Todos os posts de Ribarmar Correa

Timon e Caxias: colégios onde Weverton e Brandão medem forças e dão as cartas

 

Carlos Brandão leva a melhor em Caxias e Weverton Rocha ainda vai bem em Timon na corrida ao voto

Terceiro e quinto maiores municípios e colégios eleitorais do Maranhão, Timon (168 mil habitantes e 107 mil eleitores) e Caxias (167 mil habitantes e 101 mil eleitores) travam uma guerra política cujos desdobramentos podem produzir reflexos importantes sobre a corrida eleitoral, especialmente no que diz respeito à disputa para o Governo do Estado. Em Timon, o grupo Leitoa tem o maior espaço político, a começar pelo fato de que controla a máquina municipal por meio da prefeita Dinair Veloso (PDT), e está alinhado à pré-candidatura do senador pedetista Weverton Rocha, com outras correntes apoiando a pré-candidatura do governador Carlos Brandão (PSB). Em Caxias, o grupo mais forte hoje é comandado pelo prefeito Fábio Gentil (Republicanos), alinhado de primeira hora de Carlos Brandão, que também tem o aval do grupo Coutinho, hoje representado pela deputada estadual Cleide Coutinho, que pertencia ao PDT, mas decidiu mudar para o PSB, para apoiar o governador à reeleição e o ex-governador Flávio Dino (PSB) para o Senado.

O caso de Timon é curioso. Durante mais de duas décadas, a política timonense foi ditada pelo hoje ex-prefeito e ex-deputado Chico Leitoa, um dos remanescentes do PDT criado por Jackson Lago, tendo o filho dele, o ex-deputado estadual, ex-deputado federal e ex-prefeito Luciano Leitoa, controlado o PSB, um caso raro em que num só município uma só família controla dois partidos importantes. Os Leitoa não se conformaram de perder o controle estadual do PSB, que passou a ser presidido pelo deputado federal Bira do Pindaré e se transformou numa força com o ingresso do governador Flávio Dino e do seu sucessor e candidato à reeleição Carlos Brandão. Os Leitoa queriam o PSB na base da pré-candidatura de Weverton Rocha, mas erraram no cálculo e perderam completamente seus vínculos com o partido.

Timon hoje abriga o seguinte cenário: todos os aliados de Chico Leitoa que estavam no PSB migraram para o PDT e estão fechados com a pré-candidatura de Weverton Rocha. Por outro lado, todas as correntes adversárias dos Leitoa, a liderada pelo coronel Schnneyder, que disputou a Prefeitura pelo Republicanos e ficou em segundo lugar; o deputado estadual Rafael Leitoa, dissidente do grupo Leitoa e que trocou o PDT pelo PSB, e mais ainda o ex-deputado estadual Alexandre Almeida, que deve apoiar Carlos Brandão. No momento, pesquisas indicam que o grupo Leitoa leva vantagem e dá maioria para Weverton Rocha, mas sinalizam também que essa vantagem está encolhendo com clara tendência de crescimento de Carlos Brandão em Timon.

Em Caxias aconteceu o inverso. Ali, o prefeito Fábio Gentil, reeleito com mais de 75% dos votos, o que faz dele a liderança política mais forte da Princesa do Sertão, está na linha de frente dos apoiadores da candidatura do governador Carlos Brandão à reeleição. Ao mesmo tempo, a deputada estadual Cleide Coutinho, que pertencia ao PDT, deixou ontem o partido para se filiar ao PSB a fim de apoiar a candidatura do governador Carlos Brandão à sua reeleição. Na nota que divulgou para comunicar a mudança de partido e seus motivos, a deputada Cleide Coutinho disse o seguinte: “Agradeço ao PDT pelo acolhimento e respeito com que sempre me trataram, mas por coerência decidi me filiar ao PSB para ajudar ainda mais meus amigos Carlos Brandão e Flávio Dino, meus candidatos na próxima eleição”.

Em Caxias, portanto, as duas forças dominantes estão com o governador Carlos Brandão, sem força expressiva apoiando Weverton Rocha. A mudança anunciada pela deputada Cleide Coutinho consolidou a preferência dela e do seu grupo pela pré-candidatura do governador Carlos Brandão, aliás, posição revelada há meses, desde que ela anunciou sua decisão de não mais disputar eleições.

Nas contas de um ás da política estadual, no cenário de hoje, somadas as forças dos dois municípios, o saldo geral é favorável ao governador Carlos Brandão, mas sem o prognóstico de que Weverton Rocha esteja fora do páreo.

 

PONTO & CONTRAPONTO

 

Números divergem sobre a posição de prefeitos na corrida sucessória

Dinair Veloso e  Fábio Gentil

São divergentes as informações que estão correndo a respeito do posicionamento de prefeitos em relação aos candidatos ao Governo do Estado. Os números diferem, mas todos afirmam que no momento o governador Carlos Brandão já conseguiu o maior número de líderes municipais na sua base de apoio. Calcula-se que entre 110 e 120 prefeitos já são aliados declarados do governador na sua corrida à reeleição. O senador Weverton Rocha estaria com pelo menos 50 prefeitos apoiadores, ficando os demais divididos entre Josimar de Maranhãozinho (PL) e Lahesio Bonfim (PSC), e sobrando muito poucos para o senador Roberto Rocha, caso ele resolva disputar o Palácio dos Leões. Entre os apoiadores de Carlos Brandão, unânime que esse número de prefeitos vai aumentar. Por outro lado, não se percebe esse estado de ânimo entre os apoiadores do pré-candidato do PDT.

 

Anúncio com Detinha sinaliza definição de Josimar de Maranhãozinho

Josimar de Maranhãozinho praticamente lança Detinha à Câmara Federal pelo PL

O anúncio partidário do PL, ontem, na TV, tendo a deputada estadual Detinha como estrela, reclamando da baixa participação das mulheres na vida política do País, e concitando o universo feminino a se filiar a partidos e se candidatar à Assembleia Legislativa e à Câmara Federal, pode ter funcionado também como recado sobre o futuro do deputado Josimar de Maranhãozinho. A peça de propaganda partidária sugere claramente que, como havia especulado o próprio chefão do PL: Detinha será candidata à Câmara Federal, restando a ele, Josimar de Maranhãozinho, quatro caminhos. O primeiro será tentar uma vaga na Assembleia Legislativa, projeto admitido por ele próprio. O segundo: disputar o Governo do Estado, projeto que já parece distante do parlamentar. Terceiro: ser candidato a senador, o que parece não ser do seu interesse, e ser candidato a vice-governador. Seu caminho mais provável é o que leva à Assembleia Legislativa.

São Luís, 14 de Abril de 2022.

Sem surpresa: PT mantém a “tradição” e racha em relação à disputa para o Palácio dos Leões

 

Carlos Brandão tem o apoio das cúpulas estadual e nacional e da maioria da militância; Weverton Rocha tem o apoio do braço petista de São Luís

Curiosa a importância que observadores estão dando à divisão do PT em relação à disputa para o Governo do Estado. Todos, a começar pelos leões que guardam, impávidos, o palácio-sede do Governo do Maranhão, sabem que o partido comandado por Lula da Silva, fundado no início dos anos 80, jamais participou unido de uma eleição em território maranhense. Daí não causar qualquer estranheza o fato de uma banda da representação do partido em São Luís se insurgir contra a aliança da agremiação com o PSB em torno da pré-candidatura do governador Carlos Brandão à reeleição, tendo como candidato a vice o petista Felipe Camarão, preferindo somar forças com o PDT em torno da pré-candidatura do senador Weverton Rocha. Vale anotar que a manifestação não é de agora, uma vez que, meses depois das eleições municipais, nas quais se aliou ao PCdoB em torno da pré-candidatura do deputado federal Rubens Jr., tendo o presidente do PT da Capital, vereador Honorato Fernandes, como candidato a vice, que não vingou, a banda petista ludovicense se alinhou ao projeto de candidatura do presidente pedetista ao Governo do Estado.

O PT sempre foi rachado no Maranhão, tendo a banda lulista, de esquerda moderada, representando a esmagadora maioria do partido, e uma banda que reúne segmentos mais à esquerda, e que milita basicamente em São Luís. Foram raríssimas as vezes em que as duas bandas atuaram harmonicamente, porque na maioria dos casos, mediram forças e travaram duros e zoadentos confrontos no arraial petista.

Para citar apenas os casos relacionados às disputas pelo Governo do Maranhão já neste século, o PT maranhenses viveu refregas internas históricas. O primeiro capítulo se deu pouco depois da virada do milênio, em 2000, quando a governadora Roseana Sarney (PMDB), vitimada por uma armação gestada dentro do ninho dos tucanos, desistiu da corrida à presidência da República, se candidatou ao Senado e declarou apoio à candidatura presidencial de Lula da Silva contra o tucano José Serra. Em 2006, Lula da Silva, já presidente, apoiou a candidatura de Roseana Sarney contra Jackson Lago (PDT), fazendo com que boa parte do PT se rebelasse e poiasse a candidatura do líder pedetista. Acordo que se repetiu em 2010, com o PT novamente apoiando Roseana Sarney desta vez contra Jackson Lago e Flávio Dino (PCdoB), agora tendo como candidato a vice o petista Washington Oliveira, hoje ministro do Tribunal de Contas do Estado.

