Num discurso de estadista, Dino se despede fazendo profissão de fé na política

Flávio Dino na tribuna e saudado por colegas
senadores no plenário do Senado

Esperado como uma fala voltada para agradecimentos no sentido literal, com o imperativo sentimental, com reconstituição de trajetória e outros itens, o discurso do senador Flávio Dino (PSB) ao se despedir do Senado da República e da vida política propriamente dita, foi uma manifestação de estadista, para quem nada em sociedade pode ser feito sem o eixo da política. Visivelmente entristecido por ter de deixar a vida parlamentar, o futuro ministro do Supremo Tribunal Federal fez uma profissão de fé na política, alertando, ao mesmo tempo, para a perda de influência da política no mundo, citando a fragilização da ONU como exemplo. Para ele, não há meio de resolver a crise planetária e os problemas do Brasil fora da política.

Chamando a atenção para o paradoxo de fazer profissão de fé na política no exato momento em que dela se despede para ser um magistrado, o senador alertou: “Nós precisamos de uma política forte. E só teremos uma política forte com políticos credenciados a exercer a liderança que o Brasil exige”. Na sua compreensão, os brasileiros precisam “retomar a ideia de deveres patrióticos e deveres cívicos. Não podemos sucumbir à espetacularização da política”.

E chamou a atenção para o fato de que a política não evolui sem líderes que a conduzam: “Um bom líder político jamais pode ser um mero artefato midiático submetido à lógica dos algorítimos. O bom líder político tem de ter causas que definam o seu lugar”. E foi além ao afirmar: “As soluções não virão por geração espontânea. Só é possível consertar com S concertando com C. Só é possível encontrar caminhos se, e somente se, a política cumprir o seu papel insubstituível”.

Falando para um plenário heterogêneo, onde se encontravam senadores de todas as correntes, inclusive adversárias, simpatizantes, aliados – deputados federais, deputados estaduais, prefeitos maranhenses -, o senador Flávio Dino amarrou: “Encerro o capítulo da política partidária com tranquilidade e com serenidade. Com muita gratidão, mas, claro, com uma nota de lamento. Na medida em que sei bem a centralidade da política, como estou demonstrando ao falar do futuro da nossa pátria no qual tenha um papel modal a política como transformadora de projeto de emancipação. Fiz questão dessa profissão de fé para dizer que no Supremo Tribunal Federal terei coerência com essa visão que aqui manifesto”.

Deixou no ar todos os indícios de que cedo ou tarde estará de volta à arena política na qual foi forjado e da qual não tem como se desvencilhar.

E no fechamento do roteiro cuidadosamente cumprido, o senador dedicou os últimos momentos como político para assumir compromissos como iminente ministro do Supremo Tribunal Federal: “Podem ter certeza da minha mais absoluta deferência aos poderes políticos do Estado. Essa deferência se manifestando pela capacidade de ouvir, de promover o bom diálogo institucional, para que possamos encontrar o modo pelo qual a harmonia entre os Poderes vai se concretizar”.

E num recado direito ao cidadão comum, Flávio Dino traçou o perfil do julgador que será no Supremo Tribunal Federal: “Esperem de mim imparcialidade e isenção. Esperem de mim o cumprimento da Constituição e das leis. Nunca esperem de mim prevaricação. Nunca esperem de mim não cumprir os meus deveres legais, mas sempre agir com leveza no trato, com capacidade de compreender o outro. Porque um bom juiz fala muito pouco”.

E assumiu três compromissos como membro da Corte Suprema: “Agir com respeito à constitucionalidade das leis. Agir com respeito à presunção da legalidade dos atos administrativos. E agir de um modo consentâneo com o princípio da presunção”.

O senador Flávio Dino, que renunciará hoje ao mandato, passando a titularidade para a suplente Ana Paula Lobato (PSB), dedicou a última parte do seu discurso de despedida ao Maranhão: “Termino me dirigindo ao Maranhão, estado que tudo me deu: família, filhos, amigos, sabedoria, estudo, conhecimento, experiência e milhões de votos. O povo do Maranhão nunca me faltou nas minhas eleições. Somando as eleições somam mais de 7 milhões de votos”.

E encerrou externando sua tristeza por deixar a vida pública exatamente tendo de renunciar a um mandato de senador: “Sinto inveja de vocês que vão continuar aqui”.

PONTO & CONTRAPONTO

Afastamento de Nelma Sarney pelo CNJ é outro arranhão grave na imagem do Judiciário maranhense

Nelma Sarney: biografia manchada

O Tribunal de Justiça do Maranhão sofreu ontem mais um forte arranhão na sua imagem com a decisão do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) de afastar a desembargadora Nelma Sarney das suas funções por dois anos, por favorecimento a um ex-assessor em concurso para cartorário. O juiz Clésio Coelho Cunha, que teria tentado consertar a falcatrua, foi absolvido por falta de provas.

A decisão do CNJ repercutiu fortemente dentro e fora do Poder Judiciário, não só pelo afastamento em si da desembargadora, mas pelo que a punição representa para a instituição, uma vez que três meses e meio atrás a mão pesada do Conselho alcançou os desembargadores Guerreiro Júnior e Bayma Araújo, ambos envolvidos no escandaloso caso do Fórum de Imperatriz  

Para quem não lembra, a desembargadora Nelma Sarney foi afastada sob a acusação de favorecer um ex-assessor dela em concurso público para funções cartorárias. Para a maioria dos conselheiros do CNJ, a desembargadora favoreceu efetivamente o apadrinhado. Já em relação ao juiz, o CNJ não encontrou provas de que ele agiu deliberadamente na decisão tomada.

Cunhada do ex-presidente José Sarney (MDB), Nelma Sarney tem um histórico de tropeços na sua trajetória de magistrada, ora sendo acusada de favorecer, ora sendo apontada como alguém que é favorecido. Tentou ser presidente da Corte por três vezes, mas os problemas a tiraram do jogo, só lhe dando a chance de comandar a Corregedoria Geral. Com a decisão do CJN, a desembargadora Nelma Sarney Costa irá para casa.

O afastamento compulsório de um desembargador é a segunda pena mais grave prevista na Lei Orgânica da Magistratura. No caso, a desembargadora Nelma Sarney permanecerá por dois anos longe da Corte, mas com a vantagem de receber seus vencimentos integralmente. Mas é quase certo de que sua carreira na magistratura se encerra neste momento, já que com o desgaste do afastamento e outros processos que a envolvem, dificilmente ela retomará sua trajetória no Poder Judiciário.

Embate entre deputados evidencia clima de tensão na Assembleia Legislativa

Yglésio Moises atacou o PCdoB e Rodrigo Lago
reagiu avisando que todo ataque terá resposta

Na semana passada, a Coluna previu que, por causa das eleições municipais deste ano, para a escolha de prefeitos e vereadores nos 217 municípios maranhenses, o plenário da Assembleia Legislativa registrará momentos de forte debate e de tensão. E que, por conta dessa “tradição”, a presidente Iracema Vale (PSB), terão muito trabalho pela frente. Ontem mesmo ela teve de fazer a primeira intervenção para evitar o acirramento de um confronto verbal entre os deputados Yglésio Moises (PSB) e Rodrigo Lago (PCdoB).

Na primeira sessão após o longo “recesso” feito por causa do reinado de Momo, o clima de tensão veio à tona, colocando em posição de confronto parlamentar os deputados Yglésio Moisés e Rodrigo Lago. O primeiro, ao fazer uma denúncia sobre suposto esquema de arapongagem contra ele e, possivelmente seus familiares, acusou o PCdoB de estar por trás de uma suposta perseguição. O deputado fez uma série de ilações em relação ao PCdoB, o que deixou indignada a bancada do partido.

Um dos cinco membros da mancada do PCdoB deputado Rodrigo Lago, que é 1º vice-presidente da Assembleia Legislativa, reagiu duro, inclusive tachando o deputado Yglésio Moises de “covarde”, por ele não lhe ter concedido aparte e por haver se retirado do plenário logo após fazer a acusação. Rodrigo Lago avisou que a partir de agora, toda e qualquer acusação ou agressão de Yglésio Moises ao PCdoB “terá resposta imediata e dura”.

Diante da temperatura elevada do embate entre os dois parlamentares, a presidente Iracema Vale (PSB) interveio, em tom firme, pedido aos dois que moderassem suas declarações e mandou retirar dos anais as palavras ofensivas por eles dirigidas um ao outro.

São Luís, 21 de Fevereiro de 2024.  

Dino sai do PSB, propõe o fim da “aposentadoria compulsória” e deixa hoje a vida política

Flávio Dino deixa projeto que corrige uma deformação na aposentadoria de magistrados, membros do MP e militares

No penúltimo dia da sua trajetória política, que se encerrará hoje, às 16 horas, quando fará seu último discurso como senador, após o que renunciará ao mandato para se tornar, a partir de amanhã, ministro do Supremo Tribunal Federal, Flávio Dino protagonizou ontem dois fatos. O primeiro foi comunicar ao comando do PSB a sua desfiliação do partido. O segundo foi apresentar ao Senado da República a PEC propondo a extinção da aposentadoria compulsória como punição para magistrados, membros do Ministério Público e militares que cometem crimes e são expulsos dos quadros das instituições às quais eram ligados. Os dois gestos tiveram forte repercussão dentro e fora do meio político, uma vez que o primeiro afeta o PSB e o segundo atinge em cheio um “direito” visto como uma excrecência.

Ao deixar o PSB, Flávio Dino abre um enorme vácuo dentro do partido, tanto no plano nacional, quanto na seara maranhense. Nacionalmente, Flávio Dino estava ocupando rapidamente espaço no partido, se consolidando como uma das mais importantes lideranças da agremiação, cotado inclusive para ser o nome da legenda na corrida presidencial de 2026, caso o presidente Lula da Silva (PT) não pleiteie o direito de disputar a reeleição. Ele foi um dos principais articuladores da aliança que aproximou o PSB do PT, tendo o neossocialista Geraldo Alckmin como vice do ex-presidente Lula da Silva. Com a vitória de Lula da Silva, foi indicado pelo partido para o Ministério da Justiça e Segurança Pública.

