Arquivos mensais: setembro 2025

Corrida aos Leões: proposta pacificadora de Weverton esbarra numa indagação de Brandão: “Como?”

Carlos Brandão confirmando que vai cumprir
integralmente o seu mandato de quatro anos

Uns viram uma réstia de luz no fim do túnel, outros acharam que viram, mas não se arriscaram a confirmar, e outros nada viram, achando que o túnel continua no breu. Foi assim que políticos brandonistas e dinistas se dividiram em relação à proposta de pacificação feita pelo senador Weverton Rocha (PDT), e à revelação, feita por ele, dando conta de que o presidente Lula da Silva (PT) vai tentar unir as duas bandas da sua base de apoio no Maranhão. Isso num momento em que o governador Carlos Brandão (ainda no PSB) parece mais decidido do que nunca a cumprir o seu mandato até o final e reforça a base de apoio do seu pré-candidato ao Palácio dos Leões, o secretário Orleans Brandão (MDB), e o vice-governador Felipe Camarão (PT) reafirma a sua pré-candidatura entra e cabeça numa intensa pré-campanha. É verdade que em política nada é impossível, mas é verdade também que essa máxima está difícil de vingar no cenário político do Maranhão nesse momento, no qual as duas forças dominantes estão em conflito, esticando a corda a cada dia.

“Ele fala em pacificar. Mas não diz como”. Foi a resposta do governador Carlos Brandão a uma indagação da Coluna sobre a iniciativa do senador Weverton Rocha. O mandatário não abriu um milímetro da sua posição ao processo sucessório estadual. Ao contrário, sinalizou que mantém firme a decisão de permanecer no Governo e embalar o projeto de candidatura do secretário de Assuntos Municipalistas à sua sucessão, o que torna complicado qualquer iniciativa conciliadora, como a do senador pedetista. Isso porque os motivos que causaram o afastamento e levaram ao rompimento são de difícil solução.

O ponto central é que, para os dinistas, tudo se resolveria se o governador Carlos Brandão, motivado pelo que fez o então governador Flávio Dino em 2022, renunciasse e se candidatasse ao Senado, abrindo caminho para que o vice-governador Felipe Camarão assuma o Governo e seja candidato à reeleição. Depois de uma série de atritos, pequenos jogos de poder e da suspeita de que estariam tentando controlar o seu Governo, o governador Carlos Brandão bateu pé e iniciou o direcionamento do seu roteiro político para outro rumo, que resultou nas duas drásticas decisões, a de permanecer no cargo e lançar o seu sobrinho candidato à sua sucessão. Para chegar nesse extremo, o cenário foi construído com uma série de embates e escaramuças que levaram as relações a um grau elevado de impossibilidade.

Começou em 2023, quando o governador Carlos Brandão tentou emplacar o jovem advogado Flávio Costa numa cadeira de desembargador do Tribunal de Justiça, tendo o projeto sido bloqueado por decisão judicial. Tempo depois, abriu-se uma vaga no Tribunal de Contas do Estado (TCE), tendo o Palácio dos Leões respaldado politicamente a indicação de Flávio Costa, mas o processo de escolha, de prerrogativa exclusiva da Assembleia Legislativa, foi interrompido – e permanece até hoje -, por decisões judiciais. Não bastasse isso, a eleição para a presidência da Assembleia Legislativa, em que a presidente Iracema Vale foi candidata à reeleição, terminou empatada em 21 a 21 votos, um resultado absolutamente imprevisível, mas que resultou na reeleição dela pelo critério da maior idade. Baseada numa regra regimental vigente há mais de três décadas, a eleição foi judicializada. Mais recentemente, no desdobramento da ação sobre a escolha de conselheiro do TCE, o ministro Flávio Dino, baseado numa denúncia – que muitos questionam -, mandou abrir investigação sobre suposta venda de vagas no TCE, para que o Palácio dos Leões emplacasse sucessores da sua confiança, causando uma dura reação do governador Carlos Brandão, que passou a denunciar o que vem chamando de perseguição política pela via judicial.

O ponto nevrálgico dessa ciranda judicial é o fato de que as ADIs sobre a eleição na Assembleia Legislativa e a escolha de conselheiros do TCE e seus desdobramentos foram iniciativas do deputado Othelino Neto por meio do seu partido, o Solidariedade, tendo as ações caído nas mãos do ministro Flávio Dino, que se tornou relator de todas. Conhecido pela rigidez das suas decisões como juiz, o ministro Flávio Dino é acusado de transformar o governador Carlos Brandão em possível alvo de uma pancada judicial. O governador vem reagindo num crescendo, a ponto de no início da semana passada – às vésperas do histórico julgamento do golpe, que mandaria o ex-presidente Jair Bolsonaro para a prisão -, ter afirmado, em discurso, que está sendo perseguido judicialmente, mas que não tem medo de perseguição.

Foi nesse ambiente que o senador Weverton Rocha revelou a intenção do presidente Lula da Silva de tentar pacificar a sua base no Maranhão. Resta dizer como será proposta a pacificação com esses ativos todos pendentes.

PONTO & CONTRAPONTO

Para muitos, Dino saiu do julgamento da trama golpista como um nome talhado para disputar o Planalto

Flávio Dino em diferentes momentos do julgamento

O histórico julgamento que resultou na condenação do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) a 27 anos de cadeia por tentativa de golpe de estado produziu uma série de imagens entre os cinco ministros da 1ª Turma do Supremo Tribunal Federal. As impressões vieram de observadores e comentaristas políticos depois do impacto das sentenças, quando, mesmo sob tensão, os ânimos começaram a serenar.

O ministro-relator, Alexandre de Moraes, terminou o processo como o julgador implacável, corajoso, que não vergou um milímetro, apesar de todas as tentativas de coação que sofreu. A ministra Cármem Lúcia consolidou sua imagem de ministra severa, defensora implacável do estado democrático de direito e das regras constitucionais em vigor no País. O ministro Luiz Fux entrou para a história como o pária, que desdisse tudo o que vinha dizendo e concluiu afirmando que nada aconteceu no país, tornando-se ídolo da bolha que apoia os acusados. O ministro Zanin, presidente da 1ª Turma, entrou e saiu com o brilho da serenidade e da precisão no voto, e reconhecido por haver conduzido o julgamento sem qualquer percalço.

No contexto do julgamento, a grande estrela foi, de longe, o ministro Flávio Dino, que além do vasto conhecimento, reforçado pela experiência de 12 anos com o juiz federal e dois como ministro da Suprema Corte, deu aulas de comunicação, tornando simples os compreensíveis conceitos jurídicos aplicados ao caso. O ministro maranhense descontraiu o ambiente tenso e sisudo imposto pela gravidade do caso em julgamento, com “tiradas” inteligentes e perfeitamente ajustadas ao momento.

Como já havia observado a Coluna, vários comentaristas de peso destacaram, com ênfase, a participação de Flávio Dino, chamando a atenção para a sua capacidade de reforçar seus argumentos com conceitos e exemplos relacionado com os três Poderes das República, fruto da vasta experiência de ter sido ele juiz federal, deputado federal e senador e governador de dois mandatos, ambos com eleição em turno único.

Sua fala de maior repercussão foi a com que concluiu o seu voto pela condenação os envolvidos na trama golpista. Ele disse:

“Eu me espanto com alguém que acredita que quem chega ao Supremo vai se intimidar com tweet. Será que as pessoas acreditam com um tweet de uma autoridade, de um governo estrangeiro, vai mudar um julgamento no Supremo? Será que alguém imagina que um cartão de crédito ou o Mickey vão mudar um julgamento no Supremo? Então, nós estamos aqui, fazendo o que nos cabe: cumprir o novo dever. Isso não é ativismo judicial, isso não é tirania, não é ditadura. Pelo contrário, é a afirmação da democracia que o Brasil construiu sobre o pálio da Constituição de 88”.

Com base nesse e outros trechos do voto de Flávio Dino, diversos comentaristas enxergaram nele um nome talhado para ser presidente da República em 2030. Sem esquecer, no entanto, que ele ampliou seu destaque na ira bolsonarista.

Nome de Braide é sussurrado nos bastidores até para vice numa eventual candidatura de Tarcísio a presidente

Eduardo Braide é ventilado para seguir os passos
de José Sarney, Gardênia Gonçalves – na foto ao
lado do marido João Castelo – e José Antônio
Almeida, que foram candidatos a vice-presidente

Ao mesmo tempo em que se mantém como líder nas pesquisas sobre intenção de voto para o Palácio dos Leões em 2026, mesmo sem que tenha dito ainda se será ou não candidato, o prefeito de São Luís, Eduardo Braide, vê seu prestígio ganhar espaço cada vez maior na cúpula nacional do seu partido, o PSD, que o quer candidato a governador do Maranhão, mas também já teria ventilado seu nome para candidato a vice-presidente da República numa eventual participação do partido na base de uma provável candidatura presidencial do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos).

Esse rumor está circulando num grupo restrito afinado com o prefeito de São Luís, não se tratando, porém, de uma informação partidária ou coisa parecida. A Coluna viu o rumor como uma hipótese distante, remota, mas possível, por ser ele um nome destacado entre os prefeitos de capitais nordestinas por conta da sua bem-sucedida trajetória política e sua arrojada gestão no comando de São Luís.

Vale lembrar que o Maranhão emplacou José Sarney como vice de Tancredo Neves em 1985, tendo ele se tornado presidente por cinco anos. Antes dele, a prefeita Gardênia Gonçalves foi candidata a vice-presidente na chapa do senador catarinense Espiridião Amin em 1994, e o consagrado advogado, então deputado federal e líder do PSB, José Antônio Almeida, atendeu ao chamamento da cúpula nacional do partido e se candidatou a vice-presidente na chapa do fluminense Antony Garotinho.

Com a inteligência política que tem, Eduardo Braide dificilmente embarcaria numa aventura dessa envergadura e com essa margem de risco.

São Luís, 14 de Setembro de 2025.

Weverton revela que Lula vai tentar reconciliar Brandão com grupo dinista para disputa de 26

Carlos Brandão ladeado à esquerda por Wolney Queiroz, Felipe Camarão, Rubens Jr.
e Orleans Brandão, e à direita por Márcio Macedo, André Fufuca, Weverton Rocha,
Iracema Vale e Márcio Jerry na abertura da Caravana Federativa

Em meio à repercussão do histórico julgamento no qual o Supremo Tribunal Federal (STF) condenou o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) a 27 anos de prisão, por tentativa de golpe de estado, o meio político maranhense foi sacudido por uma declaração do senador Weverton Rocha (PDT), que em discurso revelou que o presidente Lula da Silva (PT) pretende entrar no circuito para tentar reaproximar o governador Carlos Brandão (ainda no PSB) e o grupo ligado ao ministro Flávio Dino, da Suprema Corte. De acordo com Weverton Rocha, o líder petista vai tentar de todas as maneiras reconciliar os seus aliados, de modo que estejam unidos em torno de um projeto comum no estado e da sua candidatura à reeleição em 2025. O senador pedetista disse que esteve quarta-feira com o presidente Lula da Silva em Brasília e que ouviu dele a decisão de conversar com os dois grupos.