A aliança do PT com os Sarney se manteve até 2014, quando os petistas, agora sob o comando da presidente Dilma Rousseff, eleita em 2010, de novo se dividiram, com a maioria apoiando a candidatura de Flávio Dino contra Lobão Filho (PMDB), tendo o candidato do PCdoB vencido a eleição no primeiro turno.  A união do PT se deu em 2016, motivada pela ação do governador Flávio Dino, que assumiu no estado e nacionalmente a defesa da presidente Dilma Rousseff no processo de impeachment, quando os Sarney se voltaram contra ela para garantir sua destituição e a ascensão do vice-presidente, o emedebista Michel Temer, o que aconteceu de fato. Na eleição de 2018, como não poderia deixar de ser, o PT se dividiu mais uma vez, mas sem muita zoada.

Esses rachas consecutivos tiveram consequências, entre elas a saída de dois nomes de peso do partido, o ex-deputado federal e ex-prefeito de São José de Ribamar, Domingos Dutra, que migrou para o PCdoB por não aceitar a relação do PT com o grupo Sarney, e o deputado federal Bira do Pindaré, que deixou o PT pelo mesmo motivo e hoje preside o braço estadual do PSB.

A situação de agora é rigorosamente a mesma, com o PT dividido entre duas candidaturas, com a banda menor apoiando o senador Weverton Rocha, esnobando a decisão do comando nacional, e a banda maior, chancelada pela cúpula partidária, apoiando a pré-candidatura do governador Carlos Brandão à reeleição. E, como sempre, sem qualquer possibilidade de acordo.

 

PONTO & CONTRAPONTO

 

Lançamento de Bivar embaraça o União Brasil no Maranhão

Juscelino Filho e Pedro Lucas Fernandes: lançamento de Luciano Bivar complica partido no estado

O lançamento da pré-candidatura presidencial do deputado federal Luciano Bivar criou uma confusão no braço maranhense do União Brasil, que está dividido por duas correntes, uma comandada pelo deputado federal Juscelino Filho, que apoia a pré-candidatura do senador Weverton Rocha (PDT), e outra tendo como líder o deputado federal Pedro Lucas Fernandes e que está alinhada à pré-candidatura do governador Carlos Brandão à reeleição. Fundador do extinto PSL e ex-bolsonarista, de quem só se afastou depois que o presidente e sua turma tentaram dar um golpe e se apoderado partido, que tinha um rico fundo partidário. No Maranhão, agora, vêm as indagações: Agora com candidato a presidente, o braço maranhense do União Brasil, controlado pelo deputado federal Juscelino Filho, vai continuar apoiando o senador Weverton Rocha, cujo partido tem candidato a presidente da República, Ciro Gomes (PDT)? E como fica agora a relação do deputado federal Pedro Lucas Fernandes em relação à candidatura do governador Carlos Brandão. É um caso complicado a ser resolvido.

 

Braide vai à Justiça e suspende greve de professores

Eduardo Braide: argumentos fortes contra a greve

O prefeito Eduardo Braide (sem partido) conseguiu travar o movimento grevista dos professores da rede municipal de ensino. Foi à Justiça pedir a suspensão da greve anunciada, colocando no pedido justificativas convincentes: reforma de escolas, progressões funcionais já efetivadas na categoria e projeto de nivelamento do salário básico ao piso nacional já enviado à Câmara Municipal, entre outras vantagens. Além disso, o titular do Palácio de la Ravardière lembra que não deixou de negociar com os professores, mantendo diálogo permanente com a categoria. A Justiça entendeu que os argumentos do prefeito de São Luís são mais consistentes do que os motivos alegados pelos professores para cruzar os braços e os mandou continuar trabalhando, já que os salários estão sendo pagos em dia.

São Luís, 13 de Abril de 2022.

Pré-candidatos aos Leões tentam agora consolidar seus projetos para as convenções de agosto

 

Acompanhado de Larissa Brandão, Carlos Brandão na inauguração de um restaurante popular em Matões, Weverton Rocha em pré-campanha intensa no interior, e Edivaldo Jr. em ato político em Bom Jesus das Selvas, na região sul

Passado o agito das definições partidárias, com a acomodação dos que ainda dependiam de uma legenda para encabeçar, a corrida dos pré-candidatos à governador às urnas entra agora numa fase mais longa, que desaguará nas convenções de gosto, daqui a três meses, portanto. Até agora, o favoritismo está dividido entre o governador Carlos Brandão (PSB) e senador Weverton Rocha (PDT), que medem força pela liderança na preferência do eleitorado no patamar dos 20% de intenções de voto, segundo as pesquisas mais recentes. No plano intermediário, o ex-prefeito de São Luís, Edivaldo Jr. (PSD), e o ex-prefeito de São Pedro dos Crentes, Lahesio Bonfim (PSC), medem força, mas sem saber ainda se o senador Roberto Rocha (PTB) entrará ou não na briga. O time da poeira é liderado pelo deputado federal Josimar de Maranhãozinho (PL), seguido pelo suplente de deputado federal Simplício Araújo (Solidariedade), pelo o professor Hertz Dias (PSTU) e pelo servidor público Enilton Rodrigues (PSOL), mas não dá sinais de reação.

Agora, quando se esperava que os pré-candidatos tirassem um pouco o pé do acelerador, está acontecendo exatamente o contrário com os três melhor situados nas pesquisas – Carlos Brandão, Weverton Rocha e Edivaldo Jr.. Eles decidiram intensificar, cada um ao seu modo, suas pré-campanhas no interior do estado, cumprindo programações cheias, aproveitando o momento para consolidar e dinamizar suas posições.

O governador Carlos Brandão incursionou pelo Leste maranhense no fim da semana, visitou Colinas, sua terra natal, onde, em meio a fortes manifestações de entusiasmo, tomou conhecimento de um protesto de professores da rede municipal contra a prefeita colinense Valmira Miranda (PL), sua aliada. O ponto alto da sua agenda foi o aniversário de Parnarama, onde recebeu a reafirmação de apoio do prefeito Raimundo Silveira (PROS), tendo passado também por Matões, apesar de o prefeito Ferdinando Coutinho (União Brasil) haver declarado apoio à pré-candidatura de Weverton Rocha. Já o pré-candidato do PDT foi também ao Vale do Itapecuru, comanda do uma grande manifestação em Codó e outra em Matões do Norte, reafirmando nos seus discursos que sua candidatura é irreversível. E Edivaldo Jr. percorreu municípios da região Sul, tendo realizado uma grande concentração em Bom Jesus das Selvas, onde recebeu o apoio da ex-prefeita Cristiane Damião (PSD) e do grupo dela. Edivaldo Jr., Carlos Brandão e Weverton Rocha cumprirão roteiros intensos nas diversas regiões pelos próximos três meses.

Depois de Edivaldo Jr., que no momento é o que tem futuro mais promissor entre os pré-candidatos do grupo intermediário, Lahesio Bonfim é o nome que mais se movimenta no grupo intermediário. Ele tenta articular uma base de apoio e já fala em compor sua chapa escolhendo o candidato a vice, admitindo uma dobradinha com o PTB se o senador Roberto Rocha se candidatar à reeleição. O agora senador petebista se mexe fortemente nos bastidores em busca de uma base política e partidária mínima que lhe dê condições de decidir entre ser candidato à reeleição, o que o levará a um confronto direto com o ex-governador Flávio Dino (PSB), ou ao Governo do Estado, para enfrentar Carlos Brandão, Weverton Rocha, Edivaldo Jr. e Lahesio Bonfim por uma vaga num eventual segundo turno.

Nesse contexto, surpreende o silêncio do deputado federal Josimar de Maranhãozinho, que há dias não reafirma sua pré-candidatura ao Palácio dos Leões, deixando no ar a impressão de que está refazendo seus planos. Por outro lado, Simplício Araújo se mantém ativo nas redes sociais, reafirmando diariamente seu projeto de candidatura, mas sem fazer movimentos que indiquem ser ele irreversível; ao contrário, a manutenção do discurso sugere com clareza que Simplício Araújo como pré-candidato a governador está se mostrando um bom candidato a deputado federal. Hertz Dias e Enilton Rodrigues permanecem sem fazer qualquer movimento externo.

As próximas semanas, portanto, serão de movimentação intensa, podem do o eleitorado e a classe política serem surpreendidos por mudanças importantes nesse cenário.

 

PONTO & CONTRAPONTO

MDB maranhense tem cenários diversos sobre sucessão presidencial

Lula da Silva e José Sarney repetiram ontem esses encontro, em Brasília, mas sem a presença de Roseana Sarney

O braço maranhense do MDB caminha para enfrentar três possíveis cenários: um sem candidato a presidente da República nem governador do Maranhão, outro com candidato emanado da chamada terceira via, que poderá ser inclusive a senadora emedebista Simone Tebet, e o terceiro apoiando o ex-presidente Lula da Silva (PT).

O primeiro cenário está descartado, já que, mesmo não lançando um candidato do partido, o MDB fará aliança que o colocarão numa posição de proa uma candidatura forte, como a do líder petista. Nesse caso, o seu alinhamento com a aliança liderada pelo governador Carlos Brandão será integral.

No segundo cenário, os emedebistas maranhenses não terão maiores dificuldades de apoiar um candidato da terceira via, mas terá de separar bem as coisas em relação ao governador Carlos Brandão, que poderá manter a aliança com o partido no plano local e divergindo no plano nacional.

E terceiro será o cenário mais provável, que é, mesmo tendo o partido um candidato da terceira via, o MDB do Maranhão marchará apoiando o ex-presidente Lula da Silva., alinhado com as forças do governo Carlos Brandão.