No Maranhão, a migração dele e parte de seu grupo do PCdoB para o PSB em 2021 transformou, em questão de meses, a legenda socialista no maior e mais importante partido político do estado, desbancando o PCdoB, que até então ocupava o posto de partido-mor da aliança dinista. Essa posição foi confirmada nas eleições de 2022, quando o PSB saiu das urnas com o governador Carlos Brandão reeleito em turno único, o próprio Flavio Dino como o senador proporcionalmente mais bem votado em todo o País, além de deputados federais e deputados estaduais, como Iracema Vale, atual presidente da Assembleia Legislativa. Com a sua saída, o PSB, agora sob o comando direto do governador Carlos Brandão, continua forte, mas em meio a um enorme vácuo, que terá de ser cuidadosamente mensurado e preenchido.

O segundo movimento do senador Flávio Dino foi a apresentação de uma PEC e vários projetos de lei, todos propondo a correção de distorções na estrutura da Justiça brasileira. A PEC é, de longe, o item mais importante, exatamente por propor a extinção da chamada “aposentadoria compulsória” que privilegia juízes, desembargadores e ministros e militares que cometem crime e são excluídos dos quadros, mas levam sua aposentadoria, e no caso dos militares, o criminoso é excluído dos quadros, “vítima” de “morte presumida”, o que garante que sua esposa receber pensão, mesmo que ele permaneça com vida.

– Isso não é punição. Isso é premiação –  enfatizou o senador Flávio Dino na apresentação da PEC, com um argumento simples e fatal. Para ele, a extinção desse “direito” devolverá “maior igualdade ao serviço público”, uma vez que os demais servidores públicos não contam com essa excrescência, estando todos os demais submetidos à regra do “leu e não escreveu, o pau comeu”. Ou seja: demissão sem salário, como é a regra geral no País, inclusive no serviço público.

Flávio Dino foi dormir sua última noite como senador da República, mas já sem partido. Nesta terça-feira, fará seu último pronunciamento como congressista. Ciente de que essa manifestação na tribuna da Câmara Alta está sendo aguardada com grande expectativa no meio político, ele avisou ontem que não fará um discurso de embate político, mas “um grande agradecimento aos que me mandaram para cá”. Após a fala, entregará sua carta de renúncia à Mesa Diretora da Casa, de onde sairá, provavelmente no início da noite, como um cidadão comum.

O ex-juiz federal, ex-deputado federal, ex-governador do Maranhão, ex-senador da República permanecerá nessa condição apenas como Flávio Dino Castro e Costa até às 16 horas desta quarta-feira, quando envergará a toga de ministro do Supremo Tribunal Federal, onde deverá permanecer por pelo menos uma década.

PONTO & CONTRAPONTO

Recuperado da pancadaria e apoiado por Lula, Juscelino volta ao jogo

Juscelino Filho: mais ativo depois das pressões

Aparentemente recuperado das pressões a que foi submetido por conta das explosivas revelações feitas pela Polícia Federal a respeito de supostos desvios na aplicação de emendas por ele destinadas ao município de Vitorino Freire, onde sua irmã, Luana Rezende (União Brasil), comanda a Prefeitura, o ministro das Comunicações Juscelino Filho (União Brasil), que andava meio sumido, mostrou que ganhou com a pausa. Foi essa a impressão que ele passou numa entrevista ao jornal O Globo, publicada no final da semana e na qual defendeu a reeleição do presidente Lula da Silva, ao mesmo tempo em que falou com entusiasmo da pré-candidatura do governador de Goiás, Ronaldo Caiado, do seu partido, à presidente da República.

– O governador Caiado é um grande quadro, meu amigo, um quadro que eu respeito muito, um dos grandes líderes do nosso país. É um homem público que tem estatura, tamanho, envergadura e capacidade de gestão para disputar o cargo que ele quiser disputar – declarou.

Ao enfrentar o incômodo tema das emendas parlamentares, Juscelino Filho reage como porta-voz do Centrão ao defender uma participação cada vez maior do parlamento na execução do Orçamento da União vendendo a bravata de que os deputados federais e senadores conhecem a fundo a realidade dos municípios, sugerindo que eles são os agentes ideais para apontar onde os recursos das emendas devem ser aplicados.

“Estou do lado do povo”, diz ele, acrescentando que a população tem de ser beneficiada com recursos públicos. E que cabe aos parlamentares indicar esses recursos aos estados e aos municípios para chegarem a algumas políticas públicas na ponta.

Ou seja, os deputados federais, a começar por ele próprio, conhecem mais as necessidades o Brasil do que o Governo da União, do que os Governos estaduais e do que os Governos municipais. Um exemplo: no seu caso, por total desconhecimento, nem o Governo Federal nem o Governo do Estado nem a Prefeitura, mas apenas ele, teria condição de destinar emendas para pavimentar a estradinha que, por mera coincidência, corta o município de Vitorino Freira passando por fazendas da sua família, o que o colocou na mira da Polícia Federal.

Para quem até pouco tempo esteve sob o duro crivo da imprensa por conta do controverso destino das suas emendas parlamentares, o ministro Juscelino Filho, que, embalado pelo aval do presidente Lula da Silva, ele ganhou gás suficiente para voltar ao leito sem a impiedosa pressão de imprensa estimulada por adversários.

Mas no que diz respeito ao tabuleiro político do Maranhão, o deputado federal Juscelino Filho só demonstrará o seu real poder de fogo quando se posicionar no cenário estadual. Primeiro desenhando o que pretende com as urnas em 2026 – vai ser candidato a deputado federal de novo?

Câmara retoma atividades votando projetos de lei

Sob a presidência do vereador Paulo Victor,
Câmara de São Luís voltou ontem ao trabalho

Poderia ser um ato de rotina, com caráter de reabertura dos trabalhos legislativos, mas a sessão por meio da qual a Câmara de São Luís retomou suas atividades foi além, com os vereadores votando e aprovando seis projetos de lei, abrangendo temas desafiadores como o combate à violência contra a mulher, por exemplo.

Para valorizar as profissionais da advocacia de São Luís, o vereador Marcos Castro (PMN) propôs, por meio do Projeto de Lei 246/23, que seja instituído o Dia Municipal da Mulher Advogada Ludovicense, a ser comemorado anualmente no dia 15 de dezembro.

O vereador Marlon Botão (PSB) teve dois projetos aprovados: o PL 033/23 concede auxílio-aluguel às mulheres vítimas de violência doméstica no município de São Luís; e o PL 188/23, que o objetivo de incentivar o esporte feminino, por meio do Programa Municipal de Incentivo à Prática de Futebol Feminino. Já o vereador Marcos Castro (PMN) teve aprovado o PL 246/23, que institui o Dia Municipal da Mulher Advogada Ludovicense, a ser comemorado anualmente no dia 15 de dezembro.

O vereador Ribeiro Neto (Cidadania) emplacou o PL 192/22, estabelecendo que em locais de grande fluxo de pessoas, haja funcionários que saibam lidar com as crises de Transtorno do Espectro Autista – TEA. Ribeiro Neto também emplacou o PL 191/22, que propõe prioridade para pessoas doadoras de sangue onde haja vida públicos e privados próximos a hospitais e centro de coleta públicos de sangue.

O vereador Pavão Filho (PDT) propôs, por meio do PL 072/23, a implantação de sistema de eco barreiras na rede hidrográfica para a contenção de resíduos sólidos nos córregos, canais e rios, bem como a instalação de cerceamento telado nas margens de esgotos a céu aberto em São Luís.

Indiscutivelmente um bom início de ano legislativo.

São Luís, 01 de Fevereiro de 2023.

Dino dá últimos passos como senador antes de arquivar o político e reincorporar o magistrado

Flávio Dino vai para o Supremo, mas será que aposentará mesmo o político para sempre?

Na próxima terça-feira (21), daqui a 72 horas – prazo contado a partir deste domingo (18) -, o político Flávio Dino deixará de atuar para repousar no armário da História. Naquela data, ele renunciará ao mandato de senador – mais bem votado da história do Maranhão – para, no dia seguinte (22), reincorporar o magistrado que fora como juiz federal durante 12 anos, e se tornar um dos 11 ministros do Supremo Tribunal Federal. Antes, no dia 1º de fevereiro, ele mandou para o mesmo arquivo o homem público de ação executiva, ao deixar o Ministério da Justiça e Segurança Pública. Essa trajetória o torna o mais completo dos homens públicos brasileiros das gerações recentes, à medida que não há registro de um quadro que tenha chegado aos 55 anos com essas credenciais no país.

À medida que caminha para fechar o ciclo do militante político e reabrir o do magistrado, que em tese será definitivo, ganha consistência a impressão, já para muitos uma certeza, de que dificilmente Flávio Dino – forjado nas lutas estudantis, na lida contra a ditadura e no pesado jogo político partidário e ideológico, vencedor nas urnas e afeiçoado aos afagos do eleitorado – venha a se conformar com a vida reclusa de guardião da Constituição Cidadã e escudeiro fiel das instituições democráticas do Brasil. Ele próprio deixou essa dúvida no ar, ao fazer contas sobre o tempo da sua permanência da Suprema Corte. Pelo que está posto, atuará ali por 20 anos, podendo voltar à política aos 75. Mas, se quiser, poderá se aposentar antes, já que logo terá tempo para isso como servidor público federal.

O problema central é que Flávio Dino é um animal político que chegou ao extremo da sua educação e da sua vivência nas teias da política e encontra enormes dificuldades para se tornar de novo um juiz eficiente e convencional, e por dever de ofício distante do fogaréu do embate partidário e ideológico. O cientista político Gabriel Elias (UnB) acredita que, por sua condição excepcional, o Flávio Dino político se insere num cenário em que ministros do STF vêm tendo cada vez mais destaque no debate político do país. E acrescenta: “A indicação de Dino também tem o objetivo de usar sua habilidade de comunicação para disputar essa posição de porta-voz do Supremo no debate público”. A exemplo do que tem feito o ministro Gilmar Mendes, por exemplo.

Flávio Dino será um ministro diferenciado na bancada do Supremo. E ninguém duvida de que, preservando ferreamente a sua isenção de julgador – que para ele é princípio imutável -, entrará no debate sobre grandes temas políticos que inquietam os brasileiros, como a democracia, por exemplo, e a cadeia de regras e normas que lhe dão sustentação. E que nesse contexto funcionará, de fato, como porta-voz informal da Corte. E o fará porque seus movimentos políticos são conduzidos por um nível de consciência muito, mas muito mesmo, acima da média. E suas posições são fundamentadas, não havendo questionamento sobre nada do que defende como questão de princípio.