O efeito bombástico da declaração do senador pedetista foi que ela foi dada durante um discurso que ele fez na abertura da “Caravana Federativa” uma ação anual que o Governo Federal, que trouxe ao Maranhão quatro ministros, para diagnosticar problemas e encaminhar soluções em pleno acordo com o Governo estadual. Além do governador Carlos Brandão, a presidente da Assembleia Legislativa, Iracema Vale (ainda no PSB), o ministro do Esporte André Fufuca, o prefeito de Bacabal e presidente da Famem Roberto Costa (MDB), o deputado federal Rubens Jr. (PT), e o secretário de Assuntos Municipalistas Orleans Brandão (MDB), foram também convidados e compareceram o vice-governador Felipe Camarão (PT), o deputado federal Márcio Jerry (PCdoB) e os deputados estaduais Carlos Lula (PSB), Rodrigo Lago (PCdoB) e Leandro Bello (Podemos), que integram o chamado grupo dinista.

Foi nesse raro e surpreendente momento de distensão entre os dois grupos que o senador Weverton Rocha fez a bombástica revelação sobre o interesse do presidente Lula da Silva de intervir para que brandonistas e dinistas se reconciliem e atuem como um grupo unido nas eleições de 2026. “Ontem eu estive com o presidente Lula no gabinete dele, e ele disse que quer o Maranhão unido. Eu preciso do estado unido para que nós estejamos todos fortalecidos no ano que vem”, teria dito o presidente, segundo declarou Weverton Rocha, que arrematou, manifestando, ele próprio, interesse na reconciliação: “Nós estamos juntos, governador Brandão, aqui está o vice-governador Felipe Camarão. Torço todo dia para que esses dois se entendam. Mas eu sempre disse que o Brandão é o líder do processo”.

O senador teve o cuidado e a habilidade de defender o entendimento entre o governador Carlos Brandão e o vice-governador Felipe Camarão, deixando claro, porém, que a liderança do processo político na base aliada é do chefe do Executivo, como manda a tradição. Os exemplos mais recentes e esclarecedores dessa observação vêm de 2014 e 2018, quando o então governador Flávio Dino (PCdoB) liderou os dois processos sucessórios, que resultaram nas suas próprias eleição e reeleição.

Se está disposto a aterrar esse fosso e reconstruir uma via segura para reunir os dois grupos, o presidente Lula da Silva, mesmo reconhecido por seu poder de sedução e convencimento, terá de gastar muita saliva e se munir de fortes argumentos se quiser obter sucesso nessa desafiadora empreitada política. A dificuldade começa com o fato de o governador Carlos Brandão já haver decidido permanecer no cargo até o fim para apoiar a candidatura do secretário Orleans Brandão à sua sucessão, e de que, por sua vez, o vice-governador Felipe Camarão se lançou candidato a governador e está em plena pré-campanha.

Não foi possível avaliar como o governador Carlos Brandão e os membros do seu staf político, a começar pelo próprio Orleans Brandão, receberam a revelação do senador pedetista. Assim como não deu para medir a disposição da ala dinista para um entendimento n o nível que, segundo Weverton Rocha, será proposto pelo presidente Lula da Silva. Mas é fato que, para dar sentido ao eventual gesto do presidente, os dois grupos terão de recolher as armas e se municiar de boa vontade para conversar.

Vale aguardar o próximo lance do roteiro desenhado pelo senador Weverton Rocha.

(O nível de descontração foi elevado a tal ponto que resultou num até ontem impensável registro fotográfico, no qual o governador Carlos Brandão posou levantando os polegares em sinal positivo ladeado por aliados e adversários, e no qual Orleans Brandão e Felipe Camarão se postaram separados apenas pelo deputado federal petista Rubens Jr.)

PONTO & CONTRAPONTO

Caravana Federativa amplia e fortalece as relações de estados e municípios com a União

Carlos Brandão com ministros na abertura da Caravana
Federativa, em auditório lotado no Centro
de Convenções Pedro Neiva de Santana

O Governo Federal deu ontem mais um passo largo para ampliar o acesso aos serviços públicos oferecidos pela União. É esse o objetivo da Caravana Federativa, que comandada por quatro ministros de Estado, desembarcou em São Luís e instalou no Centro de Convenções Pedro Neiva de Santana técnicos e assessores de 30 ministérios, 21 agências públicas e bancos federais com o objetivo de melhorar a comunicação e a interação do da máquina federal com o Governo do Estado e a Prefeituras no que respeita à resolução de questões burocráticas para o destravamento de obras, convênios, ou demais ações vinculadas ao Governo Federal nos municípios. Essa interação, que começou ontem de manhã, será concluída hoje à tarde, quando a Caravana se deslocará para outro estado.

O Maranhão é o segundo estado a receber a nova rodada da Caravana, e registrou, em 2025, mais de oito mil inscrições para a nova edição do evento, que é comandado pelos ministros Márcio Macedo (Secretaria Geral da Presidência da República), Márcia Lopes (Mulheres), André Fufuca (Esporte), e Wolney Queiroz (Previdência Social). Também presente o secretário de Assuntos Federativos, Júlio Pinheiro, representando a ministra Gleisi Hoffmann (Relações Institucionais), que é a responsável pelo projeto.  

O governador Carlos Brandão recebeu a terceira edição da Caravana Federativa com entusiasmo, comemorando primeiro o número de inscritos, dado que mostrou que prefeitos atenderam à sua convocação para que as administrações sejam melhor informadas de como usar os serviços oferecidos pela União. O mandatário maranhense  
agradeceu ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva e aos ministérios, que utilizam a Caravana para acelerar e destravar obras federais no Maranhão. Carlos Brandão comemorou o número recorde de inscritos e lembrou que o Maranhão é o estado que mais captou recursos do Programa de Aceleração do Crescimento (Novo PAC). Ao todo, foram enviadas 1.741 propostas maranhenses ao Novo PAC Seleções 2025. 

“Hoje, Brasília se muda para o Maranhão, neste maior evento de gestão pública do Brasil. A Caravana tem feito esse grande trabalho. Aqui os projetos realmente saem do papel e as pessoas acreditam nessa grande parceria com o presidente Lula”, declarou o governador Carlos Brandão.

Resta ao bolsonarismo fazer como toda corrente política séria: respeitar a Democracia e disputar eleições

Jair Bolsonaro sonhou ser ditador, mas o sonho virou pesadelo

Vozes da direita na bancada maranhenses na Câmara Federal, impactadas pela condenação do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e mais sete integrantes do “núcleo crucial” da tentativa de golpe de estado andaram sussurrando ontem no sentido de mobilizar a base bolsonarista para tocar o projeto de anistia “de qualquer maneira”, apostando que com a inciativa terão chance de reverter a situação. Ao contrário, se decidirem mesmo investir sua gordura política nesse projeto, o resultado pode ser uma baita crise institucional.

E o motivo é simples: a Constituição do Brasil define golpe de estado como crime imprescritível e imperdoável, o que significa dizer que não pode ser anistiado. Pela regra, quem atenta contra a Carta Magna com o objetivo de abolir o estado democrático de direito tem de responder judicialmente e, se condenado, deve cumprir sua pena, e fim de conversa.

Sustentada em provas irrefutáveis de que, derrotado nas urnas, o então presidente Jair Bolsonaro tentou impor medidas de exceção para impedir a posse do presidente eleito Lula da Silva (PT), e só não foi em frente porque os comandantes do Exército, general Freire Gomes, e o da Aeronáutica, major-brigadeiro Batista Júnior, se recusaram a apoiar a trama, segundo a ampla investigação da Polícia Federal, a Procuradoria Geral da República elaborou uma denúncia avassaladora, que foi consolidada pelo ministro-relator Alexandre de Moraes.

Os grandes jornais do País, como Folha de S. Paulo e O Globo, reconheceram, em editoriais, a legitimidade do processo e a legalidade do julgamento. Mas consideraram as penas muito elevadas. Sem qualquer inclinação para defender os condenados, o editorial da Folha de S. Paulo faz duas sugestões aos ministros da 1ª Turma do STF: rever as penas – os 27 anos dados a Jair Bolsonaro seriam reduzidos para 20, por exemplo – e que o ex-presidente, devido a sua idade e aos seus problemas de saúde, continue em prisão domiciliar. Recomenda que, em vez de fazer zoada, as defesas deveriam trabalhar junto à Suprema Corte para aliviar a situação dos seus clientes. A opinião de O Globo vai na mesma direção, avalia as penas foram muito duras, mas não sugere concessões.

A hora é do bolsonarismo colocar os pés no chão, reconhecer que seus chefes agiram como uma organização criminosa, atentaram contra a Constituição e a Democracia e por isso vão pagar caro. Com base nisso, deveria se comportar como corrente séria, respeitar as regras e disputar eleições, para ganhar ou para perder. A Historia mostra com clareza que é assim que as tendências políticas, progressistas ou conservadoras, se consolidam.

São Luís, 12 de Setembro de 2025.

Camarão reafirma pré-candidatura, faz desafio a concorrentes e manda recado direto ao PT

De mãos dadas com o presidente Lula,
Felipe Camarão desafia concorrentes
a ter imagem igual

“Sou o único pré-candidato do PT e o único pré-candidato do presidente Lula no Maranhão”. Com essa declaração, dada ontem, em Santo Amaro, onde foi prestigiar a posse do novo comando municipal do PT, o vice-governador mandou mais um recado forte ao braço seu o partido no Maranhão, que, até onde se sabe, está dividido, com uma banda apoiando o seu projeto de candidatura, e outra mais inclinada a apoiar o secretário de Assuntos Municipalistas, Orleans Brandão (MDB), por conta do alinhamento com o governador Carlos Brandão (ainda no PSB). O vice-governador reafirmou que está preparado para governar o Estado, e exibiu convicção de que conta com o apoio do PT e do presidente Lula da Silva.

