PT se afasta do PMDB e se aproxima do PCdoB

 

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O PT do Maranhão caminha para voltar ao que era

O PT do Maranhão está caminhando para voltar a ser o que era antes de firmar aliança com o Grupo Sarney, na qual disputou as três últimas eleições. O partido da presidente Dilma Rousseff vem dando passos largos para se afastar do seu atual bloco de aliados (PMDB, PV, DEM, PSC e PTB) no estado e pode, segundo preveem alguns dos seus chefes, chegar às eleições municipais do ano que vem com posição independente ou como integrante do grupo partidário que dá sustentação ao governador Flávio Dino (PCdoB). Depois de anos afastados, PT e PCdoB poderão firmar parceria, que poderá incluir ainda o PSB, hoje também distanciado da agremiação petista e em rota de colisão com o Palácio do Planalto, em cujos registros está definido como adversário, se não agressivo, de posição bem contundente como segmento crítico.

Imposta de cima para baixo, a aliança com o Grupo Sarney não tem sido fácil para o PT maranhense. Tanto que, ao invés de fortalecer o partido, o enfraqueceu expressivamente, inclusive com a perda de quadros politicamente importantes, como Domingos Dutra, que foi vereador, vice-prefeito de São Luís, deputado estadual e deputado federal por três mandatos, e Bira do Pindaré, hoje no segundo mandato de deputado estadual. Nesse meio tempo, o partido ganhou figuras como a deputada Francisca Primo, de atuação discreta, mas eficiente, e o deputado José Carlos da Caixa, que agora está na Câmara Federal, e, mais recentemente, o deputado estadual Zé Inácio, ainda marinheiro de primeiro mandato.

Nos anos de aliança com o grupo Sarney, a figura mais destacada do PT foi Washington Oliveira, um militante sindical cearense que foi deputado federal e elegeu-se vice-governador do Maranhão na chapa de Roseana Sarney (PMDB), em 2010, assumiu o governo várias vezes e acabou brindado com uma cadeira no Tribunal de Contas do Estado. Outros vultos petistas resistiram à aliança com o PMDB e levaram o PT a um “racha”, tornando-se a única secção estadual em que uma banda seguiu a orientação dos cardeais nacionais do partido e outra se posicionando exatamente no campo adversário. Em 2014, a banda petista que segue a orientação nacional apoiou a candidatura de Lobão Filho (PMDB) para o Governo do Estado, enquanto a outra banda, menor, mas expressiva, foi para as ruas apoiando a candidatura de Flávio Dino (PCdoB).

O fato é que o desfecho das eleições de 2014 colocou o PT numa encruzilhada e com a seguinte indagação: valerá a pena manter uma aliança que foi trucidada nas urnas? Ou será mais importante e benéfico para o partido voltar à sua seara no plano da esquerda e aliar-se ao grupo que dá sustentação ao novo governo estadual? Este tem dado reiteradas mostras de que é hoje o aliado preferencial da presidente Dilma Rousseff no Maranhão.  Dentro do partido a posição dominante é pelo alinhamento imediato com o PCdoB e o PSB, embora vozes da agremiação façam restrições a uma coligação que tenha participação destacada do PSDB, legenda do vice-governador Carlos Brandão e maior adversário do PT.

O movimento na direção do PCdoB ganha consistência dentro do PT. Nas manifestações do dia 13 de março, quando grupos de apoio ao governo da presidente Dilma, organizados pelo PT, foram às ruas num contra-ataque antecipado às manifestações contra o governo que seriam realizadas no dia 15 de março, o PCdoB foi um dos principais suportes. Em outro momento, líderes intermediários do PT se reuniram para defender aliança com o PCdoB e participar do Governo Flávio Dino.  Os chefes maiores do partido não escondem sua simpatia pela guinada que o PT está dando de romper com o PMDB para se aproximar do PCdoB, mas acham que o passo só será efetivo quando o cardinalato petista abençoar o projeto e der sinal verde.

E pelo andar da carruagem, o acerto do PT com o PCdoB no Maranhão não tardará. Motivos para isso não faltam, sendo um dos principais o estreitamento das relações do Palácio dos Leões com o Palácio do Planalto, que avança a cada movimento do governador Flávio Dino na direção de Brasília.