Sua ida para o Supremo certamente oxigenará a Corte, que hoje vive sob forte pressão dos que tentam submeter o Brasil a uma ditadura com o desmonte dos Poderes pelo tacão dos atos de exceção garantidos pela baioneta. Mas sua ausência será sentida nos embates dessa grande guerra em curso no País. O brasileiro se acostumou a ver um ministro da Justiça e Segurança Pública atuante, pronto para o confronto e demolindo argumentos de adversários da democracia. Não há como esquecer o verdadeiro “massacre” que Flávio Dino impôs a porta-vozes da falange bolsonarista que tentaram constrangê-lo nas audiências sem sentido na Câmara Federal e no Senado da República. O Brasil assistiu à demolição, por Flávio Dino, do mito Sérgio Moro, e do enterro da mediocridade representada pelo senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ).

Não há como ignorar o desempenho do então ministro da Justiça e Segurança Pública Flávio Dino no 8 de Janeiro, atuando como o principal conselheiro do presidente Lula da Silva (PT) e cujas decisões – a começar pelo afastamento do governador do Distrito Federal e da intervenção na área de Segurança do DF, quando as ações para fundamentar o golpe estavam em curso na Praça dos Três Poderes. Hoje é quase unânime, inclusive entre bolsonaristas que, não fosse a atuação do ministro da Justiça, o desfecho fracassado do roteiro do golpe teria sido outro.

O fato, ao que parece irreversível, é que Flávio Dino será de novo magistrado, com o entusiasmo dos que chegaram no topo da carreira. Mas com uma grande janela aberta para o retorno do político daqui a algum tempo.

PONTO & CONTRAPONTO

Prefeito de Codó lidera corrida em busca da reeleição; ex-prefeito é segundo

Zé Francisco lidera corrida seguido por
Zito Rolim e Francisco FC

Muitos dos prefeitos de municípios maranhenses de grande porte que buscam a reeleição estão com os seus projetos eleitorais bem encaminhados. Um exemplo é o médico Zé Francisco (PSD) de Codó, que aparece na liderança da corrida – não muito folgada, mas visível – segundo pesquisa do instituto MOB, que mediu as intenções do eleitorado codoense na disputa para a Prefeitura. Ali, Zé Francisco tem como adversário principal o ex-prefeito e ex-deputado estadual Zito Rolim (PDT), e também o empresário Francisco FC (?).

Se a eleição fosse agora e com a participação dos três candidatos, o prefeito Zé Francisco se reelegeria com 29,5% contra 27,2% de Zito Rolim e 17,6 de Francisco FC. Outros candidatos seriam triturados: Camilo Figueiredo (4%), Guilherme (3,5%), Yure Corrêa (2,5) e Reinaldo Bezerra, Arnaldo Filho e Dr. Nelson com 1% cada. 13,1% disseram que não saberiam ainda em quem votar.

Vários cenários foram medidos, e no que Zé Francisco enfrenta somente Zito Rolim e Francisco FC, Camilo Figueiredo, Guilherme e Yure Correa, o prefeito leva vantagem folgada, subindo para 36,5%, enquanto Zito Rolim chega apenas a 29,1% das intenções de voto. Nesse cenário, Camilo Figueiredo tem 2,5%, Guilherme tem 2% e Yure Correa também 2%.

Os números mostram três tendências fortes em Codó: o prefeito Zé Francisco caminha para se reeleger; o PDT, que já dominou a política codoense, está minguando; e a julgar pelo desempenho do ex-deputado Camilo Figueiredo, a outrora poderosa família Figueiredo já quase não existe politicamente.

Em Tempo: a pesquisa MOB ouviu 600 eleitores entre os os dias 7 e 9 de fevereiro, tem margem de erro de 4,1 pontos percentuais para mais ou para menos e foi registrada nas Justiça Eleitoral sob o protocolo TSE 03307/2024 MA. Os números aqui publicados foram extraídos do bem informado Blog do Gilberto Léda.

Só dois deputados federais do Maranhão vão participar do ato de Bolsonaro

Dois membros da bancada federal maranhense, Luciano Galego (PL) e Silvio Antônio (PL) se inscreveram na lista dos parlamentares que pretendem marcar presença no ato marcado para o dia 25 em São Paulo e no qual o ex-presidente Jair Bolsonaro vai tentar se defender da acusação – recheadas de provas – de que de fato tramou um golpe de estado, que acabou não dando certo.

Se vier a ser confirmada, a presença dos dois não vai surpreender. Ambos são conhecidos militantes do bolsonarismo radical e conservador, que defendem uso de armas e golpismo militar. Empresário, Luciano Galego atua na política de Imperatriz e pertence à ala radical do bolsonarismo, que gosta se aparecer enrolado na bandeira do Brasil. Pastor evangélico e bolsonarista de carteirinha, Sílvio Antônio integra a direita radical, já tendo sido candidato a prefeito de São Luís e ignorado pelo eleitorado. Com votação inexpressiva, conseguiu ser suplente de deputado federal, tendo agora a oportunidade de assumir o mandato com a licença tirada pelo deputado Pastor Gil (PL).

São Luís, 18 de Janeiro de 2024.

Eliziane caminha para o fim do mandato sem sinalizar qual será seu próximo passo

Eliziane Gama: grande estatura parlamentar,
mas sem destino definido

Em qualquer roda de conversa política formada no Maranhão na atualidade, cedo ou tarde sai a pergunta: qual será o futuro da senadora Eliziane Gama (PSD), atual vice-líder do Governo no Congresso Nacional, depois de ter sido relatora da CPI do 8 de Janeiro, também chamada de CPI do Golpe, e um pouco antes uma das mais duras vozes críticas ao Governo Bolsonaro por causa da Covid 19. Ela pode ser candidata à reeleição, pode se candidatar a deputada federal – com boas chances de eleição -, ou pode também vir a embarcar numa chapa majoritária, como, por exemplo, vice do futuro governador Felipe Camarão (PT). Ela tem mantido discrição sobre o assunto, e quando a ele se refere sai pela tangente; quem a conhece bem percebe que o assunto lhe causa um certo desconforto, e suas respostas externam incerteza.

Um dos quadros mais importantes da política maranhense, Eliziane Gama vem construindo uma história política maiúscula, de elevado nível de qualidade. E com um detalhe surpreendente: não pertence a um grupo fechado, e todas as suas conquistas tem o seu trabalho político intenso como componente essencial. Já pertenceu ao PT, ao PPS, ao Cidadania, flertou com o Solidariedade e hoje encontra-se no PSD por uma conveniência. Mantém, no entanto, o seu viés de esquerda moderada, com o qual convive sem maiores problemas com a sua condição de evangélica da Assembleia de Deus, uma larga tradição religiosa familiar.

Seus dois mandatos na Assembleia Legislativa foram ativos e propositivos, o que a tornaram conhecida em todo o estado. O tropeço na tentativa de se eleger prefeita de São Luís em 2012 em nada afetou sua carreira, à medida que serviu como aprendizado. E a prova disso foi a sua eleição em 2014 para a Câmara Federal, onde ela exerceu um mandato de qualidade surpreendente, principalmente quando participou com destaque especial da CPI da Petrobras.

O seu projeto inicial era a reeleição para a Câmara Federal em 2018, mas aproveitou a chance de tentar uma das duas vagas no Senado e mergulhou por inteira no projeto. Deu certo. Essa vitória lhe deu uma responsabilidade política bem maior, o que a levou a exercer o mandato com grande eficiência, como parlamentar e como legisladora. Tanto que passou a ser destaque na chamada “bancada feminina”, que era informal e se tornou uma bancada de fato a partir de um trabalho feito por ela e a senadora Simone Tebet (MDB-MS). Teve participação importante na mobilização política para a eleição do presidente Lula da Silva (PT), a quem sempre apoiou, e foi destaque nas duas CPIs mais importantes dos últimos tempos: a da Covid, da qual participou efetivamente, mesmo sem a ela pertencer, e a do 8 de Janeiro, da qual foi relatora.

A senadora Eliziane Gama teve seu nome especulado para o ministério, mas acabou sendo convidada pelo presidente Lula para ser vice-líder do Governo no Congresso Nacional. E seu prestígio com o presidente Lula da Silva continua em alta. Mas sua atuação tem sido violentamente atacada pelas milícias digitais da extrema direita, inclusive a banda que milita na Assembleia de Deus, onde era aplaudida e hoje é hostilizada.

Agora, Eliziane Gama está provavelmente vivendo o seu maior dilema. Vai disputar a reeleição? Se não, qual será o seu próximo passo político? Qualquer que seja ele, terá de ser resolvido nos próximos dois anos. Mas por enquanto, nem o viés especulatório das rodas de conversas soube responder.

PONTO & CONTRAPONTO

Ataque de Bolsonaro a Kassab coloca Josivaldo JP em saia justa

Josivaldo JP: sem o apoio
de Jair Bolsonaro

O ex-presidente Jair Bolsonaro colocou muitos aliados em verdadeira saia justa ao declarar quer não apoiará nenhum candidato do PSD a prefeito. A declaração foi u a retaliação a Gilberto Kassab, presidente nacional do PSD, hoje uma das legendas fortes dentro do Centrão. O ex-presidente não gostou de algumas orientações de Kassab ao partido em relação ao ao Governo Lula da Silva (PT).

Um dos fortemente atingidos pelo destempero do ex-presidente foi o deputado federal Josivaldo JP, que pertence ao PDS e caminha para disputar a Prefeitura de Imperatriz com o candidato do PP, deputado estadual Rildo Amaral.

Como é sabido, Josivaldo JP é bolsonarista de carteirinha e, segundo uma fonte a ele ligada, estaria se preparando para ter Jair Bolsonaro como reforço de campanha, já que o ex-presidente é popular na Região Tocantina. Repetiria o seu discurso de campanha, tendo Bolsonaro como padrinho.

Em Tempo: O brado de Jair Bolsonaro contra o PSD alcança o prefeito de São Luís, Eduardo Braide, mas não o atinge. Diferentemente de Josivaldo JP, Eduardo Braide sempre assumiu ser um político de direita, mas uma direita civilizada, democrática, sem viés golpista.    

Vozes da direita cumprem mandato provisório com licença do grupo de Maranhãozinho

Luciano Galego, Henrique Júnior,
Josimar de Maranhãozinho, Detinha,
Sílvio Antônio e Paulo Marinho Jr.