Na mesma fala, o vice-governador Felipe Camarão fez um desafio aos pré-candidatos: “Um deles mostre uma foto ao lado do presidente Lula”. Com tempero de provocação, o desafio faz pouco sentido, à medida que não atinge o prefeito de São Luís, Eduardo Braide (PSD), que não declarou ainda se será ou não candidato ao Palácio dos Leões. E não tem qualquer cabimento se relacionado com o ex-prefeito de São Pedro dos Crentes, Lahesio Bonfim, candidato do Novo, que é de direita radical, portanto inimigo visceral do presidente da República e do seu partido, aos quais ataca violentamente.

O alvo mais provável, na verdade mais óbvio, da provocação do vice-governador Felipe Camarão é o pré-candidato emedebista Orleans Brandão, que vem ameaçando levar pelo menos uma boa fatia das fileiras do PT para a base da sua candidatura. Esse grupo está se articulando há tempos sob a forte influência do ex-vice-governador e ex-conselheiro do TCE Washington Oliveira, que é uma espécie de “mentor” do presidente recém reeleito do partido, Francimar Melo, que vem atuando para manter o PT na base de apoio do governador Carlos Brandão.

Felipe Camarão fez o desafio para tirar uma espécie de “prova dos noves” no jogo das relações em vigor no ambiente em que acontecem os primeiros movimentos dos aspirantes a governador. O desafio foi uma resposta a uma a provocação feita por adversários, que andaram espalhando que Orleans Brandão também estaria sendo visto com alguma simpatia por gente da cúpula nacional do PT. Ao fazer o desafio da foto, Felipe Camarão apostou que nenhum dos seus adversários na corrida ao Palácio dos Leões tem a proximidade que ele tem com o presidente da República, a começar pelo fato de que ambos são do mesmo partido.

Reafirmando-se pré-candidato a governador e mostrando disposição para reverter o cenário em que aparece na quarta posição nas preferências do eleitorado, segundo as pesquisas mais recentes, Felipe Camarão disse aos petistas de Santo Amaro ser o único dos pré-candidatos a governador que dialoga com populações indígenas, os trabalhadores rurais e com as lideranças dos movimentos sociais. Além disso, conhece os problemas dos 217 municípios do Maranhão. E completou a manifestação fazendo outra provocação: “Tem candidato por aí que, se atravessar a ponte do Estreito dos Mosquitos, não chega nem em Bacabeira sem GPS”.

O discurso do vice-governador Felipe Camarão em Santo Amaro é um indicador de que os revezes que o atingiram – um deles foi perder a chance de ser governador e disputar a reeleição no cargo – estão ficando para trás. E tudo sugere que ele incorporou a agenda do PT acreditando que está em condições de representar o partido na corrida ao Palácio dos Leões. Felipe Camarão sabe que a política é dinâmica e que o cenário de uma disputa para o Governo do Estado costuma mudar com rapidez. E parece acreditar que está virando o jogo e voltando a ser um candidato viável.

Os próximos meses dirão se ele vai acertar nessa aposta.  

PONTO & CONTRAPONTO

André Fufuca continua ministro do Esporte apesar da pressão dos chefes da Federação União Progressista

Samir Xaud e André Fufuca entregam camiseta da Seleção
Feminina com o número 27, que representa
o primeiro ano de um possível novo governo

A audiência na qual liderou atletas da Seleção Feminina de Futebol e o presidente da CBF, Samir Xaud, no Palácio do Planalto, o ministro do Esporte, André Fufuca deu uma clara demonstração de que está determinado a permanecer no cargo e apoiar o projeto de reeleição do presidente Lula da Silva (PT), apesar das pressões feitas pelos chefes da Federação União Progressista, que decidiram romper com o Governo. Ele mostrou que está mais focado no seu trabalho ministerial e no seu projeto de disputar o Senado.

No final da semana, em conversa com jornalistas, o ministro André Fufuca mostrou não está disposto a embarcar nos movimentos os chefes da Federação União Progressista estão fazendo para colocar União Brasil e PP na contramão do Governo do PT, obrigando os dois ministros a deixarem seus cargos e voltar à Câmara federal para fazer oposição ao Governo. Indagado sobre o assunto, o ministro André Fufuca deixou claro que não pretende deixar o Ministério do Esporte por conta de pressões de chefes partidários.

No que diz respeito ao Maranhão, André Fufuca tem uma ampla malha de projetos em implantação, que podem sofrer descontinuidade se ele deixar a pasta. Além disso, as articulações para consolidar a sua pré-candidatura a senador estão avançando a todo vapor, tanto que as pesquisas já o dão como favorito para uma das vagas, sendo que a outra parece destinada ao senador Weverton Rochas (PDT), que lidera a corrida, segundo as pesquisas mais recentes.

Em tempo: na audiência, o presidente Lula da Silva assinou mensagem ao Congresso Nacional propondo projeto de lei que estabelece diretrizes para o fortalecimento o futebol feminino, tendo como fator principal a igualdade de condições com o futebol masculino, parcerias com escolas e combate à discriminação.

Paulo Vitor apoia ação de promotorias para tornar mais transparente o uso de emendas parlamentares

Paulo Victor apoia ação do Ministério Público por
mais transparência no uso de emendas
parlamentares em São Luís

O presidente da Câmara Municipal de São Luís, vareador Paulo Victor (PSB), deu ontem um forte impulso no processo de transparência na relação dos vereadores ludovicenses com entidades civis no que diz respeito ao uso de recursos de emendas parlamentares. Ele declarou total apoio da Mesa Diretora à recomendação no sentido de que apenas entidades devidamente certificadas pelo Ministério Público terão direito a recursos de emendas.

Na sua fala, que se deu em razão de uma manifestação crítica do vereador Marquinhos (União) a respeito do assunto, o presidente Paulo Victor foi enfático ao lembrar que o Ministério Público é a instituição legítima e credenciada para fiscalizar a destinação de emendas parlamentares para entidades associativas. E avisou que não vai permitir que a Câmara Municipal ignore as recomendações de Promotorias, exatamente por agirem dentro da legalidade.

– Qualquer circunstância legal que faça diminuir o poder do Ministério Público e a sua autonomia, da minha parte, não estará pronta nem ativa para ser revisada -, assinalou Paulo Victor, deixando claro que a Câmara atuará em consonância com o MP. “Temos uma sintonia muito bem alinhada com as promotorias, que encaminham providências e orientações diretamente a esta Casa e à Mesa Diretora”, destacou.

Paulo Victor lembrou que a certificação de entidades para recebimento de recursos de emendas parlamentares é norma já adotada pela Prefeitura de São Luís ainda na gestão do prefeito Edivaldo Holanda Jr.. Para o presidente da Câmara Municipal, a certificação de entidades pelo Ministério Público “é uma medida de transparência, que garante que o dinheiro público chegue de forma correta e legal a quem realmente tem direito”.

Com essas medidas, a Câmara Municipal de São Luís está muito à frente do Congresso Nacional, onde grande número de parlamentares tenta reduzir o que há de transparência nesse quesito.

São Luís, 11 de Setembro de 2025.

Dino vota para condenar Bolsonaro e grupo, e avisa que o Supremo não se curva a pressão, seja de quem for

Flávio Dino em diferentes momentos do seu
voto, ontem, no julgamento dos líderes golpistas

O julgamento da Ação Penal 2668, na qual o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e outros sete envolvidos na tentativa de golpe de estado, é legal, tem sólida base nos fatos e nas regras constitucionais. Os réus agiram, sim, para impedir a posse do presidente eleito, Lula da Silva (PT), nas eleições de 2022, e garantir a permanência do então presidente Jair Bolsonaro no poder, por meio do uso da força, que mergulharia o Brasil numa ditadura. De acordo com a Constituição do Brasil, tentativa de golpe de estado é crime imprescritível e não pode ser perdoado por anistia. O julgamento dos envolvidos na trama golpista não é o julgamento das Forças Armadas nem o julgamento de uma posição política, mas de uma organização criminosa. E não é ativismo da Suprema Corte, que não vai se dobrar a pressões, partam de onde partirem, de dentro ou de fora do país. O julgamento é a defesa da Democracia.

Esses argumentos, associados a uma sólida fundamentação jurídica no campo constitucionalista, constituíram o roteiro e as bases do voto do ministro Flávio Dino, que concluiu pela condenação dos oito réus, reconhecendo ex-presidente Jair Bolsonaro e o ex-ministro da Defesa, general Braga Netto, como os cabeças da organização criminosa que se dedicou ao longo de dois anos a urdir a trama, que tinha como objetivo quebrar a ordem constitucional e implantar no país um regime de exceção comandado pelo presidente derrotado nas urnas. O ministro Flávio Dino surpreendeu ao apontar três réus – os generais de quatro estrelas Augusto Heleno, ministro chefe do Gabinete Institucional, e Paulo Sérgio, ministro da Defesa, e o atual deputado federal Alexandre Ramagem (PL) como atores menores na trama, mas sem abrir mão de pedir a condenação deles, num nível que só será conhecido quando for feita a dosimetria de cada pena, caso a maioria pela condenação seja consolidada hoje, com o voto do ministro Luiz Fux.

Ao apresentar o seu voto, Flávio Dino se mostrou um juiz sereno, tranquilo e seguro de cada palavra que pronunciou ao longo de mais de uma hora. Sem nenhum açodamento, ele desmontou, ponto por ponto, os argumentos das defesas tentando salvar a pele dos seus constituintes. Ele não leu o seu voto – um calhamaço de muitas laudas -, que exibiu várias vezes e que será juntado aos autos do processo. Preferiu, portanto, seguir o voto do ministro-relator Alexandre de Moraes, que foi demolidor, concordando com a condenação de todos os réus da AP 2668. Seguiu o relator preocupado em fundamentar suas posições com extremo rigor, o que o levou a estudar minuciosamente os autos, mergulhando nos detalhes, para que não houvesse equívocos nem contradições na construção do seu voto.

Flávio Dino rebateu insinuações de que os ministros do STF estariam fazendo ativismo judiciário, afirmando categoricamente que a Corte está apenas fazendo a sua obrigação ao julgar uma organização criminosa, liderada por um ex-presidente da República, que tentou romper a base institucional garantida pela Democracia no Brasil.

O ministro Flávio Dino mostrou, de novo, ser o mais embasado julgador desse caso, uma vez que, na condição de ministro da Justiça, esteve no olho do furacão no ataque golpista às sedes dos Três Poderes no dia 8 de Janeiro de 2023. E foi com convicção de quem teve participação decisiva no desmonte da trama golpista que ele consolidou o julgamento com indiscutível fundamentação, lastreada nas regras que sustentam Democracias em todo o mundo.

