Eleição na UFMA consolidou Natalino Salgado como o maior vencedor da história da instituição

Natalino Salgado entre Leonardo Soares e Fernando Carvalho: comemora mais uma vitória

A consulta por meio da qual professores, servidores e estudantes da Universidade Federal do Maranhão (UFMA) indicou, pelo voto direto e secreto, os nomes que compuseram as listas tríplices para reitor – Fernando Carvalho (45%), Luciano Façanha (35%) e Isabel Ibarra (15%) – e para vice-reitor – Leonardo Soares (29%), Zefinha Bentivi (25%) e Ridvan Fernandes (13%) -, foi bem mais que uma simples escolha, quando se observa um dado crucial do processo: a participação do reitor Natalino Salgado. Os candidatos mais votados para reitor e vice-reitor foram apoiados pelo atual dirigente da UFMA, que passa a ser, em caráter definitivo, a personalidade mais influente da instituição em toda a sua existência até aqui. Além dos candidatos, a consulta realizada sexta-feira (21) nos 12 campi da UFMA, envolvendo mais de 28 mil integrantes da comunidade universitária, teve o reitor Natalino Salgado como personagem central, que assumiu toda a responsabilidade pelo processo, que resultou bem sucedido.

No caso, o reitor Natalino Salgado seguiu todos os trâmites e respeitou todas as regras para implantar o sistema de consulta eletrônica, que permitiu a participação de todos os professores, estudantes e servidores no processo, votando por meio de celular, tablete, notebook. Usado em grande parte das universidades brasileiras, o sistema já havia sido testado na UFMA na escolha de diretores de centro, chefes de departamentos e coordenadores de cursos, revelando-se seguro e eficiente. Na avaliação de professores da área técnica, o sistema é um avanço excepcional, equivalendo, por exemplo, do sistema de votação por meio, das urnas eletrônicas usado pela Justiça Eleitoral do Brasil, hoje reconhecido como o mais avançado e seguro do planeta, só contestado por derrotados inconformados.

O candidato de oposição, colocado em segundo lugar, Luciano Façanha, representante da esquerda mais dura, que há décadas controla a Apruma (entidade sindical), decidiu bater às portas da Justiça para contestar o sistema de votação e a data da eleição, marcada para 14 de julho, alegando, primeiro, que o sistema eletrônico de votação “dispersa” o eleitorado, e que o tempo de campanha – três meses – foi exíguo, obtendo uma liminar suspendendo a consulta na primeira data. Numa reação rápida e eficiente, o reitor Natalino Salgado rebateu a contestação, mostrou por A mais B que a ação não tinha pé nem cabeça, conseguindo derrubar a liminar e garantir a votação para o dia 21. O processo aconteceu sem atropelos e o resultado da consulta, encerrada às 22 horas, foi anunciado menos de uma hora depois, como estava previsto.

E aconteceu o que o candidato da esquerda, Luciano Façanha, e seus apoiadores, se esforçaram para evitar: Fernando Carvalho, o candidato apoiado pelo reitor Natalino Salgado, saiu do processo como o líder da lista tríplice. E como nos bastidores da UFMA circula a informação de que o presidente Lula da Silva (PT) vai nomear o primeiro da lista, já corre, mesmo nos arraiais adversários, que em novembro que vem o atual reitor passará o bastão para o seu aliado.

O resultado da consulta do dia 21 foi a sexta vitória consecutiva do médico nefrologista, professor e pesquisador Natalino Salgado nos embates eleitorais da UFMA, que lhe permitiram, numa sequência politicamente surpreendente, comandar a instituição por 12 anos, intercalados pelo reitorado da professora Nair Portela, eleita com o apoio do reitor, mas que com ele rompeu logo em seguida. Natalino Salgado se tornou reitor em 2007, foi reeleito em 2011. Em 2014 apoiou decisivamente a eleição de Nair Portela, voltando a se eleger em 2019, tendo agora participação decisiva na eleição do seu sucessor. A vitória será completa se o roteiro traçado for confirmado com a nomeação de Fernando Carvalho pelo presidente Lula da Silva.

No plano administrativo, qualquer avaliação isenta certamente concluirá que a UFMA tem dois marcos: antes e depois de Natalino Salgado. Sob seu comando, tendo sempre a esquerda como adversária implacável, mas com habilidade suficiente para camuflar a luta política e ideológica, o médico e professor Natalino Salgado se revelou um exímio administrador, colocando o pragmatismo acima de qualquer outra motivação. E nessa linha de ação, ele transformou e expandiu a UFMA, deixando na instituição uma marca que nenhum outro antecessor deixou e que dificilmente algum sucessor deixará.

Essa é uma verdade reconhecida por aliados, que são muitos, e por adversários duros.

PONTO & CONTRAPONTO

Dino é alvo de “fogo amigo”, mas sabe lidar com essa situação

Flávio Dino de bem com Lula da Silva: é o que basta

Algumas reportagens, vários artigos e uma série de comentários têm procurado mostrar que o ministro da Justiça e Segurança Pública, Flávio Dino, tem total apoio do presidente Lula da Silva, mas “coleciona” adversários do PT. Algumas abordagens avançam tanto nessa garimpagem que chegam a especular que há petista graúdo querendo a saída do ministro, que representa o PSB no Governo.

Esse cenário é verdadeiro, mas não chega à amplitude que alguns traçam. Há, sim, petistas de proa incomodados com o desempenho e a desenvoltura do ministro e enciumados com o aval do presidente Lula da Silva às suas ações na pasta mais complicada pelo estado em que foram encontradas as instituições em que a pertencem, como a Polícia Federal e a Polícia Rodoviária Federal.

Em todas as abordagens, o motivo da má vontade de alguns em relação ao ministro da Justiça é um só: a sucessão presidencial. Petistas com a pretensão de serem escolhidos para suceder o presidente Lula da Silva enxergam no ministro Flávio Dino um adversário muito forte, que ganha espaço como o mais bem sucedido membro do governo no combate aos seus adversários, a começar pela falange bolsonarista.

O ministro Flávio Dino, que senador licenciado, estando, portanto, muito à vontade dentro do Governo, certo de que tem sua tribuna reservada por sete anos, tem usado a inteligência política para desviar esses focos, não dando importância aos mexericos que nascem e costumam morrer nos bastidores de Brasília.

Daniella e Rafael devem anunciar suas pré-candidaturas a prefeito

Daniella Gidão e Rafael Souza: pré-candidatos

Vários deputados estaduais devem anunciar neste semestre que serão candidatos a prefeito no ano que vem. Dois casos se destacam.

A deputada Daniela Gidão (PSB), que estaria trabalhando para disputar a Prefeitura de Presidente Dutra, sua terra natal. A parlamentar, que é formada em Nutrição, já mostrou aos presidutrenses sua competência como administradora ao comandar o Hospital Regional durante o primeiro Governo Flávio Dino. Sua gestão foi muito elogiada dentro e fora do Governo.

E o deputado Rafael Sousa (PSB), atual líder do Governo na Assembleia Legislativa e que deve disputar a Prefeitura de Timon. Engenheiro civil, com experiência como secretário de Obras em Timon e como dirigente da Codevasf, tem noção muito clara do que a cidade precisa para se tornar uma área urbana melhor. Tem boa relação com o eleitorado e, segundo observadores timonenses, tem condições de enfrentar a prefeita Dinair Veloso (PDT) e o coronel/PM Hormann Schnneyder (MDB).

Os dois já estariam decididos.

São Luís, 24 de julho de 2023.

No 200º aniversário de Gonçalves Dias, Caxias aparece como uma das cidades mais violentas do Brasil

Cidade festiva, com sólida cultura e
rica história, Caxias tornou-se uma das
cidades mais violentas do Brasil

Chocante, e sob todos os aspectos inaceitável, a informação apontando Caxias como integrante de um ranking de cidades mais violentas do Brasil. De acordo com o Anuário Brasileiro de Segurança Pública, a Princesa do Sertão, musa de muitos poetas, a começar por Gonçalves Dias, o maior deles, ocupa a 37ª posição entre as 50 cidades com mais de 100 mil habitantes identificadas como as mais violentas do País. Com a maturidade dos 186 anos recém completados, é mais violenta do que São Luís, com seus mais de 1 milhão de habitantes; do que Imperatriz, que já foi duramente afetada pelo crime; do que São José de Ribamar, cuja população cresce sem controle; e de Timon, sua vizinha, que vem se livrando do estigma de ser “dormitório” de Teresina.