Um pequeno grupo de porta-vozes da direita radical maranhense encontra-se na Câmara Federal, onde exerce mandato temporário pelo PL, cobrindo licença dos deputados Josimar de Maranhãozinho, chefe regional do partido, Detinha, Júnior Lourenço e Pastor Gil. O grupo de suplentes é formado por Sílvio Antônio, Henrique Júnior, Luciano Galego e Paulo Marinho Jr..

Dos quatro, Sílvio Antônio, Luciano Galego e Henrique Júnior formam uma “célula” fortemente identificada com a direita dura, atuando como militantes bolsonaristas radicais.

O primeiro é Sílvio Antônio, pastor evangélico e bolsonarista de carteirinha, que já tentou inclusive ser prefeito de São Luís, mas quase ninguém lhe deu atenção. Na Câmara, faz oposição do Governo do PT e terá pouco mais de um mês de mandato até o fim da licença, no início de abril. Seus temas favoritos são as pautas de costume.

Outro suplente do PL no exercício do mandato, o deputado federal interino Luciano Galego é um empresário de Imperatriz, que fez sua campanha diretamente associado à imagem do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). Militante bolsonarista ranheta, daqueles que se enrola em bandeira brasileira, Luciano pretende ocupar a tribuna da Câmara muitas vezes até o fim do mandato provisório.

Pecuarista que tem a região de Timon como base política e militante bolsonarista, o deputado federal interino Humberto Júnior tem tido atuação discreta na Câmara Federal, mas alinhada à oposição ao Governo Federal, como a maioria dos seus colegas do PL.

O quarto, Paulo Marinho Jr., é o único do grupo que milita no PL, mas não professa o bolsonarismo como fé política. Ele vem de uma raiz emedebista, onde seu pai, o ex-deputado estadual, ex-deputado federal e ex-prefeito de Caxias Paulo Marinho nasceu politicamente.

São Luís, 16 de Fevereiro de 2024.   

Deputados voltam hoje ao trabalho cientes de que têm pela frente um ano de muita tensão e disputa

Iracema Vale conduzirá os trabalhos auxiliada pelos experientes deputados Antônio
e Roberto Costa, respectivamente 1º e 2º secretários da Mesa Diretora

Quando abrir a sessão de hoje da Assembleia Legislativa, a presidente Iracema Vale (PSB) certamente estará ciente de que dará largada num ano político movimentado, ao longo do qual serão realizadas as eleições para prefeito, vice-prefeito e vereador dos 217 municípios maranhenses, e de que muitas das tensões que serão produzidas ao longo da campanha desembocarão no Palácio Manoel Beckman, mais precisamente no plenário “Nagib Haickel”, devendo passar, em algum momento, por sua mesa de trabalho. A Assembleia Legislativa viverá mais uma vez os desdobramentos da guerra pelo poder municipal, na qual os deputados estaduais têm interesse direto. Alguns deles, como Roberto Costa (MDB), Rildo Amaral (PP) e Rafael Leitoa (PSB), disputarão, como favoritos, prefeituras importantes e politicamente influentes, como Bacabal, Imperatriz e Timon, respectivamente.

A corrida pela Prefeitura de São Luís, o maior e mais importante município do estado, interessa, de modo geral, aos os deputados estaduais, mas só três deles estão efetivamente envolvidos na disputa: Neto Evangelista (União Brasil), que aguarda o aval do seu partido, deixando claro que está, de fato, interessado na candidatura; Yglésio Moisés (em busca de um partido, mas obrigado a permanecer no PSB), que depende dessa solução partidária para seguir em frente; e Wellington do Curso (PSC), que tem seu futuro nas mãos da Justiça Eleitoral, mas está se movimentando como pré-candidato em tempo integral. Sem ser candidato, o deputado Fernando Braide (PSC) mergulhará na campanha do prefeito Eduardo Braide (PSD), seu irmão, pela reeleição.

Na Ilha de Upaon Açu, além desses três que tentam ser candidatos em São Luís, nenhum deputado estadual entrará na briga pelas prefeituras de São José de Ribamar – a terceira maior e mais importante do Maranhão – e Paço do Lumiar – o sexto maior em população – nem Raposa, que tem pouco peso político no estado.

O cenário das disputas localizadas é amplo. Em Balsas, berço do agronegócio maranhense, por exemplo, as deputadas Viviane Silva (PDT) e Andrea Rezende (PSB) jogam em campos diferentes, apoiando candidatos diferentes, o que certamente quebrará o convívio ameno das duas no dia a dia da Casa. Em Caxias, quarto maior e mais importante município do Maranhão, ao contrário, tudo leva a crer que as deputadas Cláudia Coutinho (PDT) e Rafaela Gidão (PSB) apoiarão o mesmo candidato, embora haja quem avalie que esse acordo precisa ser melhor amarrado. Os deputados Abigail Teles (PL) e Eric Costa (PSD), adversários figadais, vão permanecer em campos diferentes numa guerra dura em Barra do Corda. E o deputado Aluízio Santos (PL) vai mergulhar na corrida pela reeleição da mulher, a prefeita de Chapadinha, Dulcilene Belezinha (PL).

Esses confrontos estão desenhados em todos os 217 municípios, portanto em todas as regiões do Maranhão. Os deputados estaduais são o elo entre esses municípios e o resto do mundo. E nada mais lógico que as tensões produzidas na corrida pelo poder municipal, que é a base piramidal da política, desaguem no plenário da Assembleia Legislativa. Não raro, deputados que brigam pelas mesmas bases entram em confronto, que na maioria dos casos exigem a intervenção de vozes conciliadoras, sendo a do presidente a mais efetiva e eficiente. É uma ciranda que se repete a cada dois anos, que emenda com as eleições estaduais, quando a campanha pela reeleição leva os deputados a um elevado nível de tensão.

Nesse contexto, o presidente do Poder Legislativo tem papel importante, às vezes decisivo, nos embates, ora como mediador, ora como conciliador. A tarefa agora cabe à presidente Iracema Vale, que vem conduzindo a Casa com equilíbrio e firmeza, usando todo o peso da sua experiência de ex-vereadora e ex-prefeita, somada à do seu desafiador, mas bem-sucedido, primeiro ano no comando do Poder Legislativo. A presidente da Assembleia Legislativa tem se destacado pela habilidade com que vem mantendo a aliança por meio da qual o governador Carlos Brandão (PSB) vem trabalhando com sólida maioria parlamentar.

 As tensões esperadas no plenário podem até acontecer, mas é plausível esperar que a presidente e os líderes partidários saibam atuar nos confrontos.

PONTO & CONTRAPONTO

Duarte fortalece candidatura recebendo apoio de partidos da base governista

Duarte Jr. entre Pedro Chagas, e Eliel Gama do Cidadania, e
Sebastião Madeira e Pinto Itamaraty do PSDB

O deputado federal Duarte Jr. (PSB) deve receber até o final deste mês a declaração formal de apoio da Federação Brasil Esperança, formada por PT, PCdoB e PV à sua candidatura à Prefeitura de São Luís. Junto com a manifestação de apoio, a Federação deve manifestar o seu interesse na indicação do candidato a vice do parlamentar socialista.

O PT já teria discutido o assunto nas suas três esferas de decisão – municipal, estadual e federal -, como é a sua praxe, devendo reivindicar a indicação do candidato a vice. O PCdoB sempre deixou no ar que seguiria a indicação do governador Carlos Brandão (PSB), que vai coordenar a campanha, e do senador Flávio Dino (PSDB), que será apoiador de Duarte Jr. até quarta-feira, quando se desligará de vez da política. E o PV não tem outra opção a não ser seguir PT e PCdoB.

O deputado federal Duarte Jr. caminha para fortalecer sua candidatura à prefeitura de São Luís com uma poderosa aliança partidária, que vai da esquerda à direita. Na semana passada, por exemplo, recebeu o apoio do PSDB, declarado pelo presidente estadual do partido, Sebastião Madeira, atual secretário-chefe da Casa Civil do Governo do Estado, e do Cidadania, comandado no estado por Eliel Gomes, irmão da senadora Eliziane Gama (PSD).

Movimento apela a Marco Aurélio para desistir em Imperatriz

Marco Aurélio:
candidato

Há nos bastidores um forte movimento para que o ex-deputado estadual Marco Aurélio (PSB) desista da candidatura à Prefeitura de Imperatriz. Ele está em terceiro lugar e ganhou o status e o peso de fiel da balança da corrida pelo comando da antiga Vila do Frei.

A situação seria mais ou menos a seguinte: na posição em que se encontra, Marco Aurélio dificilmente conseguirá virar a mesa e assumir a ponta e vencer a eleição contra o deputado Rildo Amaral (PP) e o deputado federal Josivaldo JP (PL).

Mas nos cálculos desses mesmos articuladores, se Marco Aurélio viesse a sair do páreo, seus eleitores tenderiam a reforçar a candidatura de Rildo Amaral, dando quase certeza de que ele venceria a eleição.

Certo de que sua candidatura se encontra em ascensão, o ex-deputado Marco Aurélio tem dado sinais de que não quer nem ouvir falar em desistência.

São Luís, 15 de Fevereiro de 2024.

Cenário político mostra que Camarão ainda não tem adversário à altura na disputa ao Governo

Felipe Camarão e outros prováveis candidatos ao Governo do Estado em 2026: Weverton Rocha, Hilton Gonçalo, Lahesio Bonfim, Roberto Rocha e Eduardo Braide

Conversas informais, abertas, fora do frisson carnavalesco e sem levar em conta o que pode resultar das eleições municipais, têm levado a Coluna a uma conclusão sólida: até aqui, o candidato mais forte para suceder a Carlos Brandão (PSB) no Governo do Estado é mesmo o vice-governador Felipe Camarão (PT). Há no ambiente político maranhense alguns nomes que podem se candidatar, mas nenhum com a visão técnica e a consistência política do atual vice-governador. Jovem, com sólida formação e larga experiência, o advogado, procurador federal concursado e professor universitário Felipe Camarão, que é secretário de Estado da Educação há oito anos, tem demonstrado talento no trato com o poder e vai aos poucos conquistando o PT, já ocupando espaço expressivo no partido. Tem a cara da geração de políticos bem-sucedidos da efêmera e inovadora “Era Flávio Dino”. Sua virtual candidatura em 2026 tem hoje o aval quase total da base governista.