Na apresentação do seu voto, o ministro Flávio Dino mandou recados diretos a apoiadores dos golpistas, avisando, com todas as letras, que os crimes cometidos pelos réus são imprescritíveis e, caso eles sejam condenados, não poderão ser anistiados, porque atentaram contra a Constituição e a Democracia. E referindo-se ao tuite disparado ontem de manhã pela embaixada dos EUA, no qual o embaixador rumina ameaças contra o STF, Flávio Dino deixou claro que nenhuma interferência interna alterará uma vírgula desse julgamento. E avisou que a Suprema Corte está ciente do seu papel e de que cada ministro sabe o tamanho da cadeira que ocupa. E que isso significa dizer que nem pressões internas nem pressões externas alterarão o curso do processo.

PONTO & CONTRAPONTO

Brandão reafirma que fica no cargo e diz que não tem medo de “perseguição jurídica”

Carlos Brandão: sem medo de
perseguição jurídica nem de cara feia

“Enquanto uns trabalham outros jogam pedra”, declarou ontem o governador Carlos Brandão (ainda no PSB), disparando o petardo na direção da oposição ao seu Governo, formada pelo chamado Grupo Dinista na Assembleia Legislativa. Ele reafirmou que está sofrendo “perseguição jurídica”, e aproveitou para avisar que não tem medo de pressões. Sua fala foi uma reação a críticas que recebeu de adversários.

– Pessoal que teve oportunidade de fazer, gente, e não fez. Mas o povo está enxergando essa perseguição. Perseguição jurídica, de todas as maneiras, para ver se intimidam o governador Brandão. Mas o governador Brandão é sertanejo, ele não tem medo de cara feia, não tem medo de ameaças. E minha resposta vai ser com trabalho – declarou o mandatário maranhense no ato que inaugurou o Terminal da Baixada, em São Luís.  

Na sua reação, o governador estocou a oposição afirmando que o grupo adversário “teve oportunidade de fazer, e não fez”.

O chefe do Poder Executivo reafirmou sua decisão de permanecer no cargo até o final do seu mandato. Essa decisão tem dois vieses. O primeiro é que ele abre mão de ser senador para não permitir que o vice-governador Felipe Camarão (PT) assuma o comando do Estado e parta para a reeleição no cargo.

O outro viés é a candidatura do secretário de Assuntos Municipalistas, Orleans Brandão (MDB), que tem o seu apoio declarado e efetivo.

Vereadores pedem reforço de segurança em bairros de São Luís

Andrey Monteiro, Professora Magnólia, Cléber Verde
Filho e André Campos: preocupação
comum com a segurança pública

Os vereadores Andrey Monteiro (PV), Cléber Verde Filho (MDB), Professora Magnólia (União Brasil) e André Campos (PP) estão seriamente preocupados com a segurança pública em diferentes áreas de São Luís. Sem estarem articulados em torno do assunto, eles apresentaram pedidos de mais ação policial em diferentes bairros da Capital.

Andrey Monteiro pediu à Secretaria de Segurança Pública ações imediatas no sentido de reforçar a segurança no bairro da Alemanha, especialmente na Rua Porto do Caratatiua e na Avenida dos Franceses. Ele justificou o pedido com o aumento da criminalidade nessas áreas, onde o policiamento não é ostensivo.   

Já o vereador Cléber Verde Filho pediu reforço o deslocamento policial reforçar as ações de segurança nos bairros Residencial Araras e Residencial Paraty, na grande região da Cohama. A área, segundo o parlamentar, a Secretaria de Segurança Pública deve atuar sem perda de tempo para combater a criminalidade, livrando moradores de frequentes ações de criminosos.

A vereadora Professora Magnólia chamou atenção das autoridades policiais para necessidade de fiscalização de muros e calçadas, em terrenos localizados na avenida dos Franceses, no bairro Alemanha. De acordo com a parlamentar, a situação desses espaços contribui para o aumento da sensação de insegurança na área, onde a criminalidade atua com frequência.

Por sua vez, o vereador André Campos reivindicou a instalação de uma base móvel da Polícia Militar ao lado da Igreja Nossa Senhora do Perpétuo Socorro, na Cohab. Ele justificou a necessidade da presença constante da polícia na região avaliando que a medida aumentará a segurança na área, inclusive como suporte para casos de emergência.

Os pedidos tramitam no parlamento e estão sendo encaminhados às instâncias de decisão do Sistema Estadual de Segurança Pública.

São Luís, 10 de Setembro de 2025.

Em mais uma mudança arrojada, Roberto Costa abole inauguração festiva em Bacabal

Roberto Costa: inauguração de escola
só com alunos, pais, professores, e sem festa

“Uma coisa que aboli em Bacabal foi inauguração.  Não vamos mais inaugurar fazendo festa. Eu quero saber é o que a comunidade que recebe a obra está sentindo. Então eu já disse: inauguração não tem mais”. A declaração, surpreendente em diversos aspectos, é do prefeito de Bacabal, Roberto Costa (MDB), que é também presidente da Federação dos Municípios do Maranhão (Famem). Para ele, mais do que um ato festivo, a entrega de uma obra, nova ou restaurada, tem o objetivo garantir aos usuários daquele serviço público, a certeza de que o espaço ou a estrutura a ser inaugurada será sinônimo de bem-estar social. “Na inauguração que a gente faz agora, de uma escola, por exemplo, no máximo a gente leva os pais” estimou.  E completou: “É isso o que interessa”. Inauguração é para isso. Não é para fazer festa ou chamar a atenção”.

A anunciada decisão do prefeito Roberto Costa, mais do que uma mera mudança de postura, é uma importante quebra de paradigma na relação do gestor público com a comunidade que o elegeu. Além de surpreender meio mundo, a medida encerra em Bacabal uma “tradição” que encarna o que há de bom e de ruim nas realizações de uma gestão municipal. Se havia o lado positivo da entrega de uma obra civil de uso social, como uma escola, por exemplo, havia, no contrapeso, o lado da exploração política da obra inaugurada, gerando, muitas vezes, rasgos populistas, que via de regra superestima o feito.

Com essa mudança de postura, o prefeito Roberto Costa dá um passo significativo no processo de modernização que vem implantando na Prefeitura de Bacabal. Ele despacha para o espaço um mandamento comum e alimentado em todos os recantos municipais do Maranhão. Para a esmagadora maioria dos gestores, não faz sentido entregar uma obra – escola, posto de saúde, ponte, rua asfaltada, praça, sistema de abastecimento de água, etc. – sem comemorar a entrega com uma grande festa popular e, assim, arrancar um naco de prestígio político pensando no futuro eleitoral. Oito meses depois de iniciar sua gestão e já tendo vivido as mais diversas experiências nessa seara, o prefeito Roberto Costa chegou à conclusão de que o que não faz muito sentido é a “tradição” da inauguração festiva.

A decisão de não mais festejar inaugurações foi tomada depois que ele se mostrou incomodado na entrega festiva de uma escola de um povoado bacabalense, para a qual foram deslocadas cerca de cinco centenas de pessoas da sede do município para garantir a festa. Incomodado com a “grandeza” do evento, refletiu sobre o assunto e chegou à conclusão de que não deveria mais permitir eventos como aquele. “Inauguração não é para fazer festa ou chamar a atenção”, sentenciou.

A mudança feita por Roberto Costa nesse procedimento ganha muito mais peso com o fato de, além de prefeito de Bacabal, ser ele presidente da Famem, cargo que o obriga a ser uma referência para os seus outros 216 colegas. Isso não significa que a decisão de acabar com a cultura das inaugurações festivas em Bacabal passe a ser tomada em cadeia pelos outros prefeitos. Mas não há como negar que foi uma atitude arrojada, modernizadora e incentivadora no sentido de que na entrega de obra, seja ela de que natureza for, prevaleça a razão, e não a emoção. Além disso, tem o fator custo, que certamente deve ter pesado na decisão do prefeito bacabalense.

Nas suas declarações, o prefeito Roberto Costa não transformou o fim das inaugurações festivas em Bacabal numa bandeira a ser propagada Maranhão a fora. Mas não será surpresa se outros prefeitos adotarem a regra, no todo ou em parte, nas suas gestões.

PONTO & CONTRAPONTO  

André Fufuca segue ministro, podendo retornar à Câmara se a anistia para golpistas for pautada 

André Fufuca continua ministro

Não será surpresa se André Fufuca deixar temporariamente o Ministério do Esporte e reassumir o seu mandato de deputado federal. É que como ministro, ele tem pouco o que fazer para ajudar o Governo do presidente Lula da Silva (PT) a conseguir a aprovação de pautas importantes – como a isenção do Importo de Renda para quem ganha até R$ 5 mil – e, de quebra, dar um chega-pra-lá ano projeto golpista de anistia, que é inconstitucional.

Essa tendência faz sentido por que começa mandando para casa o suplente no exercício do mandato Allan Garcez (PP), que não só é linha de frente no projeto de anistia, como defende, linha por linha, o grande projeto do golpe, sendo defensor intransigente, e até inconsequente, do ex-presidente Jair Bolsonaro e a turma linha de frente da tentativa de golpe.

André Fufuca está sendo pressionado por uma banda do PP para deixar o Ministério do Esporte e retornar à Câmara Federal para apoiar o projeto da anistia inconstitucional. Está resistindo bravamente, e participou da reunião de ontem com a ministra da Coordenação Institucional, Gleice Hoffmann, mantendo sua posição.

Lastreado por um bom trabalho à frente da pasta do Esporte, por meio da qual vem realizando um abrangente conjunto de ações no Maranhão, André Fufuca é apontado no Palácio do Planalto como um bom ministro, que além da gestão administrativa tem dado suporte político ao presidente Lula da Silva e seu Governo.

Sua posição definitiva será conhecida nos próximos dias. E como integrante do alto clero da Câmara Federal, André Fufuca não pode cometer erros nesse momento, porque além do trabalho ministerial, que anda a todo vapor, ele é pré-candidato ao Senado, até aqui com chances concretas de conquistar uma das cadeiras.

Maranhãozinho sai dos bastidores e volta a propagar o PL na TV

Josimar de Maranhãozinho

Depois de um largo período mergulhado em problemas com a Justiça por conta de acusações pesadas sobre suposto esquema de corrupção com emendas parlamentares, e sumido da mídia, o deputado federal e chefe maior do PL no Maranhão, Josimar de Maranhãozinho, voltou à ribalta ontem nas telas de TV.

Aparentemente indiferente ao julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro e da turma golpista, um empoado e empolgado Josimar de Maranhãozinho seguiu os passos da sua mulher, a deputada federal Detinha (PL), que vi há aparecendo sozinha, e protagonizou o programa político dizendo que o PL é o que há de melhor no mosaico partidário do Maranhão.