Os movimentos do ex-presidente José Sarney sugerem que ele quer o MDB maranhense alinhado ao ex-presidente Lula da Silva.

 

Clayton Noleto se consolida como nome forte para a Câmara Federal

Clayton Noleto

Junto com os deputados federais Márcio Jerry (PCdoB) e Rubens Jr. (PSB), o ex-secretário de Infraestrutura, Clayton Noleto. É um dos homens fortes do grupo mais próximo ao ex-governador Flávio Dino para disputar cadeira na Câmara Federal. Ele foi figura-chave no Governo Flávio Dino no comando da pasta durante mais de sete anos, tentou ser candidato a prefeito de Imperatriz em 2016 e 2020, mas acatou pedido do governador para permanecer à frente da pasta. Ao longo desses anos, construiu, calma e firmemente, as bases da sua candidatura à Câmara Federal. Um exemplo desse processo é o apoio que vem recebendo do ex-prefeito de Imperatriz, Sebastião Madeira, que abriu de ser candidato para apoiá-lo, decisão que tomou antes de ser convidado pelo governador Carlos Brandão para assumir a Casa Civil. E o resultado se desincompatibilizou como um dos nomes incluídos em todas as listas de prováveis eleitos para a Câmara Federal.

São Luís, 12 de Abril de 2022.

Pré-candidatos ao Governo começam a definir suas relações com pré-candidatos a presidente

 

Carlos brandão vai com Lula da Silva, Weverton Rocha ainda não declarou apoio a Ciro Gomes, Lahesio, Josimar de Maranhãozinho e Roberto Rocha vão com Jair Bolsonaro; Hertz Dias apoia Vera Lúcia; Simplício Araújo deve apoiar Lula da Silva; Edivaldo Jr. aguarda decisão do PSD e Enilton Roxdrigues não tem candidato a presidente

Ao mesmo tempo em que vão montando e ajustando suas bases e suas chapas, os pré-candidatos ao Governo do Estado já definem seus candidatos a presidente da República. A participações dos pré-candidatos presidenciais nas chapas estaduais variam muito de importância. Enquanto Lula da Silva (PT) tem peso elevado no cacife político e eleitoral do governador e candidato à reeleição Carlos Brandão (PSB), Ciro Gomes (PDT) parece ainda não existir para o pré-candidato do PDT ao Governo estadual, senador Weverton Rocha, e o presidente Jair Bolsonaro (PL), pré-candidato à reeleição, pode acabar ganhando três palanques no Maranhão, por meio das pré-candidaturas do ex-prefeito de São Pedro dos Crentes, Lahesio Bonfim (PSC), do deputado federal Josimar de Maranhãozinho (PL) e do senador Roberto Rocha (PTB). Além desses, só o pré-candidato do PSTU, Hertz Dias, conta com a candidata presidencial do partido, Vera Lúcia. Edivaldo Holanda Jr. (PSD) ainda não tem parceiro presidencial, mas seu partido certamente se aliará a um nome, e Simplício Araújo (Solidariedade), deve apoiar o pré-candidato petista. Enilton Rodrigues (PSOL) é o único pré-candidato a governador cujo partido não tem candidato a presidente.

Além de já ter composto sua chapa, o governador Carlos Brandão poderá entrar na pré-campanha presidencial tão logo PT e PSB formalizem a chapa Lula da Silva/Geraldo Alckmin. O acordo agora só depende do ex-presidente e do PT, uma vez que o PSB fez a parte dele na sexta-feira (8) ao indicar o ex-governador de São Paulo para ser o seu companheiro de chapa. No momento em que Lula da Silva for confirmado pré-candidato do PT, a aliança será ratificada, abrindo caminho para que o governador Carlos Brandão possa inclui-la no seu discurso de campanha. O fato é que a chapa Lula/Alckmin atuará no Maranhão no palanque do governador Carlos Brandão. Se mantiver sua candidatura, Simplício Araújo seguirá a orientação do seu partido, o Solidariedade, de apoiar a chapa Lula/Alckmin.

Ainda que o seu partido, o PDT, tenha pré-candidato definido ao Palácio do Planalto, o ex-governador cearense e ex-ministro da Fazenda Ciro Gomes, o pré-candidato do partido ao Governo do Maranhão, senador Weverton Rocha, ainda não bateu martelo sobre apoia-lo ou não. Weverton Rocha apostou alto numa aliança com o PT e o ex-presidente Lula da Silva, mas a aposta foi perdida, de um lado pela confirmação da pré-candidatura de Ciro Gomes pelo PDT, e de outro pela aliança PT/PSB. Complica ainda mais a situação o agora agressivo discurso antiLula adotado por Ciro Gomes, que para muitos analistas, favorece o projeto de reeleição do presidente Jair Bolsonaro.

No jogo dos apoios estaduais, o presidente Jair Bolsonaro poderá ter três palanques, caso os três pré-candidatos bolsonaristas não cheguem a um acordo, o que parece cada vez mais distante. Lahesio Bonfim vinha ensaiando independência em relação ao presidente Jair Bolsonaro, mas o seu ingresso no PSC, comandado no Maranhão pelo deputado federal bolsonarista Aloísio Mendes, vice-líder do Governo na Câmara Federal, o que faz dele um dos “homens de confiança” do presidente da República no Congresso Nacional. Lahesio Bonfim ganhou a sigla, mas com a contrapartida de incluir o projeto de reeleição do presidente no seu discurso de campanha. Por sua vez, o deputado federal Josimar de Maranhãozinho montará palanque para Jair Bolsonaro no Maranhão mesmo que venha retirar sua pré-candidatura a governador para se candidatar à Assembleia Legislativa e investir na pré-candidatura da deputada estadual  Detinha (PL), sua esposa, à Câmara Federal.  E, finalmente, o senador Roberto Rocha, que ainda não decidiu se disputará a eleição para governador ou para senador.  Mas, independentemente do que vier a disputar, a condição dele de presidente estadual do PTB o obriga a montar palanque para o presidente no Maranhão. Vale destacar que os três pré-candidatos bolsonaristas juntos formam uma força eleitoral considerável.

O circuito dos “com candidato presidencial” se fecha com Hertz Dias, pré-candidato do PSTU ao Governo do Estado, que terá também a tarefa de abrir espaço para a candidata do partido à presidência da República, a militante social Vera Lúcia, que entra no páreo pela segunda vez.

Já os “sem candidato presidencial” se resumem a dois. O primeiro é Edivaldo Holanda Jr., cujo partido, o PSD, ainda não decidiu se lançará um nome ao Palácio do Planalto ou participará de uma composição indicando o candidato a vice. Essa definição virá nos próximos dois meses, e vai depender muito da articulação que está sendo feita para o lançamento de uma chapa na chamada “terceira via”. Por enquanto, Edivaldo Jr. faz pré-campanha sem incluir a corrida presidencial no seu discurso. O outro caso é Enilton Rodrigues, pré-candidato do PSOL, partido que decidiu não lançar candidato a presidente, mas com indicativos de que poderá apoiar a chapa Lula/Alckmin num eventual segundo turno.

Por enquanto, é esse o cenário para a montagem dos palanques presidenciais no Maranhão.

 

PONTO & CONTRAPONTO

 

Weverton tropeça ao retirar assinatura de requerimento pedindo CPI na Educação

Weverton Rocha 

Independentemente das razões que o fizeram mudar de ideia, a decisão do senador Weverton Rocha (PDT) de retirar sua assinatura da CPI para apurar falcatruas cometidas por pastores no Ministério da Educação foi uma pancada na sua imagem de jovem político de centro-esquerda, de oposição e pré-candidato ao Governo do Maranhão com um discurso de paladino de causas populares. Tivesse se contido e não assinasse o requerimento, ninguém poderia cobrá-lo ou acusá-lo de omissão, mesmo se tratando de um caso escandaloso, que chocou até mesmo bolsonaristas não radicais. Mas, retirar a assinatura atendendo a pedido do líder do Governo no Senado, senador Carlos Viana (PL-MG), que fez a operação de contra-ataque sob a orientação da Casa Civil, colocou o senador maranhense numa incômoda berlinda. Que motivos o levaram a atender ao pedido do líder governistas e retirar a assinatura? Difícil responder e ser convincente.

 

Dino volta à UFMA para dar aulas e “recarregar as baterias”

Flávio Dino retorna hoje à sala de aula no |Curdo de Direito da UFMA

O ex-governador Flávio Dino (PSB), pré-candidato ao Senado, volta hoje à sala de aula do Curso de Direito da Universidade Federal do Maranhão, onde ministrará a disciplina Direito Penal, assumindo também Direitos Humanos, que ministrará depois da Semana Santa. Assim como ingressou na magistratura, Flávio Dino se tornou professor da UFMA por concurso público em 1994, tendo iniciado sua carreira com a disciplina Direito Constitucional, tendo sido ainda, um pouco mais tarde, responsável por Direito Ambiental. Além do seu fascínio pelo magistério, especialmente pelo Curso de Direito, Flávio Dino nutre uma paixão especial pela UFMA, onde se graduou bacharel em Direito e, ao longo do curso, mergulhou fundo nos estudos e no exercício da política como militante de proa do movimento estudantil. Retornar à sala de aula será também recarregar as baterias para o próximo embate, que é chegar ao Senado.

São Luís, 11 de Abril de 2022.