E o que está ainda se pondo como contrapeso no outro prato da balança da disputa? O principal quadro em evidência é o senador Weverton Rocha (PDT), que ficou em terceiro lugar na corrida de 2022, sinalizou que entraria na briga em 2026, mas que de uns tempos para cá tirou o pé do acelerador e acabou se transformando numa grande incógnita, uma vez que, diante da robusta incerteza de sucesso na corrida aos Leões, pode optar por tentar renovar o mandato senatorial, só que disputando vaga com o governador Carlos Brandão (PSB), com o deputado federal André Fufuca (PP), atual ministro dos Esportes, e com a senadora Eliziane Gama (PSD), por exemplo. Com a experiência de quem já conheceu o céu e o inferno das urnas, o senador Weverton Rocha costura com cuidado o seu futuro.

Já auto lançado pré-candidato ao Palácio dos Leões, o prefeito de Santa Rita, Hilton Gonçalo (Mobiliza 33), um político experiente e bem-sucedido até onde conseguiu chegar, acreditado nas regiões em que atua politicamente, certamente tem na ponta do lápis o tamanho do seu desafio, estando, portanto, consciente das dificuldades que terá pela frente. Sua entrada nessa briga é politicamente saudável, porque oxigena o tabuleiro.

Num outro campo, por mais que cause controvérsias, o ex-prefeito de São Pedro dos Crentes, Lahesio Bonfim (Novo), está credenciado para entrar na disputa. Esse credenciamento foi conseguido com a segunda colocação na eleição de 2022, quando ficou em segundo lugar, deixando o senador Weverton Rocha para trás, mas sem sequer ameaçar o governador Carlos Brandão, que venceu em um só turno. Ele tem dito aos chefes do seu partido que é um candidato viável. No ambiente político em que transita, a direita radical, surgiu há alguns dias o rumor segundo o qual o ex-senador Roberto Rocha, bolsonarista convicto, estaria inclinado a disputar o Governo do Estado ou uma vaga no Senado, embora uma fonte a ele ligada suspeite que seu foco seja a Câmara Federal, o que, segundo avalia, seria mais lógico.

Uma garimpada na bancada federal não leva a nenhum nome com consistência além do senador Weverton Rocha. A senadora Eliziane Gama (PSD) não fez qualquer movimento nessa direção, mas é citada aqui e ali como possibilidade para vice de Felipe Camarão. A futura senadora Ana Paula Lobato (PSB) dificilmente se interessará pela empreitada, ainda que nada tenha a perder. Na representação maranhense na Câmara Federal, o nome mais cacifado é o deputado federal Josimar de Maranhãozinho (PL), que aqui e ali ameaça se candidatar a governador ou a senador, mas de tanto ameaçar, poucos ainda acreditam que ele possa vir a ser candidato ao Governo. Depois dele, o perfil mais consistente é o da deputada federal Roseana Sarney (MDB), mas ela dificilmente entraria numa aventura já destinada a amargar mais uma derrota. Deputados federais como Rubens Jr. (PT), Márcio Jerry (PCdoB) e o atual ministro das Comunicações, Juscelino Filho (União Brasil), não trabalham com essa perspectiva, pelo menos por enquanto.

Entre prefeitos, a possibilidade mais visível é o prefeito de São Luís, Eduardo Braide (PSD), que nesse exato momento se movimenta com intensidade à frente do seu projeto de reeleição. Difícil incluir Eduardo Braide na corrida leonina de 2026, uma vez que, se for reeleito, ele estará exatamente no meio do segundo mandato, sendo pouco plausível a ideia de que ele venha a renunciar ao mandato para entrar nessa guerra, até porque será uma ação de elevadíssimo risco. Entre os deputados estaduais não há quadros com projeto dessa envergadura, embora aqui e ali venha à tona a presidente da Assembleia Legislativa, Iracema Vale (PSB). 

Fora do meio político, não há na sociedade civil nenhum movimento na classe empresarial, no mundo acadêmico nem nas organizações sociais que possa ser interpretado como um ensaio de candidatura. O desenho do cenário em que deve se dar a sucessão no Governo do Estado não é fruto de pesquisa aprofundada nem conclusão de cientificismo político improvisado, mas de uma simples e cuidadosa avaliação das peças que começam a se movimentar mirando o Palácio dos Leões. E nele o vice-governador Felipe Camarão, apoiado pela aliança partidária governista, pelo governador Carlos Brandão e a bênçãos do Palácio do Planalto dificilmente errará o alvo em 2026.

PONTO & CONTRAPONTO

PDT filia e deve lançar Zé Antônio candidato em Imperatriz

Zé Antônio ingressa n o PDT com
aval de Weverton Rocha

Tudo indica que o PDT bateu martelo em Imperatriz com a filiação de José Antônio, atual secretário de Educação do segundo maior e mais importante município do Maranhão. Avalizada pelo senador Weverton Rocha, a filiação de José Antônio é um indicativo forte de que ele será o candidato à sucessão do seu atual chefe, prefeito Assis Ramos.

Se a sua candidatura for confirmada, José Antônio entrará na corrida para disputar com o deputado estadual Rildo Amaral (PP), apoiado pelo Palácio dos Leões; com o deputado federal Josivaldo JP (PSD), que tenta reunir os bolsonaristas; com o ex-deputado estadual Marco Aurélio (PSB), que pode mudar de partido e com Mariana Carvalho (Republicanos), entre nomes que se movimentam para entrar na briga.

O presidente estadual do PDT, senador Weverton Rocha, que é filho de Imperatriz, descartou aliar o PDT a outras candidaturas, decidindo agora que o partido vai mesmo ter candidato próprio na disputa para o comando da antiga Vila do Frei.  

Morte de Pádua Nazareno reduz grupo que Jackson Lago formou para governar São Luís

Pádua Nazareno

A morte, aos 62 anos, de câncer, do engenheiro civil e ex-vereador e ex-secretário de Trânsito e Transportes de São Luís, Pádua Nazareno, levou mais um dos integrantes do seleto grupo de jovens que ocuparam cargos importantes no primeiro governo de Jackson Lago (PDT) na Prefeitura da Capital, entre 1989 e 1992. Chamava-se Antônio de Pádua Oliveira Nazareno e atualmente era secretário municipal licenciado de Mobilidade Urbana de Paço do Lumiar.

Administrativamente, Pádua Nazareno deu a largada no processo de organização do trânsito de São Luís, com intervenções inovadoras na sinalização, retornos, rotatórias, entre outros equipamentos. No campo dos transportes de massa, Pádua Nazareno fez parte de um grupo escalado por Jackson Lago para estudar e iniciar a implantação do sistema de circulação de ônibus então vigente em Curitiba, onde o prefeito Jaime Lerner (PDT), fazia uma revolução. O sistema atualmente em vigor em São Luís é um arranjo do de Curitiba.

Em 1992, apoiando a candidatura de Conceição Andrade (PSB), com o aval de Jackson Lago, Pádua Nazareno foi eleito vereador pelo PDT, com mais de 10 mil votos. Mas, devido à guerra entre Jackson Lago e Conceição Andrade, não conseguiu a reeleição.

No Governo de Jackson Lago, entre 2007 e 2009, Pádua Nazareno foi diretor-geral do Detran, cargo que deixou quando Jackson Lago foi tirado do Palácio dos Leões por decisão judicial.

A Coluna se associa às manifestações de pesar.

São Luís, 13 de Fevereiro de 2024.

Com saldo favorável, vereadores de São Luís podem encarar o eleitor e pedir votos

Entre Beto Castro, Aldir Melo e Pavão Filho,
Paulo Victor comanda sessão da
Câmara Municipal de São Luís

Mais antigo entre os parlamentos municiais brasileiros, tendo nascido em 1619, por inciativa do magistrado de origem açoriana Simão Estácio da Silveira, a Câmara Municipal de São Luís é o que se pode chamar de uma Casa Legislativa por excelência, com uma história longa e rica, marcada também por altos e baixos. Ao longo de mais de quatro séculos foi motivo de questões políticas graves – algumas das quais mudaram o curso da História do Maranhão -, foi invadida, sofreu intervenções, mas nunca deixou de funcionar e sempre foi o epicentro da política de São Luís. Essa Casa, que depois de algum tempo se manteve politicamente discreta, mas efetiva, vive um momento de protagonismo na política ludovicense e os seus 31 integrantes se preparam para ir às urnas em busca da reeleição. À frente desse processo está o vereador-presidente, Paulo Victor – que no momento migra do PSDB para o PSB -, um político jovem e ousado, para muitos polêmico, mas que não deixa nenhuma dúvida de que está no comando de um movimento que recolocou o parlamento no epicentro da política ludovicense.

A eleição do prefeito Eduardo Braide (PSD), um político pragmático, sinalizou que os vereadores não teriam o mesmo espaço político de antes. E foi exatamente o que aconteceu. Eduardo Braide fez uma política de equidistância, sem a preocupação de formar uma base e negociando caso a caso a aprovação dos seus projetos. Na contrapartida, o presidente Paulo Victor – que se elegeu e reelegeu –, alinhado de primeira hora ao governador Carlos Brandão (PSB), galvaniza a Casa e faz dura oposição ao prefeito, numa ação política que já resultou em três propostas de impeachement e na abertura de uma CPI. Com isso, a Casa “racha”, sem crise, com a maioria do plenário contrária ao Poder Executivo, uma fatia trabalhando o “meio de campo” e outra mais distanciada do confronto, que costuma apoiar o prefeito, sem lhe fazer maior alarde. Político hábil, o prefeito tem enfrentado o xadrez e vem tocando o barco sem maiores problemas.

No campo legislativo propriamente dito, e em grande medida pelo desempenho do presidente Paulo Victor, a grande maioria dos atuais vereadores ludovicenses tem argumentos para encarar o eleitor e pedir-lhe o voto. Além das centenas de projetos de lei, requerimentos, proposições diversas, eles aprovaram o Plano Diretor da Cidade de São Luís, que ali tramitou por quase duas décadas e foi objeto de andamento complicado, com avanços e recuos, e muita discussão. O prefeito Eduardo Braide, portanto, recebeu do atual parlamento municipal o mais importante instrumento para o planejamento do futuro imediato da Capital. E mais: desencalharam e julgaram as contas dos ex-prefeitos Jackson Lago, Conceição Andrade, João Castelo e Tadeu Palácio, realizaram uma densa CPI sobre o transporte de massa de São Luís, e têm engatilhado o Plano de Zoneamento Ecológico de São Luís, um documento urgente e essencial para a cidade. Tudo isso dá aos vereadores um bom volume de crédito.