A sua aparente indiferença em relação ao julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro e sua turma vem do fasto de que Josimar de Maranhãozinho integra uma pequena, mas aguerrida, fatia do PLK que não fecha com o bolsonarismo. Ele e o ex-presidente têm mantido uma dura guerra interna, com Jair Bolsonaro tentando, em vão, tomar-lhe o comando do partido no Maranhão, sendo sua resistência em parte bancada pelo presidente nacional do partido Valdemar Costa Neto.

A julgar pela sua desenvoltura na peça do PL veiculada ontem na TV, Josimar de Maranhãozinho parece apostar que sairá ileso do julgamento do suposto desvio de emendas.

São Luís, 09 de Setembro de 2025.

Com o peso de Braide, São Luís volta a ser protagonista no cenário político estadual

Eduardo Braide tem colocado São Luís no epicentro do
debate sucessório; Paulo Vitor reforça cenário
articulando grupo ligado a Carlos Brandão

Ao completar 413 anos, ou seja, 150.745 dias de existência, tempo em que foi palco de inúmeros embates políticos e eleitorais, ora como espaço central, ora como ambiente de segundo plano, São Luís aniversaria voltando a ser o epicentro de decisões políticas que poderão definir o curso da corrida ao Palácio dos Leões em 2026. Esse protagonismo da Capital está diretamente associado à definição do prefeito Eduardo Braide (PSD) de ser candidato ou não ao Governo do Estado e, de quebra, a participação que parcela da Câmara Municipal terá na disputa por vagas na Assembleia Legislativa e na bancada federal. Com 1,2 milhão de habitantes, dos quais quase 800 mil são eleitores, e um peso econômico e cultural, São Luís caminha para ser o grande diferencial nas eleições gerais do ano que vem no Maranhão.

O peso político de São Luís na sucessão estadual será maior ou menor dependendo da decisão a ser tomada pelo prefeito Eduardo Braide de ser ou não ser candidato ao Palácio dos Leões. Ele lidera todas as 28 pesquisas realizadas sobre a corrida ao Governo do Estado nos últimos dois anos, nas quais aparece com vantagem expressiva entre os eleitores de São Luís. Eduardo Braide até agora não disse que será candidato, mas também não descartou a possibilidade de vir a sê-lo. Ou seja, sua postura indica que ele está no jogo, aguardando apenas o momento adequado para anunciar o seu projeto de candidatura ou descartar de vez a existências de tal projeto.

Se vier a confirmar candidatura, Eduardo Braide consolidará o desenho de agora, no qual é líder inconteste. Nesse cenário, o prefeito de São Luís tem o secretário de Assuntos Municipalistas, Orleans Brandão (MDB), apoiado pelo governador Carlos Brandão (por enquanto no PSB), como 2º colocado; o ex-prefeito de São Pedro dos Crentes, Lahesio Bonfim (Novo), que corre em faixa própria, como 3º, e o vice-governador Felipe Camarão (PT), que tem o apoio do grupo dinista e do presidente Lula da Silva (PT), como 4º, conforme as pesquisas mais recentes de diversos institutos. Eles estão medindo forças para chegar com o prefeito a um decisivo segundo turno. E nesse ambiente, o eleitorado de São Luís poderá ser decisivo, seja votando em massa em Eduardo Braide, seja se pulverizando e assim deduzindo o peso político da Capital na disputa.

Se Eduardo Braide decidir não concorrer, o peso político de São Luís na sucessão estadual se dará de acordo com a posição que ele adotar. Pessoalmente fora da disputa, o prefeito de São Luís poderá mobilizar parte do eleitorado ludovicense costurando uma aliança em que venha a indicar o candidato a vice-governador numa das chapas, que tende ser a liderada por Felipe Camarão, já que está muito distante do grupo comandado pelo governador Carlos Brandão, e com baixa possibilidade de uma composição com Lahesio Bonfim. Nesse quadro, São Luís terá peso político importante, mas bem menor do que com uma eventual candidatura do prefeito. Um cenário bem diferente dos oito anos de governo do prefeito Edivaldo Holanda Jr., que sufocou a ação política da Capital durante seus dois mandatos.

Independentemente de qual venha ser a decisão do prefeito Eduardo Braide, a Câmara Municipal de São Luís vem ocupando um espaço de elevada importância no ambiente político da Capital, sob a liderança do presidente da casa, vereador Paulo Victor (PSB), cuja participação tem sido destacada na construção da base de apoio à pré-candidatura do emedebista Orleans Brandão, já tendo reunido mais de 20 vereadores em eventos com o secretário de Assuntos Municipalistas. E na avaliação de observadores, a Câmara Municipal da Capital poderá mandar de dois a três vereadores para a Assembleia Legislativa, entre eles o presidente, que já se declarou candidato ao um mandato estadual.

É nesse ambiente de intensa movimentação que aos 413 anos São Luís retoma, mais uma vez, o protagonismo político no cenário estadual.

PONTO & CONTRAPONTO

São Luís ganha muito com a “guerra” política entre Braide e Brandão

Dois bons exemplos de frutos da “guerra”: o Elevado
da Cidade, da Prefeitura de São Luís. e o
Elevado da Litorânea, do Governo do Estado

São Luís vive um dos seus melhores momentos em muitos anos. Mesmo ainda vivendo situações dramáticas como a que neste momento afeta o Centro comercial, a cidade vem evoluindo veloz e progressivamente na sua estrutura urbana, com obras estruturantes importantes, sobretudo ligadas à mobilidade dos seus mais de seiscentos mil veículos.

O ambiente de agora é fruto de uma saudável “guerra” entre o prefeito Eduardo Braide e o governador Carlos Brandão. No plano da infraestrutura viária, a cidade ganhou uma ampla e oportuna restruturação no trânsito, um projeto arrojado do prefeito Eduardo Braide, que modernizou e desmontou grandes e incômodos gargalos que infernizavam a cidade, como a reestruturação das Avenidas Colares Moreira e dos Holandeses, a repaginação da avenida que margeia o Aterro do Bacanga, o elevado do Tirirical e a readequação da avenida de acesso a São Luís naquele bairro. Além de muitas outras obras estruturantes.

O governador Carlos Brandão começou a resposta com a quarta alça alta do viaduto na Avenida Colares Moreira, e avançou muito com a construção do cruzamento de acesso à Avenida Litorânea, que não só melhorou o trânsito, mas também mudou definitivamente a paisagem daquele ponto intenso da cidade. O governador seguiu com a repaginação do Retorno do Olho D`Água, inaugurou os primeiros 15 quilômetros da chamada Avenida Metropolitana, que começa depois do Funil e vai interligar dezenas de bairros. E avança com as obras que resultarão na construção de mais sete quilômetros da Avenida Litorânea no sentido Araçagi.

Nessa guerra de obras, o prefeito Eduardo Braide tem consolidado o seu prestígio político e eleitoral, reforçando o seu cacife como eventual candidato ao Governo do Estado. Na mesma linha, o governador Carlos Brandão está dividindo o seu prestígio pessoal com o seu candidato a governador Orleans Brandão. Correndo por fora, o vice-governador Felipe Camarão se movimenta para se fazer beneficiário das obras que têm a participação do Governo Federal, destacando a boa-vontade do presidente Lula da Silva (PT) para com São Luís e o Maranhão como um todo.   

Há 13 anos, um suplemento jornalístico mergulhou fundo na história e na alma de São Luís

“São Luís 400 Anos”: até hoje nada
mais completo sobre São Luís

Há 13 anos, quando São Luís completou 400 anos, o então jornal O Estado do Maranhão, ainda vivo, forte e lúcido, ofereceu aos seus leitores e à memória do Maranhão o mais completo suplemento jamais realizado sobre a trajetória urbana, social, econômica e cultural da Cidade Patrimônio Cultural da Humanidade. Com 336 páginas, em formato de revista, “São Luís 400 Anos” documentou a cidade que, “nascida da mistura de povos, ergueu fortes e sobrados, fez história e hoje respira os ares da modernidade”, sem abrir mão das suas raízes culturais em todos os aspectos do que se entende por cultura.

Não há, até aqui, na história do jornalismo impresso do Maranhão, mesmo com o aniquilamento injustificado de O Estado, um documento sobre São Luís com o conteúdo tão abrangente e profundo como o suplemento com o qual o jornal brindou a elevação da Capital maranhense ao status de Senhora Quatrocentona.

Nas suas páginas estão registrados os mais variados traços que montam o roteiro da existência da Capital do Maranhão. Lembra do seu nascimento com DNA francês, a tentativa de domínio holandês e, finalmente, a tomada definitiva pelos portugueses, que lhe deu identidade definitiva.

Nesta revista histórica sobre São Luís está contada a evolução da sua feição urbana, o resgate da história dos bondes que moldaram a vida da cidade por décadas, da sua forte composição étnica, do seu mosaico social, painel  religioso, dos seus folguedos ímpares, como o Bumba Meu Boi e o Tambor de Crioula, que só existem aqui; da sua literatura com Josué Montello e José Sarney, a sua poesia com Bandeira Tribuzi e Ferreira Gullar, e a sua música com Chico Maranhão, César Teixeira e Josias Sobrinho. Isso e muitos registros.

Na sua composição, o suplemento inteiramente produzido pela prata jornalística da casa de então sob a coordenação talentosa e eficiente da jornalista Paula Bouéri e a bela criação gráfica de Amanda Simões, estão registros ricos e oportunos de colaboradores – crônicas e poemas -, que deram ao documento um diferencial em qualidade por conta da embalagem de um conteúdo sem igual até agora. Inclusive pelo tamanho da resposta comercial, na qual muitos anúncios são verdadeiras joias publicitárias sobre a cidade.

Uma visita ou revisita ao suplemento é mergulhar na história e na alma de São Luís desde o seu marco zero até os seus quatrocentos anos de existência.

São Luís, 07 de Setembro de 2025.

Brandão critica excesso de judicialização na relação entre Poderes e diz que o Judiciário é o que mais interfere

Carlos Brandão defende a harmonia e a independência
entre os Poderes Executivo, Legislativo e Judiciário

“Temos no Brasil os Poderes Executivo, Legislativo e Judiciário. O que a gente precisa é que esses Poderes sejam harmônicos, mas com independência. O que a gente vê hoje é muita judicialização de todos os processos. A judicialização junto à Câmara (Federal), do Senado e do Executivo, isso termina afetando. Acho que é importante cada um cuidar da sua área, cada um Poder ter a sua independência. Não se pode admitir que o Judiciário queira interferir no Executivo, na Câmara e no Senado. Isso tudo tem de ser separado, certo? A Câmara e o Senado têm de ter a sua autonomia, tem de apresentar projetos de lei. E o Judiciário tem de julgar, a favor ou contra, mas não interferir nos Poderes. Eu vejo com muita preocupação essa interferência nos Poderes. Acho que essa independência tem de ser lutada, para que se possa ter realmente cada um o seu lugar”.