Weverton continua na luta, mas seu projeto, que já foi forte, agora fragiliza aliados que não mudaram

 

Projeto de Weverton Rocha: Othelino Neto voltou forte ao seio do grupo de origem; Neto Evangelista seguiu em frente e enfrenta dificuldades para se reeleger deputado estadual

É verdade que a corrida ao Palácio dos Leões está apenas começando, agora numa fase em que as forças estão bem mais definidas, e que ainda tem muita estrada pela frente, não há como ignorar o fato de que o projeto de candidatura do senador Weverton Rocha (PDT), que começou sua marcha causando a impressão de ser um rolo compressor sem obstáculo, perdeu gás suficiente para que seu futuro seja colocado em dúvida. E como acontece com frequência na seara política, processos como esse costumam fazer vítimas dentro do próprio grupo de apoiadores, sendo que uma anteveem o abismo, mudam de rumo e se salvam, enquanto outras não conseguem e marcham para um provável desastre. No grupo articulado pelo senador pedetista, dois casos exemplares: o deputado Othelino Neto (PCdoB), presidente da Assembleia Legislativa, e o deputado estadual Neto Evangelista, que migrou do DEM para o PDT.

Político jovem e inteligente, o deputado Othelino Neto surpreendeu quando se afastou do projeto apoiado pelo governador Flávio Dino (PCdoB) com a candidatura do deputado Duarte Jr. (Republicanos) à Prefeitura de São Luís em 2020, apostando no projeto do senador Weverton Rocha de eleger o deputado estadual Neto Evangelista (DEM). O candidato não deslanchou, mas o grupo se manteve contra o candidato do Palácio dos Leões e apoiou o deputado federal Eduardo Braide (Podemos), que venceu a eleição, favorito que foi desde o início. No passo seguinte, Othelino Neto se tornou um dos esteios da pré-candidatura do senador Weverton Rocha ao Governo do Estado, posição que manteve até perceber que o projeto não se sustentaria.

Num jogo aberto, Othelino Neto suspendeu sua migração do PCdoB para o PDT e, manifestando respeito e desejando sucesso ao senador, declarou apoio ao governador Carlos Brandão, seguindo a linha do seu partido. E foi além ao emplacar sua esposa, Ana Paula Lobato, vice-prefeita de Pinheiro, pré-candidata a suplente de senador na chapa do ex-governador Flávio Dino (PSB), vaga sonhada por muitos políticos de peso. Em resumo: como um político maduro e racional, o presidente da Assembleia Legislativa usou a lógica e o pragmatismo político, e fez a escolha mais adequada no contexto político desenhado até aqui.

O deputado Neto Evangelista fez o contrário. Vitimado pela polarização Eduardo Braide/Duarte Jr. na corrida à Prefeitura de São Luís, e já tendo sofrido uma derrota como candidato a vice-prefeito na chapa do prefeito João Castelo em 2012, o parlamentar embarcou de cabeça no projeto de candidatura, inicialmente acreditando que teria cacife suficiente para disputar uma cadeira na Câmara Federal. Cria de João Evangelista, um político hábil, que driblou todos os obstáculos e chegou ao comando do Poder Legislativo estadual num momento de transição na política maranhense, Neto Evangelista não fez a leitura correta dos fatos e se manteve no projeto do senador Weverton Rocha: trocou o União Brasil pelo PDT, tentou, sem sucesso, articular suporte para disputar uma Câmara Federal, desistiu do projeto e agora cuida de se rearticular para tentar o quarto mandato consecutivo de deputado estadual. Só que num momento em que a briga por votos para o parlamento maranhense já está acirrada.

Alguns dirão que a comparação é injusta, uma vez que Othelino neto é o presidente da Assembleia legislativa, portanto com maior margem de manobra numa articulação dessa natureza, enquanto Neto Evangelista é apenas um deputado estadual. Não é bem assim. Se Othelino Neto tivesse permanecido como avalista do projeto de candidatura do senador Weverton Rocha, corria o risco de amargar forte desgaste político, ainda que se reelegesse. Se Neto Evangelista tivesse permanecido leal ao Governo que lhe deu o comando da Secretaria de Desenvolvimento Social durante três anos, o que lhe assegurou a reeleição em 2018 com 49 mil votos, sua situação política e eleitoral certamente seria outra.

A virada na senadora Eliziane Gama (Cidadania), orientada pelo instinto de sobrevivência – ela tem um mandato a ser renovado em 2026 -, referenda essa avaliação.

 

PONTO & CONTRAPONTO

 

Brandão surpreende interlocutores pelo conhecimento sobre assuntos do Governo

Carlos Brandão deu alinha de ação administrativa na posse da equipe de Governo

Errou feio quem esperava que ao assumir o Governo Carlos Brandão (PSB) deitaria na fama e aguardaria o resultado da eleição. Ao contrário, ele turbinou seus movimentos, fazendo verdadeiro malabarismo para conciliar a rotina de trabalho administrativo, com as audiências palacianas e os compromissos políticos de pré-campanha. Desde a posse, os itens diários da sua agenda aumentaram de tal maneira consomem nada menos que 14 horas por dia. No despacho com secretários, o governador Carlos Brandão é minucioso nos detalhes, fazendo questão de se informar sobre todos os aspectos do projeto ou da proposta apresentada. Tem surpreendido alguns interlocutores pelo grau de conhecimento que detém sobre os assuntos do Governo. Muitos agora se dão conta de que ele nada teve de decorativo nos sete anos e três meses como vice-governador.

 

PSOL pode abrir a guarda e apoiar Brandão num eventual segundo turno

Enilton Rodrigues visitou Flávio Dino acompanhando o presidente nacional do PSOL

Não será surpresa se o PSOL somar forças com o governador Carlos Brandão num eventual segundo turno na disputa pelo Palácio dos Leões no caso de o seu candidato, Enilton Rodrigues, não passar da primeira volta. Uma eventual aproximação está sendo trabalhada pelo ex-governador Flávio Dino (PSB), que tem mantido contatos frequentes sob as lideranças do partido no Maranhão e no plano nacional. O braço maranhense do PSOL fez oposição sistemática ao Governo do PCdoB, mas o então governador Flávio Dino manteve as portas abertas ao partido durantes os seus sete anos de gestão. O sinal mais evidente dessa possibilidade foi a visita que o presidente nacional do PSOL, Juliano Medeiros, acompanhado do pré-candidato do partido a governador Enilton Rodrigues, fez ao ex-governador Flávio Dino, na sede do PSB, em São Luís. Vale lembrar que o PSOL está em processo de federação com a Rede, que quer apoiar o senador Weverton Rocha (PDT). Essa diferença abre caminho para uma relação forte do PSOL com o PSB.

São Luís, 09 de Abril de 2022.

Pela unidade: Eliziane declara apoio a Brandão e apela a Weverton para que desista

 

Eliziane Gama declarou apoio a Carlos Brandão e pediu a Weverton Rocha que faça o mesmo; ele não aceitou

A senadora Eliziane Gama (Cidadania) fez ontem o que até as pedras de cantaria da Praia Grande já sussurravam: desembarcou do foguete do senador Weverton Rocha (PDT) e embarcou na locomotiva do governador Carlos Brandão (PSB) rumo as eleições de outubro. E fez a manobra dentro dos padrões éticos das decisões políticas decentes, jogando abertamente, sem usar subterfúgios, e assumindo os riscos que todo movimento ou gesto dessa natureza costuma produzir. Refletiu, examinou o cenário de agora e as possibilidades do futuro, tomou a decisão e a comunicou imediatamente ao pré-candidato do PDT e ao eleitorado em postagens nas suas redes sociais. Na justificativa, um argumento irrefutável: mudou de rumo em nome da unidade, apelando para que o senador Weverton Rocha arquive o seu projeto de candidatura e fortaleça a unidade do grupo em torno do projeto de reeleição do governador Carlos Brandão e da candidatura do ex-governador Flávio Dino (PSB) ao Senado. O senador não aceitou.

Esperado por muitos e visto como impossível por alguns, o movimento da senadora Eliziane Gama foi um ato de pragmatismo político, ao qual se juntam fina argúcia e apurado instinto de sobrevivência dos quais são dotados os políticos mais bem-sucedidos. Uma das primeiras lideranças da aliança comandada por Flávio Dino a declarar apoio à pré-candidatura de Weverton Rocha, a senadora manteve sua posição e o seu discurso de sustentação até quando começou a se dar conta de que o pré-candidato pedetista dificilmente teria combustível suficiente para manter o seu foguete no ar.

Nos bastidores, corre que, nas últimas duas semanas, Eliziane Gama conversou diversas vezes com Weverton Rocha, tentando fazê-lo mudar de ideia e arquivar sua pré-candidatura, evitando assim o racha no grupo criado e mantido às duras penas por Flávio Dino nos últimos sete anos. Encontrou no colega senador um pré-candidato obstinado e determinado a seguir em frente, mesmo que praticamente sozinho. A exemplo do que fez anteriormente o deputado Othelino Neto (PCdoB), que tentou demovê-lo diante do rápido esvaziamento do grupo de apoio criado ainda no ano passado, Eliziane Gama usou fortes argumentos, sem, no entanto, dissuadir o colega senador quanto ao projeto de candidatura.