A Câmara Municipal de São Luís viveu, no ano passado, momentos em que sua credibilidade esteve ameaçada: o Palácio Pedro Neiva de Santana foi alvo de ações da Polícias Federal, que buscava provas contra alguns dos seus membros. Ações rápidas reverteram o cenário sombrio, mas o inquérito continua. Também há a acusação de estupro que pesam sobre o vereador Domingos Paz, que está na linha de tiro para ser cassado.

A começar pelo presidente Paulo Victor – que queria ser candidato a prefeito, mas não deu -, os atuais vereadores encontram-se aptos a buscar a reeleição e muitos deles parecem dispostos a jogar pesado para consegui-la. Eles são 31, neste momento – seis mulheres e 25 homens: Concita Pinto (PCdoB), Fátima Araújo (PCdoB), Karla Sarney (PSD), Rosana da Saúde, (Republicanos), Creuzamar de Pinho (PT) – que ocupa interinamente a vaga de Jhonatan Soares (PT), do Coletivo Nós -, Paulo Victor (PSB), Marlon Botão (PSB), Astro de Ogun (PCdoB), Francisco Chaguinhas (Podemos), Domingos Paz (Podemos), Marcial Lima (Podemos), Otávio Soeiro (Podemos), Aldir Júnior (PL), Daniel Oliveira (PL), Beto Castro (PMB), Antônio Garcez (Agir), Álvaro Pires (PMN),  Marcos Castro (PMN), Coletivo Nós (PT), Gutenberg Araújo (PSC), Marquinhos (PSC), Pavão Filho (PDT), Raimundo Penha (PDT), Nato Jr. (PDT),  Ribeiro Neto (Mais Brasil), Zeca Medeiros (Mais Brasil), Edson Gaguinho (União Brasil), Andrei Monteiro (Republicanos), Chico Carvalho (PSDB), Thiago Freiras (sem partido) e Umbelino Jr. (sem partido).

Na semana passada, ao encerrar a sessão de abertura do Ano Legislativo, o presidente Paulo Victor lembrou que a vida parlamentar é marcada pelo desafio da reeleição, e que por isso 2024 será um ano de “permanência e despedida”. Os atuais vereadores têm pouco menos de nove meses para essa decisão do eleitor.

PONTO & CONTRAPONTO

Jogo de raposas: Madeira entrega PSDB de São Luís a Chico Carvalho

Sebastião Madeira entregou o PSDB
de São Luís a Chico Carvalho

Depois de um curto período sob o controle do vereador-presidente Paulo Victor, o PSDB será comandado em São Luís pelo vereador Chico Carvalho, raposa veterana da política ludovicense, que contabiliza nada menos que oito mandatos consecutivos na Câmara Municipal, incluindo dois de presidente. O acerto foi feito com o presidente estadual do partido, o ex-prefeito de Imperatriz e atual chefe da Casa Civil do Governo do Estado, Sebastião Madeira, que conhece como poucos os meandros da vida partidária maranhense e que está, aos poucos, remontando o PSDB no estado.

Em meados do ano passado, o vereador-presidente da Câmara Municipal Paulo Victor havia deixado o PCdoB e rascunhava o projeto de se candidatar à Prefeitura de São Luís. Em meio ao movimento de renovação tucana, ele se filiou ao PSDB e assumiu o comando do ninho no município. Contratempos o impediram de se candidatar e prefeito e o presidente da Câmara decidiu jogar seu peso político e eleitoral no apoio à candidatura do deputado Duarte Jr. à Prefeitura da Capital, migrando do PSDB para o PSB.

Nesse meio tempo, o apurado faro político de Sebastião Madeira foi buscar em Chico Carvalho, que havia perdido o controle do Cidadania para Eliel Gama, irmão da senadora Eliziane Gama (PSD).

Chico Carvalho, que é craque no jogo partidário, já declarou apoio à candidatura de Duarte Jr. a prefeito e deve lançar uma chapa de candidatos do PSDB ao parlamento ludovicense. Exatamente o que Sebastião Madeira havia imaginado.

Coisa de raposas tarimbadas.

PF tem relatório completo sobre o acampamento golpista no João Paulo

Quando a polícia foi acionada, os golpista anoiteceram
mas não amanheceram no acampamento

Pode estar enganado quem pensa que a operação Tempus Veritatis, que investiga a tentativa fracassada de golpe de estado do presidente Jair Bolsonaro (PL) e sua turma, passará ao largo de São Luís. E um dos fios da meada será o acampamento no qual um grupo de bolsonaristas de todos os naipes se concentraram durante semanas pedindo às forças concentradas no 24º BIS Batalhão de Caçadores, onde oficiais se mantiveram no fio da navalha, sem declarar apoio, mas também sem cumprir a Constituição e desativar a estrutura de apoio golpista.

Uma experiente fonte policial disse à Coluna que a Polícia Federal tem relatório completo a respeito do movimento golpista em São Luís. Sabe quem foram os organizadores, os empresários que financiaram a alimentação e políticos que por lá passaram incentivando a permanência. Tem convicção de que, cedo ou tarde, essa turma será chamada para se explicar. Pelo simples fato de que o acampamento em frente ao 24º BC foi montado e mantido por mais de um mês e que alguns organizadores e mantenedores foram identificados sem problemas. E foi desmontado com surpreendente rapidez quando, por ordem do STF, a polícia se preparou para desmontá-lo. Não ficou um golpista para resistir.

Pode haver consequências, até porque não há diferença entre o acampamento do João Paulo e o de Brasília.

São Luís, 11 de Fevereiro de 2024.

Pesquisa mostra tendência da corrida em Pinheiro, mas a guerra para valer ainda não começou

André da RalpNet, João Batista Segundo, Filuca Mendes, Thaíza Hortegal
e Leonardo Sá, na corrida à prefeitura de Pinheiro

Se a eleição para a Prefeitura de Pinheiro – uma das mais importantes e estratégicas cidades do Maranhão, que leva também a marca se ser a terra natal do ex-presidente José Sarney (MDB) – fosse agora, no cenário mais provável, o novo prefeito seria André da RalpNet (Podemos), com 38,33% dos votos. Ele seria seguido pelo vereador João Batista Segundo – não há informação partidária sobre ele – com 15%, pela ex-deputada Thaíza Hortegal (PDT) com 10,48%; pelo ex-prefeito Filuca Mendes (MDB) com 9,76%, pelo ex-deputado estadual Leonardo Sá (PP) com 8,1%, e por Geraldo Jr. (União Brasil), com 3,57% da votação. Além disso, 9,76% disseram que votarão em branco ou anularão o voto, enquanto 5% não souberam e não quiseram responder.

Levando em conta o fato de que Pinheiro é um município com 85 mil habitantes, o que inviabiliza eleição com dois turnos, os primeiros indicadores apontam que André da RalpNet (nome esquisito, não?!) navega numa liderança consistente, com mais de 23 pontos percentuais sobre o segundo colocado, mas essa consistência será testada ao longo dos mais de oito meses que ainda separam o eleitor da urna.

Nesses cerca de 250 dias, Pinheiro será palco de uma verdadeira guerra pelo voto, envolvendo as mais importantes forças políticas atualmente atuando no estado. São vários pesos pesados da política maranhense, a começar pelo senador Weverton Rocha (PDT), bem como o ministro André Fufuca (PP), o ministro Juscelino Filho (União Brasil), o deputado federal Fábio Macedo (Podemos), e o novo chefe do MDB, Marcus Brandão, que está determinado a ver o MDB com um bom desempenho nas urnas em 2024. Isso sem contar as forças mais poderosas, que são o PSB, comandado pelo governador Carlos Brandão, que ainda vai se posicionar, e a Federação Brasil Esperança, formada por PT, PCdoB e PV. E mais ainda: a posição da futura senadora Ana Paula Lobato (PSB) e do deputado estadual Othelino Neto (PCdoB).

Como é possível observar com clareza, a disputa pela Prefeitura de Pinheiro é atípica, fora dos padrões normais do jogo político e eleitoral. É o que o folclore eleitoral chama de “briga de cachorro grande”. Na melhor das definições.

Se entrou em fevereiro com essa vantagem, o empresário André da RalpNet, que não tem tradição na política, demonstra fôlego para levar sua campanha em frente, com o forte apoio do presidente estadual do seu partido, deputado federal Fábio Macedo, que está investindo pesado nessas eleições municipais. Os demais candidatos, apoiados pelo governador, vice-governador, ministros de Estado, senadores, etc., vão jogar pesado para mudar o curso da campanha, disso ninguém tem dúvida. E nessa guerra estará também, discreto, mas presente, o prefeito Luciano Genésio (PP), que não quer ser jogado para as cobras quando sair da Prefeitura sem mandato.

O jogo político em Pinheiro é complexo, exatamente pelas numerosas forças que dele participam. O senador Weverton Rocha quer se tornar uma referência no município com o “Hospital do Amor”, a exemplo do que fez em Imperatriz, mas não deu certo. A senadora Ana Paula Lobato terá um peso político enorme a partir do dia 21, quando será efetivada na vaga aberta com a renúncia de Flávio Dino para assumir cadeira na Suprema Corte. O ministro André Fufuca está em busca de formar base para disputar o Senado e um bom desempenho político em Pinheiro é importante. Queiram ou não, o ex-presidente José Sarney ainda conversa com famílias importantes da Rainha da Baixada, sendo também o caso do ex-deputado estadual José Jorge, o todo-poderoso diretor da Equatorial, que também dá seus pitacos nas eleições na terrinha.

Não há dúvida de que a pesquisa Exata rascunha um rumo plausível com a vantagem de André da RalpNet, um empresário que tem pós-graduação em Administração e parece muito empolgado com a vantagem. Mas o jogo em Pinheiro vai começar para valer com a chegada das águas de março.

Em Tempo: a pesquisa Exata ouviu 420 eleitores nos dias 22 e 23 de janeiro em Pinheiro. Tem margem de erro de 4,33 pontos percentuais para mais ou para menos, intervalo de confiança de 95% e está registrada na Justiça Eleitoral sob o protocolo MA-07651/2024.

PONTO & CONTRAPONTO

O Brasil agora sabe que um golpe de Estado foi tramado e por pouco não foi consumado

Jair Bolsonaro tramou o golpe

Poucas vezes o Brasil foi alcançado por um conjunto de revelações tão fortes sobre os riscos a que a democracia foi submetida com o desatinado projeto de golpe de Estado tramado durante o último ano do governo do presidente Jair Bolsonaro.