Com essa declaração, dada em entrevista a um portal de notícia de Brasília, o governador Carlos Brandão (ainda no PSB) entrou de vez num debate que há tempos vem tencionando as relações entre os Poderes no País. Na sua manifestação, ele deixou claro que, na sua avaliação, a relação entre os Poderes no Brasil está afetada pela excessiva judicialização de processos, o que tem levado o Judiciário a interferir nos demais Poderes, mesmo levando em conta que Executivo e Legislativo também interferem, mas em menor escala, no Judiciário. Para ele, o sistema tem de funcionar com cada um fazendo a sua parte. O Executivo executando, o Legislativo legislando e o Judiciário julgando, “contra ou a favor”, mas não interferindo.

A entrada do governador do Maranhão nesse debate, que vem estremecendo os pilares da República, foi motivada pelo processo que questiona as regras da Assembleia Legislativa para a escolha de conselheiro do Tribunal de Contas do Estado, relatado no Supremo Tribunal Federal pelo ministro Flávio Dino. Por conta de prazos e algumas decisões, encontra-se emperrado há mais de um ano. Além isso, a suspeita levantada por uma advogada mineira, de que as duas vagas abertas no TCE teriam sido “compradas”, causou um desdobramento imprevisto: o ministro-relator dividiu a ação, dando segmentos do processo sobre as regras de escolha de conselheiro – que não existem mais nada a ser decidido, já que as mudanças foram todas feitas pela Assembleia legislativa -, mas mandando que a suspeita de “venda” seja investigada pela Polícia Federal. Enquanto isso, o TCE continua sem dois conselheiros, o que é um problemão para a Corte de Contas do Estado.

Três semanas atrás, o governador Carlos Brandão e a presidente da Assembleia Legislativa, Iracema Vale (ainda no PSB), foram à Suprema Corte e se reuniram em audiência com o presidente, ministro Luís Roberto Barroso, a quem relataram o problema e reclamaram do atraso reclamando que todas as exigências foram atendidas há meses pela Assembleia Legislativa, aprovadas pela Procuradoria geral da República e pela Advocacia Geral da União mas o processo continua emperrado, sem que o Legislativo possa escolher os novos conselheiros do TCE. Resultado ou não dessa audiência, o fato é que pouco depois o ministro Flávio Dino tomou a decisão de dividir a ação, dando seguimento no que respeita à nomeação de conselheiro, mas encaminhando à PF a tal suspeita de venda de vagas para ser investigada.

A divisão da ação causou reação indignada no Palácio dos Leões e na Assembleia Legislativa, que enxergaram na suspeita encaminhada à PF uma agressão ao governador Carlos Brandão. A suspeita também provocou reações fortes por parte dos conselheiros aposentados Álvaro César e Washington Oliveira, que em notas justificaram seus pedidos de aposentadoria e criticaram duramente a suspeita de que teriam vendido suas vagas.

A manifestação do governador Carlos Brandão sobre o desequilíbrio, segundo ele, prejudica a harmonia e a independência, avaliando que o Poder Judiciário interfere mais no Executivo e no Legislativo do que o contrário, se dá no curso do embate que ele e a presidente da Alema travam com o ministro Flávio Dino em relação à ação que trava a nomeação de conselheiros do TCE, e no momento em que esse debate está acirrado por conta do julgamento dos envolvidos na trama golpista, a começar pelo ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). Um cenário de desdobramentos imprevisíveis, mas que o mandatário maranhense parece disposto a pagar para ver.

PONTO & CONTRAPONTO

Assembleia reforça pedidos para que Supremo resolva pendência sobre TCE

Iracema Vale reforça cobrança para que
Supremo resolva pendência sobre o TCE

A Assembleia Legislativa fez ontem mais um movimento junto à Corte Suprema para destravar o processo que vem emperrando a nomeação de conselheiros do TCE. Por meio de um Agravo Regimental, a Procuradoria da Alema, com aval integral da presidente Iracema Vale, pediu a revisão da decisão do ministro-relator Flávio Dino de determinar o desmembramento de petição e o envio de documentos à Polícia Federal. Requereu também que sejam levadas ao plenário para julgamento as medidas cautelares e dos agravos pendentes.

Na sua argumentação contra a divisão da ação, a Alema afirma que não a requereu nem sequer insinuou, a começar pelo fato de que tal iniciativa acarretaria demora no julgamento da ADI e por não ser a instância correta para autoridade com foro privilegiado, como é o caso de governador, que só pode ser investigado pelo Superior Tribunal de Justiça.

No Agravo Regimental, a Assembleia Legislativa reclama da interferência de terceiros na ADI proposta pelo Solidariedade – que já saiu do processo por não ver razão para sua existência. O reclame judicial afirma ser “absolutamente descabida” a tentativa “de imputar ao Legislativo estadual qualquer conduta procrastinatória”. E afirma: “Se há, no curso do processo, iniciativas que atentam contra a boa-fé processual, e buscam obstruir o regular exercício da jurisdição constitucional, estas não têm origem no Parlamento maranhense, mas na atuação de terceiros que, sem legitimidade adequada, procuram transformar a Suprema Corte em arena”.

Ao destacar que medias cautelares anteriormente deferidas sobre a escolha de conselheiros do TCE permanecem pendentes de apreciação, o Agravo Regimental ressalta: “Tal ausência deliberativa (…) não pode ser perpetuada diante das graves repercussões institucionais envolvidas, especialmente quando se constata (…) que o Tribunal de Contas do Estado do Maranhão permanece desfalcado de dois membros efetivos, situação que fragiliza sua capacidade funcional”.

O Agravo Regimental é uma demonstração cabal de que a Assembleia Legislativa mantém pressão legítima sobre a Suprema Corte no que diz respeito a essas pendências, e aponta má-fé na tal suspeita de vendas de vagas no TCE.

Sob o comando de Ana Paula e Carlos Lula, PSB maranhense entra em nova rota

Ana Paula Lobato, Carlos Lula e Aderson Lago
estão no comando do PSB no Maranhão

Com o carimbo da Justiça Eleitoral, o braço maranhense do PSB tem novo comando como status de Executiva Provisória. Como decidido pela direção nacional, a presidência regional do partido ficou com a senadora Ana Paula Lobato, tendo como vice-presidente o deputado estadual Carlos Lula, enquanto o deputado estadual Francisco Nagib é o vice-presidente de Relações Interpartidárias.

Para o importante cargo de secretário-geral foi escalado o ex-deputado Aderson Lago, que deixa a sua “aposentadoria” política para retornar aos embates partidários, que marcaram sua carreira parlamentar.

A gestão das finanças do PSB no Maranhão ficou a cargo do ex-deputado estadual Marco Aurélio, que ficou com o cargo de Primeiro Secretário de Finanças. O segundo secretário de Finanças Elizangela  Lucena.

A Secretaria de Mobilização, área importante de qualquer partido, é agora comandada por André Bello – irmão deputado Leandro Bello, atualmente no Podemos, mas que deve migrar do Podemos para o PSB. A Secretaria de Relações Institucionais ficou a cargo de Clayton Noleto, que foi o todo-poderoso ex-secretário Infraestrutura no Governo Flávio Dino).

E a Secretaria de Comunicação Célio Feques.

Nomeado pela direção nacional, essa diretoria terá mandato até setembro do ano que vem, o que significa dizer que terá a responsabilidade de organizar e comandar a participação do PSB nas eleições do ano que vem, marcadas para o início de outubro.

São Luís, 05 de Setembro de 2025.

Sussurros sobre suposto risco de afastamento de Brandão ainda são mera teoria da conspiração

Carlos Brandão: até aqui nenhuma ação
que possa fundamentar um pedido
de afastamento do cargo

Nos últimos dias, os meios político e jornalístico do Maranhão foram dominados por uma “informação fantasma”: o suposto projeto de afastamento do governador Carlos Brandão (ainda no PSB). Inicialmente sussurrado em conversas sem rumo, o assunto ganhou peso ao ser tratado em seguida pelo presidente regional do MDB, empresário Marcus Brandão, irmão do governador, em bombástico vídeo em que ele se posiciona contra o que chamou de perseguição de adversários do Governo. O suposto afastamento foi prenunciado como o final dos tempos pelo deputado Yglésio Moises (PRTB) na Assembleia Legislativa, abordado  em diferentes perspectivas em espaços importantes da blogosfera maranhense, reforçado por algumas notinhas na imprensa nacional, e acabou virando notícia de televisão.

Jornalisticamente, o que chama a atenção é o fato de que a “informação fantasma” sobre o suposto afastamento do governador foge aos princípios basilares da informação técnica: não se sabe se é verdadeira, não há uma voz que a assuma, não existe sinal de “onde” está sendo rabiscado – murmura-se levemente ser na Suprema Corte -, não existindo também “quem” está por trás, e não circulou qualquer sussurro dando conta do motivo pelo qual o tal afastamento estaria sendo preparado. Ou seja, existe um “que” inconsistente, mas não se fala em “quem”, ninguém diz claramente “onde”, não se prevê “quando” – alguns chutam outubro -, não se especula “como” e, mais complicado ainda, não existe o que é fundamental: o “porquê”. Tudo o que é dito é que o governador Carlos Brandão “vai ser” ou “poderá ser” afastado. E ponto.

Pelas regras em vigor, um governador de Estado só pode ser afastado se cometer um dos crimes de responsabilidade previstos na Constituição Federal e na Carta do seu estado, e de duas maneiras, uma por meio de impeachment aprovado pela Assembleia Legislativa, após processo longo e cheio de normas, e outra é se for flagrado cometendo crime, podendo ter sua prisão, temporária ou preventiva, decretada por um juiz federal, a pedido do Ministério Público, após investigação policial. E com um detalhe: o tal processo só poderá correr no Superior Tribunal de Justiça. E, em casos especialíssimos de dúvida, o processo pode parar no Supremo Tribunal Federal.