Ontem, ela postou nas suas redes sociais: “Respeito a decisão do colega Weverton em continuar com sua candidatura, mas vou pela unidade, reafirmando nosso apoio ao amigo Flávio Dino para o Senado e, para governador, apoiaremos Carlos Brandão em nome do desenvolvimento do Maranhão implantado pelo governador Flávio Dino. Finalizo deixando, mais uma vez, meu apelo ao colega Weverton Rocha para que fique conosco em nome da unidade e do progresso do Maranhão, nesse grande projeto comandado por nosso líder Flávio Dino”. O senador Weverton Rocha respondeu em seguida: “Respeito a decisão da amiga Eliziane. Mas preciso lembra-la que apoiar um governador que acaba de nomear cinco membros da oligarquia Sarney como secretários contraria o que sempre defendemos e somos. Por aqui, luta que segue. Te espero de braços abertos no segundo turno, Eliziane”.

Ainda que informalmente, Eliziane Gama reforçou a aliança partidária de apoio a Carlos Brandão com o PSDB e com o Cidadania, juntados numa federação, sendo o primeiro controlado por Inácio Melo, marido e operador político, e o segundo presidido pelo irmão, Eliel Gama, apoiador de Carlos Brandão desde o primeiro momento. A família Gama rachou, tendo Eliel Gama impedido que a senadora levasse o Cidadania para a órbita do projeto de candidatura do chefe pedetista. A reviravolta de Eliziane Gama reconcilia também a banda política da família.

Com o engajamento da senadora Eliziane Gama, o governador Carlos Brandão consolida de vez o seu projeto de reeleição e o ex-governador Flávio Dino vê mais próxima a reunificação total da grande aliança que esculpiu em 2014.

 

PONTO & CONTRAPONTO

Resposta de Weverton a Eliziane indica que ele quer confrontar Brandão

Se por um lado foi bem-sucedida no que diz respeito a elas própria, a mudança da senadora Eliziane Gama não funcionou em relação ao senador Weverton Rocha. Na sua resposta ao seu apelo, ao mesmo tempo em que até tentou ser gentil para com ela o senador pedetista respondeu de maneira áspera em relação ao governador Carlos Brandão, deixando no ar a impressão de que quer o confronto. Essa disposição ficou clara quando, em tom de censura, lembrou a Eliziane Gama que o governador nomeou para sua equipe “cinco membros da oligarquia Sarney, contraria tudo o que defendemos e somos”. Com a resposta, dá a entender que não está nem aí para o ideal de grupo e que não leva em conta os esforços políticos do ex-governador Flávio Dino. Com essa reação, o senador Weverton Rocha reforça a ideia de que sua pré-candidatura é, de fato, um projeto impessoal, que não leva em conta a noção de grupo.  E se estiver apostando num embate direto com o governador Carlos Brandão, deve ser aconselhado a recolher as armas, uma vez que o pré-candidato do PSB já sinalizou que não se deixará dominar por provocações. Ao contrário, parece disposto a seguir acenando para que o senador traga o foguete de volta ao solo em segurança e embarque na locomotiva.

 

Maranhãozinho quer repetir campeonato de votos com Detinha

Josimar de Maranhãozinho e Detinha querem ser de novo campeões de voto 

O deputado federal Josimar de Maranhãozinho (PL) está determinado a fazer com que sua esposa, a deputada estadual Detinha (PL) saia das urnas de outubro como a campeã de votos para a Câmara Federal e dele próprio de novo campeão de votos para a Assembleia Legislativa, caso reveja sua pré-candidatura do Governo do Estado. O presidente estadual do PL sabe o que diz quando fala em grandes votações em eleições proporcionais. Em 2014, saiu das urnas como campeão de votos para a Assembleia Legislativa, com pouco mais de 90 mil votos. Em 2018, foi o mais votado para a Câmara Federal e, como se isso não bastasse, sua esposa, Detinha, foi a mais votada para a Assembleia Legislativa. Se não mantiver sua pré-candidatura a governador, irá para as urnas com esses dois desafios.

São Luís, 08 de Abril de 2022.

 

 

 

 

 

 

Choque de interesses impede a união dos bolsonaristas por uma só candidatura aos Leões

 

Roberto Rocha enfrenta dificuldades para reunir Lahesio Bonfim e Josimar de Maranhãozinho em uma frente bolsonarista no Maranhão

O senador Roberto Rocha PTB estaria se posicionando para liderar um movimento para agregar o que chamou de “oposição”, que na verdade se resume a ele e o ex-prefeito de São Pedro dos Crentes, Lahesio Bonfim, pré-candidato a governador pelo PSC. Hoje chefe do PTB no Maranhão, o senador tenta, na verdade, organizar e liderar um movimento para dar suporte à candidatura do presidente Jair Bolsonaro (PL) no Maranhão, tarefa que o deputado federal Josimar de Maranhãozinho, chefe do PL no estado, já está chamando para si, e pelo que tudo indica, sem abrir mão de ser ele o líder da ação político-partidária. O problema é que os três têm interesses e objetivos bem diferentes, sendo muito difícil encontrar pontos de identificação entre eles. Roberto Rocha, Lahesio Bonfim e Josimar de Maranhãozinho quase nada têm em comum, a não ser o fato de que são bolsonaristas, só que em diferentes graus.

Com apenas nove meses de mandato, o senador Roberto Rocha as incertezas dos fins de festa e as agruras impostas pelo desafio de tentar renova-lo, principalmente quando tem um oponente do quilate do ex-governador Flávio Dino (PSB). O mesmo drama se impõe quando ele avalia a possibilidade de disputar o Governo do Estado e depara com um cenário em que têm quatro oponentes para serem vencidos: o governador Carlos Brandão (PSB) e o senador Weverton Rocha (PDT), que lideram a corrida com boa vantagem sobre ele, e o ex-prefeito de São Luís Edivaldo Holanda Jr. (PSD) e Lahesio Bonfim, que estão colados nele e dispostos a ultrapassa-lo para brigar pela ponta.

Não há a menor possibilidade de o senador Roberto Rocha construir um canal de diálogo com Carlos Brandão ou Weverton Rocha. Seu caminho – muito pedregoso, diga-se – só leva a Lahesio Bonfim e a Josimar de Maranhãozinho, que atuam no campo bolsonarista. Pré-candidatos a governador, os dois dizem que até aceitam dialogar com o senador agora petebista, desde que ele sente à mesa como pré-candidato a senador e não a governador. E mesmo assim, nenhum dos dois está disposto a abrir mão do espaço que conquistaram até aqui para fortalecer a posição do senador do agora presidente estadual do PTB.

Lahesio Bonfim é candidato irreversível, investiu muito nesse projeto, tem obtido bons resultados nas pesquisas, não mostra interesse nem disposição para refazer sua caminhada. E já deixou claro que “aceita” o apoio de Roberto Rocha, desde que a seu modo, sem abrir mão do espaço que ocupou até aqui pelo seu próprio esforço. Do mesmo modo, Josimar de Maranhãozinho já declarou inúmeras vezes que não colocará o seu partido e o seu grupo à serviço do senador petebista se o projeto dele for candidatura ao Governo do Estado. Além do mais o pré-candidato do PSC e o pré-candidato do PL são bolsonaristas assumidos, mas são politicamente independentes e não estão dispostos a correr riscos para catapultar o projeto do senador petebista nem brigar pela reeleição do presidente da República se essa briga vier a comprometer seus cacifes.

O fato é que, mesmo levando em conta a ampla margem de imprevisibilidade da política, se depender de Lahesio Bonfim e de Josimar de Maranhãozinho, a união da oposição bolsonarista no Maranhão sob a liderança do senador Roberto Rocha dificilmente sairá do campo das ideias. Provavelmente porque o senador perdeu o timing na busca de um partido e de um bom acordo, mas acabou no PTB, agremiação que representa hoje o que há de mais controverso na seara partidária brasileira, verdade que se impõe a partir do comportamento seu presidente nacional.

O senador Roberto Rocha terá de trabalhar muito para montar uma chapa competitiva, seja ele candidato a governador ou a senador. Sem chance, porém, de costurar a unidade da oposição bolsonarista em torno de um candidato.

 

PONTO & CONTRAPONTO

 

Brandão nomeia uma equipe técnica, mas com fortes flancos políticos

Carlos Brandão (centro) posa com a equipe que vai comandar a partir de hoje

O governador Carlos Brandão (PSB) empossou ontem sua equipe de Governo, formando um time dentro da sua ótica de gestor, com o predomínio de perfis técnicos, mas também reforçado o grupo de secretários com forte atuação política. Nessa seara, ele colocou na Casa Civil o experiente ex-prefeito de Imperatriz Sebastião Madeira, cuja raiz partidária é o PSDB. Recriou a Secretaria de Articulação Política, separando-a da Comunicação Social e entregando-a ao ex-prefeito de Matões e ex-deputado estadual Rubens Pereira, ele também um articulador político tarimbado. E manteve a área de Comunicação Social com o jornalista Ricardo Capelli, que é membro da cúpula do PSB e tem também forte atuação política. O ex-prefeito de São José de Ribamar, Luís Fernando Silva, que é um dos ativos colaboradores políticos do novo governador e vinha comandando a Secretaria de Programas Especiais, foi deslocado para a estratégica Secretaria de Planejamento, tendo o ex-governador José Reinaldo Tavares, que ocupava numa diretoria da empresa portuária, assumido a pasta dos Programas Especiais.