O poeta e humanista Gonçalves Dias com certeza mergulharia em dor se viesse a saber que no levantamento feito pelo Anuário Brasileiro de Segurança Pública, divulgado ontem, Caxias, a sua cidade, hoje um centro urbano com mais de 150 mil habitantes, é elencada como uma cidade onde ocorreram 46,5 crimes violentos, intencionais, ao longo de 2022. Foi, felizmente, a única cidade maranhense a figurar nesse balanço que mancha agressivamente a sua imagem de polo regional que se move pelo trabalho, pela política e pela cultura.

Também uma revelação espantosa, difícil de assimilar, o caso mais próximo foi a aprazível Parnaíba, acolhedora cidade litorânea do vizinho Piauí, incluída na lista do Anuário como a 38ª mais violenta do País entre as com mais de 100 mil habitantes. Foi também a única do Piauí.

Algumas situações podem, em parte, explicar essa mácula. Dos anos 60 do século passado para cá, a exemplo do que aconteceu com São Luís, Caxias, que tinha uma economia sólida, tendo vivido o boom do algodão com uma forte indústria de tecelagem, que fabricava e exportava tecidos de qualidade, e que na sequência foi um rico polo de produção de azeite extraído do babaçu, além de ter sido, também nos anos 60 e 70, o centro regional de beneficiamento e exportação de arroz, foi fortemente atingida pela perda desses lastros.

A consequência desse revés avassalador logo apareceu: a cidade foi aos poucos invadida por milhares de famílias que fugiram do campo em busca da sobrevivência nos seus arredores. Para abrigar essas pessoas, bairros e mais bairros nasceram em pouco tempo, sem nenhuma infraestrutura. A cidade começou a inchar, com graves problemas de habitação, saneamento, saúde e escola, e mais tarde, segurança.

Agora, Caxias e região estão sendo fortemente afetadas pela incontida invasão do “Agro”, que tem na chamada região do Matopiba um dos seus mais recentes “eldorados”. O problema é que, se poucos ganham, muitos perdem, uma vez que, na busca insaciável por terras, essa cultura promove, rápida e implacavelmente, um novo “Êxodo” do campo para a cidade, produzindo, não um crescimento, mas um “inchaço” populacional. E com ele, o desemprego e o seu pior subproduto, a violência, evidenciada no crescente número de assaltos e assassinatos, via de regra praticados por jovens marginalizados pela falta de perspectivas. O assassinato de um pequeno comerciante, nesta semana, traduziu com precisão esse cenário.

E o que é mais grave, tal situação parece não preocupar o Poder Público, cuja ação mais visível é estimular a produção de soja, sem medir as consequências. A tomada violenta das terras de agricultores em São Benedito do Rio Preto, numa ação praticada por empresas ligadas ao Agro, retratou o conflito entre os tratores do Agro e pequenas comunidades encontradas no seu caminho.

Que a poesia de Gonçalves Dias ilumine os caxienses.

PONTO & CONTRAPONTO

UFMA: Fernando Carvalho vence a consulta e deve ser nomeado reitor por Lula

Fernando Carvalho lidera a lista seguido por
Luciano Façanha e Isabel Ibarra e deve ser
nomeado reitor da UFMA

Se confirmadas as previsões feitas ontem, o professor Fernando Carvalho será o sucessor do professor Natalino Salgado no comando da Universidade Federal do Maranhão (UFMA). Ele foi o mais votado (43,52%) dos quatro candidatos que se submeteram ao crivo de professores, servidores e estudantes da instituição. Em segundo lugar ficou o professor Luciano Façanha (36,38%), e em terceiro a professora Isabel Ibarra (15,78%). Nos bastidores da UFMA, corre a certeza de que o presidente Lula da Silva nomeará Fernando Carvalho para assumir o comando da UFMA em novembro, quando termina o quarto mandato do reitor Natalino Salgado.

Apoiado pelo reitor Natalino Salgado, Fernando Carvalho deve ser nomeado pelo presidente Lula da Silva. Essa expectativa se baseia no suposto compromisso de por ele assumido com entidades universitárias no sentido de nomear o mais votado em casos de lista tríplice. Essa informação circulou durante a campanha eleitoral e não foi desmentida por nenhum candidato.

Partidários de Luciano Façanha e de Isabel Ibarra tentarão pressionar para que o presidente da República não cumpra esse suposto compromisso, mas a impressão dominante é a de que o primeiro colocado será nomeado.

O mesmo deve acontecer com o vice-reitor, cuja lista tríplice eleita pela comunidade universitária é a seguinte: Leonardo Soares em primeiro com 29% dos votos, seguido de Zefinha Bentivi com 25,5% e de Ridvan Fernandes, com 13,42%.

Antes de serem encaminhadas ao Ministério da Educação, as listas terão de ser oficializadas pelo Conselho Universitário da UFMA.

Grupo do PL maranhense não dá importância à punição por ter votado com Governo

Josimar de Maranhãozinho e Detinha não
vão dar importância à punição no PL

O deputado federal Josimar de Maranhãozinho, que preside o PL no Maranhão, e os deputados Detinha, Júnior Lourenço e Pastor Gildenemyr, todos do partido hoje subordinado ao ex-presidente Jair Bolsonaro, não estão dando muita importância à decisão do presidente nacional do partido, Waldemar Costa Neto, de puni-los por terem eles construído uma relação com o Governo do presidente Lula da Silva (PT) e votado a favor da Reforma Tributária, contrariando a orientação da cúpula partidária. Os quatro foram suspensos por três meses de atuar nas comissões da Câmara Federal das quais são membros, não podendo também, nesse período, ocupar vagas de suplente em outras comissões.

Político independente e pragmático, o deputado Josimar de Maranhãozinho não deve se incomodar muito com a “punição”. Ele conhece as entranhas do PL, sabe o que acontece nos bastidores da legenda e, por tudo o que já se viu, não perde um minuto de sono por causa da irritação de Waldemar Costa Neto, e menos ainda por conta da ntent6ativa do ex-presidente Jair Bolsonaro de assumir o comando do partido. Já havia dito que não se intimidaria com as ameaças de alguns bolsonaristas que tentam dar as cartas na agremiação. Além disso, participar de comissão não á muito sua praia, nem dos seus aliados.

Ontem, uma fonte ligada à deputada Detinha previu que os quatro deputados do PL maranhense vão continuar convivendo com o Governo Lula, e que se o clima ficar ruim no partido, eles poderão recorrer à Justiça para deixar o partido sem o risco de perder mandato. Na visão dessa fonte, aconteça o que vier a acontecer, só o PL tem a perder, porque qualquer que venha a ser o desfecho dessa crise, Josimar de Maranhãozinho, Detinha, Júnior Lourenço e Pastor Gildenemyr não perderão apoio nas suas bases.

Faz todo sentido.

São Luís, 22 de Julho de 2023.

Mais de 28 mil votam hoje para escolher o novo reitor da UFMA

Fernando Carvalho, Luciano Façanha, Isabel Ibarra
e Wener Miranda: candidatos a reitor da UFMA

Um exército de 28.222 eleitores (1.920 professores, 1.576 servidores e 24.726 estudantes), espalhados em 12 centros, sendo quatro em São Luís e oito no interior, vão escolher hoje, por meio de votação eletrônica e remota, o reitor e o vice-reitor da Universidade Federal do Maranhão (UFMA). O processo eleitoral será iniciado impreterivelmente às 8 horas e encerrado às 22 horas. Os eleitores poderão votar de qualquer lugar do planeta por celular, tablete, notebook, etc., sem risco de fraude ou distorções. O resultado será anunciado minutos depois do encerramento da votação. São candidatos a reitor os professores Fernando Carvalho, Luciano Façanha, Isabel Ibarra e Wener Miranda. Os três mais votados para reitor e para vice-reitor integrarão listas tríplices das quais sairão o futuro dirigente da UFMA e seu substituto legal.

– Vamos realizar uma eleição extraordinária, por um sistema moderno, seguro, transparente e auditável, já usado em metade das universidades brasileiras, com sucesso e sem problemas, expressando a vontade de eleitores – declarou ontem o reitor Natalino Salgado, o grande comandante do processo, para quem o resultado da eleição, a ser anunciado antes da meia-noite, traduzirá fielmente as escolhas da comunidade universitária. O acompanhamento será feito pela Polícia Federal, que fica com a chave de acesso ao sistema durante a votação e a apuração.

