
e Orleans Brandão, e à direita por Márcio Macedo, André Fufuca, Weverton Rocha,
Iracema Vale e Márcio Jerry na abertura da Caravana Federativa
Em meio à repercussão do histórico julgamento no qual o Supremo Tribunal Federal (STF) condenou o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) a 27 anos de prisão, por tentativa de golpe de estado, o meio político maranhense foi sacudido por uma declaração do senador Weverton Rocha (PDT), que em discurso revelou que o presidente Lula da Silva (PT) pretende entrar no circuito para tentar reaproximar o governador Carlos Brandão (ainda no PSB) e o grupo ligado ao ministro Flávio Dino, da Suprema Corte. De acordo com Weverton Rocha, o líder petista vai tentar de todas as maneiras reconciliar os seus aliados, de modo que estejam unidos em torno de um projeto comum no estado e da sua candidatura à reeleição em 2025. O senador pedetista disse que esteve quarta-feira com o presidente Lula da Silva em Brasília e que ouviu dele a decisão de conversar com os dois grupos.
O efeito bombástico da declaração do senador pedetista foi que ela foi dada durante um discurso que ele fez na abertura da “Caravana Federativa” uma ação anual que o Governo Federal, que trouxe ao Maranhão quatro ministros, para diagnosticar problemas e encaminhar soluções em pleno acordo com o Governo estadual. Além do governador Carlos Brandão, a presidente da Assembleia Legislativa, Iracema Vale (ainda no PSB), o ministro do Esporte André Fufuca, o prefeito de Bacabal e presidente da Famem Roberto Costa (MDB), o deputado federal Rubens Jr. (PT), e o secretário de Assuntos Municipalistas Orleans Brandão (MDB), foram também convidados e compareceram o vice-governador Felipe Camarão (PT), o deputado federal Márcio Jerry (PCdoB) e os deputados estaduais Carlos Lula (PSB), Rodrigo Lago (PCdoB) e Leandro Bello (Podemos), que integram o chamado grupo dinista.
Foi nesse raro e surpreendente momento de distensão entre os dois grupos que o senador Weverton Rocha fez a bombástica revelação sobre o interesse do presidente Lula da Silva de intervir para que brandonistas e dinistas se reconciliem e atuem como um grupo unido nas eleições de 2026. “Ontem eu estive com o presidente Lula no gabinete dele, e ele disse que quer o Maranhão unido. Eu preciso do estado unido para que nós estejamos todos fortalecidos no ano que vem”, teria dito o presidente, segundo declarou Weverton Rocha, que arrematou, manifestando, ele próprio, interesse na reconciliação: “Nós estamos juntos, governador Brandão, aqui está o vice-governador Felipe Camarão. Torço todo dia para que esses dois se entendam. Mas eu sempre disse que o Brandão é o líder do processo”.
O senador teve o cuidado e a habilidade de defender o entendimento entre o governador Carlos Brandão e o vice-governador Felipe Camarão, deixando claro, porém, que a liderança do processo político na base aliada é do chefe do Executivo, como manda a tradição. Os exemplos mais recentes e esclarecedores dessa observação vêm de 2014 e 2018, quando o então governador Flávio Dino (PCdoB) liderou os dois processos sucessórios, que resultaram nas suas próprias eleição e reeleição.
Se está disposto a aterrar esse fosso e reconstruir uma via segura para reunir os dois grupos, o presidente Lula da Silva, mesmo reconhecido por seu poder de sedução e convencimento, terá de gastar muita saliva e se munir de fortes argumentos se quiser obter sucesso nessa desafiadora empreitada política. A dificuldade começa com o fato de o governador Carlos Brandão já haver decidido permanecer no cargo até o fim para apoiar a candidatura do secretário Orleans Brandão à sua sucessão, e de que, por sua vez, o vice-governador Felipe Camarão se lançou candidato a governador e está em plena pré-campanha.
Não foi possível avaliar como o governador Carlos Brandão e os membros do seu staf político, a começar pelo próprio Orleans Brandão, receberam a revelação do senador pedetista. Assim como não deu para medir a disposição da ala dinista para um entendimento n o nível que, segundo Weverton Rocha, será proposto pelo presidente Lula da Silva. Mas é fato que, para dar sentido ao eventual gesto do presidente, os dois grupos terão de recolher as armas e se municiar de boa vontade para conversar.
Vale aguardar o próximo lance do roteiro desenhado pelo senador Weverton Rocha.
(O nível de descontração foi elevado a tal ponto que resultou num até ontem impensável registro fotográfico, no qual o governador Carlos Brandão posou levantando os polegares em sinal positivo ladeado por aliados e adversários, e no qual Orleans Brandão e Felipe Camarão se postaram separados apenas pelo deputado federal petista Rubens Jr.)
