De todos os cinco ministros que integram a 1ª Turma do Supremo Tribunal (STF), que hoje iniciarão o julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e do grupo que participou diretamente da trama que por pouco não resultou num golpe de Estado, o que mais conhece o projeto ditatorial do presidente derrotado nas urnas é o ex-juiz federal, ex-deputado federal, ex-governador do Maranhão, ex-senador da República e ex-ministro da Justiça Flávio Dino. Ele vai julgar o ex-presidente da República e seus aliados sustentado em dois pilares: o de bem-sucedido magistrado de carreira, que conhece em profundidade o ofício de julgador, e o ex-governador e ex-senador que enfrentou o ataque permanente do então presidente Jair Bolsonaro, e a quem enfrentou com rara coragem, tanto no campo institucional, quanto na seara política. Em resumo: o ministro Flávio Dino sabe exatamente a quem julgará e por que estará julgando.
Flávio Dino começou a conhecer o ex-presidente quando foi deputado federal (2006/2010), tendo tido pouco contato o então deputado fluminense, que dedicava seus mandatos a insuflar guetos da extrema direita na Câmara Federal. O exercício dos mandatos revelou a diferença abissal entre os dois. O representante da extrema-direita do Rio de Janeiro, ao longo de vários mandatos, não demonstrou nenhum pendor pela tarefa de legislar, por falta de preparo cultural e absoluto desinteresse, preferindo se comportar como órfão saudoso da ditadura militar. Já o representante maranhense mostrou-se talhado para a atividade legislativa, com participação decisiva nos momentos mais importantes daquela legislatura, emplacando projetos de lei propondo o fim de privilégios para magistrados de todos os níveis, foi também o relator da Lei da Ficha Limpa.
No plano institucional, os dois se enfrentaram novamente a partir de 2018, com Jair Bolsonaro candidato a presidente, tendo sido eleito no segundo turno, enquanto Flávio Dino tentava renovar o mandato, o que conseguiu em turno púnico, com uma vitória retumbante. Já nos primeiros momentos do seu Governo, Jair Bolsonaro mostrou que tentaria sufocar governos estaduais comandados por governantes de esquerda. E ressabiado por ter recebido uma impiedosa surra nas urnas maranhenses, em parte fruto do trabalho do então governador Flávio Dino em apoiar o candidato do PT, Fernando Haddad. De cara, mandou fechar as portas de todos os ministérios para o Governo do Maranhão.
Sua vontade de prejudicar o governador do Maranhão se transformou numa obsessão. E isso ficou demonstrado numa das primeiras reuniões que fez com governadores, no Palácio do Planalto, com o anunciado propósito de alinhar uma agenda produtiva com os estados. Pouco antes de abrir a reunião, sem saber que o som estava ligado, soprou no ouvido do chefe da Casa Civil, Onix Lorenzoni, em tom de ordem: “Esse Flávio Dino é o pior governador de Paraíba. Não tem que dar nada pra esse cara!” Todos os presentes ouviram a ordem, mas Flávio Dino permaneceu impassível, mesmo sabendo naquele momento que nada conseguiria em Brasília naquele Governo.
A convivência do governador Flávio Dino com o presidente Jair Bolsonaro foi marcada por tensões, embates e escaramuças. Desde logo o governador do Maranhão percebeu sinais que poderiam levar o Brasil a um regime ditatorial, via golpe de Estado, tendo denunciado esse risco durante em inúmeras entrevistas e muitos discursos durante quatro anos. Estava certo, como ficou demonstrado a partir do nefasto 7 de Setembro de 2023, quando reuniu uma multidão de apoiadores em Brasília para atacar violentamente o Judiciário e dizer que não mais cumpriria decisões da Suprema Corte desdisse tudo horas depois, ao saber que poderia ser preso.
