Quebrando paradigmas: líder quilombola assume vaga do Coletivo Nós na Câmara de São Luís

Felipe Camarão e Paulo Victor prestigiaram a posse de
Creuzamar de Pinho, que assumiu na cadeida do
Coletivo Nós, que tem coo titular Jhonatan Soares

A Câmara Municipal de São Luís viveu ontem um momento especial, mostrando que em meio às estruturas arcaicas, viciadas e pouco confiáveis de boa parte dos atuais partidos brasileiros, há lugar para o novo, para a quebra de paradigmas, para a criação política que indique pelo menos um rumo diferenciado do que a dura realidade indica. Ali tomou posse como vereadora a suplente Creuzamar de Pinho (PT), líder quilombola, na vaga do Coletivo Nós (PT), este formado por seis co-vereadores e cujo titular é Jhonatan Soares, que se licenciou por 121 dias. O entra e sai de vereador para acesso de suplente ocorre com frequência na Casa, mas esse ganhou peso diferente, tendo sido prestigiado pelo vice-governador Felipe Camarão (PT), o mais destacado quadro petista no Maranhão de agora, e pelo presidente regional do partido, Francimar Melo, além de lideranças petistas de todos os escalões da agremiação. A presença temporária de Creuzamar de Pinho na Câmara Municipal de São Luís, além de um forte sopro de modernidade no cenário político da Capital, mostra que o PT não quer perder o link com o protagonismo político.

Como alertou o vice-governador Felipe Camarão – que foi um dos incentivadores da sua ascensão ao mandato – ao saudá-la: Creuzamar de Pinho “não é alguém que caiu de paraquedas na Câmara Municipal”. Natural de Codó e nascida de uma família descendente de escravos que se rebelaram, a nova vereadora temporária venceu todas as barreiras e se graduou Assistente Social. “A partir de agora, quero dizer que estaremos juntos e juntas, nestes grandes desafios ‘aquilombando’ no parlamento municipal. Sou assistente social por formação, mas eu sou acima de tudo uma menina que veio de Codó para cá. A minha história de vida se confunde com as histórias de muitas meninas, sobretudo, as meninas negras”, completou.

O presidente da Câmara Municipal, vereador Paulo Victor, dirigiu-lhe a seguinte saudação: “Além de ser mais uma mulher com assento nesta Casa, a vereadora Creuzamar é a primeira parlamentar quilombola da Câmara. Deus abençoe seu mandato, pois a senhora representa a resistência e a resiliência”.

Para chegar à Câmara Municipal em substituição temporária ao Coletivo Nós, Creuzamar de Pinho foi prestigiada com a decisão de Cricielle Muniz, diretora geral do IEMA, que era a primeira suplente de vereador e renunciou formalmente ao posto. O gesto permitiu que o titular do Coletivo Nós se licenciasse, abrindo caminho para a ascensão da líder quilombola. Vale anotar que ela não integra Coletivo Nós e que será vereadora sem co-vereadores. Ela chega ao Plenário do parlamento ludivicense na esteira de uma votação expressiva, o que lhe dá autoridade política e partidária para desempenhar o seu mister.

O outro protagonista desse momento na Câmara de São Luís é o Coletivo Nós (PT), que tem Jhonatan Soares como titular e é formado pelos co-vereadores Delmar Matias, Eni Ribeiro, Eunice Chê, Flávia Almeida e Raimundo Oliveira. Primeiro mandato coletivo na rica história da Câmara Municipal de São Luís, o Coletivo Nós conquistou a cadeira em nome do PT no pleito de 2020. Sua chegada ao parlamento ludovicense foi o que se pode chamar de quebra de paradigma, por ser inusitado do ponto de vista da existência e revolucionário no modo de atuar, transformando a mais antiga Câmara Municipal do Brasil – que nasceu com o status de Senado – na primeira a receber um mandato coletivo respaldado pela legislação eleitoral.

E vale chamar a atenção para o fato de que, superadas as dificuldades iniciais, o Coletivo Nós revelou-se uma fórmula produtiva no campo legislativo, o que atraiu o respeito da Casa, à medida em que se transformou num “vereador” produtivo, propositivo, antenado com a realidade e perfeitamente encaixado na estrutura da Câmara Municipal. Inicialmente criticado por vozes conservadoras como uma “deformação” do mandato parlamentar, o Coletivo Nós vai para a reeleição como o resultado de uma experiência politicamente ousada, fruto de uma mudança que vem dando certo.