PONTO & CONTRAPONTO
Caravana Federativa amplia e fortalece as relações de estados e municípios com a União

Federativa, em auditório lotado no Centro
de Convenções Pedro Neiva de Santana
O Governo Federal deu ontem mais um passo largo para ampliar o acesso aos serviços públicos oferecidos pela União. É esse o objetivo da Caravana Federativa, que comandada por quatro ministros de Estado, desembarcou em São Luís e instalou no Centro de Convenções Pedro Neiva de Santana técnicos e assessores de 30 ministérios, 21 agências públicas e bancos federais com o objetivo de melhorar a comunicação e a interação do da máquina federal com o Governo do Estado e a Prefeituras no que respeita à resolução de questões burocráticas para o destravamento de obras, convênios, ou demais ações vinculadas ao Governo Federal nos municípios. Essa interação, que começou ontem de manhã, será concluída hoje à tarde, quando a Caravana se deslocará para outro estado.
O Maranhão é o segundo estado a receber a nova rodada da Caravana, e registrou, em 2025, mais de oito mil inscrições para a nova edição do evento, que é comandado pelos ministros Márcio Macedo (Secretaria Geral da Presidência da República), Márcia Lopes (Mulheres), André Fufuca (Esporte), e Wolney Queiroz (Previdência Social). Também presente o secretário de Assuntos Federativos, Júlio Pinheiro, representando a ministra Gleisi Hoffmann (Relações Institucionais), que é a responsável pelo projeto.
O governador Carlos Brandão recebeu a terceira edição da Caravana Federativa com entusiasmo, comemorando primeiro o número de inscritos, dado que mostrou que prefeitos atenderam à sua convocação para que as administrações sejam melhor informadas de como usar os serviços oferecidos pela União. O mandatário maranhense
agradeceu ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva e aos ministérios, que utilizam a Caravana para acelerar e destravar obras federais no Maranhão. Carlos Brandão comemorou o número recorde de inscritos e lembrou que o Maranhão é o estado que mais captou recursos do Programa de Aceleração do Crescimento (Novo PAC). Ao todo, foram enviadas 1.741 propostas maranhenses ao Novo PAC Seleções 2025.
“Hoje, Brasília se muda para o Maranhão, neste maior evento de gestão pública do Brasil. A Caravana tem feito esse grande trabalho. Aqui os projetos realmente saem do papel e as pessoas acreditam nessa grande parceria com o presidente Lula”, declarou o governador Carlos Brandão.
Resta ao bolsonarismo fazer como toda corrente política séria: respeitar a Democracia e disputar eleições

Vozes da direita na bancada maranhenses na Câmara Federal, impactadas pela condenação do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e mais sete integrantes do “núcleo crucial” da tentativa de golpe de estado andaram sussurrando ontem no sentido de mobilizar a base bolsonarista para tocar o projeto de anistia “de qualquer maneira”, apostando que com a inciativa terão chance de reverter a situação. Ao contrário, se decidirem mesmo investir sua gordura política nesse projeto, o resultado pode ser uma baita crise institucional.
E o motivo é simples: a Constituição do Brasil define golpe de estado como crime imprescritível e imperdoável, o que significa dizer que não pode ser anistiado. Pela regra, quem atenta contra a Carta Magna com o objetivo de abolir o estado democrático de direito tem de responder judicialmente e, se condenado, deve cumprir sua pena, e fim de conversa.
Sustentada em provas irrefutáveis de que, derrotado nas urnas, o então presidente Jair Bolsonaro tentou impor medidas de exceção para impedir a posse do presidente eleito Lula da Silva (PT), e só não foi em frente porque os comandantes do Exército, general Freire Gomes, e o da Aeronáutica, major-brigadeiro Batista Júnior, se recusaram a apoiar a trama, segundo a ampla investigação da Polícia Federal, a Procuradoria Geral da República elaborou uma denúncia avassaladora, que foi consolidada pelo ministro-relator Alexandre de Moraes.
Os grandes jornais do País, como Folha de S. Paulo e O Globo, reconheceram, em editoriais, a legitimidade do processo e a legalidade do julgamento. Mas consideraram as penas muito elevadas. Sem qualquer inclinação para defender os condenados, o editorial da Folha de S. Paulo faz duas sugestões aos ministros da 1ª Turma do STF: rever as penas – os 27 anos dados a Jair Bolsonaro seriam reduzidos para 20, por exemplo – e que o ex-presidente, devido a sua idade e aos seus problemas de saúde, continue em prisão domiciliar. Recomenda que, em vez de fazer zoada, as defesas deveriam trabalhar junto à Suprema Corte para aliviar a situação dos seus clientes. A opinião de O Globo vai na mesma direção, avalia as penas foram muito duras, mas não sugere concessões.
A hora é do bolsonarismo colocar os pés no chão, reconhecer que seus chefes agiram como uma organização criminosa, atentaram contra a Constituição e a Democracia e por isso vão pagar caro. Com base nisso, deveria se comportar como corrente séria, respeitar as regras e disputar eleições, para ganhar ou para perder. A Historia mostra com clareza que é assim que as tendências políticas, progressistas ou conservadoras, se consolidam.
São Luís, 12 de Setembro de 2025.