Inicialmente marcada para o dia 14, tendo sido suspensa por decisão judicial, a eleição foi confirmada para esta sexta-feira (21) depois que o Reitoria contestou a ação que suspendeu parcialmente o processo eleitoral, sob a alegação de que a votação eletrônica e remota contrariaria a natureza do processo de escolha da comunidade universitária. A demonstração da segurança e da eficiência do sistema eleitoral, já usado com sucesso em dezenas de universidades, inclusive na própria UFMA para a eleição de diretores de Centro, chefes de Departamento e coordenadores de mais de 90 Cursos, levou a Justiça a reverter a suspensão e autorizar a realização do pleito nesta sexta-feira.

Prognósticos informais feitos por grupos partidários de candidatos indicam que o favorito para encabeçar a lista tríplice é o professor Fernando Carvalho (atual pró-reitor de Pesquisa e Pós-Graduação), que tem o aval do reitor Natalino Salgado, tem no currículo uma lista expressiva de serviços prestados à UFMA, como professor e como administrador e aparece na bolsa de apostas como o mais votado. O professor Luciano Façanha (atual diretor do Centro de Ciências Humanas), que tem o apoio da Apruma e foi o autor do pedido de suspensão do pleito, é também apontado como um candidato forte. Os professores Isabel Ibarra (ex-pró-reitora de Ensino) e Wener Miranda (ex-superintendente de Infraestrutura) não têm o lastro político dos dois, devem disputar a terceira colocação, sendo que ela, professora de origem cubana, tem mais chance de entrar na lista.

Em campanha aberta há semanas, partidários dos quatro candidatos a reitor agitarão hoje os centros da UFMA em São Luís, Imperatriz, Balsas, Bacabal, Codó, Chapadinha, Grajaú, São Bernardo e Pinheiro.  

Pela regra, a lista com os três mais votados será encaminhada ao Ministério da Educação, que a submeterá ao presidente da República, a quem cabe a palavra final. O presidente Lula da Silva teria assumido o compromisso com entidades representativas dos professores, estudantes e servidores de, mesmo tendo a prerrogativa de escolher um dos três, nomeará o mais votado.

No processo de escolha dos dirigentes da UFMA não existe chapa formada. Assim como o reitor, o vice-reitor é escolhido de maneira independente, sendo que os três mais votados formarão lista também a ser encaminhada ao MEC e ao presidente da República, que pode escolher um deles. Para o cargo de vice-reitor, os candidatos são Benedito Viana, Dimas Ribeiro, Josefa Bentivi, Leonardo Soares, Marcelino Filho, Maria do Carmo Barbosa e Ridvan Fernandes.

PONTO & CONTRAPONTO

PSDB prepara festa de filiação para avisar que voltou ao jogo político no Maranhão

Sebastião Madeira:
resistência salvou ninho

O comando estadual do PSDB está em contagem regressiva para o grande evento que o partido realizará no dia 4 de agosto com a filiação do presidente da Câmara Municipal de São Luís, vereador Paulo Victor e outras lideranças da Ilha e do continente. Com o ato de filiações, o tucanato maranhense pretende matar dois coelhos com uma só cajadada.

O primeiro coelho é o fortalecimento do partido, que está renascendo das cinzas, depois de passar anos e anos submetido a comandos desastrados que só contribuíram para o emagrecimento da legenda, que quase desapareceu no Maranhão, sendo mantida apenas pela obstinada resistência do líder tocantino Sebastião Madeira, ex-prefeito de Imperatriz e atual chefe da Casa Civil e um dos principais articuladores núcleo de ferro do Governo Carlos Brandão.

O segundo coelho é reforçar os quadros da agremiação e dar uma demonstração inequívoca de que o PSDB renasceu de fato e está de volta ao tabuleiro político do Maranhão. Se não numa posição de proa, mas numa situação em que deve ampliar seu espaço na base de apoio do governador Carlos Brandão.

Roberto Rocha vai ao evento do Novo e deve voltar à cena política

Roberto Rocha, Lahesio Bonfim, Leonardo
Arruda e Felipe D`Ávila no jantar do Novo

Abalado por sucessivas derrotas políticas e eleitorais e por tragédias familiares – perdeu há meses o filho mais velho e há duas semanas o irmão mais velho – o ex-senador Roberto Rocha reapareceu, na noite de quarta-feira, no jantar organizado pelo braço maranhense do Novo em torno do idealizador do partido e ex-candidato a presidente da República, o cientista político Felipe D`Ávila, que falou para empresários a respeito do processo de desenvolvimento da região.

A presença dele no evento do Novo provocou rumores de que o ex-senador Roberto Rocha vai continuar atuando politicamente e pretende disputar votos. Ainda não se sabe se o ex-senador continuará no PTB, partido criado por Getúlio Vargas, ao qual foram filiados Leonel Brizola e João Goulart, mas que nos últimos anos, sob a presidência do ex-deputado federal Roberto Jefferson, se transformou no mais retrógrado nicho da direita radical e extremista.

Não será surpresa se, após superar as provações, o ex-senador Roberto Rocha retorne à cena política defendendo os argumentos ideológicos da direita, como fez durante o Governo Jair Bolsonaro, agora numa plataforma partidária também de direita, mas com viés democrático, como é o caso do Novo.

São Luís, 21 de Julho de 2023.

Indicado pelo PP, André Fufuca deve ser nomeado ministro pelo presidente Lula

André Fufuca pode ser nomeado ministro
por Lula da Silva a qualquer momento

Se não houver um entrave de última hora, como é comum acontecer em política, o deputado federal André Fufuca (PP) será um dos ministros do Governo do presidente Lula da Silva (PT). Iniciada há algum tempo, a costura com esse objetivo está nos pontos finais e pode ser concluída nas próximas horas pelo presidente da República, a quem cabe a palavra final sobre os acordos partidários para o fortalecimento da sua base na Câmara Federal. Ontem, os bem informados comentaristas dos programas de TV por assinatura deram como certo o iminente desembarque do parlamentar na Esplanada dos Ministérios, embora não tenha sido definida ainda a pasta que será por ele comandada em nome do PP. A certeza que circulou nesta quarta-feira em Brasília sobre o assunto reforçou a imagem do seu encontro com o ministro de Relações Institucionais, Alexandre Padilha, o principal negociador do Palácio do Planalto.

O quase certo ingresso do deputado André Fufuca tem dois vieses, um partidário e um pessoal. O viés partidário revela a decisão do PP de fazer parte da base governista, garantindo o seu apoio às matérias propostas pelo Governo Lula da Silva, contrariando inclusive o que pensa o presidente do partido, o senador piauiense Ciro Nogueira, que foi ministro-chefe da Casa Civil do Governo Jair Bolsonaro (PL), e que continua atacando o atual Governo. O grande fiador dessa mudança de posição do PP é o presidente da Câmara Federal, deputado Arthur Lira (AL), que tem no deputado André Fufuca um dos seus principais aliados nas articulações que ocorrem nos bastidores do Congresso Nacional.

No campo pessoal, a virtual nomeação do deputado André Fufuca para a equipe ministerial do presidente Lula da Silva é quase que o desdobramento natural de uma grande articulação na qual ele esteve ao centro. Junto com Arthur Lira, que o tem como uma espécie de braço direito, e com o aval de Ciro Nogueira, que o considera “como um filho”, o deputado André Fufuca foi desde o início escalado para ser um dos negociadores do PP com o Governo Lula da Silva. E atuou na condição de líder da bancada do PP na Câmara Federal, posição que tem lhe dado vasto poder de fogo como articulador. Teve, por exemplo, papel ativo na posição do partido na votação da Reforma Tributária e vem trabalhando intensamente pela aprovação do arcabouço que vai produzir o eixo fiscal do Governo do PT.

Nos nove anos em que atua na Câmara Federal, sete dos quais como membro do PP, o deputado André Fufuca aprendeu todos os caminhos e todas as regras para um desempenho parlamentar e político no imenso cipoal de interesses e diferenças que é o Congresso Nacional. Não é sem razão que ainda no primeiro mandato presidiu a CPI da Prótese, presidiu a Câmara Federal, presidiu nacionalmente o PP e hoje lidera a influente bancada do partido na Casa. Tudo isso sem expor excessivamente e sem entrar em bola dividida. Todos os degraus que alcançou foram resultado de um faro político excepcional e de um raro talento para articular nos bastidores.

Sua escalação para representar o PP no ministério é o desdobramento previsível de uma atuação política madura, que o colocou na cúpula do seu partido, no colégio de líderes e no alto clero da Câmara Federal. Em conversa com jornalistas, o ministro Alexandre Padilha declarou estar satisfeito com perfil do futuro ministro, deixando no ar a impressão de que é esse também o sentimento do presidente Lula da Silva, com quem o parlamentar esteve antes do embarque para a Europa. No encontro, do qual participou na condição de líder de bancada, o presidente teria manifestado simpatia pela postura política do congressista maranhense, que representa a banda mais lúcida do Centrão.

