ultrapassar os dois líderes. Ambos precisarão de muita habilidade política para essa medição de força, que a rigor começou no momento em que os números do Escutec chegaram ao conhecimento público.

 

PONTO & CONTRAPONTO

 

Lula tem vantagem quilométrica sobre Bolsonaro no Maranhão

Lula da Silva e Jair Bolsonaro 

Enquanto as peças do tabuleiro onde ocorre a disputa para o Governo do Estado não param de se movimentar, as peças da corrida à Presidência da República no Maranhão se mantêm estáveis. De acordo com a pesquisa Escutec, o ex-presidente Lula da Silva (PT) permanece consolidado com impressionantes 64% de intenções de voto, o presidente Jair Bolsonaro (PL) continua com 22%, o que dá ao líder petista uma vantagem quilométrica de 42 pontos percentuais, um quadro quase impossível de ser pelo menos fortemente alterado. A situação permanece a mesma em relação ao segundo time, com o ex-juiz Sérgio Moro (Podemos) com 6% e ex-ministro Ciro Gomes (PDT) com 5%, seguido do governador de São Paulo, João Doria (PSDB) com 1%.

Um dado da pesquisa Escutec sobre a corrida ao Palácio do Planalto chamou a atenção ao informar que cinco pré-candidatos não pontuaram no Maranhão: Simone Tebet (MDB), Alexandro Vieira (Cidadania), Rodrigo Pacheco (PSD), André Janones (Avante) e Felipe d’Ávila (Novo).

Outro dado para ser avaliado: a rejeição. De acordo com o levantamento do Escutec, a rejeição dos pré-candidatos presidenciais é a seguinte: Jair Bolsonaro lidera com folga o time com 55% de rejeição, seguido por Lula da Silva com 18%, Sérgio Moro com 10%, Ciro Gomes com 5%, mesmo percentual de João Dória.

 

Pesquisas sobre corrida ao Governo podem influenciar disputa na Câmara de São Luís

Paulo Victor e Dr. Gutemberg 

Os números do DataIlha e do Escutec impactaram o cenário em que avança a corrida para o comando da Câmara Municipal de São Luís. Na avaliação de um conhecedor respeitado dos movimentos no parlamento ludovicense, o avanço do vice-governador Carlos Brandão na corrida aos Leões deve fortalecer a candidatura do vereador Paulo Victor (PCdoB) à presidência da Casa na disputa com o vereador Gutemberg Araújo (PSD), apoiado pelo atual presidente, Osmar Filho (PDT), um dos integrantes destacados do grupo liderado pelo senador Weverton Rocha. No meio dessa medição de força, o prefeito Eduardo Braide (Podemos) deve articular no sentido de fortalecer a candidatura do vereador Gutemberg Araújo, que tem o seu apoio. Terá de fazer um trabalho intenso, uma vez que antes das pesquisas virem à tona, o candidato Paulo Victor tinha um voto a mais, cacife que pode aumentar se Carlos Brandão continuar crescendo. A eleição da nova Mesa da Câmara acontecerá em meados de abril.

São Luís, 24 de Fevereiro de 2022.