“Nossa escolha teve alguns critérios. Alguns secretários saíram pois são pré-candidatos e houve vacância dos cargos. Nós, naturalmente, dialogamos com várias pessoas do nosso campo político. Escolhemos pessoas que eu considero capacitadas e comprometidas para que possamos dar continuidade ao governo. Tivemos vários avanços nos últimos sete anos e queremos mais, focando sempre a qualidade de vida do povo”, declarou o governador. Para ele, as mudanças “oxigenam a gestão” na perspectiva de apresentar excelentes resultados”.

O novo chefe da Casa Civil, Sebastião Madeira observou que a equipe está entusiasmada. “Estamos todos honrados em participar do governo Brandão, trabalhar pelo e para povo maranhense, e para continuar esse trabalho de transformação iniciado há sete anos pelo governador Flávio Dino. Daremos continuidade e faremos muito mais”, afirmou.

Os secretários:

Sebastião Madeira (Casa Civil), José Reinaldo Tavares (Programas Especiais), Amanda Cristina de Aquino Costa (Direitos Humanos e Participação Popular), Aparício Bandeira Filho (Infraestrutura), Cassiano Pereira Júnior (Indústria, Comércio e Energia), Célia Maria Brandão Salazar Soares (Secretaria da Mulher), Cynthia Mota (Secretária Extraordinária de Articulação de Políticas Públicas), Daniel Itapary Brandão (Secretário Chefe da Assessoria Especial do Governador),Diego Galdino (Secretaria de Governo), Diego Rolim (Agricultura Familiar), Coronel Humberto Soares (Chefe do Gabinete Militar), José Antônio Barros Heluy (Agricultura, Pecuária e Pesca), Joslene Rodrigues (Cidades e Desenvolvimento Urbano), Leônidas Araújo   Agência Executiva Metropolitana). Leuzinete Pereira da Silva (Educação), Lília Raquel Silva Souza (Trabalho e Economia Solidária), Luís Fernando Silva (Planejamento e Orçamento), Luzia de Jesus Waquim: (Chefia do Gabinete do Governador), Naldir Lopes (Esporte e Lazer), Paulo Ribeiro (Desenvolvimento Social). Paulo Henrique (Turismo),
Paulo Sérgio Rodrigues (Secretaria Extraordinária da Região Tocantina), Paulo Victor (Cultura), Pedro Chagas (Gestão, Patrimônio e Assistência dos Servidores), Raul Mochel (Transparência e Controle), Raysa Maciel (Meio Ambiente e Recursos Naturais). Rubens Pereira (Articulação Política), Silvia Ferreira (Relações Institucionais), Coronel Silvio Mesquita (Segurança Pública) e Tiago Fernandes (Saúde).

Órgãos vinculados:

Anderson Pires Ferreira (Instituto de Colonização e Terras do Maranhão), Coronel Aritanâ do Rosário (Subcomando Geral da Policia Militar), Cauê Ávila Aragão (Agência Estadual de Defesa Agropecuária), Coronel Emerson Bezerra da Silva (Comando Geral da Polícia Militar), Hewerton Pereira (Departamento Estadual de Trânsito), Marcello Barros (Empresa Maranhense de Serviços Hospitalares), Marco Aurélio Freitas (Companhia de Saneamento Ambiental do Maranhão), Wallquiria de Jesus Lopes: (Cerimonial).

 

Weverton mantém agenda intensa no interior

Weverton Rocha com Sâmia Bernardes

A forte perda de poder não inibiu o senador Weverton Rocha (PDT). Como se nada tivesse acontecendo, ele manteve a programação de pré-campanha e tem dividido o seu tempo entre Brasília e o interior do Maranhão, onde visita entidade, conversa com líderes políticos locais e incursiona em mercados e áreas comerciais. Um exemplo: ontem, ele postou um vídeo em que devora uma “panelada” no mercado de Itapecuru-Mirim, ao lado da esposa, Sâmia Bernardes. O contraponto dessa maratona é que o número de acompanhantes – deputados em busca de reeleição, aspirante a deputado e entusiastas da sua pré-candidatura – vem diminuindo progressivamente. Entre os apoiadores fieis está o ex-secretário de Segurança Pública, delegado Jerfferson Portela, que deixou o cargo, migrou do PCdoB para o PDT e se lançou pré-candidato a deputado federal.

São Luís, 07 de Abril de 2022.

Resolvidos no campo partidário, candidatos aos Leões entram na fase de ajustes e montagem de chapas

 

Carlos Brandão, Weverton Rocha, Edivaldo Jr., Lahesio V=Bonfim, Josimar de Maranhãozinho, Simplício Araújo, Enilton Rodrigues, Hertz Dias e Roberto Rocha: fase de ajustes, que vai durar até às convenções marcadas para o mês de agosto

 

Passada a correria e o alvoroço da “janela”, quando puderam resolver suas pendências partidárias, os pré-candidatos ao Palácio dos Leões entram agora no que pode ser entendido como uma fase de ajustes e consolidação dos seus projetos chegaram firmes às convenções, confirmados por elas, partir para a corrida de 45 dias para chegarem às urnas. De um modo geral, o quadro de pré-candidatos está praticamente fechado, salvo pela indefinição do senador Roberto Rocha (PTB), que ainda não bateu martelo sobre se disputará o Governo do Estado ou a vaga no Senado. No mais, as pendências estão relacionadas com situações típicas do período pré-convenção: escolha de candidato a vice e de candidato ao Senado e seus suplentes. Além disso, os aspirantes ao Governo atuam paralelamente na seara política propriamente dita, em busca de suporte político que produza resultado eleitoral. Estão no páreo efetivamente nove pré-candidatos: o governador Carlos Brandão (PSB), o senador Weverton Rocha (PDT), o ex-prefeito de São Luís Edivaldo Holanda Jr. (PSD), o ex-prefeito de São Pedro dos Crentes Lahesio Bonfim (PSC), o deputado federal Josimar de Maranhãozinho (PL), o suplente de deputado federal Simplício Araújo (SD), o professor Enilton Rodrigues (PSOL), o professor Hertz Dias (PSTU), e o ainda indefinido senador Roberto Rocha (PTB).

Na condição diferenciada de governador candidato à reeleição pelo PSB, Carlos Brandão entra no longo período pré-convenções com a sua situação inteiramente resolvida e sua chapa organizada. Já tem como companheiro de chapa o advogado Felipe Camarão, indicado pelo PT, e como candidato a senador o ex-governador Flávio Dino (PSB), que já escolheu seu suplente: Ana Paula Lobato (PCdoB), vice-prefeita de Pinheiro. Em tempo: o PSB maranhense é presidido pelo deputado federal Bira do Pindaré.

Candidato a governador pelo PDT, partido por ele próprio presidido no Maranhão, o senador Weverton Rocha só tem até agora o próprio nome na chapa que vai liderar. Ele ainda não falou sobre como e quando pretende escolher o seu vice, que pode sair deum dos partidos aliados do PDT, mais provavelmente o Republicanos, o podendo ainda procurar um companheiro de chapa na área sindical, onde tem bom trânsito. Inicialmente, Weverton Rocha anunciara que seu grupo não lançaria candidato ao Senado, mas em diversas entrevistas recentes, disse que o PDT pode rever essa posição e decidir lançar candidato a senador.

Candidato do PSD ao Palácio dos Leões, partido controlado no estado pelo deputado federal Edilázio Jr., o ex-prefeito ludovicense Edivaldo Holanda Jr. ainda não escolheu seu candidato a vice e ainda não sinalizou a respeito de quando isso vai acontecer. Pelo que foi dito por ele próprio tão logo defini sua candidatura com a cúpula do partido, sua chapa não terá candidato ao Senado. A decisão foi uma maneira de agradecer ao ex-governador Flávio Dino pelo apoio na sua gestão como prefeito e na sua eleição (2012) e reeleição (2016).

Depois de ter peregrinado pelo agora extinto PSL, de ter levado uma rasteira no PTB, de alimentar sua candidatura por algumas semanas no nanico Agir36, e de quase ingressar de novo no PTB, Lahesio Bonfim, agora ex-prefeito de São Pedro dos Crentes, consolidou sua pré-candidatura pelo PSC, comandado no Maranhão pelo deputado federal Aloísio Mendes. Lahesio Bonfim e o chefe do seu partido ainda não decidiram sobre candidaturas a vice e a senador. Uma fonte ligada ao pré-candidato a governador disse que a chapa será completa.

Pré-candidato do PL, partido que preside com mão de ferro, o deputado Josimar de Maranhãozinho ainda não falou sobre escolha do seu companheiro de chapa nem se o seu partido lançará candidato a senador. Chama a atenção o fato de ele reduziu declarações sobre ele próprio ser candidato a governador, gerando a suspeita de que ele não levará esse projeto até o fim, podendo sair do páreo para apoiar um dos candidatos consolidados e entrar na disputa para depurado federal ou deputado estadual, estando mais inclinado a retornar à Assembleia Legislativa e mandar sua esposa, a deputada estadual Detinha, para a Câmara Federal.

Mesmo ocupando todos os espaços possíveis numa pré-campanha ativa, Simplício Araújo ainda não sinalizou se o Solidariedade, que ele preside no Maranhão, já definiu seu companheiro de chapa. Quanto ao Senado, é improvável que o SD lance um nome para disputar com Flávio Dino. O professor Enilton Rodrigues, que preside o PSOL, vai liderar uma chapa completa, com candidato a senador. O mesmo vai acontecer com Hertz Dias, o que já é uma tradição do PSTU.