É nesse contexto que todos os ventos sopram a favor do deputado André Fufuca.

PONTO & CONTRAPONTO

Migração de Paulo Victor para o PSDB vai fragilizar o PCdoB em São Luís

Paulo Victor trocou
o PCdoB pelo PSDB

A confirmação do vereador Paulo Victor, presidente da Câmara Municipal de São Luís, ao PSDB, que será sacramentada no dia 4 de agosto, será uma pancada forte no PCdoB, podendo desencadear uma debandada no partido na Capital. Pré-candidato à Prefeitura de São Luís, Paulo Victor muito provavelmente levará outros quadros do velho e honrado “Partidão” para o ninho dos tucanos, que ganha novo ânimo depois de quase desaparecer sob a “liderança” do empresário Inácio Melo.

O chefe do parlamento ludovicense dá todas as indicações de que não está nesse barco para uma mera aventura ou para figurar como candidato a prefeito em busca de alguma notoriedade. Sua movimentação indica claramente que seu projeto é consistente e seu objetivo está definido: a cadeira principal do Palácio de la Ravardière. E tem consciência de que o PCdoB, por conta de acordos já amarrados, dificilmente lhe daria a vaga de candidato.

É cedo ainda para se medir o estrago que a saída do vereador Paulo Victor fará nas fileiras do PCdoB. Mas no meio político a expectativa é a de que depois da tucanização do presidente da Câmara Municipal o “Partidão” não será o mesmo em São Luís.

Novo traz D`Ávila a São Luís em busca de quadros para se firmar no Maranhão

Felipe D`Ávila tenta fortalecer o Novo

O partido Novo, que prega e defende com intransigência o ideário liberal ortodoxo e os ideais da direita dita civilizada, está se esforçando para fincar algumas estacas no tabuleiro da política do Maranhão. Ontem, por iniciativa do presidente regional, Leonardo Arruda, o Novo trouxe a São Luís o cientista político Felipe D`Ávila, um dos seus idealizadores e que foi o seu candidato na disputa para a presidência da República em 2022.

O programa da visita de Felipe D`Ávila: um jantar fechado com um grupo seleto de empresários, durante o qual o ex-candidato a presidente falaria sobre a visão do Novo a respeito do processo de desenvolvimento do Maranhão. E o motivo do Novo é claro: seduzir figuras da elite empresarial para reforçar as suas ainda inexpressivas fileiras no estado.

O primeiro passo do partido nessa direção foi dado em março, quando trouxe a São Luís o seu quadro mais importante: Romeu Zema, governador de Minas Gerais, que veio fazer política e abrir caminho para o seu projeto de disputar a Presidência da República em 2026.

O Novo é um partido que foi pensado para atrair as forças de uma vertente mais civilizada da direita, liberal na economia e cujas ideias se baseiam no capitalismo visto pela esquerda como “selvagem”. É conservador nos costumes, mas ciente de que a terra é redonda e faz parte do sistema solar, diferentemente do terraplanismo negacionista pregado pela direita radical identificada com a visão política do bolsonarismo.

No Maranhão, até agora o passo mais importante do Novo foi a filiação do médico Lahesio Bonfim, ex-prefeito de São Pedro dos Crentes como o seu quadro de proa, apostando na possibilidade – que muitos garantem não existir – de ele, que foi segundo na disputa pelo Governo do Estrado em 2022, vir a ser candidato à Prefeitura de São Luís no ano que vem.

São Luís, 20 de Julho de 2021.

São Luís: Duarte Jr. inicia cruzada para consolidar sua candidatura na base governista

Duarte Jr. se movimenta autorizado pela cúpula do PSB, presidido por Carlos Siqueira,
que tem como vice o deputado pernambucano Pedro Campos

O deputado federal Duarte Jr. (PSB) aproveita o recesso parlamentar para colocar em prática uma ofensiva no sentido de mobilizar os partidos da base governista em torno do seu projeto de candidatura à Prefeitura de São Luís no pleito do ano que vem. Ele trabalha para consolidar a posição de principal adversário do prefeito Eduardo Braide (PSD), que apareceu na liderança em todas as pesquisas realizadas até aqui. Segundo colocado nesses levantamentos, o parlamentar socialista trabalha para se tornar o nome do seu partido na corrida, contando também com o apoio do PCdoB, do PT e do PV, que formam atualmente o núcleo mais sólido desse grupo. Para ser confirmado como candidato dessa aliança, o deputado Duarte Jr. precisa contar com o aval do governador Carlos Brandão e do ministro Flávio Dino (Justiça e Segurança Pública), do deputado federal Márcio Jerry, presidente regional do PCdoB, e das cúpulas estadual e municipal do PT, que inclui o vice-governador Felipe Camarão.

Nesse jogo complexo, que envolve uma gama de interesses, Duarte Jr. entra com três trunfos importantes, que podem ser decisivos. O primeiro é a sua posição de segundo colocado nas pesquisas até aqui, que o apontam como o nome mais viável da base governista para enfrentar o prefeito Eduardo Braide. O segundo é o aval declarado da cúpula nacional do PSB ao seu projeto de candidatura, já manifestado várias vezes pelo presidente da legenda, Carlos Siqueira. E o terceiro é o apoio aberto e aguerrido que ele ver dando ao Governo do presidente Lula da Silva na Câmara Federal, que o tornou um aliado combativo e confiável aos olhos do Palácio do Planalto, inclusive pelo fato de ser alinhado ao ministro Flávio Dino.

O maior desafio do deputado Duarte Jr. será obter as bênçãos do Palácio dos Leões à sua candidatura. Ali, mesmo pertencendo ao seu partido, o PSB, o governador Carlos Brandão tem evitado se manifestar sobre o assunto, por julgar ainda cedo, mas também para dar tempo a que outros aliados tentem viabilizar as suas pré-candidatura. (É o caso do presidente da Câmara Municipal, vereador Paulo Victor, pré-candidato assumido e que está deixando o PCdoB para desembarcar no PSDB, pelo qual pretende medir forças nas urnas). Duarte Jr. sabe que, mesmo alimentando boas relações com o governador Carlos Brandão, sua candidatura no PSB precisa ser trabalhada com muito cuidado. Até porque, vale registrar que, em que pesem alguns movimentos indicativos de simpatia pelo projeto de candidatura do vereador Paulo Victor, o governador Carlos Brandão tem deixado claro que a escolha do candidato é um assunto para primeiras semanas do ano que vem.

Baseado nos números das pesquisas e determinado a enfrentar o prefeito Eduardo Braide, apostando que pode reverter o desfecho da disputa de 2020, quando foi vencido pelo prefeito no embate do segundo turno, o deputado Duarte Jr. tem dito e repetido que sua candidatura ao Palácio de la Ravardière é irreversível. E mais: tem manifestado a crença de que vai conseguir unir as forças da aliança governista em torno do seu projeto der candidatura. Sua ofensiva agora é fruto dessa convicção, tendo como objetivo de não deixar o seu projeto de candidatura cair no marasmo. Ele sabe que, de um lado, mesmo aparentemente distante, o prefeito Eduardo Braide está trabalhando duro para consolidar o seu projeto de reeleição, tornando-se um adversário muito difícil de ser batido.

Duarte Jr. tem ciência de que seu projeto é viável, mas que essa viabilidade é uma caminhada difícil, pois além do prefeito Eduardo Braide, outros adversários precisam enfrentados no campo eminentemente político: o vereador-presidente Paulo Victor, o ex-prefeito Edivaldo Holanda Jr. (sem partido), o deputado estadual Neto Evangelista (União Brasil), e o seu colega de partido, deputado estadual Carlos Lula (PSB), um nome que começa a ganhar peso na seara política propriamente dita.

PONTO & CONTRAPONTO

Consulta é adiada e candidatos a reitor da UFMA ganham mais tempo de campanha

Fernando Carvalho, Luciano Façanha, Isabel Ibarra
e Wener Miranda tentam a Reitoria da UFMA

A suspensão, por decisão judicial, da consulta por meio da qual a comunidade acadêmica – professores, estudantes e servidores – escolheriam hoje, pelo voto direto e secreto, mas remoto, os três nomes da lista com base na qual o presidente Lula da Silva nomeará o novo reitor da Universidade Federal do Maranhão deu nova oportunidade aos candidatos à sucessão do reitor Natalino Salgado. Se não houver nenhum entrave, a consulta será realizada no dia 21, quinta-feira.