Nesse contexto, a Constituição Federal reza com clareza: um governador de Estado cometerá crime de responsabilidade e poderá ser afastado pela Assembleia Legislativa (impeachment) ou pela Justiça se atentar contra a existência da União, do Estado ou dos Municípios; contra o livre exercício do Poder Legislativo, do Poder Judiciário, do Ministério Público, da Procuradoria Geral do Estado, da Defensoria Pública e dos Poderes Constitucionais dos Municípios; contra o exercício dos direitos políticos, individuais e sociais, a segurança interna do País ou do Estado, a probidade da Administração, a lei orçamentária, e o cumprimento das leis e das decisões judiciais. Fora disso, só por crime eleitoral, que corre na Justiça Eleitoral, e no caso, a cassação atingirá também o vice-governador.

(Vale registrar que nesta semana o governador do Tocantins, Wanderley Barbosa (Republicanos), foi afastado do cargo sob a acusação de atentar contra a probidade na administração, ou seja, de praticar corrupção. A decisão judicial só foi tomada após um longo e rumoroso processo relacionado com desvio de milhões durante a pandemia da corona vírus, quando ele era vice-governador. Tudo devidamente apurado.)

No que diz respeito ao governador Carlos Brandão, não há notícia de que ele tenha cometido algum dos crimes previstos na Constituição ao longo do seu Governo. E isso explica o fato de não haver chegado ao conhecimento público, até aqui, a existência de investigação, de qualquer natureza, com potencial para causar o seu afastamento. As denúncias feitas até agora pela Oposição não tiveram tal dimensão. O governador Carlos Brandão tem cumprido, corretamente, todas as decisões judiciais, não deixando margem para ataques nesse flanco. Dois exemplos: ele não pensou duas vezes em exonerar o procurador geral do Estado, Valdênio Caminha, por determinação da Suprema Corte, mesmo discordando frontalmente da decisão; e também não vacilou em exonerar o seu irmão, Marcus Brandão, de um cargo na sua assessoria direta, por determinação da Justiça, mesmo não havendo ilegalidade no ato.

Os sussurros, murmúrios e especulações soltos sobre o suposto afastamento do atual governador do Maranhão não passam, até aqui, de teorias de conspiração. Isso é muito comum em cenários políticos como o que o estado vive nesse momento, no qual está em curso uma renhida guerra pelo poder, cujo desfecho se dará nas urnas em 2026. Nela estão envolvidos, de um lado, o governador Carlos Brandão, que decidiu não se candidatar ao Senado, para permanecer no cargo e apoiar um candidato à sua sucessão, e de outro a corrente ligada ao ex-governador e atual ministro da Suprema Corte, Flávio Dino. Por enquanto é isso, ainda que em política seja sempre atual o velho ditado popular segundo o qual onde há fumaça, há fogo.

PONTO & CONTRAPONTO

Dino recebe solidariedade de desembargadores do Maranhão por agressão verbal em avião

Flávio Dino recebeu a solidariedade
da magistratura maranhense

O Órgão Especial do Tribunal de Justiça do Maranhão aprovou moção de solidariedade ao ministro do Supremo Tribunal Federal, Flávio Dino, por conta das agressões verbais que recebeu de uma passageira ao embarcar em voo comercial de São Luís para Brasília, na última segunda-feira.

Assinado pelo presidente Froz Sobrinho em nome dos membros do Órgão Especial do Poder Judiciário, o documento repudia a agressão sofrida pelo ministro e reafirma o compromisso da instituição judiciária com a democracia: “O Tribunal reafirma seu compromisso com a defesa intransigente da democracia, da independência judicial e do respeito às instituições republicanas, renovando, ao mesmo tempo, sua solidariedade ao Ministro Flávio Dino diante do episódio de

lamentável de agressão moral sofrido”.

O documento vai além, chamando a atenção para o fato de que a agressão a um ministro da Suprema Corte expõe a magistratura a esse risco, o que afeta a estabilidade democrática: “É necessário garantirmos a independência de todos os magistrados para decidirmos de acordo com a lei. Afinal, sem independência não há democracia. E, nos últimos tempos, a magistratura brasileira, representada pelos ministros do STF, tem sofrido inúmeros ataques de forma constante, inclusive de autoridades de outros países”.

Proposta pelo desembargador Gervásio Filho, a Moção de Solidariedade ao ministro Flávio Dino foi aprovada pela unanimidade dos desembargadores presentes à sessão

Além de Maura Jorge, Abigail Cunha desponta como nome forte para vice de Orleans Brandão

Rigo Teles e Abigail Cunha são
aliados firmes de Carlos Brandão

O secretário de Assuntos Municipalistas, Orleans Brandão (MDB), vem sinalizando fortemente que a sua pré-candidatura está consolidada e é irreversível. Tanto que já começa a trabalhar no sentido de compor a sua chapa, tendo como preferência a escolha de uma mulher para vice.

O primeiro nome lembrado foi Maura Jorge, a bem-sucedida prefeita de Lago da Pedra (PSDB), cuja liderança política alcança é forte na região, tendo também a vantagem ser uma política conhecida em todo o Maranhão, já tendo inclusive sido candidata ao Palácio dos Leões em 2018, quando obteve melhor desempenho que o então senador Roberto Rocha.

Agora, desponta a deputada estadual Abigail Cunha (PSB), atual secretária estadual da Mulher, que tem acumulado um lastro de experiência em gestão pública, tendo ocupado cargos de proa nos Governos de Roseana Sarney (MDB) e José Reinaldo Tavares. Tem no currículo político o fato de ser primeira-dama de Barra do Corda, onde o prefeito Rigo Teles exerce forte liderança.

De acordo com uma fonte com trânsito no Palácio dos Leões, a agenda política do secretário Orleans Brandão prevê que a escolha do vice, que sempre é uma decisão negociada em troca de apoio, deverá estar consumada antes do Carnaval do ano que vem.

São Luís, 04 de Setembro de 2025.

Eventual saída de André Fufuca do Ministério do Esporte pode agitar a corrida para o Senado

André Fufuca tem o aval do presidente Lula da Silva
para continuar como ministro do Esporte

A decisão da Federação União Progressista, que reúne os partidos União Brasil e Progressistas, de ordenar que seus representantes no Governo do PT deixam os cargos até o dia 30 de setembro, colocou o ministro do Esporte, André Fufuca, que é deputado federal pelo PP, numa situação de desconforto político e sério risco eleitoral. A exigência da mudança, causada pelo aumento das tensões políticas em razão do julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e sete aliados, por tentativa de golpe de estado, se dá no momento em que André Fufuca trabalha duro para consolidar a sua candidatura ao Senado, que avança na direção da segunda vaga embalada também pelas ações do seu ministério espalhadas por dezenas de municípios.

O comando da Federação União Progressista foi claro e direto: não vai aceitar membros do União Brasil e do PP ocupando cargos no Governo Lula da Silva (PT). Não revelou como agirá se a sua determinação não for cumprida, mas avisou, com todas as letras, que a União Brasil e PP atuarão como oposição ao Governo do PT e vai se movimentar a favor da aprovação do projeto quer anistia os condenados pelo ataque às instituições no dia 8 de Janeiro de 2023, a começar pelo ex-presidente Jair Bolsonaro, que está sentado no banco dos réus e pode sair de casa direto para a cadeia no próximo mês. O ministro André Fufuca foi, portanto, colocado no epicentro do furacão que se forma em Brasília.

A saída, agora, do deputado federal André Fufuca do Ministério do Esporte terá peso expressivo no seu projeto político. Com o seu retorno à Câmara Federal, ele deixará de ser uma ponte importante do Governo Lula com o Congressos Nacional, o que diminuirá o seu poder de fogo em relação às bases eleitorais, já que perderá o controle sobre um amplo programa de obras na área esportiva no Maranhão. E como deputado federal deverá se ajustar à determinação do partido de atuar como oposição ao presidente Lula da Silva, com quem construiu um bom relacionamento.

Se vier a cumprir a exigência da cúpula da federação e deixar o Ministério do Esporte, André Fufuca, que já o segundo na preferência do eleitorado, segundo as pesquisas mais recentes, terá de embalar sua candidatura a senador da planície, sem a força da parte, numa espécie de nivelamento com a senadora Eliziane Gama (PSD), que aparece em terceiro lugar. O problema é que a senadora, que busca a reeleição, poderá ganhar força se o prefeito de São Luís, Eduardo Braide (PSD), líder isolado nas pesquisas, vier a ser candidato ao Governo do Estado, tendo-a como candidata ao Senado na sua chapa.

André Fufuca é um político jovem e bem-sucedido, já tendo sido presidente interino da Câmara federal e presidente nacional do seu partido, o PP, não sendo, portanto, um quadro qualquer no PP. A expectativa é que o caso dele seja tratado de maneira diferenciada. No plano político, ele é hoje a principal referência de um grupo importantes de prefeitos, incluindo os de Imperatriz, Rildo Amaral, e Caxias, Gentil Neto, ambos do PP, que estão atuando forte na base da sua candidatura do Senado. E mesmo não tendo havido ainda uma declaração formal, como foi feito em relação ao senador Weverton Rocha (PDT), que busca a reeleição, são poucas as dúvidas de que o ministro é o segundo nome do Grupo Brandão, a começar pelo fato de que já declarou apoio ao projeto de candidatura do secretário de Assuntos Municipalistas, Orleans Brandão (MDB).

Se vier a deixar o Ministério do Esporte, André Fufuca poderá enfrentar alguns percalços. Mas o fato de ser um político discreto, habilidoso e audacioso, o deputado federal reúne as condições para estancar qualquer ponto de erosão que a eventual saída do Ministério do Esporte a produzir n o seu projeto de candidatura.

Vale registrar que ele não pretende entregar o ouro sem luta. Tanto que sua assessoria informou que ele continua despachando normalmente no Ministério do Esporte.

PONTO & CONTRAPONTO

Dino surpreende ao adotar postura ativa e descontraída durante julgamento

Flávio Dino mantém postura descontraída
durante julgamento da tentativa de golpe

O ministro Flávio Dino quebrou um paradigma no primeiro dia de julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro e sete aliados acusados tentativa de golpe de estado. Ele adotou uma postura que diferiu das dos seus colegas em vários aspectos.

Para começar, foi muito atento aos discursos dos defensores dos quatro primeiros réus, anotando algumas informações que ouviu e pedindo esclarecimentos a advogados sobre uma ou outra colocação feita nas suas argumentações.

A postura do ministro surpreendeu mais ainda quando, ao final da sessão, em vez de deixar o plenário, ele foi cumprimentar os advogados que se manifestaram, com os quais conversou rápida e descontraidamente, deixando o salão desejando sucesso a todos.