 

 

PONTOS & CONTRAPONTO

 

Massagem no ego I

A 1ª Página da edição de sábado (28) do jornal Folha de S. Paulo mostrou o cenário de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) nos governos pós-redemocratização, a começar pelo da Nova República, e que deve ter massageado o ego do ex-presidente José Sarney. De acordo com os números, o crescimento do país sob cada governo foi o seguinte: José Sarney (4,4% ), Fernando Collor (-1,3%), Itamar Franco (5,4%), Fernando Henrique Cardoso I (2,6%), Fernando Henrique Cardoso II (2,3%), Luiz Inácio Lula da Silva I (3,5%), Luiz Inácio Lula da Silva II (4,6%) e Dilma Rousseff I (2,1%). O crescimento do Governo José Sarney só perdeu para Itamar Franco e para o segundo governo de Lula.

 

Massagem no ego II

O que chama a atenção no expressivo crescimento do PIB no Governo José Sarney é o fato de que ele se deu no tenso e complicado processo de transição da ditadura para a democracia. Em 1985, quando assumiu, José Sarney encontrou um país endividado e com a economia desorganizada, resultado dos anos de ditadura militar. Sarney adotou uma série de mecanismos de controle e incentivo, tornando a economia dinâmica, apesar de todos os entraves herdados do regime militar. Mesmo com o fracasso retumbante e frustrante dos planos econômicos (Cruzado I, Cruzado II, Plano Bresser e outros de menor repercussão) e da ineficácia no combate à inflação, Sarney passou o bastão para Fernando Collor com hiperinflação, mas com uma economia bem mais forte do ponto de vista do crescimento.

 

 

Outro tom

A nota em que o Governo do Estado, por meio da Secretaria de Estado de Comunicação Social, comenta e se posiciona em relação ao anúncio de que a Alumar vai desativar parte da sua produção, alegando falta de competitividade no preço da alumina no mercado internacional, revela algo diferente na relação do Poder Executivo com o consórcio. Mesmo usando o verbo lamentar, o tom da nota é de crítica e de cobrança, bem diferente da aceitação conformada externada em notas de outros governos, em especial os de Roseana Sarney. Vale conferir:

  1. O Governo do Maranhão lamenta o anúncio feito pela Alumar de que desativará a terceira linha de produção de alumínio no Estado, com a consequente redução de 650 postos de trabalho;
  2. Em 2014, a Alumar reduziu sua capacidade de produção em duas oportunidades, nos meses de maio e outubro;
  3. Portanto, a decisão, sob a justificativa de reduzir custos e da falta de competitividade do preço de alumínio no mercado, reitera a lamentável política adotada pela empresa nos últimos anos, quando dois terços das linhas de produção no Maranhão foram desativadas;
  4. Ainda este ano, o governador Flávio Dino, o vice-governador Carlos Brandão e o secretário de Indústria e Comércio, Simplício Araújo, realizaram audiências com a direção da empresa, para discutir as perspectivas de investimentos no Estado. Em nenhum momento, os dirigentes da multinacional informaram ao governo sobre a intenção de adotarem a drástica decisão, que fere os interesses do Estado e da nossa população;
  5. O governador Flávio Dino determinou aos secretários Simplício Araújo (Indústria e Comércio) e Julião Amin (Trabalho e Economia Solidária) imediata interlocução junto à empresa, visando assegurar responsabilidade social e alternativas para minimizar os danos causados.

 

São Luís, 30 de março de 2015.

Secretaria de Estado da Comunicação Social

 

Programa e mérito

O governador Flávio Dino recebeu ontem a visita da corregedora nacional de Justiça, ministra Nancy Andrighi, com quem discutiu a implantação do Programa Nacional de Governança Diferenciada das Execuções Fiscais. Na conversa, da qual participaram o vice-governador Carlos Brandão, a presidente do Tribunal de Justiça, desembargadora Cleonice Freire, e o deputado Glaubert Cutrim – que representou o presidente da Assembleia Legislativa Humberto Coutinho (PDT) -, a ministra-corregedora explicou que se trata de uma iniciativa que visa solucionar o congestionamento de ações relacionadas a dívidas fiscais, hoje uma grave situação vivenciada em todos os estados da Federação. Na avaliação dela, com adaptação à realidade de cada estado, o Programa de Governança Diferenciada das Execuções Fiscais busca soluções para descongestionar ações relacionadas a dívidas fiscais com medidas direcionadas aos cidadãos e empresas, ao Judiciário e também ao Estado, promovendo a recuperação do crédito público. O governador Flávio Dino agradeceu a visita e a exposição da ministra concedendo-lhe a Medalha do Mérito Timbira, a maior comenda do Maranhão.

 

São Luís, 30 de Março de 2015.

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