Os candidatos Fernando Carvalho (atual pró-reitor de Pesquisa e Pós-Graduação), Luciano Façanha (atual diretor do Centro de Ciências Humanas), Isabel Ibarra (ex-pró-reitora de Ensino) e Wener Miranda (ex-superintendente de Infraestrutura) têm agora até o dia 20 para alimentar as suas campanhas. Pela regra, os três mais votados formam a lista que será encaminhada ao Ministério da Educação, que a submeterá ao presidente da República, a quem cabe a palavra final. Lula da Silva nomeará um dos três, independentemente da votação que recebeu.

Nos bastidores, corre que, se entrarem na lista tríplice, Fernando Carvalho e Luciano Façanha são os dois com maiores chances de virem a o escolhido pelo MEC e chancelado pelo Palácio do Planalto. As mesmas avaliações sugerem que o candidato com menos chance é Wener Miranda (diretor de Infraestrutura), identificado como representante da direita conservadora no pleito.

Braide vai decidir seu futuro no PSD

Eduardo Braide vai conversar com cúpula do
PSD sobre sua relação com Eliziane Gama

O prefeito Eduardo Braide estaria se preparando para ter uma conversa definitiva com o comando nacional do PSD sobre a situação do partido no Maranhão, especialmente em São Luís. Na verdade, o foco da sua conversa será a posição da senadora Eliziane Gama, que milita na aliança que dá sustentação ao atual Governo do Estado, não tendo, pelo menos à primeira vista, interesse em apoiar o seu projeto de eleição. Trata-se de um nó górdio, muito difícil de desatar, uma vez que, em princípio, os interesses do prefeito e da senadora nessa corrida eleitoral são inconciliáveis.

Conhecedor profundo da crena política em sua ele próprio atua, o prefeito Eduardo Braide sabe, e compreende, que será muito difícil para a senadora Eliziane Gama declarar apoio à sua candidatura e focar na contramão do grupo ao qual é ligada. Ao mesmo tempo, não há hipótese de o prefeito aceitar o fato de que uma senadora do seu partido se posicione por outra candidatura ou se omita na corrida à Prefeitura de São Luís na qual ele concorre à reeleição.

Ao mesmo tempo em que se trata de uma situação complexa, a pendência no PSD tem três desfechos possíveis: primeiro: Eduardo Braide e Eliziane Gama vão para a luta juntos; segundo: Eduardo Braide deixa a agremiação; e terceiro: Eliziane Gama deixa a legenda, deixando caminho livre para o prefeito.

Não há outra equação possível fora desse contexto.

São Luís, 18 de Julho de 2023.   

Em “Mistérios de uma Cidade Invisível”, Lourival Serejo revela-se um cronista afinado com seu tempo

Exemplar de “Mistérios de uma Cidade Invisível” e
seu autor, o cronista Lourival Serejo

Massaud Moisés, no seu prestigiado “Dicionário de Termos Literários”, define crônica como uma modalidade literária imprecisa, “sujeita ao transitório e à leveza do Jornalismo”, e um “lugar geográfico entre a poesia e o conto”, concentrada num acontecimento diário que tenha chamado a atenção do autor. Crônica, portanto, não tem medida e estrutura amarrada, não sendo também monopólio de ninguém. Daí ser comum um jornalista cronista, como também um cronista saído de outros campos do conhecimento, como, por exemplo, das rígidas e circunspectas fileiras da magistratura. Em todos os vieses que alcança, a crônica mostra, por exemplo, que é possível um juiz de carreira, com sólida formação em juridiquês, usar as palavras para se comunicar com o mundo pela via da leveza. E às vezes com talento para comentar temas os mais diversos num padrão de linguagem simples, direta, sem rebuscamento nem vulgaridade. Foi o que alcançou o desembargador Lourival Serejo nas 90 crônicas do seu “Mistérios de uma Cidade Invisível” – Edições AML 2019.

Existem cronistas geniais que se “escondem”, dizem o que querem sobre fatos e personagens, falando ou não em primeira pessoa, sem entrar na trama, caso de José Chagas e José Weverton Neto. Há cronistas, igualmente talentosos, que, num outro extremo, se expõem quase que como personagem central do assunto, ainda que sejam apenas o narrador-comentarista do acontecimento, como fizerem Oliveira Ramos e Ubiratan Teixeira. Existem, enfim, cronistas que via de regra são parte do tema abordado, mas evoluem na abordagem de modo a não prejudicar o protagonismo de terceiros, a exemplo de Nonato Masson e Humberto de Campos. O cronista Lourival Serejo se enquadra com precisão no último caso.

Em “Mistérios de uma Cidade Invisível” ele é o cronista perfeitamente situado no seu tempo, que se informa de tudo o que acontece de relevante em São Luís, no Maranhão, no Brasil e no mundo. E trata com a mesma preocupação, destrinchando causas e efeitos, um episódio de violência por questões agrárias no interior do estado, e uma manifestação de estudantes nas ruas de Paris por mais liberdade e contra a corrupção nas instituições francesas. Os temas que submete ao seu crivo analítico vão desde as grandes questões e fatos do seu tempo – que começa para valer nos anos 50 -, como as distorções da política, o desprezo à ética, os crimes da corrupção, os ataques à democracia, as liberdades civis, o alcance da religião, o rigor da sua fé católica, a paixão pelo livro e pela música, o apreço por hobbies como a filatelia, as suas memórias da infância em Viana, o carnaval daquele tempo, a carta anônima e uma adoração por São Luís, a cidade da sua adolescência e da sua maturidade que, além de muita história, guarda mistérios invisíveis, que no seu entendimento, só os poetas são capazes de perceber.

Nesse fascinante universo temático, no qual se misturam crueza e poesia, Lourival Serejo vai da indignação, passando pela satisfação, a um flerte com a intolerância. Quando os temas são a ética e a verdade, ele não faz concessões: é o magistrado implacável, que decide na letra da lei, ainda que às vezes criticando-a. Quando fala em política, mostra sua formação democrática, convicto de que a democracia mantida pelo voto ainda é a garantia de uma sociedade livre e aberta, revelando também, em pinceladas, que chegou a essa compreensão depois de haver flertado com visões avançadas no campo da esquerda. E se o tema em foco é religião, o cronista Lourival Serejo exibe toda a sua fidelidade aos postulados da Igreja Católica Romana, que atualiza estudando as bulas papais. Mas é como católico que se mostra conservador ao ponto de confrontar abertamente uma ONG gaúcha que entrou na Justiça contra o uso de crucifixo em sala de julgamento, um espaço público, alegando que o estado brasileiro é laico. Lourival Serejo critica a iniciativa com o insustentável argumento segundo o qual, mais do que um ícone religioso, o crucifixo é visto na cultura ocidental como um símbolo da ética e da justiça.

Com exceção da 90ª, intitulada “Crônica sem assunto”, esta reveladora do pendor literário do cronista, todas as demais de “Mistérios de uma Cidade Invisível” registram situações, atos, fatos e casos e que podem ser vistos como o retrato de um momento. Não sem razão a crônica de abertura é “Agora é a vez da ágora”, na qual registra a indignação de estudantes e jovens franceses inspirados no livro “Indignai-vos”, lançado pelo pensador Stéphane Hessel, aos 93 anos, que num trecho diz o seguinte: “A pior das atitudes é a indiferença”. Ao mesmo em que relata as agruras dos moradores da Casa do Estudante Universitários, na Rua de São Pantaleão, com as dificuldades para sobreviver sem dinheiro e com os assédios dos esbirros da ditadura, que viam na morada um ninho de “comunistas”, ele recorda os estragos da Guerra do Vietnã, lembra que ouviu os Beatles e Pink Floyd. E recorda que além de política, os residentes também falavam de poesia, principalmente, quando a Casa recebia a visita do então jovem poeta Valdelino Cécio, que viria a ser um dos maiores agitadores culturais de São Luís.  Registra que visitou Nova Iorque e Havana, e fez clara opção pela capital cubana, sem desmerecer o fascínio nova-iorquino. Quando falou da ditadura militar, concluiu apontando a mediocridade e a paranoia do regime de força, também por ele acusado de haver assassinado culturalmente toda uma geração. Nesse sentido, Lourival Serejo se mostra um intelectual engajado, com uma vasta compreensão dos avanços da História e da cultura e com uma visão coerente sobre o mundo atual.