Para quem não conhece Flávio Dino, a postura do ministro da Suprema Corte surpreendeu, se comparada com a dos demais integrantes da Corte. Mas quem o conhece e o viu atuando como juiz federal não foi surpreendido, exatamente por saber que ele sempre soube separar o joio do trigo.

Durante o correr dos processos, ele é diligente e exigente como magistrado, sendo também muito duro, mas justo, como julgador, com todas as suas decisões solidamente embasada nas letras das leis. Já nos intervalos, é afável e interage com o mais sisudo dos advogados.

Neste julgamento, o ministro Flávio Dino está muito à vontade, porque sabe exatamente o que está julgando e quem está julgando.

Camarão intensifica pré-campanha em manifestação religiosa e visita a aldeia indígena

Felipe Camarão na Aldeia Rancharia

O vice-governador Felipe Camarão vem dando seguidas demonstrações de que está, de fato, na corrida para o Palácio dos Leões, reafirmando, em cada ato que participa, que será candidato em qualquer circunstância. No final da semana, ele cumpriu agenda de militante católico em Vargem Grande e defensor dos povos indígenas em Fernando Falcão.

No final da semana que passou, ele assumiu a sua condição de homem de fé, católico praticante que é, ao participar, com visível entusiasmo, da tradicional Festa de São Raimundo dos Mulundus, que atrai anualmente, milhares de romeiros a Vargem Grande. Ali, misturou-se à multidão, distribuiu cumprimentos e fez orações na igreja local.

De Vargem Grande, o vice-governador seguiu para Fernando Falcão, na região central do estado, mais precisamente à Aldeia Rancharia, onde entregou um poço artesiano à comunidade indígena. Durante sua estada na aldeia, Felipe Camarão conversou com a cacique Raquel.

O vice-governador tem programada uma intensa agenda para os próximos tempos, sem abrir mão da condição de pré-candidato ao Governo.

São Luís, 03 de Setembro de 2025.

Dino participa do julgamento de Bolsonaro com a segurança de quem sabe o que e a quem está julgando

Flávio Dino vai julgar Jair Bolsonaro com
conhecimento de causa sobre a trama golpista

De todos os cinco ministros que integram a 1ª Turma do Supremo Tribunal (STF), que hoje iniciarão o julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e do grupo que participou diretamente da trama que por pouco não resultou num golpe de Estado, o que mais conhece o projeto ditatorial do presidente derrotado nas urnas é o ex-juiz federal, ex-deputado federal, ex-governador do Maranhão, ex-senador da República e ex-ministro da Justiça Flávio Dino. Ele vai julgar o ex-presidente da República e seus aliados sustentado em dois pilares: o de bem-sucedido magistrado de carreira, que conhece em profundidade o ofício de julgador, e o ex-governador e ex-senador que enfrentou o ataque permanente do então presidente Jair Bolsonaro, e a quem enfrentou com rara coragem, tanto no campo institucional, quanto na seara política. Em resumo: o ministro Flávio Dino sabe exatamente a quem julgará e por que estará julgando.

Flávio Dino começou a conhecer o ex-presidente quando foi deputado federal (2006/2010), tendo tido pouco contato o então deputado fluminense, que dedicava seus mandatos a insuflar guetos da extrema direita na Câmara Federal. O exercício dos mandatos revelou a diferença abissal entre os dois. O representante da extrema-direita do Rio de Janeiro, ao longo de vários mandatos, não demonstrou nenhum pendor pela tarefa de legislar, por falta de preparo cultural e absoluto desinteresse, preferindo se comportar como órfão saudoso da ditadura militar. Já o representante maranhense mostrou-se talhado para a atividade legislativa, com participação decisiva nos momentos mais importantes daquela legislatura, emplacando projetos de lei propondo o fim de privilégios para magistrados de todos os níveis, foi também o relator da Lei da Ficha Limpa.

No plano institucional, os dois se enfrentaram novamente a partir de 2018, com Jair Bolsonaro candidato a presidente, tendo sido eleito no segundo turno, enquanto Flávio Dino tentava renovar o mandato, o que conseguiu em turno púnico, com uma vitória retumbante. Já nos primeiros momentos do seu Governo, Jair Bolsonaro mostrou que tentaria sufocar governos estaduais comandados por governantes de esquerda. E ressabiado por ter recebido uma impiedosa surra nas urnas maranhenses, em parte fruto do trabalho do então governador Flávio Dino em apoiar o candidato do PT, Fernando Haddad. De cara, mandou fechar as portas de todos os ministérios para o Governo do Maranhão.

Sua vontade de prejudicar o governador do Maranhão se transformou numa obsessão. E isso ficou demonstrado numa das primeiras reuniões que fez com governadores, no Palácio do Planalto, com o anunciado propósito de alinhar uma agenda produtiva com os estados. Pouco antes de abrir a reunião, sem saber que o som estava ligado, soprou no ouvido do chefe da Casa Civil, Onix Lorenzoni, em tom de ordem: “Esse Flávio Dino é o pior governador de Paraíba. Não tem que dar nada pra esse cara!” Todos os presentes ouviram a ordem, mas Flávio Dino permaneceu impassível, mesmo sabendo naquele momento que nada conseguiria em Brasília naquele Governo.

A convivência do governador Flávio Dino com o presidente Jair Bolsonaro foi marcada por tensões, embates e escaramuças. Desde logo o governador do Maranhão percebeu sinais que poderiam levar o Brasil a um regime ditatorial, via golpe de Estado, tendo denunciado esse risco durante em inúmeras entrevistas e muitos discursos durante quatro anos. Estava certo, como ficou demonstrado a partir do nefasto 7 de Setembro de 2023, quando reuniu uma multidão de apoiadores em Brasília para atacar violentamente o Judiciário e dizer que não mais cumpriria decisões da Suprema Corte desdisse tudo horas depois, ao saber que poderia ser preso.

Eleito senador em 2022 e escolhido por Lua da Silva para o Ministério da Justiça, Flávio Dino acompanhou de perto a trama golpista, que evoluía nas últimas semanas de 2022, quando houve a desativação de uma bomba num caminhão-tanque, que explodiria na área do aeroporto de Brasília, e a manifestação que incendiou Brasília às vésperas do Natal. Naquele momento, o presidente Jair Bolsonaro, derrotado nas urnas, tentou desesperadamente criar condições para impedir a posse do presidente eleito Lula da Silva (PT) e continuar no poder, mas foi bloqueado pela recusa do comandante do Exército, general Gomes Freire, de apoiar qualquer ação golpista. Empossado ministro da Justiça no dia 1º de janeiro de 2023, Flávio Dino teve de encarar o ataque golpista de 8 de Janeiro às sedes dos três Poderes. Sua ação foi decisiva para quebrar o movimento golpista armado por Jair Bolsonaro, que deixou o País com uma bomba armada e se refugiou em Miami, nos EUA, de onde retornaria como ditador se os generais tivessem abraçado sua “causa”. Mas retornou como investigado e agora senta no banco dos réus.

O ministro Flávio Dino vem mostrando serenidade como magistrado e deverá adotar essa postura no julgamento, indiferente das pressões que a Corte vem sofrendo por da tropa de choque bolsonarista, agora incentivada pelo presidente norte-americano Donald Trump, aspirante a ditador, que tenta violentar a soberania do Brasil para livrar seu colega de pagar pelos danos que causou ao País.

PONTO & CONTRAPONTO

Eliziane vê Braide com força para ganhar a eleição de governador, mas mantém seu apoio a Camarão

Eliziane Gama acha que Eduardo Braide
vence a eleição para governador

Se o prefeito de São Luís, Eduardo Braide (PSD) deixar de ser uma incógnita e se candidatar ao Governo do Estado dificilmente perderá a eleição. Quem pensa assim é a senadora Eliziane Gama (PSD), que busca a reeleição. Ao mesmo tempo, Eliziane Gama, que busca a reeleição, reafirmou o seu apoio à pré-candidatura do vice-governador Felipe Camarão (PT) à sucessão do governador Carlos Brandão (ainda no PSB), declarado há tempos.

O otimismo entusiasmado da senadora Eliziane Gama em relação ao potencial do prefeito de São Luís no cenário da corrida ao Palácio dos Leões foi externado em entrevista ao portal de notícias My News. Na conversa, ele assinalou também que a elevada popularidade do prefeito Eduardo Brande, avaliando que ele talvez seja “o prefeito mais bem avaliado do Brasil”.

A senadora reforçou sua impressão em relação ao poder de fogo do prefeito e colega de partido:  “Arrisco a dizer para você que, se for candidato a governador, dificilmente perde a eleição. Eu acho que as chances de dele ganhar são reais hoje. Mas é uma definição que passa primeiro pela decisão pessoal dele, se quer se candidatar ou não”.

Mesmo destacando, de maneira entusiasmada a posição de Eduardo Braide, a senadora reforçou que mantém apoio ao projeto do vice-governador Felipe Camarão (PT), já anunciado como pré-candidato.

Iracema exalta 65ª Expoema como um evento que vai além da natureza agropecuária

Acompanhada de Roberto Costa, Weverton Rocha
Antônio Pereira, Iracema Vale em estande da Expoema

A presidente da Assembleia Legislativa, Iracema Vale (PSB), teve participação destacada na festa de abertura da 65ª Expoema, que movimentará o Parque Independência até o dia 7 de Setembro. Acompanhada do senador Weverton Rocha (PDT), do prefeito de Bacabal e presidente da Famem Roberto Costa (MDB), do secretário de Assuntos Municipalistas Orleans Brandão (MDB) e vários deputados, entre eles Antônio Pereira (PSB), 1º vice, a presidente da Alema, percorreu a área da feira, que além da exposição de animais, maquinário, produtos agrícolas, atraiu grande público com shows com grandes nomes do cancioneiro popular nacional.

Apoiadora da iniciativa de realizar a 65ª Expoema, a presidente Iracema Vale destacou a importância da mostra, que para ela vai muito além de ser um evento de natureza meramente agropecuário. “Nesta época, as famílias vêm para se confraternizar, trazer as crianças para brincar e ainda têm os shows para a juventude”, observou. E assinalou que, além disso, como evento do setor agropecuário, a Expoema “gera renda para pequenos, médios e grandes empreendedores e divulga as ações que estão sendo realizadas pelo setor agropecuário do Maranhão”.

O senador Weverton Rocha também se manifestou sobre a 65ª edição da Expoema: “Quero parabenizar o Governo pela realização desse grande evento, que já é uma tradição passada de geração em geração. Espero ver o Maranhão cada vez mais como protagonista no cenário nacional”.

São Luís, 02 de Setembro de 2025.