As informações que vieram à tona pela operação Tempus Veritatis da Polícia Federal não deixam qualquer margem de dúvida sobre o projeto de golpe. Mostraram que, em diversos momentos, o presidente e seus assessores mais próximos, juntamente com parte da cúpula militar, de fato tramaram a implosão das instituições democráticas com o objetivo de reverter o resultado da eleição presidencial, de modo a permitir que Jair Bolsonaro permanecesse com o bastão presidencial.

Os resultados das investigações são reveladores: minutas e minutas golpistas, conversas de auxiliares mais próximos sobre o andamento da armação, preparação do ambiente com o incentivo às ocupações em frente aos quartéis – o que é crime, mas foi ostensivamente tolerado pela cúpula militar -, arrecadação para financiar a permanência dos “buchas-de-canhão” naqueles acampamentos, previsão de prisão violenta e arbitrária de ministros do Supremo, Gilmar Mendes e Alexandre de Moraes, e do presidente do Senado e do Congresso Nacional, Rodrigo Pacheco, instituições que seriam fechadas, e a mudança, na marra, do resultado da eleição presidencial, sendo mantidos intactos os números das eleições para deputado estadual, governador, deputado federal e senador da República, entre outras arbitrariedades.

Poucas lideranças políticas maranhenses demonstraram afinidade plena com o pensamento do presidente Jair Bolsonaro. O então senador Roberto Rocha (PTB) foi um apoiador entusiasmado de tudo o que o presidente fez, mas não há informações do seu envolvimento com o movimento golpista, como também não há declarações suas pregando o contrário. Um dos políticos mais influentes do estado, o presidente do PL no Maranhão, deputado federal Josimar de Maranhãozinho não deu uma só palavra a favor de qualquer gesto golpista do presidente da República, tendo inclusive se distanciado de Jair Bolsonaro ao longo da corrida às urnas. Também o deputado federal Aluísio Mendes (Republicanos), que foi vice-líder do Governo Bolsonaro na Câmara Federal, não fez grita contra as instituições democráticas, mas também não criticou os que a fizeram.

No contrapeso, deputados de oposição como Márcio Jerry (PCdoB) e Rubens Jr. (então PCdoB), foram duros e denunciaram a trama. Já o senador Weverton Rocha (PDT) passou ao largo dessa crise nos últimos meses do governo Bolsonaro, quando o presidente e sua turma tramavam o golpe. Ontem, o senador pedetista surpreendeu com uma declaração muito parecida com a do presidente do Senado e do Congresso Nacional, Rodrigo Pacheco (PDS-MG), que figurou como um dos que seriam caçados e presos, caso o golpe tivesse sido consumado.

Fim da greve dos rodoviários: Braide diz que enquanto uns falam, ele resolve

Eduardo Braide diz que enquanto
uns falam, ele resolve

O prefeito Eduardo Braide foi às redes sociais para dizer o seguinte: “Fim da greve. E sem aumento de passagens. E os ônibus já voltam a circular nesta sexta. Enquanto uns falam eu enfrento os problemas. E resolvo”.

Realmente, negociou com rodoviários e empresários e resolveu a greve. E o que é mais surpreendente e importante nesse caso é que os rodoviários aceitaram um acordo com os empresários e tudo acabou resolvido, com o sistema de transporte rodoviário de massa de São Luís de volta à normalidade.

Ao lado do alívio pela solução do problema forma-se uma bolha de curiosidade: qual a fórmula que levou à solução da greve, com todas as partes satisfeitas? A resposta está numa verba que o prefeito incluiu no Orçamento de 2024, exatamente para solucionar esse problema.

Ou seja, o prefeito recorre ao subsídio: repassa às empresas dinheiro municipal para cobrir o valor da passagem e a diferença salarial que empresários pagam aos rodoviários. E todo mundo fica satisfeito.

Subsidiar serviços como transporte coletivo não está errado, e o prefeito de São Luís tem prerrogativa para fazê-lo, desde que tenha dinheiro disponível para tal, que não seja retirado de outras rubricas.

Nas contas de um vereador, ao completar seus 48 meses de gestão, o prefeito Eduardo Braide terá repassado pelo menos R$ 70 milhões, o que equivale e a repasse de pelo menos R$ 1,3 milhão por mês.

Adversários chiam, mas nada podem fazer, porque não há nada de errado do ponto de vista legal.

São Luís, 09 de Fevereiro de 2024.

Duarte Jr. recebe apoio do Avante e amplia a base partidária do seu projeto de candidatura

Duarte Jr. (paletó azul) recebe o apoio do Avante por decisão de Júnior Lourenço
camisa azul à esquerda) e Beto Castro (camisa branca à esquerda)

O deputado federal Duarte Jr. (PSB) recebeu o apoio do Avante ao seu projeto de candidatura à Prefeitura de São Luís. O movimento do partido ocorreu na sua sede na Capital e foi consolidado pelo seu presidente regional, deputado federal Júnior Lourenço, e pelo presidente na Capital, vereador Beto Castro. O apoio do Avante é parte de uma estratégia por meio da qual Duarte Jr. quer dar ao seu projeto de candidatura uma consistente base partidária, que já conta com o seu próprio partido, além do PT, PCdoB, PV e PP, devendo contar com o suporte do PL, do MDB e, provavelmente, do PSDB e do PRD, e ainda de uma parte do PSD, partido do prefeito Eduardo Braide, representada pela senadora Eliziana Gama. Ele deve brigar também pelo apoio do Podemos, hoje controlado pelo deputado federal Fábio Macedo. O parlamentar tem trabalhado duro para construir essa base partidária para a sua candidatura, e cada passo que consegue dar é comemorado.

Posicionado em segundo lugar nas pesquisas realizadas até o final de dezembro passado, todas elas tendo o prefeito Eduardo Braide como favorito, com média de dez pontos percentuais à sua frente, Duarte Jr. fez cálculos e analisou o cenário tem tentado consolidar a avaliação de que consegue virar o jogo se conseguir mobilizar para valer esses partidos anos dos e os seus apoiadores. Nas conversas que vem mantendo, ele admite que o páreo é duro, mas avalia que está em condições de vencer a eleição. Para tanto, precisa de uma aliança partidária ampla e forte. Os cinco maiores partidos da base estão com o seu projeto de candidatura.

Os dois chefes do Avante avaliaram que a candidatura do parlamentar socialista é consistente e que pode, sim, jogar de igual para igual como prefeito Eduardo Braide. O deputado federal Júnior Lourenço, que já foi prefeito de Miranda do Norte e tem renovado mandato federal com votações expressivas, conhece o caminho das pedras e aposta que o Avante pode ser beneficiado na corrida à Câmara Municipal. O vereador Beto Castro, que já está no terceiro mandato, pensa o mesmo e está estimulando os candidatos à Câmara Municipal pelo partido a entrar na briga para valer. Os dois sabem o que estão fazendo quando se declaram apoiadores do projeto de candidatura do deputado federal Duarte Jr., que por sua vez reagiu afirmando: “Juntos vamos fazer a diferença”.

Com o aval da direção nacional do PSB e o apoio declarado do governador Carlos Brandão, Duarte Jr. deve aproveitar a folia momesca para intensificar as conversas partidárias. Um dos “nós” que precisa desatar é o continua ligando parte do MDB ao prefeito Eduardo Braide, representado pelo presidente municipal do partido, deputado federal Cleber Verde, que insiste em levar a agremiação emedebista para a base de apoio da candidatura do prefeito. Ele ainda não foi convencido de que o partido deve apoiar Duarte Jr. e até o momento não deu sinais de que vai mudar sua posição. O período carnavalesco pode ser o momento de resolver essa pendência, que já começa a incomodar a cúpula do MDB.

Outro dado que vem animando a montagem da base partidária do projeto de candidatura do deputado federal Duarte Jr. é o interesse dos partidos mais fortes, a começar pelo PT, pela vaga de candidato a vice-prefeito. O PT teria a preferência por ser por ser o principal aliado do PSB nessa corrida e pelo fato de a candidatura do deputado socialista contar com o aval da cúpula nacional do partido do presidente Lula da Silva. O PCdoB também estaria interessado na vaga. E o próprio MDB, que já teria inclusive definido um nome para propor à cúpula do PSB.

É provável que o deputado federal Duarte Jr. saia do reinado momesco com a base partidária da sua candidatura ampliada.

PONTO & CONTRAPONTO

União Brasil deve aproveitar o Carnaval para decidir se lança Neto Evangelista candidato em São Luís

Neto Evangelista aguarda
decisão do União Brasil

Tudo indica que o reinado de Momo servirá para definir uma série de situações relacionadas com a corrida para a Prefeitura de São Luís. Uma delas diz respeito ao União Brasil, partido comandado pelo deputado Pedro Lucas Fernandes e que tem como peso pesado o ministro das Comunicações Juscelino Filho.  

A pergunta que está posta é a seguinte: o União Brasil vai ou não vai lançar o deputado Neto Evangelista na disputa pelo Palácio de la Ravardièrie? Se vai lançar, quando baterá o martelo? Se não, a quem apoiará nessa corrida? Irá com o prefeito Eduardo Braide ou com o deputado federal Duarte Jr.?

Uma das siglas mais forte da atualidade, com influência dentro do Centrão, o União Brasil dificilmente ficará de fora dessa disputa, seja participando com candidato próprio, seja na base de uma candidatura forte.

O deputado Neto Evangelista tem dito e repetido que está à disposição do partido para ser candidato à prefeito de São Luís, a exemplo do que aconteceu na eleição de 2020, quando ele ficou em terceiro lugar numa disputa em que Eduardo Braide e Duarte Jr. foram para o segundo turno. Agora, quando o mesmo cenário é recriado, com   polarizada entre Eduardo Braide e Duarte Jr., Neto Evangelista acredita que pode alterar esse desenho como candidato do União Brasil.

O problema maior é não perder mais tempo e tomar a decisão, o que deve acontecer ainda em fevereiro, provavelmente depois que Momo se recolher.

Antes em silêncio, Juscelino Filho fala agora em aumentar a taxação das big tecs

Juscelino Filho agora fala duro com big tecs

Notícia divulgada ontem pelo jornal O Globo:

O ministro das Comunicações, Juscelino Filho, defendeu a taxação das big techs, como são chamadas as grandes empresas digitais — Google, Meta e Netflix, entre outras —, com o objetivo de financiar ações de inclusão digital no Brasil. A declaração foi dada durante o Seminário Políticas de TeleComunicações, em Brasília, nesta terça-feira.