Num outro plano, o cronista revela uma paixão incontida por São Luís. Ela vem à tona nos registros de sua chegada, vindo de Viana, outra paixão incontida, e da vida que levou para concluir seus estudos e alcançar a universidade, o que conseguiu. Em diferentes textos, o magistrado que se tornou imortal, fala da São Luís dos anos 60 e 70 como uma cidade mágica, encantadora, que tinha a Praça João Lisboa como seu coração pulsante e onde as pessoas se encontravam, se cumprimentavam, formavam rodas de conversa e discutiam política a futebol. Ao longo do tempo, ao penetrar nas reentrâncias da cidade, nos seus segredos e nos seus mistérios, cujas pistas encontrou na história e na literatura, o cronista Lourival Serejo se deu conta de que nas entranhas dos casarões e no lastro das pedras de cantaria existe uma cidade invisível, só percebida pelos poetas que foram fundo na tentativa de compreendê-la.

Na crônica “Mistérios de uma Cidade Invisível”, ponto alto do livro, numa busca refinada e apurada por respostas, Lourival Serejo foi atrás dos mistérios da São Luís invisível nos versos dos poetas que até aqui cantaram melhor e mais profundamente a cidade que, tem certeza, existe, mas não se mostra. Garimpou e encontrou pistas em Ferreira Gullar (“Estou rodeado de mortos./Defuntos caminham comigo na saída do cinema./São Muitos,/sinto a presença viva das magnólias/queimando o seu próprio aroma), em Luiz Augusto Cassas (“Talvez encontreis por aqui:/ os pastéis do Moto Bar; a avareza do Serafim; a visão tridimensional de Zuzu Nahuz; a nota estridente [na alma] do pistom do cego João; as grossas sobrancelhas de Rubem Almeida; a ressaca de Erasmo no abrigo), em Nauro Machado (“Todas as noites, por toda a cidade/ouve um ribombar de fim-de-mundo…”), em Bandeira Tribuzi (“Quem conhece as noites de lua/ e o mistério que ocultam vário,/ já divisou como no espelho da cidade o passado é claro…”), em Manoel Lopes (“Os que te viram/ estão além das tuas torres e dos oitões/ batidos de sóis e de luares…”) e em José Chagas (“Os mirantes todos têm um segredo/que não chega aos ouvidos de ninguém” e ainda “O eco das paredes traz ainda longínquas vozes imemoriais”). E fecha a crônica maior do livro afirmando que, depois de ouvir os poetas, não tem mais dúvidas de que existe outra São Luís.

Longe do esmero e da linguagem rebuscada, mas sem nada a dever a grandes cronistas maranhenses, Lourival Serejo é um cronista de proa, e seu “Mistérios de uma Cidade Invisível” é uma coletânea para ser lida por quem quer compreender o nosso tempo.

Em Tempo: A bela capa de “Mistérios de uma Cidade Invisível” foi concebida pelo artista gráfico Eduardo Salles com base numa obra do genial artista plástico maranhense Jesus Santos.

São Luís, 14 de Julho de 2023.

Dino volta a ser apontado para vaga no Supremo, mas decisão de Lula será difícil

Flávio Dino volta a ser alvo de especulações sobre vaga no Supremo Tribunal Federal

Em meio à calmaria que começa a tomar conta de Brasília por causa do recesso do Congresso Nacional, as bolsas de especulação já passam a funcionar a todo vapor no Planalto Central. E nesse ambiente, o ministro Flávio Dino, da Justiça e Segurança Pública, embalado pela estatura política que alcançou dentro e fora do Governo, voltou a ser alvo de uma especulação já surrada, mas que agora ganha mais força à medida que o seu desfecho se aproxima. Nesse momento, ele está sendo apontado como o nome mais forte para a vaga que será aberta no Supremo Tribunal Federal (STF) com a aposentadoria da ministra Rosa Weber, em outubro. As equações que envolvem seu nome vão desde o reconhecimento do seu indiscutível preparo jurídico para o cargo de ministro do STF até suposta torcida por parte de presidenciáveis petistas que já o estariam vendo como nome forte no tabuleiro da sucessão do presidente Lula da Silva (PT), em 2026. O disse-não-disse sobre o assunto, que invadiu gabinetes e redações na Capital da República e ganhou todos os canais da mídia eletrônica, levou Flávio Dino a mandar um recado curto e seco sobre o assunto: “Não existe nada sobre isso!”

Por mais enfática que tenha sido sua reação à ciranda especulativa quanto ao seu futuro imediato, o ministro Flávio Dino sabe que ela só será intensificada até o momento em que o presidente Lula da Silva anunciar sua escolha. E que, por mais que ele diga e haja em sentido contrário, muitos o veem “em campanha” para a vaga a ser aberta por Rosa Weber. Quem conhece os meandros de Brasília e as reentrâncias políticas que levam ao Palácio do Planalto avalia que, pelas razões que são óbvias, o presidente Lula da Silva simpatiza com a ideia de nomear Flávio Dino para a Suprema Corte. Mas escolhê-lo e indica-lo é outra história, muito diferente, embora essa seja uma hipótese que não dá ainda para descartar.

Para começar, até onde é sabido, o presidente Lula da Silva está plenamente satisfeito com o desempenho do senador maranhense licenciado (PSB) no Ministério da Justiça e Segurança Pública. Tirá-lo agora da pasta quebraria um roteiro montado no final do ano passado e colocado em prática em janeiro, que inclui enormes desafios, como o propósito de despolitizar a Polícia Federal e a Polícia Rodoviária Federal, impor um controle rígido à circulação de armas no País, colocar as plataformas digitais nos eixos, dá combate eficiente ao garimpo ilegal e ao tráfico de ouro, e avançar no já deflagrado programa de apoio aos estados na área de segurança pública, para citar alguns exemplos. É unânime nas bases governistas e fora delas, a avaliação de que o presidente da República teria dificuldade para encontrar um substituto à altura do senador maranhense.

Da mesma maneira, o presidente Lula da Silva perderia o auxiliar politicamente mais combativo no enfrentamento à banda mais extremada e radical da oposição bolsonarista, que acusa o golpe todas as vezes em que confronta o atual ministro da Justiça e Segurança Pública. Flávio Dino enquadrou essa fatia do Congresso Nacional nas audiências às quais compareceu na Câmara Federal e no Senado, mostrando ao País a inconsistência dessa falange parlamentar com manifestações verbais fulminantes e decisivas. E nessa seara, o ministro da Justiça e Segurança Pública tem sido ativo, dando a resposta política mais acertada a cada ataque falangista. Poucos membros do Governo têm atuação política tão intensa. E isso é argumento suficiente para o presidente levar em conta se Flávio Dino estiver no seu plano a vaga do Supremo.

Não será uma decisão fácil, se o presidente da República estiver avaliando a possibilidade de nomear o ministro Flávio Dino para Suprema Corte.

PONTO & CONTRAPONTO

Edivaldo Jr. vai entrar no Podemos disposto a disputar de novo a Prefeitura de São Luís

Edivaldo Jr. resolve
pendência partidária

Se vier, de fato, assinar a ficha de filiação no Podemos, como previu o presidente regional do partido, deputado federal Fábio Macedo, ao jornalista John Cutrim, o ex-prefeito Edivaldo Holanda Jr. reunirá as condições formais para ser candidato a um terceiro mandato na Prefeitura de São Luís.

O presidente do Podemos disse que as negociações estão cerca de “90 por cento” concluídas E como a resposta de Fábio Macedo foi dada na quarta-feira, pode ser que o acordo já tenha sido fechado.

Refeito do tropeço monumental que sofreu em 2022, quando teimou em candidatar-se ao Governo do Estado, Edivaldo Holanda Jr. voltou à cena política há três semanas, quando apareceu em terceiro lugar numa pesquisa liderada pelo prefeito Eduardo Braide (PSD), tendo em segundo o deputado federal Duarte Jr.. Em seguida participou de uma festa na residência do deputado licenciado Othelino Neto (PCdoB), atual secretário-representante do Governo do Estado em Brasília. Agora, a informação é a de que ele está ingressando no Podemos.

Se formalizar seu ingresso no Podemos, dificilmente deixará de ser candidato a prefeito, pois aposta que os oito anos que passou no cargo lhe deram força política eleitoral para ser “o cara” nessa corrida.

Há quem pense diferente, mas em política as coisas costumam surpreender.

Brandão vai decidir sobre o futuro das escolas cívico-militares, detonadas por Lula

Carlos Brandão vai decidir o futuro dos colégios militares

Está nas mãos do governador Carlos Brandão (PSB) a decisão de manter ou não as escolas cívico-militares em funcionamento no Maranhão, depois que o presidente Lula da Silva (PT) anunciou o fim do programa cívico-militar que vinha sendo bancado pelo Governo Federal.

O Palácio dos Leões ainda não se manifestou a respeito do assunto, mas fontes do Governo andaram sugerindo que os colégios militares serão mantidos. O que será mandado para o espaço serão as escolas cívico-militares cujo programa tem natureza doutrinadora, implantado pelo Governo passado.