A vereadora Creuzamar de Pinho pode se orgulhar da sua trajetória e do fato de estar substituindo um símbolo da inovação na política de São Luís.

PONTO & CONTRAPONTO

Deputados criticam Braide pela greve nos transportes urbanos

Eduardo Braide criticado por Carlos Lula,
Yglésio Moises e Wellington do Curso

A greve dos rodoviários de São Luís, a quinta da estão do prefeito Eduardo Braide (PSD), repercutiu ontem, fortemente, no plenário da Assembleia Legislativa. Três deputados abordaram um assunto e fizeram duras críticas ao prefeito Eduardo Braide (PSD). Carlos Lula (PSB), que já foi pré-candidato a prefeito, mas mantém um discurso crítico em relação à atual gestão; Yglésio Moises (ainda no PSB) e Wellington do Curso (ainda no PSC), ambos pré-candidatos à prefeito.

O deputado Carlos Lula criticou duramente o prefeito Eduardo Braide, a quem acusou de ser o principal responsável pela paralização do sistema de transporte. Lula atacou principalmente os gastos que o prefeito Eduardo Braide tem feito para subsidiar o sistema, repassando aos empresários o valor complementar da passagem. Chamou a atenção para o fato de que o Orçamento da Prefeitura para este prevê gastos de R$ 23 milhões com subsídios do transporte de massa, sem que seja encaminhada uma solução definitiva para o problema.

O deputado Yglésio Moises criticou o tempo que o prefeito vem usando para definir uma solução para a greve. Ele disse suspeitar que todo o problema esteja num conluio entre o prefeito Eduardo Braide e os empresários do setor, que são beneficiados com o subsídio, que é dinheiro do contribuinte e não investem na melhoria dos serviços.

O deputado Wellington do Curso lembrou que esta é a quinta greve no transporte coletivo de São Luís na gestão do prefeito Eduardo Braide. “Todo ano é esse problema, que acontece sempre perto do Carnaval. “Ele não tem um projeto para resolver isso”, declarou, apontando o prefeito como o principal responsável pelos problemas causados pela greve.

Weverton Rocha continua tentando mostrar que é amigo de Flávio Dino

Flávio Dino no seu primeiro discurso observado por Weverton Rocha, que presidiu a sessão

Por mais que o senador Weverton Rocha (PDT) tente fazer parecer que seus movimentos recentes em torno do senador Flávio Dino (PSB) são “coincidências”, a impressão de muitos observadores é a de que eles são cuidadosamente programados.

Ontem, chegou a ser de alguma maneira constrangedor o fato de ele, de repente, aparecer como presidente da sessão na qual o senador socialista faria o primeiro dos seus dois discursos. Não foi coincidência. O senador arquitetou para que ele estivesse no comando da sessão quando o suturo ministro do Supremo Tribunal Federal fosse falar. Funcionou, mas não convenceu como coincidência.

Quem conhece Flávio Dino sabe que, se tivesse o poder da escolha naquele momento, dificilmente teria um maranhense na presidência da sessão. Tanto que, movido pela obrigação da cordialidade, registrou o fato e o desenhou enigmaticamente como “situação ambígua”.

Situação parecida aconteceu na sessão em que o Senado aprovou a indicação de Flávio Dino para o Supremo. Num passe de mágica, o senador Weverton Rocha foi escalado para ser o relator da indicação. Até onde se sabe, Flávio Dino não combinou tal escolha e teria se surpreendido quando ela foi anunciada.

Aprovado na sabatina e no plenário, Flávio Dino foi até a Mesa agradecer ao presidente Rodrigo Pacheco (PSD-MG) pela condução dos trabalhos. No exato instante que Dino chegou a Mesa, o senador Weverton Rocha surgiu do nada e começou a agradecer aos senadores e aos santos pelo fato de a maioria haver aprovado o seu relatório, como se a aprovação de Flávio Dino tivesse dependido do tal relatório. Até os porteiros do Senado sabem que o relatório é apenas uma praxe, de vez que a decisão de cada senador é política.

Aguardam-se novos lances por meio dos quais o senador Weverton Rocha entrará para a crônica política como o maior “amigo” do futuro ministro da Suprema Corte.

São Luís, 07 de Fevereiro de 2024.

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