A situação mais complicada pelo grau de indefinição é ado senador Roberto Rocha, que ingressou e assumiu o comando do PTB do estado, na semana passada. Até a noite de terça-feira (5), ele mantinha o suspense sobre se disputará o Governo do Estado, como ensaiou várias vezes, ou o Senado, para enfrentar o ex-governador Flávio Dino, que foi decisivo na sua eleição para o Senado em 2014.

Políticos tarimbados preveem que pelo menos três desses pré-candidatos sairão do circuito e arquivarão os seus projetos de candidatura.

 

PONTO & CONTRAPONTO

 

Base parlamentar de Weverton encolheu drasticamente

Weverton Rocha: perda elevada de apoio político-parlamentar

Uma pergunta que se faz em todas as rodas de conversa: depois de perder o apoio do presidente da Assembleia Legislativa, deputado Othelino Neto (PCdoB), e dos deputados Wendell Lajes, que se filiou ao PV e declarou apoio a Carlos Brandão, e Ricardo Rios, que deixou o PDT e se filiou ao PSB, com quem, de fato, o senador Weverton Rocha conta?

Na Assembleia Legislativa restaram quatro dos 42 deputados:  Ciro Neto (PDT), Thaíza Hortegal (PDT), Márcio Honaiser (PDT) e Neto Evangelista (União Brasil).

Na Câmara Federal, ele conta com Juscelino Filho (União Brasil), Cléber Verde (Republicanos) e Gil Cutrim (Republicanos).

No campo parlamentar, o pré-candidato do PDT conta ainda com o apoio da senadora Eliziane Gama (Cidadania), vínculo que se mantém por afinidade política e por conta do projeto de candidatura a deputado estadual de Inácio Melo, seu marido e operador político, que assumiu o controle do PSDB no Maranhão.

O grupo que ele exibia como seu conselho de campanha não existe mais.

 

Brandão dá posse hoje à nova equipe de Governo

Carlos Brandão

Com a nomeação, nesta quarta-feira, às 16h, no Palácio Henrique de la Rocque, onde trabalhou até no dia 31 de março como vice-governador, o governador Carlos (PSB) dará posse aos secretários que assumirão nas pastas cujos titulares saíram com o governador Flávio Dino (PSB). O destaque da equipe é o vereador Paulo Victor (PCdoB), que se licenciou do mandato depois de ter sido eleito presidente da Câmara Municipal de São Luís, para assumir o comando da Secretaria de Estado da Cultura. Ele pretende permanecer no cargo até dezembro, uma vez que o seu mandato de presidente do Legislativo da Capital só será iniciado em janeiro de 2023. Nesse período, assumirá sua vaga o vereador Marcelo Poeta (PCdoB).

São Luís, 06 de Abril de 2022.

Eleição de Paulo Victor presidente da Câmara foi a tacada final do desmonte do PDT em São Luís

 

Paulo Victor: eleição de presidente sem oponente foi tacada final no desmonte do PDT em São Luís

A eleição retumbante e sem concorrente do vereador Paulo Victor (PCdoB) para a presidência da Câmara Municipal de São Luís foi o arremate do desmonte do PDT na Capital, com reflexos no estado como um todo. O partido que deu as cartas na maior e mais importante cidade e colégio eleitoral do estado, tendo o controle do Executivo e do Legislativo por mais de duas décadas, perdeu praticamente todo o seu espaço, vai quase desaparecer do cenário ludovicense com a posse do novo presidente em janeiro de 2023. Hoje na presidência da Casa por meio do vereador Osmar Filho, um político sem liderança e sem traquejo para a articulação, o PDT se esforça para ser o suporte do prefeito Eduardo Braide (sem partido), mesmo sabendo que ele tem outras opções para se garantir. E mais do que isso, o PCdoB e seus aliados dificilmente aceitarão ter o PDT como interlocutor, o que passa a ser um problema para o atual líder do Governo, vereador Raimundo Penha (PDT).

Depois de ter chegado ao poder com a maiúscula eleição de Jackson Lago prefeito em 1988, derrotando Carlos Guterres (MDB), o poderoso candidato do então governador Epitácio Cafeteira (MDB), o PDT de São Luís fez a prefeita Conceição Andrade (PSB) em 1992, elegeu de novo (1996) e reelegeu (2000) Jackson Lago, e de ter eleito Tadeu Palácio em 2002, e ainda garantido a reeleição de Edivaldo Holanda Jr. em 2016, o partido mergulhou num processo de encolhimento. Esse processo fez dele hoje uma agremiação sem rumo no seu berço, onde está o que sobrou do seu maior símbolo, sua militância. Tudo causado por um projeto de poder pessoal seu presidente, o jovem e arrojado senador Weverton Rocha, agora pré-candidato ao Governo do Estado.

Em crise do PDT começou depois da morte de Jackson Lago, quando houve uma guerra pelo comando partidário da qual Weverton Rocha, um jovem político ambicioso e arrojado apoiado pelo presidente nacional, Carlos Lupi, saiu vitorioso, e desde então vem moldando o partido à sua maneira tendo como foco central o seu projeto de poder. Nada de errado, não fosse o fato de que ele não combinou as demais lideranças do partido nem com familiares de Jackson Lago, todos militantes. No confronto interno, Weverton Rocha levou a melhor banindo figuras importantes do partido, tendo conseguido tempos depois impor sua liderança, apoiado pelo comando nacional e pelos militantes mais jovens. Jogou duro e levou a melhor, mesmo deixando profundas sequelas.

Seu projeto de poder começou bem, com a sua eleição para o Senado em 2018, que seria apenas o trampolim para o Palácio dos Leões. Até então bem-sucedido, começou a jogar errado quando, em vez de preparar um candidato pedetista para disputar a sucessão do prefeito Edivaldo Jr., optou por fazer um acordo mirabolante com a cúpula nacional do DEM, pelo qual lançou prefeito o deputado Neto Evangelista (DEM), para enfrentar o deputado federal Eduardo Braide (Podemos) e o deputado estadual Duarte Jr. (Republicanos). Em troca, o DEM apoiaria sua candidatura ao Governo do Estado. Neto Evangelista não vingou, e no segundo turno da disputa em São Luís, em vez de apoiar o candidato governista, preferiu apoiar Eduardo Braide, com dois objetivos: evitar a todo custo a eleição de Duarte Jr. e obter de Eduardo Braide a promessa de apoio à sua candidatura ao Governo. Resultado: Eduardo Braide venceu a eleição, Duarte Jr. foi o segundo, mas saiu das urnas muito mais forte, enquanto o PDT saiu do pleito bem menor, sem a prefeitura e com apenas quatro vereadores. Dos 45 prefeitos que elegeu pelo partido, pelo menos 10 já se afastaram da sua pré-campanha.

Em janeiro de 2021, Weverton Rocha conseguiu eleger o vereador Osmar Filho presidente da Câmara, sinalizando que jogaria o peso do seu prestígio senatorial e sua relação com o prefeito Eduardo Braide garantiriam ao PDT continuar no comando da Casa. Sem liderança, Osmar Filho, com o apoio do senador e do Palácio de la Ravardière, tentou montar uma base de apoio em torno da candidatura do respeitável vereador Gutemberg Araújo (PSC), mas o projeto foi arquivado pelo surpreendente poder de articulação do vereador Paulo Victor, que apoiado pelo Palácio dos Leões se elegeu ontem, sem oponente.

A pergunta que se faz no meio político é o que será do braço maranhense do PDT se o senador Weverton Rocha, que já não lidera a corrida às urnas, não ganhar as chaves do Palácio dos Leões em outubro. As previsões são no mínimo sombrias.

 

PONTO & CONTRAPONTO

 

Com Madeira para a Casa Civil, Brandão apostou na experiência política e prestigiou Imperatriz

Sebastião Madeira: experiência e prestígio para Imperatriz

O governador Carlos Brandão (PSB) montou uma equipe técnica e alinhada à visão do ex-governador Flávio Dino. Fez, porém, ajustes reveladores de que o seu Governo terá um forte viés político. E nessa seara, a escolha do ex-prefeito de Imperatriz, Sebastião Madeira, para a Casa Civil, foi um tiro certeiro. O primeiro: médico por formação Sebastião Madeira é um político tarimbado, de larga experiência. Um dos fundadores do PSDB, teve atuação destacada como deputado federal durante o Governo FHC, chegando à presidência do Instituto Teotônio Vilela, centro de estudos políticos do partido. Foi duas vezes prefeito de Imperatriz, deixando ali um legado respeitável. O segundo: nomear um ex-prefeito de Imperatriz para o mais importante e influente cargo da Governadoria é uma maneira inteligente e produtiva de prestigiar a maior e mais importante cidade do Maranhão depois de São Luís. O terceiro: mesmo que esteja afastado das atividades partidárias e que o PSDB tenha sido entregue a Inácio Melo, marido e operador político da senadora Eliziane Gama (Cidadania), Sebastião Madeira poderá atrair muitos tucanos para a base de apoio do governador Carlos Brandão.