Os colégios militares, que têm outra natureza, continuarão como sempre o foram: mantidos pelo Governo do Estado.

São Luís, 14 de Julho de 2023.

Atual bancada federal garimpa recursos, mas também tem destaques no exercício parlamentar

Duarte Jr., André Fufuca, Rubens Jr., Márcio Jerry e Fábio Macedo: ação parlamentar

Numa perigosa distorção em relação ao real papel de um parlamentar, a esmagadora maioria do eleitorado passou a identificar como capaz e competente o deputado federal que consegue mais dinheiro de emendas para resolver pequenas carências, como um poço artesiano aqui, alguns quilômetros de estrada vicinal ali, ou uma pracinha num povoado remoto. Por conta dessa prerrogativa, que ganhou força imensa com o chamado “orçamento secreto”, o parlamentar combativo, que legisla, fiscaliza, denuncia, cobra, articula e debate temas complexos está perdendo terreno, embora seja ele o que realmente faz a diferença e alimenta razão de ser das Casas legislativas.

A atual bancada maranhense na Câmara Federal é mesclada nos dois vieses, sendo composta de deputados que têm se destacado pela capacidade de conseguir recursos para essas carências, sem, no entanto, exercer a atividade congressual na sua plenitude, e dos que, além de fazer essa garimpagem, se entregam ao pleno exercício legislativo e parlamentar.

Cinco exemplos de deputados que no primeiro semestre da nova legislatura se destacaram no exercício da atividade parlamentar propriamente dita: Duarte Jr. (PSB), André Fufuca (PP), Rubens Jr. (PT), Márcio Jerry (PCdoB) e Fábio Macedo (Podemos). Como todos, eles correram atrás de emendas, incursionaram nos ministérios em busca de recursos para aqui e para ali, mas além disso, legislaram, articularam, debateram e lideraram.

O deputado Duarte Jr. tem atuado intensamente nos diversos campos de ação da Câmara Federal. Atuou como legislador, inclusive integrando grupo com nomes destacados como Tabata Amaral (PDT-SP), entrou firme em debates ácidos como orador ousado, participou de articulações diversas em favor de matérias propostas pelo presidente Lula da Silva (PT). Duarte Jr. tem sido um dos destaques na CPMI dos Atos Golpistas, como inquiridor implacável, às vezes acusado de excesso pela banda bolsonarista da Comissão, mas sem recuar um milímetro da sua convicção de que houve uma tentativa de golpe. E tem feito indagações convicto de que tudo só será esclarecido com uma investigação sem melindres. Tem se destacado também pelo seu destemor.

No terceiro mandato federal, o deputado André Fufuca é o político por excelência. Em vez da tribuna e dos embates, ele é um especialista nas articulações nos bastidores. Tanto que já presidiu CPI (das próteses), já presidiu a Câmara Federal na condição de 1º vice-presidente, já presidiu o PP nacional – na ausência do senador Ciro Nogueira – e hoje é líder da bancada do PP, acionado para ser um dos interlocutores do partido com o Governo Federal, o que lhe tem permitido contato direto com o presidente Lula da Silva. Nos últimos dias, em meio a especulações sobre possíveis mudanças no ministério, seu nome passou a integrar uma lista de prováveis futuros ministros. É um dos integrantes do chamado “alto clero”. Provocado, ontem, pela Coluna, sobre as especulações ministeriais, o deputado André Fufuca respondeu como uma raposa tarimbada: “Não fui convidado”.

O deputado Ruben Jr. é considerado hoje um dos integrantes mais preparados e experientes da Câmara Federal. Tem sido relator de projetos importantes, participa das articulações para aprovação de matérias decisivas para o Governo Lula da Silva e está presente em todas as grandes discussões de temas complexos. Recentemente, a Câmara Federal aprovou projeto de lei de sua autoria, que prevê “a adoção da decisão mais favorável ao réu nos julgamentos em órgãos colegiados em que houver empate”, iniciativa elogiada por especialistas. Foi esse capital parlamentar, associado à sua experiência e ao seu senso de equilíbrio, que levou o comando nacional do PT a escalá-lo para coordenar a atuação dos deputados do partido na CPMI dos Atos Golpistas, na qual sua atuação tem sido firme e equilibrada.

Márcio Jerry é um deputado federal partidário no sentido de que atua como uma espécie de guardião das ideias mais autênticas da esquerda moderada. Atua como legislador, como orador contundente, como debatedor eficiente e como um dos esteios do Governo Lula da Silva na Câmara Federal. É, de longe, o quadro mais destacado do PCdoB, exercendo forte e decisiva influência sobre a bancada do partido. É um dos interlocutores informais do Governo com as alas mais moderadas do centro e da direita. Vez por outra, porém, trava duros embates verbais com os chefes bolsonaristas. É um debatedor duro e competente nas comissões. Atualmente, é o coordenador da bancada maranhense no Congresso Nacional.

Dono de uma carreira cheia de altos e baixos, por problemas pessoais, ao longo de dois mandatos de deputado estadual, o deputado federal Fábio Macedo surpreendeu ao chegar à Câmara Federal. Ainda deputado estadual, ele virou o jogo, conseguiu estabilidade e assumiu o comando do Podemos no Maranhão. Ao desembarcar em Brasília, a impressão de muitos era a de que ele se tornaria mais um entre os 513 membros da Câmara Federal. Mas aconteceu o inesperado: o Podemos o nomeou líder da bancada, e nessa condição, ele passou a liderar um bloco com mais de 30 deputados. Ou seja, de candidato a “mais um”, ele se tornou um dos integrantes do colégio de líderes, membro, portanto do “alto clero”, algo inimaginável até ele assumir o mandato, em fevereiro.

Vale registrar que a atual bancada maranhense na Câmara Federal é toda atuante. Tanto que dela saiu o atual ministro das Comunicações, Juscelino Filho (UB).

PONTO & CONTRPONTO

Surpresa inovadora, Coletivo Nós (PT) aprovou seis projetos de lei no semestre

Co-vereador Jhonatan Soares, do Coletivo Nós

Depois de surpreender com a eleição em 2020, o Coletivo Nós (PT), que ocupa uma cadeira de vereador e tem seis integrantes – os co-vereadores Delmar Matias, Eni Ribeiro, Eunice Chê, Flávia Almeida, Jhonatan Soares e Raimunda Oliveira – fez ontem mais um balanço positivo da sua intensa e politicamente saudável atuação na Câmara Municipal de São Luís.

Na prestação de contas, o co-vereador Jhonatan Soares destacou o Cursinho Coletivo, com 400 vagas, criado em parceria com a Secretaria de Estado de Educação para garantir a adolescentes, jovens e adultos de 10 bairros da periferia de São Luís, o acesso à universidade. “Sem sombra de dúvidas, uma das ações que mais nos orgulha”, disse o representante do Coletivo Nós.

O co-vereador Jhonatan Soares também mencionou ações do Coletivo Nós na área cultural, como a realização do Carnaval e agora estamos realizando o São João em diversos bairros, como Sacavém e Vila São Luís. O grupo contribuiu também com o Arraial da Paróquia Nossa Senhora da Boa Viagem, no Sítio dos Padres, e com os arraiais paroquiais no Filipinho, Cidade Operária e Cidade Olímpica.

E lembrou, em tom enfático, que o Coletivo Nós teve aprovados cinco projetos de Lei: “Tivemos a publicação de uma emenda à Lei Orgânica do Município, que proíbe o contingenciamento de recursos da Educação, Saúde, Assistência Social e da área de Criança e Adolescente. Conseguimos também a aprovação da lei que institui o Plano Municipal de Prevenção e Atendimento de Crianças e Adolescentes Vítimas ou Testemunhas de Violência. Finalmente, foi promulgada a lei que cria a Semana Municipal de Hip-hop e a lei que institui o Dia Municipal da Alimentação Escolar, a ser comemorado todo dia 21 de outubro. E, conseguimos a concessão de Utilidade Pública a Associação Desportiva Atletas do Futuro (ATLEF)”.

Jhonatan Soares fechou o balanço revelando que o Coletivo Nós investe na formação política de jovens, de modo a “promover o protagonismo, inclusive o protagonismo político, dos adolescentes e jovens das nossas comunidades. É importante travar esse debate com nossos adolescentes e jovens, ressaltando que o envolvimento com a política pública e partidária é necessário e positivo”.

É isso aí.