— O governo federal faz grandes investimentos para manter e ampliar a infraestrutura de telecomunicação do país. Então é justo que essas big techs, que faturam bilhões, deixem uma contribuição no Brasil e que, obrigatoriamente, esses recursos, ou parte deles, sejam revertidos para levar internet aos mais pobres, aos lugares mais longes, onde a iniciativa privada não chega — defendeu o ministro.

De acordo com Juscelino, as big techs não pagam nenhuma contrapartida pelo uso massivo do tráfego de dados na infraestrutura de telecomunicações no Brasil.

Em 2023, o ministro já havia destacado uma orientação do governo para que o tema da regulação do ecossistema digital fosse tratado no âmbito da Secretaria de Comunicação da Presidência da República, onde está a secretaria de direitos digitais.

No mercado brasileiro, entre 2017 e 2019, empresas digitais globais com faturamento acima de R$ 100 milhões pagaram impostos entre 8,67% e 11,57%, ante uma taxação média de 19,57% sobre as demais empresas. A suposição é que a diferença se explica por manobras contábeis.

Beleza. O ministro Juscelino Filho tem razão. Mas o que chama a atenção é o fato de o ministro das Comunicações haver mergulhado no mais absoluto silêncio quando o ministro da Justiça e Segurança Pública, Flávio Dino, enfrentou as poderosas big tecs em meados do ano passado, defendendo a regulamentação dessas megaempresas no Brasil. Não há qualquer registro de uma fala do ministro das Comunicações apoiando o ministro da Justiça.

Vale lembrar que na sua proposta de regulamentação o ministro da Justiça avançou também na área fiscal, defendendo que as big tecs, que ganham bilhões no País, sejam tachadas de maneira justa.

São Luís, 08 de Fevereiro de 2024.

Quebrando paradigmas: líder quilombola assume vaga do Coletivo Nós na Câmara de São Luís

Felipe Camarão e Paulo Victor prestigiaram a posse de
Creuzamar de Pinho, que assumiu na cadeida do
Coletivo Nós, que tem coo titular Jhonatan Soares

A Câmara Municipal de São Luís viveu ontem um momento especial, mostrando que em meio às estruturas arcaicas, viciadas e pouco confiáveis de boa parte dos atuais partidos brasileiros, há lugar para o novo, para a quebra de paradigmas, para a criação política que indique pelo menos um rumo diferenciado do que a dura realidade indica. Ali tomou posse como vereadora a suplente Creuzamar de Pinho (PT), líder quilombola, na vaga do Coletivo Nós (PT), este formado por seis co-vereadores e cujo titular é Jhonatan Soares, que se licenciou por 121 dias. O entra e sai de vereador para acesso de suplente ocorre com frequência na Casa, mas esse ganhou peso diferente, tendo sido prestigiado pelo vice-governador Felipe Camarão (PT), o mais destacado quadro petista no Maranhão de agora, e pelo presidente regional do partido, Francimar Melo, além de lideranças petistas de todos os escalões da agremiação. A presença temporária de Creuzamar de Pinho na Câmara Municipal de São Luís, além de um forte sopro de modernidade no cenário político da Capital, mostra que o PT não quer perder o link com o protagonismo político.

Como alertou o vice-governador Felipe Camarão – que foi um dos incentivadores da sua ascensão ao mandato – ao saudá-la: Creuzamar de Pinho “não é alguém que caiu de paraquedas na Câmara Municipal”. Natural de Codó e nascida de uma família descendente de escravos que se rebelaram, a nova vereadora temporária venceu todas as barreiras e se graduou Assistente Social. “A partir de agora, quero dizer que estaremos juntos e juntas, nestes grandes desafios ‘aquilombando’ no parlamento municipal. Sou assistente social por formação, mas eu sou acima de tudo uma menina que veio de Codó para cá. A minha história de vida se confunde com as histórias de muitas meninas, sobretudo, as meninas negras”, completou.

O presidente da Câmara Municipal, vereador Paulo Victor, dirigiu-lhe a seguinte saudação: “Além de ser mais uma mulher com assento nesta Casa, a vereadora Creuzamar é a primeira parlamentar quilombola da Câmara. Deus abençoe seu mandato, pois a senhora representa a resistência e a resiliência”.

Para chegar à Câmara Municipal em substituição temporária ao Coletivo Nós, Creuzamar de Pinho foi prestigiada com a decisão de Cricielle Muniz, diretora geral do IEMA, que era a primeira suplente de vereador e renunciou formalmente ao posto. O gesto permitiu que o titular do Coletivo Nós se licenciasse, abrindo caminho para a ascensão da líder quilombola. Vale anotar que ela não integra Coletivo Nós e que será vereadora sem co-vereadores. Ela chega ao Plenário do parlamento ludivicense na esteira de uma votação expressiva, o que lhe dá autoridade política e partidária para desempenhar o seu mister.

O outro protagonista desse momento na Câmara de São Luís é o Coletivo Nós (PT), que tem Jhonatan Soares como titular e é formado pelos co-vereadores Delmar Matias, Eni Ribeiro, Eunice Chê, Flávia Almeida e Raimundo Oliveira. Primeiro mandato coletivo na rica história da Câmara Municipal de São Luís, o Coletivo Nós conquistou a cadeira em nome do PT no pleito de 2020. Sua chegada ao parlamento ludovicense foi o que se pode chamar de quebra de paradigma, por ser inusitado do ponto de vista da existência e revolucionário no modo de atuar, transformando a mais antiga Câmara Municipal do Brasil – que nasceu com o status de Senado – na primeira a receber um mandato coletivo respaldado pela legislação eleitoral.

E vale chamar a atenção para o fato de que, superadas as dificuldades iniciais, o Coletivo Nós revelou-se uma fórmula produtiva no campo legislativo, o que atraiu o respeito da Casa, à medida em que se transformou num “vereador” produtivo, propositivo, antenado com a realidade e perfeitamente encaixado na estrutura da Câmara Municipal. Inicialmente criticado por vozes conservadoras como uma “deformação” do mandato parlamentar, o Coletivo Nós vai para a reeleição como o resultado de uma experiência politicamente ousada, fruto de uma mudança que vem dando certo.

A vereadora Creuzamar de Pinho pode se orgulhar da sua trajetória e do fato de estar substituindo um símbolo da inovação na política de São Luís.

PONTO & CONTRAPONTO

Deputados criticam Braide pela greve nos transportes urbanos

Eduardo Braide criticado por Carlos Lula,
Yglésio Moises e Wellington do Curso

A greve dos rodoviários de São Luís, a quinta da estão do prefeito Eduardo Braide (PSD), repercutiu ontem, fortemente, no plenário da Assembleia Legislativa. Três deputados abordaram um assunto e fizeram duras críticas ao prefeito Eduardo Braide (PSD). Carlos Lula (PSB), que já foi pré-candidato a prefeito, mas mantém um discurso crítico em relação à atual gestão; Yglésio Moises (ainda no PSB) e Wellington do Curso (ainda no PSC), ambos pré-candidatos à prefeito.

O deputado Carlos Lula criticou duramente o prefeito Eduardo Braide, a quem acusou de ser o principal responsável pela paralização do sistema de transporte. Lula atacou principalmente os gastos que o prefeito Eduardo Braide tem feito para subsidiar o sistema, repassando aos empresários o valor complementar da passagem. Chamou a atenção para o fato de que o Orçamento da Prefeitura para este prevê gastos de R$ 23 milhões com subsídios do transporte de massa, sem que seja encaminhada uma solução definitiva para o problema.

O deputado Yglésio Moises criticou o tempo que o prefeito vem usando para definir uma solução para a greve. Ele disse suspeitar que todo o problema esteja num conluio entre o prefeito Eduardo Braide e os empresários do setor, que são beneficiados com o subsídio, que é dinheiro do contribuinte e não investem na melhoria dos serviços.

O deputado Wellington do Curso lembrou que esta é a quinta greve no transporte coletivo de São Luís na gestão do prefeito Eduardo Braide. “Todo ano é esse problema, que acontece sempre perto do Carnaval. “Ele não tem um projeto para resolver isso”, declarou, apontando o prefeito como o principal responsável pelos problemas causados pela greve.

Weverton Rocha continua tentando mostrar que é amigo de Flávio Dino

Flávio Dino no seu primeiro discurso observado por Weverton Rocha, que presidiu a sessão

Por mais que o senador Weverton Rocha (PDT) tente fazer parecer que seus movimentos recentes em torno do senador Flávio Dino (PSB) são “coincidências”, a impressão de muitos observadores é a de que eles são cuidadosamente programados.

Ontem, chegou a ser de alguma maneira constrangedor o fato de ele, de repente, aparecer como presidente da sessão na qual o senador socialista faria o primeiro dos seus dois discursos. Não foi coincidência. O senador arquitetou para que ele estivesse no comando da sessão quando o suturo ministro do Supremo Tribunal Federal fosse falar. Funcionou, mas não convenceu como coincidência.

Quem conhece Flávio Dino sabe que, se tivesse o poder da escolha naquele momento, dificilmente teria um maranhense na presidência da sessão. Tanto que, movido pela obrigação da cordialidade, registrou o fato e o desenhou enigmaticamente como “situação ambígua”.

Situação parecida aconteceu na sessão em que o Senado aprovou a indicação de Flávio Dino para o Supremo. Num passe de mágica, o senador Weverton Rocha foi escalado para ser o relator da indicação. Até onde se sabe, Flávio Dino não combinou tal escolha e teria se surpreendido quando ela foi anunciada.

Aprovado na sabatina e no plenário, Flávio Dino foi até a Mesa agradecer ao presidente Rodrigo Pacheco (PSD-MG) pela condução dos trabalhos. No exato instante que Dino chegou a Mesa, o senador Weverton Rocha surgiu do nada e começou a agradecer aos senadores e aos santos pelo fato de a maioria haver aprovado o seu relatório, como se a aprovação de Flávio Dino tivesse dependido do tal relatório. Até os porteiros do Senado sabem que o relatório é apenas uma praxe, de vez que a decisão de cada senador é política.

Aguardam-se novos lances por meio dos quais o senador Weverton Rocha entrará para a crônica política como o maior “amigo” do futuro ministro da Suprema Corte.

São Luís, 07 de Fevereiro de 2024.