 

JP e Mical aliviados por deixarem o PTB e ingressarem no PSD

Josivaldo JP e Mical Damasceno: aliviados por deixarem o PTB

O deputado federal Josivaldo JP e a sua colega estadual Mical Damasceno não conseguem controlar a expressão de alívio por haverem deixado o PTB e ingressado no PSD. Ele, que era presidente, e ela, sua antecessora no posto, romperam com Roberto Jefferson depois que ele decidiu entregar o partido ao senador Roberto Rocha. A felicidade dos dois foi completada com o seu desembarque no PSD, um partido de centro-direita e cuja representação no Maranhão é bem ajustada sob o comando do deputado federal Edilázio Jr., que tem como braço-direito o experiente deputado César Pires, os dois focados na candidatura do ex-prefeito de São Luís, Edivaldo Holanda Jr. a governador. E levaram de quebra o deputado Pastor Cavalcante, que deixou o PROS, que ganhou destino incerto no Maranhão depois que foi entregue ao suplente de deputado Marcos Caldas.

São Luís, 05 de Abril de 2022.

Agora governador, com base partidária e chapa montada, Brandão pode ditar ritmo da corrida às urnas

 

Carlos Brandão recebe a faixa de Flávio Dino no Palácio dos Leões, depois de ter sido declarado governador por Othelino Neto, na Assembleia Legislativa, no sábado

Ao apor sua assinatura no livro de posse da Assembleia Legislativa e ser declarado novo chefe do Poder Executivo pelo presidente Othelino Neto (PCdoB), a partir da carta-renúncia do governador Flávio Dino (PSB), Carlos Brandão (PSB) deu também, na tarde de ontem, o primeiro passo, agora como governador e candidato à reeleição, à nova e decisiva fase da pré-campanha eleitoral, que vai durar até as convenções partidárias de agosto, quando será deflagrada a campanha eleitoral propriamente dita para as eleições de outubro. O ato de posse foi simples, seguiu o ritual e as formalidades regimentais, e teve como resultado político a declaração do novo governador de que governará respeitando a autonomia dos Poderes e a harmonia entre eles, promessa feita também pelo presidente do parlamento, com a discreta concordância do presidente do Poder Judiciário, desembargador Lourival Serejo, presente no ato. Logo em seguida, a transmissão do cargo e a entrega da faixa pelo antecessor Flávio Dino (PSB), no Palácio dos Leões, consumaram o processo de transição.  No campo político, Carlos Brandão ascendeu ao comando do Governo embalado pelo apoio de cerca de 30 dos 42 deputados estaduais, e por duas pesquisas (Escutec e DataM), nas quais aparece tecnicamente empatado com seu principal adversário, o senador Weverton Rocha (PDT), e uma boa folga em relação aos demais pré-candidatos.

Carlos Brandão inicia seu novo momento como o único pré-candidato ao Palácio dos Leões que está com a situação partidária e política resolvida, sem qualquer pendência. Ele está filiado a um partido sólido e muito bem situado na política maranhense, tendo na sua chapa como pré-candidato a vice Felipe Camarão, um dos mais atuantes homens públicos da nova geração, e como pré-candidato ao Senado o ex-governador Flávio Dino (PSB), de longe o político maranhense mais destacado da atualidade, seu avalista. Além disso, juntamente com seu partido, Carlos Brandão está engajado no movimento cujo objetivo maior é levar Lula da Silva (PT) de volta ao comando da República, agora tendo como candidato a vice o ex-governador de São Paulo Geraldo Alckmin (PSB). Conta com mais de uma dezena de partidos, metade dos deputados federais, mais de dois terços da Assembleia Legislativa, a maioria dos prefeitos e grande número de vereadores.

Seus concorrentes estão muito distantes dessa condição. O senador Weverton Rocha (PDT) não tem ainda uma aliança partidária consolidada, não faz ideia de quem escolherá como companheiro de chapa, e vive o drama quase shakespeareano de “lançar ou não lançar” um candidato a senador, além de ter perdido muitos aliados nos últimos dias, sendo o mais destacado deles o presidente da Assembleia Legislativa, deputado Othelino Neto, que desistiu de migrar do PCdoB para o PDT e decidiu não mais apoiá-lo. O ex-prefeito de São Luís Edivaldo Holanda Jr. (PSD) faz uma pré-campanha tímida, também sem sequer cogitar ainda quem será seu candidato a vice, e mantendo a decisão de não lançar candidato a senador. O agora ex-prefeito de São Pedro dos Crentes, Lahesio Bonfim (Agir36), também não tem ideia de como será sua chapa. O senador Roberto Rocha (PTB) ainda está tentando sair de um pantanoso caso partidário, enquanto Josimar de Maranhãozinho praticamente silenciou a respeito da pré-candidatura a governador. Simplício Araújo (SD) segue solitário, alimentando sua inteligente campanha para a Câmara Federal, ao tempo em que Enilton Rodrigues (PSOL) e Hertz Dias (PSTU) já sabem quem serão seus companheiros de chapa.

Político tarimbado, que conhece as entranhas e as manhas do mundo político maranhense, Carlos Brandão sabe exatamente como se movimentar nesse cenário, separando ao máximo o governador do candidato à reeleição. Sua convivência de 2.645 dias com o governador Flávio Dino, somada aos quase três anos como chefe da Casa Civil do Governo de José Reinaldo Tavares, lhe deu o conhecimento e a tarimba necessários, principalmente em matéria de articulação. A maneira discreta, mas eficiente, com que construiu a base política da sua pré-candidatura, é um demonstrativo da sua capacitação política. Não terá, portanto, maiores dificuldades para administrar e até mesmo aumentar seu cacife político para um bom desempenho nas urnas.

Experimentado também em matéria eleitoral, o agora governador e candidato à reeleição sabe que há muito jogo pela frente, que a campanha será dura e que, na condição em que se encontra, será o grande alvo dos concorrentes. Deve, portanto, estar preparado para o enfrentamento, com a vantagem de que poderá ditar o ritmo da corrida às urnas.

 

PONTO & CONTRAPONTO

 

Após romaria em busca de partido, Roberto Rocha desembarca no PTB e causa debandada

Roberto Rocha só encontrou no PTB o espaço partidário para ser o porta-voz do presidente Jair Bolsonaro no MA 

De todos os pré-candidatos ao Palácio dos Leões, a situação mais confusa é a protagonizada pelo senador Roberto Rocha. Durantes meses ele tentou encontrar um pouso partidário que pudesse comandar como a voz do bolsonarismo na campanha eleitoral. Tentou o PL, mas foi brecado por Josimar de Maranhãozinho, que não quer ser coadjuvante. Sondou a possibilidade de reassumir o controle do PSDB no estado, mas foi atropelado pela senadora Eliziane Gama (Cidadania), que aproveitou a federação PSDB/Cidadania para entregar o ninho dos tucanos maranhenses ao seu marido e operador político Inácio Melo. Tentou uma articulação com Lahesio Bonfim, para sair candidato ao Governo ou ao Senado pelo Agir36, mas o ex-prefeito de São Pedro dos Crentes não deixou a conversa prosperar. Sem alternativa, o senador Roberto Rocha procurou o único pouso possível, o PTB, partido mergulhado numa ácida crise interna por conta dos desatinos do seu presidente, o irreconhecível Roberto Jerfferson, um político competente de centro que se homiziou nas zonas mais sombrias da extrema direita. Seu embarque no braço maranhense do PTB resultou na implosão do partido, com a debandada do deputado federal Josivaldo JP, que estava na presidência da legenda, e da deputada estadual Mical Damasceno, que fora presidente, mas decidiu abandonar o quase naufragado barco petebista e migrar para o PSD, uma legenda organizada, com candidato a governador e comando firme. A expectativa no meio político é sobre como o senador Roberto Rocha vai juntar os cacos e remontar o PTB para sair candidato a governador ou a senador, tendo a companhia do filho, o ex-vereador por São Luís, Roberto Rocha Filho, pré-candidato a deputado federal.

 

Posse de Brandão: as ausências de Flávio Dino e de Eliziane Gama

Flávio Dino teve ausência justificada; Eliziane Gama: ausência injustificada

Duas ausências foram notadas na sessão especial da Assembleia Legislativa que empossou Carlos Brandão no Governo do Estado, na tarde de sábado. Uma foi a do ex-governador Flávio Dino, outra foi a da senadora Eliziane Gama.

Alguns desavisados registraram a ausência de Flávio Dino como um fato incomum, quando deve ser vista por uma ótica rigorosamente inversa. Flávio Dino ficou no Palácio dos Leões aguardando a chegada do seu sucessor para lhe transmitir o cargo, como manda a regra. Não é praxe o governador que sai participar da posse do seu sucessor. Afinal, a festa é de quem chega e não de quem sai. A presença pode causar constrangimento para ambos, daí não ser uma situação normal. Flávio Dino agiu dentro do figurino civilizado: designou o secretário das Cidades, deputado federal Márcio Jerry (PCdoB) como seu representante, que entregou a carta-renúncia ao presidente Othelino Neto. Cumpriu fielmente a regra e respeitou a tradição.

A ausência da senadora Eliziane Gama foi surpreendente e não há como não ser visto como um gesto de descortesia política. Alguns argumentaram que ela está apoiando o senador Weverton Rocha, portanto do lado oposto ao de Carlos Brandão na corrida eleitoral. O argumento não se sustenta. Primeiro porque ela, além de ser uma representante do Maranhão na Câmara Alta, não disputa mandato nas eleições deste ano, o que a obriga a agir somente como senadora. É fácil explicar o não comparecimento dos senadores Weverton Rocha e Roberto Rocha pelo simples fato de que eles são pré-candidatos. A senadora Eliziane Gama não tem esse argumento, daí ser impossível não interpretar sua ausência como um censurável gesto de descortesia política.

São Luís, 03 de Abril de 2022.