Antônio Pereira festeja aniversário de Imperatriz e realização da Expoimp

Antônio Pereira exalta Imperatriz e Expoimp

O deputado Antônio Pereira (PSB), o mais longevo e atuante representante da região Tocantina na Assembleia Legislativa, fez na terça-feira dois registros importantes em fala na tribuna.

No primeiro, iniciou antecipadamente as comemorações dos 171 anos de emancipação de Imperatriz, a serem completados no dia 16. A Princesa do Tocantins é o seu berço familiar, profissional – ele é médico – e político. No quinto mandato, o parlamentar milita em toda a região sul, mas o seu porto seguro é Imperatriz, hoje o segundo e mais importante município do Maranhão.

No segundo registro, Antônio Pereira falou com entusiasmo sobre a realização da 53ª edição da Expoimp, a maior feira agropecuária do Maranhão e uma das maiores da região que abrange o Norte e parte do Centro-Oeste. Para se ter ideia do peso do evento, os organizadores esperam nada menos que R$ 1 bilhão em negócios.

O parlamentar tem participação expressiva na vida da “segunda capital” e nas atividades que movem a feira.

São Luís, 13 de Julho de 2023.

Iracema Vale mostra os números do primeiro semestre da nova Assembleia Legislativa

Foto 1: Tendo ao lado Antônio Pereira, Iracema Vale apresenta o balanço das atividades da Assembleia Legislativa Foto 2: deputados em momento solene

Os números são robustos: 431 projetos de lei, sete projetos de lei complementar e 49 projetos de resolução discutidos e aprovados, e mais 2.875 indicações, 273 requerimentos, 19 medidas provisórias e duas propostas de emenda à Constituição passaram pelo crivo dos 42 deputados estaduais nos cinco primeiros meses da atual legislatura, iniciada no dia três de fevereiro. Tudo isso realizado em 56 sessões plenárias, além das sessões itinerantes realizadas em Imperatriz e Caxias.

Esse balanço, avaliado internamente como positivo, foi apresentado ontem pela presidente da Assembleia Legislativa, deputada Iracema Vale (PSB), num pronunciamento em que parabenizou os integrantes do Poder Legislativo “pela dedicação e compromisso com o povo do Maranhão”. Na sua fala, a presidente apresentou os resultados da sua gestão na Casa, como a criação do curso de mestrado em Direito e a valorização de servidores com a concessão de aumento para gratificações, entre outras ações.

Para um parlamento renovado, com grande parte dos seus integrantes iniciando a vida pública, o balanço apresentado pela presidente é uma surpresa para quem não viu uma Assembleia Legislativa mergulhada em lutas políticas desgastantes entre situação e oposição. Os seus integrantes preferiram apostar na produção, como mostram as 2.875 indicações, que são obras e ações sugerida nas mais diversas áreas e nos mais diversos municípios, por das quais os deputados cumprem compromissos de campanha.  O mesmo está demonstrado nas quase três centenas de requerimentos, que é o encaminhamento mais formal de um pleito.

No campo eminentemente legislativo, a nova Assembleia Legislativa produziu várias contribuições, entre elas a Lei 11.961/2023, de autoria da própria presidente, que tornou obrigatória a comunicação dos nascimentos sem identificação de paternidade à Defensoria Pública do Estado do Maranhão (DPE-MA). “Além do reconhecimento da paternidade, a lei propõe uma rede de proteção à criança e reestruturação das famílias”, assinalou a presidente no seu discurso

A presidente destacou no seu balanço as sessões itinerantes realizadas em Imperatriz e em Caxias, demonstrando, de maneira quase didática, a sua importância: “As sessões de caráter itinerante fazem com que o Poder Legislativo cumpra o seu verdadeiro papel, uma vez que a aproximação com os municípios é fundamental para que a população conheça o nosso trabalho de perto e, também, para que nós identifiquemos melhor as demandas de cada região”. De fato, uma avaliação isenta dessa iniciativa, que já uma tradição e que vem se aprimorando a cada legislatura, tem gerado bons resultados.

A presidente do Poder Legislativo destacou algumas ações da sua gestão, entre elas a cartilha “Mermã, teu direito é Lei!”, uma compilação de todas as leis estaduais e federais que garantem os direitos das mulheres, que obteve forte repercussão na sociedade civil. E, no campo administrativo, apontou como uma ação positiva a implantação do Programa de Aposentadoria Incentivada (PAI), destinado aos servidores do quadro de pessoal efetivo em atividade. Além disso, foi concedido reajuste salarial de 11%, os 6% de gratificação técnica para os servidores, a continuidade do concurso público da Casa, além de da grande confraternização quer foi o Arraial da Assembleia.

No discurso, Iracema Vale prestou contas do seu trabalho legislativo, como a Lei 11.961/2023, que trata da obrigatoriedade da comunicação dos nascimentos sem identificação de paternidade à Defensoria Pública do Estado do Maranhão (DPE-MA), garantindo o reconhecimento da paternidade e das famílias”. E também o Projeto de Lei 143/2023, também já aprovado, de sua autoria, que dispõe sobre a obrigatoriedade de viabilizar formulário para denúncia de violência contra a mulher no ato da matrícula escolar nas unidades de ensino do Maranhão, visando à proteção das mulheres em situação de violência e extrema vulnerabilidade.

A presidente da Assembleia Legislativa fechou seu discurso-balanço com a seguinte mensagem: “Agradeço o apoio de cada parlamentar na aprovação das proposições que apresentei e garanto que estamos trabalhando incansavelmente para honrar cada voto de confiança que me colocou aqui. Parabenizo, ainda, por todos os outros projetos que foram aprovados nesta Casa no primeiro semestre, que, certamente, vão melhorar a vida da nossa população”.

PONTO & CONTRAPONTO

Neto Evangelista e Mical Damasceno declaram apoio à presidente

Mical Damasceno e Neto Evangelista: apoio
incondicional à reeleição de Iracema Vale

Dois apartes ao discurso da presidente Iracema Vale, ontem, chamaram a atenção para a sua antecipada reeleição.

A deputada Mical Damasceno (PSD), além de elogiar a condução do parlamento, fez uma revelação: “Corroboro com as palavras da nossa presidente ressaltando que fui uma das primeiras pessoas que a incentivou a adiantar a eleição para o novo biênio em razão do excelente e honesto trabalho que está sendo feito aqui”.

Já o deputado Neto Evangelista (União Brasil) revelou o seu estado de ânimo em relação a rumores de que a reeleição antecipada da Mesa Diretora para o biênio 2025/2026 estaria correndo risco:  “Gostaria de dizer que, se quiserem derrubar a eleição para o novo biênio, não haverá nenhum problema, porque vamos reeleger a nossa presidente novamente”.

Weverton curte cruzeiro no Caribe figurando em gravação de um DVD de Safadão

Weverton Rocha no navio em grupo liderado por Arthur Lira: curtindo Wesley Safadão

O senador Weverton Rocha (PDT) está no Caribe, a bordo de um transatlântico, curtindo um cruzeiro de quatro dias entre a Flórida e as Bahamas, durante o qual o cantor brega Wesley Safadão, dono da festa, está gravando um DVD. O senador maranhense integra um grupo comandado pelo presidente da Câmara Federal, deputado Arthur Lira (PP-AL). Isso antes do apagar das luzes do primeiro semestre, quando a instituição legislativa ainda está funcionando, só devendo entrar em recesso na sexta-feira (14). A revelação foi feita por O Globo.

Nada contra uma viagem de férias do senador Weverton Rocha em um cruzeiro singrando as águas azuis do Caribe sob o esplendor solar de julho, em que pesem as ameaças de tufões e furacões que costumam ganhar corpo na região, e do custo por cabeça de uma viagem dessas.

O problema é que o senador viajou para o Caribe para participar da gravação do DVD de Wesley Safadão com o Senado em pleno funcionamento, as lideranças discutindo a tramitação da Reforma Tributária e deputados federais e senadores tentando, em sessão tensa da CPMI dos Atos Golpistas, encontrar os fios da trama que por pouco não resultou num golpe de estado no País.

Por intermédio da sua assessoria, o senador Weverton Rocha tentou minimizar o imbróglio informando que comunicou formalmente sua ausência ao Senado. E daí? Isso é obrigatório para qualquer parlamentar que se ausente do País, seja em missão oficial, seja em viagem de natureza particular.

O fato é que, se não ganhou a proporção de um escândalo capaz de abalar a República, a presença no cruzeiro de quatro dias pelo Caribe fazendo parte da plateia para a gravação de um DVD de Wesly Safadão arranhou fortemente a já arranhada do presidente da Câmara Federal e pode ter arranhado também a do senador pelo Maranhão.

São Luís, 12 de Julho de 2023.