Eleito senador em 2022 e escolhido por Lua da Silva para o Ministério da Justiça, Flávio Dino acompanhou de perto a trama golpista, que evoluía nas últimas semanas de 2022, quando houve a desativação de uma bomba num caminhão-tanque, que explodiria na área do aeroporto de Brasília, e a manifestação que incendiou Brasília às vésperas do Natal. Naquele momento, o presidente Jair Bolsonaro, derrotado nas urnas, tentou desesperadamente criar condições para impedir a posse do presidente eleito Lula da Silva (PT) e continuar no poder, mas foi bloqueado pela recusa do comandante do Exército, general Gomes Freire, de apoiar qualquer ação golpista. Empossado ministro da Justiça no dia 1º de janeiro de 2023, Flávio Dino teve de encarar o ataque golpista de 8 de Janeiro às sedes dos três Poderes. Sua ação foi decisiva para quebrar o movimento golpista armado por Jair Bolsonaro, que deixou o País com uma bomba armada e se refugiou em Miami, nos EUA, de onde retornaria como ditador se os generais tivessem abraçado sua “causa”. Mas retornou como investigado e agora senta no banco dos réus.
O ministro Flávio Dino vem mostrando serenidade como magistrado e deverá adotar essa postura no julgamento, indiferente das pressões que a Corte vem sofrendo por da tropa de choque bolsonarista, agora incentivada pelo presidente norte-americano Donald Trump, aspirante a ditador, que tenta violentar a soberania do Brasil para livrar seu colega de pagar pelos danos que causou ao País.
PONTO & CONTRAPONTO
Eliziane vê Braide com força para ganhar a eleição de governador, mas mantém seu apoio a Camarão
Se o prefeito de São Luís, Eduardo Braide (PSD) deixar de ser uma incógnita e se candidatar ao Governo do Estado dificilmente perderá a eleição. Quem pensa assim é a senadora Eliziane Gama (PSD), que busca a reeleição. Ao mesmo tempo, Eliziane Gama, que busca a reeleição, reafirmou o seu apoio à pré-candidatura do vice-governador Felipe Camarão (PT) à sucessão do governador Carlos Brandão (ainda no PSB), declarado há tempos.
O otimismo entusiasmado da senadora Eliziane Gama em relação ao potencial do prefeito de São Luís no cenário da corrida ao Palácio dos Leões foi externado em entrevista ao portal de notícias My News. Na conversa, ele assinalou também que a elevada popularidade do prefeito Eduardo Brande, avaliando que ele talvez seja “o prefeito mais bem avaliado do Brasil”.
A senadora reforçou sua impressão em relação ao poder de fogo do prefeito e colega de partido: “Arrisco a dizer para você que, se for candidato a governador, dificilmente perde a eleição. Eu acho que as chances de dele ganhar são reais hoje. Mas é uma definição que passa primeiro pela decisão pessoal dele, se quer se candidatar ou não”.
Mesmo destacando, de maneira entusiasmada a posição de Eduardo Braide, a senadora reforçou que mantém apoio ao projeto do vice-governador Felipe Camarão (PT), já anunciado como pré-candidato.
Iracema exalta 65ª Expoema como um evento que vai além da natureza agropecuária
A presidente da Assembleia Legislativa, Iracema Vale (PSB), teve participação destacada na festa de abertura da 65ª Expoema, que movimentará o Parque Independência até o dia 7 de Setembro. Acompanhada do senador Weverton Rocha (PDT), do prefeito de Bacabal e presidente da Famem Roberto Costa (MDB), do secretário de Assuntos Municipalistas Orleans Brandão (MDB) e vários deputados, entre eles Antônio Pereira (PSB), 1º vice, a presidente da Alema, percorreu a área da feira, que além da exposição de animais, maquinário, produtos agrícolas, atraiu grande público com shows com grandes nomes do cancioneiro popular nacional.
Apoiadora da iniciativa de realizar a 65ª Expoema, a presidente Iracema Vale destacou a importância da mostra, que para ela vai muito além de ser um evento de natureza meramente agropecuário. “Nesta época, as famílias vêm para se confraternizar, trazer as crianças para brincar e ainda têm os shows para a juventude”, observou. E assinalou que, além disso, como evento do setor agropecuário, a Expoema “gera renda para pequenos, médios e grandes empreendedores e divulga as ações que estão sendo realizadas pelo setor agropecuário do Maranhão”.
O senador Weverton Rocha também se manifestou sobre a 65ª edição da Expoema: “Quero parabenizar o Governo pela realização desse grande evento, que já é uma tradição passada de geração em geração. Espero ver o Maranhão cada vez mais como protagonista no cenário nacional”.
São Luís, 02 de Setembro de 2025.


